REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS, ANO 2, N.

3, 2010 - CCBS/UNIVATES

RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS NA GESTAÇÃO
Elisângela da Silva de Freitas1, Simone Morelo Dal Bosco2, Crislene Aschebrock Sippel3 e Rosmeri Kuhmmer Lazzaretti4
RESUMO: Introdução: A gravidez provoca modificações fisiológicas no organismo materno, que geram necessidade aumentada de nutrientes essenciais. Seja em termos de micro ou macronutrientes, o inadequado aporte energético da gestante pode levar a uma competição entre a mãe e o feto, limitando a disponibilidade dos nutrientes necessários ao adequado crescimento fetal. Portanto, a literatura é consensual ao reconhecer que o estado nutricional materno é indicador de saúde e qualidade de vida tanto para a mulher quanto para o crescimento do seu filho, sobretudo no peso ao nascer, uma vez que a única fonte de nutrientes do concepto é constituída pelas reservas nutricionais e ingestão alimentar materna. Objetivo: O presente artigo tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre a nutrição na gestação. Metodologia: Foram selecionados textos originais e publicações científicas por meio das bases de dados Scielo, Lilacs e Pubmed usando as seguintes palavras-chave: Nutrition AND Recomendation AND Pregnancy AND Anthropometry OR Pregnancy OR Anthropometry . Foram escolhidas publicações nos idiomas Português, Inglês e Espanhol. Foram excluídos os artigos com relação a gestantes adolescentes e idosas. Resultado e conclusão: A relação alimentação adequada e gestação são de suma importância. Esta revisão vem contribuir com informações imprescindíveis ao cuidado e manejo de futuras mamães para o bom desenvolvimento da gravidez. A assistência a mulheres que queiram engravidar, por meio de profissionais capacitados como nutricionistas, visa à tomada de medidas profiláticas importantes. PALAVRAS-CHAVE: Recomendação nutricional. Gestação. Antropometria.

1 INTRODUÇÃO A gravidez provoca modificações fisiológicas no organismo materno, que geram necessidade aumentada de nutrientes essenciais. Seja em termos de micro ou macronutrientes, o inadequado aporte energético da gestante pode levar a uma competição entre a mãe e o feto, limitando a disponibilidade dos nutrientes necessários ao adequado crescimento fetal. Portanto, a literatura é consensual ao reconhecer que o estado nutricional materno é indicador de saúde e qualidade de vida tanto para a mulher quanto para o crescimento do seu filho, sobretudo no peso ao nascer, uma vez que a única fonte de nutrientes do concepto é constituída pelas reservas nutricionais e ingestão alimentar materna (MELO et al., 2007). Atualmente, os países em desenvolvimento enfrentam duas situações antagônicas de mánutrição: a subnutrição e o aumento do sobrepeso (KOURY FILHO, 2010). O Brasil, particularmente, encontra-se numa fase de transição epidemiológica, com alteração no perfil de morbimortalidade

1 Nutricionista Clínica, Especialista em Nutrição com Ênfase em Materno-Infantil pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento – Porto Alegre/ RS. 2 Nutricionista, Doutora em Ciências da Saúde – PUCRS. Docente e Coordenadora do Curso de Nutrição do Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/ RS. 3 Acadêmica de Nutrição do Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/ RS. 4 Nutricionista, Doutoranda em Medicina e Ciências da saúde – UFRGS. Coordenadora dos cursos de pós-graduação em Nutrição do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento – Porto Alegre/ RS.

