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ADI 3105 (taxação inativos)

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Supremo Tribunal Federal

Diário da Justiça de 18/02/2005 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.105-8 DISTRITO FEDERAL RELATORA ORIGINÁRIA RELATOR PARA O ACÓRDÃO REQUERENTE(S) ADVOGADO(A/S) REQUERIDO(A/S) : MIN. ELLEN GRACIE : MIN. CEZAR PELUSO : ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO - CONAMP : ARISTIDES JUNQUEIRA ALVARENGA E OUTRO(A/S) : CONGRESSO NACIONAL

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Acórdão

e

3105Ementa

ADI

EMENTAS: 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídicosubjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. 2. Inconstitucionalidade. Ação direta. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária, por força de Emenda Constitucional. Ofensa a outros direitos e garantias individuais. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Regra não retroativa. Instrumento de atuação do Estado na área da previdência social. Obediência aos princípios da solidariedade e do equilíbrio financeiro e atuarial, bem como aos objetivos constitucionais de universalidade, equidade na forma de participação no custeio e diversidade da base de financiamento. Ação julgada improcedente em relação ao art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. Votos vencidos. Aplicação dos arts. 149, caput, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, e 201, caput, da CF. Não é inconstitucional o

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ADI 3.105 / DF art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e as pensões dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. 3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional (EC nº 41/2003, art. 4º, § únic, I e II). Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária, que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada procedente para declarar inconstitucionais as expressões “cinquenta por cento do” e “sessenta por cento do”, constante do art. 4º, § único, I e II, da EC nº 41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60, § 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, § 18. São inconstitucionais as expressões “cinqüenta por cento do” e “sessenta por cento do”, constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a redação dada por essa mesma Emenda. ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por decisão majoritária, em julgar improcedente a ação em relação ao caput do artigo 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, vencidos a Senhora Ministra ELLEN GRACIE, Relatora, e os Senhores Ministros CARLOS BRITTO, MARCO AURÉLIO e CELSO DE MELLO. Por unanimidade, em julgar inconstitucionais as expressões “cinqüenta por cento do” e “sessenta por cento do”, contidas, respectivamente, nos incisos I e II do parágrafo único do artigo 4º da Emenda Constitucional nº 41/2003, pelo que aplica-se, então, à hipótese do artigo 4º da EC nº 41/2003 o § 18

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ADI 3.105 / DF do artigo 40 do texto permanente da Constituição, introduzido pela mesma emenda constitucional. Votou o Presidente, o Senhor Ministro NELSON JOBIM. Redigirá o acórdão o Senhor Ministro CEZAR PELUSO. Brasília, 18 de agosto de 2004.

NELSON JOBIM - PRESIDENTE

CEZAR PELUSO - RELATOR PARA O ACÓRDÃO

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26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.105-8 DISTRITO FEDERAL RELATORA REQUERENTE(S) ADVOGADO(A/S) REQUERIDO(A/S) : MIN. ELLEN GRACIE : ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO - CONAMP : ARISTIDES JUNQUEIRA ALVARENGA E OUTRO(A/S) : CONGRESSO NACIONAL R E L A T Ó R I O

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Relatório

A Senhora Ministra Ellen Gracie: A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP propôs ação direta de inconstitucionalidade em face do artigo 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19.12.03, que possui o seguinte teor: “Art. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, em gozo de benefícios na data de publicação desta Emenda, bem como os alcançados pelo disposto no seu art. 3º,1 contribuirão para o custeio do regime de que trata o art. 40 da Constituição Federal com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. Parágrafo único. A contribuição previdenciária a que se refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere: I - cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição Federal, para os servidores inativos e os pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - sessenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição Federal, para os servidores inativos e os pensionistas da União.” Alega a autora que “os servidores públicos aposentados e os que preenchiam as exigências de aposentação antes da vigência da nova norma
Art. 3º, caput da EC nº 41/03: “É assegurada a concessão, a qualquer tempo, de aposentadoria aos servidores públicos, bem como pensão aos seus dependentes, que, até a data de publicação desta Emenda, tenham cumprido todos os requisitos para obtenção desses benefícios, com base nos critérios da legislação então vigente.”
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constitucional estavam submetidos, quando das suas aposentadorias ou do momento em que poderiam se aposentar, a regime previdenciário que não tinha caráter contributivo ou solidário (antes da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998), ou apenas tinha caráter contributivo (depois dessa mesma Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” Assim, conclui, os referidos servidores, depois de aposentados conforme o sistema previdenciário então estabelecido pela Constituição, exerceram ou incorporaram ao seu patrimônio jurídico o direito de não mais pagarem contribuição previdenciária. Afirma que tal ilação está em conformidade com o pacífico entendimento firmado nesta Corte (Enunciado nº 359 da Súmula do STF, alterado após o julgamento do RE nº 72.509 ED-EDv, DJ 30.03.73) segundo o qual o servidor público aposentado ou que já reuniu os requisitos para se aposentar tem o direito de que seja aplicada, ao período de sua inatividade, a lei vigente à época em que se aposentou ou que poderia se aposentar. Assevera que se os servidores aposentados até 19.12.03, bem como os que detinham as condições para sê-lo, possuem o direito de não pagar contribuição previdenciária, a obrigação imposta pelo dispositivo impugnado prejudica este mesmo direito, impondo situação jurídica mais gravosa ao seu titular. Aponta, assim, violação à garantia individual do direito adquirido (o que não foi exercido, apesar de já estar incorporado ao patrimônio jurídico de seu titular) e do ato jurídico perfeito (direito subjetivo exercido que se torna, por ato do Poder Público, situação definitivamente constituída), prevista no artigo 5º, XXXVI da CF. Afirma ter sido desrespeitada, por conseguinte, a cláusula pétrea insculpida no art. 60, § 4º, IV da Carta Magna, segundo a qual “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais”. Defende a requerente a tese de que o vocábulo “lei” constante do citado art. 5º, XXXVI da CF (“a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”) possui um significado amplo, a representar qualquer ato normativo editado ou expedido pelos Poderes e agentes estatais, incluindo, neste conceito, a espécie normativa emenda constitucional. Assevera, outrossim, que a norma atacada afronta o princípio da isonomia tributária, previsto no art. 150, II da Lei Fundamental, por ter instituído tratamento diferenciado entre os servidores que se aposentarem após a promulgação da EC nº 41/03, que contribuirão apenas sobre o montante do provento que exceda a R$ 2.400,00 (valor máximo de benefício do regime geral de previdência social), e os que já estão aposentados, que deverão contribuir sobre o que superar apenas 60% (sessenta por

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cento) dos referidos R$ 2.400,00, se servidor inativo da União, e sobre 50% (cinqüenta por cento) da mesma importância, se servidor aposentado dos Estados, Distrito Federal ou Municípios. Para embasar esta alegação de ofensa ao primado da isonomia, vale-se a requerente de trecho de parecer do eminente jurista José Afonso da Silva, para o qual o aspecto essencial tomado pelo legislador constituinte derivado para impor, ao grupo destinatário da norma, o ônus em exame, são os proventos de aposentadoria. Assim, conclui, as pessoas atingidas encontram-se em situações idênticas por serem titulares de proventos de aposentadoria, sendo ofensivo à regra da igualdade a discriminação estipulada pela norma contestada. Sustenta, por fim, o ilustre doutrinador, que sendo a igualdade de tratamento de situações iguais garantia individual, também o poder reformador não pode discriminar, por força do art. 60, § 4º, IV da CF. Por último, sustenta a Associação autora ofensa ao princípio da irredutibilidade de vencimentos e proventos, “princípio geral que protege todas as formas de estipêndios decorrentes das relações privadas e públicas de trabalho”. Requer, liminarmente, a suspensão do preceito impugnado e, no mérito, a procedência do pedido para que seja declarada a inconstitucionalidade do art. 4º da EC nº 41/03. Determinado o procedimento estabelecido no art. 12 da Lei 9.868/99, foram solicitadas informações ao Congresso Nacional que as prestou por meio de peça elaborada pela Advocacia-Geral do Senado Federal. Nesta, apontou-se, preliminarmente, a ilegitimidade ativa da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP, conclusão que teria sido alcançada por esta Corte no julgamento da ADI nº 1.402-MC. No mérito, alega que o Congresso Nacional, por meio da escolha de uma nova política previdenciária, aprovou um regime mais adequado que pudesse reduzir as desigualdades entre as previdências pública e privada. Concluindo pretenderem os autores a imutabilidade de um certo regime jurídico, afirma que a eleição por um novo modelo, implementado por emenda constitucional, implicou na alteração do regime jurídico previdenciário, contra o qual não pode ser invocado direito adquirido, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, cita precedentes da Corte. Quanto à alegação de afronta ao princípio da irredutibilidade de vencimentos, sustenta o requerido ter este Tribunal decidido, na ADI nº 1.441, que os vencimentos e os proventos não são imunes à incidência de tributos. Requer a improcedência do pedido.

pois. a EC nº 41/03 veio exatamente dar o suporte constitucional necessário para a cobrança da exação sob análise. “elemento idôneo a instituir a contribuição previdenciária de inativos e pensionistas. rel. afirma inserir-se a contribuição impugnada num contexto de solidariedade. ao contrário. Expõe que no julgamento cautelar da ADI 2. peculiar à seguridade social. conclui a AGU. não havendo motivo para a exclusão de alguns em prejuízo dos demais. sendo. segundo defende. XXXVI. sistema em que todos os participantes. de uma indispensável base constitucional para a cobrança de inativos e pensionistas. contida em seu art. não havendo que se falar em direito adquirido a não ser tributado”. 5º. devam concorrer. a noção de norma infraconstitucional da espécie ordinária. esta Corte constatou a ausência. Assim. da dignidade da pessoa humana e da isonomia. Assim. sejam eles servidores ativos. neste aspecto. inativos ou pensionistas.105 / DF Em sua manifestação. Celso de Mello. enfatiza a AGU que a transgressão ao campo das cláusulas pétreas ocorreria caso fosse promulgada “emenda que suprimisse ou fosse tendente a abolir a previsão geral. assevera a AGU que a garantia individual do respeito ao direito adquirido destina-se aos atos normativos infraconstitucionais. no rol dos direitos e garantias . sujeitando. Reconhecer-se direito adquirido aos inativos de não sofrerem tributação importaria em instituir uma imunidade tributária sem previsão constitucional”. na época.010. Alega que emenda constitucional possui eficácia imediata. aludindo. à expressão lei. Min. a Advocacia-Geral da União assevera que a “contribuição previdenciária tem natureza de tributo. pessoas que adquiriram tal status em momento que lhe é anterior”. Valendo-se de trabalho do festejado jurista Luís Roberto Barroso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. incidindo sobre as situações presentes e futuras. que teria. Realçando a superioridade hierárquica das emendas constitucionais. inclusive. portanto. como os princípios da solidariedade. argumenta. em momento algum dispôs a Carta de 1988 que emenda constitucional não prejudicará direito adquirido. Além de enfatizar a necessidade da observância de outras regras e princípios que informam o sistema constitucional. bem como sobre os efeitos futuros de situações consolidadas no passado. que “nenhum contribuinte tem o direito de não vir a ser tributado no futuro ou de não ter a sua tributação majorada.

afirma a Advocacia-Geral da União que “inexiste direito adquirido à não-exação tributária. ou seja. aprovado pelo ilustre Procurador-Geral da República.441-MC. está-se tratando os desiguais de forma desigual. Dr. Sobre a alegação de desrespeito ao princípio da irredutibilidade de vencimentos e proventos. pois integram igualmente o sistema. No que diz respeito ao princípio da isonomia tributária. A douta Procuradoria-Geral da República. Cláudio Fonteles. com isso. 150. não se encontram em situação distinta pelo mero fato de estarem aposentados”. Octavio Gallotti. já ostentavam a condição de servidores inativos. da garantia do direito adquirido”. devendo todos. “já que estes. anteriormente à EC nº 41/03. reste prejudicado o princípio da irredutibilidade”. enquanto haverá uma incidência contributiva menor para os que estão atrelados a um regime mais rígido. argumenta que tal discrímen se justifica pelo fato dos servidores já aposentados terem adquirido seus benefícios mediante regras mais flexíveis e com um tempo menor de contribuição. Quanto à diferença de tratamento entre os atuais aposentados e os que vierem a se aposentar após a promulgação da EC nº 41/03. 5º. na realidade. Dr. Min. sem que. enquanto os servidores que ainda não se aposentaram estarão sujeitos a regramento mais rígido. rel. por meio de parecer da lavra do Senhor Vice Procurador-Geral da República. que os obrigará a passar mais tempo na atividade. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. XXXVI da CF. solidariamente. II da CF. Alega que esta conclusão já foi alcançada por este Supremo Tribunal no julgamento da ADI 1. bem como sobre proventos. como também da perda da dignidade. caso alterado o disposto no art. Segundo alega. . alega a AGU que a instituição de contribuição previdenciária para inativos e pensionistas passou a conferir um mesmo tratamento a indivíduos situados sob uma mesma conjuntura. e a incidência de tributos pode se dar sobre vencimentos. o que não importa violação ao apontado art. na carreira e no cargo em que pretendam se aposentar.Supremo Tribunal Federal ADI 3. resguardar as gerações atuais e futuras de eventual estado de pobreza. manifestou-se favoravelmente à tese das requerentes por entender ferir a garantia constitucional da inalterabilidade do ato jurídico perfeito e do direito adquirido a instituição de contribuição previdenciária sobre os proventos daqueles que.105 / DF fundamentais. Em resumo: a contribuição incidirá num grau maior para aqueles que se submeteram a um regime menos gravoso. 4º da EC nº 41/03. Requer a declaração da constitucionalidade do art.

