UNIVERSIDADE DE FORTALEZA Centro de Ciências da Saúde-CCS Mestrado em Saúde Coletiva- MSC

Mortalidade Infantil

Contexto Espiritual/Religioso
Autoras: Michelli Caroline Barboza e Roxane Mangueira Sales

Religiosidade e Espiritualidade
‡ Variedade de sentidos quanto ao uso do conceito religiosidade e espiritualidade. ‡ ´Religiosidadeµ tende a denotar um sentido mais estrito, vinculado à religião institucional. ‡ ´Espiritualidadeµ tende a ser diferenciada de religião em função de um sentido (ou conotação) mais individual ou subjetivo de experiência do sagrado.

1. ZINBAUER, 1997; 2. XAVIER, 2006

Individualismo, falta de sentido...

‡ Perda de poder da religião ‡ Vazio, tristeza, solidão... ‡ Busca de um significado de maneira subjetiva

XAVIER, 2006

. idéias e ideais religiosos de diferentes correntes religiosas. JUNGBLUT.Mudança coletiva Sincretismo religioso Os indivíduos escolhem e adotam crenças. 1997. de acordo com sua vontade ou ´necessidadeµ individual BIBBY.Religião ´à la carteµ Miscigenação popular. 2000.

re-ligação.. ´Numinosoµ: existência ou um efeito dinâmico não causados por um ato arbitrário. a busca da totalidade existente no contexto da experiência pelo indivíduo.. ...Religare. do latim. (Rudolf Otto) .Um elemento vivo. da vivência do sujeito. mais sua vítima do que seu criador. É o efeito se apodera e domina o sujeito humano.

(Jung. Deus. isto é. espiritualidade e o conceito de SELF ‡ O que caracteriza a religiosidade é a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso. ‡ A experiência subjetiva e consciente tem importância fundamental em tal acepção.Jung. a vida religiosa é a vida do ´observador cuidadosoµ Self . 1997. JUNGBLUT. tendência existente no inconsciente de todo ser humano à busca do máximo de si mesmo e ao encontro com BIBBY. ‡ Em outros termos. 2000.É o arquétipo da totalidade. 1938) .

. em todos os momentos de sua existência.Homem e Religião ‡ . deve examinar e escrutinar as condições de sua existência.. o homem é a criatura que está em constante busca de si mesmo ² uma criatura que.. Cassirer (1994) .

[esse paradoxo] não exprime senão o caráter contraditório de uma só e mesma entidade cuja natureza mais íntima é uma tensão entre dois opostos.µ pelo nome de energia. não só o fim e o alvo derradeiro. pois a energia é um equilíbrio vivo entre opostos A Ciência designa esta entidade JUNG (1927/1997) . assim. De fato.. não só a meta espiritual da redenção na qual culmina toda a criação. não só a essência da luz espiritual que aparece como a flor mais recente da evolução. mas também a causa mais obscura e ínfima das trevas da natureza.Deus: realidade simbólica ‡ ´Deus seria..

suas vivências e sua capacidade para lidar com perdas. . ‡ Varia de acordo com sua estrutura emocional.Luto como ritual sócio-cultural ‡ Cada cultura e cada indivíduo reage ao luto de forma distinta.

o que poderia indicar a busca de um padrão ou molde. respeitando e acompanhando seu ritmo. . que fala sobre o cuidado a pacientes gravemente enfermos.´ Allá Bozarth-Campbell ‡ Importância de avaliar se a pessoa está pronta para ouvir a notícia.1987). Ela é mais conhecida pelos estágios: ‡ Negação. ‡ Uma obra de grande impacto na história da Tanatologia é Sobre a morte e o morrer (Kübler-Ross. depressão. destacando a importância da escuta de suas necessidades e seu sofrimento. e só então seguir.Estudo sobre a morte. barganha.Tanatologia A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe.em doses pequenas de informação. Não se deve se fixassem na seqüência dos estágios. raiva. o quanto deseja saber.