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podendo desenvolver glicosúria. A nutrição da gestação é. O objetivo deste artigo foi realizar uma revisão da literatura sobre as recomendações nutricionais na gestação..REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. 2007). além de uma excreção maior de vitaminas hidrossolúveis (KING et al. 2010 . O volume sanguíneo aumenta em razão da maior Taxa de Filtração Glomerular. O corpo compensa por meio da troca pulmonar de gases mais eficientes (KING. A reabsorção tubular renal é menos eficiente do que era antes da gestação. portanto. para o filho. e conforme vai aumentando o útero. Há diminuição de níveis séricos de albumina para um acúmulo de água extracelular ou edema (KING. O débito cardíaco aumenta durante a gestação. Orientações dietéticas como aumentar o fracionamento . 2 METODOLOGIA Foram selecionados textos originais e publicações científicas disponíveis as bases de dados Scielo. Entre esses desfechos podem ser citados diabetes e hipertensão maternas. sendo esta a mais importante fase do desenvolvimento humano. como a obesidade (PADILHA et al. 2007). Estudos epidemiológicos apontam que o maior risco para complicações gestacionais está relacionado às mulheres obesas. 2000). aumentando a dificuldade na respiração. A inadequação do estado antropométrico materno. principalmente. com menores concentrações séricas de creatinina e nitrogênio da ureia sanguínea. albumina sérica. As náuseas e vômitos são frequentes no primeiro trimestre.CCBS/UNIVATES populacional. trabalho de parto prolongado. o presente estudo objetivou realizar uma revisão sobre as recomendações nutricionais na gestação. A dieta. Inglês e Espanhol e excluídos os artigos relacionados a gestantes adolescentes e idosas. A pressão arterial diastólica diminui durante os dois primeiros trimestre em decorrência da vaso dilatação periférica. tanto pré-gestacional quanto gestacional. embora o baixo peso também aumente os riscos de desfechos desfavoráveis para a mãe e.. restrição de crescimento intrauterino e prematuridade (ASSUNÇÃO et al. 1994). ANO 2. 2000). o diafragma é empurrado para cima. As necessidades de oxigênio aumentam conforme diminui o limiar para o dióxido de carbono. decisiva para o curso gestacional. N. Lilacs e Pubmed usando as seguintes palavras-chave: Nutrition AND Recomendation AND Pregnancy AND Anthropometry OR Pregnancy OR Anthropometry . A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) aumenta 50% durante a gestação. 3 REFERENCIAL TEÓRICO/DESENVOLVIMENTO Ocorre na gestação normal um aumento de 50% de expansão do volume sanguíneo. mas retorna aos níveis pré-gravídicos no último trimestre da gestação. a dieta está mais envolvida com a otimização do crescimento e do desenvolvimento cerebral do feto (DREHMER. 3. A saúde das gestantes e de seus bebês depende de uma nutrição adequada. fazendo com que a mãe sinta dispneia. 2008). e tendem a parar na décima terceira a décima quarta semana de gestação. sofrimento fetal.. Já nos trimestres subsequentes. 2007). se constitui um problema de saúde pública. Foram escolhidas publicações nos idiomas Português.82 - .. pois favorece o desenvolvimento de intercorrências gestacionais e influencia as condições de saúde do feto e a saúde materna no período pós-parto (PADILHA et al. Visando a reforçar a importância da adequação do estado nutricional em mulheres na idade reprodutiva. na qual as doenças infecciosas e parasitárias estão dando lugar às doenças crônicas não transmissíveis. é muito importante para o desenvolvimento e diferenciação dos diversos órgãos fetais. no primeiro trimestre da gestação. resultando na diminuição dos níveis de hemoglobina. parto cirúrgico. macrossomia.

IOM. contribuindo para a constipação. O ideal é que a gestante ingira os alimentos nutritivos nos períodos que não apresente náuseas para que tenha o suporte de macro e micronutrientes necessários e requeridos pela gestação (SILVA et al. A gestação é seguida de constipação em aproximadamente uma em cada quatro grávidas. mas poucos trabalhos avançam além da notificação dos sintomas e de quando ocorrem. e quantidade adequada de fibras. A constipação é um problema digestivo muito comum. não ingerir água com as refeições. um polipeptídeo intestinal que estimula a concentração das fibras lisas do intestino. Normalmente as gorduras não são bem toleradas. As manifestações clínicas das alterações funcionais do tubo digestivo são frequentes na gestação. preferir alimentos com baixo teor de gordura. evitar estresse durante a refeição. verduras e legumes. sendo bastante frequente no período gestacional. As fezes tornam-se menos volumosas. Deve-se orientar a gestante a ingerir grãos integrais. 2002). frutas. ANO 2. Outros fatores devem ser considerados na gênese ou agravamento dos sintomas. há maior absorção de água e isso resseca as fezes (FAGEN. propiciando aumento de absorção de água. o ideal é a ingestão de 28g de fibras diárias. nível de atividade física. A azia é decorrente do refluxo gastroesofágico e com frequência ocorre à noite. . foram estabelecidos critérios que facilitam o diagnóstico. Considera-se constipado o paciente que apresenta dois ou mais desses sintomas por um período mínimo de três meses ao longo do ano (WILLIAMS. que incluem: ritmo intestinal com menos de três evacuações por semana. sensação de dificuldade para evacuar. 2007). por influência da progesterona na gravidez. somente nos intervalos. 2008a). 3. não ingerir grande quantidade de alimentos antes de deitar. 2008a). Na maioria dos casos tende a ser um efeito da pressão do útero aumentado sobre os intestinos e estômago e em combinação com o relaxamento do esfíncter esofágico pode resultar na azia severa e até mesmo na regurgitação. Para evitar a constipação. 2010 . Entre eles inclui-se o programa alimentar. mastigar bem os alimentos. damascos e figos secos. tempo de trânsito prolongado. ingestão de água. 2005). Em linhas gerais ocorre motilidade reduzida do cólon. uma vez que envolve rápida divisão celular e desenvolvimento de novos tecidos e órgãos. e diminuição da velocidade do trânsito do intestino delgado. e aumentando a ingestão hídrica (INSTITUTE OF MEDICINE . 2008a). em vista do prolongamento do tempo de trânsito. comer devagar. como aumentar o fracionamento das refeições e diminuir o volume de alimentos. fezes pequenas e endurecidas e sensação de evacuação incompleta. Na maior parte o quadro se instala já no início. vitaminas e minerais para suprir as necessidades básicas e formar reservas energéticas para mãe e feto (VITOLO.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. embora algumas gestantes com constipação grave possam piorar os sintomas ingerindo fibras em excesso. O consumo de biscoito salgado e gengibre tendem a auxiliar. Não é necessária a restrição de alimentos ácidos (VITOLO. N. 2001).CCBS/UNIVATES das refeições e diminuir o volume. proteínas. Os complexos processos que ocorrem no organismo durante a gestação demandam uma oferta maior de energia. Parece haver também um papel para a somatostatina na regulação da motilidade na gestação.83 - . no primeiro trimestre (VITOLO. A explicação para estes eventos relaciona-se com a diminuição da concentração plasmática de motilina. por menor concentração de água.. estase biliar. os carboidratos simples de fácil digestão podem reduzir o desconforto. Além disso. Entre estas alterações citam-se diminuição da pressão cardíaca. Algumas orientações nutricionais são importantes para a diminuição do sintoma. bem como ingerir alimentos secos. Para melhorar a caracterização. 4 RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS NA GESTAÇÃO A gestação é um período de maior demanda nutricional do ciclo de vida da mulher. bem como frutas secas como ameixas.

