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Universidade Federal de Minas Gerais

Faculdade de Educação – Pedagogia


Disciplina: Comunicação Educativa
Professora: Célia Abicallil Belmiro
Alunas: Natália Fraga Carvalhais e Pollyana Fernandes Macedo

Relação entre gêneros


textuais e imagens na
literatura infantil

Ler uma imagem é fazer-lhe, implicitamente, perguntas.


Compreendê-la consiste em ter as perguntas respondidas.
(MANINI, CARNEIRO, 2007, s/p)
Sumário
• Introdução
• Conceitos: ilustração, imagem, texto e
gêneros textuais
• Características gerais da relação imagem
e texto
• Análise dos livros e as imagens
• Reflexões
• Conclusão
• Curiosidades sobre Eva Furnari
• Referências Bibliográficas
Introdução
• A proposta inicial deste trabalho era a de analisar a relação entre
a imagem e diversos gêneros textuais em livros de literatura
infantil. O objetivo consistia em identificar se a imagem é
trabalhada de forma diferenciada conforme o gênero textual
presente no livro.

• Dessa forma, conforme sugestão da professora Célia, escolhemos


livros em que o autor do texto também fosse o ilustrador para que
pudéssemos perceber o estilo de ilustração para cada gênero
textual. Selecionamos cinco livros da autora Eva Furnari.

• A partir da leitura de vários textos que tratam da relação imagem


e texto, percebemos o quanto não dominamos sobre a discussão
em torno da imagem e dos diferentes gêneros textuais.

• Optamos então por apresentar várias características apontadas


pelos diversos autores que fundamentam este trabalho e a partir
destas características e da discussão realizada em sala, analisar
de forma geral os livros selecionados da autora e ilustradora Eva
Furnari.

• Partiremos em princípio da discussão sobre o conceito de


ilustração, imagem, texto e gêneros textuais, para em seguida,
apresentarmos a nossa análise dos livros, sem o compromisso de
Ilustração/Imagem
• Ilustração: (do lat. Illustratione). 1.Ato ou feito de ilustrar(-se).
2.Conjunto de conhecimentos; saber: homem de notável i l u s t r
a ç ã o. 3.Imagem ou figura de qualquer natureza com que se
orna ou elucida o texto de livros, folhetos e periódicos. 4.Filos.
V. filosofia das luzes (iluminismo) (Aurélio Buarque de Holanda
Ferreira citado por Camargo, 1995).
• Ilustração: desenho gravado e intercalado no texto de um livro.
Obra literária cujo texto é ornado de gravuras ou desenhos, como
a Ilustração, semanário inglês, francês, etc.(Caldas Aulete, 1881
citado por Camargo, 1995).
• Ilustração é toda imagem que acompanha um texto. Pode ser
um desenho, uma pintura, uma fotografia, um gráfico, etc.
(Camargo, 1995).
• Tipos de ilustração (OLIVEIRA, 1998, p.66)
– Narrativa: associada a um texto literário ou musical (capa de
disco),
– Informativa: comprometidas com o conhecimento e a clareza
da informação, não permitindo a ambigüidade de
Funções da Ilustração
• Pontuação: destaca aspectos ou assinala seu início e seu término.

• Função descritiva: descreve objetos, cenários, personagens.


Predominante nos livros informativos e didáticos.

• Função narrativa: mostra uma ação, uma cena, conta uma história.

• Função simbólica: representa uma idéia (caráter metafórico).

• Função expressiva/ética: expressa emoções através da postura, gestos


e expressões faciais das personagens e dos próprios elementos plásticos,
como linha, cor, espaço, luz, etc. Também expressa valores pessoais de
caráter social e cultural.

• Função estética: chama atenção para a linguagem visual. O que


interessa não é a descrição e sim o gesto, a mancha, a sobreposição das
pinceladas, as transposições, a luz, o brilho e o enquadramento.

• Função lúdica: está presente no que foi representado e na própria


maneira de representar.

• Função metalingüística: metalinguagem é a linguagem que fala sobre a


Estilos de Ilustração
• Linear e pictórico: o estilo linear valoriza a linha, o contorno, o
aspecto plástico e tangível dos objetos. O estilo pictórico não está
preocupado com a forma e o volume dos objetos, mas com as
impressões visuais que essas formas e volumes provocam.

