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AFINAL, O QUE É

LITERATURA?
Wilma Avelino
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO-
SEMÂNTICO DO TERMO
LITERATURA
 O que é literatura?
 Títulos de obras arroladas como tal;
 Conceito de literatura mistura-se com a
descrição de determinado conjunto de textos;
 Willians (1979) – p. 19
 Ideia moderna de literatura  arte particular:
a partir da segunda metade do séc. VXIII e
desenvolvida no séc. XIX.
 Não se fazia literatura, mas se tinha literatura;
 Capacidade de ler, possuir conhecimento,
erudição, ciência;
 Abarcava conhecimentos de gramática,
filosofia, história, matemática;
 Final do séc. XV: reprodução de materiais
escritos  Copistas para o impressor;
Literatura passa a ser adquirida por meio de
textos impressos
 Literatura era atributo de poucos;
 Literatura: Condição social = classe
privilegiada;
 Textos de caráter imaginativo: poesia,
eloquência ou prosa;
 Poesia: composição de cunho imaginativo 
composições metrificadas, escritas e
impressas;
Literatura: categoria mais ampla;
 Século XVIII: mudanças – conhecimento,
saber para gosto e sensibilidade;
 Victor Aguiar e Silva – termo incorporando o
sentido de fenômeno estético;
 1. Literaturas Nacionais: anteriores aos Séc.
XVIII  caráter bio-bibliográfico; p. 21
 Crítica
 2. Associação de literatura com obras
“criativas ou “imaginativas”;
 Cultura humanística versus cultura científico-
tecnológica;
 Processo de especialização.
LITERATURA E
RALAÇÕES DE
PODER
 Sentidos para o termo literatura;
Estabelecimentos de “verdades”;
 Poder e conhecimento;
 Não são apenas as características intrínsecas
que determinam se um texto é literário ou não;
 O poder do conhecimento específico vai
determinar;
 Nem tudo o que é ensinado sem sala de aula
sempre foi considerado literatura.
 Terry Eagleton (2001):

 Inglaterra – séc. XVIII: literatura abrangia


todo o conjunto de obras valorizadas pela
sociedade, como filosofia, história, ensaios,
cartas e poemas.
 Duvidavam do romance;
 Critérios ideológicos: valores e gostos;
A arte da palavra – baladas, romances
populares – na rua/não literário.
 Período romântico: conceituações de
literatura se desenvolvem;
 “Imaginativo” passa a ser interessante;
 Escrita imaginativa entra em choque com o
espírito revolucionário;
 Regimes feudais derrubados;
Ascensão da classe média nos EUA e na
França;
 Inglaterra – 1ª nação industrial capitalista;
 Literatura romântica: denunciar e transformar
a sociedade.
 Estado Absolutista – séc. XVIII;
 Novos espaços de discussão: clubes e cafés,
jornais e periódicos;
 Crescimento do número de leitores e do
mercado jornalístico  escrita profissional 
“Homem de letras”: conhecimento
ideológico genérico
 Escrita era o ganha-pão;
 Tentava ajudar o público a entender a
complexidade das transformações econômica,
social e religiosa.
PÚBLICO LEITOR: até o séc. XVIII
1. Sociedade polida, intelectualizada;
2. Incapazes de ler;
3. Classe intermediária – “trabalha para viver”;

 Homem de letras: trabalho torna-se complexo


em decorrência da especialização
conhecimento;
 Universidades passam a abrigar as
discussões literárias.
 Universidade veio profissionalizar os estudos
literários;

Critica literária atual deriva dessa


institucionalização.

 Universidades: tem o poder de decidir o que
literatura, se é boa ou não e como deve ser
lida;
 Academia: posição de prestígio na sociedade;
 Conhecimento especializado é valorizado;
 Escola;
 Elementos diferenciadores da linguagem;
 Caráter ficcional.
 Fronteiras não são tão rígidas;
 A questão do poder também determina o que é ou não literatura.
 Decidir o que é literatura não uma decisão
individual;
Interpretação: experiência com o texto é
única, porém leitor leva suas experiências para
a produção do significado;
 Escola – “Comunidade interpretativa” – boa
ou ruim e leituras possíveis;
 Participantes: professores universitários,
críticos literários, mercado editorial, escola...
 Crítica e teoria literárias: possibilidades e
restrições de leituras.
 Foucault (1996): as disciplinas não só
possibilitam discursos como os restringem;
Estudos culturais, feministas e pós-coloniais,
literatura de massa, autoria feminina, de
minorias étnicas e sexuais
 Texto literário é plurissignificativo;
Correntes contemporâneas;
 Relação da literatura com outras artes;

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