MÓDULO DE

:

DIDATICA E METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR

AUTORIA:

ANA MARIA RIBEIRO FURTADO MARIZINHA COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: Didática e Metodologia do Ensino Superior Autoria: Ana Maria Ribeiro Furtado Marizinha Coqueiro Borges Primeira edição: 2008

CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste módulo. Mais do que simplesmente listar esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir logotipos, o autor declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos. Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente na aplicação didática, beneficiando e divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas de autenticidade de sua utilização e direitos autorais. E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram analisados em pesquisas de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram expostas ao comércio livre editorial.

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040 Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

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A

presentação

Este material apresenta um referencial teórico sobre a Didática e Metodologia do Ensino Superior, cujo objetivo e lhe apresentar a importância do planejamento, organização da ação didática e conhecimento das abordagens pedagógicas, assim como instrumentos eficazes de construir planos de ensino e projetos educacionais possibilitando-lhe assim, um fazer pedagógico capaz de lhe impulsionar e lhe motivar a buscar novos valores, novas ações e novas posturas educacionais. E também nosso desejo que este material venha lhe acender o desejo eminente de pesquisar, ler e contextualizar práticas pedagógicas realizadas no panorama educacional. Urge, pois lembrar, que o compromisso do educador reflete-se na sua corporeificação atitudinal e no seu comprometimento dialético entre os pares educativos. Lembrando que “ensinar e recordar ao outro que ele sabe tanto quanto você”. A emoção e o prazer que permeiam esta ação estão refletidos nas nossas conversas, ainda que on-line. Sua Educadora, Professora Marizinha Coqueiro Borges Professora Ana Maria Ribeiro Furtado

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Desenvolver habilidades técnicas de ensino com vistas à melhoria do desempenho docente. As interações em sala de aula: o papel dos professores e alunos. os conteúdos escolares as estratégias de ensino aprendizagem. A organização e o desenvolvimento do processo ensino aprendizagem: os planos de aula e os programas de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Trabalhar o planejamento e utilização dos procedimentos de ensino e aprendizagem em suas várias modalidades.O bjetivo Possibilitar a compreensão de que o processo ensino aprendizagem se dá mediante por uma rede relação e as possibilidades que a didática oferece para. auxiliar na construção das competências necessárias a sua realização objetivando o sucesso se todos os sujeitos dele participantes. O planejamento escolar. E menta O Papel social e educação da didática. 4 Copyright © 2007. Perspectivas teóricas e práticas da didática. Os objetivos de ensino. Propiciar a construção de um referencial teórico que habite a tomada de posição crítica reflexiva da realidade educacional como vistas a sua superação. O Professor e seu trabalho.

5 Copyright © 2007. professora de cursos de pós.graduação.S obre o Autor Professora Ana Maria Ribeiro Furtado Mestre em Teologia com especialização em divindade pela Shalom Bíble College and Semínary e FAETESP. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Consultora educacional e palestrante motivacional e educacional.Toronto Canadá Licenciada em Pedagogia pelas Faculdades Integradas de São José dos Campos e Faculdade de Ciências Humanas Experiência em supervisão pedagógica e docência de ensino superior Professora Marizinha Coqueiro Borges Mestrado em Educação pela Universidade São Marcos Pós-Graduação em: Administração Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Psicopedagogia pela Parceria UVV/Universidade Estácio de Sá Planejamento Educacional pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Supervisão Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de 1º Grau pela Associação Brasileira de Tecnologia Educacional Graduação em Pedagogia com Especialização em Orientação Educacional pela Universidade Federal do Maranhão Educadora dos cursos de graduação na área pedagógica.

.......................... 33 O PROGRESSO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS E A DIDÁTICA .................... 27 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS DO BRASIL E A DIDÁTICA ................................................................................................................. 41 APRENDIZAGEM: UM PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO ............................. 9 TENDÊNCIAS ATUAIS NO DESENVOLVIMENTO DA DIDÁTICA ..................................................................... 27 UNIDADE 6 ..................................... 50 UNIDADE 11 .................... 46 UNIDADE 10 .................................................................................................................................................... 16 A DIDÁTICA E A SUA RELAÇÃO COM O CURRÍCULO............................... ................................. 38 UNIDADE 8 .......................................................................................... METODOLOGIA ESPECÍFICA........................................... 55 PRÁTICA EDUCATIVA E SOCIEDADE ........................ 50 DINÂMICA DO PROCESSO DE ENSINO .......................................................................... 41 UNIDADE 9 ....................................................................................................................................................... 9 UNIDADE 2 ................................................................................................................... 38 PROCESSO DIDÁTICO NA CONCEPÇÃO DA PEDAGOGIA CRÍTICOSOCIAL DOS CONTEÚDOS: ........... 23 UNIDADE 5 ...... PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS DE ENSINO. 23 OS PENSADORES DA PEDAGOGIA ............................................................ 55 UNIDADE 12 ................................................................ 20 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS ................ 16 UNIDADE 3 .......................................... 46 CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR ...............................S UMÁRIO UNIDADE 1 ....................................................................................................................................... 33 UNIDADE 7 ......................................................................................................................... 62 6 Copyright © 2007........................................................................................................ 20 UNIDADE 4 .. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .........

....................................................................... 71 O PROFESSOR E A SUA VIVÊNCIA NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO.............................................................................. 88 UNIDADE 19 .................... 67 O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM E SEUS COMPONENTES FUNDAMENTAIS ...... 107 O PLANEJAMENTO DA AÇÃO DIDÁTICO PEDAGÓGICA: ............................................................................................ 67 UNIDADE 14 .............................................................................................................................................................. 62 UNIDADE 13 ...................... 112 UNIDADE 24 ............................................................................. 104 PLANEJAMENTO DE ENSINO E SUAS ETAPAS ...................................................................... 117 7 Copyright © 2007..EDUCAÇÃO COMO DIALÉTICA E PRÁXIS SOCIAL......................................................... 85 UNIDADE 18 .................................................................................................................... 71 UNIDADE 15 ......................................................................................................................... 93 UNIDADE 20 ...................................................................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ....... 93 SOBRE CONCEPÇÕES DE ENSINO .................................................. 107 UNIDADE 23 ............................................................................................. 112 AINDA FALANDO SOBRE O PLANEJAMENTO DA AÇÃO DIDÁTICO PEDAGÓGICA: ............................................................ 75 COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO E DO PROCESSO DE ENSINO .................................................................................................................................................................................................... 98 PRÁTICA ESCOLAR: COMPONENTES BÁSICOS........................ 81 A ESTRUTURA DO TRABALHO DOCENTE ................. 98 UNIDADE 21 ........................................................................... 104 UNIDADE 22 .............................................................................. 81 UNIDADE 17 ........................................................................................... 75 UNIDADE 16 .......................................... 88 TENDÊNCIAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS-ENSINO: AS ABORDAGENS DO PROCESSO ............... 85 O CARÁTER EDUCATIVO DO PROCESSO DE ENSINO E O ENSINO CRÍTICO .................................................................................................................................................

........................................... 140 UNIDADE 30 ..................................................................................................................................................... 148 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 121 Seleção e organização dos conteúdos Curriculares................................. ...................................................................................... 132 UNIDADE 28 .... 125 UNIDADE 27 ........................................................................................................................... 149 8 Copyright © 2007.........................................................................................UNIDADE 25 ................. 132 MODALIDADES DE ENSINO-APRENDIZAGEM ........................................ 125 AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: PARA ALÉM DO AUTORITARISMO ................ 136 UNIDADE 29 ..................................... 145 GLOSSÁRIO ............................................. 136 ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM ................ 140 PROCEDIMENTOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM ...... 145 QUALIDADE EDUCATIVA ....................... 121 UNIDADE 26 .... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ......

é assim. Ao estudar a educação nos seus aspectos sociais. na escola. que são sempre sociais. Sendo a Didática uma disciplina que estuda os objetivos. destacando-se a Didática como teoria do ensino. que o processo de ensino . e. Nesse caso. nos meios de comunicação de massa. uma disciplina pedagógica. Organização Escolar.U NIDADE 1 TENDÊNCIAS ATUAIS NO DESENVOLVIMENTO DA DIDÁTICA Objetivo: Conhecer a didática como uma atividade pedagógica norteadora do fazer educacional. uma vez que esta reúne em seu campo de conhecimentos objetivos e modos de ação pedagógica na escola. políticos. Teoria da Escola. A ciência que investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a prática social global é a Pedagogia. nas organizações políticas e sindicais. também de uma pedagogia escolar. 9 Copyright © 2007. a Pedagogia recorre à contribuição de outras ciências como a Filosofia. pode falar de uma pedagogia familiar. os conteúdos. de uma pedagogia política etc. econômicos. os meios e as condições do processo de ensino tendo em vista finalidades educacionais. a Economia. psicológicos. sendo a educação uma prática social que acontece numa grande variedade de instituições e atividades humanas (na família. etc. a Sociologia. ela se fundamenta na Pedagogia.). Consideraremos. a Psicologia.não pode ser tratado como atividade restrita ao espaço da sala de aula. a História. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Esses estudos acabam por convergir na Didática. Para compreendermos a importância do ensino na formação humana. em primeiro lugar. O trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade. no trabalho. para descrever e explicar o fenômeno educativo. Além disso. nas igrejas. é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas educativas exigidas pela vida em sociedade.objeto de estudo da Didática . constituem-se disciplinas propriamente pedagógicas tais como a Teoria da Educação.

o modo de agir e os interesses das classes e grupos sociais. a Didática ocupa um lugar especial. Com efeito. a atividade principal do profissional do magistério é o ensino. Nesse sentido. que mobilizam os conhecimentos pedagógicos gerais e específicos. bem como as metodologias apropriadas para a formação dos indivíduos tendo em vista o seu desenvolvimento humano para tarefas na vida em sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR A pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. no seio de uma determinada sociedade. uma disciplina eminentemente pedagógica. de suas finalidades. é sempre uma concepção da direção do processo educativo subordinado a uma concepção político-social. modos e condições. Sendo a educação escolar uma atividade social que. conteúdos e métodos da educação se modifica conforme as concepções de homem e da sociedade que. A Pedagogia. organizar. portanto. É em função da condução do processo de ensinar. que consiste em dirigir. em cada contexto econômico e social de um momento da história humana. orientando-o para finalidades sociais e políticas e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo no âmbito da escola. orientar e estimular a aprendizagem escolar dos alunos. Quando falamos das finalidades da educação no seio de uma determinada sociedade. visa assimilação dos conhecimentos e experiências humanas acumuladas no decorrer da história. através de instituições próprias. é por isso. a Didática assegura o fazer pedagógico na escola. 10 Copyright © 2007.Nesse conjunto de estudos indispensáveis à formação teórica e prática dos professores. queremos dizer que o entendimento dos objetivos. tendo em vista a formação dos indivíduos enquanto ser social cabe à Pedagogia intervir nesse processo de assimilação. na sua dimensão político-social e técnica. caracterizam o modo de pensar.

Este é o relato de um colóquio apresentado pelo autor Carlos Libâneo. E o professor Libâneo trouxe como tema para sua fala “ Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia ”. Ou seja. esse conjunto de tarefas não visa outra coisa senão o desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. E o segundo é a perspectiva de encontramos nos cursos de graduação a disciplina didática geral e também as didáticas especificas. seleciona e organiza os conteúdos e métodos e. ou seja. “reflexão” de cada educador. etc.Definindo-se como mediação escolar dos objetivos e conteúdos do ensino. Em outras palavras. geografia.. o processo didático de transmissão/assimilação de conhecimentos e habilidades tem como culminância o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. indica princípios e diretrizes que irão regular a ação didática. os fatores reais (sociais. física. políticos. com vista à sua preparação para a vida social. ao mesmo tempo. traduz objetivos sociais e políticos em objetivos de ensino. tanto do ensino médio quanto os professores formadores da Universidade. ao estabelecer as conexões entre ensino e aprendizagem. e este diz respeito a dois interesses: o primeiro é a questão das didáticas específicas. a Didática investiga as condições e formas que vigoram no ensino e.. Por outro lado. 11 Copyright © 2007. psico sociais) condicionantes das relações entre a docência e a aprendizagem. Jose Carlos Libâneo: “Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia”. destacando a instrução e o ensino como elementos primordiais do processo pedagógico escolar. culturais. de modo que assimilem ativa e independentemente os conhecimentos sistematizados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a didática de química. Podemos dizer que este tema está diretamente relacionada aos professores. história. O Colóquio chamou-se o “ pensar ”.

uma vez que o professor das didáticas específicas afirmam que os pedagogos não conhecem o conteúdo específico. vale ressaltar que tanto a didática geral quanto a didática específica necessitam reavaliar seus conteúdos enquanto disciplina de formação de professores.O papel do professor é formar sujeitos pensantes e não sujeitos sólidos. as condições materiais favoráveis a aprendizagem. O fato é que o que torna . Neste contexto podemos dizer que o que vemos é uma certa “briga de braço” entre o professor da didática específica e os pedagogos. que de uma certa forma terminam sintetizando o conhecimento. Quais seriam os principais argumentos que justificam a integração dessas didáticas? E podemos perceber que ambas as didáticas possuem como objeto de estudo o mesmo tema “ ensino ”. A importância desse tema torna-se crucial. uma vez que as didáticas são as principais matérias de formação de professores. outros já dizem que para aprender basta colocar o aluno com a pesquisa e neste caso as pessoas entendem que existe um processo de identidade entre o processo de ensino e o processo de iniciação científica.se preciso é ter uma busca de integração entre as didáticas e as didáticas específicas. Há anos ouvimos professores das licenciaturas afirmando que para ensinar qualquer matéria basta apenas conhecer o “ conteúdo ”.Portanto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Por outro lado para a pedagogia faz da Didática algo normativo e prescritivo (enquanto disciplina). Libâneo diz que 12 Copyright © 2007. o ensino diz respeito ao aspecto docente do conhecimento e nas duas disciplinas as formas de ensinar diz respeito à forma de compreender. E este é compreendido pelo conteúdo entre “ professor e aluno ”. enquanto que os pedagogos afirmando que é o necessário é conhecer o aluno. Então nessa perspectiva entendi que a integração dessas didáticas é o “ conhecimento ” . ou seja. Libâneo ressaltou também que este tema tem ligação entre a pedagogia e a epistemologia. isso vem ocasionando um dilema muito grande na formação desses professores. porém. que cuida de procedimentos didático. Tudo isso leva um distanciamento entre o conteúdo das didáticas e os conteúdos das didáticas específicas. o papel do ensino.

da formação.  O papel central do ensino na formação do desenvolvimento mental pela interiorização (atividade interna). é legitimo dizer que o conhecimento está relacionado como resultado das ações mentais que implicitamente abarcam o conhecimento. Aprender á ajudar o aluno a desenvolver seus próprios processos de pensamentos Para uma melhor compreensão dessa temática Libâneo trouxe a perspectiva da teoria histórico-cultural. das funções mentais superiores. 13 Copyright © 2007. E Libâneo apresentou-nos outra perspectiva de teoria. e apresentou algumas premissas dessa teoria. Neste sentido. em que coloca o conhecimento como processo mental. devemos considerar que o papel da escola é ensinar a pensar.  A forma de desenvolvimento proximal.nenhum professor de didática ou das didáticas específicas pode ser um professor que se preze se este não compreender que as formas de ensinar depende da forma de aprender. que de modo geral o pensar por conceitos significa dominar os processos mentais. e é esse tipo de ensino que segundo Daydov que vem ajudar ao desenvolvimento mental. Um dos argumentos ditos para a unidade da didática e da didática específica é que o ato de aprender torna o ser como ser pensante. tais como:  Condicionamento histórico-social da formação humana. ou seja.  O papel histórico-cultural e coletivo do individuo.  O ensino como apropriação das capacidades formada historicamente e objetivada na cultura material e espiritual (atividade externa). Portanto. expresso pela mediação cultural no processo do conhecimento. com fundamento em Vygotsky. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que é a teoria do ensino desenvolvimentista.  As importâncias das relações intersubjetivas nas atividades de ensino e aprendizagem.

para que possamos ajudar o aluno a pensar e investigar também. matemática. só que temos que verificar que eles não são as mesmas coisas. precisamos saber qual o objeto de estudo de cada disciplina (história. quando o professor utiliza o processo de investigação para ensinar. um determinado conteúdo. que os seus questionamentos podem ser ou não os mesmos do cientista. métodos. Podemos dizer que. ou seja. passa a ser utilizado como conteúdo de conhecimento. a substituição da palavra pela imagem (no sentido de que a imagem sobrepõe a leitura e a escrita). depois que foi realizado uma pesquisa sob aquele determinado tema. este tem que considerar o que se passa na mente de cada aluno. com as tecnologias. Como Libâneo nos trouxe essa mega aula. encontramos o ensino que medeia: objetivos. forma de organização. de raciocinar e de investigar. Ou seja. uma vez que o processo de investigação é fundamental para o processo de ensino. Outro questionamento levantado nessa fala de Libâneo. é que nos deparamos com um mundo cheio de desafios e podemos perceber nesse contexto a extrema ligação das crianças com a televisão.) e seus métodos de investigação. conteúdos. etc. Desta forma. pois ele diz que o processo de ensino começa onde termina o processo de investigação. nos cursos de pedagogia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . No tocante da didática.Uma coisa que Libâneo é com relação ao processo de ensino. em síntese podemos dizer que o mesmo ressaltou que cada professor precisa organizar os conceitos e estudar esses conceitos para que tornemos nossos alunos seres pensantes. contudo. geografia. os saberes e conhecimentos do mundo da comunicação e informação. é preciso aprender o básico de cada conteúdo e então a partir daí é que entra as metodologias. A didática então serve para 14 Copyright © 2007. querendo sim ou não tudo isso termina influenciando nosso trabalho enquanto educadores na sala de aula. português. A primeira característica para uma “boa didática” é ajudar o aluno a interiorizar os modos de pensar. e a partir daí que se inicia o processo de ensino.

Edgar.ajudar os professores a se preparar de forma competente para formar alunos como sujeitos pensantes e críticos. Lembrete: Procure ampliar seus saberes com a leitura do capítulo I do livro.A cabeça bem feita:repensar a reforma .José Carlos :“Didática”. 15 Copyright © 2007.São Paulo:Cortez. Outra dica de leitura: MORIN. reformar o pensamento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .1994.LIBANEO.Rio de Janeiro:Bertrand Brasil. 2003.

U NIDADE 2 OBJETIVO: Relacionar a didática com a adequação de metodologias e procedimentos de ensino em relação ao currículo. METODOLOGIA ESPECÍFICA. e o conjunto dos procedimentos de investigação das diferentes ciências quanto aos seus fundamentos e validade.. 16 Copyright © 2007. O núcleo da instrução são os conteúdos das matérias. direção e avaliação da atividade didática. A instrução se refere ao processo e ao resultado da assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e ao desenvolvimento das capacidades cognitivas. Em torno das matérias se desenvolve o processo de assimilação dos conhecimentos e habilidades. métodos tradicionais. A metodologia pode ser geral (por ex.) ou específica. concretizando as tarefas da instrução. nas matérias de cada grau do processo de ensino. seja a que se refere aos procedimentos de ensino e estudo das disciplinas do currículo (Alfabetização. A metodologia compreende o estudo dos métodos. Tanto a instrução como o ensino se modifica em decorrência da sua necessária ligação com o desenvolvimento da sociedade e com as condições reais em que ocorre o trabalho docente. O currículo expressa os conteúdos da instrução. O ensino consiste no planejamento. No campo da Didática. organização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . há uma relação entre os métodos próprios da ciência que dá suporte à matéria de ensino e os métodos de ensino. A DIDÁTICA E A SUA RELAÇÃO COM O CURRÍCULO. método de solução de problemas etc. Nessa ligação é que a Didática se fundamenta para formular diretrizes orientadoras do processo de ensino. métodos ativos. PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS DE ENSINO. o ensino inclui tanto o trabalho do professor (magistério) como a direção da atividade de estudo dos alunos. métodos da descoberta. distinguindo-se das técnicas que são a aplicação específica dos métodos.

campo principal da educação escolar. Educação Especial. Atualmente. desde os recursos da informática. seja a que se referem os setores da educação escolar ou extra-escolar (Educação de Adultos. Educação Sindical etc. História. são temas fundamentais da Didática: os objetivos sócio-políticos e pedagógicos da educação escolar. 17 Copyright © 2007. considerado no seu conjunto. o processo de ensino que. os princípios didáticos.). ao se constituir como teoria da instrução e do ensino. Na medida em que o ensino viabiliza as tarefas da instrução. os métodos e formas organizativas do ensino. colocados à disposição do professor para o enriquecimento do processo de ensino. Elas são as fontes da investigação Didática. inclui: os conteúdos dos programas e dos livros didáticos. o uso e aplicação de técnicas e recursos.Matemática. A Didática tem muitos pontos em comum com as metodologias específicas de ensino. Em síntese. recursos ou meios de ensino são complementos da metodologia. assim. a expressão “tecnologia educacional” adquiriu um sentido bem mais amplo.). O OBJETIVO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO DE ENSINO O objetivo de estudo da Didática é o processo de ensino. Podemos. abstrai das particularidades de cada matéria para generalizar princípios e diretrizes para qualquer uma delas. os conteúdos escolares. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ele contém a instrução. as atividades do professor e dos alunos e as diretrizes que regulam e orientam esse processo. Técnicas. dos meios de comunicação e os audiovisuais até os de instrução programada e de estudo individual e em grupos. o controle e a avaliação da aprendizagem. os métodos de ensino e de aprendizagem. as formas organizativas do ensino. englobando técnicas de ensino diversificadas. etc. Mas. delimitar como o objetivo da Didática. ao lado da Psicologia da Educação e da Sociologia da Educação.

anteriormente. O ensino somente é bem sucedido quando os objetivos do professor coincidem com os objetivos de estudo do aluno e é praticado tendo em vista o desenvolvimento das suas forças intelectuais. procurando outras definições para os termos educação e ensino. Esta é a função da Didática. Ora. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . através dos quais os alunos aprimoram capacidades cognitivas (pensamento independente. 18 Copyright © 2007. análise-síntese e outras). que a educação escolar é uma tarefa eminentemente social. ao estudar o processo do ensino. pois a sociedade necessita prover as gerações mais novas daqueles conhecimentos e habilidades que vão sendo acumulados pela experiência social da humanidade. mas também o meio de organizar a atividade de estudo dos alunos. Dica: Faça uma pesquisa na bibliografia sugerida. isto é. Podemos definir processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos. Isto quer disser que o ensino não é só transmissão de informações.Porque estudar o processo de ensino? Vimos. tendo em vista a assimilação de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. observação. investigar objetivos e métodos seguros e eficazes para a assimilação dos conhecimentos. Quando mencionamos que a finalidade do processo de ensino é proporcionar aos alunos os meios para que assimilem ativamente os conhecimentos é porque a natureza do trabalho docente é mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. não é suficiente disser que os alunos precisam dominar os conhecimentos. é necessário dizer como fazê-lo.

Capítulo II QUE SIGNIFICA APRENDER. 2004. Hugo. 19 Copyright © 2007.Petrópolis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .:rumo à sociedade aprendente.Reencantar a educação.RJ:Vozes.Sugestão: ASSMANN.

ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes. universidades. embora ainda não esteja presente o "didático" como forma estruturada de ensino. mosteiros. até meados do século XVII não podemos falar de Didática como teoria de ensino. igrejas. da produção e das ciências .no decorrer do desenvolvimento da sociedade. Entretanto. Na chamada Antigüidade Clássica (gregos e romanos) e no período medieval também se desenvolveram formas de ação pedagógica. que nas comunidades primitivas os jovens passavam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. Estabelecendo-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino. a escola se torna uma instituição. Deste os primeiros tempos existem indícios de formas Objetivo: Compreender a evolução histórica da didática e seus expoentes mais importantes DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS elementares de instrução e aprendizagem. o processo de ensino passa a ser sistematizado conforme níveis. às idades e ritmo de assimilação dos estudos. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica. tendo em vista a adequação às possibilidades das crianças.como atividades planejadas e intencionais dedicada à instrução. 20 Copyright © 2007. que sistematize o pensamento didático e os estudos científicos das formas de ensinar. Sabemos. por exemplo. O termo “Didático” aparece quando os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do ensino.U NIDADE 3 A história da Didática esta ligada ao aparecimento do ensino . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em escolas.

