INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE BRAGANÇA

JOSÉ SARAMAGO

CURSO: Educação Básica DOCENTE: Drª. Lurdes Cameirão DISCIPLINA: Introdução aos Estudos Literários

INTRODUÇÃO
‡ Ao longo do trabalho sarão retratados a linguagem e o estilo utilizados por José Saramago em Memorial do Convento e os seus aspectos característicos, como a sua construção frásica, formas verbais, recursos estilísticos e personagens no espaço na acção e no tempo.

BIOGRAFIA
‡ Nome: José de Sousa Saramago ‡ Nascimento: 16 de Novembro embora no registo oficial apresente dia 18 de Novembro como o do seu nascimento ‡ Naturalidade: Província do Ribatejo ‡ É conhecido: pelo seu ateísmo e iberismo ‡ É membro: Partido comunista Português e foi director do Diário de Notícias. ‡ Em 1922: Foi um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). ‡ Casado: com a espanhola Pilar del Río. ‡ Saramago vive actualmente: em Lanzarote nas Ilhas Canárias.

1993 Don Giovanni ou O dissoluto absolvido. 1971 A bagagem do viajante. 2005 As pequenas memórias. 1995 A bagagem do viajante. 1977 Levantado do chão. 1981 Peças de teatro A noite. 1984 A jangada de pedra. 1986 História do cerco de Lisboa. 1980 A segunda vida de Francisco de Assis. 1997 Todos os nomes. 1997 A caverna. 1966 Provavelmente alegria. 1979 Que farei com este livro?. 1976 ‡ Viagens Viagem a Portugal. 1970 O ano de 1993. 1997 ‡ Terra do pecado. 2000 O homem duplicado. 1987 In Nomine Dei. 2002 Ensaio sobre a lucidez. 1989 O Evangelho segundo Jesus Cristo. 2005 ‡ Contos Objecto quase. 2004 As intermitências da morte. 1975 ‡ Crónicas Deste mundo e do outro. 1991 Ensaio sobre a cegueira. 2006 ‡ Romances .OBRAS PUBLICADAS ‡ Poesia Os poemas possíveis. 1947 Manual de pintura e caligrafia. 1974 Os apontamentos. 1979 O conto da ilha desconhecida. 1980 Memorial do convento. 1996 Cadernos de Lanzarote. 1982 O ano da morte de Ricardo Reis.O ouvido. 1973 As opiniões que o DL teve. 1978 Poética dos cinco sentidos .

1995 ‡ De entre as premiações destacam-se o prémio Camões (1995) ² distinção máxima oferecida aos escritores de Língua Portuguesa.PREMIAÇÕES ‡ Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo). . 1992 (Conjunto da Obra). ‡ Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília). 1992 ( pelo conjunto da obra) ‡ Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE). o Prémio Nobél da Literatura (1998) ² o primeiro concedido a um escritor de Língua Portuguesa. 1993 ‡ Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores).

.LINGUAGEM E ESTILO ‡ Uma das características mais notórias de José Saramago é a utilização peculiar da pontuação. ‡ a substituição do ponto de interrogação e de outros sinais de pontuação pela vírgula. ‡ Principal marca: nas passagens do discurso directo: ‡ eliminação do travessão e dos dois pontos. ‡ sendo o início de cada fala apenas assinalado pela maiúscula.

que sente dificuldade em dar-lhe um filho. Deus lhe dará o desejado filho. João V casa-se com D. ‡ Num auto-de-fé. de nome Baltazar Sete-Sóis. mãe de Blimunda. Jantam. se é que já não estava e só contara ao seu confessor. a narradora: Sebastiana Maria de Jesus. Maria da Aústria. ‡ O rei faz a promessa e a Rainha fica grávida. maneta. várias pessoas são castigadas. ‡ A filha. entre elas. enquanto a mãe é castigada.Memorial do Convento de José Saramago ‡ D. e convida-o a ir para sua casa na companhia do Padre Bartolomeu Lourenço. trava conhecimento com um ex-soldado. Um frade diz ao rei que se ele prometer construir um convento em Mafra. .

encontra-o finalmente em lisboa. sendo executado num autode-fé do Santo Ofício. quando está próxima a sagrada igreja do convento. Baltazar enconde a máquina e vai para casa de seus pais com Blimunda. Ela convida Baltazar a ficar. ‡ Por volta de 1730. em 1739. saem os três para um voo experimenta ‡ O Padre desaparece na noite. ‡ Baltazar trabalha na construção do convento.‡ O Padre sai. Blimunda. ‡ O Padre fez algumas experiências com balões e está engendrando uma máquina para voar. quando a máquina fica pronta. ‡ Um dia. Para construí-la pede ajuda a Baltazar. Baltazar acidentalmente faz a maquina voar e desaparece. procura-o por todo o país. .

A obra perpassa um período de aproximadamente trinta anos da história de Portugal à época da Inquisição.Época que se integra ‡ O romance Memorial do Convento. de José Saramago representa um avanço no campo da narrativa histórica. Nela. apesar de ser um país rico e abundante. Suas personagens encontram-se distribuídas entre o luxo e o requinte da corte e a pobreza e simplicidade da vida popular. Saramago critica Portugal do século XVIII que. . submete seu povo à miséria e à exploração.