“ainda que o novo tributo tenha sido previsto em emenda constitucional”. XXXVI da CF. contida no rol dos direitos e garantias individuais. individualmente considerado pudesse ser diretamente atingido por emendas ao texto constitucional”. De qualquer modo. e que. No mais. Alega que este entendimento é consonante com o sentido constitucional de preservação do que validamente está consolidado (segurança jurídica). submete-se aos limites impostos no texto constitucional. encontram-se na vedação constante do citado art. Valmir Pontes Filho. na realidade. 5º. a qualquer das espécies legislativas elencadas no artigo 59 da Constituição Federal. § 4º. Hugo Nigro Mazzilli e Elival da Silva Ramos. como manifestação de um poder constituído. IV da CF. acrescenta. Refuta o Ministério Público Federal. ainda cita Manoel Gonçalves Ferreira Filho. E questiona. no trecho transcrito de seu parecer. Defende ser “totalmente desprovida de consistência a interpretação atribuída ao preceito sob análise”. a alegação de que a Constituição proibiria a edição de emenda tendente a abolir a previsão geral e abstrata da proteção ao direito adquirido. dentre elas a emenda Constitucional”. Afirma ser irrelevante a questão atinente à amplitude semântica da expressão “lei”. outrossim. em seu art. Alega que o poder de emenda à Constituição é subalterno aos limites impostos pela própria Carta e que esta impõe. 60. § 4º. IV a proteção dos direitos e garantias individuais. conclusivamente. somente o constituinte originário pode tudo desfazer. expõe. o preceito constitucional restaria inócuo e sem aplicação”. o respeito ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Carlos Ayres Brito. “o legislador constituinte ao utilizar a palavra lei se referiu. como garantia individual que é. dentre os quais. 60. ou seja. uma vez que os fundamentos da intocabilidade do direito adquirido. quanto a este entendimento de que as emendas não podem ofender o direito adquirido. a utilidade de uma proteção genérica dos direitos adquiridos “se o conteúdo de cada direito adquirido. pois “sem a proteção dos direitos singularmente considerados. manifesta-se o Parquet federal pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária dos inativos. a qualquer veículo introdutor de normas. Já a emenda. asseverando que se o Poder .105 / DF pensionistas ou detentores dos requisitos para a aposentadoria. por isso. em Raul Machado Horta e em José Afonso da Silva que. contida no art. mas permitiria a supressão destes mesmos direitos individualmente considerados. Apóia-se o órgão ministerial.Supremo Tribunal Federal ADI 3.

este último. sustenta que a solidariedade. Distribuam-se cópias aos Senhores Ministros. . É o relatório. Por último. Opina a PGR. na verificação da capacidade contributiva. dado o caráter retributivo do sistema contributivo. assim. diretamente afrontado pelas diferenciações impostas pela Emenda em exame entre os servidores já aposentados e aqueles que passarão à inatividade sob a vigência da EC nº 41/03. pela procedência do pedido formulado. não tem o condão de afastar os limites a serem respeitados pelo legislador no momento da imposição de um tributo. como o princípio da legalidade e o da isonomia.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Público deseja impor uma nova contribuição deverá criar um novo benefício que a justifique. segundo afirma. segundo o qual sem causa suficiente não se justifica a majoração ou a instituição da contribuição de seguridade social. valor que se manifesta legitimamente. por exemplo.

assegura a produção de sustentação oral pelos amicus curiae.105-8 DISTRITO FEDERAL TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.Supremo Tribunal Federal 26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. Ministros. temos uma série de amicus curiae inscritos. acrescentando no § 3º o artigo 131 do Regimento. e haverá sustentações de dois amicus curiae.128 EXPLICAÇÃO (1) Explicação O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Srs.777. . comunicou-me a Relatora que teria havido um acordo entre eles. a Emenda Regimental nº 15. Nesta demanda. quando dividirão o tempo. em decorrência do que foi decidido na ADI nº 2.

96.(Relatora): 1 . o caráter de entidade representativa de classe. a legitimidade ad causam da Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR por esta representar integrantes de uma carreira . representativa da classe do Ministério Público. Inegavelmente a CONAMP é uma entidade de classe. o que. Além dessas entidades representativas. que assim se expressara: “Penso que quando a Constituição estabelece ou confere legitimidade a uma entidade de classe de âmbito nacional para a propositura da ação. relativamente à CONAMP. não desvirtua. repetese. A legitimidade ativa da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP foi questionada nas informações prestadas pelo Congresso Nacional. DJ de 01. é integrada por membros do Ministério Público da União e dos Estados. Carlos Velloso. ao que penso.402. tal como posto no inciso IX do artigo 103 da Constituição. a Confederação Nacional do Ministério Público – e por entidades representativas desta mesma classe. DJ de 29. que se classifica expressamente como sociedade civil. em que rejeitada a participação da autora no pólo passivo de ação direta de inconstitucionalidade.105-8 DISTRITO FEDERAL (22) GRACIE ELLEN - Voto VOTO A Senhora Ministra Ellen Gracie . sendo relator para o acórdão o Min.00. segundo aquele julgado desfiguraria sua natureza confederativa. relativamente à Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB. porque se trata de uma entidade de classe – são entidades representativas de representantes de ministérios públicos.02. o Min. DJ de 28.Supremo Tribunal Federal 26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.09. Referiu o ilustre Advogado-Geral do Senado precedente contido na ADIMC 1. As entidade que compõem a CONAMP (Confederação Nacional do Ministério Público) – confederação apenas no nome. Maurício Corrêa foi revertida na ADIMC 1. por tratar-se de associação de associações que também tem como membros pessoas físicas. adotada por maioria. O fato de a entidade de classe se compor de sociedades civis representativas da classe por pessoas físicas da mesma classe.402. no caso. de âmbito nacional.874.303.03. não seria possível distinguir entidades que são formadas por membros da classe – como.Legitimidade ativa das autoras.08. Essa orientação. Marco Aurélio. a CONAMP. em 29/02/96. ainda. para que prevalecesse o entendimento esposado no voto vencido do relator da ADIMC 1.” Reconheço. Maurício. e na ADI 2. em exercício ou aposentados.

às quais este mesmo texto deu status de núcleo intocável. rel. I.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ou seja. 2 . Este tratamento constitucional específico conferido a certas carreiras do serviço público tem servido. a). tais limites foram ultrapassados. como critério de aferição da legitimidade de organismos associativos tais como a Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE (ADI nº 159 e 1. 3 . A questão principal que se nos depara é a de definir os limites do poder de emenda ao texto constitucional básico e se. Min. Acrescenta o eminente jurista que “o poder de revisão constitucional é. com as garantias fundamentais inseridas no texto originário de 1988. 4º da EC nº 41/03).105 / DF cuja identidade é decorrente da própria Constituição (art. Tenho por demonstrada a pertinência temática. O texto que ora é submetido ao controle concentrado de constitucionalidade corresponde a uma emenda constitucional. 128. no caso. 4º).713). Este Supremo Tribunal Federal já reconheceu o cabimento do controle de constitucionalidade das normas oriundas do exercício do poder reformador. um poder constituído tal como o poder legislativo”. Min. Pedem-nos as autoras que contrastemos o texto da EC nº 41/03 (especificamente. que tramitou regularmente perante o Congresso Nacional e contra a qual não se apontam vícios nesse iter legislativo. Octavio Gallotti e nº 809.Pertinência temática. de acordo com a jurisprudência iniciada a partir do julgamento das ADIns nº 159.557) e a Associação Nacional dos Advogados da União – ANAUNI (ADI nº 2. uma paródia do . das emendas constitucionais. quando muito. e que “o poder de revisão só em sentido impróprio se poderá considerar constituinte. Canotilho leciona que os poderes constituídos “movem-se dentro do quadro constitucional criado pelo poder constituinte”. rel. Marco Aurélio. dotada de atribuições que foram elevadas à qualidade de essenciais à Justiça. seu art.Submissão das Emendas Constitucionais ao controle de constitucionalidade. uma vez que dentre as finalidades de ambas as associações está a de defender os interesses de seus associados ativos ou inativos e de seus pensionistas e a norma atacada estabelece regramento que permite a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores inativos e pensionistas (Art. será. conseqüentemente.

J. obstando a que eventuais reformas provoquem a destruição. buscando respaldo na autoridade de Canotilho refere “certas garantias que pretendem assegurar a efetividade das cláusulas pétreas como limites tácitos para aduzir que. São Paulo. Além disso.105 / DF poder constituinte verdadeiro”.”2 O mesmo autor.se podem desfazer situações constituídas. Direito Constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Gomes. por exemplo. Carmen Lúcia Antunes Rocha. p. p. que salienta ser implicitamente irreformável a norma constitucional que prevê as limitações expressas (Constituição Federal. assim se expressa: “Somente pela ação do poder constituinte originário cujo processo não é deflagrado apenas pela eventual vontade de um governante ou de um grupo que chegue ao poder .135)... 60)... em seu “Princípios Constitucionais dos Servidores Públicos”. um esforço do constituinte para assegurar a integridade da Constituição. MORAES. São Paulo. Alexandre de Moraes. também. Esses limites podem ainda desdobrar-se em limites textuais implícitos. 1993. com relação às chamadas cláusulas pétreas e a possibilidade de controle de constitucionalidade das emendas constitucionais que “tais cláusulas de garantia traduzem. só posteriormente. 3 MORAES. ao extremar o âmbito de atuação dos poderes constituintes originário e reformador. Coimbra. pois decorre de uma regra jurídica de autenticidade constitucional. Alexandre. conhece limitações constitucionais expressas e implícitas e é passível de controle de constitucionalidade. pois. em verdade. pois a Constituição contribui para a continuidade da ordem jurídica fundamental.Op. Editora Atlas. as cláusulas pétreas. evitando-se que o constituinte derivado suspenda ou mesmo suprima a própria constituição. que. São Paulo. 4 Idem. para. a proibição expressa poderia desaparecer. 1091. “O Poder Constituinte derivado está inserido na própria Constituição. Constituição do Brasil Interpretada. 1. e limites tácitos imanentes numa ordem de valores pré-positiva. 2003. 2003. cit. ‘as Constituições não contêm quaisquer preceitos limitativos do poder de revisão.”3 O mesmo autor. sob pena de também afrontar a Separação dos Poderes da República. 1999. 91. art. 95. Constituição do Brasil Interpretada. J. observase a inalterabilidade do titular do Poder Constituinte derivado-reformador. 2ª ed. 2ª ed. o enfraquecimento ou impliquem profunda mudança de identidade. às vezes.” 4 Vale.. 109. ibidem. Almedina. p. solapar direitos anteriormente aceitos como 1 2 CANOTILHO. vinculativa da ordem constitucional concreta’ (Direito. à medida que impede a efetivação do término do Estado de Direito democrático sob a forma da legalidade. Saraiva. citando Gilmar Ferreira Mendes afirma. p. Alexandre. portanto.1 Para o Prof. lembrar a lição da Profa. Editora Atlas. deduzidos do próprio texto constitucional. se diferente fosse. A existência de limitação explícita e implícita que controla o poder constituinte derivadoreformador é reconhecida pela doutrina. desaparecer. 1093 . P. p. 6ª ed.

