Ministério da Saúde Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos SCTIE Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos - DAF

A organização da Assistência Farmacêutica no SUS.

José Miguel do Nascimento Júnior
Coordenador Geral de Assistência Farmacêutica Básica CGAFB/DAF/SCTIE/MS

setembro de 2007

SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INSUMOS ESTRATÉGICOS

DEPARTAMENTO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E INSUMOS ESTRATÉGICOS

CGAFB

CGMEDEX

CGMEAF

CGG

O Sistema Único de Saúde, criado pela Constituição de 1988, visa garantir a universalidade, a eqüidade, a 1988, integralidade e o controle social no atendimento à saúde. saúde. Prevê a descentralização hierarquizada, ou seja, o atendimento à população em vários níveis a começar pelo atendimento básico, prestado no município. município.

.CONSTITUIÇÃO FEDERAL CAPÍTULO DA SAÚDE Art. proteção e recuperação. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. 196 .A saúde é direito de todos e dever do Estado.

a execução de ações: a) de vigilância sanitária. . b) de vigilância epidemiológica. c) de saúde do trabalhador.Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde .LEI 8. inclusive farmacêutica. 6 .SUS: I . e d) de assistência terapêutica integral.080 DE 19/09/1990 Art.

Na história dos serviços de saúde o produto (medicamento) chegou primeiro e isolado do contexto da assistência à saude. .

exercendo um papel complementar. estabelecer a integralidade.O Sistema Único de Saúde. projetava que as ações de saúde deveriam contemplar o medicamento como insumo essencial para a garantia da resolutividade. o mesmo deveria estar disponível e integrado. . criado pela CF ao integralidade. complementar. Naquelas ações cuja intervenção fosse medicamentosa. resolutividade.

e o que se viu foi uma profusão de programas por meio e de listas de medicamentos isolados. Esta lógica induziu e reforçou a percepção de que ter o medicamento basta para obtermos resultados positivos na resolutividade das ações de saúde. . diversos programas governamentais.Este entendimento não foi majoritário.

Contexto de Saúde NECESSIDADES ILIMITADAS RECURSOS FINITOS CUSTOS CRESCENTES IMPORTÂNCIA DE OBTER A MÁXIMA EFICIÊNCIA NO USO DOS RECURSOS MATERIAIS. HUMANOS E FINANCEIROS .

Influência da Midia Leiga Cria expectativas interesses financeiros Propaganda? Conflito de Informação ou .

O RESULTADO FINAL DE ENSAIOS PATROCINADOS PELA INDÚSTRIA TEM MAIOR PROBABILIDADE DE FAVORECER O PATROCINADOR .

INCORPORAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS .

INCORPORAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS  incorporação cumulativa de tecnologias ( técnicas novas não substituem as antigas)  Custos da assistência a saúde vão sendo elevados sem necessariamente aumento de efetividade ou qualidade dos atendimentos  Boa parte dos profissionais são estimuladores do consumo das novas tecnologias (conflito de interesses)  Mídia e marketing da saúde  Intervenção do poder judiciário OFERTA PASSA A DETERMINAR A DEMANDA POR NOVAS TECNOLOGIAS INCORPORAÇÃO SEM A NECESSÁRIA AVALIAÇÃO .

sem prejuízo da equidade e dos princípios de universalidade e integralidade que regem o SUS é um desafio permanente.Em função do acentuado desenvolvimento científico e tecnológico e da expansão do complexo industrial da saúde. pressionam de forma permanente o sistema de saúde. A incorporação de novas tecnologias no âmbito do SUS deve ser objeto de análise criteriosa de forma a impedir que a incorporação sistemática e/ou o uso inadequado destas tecnologias implicam em risco para os usuários e comprometam a efetividade do sistema de saúde. aí incluídos os medicamentos. . as demandas por incorporação de novas tecnologias. Assegurar tecnologias seguras e eficazes.

.  Definir ações de saúde ou linhas de cuidado a grupos específicos e inserir o medicamento como um dos componente desta ação que integrará o todo.Alguns desafios fundamentais no campo da Assistência à Saúde no âmbito do SUS  Inserir a Assistência Farmacêutica no conjunto das ações de saúde promovendo a integralidade.  Promover acesso a medicamentos eficazes. seguros e com uso racional.

