Filosofia Professor Luís Rodrigues Realizado por: João Pereira nº10 , 11ºB

Ano lectivo 2010/2011

David Hume foi um filósofo escocês (1711-1776), dedicou-se ao estudo da filosofia e dos clássicos, recusou a carreira de advogado destinada pela família. O sucesso de David Hume começou em 1740, com os escritos políticos, da monumental História de Inglaterra, e a reescrita de partes do Tratado da Natureza Humana. As suas ideias impediram a entrada em academias. O sucesso obteve-o em grande parte na carreira diplomática. As suas obras foram incluídas no índice de obras proibidas pela Igreja Católica. Ao morrer, David Hume deixou um exemplo de personalidade vincadamente tolerante e antidogmática.

Segundo David Hume as ideias são imagens das impressões ou seja, as impressões são sempre anteriores às ideias. As impressões são as causas das ideias, e não o contrario. Exemplo:  Passo por um automóvel, deste automóvel recebo impressões como a cor, a forma, o barulho, etc. Ao fechar os olhos na minha mente continua a imagem do automóvel, ou seja, continuo a percepcionar o mesmo objecto, mas a impressão é menos viva.

Para David Hume esta impressão menos viva, cópia enfraquecida da impressão original designa-se por o nome ideia.

As impressões propriamente ditas são todas as nossas sensações e sentimentos, e as ideias são imagens enfraquecidas dessas impressões. Assim relacionando esta relação entre impressões e ideias significa que não há, para David Hume, ideias inatas, porque todas as nossas ideias são cópias de impressões sensíveis, tendo todas elas uma origem empírica.
P e r c e p ç õ e s
 Simples (a percepção de, por  Impressões (imagens ou sentimentos que exemplo, uma mulher morena) derivam da realidade; são  Complexas (a visão de quando percepções vivas e fortes ). se esta num avião das cidades)

 Ideias (cópias ou imagens débeis das impressões).

 Simples (a recordação da mulher morena)

 Complexas (a recordação das
cidades vistas do avião)

Podemos inferir da relação entre impressões e ideias que:

Todos os conteúdos do nosso conhecimento começam com a experiência e derivam dela. Um conhecimento, uma ideia, só é valida se pudermos indicar a impressão ou impressões de que deriva, assim sendo, toda e qualquer ideia tem de corresponder uma impressão sensível, se não houver correspondência, há falsidade. O nosso conhecimento está limitado pelas impressões ou sensações, ou seja, não posso afirmar nenhuma coisa ou realidade da qual não tenho qualquer impressão sensível ( como, por exemplo, Deus)

Relações de ideias
São conhecimentos a priori. A verdade das proposições e a coerência dos argumentos que combinam relações de ideias não dependem do confronto com os factos ou com a experiencia.

Conhecimentos de facto
São conhecimentos a posteriori. A verdade de proposições que se referem a factos depende de exame empírico.

As relações de ideias são verdades necessárias. Exemplo: O triângulo é um polígono de três ângulos. A sua negação é contraditória. É logicamente impossível a sua negação.

A verdade das proposições de facto é contingente. Exemplo: o mundo não vai acabar amanha. Esta proposição é contingentemente verdadeira mas não é impossível que possa acabar, apesar de ser muito pouco provável. As proposições que se referem a factos visam descobrir coisas sobre o mundo e dar-nos conhecimentos sobre o que neste existe e acontece.

As proposições que exprimem e combinam relações de ideias não nos dão qualquer conhecimento sobre o que se passa no mundo.

Segundo David Hume o conhecimento cientifico não é objectivo ou racionalmente justificável, mas é útil. Esta teoria de Hume representa um golpe profundo nas convicções racionalistas acerca do conhecimento e também na convicção dos cientistas do seu tempo( e não só) acerca da existência objectiva de leis da natureza.

Enquanto que os conhecimentos matemáticos e lógicos baseiam-se em relações de ideias, na análise e no raciocínio dedutivo, os conhecimentos de facto baseiam-se sobretudo no raciocínio indutivo e na relação causaefeito. O nosso conhecimento do mundo consiste essencialmente em descobrir as causas de certos efeitos. Se a água congela, se o planeta está num processo de sobreaquecimento, procuramos explicar esses efeitos descobrindo as suas causas.

Exemplo :

Um determinado aumento de temperatura(A) é a causa da dilatação de certos corpos (B). Esta proposição apresenta um par de acontecimentos entre os quais uma relação causa-efeito. O efeito sucede a causa. Sempre que, em certas condições, acontece A, acontece ou sucede necessariamente B. Ou seja o acontecimento A produz necessariamente o acontecimento , que este, sem aquele, não aconteceria, que a dilatação é produzida por determinado aumento de temperatura e que, sendo assim, sempre assim foi e sempre assim será. Mas temos a experiência desta conexão necessária entre A e B? Na verdade não temos, pois quando dizemos que, acontecendo A, sempre acontecerá B, estamos a falar de um facto futuro, ora, não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu.

Na verdade não temos, pois quando dizemos que, acontecendo A, sempre acontecerá B, estamos a falar de um facto futuro, ora, não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu. a ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos (“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível.