• Plano e profundidade: os elementos de uma ilustração – figuras,


animais, objetos, etc. – podem ser dispostos em camadas planas,
paralelas às margens, ou enfatizar a profundidade.

• Forma fechada e forma aberta: o ângulo de visão e o


enquadramento sugerem o espaço limitado.

• Pluralidade e unidade: no primeiro caso cada objeto representado


é valorizado e no segundo, os objetos representados são
subordinados a um motivo geral mais unificado.

• Clareza e obscuridade: o primeiro modo de representar busca


apresentar as formas em sua totalidade e clareza. O segundo, sem
chegar a ser confuso, o que significaria não ser bem realizado
artisticamente, não se preocupa em apresentar a forma em sua
totalidade, mas apenas seus elementos mais característicos.
Texto e Gênero textual
• Texto: unidade lingüística concreta (perceptível pela visão ou audição), que
é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em
uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade
de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível
e reconhecida, independentemente da sua extensão (Koch e Travaglia,
1989 citado por Travaglia, 2001, p.67).

• Gênero textual: são fenômenos históricos, profundamente vinculados


à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros
contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas
do dia-a-dia.(...) Surgem emparelhados a necessidades e atividades
sócio-culturais, bem como na relação com inovações tecnológicas. Sua
nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de
designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo,
composição e função. (Marcuschi, 2005, p.19 e 23).

– ex: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete,


reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia
jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras,
cardápio de restaurante, instruções de uso,m outdoor, inquérito policial, resenha,
edital de concurso, piada, conversação espontânea, carta eletrônica, aulas
Características gerais: relação
imagem e texto
• Uma ilustração adequada jamais é a história do texto (OLIVEIRA,
1998, p.64).

• “Além das imagens contribuírem para a estética do objeto-livro,


são contribuições de um outro leitor (o ilustrador), que acrescenta
mais uma interpretação ao texto” (WERNECK, 1998, p.103).
• “O ilustrador não ilustra apenas o que acontece literariamente,
mas sim, ele representa também os fatos visuais poéticos que
poderiam acontecer”. (OLIVEIRA, 1998, p.65).
• A imagem não precisa acompanhar o texto escrito: pode ter um
conteúdo independente, quebra o ritmo em textos longos, apóia a
leitura do ponto de vista do enredo ao construir formas,
personagens e cenários. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p).

• Imagem: mediadora entre o espectador e a realidade, ligada à


imaginação da qual depende a produção de sentido no processo
de leitura (TERRA, 2003, p.33).
Características gerais: relação
imagem e texto

• “Ao ler as imagens, a criança, dependendo da idade, primeiro


enumera os elementos isolados, depois descreve as cenas e por
último narra a seqüência dos acontecimentos, produzindo sentido(s)
para o texto imagético que tem em mãos” (TERRA, 2003, p.33).

• “Nos processo de elaboração da linguagem, a criança é sensível à


imagem, antes mesmo de se exprimir por palavras”. (WERNECK,
1998, p.102).

• Fases da leitura de imagens: 1º o adulta conta histórias para a


criança; 2º a criança já cria interpretação para as imagens e
estabelece relação entre elas (WERNECK, 1998, p.103).

• Grande incidência de ilustrações em livros infantis, voltadas para o


público mais jovem, ainda não dominante do código escrito ou em
processo de alfabetização. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p).
Características gerais: relação
imagem e texto
• A produção literária a medida que se volta para a faixa etária mais
elevada, com maior domínio de leitura, a ilustração tende a perder espaço
para o texto. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p).

• “A imagem constitui uma comunicação mais direta que o código verbal”


(WERNECK, 1998, p.102).

• A narrativa depende da interação ilustração e texto, ambos criados com


consciência de intenção estética: a ilustração do livro infantil é
completamente convencional; ao executar uma leitura, a criança tenta
apreender a narrativa através do aprendizado simultâneo dos códigos da
escrita e das imagens. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p).

• Descrição de imagens com palavras: uso da imaginação e


desenvolvimento da linguagem oral (TERRA, 2003, p.32).

• O leitor cria títulos, personagens, enredos diferenciados, podendo assumir


o papel de protagonista ou outra personagem na história (TERRA, 2003,
p.33).
Características gerais: relação
imagem e texto
• Literatura infantil e livros informativos têm linguagem mais universal e
livros didáticos têm linguagem mais nacional e local (WERNECK, 1998,
p.103).