Sugere-se o seguinte cálculo: Peso Ideal Pré-gestacional = Altura² x 22 Onde: a altura é em metros (m) e 22 é a sugestão de valor mediano de IMC.VET = (peso ideal pré-gestacional x 36 kcal) + 300 kcal Para gestantes gemelares. 2004).7 x Peso (kg) + 496 TMB (30 – 60 anos) = 8. a mulher necessita de uma quantidade maior de calorias para suprir o elevado gasto energético ocasionado pelo aumento da Taxa de Metabolismo Basal (TMB) e para formar os depósitos de energia dos tecidos materno e fetal (BUTTE et al. Para calcularmos as necessidades energéticas da gestante.. 1989). 2008b)... mas alguns autores indicam um acréscimo de 450 kcal/dia a partir do 2º trimestre de gestação. dançarinas. trabalho no campo. no depósito de gordura materno e no gasto energético adicional somado ao metabolismo basal dos novos tecidos que estão sendo sintetizados (KING et al. industriaria). ganho de peso materno de 12. Para gestantes com sobrepeso ou obesas. ainda não há consenso nas recomendações energéticas. 1994). professoras).CCBS/UNIVATES 4. O Institute of Medicine (IOM. Este acréscimo de calorias baseia-se nos custos energéticos do estoque de energia do feto. estimou que o custo energético de uma gestação fosse de 85. somando a energia extra convencionada em 300 Kcal/dia a partir do 2º trimestre de gestação (RDA. Então temos: Para 2º e 3º trimestres . considerando-se 40 semanas de gestação.64 se atividade moderada (Estudantes. A energia é o principal nutriente determinante no ganho de peso gestacional.8 kg de gordura e. útero e tecidos mamários. 1997). um aumento na Taxa do Metabolismo Basal (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION . FA = 1. Um método prático para cálculo do VET recomendado para a gestante adulta baseia-se na indicação de 36 kcal/kg de peso ideal pré-gestacional (CINTRA et al. baseado na Taxa de Metabolismo Basal (TMB) e no Fator Atividade (FA). donas de casa sem aparelhos domésticos. 2010 . devemos calcular o valor energético total (VET) diário. 2005). Uma vez obtido o Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional. 2009) recomenda um acréscimo de 250 kcal/dia por todo o período da gestação. assumindo um recém-nascido com peso entre 3 a 4 kg. depósito de 0.2 x Peso (kg) + 746 TMB (18 – 30 anos) = 14.7 x Peso (kg) + 829 FA = 1. lojistas. conforme descrito anteriormente. Os autores reforçam a ideia de que o principal mesmo é a monitorização do ganho de peso destas gestantes conforme o recomendado (VITOLO. Hytte (1980). construção civil).REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. Para gestantes eutróficas. ANO 2.8 kg/m² para o cálculo. é necessária uma avaliação nutricional individualizada. o ideal é utilizarmos o peso pré-gestacional para evitar a perda ponderal durante a gestação (SAUNDERS.000 kcal ou 300 kcal/dia. FA = 1. Então temos: VET = (TMB x FA) + 300 kcal (2ª e 3º trimestres) Onde: TMB (10 – 18 anos) = 12.9 kg de proteína e 3.ADA.84 - . . 3. BESSA. 2008).82 se atividades intensas (Atletas.56 se atividade leve (Trabalho em escritório. utilizando um IMC de 20.5 kg. apesar de deficiência de alguns micronutrientes restringirem o ganho de peso.1 Energia Durante a gestação. finalmente. o peso adotado no cálculo anterior deve ser o pré-gestacional e para as de baixo peso adota-se o peso desejável. N.