Tanatologia em alguns contextos EGITO: Entre os egípcios preservavam-se não somente os corpos dos faraós e membros de suas famílias. Creditava-se que o orto levava seus pertences.Estudo sobre a morte. . mas os corpos de quemtivesse dinheiro suficiente para pagar pelo custoso processo.

cantando músicas. ´enterravamµseus corpos de uma maneira muito estranha. Eles vão de um lugar ao outro levando e trazendo notícias. em algumas regiões do Senegal. . contando histórias. contadores de histórias. Sua obrigação é revelar alguns e manter os demais ocultos para sempre Os griots ainda hoje em dia funcionam como artistas. e por isso. artistas ambulantes. Ser um griot também é ser um guardião dos segredos da vida. historiadores.ÁFRICA OCIDENTAL :tinham muito medo do que as pessoas chamadas griots podiam fazer depois de mortos. genealogistas e jornalistas.

‡ No politeísmo yoruba. . não o feito durante a vida. a morte era vista como um pequeno acidente de percurso numa ordem cósmica e. os rituais fúnebres são festivais: danças onde os egunguns se comunicam com os vivos.Tanatologia em alguns contextos ‡ Entre os aztecas. ao contrário das civilizações ocidentais. determinava o rumo do morto. base do nosso candomblé. a forma da morte.

uma maneira diferente! .Mulheres em luto na Palestina. Foto: AP Luto catóico Cada contexto.

a rebelião. a cor que mais representa o sentimento de dor é o preto. Essa cor foi muito usada por gregos e romanos. Sua definição. a cor representante da morte. Preto ² No luto. a tristeza.Simbologia das cores no luto e em cada cultura As cores são também expressões de sentimentos e servem para simbolizar um estado de espírito. a neutralidade. em geral. uma cor muito ligada à liturgia. é o protesto. o mistério. .

Essa cor representa paz interior.usado como cor de luto na Renascença. o branco é a mistura de todas as cores. os romanos e germanos. É a representação da energia intuitiva. é usado em cerimônias do Papa. passividade. do amor. inocência. época de vida de grandes pintores como Leonardo da Vinci. Violeta² É mais uma das cores usadas como representação do luto em vestimentas e freqüentemente é encontrada em paramentos litúrgicos. passa tanto a tristeza quanto a alegria. pureza. Sua representação demonstra repouso. calma. espiritualidade. da competição e da irracionalidade.Azul ² Na China. superioridade. Vermelho. afeto. essa cor é freqüentemente usada para o luto. . tranqüilidade. o branco já foi visto como cor de luto. e pode ser representada como uma cor que une a intuição com a razão. Rafaello Santi. Por ser uma cor ambígua. meditação e liberdade Branco ² Entre os gregos. . Como cor-luz. Michelangelo.

quando o indivíduo falecido é internalizado. a viver no mundo interno do enlutado. O homem tem se tornado cada vez mais individualista. . fazendo com que a relação seja preservada em outro patamar. A superação do luto se inicia quando o enlutado passa a construir um novo tipo de vínculo com a pessoa morta. ou seja. continuando. políticas e do mundoµ. preocupando-se menos com os problemas da comunidade.³A morte repercute em todos os setores da vida: nas relações sociais. Kübler-Ross (1997) descreve que são cada vez mais intensas e velozes as mudanças sociais expressas pelos avanços tecnológicos. assim.

. Jesus com expressão total de Deus. ‡ O Corpo. Os instrumentos da Paixão simbolizam o percurso doloroso do redentor. A fé e devoção ao corpo de Cristo contribuíram para elevar o corpo a uma alta dignidade. História do Corpo: da Renascença às luzes. ‡ Monoteísta. fazendo dele sujeito da história ‡ Corpo torturado da paixão de Cristo cujo símbolo é a cruz.. a Igreja e o Sagrado.Jean.Catolicismo: O Corpo. lembra o sacrifício pela redenção da humanidade. ‡ O corpo é referência permanente para os cristãos do século moderno. esta abminável veste na alma: a carne é fraca.. É pelo corpo que corre o risco de perder-se ‡ Dualidade: corpo profano x corpo sagrado CORBIN.

Meditação sobre a paixão e morte na seputura: Jesus encarna um mito e humaniza o divino. configura a busca do significado religioso no corpo .Imagem e palavra: controvérsia religiosa. a imagem se faz forte é é a grande crítica que o protestantismo faz a Igreja católica... ‡ Força incontestável de sugestão. Em momentos de crise.

Características do catolicismo. como figuras femininas reacendem o feminino e são valorizadas no catolicismo popular.. uma vez que enfoque na tríade: pai. filho. humildade Amor incondicional Domar a própria carne infligindo sofrimento no corpo Cura através do sofrimento Sofrer em silêncio como aceitação dos desígnios divinos. ‡ Jung interpreta que é uma religião masculina . Resignação.. Espiritualidde e Finitude. Maria madadela. espírito santo. A Figura de Maria. 2006. . aceitação. ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ MONTEIRO.