o controle de constitucionalidade é invocado para garantia da manutenção do núcleo imodificável da Constituição. em seu art. evidenciam-se como temas insuscetíveis de modificação pela via do poder constituinte derivado. categorias normativas subordinantes que. nos termos do sistema constitucional vigente (art. Emendas à Constituição podem. no vício da inconstitucionalidade. As denominadas cláusulas pétreas representam. Somente pela atuação do poder constituinte originário se podem desconstituir o direito adquirido. da Carta Federal. configurado este pela inobservância de limitações jurídicas superiormente estabelecidas no texto constitucional por deliberação do órgão exercente das funções constituintes primárias ou originárias.105 / DF coerentes com os princípios e valores antes acatados.)”. p. não se tem como prejudicado apenas o princípio do direito adquirido. a. 52/54. Daí a sua plena sindicabilidade jurisdicional. incidindo em violação à Constituição originária. Celso de Mello: ‘É preciso não perder de perspectiva que as emendas constitucionais podem revelar-se incompatíveis. parágrafo 4º. Sydney Sanches. Esta Corte. por decisão da Assembléia Nacional Constituinte.03. 102. da C.” Na presente hipótese. Min. especialmente em face do núcleo temático protegido pela cláusula de imutabilidade inscrita no art. emanada. § 4º. “Normas Constitucionais Inconstitucionais?”. rel. Quando. 5º.F. do poder de reforma do Congresso Nacional. pode ser declarada inconstitucional. 1977. explicitamente. é destruição da Constituição em seus esteios-mestres. (OTTO BACHOF. DJ 18. XXXVI. (ADI nº 939. da Lei Fundamental da República). assim se manifestou o eminente Min. também elas. ao julgar procedentes as ações diretas que impugnaram a instituição do IPMF. revela-se. declarou que “uma Emenda Constitucional. 60. cuja função precípua é de guarda da Constituição (art. assim. também elas. na realidade. autorizada pela EC nº 3/93. incidir. que. de Constituinte derivada. na Constituição Federal de 1988. se investem contra situações firmadas em condições jurídicas pretéritas sobre as quais retroagem as novas normas. é fraude à Constituição.94). O mais. por meio de uma reforma constitucional. portanto. No julgamento do pedido de Medida Cautelar respectivo. com o texto da Constituição a que aderem. 60. Atlântida . achando-se préexcluídas. pelo Supremo Tribunal Federal. I. mas também o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a coisa julgada e o ato jurídico perfeito.

J. assume o caráter de pro-labore facto. nesta linha. .Evolução do Sistema de Aposentadorias no Setor Público. 5ª ed. (2) a criação do IPASE. a). p. in “Cartilha Jurídica”. realizada pelo Tribunal de Contas da União. 4 . A evolução do sistema de aposentadorias no setor público5 parte de sua caracterização inicial como garantia ou mesmo prêmio. p. 1989. 1987. “Curso de Direito Constitucional Positivo”. 3º. Dr. em 1938. . 97. “Norma Constitucional e seus efeitos”. Coimbra. interinos. de ser admitida para exame a argüição de ofensa ao texto constitucional pelo texto que veio a emendá-lo. 2ª ed. item n. traçar um breve histórico dessa evolução. pareceu-me útil.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Igualmente esclarecedor. A partir do Estatuto do Servidor Público de 1952. ou seja. Lucas Furtado. “Mudança do Modelo de Estado e as Reformas Administrativa e da Previdência”. MARIA HELENA DINIZ. portanto. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. para a formação de meu próprio convencimento.” É. compulsoriamente aos 68 anos de idade. n. de 23 de fevereiro de 1938. mediante provocação do Sr. tornaram-se contribuintes obrigatórios os funcionários civis efetivos. Antes disso. em razão da natureza de seu vínculo com a atividade estatal. tomo II/287-294. assegurado ao servidor.105 / DF Editora. JORGE MIRANDA. Procurador-Geral junto àquele órgão. JOSÉ AFONSO DA SILVA. RT. desdobramento de um pacto laboral onde a aposentadoria correspondia a uma extensão da remuneração da atividade. 58/60. É importante verificar que. o trabalho publicado pela Desembargadora Assusete Magalhães. entre outros). que reconheceu os funcionários públicos como categoria sócio-profissional com direito a tratamento à parte no sistema previdenciário e (3) o estatuto de 1939. 4ª ed. ano 12. Almedina. Coimbra Editora. “Direito Constitucional. 1989. e disponível no sítio Internet da Corte de Contas. 85 . pelo Decreto-lei nº 288. GOMES CANOTILHO. ou em comissão (art. 72. “Manual de Direito Constitucional”. que previa a hipótese de aposentadoria por tempo de serviço. com a criação do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado – IPASE. A contribuição correspectiva. Saraiva. 1988. p. Sem pretender a uma total abrangência e focando apenas o sistema de aposentadorias dos servidores da administração pública federal. 756-758. escalonada por faixas salariais.. 5 Dados extraídos basicamente da Avaliação da situação financeira e patrimonial do sistema de previdência social dos servidores públicos da União. são três os marcos relevantes do sistema previdenciário do servidor público federal: (1) a Constituição de 1934. 5º). aos quais se assegurou proventos de aposentadoria (art.J. que deferiu a concessão de benefício integral a quem se tornasse inválido e contasse 30 anos de serviço ou.

uma estrutura de sistema de aposentadorias que. é com a Emenda Constitucional nº 3/93 que o direito previdenciário do servidor público perdeu. definitivamente. 1967 e 1969. E. cujo custeio ocorreria por meio do produto da arrecadação de contribuições sociais obrigatórias dos servidores. que alterou o artigo 231 do Regime Jurídico Único. parágrafo único). cabendo ao Tesouro Nacional complementar as necessidades financeiras de tal plano. Min. especialmente os artigos 183 e 231 definiram a criação do Plano de Seguridade do Servidor. conforme decisão na ADI nº 790. com recursos adicionais. b. foi afastada do ordenamento jurídico. o caráter até então reconhecido de direito devido em razão do exercício do cargo.162/91 que deveriam incidir sobre a totalidade da remuneração e fixou-se prazo de noventa dias para o encaminhamento ao Congresso Nacional de projeto de lei dispondo sobre o Plano de Seguridade do Servidor e sobre as alíquotas a serem observadas a partir de 1º de junho de 1994. A Lei nº 8. e incidia sobre os vencimentos (art. Com a expressa natureza contributiva que lhe foi conferida. Rel. 22. justificou-se a instituição por lei de alíquota destinada ao custeio deste benefício. para efeito de deferimento de proventos integrais. submetida ao controle de constitucionalidade.105 / DF variava entre 4 e 7% (art. As alíquotas estabelecidas foram as mesmas antes previstas pela Lei nº 8. para a formação de seu fundo de aposentadoria conforme as alíquotas estabelecidas pelo legislador e incidentes sobre o valor total de seus vencimentos. por motivo de invalidez. 9º) estabelecia alíquotas de contribuição que variavam entre 9% e 12%. Marco Aurélio. As normas relativas ao Regime Jurídico Único. garante a percepção de tal benefício. foi mantida a de 6% então vigente para custeio do benefício de pensão. Enquanto não editada lei que fixasse a alíquota de contribuição.162/91 (art. tal argumento não tem o valor de infirmar o fato de que aposentadorias e pensões nunca são benefícios contemporâneos. c e d). implemento de idade e voluntária. Por isso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. extinguindo-se uma. quando a outra tem início. Tal norma. Perpassa as Constituições de 1946. basicamente. Concorreram eles. o que foi feito através da Lei nº 8. é errônea a afirmativa de que os servidores públicos federais nunca contribuíram ou pouco contribuíram para o sistema previdenciário próprio. Não foram diversas as disposições da Constituição de 1988. quando . 22. Mas. a. quando se diz que concorreram apenas para as pensões. ao argumento básico da inexistência de regulamentação do Plano de Seguridade do Servidor. Fixou-se também a obrigação de a União participar com recursos oriundos do orçamento fiscal em valor idêntico ao da contribuição de cada servidor e. de fato. atendido o requisito de tempo de serviço.688/93.

Posteriormente. para 31 de dezembro de 2003 – MP nº 2.112/90. 202 da Constituição Federal. Para viabilizar o financiamento da previdência foi autorizada a constituição de fundos integrados por recursos provenientes de contribuição e por bens. a Medida Provisória nº 560/94. É com a EC nº 20/98 e com a Lei nº 9.783/99. que alterou o art. unificando-as.630/98. admitiuse. 11. Aspecto relevante e parcialmente responsável pelo desequilíbrio de contas do RPPS tem origem no descumprimento ao disposto pelo art. a partir de 1º de julho do mesmo ano em 11%. 247. a totalidade da remuneração. que recursos do orçamento da seguridade pudessem contribuir para o pagamento dos encargos previdenciários da União.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ainda. manteve até 30 de junho de 1997 as mesmas alíquotas anteriores e a mesma base de cálculo. do art. para o então INPS. enquanto celetistas. prevista no parágrafo 2º. também. como na Medida Provisória nº 1. convertida na Lei nº 9. por decisões do Supremo Tribunal Federal. da Lei nº 8. restando claro o compromisso desse ente com o custeio dos benefícios. Por isso.187/13) e estabeleceu-se o teto para participação dos entes públicos no financiamento dos regimes próprios de previdência social (até o dobro da contribuição dos servidores). mediante o art. Ambas tiveram sua eficácia suspensa. passa a prevalecer o “tempo de contribuição” sobre o “tempo de serviço”. prescrevendo o ajuste de contas correspondente ao período de contribuição por parte dos servidores celetistas incorporados ao RJU. . 40 da Constituição Federal servidores que haviam contribuído.717/98 que se dá uma importante alteração no regime de previdência dos servidores públicos. desde que implantados planos de aposentadoria complementar. 250 da Constituição Federal). permanecendo vigentes as regras relativas à participação da União. Cria-se um regime próprio de previdência para o servidor público civil. A cobrança de contribuição previdenciária de inativos e pensionistas da União foi tentada por algumas vezes.043/20 e. Fixaram-se. Estabeleceram-se.415/96 e na Lei nº 9. Isso porque passaram a aposentar-se com os direitos estabelecidos no art. direitos e ativos de qualquer natureza (art.212/91 (redação dada pela Lei nº 9. limites de comprometimento da receita líquida com o pagamento de inativos e pensionistas (não excedente a 12%).162/91. limites de idade para aposentadoria e teto limite para os valores de aposentadoria e pensões.105 / DF necessários.717/98). em montante igual à diferença entre despesas e receitas. definitivamente. de caráter contributivo. ou seja. Para minorar os efeitos da inexistência de compensação financeira entre os regimes. sendo flexibilizado seu cumprimento para até 31 de dezembro de 2001 – MP nº 2. da Lei nº 8. após. 17 da Lei nº 8.