O ensino.  O método intuitivo consiste. O sistema de produção capitalista. tem um papel decisivo à percepção sensorial das coisas. Comênio desenvolveu idéias avançadas para a prática educativa nas escolas. isto é. A Didática de Comênio e seus princípios:  A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus. realizam os desígnios de Deus. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos. ao invés disso. pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da observação direta. Todos os homens merecem a sabedoria. porque todos. como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor. já influenciava a organização da vida social. em contraposição às idéias conservadoras da nobreza e do clero.A formação da teoria didática para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem e suas leis ocorrem no século XVII. a educação é um direito natural de todos. a Didacta Magna. para o registro das impressões na mente do aluno. ainda incipiente. assim. Primeiramente 21 Copyright © 2007. política e cultural. o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. ao realizarem sua própria natureza. quando João Amós Comênio (1592-1670).  Por ser parte da natureza. como o reflexo num espelho. de acordo com as características e os métodos de ensino correspondentes.  A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente. das coisas. Portanto. a moralidade e a religião. Ele foi o primeiro educador a formular a idéia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras do ensino. de acordo com a ordem natural das coisas. um pastor protestante. escreve a primeira obra clássica sobre Didática. pelos órgãos dos sentidos. utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos. numa época em que surgiam novidades no campo da Filosofia e das Ciências e grandes transformações nas técnicas de produção.

Portanto. verbalista e dogmático. Apesar da grande novidade nestas idéias. Além disso. não somente porque se empenhou em desenvolver métodos de instrução mais rápidos e eficientes. porque já existe uma experiência social acumulada de conhecimentos sistematizados que não necessitam ser descobertos novamente. as idéias. ainda predominaram práticas escolares da Idade Média: ensino intelectualista. deve-se partir do conhecido para o desconhecido. Entretanto. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor. por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. 22 Copyright © 2007. Embora partindo da observação e da experiência sensorial. No século XVII. O planejamento de ensino deve obedecer ao curso da natureza infantil. Sabemos que. Comênio desempenhou uma influência considerável. embora procurando adaptar o ensino às fases do desenvolvimento infantil. principalmente quando são muito inovadoras para a época. depois as palavras. Comênio não escapou de algumas crenças usuais na época sobre o ensino. sua idéia de que a única via de acesso dos conhecimentos é a experiência sensorial com as coisas não é suficiente. o ensino era separado da vida mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . costumam demorar em terem efeito prático. mantinha-se o método único e o ensino simultâneo a todos. na história. primeiro porque nossas percepções freqüentemente nos enganam segundo. mas também porque desejava que todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento. e nos séculos seguintes. mantinha-se o caráter transmissor do ensino. em que viveu Comênio. Nessas escolas não havia espaços para idéias próprias dos alunos.as coisas. principalmente quando é um impulso ao surgimento de uma teoria do ensino.

ao mesmo tempo. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações. disputando o poder econômico e político com a nobreza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . propondo uma concepção nova de ensino às necessidades e interesses imediatos da criança. Na medida em que esta se fortalecia como classe social.U NIDADE 4 Objetivo: Proporcionar conhecimentos sobre a importância e contribuição deste pensador para a práxis pedagógica no panorama educacional OS PENSADORES DA PEDAGOGIA Intensas mudanças nas formas de produção provocaram um grande desenvolvimento da ciência e da cultura. ia crescendo também a necessidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e dos negócios e. Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burguesia. um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidades e interesses individuais. As idéias mais importantes de Rousseau são as seguintes: 23 Copyright © 2007.

2. Foi e continua sendo inspirador da pedagogia conservadora . Antes de ensinar as ciências. como cultivo do sentimento. A preparação da criança para a vida futura deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Os verdadeiros professores são a natureza. através da qual se expressa em palavras o resultado das observações. levando os alunos a desenvolverem o senso de observação. Pestalozzi atribuía grande importância ao método intuitivo. Também atribuía importância fundamental à psicologia da criança como fonte do desenvolvimento do ensino. Rousseau não colocou em prática suas idéias e nem elaborou uma teoria de ensino. Nisto consistia a educação intelectual. Essa tarefa coube a um outro pedagogo suíço. elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. Rousseau e Pestalozzi influenciaram muitos outros pedagogos.mas suas idéias precisam ser estudadas por causa da sua presença constante nas salas de aula brasileiras. O mais importante deles. As idéias de Comênio. das capacidades humanas. Henrique Pestalozzi (1746-1827). em instituições dirigidas por ele próprio.1. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que desperta o interesse e suas potencialidades naturais. Em resumo: são os interesses e necessidades imediatas do aluno que determinam à organização do estudo e seu desenvolvimento.conforme veremos . da mente e do caráter. que viveu e trabalhou até o fim da vida na educação de crianças pobres. porém. foi Johann Friedrich Herbart (1766-1841). ela se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. a experiência e o sentimento. As crianças são boas por natureza. A educação é um processo natural. pedagogo alemão que teve muitos discípulos e que exerceu influência relevante na Didática e na prática docente. elas têm uma tendência natural para se desenvolverem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Junto com uma formulação teórica dos fins da educação e da Pedagogia 24 Copyright © 2007. análise dos objetos e fenômenos da natureza e a capacidade da linguagem. Deu uma grande importância ao ensino como meio de educação e desenvolvimento.

atingida através da instrução educativa. assimilação. quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente seguidos: o primeiro seria a preparação e apresentação da matéria nova de forma clara e completa. a exigência de compreensão dos assuntos estudados e não simplesmente memorização. que denominou clareza. o segundo seria as associações entre as idéias antigas e as novas. O professor é um arquiteto da mente. generalização e aplicação. Segundo Herbart. O sistema pedagógico de Herbart e seus seguidores . ordenando-os em cinco: preparação. sob a direção do professor. mas apenas com a 25 Copyright © 2007. assim. Ele deve trazer à atenção dos alunos aquelas idéias que deseja que dominem suas mentes. o terceiro.trouxe esclarecimentos válidos para a organização da prática docente.chamados de herbartianos . Estabeleceu. o fim da educação é a moralidade. em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. O método de ensino consiste em provocar a acumulação de idéias na mente da criança. o ensino é entendido como repasse de idéias do professor para a cabeça do aluno. que por sua vez vai favorecer a assimilação de idéias novas. os discípulos de Herbart desenvolveram mais a proposta dos passos formais. apresentação. tendo em vista a generalização.como ciência. Controlando os interesses dos alunos. os alunos devem compreender que o professor transmite. o professor vai construindo uma massa de idéias na mente. a sistematização dos conhecimentos. Entretanto. A principal tarefa da instrução é introduzir idéias corretas na mente dos alunos. como por exemplo: a necessidade de estruturação e ordenação do processo de ensino. o uso dos conhecimentos adquiridos através de exercícios. o quatro seria a aplicação. desenvolveu uma análise do processo psicológico-didático de aquisição de conhecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Educar o homem significa instruí-lo para querer o bem. de modo que aprenda a comandar a si próprio. Herbart estava atrás também da formulação de um método único de ensino. denominou método. finalmente. fórmula esta que ainda é utilizada pela maioria dos nossos professores. Posteriormente. o significado educativo da disciplina na formação do caráter.

e não mobilizando a atividade mental. a reflexão e o pensamento independente e criativo dos alunos. As idéias pedagógicas de Comênio. Rousseau.além de muitos outros que não pudemos mencionar foram as bases do pensamento pedagógico europeu. automática. a aprendizagem se torna mecânica.finalidade de reproduzir a matéria transmitida. objetivando desta forma o seu pensar crítico e reflexivo sobre a práxis educativa. difundindo-se depois por todo o mundo. associativa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Com isso. Sugestão: Reflita sobre a ação educadora da personagem do filme “O sorriso de Mona lisa”e construa um texto dissertativo de no mínimo uma lauda. Pestalozzi e Herbart . demarcando as concepções pedagógicas que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. 26 Copyright © 2007.

a Didática é uma disciplina normativa. A atividade de ensinar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. seja através das interrogações do professor. reproduzi-la. é importante que o aluno "preste atenção". desvinculado da sua realidade concreta. mas o meio principal é a palavra. Certamente existem outras correntes vinculadas a uma ou outra dessas tendências. um conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. O aluno é. Pedagogia Renovada e Tecnicismo Educacional. concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: as de cunho liberal . isto é.Pedagogia Tradicional. porque ouvindo facilita-se o registro do que se transmite. um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS DO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. suas relações com as tendências pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos.U NIDADE 5 Objetivo: Adquirir conhecimentos específicos sobre as principais tendências pedagógicas adotadas no Brasil e a aplicação na didática sobre estas concepções de aprendizagem. desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas reais da sociedade e da vida. as de cunho progressista .Pedagogia Libertadora e Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. Para isso. Os autores. A matéria de ensino é tratada isoladamente. O professor tende a encaixar os alunos num modelo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura. Às vezes são utilizados meios como a apresentação de objetos. ilustrações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . diversos estudos têm sido dedicados à história da Didática no Brasil. assim. 27 Copyright © 2007. Supõese que ouvindo e fazendo exercícios repetitivos. mas essas são as mais conhecidas. exemplos. Na Pedagogia Tradicional. Os objetivos explícitos ou implícitos referem-se à formação de um aluno ideal. a exposição oral. em geral. os alunos "gravam” a matéria para depois. seja através das provas. na memória.

) serve apenas para gravar na mente o que é captado pelos sentidos. a montessoriana 28 Copyright © 2007. A Didática tradicional tem resistido ao tempo. ficou reduzido a práticas de memorização. demonstrado. a piagetiana. sem valor educativo vital. ilustrações. O intento de formação mental. automática. continua receptiva. É ainda forte a presença dos métodos intuitivos. darem somente exercícios repetitivos. é o meio utilizado pelo professor para comunicar a matéria e não dos alunos para aprendê-la. continua prevalecendo na prática escolar. desprovidos de significados sociais. a culturalista. de modo que os alunos possam observá-los e formar imagens deles em sua mente. isto é. não o repensa. a transmissão da cultura geral. não o reelabora com o seu próprio pensamento. que foram incorporados ao ensino tradicional. a não-diretiva (principalmente inspirada em Carl Rogers).O método é dado pela lógica e seqüência da matéria. sobrecarregar o aluno de conhecimentos que são decorados sem questionamento. Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas intenções da Pedagogia Tradicional que pretendia. das grandes descobertas da humanidade. A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: a progressivista. com seus métodos. de desenvolvimento do raciocínio. (que se baseia na teoria educacional de John Dewey). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Os conhecimentos ficaram estereotipados. não mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. mas o aluno não lida mentalmente com ele. gravuras etc. o treino da mente e da vontade. A aprendizagem. insossos. assim. O material concreto é mostrado. Muitos professores ainda acham que "partir do concreto" é a chave do ensino atualizado. Baseiam-se na apresentação de dados sensíveis. manipulado. a ativista-espiritualista (de orientação católica). É comum nas nossas escolas atribuir-se ao ensino a tarefa de mera transmissão de conhecimentos. inúteis para a formação das capacidades intelectuais e a compreensão crítica da realidade. e a formação do raciocínio. impor externamente a disciplina e usar castigos. Mas esta idéia já fazia parte da Pedagogia Tradicional porque o "concreto" (mostrar objetos.

ações de manipulação de objetos. que incluímos na corrente culturalista. apenas a Didática ativa inspirada nessa corrente didática Moderna de Luís Alves de Mattos. Em síntese. O centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria. os conhecimentos e a experiência da Didática brasileira pautam-se. estudo individual. Destacaremos. possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. partindo das suas necessidades e estimulando interesses. estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surge no final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional. valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios que possibilitam o 29 Copyright © 2007. adequando-as às capacidades de características individuais dos alunos.. importa o processo de aprendizagem e não diretamente o ensino. Tanto na organização das experiências de aprendizagem como na seleção de métodos. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que. segundo estudo feito por Castro (1984). A Didática da Escola Nova ou Didática ativa é entendida como "direção da aprendizagem". organiza as situações de aprendizagem. aqui. Não se trata apenas de aprender fazendo. plástica. A idéia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio. atividade de criação. orienta. projetos. é o aluno ativo e investigador. experimentações etc. Por isso. pesquisas. de expressão verbal. O professor incentiva. de alguma forma. atividades cooperativas. considerando o aluno como sujeito da aprendizagem. no sentido de trabalho manual. escrita. O melhor método é aquele que atende às exigências psicológicas do aprender. a Didática ativa dá grande importância aos métodos e técnicas como o trabalho de grupo. inspirado principalmente na corrente progressivista. Entretanto. Todas. Trata-se de colocar o aluno em situações que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta em atividades intelectuais. em boa parte.e outras. bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a Didática ativa dá menos atenção aos conhecimentos sistematizados. no movimento da Escola Nova.

antes. estudo do meio. Assim. pelas exigências de cumprimento do programa oficial e outras razões. 30 Copyright © 2007. visando à formação de um pensamento autônomo. corrente pedagógica de origem alemã. para orientá-lo e incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem. Conforme sugerimos anteriormente. a raciocinar cientificamente. o que fica são alguns métodos e técnicas. é raro encontrar professores que apliquem inteiramente o que propõe a Didática ativa.. no estudo e na pesquisa. pedem matéria decorada. Por falta de conhecimento aprofundado das bases teóricas da pedagogia ativa. Entretanto. da mesma forma que se faz no ensino tradicional. da investigação. Ou seja. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . surge a partir dos anos 50 a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos. a desenvolver sua capacidade de reflexão e a independência de pensamento.desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais dos alunos. Mattos identifica sua Didática com as seguintes características: o aluno é o fator pessoal decisivo na situação escolar. é a orientação da aprendizagem. falta de condições materiais. a Didática Moderna é inspirada na pedagogia da cultura. tendo em vista desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalidade. é muito comum os professores utilizarem procedimentos e técnicas como trabalho de grupo. Esse entendimento da Didática tem muitos aspectos positivos. na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendizagem. discussões. uma vez que esta é uma experiência própria do aluno através da pesquisa. Em paralelo à Didática da Escola Nova. ajuda o aluno a aprender. Por isso. Seu livro Sumário de Didática Geral foi largamente utilizado durante muitos anos nos cursos de formação de professores e exerceu considerável influência em muitos manuais de Didática publicados posteriormente. etc. sem levar em conta seu objetivo principal que é levar o aluno a pensar. estudo dirigido. principalmente quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alunos. os adeptos da Escola Nova costumam dizer que o professor não ensina. a Didática não é a direção do ensino. em função dele giram as atividades escolares. Com isso.

razão pela qual. para dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus alunos. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50. sua seleção. técnica de dirigir e orientar eficazmente a aprendizagem das matérias tendo em vista objetivos educativos. pelo professor. em sucessão ou ciclicamente. que é o método didático em ação. inspirada na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistêmica do ensino. a par de estar condicionado pela natureza da matéria. Definindo a Didática como disciplina normativa. dosagem e apresentação vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos. levando-o a bom termo". em certo sentido. é definido como "o conjunto de atividades exercidas. abrangendo as fases de planejamento. O ciclo docente. à sombra do progressivismo ganhando nos anos 60 autonomia quando se constituiu especificamente como tendência. Mattos propõe a teoria do ciclo docente.O professor é o incentivador. orientação e controle da aprendizagem e suas subfases. isto é. Quanto ao Tecnicismo Educacional. onde se encontram os valores lógicos e sociais a serem assimilados pelos alunos. A matéria e o conteúdo cultural da aprendizagem. está a serviço do aluno para formar suas estruturas mentais e. o objeto ao qual se aplica o ato de aprender. embora seja considerada como uma tendência pedagógica inclui-se. por isso. O método representa o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem. na Pedagogia Renovada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É o método em "ação". Esta orientação acabou sendo imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de 31 Copyright © 2007. existe em função da aprendizagem. relaciona-se com a psicologia do aluno. orientador e controlador da aprendizagem organizando o ensino em função das reais capacidades dos alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão.

A Didática instrumental está interessada na racionalização do ensino.São Paulo:Ática.boa parte das duas últimas décadas. Boa parte dos livros didáticos em uso nas escolas são elaborados com base na tecnologia da instrução. Crise na Educação: Por quê? O papel da educação na humanização. O arranjo mais simplificado dessa seqüência resultou na fórmula: objetivos. Curso de Didática Geral. no uso de meios são técnicas mais eficazes. Com isso.2006 . conteúdo estratégias. de caráter meramente instrumental. ainda hoje predomina nos cursos de formação de professores o uso de manuais didáticos e cunho tecnicista. o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. HAIDT.Regina Célia Cazaux. avaliação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O professor é um administrador e executor do planejamento. política e ideológica do regime militar então vigente. 32 Copyright © 2007. por ser compatível com a orientação econômica.

Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da escola na sociedade capitalista. Muitos dos integrantes do movimento dos pioneiros da Escola Nova tinham reais interesse em superar a educação elitista e discriminadora da época. Não é que não tenham existido antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular. refundindo . Outros. Na segunda metade da década de 70.se princípios e práticas em função das 33 Copyright © 2007. com a incipiente modificação do quadro político repressivo em decorrência de lutas sociais por maior democratização da sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no entanto. No início dos anos 60 surgiram os movimentos de educação de adultos que geraram idéias pedagógicas e práticas educacionais de educação popular. Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos. A primeira retomou as propostas de educação popular dos anos 60. configurando a tendência que veio ser denominada de Pedagogia Libertadora. Já no começo do século formaram-se movimentos de renovação educacional por iniciativa de militantes socialistas. preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível uma escola articulada com os interesses concretos do povo. tornou-se possível a discussão de questões educacionais e escolares numa perspectiva de crítica política das instituições sociais do capitalismo.U NIDADE 6 Objetivo: Apropriar-se dos conhecimentos e aplicabilidade didático-pedagógica das tendências progressistas. São também denominadas teorias criticas da educação. levando e conta essa crítica. O PROGRESSO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS E A DIDÁTICA As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80.

com seus recursos e necessidades. propondo uma educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas.possibilidades do seu emprego na educação formal em escolas públicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . diferem quanto a objetivos imediatos. No entanto. ou seja. 34 Copyright © 2007. na valorização da escola pública e do trabalho do professor. já que inicialmente tinham caráter extra-escolar. no sindicato. instrumental. de superação das desigualdades sociais decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. em que professor e alunos analisam problemas e realidades do meio sócio-econômico e cultural. constituiu-se como movimento pedagógico interessado na educação popular. meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns. A segunda. especificamente. poder-se-ia falar de um ensino centrado na realidade social. de alguma forma. até recusam admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos. o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. da comunidade local. na profissão. nos movimentos sociais e culturais). entendendo que toda didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista. meramente prescritivo. No entanto há uma didática implícita na orientação do trabalho escolar. na acentuação da importância do domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos científicos do ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política. inspirando-se no materialismo histórico dialético. pois. tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades. Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas. não-oficial e voltadas para o atendimento de clientela adulta. A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e muitos dos seus seguidores. no ensino de qualidade para o povo e.

vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação de conhecimentos. especialmente no Ensino Fundamental. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nesse processo em que se realiza a discussão. pois somente com o domínio dos conhecimentos. Não considera suficiente colocar como conteúdo escolar a problemática social cotidiana.. como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais. o desenvolvimento e as características de aprendizagem das crianças e jovens. os representantes dessa tendência não chegaram a formular uma orientação pedagógico-didática especificamente escolar. A Pedagogia Libertadora tem sido empregada com muito êxito em vários setores dos movimentos sociais. prioritariamente. compatível com a idade. os relatos da experiência vivida. mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata.O trabalho escolar não se assenta. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas. nos conteúdos de ensino já sistematizados. É uma didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador ou animador das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos. como sindicatos. social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses populares. habilidades e capacidades mentais podem os alunos organizar. o trabalho de grupo etc. comunidades religiosas. associações de bairro. Parte desse êxito se deve ao fato de ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática econômica. a pesquisa participante. a assembléia. assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos. interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em função dos interesses de classe. 35 Copyright © 2007. Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos a escola pública cumpre a sua função social e política.

Com efeito. tal direção. Do ponto de vista didático. cujo objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e ligações com a aprendizagem. Postula para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais. mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares articulando. Com isso. o ensino consiste na mediação de objetivos-conteúdos-métodos que assegure o encontro formativo entre os alunos e as matérias escolares. importa um posicionamento dela em face de interesses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. tendo em vista finalidades sócio-políticas e pedagógicas e as condições e meios formativos. A Didática tem como objetivo a direção do processo de ensinar. a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os vínculos entre o pedagógico e a docência. 36 Copyright © 2007. como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Mas trata-se de uma síntese superadora. se a Pedagogia define fins e meios da prática educativa a partir dos seus vínculos com a dinâmica da prática social. fazem à ligação entre o "para quê" (opções político-pedagógicas) e o "como” da ação educativa escolar (a prática docente). converge para promover a auto-atividade dos alunos. a aprendizagem. A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à Didática. que é o fator decisivo da aprendizagem. entretanto.O que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências sócio-culturais e a vida concreta dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no mesmo processo. As ações de ensinar e aprender formam uma unidade. a aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a autoatividade e a busca independente e criativa das noções. mas cada uma tem a sua especificidade.

Didática. Dica de Leitura: LIBANEO. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Cap .José Carlos.A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários da sociedade.II 37 Copyright © 2007.1994. os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio científico. de modo a irem formando a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios. atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar aos alunos o domínio de conteúdos científicos.São Paulo:Cortez.

andar de bicicleta. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . através do processo de ensino. Um aluno maior aprende habilidades de lidar com as coisas. qualquer atividade humana praticada no ambiente em que vivemos pode levar a uma aprendizagem. Ensino e aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo. Uma criança pequena aprende a distinguir determinados barulhos. aprende a andar. a pensar. a trabalhar junto com outras crianças. etc. Desde que nascemos estamos aprendendo. Para compreender corretamente a dinâmica desse processo é necessário analisar separadamente cada um dos seus componentes A aprendizagem A condução do processo de ensino requer uma compreensão clara e segura do processo de aprendizagem: em que consiste aprender. aprendem uma 38 Copyright © 2007. como as pessoas aprendem quais as condições externas e internas que influenciam. tendo em vista estimular e suscitar a atividade própria dos alunos para a aprendizagem. aprende a contar. Em sentido geral. Jovens e adultos aprendem processos mais complexos de pensamento.. PROCESSO DIDÁTICO NA CONCEPÇÃO DA PEDAGOGIA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS: Ensino e aprendizagem A tarefa principal do professor é garantir a unidade didática entre ensino e aprendizagem. aprende a manipular um brinquedo. O professor planeja dirigir e controlar o processo de ensino. a ler. nadar.U NIDADE 7 Objetivo: Adquirir conhecimentos a cerca da pedagogia cri tico social dos conteúdos e sua relação com uma aprendizagem transformadora. a escrever. e continuamos aprendendo a vida toda.

as pessoas vão acumulando experiências. os alunos perguntam. No pátio da escola. A conversa se amplia: Por que as plantas crescem? Por que. a professora explica. depois de um certo tempo. Surge uma conversação. os exercícios. Está aprendendo. A aprendizagem casual é quase sempre espontânea. estão sempre aprendendo em casa. Aparentemente a atitude do aluno é passiva. nas múltiplas experiências da vida. na escola. surge naturalmente da interação entre as pessoas e com o ambiente em que vivem. Esta organização intencional. habilidades. na rua. está “trabalhando” a história na sua mente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . formando atitudes e convicções. Depois há o estudo no livro. seja captando a sua mensagem. Embora isso possa ocorrer em vários lugares.profissão. ligando a história com seu imaginário (experiência vivida). pelo contato com os meios de comunicação. é na escola que são organizadas as condições específicas para a transmissão e assimilação de conhecimentos e habilidades. etc. seja memorizando. Vejamos alguns exemplos de aprendizagem escolar: A professora conta uma história. a professora vai organizando essas idéias para sistematizar os conhecimentos. O tema da aula é "As plantas". no trabalho. pela convivência social. pela observação de objetos e acontecimentos. A aprendizagem organizada é aquela que tem por finalidade específica aprender determinados conhecimentos. Pessoas. analisam as possibilidades. adquirindo conhecimentos. portanto. mas. cada aluno escolheu uma plantinha. a consolidação 39 Copyright © 2007. conversas etc. na verdade. discutem problemas e aprendem a fazer opções. normas de convivência social. mas não tenha luz. leituras. assimila-o. Ou seja. O aluno recebe o "conteúdo" da história. A professora pede para observarem o que ela tem nas mãos. elas murcham? Se colocarmos a planta num lugar que tenha terra e água. Podemos distinguir a aprendizagem casual e a aprendizagem organizada.. o que acontecerá? Os alunos discutem. planejada e sistemática das finalidades e condições da aprendizagem escolar é tarefa específica do ensino.

