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NEUROPLASTICIDADE

FUNDAMENTOS PARA A
REABILITAÇÃO

Prof. Msc. Pablo Tortato Waltrick
A plasticidade neural refere-se à
capacidade que tem o SN de alterar
algumas de suas propriedades
morfológicas e funcionais em respostas às
alterações ambientais.

Compreender os aspectos plásticos do
SNC leva a uma nova visão para as
intervenções, otimizando a funcionalidade
do SNC.
ESTÁGIOS DA PLASTICIDADE
São 3: desenvolvimento, aprendizagem e
após lesões.
Desenvolvimento: na embriogênese
temos a diferenciação celular, há uma
superprodução de células nervosas, tanto
do SNP, quanto do SNC, as quais
paulatinamente, começam a morrer, no que
se chama de morte programada. Esta fase
coincide com a época em que os neurônios
começam a fazer suas sinapses.
É a interação dos neurônios com seus
alvos que determinará sua sobrevivência.
Os axônio dos neurônios alcançam seus
destinos graças aos marcadores
moleculares, a QUIMIOTAXIA. A secreção
de substâncias NEUROTRÓFICAS, ajudam
o axônio na busca pelo seu alvo.
A maturação do SN inicia no período
embrionário e só termina na vida extra-
uterina.
Eles sofrem influência dos fatores
genéticos, do microambiente fetal e do
ambiente externo.
Este último tem grande importância no
desenvolvimento do indivíduo, para
interação das regiões cerebrais e para
promover alterações estruturais celulares,
desenvolvimento de suas habilidades
perceptuais, motoras, cognitivas e sociais.
EXPERIMENTO COM RATOS EM GAIOLAS.
• Um animal na gaiola;
• Três animais na gaiola;
• Vinte animais na gaiola.
Na análise microscópica, verificou-se que o
córtex dos animais que viveram em
sociedade era mais espesso, o corpo
celular era maior, os dendritos e axônios
eram mais compridos, estabeleciam maior
número de sinapses e maior número de
células da glia
Então o meio ambiente pode alterar a
morfologia das células nervosas,
prejudicando ou favorecendo a sua
atividade normal.
Aprendizagem: ocorre a qualquer
momento, seja nas crianças, nos adultos
ou nos idosos, pois a qualquer momento se
pode aprender alguma coisa nova e alterar
o comportamento de acordo com o que foi
aprendido.
Requer a aquisição de conhecimentos, a
capacidade de guardá-los e a capacidade de
resgatá-los quando necessário.
Segue 2 modelos:

• Não-associativo: sem o estabelecimento de
idéias, pode ser feito por habituação
(capacidade de responder menos
agressivamente a um estímulo repetitivo) ou
sensibilização (capacidade de responder de
forma reflexa aumentada ao estímulo
repetitivo) ou ainda por imitação.
• Associativo, estabelece a associação de
idéias. Pode ser explícito ou implícito.
O aprendizado explícito usa a memória
declarativa, é rápido, flexível e abrangente.
O aprendizado implícito usa a memória
processual ou não-declarativa, é lento e
depende de treino.
A reabilitação motora tem por objetivo
fornecer um aprendizado ou reaprendizado
motor, que se caracteriza por ser implícito.
O aprendizado promove alterações plásticas,
como crescimento de espículas dendríticas,
aumento das áreas sinápticas funcionais,
estreitamento da fenda sináptica, mudanças
de conformação de proteínas receptoras e
incremento de neurotransmissores.
A prática ou a experiência promovem
também alterações na representação do
mapa cortical, aquisição de novas
habilidades motoras, como tocar piano,
reorganiza o mapa cortical, outro exemplo
são os leitores de Braille.
A ativação de áreas do SNC durante o
processo de aprendizagem motora, onde
foram realizados movimentos com as mãos,
foi identificado que várias regiões agem em
conjunto, como o córtex motor primário,
córtex pré-motor, área motora suplementar,
área somatosensorial, núcleos da base,
entre outros.

