LITERATURA REGIONAL

Considerações iniciais

A Literatura Regional assim é considerada por expressar costumes e tradições de uma localidade específica. Aborda o caráter identitário de uma comunidade a partir do meio físico e cultural.

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Literatura da Região do Cacau Literatura produzida no Sul Bahia

da

Literatura Cacaueira - Literatura que tem o cacau como motivo estético.

TELMO PADILHA

Dados biográficos
  

Telmo Padilha nasceu em Itabuna, a 5 de maio de 1930. Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus. Prêmios como "Prêmio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro" (1975); Prêmio do Concurso Internacional de Poesia San Rocco, Itália (1976);

De retorno a Itabuna. Teve passagem na imprensa do Rio de Janeiro. . órgão de assistência e defesa da lavoura cacaueira. Implantou o Projeto de Atividades Culturais Cacau (Pacc). de fomento às manifestações artísticas do sul da Bahia. ingressou na CEPLAC. Telmo Padilha faleceu no dia 16 de julho de 1997.     Iniciou-se no jornalismo em Itabuna. quando sofreu um acidente de automóvel na estrada Itabuna – Buerarema. na década de 50.

Sua temática indaga de forma intimista o viver. questiona-se. da cultura do cacau e do tempo que estabelece esta história que se escoa pelas frestas cotidianas. o morrer. ainda. a solidão e. a infância.Características estéticas   Poeta de reflexões existenciais. numa linguagem repleta de sutilezas líricas. que constantemente indaga-se. sua relação com a realidade da sua terra. .

       .DUALIDADE       Decifrar-me não tentes: o que sou está contido em palavras e escombros harmoniosamente dispostos. Já o vês: sou duplo. meu arsenal meu exército Um pobre exército de perdidas batalhas. o que mente mas transluz verdadeiro. o rosto é apenas a aparência. na luz e na sombra trafego entre mim e o outro. é lamentável que assim te fale. mas não há outra forma.

       Armas e esperanças tenho-as escondido nos escombros que lavro. Mas não as procure. e não sabes. . São muito perigosas. diante de teu olhar perplexo. para que não me aches senão onde me encontro como agora.

Mas à noite O andar era suave Entre o pássaro calado E o casco que catava Vaga-lumes sobre as pedras. Um pio De pássaro na passagem. o suor Do cavalo e do cavaleiro. Íngreme subida. A montaria Marcava o passo Do coração em descompasso E era dia. Uma luz longe. Eu me perdia.A CAMINHO DA FAZENDA                No pó da estrada Entre Itabuna e Macuco. . A montanha estava ali.

Com embrenhar-me em sombras que não estas? Se não há o mar. como escalá-las? Se não há florestas.ITABUNA  Se não há montanhas. como falar de águas e horizontes? .

. e sofro os outros de mim. Sou o cantor desta planície e me abismo em mim. e desço aos outros de mim.

SOSÍGENES COSTA .

Rio de Janeiro RJ. em Ilhéus. . Natural de Belmonte. Sosígenes Costa chegou a Ilhéus com 25 anos de idade. professor e no início da década de 1950 foi secretário da Associação Comercial e telegrafista do Departamento de Correios e Telégrafos. 1968. Jornalista. 1901 . no sul da Bahia. ali amadureceu a sua poética e definiu o seu modelo estético.Dados biográficos    Belmonte BA.

na exploração criativa das possibilidades expressionais do soneto. mar. mitos.Dados estéticos    A poesia de Sosígenes Costa vincula-se à segunda geração do Modernismo. Estética telúrica. Temas: folclore. . pautada em vivências e memória coletiva. cacau.

Musicalidade . inspirados em paisagens das cidades de Ilhéus e Belmonte.  Os sonetos crepusculares deste poeta são admiráveis.

dindinha. bença. me dê bombom. (bolo de fubá)      . a baba-de-moça comida na lua.Roda          E o cacau foi chamado o alimento do céu. me dê chocolate. Carinha de anjo. e os meninos fizeram a roda na rua. pedindo à lua manjar do céu. baba de lua com manuê. moça do céu. me dê chá do céu. E o cacau ficou na coroa da lua.

Quem está na lua é aquele bichão. . Jorge que está na lua. a teobroma (cacau – manjar dos deuses) de seu Linneu. Não é S. me dê bombom. E o retrato do cavalo ficou na lua e ainda se vê o bichão na lua que está redonda como um botão. A lua batiza menino que nasce depois que o cavalo andou na lua botando aquilo que faz bombom.                 Me dê chocolate.