interiorizam conceitos. Com isso estão adquirindo conhecimentos e habilidades. um processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental. A aprendizagem escolar é. memorizam o nome das capitais. atitudes e valores (por exemplo. compreendem a importância das plantas na vida social.das coisas aprendidas. manipulação de objetos e instrumentos. senso crítico frente aos objetos de estudo e à realidade. Os resultados da aprendizagem se manifestam em modificações na atividade externa e interna do sujeito. valores humanos e sociais. etc. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . modos de convivência social. organizados no processo de ensino. Isto significa que podemos aprender conhecimentos sistematizados (fatos. água e luz. dominarem procedimentos para resolver exercícios. interesse pelo conhecimento.) 40 Copyright © 2007. Aprendem a localizar os estados brasileiros no mapa. uso adequado dos sentidos. habilidades e hábitos intelectuais e sensório motores (observar um fato e extrair conclusões. dominam o conceito de "fuso horário". conceitos. comparação. As crianças estão estudando História e Geografia. assim. as relações entre terra. formam estruturas mentais. aprendem as diferenças de horário de um lugar para o outro. perseverança e responsabilidade no estudo. convicções. síntese e são capazes de aplicar os conhecimentos. desenvolvem capacidades de observação. princípios. etc.). Os alunos aprendem as partes da planta e suas funções. nas suas relações com o ambiente físico e social. modo científico de resolver problemas humanos.). etc. escrever e ler. espírito de camaradagem e solidariedade. destacar propriedades e relações das coisas. métodos de conhecimento.

sob a direção e orientação do professor. conteúdos e métodos. são mobilizadas as atividades física e mental próprias dos alunos no estudo das matérias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . as propriedades do objeto atuam no sujeito. ao mesmo tempo. compreensão e reflexão. Por esse processo. habilidades. atitudes. Permite-nos entender que o ato de aprender é um ato de conhecimento pelo qual assimilamos mentalmente os fatos. podemos dizer que aprendizagem é uma relação cognitiva entre o sujeito e os objetos de conhecimento. através do estudo das matérias de ensino. fenômenos e relações do mundo. Nesse sentido. modos de agir não são coisas físicas que podem ser transferidas da cabeça do professor para a cabeça do aluno. APRENDIZAGEM: UM PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO No processo de ensino estabelecemos objetivos. A aprendizagem efetiva acontece quando. modificando e enriquecendo suas estruturas mentais.U NIDADE 8 Objetivo: Conhecer os princípios do processo de assimilação mediados pela ação do professor. O processo de assimilação ativa é um dos conceitos fundamentais da teoria da instrução e do ensino. O Processo da assimilação ativa Entendemos por assimilação ativa ou apropriação de conhecimento e habilidades o processo de percepção. motivacionais e atitudinais do próprio aluno. mas a assimilação deles é conseqüência da atividade mental dos alunos. formam-se conhecimentos e 41 Copyright © 2007. Há uma atividade do sujeito em relação aos objetos de conhecimento para assimilá-los. da natureza e da sociedade. Conhecimentos. É o que denominamos de processo de assimilação ativa. e a aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais. pela influência do professor.

modos de atuação. meios esses que constituem o conjunto de suas capacidades cognoscitivas. motivação. conhecimentos já disponíveis. pelos quais aplicamos a compreensão da realidade para transformála. por meio dele. Os níveis de aprendizagem Os meios internos pelos quais o nosso organismo psicológico aprende são bastante complexos. Os alunos. atenção. memória. isto é. temos nas situações didáticas fatores externos e internos. Muitas delas são obtidas de forma 42 Copyright © 2007. mutuamente relacionados. distinguir cores. podemos dizer que há dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo. tendo em vista necessidades e interesses humanos e sociais. O nível reflexo se refere às nossas sensações pelas quais desenvolvemos processos de observação e percepção das coisas e nossas ações motoras (físicas) no ambiente. tais como: percepção. pois podem ser aprendidas no processo de assimilação de conhecimentos. o ensino e seus componentes: objetivos. Estas aprendizagens são responsáveis pela formação de hábitos sensoriomotores e são as que predominam na fase inicial de desenvolvimento da criança (por exemplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . métodos e formas organizativas. Em síntese.). por sua vez. Para que se realize na escola o processo de assimilação ativa de novos conhecimentos e. Nenhum aluno nasce com essas capacidades cognoscitivas prontas. compreensão. O professor propõe objetivos e conteúdos. atitudes. conteúdos. no decorrer do processo de ensino. o desenvolvimento das forças cognoscitivas dos alunos. é preciso a ação externa do professor. Esquematicamente. Elas vãose desenvolvendo no decorrer da vida e. agarrar objetos. formas e sons. dispõem em seu organismo físico-psicológico de meios internos assimilação ativa. particularmente. tendo em conta características dos alunos e da sua prática de vida. andar etc. acabadas.

ilustrações. bem como pela aquisição de modos de ação e aplicação referentes a essas propriedades e relações.por exemplo. a vida na cidade e no campo . os seres vivos. compreensão e generalização das propriedades e relações essenciais da realidade. seja de forma indireta pelo uso das palavras. Entrelaçado com o nível reflexo. caracterizada pela apreensão consciente. Esse nível de aprendizagem continua ocorrendo durante toda a vida humana.a primeira atividade é a observação sensorial das coisas. No nível cognitivo. 43 Copyright © 2007. As situações didáticas devem ser organizadas para o aluno perceber ativamente o objeto de estudo. as palavras constituem importante condição para a aprendizagem. o desenvolvimento das forças cognoscitivas na sala de aula se verifica no processo de assimilação ativa de conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os indivíduos aprendem tanto em contato direto com as coisas no ambiente quanto com as palavras que designam coisas e fenômenos do ambiente. Momentos interligados do processo de assimilação ativa Conforme vimos. o nível cognitivo se refere à aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais. Frente a determinado objetivo de ensino . propriedades.automática e inconsciente. A transformação da percepção ativa para um nível mais elevado de compreensão implica a atividade mental de tomar os objetos e fenômenos estudados nas suas relações com outros objetos e fenômenos. semelhanças e diferenças que as distinguem externamente. seja de forma direta (ações físicas com as coisas do ambiente. Isso significa que. pois formam a base dos conceitos com os quais podemos pensar. para ir formando idéias e conceitos mais claros e mais amplos. como instrumentos da linguagem. demonstrações).

gradativamente. observar. para a "idéia" do conteúdo. examinar. mas de uma transformação e um aprimoramento das primeiras percepções que. Por isso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Em outras palavras. concreta (manipular objetos. é importante que o professor tenha perspicácia para captar as características específicas de cada situação didática. bastando avivá-los e recordá-los. em qualquer das séries escolares. material. em cada momento do processo de desenvolvimento mental estão presentes a percepção sensorial. agora. 44 Copyright © 2007. de modo que o conteúdo visível se transforma num conteúdo do pensamento. mas que o processo de assimilação ativa culmina com a consolidação e aplicação. que nem sempre é necessário iniciar o processo de assimilação pela atividade preceptiva.Não se trata de uma etapa separada da anterior. Nos vários momentos do processo de assimilação ativa. exterior. Há situações de ensino em que os alunos já possuem conceitos e operações mentais. Deve-se alertar ainda. Neste processo. no qual a percepção ativa dos objetos e fenômenos vai transformando-se em conceitos sistematizados para serem assimilados. generalização e sistematização. a atividade mental evolui da apreensão do conteúdo da matéria na sua forma visível. O processo se completa com as atividades práticas em várias modalidades de problemas e exercícios. há um permanente entrelaçamento entre a atividade mental e a linguagem. Mas. as atividades mentais e as atividades práticas. o aluno vai. nos quais se verifica a consolidação e a aplicação prática de conhecimentos e habilidades. Neste momento. passam pela análise e síntese pela abstração. O aspecto fundamental a considerar é que o processo interno de desenvolvimento mental é um todo que não pode ser decomposto em elementos isolados. o aluno pode operar mentalmente com os conteúdos assimilados. se desprendendo da coisa concreta do ambiente para torná-la uma coisa pensada. representar graficamente objetos e fenômenos etc.). Os momentos apenas se diferenciam no sentido de que a compreensão mais elevada do objeto de estudo passa por um movimento ascendente. Não se quer dizer com isso que nos outros momentos não haja atividades práticas.

pois esta é como que o instrumento que traduz. Na sala de aula. propiciam a habilidade de verbalização e ampliam a capacidade de raciocinar. por meio das palavras. 45 Copyright © 2007.embora deva ser empregada a experiência direta sempre que possível. Os conceitos científicos e o desenvolvimento dos instrumentos lingüísticos do pensamento. ou o texto do livro didático . Quaisquer que sejam os métodos e modos de assimilação. com representações verbais do professor. assimilados com base na experiência sociocultural dos alunos. predomina a via indireta de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . aperfeiçoam a comunicação. suas relações e a idéia desse objeto. a linguagem é fundamental tanto para o professor que explica os conceitos científicos quanto para o aluno que os utiliza para formar suas idéias e noções. ou seja. o professor e os alunos trabalham com conceitos já elaborados. os objetos e fenômenos.

em nível crescente de 46 Copyright © 2007. tais como os que suscitam a motivação para o estudo. Mas a apreensão dos dados da realidade requer ações mentais. d) Os conteúdos e as ações mentais que vão sendo formados dependem da organização lógica e psicológica das matérias de ensino. que são o seu conteúdo. idéias. Aprendizagem e ensino formam uma unidade. A atividade cognoscitiva do aluno é a base e o fundamento do ensino. c) Na aprendizagem escolar há influência de fatores afetivos e sociais. não é algo casual e espontâneo. mas não são atividades que se confundem uma com a outra. métodos. os que afetam as relações professor-aluno. Elas somente fazem sentido quando suscitam a atividade mental dos alunos. a atividade de ensino não pode restringir-se a atividades práticas. Tratamos dessa questão na Unidade 5. os que interferem nas disposições emocionais dos alunos para enfrentar as tarefas escolares. de modo a estes lidarem com elas através dos conhecimentos sistematizados que vão adquirindo. procedimentos organizados pelo professor em situações didáticas específicas. intencional e dirigida. CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR a) A aprendizagem escolar é uma atividade planejada. e este dá direção e perspectiva àquela atividade por meio dos conteúdos. Por isso. aprendizagem e ensino. problemas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . habilidades. Todo conhecimento se baseia nos dados da realidade.U NIDADE 9 Objetivo: Conhecer as características envolvidas na dialética. os que contribuem ou dificultam a formação de atitudes positivas dos alunos frente às suas capacidades e frente aos problemas e situações da realidade e do processo de ensino e aprendizagem. A organização lógica se refere à seqüência progressiva dos conceitos. b) O processo de assimilação de conhecimentos resulta da reflexão proporcionada pela percepção prático-sensorial e pelas ações mentais que caracterizam o pensamento.

O vínculo aprendizagem-meio social traz implicações. a adquirirem o desejo e o gosto pelos conhecimentos escolares. no trabalho. Tudo isto requer tempo e trabalho incessante do professor. não significa que tenham assimilado a matéria. por sua vez. mas como ponto de partida para a atividade docente. a elevar suas expectativas de um futuro melhor para si e sua classe social. 47 Copyright © 2007. que desenvolveram operações mentais ou que dominaram habilidades de estudo.complexidade. efetivamente. A consolidação dos conhecimentos depende do significado que eles carregam em relação à experiência social dos alunos na família. A idéia de progressividade no desenvolvimento escolar se aplica também à organização das unidades didáticas nas aulas. são portadores de desvantagens sociais e culturais quanto às exigências escolares. mas também sua relação com a escola e o estudo. sua aplicação em situações de aula ou do dia-a-dia e. e) A aprendizagem escolar tem um vínculo direto com o meio social. Alguns alunos têm facilidade de "pegar" uma idéia de relance. é condicionado pelas características sócio-culturais dos alunos. Entretanto. no meio social. Organização psicológica se refere à adequação ao nível de desenvolvimento físico e mental que. sua percepção e compreensão das matérias. Os alunos aprendem tudo numa só aula. A sólida aprendizagem decorre da consolidação de conhecimentos e métodos de pensamento. também ao grau de compreensividade das matérias em relação às possibilidades reais dos alunos que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . outras têm boa capacidade de memorização. da capacidade do aluno lidar de modo independente e criativo com os conhecimentos que assimilou. Circunscreve não só as condições de vida dos alunos. principalmente. Estas não devem ser consideradas negativamente. pois a aprendizagem é um processo garantido. Os professores devem estar preparados para buscar procedimentos didáticos que ajudem os alunos a enfrentarem suas desvantagens.

que indicam os objetivos que procuram. do professor ou dos demais colegas. porém dirigida e orientada de fora pelo professor. na motivação extrínseca. A motivação é intrínseca quando se trata de objetivos internos.Outro aspecto fundamental da aprendizagem em relação ao meio social é a linguagem. Não é difícil compreender a importância da combinação entre a linguagem do professor e linguagem dos alunos. As formas de linguagem expressam as condições sociais e culturais de vida das pessoas (modalidades de relacionamento entre as pessoas. costumes. modos de pensar sobre o mundo e a vida etc. a curiosidade. quando a ação do aluno é estimulada de fora. A atividade do aluno consiste no enfrentamento da matéria por suas próprias forças cognoscitivas. como a satisfação de necessidades orgânicas ou sociais. realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo. Também difere de outra concepção segundo a qual o ensino consiste apenas na organização das experiências do aluno. crenças. com base nas suas necessidades e interesses imediatos e não na transmissão de conhecimentos sistematizados. A inter-relação entre os 48 Copyright © 2007. a expectativa de benefícios sociais que o estudo pode trazer a estimulação da família. a atenção e o envolvimento dos alunos no trabalho docente. Esta concepção de aprendizagem escolar difere daquela na qual o ensino é uma atividade unidirecional do professor.). A linguagem é o veículo para a formação e expressão dos nossos pensamentos. Por outro lado. aluno como objeto da prática docente. transferindo conhecimentos para a cabeça do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . são extrínsecas. Na aprendizagem escolar. isto é. é principalmente pela via da linguagem que os alunos podem assimilar os conhecimentos sistematizados. g) O trabalho docente é a atividade que dá unidade ao binômio ensino-aprendizagem. pelo processo de transmissão-assimilação ativa de conhecimentos. muito freqüentemente. f) A aprendizagem escolar se vincula também com a motivação dos alunos. a motivação intrínseca precisa ser apoiada. como as exigências da escola. a fim de manter de pé o interesse. a aspiração pelo conhecimento.

conhecimentos que já dominam as motivações e expectativas. isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 49 Copyright © 2007.dois momentos do processo de ensino transmissão e assimilação ativa .supõe a confrontação entre os conteúdos sistematizados (trazidos pelo professor) e a experiência sociocultural concreta dos alunos. a experiência que trazem do seu meio social. a percepção que eles têm da matéria de ensino.

assim. explicar a matéria. tem como 50 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o professor deve antecipar os objetivos de ensino. como se as etapas de assimilação fossem as mesmas etapas do ensino. Deve transformar a matéria em desenvolvimentos significativos compreensíveis. Os alunos vão à escola para dominarem conhecimentos e habilidades e desenvolverem operações mentais. tendo em vista a preparação para a vida social e para o trabalho. saber detectar o nível da capacidade cognoscitiva dos alunos. A aprendizagem que os alunos adquirem na escola. mas alunos concretos que ele tem à sua frente. Entretanto. mas inclui outras tarefas. Procuramos esclarecer nos tópicos anteriores que a assimilação dos conhecimentos é o núcleo do ensino. não um aluno ideal. pelo estudo das matérias.U NIDADE 10 Objetivo: Perceber através deste estudo os fundamentos do ensino e sua correlação com o ato: ensinar e aprender. Para assegurar a assimilação ativa. O ensino. Em outras palavras. saber empregar os métodos mais eficazes para ensinar.estimulálos no desejo de conhecer a matéria nova. o processo de ensino é uma atividade de mediação pela qual são providas as condições e os meios para os alunos se tornarem sujeitos ativos na assimilação de conhecimentos. “puxar” dos alunos conhecimentos que já dominam . é uma combinação adequada entre a educação do processo de ensino pelo professor e a assimilação ativa como atividade autônoma e independente do aluno. DINÂMICA DO PROCESSO DE ENSINO O ensino é um meio fundamental do progresso intelectual dos alunos. não há identidade entre o processo de assimilação e o processo de ensino. O processo de ensino abrange a assimilação de conhecimentos.

quanto o entendimento de que o domínio de conhecimentos e habilidades é um instrumento coadjuvante para a superação das 51 Copyright © 2007. nesse sentido. Essa mediação significa tanto a explicitação dos objetivos de formação escolar frente às exigências do contexto social. orientar suas dificuldades.. com os conhecimentos e experiências que trazem para a sala de aula. A escola pública pode oferecer muitos benefícios aos alunos: merenda. nível de preparo para enfrentar a matéria nova. político e cultural de uma sociedade marcada pelo conflito de interesses entre os grupos sociais. A atividade de ensino. pelo qual se democratiza o saber e se desenvolvem as forças intelectuais. c) Dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendizagem. Um pedagogo escreveu que ensinar é colocar a matéria no horizonte interrogativo do aluno. b) Ajuda. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . relacionamento social entre elas. Ajudar os alunos a conhecerem as suas possibilidades de aprender. indicar métodos de estudo e atividades que os levem a aprender de forma autônoma e independente.resultado principal aquisição do saber escolar e o melhoramento progressivo das funções intelectuais. mas o benefício da sua responsabilidade direta é o ensino. Em sentido amplo. o que chamamos de prática social. com suas características sócio-culturais. é traduzir didaticamente a matéria para alunos determinados. de forma que os alunos possam ter uma relação subjetiva com eles. assistência à saúde etc. Transmitir a matéria. por outro lado. recreação. O ensino tem três funções inseparáveis: a) Organizar os conteúdos para a sua transmissão. está indissociavelmente ligado à vida social mais ampla. o ensino exerce a mediação entre o indivíduo e a sociedade.

Conforme já estudamos anteriormente. o sistema de organização das classes. Esta atitude não faz 52 Copyright © 2007. tais como a organização do ambiente escolar. o ensino tem um caráter eminentemente pedagógico. para compreendê-los e aplicá-los consciente e autonomamente. incentivar. dirigir. Além disso. não é uma simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende. mas na relação com a aprendizagem. é uma relação recíproca na qual se destacam o papel dirigente do professor e a atividade dos alunos. o conselho de pais. impulsionar o processo de aprendizagem dos alunos. a unidade de propósitos do grupo de professores etc. ou seja. os mecanismos de gestão da escola.condições de origem social dos alunos. Ao contrário. quando o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria. quando não suscita o desenvolvimento ativo dos alunos. seja pela luta conjunta para a transformação social. A unidade entre ensino e aprendizagem fica comprometida quando o ensino se caracteriza pela memorização. A aprendizagem é a assimilação ativa de conhecimentos mentais. seja pela melhoria das condições de vida. O ensino tem a tarefa principal de assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos sistematizados legados pela humanidade. o de dar um rumo definido para o processo educacional que se realiza na escola. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A unidade entre ensino e aprendizagem Podemos sintetizar dizendo que a relação entre ensino e aprendizagem não é mecânica.relação cognitiva entre aluno e matéria de estudo . A aprendizagem é uma forma do conhecimento humano . os livros didáticos e o material escolar.desenvolvendo-se sob as condições específicas do processo de ensino. o ensino é condicionado por outros elementos situacionais do processo ensino-aprendizagem. O ensino não existe por si mesmo. Daí que sua tarefa básica seja a seleção e organização do conteúdo de ensino e dos métodos apropriados a serem trabalhados num processo organizado na sala de aula. O ensino visa estimular.

O ensino é a atividade do professor de organização. o papel de impulsionar à aprendizagem e. pois não leva a empenhar as atividades mentais dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .parte do sentido que temos dado ao papel de dirigente do professor. deve estabelecer exigências e expectativas que os alunos possam contribuir e. métodos. fazendo a mediação escolar de objetivos sócio-políticos e pedagógicos. muitas vezes. ao contrário. com o pretexto de que o professor somente deve facilitar a aprendizagem e não ensinar. seleção e explicação dos conteúdos. O processo de ensino. política. relações professor-aluno etc. Estrutura.). pois. o ensino e a aprendizagem . a precede.profissional. cultural etc. também se quebra a unidade quando os alunos são deixados sozinhos. seu nível de preparo de desenvolvimento mental. mobilizem suas energias.que operam em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sócio-políticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação didática concreta (fatores sociais circundantes. A aprendizagem é a atividade do aluno de assimilação de conhecimentos e habilidades.os conteúdos. O processo de ensino opera a mediação escolar de objetivos. Componentes e Dinâmicas do Processo de Ensino. O processo didático se explicita pela ação recíproca de três componentes . Tem. uma vez que 53 Copyright © 2007. nível sócio-econômico dos alunos. organização das atividades de estudo dos alunos. formando a base para a concretização de objetivos. O processo didático define a ação didática e determina as condições e modalidades de direção do processo de ensinar tendo em vista a preparação dos alunos para as tarefas sociais. Os conteúdos de ensino compreendem as matérias nas quais são sistematizados os conhecimentos. formas organizativas e meios mais adequados em função da aprendizagem dos alunos. recursos materiais e didáticos. encaminhando objetivos. com isso. por sua vez orienta o trabalho docente tendo em vista a inserção e atuação dos alunos nas diversas esferas da vida social . sintetiza na aula a ação didática em sua globalidade. A Didática. Por outro lado. organização escolar. conteúdos e métodos.

Os conteúdos são selecionados de forma didaticamente assimilável. subordinam-se ao conteúdo de cada matéria e ao mesmo tempo às características de aprendizagem dos alunos (conhecimentos e experiências que trazem suas expectativas. etc. conhecimentos. constitui-se de um sistema articulado dos seguintes componentes: objetivos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os materiais didáticos disponíveis. habilidades e atitudes dos alunos. implicam métodos. sob condições concretas das situações didáticas. Os métodos. Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES. conteúdos. 54 Copyright © 2007. seu nível de preparo para enfrentar a matéria. O professor dirige esse processo. Esses componentes formam uma unidade. as atitudes do professor.operacionaliza objetivos gerais sobre o fundo objetivo das condições concretas de cada situação didática.). nenhum deles podendo ser considerado isoladamente. Os objetivos correspondem já a conteúdos (conhecimentos. Além disso. em cujo desenvolvimento se assegura a assimilação ativa de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. por sua vez. o ensino é inseparável das condições concretas de cada situação didática: o meio sociocultural em que se localiza a escola. as condições de vida. O processo de ensino. métodos (incluindo meios e formas organizativas) e condições. hábitos) e métodos de sua apropriação. habilidades. efetivado pelo trabalho docente. portanto.

valores. é um fenômeno social e universal. Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos e estes. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos. A educação. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . modo de agir. crenças. a educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. assimilados e recriados pelas novas gerações. Tais influências se manifestam através de conhecimentos. técnicas e costumes acumulados por muitas gerações de indivíduos e grupos. PRÁTICA EDUCATIVA E SOCIEDADE O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global pelo quais os membros da sociedade são preparados para a participação na vida social. transmitidos. sociais e políticas da coletividade. sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades.U NIDADE 11 Objetivo: Desenvolver habilidades de compreensão e análise sobre a práxis educativosocial. experiências. Em sentido amplo. ao assimilarem e recriarem essas influências tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais. nos quais os indivíduos estão envolvidos de modo necessário e inevitável 55 Copyright © 2007. A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade. mas também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e transformá-lo em função de necessidades econômicas.

neste sentido. do computador. das formas de convivência humana. valores. invisíveis atrás de um canal de televisão. Os estudos que tratam das diversas modalidades de educação costumam caracterizar as influências educativas como não-intencionais e intencionais. deliberada e planificada. espontâneas. embora influam na formação humana. comportamentos. dos grupos de convivência humana. atitudes. lugares e condições específicas prévias criadas deliberadamente para suscitar idéias. casuais. não organizadas. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente. ou adultos em geral . seja ele o pai. É o caso. a educação ocorre em instituições específicas. correspondem a processos de aquisição de conhecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . etc. conforme o objetivo pretendido variam os meios. do rádio. na comunidade. práticas. o professor. por exemplo. experiências. São muitas as formas de educação intencional e. idéias. dos costumes. uma consciência por parte do educador quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir. A educação não-intencional refere-se às influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. do cartaz de propaganda. técnicas. Podemos falar de educação não-formal quando se trata de atividades educativas estruturadas fora do sistema escolar convencional (como é o caso de movimentos sociais 56 Copyright © 2007. Há uma intencionalidade. do clima sócio-cultural da sociedade. São situações e experiências. muitas vezes.pelo simples fato de existirem socialmente. a prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica. Tais influências. da religião. Em sentido estrito. também denominadas de educação informal. política e legal de uma sociedade.estes. que não estão ligados especificamente a uma instituição e nem são intencionais e conscientes. das formas econômicas e políticas de organização da sociedade. no trabalho. valores. Há métodos. embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais. por assim dizer. das relações humanas na família. A educação intencional refere-se a influências em que há intenções e objetivos definidos conscientemente. como é o caso da educação escolar e extra-escolar. conhecimentos. escolares ou não.

