Fotografia e Arte Conceitual A.

Fabris
• Outros autores, também analisam o uso de recursos fotográficos por parte de alguns artistas associados à vertente da Arte Conceitual. É o caso de Victoria Combalía Dexeus que, em 1975, destaca algumas obras nas quais a questão fotográfica é determinante, a começar por Vinte e seis postos de gasolina. • No livro, Ruscha trabalha com a idéia de série, elemento central na poética, e utiliza a fotografia por ser um meio desprovido de conotações “estéticas”. A preferência de Ruscha pela série responde a uma das principais características da arte conceitual: o desinteresse pela matéria é paralelo à concepção da obra como processo, como um conjunto de “momentos” em que há um desenvolvimento do pensamento em fases, todas importantes na elaboração de uma idéia ou de um tema de pesquisa.

Ed. Ruscha

Ed Ruscha, Gasoline station, gas station on Route 66, From 'Twenty Six Gasoline Stations', 1962

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Annette Messager e Susan Hiller • O interesse dos artistas conceituais pela fotografia deriva. . do sentimento crescente de que havia algo intrinsecamente errado com a câmara e com o modo pelo qual mostrava o mundo. Seu ponto de vista fixo e monocular é relacionado com as idéias de controle e dominação. segundo Godfrey. gerando algumas estratégias críticas como a abordagem estrutural de David Hilliard e a investigação sobre o uso social da imagem de artistas como Annette Messager e Susan Hiller. pornografia e vigilância.

1997 .That Glorious Society Called Solitude.

Godfrey não deixa de destacar o que é peculiar na atitude das duas artistas: conscientes de que não é mais necessário realizar imagens para refletir sobre os usos sociais da fotografia. Susan Hiller propõe uma meditação sobre aspectos esquecidos ou inexplorados da cultura de massa. passam a organizá-las e a examiná-las criticamente. . articula uma reflexão sobre os tratamentos e manipulações aos quais as mulheres se submetem em busca de beleza e juventude. em Minha punição voluntária (1972). confrontando o observador com a idéia de coleção. ao apresentar trezentos cartões postais de localidades marítimas da Grã Bretanha que suscitam questões sobre o estatuto da imagem e o papel desempenhado pela artista na operação. • Annette Messager. na qual o aspecto determinante reside no princípio de organização e não nos elementos constitutivos.• Em Dedicado ao artista desconhecido (1972-1976). por sua vez.

Minha punição voluntária (1972). .

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Susan Hiller Dedicated to the Unknown Artists (detail) 1972 - 1976 305 postcards, charts, maps, one book, one dossier, mounted on fourteen panels Each 66x104cm

Addenda to Dedicated to the Unknown Artists: Addenda III, Section T: Tones, 1978“ Typed charts and postcars, 63,5 x 89 cm

hand-painted with gold ink Each: 20 x 30 in. / 50.1983 12 C-typed photographs.8 x 76."Towards an Autobiography of Night".2 cm .

/ 40."Some Rogh Seas". / 152.6 x 30.4 x 162.6 cm . 2010 20 Archival digital prints Each: 16 x 12 in.5 cm Overall: 60 x 64 in.

2009 .8 x 76.9 Archival digital prints Each: 20 x 30 1/4 in. Framed: 20 3/4 x 31 in. / 50."Night Waves". / 52.7 x 78.7 cm.5 cm .

e na escolha do formato fotojornalístico. . impulsionado pela vontade de questionar o predomínio das formas artísticas estabelecidas e articular numa crítica contra elas. é detectado pelo autor em Casas para a América (1966). associada naquele momento a imagens triviais. de Dan Graham. obra concebida como um “encarte surpreendente” para alguma revista semanal e publicada mutilada na edição de dezembro de 1966/janeiro de 1967 de Arts Magazine.Dan Graham • Outro uso conceitual da fotografia. A intenção antiartística de Graham explicita-se no uso da cor. que lhe permitem analisar em profundidade o estatuto institucional da arte por intermédio da dinâmica de um tema que nada tinha a ver com ela.

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Two-page spread originally published in Arts Magazine. Courtesy of the artist and Marian Goodman Gallery. .Dan Graham. December 1966–January 1967. © Dan Graham. New York. 1966. Homes for America. Photo offset reproduction of layout for magazine article.

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Operações com a fotografia • Dentre as várias operações analisadas por Godfrey • a lógica da organização arquivística dos Becher. • a apropriação de Sherrie Levine. • o confronto crítico com a história da arte de Jeff Wall. • as estratégias da narrative art. • destaca-se o olhar crítico lançado sobre a publicidade por Victor Burgin. .