CONCLUSÃO: não há uma única estrutura
designada como centro de aprendizado
motor.
A lesão em uma única área pode não
causar o desaparecimento total da função,
pois mesmo quando a função desaparece
de início, ela poderá, com o passar do
tempo, retornar parcialmente, porque as
partes não-lesionadas do cérebro podem
até certo ponto, reorganizar-se para
desempenhar a função que foi perdida.
Após lesão neural: em um dano cerebral
muitos eventos ocorrem simultaneamente, no
local da lesão e distante dele. Num primeiro
momento as células traumatizadas liberam
seus aminoácidos e seus
neurotransmissores, o que os deixam mais
excitados e vulneráveis à lesão.
Muito excitados eles podem liberar o
glutamato, que altera o equilíbrio de cálcio e
induz seu influxo para o interior do neurônio,
ativando enzimas tóxicas e levam o mesmo à
morte por excitotoxicidade.
Ocorre também a ruptura de vasos
sanguíneos e ou isquemia cerebral,
diminuindo os níveis de O2 e glicose. A falta
de glicose gera insuficiência em manter o
gradiente transmembrânico, permitindo a
entrada de mais cálcio para dentro da célula
levando a um efeito cascata.
De acordo com o dano os neurônios
podem necrosar, onde há ruptura da
membrana celular e liberação do material
intracitoplasmático, o que leva a lesão do
tecido vizinho, ou pode ativar a apoptose.
Na apoptose a célula mantém sua
membrana plasmática, sem liberação de
citoplasma. Ela é desencadeada na
presença de certos estímulos nocivos,
como toxicidade por glutamato, estresse
oxidativo e alteração na homeostase do
cálcio.
A lesão além de interferir diretamente no
neurônio, afeta os demais neurônios
também, levando a um desarranjo em toda
a trama de conexões neurais, processo
este chamado de degeneração
transneural.
O SNC tenta se defender com macrófagos,
astrócitos e a microglia, que fagocitam
retirando os materiais tóxicos e
indesejáveis ao SNC.
As células da glia promoverão uma cicatriz
glial no local, na tentativa de deter a perda
de fluxo intracitoplasmático dos neurônios
lesionados. Essa cicatriz por vezes torna-se
uma barreira que impede neurônios
saudáveis de formar novas conexões.
A lesão promove 3 situações distintas:
a) O corpo celular do neurônio atingido,
ocorrendo morte celular, sendo assim um
processo irreversível;
b) O corpo celular está íntegro e seu axônio
foi lesado;
c) O neurônio se encontra em estágio de
excitação diminuído, onde os processos de
reparação começam a surgir.
Algumas teorias que explicam a recuperação
do SNC:
• Teoria da função vicariante, onde
qualquer tecido não lesado pode assumir a
função dos tecidos danificados.
• Teoria da equipotencialidade ou ação
massiva: certas partes do SNC que têm
função uniforme a região que foi danificada,
assumem a função do tecido lesado. Só é
possível se após a lesão restarem tecidos
remanescentes com a mesma função.
• Teoria da substituição funcional: uma
região do cérebro que não está associada
àquela função exercida pela área lesada, por
meio de reprogramação assume a função da
área danificada.
A função original pode não retornar ao
normal, mas o desenvolvimento de
comportamentos alternativos, permite que
os pacientes atinjam seus objetivos.

RECUPERAÇÃO DA EFICÁCIA
SINÁPTICA
• O trauma neural gera isquemia, os níveis
de O2 devem ser ótimos para criar um novo
ambiente que propicie a excitabilidade dos
neurônios.
A lesão também gera edema, que pode
comprimir axônios que não foram lesionados,
impedindo que transmitam informações, a
regressão do edema libera estes axônios
para transmitirem, novamente, suas
informações.
Em hemorragias, a redução do sangue local é
necessária, pois o sangue, em contato direto
com os neurônios, torna-se altamente tóxico.
O processo plástico consiste em manter as
sinapses mais efetivas.
Neurônios freqüentemente ativados tornam-
se mais ativos quando as sinapses são feitas
com certa freqüência, intensidade e duração.
Caso haja lesão axonal, os
neurotransmissores produzidos pelo corpo
celular não poderão ser transportados pelo
mesmo, porém poderão ser desviados para
outro ponto de contato sináptico, mantendo
potencialização sináptica.
SENSIBILIDADE DE
DENERVAÇÃO

Uma das funções do axônio pré-sináptico é
controlar a sensibilidade da célula pós-
sináptica aos estímulos químicos. Em casos
de denervação, a célula pós não receberá
mais este controle e então ficará sensível
quimicamente.
Existem teorias que explicam este fato:
• Alterações na permeabilidade iônica da
membrana alteram as propriedades
elétricas, tornando-os mais sensíveis;
• O desuso ou uso inadequado da célula
pós-sináptica gera o aparecimento de
novos receptores de membrana,
aumentando a superfície receptora;
• A célula pré-sináptica perde sua
capacidade de reabsorção e então
acumula neurotransmissores na fenda
sináptica.
RECRUTAMENTO DE SINAPSES
SALIENTES