O mesmo em relação à pensão de seus dependentes. (. Parágrafo único.O teor do art.” (f. contribuirão para o custeio do regime de que trata o art..105 / DF A todo esse substrato de normas veio acrescentar-se a emenda. 3º. em gozo de benefícios na data de publicação desta Emenda. A saber. Enfrentamos nas presentes ações diretas de inconstitucionalidade uma única questão dentre as inúmeras perplexidades resultantes da edição da Emenda Constitucional nº 41/03. incluídas suas autarquias e fundações. cujo art. Mais que isso.. se a instituição de contribuição previdenciária aos servidores inativos e aos pensionistas fere as garantias de resguardo ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito e/ou corresponde a inadequada imposição tributária. como não poderia deixar de ser. Luis Roberto Barroso. apresentado com as alegações da Advocacia-Geral da União. Colho do parecer do ilustre Prof. 4º e sua repercussão sobre direitos previdenciários adquiridos ou já exercidos. O texto do referido artigo 4º reza: Art. já havendo preenchido as exigências para passagem à inatividade por ocasião da emenda optaram por não fazê-lo.Supremo Tribunal Federal ADI 3. do Distrito Federal e dos Municípios. 40 da Constituição Federal com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. na data de sua promulgação. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União. A contribuição previdenciária a que se refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere: . 5 . com a incidência dessa contribuição sobre os proventos e pensões se teria ferida a garantia de estabilidade imanente dos atos jurídicos perfeitos mediante os quais tais benefícios de prestação continuada foram deferidos e se encontram em gozo. 4º ora examinamos. preserva a situação já desfrutada por servidores aposentados e pensionistas. 278) Alegam as autoras que. a afirmação de que “A Reforma. dos Estados.)Também foram ressalvados os direitos daqueles que. resguarda de maneira expressa seu direito de paridade e equivalência com os servidores em atividade. bem como os alcançados pelo disposto no seu art.

do Distrito Federal e dos Municípios. uma vez que seu direito. Portanto. reconheceu o texto da emenda que as aposentadorias já em curso derivam de ato jurídico perfeito e. quanto aos direitos propriamente previdenciários de seus representados. Logo. que o cumprimento de todas as exigências postas pela legislação anterior. com previsão de revisão na mesma proporção e na mesma data em que se dê aumento de vencimentos para os servidores em atividade. para os servidores inativos e pensionistas da União. a quanto foi assegurado aos aposentados e pensionistas. põe os servidores que tenham optado por continuar no serviço ativo a salvo de alterações posteriores. nas condições em que foram deferidas. permanece em idêntica situação. pela legislação ora analisada. Tudo na esteira do entendimento jurisprudencial que este Tribunal vem fixando ao longo do tempo. para efeito de concessão do benefício de aposentadoria. ao menos em termos de garantias previdenciárias. 201 da Constituição Federal.” Desta leitura não vislumbro qualquer desrespeito. O artigo 4º. A paridade com os servidores da ativa está mantida pela emenda. precisam ser mantidas nas condições em que implementadas. também. garante aos atuais aposentados e pensionistas a permanência das aposentadorias e pensões. por isso. Aos servidores que já tenham implementado as condições de aposentadoria ela será acessível nos termos postos pela legislação anterior. 201 da Constituição Federal. ainda que respeitáveis as alegações trazidas pelas autoras. Ao contrário.105 / DF I – cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para os servidores do regime geral de previdência social de que trata o art. Por isso mesmo. embora não exercido. já se considera adquirido. não vejo feridas. as garantias individuais supra .Supremo Tribunal Federal ADI 3. seja para efeito de revisão na mesma proporção e na mesma data em que a remuneração daqueles for modificada. O mesmo quanto às pensões. não há aqui ofensa a direito adquirido ou a ato jurídico perfeito. II – sessenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. analisado em conjunto com os artigos 3º e 7º da mesma emenda. para os servidores inativos e os pensionistas dos Estados. quem reunia condições para aposentadoria teve o respectivo gozo assegurado. E reconheceu o legislador reformador. seja para estender-lhes quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade. quem já era aposentado.

6 . este Supremo Tribunal Federal. Conforme entendo. Em 29. de imposição de natureza tributária. Rel. Xavier de Albuquerque. IV da Constituição Federal. Min. não sendo oponível ao Poder Público a pretensão que “vise obstar o aumento dos tributos. portanto. 4º. 5º.A Contribuição sobre proventos de aposentadoria e pensões como incidência tributária. as diretrizes constitucionais que regem. p/ o acórdão o Min. os proventos percebidos pelos aposentados não estão imunes à incidência dos tributos. Min. afasto a alegação de ofensa ao art. foi estender a contribuição previdenciária a um grupo de pessoas sobre o qual até então ela não incidia. formal e materialmente. no julgamento da ADI nº 1. Na ordem constitucional anterior à Carta de 1988. desde que respeitadas. art.Supremo Tribunal Federal ADI 3.009. o exercício da competência impositiva”. pela retroatividade da lei. Rel. Também não procede a afirmação de ofensa ao princípio da irredutibilidade dos proventos. da EC nº 41/03. Já sob a égide da Constituição vigente. que assim como os vencimentos dos servidores em atividade. Filiando-me a este entendimento por reconhecer a convivência constitucional da garantia de irredutibilidade com a “tributabilidade” dos vencimentos e proventos. XXXVI). o que se fez. ficou demonstrado que a garantia constitucional da irredutibilidade não possui caráter absoluto. Celso de Mello.11. Rel. é eloqüente a exposição de motivos que acompanhou a proposta governamental de que resultou a EC nº 41/03: . pelo Estado. a cujo conceito se subsumem as contribuições sociais.010. Trata-se. reconheceu esta Casa. Plenário. assentou a plena constitucionalidade da imposição de contribuição previdenciária aos vencimentos dos juízes (RE 70. 194. que deve ser analisada à luz dos princípios constitucionais próprios. julg. analisando a questão sob a ótica da prerrogativa de irredutibilidade da magistratura. No julgamento da ADIMC nº 2. mediante a edição do referido art.73).441. A propósito. que possa resultar em agressão a direito adquirido ou ato jurídico perfeito (Constituição Federal. Octavio Gallotti.105 / DF referidas. como as contribuições pertinentes à seguridade social.

também para o custeio da assistência médica (que é um benefício da seguridade social e não previdenciário). . sobre parte da remuneração e sobre uma remuneração que foi variável durante suas vidas no serviço público. por pouco tempo. 68. Inúmeras são as razões que determinam a adoção de tal medida. quer para aqueles que cumprirão os requisitos após a promulgação da presente Emenda Constitucional. em regra. essencialmente. um autêntico incentivo para aposentadorias precoces. sendo certo que não seria possível pretender realizar uma verdadeira reforma no sistema previdenciário brasileiro sem abranger esse tópico. durante muito tempo. 66. em muitos casos. com alíquotas módicas. exigindo em razão dessa especificidade. da contribuição previdenciária dos servidores inativos e pensionistas. 65. conforme já mencionamos anteriormente. constituindo. 67. 69. é irrefutável a necessidade da medida. A grande maioria dos atuais servidores aposentados contribuiu. Isso porque há significativa diferença entre a remuneração na admissão e aquela em que se dá a aposentadoria em razão dos planos de cargos e salários das diversas carreiras de servidores públicos. Não obstante ser esta questão historicamente polêmica. corrigindo-se políticas inadequadas adotadas no passado. principalmente pelo fato de muitos dos atuais inativos não terem contribuído. cabendo destacar o fato de a Previdência Social ter. Outra proposta diz respeito à inclusão. incidentes sobre o vencimento e não sobre a totalidade da remuneração. e. no Texto Constitucional.105 / DF “64. além de ser destinada apenas para custear os benefícios considerados previdenciários. com alíquotas módicas. Também merece destaque o fato de o Brasil ser um dos poucos países no mundo em que o aposentado recebe proventos superiores à remuneração dos servidores ativos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. que todos aqueles que fazem parte do sistema sejam chamados a contribuir para a cobertura do vultoso desequilíbrio financeiro hoje existente. e apenas para as pensões. quer para os que já se encontram nessa situação. um caráter solidário. este modelo. Apenas na história recente a contribuição previdenciária passou a ter alíquotas mais próximas de uma relação contributiva mais adequada e a incidir sobre a totalidade da remuneração.

nunca estiveram na situação de contribuintes – passaram a sê-lo. após cumprir todas as condições de tempo de serviço e contribuições previstas em lei. mensalmente. para o regime da previdência. desligados que estão. Para o servidor. quando ingressam na inatividade. ele é contribuinte. Além de corrigir distorções históricas. aposentados foram “reinstalados” na condição de contribuintes do sistema e pensionistas – que. a meu sentir. na forma da lei vigente ao tempo da inativação ou do óbito do servidor. a obrigação que se lhe cria é a de contribuir. Essa confusão entre conceitos levou à presente tentativa de fazer com que os aposentados e pensionistas paguem retroativamente pelos benefícios que já auferem e que lhes foram regularmente deferidos. O equívoco em que. regido por direitos e deveres próprios. na relação previdenciária. mas proventos. acaso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. for considerado inválido. do serviço público. estes. o indivíduo pode apresentar-se em uma de duas condições: ou é servidor ativo ou é servidor inativo. quando em atividade e ao qual são agregados. passando a perceber não mais vencimentos. quando passar à inatividade. de um lado o sistema estatutário a que se submetem os servidores públicos ao longo de sua vida funcional. enquanto em atividade.105 / DF 70. incorrem os defensores da alteração introduzida pelo artigo ora em exame consiste em confundir sistemas diversos. com percentual fixado em lei sobre seus ganhos. para todos os efeitos. verifica-se que. No regime previdenciário. proporcionando a igualdade. ou se. De tal contribuição. com a finalidade de alcançar o saneamento das finanças da previdência social. o sistema previdenciário para o qual contribuem eles. diga-se de passagem. não só em relação aos direitos dos atuais servidores. e será beneficiário. as tentativas de saneamento do elevado e crescente desequilíbrio financeiro dos regimes próprios de previdência serão reforçadas com a contribuição dos inativos. No sistema estatutário. enquanto em atividade.” (grifei) Dessa leitura. de outro. mas também em relação às obrigações. não pode fugir. É preciso extremar com clareza os dois sistemas. posto que os descontos respectivos se operam em folha de . Essas são as razões que fundamentam a instituição de contribuição previdenciária sobre os proventos dos atuais aposentados e pensionistas ou ainda daqueles que vierem a se aposentar.

de 22/10/02. O que foi afirmado quanto à correção de recolhimento dos servidores. Para ele a contribuição ora em comento corresponde a “contribuição sui generis.5. o relatório da Decisão 1459/2003 que apenas a partir da edição da Portaria SOF nº 10. em razão de sua exclusiva e justificativa vinculação às contraprestações que deverão. o passivo acumulado pelos anos em que tal participação deixou de se verificar. p. igualmente o mesmo relatório a inexistência de um orçamento específico para a Seguridade. 195.Supremo Tribunal Federal ADI 3. constante da Decisão 1511/2002. 1998. acrescenta o art. cujo art. Informa. 5º. Malheiros. 195. 1999. “Curso de Direito Tributário”. porém. que vem afinal estabelecida a parcela com a qual a União deverá contribuir para o financiamento do sistema de previdência de seus servidores. não corresponde exatamente à verdade) – foram sempre contribuintes perfeitamente pontuais no recolhimento da parte que lhes cabia. outrossim. de 28. Ora. p. contrariando a disposição do parágrafo 5º. art. 3. se o será. III). Di-lo o Prof. porém. Luiz Alberto David Araújo e Vidal Serrano Nunes 6 Mas. o seu próprio benefício da aposentadoria e da pensão. Estados. 315. Veja-se. Forense.99. a Secretaria de Orçamento Federal vem adotando providências para implantar uma classificação mais explícita sobre as receitas de concursos de prognósticos e as provenientes da Contribuição para o Plano de Seguridade do Servidor. que proventos e pensões já são tributados pelo Imposto sobre a Renda.01. o que vem a ser.6 Logo. Dentre as categorias de contribuintes pode-se então dizer que os servidores – ainda que se aceite a afirmativa de que em ocasiões passadas contribuíram pouco (o que. após haver contribuído e prestado serviços pelo tempo definido em lei. 5-A à Lei nº 9. ser prestadas ao servidor e a seus dependentes.783. cujo parecer nos foi oferecido pela Associação Nacional de Membros do Ministério Público com suas razões. Hugo de Brito Machado. Roque Antonio Carrazza. como se viu. 180). Desnecessário lembrar.105 / DF pagamento. na forma dos artigos 183 e 231 da Lei 8.02. relativamente ao modo ou prazo dentro do qual deverá ser recomposto e.” (f. . Caso único de categoria de contribuintes onde a evasão ou a sonegação corresponde a zero. O grande fundo previdenciário tem outros aportes que provêm do empregador (no caso. 14ª ed. também. sabe-se que as contribuições dos servidores não são as únicas fontes de custeio do orçamento da previdência social. 195 da Constituição Federal. a vigorar a partir da Lei Orçamentária para o exercício de 2003. é modalidade de tributo. DF e Municípios – Constituição Federal. 1988. tal contribuição para o sistema previdenciário. Sem sombra de dúvida. Assim o afirma a melhor doutrina. 11ª ed. p. Veja-se. “Curso de Direito Constitucional Tributário”. União. 404-405. Sacha Calmon Navarro Coelho. do texto da norma impugnada se depreende que o fato gerador da contribuição não é outro senão a percepção desse benefício. art. não se pode dizer com relação aos outros contribuintes do sistema que acumularam débitos consideráveis.04. de 19.112/90 que estabeleceu o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União. I) e dos concursos de prognósticos (Constituição Federal. “Curso de Direito Tributário Brasileiro”. do art. enfim. Revela. Em seu item 10. 360. o servidor se torna titular de um direito a perceber benefício de prestação continuada. item n. Diogo de Figueiredo Moreira Neto. É apenas na Medida Provisória nº 167. sob termo ou condição. a propósito.. Malheiros. informação do Tribunal de Contas da União. aquele texto afirma a inexistência de base legal que estabeleça a alíquota para a contribuição da União para o Plano de Seguridade Social do Servidor Público. Nada se disse.