Becher .

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Jeff Wall .

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Michael Mandiberg .

cabendo à fotografia demonstrar que seu terreno não é a retórica do realismo. nas quais a ideologia popular da propaganda é colocada em xeque. um casal abraçado. de janeiro de 1966. de modo a “confrontar a falsa consciência com a verdade nua”. e sim a do irreal. • Barbara Kruger representa uma outra possibilidade de trabalho com imagens publicitárias associadas a textos críticos. . mas econômica na parte inferior do cartaz. O formato escolhido – cartaz – responde à vontade de Burgin de inserir uma reflexão sobre os meios de comunicação de massa no circuito social. A pergunta que encima a imagem (“O que posse significa para você?”) recebe não uma resposta sexual.Burgin e Barbara Kruger • Em Posse (1976). à qual associa um novo texto. que atribuía a 7% da população da Inglaterra a posse de 84% das riquezas do país. Ela é extraída de uma pesquisa de The Economist. o artista britânico apropria-se de uma imagem publicitária.

Burgin .

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Burgin .

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Kruger .

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Dá visibilidade a obras que aspiravam à invisibilidade. . Nesse contexto. o documento não se opõe à arte. A imagem toma o lugar deixado vago. transformando em presença sua falta de presença.• Moineau. reestetizadas. • O documento transforma-se em obra. aponta uma espécie de paradoxo no uso da fotografia pela arte conceitual. transformando-se em obra. a fotografia reinsere nas convenções artísticas uma vertente que renunciava ao fazer. por sua vez. pode transformar-se em ficção documental. dando a ver o que não necessariamente acontece ou o que só tem lugar no documento que o engendra no momento em que o documenta. Longe de constituir um instrumento crítico da arte ou de provocar um desaparecimento desta. o lugar da obra.

sem transformar o ambiente em demasia”. por sua redundância. contudo. Dois artistas interessam particularmente à autora: Burgin e Huebler. não assimiláveis à tradição do fotojornalismo e da fotografia artística. de acordo com Liz Kotz. . • Por isso. Fototrilha (1967-1969). na produção de novos modelos de fotografia. pode ser considerado uma reflexão aguda sobre a fotografia e o ato de ver: o próprio artista caracteriza Fototrilha como “um gesto para chamar a atenção para as condições de percepção. que estava sendo codificada institucionalmente naquele momento. em virtude da apresentação neutra de uma informação proporcionada por suas fotografias corriqueiras e ordenadas de modo serial. que consistia de fotografias em preto e branco de pavimentos apostas no chão para que as imagens coincidissem com este. O trabalho. tem evidentes ligações com o minimalismo. um dos primeiros trabalhos a merecer sua reflexão é Vinte e seis postos de gasolina. de Burgin. por evocar as idéias de lugar e contexto.• Uma das principais contribuições dos artistas da década de 1960 reside.

acaba realizando uma verdadeira “política da representação”: expõe não apenas os mecanismos da fotografia e da citação. Desse modo. mas mostra também como a idéia de si se apóia em operações lingüísticas e visuais. o que contamina a lógica das imagens. . podem surgir associações do modelo com descrições negativas ou desagradáveis (“por fim uma pessoa que é bonita. mas estúpida”). datado de 1977: o artista fotografa pessoas segurando pequenos cartazes com dizeres alusivos à aparência. Como os cartazes são distribuídos de maneira aleatória. 70.Huebler • Num desdobramento de Variable piece n.

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Sanja Ivekovic. Double Life (1959-1975). 1976 .

1970 copyright National Film Board of Canada .Arthur Lipsett. N-Zone.

Mark Manders and Rogier Willems. 1999-2001 . Newspaper of 5.

John Baldessari. Fable: A Sentence in Thirteen Parts .

destituída de conotações abertamente simbólicas. figural e codificado.• Se. já que envolve o signo verbal. há outra característica da imagem técnica que desperta a atenção de Liz Kotz. • Trata-se de um aspecto. Imagem aparentemente natural. A idéia da fotografia como evidência parece enfatizar sua diferença em relação à linguagem. paradoxal. a fotografia é considerada um índice. de certa forma. em oposição ao signo lingüístico arbitrário. ideológicas ou artísticas. . Burgin e Huebler podem trabalhar diretamente com os sistemas de representação e os signos culturais. puramente denotativa. graças à fotografia.

reprimem as dimensões figurais da linguagem e a utilizam de maneira quase fotográfica. . de Robert Barry. como meio direto de inscrição e registro. • Por usarem a linguagem como um meio de inscrição quase sistemático ou de documentação. de Robert Morris. • Os exemplos lembrados são vários: Arquivo (1962). Se isso caracteriza as tabelas e listas que acompanham os documentos das performances de Vito Acconci no começo da década de 1970. os diários obsessivos de Hanne Darboven. o alcance da configuração da linguagem pela fotografia é ainda mais claro em trabalhos de base lingüística destituídos de imagem. de Kawara. Ainda estou vivo (iniciado em 1970). entretanto. esses trabalhos podem ser colocados no âmbito dos modelos de análise estrutural que estavam emergindo naquele momento. Esquema (1966). Galeria fechada (1969).• Os artistas conceituais. de Graham.

