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Tópicos de “A Hipótese Estética” de Clive Bell.

Disciplina: Estética Geral-UFOP. Profº. Desidério Murcho. Por: Juliano Gustavo Ozga. Filosofia UFSM-UFOP.

PROBLEMA CENTRAL ESTÉTICO: “descobrir alguma propriedade particular que seja comum a todos os objectos que a provocaram.”; “Teremos descoberto qual a propriedade particular de uma obra de arte, a propriedade essencial que distingue as obras de arte de todas as outras classes de objectos.”;

• Inicialmente Clive Bell pretende expor um critério que abranja todos os sistemas estéticos, sendo esse ponto inicial definido como uma experiência pessoal oriunda de uma emoção particular, provocada por uma obra de arte, ou seja, somente é considerada obra de arte um objeto que provoca essa emoção particular.

I-ESTRATÉGIA: “O ponto de partida de todos os sistemas estéticos deve ser a experiência pessoal de uma emoção particular.”;

II-DEFINIÇÃO: “Chamamos obras de arte a objectos que provocam esta emoção.”;

III-JUSTIFICAÇÃO: “Todas as pessoas sensíveis concordam em afirmar que há uma emoção particular causada por obras de arte.”;

• Para defender essa posição Clive Bell usa a justificação de que a maioria das pessoas sensíveis possuem o senso comum de que as obras de arte provocam uma emoção particular e peculiar. No entanto Clive Bell expõe uma inferência de que nem todas as obras de arte provocam a mesma emoção, e isso conduz a sua afirmação de que cada obra de arte possui uma emoção diferente.

IV-OBJEÇÃO: “Não quero com isso dizer, evidentemente, que todas as obras de arte provocam a mesma emoção.” ;

V-INFERÊNCIA: “Pelo contrário, cada obra produz uma emoção diferente”;

• Outra inferência de Clibe Bell estabelece uma relação entre todas as emoções e um mesmo tipo que lhes abrangem, donde decorre até o momento uma posição favorável ao argumento de Clive Bell, expressa pela hipótese de que há uma incapacidade de contestação de um determinado tipo de emoção por parte de quem experimenta emoção estética oriunda de obras de arte visual, onde essa incapacidade é geral por parte dos apreciadores.

VI-OBJEÇÃO: “Mas identificamos todas as emoções como pertencentes ao mesmo tipo.”;

“Pelo menos, até aqui, a melhor opinião está do meu lado.”;

• Outra inferência de Clibe Bell estabelece uma relação entre todas as emoções e um mesmo tipo que lhes abrangem, donde decorre até o momento uma posição favorável ao argumento de Clive Bell, expressa pela hipótese de que há uma incapacidade de contestação de um determinado tipo de emoção por parte de quem experimenta emoção estética oriunda de obras de arte visual, onde essa incapacidade é geral por parte dos apreciadores.

VII-DEFINIÇÃO: “Penso que a existência de um tipo particular de emoção, provocada por obras de arte visuais, emoção causada por todos os géneros de arte visual (pinturas, esculturas, edifícios, vasos, gravuras, têxteis, etc.), não é contestada por ninguém que seja capaz de a sentir.”;

• Esse tipo particular de emoção incontestada é definido como emoção estética, e que se desejarmos solucionar o problema central da estética devemos descobrir qual é a propriedade particular que provoca esse tipo de emoção. Aqui é exposto o problema referente à que propriedade particular é comum a todos os objetos e provocadora da emoção estética.

“Esta emoção chama-se emoção estética e, se formos capazes de descobrir alguma propriedade particular que seja comum a todos os objectos que a provocaram, então teremos solucionado aquele que considero ser o problema central da estética.”;

• Aqui se evidencia o problema central da estética proposto por Clive Bell, onde a imediata descoberta, se a mesma for possível, será a elucidação da propriedade particular essencial para definirmos algo como uma obra de arte, ou seja, estaremos descobrindo o critério necessário que diferencia todas as outras classes de objetos dos definidos como obras de arte.