é a escolarização básica que possibilita aos indivíduos aproveitar e interpretar.) e da educação formal que se realiza nas escolas ou outras agências de instrução e educação (igrejas. na sociedade atual. no entanto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . escolares ou extra-escolares. econômicas. se interpretam. Na sociedade brasileira atual. O processo educativo. sindicatos. determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação. empresas) implicando ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos. É impossível. consciente e criticamente. Que significa a expressão "a educação é socialmente determinada"? Significa que a prática educativa. Assim. ou seja. Com efeito. Cumpre acentuar. formais ou não-formais. e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho 57 Copyright © 2007. são socialmente determinados. a estrutura social se apresenta dividida em classes e grupos sociais com interesses distintos antagônicos. sistematização. Conforme dissemos. As formas que assume a prática educativa sejam não-intencionais ou intencionais. é sempre contextualizado social e politicamente. outras influências educativas. e com o peso cada vez maior de outras influências educativas (mormente os meios de comunicação de massa). a educação é um fenômeno social. procedimentos didáticos. etc. onde quer que se dê. Isso significa que ela é parte integrante das relações sociais. Vejamos mais de perto como se estabelecem os vínculos entre sociedade e educação. a participação efetiva dos indivíduos e grupos nas decisões que permeiam a sociedade sem a educação intencional e sistematizada provida pela educação escolar. esse fato repercute tanto na organização econômica quanto na política e na prática educativa. as finalidades e meios da educação subordinam-se a estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais.organizados. dos meios de comunicação de massa. com o progresso dos conhecimentos científicos e técnicos. que a educação propriamente escolar se destaca entre as demais formas de educação intencional por ser suporte e requisito delas. políticas e culturais de uma determinada sociedade. partidos. há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências.

a existência das classes sociais. idade. vão surgindo nas relações sociais a desigualdade econômica e de classes. Entretanto nas etapas seguintes da história da sociedade. políticas e ideológicas. desde o início da sua existência. novas formas de organização do trabalho e. especificamente. 58 Copyright © 2007. os fatos políticos e econômicos etc. estão determinados por fins e exigências sociais. a história humana. Desde o inicio da história da humanidade. o papel da educação estão implicados nas formas que as relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta dos homens. nem sempre houve uma distribuição por igual dos produtos do trabalho. uma divisão do trabalho conforme sexo. Este fato é fundamental para se compreender que a organização da sociedade.docente. . a história da sua vida e a história da sociedade se constituem e se desenvolvem na dinâmica das relações sociais. Com efeito. Com isso. Nas formas primitivas de relações sociais. Essas relações vão passando por transformações. ou seja. normas e particularidades da estrutura social a que está subordinada. os indivíduos e grupos travavam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência. os homens vivem em grupos. de modo a existir uma divisão das atividades entre os envolvidos no processo de trabalho.é determinada por valores. ocupações. criando novas necessidades. a prática educativa que ocorre em várias instâncias da sociedade – assim como os conhecimentos da vida cotidiana. tanto materiais quando espirituais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na história da sociedade. cada vez mais se acentua a distribuição desigual dos indivíduos em distintas atividades bem como do produto dessas atividades. A estrutura social e as formas sociais pelas qual a sociedade se organiza são decorrência do fato de que. os indivíduos têm igualdade usufruto do trabalho comum. sua vida está na dependência da vida de outros membros do grupo social.

que na origem é uma desigualdade econômica no seio das relações entre as classes sociais.) e os que vendem a sua força de trabalho para obter os meios da sua subsistência. A classe social proprietária dos meios de produção retira seus lucros da exploração do trabalho da classe trabalhadora. os trabalhadores (servos) são obrigados a trabalhar gratuitamente as terras do senhor feudal ou a pagar-lhes tributos.A divisão do trabalho vai fazendo com que os indivíduos passem a ocupar diferentes lugares na atividade produtiva. da satisfação de suas necessidades espirituais e culturais. também. mas também a diferenciação no acesso à cultura espiritual. Na sociedade escravista os meios de trabalho e o próprio trabalhador (escravo) são propriedades dos donos de terras. As relações sociais no capitalismo são. na sociedade capitalista. que é ao mesmo tempo uma alienação espiritual. à educação. à qual pertencem cerca de 70% da população brasileira. bancos. é obrigada a trocar sua capacidade de trabalho por um salário que não cobre as suas necessidades vitais e fica privada. tendendo a colocá-la a serviço dos seus interesses. Esta. A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos trabalhadores. 59 Copyright © 2007. Este é o traço fundamental do sistema de organização das relações sociais em nossa sociedade. os trabalhadores que vivem do salário. etc. a classe social dominante retém os meios de produção material como também os meios de produção cultural e da sua difusão. fortemente marcadas pela divisão da sociedade em classes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . na sociedade feudal. máquinas. instrumentos de trabalho. onde capitalistas e trabalhadores ocupam lugares opostos e antagônicos no processo de produção. ocorreu uma divisão entre os proprietários privados dos meios de produção (empresas. Com efeito. Séculos mais tarde. A desigualdade entre os homens. assim. determina não apenas as condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos. determina desigualdade social e conseqüências decisivas nas condições de vida da grande maioria da população trabalhadora.

criativos e críticos. Vê-se que a responsabilidade social da escola e dos professores é muito grande. os meios de comunicação de massa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . à qual cabem tarefas de assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades. principalmente para as classes trabalhadoras. capazes de participar nas lutas pela transformação social. incluindo as escolas. O sistema educativo. as igrejas. são as que se costumam denominar de ideologia. pois lhes cabe escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser traduzida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessários à compreensão da realidade social e à atividade prática na profissão. as agências de formação profissionais. Podemos dizer que. na política. quanto mais se diversificam as formas de educação extra-escolar e quanto mais a minoria dominante refina os meios de difusão da ideologia burguesa. de pensamento independente. ao seu modo. etc. valores e práticas apresentados pela minoria dominante como representativos dos interesses de todas as classes sociais. as relações humanas. tanto mais a educação escolar adquire importância. Tais idéias. devendo contentar-se com uma escolarização deficiente. a educação que os trabalhadores recebem visa principalmente prepará-los para trabalho físico. o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. Tais tarefas representam uma significativa contribuição para a formação de cidadãos ativos. Tal como a educação também o ensino é determinado socialmente. valores. crítico e criativo. O campo específico de atuação profissional e política do professor é a escola. 60 Copyright © 2007.) para justificar. práticas sobre a vida.Assim. o sistema de relações sociais que caracteriza a sociedade capitalista. para atitudes conformistas. o trabalho. nos movimentos sociais. é um meio privilegiado para o repasse da ideologia dominante. a maioria dominante dispõe de meios de difundir a sua própria concepção de mundo (idéias. Além disso.

Ao mesmo tempo em que cumpre objetivos e exigências da sociedade conforme interesses de grupos e classes sociais que a constituem. o ensino cria condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de conhecimentos e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sociais. 61 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Sugestão: Para sua reflexão e tomada de postura educacional assista ao filme Sociedade dos Poetas Mortos.

EDUCAÇÃO COMO DIALÉTICA E PRÁXIS SOCIAL Como práxis social. e a didática vem trabalhar sobre a questão do método pelo qual se realiza a apropriação do saber pelas pessoas. e nisso está sua especificidade. a seguir apresentada. a possibilidade que tem a classe de "vanguarda" para exercer a hegemonia na sociedade. Nosso pressuposto é que a apropriação do saber é uma intenção específica da classe "que está na vanguarda em cada etapa histórica. A pedagogia vem então trabalhar sobre a questão de como se realiza a apropriação do saber pela sociedade. é preciso repetir uma formulação de Jacques Ranciére: 62 Copyright © 2007. Introduzindo o componente das classes sociais fundamentais e antagônicas pela aplicação do método dialético no campo da educação e considerando a questão da ideologia nos seus limites reais. a classe efetivamente capaz de exercer a função educativa". Sendo seu objeto o saber. Para aqueles que entendem ser de menor importância o aspecto prático das idéias progressistas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é uma práxis social. que fazem da educação uma prática social. sendo própria de uma classe social e até da sociedade inteira. ou não.U NIDADE 12 Objetivo: Perceber a dialética como influência na práxis de uma ação educadora social. É fundamental na didática que se exerce a possibilidade de fazer da educação uma prática social progressista ou conservadora: pois através dos componentes didáticos da ação educativa que se passa. a práxis educativa cuida de realizar sua apropriação. os aspectos aparentemente menores que na educação são os aspectos didáticos. a educação é uma ação que se desenvolve segundo a intenção específica de uma classe social. Sendo a intenção específica. é uma práxis. temos os elementos para finalmente propor nossa hipótese de trabalho.

"Sem teoria revolucionária não há prática revolucionária. Mas separada da prática revolucionária toda teoria revolucionária se transforma no seu contrário". Na educação, toda a área já está tratando de ação. Porém os aspectos mais práticos, porque diretamente ligados á prática social onde as pessoas se encontram concretamente, compõem a didática. Acreditamos, portanto que pouco valem as formulações teórico-progressistas da educação se não se encontrarem as formas de praticá-las, ainda que não seja possível encontrarem-se estas formas sem aquelas formulações.

O ESPAÇO DA SALA DE AULA O espaço da sala de aula não se limita às quatro paredes que a cercam, nem se pode defini-lo por suas características físicas. O espaço da sala de aula é um espaço pleno de tensões. Nele se entrecruzam diferentes histórias de vida, de professores e alunos. O espaço da sala de aula é, portanto, um espaço de construção de conhecimentos e valores. É um espaço vivo. Dentro deste espaço podem ou não ocorrer relações cooperativas, solidárias, de respeito mútuo. Ao entrar no espaço da sala de aula, ao se encontrarem pela primeira vez, professores e alunos estabelecem relações numa interação que pode ou não estar permeada pelo diálogo e compreensão. O aluno chega à sala de aula cheio de expectativas e curiosidades e, também, com alguma apreensão sobre quem serão seus professores. Também, o professor, a despeito da sua experiência, entra na relação com o aluno impregnado de uma história de vida própria, uma experiência singular. Ele, também, recebe seus alunos, no início do ano letivo cheio de expectativas.

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Encontram-se ainda, neste espaço, expectativas vindas das famílias dos alunos em relação aos professores, ao diretor, ao resultado da ação pedagógica, às formas de avaliação. A direção da escola também está presente no espaço da sala de aula, através de suas crenças, projetos e desejos sobre a atuação de professores e alunos. Enfim, no espaço da sala de aula, cruzam-se pessoas únicas e singulares que interagem por um certo período de tempo. O espaço da sala de aula é, portanto, um espaço de interação que oferece aos alunos oportunidades para uma relação pessoal com outros sujeitos que não os do seu círculo familiar.

A transformação de um espaço de relações afetuosas e harmônicas Reverter os altos índices de evasão e repetência na escola, buscando o sucesso, na sua tarefa de ensinar a ler, escrever, calcular, interpretar e transformar o meio ambiente, os mundos do trabalho, da cultura e das linguagens que os expressam, é o desafio da Educação, hoje. É preciso defender e lutar por uma escola, de qualidade, para todos, comprometida com o desenvolvimento pleno (físico, intelectual, sócio-afetivo, psicomotor) de nossos alunos, com uma identidade própria, num tempo e espaço em constante transformação. Buscamos uma educação mais abrangente. Para tanto, nós, professores, precisamos descobrir respostas individuais para cada ambiente, para cada aluno. Cada situação escolar é única, com seus problemas, desafios, impasses e vitórias. É fundamental, portanto, que cada professor tenha a possibilidade de refletir sobre as suas convicções e desejos, relacionando-os à sua prática escolar. Aprofundando estas reflexões consigo mesmo, e com o seu grupo de alunos, o professor irá descobrir algumas de suas próprias respostas.

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Este processo, que é contínuo e infinito, pressupõe constantes transformações e correções de rota, autocrítica e auto-avaliação. Acreditamos que a construção de relações afetuosas e mais humanas, seja o resultado de um esforço coletivo de alunos, professores, famílias, funcionários e direção. Todos precisam estar também preparados e disponíveis para se avaliarem e a seus papéis, individualmente e/ou em equipe, atualizando seus objetivos, discutindo alternativas, visando, sempre, a melhoria da qualidade de vida na instituição educacional. As dificuldades só podem ser vencidas com alianças e cumplicidade de todos os envolvidos no ambiente escolar que, como todo ambiente vivo, não deve se constituir em lugar de imobilismo, nem descrença. A comunidade escolar precisa estar presente nas decisões coletivas para se apropriar afetivamente de seu destino como algo que também lhe pertence. É importante que a escola promova reuniões e encontros, de forma sistemática, nas quais a proposta pedagógica seja discutida com as famílias, e onde acordos que beneficiem os alunos sejam estabelecidos. O espaço da sala de aula é um lugar em que são compartilhadas emoções, afetos. Lugar onde se cruzam diferenças étnicas, de gênero, culturais, sociais. Harmonizar as diferenças dentro deste espaço, levando todos a um convívio solidário é um dos desejos da escola.

Sinta o pulso e planeje A interação entre classe e professor tem características muito próprias. Dependem de vários fatores, como maturidade dos alunos, seu grau de informação, tamanho da turma e uma soma de características que podemos chamar de personalidade da classe. Nem todos os alunos têm o mesmo comportamento. Mas em todas as classes há um tipo de atitude que predomina.

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PERRENOUD, Philippe. Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza. Porto Alegre; Artmed, 2001. Texto- A comunicação na sala de aula: onze dilemas.

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permeiam tantos antagonismos.U NIDADE 13 Objetivo: Compreender aspectos da prática no cotidiano escolar e sua relação com o processo ensino aprendizagem. 67 Copyright © 2007. O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM E SEUS COMPONENTES FUNDAMENTAIS Da análise conjunta das informações de professores e alunos. então. em suas determinações sociais. em suas diversas tendências. É a identificação das contradições do processo de ensino. É chegado. das relações que o permeiam e do movimento que está por trás de suas representações aparentes que impulsionam os estudiosos a buscar novas alternativas para a prática educativa. o momento de nos aprofundarmos nas teorias pedagógicas. A teoria funcionalista propugna que a Educação contribui diretamente para o crescimento e desenvolvimento econômico dos países. para compreender como a prática está lida nas referidas teorias. tantas contradições entre a teoria e a prática docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . podem-se distinguir duas grandes correntes de interpretação do pensamento social em Educação: o funcionalismo e as teorias do conflito. iluminam a compreensão do processo de ensino e da organização do trabalho docente. e como essas teorias. Analisando-se as tendências teórico-metodológicas que embasam os diferentes processos da prática-pedagógica. constitui uma das tendências importantes de explicação das principais razões pelas quais os governos decidiram destinar montantes significativos de verbas a esse setor. surge a necessidade de indagarmos por que nas relações do trabalho educativo.

ainda. servir de mecanismo social de acumulação e transmissão de conhecimentos. de acordo com as necessidades da produção. A escola converte-se em agência provedora de recursos humanos para o mercado de trabalho. tais como a contextualização histórica. a Educação tem. As reformas e inovações que se processaram no Brasil. como um dos promotores do processo de mudança. Deve ser capaz. no entanto. Já para as teorias do conflito. e para distanciar a problemática didática das questões pedagógicas. apesar de reconhecerem esse caráter de reprodução atribuem à Educação a possibilidade de ser um espaço de transformação social. econômica e cultural do professor.Segundo o funcionalismo. como principal finalidade. assim. da implementação de novas técnicas e da solução de problemas específicos. Como se pode concluir esses programas tecnicistas. relacionados com sua matéria. Privilegia-se a utilização de técnicas. os programas de Ensino tecnicista concebem o professor como um elemento a mais entre outros meios de transmissão de conhecimento e. históricas e sociais. Nessa abordagem. com o fim de aumentar a eficiência do processo ensinoaprendizagem. a Educação constitui uma das instâncias de reprodução social da força de trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . implicaram o uso da linha tecnicista em todos os setores do Ensino no Brasil. para desenvolver com êxito as aulas expositivas. após a Reforma do Ensino Superior em 1968. da 68 Copyright © 2007. instrumentos e meios educativos. Como se pode inferir. deve ser treinado nas habilidades técnicas. sócio-política. O docente deve. de planejar atividades individualizadas e desenvolver a aprendizagem segundo diferentes princípios da Psicologia. contribui para dissociar a teoria da prática. O professor é o eixo fundamental do desenvolvimento de novos sistemas de instrução. o conteúdo do método. ao mesmo tempo. enraizados numa tecnologia supostamente neutra. da divisão das classes sociais e é inculcadora da ideologia da classe dominante. conhecer a metodologia apropriada para desenhar e avaliar os objetivos de seu curso em termos de taxionomias. Alguns teóricos. por meio do micro ensino. destacam-se alguns princípios comuns à prática universitária.

Tudo isso só será possível se estabelecer um vínculo que intente cobrir os aspectos epistemológico. Essas teorias do conflito explicam o porquê dos depoimentos de professores e alunos mencionados anteriormente e. feita em grupo de trabalho. com programas de desenvolvimento comunitário. Perceber essa contradição é perceber o movimento histórico da direção política da referida prática. teórico. o professor . Proclama-se a exigência do trabalho docente coletivamente organizado na escola e da análise crítica da prática dos professores. com a organização dos trabalhadores. e a situação 69 Copyright © 2007. metodológico e instrumental da formação do professor o que constitui uma pesquisa em longo prazo. tendo em vista o seu aluno e fugindo do modelo imposto. Essas propostas têm avançado. Assinala Martins (1985). pelas contradições que experimenta entre aquilo que se espera de um professor.docência. e com inovações educativas produzidas graças aos movimentos de organização popular e aos movimentos de resistência ao sistema social. a importância de se vincularem as ações do ensino a marcos teóricos que permitam uma compreensão sólida e global do processo educativo. dos conteúdos da relação professor-aluno e dos processos de ensinoaprendizagem.pressionado pela resistência dos seus alunos. Compreender esse movimento instaura uma nova postura em face da prática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . entre a matéria de ensino e conteúdo pedagógico-didático. inserido na realidade social. e a eliminação de ações puramente técnico-instrumentais. certas iniciativas. junto com experiências de planejamento participativo na formação de adultos. Dir-se-ia que a mesma situação que destituiu o professor do controle de processo e do produto de seu trabalho. Isto é. evidenciam a contradição da prática educativa do Ensino. tornando-o simples executor de tarefas. certas atividades práticas. Sustenta-se. Daí a necessidade da inter-relação entre o objeto e o método de conhecimento. buscando a indissociabilidade entre conteúdos e método. que os professores começam a apresentar certas proposições. gera o seu contrário. também.

70 Copyright © 2007. buscar seus determinantes últimos. o educador está-se formando nesse mesmo processo e construindo um novo processo educativo. novos procedimentos didáticos. e aprofundar a análise das determinações históricas e sociais. Reinventar a prática numa perspectiva de ação crítica e compromissada politicamente supõe a compreensão dessa prática no nível de totalidade. de modo a ultrapassar o nível empírico.de trabalho docente .busca alternativa e cria novas situações. Ao gerar essa "Didática Prática". a fim de gerar uma nova ação educativa que faça mediação entre a prática individual e a social. Em última análise. gera uma "Didática Prática". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou seja.

conforme as estudam Saviani. Libâneo. Na investigação da prática pedagógica. tendo como ponto de partida e ponto de chegada a prática social. Altera-se o processo na própria prática.U NIDADE 14 Objetivo: Analisar sua prática e buscar ações capazes de promover reflexões e paradigmas sociais. porque é no fazer que se gera o saber . no qual ele:   Descreve a sua prática de modo empírico. A forma vai-se definindo. vai dando sentido ao conteúdo. 71 Copyright © 2007. tomando como referência as teorias pedagógicas. Gadotti e outros. caracterizado pela busca da unidade entre a teoria e a prática. é preciso romper com o eixo de transmissão .reflexão . buscando ultrapassar o discurso "sobre". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .assimilação. para fazer avançar uma nova alternativa em sala de aula que possibilite vivenciar e refletir junto com os alunos uma nova práxis.ação. Para tanto. reflitam e sistematizam coletivamente esse novo processo de trabalhar a prática. para assumir o eixo da ação . a partir da reflexão sobre a própria prática vivenciada. de tal modo que os agentes vivenciam a descrição e a análise. Explica essa prática em suas múltiplas relações sociais. O PROFESSOR E A SUA VIVÊNCIA NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO Um dos pontos-chave da nova prática pedagógica visa resgatar o controle do processo de ensino perdido pelo professor. o professor vivencia um processo de produção de conhecimento.

o professor. Nas perspectivas dialética. no nível individual. como com as organizacionais (trabalha 72 Copyright © 2007. Nessa análise. de forma coletiva e mais consciente. precisa entender-se como agente de reprodução social e. precisa identificar o espaço de ação para sua liberdade e para sua criação. em face da sua própria prática precisa inquirir analisar. Busca entender o movimento contraditório que permeia essa referida prática. no concreto da sala de aula e nos diferentes locais de trabalho docente. visando a produzir uma síntese criadora de referido objeto. como sujeito histórico do processo de transformação em que vive.  Aprofundar-se na análise do objeto ou da atividade vivida. ele precisa esclarecer para si mesmo sua própria postura em face do sistema capitalista. que já tem todo um protocolo legal que a relaciona junto com as normas legais. toda forma de conhecimento e de atividade prática supõe uma marcha comum. historicizar no tempo e situar-se no espaço. ao mesmo tempo. e constituinte delas a partir de análises de sínteses provisórias. problematizar o seu trabalho. para ressaltar diferentes facetas e estudar seus elementos.  Ir reorganizando o objeto de investigação constituído pelas múltiplas relações. no nível de totalidade. e precisa mais ainda. considerando-o como um conjunto de relações em que tudo muda e está inter-relacionado. No nível do coletivo. porque já entende os mini-espaços e as brechas em que a estrutura capitalista lhe permite agir criticamente.  Parte para refazer sua prática de modo qualitativamente diferente. isto é:  Aproximar-se do objeto de estudo. tornando-se mais senhor dos processos de organização e de controle do trabalho docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o professor atua numa escola. Assim.

o povo se organizando nas mais diferentes modalidades. Não é a toa que assistimos. com o correr dos semestres. Ao mesmo tempo. de transformar o real.dentro de regras rígidas do trabalho . é sentir prazer. com os agentes que atuam nela. E nós. o que significa a criação de um novo espaço educativo. que lições temos aprendido em organizações da categoria de magistério? São nesses espaços de organização que é preciso achar lugar para entendermos nossa prática.  A socialização de experiências de trabalho exige novas condições de prática escolar. nas suas relações globais com a estrutura. Que sentido faz mudar a prática pedagógica individualmente? Creio que isso faz pouco sentido. e caminham nas pistas que brotam do cotidiano. porque. leitura essa que nos deve tornar capazes de avaliar e criar. aprender é sentir afeto. constituído da ação participativa e comprometida de alunos e professores com uma nova ordem no trabalho docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em nossos dias. porque é aprender a compartilhar os problemas de uma luta por uma proposta diferente e descobrir a força de caminhar juntos. as inúmeras decepções. Aprender é realizar coletivamente uma leitura crítica da realidade. professores. 73 Copyright © 2007. pode-se concluir que a metodologia de análise crítica supõe e reafirma que:  Professor que aprende a partir da prática apropria-se do saber e da técnica de organizar o trabalho docente com maior consistência lógica e compreensão crítica. visando a produzir e construir novas relações sociais que perpassem o trabalho docente e vão costurando a sua unidade com a prática social.racionalidade eficiência). cortes. Considerando-se o exposto. boicotes já levam o nosso professor inovador ou ao abandono da carreira ou a acomodar-se aos padrões tradicionais. como com as do mercado de trabalho que vai receber o nosso aluno.

A elaboração de uma proposta alternativa de metodologia já traz em seu bojo o germe de sua própria negação e de uma nova afirmação.

Assim, para se refazer o caminho, é preciso refazer a caminhada, na busca daqueles pontos dessa mesma caminhada que entram em conflito com a realidade em movimento.

SUGESTÃO DE LEITURA; PERRENOUD, Philippe.Ensinar; Agir na urgência, decidir na incerteza.Porto Alegre: Artmed, 2001. Tema; Dez não ditos ou a face oculta da profissão de professor.

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NIDADE

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Objetivo: Organizar ações didáticas a partir dos conhecimentos envolvidos no processo didático-pedagógico.

COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO E DO PROCESSO DE ENSINO Quem circula pelos corredores de uma escola, o quadro que observa é o professor frente a uma turma de alunos, sentados ordenadamente ou realizando uma tarefa em grupo, para aprender uma matéria. De fato, tradicionalmente se consideram como componentes da ação didática a matéria, o professor, os alunos. Podem-se combinar estes componentes, acentuando mais um ou outro, mas a idéia corrente é a de que o professor transmite a matéria ao aluno. Entretanto, o ensino, por mais simples que possa parecer à primeira vista é uma atividade complexa: envolve tanto condições externas como condições internas das situações didáticas. Conhecer essas condições e lidar acertadamente com elas é uma das tarefas básicas do professor para a condução do trabalho docente. Internamente, a ação didática se refere à relação entre o aluno e a matéria, com o objetivo de apropriar-se dela com a mediação do professor. Entre a matéria, o professor e o aluno ocorrem relações recíprocas. O professor tem propósitos definidos no sentido de assegurar o encontro direto do aluno com a matéria, mas essa atuação depende das condições internas dos alunos alterando o modo de lidar com a matéria. Cada situação didática, porém, vincula-se a determinantes econômico-sociais, sócioculturais, a objetivos e formas estabelecidos conforme interesses da sociedade e seus grupos, e que afetam as decisões didáticas. Consideramos, pois, que a inter-relação entre professor e alunos não se reduz à sala de aula, implicando relações bem mais abrangentes:
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 Escola, professor, aluno, pais estão inseridos na dinâmica das relações sociais. A sociedade não é um todo homogêneo, onde reina a paz e a harmonia. Ao contrário, há antagonismo e interesses distintos entre grupos e classes sociais que se refletem nas finalidades e no papel atribuídos à escola, ao trabalho do professor e dos alunos.  As teorias da educação e as práticas pedagógicas, os objetivos educativos da escola e dos professores, os conteúdos escolares, a relação professor-aluno, as modalidades de comunicação docente, nada disso existe isoladamente do contexto econômico, social e cultural, mas amplo e que afetam as condições reais em que se realizam o ensino e a aprendizagem.  Professor não é apenas professor, ele participa de outros contextos de relações sociais onde é, também, aluno, pai, filho, membro de sindicato, de partido político, ou de um grupo religioso. Esses contextos se referem uns ao outros e afetam a atividade prática do professor. O aluno, por sua vez, não existe apenas como aluno. Faz parte de um grupo social, pertence a uma família que vive em determinadas condições de vida e de trabalho, é branco, negro, tem uma determinada idade, possui uma linguagem para expressar-se conforme o meio em que vive tem valores e aspirações condicionados pela sua prática de vida etc.  A eficácia do trabalho docente depende da filosofia de vida do professor, e de suas convicções políticas, do seu preparo profissional, do salário que recebe, da sua personalidade, das características da sua vida familiar, da sua satisfação profissional em trabalhar com alunos etc. Tudo isto, entretanto, não é uma questão de traços individuais do professor, pois é o que acontece com ele tem a ver com as relações sociais que acontecem na sociedade. Consideremos, assim, que o processo didático está centrado na relação fundamental entre o ensino e a aprendizagem, orientado para a confrontação ativa do aluno com a matéria sob a mediação do professor. Com isso, podemos identificar entre os seus elementos constitutivos: os conteúdos das matérias que devem ser assimilados pelos alunos de um determinado grau; a ação de ensinar em que o professor atua como
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a disciplina.). as condições prévias dos alunos para enfrentar o estudo de determinada matéria. as relações professor-aluno. a formação dos professores as forças sociais presentes na escola (docentes. uma vez que expressa finalidades e exigências da prática social. a articulação entre estes depende da avaliação das condições concretas implicadas no ensino. ensino e aprendizagem a objetivos sócio-político e pedagógicos e analisar criteriosamente o conjunto de condições concretas que rodeiam cada situação didática. restrita ao que se passa no interior da escola. os objetivos gerais e específicos são não só um dos componentes do processo didático como também determinantes das relações entre os demais componentes. Além disso. os meios de ensino disponíveis. Como vimos não é uma atividade que se desenvolve automaticamente. o processo didático como totalidade abrangente implica vincular conteúdos. Contudo. éticas. tais como objetivos e exigências postos pela sociedade e seus grupos e classes. Entender. cuja realização está na dependência de condições. os programas oficiais. frente às quais se formulam objetivos conteúdos e métodos conforme opções assumidas pelo educador. Desse modo. pedagógicas. seja aquelas que o educador já encontra seja as que ele precisa transformar ou criar. nos quais estão implicadas dimensões políticas. a ação de aprender em que o aluno assimila consciente e ativamente as matérias e desenvolve sua capacidade e habilidades.mediador entre o aluno e as matérias. 77 Copyright © 2007. o preparo específico do professor para compreender cada situação didática e transformar positivamente o conjunto de condições para organização do ensino. pois. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pais etc. ideológicas. o sistema escolar. integrante de múltiplos processos sociais. bem como as características sócio-culturais e individuais dos alunos. estes componentes não são suficientes para ver o ensino em sua globalidade. ao mesmo tempo em que se subordinam as condições concretas postas pela mesma prática social que favorecem e dificultam atingir objetivos. Entre outras palavras o ensino é um processo social.

a aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .O processo didático. Muitas pessoas afirmam que o principal papel está no professor. explicação da matéria. a fim de atingir os objetivos escolares. O processo de ensino é impulsionado por fatores ou condições específicas já existentes ou que cabe ao professor criar. 78 Copyright © 2007. assim. suas explicações sobre a matéria e no seu traquejo em conduzir a classe. os conteúdos. Mas é uma contradição que pode ser superada didaticamente. orientação das atividades. o ensino. as que encontram esse fator no atendimento das necessidades e interesses espontâneos das crianças. controle e verificação da aprendizagem. isto é. Mas tudo isso é feito para encaminhar o estudo ativo dos alunos. a relação cognitiva entre o aluno e a matéria de estudo. habilidades e hábitos e o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. Quando dizemos que o processo de ensino consiste ao mesmo tempo na condução do estudo e na auto-atividade do aluno. estamos frente a uma contradição. controla e avalia o ensino com endereço certo: a aprendizagem ativa do aluno. a avaliação. ainda. os conceitos fundamentais que formam base de estudos da Didática. esses fatores não podem ser considerados isoladamente. os métodos. também. na sua aprendizagem. desenvolve-se mediante a ação recíproca dos componentes fundamentais do ensino: os objetivos da educação e da instrução. o domínio pelos alunos de conhecimentos. organiza. de fato. Há. dirige. O professor planeja. O professor. as formas e meios de organização das condições da situação didática. na medida em que o ensino não ignora as exigências da auto-atividade do aluno na aprendizagem. Tais são. Outras entendem que bons métodos e técnicas seriam suficientes. colocação de exercícios. é responsável pelas tarefas de ensino. Haveria uma contradição entre essa idéia de um ensino estruturado e dirigido e a atividade e independência de pensamento do aluno como sujeito ativo da aprendizagem? Muito se tem discutido sobre os fatores e as condições que asseguram o bom ensino e resultados satisfatórios de aprendizagem dos alunos. Entretanto.

É preciso colocá-los de modo que se convertam em problemas e desafios para o aluno. Em outras palavras a força motriz fundamental do processo didático é a contradição entre as exigências de domínio do saber sistematizado e o nível de conhecimento. 79 Copyright © 2007. O fator predominante. dificuldades que sejam instigantes. conteúdos. experiências. a fim de avançar na aprendizagem. pois. problemas. significativos e compreensíveis para os alunos. Para que essa contradição se converta em força desencadeadora da atividade dos alunos são necessárias certas condições. de objetivos. a detectar as dificuldades enfrentadas pelos alunos na assimilação ativa dos conteúdos e a encontrar os procedimentos para que eles próprios superem tais dificuldades e progridam no desenvolvimento intelectual. exercícios etc. de desenvolvimento mental. Tomar consciência significa colocar a dificuldade como um desafio vencido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não é suficiente passar os conteúdos ou colocar problemas. As dificuldades ou impasses que o aluno encontra no enfrentamento da matéria de estudo expressam a contradição entre as tarefas colocadas pelo professor (conteúdos. suscitando e mobilizando a sua atividade. pelo professor. A contribuição mais importante da Didática é precisamente ajudar a resolver a contradição entre o ensino e a aprendizagem. bem como suas atitudes frente ao estudo. Em decorrência disso.Não se trata de uma tarefa fácil. na dinâmica do processo de ensino é a relação contraditória entre as exigências do processo didático e o trabalho ativo e mental dos alunos.) e seu nível de conhecimentos. de modo que estes possam mobilizar suas capacidades físicas e intelectuais para assimilação consciente e ativa dos conhecimentos. A força motriz do processo de ensino desencadeada por essa contradição básica leva a uma lógica do processo didático que consiste na colocação. problemas. A primeira condição é dos alunos tomarem consciência das dificuldades que aparecem quando se defrontam com um conhecimento novo que não dominam. atitudes e características sócio-culturais e individuais dos alunos.

isto quer dizer que o nível e o volume de conhecimentos. de modo que o professor saiba qual dificuldade (desafio. organizar as atividades de assimilação e chegar gradativamente à sistematização e aplicação dos conhecimentos e habilidades. frente a um conjunto de conhecimento e habilidades. então. A terceira condição é a correspondência entre as exigências do ensino e a condição prévia dos alunos seja prevista no planejamento. 80 Copyright © 2007. que o essencial do processo didático é coordenar o movimento de vaivém entre o trabalho produzido pelo professor e a percepção e o raciocínio dos alunos frente a esse trabalho. problema) apresentar e como trabalhá-la didaticamente. atividade e exercícios devem estar em correspondência com as condições prévias dos alunos (capacidades. Podemos dizer. trata-se de: verificar previamente um nível de conhecimentos já alcançados por eles e sua capacidade potencial de assimilação. a serem necessariamente dominados pelos alunos. nível de preparo etc. Entre outras palavras.).A segunda condição é a sensibilidade das tarefas cognoscitivas postas pelo professor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

o ensino permanece preso à seqüência da matéria (exposição verbal. A metodologia do trabalho docente inclui. 81 Copyright © 2007. Por isso precisa ser estruturado e ordenado. no nosso estudo. os métodos. A estruturação da aula é a organização. os materiais didáticos e as técnicas de ensino. como algo externo e isolado que não mobiliza a atividade mental dos alunos. exercícios. A ESTRUTURA DO TRABALHO DOCENTE Boa parte dos professores de nossas escolas entende o trabalho docente como "passar" a matéria do programa. o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. os seguintes elementos: os movimentos (ou passos) do processo de ensino no decorrer de uma aula ou unidade didática. pelo menos. ainda assim. A Didática. Toda atividade humana implica um modo de ser realizada. seqüência e inter-relação dos momentos do processo de ensino. O trabalho docente é uma atividade intencional. mas. formas e procedimentos de docência e aprendizagem. disciplina que estuda as tarefas da instrução e do ensino cuida de extrair dos diversos campos de conhecimento humano (por exemplo. sobre o processo de ensino: um trabalho ativo e conjunto do professor e dos alunos. geralmente de acordo com o livro didático. por esse mesmo processo.U NIDADE 16 Objetivo: Desenvolver uma prática pedagógica estruturada em objetivos individuais e sociais visando uma aprendizagem interativa. prova). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É verdade que muitos livros didáticos já indicam a estruturação da aula. uma seqüência de atos sucessivos e inter-relacionados para atingir seu objetivo. tendo em vista a assimilação consciente e sólida de conhecimentos. a organização da situação de ensino. planejada conscientemente visando atingir objetivos de aprendizagem. sob a direção do professor. Língua Portuguesa. habilidades e hábitos pelos alunos e. A estruturação da aula deve refletir o entendimento que temos procurado trazer.

que investiga os elementos do processo de ensino comuns a todas as matérias. articulados entre si: 1. conexões entre ensino e aprendizagem.Uma vez suscitada a atenção e a atividade mental dos alunos. porém não se identifica com ela tendo em conta o grau escolar. A estruturação do trabalho docente tem uma ligação estreita com metodologia específica das matérias.Matemática. Entre esses elementos citamos: objetivos sociais e pedagógicos. Transmissão / Assimilação da matéria nova . incita sua curiosidade. Para isso. indica as habilidades que podem ser aprendidas para a aplicação dos conhecimentos na prática.O professor procura incentivar os alunos no estudo da matéria. características de cada grau de ensino conforme idades. Administração Ciências. sendo necessário recorrer à Didática. Filosofia. No entanto a lógica da matéria de estudo é insuficiente para determinar a estruturação do ensino. 2. analisa exercícios já resolvidos. psicológicas e sociais condições do processo de assimilação dos conteúdos por parte dos alunos. Para isso usa de vários procedimentos: põe um problema. é o momento de estes se familiarizarem com a matéria 82 Copyright © 2007. as idades dos alunos. conversa com os alunos. as especificidades de conteúdo e metodologia das matérias. conforme exigências da sociedade e da tarefa de escolarização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . etc. Estimula nos alunos o desejo de dominar um novo conhecimento para novos progressos. dá breves exercícios que indicam o tipo de assunto que será estudado etc. colocando . podem indicar cinco momentos da metodologia do ensino na aula. Sociologia.) aqueles conhecimentos e habilidades que devem constituir o saber educativo para fins de ensino. pede uma redação rápida. momentos ou passos asseguram melhores resultados na assimilação de conhecimentos e no desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. é fundamental ter em conta o campo de conhecimentos de cada matéria e seus métodos de investigação e estudo. enlaça os conhecimentos anteriores com a matéria nova. as características do desenvolvimento mental.os objetivos e os resultados que devem ser conseguidos. níveis de conhecimentos prévios dos alunos. usa ilustrações. Orientação inicial dos objetivos de ensino e aprendizagem . História.

. Dependendo do grau de proximidade que têm em relação ao assunto novo e do nível de pré-requisitos. estimulação do pensamento dos alunos para que expressem os resultados da sua observação e de sua experiência. pela observação direta e trabalhos práticos. A percepção ativa e compreensão da matéria possibilitam. É pelo exercício de pensamento sempre com a ajuda do professor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . havendo condições objetivas. o primeiro contato com a matéria deve fazer-se. Aqui é imprescindível que haja uma permanente ligação com o que o aluno já sabe uma aproximação dos conteúdos com experiência de vida. habilidades e hábitos . pelo uso do livro didático. consolidação. sínteses e lançamentos entre os assuntos. os pequenos experimentos. O objetivo desta fase é que os alunos formem idéias claras sobre o assunto e vão juntando elementos para a compreensão. produção de conhecimentos na aplicação em situações novas. Não faz sentido a observação. assim. 3. é necessário: o "amarramento" do estudo por meio da sistematização. Para isso. os exercícios. Não sendo isso possível. seja pela inexistência de condições objetivas. Esta organização dos conhecimentos tem várias funções: reprodução dos conhecimentos e habilidades em exercícios de fixação. 83 Copyright © 2007. mas para que se tornem instrumentos do pensamento independente e da atividade mental é necessária a consolidação e o aprimoramento.No processo de percepção e compreensão da matéria já vai ocorrendo a assimilação de conhecimentos. Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos. que os alunos vão progredindo na formação de conceitos e no desenvolvimento das suas capacidades cognoscitivas. etc. a manipulação de objetos. seja pela natureza do assunto.que vão estudar. se não mobilizam a atividade pensante dos alunos. ao aluno operar mentalmente com os conhecimentos. o próprio professor encaminha o contato com a matéria pela conversação. pela realização de pequenos experimentos. recordação.

provas de revisão etc. que estimulem capacidades de análise. os exercícios. o professor está sempre colhendo informações e avaliando o progresso mental dos alunos. formar habilidades e hábitos. bem como o progresso obtido no desenvolvimento das capacidades cognoscitivas.A verificação e avaliação dos resultados da aprendizagem ocorrem em todos os momentos do processo de ensino. 84 Copyright © 2007. entretanto. uma avaliação final deve ser a oportunidade de verificar o nível de assimilação conseguido pelos alunos. síntese. mas também um momento especial de comprovação dos resultados obtidos. crítica. definições e fórmulas.Isto se obtém principalmente pelos exercícios e pela recordação da matéria onde são aplicados conhecimentos e habilidades e se cumprem os objetivos de ensino estabelecidos. requerem não só trole sistemático da realização dos objetivos de aprendizagem durante processo de ensino. a assimilação sólida dos conteúdos. independentemente. As exigências da prática escolar. suficientemente. na consolidação e aplicação dos conteúdos. as tarefas de casa. 4. Assim. Além disso. Aplicação de conhecimentos. conforme veremos na unidade 9. desenvolver o pensamento independente e criativo. Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades . as revisões e outras atividades práticas não evidenciam ainda. utilizar os conhecimentos em situações diferentes daquelas anteriormente trabalhadas.Os exercícios. são um meio insubstituível para aprimorar os conhecimentos. O coroamento do processo de ensino se dá quando os alunos. habilidades e hábitos . 5. comparação. Isso quer dizer que os exercícios cumprem um papel muito mais amplo do que o de simples treinamento ou memorização de regras. no tratamento da matéria nova. Na etapa de orientação inicial. Aqui a assimilação dos conhecimentos deve ser comprovada mediante tarefas que se liguem à vida. tarefas de casa. a qualidade do material assimilado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . generalização.

o professor deve ter em mente a formação de personalidade dos alunos. A realização consciente e competente das tarefas de ensino e aprendizagem torna-se. exige atenção e força de vontade para realizar as tarefas. que vão regular as ações práticas dos alunos frente a situações postas pela realidade. Como resultado do trabalho escolar. os alunos vão formando o senso de observação. princípios de ação. a dedicação aos estudos. fonte de convicções.U NIDADE 17 Objetivo: Desenvolver postura crítica dentro do processo de ensino aprendizagem a partir da apropriação das leituras realizadas nesta unidade. propõe exercícios de consolidação do aprendizado e da aplicação dos conhecimentos. habilidades de expressão verbal e escrita etc. Em cada um dos momentos do processo de ensino o professor está educando quando: estimula o desejo e o gosto pelo estudo. afetivo e físico. a força de vontade etc. como também nos aspectos moral. não somente no aspecto intelectual. A unidade instrução-educação se reflete. é um processo de educação.. ao mesmo tempo em que realiza as tarefas da instrução de crianças e jovens. vão desenvolvendo o senso de responsabilidade. cria situações estimulantes de pensar. o sentimento de solidariedade e do bem coletivo. assim. preocupa-se com a solidez dos conhecimentos e com o desenvolvimento do pensamento independente. O CARÁTER EDUCATIVO DO PROCESSO DE ENSINO E O ENSINO CRÍTICO O processo de ensino. no transcorrer do processo de ensino. No desempenho da sua profissão. 85 Copyright © 2007. assim. mostra a importância dos conhecimentos para a vida e para o trabalho. analisar. a capacidade de exame objetivo e crítico de fatos e fenômenos da natureza e das relações sociais. relacionar aspectos da realidade estudada nas matérias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a firmeza de caráter. na formação de atitudes e convicções frente à realidade.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . forneceram as bases teóricas de uma Didática crítico-social. quando a aquisição de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento das capacidades intelectuais propiciam a formação da consciência crítica dos alunos. Ele se realiza. de métodos de investigação da realidade e de uma concepção determinada de práxis pedagógica.O caráter educativo do ensino está relacionado com os objetivos do ensino crítico. Os estudos que fizemos nos capítulos anteriores mostrando a ligação da Didática com a Pedagogia. justamente por ser ensino. Mas o ensino crítico. assim. os vínculos dos princípios. no entanto. na condição de agentes ativos na transformação das relações sociais. condições e meios de direção e organização do ensino com as finalidades sócio-políticas e pedagógicas da educação. Princípios orientadores da atividade prática humana frente a problemas desafios da realidade social. Ou. expressão do caráter educativo do ensino. isto é. Ensinar significa possibilitar aos alunos. Falamos em ensino crítico quando as tarefas de ensino e aprendizagem. que não há como especificar objetivos imediatos do processo de ensino fora de uma concepção de mundo. são encaminhadas no sentido de formar convicções. Mostramos. a ele se sobrepõem objetivos e tarefas mais amplos determinados social e pedagogicamente. o desenvolvimento da consciência crítica. a formação de suas capacidades e habilidades cognoscitivas e operativas e. É claro que o processo didático se refere ao ensino das matérias. por outras palavras. O ensino é crítico porque implica objetivos sócio-políticos e pedagógicos. conteúdos e métodos escolhidos e organizados mediante determinada postura frente ao contexto das relações sociais vigentes na prática social. dentro do processo de ensino. na sua especificidade. não possui fórmulas miraculosas que se distingam daquilo que é básico na conceituação do processo de ensino. mas. 86 Copyright © 2007. com isso. mediante a assimilação consciente de conteúdos escolares.

com isso. que se desdobra em fases didáticas coordenadas entre si que vão do conhecimento dos conceitos científicos ao exercício do pensamento crítico. antes são meios de formar a independência de pensamento e de crítica. em função de valores e critérios de julgamento em que se acredita. Na medida em que os conteúdos se articulam ao desenvolvimento de capacidades e habilidades mentais. reelaborados. que esteja engajado num sindicato ou partido ou que explicite o caráter ideológico dos conteúdos escolares. 87 Copyright © 2007. no decurso das quais se formam processos mentais. ganhem convicções pessoais e meios de ação prática nos processos de participação democrática na sociedade. Isso significa que ao professor crítico não basta que denuncie as injustiças sociais. que não é outra coisa que o pensamento independente e criativo em face de problemas da realidade social disciplinado pela razão científica. os conteúdos deixam de ser apenas matérias a serem repassadas da cabeça do professor para a cabeça dos alunos. desenvolve-se a imaginação. a coragem de duvidar e. confrontados com a realidade física e social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é nesse processo que se vai formando a consciência crítica. que promovam a ampliação de suas capacidades mentais. É preciso antes de tudo. formam-se atitudes e disciplina intelectual. Nessas condições. que dê conta de traduzir objetivos sóciopolíticos e pedagógicos em formas concretas de trabalho docente que levem ao domínio sólido e duradouro de conhecimentos pelos alunos.O ensino crítico é engendrado no processo de ensino. por isso mesmo podem ser questionados. a fim de que desenvolvam o pensamento independente. meios culturais para se buscar respostas criativas a problemas postos pela realidade.

a relação interpessoal é o centro. não podendo ser desconsideradas. TENDÊNCIAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS-ENSINO: AS ABORDAGENS DO PROCESSO Há várias formas de se conceber o fenômeno educativo. da aceitação de suas múltiplas implicações e relações. no entanto. Não se trata de mera justaposição das referidas dimensões. a sócio-política e cultural. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . De acordo com determinada teoria/proposta ou abordagem do processo ensino aprendizagem privilegia-se um ou outro aspecto do fenômeno educacional. por exemplo. numa abordagem comportamentalista. contextualizadas e discutidas criticamente. que permitem explicá-lo. mensuráveis e controláveis do processo são enfatizados em detrimento dos demais. estas propostas são explicativas de determinados aspectos do processo ensino-aprendizagem. pelo menos em alguns de seus aspectos. por isto. a dimensão técnica é privilegiada. não é uma realidade acabada que se dá a conhecer de forma única e precisa em seus múltiplos aspectos.U NIDADE 18 Objetivo: Compreender a importância do estudo das tendências teórico metodológicas para uma ação educativa libertadora. e a dimensão humana passa a ser o núcleo do processo ensino-aprendizagem. vários tipos de reducionismo: numa abordagem humanista. devem ser elas analisadas. de constituírem formas de reducionismo. Por sua própria natureza. se não em sua totalidade. 88 Copyright © 2007. sim. Nele estão presentes tanto a dimensão humana quanto a técnica. Apesar. ou seja. mas. a cognitiva. a emocional. histórico e multidimensional. Diferentes formas de aproximação do fenômeno educativo podem ser consideradas como mediações historicamente possíveis. os aspectos objetivos. Podem-se verificar dessa forma. É um fenômeno humano.

O nativismo. diferentes aplicações pedagógicas. apesar de muitas variações e combinações possíveis. de acordo com três características: primado do sujeito. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . resulta de uma relação sujeito-ambiente. Toda interpretação do fenômeno vital. O conhecimento é uma "descoberta" e é novo para o indivíduo que a faz. para as quais toda estimulação sensorial é canalizada. categorias de conhecimento "já prontas".algumas dessas posições. do meio. essa posição é orientada por um associacionismo empirista. incluindo-se tanto as tendências que advogam um pré-formismo absoluto quanto àquelas que admitem um processo de atualização. quer se leve em conta o indivíduo como uma "tábua rasa". de aprendizagem. Há. de mundo. Os empiristas (primado do objeto) consideram o organismo sujeito às contingências do meio.As teorias de conhecimento. Não há construção de novas realidades. etc. psicológica etc. primado do objeto e interação sujeito . deriva de uma tomada de posição epistemológica em relação ao sujeito do meio. conhecimento.objeto. verbalizações ou recursos e materiais audiovisuais que são simplesmente transmitidos. sociológica. onde todo conhecimento fica reduzido a uma aquisição exógena. podem implicar do ponto de vista lógico. Ocorre ênfase na importância do sujeito. sendo o conhecimento uma cópia de algo dado no mundo externo. Do ponto de vista pedagógico. isto é. portanto ênfase na importância do objeto. quer seja biológica.. sociedade. a preocupação estaria. são presentes implícita ou explicitamente . O que foi descoberto já se encontrava presente na realidade exterior. podem ser consideradas. Atribuem-se ao sujeito. voltada para o que 89 Copyright © 2007. a partir de experiências. Subjacentes ao conceito de homem. em grande parte. ao organismo humano.. por sua vez. quer não se seja tão ortodoxo e se admita a maturação de alguma atividade cognitiva. Essas diferentes posições. apriorismo ou inatismo (primado do sujeito) afirma que as formas de conhecimento estão predeterminadas no sujeito. em que são baseadas as escolas psicológicas e de onde provêm as tomadas de posições. cultura. Do ponto de vista pedagógico.

