Hiegiene_e_Sanidade_Animal_-_Listeriose[1]

Listeriose…

“Os animais representam a principal condição de vida e prosperidade dos vossos.”

(Dr. Morais Soares1952)

…Informar para prevenir

1. O Que é a Listeriose?
• Doença infecto-contagiosa de ocorrência esporádica que afecta uma grande diversidade de animais;

• A primeira descrição da listeriose foi feita por Pfeiffer, no ano de 1889, quando se referiu também a uma doença de causa obscura em seres humanos;

Sinónimos: Doença dos Círculos (“Circling Disease”); Doença da Ambulação em Círculos; Doença da Silagem; Infecção Listérica; Listeríase.

2. Epidemiologia
2.1 Etiologia
• Conhecem-se sete espécies de Listeria, entre as quais apenas a Listeria monocytogenes é a mais comum. Características da Listeria spp.: → microrganismo em forma de bastonete Grampositivo; → acapsuladas e desprovidas de esporos; → extremidades de m de diâmetro; → forma de cocobacilos em meios de crescimento rápido ou mesmo em tecidos animais; Quanto ao metabolismo: → são bactérias anaeróbias facultativas; → aumento do crescimento na presença de CO2 na concentração de 10%; → têm habilidade de crescer em baixas temperaturas; → Resistência considerável no meio ambiente e alimentos.

2.2. Distribuição & Reservatórios
• Ubiquitária;

A doença é mais frequente no Inverno e em países de clima frio, em relação aos países tropicais;
Encontram-se amplamente disseminadas no ambiente e podem ser isoladas em: → insectos, mamíferos silvestres, anfíbios, roedores; → amostras de solo, plantas, fezes, vegetação em decomposição; → águas estagnadas, efluentes de matadouros → silagem na qual o processo de fermentação foi inadequado e o pH ficou acima de 4.

2.3. Espécies Portadoras
• Ovinos, caprinos, bovinos, coelhos, aves, e, ocasionalmente, suínos, equinos, felinos e caninos; • Homem.

2.4. Factores Predisponentes
Nos Animais
• Espécie animal; • Época do ano, clima e temperatura;

Nos Seres Humanos
• Imunodepressão (SIDA, transplantados, etc.); • Grávidas, 70 anos); • Actividade profissional; • O consumo de leite ou derivados que não sofreram tratamento térmico adequado. recém nascidos,

• Idade e sexo;
• Imunodepressão (parasitismo intestinal intenso, desnutrição, outras doenças debilitantes); • Presença de portadores sãos.

indivíduos jovens e idosos (mais de

2.5. Fontes de Infecção & Transmissão
Nos Animais Nos Seres Humanos

• Pode ocorrer pelas mucosas: • Ingestão de produtos de origem oral, nasal, ocular e genital; animal ou vegetal contaminados: leite e seus derivados que não passaram por tratamento térmico; • Via transplacentária; • Fetos abortados secreções; e suas • Carne de aves mal cozinhadas;
• Verduras que foram fertilizadas com excrementos de animais; • Águas contaminadas;

• Silagens contaminadas;

• Fezes de animais portadores;

• Leite, secreções naso-faríngeas e • Pode ocorrer também durante o vaginais de animais infectados; parto, no canal vaginal, pela via sexual ou ainda por contacto • Por contacto directo; directo com animais infectados. • Por vectores (ex.: aves).

2.6. Morbilidade & Mortalidade
• A morbilidade é variável de acordo com a espécie, podendo apresentar-se como doença individual ou sob formas de surtos epidémicos.

2.7. Incidência da Listeriose em Portugal
• Relativamente baixa mas tem aumentado nos últimos anos; • Não é de prever uma diminuição nos anos mais próximos, devido ao

aumento da população de risco;
• Responsável pelo mais elevado número de casos fatais relatados em humanos (107 mortes), entre 11 zoonoses cobertas pelo relatório da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar);

• EFSA

recomenda

boas

práticas

de

fabricação,

higiene,

manuseamento e abordagem da identificação dos perigos através do HACCP de modo a diminuir os níveis de contaminação; • 80 a 90 % das listerioses deve-se à ingestão de alimentos

contaminados;
Vários tipos de produtos alimentares, foram alvo de estudo em 2003, sendo analisados para verificar a presença de Listeria monocytogenes:
Incidencia da L. monocytogenes 12,90% 17,70% 18,50% 12% 18,70% 60%
Carnes vermelhas cruas Carnes frango cruas Leite cru Peixe cru Farinhas Legumes congelados

2.8. Factores que influenciam a viabilidade e multiplicação da Listeria monocytogenes nos alimentos
• • • • • • • Composição do alimento; pH; Humidade; Temperatura; Cloreto de sódio; Conservantes; Atmosfera.