sabe-se que o consumo inadequado de vitaminas e minerais está associado a desfechos gestacionais desfavoráveis. O acido fólico tem papel fundamental no processo de multiplicação celular. Para evitar estes efeitos deletérios. 3. O consumo de gorduras deve ficar entre 15 a 30% do total do VET. sendo o limite recomendado para a ingestão de açúcares simples menos que 10% desses valores (IOM. 2005). C e D. PA é o nível de atividade física. A Figura 1.. Ao se tratar de micronutrientes. 2005). As proteínas envolvidas na síntese de novos ciclos e garantindo a melhor absorção de carboidratos e lipídios. assim como na sintese proteica. Atua como coenzima no metabolismo de aminoácidos (glicina) e síntese de purinas e pirimidinas. o alargamento do útero e o crescimento da placenta e do feto. É comum a ingestão oral de ferro ocasionar efeitos colaterais gastrointestinais. sendo menos de 10% na forma de gordura saturada. recomenda-se consumir 27mg/dia de ferro no 2º e 3º trimestres da gestação (TRUMBO et al. A carência de ferro durante a gestação pode levar à anemia. zinco e as vitaminas A. 2005) recomenda ainda um cálculo de requerimento energético estimado (EER). ferro. que aumenta o risco de parto prematuro e morte perinatal. constipação e dor epigástrica (SILVA et al. de aprendizagem e de concentração. Deve-se concomitantemente recomendar o aumento na ingestão de ferro juntamente com alimentos ricos em vitamina C. como náuseas. 2005). como a diminuição da capacidade cognitiva.CCBS/UNIVATES O Institute of Medicine (IOM. 2010 . O folato interfere com o aumento dos eritrócitos. 2007).. A indicação de ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) n-6 é de 13g/ dia e n-3 é de 1.91 x idade) + PA x (10 x Peso) + (934 x Altura) + 25 kcal sendo: idade em anos. devem estar presentes numa média de 60g/dia durante a gravidez. Consequentemente sua deficiência pode ocasionar alterações na síntese de DNA e .1 mostra as recomendações de micronutrientes para gestantes de 19 a 50 anos (IOM. devendo 50% ser de alto valor biológico (IOM. o período que requer maior demanda de ferro é no último trimestre da gestação em virtude do aumento das necessidades de oxigênio do binômio mãe/bebê.31 (ativa) PA = 1. Pode haver também consequências para toda a vida do bebê. sendo. existe a recomendação de que aproximadamente 55 a 75% do valor energético total (VET) diário seja na forma de carboidratos. Para gestantes entre 19 e 50 anos temos o seguinte cálculo de EER: EER = EER Pré-gestacional + (8 kcal x IG em semanas) + 180 kcal Onde: EER Pré-gestacional = 354 – (6.16 (pouco ativa) PA = 1.56 (muito ativa) 5 RECOMENDAÇÕES DE VITAMINAS E MINERAIS Em se tratando de macronutrientes. portanto imprescindível durante a gravidez. por isso devemos ter atenção redobrada na hora de avaliar a presença desses elementos na dieta da gestante. na fase reprodutiva (gestação e lactação) e na formação de anticorpos.0 (sedentária) PA = 1.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS.4g/dia (IOM. 2004) Durante a gestação. ANO 2. 2003). onde há acréscimo de energia de acordo com a idade gestacional (IG).85 - . Onde: PA = 1. em especial o cálcio. Esta vitamina é requisito para crescimento normal. N. ácido fólico. peso em quilos e altura em metros. 2001) sendo a suplementação medicamentosa uma medida profilática preconizada pela World Health Organization (OMS.

No Brasil. além dos produtos derivados do milho comercializados no Brasil. para controlar a deficiência deste nutriente em crianças e mulheres no pós-parto imediato. é de 5μg/dia.10mg/dia 600ug/dia 2. a cada seis meses. O zinco é necessário à reprodução. No Brasil. Durante a gestação. gestante ou não... A deficiência de vitamina C na gestação já foi associada ao parto prematuro. o que requer suplementação medicamentosa. 2005). A recomendação de vitamina A é de 770μg/dia. crescimento.15mg de ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo e milho. N. reparação tecidual e imunidade. retardo do crescimento intrauterino (RCIU). o ciclo visual. 3.000UI de vitamina A. recomenda-se a ingestão diária de 85mg para gestantes entre 19 e 50 anos.CCBS/UNIVATES alterações cromossômicas. uma vez que fica difícil alcançar essa indicação por meio da dieta habitual. bem como a ingestão elevada de ferro. a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu a adição de 0.1 . Figura 1.Recomendações de micronutrientes para gestantes entre 19 e 50 anos Nutriente Vit A Vit C Vit D Vit E Vit K Tiamina Riboflavina Niacina Vit B6 Ácido Fólico Vit B12 Recomendado 770ug/dia 85mg/dia 5ug/dia 15mg/dia 90ug/dia 1. A deficiência de vitamina D já foi associado a distúrbios da homeostase óssea na criança. A deficiência deste mineral na gestação está relacionada com aborto espontâneo. e para crianças com idade entre seis e 59 meses. recomenda-se a ingestão de 600μg/dia..6ug/dia Nutriente Crômio Cobre Flúor Iodo Ferro Magnésio Manganês Molibdênio Fósforo Selênio Zinco Recomendado 30ug/dia 1000ug/dia 3mg/dia 220ug/dia 27mg/dia 350mg/dia 2mg/doa 50ug/dia 700mg/dia 60ug/dia 11mg/dia . 2001). a suplementação é realizada de acordo com a idade. ainda na maternidade. Uma combinação de dieta rica em folato e a suplementação de ácido fólico seria a recomendação adequada para prevenir a deficiência deste nutriente.4mg/dia 18mg/dia 1. o crescimento. a reprodução e para os sistemas antioxidante e imunológico. região norte de Minas Gerais. sendo que mulheres com exposição regular aos raios solares não necessitam de suplementação. A quantidade máxima tolerada desta vitamina é de 2g/dia. principalmente em áreas consideradas de risco (Nordeste. Vale do Murici e Vale do Ribeira em São Paulo). Nestes casos há indicação de suplementação de 25mg/dia de zinco. A vitamina A é essencial para diversos processos metabólicos. que é facilmente alcançada por meio da alimentação.4mg/dia 1. pré-eclâmpsia. e suas consequências na gestação (MEZZOMO et al. o tabagismo. como a diferenciação celular. o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (BRASIL. desenvolvimento.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. 1998). diferenciação celular. Em relação à vitamina C. em 2004. Uma dieta rica em alimentos integrais e fitatos. entre outros. o Ministério da Saúde adotou. reduzindo sua disponibilidade para o feto. como defeitos do tubo neural e espinha bífida. As mulheres recebem dose única de 200. em 2005. para minimizar o risco de complicações associadas à carência deste mineral (TRUMBO et al. Vale do Jequitinhonha. ANO 2. pré-eclâmpsia e aumento no risco de infecções (TRUMBO et al. 2010 .86 - . 2007). redução da mineralização óssea e aumento no risco de fraturas (IOM. e o alcoolismo diminuem a concentração plasmática materna de zinco. 2001). A indicação de vitamina D para mulheres. prematuridade.