577.Supremo Tribunal Federal ADI 3.” .93. Renovar. 195. maioria. Se o servidor já está recebendo o benefício a que fez jus. j. pelo que o Ente arcava com os benefícios como uma forma de salário futuro. unânime.94. Rel. 146. Min. o fundo da seguridade social. vinculado a satisfazer as prestações previdenciárias. Plenário. 12. 314. nos termos do art. RE 163. Tanto é verdade. 4º. 195 é que exige para a sua instituição. art.105 / DF Júnior. 338. a contribuição previdenciária segundo o Prof. 1ª Turma. mesmo que não tenha contribuído antes.927. forçando aposentados e pensionistas a efetuarem 7 “(. lei complementar.733.” (f. Plenário. unânime.12. também. porque não são impostos. porque não estava obrigado a isso. Vale dizer. em seu art. Min. j. dado que essa instituição deverá observar a técnica da competência residual da União (Constituição Federal. Min.06. unânime.05.284. porque o sistema constitucional não dava ao Ente público o direito de cobrar-lhe contribuição. item n.772. Mas. 4º. para a sua instituição. p. porquanto só para tal destino a Constituição Federal fundamenta sua cobrança. 83) “é tributo vinculado a determinado tipo de prestação.. do mesmo art. Quando eles alcançam essa prestação. art. tributo que se destina a alimentar um fundo.92. a). Ricardo Lobo Torres. 29. José Afonso da Silva (f. 15. Apenas a contribuição do parág. 1998. 01. 5. é que se verifica o direito subjetivo do trabalhador às prestações. e precisamente daí. Min. Rel. 40 (da Constituição Federal).. j. portanto. 15. III da Constituição. contribuem para que venham a perceber proventos de aposentadoria. Min. Rel. p. não exigem. unânime. j.094. Celso de Mello.07. Plenário.” Para o mesmo ilustre jurista. RE 166.93. o servidor aposentado não pode ficar sujeito a pagar uma contribuição em razão de fatos passados. j. I. “Curso de Direito Constitucional”. 4º da EC – 20/1998 converteu o tempo de serviço público em tempo de contribuição. 1995. Logo. Rel. Rel. a tese do déficit da previdência ou a tese de que os atuais aposentados não contribuíram ou contribuíram pouco para a previdência não são causas legítimas para a imposição a eles de contribuição. sempre que ocorrerem os pressupostos que justifiquem receber a vantagem previdenciária. Posto estarem sujeitas à lei complementar do art. quebra o sinalagma da relação jurídica previdenciária. 4º. RE 138. Constituição Federal. 154.07. 19 do parecer) A emenda nº 41/03. Carlos Velloso. por isso. Marco Aurélio. Moreira Alves. “Curso de Direito Financeiro e Tributário”. não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador. porque é ainda necessário que os recursos dela provenientes sejam destinados a satisfazer as prestações da seguridade social. ocorre como que um acerto de contas entre o contribuinte e o Ente público. da Constituição. I). 1ª Turma. 146. que o art. parág. art. III. RE 158. Saraiva. que não se pode imputar a ele. base de cálculo e contribuintes (Constituição Federal. Celso de Mello. 195. sua arrecadação compulsória só por si não é suficiente para legitimá-la. lei complementar. II. Não é diversa a compreensão deste Supremo Tribunal Federal expressa nos seguintes julgados: RE 146. “Os servidores. III.) As contribuições do art.

a exação não será capitação. Gilbert Tixier et Guy Gest. É preciso reafirmar 8 Cf. qualquer outra incidência sobre ele dali por diante não tem mais vinculação com a finalidade previdenciária. mas. Portanto. art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. L. nem por isso faz tábula rasa de outros princípios de igual dignidade constitucional. Elle est conforme à un stade de développement peu avancé où les différences de fortune sont peu marquées. como a garantia contra a bi-tributação (CF. Como tal se conceitua toda forma de tributação sobre a pessoa. por isso. Vejase sua conceituação em Tixier e Gest: ‘L’impôt de capitation est dû à raison même de l’existence de la personne.J.D. Tributam-se aposentados. porque os inativos são chamados a ‘contribuir para a cobertura de vultoso desequilíbrio financeiro’ a título de solidariedade. não são causas reais. por serem aposentados. capitatio humana). Haut-Volta. Paris. No caso. o servidor adquire o direito à aposentadoria com os proventos constitucionalmente previstos. . viculadas. Cumpridos esses requisitos. em seu já citado parecer conclui “que as razões (causas) dadas pela Exposição de Motivos para a criação da contribuição de previdência sobre os proventos de aposentadoria não têm uma conexão lógica com as finalidades que dão fundamento de legitimidade à sua exação. 150. a Constituição vincula os proventos de aposentadoria a um certo número de contribuições. Elle est encore pratiquée dans des pays africains (Niger. um tributo sem causa. José Afonso da Silva. sem relação de causa com um fato gerador material. car elle ne tient nul compte des facultés contributives du contribuable. art.’8 A justificativa da Exposição de Motivos aproxima a contribuição sobre os servidores inativos a essa ‘taxe civique’. 98. embora respeitável. o que lhe dá caracterização de tributo de capitação. impôt personnel. Assim surge uma ‘contribuição de solidariedade’. C’est la forme d’imposition la plus simple. Então. 154. Tchad) sous le nom de taxe civique.G. Dir-se-á que não se está tributando a pessoa do aposentado. Mais elle est aussi la plus injuste. impôt du minimum fiscal. Nenhum servidor adquirirá direito à aposentadoria se não tiver alcançado a quantidade de contribuições em conexão com determinada quantidade de anos de serviço.. ter-se-á uma contribuição sem causa. IV). On la rencontrait dans la Rome antique (tributum capitis..105 / DF verdadeira “doação” de parte de seus proventos em nome do princípio da solidariedade intergeneracional que.. incidente sobre certa categoria de pessoas. “Droit fiscal”. Mali. p. Isso é capitação. 1976. Por isso. I) e o princípio do não-confisco (CF. la plus facile à calculer et la plus commode à percevoir. a causa ou o fato gerador da contribuição dos inativos? A contribuição previdenciária tem como causa a referibilidade direta a uma atuação concreta-atual ou potencial do Estado. Por isso que o Prof. São utilizadas como simples pretexto para a sua criação. como se viu acima. Qual é então. a simples menção da finalidade (causa) não satisfaz os princípios constitucionais da tributação.

também se tem que a taxação dos inativos se manifesta inconstitucional. Tudo que foi dito sobre ilegitimidade das contribuições dos inativos se aplica. um tipo de capitação. que caracteriza um tratamento desigual em relação a quem não pertence à mesma categoria. A estes sequer se aplica o argumento da Exposição de Motivos quando apela para a solidariedade e o dever de contribuir para a cobertura do desequilíbrio financeiro do sistema. ‘Bis in idem’. no sistema previdenciário de participação.105 / DF que. porque os proventos de aposentadoria estão sujeitos ao imposto geral sobre a renda e proventos de qualquer natureza. que não se enquadra em nenhuma forma legítima de tributação constitucionalmente prevista. no caso. sendo a contribuição um imposto. ou se carcteriza como uma tributação da renda (proventos de qualquer natureza). por esse lado. porque não se caracteriza como . Isso seria correto em face de uma tributação geral e causal. ‘Discriminatória’. Logo. I) já que recai só sobre uma categoria de pessoas. porque não atende aos princípios da generalidade e da universalidade (art. como visto. à incidência de contribuição sobre pensionistas. No primeiro caso. a solidariedade dos trabalhadores está vinculada com a vantagem pessoal que ele auferirá no futuro. sem causa. 22 do parecer) É ainda do Prof. num bis in idem ilegítimo. José Afonso da Silva a afirmativa de que “as autoridades previdenciárias têm argumentado que. não há mais finalidade em sua participação. porque pensionista não é participante porque ele. sua incidência nos proventos não caracterizaria infração ao princípio da irredutibilidade. No segundo caso. a inconstitucionalidade é ainda mais brutal. com incidência apenas sobre determinada categoria de pessoas. parágrafo 2º. tem-se uma forma de tributo sem causa e. Dir-se-á que a tributação não é sobre o aposentado. então temos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Não está sujeito à contribuição. 155. a contribuição dos inativos é uma forma de tributo sem causa. Se é assim. não contribui para a previdência. a exação padece de inconstitucionalidade. Em conclusão. não uma contribuição previdenciária. e. tem-se uma apropriação de recursos de uma categoria de pessoas. como tal. o que se tem mesmo é a apropriação de uma parte do patrimônio dos integrantes desse grupo com infringência do direito de propriedade. Em tal situação. porque faz incidir uma espécie de tributação da renda apenas sobre uma categoria de pessoas. assim. com maior razão. de duas uma. Se ele já aufere a vantagem. além disso. mas sobre os proventos. mas uma tributação de rendimentos. porque retira parte do patrimônio de um grupo de pessoas. a causa e fato gerador da contribuição do inativo é a percepção dos proventos. um bis in idem de caráter discriminatório.” (f. mas. Assim. logo outra incidência com igual natureza constituirá uma duplicação ilegítima.

que não sofre as limitações materiais e tampouco as restrições jurídicas impostas ao poder reformador. Analisava-se. por emenda constitucional. pelo próprio poder constituinte originário. Não desconheço que se cuida. além das que expressamente foram previstas pelo constituinte originário. com a sua morte. de qualquer modo. de que o pensionista ou a pensionista depende. que as derrogações a esse postulado emanaram de preceitos editados por órgão exercente de funções constituintes primárias. além de constituir limitação ao poder impositivo do Estado. no que diz com as restrições postas ao poder de tributar. em seus aspectos . estabelecerem-se novas exceções. depois. Aqui a caracterização do tributo sem causa. Sydney Sanches e. 26 e 27 do parecer) Ora. contra todos os princípios constitucionais. para que. que o princípio da anterioridade das leis tributárias reflete.Supremo Tribunal Federal ADI 3. naquele caso. posto que as normas constitucionais originárias já contemplam hipóteses que lhe excepcionam a atuação. a incidência do princípio da anterioridade tributária e a possibilidade de. quando esta não era exigida. Celso de Mello: “O princípio da anterioridade da lei tributária.” (f. de apropriação patrimonial indevida. que os princípios correspondentes ao chamado “estatuto do contribuinte”. Não posso ignorar. o Tribunal já decidiu. como qualquer outro direito. representa um dos direitos fundamentais mais relevantes outorgados pela Carta da República ao universo dos contribuintes. As exceções a esse princípio foram estabelecidas. A pensão é adquirida em conseqüência da contribuição de terceiro. ao analisar o mérito da mesma demanda. Nada melhor que reproduzir as razões que. seu cônjuge ou herdeiro tivesse direito à pensão. quando analisou a ADIMC 939. na ocasião foram alinhadas pelo eminente Min. constituem direito público subjetivo oponível ao Estado. porém.105 / DF trabalhador ou servidor obrigatoriamente vinculado à previdência social ou à previdência própria das entidades públicas. O agente gerador da pensão contribuiu efetivamente ou teve seu tempo de serviço considerado como contribuição. de prerrogativa de caráter meramente relativo. Relator Min. ou de forma de tributação de rendimento ilícita. é ainda mais acachapante. portanto. Note-se.