VIII-PROBLEMA CENTRAL ESTÉTICO: “descobrir alguma propriedade particular que seja comum a todos os objectos que a provocaram.”;

“Teremos descoberto qual a propriedade essencial de uma obra de arte, a propriedade que distingue as obras de arte de todas as outras classes de objectos.”;

• Desse aspecto Clive Bell conclui que ao falarmos de obras de arte estamos a falar de uma propriedade comum que abrange todas as obras de arte visual, ou do contrário estamos falando tolices. Sua premissa de defesa é a de que há uma operação classificatória mental quando falamos de arte, e que essa mesma classificação distingue a classe das obras de arte de todas as outras classes de objetos.

IX-CONCLUSÃO IMPLÍCITA: “Portanto, ou todas as obras de arte visual têm alguma propriedade comum ou então, quando falamos de obras de arte, dizemos tolices.”;

“Todos falamos de arte operando uma classificação mental pela qual distinguimos a classe das obras de arte de todas as outras classes.”;

X“O que justifica esta classificação?”; “Qual é a propriedade comum e particular a todos os membros dessa classe?”;

• O foco central é o que justifica tal classificação e qual é a propriedade comum e particular que abrange todos os membros dessa classe denominada obras de arte? A justificação proposta por Clive Bell é a de que essa classificação é constituída de características essenciais e não acidentais. Assim sendo, há uma questão valorativa consequente de uma obra possuir determinada propriedade, e é necessariamente essa propriedade que garante existência ao que definimos como obras de arte.

XI-JUSTIFICAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO ANTERIOR: “Seja ela qual for, não há dúvida de que se encontra muitas vezes acompanhada de outras características; mas essas são acidentais – esta é essencial.”;

“Tem de haver uma determinada propriedade sem a qual uma obra de arte não existe; na posse da qual nenhuma obra é, no mínimo, destituída de valor.”;

XII-QUESTÕES: “Que propriedade é essa? Que propriedade é partilhada por todos os objetos que nos causam emoções estéticas? Que característica é comum a Santa Sofia e aos vitrais de Chartres, à escultura mexicana, a uma taça persa, aos tapetes chineses, aos frescos de Giotto em Pádua, e às obrasprimas de Possin, Piero della Francesca e Cézanne?”;

• Mais uma vez a indagação de Clive Bell é sobre a definição de qual é a propriedade comum, sendo essa, uma determinada característica partilhada por todos os objetos de arte do qual nos causam emoção; característica essa que é encontrada tanto na obra Santa Sofia como nos vitrais de Chartres, na escultura mexicana, em uma taça persa, ou mesmo nos tapetes chineses, bem como nos afrescos de Giotto em Pádua, entre outros exemplos.

• A única resposta possível na concepção de Clive Bell é o conceito de forma significante, que é definido, em cada um dos casos, como sendo as linhas e cores combinadas de um modo particular, i.e., certas formas e relações de formas que nos causam as emoções estéticas.

XIII-RESPOSTA: “Só uma resposta parece possível – forma significante.”;

XIV-DEFINIÇÃO 1: “São, em cada um dos casos, as linhas e cores combinadas de um modo particular, certas formas e relações de formas, que suscitam as nossas emoções estéticas.”;

XV-DEFINIÇÃO 2: “A estas relações e combinações de linhas e cores, a estas formas esteticamente tocantes, chamo Forma Significante;

• Para concluir essa passagem Clive Bell expõe a definição de forma significante como sendo as relações e combinações de linhas e cores esteticamente tocantes e é essa forma significante tal propriedade comum a todas as obras de arte visual.

XVI-CARACTERÍSTICA DA FORMA SIGNIFICANTE: “e a Forma Significante é a tal propriedade comum a todas as obras de arte visual.”.

Referência Bibliográfica: Bell, C. (1914) Arte. A Hipótese Estética. Trad. R. C. Mendes. Lisboa: Texto & Grafia, 2009.