3. Patogenia
• A Listeria monocytogenes apresenta alta infectividade, porém, baixa patogenicidade; • São bactérias parasitas intracelulares facultativas, infectando células epiteliais e macrófagos; • No interior destas células, elas encontram-se protegidas antibióticos; • Têm a capacidade de atravessar de uma célula para outra sem a necessidade de passar pelo dos anticorpos séricos e dos

sangue ou linfa.

4. Imunidade
• Listeria monocytogenes é um microrganismo adaptado ao parasitismo intracelular, portanto, a resposta efectiva contra as mesmas é do tipo celular;


A resposta humoral não confere protecção;
Animais que recuperam da doença podem ficar com sequelas mas apresentam elevada resistência

à re-infecção.

5. Patologia

5.1. Lesões no SNC
Nos ruminantes: → meningoencefalite; → meningite;

Na meningoencefalite as lesões: → são unilaterais; → frequentes na parte caudal do tronco cerebral, bulbo, ponte, mesencéfalo e medula cervical proximal;
O cérebro, embora apresente encefalite, pode parecer normal e as lesões macroscópicas são raras; Outras: → turvação do LCR; panoftalmia; micro abcessos cerebrais unilaterais, nos quais o agente se encontra em pequena quantidade.

5.2. Lesões Septicémicas
• Forma septicémica com ou sem meningite: → monogástricos; → ruminantes; → recém nascidos e fetos; À necropsia revela-se: → aumento de volume esplénico ; → focos necróticos puntiformes e acinzentados no fígado; → enterite que pode ser hemorrágica ou ulcerosa. → eventualmente: pneumonia lobular, petéquias pleurais e epicárdicas e pequena efusão serosa no epicárdio;

Microscopicamente: → focos necróticos com acumulação de neutrófilos, macrófagos e o agente nos órgãos lesados; → congestão e multiplicação das células de Küpffer do fígado.

5.3. Lesões Fetais
• Infecção uterina e aborto;

ocorre principalmente no terço final da gestação;
• Uma característica marcante: → presença de lesões granulomatosas nos diversos constituintes fetais; • Macroscopicamente os fetos abortados:

→ presença de liquido nas cavidades corporais
→ podem ser observados focos necróticos no endocárdio e miocárdio.

5.4. Lesões Placentárias
• • Placentite difusa; As fêmeas que abortam podem apresentar retenção placentária,

devido á placentite e, consequentemente metrite.

5.5. Outros achados de patologia…
• Pode infectar o úbere por longos períodos, sendo eliminada no leite durante os períodos de imuno-depressão; • A forma mamítica listérica. desenvolve-se como resultado da septicémia

Mamite Sub clínica

Mamite Aguda

6. Sinais Clínicos
• • • • • • • • • • • • Forma Abortiva Forma Septicémica (visceral) • • • • • • • • Depressão, letargia e isolamento; Paralisia unilateral facial e ptose nas pálpebras, lábios e orelhas; Paralisia da garganta; Pressão da cabeça contra as cercas; Sialorreia e alimento pendente na boca; Desvio lateral ou ventral da cabeça; Movimentos em círculos; Incoordenação motora; Contracções espasmódicas da musculatura; Deficiência visual; Febre na fase inicial; A morte pode surgir por causa de disfunção respiratória. Nados mortos; Animais fracos. Febre, fraqueza e depressão; Diarreia, podendo ser hemorrágica; Morte em poucos dias. Sem sinais clínicos (sub clínica) Queratoconjuntivite e oftalmite (ovinos e bovinos); Infecções pulmonares.

Forma meningo-encefálica

Forma mamítica
Outros Sinais…

7. Diagnóstico Clínico
Baseia-se nas alterações apresentadas pelos animais:

Estabelece-se o diagnóstico clínico ou de suspeita, a ser confirmado pelos exames laboratoriais.

8. Diagnóstico Laboratorial

• •

Patologia clínica;
Isolamento e identificação do agente; Fagotipagem;


• •

Imunofluorescência Directa (IFD);
Histopatologia; Sorologia;

Imunohistoquímica;

9. Diagnóstico Diferencial
• • • • • Raiva; Meningo-encefalite por Haemophilus somnus; Poliencefalomalácia; Acetonémia; Abcessos cerebrais;


• •

Infecções auriculares por Rhabditis spp.;
Outras doenças septicémicas; Outras doenças abortivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, Campilobacteriose Genital Bovina e, ocasionalmente, intoxicação por plantas tóxicas.

