TEORIA TRIDIMENSIONAL DO DIREITO

Disciplina: Filosofia do Direito – Prof. Martín Pino

Normativismo e Culturalismo Jurídico
TEORIA PURA DO DIREITO (Hans Kelsen)
•Rejeitou a idéia de Justiça absoluta. Sua teoria não pretende expressar o que o direito deve ser, mas sim o que é o Direito. •O centro de gravidade da teoria localiza-se na NORMA JURÍDICA, que pertence ao mundo do ´´sollen´´ (dever ser). •A norma jurídica é vista como um mandamento, um imperativo. Se A é, B deve ser (proposição jurídica que tem a estrutura lógica de um juizo hipotético condicional)

Isola o fenômeno jurídico de todos os demais fenômenos sociais. 3) . 2) A relação de identidade entre Direito e Estado.Normativismo CRÍTICAS: 1) Obscuridade do conceito de norma fundamental.

O direito é um fenômeno único e individual enraizado na vida e na cultura de uma época. .Culturalismo Jurídico O Direito é um objeto cultural As Teorias: • EMIL LASK – a ciência jurídica estuda o direito. mediante a vontade da comunidade. sob um mandamento positivo.

O substrato do direito é a vida humana vivente em sua liberdade. A intersubjetivi-dade é um fazer compartido.Culturalismo Jurídico O Direito é um objeto cultural As Teorias: • CARLOS COSSIO (Teoria Egológica Existencial) – a ciência jurídica conhece condutas compartidas. O direito é produto da conduta. por meio das normas jurídicas. .

Culturalismo Jurídico O Direito é um objeto cultural As Teorias: Carlos Cóssio concebeu o JUÍZO DISJUNTIVO formado pela ENDONORMA (prestação ou dever jurídico) e PERINORMA (ilícito ou sanção) CONCLUSÃO: a Ciência do Direito é normativa porque pensa a conduta humana. . qualificando-a juridicamente.

que deve ser seguida de maneira objetiva e obrigatória.Culturalismo Jurídico O Direito é um objeto cultural As Teorias: • MIGUEL REALE (Teoria Tridimensional do Direito) –O que caracteriza a norma é a sua estrutura enunciativa de uma forma de organização ou de conduta. .

VALOR e NORMA é de natureza funcional e dialética. -A conduta jurídica é resultante da experiência social.Culturalismo Jurídico O Direito é um objeto cultural As Teorias: .A teoria é uma afirmação do caráter fático-axiológico-normativo do Direito. -A relação entre FATO. .

a Justiça. Por fim. no caso. em seu lado axiológico. o Direito cuida de um valor. em que o Direito se atenta para sua efetividade social e histórica. em que se entende o Direito como ordenamento e sua respectiva ciência. o Direito se compõe de três dimensões. Segundo essa teoria tridimensional. há o aspecto normativo. internacionalmente conhecida. Primeiramente. e posteriormente abordada em diversas obras. . há o aspecto fático.A Teoria Tridimensional do Direito é uma concepção de Direito. Em segundo lugar. elaborada pelo jusfilósofo brasileiro Miguel Reale em 1968.

inclinando ou determinando a ação dos homens no sentido de atingir ou preservar certa finalidade ou objetivo. de um valor. finalmente. de uma norma. de um fato subjacente (fato econômico. geográfico. que representa a relação ou medida que integra os demais elementos. o fenômeno jurídico se compõe.). e. sempre e necessariamente. de ordem técnica etc. demográfico.Assim. . que confere determinada significação a esse fato.

a) o Direito como valor do justo: pela Deontologia Jurídica e. na parte empírica. no setor da Culturologia Jurídica. Filosofia do Direito. . pela Filosofia do Direito. c) como fato social: História. b) como norma jurídica: Dogmática Jurídica ou Ciência do Direito. Sociologia e Etnologia Jurídica. pela Política Jurídica. no plano epistemológico.

A bilateralidade-atributiva é específica do fenômeno jurídico. pois apresenta uma constante axiológica. O Direito é fenômeno histórico. ordenada de forma bilateral atributiva. segundo valores de convivência. porque é o resultado da experiência do homem.O autor da Teoria Tridimensional definiu o Direito como "realidade histórico-cultural tridimensional. O Direito é uma realidade cultural. de vez que apenas ele confere a possibilidade de se exigir um comportamento". mas não se acha inteiramente condicionado pela história. A bilateralidade é essencial ao Direito. .

Justificativas *Direito: integração normativa de fatos e valores *Não existem separados um do outro *Coexistência em uma unidade concreta *Exigência recíproca entre todos *Atuam como elos de um processo *A vida do Direito resulta da interação dinâmica e dialética dos três elementos que a integram: .

Origem da norma *Legislador toma um fato social. faz incidir um valor e cria a norma de conduta *Aplicação da norma *Jurisperito interpreta uma norma para dar-lhe aplicação. segundo o fato a ser preservado e os valores vigentes .

mediante a norma Dialética da implicação-polaridade .Implicação recíproca Fatos. dinâmico e dialético F . N permanente atração polar Fato tende a realizar o valor. valores e normas se implicam e exigem reciprocamente desde seu aparecimento até sua aplicação Caracterização do Direito Estrutura tridimensional na qual fatos e valores se dialetizam Tridimensionalismo concreto. V .

Processo dinâmico Fato e Valor se correlacionam. mas se exigindo mutuamente (implicação) Originam a estrutura normativa como momento de realização do Direito Também chamada de Dialética da complementaridade . mantendo-se irredutíveis (polaridade).

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Elementos constitutivos da experiência jurídica (F.V.N) – Associação com os requisitos de validade da norma • Necessários para que sejam obrigatórias – Validade social eficácia ou efetividade da norma (F) – Validade ética vinculado ao fundamento da norma (V) – Validade formal ou técnico-jurídica vigência da norma (N) – Integração dos três pontos de vista unilaterais .

– Remetem a concepções unilaterais da compreensão jurídica • Sociologismo jurídico (F) • Moralismo jurídico (V) • Normativismo abstrato (N) • Compreensão do Direito – Integração dos três pontos de vista unilaterais .

composição harmônica do bem de cada um com o bem de todos. .Conceitos de Direito para Miguel Reale – Direito é a realização ordenada e garantida do bem comum numa estrutura tridimensional bilateral atributiva – Direito é a ordenação heterônoma. coercível e bilateral atributiva das relações de convivência. segundo uma integração normativa de fatos segundo valores – Bem comum – ordenação daquilo que cada homem pode realizar sem prejuízo do bem alheio.