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O que é a Concentração e Desconcentração na Administração Pública ?

Tanto o sistema da concentração como o da desconcentração dizem respeito à organização administrativa de uma determinada pessoa colectiva. Não tem a ver com as relações entre o Estado e as demais pessoas colectivas públicas. Assim, a «concentração de competências» ou «administração concentrada», é o sistema em que o superior hierárquico mais elevado é o único órgão competente para tomar decisões. A «desconcentração de competências» ou «administração desconcentrada», é o sistema em que o poder decisório se reparte entre o superior e um ou vários órgãos subalternos. A Delegação de Poderes é uma das formas através da qual se procede à Desconcentração Administrativa.

Delegação de poderes: relação inter-orgânica. O acto pelo qual um órgão de uma pessoa colectiva pública permite que outro órgão da mesma pessoa colectiva exerça uma competência que continua a ser do primeiro órgão. Com a delegação cria-se, no delegado, uma qualificação para o exercício, em nome próprio, de uma competência alheia.

Natureza Jurídica Tese da transferência ou alienação da competência; Tese da autorização (antes da delegação o delegado já é competente, pelo que a delegação apenas permite o exercício de uma competência que já é inicialmente do delegado) Tese da transferência do exercício

Requisitos para a delegação de competências
Habilitação legal expressa (art. 35º, nº 1): sem habilitação legal, a delegação corresponderá a uma renúncia de competências, sendo por isso, nos termos do artigo 29º, nº 2 do CPA, nula. Nestes casos, o acto que venha a ser praticado ao abrigo da delegação sofrerá de um vício de incompetência. Nos casos dos nºs 2 e 3 do art. 35º, o CPA dispensa uma habilitação legal específica, funcionando este artigo como uma habilitação legal genérica.

A delegação carece, para se tornar operativa, de um acto de delegação de poderes (art. 35º, nº 1) - (distinção das delegações tácitas)

Possibilidade de subdelegação: Requisitos
Que a lei não a proíba (desnecessidade de autorização expressa da lei)
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Que o delegante autorize o delegado a subdelegar (cfr. art. 36º, nº 1).
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Outros requisitos para a delegação e subdelegação
O delegante ou subdelegante deve especificar os poderes que são delegados (art. 37º, nº 1), pretendendo a lei impedir delegações genéricas. A especificação dos poderes delegados deve ser feita positivamente, isto é, por enumeração explícita dos poderes delegados ou dos actos que o delegado pode praticar, e não negativamente, através de uma ³reserva genérica de competência´ a favor do delegante.

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Que a lei o não impeça

Que o delegante ou o subdelegante não se tenham reservado essa possibilidade.
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Ou seja, não é necessário aqui, como na primeira subdelegação, uma autorização do delegante, o que é necessário é que ele ou o subdelegante não tenham estabelecido que tal competência não pode ser subdelegada.

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O delegante ou subdelegante deve especificar os poderes que são delegados (art. 37º, nº 1), pretendendo a lei impedir delegações genéricas. A especificação dos poderes delegados deve ser feita positivamente, isto é, por enumeração explícita dos poderes delegados ou dos actos que o delegado pode praticar, e não negativamente, através de uma ³reserva genérica de competência´ a favor do delegante.

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Os actos de delegação e de subdelegação estão sujeitos a publicação, sob pena de ineficácia (artigo 37º, nº 2).

Os actos praticados ao abrigo de delegação ou subdelegação de poderes não publicadas legalmente ou antes da publicação, são actos inválidos por incompetência do respectivo autor, visto o acto que transmite o exercício da competência não ter produzido efeitos.
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Necessidade de o (sub)delegado faça menção da sua qualidade, no uso da (sub)delegação (art. 38º)
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Tipo de relação entre (sub)delegante e (sub)delegado
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O acto de delegação cria entre o delegante e o delegado uma relação jurídica nova, que não é uma relação hierárquica (se tal relação existia, ela é neutralizada no âmbito da delegação). Poder-dever de exercer a competência delegada. O delegante pode emitir directivas vinculativas sobre o modo como o delegado deve exercer os poderes delegados (art. 39º, nº 1), (o que não significa determinar o conteúdo a dar ao acto a praticar, que é escolhido pelo órgão delegado) O delegante tem, ainda, o poder de revogar os actos do delegado (arts. 39, nº 2 e 142º, nº 2) e o poder de revogar a delegação [art. 40º, aln. a)]. O delegante tem o poder de avocar a competência delegada.

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Avocação

Avocação, ao contrário da revogação da delegação perde a competência do órgão delegado, mas apenas em relação ao caso abrangido, subsistindo ela quanto aos outros. ` A avocação não tem de ser publicada, sendo, no entanto, necessário que os interessados no procedimento tomem conhecimento dela: tal conhecimento ser-lhes-á assegurado mediante notificação, se antes não tiverem tomado conhecimento oficial, por qualquer via, da existência da avocação. ` Consequências do exercício pelo delegante da sua competência sem que tenha avocado: incompetência ou falta de legitimação?

Extinção da delegação ` Por revogação ` Por caducidade ` Quando os efeitos da delegação se esgotam, ` Quando os titulares dos órgãos (sub)delegante e (sub)delegado mudam (delegação como um acto intuitus personae, fundado numa relação de confiança pessoal entre o delegante e o delegado).

Outras formas de organização inter-administrativa ` Co-administração: partilha de tarefas administrativas por mais de um ente administrativo (v.g urbanismo, ordenamento do território, património cultural) ` Fenómenos de Administração compósita: organismos constituídos por entidades representativas de várias pessoas colectivas públicas (v.g. a comissão mista de coordenação) ` Acordos de cooperação inter-administrativos