sempre que possível.7g/dia 1. o consumo abaixo de 200mg/dia.. prematuridade. muitas das suas consequências sobre o desenvolvimento infantil em filhos de mães alcoolistas sejam pouco conhecidas em sua extensão e gravidade. refrigerantes à base de cola. o uso frequente (sete ou mais drinques por semana. a influência da cafeína sobre o crescimento fetal é vista como uma importante questão de Saúde Pública (BECH et al.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. durante a gestação (KAUP. levando à recomendação para a diminuição do consumo de cafeína no período gestacional (PACHECO et al. 2007). e que o baixo peso ao nascer e a prematuridade estão associados à maior morbi-mortalidade infantis. 2010 . ou cinco ou mais drinques por ocasião) tem aumentado significativamente nos últimos anos. Uma vez que a prevalência de exposição à cafeína é relativamente presente durante a gestação. particularmente ao café. 2001). Desde os anos 70. no primeiro trimestre de gestação. Certo é que o uso de álcool durante a gestação é uma das principais causas evitáveis de defeitos ao nascimento bem como alteração no desenvolvimento da criança (PASSINI JUNIOR. cacau. é barato e facilmente encontrado. chás e também nos remédios do tipo analgésicos. E. em forma e intensidade. ocorre aversão aos produtos cafeinados.. restrição de crescimento intrauterino. frequentemente. alimentos e drogas contendo cafeína ou. chocolate.2 Uso de Álcool O consumo de álcool durante a gestação tem sido tema de pesquisa razoavelmente bem documentada. A Food and Drug Administration (FDA. 2004 6 OUTROS CUIDADOS IMPORTANTES NA GESTAÇÃO 6. Outros pesquisadores definem o limite de consumo para gestantes em 300mg diários. TSUNECHIRO. manterem. alguns estudos têm sugerido associação entre o consumo materno de cafeína e desfechos fetais. MERIGHI.3g/dia - Fonte: Adaptado de IOM. Estima-se que aproximadamente 20% das mulheres façam uso de álcool durante a gravidez. N. 2002) aconselhou as mulheres grávidas a evitarem. contêm compostos do tipo metilxantina). medicamentos contra gripe e inibidores de apetite (PACHECO et al. 2007).87 - . baixo peso ao nascer. pelo menos. apesar de variar. Esse alcaloide é o estimulante mais comum atualmente. embora ainda. . No que diz respeito às gestantes.1 Cafeína É um alcaloide farmacologicamente ativo que atua como estimulante do sistema nervoso central e está presente em uma grande quantidade de alimentos (cerca de 60 espécies de plantas. ANO 2.CCBS/UNIVATES Nutriente Ácido Pantotênico Biotina Colina Cálcio Recomendado 6mg/dia 30ug/dia 450mg/dia 1000mg/dia Nutriente Potássio Sódio Cloro Recomendado 4. aborto espontâneo e má-formações. 2007). tem-se observado o aumento da evidência dos efeitos negativos do chamado consumo “baixo a moderado”.5g/dia 2. 3. tais como: redução do crescimento fetal. Em decorrência disso.. 2005). como café. 6. guaraná.. 2007). durante a gravidez. no mundo. levando a interrupção ou redução do consumo de cafeína ao longo da gravidez (PACHECO et al. o que contribui para seu elevado consumo.

