Medição de Fase
BTM-12
Para que serve a fase
Nas medições corriqueiras de vibração, de uma maneira geral, nos preocupamos com a
frequência de vibração de uma máquina e sua amplitude. Quase que sempre procuramos
essas informações no espectro, pois ele nos trás essas informações de forma direta: com que
frequência uma máquina vibra, com que amplitude uma máquina vibra.
No exemplo acima, temos um sinal com uma frequência de 37,69Hz e uma amplitude de
11,57mm/s. Muitas vezes isso já é informação suficiente para um diagnóstico. Mas, em
algumas situações, temos uma terceira questão a ser respondida: como uma máquina vibra?
Isso quem nos responde é a medição de Fase.
A medição de é uma ferramenta de diagnóstico de máquina, não de monitoramento. Assim,
não se mede fase rotineiramente. A medição de fase é aplicável quando encontramos uma
amplitude elevada de vibração em baixa frequência. Os casos mais comuns de medição de fase
são em problemas de desbalanceamento, desalinhamento, folgas mecânicas e eixo empenado.
A medição de fase indica o deslocamento ou movimento relativo entre dois ou mais pontos.
Sinais de alta frequência possuem deslocamentos muito baixos o que não justificaria a medição
de fase.
O que é fase?
Podemos definir a fase como sendo a diferença angular entre o pulso recebido pelo sensor
e uma referência.
Esse sensor normalmente é um acelerômetro e essa referência, normalmente um tacômetro.
Repare no termo “normalmente”, porque não é sempre. Esse sensor, às vezes, pode ser um de
velocidade, ou ainda, de deslocamento e essa referência pode ser um segundo acelerômetro ou
um martelo modal, para citar alguns exemplos.
Obs.: Nesse boletim técnico vamos comentar sobre a medição de fase entre um acelerômetro
e um tacômetro e entre dois acelerômetros.
Medição de fase com tacômetro
Para entendermos melhor a definição de fase vamos considerar o exemplo abaixo.
Imagine um tacômetro detectando uma referência no eixo de uma máquina e uma massa
desbalanceada indicada pelo retângulo vermelho como na imagem.
Para continuarmos precisamos considerar os seguintes pontos:
Repare que o acelerômetro está montado numa posição horizontal. Assim, o sensor, só
detectará sinais no eixo horizontal e quanto o sensor é “empurrado” o sinal é positivo e
quando ele é “puxado” o sinal é negativo.
Quando medimos fase usando um tacômetro como referência, o coletor de dados de
vibração só começa a medição quando detecta a passagem da referência no eixo pelo
tacômetro. Normalmente os tacômetros atuais são óticos e a referência no eixo é uma
fita refletiva.
Observações feitas, vamos voltar à questão. A máquina está girando e, num determinado
instante, a fita refletiva passará pelo tacômetro e o coletor abrirá a medição. Nesse primeiro
instante, a massa desbalanceadora está “jogando” o mancal para baixo e o sensor não
detectará o sinal. A amplitude de vibração é zero.
Depois de algum tempo, considerando o giro de eixo anti-horário, a massa estará
“passando” pelo sensor no plano horizontal, “empurrando” o mancal para a direita,
“empurrando o sensor”. Nesse instante a amplitude de vibração é máxima positiva.
Depois de alguns instantes, a massa “joga” o mancal para cima e a vibração volta
a ser zero.
Depois de alguns instantes, a massa “joga” o mancal para a esquerda, “puxando” o sensor,
amplitude de vibração é máxima negativa.
E por fim, a massa volta ao seu ponto de início, “jogando” o mancal para baixo, a amplitude
de vibração volta a ser zero novamente, completando um ciclo.
Voltando ao início do tópico onde foi citado que a fase é “a diferença angular entre o pulso
recebido pelo sensor e uma referência”, esse pulso do sensor pode ser o ponto de máximo
positivo ou máximo negativo (vide imagem anterior). De uma maneira geral, os aparelhos
medem em relação ao ponto de máximo na parte positiva de sinal.
Comparando o ponto de máximo positivo do sensor em relação ao início da onda dado pelo
tacômetro a fase é de 90º.
Isso parte da função senoidal dentro de um círculo trigonométrico onde é possível definir a
diferença angular entre dois pontos quaisquer. O primeiro ponto vem do tacômetro que
define o início da onda, e o segundo ponto vem do acelerômetro, normalmente ponto de
máximo positivo.