Em situações normais existem algumas
sinapses que estão presentes, mas estão
inativas ou não exercem influência eficaz
sobre outra célula. Essas sinapses são
ativadas ou recrutadas quando um estímulo
importante às células é prejudicado.
Brotamentos: consistem na formação de
novos brotos de axônio, a partir de
neurônios lesionados ou não. Pode ocorrer
em neurônios mais distantes, como os
localizados no hemisfério contralateral.
Têm 2 tipos, o colateral e o regenerativo.
• Regenerativo, ocorre em axônios lesados e
constitui a formação de novos brotos a partir
do segmento proximal, pois o coto distal,
geralmente é rapidamente degenerado.
• Colateral: ocorre em axônios não lesionados,
em resposta a um estímulo que não faz parte
do processo normal de desenvolvimento.
Promove uma sinaptogênese reativa. Esta
nova sinapse pode ou não substituir o circuito
original neuronal, mas previne a atrofia dos
dendritos de outras células não lesadas e
permite que estas não sejam degeneradas,
mantendo um nível de excitabilidade.
No SNC de adultos, os brotamentos não
ocorrem a longas distâncias, ficando
restrito ao território do campo dendrítico
dos neurônios deaferentados. Já no SNP,
parece haver um ambiente mais favorável
a este fenômeno.
SNP
SNC cicatriz glial

células de Schwann
oligodendrócitos

forma bainha expressam proteínas
envolve uma
de mielina de celulares que inibem
única célula
várias fibras o crescimento
nervosas de neuritos
FATOERS RESPONSÁVEIS
PELO CRESCIMENTO

A capacidade de formação de novos brotos
e crescimento dos axônios pode ser
programada geneticamente ou pode
depender do meio.
Os fatores que determinam este
crescimento são os fatores tróficos.
E são eles:
Fator de crescimento do nervo (NGF)

Fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF)
Neurotrofina 3 (NT-3) Fator neurotrófico ciliar (CTNF),
neurotrofina 4 e neurotrofina 5

Fator neurotrófico derivado da glia (GDNF)
Fator de crescimento fibroblástico ácido (aFGF)
e básico (bFGF)
Fator de crescimento epidérmico (EGF)

Estes fatores são produzidos pelas células alvo,
outro neurônio, glândula ou tecido muscular.
Para que os NGF atuem sobre um neurônio,
é necessário a presença de um receptor nos
terminais axônicos. Assim eles se ligam a
estes receptores, são internalizados, através
de endocitose, transportados
retrogradamente até o corpo celular e no
soma, o DNA é ativado e promove o
aumento de organelas citoplasmáticas, o que
favorece o crescimento de dendritos e
axônios.
Os neurônios em regeneração precisam de
um substância que os conduza até seus
alvos, para então haver a sinapse e o fluxo
de informações retornar ao seu
funcionamento normal.
Moléculas de adesão das células neurais
(NCAMs) são encontradas por todo o SN,
são sintetizadas também quando algo novo
é aprendido. Após traumas ou doenças, as
NCAMs são produzidas pelas células
desprovidas de alvo
Fatores neurotróficos têm grande potencial
terapêutico no tratamento de doenças
degenerativas, como Alzheimer, Parkinson,
Esclerose Lateral Amiotrófica e outras.

FATORES EPIGENÉTICOS
QUE INFLUENCIAM NO SNC
Estado emocional Idade do paciente
(motivação x depressão)
Condições físicas
Características da lesão Freqüência e intensidade
(local e extensão desta) da terapia
Ambiente terapêutico Nível cognitivo
(casa, clínica, hospital) Comunicação terapêutica
A reabilitação física neurológica deve levar
em consideração todos esses fatores
visando:
• A recuperação funcional do paciente.
• Promover um alto nível de
funcionamento do aparelho
neuro-músculo-esquelético.
• Aprendizagem ou reaprendizagem
e automatização de habilidades motoras.
• Promover adaptação do
paciente a uma nova realidade.
O potencial de reabilitação dependerá do
restabelecimento adequado dos estímulos
sensoriais, captados e conduzidos ao SNC
para serem identificados, analisados,
programados e assim, fixarem circuitos
neurais que permitam adequar emissão de
comportamentos.

Estímulo auditivo
Estímulo proprioceptivo
Estímulo sensoriais
periféricos exatos
Participação efetiva
do paciente
FIM