De tantas vezes observarmos que um corpo dilata após um determinado aumento de temperatura, concluímos, devido ao habito, que certos corpos vão dilatar. Somos nós que, devido ao hábito, projectamos nas coisas o que sentimos em nós. A constante conjunção e sucessão de A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da qual nunca teve experiência. A ideia de causalidade, considerada um princípio racional e objectivo, nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito.

É importante salientar que Hume nunca pretendeu afirmar que não há relações causais no mundo, nem negou o princípio “Não há efeito sem causa”, apenas afirmou que não podemos racionalmente justificar tal crença. É uma crença que nem a razão nem a experiência podem justificar. Segundo Hume ao observarmos uma constante conjunção de acontecimentos, formamos o hábito de esperar o segundo quando observamos o primeiro, é assim que funciona a mente humana mas isso não garante que seja assim que funciona a natureza. Não podemos saber acerca do futuro porque nada nos garante que o futuro seja semelhante ao passado. Não há conhecimento, propriamente falando, do que ultrapassa a nossa experiência actual ou passada, o que aconteceu não serve como fundamento seguro da previsão do que ainda não aconteceu.

A IDEIA CAUSALIDADE NÃO TEM OBJECTIVIDADE
Ideia de causa É a ideia de uma ligação necessária entre acontecimentos, isto é, um acontecimento ou fenómeno A é causa de outro B. Se B não acontecer, não aconteceu nem acontecerá sem A.

Para a ideia de causa ter objectividade, tem de haver experiência da referida ligação necessária entre acontecimentos, tem de haver uma impressão sensível que corresponda a essa ideia.
Temos experiência de ideia de causa ou de relação necessária entre os acontecimentos? Não. Dizer que A é causa de B é dizer que B não acontecerá sem A. Mas não podemos ter conhecimento de factos futuros porque não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu. A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois fenómenos(“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Observamos aquilo a que chamamos causa e aquilo a que chamamos efeito, mas não vemos que estão conectados, ou seja, só vemos um suceder a outro, que acontecem conjuntamente, mas não conseguimos observar que a causa produz necessariamente o efeito, que sempre assim foi e será.

Como formamos então essa ideia? Ao observar que algum evento A tem até agora sido sempre seguido do evento B, acreditamos que, da próxima vez que ocorrer A, sucederá B. a constante conjunção e sucessão de A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da qual nunca teve experiência. Habituados a que isto aconteça, acreditamos que A é causa de B quando não há qualquer garantia objectiva de que assim seja.
O conceito ou ideia de causa é uma simples crença subjectiva que nos diz mais sobre o modo como funciona a nossa mente do que sobre o modo como o mundo das coisas funciona.

O conhecimento entendido como relação de ideias é possível. As verdades lógicas e matemáticas provam-no. Contudo, o conhecimento de factos, baseado na ideia de causa, não tem justificação empírica nem racional. A ideia de causa unicamente corresponde a um sentimento interno (hábito), sendo destituída de objectividade. Todo o conhecimento que existe e acontece no mundo deriva da experiência, embora esta não possa garantir objectividade aos nossos conhecimentos. O nosso conhecimento não pode estender-se para lá do que é dado na experiência. Se a ideia não partir de uma impressão sensível, não podemos falar de conhecimento objectivo, é o caso por exemplo da ideia de causa que usamos nas ciências e no dia-a-dia. O conhecimento é, em geral, um conjunto de expectativas que mais tarde ou mais cedo podem ser desmentidas, não podendo ser nem dedutiva nem indutivamente justificadas.

Tese fundamental A relação entre impressões e ideias

Todo o nosso conhecimento de factos depende da experiencia Todas as nossas ideias derivam directa ou indirectamente de impressões sensíveis. São copias enfraquecidas destas.

As condições da objectividade do conhecimento
Os limites do conhecimento de objectos

Uma ideia só tem objectividade se for possível indicar a impressão de que é copia.
Não podemos falar de conhecimento objectivo a não ser quando às ideias correspondem impressões sensíveis. Não podemos conhecer algo de que não temos impressão sensível. Logo, o nosso conhecimento do que acontece no mundo não pode basear-se em algo que não faça parte do mundo. Os conhecimentos de questões de facto consistem em descobrir as causas de certos efeitos. Mas a ideia de causa não obedece ao principio da copia. Não temos nenhuma impressão sensível dessa conexão, mas unicamente da conjunção e sucessão temporal de acontecimentos.

O conhecimento cientifico não é objectivo ou racionalmente justificável

A ideia de causa é racional e empiricamente injustificada

A ideia de causa é uma crença subjectiva que nos diz como funciona a nossa mente e não propriamente como funciona o mundo. Resulta de um hábito: Estamos habituados a pensar que, como não há efeito sem causa, mal acontece A, dai resultará necessariamente B. Acreditar que não há efeito sem causa é uma crença necessária para que a nossa vida não seja inquietante e paralisante expectativas de que nada será com tem sido. Mas pouco mais é do que um desejo de segurança e de previsibilidade que julgamos corresponder ao modo com as coisas são. Todo o conhecimento depende da experiencia e a esta se limita, mas nenhuma verdade objectiva podemos alcançar acerca dos factos.

A ideia de causa é subjectivamente necessária(cepticismo mitigado)

Conclusão

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