é HETERODIEGÉTICO (surge terceira pessoa e não participa na acção) ‡ PORÉM. por vezes. assume o ponto de vista algumas personagens (assumindo a primeira pessoa singular e até do plural) HOMODIEGÉTICO ‡ Isso acontece porque o narrador assume pensamento de algumas personagens na de do o .Narrador (quanto à participação) ‡ Geralmente.

. o narrador assume uma focalização omnisciente ‡ Tem uma perspectiva transcendente em relação às personagens e move-se à vontade no tempo. saltando facilmente entre passado. presente e futuro.NARRADOR (focalização) ‡ Geralmente.

números redondos. quanto terá custado aquilo. quando a comichão aperta. que não é de espantar terem-nos os apaixonados e os construtores de aeronaves. nem recibos. um dia virá em que quereremos saber. por isso. como se vai dizendo armistício em vez de pazes. disse-o porque ainda estamos no princípio da obra. duzentos mil cruzados. Saiba vossa majestade que na inauguração do convento de Mafra se gastaram. " "Mas em Lisboa dirá o guarda-livros a el-rei. e el-rei respondeu. se tal palavra já se diz nestas épocas. nem boletins de registo de importação.Focalização Omnisciente "Mas também não faltam lazeres. nem facturas. Põe na conta. Baltasar pousa a cabeça no regaço de Blimunda e ela cata-lhe os bichos. e ninguém dará satisfação dos dinheiros gastos. sem falar de mortes e sacrifícios. " . que esses são baratos. Afinal.

RELAÇÕES AMOROSAS .

A UTOPIA DO AMOR .

encontra-se uma acção que envolve a história de amor entre Baltazar e Blimunda (ficcionada). A acção principal é a construção do Convento de Mafra (caráter histórico. Paralelamente á acção principal.MEMORIAL DO CONVENTO ‡ ACÇÃO Podemos constatar a existência de duas narrativas simultâneas. .

nasceu o infante D. . Maria Ana é que lhe vem chegando o tempo. Pedro (.)" p.) é certo que há seis anos que vivem como marido e mulher ( )" p....Tempo ‡ Muitas vezes. 214 ‡ "Desde que na vila de Mafra. 72 ‡ "Meses inteiros se passaram desde então. 134 ‡ "( ) e já vão onze anos passados (.)" ou por referências temporais que se integram em marcações referenciais por exemplo: ‡ "( ) tendo partido daqui há vinte meses ( )" p... 130 ‡ "(.) passaram catorze anos ( ) p. 77 ‡ "Entretanto.) p. a passagem do tempo é anunciada por situações precisas "Para D. três anos inteiros haviam passado desde que partira (. foi lançada a primeira pedra da basílica ( )" p..) se não ficou dito já.. 88 ‡ "Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. 231 . A barriga não aguenta crescer mais por muito que a pele estique (.)" p. 162 ‡ "(. . o ano é já outro" p. Sebastião da Pedreira... já lá vão oito anos. 117 ‡ "(. sempre são seis anos de casos acontecidos ( ) " p...

optar por retroceder no tempo em relação ao momento da narrativa em que se encontra ou antecipar situações. Este pode apresentá-los de forma linear.Tempo do Discurso ‡ O tempo do discurso é revelado através da forma como o narrador relata os acontecimentos. .

Coimbra. Nas referências a Mafra. Pêro Pinheiro. Azeitão eoutros sítios. Morelena. Outros espaços surgem na obra. encontramos a Vela. com frequência. serra do Barregudo.ESPAÇO ‡ Os espaços físicos priviligiados peka acção são Lisboa e Mafra. no Monte Junto. onde Baltazar perde a mão. S. Caia. Montemor. Olivença. Torres Vedras e outros locais. Elvas. odivelas. Entre os vários ludares da capital ou dos arredores são referidos. Estão neste caso Jerez de los Cabelleros. Holanda ou Aústria. embora possuem menor relevo ou sejam meras referências. o Terreiro do Paço. Vendas Novas. Évora. o Rossio. onde se constrói o convento. . Pegões. Xabregas. Sebastião da Pereira.

O Alentejo surge igualmente comom um espaço social importante. ´por ser a fome muita neta provínciaµ. Obra ortografada por José Saramago . mais que todas. na medida em que permite conhecer-se a miséria que então o povo passava. Mafra.‡ Os espaços sociais Lisboa e Mafra. da primeira. afirma o narrador que ´ esta cidade. é uma boca que mastiga de sobejo para um lado e de escasso para outroµ. encontramos constantes famílias e criou marginalização. Sobre.

apenas surgem a justificar projectos anteriores. recuperando vários fragmentos temporais ou antecipando outros. ´a História é ficçãoµ.‡ A reconstituição da História passa pela ficção. ‡ O discurso flui. O pendor oral ou monólogo mental e as digressões favorecem diversas prolepses que conferem ao narrador o estatuto de omnisciênte e tranforma o discurso num todo compreensível. . apesar de toda a fragmentação. Daí que se perceba o aparente desprezo pelo tempo cronológico. ou como afirma o proprio José Saramago. As analepses são pouco significatiivas. As referências temporais são escassas ou apresentam-se por dedução.

