6-PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS METAIS

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PROPRIEDADES MECÂNICAS
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POR QUÊ ESTUDAR?  A determinação e/ou conhecimento das propriedades mecânicas é muito importante para a escolha do material para uma determinada aplicação, bem como para o projeto e fabricação do componente.  As propriedades mecânicas definem o comportamento do material quando sujeitos à esforços mecânicos, pois estas estão relacionadas à capacidade do material de resistir ou transmitir estes esforços aplicados sem romper e sem se deformar de forma incontrolável.

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Principais propriedades mecânicas
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      

Resistência à tração Elasticidade Ductilidade Fluência Fadiga Dureza Tenacidade,....

Cada uma dessas propriedades está associada à habilidade do material de resistir às forças mecânicas e/ou de transmiti-las
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TIPOS DE TENSÕES QUE UMA ESTRUTURA ESTA SUJEITA
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Tração  Compressão  Cisalhamento  Torção

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usa-se normas técnicas para o procedimento das medidas e confecção do corpo de prova para garantir que os resultados sejam comparáveis. 5 . que seria o ideal.DEM/PUCRS    A determinação das propriedades mecânicas é feita através de ensaios mecânicos. já que por razões técnicas e econômicas não é praticável realizar o ensaio na própria peça.Como determinar as propriedades mecânicas? Eleani Maria da Costa . Geralmente. Utiliza-se normalmente corpos de prova (amostra representativa do material) para o ensaio mecânico.

DEM/PUCRS As normas técnicas mais comuns são elaboradas pelas:  Materials)  ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ASTM (American Society for Testing and 6 .NORMAS TÉCNICAS Eleani Maria da Costa .

à tração (+ comum. determina a elongação) à compressão à torção ao choque ao desgaste à fadiga 7 .TESTES MAIS COMUNS PARA SE DETERMINAR AS PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS METAIS Eleani Maria da Costa ...DEM/PUCRS         Resistência Resistência Resistência Resistência Resistência Resistência Dureza Etc.

RESISTÊNCIA À TRAÇÃO É medida submetendo-se o material à uma carga ou força de tração. paulatinamente crescente. que promove uma deformação progressiva de aumento de comprimento NBR-6152 para metais 8 .

ESQUEMA DE MÁQUINA PARA ENSAIO DE TRAÇÃO Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS PARTES BÁSICAS    Sistema de aplicação de carga dispositivo para prender o corpo de prova Sensores que permitam medir a tensão aplicada e a deformação promovida (extensiômetro) 9 .

RESITÊNCIA À TRAÇÃO TENSÃO (σ ) X Deformação (ε ) Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS σ = F/Ao Kgf/cm2 ou Kgf/mm2 ou N/ mm2 Área inicial da seção reta transversal Força ou carga Como efeito da aplicação de uma tensão tem-se a deformação (variação dimensional). A deformação pode ser expressa: •O número de milímetrosa de deformação por milímetros de comprimento • O comprimento deformado como uma percentagem do comprimento original Deformação(ε ∆ l/lo )= lf-lo/lo= lo= comprimento inicial lf= comprimento final 10 .

Comportamento dos metais quando submetidos à tração Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Resistência à tração Dentro de certos limites. a deformação é proporcional à tensão (a lei de Hooke é obedecida) Lei de Hooke: σ =Eε 11 .

A deformação pode ser: Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Elástica  Plástica  12 .

DEM/PUCRS DEFORMAÇÃO ELÁSTICA  DEFORMAÇÃO PLÁSTICA     Prescede à deformação plástica É reversível Desaparece quando a tensão é removida É praticamente proporcional à tensão aplicada (obedece a lei de Hooke)  É provocada por tensões que ultrapassam o limite de elasticidade É irreversível porque é resultado do deslocamento permanente dos átomos e portanto não desaparece quando a tensão é removida Elástica Plástica 13 .Deformação Elástica e Plástica Eleani Maria da Costa .