Iararana   A poesia épica de Sosígenes Costa relata. . O poeta expõe como teria se originado o cacau e apresenta marcas relevantes da cultura regional que auxiliam no processo de composição da identidade local. através da alma-do-mato. figura mitológica que habita as águas dos rios também conhecida como mãe-d’água – materialização da divindade. a história da chegada de Tupã-Cavalo à região cacaueira e seus desdobramentos a partir do enlevo amoroso do personagem com a Iara.

. .. e saía com um forção que benza-te Deus meu pé de feijão! mas ele dava na gente a tirar broto de cacau deu facão a caboco para tirar broto de cacau e o cacau desbrotado ficou parrudo e bonito como danado.           E Tupã-Cavalo brotou a mataria ___________________________________ E as sementes nasceram e se viu que era cacau E o cacau já estava crescidinho e saía com uma força.

Flor de cacau toda orvalhada e roxa. Chuva em crisol fez teu lilás moreno. se Barba Roxa viesse a este sereno.FLOR DE CACAU Flor de cacau toda orvalhada e moça. . és curtinha de sereno em Una. Serias a paixão de Barba Roxa. sinhá-moça. mulher de grapiúna. em Itabuna ainda és mais moça.

. Roda em sereno este pião de louça. sereno. Flor de cacau é o tipo dessa moça. crisoberilo lapidado em roxo.Roda no orvalho este cacau pequeno. escolha moça que tomou chuva e. Quem quiser se casar. além de sol.

JORGE ARAUJO .

contista. . cronista. crítico literário e poeta.07/01/1947 1960: Sul da Bahia Doutor em literatura / professor.Dados biográficos    Baixa Grande .

História Humanista idealista não-conformista um sofista sacristã de vista ruim eu me batizo em nome dos meus equívocos Sou minha sensibilidade Deslavada Desbotada Equipada com sentimentos fora de moda .

) meus olhos sofreram dano incoercível já não me posso ver .Ah. minha alma já perdida no antigo verso meu riso minha febre minha gana de viver onde reencontrar-me? (...

Mas um dia um dia há de vir em que me tomarei em posse definitiva e aí ai daqueles que se acercarem contra minha ressurreição cristo pai e filho divino espírito não baterei em retirada .

ausência de pontuação Percepção crítica da realidade Literatura telúrica / momentos e imagens de saudades .Dados estéticos      Poesia fruto de vivências Filiação ao Modernismo Linguagem inovadora.

Memória Ouvir apito de trem fere grito calcinado de terra nojo nostálgia do brumado penha lembrança numa certa rua da linha em itabuna bahia Do trem: o apito o vagão de bois a ponga o olhar feroz do condutor mutuns rio do braço probidade itajuípe baldeações e o verde imenso bonito e verde dos cacauais .

O que não faríamos para estar no trem da estrada de ferro de ilhéus num domingo à tarde de silvo e selva onde aquele senhor de branco sempre bêbado e falador discursava sua solidão na segunda classe? Hoje apito trem vagão trotam rio acuado descendo grosso bolo no peito de um tempo ora recluso na memória e saudade essa-uma que nunca se extirpa como a um tumor .

minha terra geme em meu peito sua responsa melancolia cresta a dor da dor verruma adiada liberdade infinitamente dolorosa . mulheres. meninos. histórias de bichos homens.BG não tive ferrovias na paisagem nem rios nem relvas molhadas ao sul mas sol quente e chão e vã catinga cantigas de luz à noite estrelas.

Quadras à moda da casa Disenteria é título pomposo dona maria Subnutrição é já baita honroso seu joão .

seu trombone fome. mister johnny fome fome .Pois o que lasca o homem de minha terra faz venta no demônio poeira e lágrima nos meus olhos é é é é a a a a fome.

FIRMINO ROCHA .

Dados biográficos e estéticos     O poeta Firmino Rocha nasceu em Itabuna a 07 de junho de 1910. místico e com um estilo encantadoramente repleto de simplicidade e musicalidade. Linguagem acessível. fruto de um universo emotivo que se manifesta com espontaneidade e expressivo lirismo. . rimas simples. Lírico. Faleceu em Ilhéus a 1º de julho de 1971.

Olhar saudosista para a infância. .  Fazia da sua poesia de versos simples a expressão terna e telúrica de sua gente e da sua terra natal.