desrespeitando ou fazendo tábula rasa do princípio da anterioridade. afirmando que “a edição da Emenda nº 03. “a Emenda Constitucional nº 3.) . nos faz chegar o em.” Acrescentando o prestígio de sua análise histórica.. que exsurge do conteúdo normativo da Constituição. em seu voto. 60. da Constituição.. de sua constante vocação à eficácia e do necessário respeito que há de merecer. pelo ordenamento positivo.. não é menos certo que a necessária pretensão de eficácia. como garantia individual. Diante da normatividade da Constituição. e. parágrafo 4º. no que dizia respeito à agressão ao princípio da imunidade tributária recíproca. Min.é preciso ter presente que. – se não estiverem em conformidade com a Constituição. o Min..Supremo Tribunal Federal ADI 3. por vezes suscetíveis de rápida mutação. para quem. a limitação inscrita no art. parágrafo 4º. convergia nesse entendimento o eminente Min. (que) afrontou alguns dogmas do nosso direito. não resta espaço legítimo.. aquele que (. para quem. viola limitação material ao poder constituinte derivado. da Constituição. nos fatos sociais. Paulo Brossard.. já agora.” Ao debate acorreu. Carlos Velloso. há de ter-se como inserida a garantia concernente ao princípio da anterioridade. de lastro histórico da nação e com o qual a nação se identifica”. mas do nosso Direito histórico. 60. não pode ceder seu império a essa realidade histórica. com a força de sua reconhecida autoridade. enquanto esta é fundamento da ordem jurídica e das instituições políticas. não apenas legislado. “no âmbito da cláusula pétrea do art.) formando uma espécie de patrimônio cultural. constituem expressão fundamental dos direitos outorgados.. há de encontrar seiva vital na realidade histórica de seu tempo. a opor razões de conveniência ditadas pela conjuntura. IV. nas circunstâncias. aos sujeitos passivos das obrigações fiscais. IV. a expressiva mensagem que. Néri da Silveira. (. se é exato que a normatividade decorrente da Constituição.) .105 / DF essenciais... sobre representarem importante conquista político-jurídica dos contribuintes.os princípios constitucionais tributários. excepcionando-o.” . pela realidade de fatos presentes. uma das expressões fundamentais em que se apóiam os direitos básicos proclamados em favor dos contribuintes” (. de efetividade.. Vale reproduzir. portanto.

ou quando inacumuláveis os benefícios (como no caso das contribuições previstas no art.Supremo Tribunal Federal ADI 3.010. E refere Mizabel Derzi: “Se o servidor já goza de aposentadoria. nem benefício sem contribuição. como fator autorizador da dispensa da anterioridade. o da anterioridade. desde que veiculada mediante emenda constitucional. art. . especificamente no julgamento da ADI 2. do art. com todas as letras no julgamento da ADI 2. tenha implicitamente admitido a cobrança ora em tela. quando inviável atuarialmente o deferimento de aposentadorias (como no caso dos que ingressavam no sistema após os sessenta anos de idade. Foi o que se afirmou. Além disso.11. já comportava inúmeras exceções. a 9 Revogado pela Lei nº 9. evidenciando que essa exação (…) apresenta-se destituída da necessária causa suficiente. o fato de que tal princípio.010: “Sem causa suficiente. relativamente aos inativos e pensionistas “transgride o princípio constitucional do equilíbrio atuarial (CF.213/919. pois. de 20. nos termos do art. É inacurado afirmar que este tribunal. certamente não adotariam idêntica posição quando os princípios em causa são. sob a forma de pecúlio. posto que a estes a Constituição atual. de 06.73. do Decreto nº 72. como no caso presente. 7 .129. correlação entre custo e benefício. deve haver. desde suas mais remotas origens. no regime de previdência de caráter contributivo. resguarda de toda e qualquer exceção.771. necessariamente.Da Vinculação da Contribuição ao Equilíbrio Atuarial. como todo o constitucionalismo brasileiro. parágrafo 5º). ou a seus beneficiários.” Por isso mesmo.95. 81 da Lei nº 8. A existência de estrita vinculação causal entre contribuição e benefício põe em evidência a correlação da fórmula segundo a qual não pode haver contribuição sem benefício. da afirmativa contida no parágrafo 5º. 104. Mas. não se justifica a instituição (ou a majoração) da contribuição de seguridade social.09.105 / DF Mesmo os Ministros que naquela ocasião ficaram vencidos. no Regime Geral. Seu relator. tal aporte extraordinário revertia ao segurado. objetavam apenas. após alguns anos. os da bitributação e da isonomia tributária. 195. 195 da CF de que a criação ou majoração de benefícios deve indicar a correspondente fonte de custeio há que decorrer a garantia para o servidor de que a instituição de nova exação previdenciária só se justifique com o estabelecimento de novo benefício.807/60). que regulamentou a Lei nº 3. recolhidas aos segurados por tempo de serviço ou idade que voltassem a exercer atividade remunerada). Celso de Mello fez remarcar em seu voto que a contribuição. o eminente Min.

então.783. há correlação entre custo e benefício. instituir ou majorar contribuição para custear a seguridade social sem que assista àquele que é compelido a contribuir. ou seja. da Constituição Federal. Regime contributivo é. “Se é certo. Em um regime previdenciário contributivo. A cobrança de contribuição do aposentado fere essa lógica e subverte a vinculação causal. benefícios e serviços. o seguinte excerto: “Existe estrita vinculação causal entre contribuição e benefício. Voto do Min. inexiste a despesa a ser custeada do ponto de vista do aposentado. Marco Aurélio. no julgamento da ADI 790: “O disposto no artigo 195. parágrafo 5º. o direito de acesso a novos benefícios ou a novos serviços. o caráter retributivo do regime de contribuição previdenciária. assim como o benefício somente se torna direito mediante a prévia contribuição. Um não existe sem o outro. porque não há nenhuma perspectiva de benefício que lhe vá ser dada em contrapartida. Falta então o fundamento constitucional necessário e impostergável. remissão expressa a quanto ficou consignado no julgamento da ADI 2. p.13 – Suplemento. São dois termos da mesma equação. A contribuição somente se explica e se justifica ante a perspectiva da sua retribuição em forma de benefício. homenageia o equilíbrio atuarial.105 / DF meta constitucional permitida para a cobrança já foi alcançada. Celso de Mello na ADI nº 2. de cobrança sem causa eficiente. que funda o exercício da competência da União.” Tudo para concluir. de outro. por definição. 195. O desaparecimento da causa da 10 11 DERZI. pois os servidores públicos em atividade a financiam.016. Misabel. com a proverbial clareza de conceitos. portanto. de 1999 trata. majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total (Constituição Federal.010. que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado. nem benefício sem contribuição. de um lado. segundo o qual ‘nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado. parágrafo 5º). “Da Instituição de Contribuição sobre os Proventos dos Servidores Inativos”. n. Nem há contribuição sem benefício. E citou. 2.Supremo Tribunal Federal ADI 3. in “Enfoque Jurídico”.Exa. necessariamente. retributivo. .”11 Na mesma linha. não é menos exato que também não será lícito. entre outros. art. majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio’. a manifestação do Min. revelando princípio indicador da correlação entre. A Lei nº 9. daquele julgado.”10 Fez também S. contribuições e. sob uma perspectiva estritamente constitucional.

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ADI 3.105 / DF

majoração do percentual implica o conflito da lei que a impôs com o texto constitucional...”12 Vale reproduzir a indagação formulada pelo eminente ViceProcurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, em seu bem lançado parecer: “qual o benefício futuro a que terá direito o aposentado ou pensionista que recolher a contribuição nos moldes estatuídos pelo art. 4º, da EC nº 41/03? Não há resposta para a pergunta, o que corrobora o entendimento de que o legislador reformador criou tributo sem causa.” 8 - A desigualdade de contribuições entre inativos. Ainda uma observação relativamente ao tratamento diferenciado que se propõe a dar a Emenda aos aposentados antes e depois de sua entrada em vigor. Na forma do parágrafo 18 do artigo 2º, aos que se aposentarem ou adquirirem condições para tanto, após a edição da emenda, assegura-se uma isenção de contribuição até o valor do benefício máximo do Regime Geral da Previdência Social, incidindo a alíquota de 11% sobre o que exceder a tal montante. Para os já aposentados, pensionistas e para aqueles que já adquiriram direito à aposentadoria, a incidência se dá sobre o valor dos proventos ou pensão que exceder a 50 ou 60 % do limite máximo para os benefícios do Regime Geral. A justificativa apresentada diz com o fato de os últimos terem sido submetidos a um tempo de contribuição menor, ou não terem sido submetidos a qualquer contribuição, no caso dos aposentados e pensionistas regidos pelas normas anteriores à EC nº 20/98. A propósito, são esclarecedores os cálculos realizados pelo Prof. José Afonso da Silva e incluídos a partir da f. 23 de seu parecer, que fiz chegar aos colegas. Na bem lançada análise procedida pela Procuradoria-Geral da República, “a afirmação leva a crer que o legislador buscou punir através da cobrança de uma contribuição maior, aqueles que se aposentaram antes da edição da EC nº 41/03, a despeito de terem preenchido todos os requisitos constitucionalmente previstos à época da aposentação. Trata-se de raciocínio ilógico, porquanto não há fundamento para a imposição de verdadeira punição, consubstanciada na obrigatoriedade de recolher valor contributivo maior, a quem conquistou o direito à aposentadoria, exatamente por ter obedecido às normas legais então vigentes. Ademais, o desrespeito
12

Ementa do julgamento da ADI nº 790, Rel. Min. Marco Aurélio.

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ao princípio da igualdade resta evidente, uma vez que não há entre os pretensos contribuintes características que os tornem suficientemente diferenciados. O supratranscrito inciso II, do artigo 150 da Constituição Federal prevê a impossibilidade de imposição de tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem ‘em situação equivalente’. No caso sob análise, muito mais do que equivalentes, as situações dos pretensos sujeitos passivos da obrigação são idênticas: todos são servidores aposentados ou pensionistas.” Admitir a permanência dessa norma corresponderia a permitir fosse onerado retroativamente alguém que cumprira tudo o quanto lhe era exigido ao tempo em que entrou em gozo do benefício. 9 - Conclusão Tendo em linha de conta que a nova exação se acrescentaria à que já incide sobre os proventos e pensões na forma de Imposto sobre a Renda e Proventos, tendo por fato gerador a própria percepção dos mesmos proventos ou pensões, concluo que a norma contida no art. 4º, da EC/41 encontra-se eivada de inconstitucionalidade, por incompatível com a garantia individual que veda ao Estado a bi-tributação (Constituição Federal, 154, I). Por corresponder a nova contribuição despida de causa eficiente, posto que não corresponde à necessária contrapartida de novo benefício, ferido está o disposto no art. 195, parágrafo 5º, da Constituição Federal, que impõe para o sistema previdenciário a manutenção do equilíbrio atuarial. E, finalmente, porque discrimina indevidamente entre contribuintes em condição idêntica, agride a garantia da isonomia (Constituição Federal, art. 150, II). Tais garantias individuais se encontram a salvo da atividade reformadora (Constituição Federal, art. 60, parágrafo 4º, IV), e, por isso, os dispositivos veiculados na norma ora examinada não podem prevalecer contra o texto constitucional originário. Do exposto, julgo procedente a ação, para declarar a inconstitucionalidade do artigo 4º, caput, parágrafo primeiro, incisos I e II, da Emenda Constitucional nº 41/03. É como voto.

Supremo Tribunal Federal
26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.105-8 DISTRITO FEDERAL

(7)

JOBIM

NELSON

-

Preliminar

s/

Voto

O

SENHOR

MINISTRO

NELSON

JOBIM

(PRESIDENTE)–

Srs.