Recursos Estilísticos ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ Quiasmo Antítese Metáfora Hipérbole Hipálage Sinéstesia Gradação Comparação .

o seu poder permite curar e criar. Promete ´levantar um convento em Mafraµ se tiver filhos da raínha. ‡ Baltazar Sete-Sóis Baltazar Mateus.PERSONAGENS ‡ D. anda preocupado com os descendentes. . poderoso e rico. de alcunha Sete-Sóis. partinha a sua vida com Baltazar. Saramago consegue dotá-la de forças latentes e extraordinárias. João Rei de portugal. ajuda na construção da passarola. A sua pretensão vai realizar-se com o nascimento da Princesa Maria Bárbara e o convento vai construir-se. ajuda na cnstrução da passarola. maneta. que permite ao povo a sobrevivência. condenada e degradada. apesar de possuir bastardos. vê entranhas e vontades. Filha de Sebastiana Maria de Jesus. ‡ Blimunda Sete-Luas Tem capacidades de vidente. uma das personagens mais interessantes da obra e das que possuem maior densidade psicologica que partinhará a sua vida. é. chega a Lisboa como um pedinte . morre num auto de fé. com Blimunda. mesmo quando os forças de repressão atingem requintes de sadismo. pela inquisação. que fors. por ser cristã-nova.

o povo trabalhador construiu o Convento de Mafra à custa de muitos sacríficios e mesmo de mortes.‡ Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão O sonho da passarola voadora e a sua futura realidade apresentam o padre Bartolomeu Lourenço como um homem que só conseguirá evitar a inquisação pela amizade que lhe tem o rei D. ‡ Povo Personagem importante. . Os trabalhadores são apenas qualquer coisa mais desta obra grandiosa. João V. Definido pelo seu trabalho. pela sua miséria física e moral.este povo humilde surge como o verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. ou como diz o narrador ´ a diferença que há entre tijolo e homem é a diferença que se julga ter entre quinhentos e quinhentosµ. pela sua devoção. que também possui o sonho e a esperança da máquina voadora. João V.

ELEMENTOS SIMBÓLICOS SOL O Sol identifica-se com fonte de vida. por sua vez. independentemente de épocas históricas e de regiões geográficas. significaria que Baltasar encarna simbolicamente a vida de todos os homens do povo.o que faz corresponder Sete-Sóis a Sete Vidas. com a própria vida . que. sempre labutando e sempre perdendo o fruto do seu trabalho. .

o nome próprio. Sete-Luas.LUA Se o nome de Sete-Sóis torna esta personagem num quase herói mítico. Porém. deriva-nos de imediato para as narrativas baseadas na matéria da Bretanha e para os ciclos celtas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. . faz de igual modo repercutir ecos míticoancestrais. o apelido Jesus integra desde logo estas possíveis derivações semânticas no quadro do pensamento cristão. Blimunda. Antes de mais. o nome de Blimunda de Jesus.

epopeica. . a mãe da pedra.A MÃE DA PEDRA Uma outra situação-acontecimento de cariz mítico em Memorial do Convento constitui-se com a gesta heróica. do transporte da pedra gigante de mármore. de Pêro Pinheiro para Mafra.

luxúria. sete sóis. sete pragas. Marte. casamento. as cardeais: força. Sete pecados capitais: orgulho. Pode ainda corresponder a: Sete cores do arco-íris. Júpiter e Saturno. cólera. sete cornos.SETE ‡ ‡ Para a cultura cristã. inveja. confirmação. Sete sacramentos baptismo. Sete notas da escala musical. sete estrelas. ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ ‡ . justiça e prudência). preguiça. sete selos. ordem. temperança. gula e avareza. No Apocalipse: sete candelabros. Mercúrio. sete esferas da antiga astrologia hermética: Sol. Lua. o algarismo 7 corresponde a: Sete céus. penitência e extrema-unção. eucaristia. Sete dias da criação do mundo narrados no Génesis. esperança e caridade. sete raios. Sete virtudes cristãs (as teologais: fé. Sete tabernáculos e sete trombetas de Jericó. Vénus.

pois podemos aprofundar um pouco mais esta temática e porque se trata de uma das princípais caracteríticas das obras de José Saramago. mas. tende a tornar-se mais simples. a leitura da obra pode parecer complicadas. ‡ Gostamos de elaborar este trabalho.Conclusão ‡ Ao longo do trabalho é possível verificar que José Saramago. . com a continuação. em ´Memorial do Conventoµ. Inicialmente. que forneceram a sua escrita inconfundível. que nos apresenta um estílo e uma linguagem que se desenvolve fora dos modelos convencionais.

José. Lisboa 1982 . campo da palavra. caminho.Bibliografia ‡ SARAMAGO. Memorial do Convento.

Discentes ‡ Catarina Moreira nº 19019 ‡ José Joel nº 19953 ‡ Maria Cunha nº 19956 ‡ Marlene Faria nº 19060 ‡ Virgínia Morais nº 19074 .

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