Anna Bella Geiger Série Diário de um Artista Brasileiro . 1975 fotomontagem em xerox preto-e-branco 37 x 37 cm Coleção do artista Foto arquivo do artista .The Bride Met Duchamp Before the Bachelors Even….

.Anna Bella Geiger.

5 x 18 cm Coleção Augusto Lívio Malzoni Foto Romulo Fialdini .Jaque Leirner Pulmão. 1987 caixa de backlight c/chapas fotográficas de raios X invertidas 48 x 38.

1998 . texto e chumbo 27 x 33. 1992/1993 foto.XXIV Bienal de São Paulo.Nazaré Pacheco Sem Título.5 cm Coleção do artista Foto reprodução fotográfica do catálogo Nazareth Pacheco Jóias .

1999 fotografia com impressão digital s/vinil (moldura plástica) 180 x 134 x 4 cm Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo Foto Vicente de Mello .Gustavo Resende O Paradoxo de Thompson e os Pesadelos de Mark.

André Rouillé Entre fotografia e arte • • • • • • Arte dos fotógrafos Pictorialismo Nova Objetividade Fotografia subjetiva Fotografia criadora Neopictorialismo • • • • Fotografia dos artistas O impressionismo Marcel Duchamp Fotogafia ferramenta da arte • Fotografia vetor da arte • Fotografia material da arte .

Ao contrário do artista. antes de ser artista. os artistas e os fotógrafos-artistas. o fotógrafoartista evolui deliberadamente no campo da fotografia. assim se enfrentam e. que se situa no mesmo nível no campo da arte. o da fotografia e o da arte. de maneira quase irremediável. . Ele é fotógrafo. Dois mundos. muitas vezes. social e estética que separa.• A distinção entre a arte dos fotógrafos e a fotografia dos artistas é bastante fácil. Ela se baseia na profunda fratura cultural. ignoram-se.

• A fotografia adquiriu no último quarto do século XX. . literalmente. que continua polarizada na questão da representação: ou ela se esforça para. um lugar de primeiro plano na arte contemporânea. essa fotografia dos artistas tem poucos pontos em comum com a fotografia dos fotógrafos. reproduzir as aparências (como a fotografia-documento). Mas. ou deliberadamente as transforma (como a fotografia artística). ou afasta-se delas (como a fotografia-expressão).

da ordem do visível.• O principal projeto da fotografia dos artistas não é reproduzir o visível . alguma coisa que não é. . mas ao domínio da arte. Ela não pertence ao domínio da fotografia. pois a arte dos artistas é tão distinta da arte dos fotógrafos quanto a fotografia dos artista o é da fotografia dos fotógrafos. mas tornar visível alguma coisa do mundo. necessariamente.

• Fotografia ferramenta da arte (referências para trabalhos de pintura/desenho. . Land art. fotogramas. primor técnico. Antecedentes: fotomontagens Dadaístas e Surrealistas. tamanho monumental). gravura em metal). serigrafia. • Fotografia vetor da arte (arte conceitual. Body art) raramente a fotografia é mobilizada sozinha). Nova Visão. • Fotografia material da arte (imagens expostas sozinhas.

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Robert Rauschemberg .

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1960s Dublin City Gallery The Hugh Lane .Francis Bacon John Deakin Lucian Freud.

From the The Phenomena of Materialization by Baron Von Schrenk Nottzig .

1966. of Bacon.francis-bacon. pasted onto the inside rear cover of an unidentified book.http://www. 1965. Three photomat strips. George Dyer and David Plante. c. taken in Aix–en-Provence. c.com/world/?c=InCamera Working document Photograph by John Deakin of George Dyer in Bacon’s Reece Mews studio. .1966-67. it seems likely that this was done at Bacon’s request. Since the multiple viewpoint resulting from Deakin’s double exposure is virtually impossible to achieve accidentally with a Rollefleix camera.

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1970 .

1975 .

1978 .

1980 autorretrato .

1981 .

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