You are on page 1of 15

DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA

ARTIGOS 286 A 288, CPB

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. ‡ Objetivo: visa resguardar a paz pública. ‡ Sujeito ativo: qualquer pessoa. ‡ Sujeito passivo: coletividade. ‡ Crime comum, exige-se que a conduta seja exigepraticada em público e na presença de um número elevado de pessoas. ‡ Estimula-se um grande número de pessoas a Estimulacometer determinada espécie de delito. ‡ Crime formal, cuja caracterização dispensa a efetiva ocorrência de crime por parte dos que receberam a mensagem. A tentativa é admitida na forma escrita. Concurso material. ‡ Ação penal pública incondicionada.

INCITAÇÃO AO CRIME

Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. ‡ Objetivo: resguardar a paz pública. ‡ Sujeito ativo: qualquer pessoa. Comete o crime quem enaltece fato criminoso ou o próprio autor de crime em função do delito que cometeu. ‡ Sujeito passivo: coletividade. ‡ A apologia deve ser feita em público e atinja número indeterminado de pessoas. ‡ A consumação ocorre com a exaltação feita em público, sendo crime de mera conduta. ‡ Ação penal pública incondicionada.

APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO

QUADRILHA OU BANDO
Art. 288 - Associarem-se mais de três Associarempessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes: Pena - reclusão, de um a três anos. Parágrafo único - A pena aplica-se em aplicadobro, se a quadrilha ou bando é armado.

‡

‡

‡

‡

Conceito: é a associação ou reunião estável ou permanente(não momentânea) de pelo menos quatro pessoas com o fim de cometer reiteradamente crimes. Deve haver um acordo de vontade (animus associativo)entre os (animus associativo)entre integrantes no sentido de juntarem seus esforços no cometimento dos crimes. Crime de concurso necessário ou plurissubjetivo, plurissubjetivo, podendo haver menor ou pessoa não identificada. Sujeito ativo: qualquer pessoa (que entrar no grupo no momento da adesão ou depois de sua formação inicial). Sujeito passivo: coletividade.

As quadrilhas presas pela PF divididas por tipo de crime cometido 

Operações para combater o tráfico nacional e internacional de drogas, armas e munições 1. Águia 2. Planador 3. Trânsito Livre 4. Concha Branca 5. Tempestade no Oeste 6. Paz no Campo 7. Mamoré 8. Águia II 9. Petisco 10. Tentáculos 11. Serraluz etc  

QUADRILHA OU BANDO

‡

‡

‡ ‡

Consumação: no momento em que se verifica a efetiva associação, independentemente da prática de qualquer crime. Crime formal e permanente. Poderá haver concurso material (quadrilha + infração efetivamente praticada), mas apenas para o integrante que efetivamente praticou o delito. No caso de furtos, roubos, extorsões, não se aplicam as qualificadoras de concurso de agentes, pois haveria o bis in idem. O STF tem posição contrária e entende que é possível a acumulação. Tentativa: é inadmissível. Ação penal pública incondicionada.

‡ -

QUADRILHA OU BANDO ARMADO Art.288, parágrafo único: pena dobrada. Prevalece o entendimento de que basta um dos integrantes esteja armado (armas próprias ou impróprias). UNIÃO VISANDO A PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS ou afins (Art.8º, Lei 8072/90) ± pena do art.288 é de 3 a 6 anos. ± concurso material.

‡

‡

‡

ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO DE DROGAS (art.35, Lei n. 11343/2006 ± antigo art.14 da Lei n.6368/76): associação de duas ou mais pessoas para fins de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos no art.33, caput e § 1º e 34 da lei. Pena: reclusão de 3 a 10 anos e pagamento de multa. Art.36, Lei 11343/2006 (financiamento para o tráfico ± prática reiterada). Vigência do dispositivo e a Lei dos Crimes Hediondos: questão preliminar polêmica (art.35 da Lei n.11343/2006 ou art.8º da Lei n.8072/90?).

POSIÇÃO QUE PREVALECE NA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 
Em

caso de associação para o tráfico, aplicaaplica-se o teor do artigo 35 da Lei n.11343/2006 + pena do art.8º da Lei n.8072/90 (3 a 6 anos).

CONCLUSÃO
a) Se a quadrilha visa a prática de crimes comuns: art.288, CPB, com pena de reclusão, de 1 a 3 anos. b) Se a quadrilha visa cometer crimes hediondos, tortura ou terrorismo: art.288, CPB, com pena de reclusão de 3 a 6 anos (art.8º, Lei n.8072/90). c) Se a quadrilha (com pelo menos duas pessoas) visa cometer crimes de tráfico de drogas, estará drogas, tipificado o crime de associação no art.35 da Lei n.11343/2006, com pena reclusão reduzida de 3 a 6 anos (prevista no art.8º da Lei n.8072/90).

* TRAIÇÃO BENÉFICA (Damásio de Jesus): Jesus): Art.8º, par. único, Lei n. 8072/90: beneficia o participante ou associado da quadrilha que possibilitar o desmantelamento ± redução obrigatória da pena de 1/3 a 2/3. No caso de concurso material, a redução da pena se aplica apenas ao crime de quadrilha.

CRIME ORGANIZADO OU ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA 
Não

há conceito em nossa legislação ± ver Lei n. 9034/95, alterada pela Lei n.10.217/2000, que regula os meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações criminosas por quadrilha ou bando ou associações criminosas de qualquer tipo.

BIBLIOGRAFIA ADOTADA 
   

CAPEZ, Fernando ± Curso de Direito Penal ± vol.3, Ed.Saraiva, SP; GRECO, Rogério ± Curso de Direito Penal, vol.3, Ed.Impetus, NiteróiEd.Impetus, Niterói-RJ; NUCCI, Guilherme de Souza ± Direito Penal Comentado, Ed.RT, SP. GONÇALVES, Victor Eduardo Rios ± Dos Crimes contra os costumes, vol.10, Sinopses Jurídicas, Ed.Saraiva, SP. Greco Filho, Vicente ± Lei de Drogas Anotada ± Ed.Saraiva, SP, 2007.