Incluem-se aqui as tendências em que este interacionismo aparece quer na modalidade apriorística da "Gestalt". Diferentes posicionamentos pessoais deveriam derivar diferentes arranjos de situações ensino-aprendizagem e diferentes ações educativas em sala de aula. em certa medida. dá-se grande importância às atividades. condiciona conceitos diversos de homem. ora da interação de ambos. consequentemente. mas um desenvolvimento contínuo de elaborações sucessivas que implicam a interação de ambas as posições. desvinculado de um engajamento contextual de qualquer espécie. social. O conhecimento humano. A passagem de um nível de compreensão para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas. outras. sociedade. das crianças. é possível haver abordagens diversas. educação. é explicado diversamente em sua gênese e desenvolvimento. quer se apresente como um processo caracterizado pelo construtivismo seqüencial. mundo. não há pré-formação. pedagogicamente falando. cultura. Do ponto de vista interacionista (interação sujeito-objeto) o conhecimento é considerado como uma construção contínua e. em sua interação com o mundo (físico. enfatizam o momento sócio-político-econômico. por exemplo. numa palavra. Enquanto no primeiro caso nota-se ênfase numa pré-formação exógena do conhecimento. que não existiam anteriormente no indivíduo. nem exógena (empirista). Nessa última tendência.Piaget denominou de “exercício de uma razão já pré-fabricada". espontâneas ou não. histórico. a invenção e a descoberta são pertinentes a cada ato de compreensão.). nem endógena (inata). no segundo. Em decorrência disso. etc. Enfatiza-se uma relação dinâmica entre a bagagem genética hereditária e sua adaptação ao meio em que se desenvolve. dentro de um mesmo referencial. etc. partindo-se do pressuposto de que a ação educativa exercida por professores em situações planejadas 90 Copyright © 2007. ora do sujeito. dependendo dos diferentes referenciais. pois. o que. consideram apenas o homem em abstrato. tendo em comum apenas os diferentes primados: ora do objeto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a ênfase encontrada é numa pré-formação endógena. Algumas das abordagens. por sua vez.

abordar diferentes linhas pedagógicas ou tendências no ensino brasileiro. Sobre a educação. abordagem humanista. abordagem cognitivista e abordagem sociocultural. ao passo que outras são intuitivas ou fundamentadas na prática. cultura. por sua vez. Cada professor. etc. quer através de modelos a que foram expostos ao longo de suas vidas. filtra tal ideário a partir de suas próprias condições e vivências. 91 Copyright © 2007. Subjacente a esta ação. As disciplinas pedagógicas dos cursos de Licenciatura. sociedade. aqui denominadas abordagens. conhecimento. estaria presente implícita ou explicitamente. serão consideradas aqui as seguintes: abordagem tradicional abordagem comportamentalista. quer. o que implica diferentes conceituações de homem. Interessa. ainda. de forma articulada ou não . geralmente possibilitam ao futuro professor contato com um corpo organizado de idéias que procura subsidiar e justificar a prática educativa. Partindo-se do pressuposto de que. neste trabalho. etc. mundo. através de informações obtidas em cursos de formação de professores. constituído pelas teorias pedagógicas ou psicopedagógicas. influência na formação de professores e em seu posicionamento frente ao fenômeno educacional. mundo.um referencial teórico que compreendesse conceitos de homem. ou na imitação de modelos. conhecimento. mesmo considerando-se que a elaboração que cada professor faz delas é individual e intransferível. provavelmente tenham sido cinco as abordagens que mais possam ter influenciado os professores. cuja introdução no Brasil está diretamente relacionada com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. em situações brasileiras. quer por meio de informações adquiridas na literatura especializada. Algumas abordagens apresentam claro referencial filosófico e psicológico. Este conjunto. Cumpre justificar a não inclusão de uma sexta abordagem que provavelmente teve e tem como as demais. que poderiam estar fornecendo diretrizes à ação docente.de ensino-aprendizagem é sempre intencional. é denominado por Mello de ideário pedagógico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Trata-se da abordagem escolanovista.

sempre aberta a novas contribuições. No entanto. mundo. metodologia e avaliação. por um lado. Faz-se necessário observar ainda que. a não inclusão desta tendência como uma abordagem a ser analisada per se justifica. educação. bem como as limitações e problemas decorrentes da delimitação e caracterização de cada abordagem em consideração. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . levando em conta a complexidade da realidade educacional. descritiva. pelo fato das demais abordagens aqui analisadas apresentarem justificativa teórica ou evidência empírica e ela não. em seus pressupostos e em decorrências: homem. ensino-aprendizagem. A análise de cada uma das abordagens foi realizada a partir de categorias (conceitos) consideradas básicas para a compreensão de cada uma. escola. e a inexistência até o momento de uma teoria empiricamente validada que explique todas as manifestações do comportamento humano em situações de ensino-aprendizagem. pelo fato dela advogar diretrizes incluídas em outras abordagens. conhecimento. Daí sua não inclusão. devido à grande importância atribuída aos aspectos didáticos. pois se objetiva condensar idéias e conceitos em forma de ideário pedagógico. admitindo-se. como abordagem. é importante ter sempre presente o caráter parcial e arbitrário deste tipo de estudo. por outro. Para a realização deste trabalho. apesar de sua possível influência na formação de professores brasileiros num determinado momento histórico. professor-aluno. neste trabalho. sociedade-cultura. essa possível abordagem poderia igualmente ser denominada de didaticista. portanto que outras abordagens possam vir a ser sugeridas. metodologicamente. 92 Copyright © 2007. excluindo-se a discussão e/ou crítica de conceitos e/ou práticas didático-pedagógicas decorrentes. pela técnica de sistematização. e.Tal como a repercussão do Movimento da Escola Nova na prática educacional brasileira. optou-se.

o roteiro adotado implica: características gerais. de uma tentativa teórico-prática. Ao mesmo tempo. mesmo considerando este pluralismo podem-se detectar claramente opções predominantes no momento histórico considerado. diversas linhas teóricas coexistem como opção para um mesmo sujeito. pontos de contraste e convergência. SOBRE CONCEPÇÕES DE ENSINO Serão analisadas. de suas implicações. Esta prática. sociedade . Observa-se que na maioria das vezes. entre seus pressupostos e implicações. superá-la constantemente. a prática pedagógica. mundo. análise dos dez conceitos e considerações finais. comportamentais. dois deles podem ser destacados. pressupostos e determinantes. no sentido de que ele se conscientizasse de sua ação. de forma a que aspectos cognitivos. O que mais se espera. emocionais. a seguir. Do quadro geral dos resultados deste trabalho. deveria possibilitar ao futuro professor a análise do próprio fazer pedagógico. quaisquer que fossem elas. irá fornecer elementos para a compreensão do discurso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na análise de cada uma delas.estratégias e avaliações. além de interpretá-la e contextualizá-la. esta integração pressuporia repensar essas abordagens. técnicos e sócio-culturais pudessem ser considerados. Caso se procure uma articulação entre as abordagens disponíveis.U NIDADE 19 Objetivo: Estabelecer e analisar criticamente o quadro sobre as concepções de ensino levando em conta a visão de homem. 93 Copyright © 2007. em seus pontos de interseção e de contraste. limites. as cinco abordagens propostas. para que pudesse. poderá assumir o sentido de práxis. tal como aqui enfocada genericamente. em relação ao grupo de professores pesquisados. Dessa forma. por sua vez. pois. não é o domínio de uma ou mais abordagens. Um curso de formação de professores deveria possibilitar confronto entre abordagens. No entanto. mas de formas de articulação entre as mesmas e o fazer pedagógico do professor.

É interessante constatar que não predomina entre os professores uma visão tecnicista do processo educacional.O primeiro refere-se a pouca preferência por conceitos da abordagem comportamentalista. Abordagem Tradicional 94 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e o segundo. a escolha acentuada de afirmações relativas às concepções de abordagem cognitivistas.

Abordagem Comportamentalista 95 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Abordagem Humanista Abordagem Cognitivista .

Abordagem Sociocultural Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 97 .

o planejamento do ensino não pode perder de vista o tipo de homem que a sociedade pretende atingir através da educação para não incorrer-se na arbitrariedade educacional do ato educativo. Relembrando: o ato de planejar o ensino é um ato pedagógico. Os tipos de homem variam de acordo com as diferentes exigências das diferentes épocas". no tempo e no espaço. por Copyright © 2007. O ato de planejar o ensino é sempre um ato pedagógico.. A ação educativa quando consciente não poderá. PRÁTICA ESCOLAR: COMPONENTES BÁSICOS PLANEJAMENTO DE ENSINO: UM ATO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Planejar o ensino revela sempre uma intenção da prática educativa que se quer desenvolver para um grupo de homens . No entanto. p.. o tipo de homem que a escola pretende promover por meio de sua ação educativa estará sempre ligada à ". pois.30). "uma visão histórica da educação. distanciar-se dessa intenção política e. o ato pedagógico é um ato político. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 98 .U NIDADE 20 Objetivo: Conhecer as etapas necessárias para a elaboração de um planejamento de ensino e aplicá-las com eficácia nas práticas pedagógicas.educandos situados num determinado momento histórico. 1979. uma vez que este na sua essência é sempre intencional. mostra como esta esteve sempre preocupada em formar determinado tipo de homem. No entanto o ato de planejar que reflete a visão (verdadeira ou falsa) que o educador possui sobre o mundo social e o mundo educacional. nesse sentido podemos afirmar que o ato de planejar o ensino é sempre um ato político. por conseguinte. concepção que se tenha do homem e da interpretação que se faça do momento histórico (em) que vivemos" (Nidelcoff. Para Saviani.

São o planejamento. os objetivos propostos para a aula. a direção do ensino e da aprendizagem. etc. uma postura política. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 99 . de metodologias de ensino. O PLANEJAMENTO E A AÇÃO DO PROFESSOR Para que o professor possa atingir efetivamente os objetivos.. pois. e a dimensão educativa contida na dimensão política do ato educativo. é necessário que realize um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. uma vez que pensar a ação educativa é pensar a ação social. revelam sempre a postura educativa do educador que contém. Em outras palavras. cada uma delas desdobrada em tarefas ou funções didáticas. mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito. analisar e definir concretamente a dimensão política da ação educativa. Copyright © 2007. a serem desenvolvidos num conjunto de aulas. ligando-os aos objetivos de ensino das matérias. na etapa de planejamento. já é possível perceber a dimensão política da ação educativa a partir do momento em que se faz a previsão de conteúdos programáticos. a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação. Para o planejamento. àqueles que participam do planejamento de ensino. requer-se do professor:  Compreensão segura das relações entre a educação escolar e os objetivos sóciopolíticos e pedagógicos. só para citar um exemplo. ou seja. É por estas razões que. sempre e em todos os casos. de processos de avaliação de aprendizagem.conseguinte o ato de planejar o ensino não pode deixar de ser (conter) também um ato político. as atividades de aprendizagem. Cabe. em suma a prática educativa em todos os seus momentos. os conteúdos.

bem como dos métodos de investigação próprios da matéria. Copyright © 2007.  Capacidade de desmembrar a matéria em tópicos ou unidades didáticas. de selecionar os conteúdos de forma a destacar conceitos e habilidades que formam a espinha dorsal da matéria. conhecimento dos princípios gerais da aprendizagem e saber compatibilizá-los com conteúdos e métodos próprios da disciplina. características dos alunos.  Habilidade de expressar idéias com clareza. Domínio seguro do conteúdo das matérias que leciona e sua relação com a vida e a prática. a partir da sua estrutura conceitual básica.  Conhecimento das características sociais. técnicas e recursos auxiliares.  Conhecimento dos programas oficiais para adequá-los às necessidades reais da escola e da turma de alunos. falar de modo acessível à compreensão dos alunos partindo de sua linguagem corrente. culturais e individuais dos alunos. partindo das situações concretas da escola e da classe.  Conhecimento e domínio dos vários métodos de ensino e procedimentos didáticos.  Consulta a outros livros didáticos da disciplina e manter-se bem informado sobre a evolução dos conhecimentos específicos da matéria e sobre os acontecimentos políticos. domínio de métodos do ensino. a fim de poder escolhê-los conforme temas a serem tratados. bem como o nível de preparo escolar em que se encontram. culturais etc. a fim de poder fazer uma boa seleção e organização do seu conteúdo. procedimentos. Para a direção do ensino e da aprendizagem requer-se:  Conhecimento das funções didáticas ou etapas do processo de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 100 .

 Saber formar perguntas e problemas que exijam dos alunos pensarem por si mesmo.  Domínio de meios e instrumentos de avaliação didática. manifestar interesse sincero pelos alunos nos seus progressos e na superação das suas dificuldades.  Adoção de uma linha de conduta no relacionamento com os alunos que expresse confiabilidade. o uso adequado de cadernos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 101 . ensinar procedimentos para aplicar conhecimentos em tarefas práticas. seu nível de desenvolvimento. suas condições prévias para o estudo de matéria nova. seja em relação aos alunos. reais. traços que devem aliar-se à firmeza de atitudes dentro dos limites da prudência e respeito. Habilidade de tornar os conteúdos de ensino significativos. colher dados relevantes sobre o rendimento dos alunos.  Provimento de métodos de estudo e hábitos de trabalho intelectual independente: ensinar o manejo de livro didático. política e cultural.. Para a avaliação requer-se:  Verificação contínua do atingimento dos objetivos e do rendimento das atividades. para a participação democrática na vida profissional. para tomar decisões Copyright © 2007. experiências da vida que trazem. seja em relação ao trabalho do próprio professor. mostrar a importância da escola para a melhoria das condições de vida. verificar dificuldades. tirarem conclusão própria.  Conhecimento das possibilidades intelectuais dos alunos. referindo-os aos conhecimentos e experiências que trazem para a aula. régua etc.  Estimular o interesse pelo estudo. segurança. coerência. isto é. lápis.

Não pode exigir que os alunos adquiram um domínio sólido de conhecimentos se ele próprio não domina com segurança a disciplina que ensina. bem como das qualidades morais da personalidade para a tarefa de educar.  Conhecimento das várias modalidades de elaboração de provas e de outros procedimentos de avaliação de tipo qualitativo. dos requisitos profissionais específicos. Para além. A dimensão educativa do ensino que. reformulando-o quando os resultados não são satisfatórios.sobre o andamento do trabalho docente. implica que os resultados da assimilação de conhecimentos e habilidades se transformem em princípios e modos de agir frente à realidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . as mesmas expectativas que o professor tem em relação ao desenvolvimento intelectual dos alunos aplicam-se a ele próprio. isto é. também ele precisa desenvolver suas próprias qualidades de personalidade. em convicções. é preciso uma formação teórica e política que resulte em convicções profundas sobre a sociedade e as tarefas da educação. de aquisição de princípios norteadores da conduta. requerem do professor uma compreensão clara do significado social e político do seu trabalho. pois. das formas científicas de raciocinar e de hábitos de pensamento independente e criativo. Do mesmo modo se o professor encaminha o processo de ensino para objetivos educativos de formação de traços de personalidade. Evidentemente. não pode exigir dos alunos o domínio de métodos de estudo. Sociologia da Educação. De tomada de posição frente aos problemas da realidade. do caráter político-ideológico de toda educação. do papel da escolarização no processo de democratização da sociedade. Tal é o objetivo de disciplinas como Filosofia da Educação. 102 Copyright © 2007. se ele próprio não os detém. suas convicções. Estes são alguns dos requisitos de que necessita o professor para o desempenho de suas tarefas docentes e que formam o campo de estudo da Didática. como dissemos. História da Educação e outras.

ao mesmo tempo. os conteúdos da matéria de um modo mais abrangente. neles estão implicados interesses sociais diversos e muitas vezes antagônicos dos grupos e classes sociais. os acontecimentos. oferece uma contribuição indispensável à formação dos professores. dos discursos. Trata-se de um exercício de pensamento constante para descobrir as relações sociais reais que estão por detrás dos fatos.No seu trabalho cotidiano como profissional e como cidadão. os acontecimentos. a vida do dia-a-dia estão carregados de significados sociais que não são "normais". Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES. sintetizando no seu conteúdo a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino. mais globalizante. das formas de exercício do poder. assim. porque os fatos. É preciso desenvolver o hábito de desconfiar das aparências. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 103 . Copyright © 2007. A Didática. dos textos do livro didático. intimamente vinculado com a educação e. desconfiar da normalidade das coisas. provendo os conhecimentos específicos necessários para o exercício das tarefas. o professor precisa permanentemente desenvolver a capacidade de avaliar os fatos.

considerar para a realização da análise da escola (inserida sempre num determinado tipo de sociedade). a escola. município.). Essa análise. analisando a partir da realidade social e de forma abrangente (o cultural. etc. examinando suas partes sempre em relação ao todo. elite. o social.). o político. então. rede privada.U NIDADE 21 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial a partir da observação das etapas que compõem um planejamento de ensino. periferia. sobre o fenômeno educacional e ser realizada de forma global. Que elementos. urbana. pois. rural. constitui-se em etapa indispensável dessa atividade (educativa e política) que fornecerá pistas para o desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem. porém. tidos como essenciais? Vejamos alguns desses elementos: a) bairro da comunidade onde a escola está inserida (pobre. o econômico. deve ser preocupação prioritária dos educadores tratarem de entender a realidade social onde tal processo se viabiliza”. deve superar a “visão focalista” que a escola tem hoje. etc.). b) (entidade que mantém a escola: união. PLANEJAMENTO DE ENSINO E SUAS ETAPAS Escola e Comunidade Este momento parte da premissa. estado. ao conjunto de fatos que representa esse fenômeno. Copyright © 2007. nas suas relações com a realidade social para a qual o planejamento do ensino será desenvolvido. etc. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 104 . que: “se o processo educacional é social e politicamente determinado pelos atores que dirigem e organizam uma dada sociedade. e esta é a sua razão de ser. Analisar.

delinear outro fator relevante: as características de aprendizagem dos educandos que estão diretamente ligadas ao retrato sociocultural dos mesmos. não participativa.. Copyright © 2007. através do diálogo crítico.). ao mesmo tempo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 105 . etc.cultural dos educandos que freqüentam a escola e atingir concretamente a análise das contradições sociais do mundo dos educandos.. O envolvimento desses elementos é indispensável se quer chegar a uma proposta de ação educativa comprometida com o homem e o seu tempo. Cabe também. Assim. envolvendo o educador (e os demais educadores da escola . médicos.educadores que trabalham na mesma área de conhecimento e em áreas de conhecimentos afins). ambientais e humanos que a escola dispõe (em caráter afetivo. nesta etapa. Em termos metodológicos a estruturação de propostas de ação educativa pode ser desenvolvida através de diálogos crítico.c) sistema de administração adotado pela escola: administração participativa. pais e pessoas da comunidade onde a escola está inserida. eventual. e) recursos materiais. Neste momento é preciso superar a etapa de simples identificação do nível sócio – econômico . merenda.cultural do aluno reflete o seu mundo sócio . os educandos. É a partir dos resultados dessa análise (juntamente com a realizada no primeiro momento) que se inicia a estruturação de propostos de ação educativa. será possível coletar dados para análise do nível sócio .econômico do educando e. sua história e suas inquietações.cultural. Retrato sócio-cultural do educando O retrato sócio . etc. d) serviços oferecidos pela escola: pedagógicos. etc. concluir sobre o seu universo cultural.

Regina Célia Cazaux. pois. estruturereestruture. da especificidade do conteúdo em estudo e das suas relações com um mundo social. o ponto de partida do ato de planejar aulas. A percepção crítica da realidade sócio-educativa torna-se.problematizador constituir-se-à em elemento permanente no desenvolvimento e replanejamento de atividades educativas simultâneas.Também aqui a metodologia pode pautar-se a partir do diálogo crítico entre educador e educandos. mediado pelo diálogo . as características de aprendizagem do grupo. porém. além do retrato sócio . Faz-se necessário.cultural do aluno como parâmetro. tornando-se. que é o que caracteriza o ato educativo tido como concreto. o projeto de aprendizagem de sua disciplina. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 106 . O pensamento crítico e autocrítico. é o que se pretende com a metodologia (caminho) aqui sugerida. Superar e temporizar o conhecimento acadêmico veiculado pela escola e ir além da reprodução desse conhecimento. com características sempre intencionais. torna-se praticamente impossível ao educador determinar a atividade didática mais adequada para a área de conhecimento em estudo e para aqueles que intentam assimilá-las. Tema: O Planejamento da Ação Didática Copyright © 2007. juntamente com os educandos. assim. HAIDT. Curso de Didática Geral. não se esquecendo. Tal procedimento torna-se de máxima importância uma vez que sabemos que o processo de aprendizagem é um fenômeno altamente internalizado e. São Paulo: Ática. que o educador consciente das metas reais da educação. 2006. sem o auxílio do próprio aluno.

como vamos fazer. o que e como devemos analisar a situação. O plano é o resultado. o que vamos fazer. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 107 . 1. planejar é uma atividade tipicamente humana. Planejar consiste em prever e decidir sobre:      “que pretendemos realizar. a culminância do processo mental de planejamento.U NIDADE 22 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial a partir da observação das etapas que compõem um planejamento de ensino.1 TIPOS DE PLANEJAMENTO Na esfera da educação e do ensino. que variam em abrangência e complexidade: Copyright © 2007.A DISTINÇÃO ENTRE O PLANEJAMENTO E PLANO O planejamento é um processo mental que supões análise. nos mais variados momentos. O PLANEJAMENTO DA AÇÃO DIDÁTICO PEDAGÓGICA: 1. há vários níveis de planejamento. o que e como devemos fazer. Nesse sentido. reflexão e previsão. e está presente na vida de todos os indivíduos. a fim de verificar se o que pretendemos foi atingido”.

levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis. para o bom funcionamento da escola. características da clientela escolar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 108 . para delimitar suas dificuldades e prever alternativas de solução. Consiste no processo de análise e reflexão das várias facetas de um sistema educacional. Reflete a política de educação adotada. Suas etapas são: 1. Copyright © 2007.a) planejamento de um sistema educacional. tanto pedagógicas como administrativas que devem ser executadas por toda a equipe escolar. estadual e municipal.  planejamento de unidade didática ou de ensino. Sondagem e diagnósticos da realidade da escola: características da comunidade.  planejamento de aula. Planejamento escolar É o processo de tomada de decisão quanto aos objetivos a serem atingidos e a previsão das ações. b) planejamento geral das atividades de uma escola. c) planejamento de currículo. Planejamento de um sistema educacional É feito em nível sistêmico nacional. d) planejamento didático de ensino:  planejamento de curso.

