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Fernão Mendes Pinto, Sátira e anti-cruzada na Peregrinação de Rebecca Catz

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Biblioteca Breve nº 58
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Published by: Maria do Rosário Monteiro on Dec 28, 2012
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Os capítulos finais da Peregrinação são consagrados
àquilo a que um crítico chamou «a glorificação de
Francisco Xavier.» 30 E assim pareceria, a partir do
retrato de «aquele bem-aventurado padre mestre
Francisco Xavier, luminar, no seu tempo, de todo o
Oriente, cuja virtude e santidade o fizeram tão
conhecido no mundo» (CXIII, 645). Por recurso à
hipérbole, à distorção e à supressão, Mendes Pinto
compôs, de facto, um retrato herói-cómico de S.
Francisco Xavier que veio a ser copiado por muitos
autores que se lhe seguiram, tendo sido incorporado
nas biografias do santo que proliferaram durante o
século XVII 31. Este exagerado retrato terá
contribuído, em parte, para o acolhimento cordial da
obra por parte das autoridades eclesiásticas, bem
como para a popularidade de que gozou, por muito
tempo, em países católicos, onde se tirou partido da
amizade entre o autor e o padre. De que é
extremamente exagerado não resta qualquer dúvida,
pois que historiadores jesuítas modernos o

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demonstraram já amplamente, corrigindo as
mistificações.

O manhoso satírico apresenta uma série de
milagres (ou o que ele quis representar como
milagres) realizados pelo santo; mas, ao mesmo
tempo que elogia o santo pelos seus milagres,
deprecia-os subtilmente. Se examinarmos os milagres
atentamente, poderemos ver que cada um dos
milagres tem um «defeito».

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