• Literatura infantil: fantasia e arte do texto e da ilustração.

• Livro didático: sentido de instruir e ensinar (WERNECK, 1998, p.103).


• Diferenças entre a ilustração e a pintura: (OLIVEIRA, 1998, p.66-69).
– Ilustração sempre narra uma história e está ligada à temporalidade dos fatos;
está comprometida com a representação das formas e do universo tangível; o
trabalho do ilustrador é elaborado conceitual e tecnicamente para ser
reproduzido em larga escala através da indústria; fruição através do livro; o
ilustrador tem limites e condicionamentos devido ao psiquismo infantil.
– Pintura: pode ser narrativa ou não; requer o conhecimento direto da obra
original em museus e galerias de arte; o pintor exerce total domínio sobre seu
ofício.

• Carência de estudos teóricos de análise conceitual das ilustrações


(OLIVEIRA, 1998, p.64).

• Cultura visual: repertório de experiências estéticas e vocabulário visual


para educar o olhar (MANINI, CARNEIRO, 2007, s/p).
Quadro de tipologia das
relações imagens e texto
na literatura infantil

Necyk, Cipiniuk (2008)


Análise dos livros
• Luas – Poesia

• Você troca – trava-línguas

• Operação Risoto – história

• Cocô de Passarinho – história

• Adivinhe se puder – adivinhas


Poesia
A poesia, ou gênero lírico, ou lírica é uma das sete artes
tradicionais, através da qual a linguagem humana é utilizada
com fins estéticos. (...) É a arte de exprimir sentimentos por
meio da palavra ritmada. Essa definição torna-se insuficiente
quando se volta o olhar para a poesia social, a política ou a
metapoesia. Com o advento da poesia concreta, o próprio ritmo
da palavra foi anulado como definição de poesia, valorizando mais
o sentido. O poema passa a ter função de exprimir sucintamente e
entre linhas o pensamento do eu-lírico. A narrativa também pode
fazer isso, mas a maioria dos poemas, com exceção dos épicos,
não se baseia num enredo. A mensagem do autor é muito mais
importante do que a compreensão de algum fato. (wikipédia)
Luas - poesia
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (24), tipo e
tamanho das letras (letra de forma minúscula e caixa alta com detalhes
conforme cada poema e ilustração), diagramação (ilustração e um
pequeno poema em cada página, não têm páginas duplas, imagens entre
textos ou ao lado), encadernação (brochura), técnica de ilustração (lápis
pastel e tinta), ano (2002).

• CAPA:
– uma mulher com vestido branco caracterizada com um coração flechado, uma
mala/bolsa em forma de céu, um guarda-chuva, sapatos que lembram um
coração, elementos que compõem as imagens no interior do livro.
– A imagem está enquadrada e há uma lua cheia por trás do título do livro, que
rompe a moldura. Em cada extremidade do enquadramento há frutinhas - o que
se repete em termos de detalhes no interior do livro em cada imagem. A
logomarca da editora está na parte inferior da moldura.

• CONTRA-CAPA:
– Há uma meia lua branca e um enquadramento com o resumo da obra. O mesmo
coração flechado da capa está também na contra-capa, só que ampliado.

• INTERIOR DO LIVRO:
– Na primeira página do livro (anterrosto) há uma lua cheia com o título do livro
quase no centro da página com folhinhas em detalhes nos cantos superiores e
inferiores, com informações da obra.
Luas - poesia
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO:

– Objetivo do livro: estético e literário.

– Pequenos poemas, versinhos em cada página, com imagens delicadas,


que não se sobrepõem ao texto, mas que dialogam e constroem o
sentido único.

– As imagens e o texto verbal não disputam entre si na construção do


sentido. Ao contrário, são interdependentes.

– Sem as imagens a construção do sentido ficaria prejudicada.

– São imagens que necessitam estar no livro para dar sentido ao texto.

– São versos que você lê, olha para a imagem e se delicia com a forma
poética e sensível das imagens.

– As imagens rompem com os padrões: pessoas com o corpo exagerado


em relação aos membros e aos demais componentes da imagem.

