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1. CALÚNIA 2. DIFAMAÇÃO 3.

INJÚRIA

Honra é um conjunto de atributos que tornam a pessoa merecedora de um apreço no convício social e que promovem a auto-estima Honra objetiva. Sentimento que o grupo social tem a respeito dos atributos físicos, morais e intelectuais de alguém. É o que os outros pensam a respeito do sujeito. A calúnia e a difamação atingem a honra objetiva. Ambas se consumam, portanto, quando terceira pessoa toma conhecimento da ofensa proferida. Honra subjetiva. Sentimento que cada um tem a respeito de seus próprios atributos. É o juízo que se faz de si mesmo, o seu amor-próprio, sua auto-estima.

Se o sujeito acha que a imputação é verdadeira. João matou Pedro quando este chegava em sua casa constitui imputação de fato determinado e configura calúnia. Falsamente. Assim. dizer que. Se não for falsa a ofensa. b) à autoria do crime . A falsidade pode referir-se: a) à existência do fato . 138 ± Caluniar alguém. dizer apenas que João é assassino constitui crime de injúria (imputação de qualidade negativa). de um acontecimento concreto. Elemento normativo do tipo. no mês passado.o agente narra um crime que ele sabe que não ocorreu. É necessário que o caluniador atribua ao caluniado a prática de um fato determinado. o fato é atípico. ou seja. desde que seja falsa tal imputação. pois não existe na hipótese imputação de fato. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: TIPO FUNDAMENTAL (caput) Imputar. Ao contrário.Art. há erro de tipo. . Atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de algum fato.o fato existiu mas o agente sabe que a vítima não foi a autora. que exclui o dolo.

Distinção. Na calúnia o agente visa atingir apenas a honra da vítima. imputando-lhe crime ou contravenção de que o sabe inocente. 339 do CP). pois. Na denunciação caluniosa (art. dando causa. por exemplo. de se saber quando a vítima tomou conhecimento da ofensa contra ela assacada. ou o agente profere a ofensa e o crime se consuma. o agente quer prejudicar a vítima perante as autoridades constituídas. A calúnia verbal não admite tentativa. Conforme já visto. O dolo. nesse caso. como.Elemento subjetivo. ou não o faz e. na dúvida. Tentativa. Independe. pois. por exemplo. . Na forma escrita. já que se trata de crime que atinge a honra objetiva. o fato é atípico. o crime de calúnia se consuma no momento em que a imputação chega aos ouvidos de terceira pessoa. a tentativa é admissível. assume o risco de fazer uma imputação falsa). direto ou eventual (quando o agente. imputando-lhe falsamente um crime perante outras pessoas. Consumação. no caso de carta ofensiva que se extravia. ao início de uma investigação policial ou de uma ação penal.

É punível a calúnia contra os mortos. Ou o sujeito conta o que ouviu ou não conta. sabendo falsa a imputação. É possível a tentativa nestes casos? Não. § 2º .Art. 138 § 1º . ‡ Propalar ± verbalmente ‡ Divulgar ± por qualquer outro meio ‡ Somente dolo direto ± ³sabendo falsa´ Ocorre esse crime se o sujeito propala apenas para uma pessoa ? Sim. porque possibilita que ela venha a transmitir a informação a outras pessoas. a propala ou divulga. .Na mesma pena incorre quem.

não é permitida a exceção. salvo: I.Art. A regra é que cabe na calúnia. a exceção da verdade quando a ofensa é feita contra o presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro. embora de ação pública. ‡ II . Por isso. no mesmo processo. do CP).EXCEÇÃO DA VERDADE ‡ ‡ ‡ ‡ A lei permite que o ofensor se proponha a provar. nos casos em que não se admite exceção da verdade (art. se já houve absolvição. e 111. Não cabe. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. mesmo que surjam novas provas. ‡ III . não é possível a exceção. constituindo o fato imputado crime de ação privada.se do crime imputado. Em qualquer caso. 138. I do art.se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no n. 138. 141. ele estará passando por cima da vontade da vítima e tocando em assunto que ela quis evitar. É possível existir a calúnia se a imputação for verdadeira? Sim. pois. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. que a imputação era verdadeira. . § 3° . O crime imputado pode ser de ação pública ou privada. Se o autor da imputação quiser provar em juízo que sua alegação é verdadeira (sem que haja condenação por esse fato). Não será admitida em 03 hipóteses .Admite-se aprova da verdade.se. § 32.

deixando claro o legislador que as pessoas não devem fazer comentários com outros acerca de fatos desabonadores de que tenham conhecimento sobre essa ou aquela pessoa. conforme já mencionado. Saliente-se que. imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: A difamação. 139 . . e pressupõe. existirá o crime. o bom nome.Difamação Art.Difamar alguém. mesmo que a imputação seja verdadeira. que a ofensa tenha o poder de arranhar a reputação da vítima. entretanto. tal qual na calúnia. a imputação de um fato determinado. é crime que atenta contra a honra objetiva. ou seja. na difamação. o bom conceito que o ofendido goza entre seus pares. bastando.

A difamação consuma-se quando um terceiro fica sabendo da imputação. Assim. uma vez que não há figura autônoma como na calúnia. ‡ Consumação. ‡ Tentativa. Somente possível na forma escrita. . aquele que propala o fato comete nova difamação. ‡ Sujeito passivo. Qualquer pessoa. ‡ Aquele que ouve uma difamação e propala o fato é sujeito ativo ? ‡ Sim. Pode ser qualquer pessoa.‡ Sujeito ativo.