 Custos crescentes.  vencer a tentação da ampliação de listas de medicamentos sem antes ter resolvido como se dará a assistência à saúde e qual o papel do recurso terapêutico. tanto públicos quanto os privados. PCDT (não só para alto custo) como instrumentos racionalizadores de recursos e de proteção aos usuários.  Qualificar os serviços de assistência farmacêutica. .Alguns desafios fundamentais no campo da Assistência à saúde no âmbito do SUS  Estabelecer consensos.

379. 6.000.000.000 2.000.000 4.000.000.000.000.384.114.912.000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 .000 3.000 3.000 5.000 1.221.251.000.289.000.EVOLUÇÃO DOS PRINCIPAIS GASTOS COM MEDICAMENTOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE.000 4.000 0 1.442.000 3.000.000 5.926.000 4.057.000.800 1.000.800.000.500.663.

00 2002 2003 2004 2005 2006 2007 5.00 6.2 9.2 11.2 12.00 10.GASTOS COM MEDICAMENTOS EM RELAÇÃO AO ORÇAMENTO DO MS 14.1 11.00 12.8 7.00 4.00 2.00 8.5 10.00 0.3 2008 .

147.000 984.500.360.000.000 75.000 63. TOTAL GERAL 2003 231.000 4.860.800. Excepcional Med.000 253.000 96.000 664.000.000 95.2 1.000.000 35.9 107.602.7 1.835.000 223.289.438.046.000 2007 721.050. Laboratórios Pesquisa Estruturação A.542.000 % (2003 a 2008) 211.000 405.310 11.000.000 283. Estratégico Med.000.000.5 882.000.020.000.676.310 4. Aids Imunobiológicos Coagulopatias SUBTOTAL MED.6 300.000 3.444.962.000.000 66.000.000 36.213.000 1.800 3.000.080.471 9.000 14.980.4 146.013.114.221.000 3.355.3 250.000.442.000.000.Ações Med.000 1.2 893.422.000.000 68.000 493.750.000 207.000 2006 690.556.309.000.057.000 960.800.833.161.000.720.379.000 80.000 31.000.000.555 3.000 750.000 248.6 0 9.892 .000.770.386.558.000.471 4.000 550.800 228.000 71.000 244.000 2005 681.000 26.500.9 176.1 173.580.7 516.4 110.840.000 90.912.000.000 783.267.386.000 % (2003 a 2007) 2008 153.580.000 315.9 1.000 813.000 1.F. Básico Med.000 74.000.590.520.000.1 143.000.384.000.000 213.444.000 480.892 24.639.4 -33.000 550.4 12.1 1.000.000 290.0 163.0 222.000 4.000 516.000 5.7 177.1 516.906.584.000 280.360.000 206.000.000.663.000 5.000 85.755 8.000 78.000 2004 790.

.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica I .Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica.Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional. II .Componente Básico da Assistência Farmacêutica. e III .

Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica I . responsabilidades e recursos a serem aplicados no financiamento da Assistência Farmacêutica na Atenção Básica e define o Elenco Mínimo Obrigatório de Medicamentos .Componente Básico da Assistência Farmacêutica PORTARIA Nº 2084/GM DE 26 DE OUTUBRO DE 2005 Estabelece normas.

00 / hab / ano (mínimo) .00 / hab / ano (mínimo) Municípios: R$ 1.65 / hab / ano R$ 1.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica PORTARIA Nº 2084/GM de 26/10/2005 Conjunto de medicamentos cujo financiamento é responsabilidade das três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde e a aquisição é de responsabilidade dos estados. conforme pactuação nas respectivas Comissões Intergestores Bipartites União: Estados: R$ 1. dos municípios e do Distrito Federal.

13 / hab / ano .95 / hab/ ano R$ 0.90 / hab / ano R$ 0.15 / hab / ano R$ 0.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica PORTARIA Nº 2084/GM de 26/10/2005 Conjunto de medicamentos cuja responsabilidade pelo financiamento e/ou aquisição é do Ministério da Saúde Financiamento estratégico para assistência farmacêutica na atenção básica Grupo HD: Grupo AR: Grupo IN: Grupo SM: Grupo AN: Grupo CT: R$ 1.26 / hab / ano R$ 0.10 / hab / ano R$ 0.