– Enquadramento : encerra o texto e a imagem dentro da moldura,


porém em cada página é de uma cor e em algumas molduras há
detalhes que compõem o conjunto – texto e imagem.
Trava-línguas
Podemos definir os trava-línguas como frases folclóricas
criadas pelo povo com objetivo lúdico (brincadeira).
Apresentam-se como um desafio de pronúncia, ou seja,
uma pessoa passa uma frase difícil para um outro indivíduo
falar. Estas frases tornam-se difíceis, pois possuem muitas
sílabas parecidas (exigem movimentos repetidos da língua)
e devem ser faladas rapidamente. Estes trava-línguas já
fazem parte do folclore brasileiro, porém estão presentes
mais nas regiões do interior brasileiro.
Você troca – Trava-

línguas
PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (31), tipo e
tamanho das letras (letra de forma caixa alta), diagramação (imagem
entre os textos, todas as páginas são duplas), encadernação (brochura),
técnica de ilustração (aquarela), ano (2002), 2ª edição, 23ª impressão.

• CAPA
– Nome da autora em cima, um traço verde com pontinhas vermelhas, nome do
livro, enquadramento da Chapeuzinho Vermelha e a cara do Lobo com uma
cesta ao lado da margem, (essa imagem se separa nas páginas 22 e 23), nome
da Editora fora da moldura.
– A cor que prevalece na capa é o verde, sendo que na parte de dentro da capa há
pequenos desenhos de gatinhos e ratinhos brancos.

• CONTRA-CAPA:
– Há símbolos da coleção na parte superior, um pequeno resumo da obra, e logo
abaixo um pequeno desenho e nome da editora.

• INTERIOR DO LIVRO:
– 1ª pagina: na cor bege, há uma ilustração irônica: a maça querendo comer a
minhoca, nome do livro e da editora.
– 2ª página: ficha catalográfica do livro.
– 3ª página: dedicatória e ilustração paralelas.
– Última pagina: informações sobre a autora e uma ilustração dela (parece um
Você troca – Trava-
línguas
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO:

– Objetivo do livro: literário, lingüístico e lúdico.

– As ilustrações mostram mais detalhes do que as perguntas


feitas em cada trovinha.

– Há detalhes sutis e engraçados nas imagens.

– As ilustrações são simples como o texto também.

– Enquadramento: Em todas as ilustrações a margem faz


parte/compõe a ilustração e há pequenos desenhos fora da
margem.
Operação Risoto
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (40), tipo e
tamanho das letras (textos manuscritos, datilografados e digitados, letra de
forma e cursiva), diagramação (o próprio texto é uma imagem e todos eles
são representados como molduras, dando destaque ao documento, a
primeira página é dupla), encadernação (brochura), técnica de ilustração
(lápis/lápis de cor), ano (1999).
• CAPA:
– Nome da Coleção, nome do livro, nome da autora, nome da editora. Acima do
nome da coleção (personagens da história – rostos), em uma das extremidades, o
busto dos dois principais personagens (expressão no rosto), recortes do diário com
ilustrações e textos (tudo isso dentro de uma moldura).
– A capa atrai o leitor e antecipa o conteúdo do livro, uma investigação. Existe uma
diferença de tonalidade que parte do claro para o escuro, ou vice versa, isto
depende de onde parte o olhar.
– Na parte de dentro de capa – informações técnicas do livro.
• CONTRA-CAPA:
– Há no inicio da página o nome da coleção dentro de um primeiro enquadramento
no centro da página. Do lado deste percebemos a sombra da imagem de alguns
personagens da história. Já em um segundo enquadramento tem um diário
acompanhado de canetas, bilhetes e uma lupa, abaixo desta ilustração é
apresentado o resumo da obra. Ambos indicam uma investigação.

• INTERIOR DO LIVRO
– Nas 1ª, 2ª e 3ª páginas – nome da coleção e livro igual na capa, página em branco
para dar destaque ao nome da coleção e livro. Depois página dupla com ilustração
da cidade onde se passa da história, em que esta começa antes do padrão. O leitor
tem o ponto de vista de quem olha a cena de cima. A autora deixa um bilhete
Operação Risoto
• ANÁLISE GERAL :
– Objetivo do livro: literário, aproximação do leitor com os diversos gêneros
textuais.