Porém. maltodextrina. pois determinadas substâncias utilizadas em sua formulação podem ser prejudiciais neste período. dois terços diminuem o consumo e um terço continuam a abusar de álcool durante toda a gestação (ALMEIDA. 1999). lactilol. atravessa a barreira placentária e faz com que o feto receba as mesmas concentrações da substância que a futura mãe. exceto para mulheres homozigóticas para fenilcetonúria (risco C). O álcool quando ingerido pela gestante. xilitol.CCBS/UNIVATES Apesar de existir a diminuição do consumo do álcool durante a gravidez. NUNESMAIA. deslocamento prematuro da placenta. devido ao fato de que o metabolismo e eliminação são mais lentos. identificamse anomalias físicas e disformismo no primeiro trimestre. por causa da grande disponibilidade no mercado a escolha pelo adoçante deve ser cuidadosa. cada vez mais aumenta o consumo pela população feminina e. aumento de duas a quatro vezes na incidência de abortamento espontâneo no segundo trimestre. lactose. caracterizada por baixo peso ao nascer. retardo do desenvolvimento.3 Adoçantes na Gestação Os adoçantes são substitutos naturais ou artificiais do açúcar que conferem sabor doce com menor número de calorias por grama (ADA. trabalho de parto prematuro e líquido amniótico meconial (JONES-WEBB et al. a sacarina e o ciclamato devem ser evitados durante a gestação (risco C). Dentre as consequências decorrentes do uso de álcool por gestantes. Por causa das limitadas informações disponíveis e ao seu potencial carcinogênico em animais. como risco de infecções. isomalte.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. frutose e glicose (CASTRO. não produz efeitos adversos sobre a gestação em animais. Atualmente os adoçantes comercializados contêm dois ou mais edulcorantes em suas fórmulas. sorbitol. incoordenação. carcinogênico ou mutagênicos em animais. A sucralose e o acessulfame-K não são tóxicos. principalmente o sabor residual. Porém. FRANCO. frutose. 1999). 3. fazendo com que o líquido amniótico permaneça impregnado de álcool não modificado em acetaldeído. Entre as complicações pré-natais. hiperatividade e baixo rendimento escolar (JONES-WEBB et al. mas não existem estudos controlados em humanos. 2004). em condições clínicas como Diabetes Mellitus e Obesidide exige a restrição definitiva ou prolongada da ingestão de sacarose. a exposição fetal é maior. anormalidades craniofaciais e cardiovasculares. porém. A estévia. Essa situação é ocasionada pela ausência de enzimas em quantidade necessária para a degradação de tais substâncias (PASSINI JUNIOR.. irritabilidade. maltilol. 2010 .88 - . retardo mental leve e moderado. substância derivada de uma planta nativa brasileira. As bebedoras moderadas têm maior chance de parar ou reduzir seu consumo durante o período da gestação. hipotonia. entre as bebedoras pesadas. O aspartame tem sido extensivamente estudado em animais. Estima-se que o uso frequente seja inferior a 4% ao final da gravidez. 2002) Durante a gestação. Os edulcorantes são considerados substâncias altamente eficazes. fatores comprometedores durante o parto. a mais conhecida é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). como esses dois adoçantes não são metabolizados.. essa mistura visa a potencializar as vantagens de cada edulcorante e neutralizar as desvantagens. ANO 2. hipertonia uterina. N. grande parcela das mulheres e seus fetos são expostos a doses variáveis desse agente. e seus efeitos sobre o feto. eritrol. provocadas pelo consumo de álcool. porém não existem estudos em humanos (risco B). parece improvável que seu uso durante a gestação possa ser prejudicial (risco B). Os agentes de corpo usados na formulação dos adoçantes (manitol. Segundo os fabricantes. Existem poucas informações sobre o uso da sacarina e ciclamato na gestação. dextrina e açúcar invertido) são substâncias consideradas seguras . sendo considerado seguro para uso na gestação (risco B). 6. 1997). devido à sua capacidade de adoçar muito em pequenas concentrações. O consumo de adoçantes e produtos dietéticos aumentou muito nos últimos anos. 2005). em consequência disso. Porém.

dietética do paciente. são indicadores úteis para avaliarmos o estado nutricional materno. o acessulfame-K e a estévia podem ser utilizados com segurança durante a gestação (TORLONI et al.. Desde então. 3. Portanto. olhos e cabelos brilhantes Com boa coloração. 7 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA GESTANTE A gestação é um período crítico durante o qual a nutrição materna é fator essencial na determinação da saúde da mãe e do bebê (ICHISATO. ANO 2. Do ponto de vista social e familiar. o estilo de vida e o número de membros . Figura 1. carência de vitamina C (gengivite frequente e persistente). WILLIAMS. cada vez mais. segundo as evidências atualmente disponíveis. excesso de ingestão de açúcares (cáries) entre outros (WORTHINGTON-ROBERTS. Por meio deles podem ser identificadas carências nutricionais. 1997). digestão normal e eliminações regulares Fonte: Adaptado de Worthington-Roberts. 2001).1 Avaliação Clínica Apesar da habilidade em realizar uma boa avaliação clínica ser aperfeiçoada à medida que aumenta a experiência e a prática clínica do observador.. O aspecto geral e psicológico. Esta baseia-se em informações como história clínica. Na Figura 1. SHIMO. Vermeersch e Williams. carência de iodo (aumento da tireoide).2 Anamnese Nutricional Para uma avaliação nutricional completa é fundamental a realização de uma anamnese nutricional detalhada. No que diz respeito à nutrição. Há mais de 15 anos foi publicada uma teoria que afirmava que as doenças dos adultos teriam sua origem durante a vida intrauterina. 2007). o aspartame. fraqueza e sonolência). a situação econômica. N. é necessário conhecer pelo menos um pouco o ambiente doméstico. está cada vez mais evidente que até mesmo pequenos “erros” alimentares maternos têm impacto significativo e duradouro na vida do bebê (KRAMMER et al. principalmente. bem como o da pele e mucosas. sem dor ou edema Batimentos cardíacos e pressão arterial normais Apetite preservado. 1988 7. 1988). a sucralose. olhos e cabelos Pernas e pés Função cardiovascular Função gastrointestinal Atenta. 2001).REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS.CCBS/UNIVATES para o consumo humano. social e. bem como. pensava-se que apenas situações extremas. 2001). causariam impacto sobre a saúde do feto. 7. responsiva e reflexos normais Pele e mucosas integras e coradas. Ao fim de detectar e corrigir estes erros. que a saúde do adulto reflete o ambiente ao qual ele foi exposto quando ainda era um feto. mucosas. no entanto. o tipo de moradia.. estudos epidemiológicos têm comprovado. mesmo os profissionais menos treinados podem obter valiosas observações com base na avaliação de sinais subjetivos da gestante. como anemia (palidez conjuntiva. Hoje. na identificação de fatores de risco para a gestação (CINTRA et al. como a desnutrição severa.89 - . 2010 . familiar. encontra-se alguns sinais clínicos que podemos observar na gestante em bom estado nutricional. VERMEERSCH. consequentemente a do bebê (WILLIAMS.2. a avaliação nutricional da gestante faz-se essencial para melhorar sua qualidade de vida e.2 – Sinais Clínicos de Boa Nutrição na Gestante Aspecto geral e psicológico Pele.