Módulo Módulo Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS de de elasticidade ou Young E= σ / ε =Kgf/mm2 • É o quociente entre a tensão aplicada e a deformação elástica resultante. •Está relacionado com a rigidez do material ou à resist. à deformação elástica •Está relacionado diretamente com as forças das ligações interatômicas P A lei de Hooke só é válida até este ponto Tg α = E α Lei de Hooke: σ = E 14 .

Módulo de Elasticidade para alguns metais Eleani Maria da Costa .5 16 30 30 59 15 .DEM/PUCRS Quanto maior o módulo de elasticidade mais rígido é o material ou menor é a sua deformação elástica quando aplicada uma dada tensão MÓDULO DE ELASTICIDADE [E] GPa Magnésio AlumÍnio Latão Titânio Cobre Níquel Aço Tungstênio 45 69 97 107 110 207 207 407 106 Psi 6.5 10 14 15.

DEM/PUCRS  Alguns metais como ferro fundido cinzento. concreto e muitos polímeros apresentam um comportamento não linear na parte elástica da curva tensão x deformação 16 .Comportamento não-linear Eleani Maria da Costa .

o módulo de elasticidade depende apenas da orientação cristalina 17 . enquanto os materiais poliméricos tem baixo  Com o aumento da temperatura o módulo de elasticidade diminui * Considerando o mesmo material sendo este monocristalino.Considerações gerais sobre módulo de elasticidade Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Como consequência do módulo de elasticidade estar diretamente relacionado com as forças interatômicas:  Os materiais cerâmicos tem alto módulo de elasticidade.

O COEFICIENTE DE POISSON PARA ELONGAÇÃO OU COMPRESSÃO Eleani Maria da Costa . causada por uma força uniaxial.DEM/PUCRS • Qualquer elongação ou compressão de uma estrutura cristalina em uma direção. produz um ajustamento nas dimensões perpendiculares à direção da força z x 18 .

DEM/PUCRS • Tensões de cisalhamento produzem deslocamento de um plano de átomos em relação ao plano adjacente •A deformação elástica de cisalhamento é dada (γ ): Módulo de Cisalhamento ou de rigidez γ = tgα 19 .O COEFICIENTE DE POISSON PARA TENSÕES DE CISALHAMENTO Eleani Maria da Costa .

Forças de compressão.DEM/PUCRS  O comportamento elástico também é observado quando forças compressivas. tensões de cisalhamento ou de torção são impostas ao material 20 . cisalhamento e torção Eleani Maria da Costa .

DEM/PUCRS Esse fenômeno é nitidamente observado em alguns metais de natureza dúctil.O FENÔMENO DE ESCOAMENTO Eleani Maria da Costa .  21 . como aços baixo teor de carbono.  Caracteriza-se por um grande alongamento sem acréscimo de carga.

onde não observa-se nitidamente o fenômeno de escoamento Escoamento •Alguns aços e outros materiais exibem o comportamento da curva “b”. o limite de escoamento é bem definido (o material escoa.deforma-se plasticamente-sem praticamente aumento da tensão). Neste caso.Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Eleani Maria da Costa . geralmente a tensão de escoamento corresponde à tensão máxima verificada durante a fase de escoamento Não ocorre escoamento propriamente dito 22 .DEM/PUCRS Tensão de escoamento σ y= tensão de escoamento (corresponde a tensão máxima relacionada com o fenômeno de escoamento) • De acordo com a curva “a”. ou seja.

2% ou outro valor especificado (obtido pelo método gráfico indicado na fig. Ao lado) Fonte figura: Prof. Sidnei Paciornik do Departamento de Ciência dos Materiais 23 e Metalurgia da PUC-Rio .DEM/PUCRS quando não observa-se nitidamente o fenômeno de escoamento. a tensão de escoamento corresponde à tensão necessária para promover uma deformação permanente de 0.Limite de Escoamento Eleani Maria da Costa .

DEM/PUCRS 24 .Eleani Maria da Costa .

Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Resistência à Tração (Kgf/mm2)  Corresponde à tensão máxima aplicada ao material antes da ruptura É calculada dividindo-se a carga máxima suportada pelo material pela área de seção reta inicial  25 .

Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Tensão de Ruptura (Kgf/mm2)   Corresponde à tensão que promove a ruptura do material O limite de ruptura é geralmente inferior ao limite de resistência em virtude de que a área da seção reta para um material dúctil reduz-se antes da ruptura 26 .

DEM/PUCRS Corresponde ao alongamento total do material devido à deformação plástica %alongamento= (lf-lo/lo)x100 onde lo e lf correspondem ao comprimento inicial e final (após a ruptura). respectivamente ductilidade 27 .Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Ductilidade em termos de alongamento Eleani Maria da Costa .

Ductilidade expressa como alongamento Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS   Como a deformação final é localizada. o valor da elongação só tem significado se indicado o comprimento de medida Ex: Alongamento: 30% em 50mm 28 .

Ductilidade expressa como estricção Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Corresponde à redução na área da seção reta do corpo. imediatamente antes da ruptura  Os materiais dúcteis sofrem grande redução na área da seção reta antes da ruptura Estricção= área inicial-área final área inicial  29 .

Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Resiliência   Corresponde à capacidade do material de absorver energia quando este é deformado elasticamente A propriedade associada é dada pelo módulo de resiliência (Ur) σ ec s U r= σ  ec s 2 /2E Materiais resilientes são aqueles que têm alto limite de elasticidade e baixo módulo de elasticidade (como os materiais utilizados para molas) 30 .

DEM/PUCRS Tenacidade  Corresponde à capacidade do material de absorver energia até sua ruptura tenacidade 31 .Outras informações que podem ser obtidas das curvas tensãoxdeformação Eleani Maria da Costa .

DEM/PUCRS 32 .Algumas propriedades mecânicas para alguns metais Eleani Maria da Costa .

DEM/PUCRS 33 .VARIAÇÃO DA PROPRIEDADES MECÂNICAS COM A TEMPERATURA Eleani Maria da Costa .

DEM/PUCRS • A curva de tensão x deformação convencional.TENSÃO E DEFORMAÇÃO REAIS OU VERDADEIRAS Eleani Maria da Costa . não apresenta uma informação real das características tensão e deformação porque se baseia somente nas características dimensionais originais do corpo de prova ou amostra e que na verdade são continuamente alteradas durante o ensaio. estudada anteriormente. 34 .

li = Ao.lo  ε r = ln Ai/Ao 35 .DEM/PUCRS TENSÃO REAL (σ r)  DEFORMAÇÃO REAL (ε r)   σ r = F/Ai dε ε r r = dl/l = ln li/lo onde Ai é a área da seção transversal instantânea (m2) Se não há variação de volume Ai.TENSÃO E DEFORMAÇÃO VERDADEIRAS Eleani Maria da Costa .

RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E DEFORMAÇÕES VERDADEIRAS E CONVENCIONAIS Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS RELAÇÃO ENTRE TENSÃO REAL E CONVENCIONAL RELAÇÃO ENTRE DEFORMAÇÃO REAL E CONVENCIONAL  σ r = σ (1+ ε ) ε ε ) r = ln (1+ Estas equações são válidas para situações até a formação do pescoço 36 .

se foram tratados termicamente ou encruados A tensão correta de ruptura é devido a outros componentes de tensões presentes.TENSÃO CORRETA PARA A REGIÃO ONDE INICIA-SE A FORMAÇÃO DO PESCOÇO Eleani Maria da Costa . ou seja.DEM/PUCRS σ r = kε n correta K e n são constantes que dependem do material e dependem do tratamento dado ao material. além da tensão axial 37 .

Outras propriedades mecânicas importantes Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS Resistência ao impacto  Dureza  Fluência  FraturaSerão vistos posterirormente  Fadiga  38 .

DEM/PUCRS K= coeficiente de resistência (quantifica o nível de resistência que o material pode suportar)  n= coeficiente de encruamento (representa a capacidade com que o material distribui a deformação)  39 .Ken Eleani Maria da Costa .

Determinação de K e n Eleani Maria da Costa .DEM/PUCRS  Log σ r =log k+ n log ε extrapolando r Para ε r= 1 σ r σ r =k K Inclinação= n 1 ε r 40 .

DEM/PUCRS 41 .Eleani Maria da Costa .