– É composto por vários gêneros textuais: cartas, bilhetes, diários, listas, registros,
fotografias, desenhos, cartão postal, jornal, cartão de apresentação, entrevista,
anotações, transcrição de gravador, ocorrência.

– O próprio documento é uma imagem.

– Registros do personagem no diário: mistura de texto e desenho/fotos.

– As fotografias são cheias de detalhe.

– O texto sempre aparece em suporte.

– As imagens facilitam a intervenção do leitor que pode lê-las a partir de múltiplas


interpretações.

– Enquadramento: A cor que prevalece no interior do livro é a branca, a qual


compõe o exterior dos enquadramentos formados pela própria apresentação dos
documentos ou gêneros textuais.
Cocô de Passarinho
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (31), tipo e
tamanho das letras (letra de forma caixa alta), diagramação (cores vivas,
ilustração dentro das molduras, texto em fórmula de legenda, ou seja, a
ilustração é separada do texto por enquadramentos próprios que não se
encontram, há somente três páginas duplas), encadernação (brochura),
técnica de ilustração (tinta guache), ano (1998).
• CAPA:
– Nome da autora em cima enquadrado, nome do livro, ilustração emoldurada –
mostra todos os personagens da história, nome da editora. A cor que prevalece
na capa é o vermelho, sendo que o fundo da imagem enquadrada é branco, o
que proporciona um destaque maior para árvore que possui galhos retos.
• CONTRA-CAPA:
– Somente frutinhas dentro de uma moldura.
– Na parte interna da capa/contra-capa têm desenhos de passarinhos riscados
com lápis branco.
– Há um enquadramento composto por frutas e folhas que aparecem de forma
linear e alternada. Este enquadramento tem fundo branco que ressalta as figuras
usadas, seguindo o mesmo estilo da capa. Fora do limite colocado prevalece a
cor vermelha.
• INTERIOR DO LIVRO:
– Folha de rosto ou frontispício: nome da autora, do livro, Ilustração de um
passarinho e o cachorro de um dos personagens (este quase não tem destaque
na história) e o nome da editora (todos dentro do enquadramento). A cor que
prevalece na primeira página é o amarelo, sendo que o fundo da imagem
enquadrada é branco.
– Última página: ficha catalográfica do livro e uma pequena ilustração (vinheta) do
Cocô de Passarinho
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO:
– Objetivo do livro: literário

– Linguagem simples, ilustração com detalhes e que marcam o passar do tempo.


Em algumas páginas percebe-se um foco em certas partes da imagem. As
ilustrações não aparecem em excesso no livro, são bem distribuídas em relação
ao número de páginas.

– Personagens: 1º todos são representados, depois os homens e mulheres são


destacados, e finalmente os passarinhos. Em seguida são representados os
rostos das pessoas e o cocô de passarinho. O cachorro está em todas ilustrações
. Moradores com chapéu, inclusive o cachorro.

– Imagens opostas – 1 homem entre 2 mulheres e na outra página 1 mulher entre


2 homens.

– A expressão no rosto dos moradores vai mudando ao longo da história. Em


alguns momentos, os olhos se destacam do rosto dos personagens. Na roupa
dos personagens, detalhes vão aparecendo ao longo da história.

– Os homens e mulheres são mais representados que os passarinhos.

– Enquadramento: A cor que prevalece no interior do livro é a cor amarela que


compõe o exterior dos enquadramentos. O texto escrito e a imagem se
complementam. Nas páginas 6 e 7, 18 e 19 - 1 moldura só para a ilustração e p.
16/17 e 30/31 – é um momento só, mas são 2 molduras que partem a imagem.
Adivinhas
Também conhecidas como adivinhações ou "o que é, o
que é" são perguntas em formato de charadas
desafiadoras que fazem as pessoas pensar e se
divertir. São criadas pelas pessoas e fazem parte da
cultura popular e do folclore brasileiro. São muito comuns
entre as crianças, mas também fazem sucesso entre os
adultos.
Adivinhe se puder -
Adivinhas
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (24), tipo e
tamanho das letras (letra de forma minúscula), diagramação (texto sempre
enquadrado, em forma de versos, e as imagens se espalham pelo restante
da página. Não há enquadramento das imagens e em cada página há
adivinhas com ilustrações pertinentes a ela, encadernação (brochura),
técnica de ilustração (lápis e grafite), ano (1994).