Simbolismo da Sagrada Família O Resgate do feminino no catolicismo polular .

j... já no oriente -e o centro da personalidade como todo: intuição e inteligência.Simbolismo do coração. No ocidente é relacionado a sede das emoções. ele é associado ao espírito.. Em várias culturas ele representa o centro da vida. Pascal diz: ´ Os Grandes Pensamentos vêm do coraçãoµ. . (. Relacionando também a memória e imaginação: ´ durmo. mas meu coração velaµ Em Salmos. Dicionário de símbolos. 1982. o coração simbolizava o homem interior e sua vida afetiva. ´ espírito novo..) Na tradição bíblica. ´ é o primeiro órgão que se forma e o último que morreµ. 36) CHEVALIER. coração novoµ ( Ezequiel.

NATIONS. et al. NATIONS & REBHUN.Umbandistas .Médicos ´Dr.Parteiras tradicionais . .Raizeiros .Médicos ´Leigosµ 2ª Opção . 1982. 1988b.. De Anelµ NATIONS.Farmacêuticos pop.Espíritas Kardecistas .Sistema Popular de Cura 1ª Opção: -Rezadeiras .1988 .

.Sintomas ‡Fezes aquosas com resíduos amarelos ‡ Fastio ‡ Fraqueza ‡Olhos e fontanela fundas ‡ Febre ‡ Vômito Diagnóstico Popular Tratamento ´Profissionalµ Mau olhado ou Quebranto ‡ Orações de limpeza ‡ Chás de Ervas Rezadeira ‡Fezes espumantes. sanguinolentas e mucóides. Teoria Anjos com Asas Molhadas Não Voam . REBHUN. M. ´Quentura do Intestinoµ ‡ Tratamento com ervas (´esfriarµ) o intestino Raizeiro ‡Diarréia aquosa profusa ‡ Vômito ‡ Letargia Encosto ou sombra Intrusão de espírito no corpo ‡ Contato com o espírito intruso para afastá-lo Umbandista NATIONS. L. K.

FINERMAN. 1981. mas também em: ‡ Fatores objetivos: ± Geográficos ± Linguísticos ± Econômicos ± Acesso a transporte ‡ Fatores subjetivos: ± Crenças e valores culturais ± Status ± Expectativas e papéis sociais YOUNG. 1984 .Pluralidade na escolha do atendimento médico ‡ A escolha não é baseada apenas na lógica dos sintomas.

conformação e a crença das asas molhadas ‡ Reações a morte sempre foram moldadas por crenças religiosas . 1984 . ‡ Diferenças entre ´grande tradiçãoµ elites urbanas e ´pequena tradiçãoµ população camponesa dependente. especialmente aquelas que se relacionam a natureza da morte e a vida após a morte.Catolicismo popular. 1988. FINERMAN. NATIONS & REBHUN. ‡ Na crença popular nordestina a criança que morre tem sua consciência libertada do corpo se transformando num anjinho com asas que voa para o céu.

Anjo da Morte Anjinho SCHEPER HUGHES. 1985 NATIONS & REBHUN. 1988 .

Anjos com asas molhadas não voam ‡ Durante o processo de morte os olhos podem rolar dentro das órbitas ´olhando para Deusµ ‡ Na preparação do corpo após a morte são retirados os brincos de ouro. ‡ São confeccionados caixões de madeira ou papelão que são cuidadosamente decorados com flores e papel azul. . As vestes são afrouxadas. os olhos são abertos. Os carregadores devem ser crianças (virgens). as mãos são colocadas em oração e uma vela é inserida.

conforto para aliviar a dor da perda (elaboração do luto que se relaciona intimamente com VÍNCULO) . que pode ainda se comunicar com a mãe através de preces e sonhos até o dia que poderão Mecanismo de estar juntos novamente no paraíso defesa.‡ Esse ritual enfatiza a pureza do novo estado da criança anjinho ‡ Forte relação com a continuação da existência dessa criança.

