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A CRIANÇA COM DESNUTRIÇÃO ENERGÉTICO-PROTÉICA

Profª Esp. Marília Cavalcante

Epidemiologia

Estima-se que, no mundo em desenvolvimento, 174 milhões de crianças menores de cinco anos têm desnutrição indicada pelo baixo peso para a idade e 230 milhões, pela baixa estatura para a idade. Reconhece-se que 55% das mortes infantis em países em desenvolvimento, estão associadas à desnutrição.

ETIOLOGIA .

principalmente. a demanda corporal para assegurar o crescimento. e por outro. e menores de 5 anos. A desnutrição é evitável e. . manutenção e funções específicas.   Ocorre mais facilmente em crianças em fase de amamentação. Síndrome multifatorial caracterizada pela existência de um desequilíbrio celular entre o fornecimento de nutrientes e energia por um lado. pode ser facilmente tratada.

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Sinais e sintomas .

anamnese alimentar (história e frequência). exames laboratoriais. exame clínico.Diagnóstico        antropometria. condições socioeconômicas e características familiares. desenvolvimento neuropsicomotor. outros aspectos da história e do exame físico. .

Antropometri a .

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Desnutrição Grave Marasmo Kwashiorkor .

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anemia severa e insuficiência cardíaca. tratar o choque séptico incipiente ou desenvolvido.Tratamento       tratar ou prevenir hipoglicemia e hipotermia. começar a alimentar a criança. tratar a infecção. . identificar e tratar quaisquer outros problemas. incluindo deficiência de vitamina. tratar ou prevenir desidratação e restaurar o equilíbrio eletrolítico. se presente.

Estímulo ao aleitamento materno e adequada introdução de alimentos de desmame. Vacinação. com uso adequado e valorização do Cartão da Criança. Busca ativa de crianças em situação de risco.Ações preventivas       Pré-natal e assistência à gestante. Acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento. . Organização da assistência para famílias em situação de risco.

Deficiência de vitamina A .

A suplementação de vitamina A é capaz de reduzir o risco de morte de crianças de 6 a 59 meses em 22 a 30%.000 crianças ao ano tornem-se cegas em decorrência da carência. Essa deficiência acomete principalmente as crianças da faixa etária pré-escolar (2 a 6 anos).Considerações Gerais  Estima-se que 250 milhões de crianças no mundo sejam deficientes de vitamina A e que de 250.   .000 a 500.

foi instituído o Programa de Combate à Deficiência de Vitamina A. Minas Gerais. No Brasil. Bahia. Pernambuco.  . Paraíba. por intermédio da Portaria nº 2160. principalmente nos estados de São Paulo. do Ministério da Saúde. de 29 de dezembro de 1994.Considerações Gerais  Os dados dos últimos 20 anos indicam que essa deficiência é um problema de magnitude de saúde pública em todo o país. Ceará. Amazonas e Rio de Janeiro.

Considerações Gerais  A vitamina A (retinol) é nutriente essencial.  . a partir do betacaroteno. outros sítios de depósito incluem olhos e pulmões. necessário em pequenas quantidades em humanos  O retinol pode ser obtido diretamente dos alimentos ou ser convertido no organismo humano. Cerca de 90% da vitamina A é estocada no fígado.

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abóbora. couve. gema de ovo. agrião. No reino vegetal salientam-se dois óleos extraídos de palmáceas: dendê e buriti. manga. A margarina e o creme vegetal apresentam fortificação obrigatória. almeirão). .Fontes     Origem animal: fígado. leite e produtos lácteos. as mais ricas são as de cor amareloalaranjado (cenoura. Quanto às frutas e hortaliças. mamão) e verde-escuro (mostarda.

Funções      Manutenção da visão adequada Integridade celular Regulação da síntese de glicoproteínas Crescimento e diferenciação celular Participação na defesa antioxidante .

a ulceração progressiva pode levar à necrose e destruição do globo ocular provocando a cegueira irreversível.  . caracterizada pela perda do brilho. assumindo aspecto granular. levando à xeroftalmia.Sintomas DVA  Um dos epitélios severamente afetados é o do revestimento ocular. A forma clínica mais precoce da xeroftalmia é a cegueira noturna onde a criança não consegue boa adaptação visual em ambientes pouco iluminados. e ulceração da córnea. o que é chamado de ceratomalácia.   nos estágios mais avançados a córnea também está afetada constituindo a xerose corneal.