10. Tratamento
• A sua eficiência depende da precocidade com que é instalado;
Caro e os resultados costumam ser falaciosos; In vitro são susceptíveis à maioria dos antibióticos, à excepção das cefalosporinas. Porém, a eficiência dos antibióticos in vivo é geralmente baixa; Penicilina e tetraciclina são as bases mais utilizadas por questões de preço e practicidade; Associações de ampicilina ou amoxicilina com a gentamicina ou tetraciclina constituem os antibióticos de primeira escolha para o tratamento de casos humanos.

• •

11. Profilaxia Sanitária
11.1. Como dominar os factores de risco nos ruminantes?
Local Incorporação

silagem:

Compactação

Tamanho e Corte

Análise Bacteriológica

Em surtos de Listeriose, uma das principais medidas é suspender a utilização
de silagem e optar pelo feno que é pobre em água

Cuidados de Higiene

Disponibilizar Arejamento e Exercício

Evitar Deficiências alimentares

Maneio

Separar animais doentes

Cuidados na Ordenha

11.2. Como dominar os factores de risco nos Seres Humanos ?
• • • Usar águas tratadas e não as provenientes de poços; Abolir o uso de esterco animal não fertilizados para a produção de hortícolas e lava-las bem. Os grupos de risco devem evitar lacticínios não pasteurizados, saladas, o salmão fumado (produto de risco), os patés e as charcutarias; Lavar o frigorífico regularmente, com água a temperaturas altas e desinfectante; • • Evitar o contacto entre alimentos; Mudar as esponjas de cozinha regularmente e todos os dias os panos.

11.3. Curiosidade… Listex
• • Suspensão de bacteriófagos específicos contra a Listeria; O Listex P100 mata até 99% de todas as estirpes de Listeria spp e é simples de aplicar nos processos de produção; É seguro e não provoca qualquer alteração no sabor, cheiro, cor e outras propriedades físicas dos produtos tratados;

De acordo com as leis da UE, o Listex tem estatuto orgânico, tornando assim possível a sua utilização em produtos regulares e orgânicos.

11.4. Normas a Cumprir:

Na Europa a notificação ás autoridades locais de sanidade animal é obrigatória;


• •

Isolamento de animais suspeitos de estarem infectados;
Fetos abortados e os restos placentares devem ser incinerados; Os locais de ocorrência dos abortos e onde estiveram animais

infectados devem ser desinfectados;
• Veterinários, tratadores e ordenhadores devem ser criteriosos ao manipular fetos abortados, animais moribundos ou mortos.

12. Profilaxia Médica
• Nos EUA onde a doença é esporádica em bovinos, ovinos e caprinos, a imunização com vacinas atenuadas ou mortas tem sido utilizada com sucesso para caprinos e ovinos;

Na Europa, a vacinação contra a listeriose é habitual, apresentando resultados satisfatórios quanto à efectividade de resposta na listeriose em ovinos e caprinos.

13. Legislação & Regulamentação
Directiva 2003/99 CE do Parlamento Europeu e do Concelho Segundo o Artigo 1.º: • Portugal como Estado-Membro tem de assegurar a vigilância

adequada das zoonoses e agentes zoonóticos, obtendo as informações
para avaliação das tendências e origens pertinentes. Anexo 4 • A presente directiva abrange: • Vigilância das zoonoses e dos agentes zoonóticos; Anexo 1 • Vigilância das resistências anti microbianas conexas; Anexo 2 • Investigação epidemiológica dos focos patogénicos de origem alimentar; • O intercambio de informações relacionadas com as zoonoses e os agentes zoonóticos. Anexo 3

14. Bibliografia
 www.aciba.de  www.amigosdasaude.com.br  www.anesaportugal.org  www.camposecarrer.com.br  www.cienciahoje.vol.com.br  www.cienciaportugal.net  www.ioc.fiocruz.br  Jornal Oficial da União Europeia  www.olharvital.ufrj.br  www.pasteur.fr  www.sfdk.com.br  Soulsby; efermedades (7ªedição) Parasitologia y parasitárias

www.crisesalimentaires.ifrance.com
 Dicionário de veterinária (2ºedição-2002)  www.esb.ucp.pt

 www.tierarzt_klostecs.ch  www.uned.es  www.wikipedia.org

 www.farmacia.com.pt
www.infoqualidade.net  www.interlabdist.com.br

FIM

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Obrigado pela atenção !!
H.S.A Enfermagem Veterinária 2º Ano; 2º Semestre Trabalho Elaborado por: Ana Rosa Póvoa nº 1543 Alisha Oliveira nº 1449 Anabela Gouveia nº 1453 Andreia Matos nº1470 Susana Santos nº1490

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