EXCEÇÃO DA VERDADE DIFAMAÇÃO Em regra não cabe Exceção : Parágrafo único . Excludente de ilicitude visto que a falsidade não integra o tipo .A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

Injuriar alguém. ignorante. monstro constitui ofensa ao decoro. ‡ A exceção da verdade é incabível ‡ Crime contra a honra subjetiva ± apenas se consuma quando o fato chega ao conhecimento da vítima . 140 . ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: ‡ Xingamento ou qualidade negativa: Chamar a vítima de idiota. celerado. Na queixa-crime ou na denúncia por crime de injúria e necessário que o titular da ação descreva.INJÚRIA Art. ainda que sejam palavras de baixo-calão. quais foram as palavras ofensivas ditas pelo ofensor. burro. imbecil. sob pena de inépcia.

. que consista em outra injúria.O juiz pode deixar de aplicar a pena: I . provocou diretamente a injúria.quando o ofendido.INJÚRIA Perdão Judicial § 1º . de forma reprovável.no caso de retorsão imediata. II .

por sua natureza ou pelo meio empregado. que. desonra ‡ Lesão corporal ± soma as penas / Vias de fato ± absorvida . e multa. além da pena correspondente à violência.detenção. se considerem aviltantes: Pena .INJÚRIA REAL § 2º . ‡ Uma agressão que tenha o potencial de causar vergonha.Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. de três meses a um ano.

esbofetear. baixar a roupa alheia (mostrando o cofrinho) ± art 61 LCP ‡ Pelo meio empregado ± cuspir no rosto.INJÚRIA REAL ‡ Pela natureza do ato ± rasgar a roupa.LCP . atirar um bolo ± art 65 . sujar de fezes.

INJÚRIA RACIAL § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. os xingamentos referentes a raça ou cor da vítima constituirão crime de injúria qualificada (e não racismo) se visavam pessoa(s) determinada(s). pressupõe que a ofensa seja endereçada a alguém. Os delitos de racismo. por sua vez. religião. cor. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: ‡ Endereçado a pessoa ou pessoas determinadas ‡ Essa qualificadora foi inserida no Código Penal pela Lei n. a pessoa ou pessoas determinadas.).) ou pela segregação racial (proibição de ficar sócio de um clube ou de se matricular em uma escola em razão da raça ou cor. Assim. ou seja. ex. p. 9. etnia.459/97. p. estão previstos na Lei n. O crime de injúria. ex. 7. . como todos os demais crimes contra a honra.716/89 e se caracterizam por manifestações preconceituosas generalizadas (a todos de uma determinada cor.

‡ Os vereadores também são invioláveis. 53 da Constituição Federal ± os deputados e senadores são invioláveis por suas palavras.‡ Imunidade parlamentar ± art. não praticando injúria e difamação. mas apenas nos limites do município onde exercem suas funções ‡ Os advogados possuem imunidade. quando no exercício regular de suas atividades ± art. da Lei nº 8906/94 ‡ Exige-se seriedade na conduta ‡ Se a ofensa é feita por brincadeira ± jocandi animu ± não há crime ‡ repreender ou aconselhar a vítima ± não há crime . votos e opiniões. quando no exercício do mandato. 7º.

exceto no caso de injúria.Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa.As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço. *** injúria racista *** Parágrafo único . . ou por meio que facilite a divulgação da calúnia.na presença de várias pessoas. *** desacato / injúria *** III . se qualquer dos crimes é cometido: I . ***** pelo menos 03 **** IV ± contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência. 141 . aplica-se a pena em dobro. da difamação ou da injúria. ou contra chefe de governo estrangeiro. II .contra funcionário público.Art. em razão de suas funções.contra o Presidente da República.

Parágrafo único . I e III. III . na discussão da causa.Não constituem injúria ou difamação punível: I .o conceito desfavorável emitido por funcionário público. em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.Exclusão do crime Art.Nos casos dos ns.a opinião desfavorável da crítica literária. *** oral ou escrita *** II . 142 .a ofensa irrogada em juízo. pela parte ou por seu procurador. responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. . salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar. artística ou científica.

Retratação Art. 143 . ‡ Retirar o que disse ± assumir que errou ‡ Total e incondicional ‡ Causa extintiva da punibilidade ± art. fica isento de pena. antes da sentença. VI do CP ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ Subjetiva ± não se estende aos outros querelados Independe de aceitação Somente em ação privada Apenas até a sentença de 1º grau não se aplica a injúria . se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação. 107.O querelado que.

quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. difamação ou injúria. salvo quando. § 2º. .º I do art. e mediante representação do ofendido.Se.Art. a critério do juiz. alusões ou frases. de referências. não as dá satisfatórias. 144 . 141.Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa. no caso do n. Art.º II do mesmo artigo. no caso do n. 145 . responde pela ofensa. Aquele que se recusa a dá-las ou. se infere calúnia.Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça. no caso do art. 140. da violência resulta lesão corporal. Parágrafo único .

CALÚNIA Imputa-se fato criminoso Crime Honra Objetiva Terceira pessoa toma conhecimento Formal DIFAMAÇÃO Imputa-se fato que não é criminoso Ofensa a reputação Honra Objetiva Terceira pessoa toma conhecimento Formal INJÚRIA Atribui-se qualidade negativa e não um fato Ofensa a dignidade Honra Subjetiva A própria pessoa toma conhecimento Formal .