a recomendação do ganho de peso baseia-se no índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional e a adequação desse ganho de peso está associada com desfechos gestacionais favoráveis para a mãe (menos complicações no parto e retenção de peso no puerpério) e para o bebê (peso adequado ao nascer). ideal menos de sete dias (CINTRA et al. 2008b). alergias. No segundo e terceiro trimestre. práticas étnicas e culturais de alimentação. SOUZA. A Figura . Apesar de não existir um padrão-ouro na investigação do consumo alimentar (VITOLO. quanto o ganho de 2kg ou a perda de até 3kg.. 2003). espera-se que no primeiro trimestre possa haver tanto manutenção do peso corporal. o nutricionista dispõe de diversos métodos para avaliar os hábitos alimentares da gestante. RIBEIRO. não devendo o período de registro ser muito longo. SILVA. É um método relativamente rápido. sendo importante coletar estes dados referentes à paciente e seus familiares próximos (HAMMOND. Outro método é o questionário de frequência de consumo alimentar (QFCA). é preciso questionar a gestante sobre doenças atuais e prévias à gestação. que tem sido amplamente utilizado em estudos epidemiológicos.CCBS/UNIVATES na família da gestante. 1997). é um método quantitativo em que a paciente reporta todo o alimento (líquido ou sólido) consumido nas últimas 24 horas anteriores a entrevista. sem causar comprometimento à saúde da mãe e do bebê. depende da memória da paciente e da destreza do entrevistador (CRISPIM. e seus resultados são capazes de predizer desfechos da gestação. O ideal é que o questionário seja o mais conciso possível a fim de detectar deficiências ou excessos de nutrientes específicos que estão sendo investigados. Por vezes pode ser pouco exato e requer a memória de hábitos do passado da entrevistada. N. tabus. RIBEIRO.90 - . por exemplo).. 1997). uso de drogas. BATISTA FILHO. sendo o registro feito na hora em que o alimento é consumido. É necessário que a paciente seja alfabetizada e esteja altamente motivada para que este método seja eficaz. 2010 .3 Medidas Antropométricas A aferição de medidas antropométricas é vital na avaliação nutricional da gestante. O inquérito recordatório de 24 horas. é possível classificar o estado nutricional da gestante de acordo com a idade gestacional (IG). aversões ou intolerâncias alimentares. 7. uso de medicamentos e suplementos alimentares.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. método qualitativo constituído por uma lista de alimentos e bebidas cuja frequência do consumo é perguntada à paciente utilizando-se de fotos e modelos alimentares para facilitar o entendimento da porção referida. É um método que diminui a probabilidade da omissão de registros e é fidedigno quantitativamente. é um método bem aceito por ser de rápida aplicabilidade e baixo custo. dietas ou práticas especiais (vegetarianismo. Em relação ao ganho de peso na gestação. 2002). 3. Apesar de não representar a ingestão habitual da paciente. sem que seu preenchimento seja cansativo (CINTRA et al. álcool. com o objetivo de adequar tanto a avaliação quanto as recomendações nutricionais a serem feitas (CRISPIM. ANO 2. Já o inquérito por registro consiste em registrar o tipo e a quantidade de alimentos e bebidas ingeridos durante um período predeterminado de tempo. Por meio de alguns métodos já bem estabelecidos. Ao se tratar do histórico clínico e dietético. SILVA. entre eles o peso do bebê ao nascer (COELHO. 2002). É importante salientar que os pontos de corte do IMC para gestantes são diferentes daqueles preconizados para a população adulta em geral. por exemplo. 2003). É o método não invasivo mais rápido e acessível de avaliação.