4. a. recuperação. Proposição da organização geral da escola no que se refere a: b. 2. Elaboração de plano de curso contendo as programações das atividades curriculares. com a definição dos objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada componente e o professor deverá distinguir. d. corpo docente. equipe pedagógica. ao elaborar um currículo. dos conteúdos carentes de significados e de funcionalidade. c. reposição de aulas. 3. funcionais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 109 . definição do sistema de avaliação. de mera informação sem outro objetivo que o de ser memorizado por tanto tempo quanto possível. corpo discente. Atribuição de funções a todos os participantes da equipe escolar: direção. equipe administrativa. 5. Definição dos objetivos e prioridades da escola. compensação de ausência e promoção dos alunos. os conteúdos significativos. critérios de agrupamento dos alunos. Planejamento Curricular É a previsão dos diversos componentes curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso. Elaboração do sistema disciplinar da escola. calendário escolar. e.avaliação da escola como um todo no ano anterior. quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do currículo. contendo normas para a adaptação. Copyright © 2007. equipe de limpeza e outros.

refletir sobre os recursos disponíveis. Planejamento de aula Copyright © 2007. visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos. prever e escolher os recursos de ensino mais adequados para estimular a participação dos alunos nas atividades de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 110 .    selecionar e estruturar os conteúdos a serem assimilados. prever e organizar os procedimentos do professor. Planejamento de Unidade Didática ou de Ensino. Planejar é:    analisar as características da clientela.O plano curricular deve seguir normas emanadas do CFE( Conselho Federal de Educação). definir os objetivos educacionais considerados mais adequados para a clientela em questão. Planejamento Didático ou de Ensino É a previsão das ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos. CEE(Conselho Estadual de Educação). e a organização das atividades discentes e das experiências de aprendizagem.  e prever os procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos. Tipos de Planejamento de Ensino    Planejamento de Curso/Programa de Ensino.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 111 . durante um certo período de tempo. Estabelecer as atividades e procedimentos de ensino e aprendizagem adequados aos objetivos e conteúdos propostos. Levantar dados sobre as condições dos alunos. Propor objetivos gerais e definir os objetivos específicos a serem atingidos durante o período letivo estipulado.Planejamento de Curso É a previsão dos conhecimentos a serem desenvolvidos e das atividades a serem realizadas em uma determinada classe. É um desdobramento do plano curricular. 2. geralmente durante o ano ou semestre letivos. Indicar os conteúdos a serem desenvolvidos durante o período. Segue a seguinte orientação: 1. 4. 5. Escolher e determinar as formas de avaliação mais coerentes com os objetivos definidos e os conteúdos a serem desenvolvidos. Copyright © 2007. 6. fazendo uma sondagem inicial. 3. Selecionar e indicar os recursos a serem utilizados.

jornais. Ao planejar uma aula o professor:  prevê os objetivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . define os procedimentos de ensino e organiza as atividades de aprendizagem de seus alunos (individuais e em grupo). constituindo uma porção significativa da matéria. atitudes). 112 Copyright © 2007. habilidades. facilitar a compreensão e estimular a participação dos alunos.   especifica os itens e subitens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula.U NIDADE 23 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial a partir da observação das etapas que compõem um planejamento de ensino.  indica os recursos (cartazes.  estabelece como será feita a avaliação das atividades. AINDA FALANDO SOBRE O PLANEJAMENTO DA AÇÃO DIDÁTICO PEDAGÓGICA: Planejamento de Unidade “Reúne várias aulas sobre assuntos correlatos. mapas. livros. objetos variados) que vão ser usados durante a aula para despertar o interesse. que deve ser dominada em suas inter-relações”. Planejamento de Aula O professor especifica e operacionaliza os procedimentos diários para a concretização dos planos de curso e unidade.

as necessidades suscitadas pelo momento histórico . porém. adequar o trabalho didático aos recursos disponíveis e às reais condições dos alunos. Não se trata. A intenção da aula (objetivo – conteúdo) Os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos de uma disciplina são definidos num só momento e devem se repensados (crítica e autocrítica) durante todo o desenvolvimento do curso. superar dificuldades. controlar a improvisação. adequar os conteúdos. Copyright © 2007.A função do Planejamento das Atividades Didáticas Contribui para:    atingir os objetivos desejados. como se verá.  garantir a distribuição adequada do trabalho em relação ao tempo disponível. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 113 .    evitar a repetição rotineira e mecânica de cursos e aulas. de simplesmente listar uma série de tópicos para estudos com seus respectivos objetivos de aprendizagem. Tem função de:  prever as dificuldades que podem surgir durante a ação docente. a seguir.planejador. Também nesta etapa.cultural que escola e sociedade estejam vivendo não podem ser ignoradas pelo educador . para poder superálas com economia de tempo. as atividades e os procedimentos de avaliação aos objetivos propostos.

concreta. não se esquecendo de seu elemento substancial.conteúdo deve superar seu enfoque acadêmico. Para que essa superação ocorra a escola necessita trabalhar o objetivo . A realidade concreta nada mais é do que a realidade sócio-educacional em transformação onde a escola e os educandos estão inseridos. ser esquecida. Esse contexto deve ser uma realidade concreta e não uma pseudo-realidade. em hipótese alguma.contexto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 114 . no sentido de uma contínua aproximação de uma aprendizagem que atenda às necessidades da comunidade social.É muito mais que isso. Um objetivo . em uma busca inacabada à sua transformação. Quando o planejamento de ensino é realizado de forma não participativa. Um objetivo de ensino concreto só tem valor se ligado a um conteúdo programático também concreto. Daí a ligação "fins-pedagógicos e fins-sociais" ser um ato relevante a considerar na definição dos objetivos e dos conteúdos do ensino. A realidade sócio-cultural e econômica não pode. Além da ordenação vertical. buscando . Copyright © 2007. de forma clara e objetiva.concreto quando está diretamente relacionado a um contexto social determinado. a única recomendação universalmente válida sobre o polêmico tema da formulação (redação) de objetivos de ensino é que os mesmos sejam comunicados (e aqui não importa a forma) àqueles que participam da aula ou atividade didática. faz-se necessário que o objetivo conteúdo procure evidenciar as contradições do próprio sistema social vigente. problematizando e questionando. ou seja.conteúdo de forma significativa . A unidade objetivo .conteúdo é significativo . Não deve existir dicotomia entre aquilo que se propõe a alcançar em termos de operações mentais e atividades e o conhecimento a ser assimilado. dando-se a relação dialética texto . seu conteúdo (concreto) que estará sempre ligado a uma operação mental que leve o educando ao desvelamento do conhecimento de forma crítica e criativa. da logicidade e da inter-relação da estrutura da matéria de ensino a ser desenvolvida.

.. proporcionará meios para a assimilação de conhecimentos que contribuirão para que essas transformações ocorram de modo mais constante... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 115 . “Toma partido ao lado da luta por um mundo melhor”. O domínio do conhecimento de forma precisa e profunda é ponto de partida para o crescimento pessoal e condição essencial para a intervenção no educacional e no social. Objetivos: Geral Específico 2. independente e competente. Revela a não completeza onde a completeza é afirmada. O principal objetivo da crítica deve ser o do pensamento crítico torna-se a precondição para a liberdade humana. A noção de dialética é critica por revelar as insuficiências e as imperfeições dos sistemas de pensamento 'acabados'. Como uma forma de crítica. que domine um corpo de conhecimentos que reflita a problematicidade do contexto social e da ciência e que contribua para a libertação de seus semelhantes... Encerramento Copyright © 2007. MODELO DE PLANO DE AULA Instituição: Curso: Disciplina: Período/Semestre/Ano: Professor: 1. desvela valores que são freqüentemente negados pelo objeto social sob análise. O pensamento dialético parece ser uma das maneiras consistentes que o educador e educando podem usar para que essa inserção crítica faça parte no papel da escola. O pensamento dialético liga-se tanto à crítica como à reconstrução teórica.. todo objetivo de aprendizagem (operação mental + conteúdo programático concreto + realidade social) deve-se preocupar com o objetivo maior de todo sistema educacional: proporcionar meios para a formação do homem crítico e criativo.. Estratégias 4.Assim. Desenvolvimento: 3. A inserção crítica do educador e do educando na realidade. em contraposição à inserção alienante. poder e dominação. O pensamento dialético argumenta que há um vínculo entre conhecimento. Avaliação: 5.

Dar uma boa aula mistura disposição. 5. Sugestões para uma boa aula:    Use os fatos do cotidiano. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 116 . Esteja pronto para mudar. Manter o interesse ao longo da aula. talento. uma enorme dose de planejamento. Faça a turma trabalhar. Verificar se o conteúdo está sendo assimilado pela classe. Copyright © 2007. 3. Despertar o interesse da turma para o assunto a ser ensinado. sensibilidade. adequação á realidade dos alunos e. 4. especialmente. Avaliar a cada momento o aprendizado dos alunos. 2. (Josiane Lopes) Para dar uma boa aula é preciso superar alguns desafios. Adequar a aula à personalidade da classe. São eles: 1.Ponha algo mais em sua aula: Os especialistas avisam: entrar na sala e tentar dar uma aula de improviso não leva a lugar nenhum.

Objetivos Educacionais (ou gerais) São proposições gerais sobre mudanças comportamentais desejadas. A importância dos Objetivos: O professor precisa determinar de início o que o aluno será capaz de fazer ao final do aprendizado. II. A definição dos objetivos tem um caráter norteador da atenção do professor no processo de interação com o aluno. Copyright © 2007. que serão atingidos gradativamente no processo de ensino-aprendizagem. Se o professor não define os objetivos. Objetivos Instrucionais: São proposições específicas sobre mudanças no comportamento dos alunos. NIDADE 24 Objetivo: Compreender a importância dos objetivos nas ações de planejamentos e organização didática. Tipos de Objetivos Os objetivos podem ser Educacionais ou Instrucionais. não pode avaliar de maneira objetiva o resultado de sua atividade de ensino e não tem condições de escolher os procedimentos de ensino mais adequados. Decorrem de uma filosofia da educação e surgem do estudo da sociedade contemporânea e do estudo da sociedade contemporânea e do estudo sobre o desenvolvimento do aluno e sobre os processos de aprendizagem.U I. b. A isso se chama definir objetivos. a. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 117 .

instrumentos ou máquinas. isto é. até idéias. Segundo Bloom “a formulação de objetivos tem por finalidade classificar o professor. às habilidades para manipular materiais. sindicatos e outros. em sua própria mente. Funções dos Objetivos Instrucionais. Ex: Conhecer os princípios essenciais envolvidos na aprendizagem. compreendendo desde simples informações e conhecimentos intelectuais. Alguns autores utilizam a palavra taxionomia (do grego táxis = ordem e nómos = lei) para indicar essa classificação. O domínio afetivo Refere-se aos valores. igrejas. O domínio cognitivo Refere-se à razão. ii.” Orientar o professor na escolha dos demais componentes de um sistema de organização de ensino Copyright © 2007. i.Os objetivos educacionais e instrucionais. ás apreciações e aos interesses. iii. objetos. habilidades mentais de análise e aos interesses. princípios. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 118 . ou comunicar a outros as mudanças desejadas no aprendiz. Ex:Valorizar a função social das diferentes instituições da comunidade: escolas. a inteligência e a memória. Domínio Psicomotor Refere-se as habilidades operativas ou motoras. III. ás atitudes. afetivo ou psicomotor. Ex: Moldar um boneco de barro ou consertar um relógio. por sua vez podem referir-se aos domínios cognitivo.

b) Focalizar o comportamento do aluno e não do professor. Quando as palavras usadas para exprimir um objetivo são ambíguas e imprecisas. Objetivos Gerais: Eles são úteis no delineamento inicial de um curso e tem o seu valor como objetivos a serem atingidos a longo prazo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 119 . O objetivo específico não se refere ao comportamento do professor. Ele descreve o comportamento que se espera observar no aluno em decorrência da experiência educativa que lhe é proporcionada. pouco ou nada contribuindo para o trabalho didático. mas o do educando. isto é. ele se torna vago e obscuro. Um objetivo bem definido torna mais fácil a tarefa do professor de selecionar as atividades docentes e discentes. Para que possam realmente nortear a ação de professores e alunos. Sugestões que podem auxiliar o professor na elaboração dos objetivos educacionais: a) Desdobrar os objetivos gerais em vários objetivos específicos. desdobrados ou decompostos em comportamentos observáveis. É aconselhável que cada objetivo específico seja elaborado de modo a incluir apenas um resultado de aprendizagem por vez e não uma combinação de vários resultados ao mesmo tempo. no final do processo educativo. a serem alcançados em curto prazo. Sugestões para definir objetivos específicos.IV. que sirvam de parâmetros para o processo ensino-aprendizagem. os Objetivos gerais devem ser operacionalizados. A linguagem usada para expressar um objetivo específico deve ser clara e precisa. c) Formular cada objetivo de modo que ele descreva apenas um comportamento por vez. Copyright © 2007.

e se torna. que envolvam não apenas conhecimento (memorização de informação). o critério de avaliação. principalmente. d) Formular objetivos instrucionais relevantes e úteis. isto é. valorizando os mecanismos mais complexos do pensamento. mas também. ele próprio. habilidades cognitivas e operações mentais superiores. os processos mentais superiores. Os objetivos instrucionais não devem dar ênfase apenas ao conhecimento de fatos específicos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 120 . e principalmente. ele se identifica com o conteúdo. Copyright © 2007. mas devem focalizar.Quando o objetivo específico descreve apenas um comportamento por vez.

na prática cotidiana de sala de aula. Claudino Piletti. pensar e agir. sob a forma de experiências educativas. É sobre ele que se apóia a prática das operações mentais. Mas os conteúdos são importantes à medida que constituem a tessitura básica sobre o qual o aluno constrói e reestrutura o conhecimento. um processo de aquisição de novos modos de perceber. NIDADE 25 Objetivo: Conhecer os procedimentos para selecionar e organizar conteúdos curriculares Seleção e organização dos conteúdos Curriculares. Ele diz que o conteúdo é importante porque “a aprendizagem só se dá em cima de um determinado conteúdo. e também trabalha. em detrimento do conteúdo a ser ensinado. O movimento da Escola Nova. mas também as experiências educativas no campo desse conhecimento. no seu livro Didática geral.. desenvolvendo hábitos e habilidades e trabalhamos as atitudes. podemos dizer que. tenta conciliar essas duas posições.. (.) Convém lembrar que o conteúdo não abrange apenas a organização do conhecimento. ser.É através do conteúdo e das experiências de aprendizagem que a escola transmite de forma sistematizada o conhecimento. Isto posto.U I.É por meio dos conteúdos que transmitimos e assimilamos conhecimentos. É. Convém lembrar que a aprendizagem não é apenas um processo de aquisição de novas informações. a nosso ver. em oposição à escola tradicional. aprende alguma coisa. valorizou mais os métodos e as técnicas de ensino. antes de mais nada. Quem aprende. os valores tidos como desejáveis na formação das gerações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 121 . o conteúdo é conhecimento sistematizado e organizado de modo dinâmico. Copyright © 2007. devidamente selecionadas e organizadas pela escola. mas é também por meio do conteúdo que praticamos as operações cognitivas. A importância do conteúdo.

de acordo com o seu nível de operacionalização: a. Em segundo lugar. de acordo com o nível de desenvolvimento e as aprendizagens anteriores dos alunos. definindo os conceitos básicos e as habilidades fundamentais a serem desenvolvidos. isto é. Esse plano operacionaliza as diretrizes curriculares do sistema de ensino e especifica os objetivos e conteúdos da ação educativa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 122 . em primeiro lugar. Programa escolar oficial É o guia que traça em linhas gerais os fins e os conteúdos da ação educativa para um determinado grau de ensino. Validade Deve haver uma relação clara e nítida entre os objetivos a serem atingidos com o ensino e os conteúdos trabalhados. Critérios para a seleção de conteúdos Existem duas modalidades de organização do conteúdo.Portanto. os conteúdos são válidos quando há uma atuação dos conhecimentos do ponto de vista científico. Programa pessoal de cada professor. II. mensal ou semanal. o professor deve basear-se nos seguintes critérios: i. Ao selecionar os conteúdos a serem ensinados. Copyright © 2007. É o plano de ensino de cada professor. de acordo com as reais condições de cada classe. os conteúdos são válidos quando estão inter-relacionados com os objetivos educacionais propostos. é através do desenvolvimento dos conteúdos programáticos que atingimos os objetivos propostos para o processo instrucional. b. Portanto. que pode ser anual.

O conteúdo selecionado deve respeitar o grau de maturidade intelectual do aluno e estar adequado ao nível de suas estruturas cognitivas. iii. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A Organização do conteúdo Os conteúdos devem apresentar uma seqüência. a fim de ajudá-los ou adaptá-los às reais condições. suprimindo itens ou acrescentando novos tópicos. III. Significação Um conteúdo será significativo e interessante para o aluno quando estiver relacionado ás experiências por ele vivenciadas. É a organização vertical do currículo. v. Os conteúdos curriculares são considerados úteis quando estão adequados ás exigências e condições do meio em que os alunos vivem satisfazendo suas necessidades e expectativas. 123 Copyright © 2007.ii. A ordenação dos conteúdos é feita em dois planos: a) No plano temporal. Flexibilidade O critério de flexibilidade estará sendo atendido quando houver possibilidade de fazer alterações nos conteúdos selecionados. Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno. Devem também se reforçar mutuamente. dispondo os conteúdos ao longo das séries. necessidades e interesses do grupo de alunos. Isto é conseguido através da organização do conteúdo. iv. Utilidade O critério de utilidade está presente quando há possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido em situações novas.

tal como podem aparecer ao aluno.   Partir de situações-problema vinculadas à realidade do aluno. mas a transcende. A seqüência está relacionada com a continuidade.b) No plano de uma mesma série. O princípio Psicológico Indica as relações. a seqüência e a integração. tais como são vistas por um especialista na matéria. Fazer a relação dos novos conteúdos transmitidos com os conhecimentos e as experiências anteriores doa alunos. visando garantir a unidade do conhecimento. A continuidade e a seqüência estão relacionadas à ordenação vertical. A continuidade refere-se ao tratamento de um conteúdo repetidas vezes em diferentes fases de um curso. Há três critérios orientadores básicos na organização dos conteúdos: a continuidade. Copyright © 2007. É a organização horizontal do currículo. A integração está ligada à ordenação horizontal e se refere ao relacionamento entre diversas áreas do currículo. Portanto. ao organizar os conteúdos para desenvolvê-los na sala de aula. cabe ao professor:  Considerar o nível de desenvolvimento dos alunos. Além desses critérios. O princípio lógico estabelece relações entre seus elementos. há dois princípios básicos que necessitam ser considerados na ordenação dos conteúdos: o lógico e o psicológico.  Sistematizar as idéias principais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 124 . fazendo a relação de uma área com a outra. levando em conta suas estruturas cognitivas e as de aprendizagens anteriores. dando condições para que os alunos possam organizar e aplicar os conhecimentos assimilados.

que por sua vez. tentar mostrar um encaminhamento que possibilite uma transformação desta situação. traduzindo em prática pedagógica. em seguida.ingênua e inconscientemente . é certo que o atual exercício da avaliação escolar não está sendo efetuado gratuitamente. Deste delineamento inicial. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 125 . traduz uma concepção teórica da sociedade. de forma mais orgânica e adequada. estando deste modo delimitadas pela teoria e pela prática que as circunstancializam.como se ela não estivesse a serviço de um modelo teórico de sociedade e da educação. esta análise e subseqüente proposição de um modo de agir que possa significar um avanço para além dos limites dentro dos quais se encontra demarcada hoje a prática da avaliação educacional em sala de aula. hoje. O que poderá estar ocorrendo é que. AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: PARA ALÉM DO AUTORITARISMO Pretendemos ordenar e sistematizar. que nada mais é do que uma concepção teórica da educação. mas sim dimensionada por um modelo teórico do mundo e da educação. como se ela fosse uma atividade Copyright © 2007. importa estarmos cientes de que a avaliação educacional em geral e a avaliação da aprendizagem escolar em específico. Deste modo. são meios e não fins em si mesmos. Está a serviço de uma pedagogia. Para compreender adequadamente o que aqui vamos propor. Nesta perspectiva do entendimento. se esteja exercitando a atual prática da avaliação da aprendizagem escolar . entendemos que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual.U NIDADE 26 Objetivo: Compreender a avaliação como uma relação dialética de reconstrução de saberes possibilitando momento de pesquisa e aprendizagem significativa. emerge o objetivo principal deste estudo que será desvendar a teia de fatos e aspectos patentes e latentes que delimitam o fenômeno que analisamos e.

Por último. está a serviço de uma pedagogia dominante que. teremos que. tomada in genere. situaremos a avaliação educacional escolar dentro dos modelos pedagógicos para a conservação e para transformação. A prática escolar predominante hoje está se dando dentro de um modelo teórico da compreensão que vê a educação como um mecanismo de conservação e reprodução da sociedade. está a serviço de um modelo social dominante. Tomando por base esta tessitura introdutória. necessariamente. Em primeiro lugar. para propor o rompimento dos seus limites. Copyright © 2007. genericamente. nascido da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminaram na Revolução Francesa. hoje. Num segundo momento. como veremos. O autoritarismo. faremos algumas indicações de saída desta situação. apostamente colocar a avaliação escolar a serviço de uma pedagogia que entenda e esteja preocupada com a educação como mecanismo de transformação social. temos que. que. Estando a atual prática da avaliação educacional escolar a serviço de um entendimento teórico conservador da sociedade e da educação. a partir do entendimento da educação como instrumento da transformação da prática social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 126 . tentando desocultar suas latências autoritárias e conservadoras. o nosso trabalho desenvolver-se-á nos três passos consecutivos a seguir discriminados. pode ser identificado como modelo social liberal conservador. daí a prática da avaliação manifestar-se autoritária. que é o que nos propomos fazer. situá-la num outro contexto pedagógico.neutra. ou seja. por sua vez. é elemento necessário para a garantia deste modelo social. analisaremos a fenomenologia da atual prática de avaliação escolar. CONTEXTOS PEDAGÓGICOS PARA A PRÁTICA DA AVALIAÇÃO EDUCACIONAL A avaliação da aprendizagem escolar no Brasil. Postura esta que indica uma defasagem no entendimento e na compreensão da prática social.

a nossa sociedade prevê e garante (com os percalços conhecidos de todos nós) os direitos do cidadão de igualdade e liberdade perante a lei. porém desde que se instalara vitoriosamente no poder. não se podem resumir à reprodução de conhecimentos de forma puramente acadêmica memorizar para depois repetir e. Ação: reflexão. buscar sua auto-realização pessoal. Cada indivíduo (esta é outra categoria fundamental do pensamento liberal) pode e deve. No entanto. Copyright © 2007. com o movimento de 1789. As atividades de aprendizagem. os ideais e os caracteres do entendimento liberal que nortearam as ações revolucionárias da burguesia. assim como as intenções da aula. sim..conteúdos na disciplina em estudo. na medida em que se unira ás camadas populares na luta contra os privilégios da nobreza e do clero feudal. Aqui a participação dos educandos também é imprescindível uma vez que são eles os principais interessados na assimilação e redescoberta dos objetivos . ação. na França.A burguesia fora revolucionária em sua fase constitutiva e de ascensão. O "como" desenvolver o objetivo-conteúdo não é tarefa que cabe exclusivamente ao educador. com seu próprio esforço. através da conquista e do usufruto da propriedade privada e dos bens.. tornara-se reacionária e conservadora tendo em vista garantir e aprofundar os benefícios econômicos e sociais que havia adquirido. livremente. permaneceram e hoje definem formalmente a sociedade que vivemos. os entendimentos. faz-se necessário saber como colocá-los em ação. caminhar no sentido de atingir a produção do conhecimento ou no sentido da redescoberta ou redefinição do mesmo. Assim. ou atividade de aprendizagem Estabelecidos os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos. contando com a formalidade da lei. com vistas à transformação do modelo social vigente na época. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 127 .

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Estar em estado de desequilíbrio.. ser resumido na seguinte premissa: "Pensar para repensar. e. necessita também. Na prática. A aprendizagem escolar é. sim verificar (analisar. a 128 Copyright © 2007. (inacabada. do que seja educação. observem-se para simples constatação. Avaliar. desafiar e desequilibrar o educador e a própria verdade (corpo de conhecimentos da disciplina em estudo nas suas relações com a realidade sócio . porém. Para se avaliar concretamente a aprendizagem escolar é preciso que a própria escola redefina sua visão atual.Para que essa atividade atinja o seu verdadeiro nível de significância. historicamente determinada). toda atividade de aprendizagem além de desafiar e desequilibrar o educando. avaliada sistematicamente de dois em dois meses. o que se observa é justamente o contrário. O objetivo maior deste momento do processo educacional pode. concreta. enfim. Portanto. do que seja também o homem educado. assim. conhecimento. a realidade social em desenvolvimento. onde o pensar para repensar é o início de toda a ação que se preocupa com o agir depois do pensar para repensar. das idéias do educador. problematizar) a produção do conhecimento. torna-se necessário a introdução do elemento mediador indispensável. na maioria das escolas. repensar para agir. diretrizes e documentos legais para avaliação da aprendizagem.. compreender a verdade) como inacabada (o mundo social e o mundo educacional estão em constante movimento). cuja finalidade objetiva e material será transformar algo situado a partir do agir". portanto. entre outros conceitos.cultural em desenvolvimento).. Todo e qualquer educador defende a idéia de que a avaliação da aprendizagem escolar deve ser encarada como um processo. Toda atividade de aprendizagem deve se constituir num desafio e num desequilíbrio permanente. no sentido pedagógico que aqui se lhe está sendo dado. etc. representa trabalhar a verdade (sentir. não significa verificar "o que ficou" em nível de reprodução de conhecimentos do livro. da reprodução que o educador faz durante as aulas. avaliação. aprendizagem.. as normas. ou seja. agir para transformar.

a partir de critérios pré-estabelecidos.redefinição pessoal. por exemplo.educacional em desenvolvimento. que encontramos nos manuais e que é adequada. se ele detém o conhecimento do raciocínio matemático com adequação. Pretende-se. para aceitá-lo ou para transformá-lo. O juízo emergirá dos indicadores da realidade que delimitam a qualidade efetivamente esperada do objeto. ela é um juízo de valor. esse julgamento se faz com base nos caracteres relevantes da realidade. a saber. tendo em vista uma tomada de decisão. não será observando condutas sociais do educando que virei. fator que implica numa tomada de posição a respeito do mesmo. Portanto o julgamento. A definição mais comum. que significa uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto. evidentemente. não será inteiramente subjetivo. é preciso tomar os indicadores específicos do conhecimento e do raciocínio matemático. o posicionamento e a postura do educando frente às relações entre o conhecimento existente numa determinada área de estudo e a realidade sócio . estipula que a avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 129 . apesar de qualitativo. o objeto avaliado será tanto mais satisfatório quando mais se aproximar do ideal estabelecido e será menos satisfatório quanto mais distante estiver da definição ideal. a seleção dos "sinais" que fundamentarão o juízo de valor dependerá da finalidade a que se destina o objeto que deverá ser avaliado. E. MANIFESTAÇÃO DO AUTORITARISMO NA AVALIAÇÃO A avaliação pode ser caracterizada como uma forma de ajustamento da qualidade do objeto avaliado. Em segundo lugar. Para o caso. Copyright © 2007. Em primeiro lugar. avaliar a aprendizagem de matemática. como protótipo ou como estágio de um processo. São os "sinais" do objeto que eliciam o juízo.