Ministros, tenho dificuldade em utilizar as denominações de poder constituinte originário e poder constituinte derivado, considerando a história política do País. Elas vieram exatamente da Europa, onde se tinham rupturas reais no processo político. No Brasil, sempre tivemos processo de superação do regime anterior que, dentro regime antigo, acaba sendo superado. Na instalação da Assembléia Constituinte de 87, os Constituintes de 87, da qual tive a honra de participar, receberam a sua legitimação dos Constituintes derivados que votaram a Emenda Constitucional nº 16. Esse problema eu colocaria. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - Sr. Presidente, o golpe foi a Emenda Constitucional nº 26. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – A Emenda do

Constitucional nº 26 convocou... O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Não creio. Quero deixar bem claro que quem votou a emenda constitucional que convocou a Assembléia Constituinte foram os deputados e senadores eleitos em 1982, junto com os senadores eleitos em 1978. E também, historicamente, deve ser posto que a doutrina brasileira

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ADI 3.105 / DF desconhece isso, pois, na verdade, o que temos na discussão desses temas normalmente é a ocultação do processo histórico real. Por isso, registro que concordo, mas tenho dificuldade de utilizar, no processo histórico brasileiro, a pureza dessas categorias. Essas categorias, no processo histórico brasileiro, têm de ser lidas com granun salis. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - Dizia o Dr. Sobral Pinto, em momento dramático, que não há democracia à

brasileira, mas apenas “peru à brasileira”. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Então, não vamos usar essa figura – digamos assim –, a histórica do Poder Constituinte originário do Poder Constituinte derivado, porque o nosso Poder Constituinte originário, de uma forma ou de outra, é derivado, uma vez que a legitimação decorreu de um ato de votação sobre uma emenda constitucional à Carta de 69. E o processo político, de outra parte – é importante registrar; num outro momento pretendo aprofundar o assunto -, as eleições de 1986, a existência ou não de uma assembléia nacional constituinte era periférica; o debate político era absolutamente periférico. O que era verdadeiro era a tentativa de o partido majoritário à época conquistar os governos dos Estados. Os candidatos a deputados federais e a senadores discursavam sobre problemas de constituinte, reduzidos aos pequenos teatros ou aos pequenos grupos, sem que fosse um apelo popular.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF Fiz apenas esse registro para não me comprometer com o fundo da matéria, mas, em relação à questão, acompanho o voto da Ministra-Relatora. O SR. MINISTRO GILMAR MENDES – Todos sabem do que estamos a falar, de um texto constitucional originário, em relação ao processo de emenda ou de reforma constitucional, ainda que tenhamos essas disputas teoréticas ou dogmáticas a propósito do tema. O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO – Ademais disso, um

europeu, Hans Kelsen deixou claro que uma nova Constituição surge não apenas no bojo de um processo violento ou de revolução no plano factual, mas na crista de um movimento consensual de passagem de um regime para outro. Daí o Ministro Sepúlveda Pertence haver adiantado que o próprio ato de ruptura constitucional foi a Emenda nº 26. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – Que, se

submetida a um controle de constitucionalidade, perante a Carta de 69, seria de duvidosíssima constitucionalidade.

O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – A Emenda nº 26 surgiu com a derrubada, inclusive, do relator primitivo que pretendia fazer um outro tipo, legitimando, efetivamente, a Constituinte, por voto; foi o Deputado Flávio Rembaque que acabou sendo derrubado pelo Governo no sentido de manter um ritmo de progressão do regime político anterior.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senhor Presidente, de minha parte, também, não vejo - na passagem do regime de exceção para o democrático - uma ruptura capaz de levar à conclusão de que, em 1987, 1988, tivemos a promulgação de uma Constituição decorrente do poder constituinte originário. Adoto o entendimento de que esse poder constituinte originário somente surge quando ocorre o

desmembramento territorial e a criação de um novo país, ou, então, quando há, realmente, a ruptura do regime pela força das armas. Comungo com o entendimento de Vossa Excelência e creio que não

podemos afirmar, peremptoriamente, que a Carta de 1988 resultou de um poder constituinte originário. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE)- Na verdade, estamos discutindo regra de uso de palavras. Todos concordamos que os fatos são históricos. Agora, V.Exa. usa a expressão “constituinte originário” para esse fato. Reservo-me a não utilizá-lo, prefiro a pureza da menção; não estamos discutindo o mundo, quanto ao mundo concordamos todos: no Brasil sempre há habilidade do sistema, mesmo naquela época ditatorial do Estado Novo, e o que tivemos? O primeiro Presidente da República foi Ministro da Guerra, um ditador, e os Governadores dos Estados nada mais eram, a maior parte deles, que interventores. Dentro do regime anterior superava-se o de acomodação referido por Raimundo Faoro, no processo histórico brasileiro; temos que respeitá-lo. Não podemos fazer discursos a partir de concepções, digamos, externas, porque a

ninguém nega legitimidade a ela. também. em termos fáticos. que movimentavam milhões de brasileiros . mas sentindo que a reforma só não bastava. através da Emenda Constitucional nº 26. essa matéria está superada. resultou. Não é necessário que haja uma revolução. de um pacto. ruptura. o titular do poder constituinte originário a investir representantes para elaborar e votar a Constituição vigente. no Regime do Terror. podendo reformar a Constituição. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – O poder constituinte derivado. na Constituição pretérita. Penso que foi possível ao poder constituinte derivado convocar. e ele disse que só assumiria se fizesse a sua Constituição. convocou o povo. muito parecido com o que ocorreu aqui. A Constituição Francesa de 1958. porque tenho responsabilidade acadêmica no tema. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Já que a questão foi posta. por exemplo. quero deixar registrada a minha opinião. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Mas lá foi diferente. e a fez: Constituição “Gaullista”.tendo em vista os acontecimentos  as “diretas-já”. o titular do . o Presidente Cotti afirmou claramente perante o General De Gaulle que ele seria o único a salvar a França.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Mas.105 / DF palavra poder constituinte originário surgido pelo abade Sieyés foi exatamente em relação à ruptura ocorrida na Revolução Francesa.

eleitos em 1986. e disse que era o ato fundador o qual dizia que os deputados e Senadores.Houve algo que tisnou.105 / DF poder constituinte. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . que não chegou. a Assembléia Constituinte. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE)Quem resolveu esta questão de ordem foi o Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal ao presidir a Assembléia Constituinte e leu a emenda constitucional. teria proferido decisão diferente. a eleger representantes investidos de poder constituinte originário. a Assembléia à Nacional Constituinte: um terço dos Os que que é um poder de direito. um terço do Senado. reunir-se-ão. Deputados e senadores que estavam titulares da condição de senadores e deputados. a macular a Constituição de 1988. já não agiu como poder reformador. poder de fato. em nome do Supremo Tribunal Federal. Aí. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Talvez se fosse eu que estivesse a presidir. entretanto. inclusive.Supremo Tribunal Federal ADI 3. eram. votada. MINISTRO CARLOS BRITTO – O chamado poder constituinte derivado. sim. foram admitidos Assembléia. houve uma pequena mancha. de certa que forma. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO .O Presidente do Tribunal teve conhecimento da mensagem presidencial que propôs a . O SR. prefiro dizer poder reformador. estavam com mandato. agiu como um Senadores.

. Fui um dos portadores da consulta. tenho me manifestado. Acabamos ocultando a realidade. em trabalhos acadêmicos. O Ministro SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM do (PRESIDENTE) político – O Sepúlveda Pertence participou acordo dessa situação histórica. de mitificar a nossa história. É bom vermos a história como ela se deu e não como achávamos que deveria ter sido dada.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Emenda Constitucional 26 antes de sua remessa ao Congresso. principalmente em academia. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Quero dizer que fiz o registro exatamente porque temos um hábito. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Apenas quis fazer esse registro. porque é nesse sentido que.

Não nego a sua importância como instrumento hermenêutico poderoso. XXXVI) e. 60. 5º.Supremo Tribunal Federal 26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. alegase a inconstitucionalidade o qual. as chamadas cláusulas pétreas da Constituição (art. ante a amplitude desmesurada que se lhe quer atribuir. não razoável. A eminente relatora. pelo visto não abordou a questão por esse ângulo. § 4º. por extensão. vejo a teoria das cláusulas pétreas como uma construção intelectual conservadora. 4º a da Emenda de Constitucional contribuição 41/2003. Presidente. de extrema utilidade para a preservação de um núcleo essencial de valores constitucionais. com uma . Contudo. III). no seu alentado voto. ao do art. que se singulariza pela desigualdade e pelas iniqüidades de toda sorte. antidemocrática. Mas essa questão das cláusulas pétreas está manifestamente subjacente a toda a discussão. eu sempre vi com certa desconfiança a aplicação irrefletida da teoria das cláusulas pétreas em uma sociedade com as características da nossa. Com a devida vênia daqueles que têm outro ponto de vista. viabilizar cobrança previdenciária de servidores públicos aposentados. estaria violando o princípio constitucional do direito adquirido (art.105-8 DISTRITO FEDERAL V O T O (6) BARBOSA JOAQUIM - Voto O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA: Sr.

dos incríveis e inaceitáveis privilégios que todos conhecemos. Ora.Supremo Tribunal Federal ADI 3. A Constituição de 1988 tem como uma das suas metas fundamentais operar profundas transformações em nosso quadro social. em essência. em última análise. Essa teoria é antidemocrática porque. sim. Daí o caráter conservador da sua pretendida maximização. a absolutização das cláusulas pétreas seria um forte obstáculo para a concretização desse objetivo. incisos III e IV. Conservadora porque. por intermédio de seus representantes legitimamente eleitos.105 / DF propensão oportunista e utilitarista a fazer abstração de vários outros valores igualmente protegidos pelo nosso sistema constitucional. promova de tempos em tempos as correções de rumo necessárias à eliminação paulatina das distorções. a ser acolhida em caráter absoluto. 3º. em outras palavras. o direito de definir o seu futuro. tais como os que proclamam o caráter social do nosso pacto político. visa a impedir que o povo. a teoria das cláusulas pétreas terá como conseqüência a perpetuação da nossa desigualdade. O povo tem. um formidável instrumento de perenização de certos traços da nossa organização social. sem qualquer possibilidade de limitação ou ponderação com outros valores igualmente importantes. Constituiria. como se propõe nesta ação direta. É o que diz seu art. . diretamente ou por meio de representantes ungidos com o voto popular.

937. 1998. sob pena de se criar um choque de gerações. Ou seja.105 / DF Além de antidemocrática. Canotilho. já não serão os mesmos que pautaram o legislador constituinte? Por outras palavras que se colheram nos Writings de Thomas Jefferson: ‘uma geração de homens tem o direito de vincular outra?’ A resposta tem de tomar em consideração a evidência de que nenhuma constituição pode conter a vida ou parar o vento com as mãos.1 A evolução do pacto constitucional deve ser a regra. Nenhuma lei constitucional evita o ruir dos muros dos processos históricos. 1 . provavelmente. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. que pode até mesmo conduzir à esclerose do texto constitucional e do pacto político que ele materializa. é que se consegue manter a sincronização entre a Constituição e a realidade social. Coimbra: Almedina. é insensato conceber que o constituinte originário possa criar aquilo que o professor Canotilho qualifica como uma “constituição imorredoira e universal”. conseqüentemente. e. a tese que postula a imutabilidade perpétua de certas características de nosso pacto é ilusória.Supremo Tribunal Federal ADI 3. em memorável passagem. secundada brilhantemente entre nós pelo jovem jurista carioca Daniel Sarmento.J. as CANOTILHO. assim aborda o tema: “O verdadeiro problema levantado pelos limites materiais do poder de revisão é este: será defensável vincular gerações futuras a idéias de legitimação e a projectos políticos que. cuja evolução é contínua e se dá em ritmo avassalador. somente por intermédio dos procedimentos da emenda constitucional e da jurisdição constitucional. fenômeno jurídico hoje quase universal. p. J. No constitucionalismo moderno.