Agora, mais importante que entender de onde sai a diferença angular, é entender o que
essa diferença angular significa. Se voltarmos no exemplo de medição de fase acima, ao
término de um ciclo, a fase foi de 90º. Se repetirmos o ciclo mais uma vez, mais outra e
outra e outra, a fase se repetirá 90º, ou seja, em relação a uma referência sabemos em
que “instante” o mancal se desloca.
A medição de fase em um único ponto, normalmente não diz praticamente nada sobre a
máquina. A medição começa a fazer sentido quando comparamos, ao menos, com um
segundo ponto. Se, por exemplo, mantivermos o tacômetro em sua posição e deslocarmos
o sensor de vibração para um outro ponto da máquina e a fase também estiver em 90º,
podemos concluir que esses pontos “vão” e “vêm” juntos, pois a diferença de fase desses
mancais é igual a zero (90° - 90° = 0º). Em outras palavras, estão vibrando em fase.
É importante salientar que o acelerômetro montado num ponto da máquina, quando
deslocamos para um outro ponto, devemos montar em direções paralelas e mesmo
“sentido”. Na imagem abaixo, o Sensor 2 foi montado corretamente em relação ao Sensor
1 e o Sensor 3 está montado de forma errada em relação ao Sensor 1.
Medição de fase com tacômetro
Então, o que a medição de fase nos indica? O movimento relativo entre dois ou mais
pontos.
Uma das formas de se medir fase é a que foi citada acima, cruzando o sinal de um sensor,
no exemplo um acelerômetro, com o sinal de tacômetro. Esse tipo de medição irá nos
indicar a fase de um ponto da máquina em relação a um tacômetro e um outro ponto da
máquina em relação ao mesmo tacômetro.
Comparando as fases, no exemplo 90o para ambos os pontos, concluímos que a defasagem
é zero, ou seja, ambos os pontos (mancais) estão vibrando em fase (vão e vem juntos). Um
ponto sutil a salientar é que o tacômetro nos indicará a fase na frequência de rotação da
máquina. Se numa determinada situação houver a necessidade de se medir fase numa
outra frequência, teremos que lançar mão da medição de fase cruzada ou fase relativa.
Nesse caso, qual seria a definição de fase? A mesma, porém a referência agora passa a ser
outro acelerômetro e não mais o tacômetro.
Como funciona?
Para entendermos, primeiro vamos ver a montagem que está ilustrada na figura abaixo:
Para a medição de fase cruzada devemos ter um coletor de, no mínimo, dois canais, isso
porque o coletor deverá cruzar os dados desses canais simultaneamente para, daí, nos
indicar o movimento relativo entre dois ou mais pontos. Observe o sinal abaixo:
Repare que no mesmo instante que o Sensor 1 atinge o ponto de máximo positivo, o
Sensor 2 também dá o pulso de máximo positivo. Nesse caso a defasagem entre mancais é
de 0o. A medição de fase cruzada ou fase relativa já nos informa a defasagem entre
mancais, algo que na medição de fase com o tacômetro, teríamos que concluir.
Outro detalhe já citado, é que essa medição é em uma frequência específica. Só para fins
de comparação com a medição com o tacômetro, vamos considerar que também estamos
medindo em uma vez a rotação.
Para entendermos melhor, vamos observar esse outro caso:
No caso acima, quando o Sensor 1 está no ponto de máximo positivo, o Sensor 2 está no
ponto máximo negativo. Dentro da onda vermelha, a diferença angular entre os pontos 1 e
2 é de 180º. Se estivéssemos utilizando o tacômetro, a fase de um dos sensores poderia
ter dado 30º e o outro 210º.
A diferença seria 180º. A fase cruzada ou fase relativa já nos dá essa diferença de 180º.
Algumas aplicações da medicação de fase
Diagnósticos básicos
Eixo empenado – Defasagem em 1800 nos mancais na direção axial.
Folgas – Defasagem de sinal entre pontos que deveriam se mover juntos, ou seja, em fase.
Por exemplo, entre o mancal e o seu ponto de fixação na base.
Desalinhamento Angular – Defasagem de 1800 entre mancais próximos ao acoplamento.
Observação de modos operacionais (ODS)
Imagem gerada pelo departamento de Engenharia de Análise Dinâmica da SKF
Observação de modos naturais
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