• CAPA:
– As seqüências de imagens apresentadas partem do pensamento – imaginação
de duas pessoas que estão em um barco. Estas imagens estão interligadas por
tais pensamentos que se unem a partir de um ponto em comum: a princesa
pensando no príncipe, o peixe pensando na minhoca, que pensa em outra
minhoca. Por fim, as seqüências da imaginação da garota e do garoto se
encontram mais acima da página representando o amor entre dois palhaços.
Percebemos que, o pensamento da garota segue uma seqüência linear, já o do
menino não. No segundo segmento ele se encaminha para três caminhos
diferentes.

– A relação do casal na centralidade e inicio da imagem transparece ser um


momento amoroso, que tem inicio mais abaixo na capa e termina mais acima da
mesma, com a cena dos palhaços.

– A imagem encontra-se enquadrada. Neste enquadramento existem alguns


“personagens” que parecem crianças. Sendo, duas do lado direito e uma do lado
esquerdo. Elas demonstram estar felizes, escorregando e subindo pelo
Adivinhe se puder -
Adivinhas
• CONTRA CAPA:
– Há duas crianças acima do título do livro, uma perguntando para outra “o que é,
o que é;” a outra criança com um balão de interrogação demonstra em seu rosto
ar de pensamento. Assim, logo abaixo do título é colocado um chamativo, uma
adivinha para o leitor em que a resposta é o próprio livro.

• INTERIOR DO LIVRO:
– Na primeira página há uma criança de pés e mãos no chão brincando, sobre ela
tem um gato e sobre o gato um rato. O corpo da criança na parte de cima vem
acompanhado também de balõezinhos que desafia o leitor a descobrir os
adivinhas sem consultar o final do livro.
– Nas páginas seguintes há textos verbais que aparecem em pequenos
enquadramentos e alternam em todas as dimensões da página. Ao contrário da
capa essas imagens não são enquadradas.
Adivinhe se puder -
Adivinhas
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO:

– Objetivo do livro: literário.

– Pequenos adivinhas, em cada página, com imagens que dialogam com


o texto, mas não responde os adivinhas. Texto e imagem se dialogam
e constroem um sentido proposto pelo texto.

– Imagens que compõem todas as dimensões da página.

– o texto e a imagem são independentes, mas se completam.

– as imagens dão dicas da possível resposta do adivinha.

– o texto enquadrado circula pela página e aparece entre as imagens, às


vezes se torna um objeto e compõe a imagem.

– Enquadramento: somente na capa e nos textos das adivinhas.


Reflexões
“Em termos de ilustração, como podemos criar belas imagens para as
crianças, se elas muitas vezes na escola aprendem somente a decodificar
as palavras? A alfabetização visual proporcionaria não apenas ler melhor o
livro, mas também valorizar a importância e beleza das letras, dos espaços
em branco, das cores, da diagramação das páginas e a relação entre texto
e imagem (...) seria necessário que muitos profissionais que
trabalham com o livro nas escolas, nas bibliotecas, ou até mesmo
nas editoras, fossem visualmente alfabetizados também. Assim
como existe uma sintaxe das palavras, existe também uma relativa
sintaxe das imagens.” (OLIVEIRA, 1998, p.73)

“Na verdade, podemos fazer diferentes leituras de uma mesma imagem,


mas poucas vezes despertamos para a pluralidade e diversidade do mundo
e padronizamos nosso olhar, deixando, assim, detalhes e minúcias
passarem despercebidos. Banalizamos o olhar, e essa banalização também
aparente da imagem nos dá a impressão, freqüentemente ilusória, de que
ela nos é bem conhecida. Como bem explica Castanha (2002), este
distanciamento pode nos afastar de uma postura e de um olhar mais
perceptivo e humano, tornando nosso olhar mecanizado, inebriado por
uma apatia herdada pela rotina ou pela mesmice. Como olhamos sem ver,
não conseguimos dar novos significados às imagens cotidianas. Por isto é
bem comum dizermos nunca vi por este ângulo ou nunca reparei isto. Essa
Reflexões
“O ilustrador e o designer, além de conhecimentos técnicos e artísticos,
necessitam dominar os processos sob os quais se dá a construção da
narrativa verbo-visual do livro infantil. Através do entendimento da relação
entre imagem e texto no livro infantil, o designer gráfico e o ilustrador
poderão otimizar sua participação na produção da obra literária, em prol
de um projeto gráfico em consonância com a narrativa, capaz de
conseqüentemente incentivar e favorecer a leitura. O escritor, com maior
conhecimento das características e potencialidades da ilustração e do
design do livro, poderá por sua vez auxiliar na adequação dos elementos
visuais produzidos em função de seu texto, ou seja, na construção da
narrativa verbo-visual. Da mesma forma, o editor, consciente desse
processo interdisciplinar, poderá auxiliar na facilitação de condições
necessárias à realização de projetos editoriais voltados para o público
infantil.” (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p)
Conclusões