As 7 Dores de Maria .

quando Simeão profetizou que seu Filho seria a salvação de muitos. mas confiou intensamente em Deus. mas também serviria para ruína de outros. .1ª. Dor ² A profecia de Simeão no Templo Na primeira dor de Maria vemos como seu coração foi transpassado por uma espada. Quando soube que uma espada atravessaria sua alma. Na primeira dor de Maria somos convidados a exercitar a virtude da obediência. Maria experimentou uma grande dor.

Porém tudo suportou com amor e alegria por Deus lhe fazer cooperadora na salvação das almas. fugiram para o Egito. Sê foi obrigada a este exílio. perseguido por ser o Redentor. foi para guardar seu filho. Quanto sofrimento Maria passou neste exílio. . Nas maiores provações pode haver alegria quando se sofre para agradar a Deus e por seu amor. sofrendo provações por aquele que posteriormente seria fonte de vida e de paz. carregando Jesus.2ª. mas por ver seu filho inocente. foi grande a dor de Maria por saber que desejavam matar seu querido filho. Dor . aquele que trazia a salvação! Ela não se afligiu pelas dificuldades em terras longínquas.A fuga da Sagrada Família para o Egito Quando José e Maria.

tomar parte na sua missão redentora. A esta resposta do menino Jesus. eis o que lhe responde: ´Eu vim ao mundo para cuidar dos interesses de meu Pai. Aprendamos com Maria a sofrer e a preferir a vontade de Deus em vez da nossa. . Maria silencia-se e compreende que Jesus sendo o Redentor da humanidade assim devia proceder. sofrendo pela Redenção de todos nós! Aprendamos nesta dor de Maria a submetermo-nos aos desígnios de Deus. que está no Céuµ.3ª. desde aquele instante. que muitas vezes nos fere pela perda de nossos entes queridos. Dor ² A perda do menino Jesus no Templo Quando Maria o encontra no templo. fazendo sua Mãe.

Não pôde lhe dizer palavra alguma. . seus olhos a fitaram e lhe fizeram compreender a dor de sua alma. porém lhe fez compreender que era necessário que unisse a sua dor a dor que Ele estava sentindo. Dor ² Maria encontra-se com Jesus. Não nos esqueçamos que é precioso o silêncio nas horas dos sofrimentos. Aprendamos a sofrer em silêncio.4ª. no caminho do Calvário Ao encontrar Jesus. como Maria e Jesus sofreram neste doloroso encontro no caminho do Calvário.

5ª. deixando Maria na mais profunda dor. entrega ao Pai sua imensa dor. Sem duvidar um só instante. e no seu doloroso silêncio. saber que o Céu foi aberto para todos os filhos foi seu consolo! Porque também no Calvário Maria foi provada com o abandono de toda consolação! . com a alma e o coração transpassados com as mais cruéis dores! Depois de três horas de tormentosa agonia. assistindo à morte de Jesus. Maria aceita a vontade de Deus. perdão para os que não o aceitaram e não o reconheceram como Filho de Deus. Dor ² A morte de Jesus na Cruz Vemos Maria aos pés da Cruz. pedindo. como Jesus. Jesus morre. Fazer a vontade de Deus foi o seu conforto.

Só Deus pode compreender o martírio desta hora. Maria viu uma lança transpassar o coração de seu Filho.. . que participou dos suplícios do Senhor no Calvário. Todos aqueles que sofrem se alegrem em Maria.6ª. sem poder dizer ou fazer nada.. em sua alma e em seu coração! O sofrimento é sempre um bem para a alma. para reparar o pecado da primeira mulher. Dor ² Maria recebe o corpo de Jesus em seus braços Com a alma imersa na mais profunda dor. Derramou muitas lágrimas.

desprendendo-nos deste mundo. para um dia estar ao seu lado e ao lado de Jesus! .7ª. quando viu sendo sepultado seu Filho. nos faz desejar a vida eterna. A humildade não rebaixa o homem. mas somente para nos mostrar que devemos também nós. A aceitação da humilhação nos purifica de toda e qualquer imperfeição e. pois Deus se humilhou até a sepultura e não deixou de ser Deus. Maria nos apresenta suas sete Dores. aceitando as humilhações de nossa vida. mostremos a Ele o nosso amor. não para que tenhamos pena de seu sofrimento. sermos perseverantes nas tribulações e dificuldades da vida. Sê queremos corresponder ao amor de Jesus. Dor ² O sepultamento de Jesus Bem sabia Jesus o quanto Maria sofreria vendoo sepultado e que dor a de Maria.