2002). 2009) dos Estados Unidos.8kg Placenta e cordão umbilical Líquido amniótico Mamas 0. COLE. 1998). BATISTA FILHO. como Nomograma e Curva de Rosso que durante muitos anos foi adotado pelo Ministério da Saúde do Brasil.5 – 18 11. 2002).9kg/m²) Sobrepeso (≥ 25 – 29.4 – Distribuição do ganho de peso durante gestação Feto Útero Estoque materno de nutrientes Fonte: Adaptado de Fagen. SOUZA.6kg 0.3 – Ganho de peso recomendado para gestantes de acordo com IMC pré-gravídico Categoria de peso pré-gestacional Baixo peso (< 18. mas é também proveniente das mudanças que ocorrem no organismo da mãe (FAGEN. Figura 1. 2009 Ganho de peso semanal (kg) no 2º e 3º trimestre* 0. A Curva de Atalah é atualmente utilizada e indicada pelo Ministério da Saúde do Brasil como ferramenta de avaliação do estado nutricional da gestante (FAGUNDES et al. 2010 . com base no IMC pré-gestacional.28 0. comum na gestação. porém foi demonstrado que esse método superestima a prevalência de desnutrição e excesso de peso. 1987).2kg 0. Em gestantes foi demonstrado que não havendo aumento nesse parâmetro no segundo trimestre da gestação. WHARTON. A dobra cutânea é um ótimo indicador para a deposição de gordura corporal. N. levando a falsas classificações (COELHO. estão mais predispostas a dar a luz a bebês com baixo peso ao nascer (VIEGAS.5 – 16 ≥11.7 Ganho de peso (kg) total na gestação 12.9kg/m²) Obesidade (≥ 30kg/m²) Gestação Gemelar Fonte: Institute of Medicine (IOM).CCBS/UNIVATES 1.7kg 2.3 mostra o ganho de peso recomendado pelo Institute of Medicine (IOM. Alguns fatores que contribuem para o aumento de peso na gravidez estão listados na Figura 1.8 a 3.5kg/m²) Peso normal (18.4kg Diversos instrumentos de avaliação utilizam como base as medidas antropométricas da gestante.24 O cálculo do IMC pré-gestacional da gestante é feito da seguinte forma: IMC Pré-gestacional = peso pré-gestacional (altura²) O ganho de peso na gestação é oriundo não apenas do ganho ponderal do feto e da presença de edema. 2002 2.4..REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS.5 5-9 16 . Figura 1.5kg 0.22 0.4 Parâmetros Bioquímicos .51 0.42 0. 7.. 2004). ANO 2. Outro parâmetro para a avaliação nutricional da gestante é a circunferência do braço (CB) apontado como bom indicador do estado nutricional da gestante e um ótimo preditivo do peso ao nascer: a cada centímetro adicional pode-se esperar um aumento de 45g no peso ao nascer do bebê (RICALDE et al.91 - . 3.5 – 24.

5g/dl < 20ng:dl 15 – 40μg/24h 0.5 – 7g/dl 250 – 300mg/24h 130 – 140mEq/l 0 – 35U/l 0 – 35U/l 10 – 17μg/dl 100 – 220ng/dl ≤260mg/dl 4 – 5μU/ml 8 CONCLUSÃO A relação alimentação adequada e gestação são de suma importância. sob o ponto de vista nutricional.CCBS/UNIVATES A análise dos resultados de exames laboratoriais da gestante permite avaliar possíveis deficiências nutricionais e corrigi-las por meio de um plano alimentar individualizado.. 2008b Referência 20 – 100pg/ml 2. 2010 . 2008b). sem que isso seja motivo de preocupação (VITOLO. Outro parâmetro importante é a determinação da albumina plasmática. É importante observar que.5 – Principais valores laboratoriais normais para gestantes Componente ACTH Albumina Aldosterona (plasma) Aldesterona (urina) Bilirrubina total Cálcio total Colesterol Cortisol (plasma) Creatitina Ferritina Ferro Fosfatase alcalina Glicose (jejum) Fonte: Adaptado Vitolo. que pode indicar a deficiência de proteínas.1 – 9. Dos exames pré-natais rotineiros. 3. visa à tomada de medidas profiláticas importantes.REVISTA DESTAQUES ACADÊMICOS. devido as adaptações fisiológicas que ocorrem na gravidez. Esta revisão vem contribuir com informações imprescindíveis ao cuidado e manejo de futuras mamães para o bom desenvolvimento da gravidez. os principais a serem observados. por meio de profissionais capacitados como nutricionistas.5mg/dl 180 – 280mg/dl 15 – 55μg/dl < 1.5 – 4. Principais marcadores estão expostos na Figura 1. A assistência a mulheres que queiram engravidar. melhorando a qualidade de vida.5 – 14g/dl 8 – 30μU/ml 5 – 12mg/dl 4. Figura 1. N. O pré-natal monitorado com todas as recomendações nutricionais e uma adequada avaliação nutricional fazem com que possamos incentivar cada vez mais o binômio mãe-bebê.5.0mg/ml 5 – 150ng/ml 90μg/dl 60 – 200mU/ml 60 – 105mg/dl Componente Hematócrito (Ht) Hemoglobina ((Hb) Insulina (jejum) Nitrogênio uréico sanguíneo Proteína plasmática total Proteínas urinárias Sódio TGO TGP Tiroxina (T4) Tiroxina (T3) Triglicerideos TSH Referência 33 – 44% 10. alguns marcadores bioquímicos apresentam-se naturalmente alterados.92 - . consequentemente gerando saúde. Uma vez que a carência de vitamina A é um problema de saúde pública no Brasil e este influencia no quadro de morbimortalidade materno-infantil. 2006). com ações preventivas contra a morbimortalidade infatil e materna.3 – 1mg/dl 8. principalmente em pacientes de baixa renda (LOPES et al. . que podem indicar a anemia. o retinol sérico também deve ser observado. ANO 2. incluem a dosagem de hemoglobina (Hb) e níveis de hematócrito (Ht).

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