DIREITO ECONÓMICO ² Apresentação do tema

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A axiologia constitucional e o Modelo Económico consagrado na CRP

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Extraordinária ‡ 4ª Revisão Constitucional de 1997 ‡ 5ª Revisão Constitucional de 2001 .Extraordinária ‡ 6ª Revisão Constitucional de 2004 ‡ A Constituição actual ² após a 7ª Revisão Constitucional de 2005 Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 2 .A Constituição da República Portuguesa Resumo da evolução histórica da CRP de 1976 ‡ Constituição originária de 1976 ‡ 1ª Revisão Constitucional de 1982 ‡ 2ª Revisão Constitucional de 1989 ‡ 3ª Revisão Constitucional de 1992 .

semi-presidencial. ‡ Instaura o conceito de geral de democracia representativa pluralista. assente na nacionalização dos principais meios de produção. através do Conselho da Revolução. ‡ É uma constituição compromissória. ‡ É marcada por um elevado intervencionismo social e económico. ‡ Consagra a transição para o socialismo. na sua primeira versão. descentralizada e participativa de Estado de Direito Democrático. uma vez que se traduz num conjunto de princípios tendo em vista o desenvolvimento posterior dos mesmos.A Constituição de 1976 Principais características ‡ A Constituição de 1976 reflectia. ‡ Manteve a participação do Movimento das Forças Armadas no exercício do poder político. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 3 . opções políticas e ideológicas decorrentes do período revolucionário que se seguiu à ruptura contra o anterior regime autoritário.

‡ Flexibilizou o sistema económico .´economia mistaµ. ‡ Redefiniu as estruturas do exercício do poder político. mas não uma nova CRP. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 4 . ‡ Estabeleceu os grandes princípios da organização económica (art. ‡ Introduziu os preceitos necessários a uma eventual adesão à CEE.A 1ª Revisão Constitucional de 1982 Principais alterações ‡ Produziu-se um novo texto da CRP. ‡ A revisão constitucional de 1982 procurou diminuir a carga ideológica da Constituição (desmarxização). 80°). ‡ Foi extinto o Conselho da Revolução e foi criado o Tribunal Constitucional.

‡ Reduziu a reforma Agrária a um dos instrumentos da realização da política agrícola. 61º). a par do direito à livre constituição de cooperativas e do reconhecimento do direito à auto gestão (art. ‡ Consagrou o princípio da coexistência dos três sectores (art. ‡ O Sector Privado é definido em segundo lugar e pela via positiva. fruto da adesão à CEE. ‡ Deu maior abertura ao sistema económico. nomeadamente pondo termo ao princípio da irreversibilidade das nacionalizações directamente efectuadas após o 25 de Abril de 1974. ‡ É consagrada a garantia à iniciativa provada.A 2ª Revisão Constitucional de 1989 Principais alterações ‡ Em 1989 teve lugar a 2ª Revisão Constitucional que introduziu uma nova constituição económica. decorrentes do sistema de mercado. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 5 . 80°/ b).

Maastricht e Amesterdão. permitiu a realização de referendo sobre a aprovação de tratado que vise a construção e o aprofundamento da União Europeia. por exemplo. aprofundou a autonomia político-administrativa das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. ‡ A 7ª Revisão Constitucional. ‡ A 6ª Revisão Constitucional. ‡ Foram também alteradas e clarificadas normas referentes às relações internacionais e ao direito internacional. a relativa à vigência na ordem jurídica interna dos tratados e normas da União Europeia. designadamente aumentando os poderes das respectivas Assembleias Legislativas. vieram adaptar o texto constitucional aos princípios dos Tratados da União Europeia. em 1992 e 1997. aprovada em 2005. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 6 . aprovada em 2004. como.A CRP ² após a 7ª Revisão Constitucional de 2005 Principais alterações ‡ As revisões que se seguiram.que através do aditamento de um novo artigo.