Coqueluche e Difteria) Aquisição centralizada pelo MS e distribuídos aos Estados. Leishmaniose.Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica Medicamentos estratégicos: São aqueles destinados ao tratamento das endemias. Tuberculose. com participação financeira federal. Os medicamentos dos Programas Estratégicos (DST/AIDS. Meningite. Teníase/Cisticercose. de notificação compulsória. Hanseníase. O acesso aos mesmos está condicionado à notificação junto à Vigilância Epidemiológica. Os programas são de abrangência nacional. monitoradas pelos diversos programas estratégicos da Vigilância Epidemiológica.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica II . não eliminando o co-financiamento estadual e/ou municipal. conforme pactuação. Cólera. .

ou que.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica III . se tornam excessivamente caros para serem suportados pela população. pela cronicidade do tratamento. .Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional Disponibiliza medicamentos de elevado valor unitário. Utilizados no nível ambulatorial. a maioria deles é de uso crônico e parte deles integra tratamentos que duram por toda a vida.

até 1996. essa dispensação era pouco constante e irregular. Segundo os dados disponíveis. resumindo-se ao fornecimento de ciclosporina aos pacientes transplantados e de eritropoetina aos pacientes com anemia e que fossem renais crônicos em hemodiálise .Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional O Programa existe desde 1993 e. poucos medicamentos eram efetivamente dispensados para a população.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica III . Embora muitos medicamentos já fizessem parte da Tabela. na prática. daquela época até a agora. muitas inclusões e exclusões foram realizadas.

o Programa foi incrementado para 92 medicamentos. De 1997 a 2001. o Programa foi revisado e passou a contar com 102 medicamentos. em 208 apresentações diversas. em 218 apresentações diversas. o Programa disponibilizava 41 medicamentos (83 apresentações diferentes). . Ao final de 2001. Em 2006. atendendo a mais de 109 mil pacientes. o Programa teve um incremento no fornecimento de medicamentos e no número de pacientes beneficiados. muitos medicamentos foram incluídos no Programa bem como muitas doenças passaram a ser atendidas.Programas e Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica III .Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional Em 1997. Em 2002.

 e a racionalização da prescrição e do fornecimento dos medicamentos. o acompanhamento e a verificação de resultados. . ao estabelecer claramente os critérios de diagnóstico de cada doença:  o tratamento preconizado com os medicamentos disponíveis nas respectivas doses corretas.PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE Esses Protocolos têm o objetivo de.  os mecanismos de controle.

2. . subdivididos em diagnóstico clínico e laboratorial quando necessário. diagnóstico. 3.DIRETRIZES TERAPÊUTICAS 1.ESTRUTURA E MONTAGEM DOS PROTOCOLOS CLÍNICOS E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS MÓDULO 1 . além dos benefícios esperados com o tratamento. potenciais complicações e morbi-mortalidade associada à doença. com uma revisão de sua definição. epidemiologia. CLASSIFICAÇÃO CID 10 Classificação segundo a CID 10 da situação clínica. INTRODUÇÃO Corresponde à conceituação da situação clínica a ser tratada. DIAGNÓSTICO Apresenta os critérios diagnósticos para a situação clínica.

Podem ser apenas clínicos ou incluir exames laboratoriais. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Correspondem aos critérios que contra-indicam a participação do paciente no protocolo de tratamento. . Em geral são contra-indicações relacionadas ao medicamento ou a situações clínicas peculiares.ESTRUTURA E MONTAGEM DOS PROTOCOLOS CLÍNICOS E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS 4. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Correspondem aos critérios a serem preenchidos pelos pacientes para serem incluídos no protocolo de tratamento. 5. CASOS ESPECIAIS Compreendem situações a respeito do tratamento ou da doença em que a relação risco-benefício deve ser cuidadosamente avaliada pelo médico prescritor e nas quais um comitê de especialistas nomeados pelo Gestor Estadual poderá ou não ser consultado para a decisão final. 6.

COMITÊ TÉCNICO/CENTRO DE REFERÊNCIA Presente em alguns protocolos nos quais se julga necessária a avaliação dos pacientes em um Centro de Referência.2. Apresenta-se dividido em subitens. Tempo de tratamento ± critérios de interrupção 8. por motivos de subjetividade de diagnóstico ou de complexidade do tratamento. Esquema de administração 8.ESTRUTURA E MONTAGEM DOS PROTOCOLOS CLÍNICOS E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS 7.4. Benefícios esperados .1.3. TRATAMENTO Indicação das opções de tratamento e discussão das evidências que as embasam. 8. Fármacos 8. 8.

Acesso a medicamentos ou Acesso a serviços de saúde de qualidade que promova a integralidade da assistência? .