Ou seja. o julgamento de valor por sua constituição mesma. É no contexto destes três elementos que compõem a compreensão constitutiva da avaliação que. contudo. A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico. ela será um momento dialético de "senso" do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva que está colocada como ponto a ser atingido à frente. a nosso ver. o julgamento de valor que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado. a transformação da função da avaliação de diagnóstica em classificatória foi péssima. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . etc. o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do professor é o terceiro: a tomada de decisão. A função classificatória subtrai da prática da avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação. e. Porém. do crescimento para a autonomia. Como diagnóstica. do crescimento para a competência. a avaliação constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. julgado e 130 Copyright © 2007. ela constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação. mas não menos significativos. O educando. como sujeito humano é histórico. ao contrário. desemboca num posicionamento de "não-indiferença".Em terceiro lugar. dizendo. como deveria ser construtivamente. o que significa obrigatoriamente uma tomada de posição sobre o objeto avaliado. uma tomada de decisão quando se trata de um processo. um dos arbitrários da autoridade pedagógica. pode se dar e normalmente se dá o arbitrário da autoridade pedagógica. como é o caso da aprendizagem. Ou seja. com a função diagnóstica. Na prática pedagógica. na prática escolar. Com a função classificatória. passa a ter a função estática de classificar um objeto ou ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. Do arbitrário da tomada de decisão decorrem e se relacionam arbitrários menores. a avaliação conduz a uma tomada de decisão. quando ela está avaliando uma ação. Qualquer um dos três elementos pode ser perpassado pela posição autoritária. ou melhor.

são substituídos pelo autoritarismo do professor e do sistema social vigente por dados que permitem o exercício do poder disciplinador. a avaliação é descaracterizada. surgem as questões para “pegar os despreparados. HAIDT. Copyright © 2007. São frases que ouvimos constantemente nas “salas dos mestres”. A gama conservadora da sociedade permite que se faça da avaliação um instrumento nas mãos do professor autoritário para hostilizar os alunos.. na avaliação. assume a postura de poder exigir a conduta que quiser quaisquer que sejam. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 131 . que sustentariam a objetivação do juízo de valor. assim por diante. em definitivo. evidentemente. Os dados relevantes. Sendo a “autoridade”. Dica de Leitura: 2006. mais uma vez. E. Então.Curso de Didática Geral. pois que se transformam em documentos legalmente definidos. aparecem as “armadilhas” nos testes. ele ficará. exigindo-lhes condutas as mais variadas até mesmo as plenamente irrelevantes. do ponto de vista do modelo escolar vigente. nascem os testes para “derrubar todos os indisciplinados”“.classificado.. E assim. Regina Célia Cazaux. pois as anotações e registros permanecerão. na sua constituição ontológica.São Paulo:Ática. estigmatizado. para o resto da vida. nos arquivos e nos históricos escolares.

de uma direção estratégica.U NIDADE 27 Objetivo: Conhecer as modalidades de ensino –aprendizagem como facilitadoras de tomada de ações eficazes. mediante uma constante busca de possibilidades e Copyright © 2007. determinação de ajustes.Planejar .  Retro alimentar: verificação e avaliação dos efeitos da realização do trabalho planejado. interação escolacomunidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 132 . Educar segundo o planejado. que necessita tomar decisões antecipadas e pode resumir-se no cumprimento das seguintes etapas: Diagnosticar .Fazer . variáveis incontroláveis. táticas e estruturas organizativas metodológicas. O núcleo central do planejamento estratégico é o trabalho metodológico. organização do sistema.  Fazer: execução da estratégia de ensino-aprendizagem concebida. mudanças e recomendações.  Planejar: definição de métodos e recursos. definição de situações problemáticas. estado real e alternativas de desenvolvimento. É uma forma qualitativamente superior de direção educacional. Este é um processo orientado a manter um equilíbrio dinâmico entre a organização e o contexto. estrutural do entorno. Etapas do planejamento estratégico:  Diagnosticar: análise contextual. é a manifestação no plano didático. conformação de estratégias. MODALIDADES DE ENSINO-APRENDIZAGEM O trabalho do docente em sua essência implica um planejamento estratégico.Retro alimentar. Definição do plano de ação. o que vale dizer.

O princípio elementar e básico é que toda aprendizagem sempre se move do conhecido para o desconhecido. procuro resgatar o papel ativo dos agentes envolvidos. FORMAÇÃO DO PROFESSOR: APRENDIZADO CRÍTICO DENTRO DA PRÓPRIA PRÁTICA. objeto de estudo da didática. como e para que os estudantes aprendam. a fim de saber o que. Copyright © 2007. A formação do professor quer em nível de Ensino Médio. Elaborar ou planejar uma estratégia de ensino-aprendizagem deve ter como preocupação a etapa diagnóstica e a partir dela desvendar o estado inicial real e as alternativas de desenvolvimento. interesses e necessidades práticas das classes trabalhadoras. ampliação e reconhecimento dos esquemas cognoscitivos dos sujeitos de aprendizagem. tem sido alvo de minhas preocupações em mais de vinte anos de magistério. Assim. Nos últimos dez anos. quer em nível de graduação e pósgraduação. venho desenvolvendo e investigando um processo de ensino de didática que coloca os agentes. Desse modo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 133 . é um desafio. A partir das estratégias de ensino se faz uma previsão da modificação. a preocupação central dos trabalhos de ensino e pesquisa tem sido o estudo de uma proposta para o ensino de Didática que se articula com a prática das escolas tendo em vista a lógica. Ultrapassar o nível da crítica e propor mudanças concretas no processo de ensino.recursos para adotar estratégias de ensino. o que abarca a identificação das estruturas de conhecimento que já possuem os alunos. Durante todo esse tempo tenho percorrido caminhos diversos tentando contribuir significativamente na formação desses profissionais. refletindo acerca dele e sistematizando-o coletivamente. tendo em vista a unidade entre teoria e prática. (professor e/ou futuro professor) vivenciando o processo.

em primeiro lugar. parto de dois pressupostos básicos. Processo metodológico Fundamentado no materialismo histórico. mas pautar-se na vivência. alterações na direção pretendida. presente no trabalho do professor. decorrente de contradições no nível dos processos sociais. o que importa não é a crítica. reflexão e sistematização coletiva do conhecimento. buscando. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 134 . portanto. a dialética materialista sustenta que o conhecimento se dá na e Copyright © 2007. compreendê-la. no processo dialético. Em primeiro lugar. então. explicitados e estruturados teoricamente. o processo metodológico implica em assumir a postura de não “falar sobre” o conhecimento. finalmente extrair da prática de ensino desenvolvida nos vários níveis. Isto porque. possibilitando alterá-la e transformá-la. algumas lições que possam contribuir para a discussão das bases teórico-práticas da formação do professor. caracterizar os momentos fundamentais do processo metodológico que venho investigando para. no sentido de explicá-la. Alguns pressupostos básicos Entendendo a Didática como a disciplina que busca compreender o processo de ensino em suas múltiplas determinações. Em segundo lugar. no processo contraditório que enfrenta entre a formação acadêmica recebida e a prática na sala de aula. acredito que o professor. para intervir no processo e transformá-lo numa determinada direção política. Essa didática prática. gera uma didática prática. tendo em vista a elaboração de propostas concretas de intervenção na prática. germe de uma possível teoria pedagógica alternativa. Além disso. mas a crítica que permite uma compreensão dos determinantes de uma dada realidade. implica pressupostos teóricos que precisam ser captados.O objetivo desse trabalho será. apresentar os pressupostos básicos que têm orientado meus estudos.

chegando aos determinantes mais profundos e suas leis fundamentais.pela práxis. num processo teórico-prático. agora compreendida em suas múltiplas determinações. Isso implica em tomar como ponto de partida os fatos empíricos que nos são dados pela realidade. buscar a explicação e compreensão das representações destes fatos empíricos. Para se chegar a uma compreensão profunda dos determinantes de uma dada realidade. é preciso um esforço de apropriação. após uma releitura da realidade. expressando a unidade entre as duas dimensões do conhecimento: teoria e prática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 135 . Finalmente. chegar a uma ação transformadora. organização e exposição dos fatos. Copyright © 2007.

Os procedimentos de ensino devem incluir atividades que possibilitem a ocorrência da aprendizagem como um processo dinâmico. Copyright © 2007. Ao escolher um procedimento de ensino. O termo método vem do grego (méthodos = caminho para chegar a um fim). os seguintes aspectos básicos: a) Adequação aos objetivos estabelecidos para o ensino e a aprendizagem. em função dos objetivos previstos”. é empregado também o termo estratégia de ensino para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. como critério de seleção. Método de ensino é um procedimento didático caracterizado por certas fases e operações para alcançar um objetivo previsto. A aprendizagem ocorre através do comportamento ativo do estudante: este aprende o que ele mesmo faz não o que faz o professor. Atualmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 136 . Esses procedimentos devem contribuir para que o aluno mobilize seus esquemas operatórios de pensamento e participe ativamente das experiências de aprendizagem. Procedimentos de ensino são as “ações. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta.U NIDADE 28 Objetivo: Refletir sobre a importância da utilização das estratégias de ensino para a construção de uma aprendizagem significativa. processos ou comportamentos planejados pelo professor. para colocar o aluno em contato direto com coisas. ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM Critérios básicos para a escolha dos métodos de ensino. o professor deve considerar.

Se o ensino é concebido como processo e como produto. de ações e procedimentos selecionados e organizados. Com freqüência se podem encontrar idéias que reduzem este conceito a um conjunto de métodos de ensino. mais ou menos extensas e complexas. Ao abordar o estudo das estratégias e alternativas para uma estrutura de otimização do processo ensino-aprendizagem se requer desde o início a precisão do conceito que nos ocupa: estratégias de ensino-aprendizagem. então a ele está associado o termo "Estratégia".b) A natureza do conteúdo a ser ensinado e o tipo de aprendizagem a efetivar-se. A partir desses aspectos que se estabelecem como ensinar. pois ainda que as estratégias de ensinoaprendizagem contemplem a seleção e combinação destes métodos. se interpreta como estratégias de ensino-aprendizagem a seqüência integrada. A profissionalização do pessoal docente está intrinsecamente associada às decisões de estratégias de ensino-aprendizagem em condições específicas. c) As características dos alunos. objetivando alcançar os fins educativos propostos. d) As condições físicas e os tempos disponíveis. toda estratégia inclui a seleção e articulação prática de todos os componentes deste processo. mas isto não é tão simples. qualidade que aponta diretamente para a sua funcionalidade. que atendem a todos os componentes do processo. isso equivale a contextualização da própria estratégia. isto é. Copyright © 2007. Assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 137 . que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento.

É evidente que esta condição é muito importante porque se sustenta na correspondência estreita entre condições e ações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 138 . se produz. ratificações ao primariamente concebido. como resultado de sua própria aplicação. incluindo o contexto em que se realiza. Cada estratégia de ensino se corresponde com o como se aprende.A determinação de toda estratégia de ensino-aprendizagem incorpora o diagnóstico como produto e processo. pois toda estratégia é flexível às mudanças do contexto que. Sem dúvida. O próprio caráter contextual das estratégias exige a identificação de condições e possibilidades. que sempre é muito mais rica que a teoria. nos põe frente a interrogantes com marcado caráter problemático: por que é possível que não se manifeste Copyright © 2007. isso permite adequações.  A seleção e combinação seqüencial de procedimentos didáticos em correspondência com os fatores e componentes do processo de ensino-aprendizagem. isso ocorre em virtude da unidade entre ensinar e aprender. de maneira permanente. Este critério de unidade do processo de ensinoaprendizagem implica que as estratégias expressam diferentes maneiras de ensinar e se concebem sobre equivalentes maneiras de se aprender. ajustes. o processo. assim como o sistema de ações que controla. a prática. A determinação de estratégias de ensino-aprendizagem pressupõe a consideração de três condições:  A possibilidade de recursos e procedimentos que permitam sua seleção e combinação na busca da realização dos fins e objetivos propostos.  As possibilidades e mecanismos de avaliação da própria estratégia segundo os parâmetros que se tiver em consideração para conformá-la à necessidade de seu melhoramento. Partindo deste critério. a aplicação reflexiva de um sistema seqüencial de ações e procedimentos para o ensino pressupõe necessariamente uma estratégia de aprendizagem.

No plano mais geral este ensino pode ser "cego" ou "informado". pelo que oferece instruções sobre operações. porém aplicar essa variante não proporciona uma imagem realista da aprendizagem de táticas e estratégias. Enquanto que as primeiras são planos globais que se concebem para alcançar os objetivos do processo de ensinoaprendizagem em geral. As táticas e as estratégias podem ser ensinadas incorporadas ao conteúdo ou a margem dele. Se um conjunto de táticas interrelacionadas conforma uma estratégia. O método incorporado inclui o adestramento de táticas e estratégias como parte de um conteúdo específico de ensino. o conjunto de estratégias com certa similitude na seleção. Uma tática é um procedimento específico que se aplica e tributa a todo o processo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 139 .total correspondência entre o como se ensina e como se aprende? Qual deve ser a atitude do docente quando identifica que esta correspondência não se apresenta na realidade? Não é possível ignorar a relação entre estratégias e táticas. O método marginal separa o ensino de táticas e estratégias de conteúdo. faz que o estudante seja consciente de sua utilidade. então o docente deve perguntar-se como trabalhar pelo ensino de táticas e estratégias de aprendizagens. ainda que não possa este ser totalmente ignorado. A primeira destas variantes compreende a compreensão das táticas e estratégias. portanto. porém omite a razão da eficácia que as mesmas originam aspecto que se contempla quando são ensinadas sob a modalidade "informada" e que. Copyright © 2007. combinação e sequenciação das ações conformam estilos de ensino e de aprendizagens. Se admitirmos a unidade do ensinar e o aprender e sua manifestação em estratégias.

Métodos intuitivos e audiovisuais. Condições físicas. associacionistas. Gestalt. Tempo disponível. PROCEDIMENTOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM Podem ser considerados procedimentos de ensino todas as ações desenvolvidas pelo professor para colocar o aluno em contato direto com os fatos. no qual o aluno torna-se um participante ativo de todo o processo. construtivismo operacional e cognitivo. Ensino programado.U NIDADE 29 Objetivo: Conhecer os principais procedimentos de ensino aprendizagem norteadores de práticas educativas libertadoras. De acordo com Jean Piaget os métodos de ensino são assim classificados:     Métodos verbais tradicionais. Natureza do conteúdo. Métodos ativos. Behaviorista. são necessários alguns critérios de seleção. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 140 . de acordo com os objetivos propostos. Para se determinar à escolha de um procedimento de ensino. Características do aluno. Esses procedimentos devem incluir atividades que possibilitem a aprendizagem. Copyright © 2007. tais como:      Adequação aos objetivos.

é ainda através de um interagir com seus semelhantes que estará formando uma consciência democrática. a interação social do indivíduo . inclui também a reflexão. tanto do ponto de vista individual como grupal. participação.Métodos ativos são aqueles que recorrem á atividade dos alunos. Maria Montessori e Freinet. Os métodos de ensino são classificados por Irene Carvalho da seguinte forma: Métodos socializantes de ensino: Valorizam a interação social fazendo a aprendizagem efetivar-se em grupo. O ambiente social favorecerá aprendizagens significativas e variadas. reflexão. Dewey. incentivando-a. reforçando a auto – estima. e é através dele que nosso aluno deverá se preparar para viver coletivamente. Copyright © 2007. principalmente. Kerchensteiner. O grupo representa uma mostra da sociedade. Os mentores dos métodos foram. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 141 . Os precursores dos métodos ativos foram Rousseou. Claparède. É vivenciando situações de vida com o grupo que nosso educando estará preparado para uma conduta social adequada. Decroly. Os trabalhos de equipe favorecem em muito o desenvolvimento das habilidades de comunicação. Pestalozzi. Froebel e Herbart. adquirindo uma visão libertadora. Trata-se de um procedimento que possibilita. contribuindo com suas experiências e se beneficiando com as de seus companheiros. conviver é que é difícil. Todos sabemos que viver é fácil. Piaget divide os métodos ativos em:   Métodos fundados sobre os mecanismos individuais do pensamento. Métodos fundados sobre a vida social da criança.

possibilita a motivação e o incentivo individuais. conhecimentos. A escolha caberá ao professor. respeito mútuo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o ensino é adequado às condições pessoais de cada educando. 2. o educando passa a trabalhar com o máximo de liberdade. o estudo de casos. a adequação do local. propicia o desenvolvimento da criatividade. As técnicas individualizantes encontram nas teorias dos educadores Jean Piaget. Smith Stone e outros que comprovam a necessidade de explorações e situações individuais estimuladoras para melhor desempenho do aluno. o que favorece o crescimento pessoal. faixa etária. James E. Por isso registramos aqui técnicas socializantes de ensino – aprendizagem. realmente. apresentando as seguintes vantagens e que não são poucas: 1. dramatização. o educando passa a ser. os pré – requisitos da classe quanto a maturidade. fundamentalmente. As críticas que se podem fazer ao ensino individualizado são que: 142 Copyright © 2007.segurança. 4. expectativas e critérios de avaliação. Métodos individualizados de ensino: valorizam o atendimento às diferenças individuais e fazem a adequação do conteúdo ao nível de maturidade. Weigand. 5. experiências. tipo de liderança predominante no grupo. que deverá levar em consideração os objetivos que pretende alcançar. estudo do meio e conselho de classe. à capacidade intelectual e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. 3. centro da ação educativa. Os métodos de ensino individualizado procuram. a dramatização . integração e tantas outras coisas mais. número de alunos na turma. Incluem técnicas de trabalho em grupo. ajustar o ensino à realidade de cada educando. mas sob condições que lhe permitam desenvolver o senso da responsabilidade. uso de jogos.

1. não favorece a socialização do educando, uma vez que este deve trabalhar sozinho. 2. não oferece situações de estudo compatíveis com a realidade. 3. os resultados obtidos nem sempre são proporcionais aos custos, isto é, tem se um ensino muito caro. Podemos citar como exemplo: aula expositiva, estudo dirigido, questionário, método Montessori.

Métodos sócio-individualizados: Combinam duas atividades didáticas e as unidades de experiência. Neste procedimento são considerados os aspectos individuais de sociais de grupo. Esta modalidade de método de ensino é relativamente recente, encontrando – se ainda na fase de “especulações pedagógica”. Procura encarar o educando em seus dois aspectos fundamentais, quais sejam, de indivíduo o de membro de uma comunidade ou de um grupo. A vida corrente exige que o indivíduo enfrente situações sozinho, como exige que enfrente situações de grupo. Assim, o método sócio-individualizante, durante o estudo de uma mesma unidade procura oferecer oportunidade d trabalho individual e oportunidades de trabalho em grupo, para que possa crescer nessas duas dimensões da suas personalidades, recomenda, pois, que uma tarefa seja enfrentada em grupo e a seguir, individualmente, formar os cidadãos conscientes, que toma as suas decisões com base no seu próprio raciocínio , não engrossando a fila dos engajados, que só trabalham numa só direção, sejam quais forem outros argumentos que não aqueles aos se escravizou. São exemplos: métodos de solução de problemas, unidades didáticas e unidades de experiência, método da descoberta, método de projeto e recuperação.

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Recursos de ensino Precisamos ter uma visão tão ampla que nos faça “ Ir além das paredes da sala de aula ”. 1. O que são recursos de ensino? São componentes do ambiente da aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno. 2. Classificação dos recursos de ensino. Tradicionalmente os recursos de ensino são classificados da seguinte maneira:  Recursos Visuais: Projeções, Cartazes, Gravuras, Episcópio.  Recursos auditivos: Rádio, Gravações, CD etc...  Recursos Audiovisuais: Cinema, Televisão, Datashow, DVD.

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U

NIDADE

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Objetivo: Refletir sobre a práxis pedagógica revestida de conceitos de qualidade para a construção do caráter social.

QUALIDADE EDUCATIVA Uma importante e problemática faceta didática do processo de ensino é conseguir determinar a estruturação do processo cognitivo mais conveniente para chegar a alcançar os objetivos propostos, questão que é intrínseca ao problema da qualidade de ensino. Uma fundamentação lógica para chegar a estrutura ótima do processo de ensino seria uma metodologia geral condizente a um planejamento argumentado e que contemple, com caráter sistemático e harmônico todos os componentes do processo. Não obstante, é conveniente definir sobre que perspectiva busca-se compreender o processo de ensino como "ótimo", qual é o critério básico de qualidade e os fundamentos teóricos dos processos que estão dirigidos à otimização do ensino. Uma vez reconhecidas estas categorias se pode chegar a descobrir e argumentar o que fazer e a que se deve prestar atenção, procurando assim as estratégias e alternativas para a estruturação ótima do processo de ensino. Um critério básico e inicial em relação com a otimização do processo de ensinoaprendizagem é o enfoque sistêmico e dialético deste processo, pois as idéias da otimização deste processo estão ligadas a sua concepção, planejamento e melhoramento científico. Aqui, outra pedra angular é o critério da unidade dialética entre o ensinar e o aprender. A otimização deste processo de ensino implica a organização científica do trabalho do docente e dos estudantes. O assunto que se aborda requer uma precisa definição de termos. Que entendemos por "ótimo" e por "ideal" no processo de ensino aprendizagem?

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a seleção por parte dos pedagogos. se tem em conta um conjunto de possibilidades com as quais contam os alunos e os professores. É necessário que em todas as ações que se pretendem o melhoramento do processo. em outra. em condições específicas. Quando se fala de ótimo se destaca. a maior efetividade possível para resolver as tarefas da educação e instrução dos escolares. não de forma geral. Podem tomar-se como critérios do ótimo. senão nas condições concretas da escola.  Quanto consegue articular o planejamento e as estratégias de ensino com os objetivos propostos. Diversos são os critérios sobre quando o ensino está organizado de forma ótima. Eis aqui alguns deles:  Quando se contemplam plenamente as particularidades individuais dos estudantes. ou seja. haja 146 Copyright © 2007. num determinado tempo. A busca das variantes ótimas devem combinar-se simultaneamente.  Quando há uma combinação dos métodos que demandam uma atividade reprodutiva com aqueles que provocam a criatividade e autonomia dos alunos. com os esforços encaminhados à melhoria das condições para o funcionamento do processo docenteeducativo. Neste caso. orientada a fim de assegurar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o ritmo da atividade docente e o êxito da aplicação do autocontrole. não é necessariamente ótimo. a efetividade e o tempo de solução das tarefas planejadas. se entende por otimização do processo docente-educativo. que se trata dos melhores resultados possíveis.Aqui adotaremos o conceito de ótimo para significar o que é melhor do ponto de vista de determinados critérios. O ótimo em uma determinada condição. É necessário ter em conta que o termo "ótimo" não é igual ao termo "ideal". obrigatoriamente. da melhor variante de estruturação deste processo. As idéias de otimização do processo de ensino implicam as idéias de qualidade. ou determinados grupos.

Leia o capítulo REENCANTAR A EDUCAÇÃO. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 147 . a partir daí é possível selecionar as melhores variantes de estratégias e estilos de ensinoaprendizagem. do autor: ASSMANN.uma determinação clara de quais são os critérios de efetividade e qualidade pretendida. Hugo. RJ: Vozes. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis. 2004. Copyright © 2007. Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES.

no site da ESAB. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 148 .G LOSSÁRIO Caso haja dúvidas sobre algum termo ou sigla utilizada. Copyright © 2007. consulte o link glossário em sua sala de aula.

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