1º. não se deixa de manifestar noutros preceitos de diversa integração sistemática. 9º) ‡ Principio da Igualdade (art. nos valores da CRP. nomeadamente na essência.A axiologia constitucional A realidade constitucional (Axiologia . 13º)  Igualdade jurídica  Igualdade substancial  Igualdade de oportunidade  Igualdade real Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 7 . ao nível do poder. para poder desempenhar o seu papel de moldura jurídica da actividade colectiva. 7º 9º) ‡ Princípio do Estado de Direito Democrático(art. da sociedade e da economia. Princípios Fundamentais e Gerais da CRP com alcance económico ‡ Princípio da Independência Nacional (arts. 2º)  Primado da soberania popular  Primado do Estado de Direito Democrático ‡ Tarefas Fundamentais do Estado (art.Padrão de valores dominante numa sociedade) A Constituição segue de perto a realidade política e social do Estado que organiza. A Economia apesar de ter um enquadramento próprio.

A axiologia constitucional Alcance económico ‡ Princípio da Independência Nacional (arts. Nota: As formas de expressão de soberania popular condicionam. ideológica e radical. de modo decisivo. 2º) Primado da soberania popular ² é segundo a vontade popular que se fará integralmente a transição para o socialismo. a concretização do modelo económico. 7º 9º-a) Com abertura à cooperação externa e afirmação de um principio normativo relativamente às relações económicas externas do País. 1º. ‡ Princípio do Estado de Direito Democrático (art. e a intervenção e actuação do Estado na Economia. da ordenação da economia. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 8 . social e cultural do que como um processo autónomo de socialização finalista. entendido mais como democracia económica. Primado do Estado de Direito Democrático ² tem como fundamentos a garantia dos direitos e liberdades fundamentais. que não podem ser postos em causa por qualquer concepção de socialismo.

80º/ g ‡ al. Cria-se assim uma articulação funcional ou sistemática de normas. 81º / d e 90º Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 9 . 81º/ f e 87º ‡ al. 1º e 2º) em quatro tarefas fundamentais do Estado.A axiologia constitucional Alcance económico ‡ Tarefas Fundamentais do Estado (art. 9º) ‡ As quatro primeiras alíneas deste artigo são a tradução dos quatro principais princípios fundamentais (arts. a: arts. ‡ Estas tarefas fundamentais concretizam-se em múltiplas tarefas de segundo grau. sendo este artigo o mediador da transformação entre os princípios políticos fundamentais e tarefas ou obrigações concretas do Estado. g: arts. c: art. Exemplos: ‡ al.

A axiologia constitucional Alcance económico ‡ Principio da Igualdade (art. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 10 . no sistema jurídico e nos seus órgãos de aplicação. na lei. sociais e culturais.  Igualdade substancial  Igualdade de oportunidade ² Não devem existir causas de desigualdade material alheias à capacidade individual. mas atendendo às diferenças de cada um. no domínio considerado ou geral. 13º)  Igualdade jurídica ² Consagra a igualdade ou não discriminação.  Igualdade real ² corresponde à situação de identidade substancial. A dimensão social deste princípio estruturante impõem a eliminação das desigualdades económicas. Todos devem ser tratados de igual forma.

evolui com a experiência e adapta-se às novas circunstâncias. ‡ O modelo não é estático. ‡ O que define o modelo económico são as regras.O Modelo Económico Definição ‡ O ´modeloµ é o resultado de uma atitude do Estado perante a Economia. ‡ Pode ser mais ou menos restritivo quanto à iniciativa privada. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 11 . as leis e as instituições que enquadram as decisões dos agente económicos. ‡ Pode ser mais ou menos intervencionista quanto ao papel do Estado. ‡ O Modelo Económico Português actual é o melhor que alguma vez tivemos. ‡ Hoje em dia a referência mais comum ao Modelo Económico Português é a de Modelo de Desenvolvimento Económico Português.

2º e 7º ‡ Direitos e deveres fundamentais: art. 13º ‡ Direitos e deveres económicos: arts. 80º a 100º Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 12 . 60º a 62º ‡ Organização Económica: arts. 1º.O Modelo Económico Enquadramento Constitucional do Modelo Económico ‡ Princípios fundamentais: arts.

Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 13 . mas havia restrições à mobilidade do capital.O Modelo Económico Consagração na CRP de 1976 ‡ O modelo de económico depois da Revolução de 1974 tornou-se mais aberto à concorrência. mas também porque intervinha administrativamente na formação de preços essenciais. ‡ Dava azo a muitas distorções na afectação dos recursos. energias). ‡ O grau de abertura no mercado era grande na esfera real. seguros. os sectores estratégicos estavam vedados à iniciativa privada (banca. ‡ O Estado tinha um papel muito activo na Economia. não só porque detinha importantes meios de produção. ‡ Apesar de alguma abertura.

dá-se primazia à Iniciativa Privada.O Modelo Económico Consagração na CRP actual ‡ Assenta num conjunto de pilares fundamentais. bens e capitais entre os vários países da UE. como é o caso da protecção da concorrência. os portugueses podem efectuar transacções com qualquer parceiro da Zona Euro. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 14 . ‡ No âmbito da Organização Mundial de Comércio. ‡ No âmbito da UEM. defesa do consumidor. é a chamada economia de mercado. existe hoje liberdade de circulação de pessoas. ‡ No âmbito do Mercado Único. ‡ O Estado assume-se como um mero regulador de serviços. ‡ As regras de contratação passaram a estar dispostas num Código de Trabalho de cariz liberal. que tanto podem ser prestados pelo sector público. como pelos poderes públicos. que decorrem da participação na União Europeia. ‡ O Sector Público Empresarial está circunscrito a meia dúzia de empresas. existe uma abertura relativa ao comércio mundial. do trabalhador e do meio ambiente.

a Educação e a Justiça.O Modelo Económico Consagração na CRP actual ‡O Estado especializa-se a fornecer bens essenciais. não só devido ao Pacto de Estabilidade. ‡ O modelo de económico em vigor hoje em dia é de longe o mais eficiente. a Saúde. mas com uma autonomia limitada. Não é de todo imperfeito. ‡O Estado tem margem de manobra para definir uma politica orçamental. só necessita de ajustes adequados à realidade do País. como a Segurança. mas também porque existem regras que limitam a capacidade do Estado em favorecer determinadas empresas em detrimento de outras. Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 15 .

A definição dos fins supremos da comunidade 3. Eduardo Paz Ferreira define da seguinte forma Constituição económica: µ« ´nova constituição económicaµ. A definição dos poderes e fins da actuação económica do estado. caracterizada pela prevalência das normas comunitárias. ‡ Não podemos compreender a Constituição económica sem levar em consideração a Constituição política. ‡ O Prof. Notas finais: ‡ A Constituição económica não detêm o exclusivo das normas constitucionais que influenciam o Modelo Económico. pela abertura dos mercados internacionais e pela crise das finanças públicas.Conclusão O Modelo Económico Social e a relação entre a Constituição Política e a Constituição Económica ‡ Áreas de interferência material entre a constituição económica e a constituição política: 1.µ Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 16 .A atribuição de garantias de natureza económica aos particulares. 2. pelas reacções anti-estatais.

Roque. I. Coimbra Editora. AAFDL. I. Gomes e Moreira.parlamento. Ana.. vide Constitucionalismo. 2007 ‡Direito da Economia. www.pt Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 17 . 1982 ‡Lições de Direito da Economia. Quorum. J. Ferreira. J. 2007 ‡Noções Empresariais de Direito Empresarial. A. Fasc. Vital. L.Bibliografia ‡Constituição da República Portuguesa Anotada. 3. Vol. Canotilho. Vol. AAFDL ‡Portal da Assembleia da República. Sousa Franco. Eduardo Paz.

Dados do trabalho: ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ Tema: A axiologia constitucional e o modelo económico consagrado na CRP Curso: Direito Disciplina: Direito Económico Docentes: Doutora Ana Roque e Mestre Paulo Costa Aluno: Gonçalo Nuno Cardoso Pereira de Oliveira .nº 20070873 Universidade Autónoma de Lisboa ± Apresentação de Gonçalo Oliveira Novembro 2007 18 .

´Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz. mas isso era o passado e podia ser duro edificar sobre ele o Portugal futuroµ Ruy Belo .