Adeus estrelas tangíveis. Agora são os pés violentos ferindo a terra bendita. onde ficou a cantiga? No caderno de números. . nunca mais a grande música no coração do menino. DERAM UM FUZIL AO MENINO. Adeus ribeirinhos dourados. o verso ficou sozinho. nunca mais a alegria. Adeus tudo que é de Deus.Deram um fuzil ao menino Adeus luares de Maio. Agora é o tambor da morte rufando nos campos negros. A cantiga. Nunca mais a inocência. Adeus tranças de Maria.

serei então triste quanto a noite escura. Diário da Tarde . quanto a manhã que perdida vai sem a loura luz. Não mais a vida nem a canção da infância. sem boninas alegrando os campos. sem o rio cantando.Se algum dia eu não mais ouvir            Se algum dia eu não mais ouvir o canto puro que teu nome canta.02/06/1960.320. sem adolescentes dando alma às ruas.  . Serei um homem como outro homem. Edição 9.

FLORISVALDO MATOS .

Jornalista Poeta .Dados biográficos    Uruçuca / 1932.

Existencialismo .Dados estéticos      Temática agrária Poesia citadina Literatura telúrica e memorialista A natureza do canto deste poeta tem a marca de Água Preta. as terras do sem fim da Nação Grapiúna. Itabuna. Uruçuca.

A 13 parecia o Cabeçorra sacolejando-se em Banco do Pedro . Paiva ia na 12 engolindo rampas.Ferroviaura O maquinista da 15 era Paizinho só ele percebe o que lhe dizem toros estalando como ossos na fornalha.

Vence-me a carne e os nervos. minha voz. alta noite. correi sobre horizontes dos dias ! Composição de espanto corrosivo acerca-se de mim. vai penetrando com violência em meus olhos. como fantasma criminoso que. . meu desesperado sangue e cansaço.Apogeu dos vagões            Noturnos vagões carregados de amargura de empilhados produtos e origens. entrasse em minha casa fortemente nutrido de perigos e desastres.

sua geometria agreste hão de impregnar-se necessárias de úmidas paisagens agrícolas de horror precipitando-se sobre homens em silêncio nas estradas pacíficas. Agrário sempre. Suas armas essenciais. Nas semeaduras.Sistema agrário Maduram no verde dos cacauais suas asas telúricas. quando a seus pés um ruído grosso de sacrifícios vai sua boca de amor sem pão revolucionando. rugindo sempre uma voz de ameaça. Eles que sonhavam com instrumentos longínquos terão na cabeça. . sob tempestade. reside no solo seu mecanismo de luta e existência de incessante labor camponês.

Imperceptível traço do destino. com palavras escritas nas paredes. do que fui. Na rua do Apertucho. olho o rio que sangra minha infância.Grapiúna II (Água Preta) Água Preta: debruço-me na ponte. me despeço de mim – lá. do que somente fui. não mais serei. com tristeza. me despeço de mim. . dos meus amigos.

olha a chuva batendo nos gramados). Do necessário roxo dos telhados desce o gado manso do tempo. . debruçada na janela.Resiste na água quieta (minha tia Dasdores. rumo ao fundo do rio chifrando ausências.

EUCLIDES NETO .

político e escritor brasileiro.Dados biográficos    Ubaíra. 5 de abril de 2000 Foi advogado. criador de cabras. Notabilizou-se na luta pela Reforma Agrária e oposição ao Regime Militar de 1964. . 11 de novembro de 1925 — Salvador.

doentes em uma área de 167 hectares. realiza ali. mulheres e crianças passaram a produzir sua subsistência e. sobretudo. a primeira experiência socialista de distribuição da terra e do trabalho. perdidos. Na ―Fazenda do Povo‖ foram assentadas dezenas de famílias de indigentes. desiludidos. desempregados. . sua dignidade. Esses homens. abandonados.Fazenda do Povo  Eleito prefeito de Ipiaú. no início dos anos 60.

Literatura telúrica Denúncias sociais Ideologia política .Dados estéticos     Tratava acerca das desigualdades nas condições de vida entre os ―senhores do cacau‖ e os trabalhadores rurais.

Ideologia de luta e consciência política .O tempo é chegado    A terra volta aos seus verdadeiros donos A jaqueira – de símbolo de opressão aos trabalhadores a alimento de salvação da esposa do coronel.

JORGE MEDAUAR .

Dados biográficos    Nasceu a 15 de abril de 1918. filho de pais sírio-libaneses que tentavam melhores condições de vida com o cultivo do cacau. . Cresceu em Uruçuca. Morreu em 03 de junho de 2003.

Literatura telúrica Fruto de vivências .Dados estéticos    O contista está identificado com a vida e circunstâncias de personagens de cidade pequena.

. T e A... Rita    Denúncias História de amor Resgate de uma narrativa épica / saga do cacau .. Ri. Ta.R e I.

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