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assegurando informações para incentivar o consumo de alimentos ricos em vitamina A pela população. antes da alta hospitalar e. pelo menos.parto imediato. Garantia da suplementação periódica e regular das crianças de 6 a 59 meses de idade.Prevenção da DVA  Promoção do aleitamento materno exclusivo até o 6º mês e complementar até 2 anos de idade. com doses maciças de vitamina A distribuídas pelo Ministério da Saúde. Promoção da alimentação saudável. Garantia da suplementação com megadoses de vitamina A para puérperas no pós .    .

000 UI 200. antes da alta hospitalar 100.000 UI 200.000 UI Uma vez .Administração de suplementos de Vitamina A Período Dose Freqüência Uma vez a cada 6 meses Uma vez a cada 6 meses Crianças: 6-11 meses Crianças: 12-59 meses Puérperas no pós-parto imediato.

Anemia Carencial Ferropriva .

 . além de comprometimento na resposta do sistema imunológico. independentemente das condições socioeconômicas. não havendo diferenças entre as macrorregiões. a anemia ocorre em cerca de 40 a 50% das crianças menores de cinco anos. Seu comportamento endêmico permite que crianças e mães sejam afetadas.Considerações Gerais  A anemia ferropriva é a carência nutricional mais prevalente no mundo. acarretando prejuízos a curto e longo prazo no desenvolvimento neuropsicomotor e na aprendizagem.  No Brasil.

A absorção do ferro ocorre no intestino delgado. da dieta.  .Metabolismo do ferro  A formação e a destruição de glóbulos vermelhos é responsável pela maior parte do ciclo de ferro no organismo.  Cerca de 95% das necessidades de ferro do adulto origina-se da hemoglobina reciclada. prioritariamente no duodeno. enquanto que nas crianças 70% provém da reciclagem e o restante.

Fontes .

Recomendações Nutricionais .

.  A biodisponibilidade do ferro no leite humano é elevada (50%) comparativamente à das fórmulas infantis (4 a 14%) e do leite de vaca (10%). No baço e musculatura esquelética esse elemento é encontrado em menor quantidade. especialmente na medula óssea e no fígado. O ferro é estocado como ferritina (70-80%) ou hemossiderina. A maior parte do ferro é transportada pela transferrina.

pequenos para a idade gestacional e filhos de mães diabéticas.  Lactentes com curta duração de aleitamento materno exclusivo.  Crianças e adolescentes portadores de doenças crônicas e/ou com indicadores socioeconômicos de pobreza.Estado nutricional relativo ao ferro  São considerados sob risco de desenvolvimento de deficiência de ferro: Recém-nascidos prematuros.  . aqueles alimentados com leite de vaca e outros que recebem alimentação complementar com baixo teor e/ou com baixa biodisponibilidade de ferro.

.Sinais e sintomas da Anemia Carencial Ferropriva          Anorexia Palidez Perversão do apetite Geofagia Apatia Irritabilidade Cansaço Fraqueza muscular Dificuldade na realização de atividade física.

segundo a OMS .5 g/dl < 12 g/dl < 13 g/dl 12 a 14 anos e mulheres nãográvidas > 15 anos (homens) Definição de Anemia. a análise qualitativa e quantitativa dos glóbulos vermelhos.Diagnóstico Laboratorial da Anemia Carencial Ferropriva  Para avaliação da anemia associada à deficiência de ferro. assim como a microcitose (avaliada pelo volume corpuscular médio – VCM) e a hipocromia (avaliada pela hemoglobina corpuscular média – HCM) são indicadores Faixa Etária < 5 anos e gestantes 5 a 11 anos Níveis de Hb < 11 g/dl < 11.

Fases da deficiência de Ferro .

como o suco de laranja. . antes das refeições principais. fósforo. A duração deve ser de três a seis meses para que.Tratamento Medicamentoso da Anemia Ferropriva  A dose de ferro elementar empregada no tratamento é de 3 a 5 mg/kg de peso/dia administrados diariamente. em dose única ou fracionada em duas vezes. que contém 20% de ferro elementar. Existem interações importantes do ferro com cálcio. seja assegurada a reposição de estoques de ferro.    Outra recomendação é que o medicamento não seja administrado conjuntamente a suplementos polivitamínicos e minerais. após a correção dos valores de hemoglobina. pode ser facilitada pela administração conjunta de fonte de vitamina C. A absorção do sulfato ferroso. zinco e outros elementos que podem reduzir sua biodisponibilidade.

Recomendações .

Prevenção        Incentivo ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês. Não-utilização do leite de vaca no primeiro ano de vida. Suplementação medicamentosa profilática. Estímulo ao consumo de alimentos que contenham ferro de alta biodisponibilidade na fase de introdução da alimentação complementar e em fases de maior vulnerabilidade a essa deficiência. Acesso a água e esgoto adequados. Controle de infecções. Fortificação de alimentos de consumo massivo (farinhas de milho e trigo). como a .