Curva ABC

Vilfredo Pareto, nasceu em Paris, no dia 15 de Julho de 1848 e morreu em 1923, aos 75 anos. Era um economista italiano que observou que 80% da renda do país estava em poder de apenas 20% da população. Posteriormente, outros estudiosos começaram a perceber que esse mesmo princípio se aplicava em muitas outras áreas como contabilidade, economia, matemática,«Esse princípio costuma ser mencionado nos cursos de gerência de projectos, gestão de qualidade, estatística, etc. É um princípio bem simples e muitas vezes é chamado da "regra do 80/20". Ex: ‡80% dos problemas são causados por 20% das causas ‡80% do faturamento foi gerado por 20% dos clientes ‡80% das pessoas mais bem sucedidas estudaram em 20% das universidades disponíveis

Curva ABC
‡ Claro que a regra não é perfeita e nem sempre a proporção de causa e efeito será de acordo com a regra de Pareto (existem variações que utilizam a regra 70/30 por exemplo). O que a regra tem de mais importante é mostrar que pequenos grupos são responsáveis por grandes resultados. Isso é natural, pois, não vivemos em um mundo completamente uniforme e sempre haverá maiores concentrações em torno de algumas poucas ocorrências. Se esses pequenos grupos forem estudados, compreendidos e controlados naturalmente será possível impactar nos grandes resultados. Atacar poucas causas que provocam grandes efeitos é muito mais interessante do que atacar muitas causas que provocam poucos efeitos. Nesse sentido, o diagrama de Pareto funciona como um mecanismo de priorizar que causas devem ser trabalhadas em primeiro lugar.

Curva ABC
Normalmente a ideia de curva ABC aplicada ao mundo dos negócios é utilizada na relação clientes x faturamento, stock x valor, profissionais x custo, etc. Por ser uma aplicação do princípio de Pareto, para que a mesma seja construída, é necessário obedecer algumas etapas:

1. Determinar o objectivo do diagrama, ou seja, qual será a relação de causas e efeitos a serem estudados; 2. Definir um critério de categorização para a causas e uma unidade de mensuração para os efeitos; 3. Em uma tabela, organize os dados com as categorias das causas de forma ordenada (em ordem crescente ou decrescente) em relação aos efeitos; 4. Realize os cálculos de frequência bem como o total e a percentagem de cada item sobre o total acumulado; 5. Com base nos pontos de correspondência, trace a curva ABC.

Produtos Leite pasteurizado Feijão preto Arroz Farinha Batata Tomate Pão Café Banana Óleo de soja Margarina Açúcar Carne

Valor( ) 0.89 1.60 1.03 0.96 1.64 1.42 2.32 4.90 0.76 1.17 0.90 0.79 6.28

Essa lista tem doze produtos e o total da cesta é de 24,66 e se ordenarmos os produtos na ordem decrescente e o seu percentual sobre o total teremos a seguinte tabela:

Posição 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13

Produtos Carne Café Pão Batata Feijão preto Tomate Óleo de soja Arroz Farinha Margarina Leite pasteurizado Açúcar Banana

Valor( ) 6.28 4.90 2.32 1.64 1.60 1.42 1.17 1.03 0.96 0.90 0.89 0.79 0.76

%do total 25,46 19,87 9,40 6,65 6,48 5,75 4,74 4,17 3,89 3,64 3,60 3,20 3,08

%do total acumulado 25,46 45,33 54,74 61,39 67,88 73,64 78,38 82,56 86,45 90,10 93,71 96,91 100 

A tabela em questão permite-nos concluir que apenas quatro dos treze itens já são responsáveis por mais de 60% do valor da cesta básica e que os outros 9 são responsáveis por quase 40%. O que será mais efectivo ? Focar na redução de preço de quatro produtos ou se preocupar com outros nove ? O foco nos quatro primeiros produtos é bem mais efectivo, pois, eles são apenas quatro e representam 60% do valor. Em contrapartida, focar nos outros nove, além de representar mais produtos a serem estudados será menos efectivos, pois, representam apenas 40% do total. 

Essa é a "sacada" do princípio de Pareto. Ele permite priorizar a atenção em menos "causas" para entender "mais efeitos". Evidente que a proporção não foi de 80/20, seria necessário avaliar os sete primeiros produtos para chegar perto de 80% e isso representa um pouco mais de 50% de todos os produtos (7/13), mas é notável que os primeiros produtos (o lado 20) é responsável pela maior fatia do preço (o lado 80).

Visualmente é perceptível que alguns poucos produtos tem um papel fundamental na formação do preço da cesta básica enquanto alguns outros praticamente não contribuem com o valor final. Como os primeiros produtos sempre terão um papel mais importante (afinal a lista é decrescente) é normal que o gráfico comece muito acentuado e posteriormente comece a declinar-se até que o valor total seja atingido. Esse comportamento que transforma o gráfico em um curva e a divisão desses produtos é que caracteriza a curva como A, B e C. Em relação aos intervalos A, B e C as seguintes características são observadas:

Intervalo A B C

Qt. produtos 3 4 6

% produtos 23.07 30.76 46.15

% preço 54.74 23.64 21.61

% médio 18.24 5.91 3.60

Pode-se perceber que os produtos do intervalo A contribuem em média 18,21% para a formação do preço da cesta básica já que apenas 3 produtos respondem por 54% do preço. No caso dos produtos do intervalo B, essa contribuição cai para próxima de 6% e a categoria C cai ainda mais chegando a tocar os 3,6%. Isso evidencia o fato de que poucos produtos tem forte impacto na formação do preço (intervalo A), alguns produtos tem impacto médio (intervalo B) e muitos produtos tem pouco impacto (intervalo C). Seguindo as regras, a atenção deve ser focada primeiro no intervalo A, depois no B e por último C, já que essa ordem trará os melhores resultados com o menor esforço de forma mais rápida.

‡ Os percentuais são meramente didácticos já que o exemplo possui pouquíssimas observações (apenas treze) e que um produto aqui ou ali, pode fazer realmente muita diferença, já que 1 em 13 representa 7%. A curva ABC nunca irá obedecer a percentuais exactos (a ideia maior é exemplificar a distribuição desigual entre as causas e os efeitos), mas uma classificação ABC típica apresenta uma distribuição de 20% das causas no intervalo A e que estas respondem por 65% dos efeitos. As causas no intervalo B representam 30% das causas e 25% dos efeitos. Por último os restantes 50% (intervalo C) das causas provocam 10% dos efeitos.

Trabalho realizado por: -Cláudia Costa