A partir desse trabalho percebemos como é insuficiente a


nossa formação em termos de cultura visual. Não passamos
por um processo de alfabetização visual e sim de despertar
do interesse sobre a temática.

A análise da relação imagem e texto nos livros de literatura


infantil nessa disciplina se configurou como o início de um
aprendizado que precisa ser aprofundado por todos,
principalmente pelos profissionais da educação.
Curiosidades
• Eva Furnari (Roma, 15 de novembro de 1948) é uma ilustradora e
escritora ítalo-brasileira.

• Biografia
– Sua família mudou-se para o Brasil em 1950, quando Eva tinha dois
anos. Cresceu na nova pátria, formando-se em Arquitetura pela
Universidade de São Paulo, e a partir de 1976 dedicou-se inicialmente
a livros com ilustrações, sem texto.

– Colaborando com a Folhinha, suplemento infantil do jornal paulistano


Folha de S. Paulo, criou sua personagem mais famosa: a Bruxinha.

– Como autora infanto-juvenil e como ilustradora recebeu o Prêmio


Jabuti , nos anos de 1986, 1991, 1993, 1995, 1998 e 2006.

– Em 2002 foi escolhida para ilustrar a reedição de seis livros da obra


infantil de Érico Veríssimo.

– A obra de Furnari, composta essencialmente de pequenos livros, é uma


das mais profícuas na Literatura infantil brasileira atual. Como a
própria autora revelou, numa entrevista, a ilustração precedeu a
produção literária - mas foi nesta última que veio efetivamente a se
destacar.
Eva Furnari:
Obras como autora e ilustradora
• O segredo do violinista, Ática, São • A menina e o dragão
Paulo
• Catarina e Josefina
• Coleção Peixe Vivo, Ática,1980:
• Assim assado, Moderna editora, 1991
– Cabra-cega
• Não confunda..., Moderna, 1991
• De vez em quando
• Você troca?, Moderna, 1991
– Esconde-esconde
• Trucks, Ática, 1991
– Todo dia
• O Problema do Clóvis, Global, 1992
• Em 1982:
• Caça-fumaça, Paulinas, 1992
– Bruxinha atrapalhada, Global
• Por um fio, Paulinas, 1992
– O que é, o que é?, Paulus editora
• O amigo da Bruxinha, Moderna, 1994
– Traquinagens e estripulias, Global
• A menina da árvore, Studio Nobel,
• Oito a comer biscoito ou dez a comer 1994
pastéis, Quinteto Editorial
• Adivinhe se puder, Moderna, 1994
• Amendoim, Paulinas, 1983
• Travadinhas, Moderna, 1994
• Filó e Marieta, Paulinas, 1983
• Bruxinha e as Maldades da
• Zuza e Arquimedes, Paulinas, 1983 Sorumbática, Ática, 1997
• A Bruxinha e o Gregório, Ática, 1983 • Cocô de passarinho, Cia das Letrinhas,
• Violeta e Roxo, Quinteto editorial, 1998
1984 • Anjinho, Ática, 1998
• Quer Brincar?, FTD, 1986 • Nós, Global, 1999
• Bruxinha e Frederico, Global, 1988
• A Bruxinha e o Godofredo, Global,
1988
• Coleção As meninas, editora Formato,
Obras como autora e
ilustradora
• Coleção Piririca da Serra, editora • Coleção Os bobos da corte,
Ática,: Moderna, 2002:
– A Bruxa Zelda e os 80 – Dauzinho
Docinhos, 1994 – Rumboldo
– O Feitiço do Sapo, 1995 – Tartufo
– Mundrackz, 1996 • Luas, Global, 2002
– Operação Risoto, 1999 • O circo da lua, Ática, 2003
• Coleção Avesso da Gente, • Cacoete, Ática, 2005
Moderna Editora, 2000: • O Feitiço do Sapo - Ática, 2006
– Abaixo das canelas, • Zig zag - Global, 2006
– Loló Barnabé • Felpo Filva - Moderna editora,
– Pandolfo Bereba 2006
– Umbigo indiscreto
• De 2001:
– Os problemas da família
Gorgonzola, Global,
– Bililico (com Denize Carvalho),
Formato
– Marilu, Martins Fontes
Como ilustradora
• Seu Rei mandou dizer, de Giselda Laporta Nicolelis - ilustradora
(com Elenice Machado de Almeida), Moderna editora
• Dorotéia a Centopéia, de Ana Maria Machado - ilustradora,
Salamandra.
• Bento Que Bento e o Frade, de Ana Maria Machado- Ilustradora,
Salamandra,
• Que Horta, de Tatiana Belinki - ilustradora, Paulus
• A mãe da menina e a menina da mãe, de Flávio de Souza) -
ilustradora, FTD
• Ilustração da obra infantil de Érico Veríssimo, Cia das Letrinhas:
– O Urso com Música na Barriga, 2002
– A Vida do Elefante Basílio, 2002
– Os Três Porquinhos Pobres, 2003
– Outra Vez os Três Porquinhos, 2003
– Rosa Maria no Castelo Encantado, 2003
– As Aventuras do Avião Vermelho, 2003
• Outros:
• Lambisgóia, de Edson Gabriel Garcia - Ilustradora, Nova Fronteira,
1984
• A Menina das Bolinhas de Sabão, de Antônio Hohlfeldt -
Ilustradora, FTD
Referências Bibliográficas
• BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1984.

• BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In:


BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre a literatura e
história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. (p.165-196)

• CAMARGO, Luís. Ilustração do livro infantil. Belo Horizonte: Ed. Lê, 1995.

• FREITAS, Neli Klix; ZIMMERMANN, Anelise. A ilustração de livros infantis: uma


retrospectiva histórica.
www.ceart.udesc.br/revista_dapesquisa/volume2/numero2/humanas/Neli%20-%20Anelise.
pdf, acessado em 04/10/2008.

• FURNARI, Eva. Adivinhe se puder. São Paulo: Moderna, 1994. (Coloção hora da
fantasia).
• ___________. Cocô de passarinho. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.
• ___________. Você troca. São Paulo: Moderna, 2002. (Coleção Girassol)
• ___________. Luas. São Paulo: Global, 2002.
• ___________. Operação Risoto. São Paulo: Ática, 1999.

• GOÉS, Lúcia Pimentel. Introdução à literatura infantil e juvenil. São Paulo: Pioneira,
1984.

• MANINI, Mirian Paula; CARNEIRO, Liliane Bernardes. Leitura de imagens na literatura


infantil: desafios e perspectivas na era da informação. Bahia, 2007.
www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT3--243.pdf , acessado em 04/10/2008.
Referências
Bibliográficas
• NECYK, Bárbara Jane; CIPINIUK, Alberto. A relação entre o texto e a imagem no livro
infantil contemporâneo. Rio de Janeiro, 2008. www.anpedesign.org.br/artigos/pdf,
acessado em 04/10/2008.

• OLIVEIRA, Rui. A arte de contar histórias por imagens. Presença Pedagógica, v.4,
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• PANOZZO, Neiva Senaide Petry. Enlaces na leitura da literatura infantil.


www.alb.com.br/anais16/sem08pdf/sm08ss13_05.pdf, acessado em 04/10/2008.

• ROCHA, Gladys. Percepções infantis na escolha do livro. Presença pedagógica, v.7,


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• TERRA, Ana Flávia Rodrigues. O livro de imagens na Educação Infantil. Presença


Pedagógica, v.9, n.51, p.31-41, mai/jun 2003.

• TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de


gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 2001.

• WERNECK, Regina Yolanda. Leitura de imagens. Presença Pedagógica, v.4, n.19,


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• http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/adivinhas.htm, acessado em 06/11

•  http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/trava_linguas.htm acessado em
06\11