ponderação 2 CANOTILHO. se ela já perdeu a sua força normativa. do mesmo modo que outros princípios constitucionais. p. que alguém possa adquirir o direito de não pagar tributos. que a tese sustentada na ação direta omite o fato de que o princípio dos direitos adquiridos. por outro lado. Coimbra: Almedina. 1998. em um estado de direito democrático e social. primeiro é também lugar. . Essa tese corrói as próprias bases da organização político-social à luz da qual o Estado moderno se ergueu nos últimos séculos.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF alterações constitucionais. que estamos admitem diante de princípios com outros produtiva. absolutamente não faz desarrazoada antijurídica. porque sentido sustentar. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. constitucionais Numa palavra. de normas frouxas e excessivamente generosas que permitiram a jubilação precoce de pessoas no ápice da sua capacidade delas mal entradas nos quarenta anos de vida. trata-se de uma concepção não razoável porque não faz sentido querer isentar de contribuição previdenciária solidária os milhares de pessoas que se aproveitaram de um sistema iníquo de privilégios. admite ponderação ou confrontação com outros valores igualmente protegidos pela nossa Constituição. J. e no presente Em caso. muitas relativos.”2 A tese da exacerbação do direito adquirido protegido por cláusulas pétreas. 943. Constato. Por outro lado.J.

creio que a ação direta não merece prosperar também porque o art. constitui a pedra de toque de todo o sistema de seguridade social. necessariamente deve prevalecer. calcado no princípio da solidariedade.105 / DF princípios.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Ora. com a nova redação dada pela Emenda Constitucional 41/2003. Por mais importante que seja a garantia do direito adquirido. quando confrontado com o suposto direito adquirido de não pagar contribuição previdenciária. XXXVI. Basta recordar a abolição da escravatura. Presidente. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” (art. O art. é expresso nesse sentido. 5º.441. 3º. desse confronto podendo resultar o afastamento pontual de um deles. da Constituição . a Constituição de 1988 elegeu como um dos objetivos fundamentais da nossa República Federativa “construir uma sociedade livre. como muito bem lembrado pelo ministro Sepúlveda Pertence na ADI 1. Optou sem sombra de dúvidas por um Estado de bem-estar social. Sr. ninguém com um mínimo senso ético defenderia a validade da sua invocação pelos senhores de escravos diante da lei emancipadora!” Ora. que guarda total coerência com a matriz filosófica da nossa Constituição. Como muito bem lembrado por Sarmento: “a história brasileira também ilustra a necessidade de rejeitar-se uma visão absolutista do direito adquirido. aliás. que. que previa o princípio da irretroatividade da lei. 40 da Constituição. digo eu. I e III). realizada sob a égide da Constituição de 1824. justa e solidária. o princípio da solidariedade. Para concluir.

e não do constituinte derivado. imune à ação do constituinte derivado. III. entendo que a solidariedade deve primar sobre o egoísmo. da Constituição porque a Emenda 41/2003 não suprimiu direitos nem aboliu princípios que possamos considerar integrantes de um núcleo essencial intangível. Em suma. estará comprometendo o bem-estar das futuras gerações de agentes estatais. Limitou-se a promover pequenas correções com vistas à manutenção da viabilidade de um sistema que. § 4º. Por outro lado. . Sou pela improcedência da ação. a perpetuar-se na configuração que vinha tendo.105 / DF protege os direitos adquiridos contra iniciativas do legislador infraconstitucional. 60.Supremo Tribunal Federal ADI 3. também não vislumbro no caso qualquer violação do art. É como voto.

estampado no inciso I do art... depreende-se que a emenda inseriu no corpo normativo da Constituição Federal de 1988 a cobrança da com de contribuição dos previdenciária do Distrito e aos inativos e e pensionistas Municípios. 3º. Mais isto. Senhor Procurador-Geral da República. 3º: “Art. de 2003.” . todos pertencentes à Emenda Constitucional nº 41. justa e solidária. Senhores Ministros.. introduziu no sistema previdenciário público a novidade do caráter “solidário”..105-8 DISTRITO FEDERAL À revisão de apartes dos Srs.. Presidente.. E aqui.. Federal dos que respectivas autarquias fundações.construir uma sociedade livre...... I .Supremo Tribunal Federal 26/05/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. União. V O T O O SR.... abro um parêntese para dizer como que......... um num primeiro momento. Sr.. Nelson Jobim (Presidente). Carlos Velloso.. MINISTRO CARLOS BRITTO - Senhor Presidente.. do exame dos dispositivos referidos pela eminente Relatora.... Ministros Marco Aurélio.... as Estados... Sepúlveda Pertence.. (21) BRITTO CARLOS - Voto Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes.. identifiquei da essa solidariedade Federativa do dos objetivos fundamentais República Brasil..

no seu nascedouro. Lei 2ª o texto nº revista da minha própria e lavra. que evite significar apenas precisamos discriminações e promova as chamadas ações afirmativas ou políticas públicas afirmativas de integração como o civil e moral das de segmentos dos historicamente discriminados. 12). inspirador terceiro é fraternidade. Com o objetivo de fixar o entendimento da matéria desde as suas origens. autônomas. da Revolução -. dos negros. aposentadoria e pensão. portanto. 3º da Constituição.783/89 e ampliada. São figuras jurídicas. tão-somente. porém. Tudo era direta e exclusivamente custeado pelo Erário (neste “A sentido. a Lei Suprema de 1988 nem sequer estabelecia regime de auto-financiamento federais previdenciário ativo. terceiro valor fundante. da que aquele Francesa. enquanto objetivo fundamental da República Federativa do Brasil. Se se prefere. para os servidores em públicos tema de civis (pessoal registre-se). dos Significando. estanques. consagrou um regime previdenciário não-contributivo para os servidores públicos e federais. públicos então. permito-me uma breve lembrança da genealogia do sistema previdenciário público na Carta de Outubro e suas alterações formais. dos idosos. deficientes físicos. e assim avante. Inconstitucionalidades”. É que a Magna Lei. ano de 1989. Universidade Federal de Sergipe.Supremo Tribunal Federal ADI 3. – ou esse a as componente.105 / DF Depois. separadas. que não mantêm entre si uma relação de pertinência ou de defluência. . segmento mulheres. A solidariedade de que trata a Emenda nº 41 não decola do inciso I do art. intitulado Federal tiragem 9. p. que as aposentadorias pensões servidores efetivos seriam custeadas com recursos do Tesouro. sociedade Fraternité”. em verdade. apercebi-me de que a solidariedade. de uma Igalité. suas ASIPUFS. portanto valor tríade “Liberté. promulgada a 05 de outubro de 1988.

no sentido de que. e 30 anos para o sexo feminino) e o Estado lhe retribui com o benefício da aposentadoria. de 15 de agosto de 1998. possível seria a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos e pensionistas. por maioria. De toda maneira.96).Supremo Tribunal Federal ADI 3. Mas esse benefício corresponde.10. no entanto. se for o caso. já a partir da promulgação da Emenda Constitucional nº 20. durante um tempo mínimo de logo fixado pela Constituição (35 anos para o sexo masculino. portanto. Ato contínuo. antes da promulgação da Emenda nº 20/98. introduziu-se um dispositivo para possibilitar a cobrança de contribuições dos servidores públicos. de 17 de março de 1993. a partir dos fundamentos mais adiante lançados. do ângulo do servidor público efetivo” . mais especificamente. e. Instaurou-se. das respectivas aposentadorias e pensões. à remuneração que o servidor vinha percebendo no momento da passagem da atividade para a situação de inatividade permanente. Prossigo na etiologia do sistema jurídico- constitucional previdenciário para recordar que ele. de logo permito-me discordar da presente exegese. A tese vencedora. conduzida pelo voto do eminente Ministro-relator Octávio Galotti. com a inclusão do § 6º no art.105 / DF Com o advento da Emenda Constitucional nº 03. É como dizer: o servidor contribui. 40). questionou-se nesta Egrégia Corte a extensão do dever de contribuição aos aposentados e pensionistas do Setor Público. juntamente com os recursos do Tesouro. em face da perfeita simetria de regime jurídico ativo-inativo e paridade remuneratória. visando ao custeio. ressalte-se. matematicamente. 40 da Lex Maxima.e aqui peço a atenção dos eminentes Ministros: acho que . Isto. foi cristalizada no julgamento da ADIN nº 1.141-2/DF (DJ 18. passou a ser caracterizado pelo trinômio contribuição-retribuiçãoparidade (art. ou com o benefício da pensão por morte.

É ainda afirmar: a finalidade do regime previdenciário público é conferir benefícios (e não malefícios) a cada um dos participantes do sistema. respectivos dependentes.Supremo Tribunal Federal ADI 3. não pode operar senão na perspectiva da configuração de direitos subjetivos que se tornem indisponíveis para o Ente mantenedor de tal sistema. não repouso só de remunerado.105 / DF se instalou uma relação jurídica não ortodoxamente tributária – “uma relação jurídica do tipo securitário. visando a obtenção de um prêmio futuro (e a eminente Relatora falou de aposentadoria ou enquanto da futura prêmio). os proventos da aposentadoria. E tudo em homenagem a uma peculiaridade do regime de aposentadoria ou de pensão pública: a peculiaridade de se constituírem – também peço a atenção para esse aspecto . Daí não se poder acusar a contribuição previdenciária pública de expediente feridor do princípio da irredutibilidade de vencimentos. e existe. afinal. aposentadorias pensões subjetivos demandantes autocusteio. considerando um limite de idade específico. quem se beneficia do desconto financeiro mensal é o próprio servidor-segurado.nos únicos direitos subjetivos para cujo gozo o servidor paga do seu próprio bolso. pois. Por isso mesmo. o objetivo específico do sistema é oferecer proteção a quem previdentemente desembolsou recursos para formação de uma economia que. embora comum ao funcionalismo (a eminente Ministra Ellen Gracie falou dessa economia conjunta). perfeitamente definida: suportaria ele” – servidor – “o pagamento de uma contribuição por um período determinado. . autofinanciamento pelo servidor público. Noutros termos. é de aplicabilidade benfaseja individual. conforme o caso. pensão ou dos seja. terceiro. Não existe um direito subjetivo para cuja aquisição o servidor semanal público desembolse férias. são recursos: terço direitos décimo ferial.

facultativo E o ou previdenciário. o que é. Ou seja. Usa quatro vezes a palavra “filiado” ou “filiação” e. alusiva Regime Único. no fundo. nessa linha de pensamento. unilateralmente ditada pelo Estado. posto SENHOR no MINISTRO regime CARLOS VELLOSO é – Correto. portanto. O segurado. no capítulo da Previdência Social Geral. usa vinte vezes a palavra “contribuinte”. Ministro Carlos Britto.105 / DF Quero lembrar. O SR. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Mas. obrigatório? . constataremos que o sistema é contratual. Perfeito? O SR. no capítulo do Sistema Tributário. 3º do Código Tributário. MINISTRO CARLOS BRITTO – É isso que quero acrescentar. É o art. de que estamos diante.Supremo Tribunal Federal ADI 3. embora insólita relação securitária. ainda que soe estranho aos nossos ouvidos. usa oito vezes a palavra “segurado” e nenhuma vez a palavra “contribuinte”. a Constituição não usa nenhuma vez a palavra “segurado”. Jurídico porque. no bojo de uma relação jurídica funcional definida como de Direito Público e. O Excelência. Há um traço de contratualidade nesse regime. o contribuinte de contribuição previdenciária não é contribuinte. Tanto assim que a Constituição. um contribuinte de um tributo? É alguém que está obrigado ao pagamento de certa importância em dinheiro em favor do poder público. SENHOR se MINISTRO lermos a MARCO lei AURÉLIO ao – Em termos. MINISTRO CARLOS BRITTO – Até aí estamos de acordo. em termos.

MINISTRO CARLOS BRITTO – Empréstimo compulsório para quem o considera tributo. Ainda não temos benefício in natura. O pecúnia. o Estado? O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO – É obrigatório.Art.105 / DF O SR. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . não é retribuição com dinheiro. Vossa Excelência poderá perfeitamente deduzir que se trata de um contribuinte. II. Ministro Carlos Britto. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Quem sabe Vossa Excelência esteja cuidando de empréstimo compulsório? Porque retribuir com dinheiro. O Segurado recebe em benefício. MINISTRO CARLOS BRITTO – Mas vamos atentar para a inespecificidade das situações ou a dicotomia das situações. MINISTRO CARLOS BRITTO – Mas traduzido em O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Mas é claro. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Ministro Carlos Britto. . O SR. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Então. aposentadoria é retribuída com dinheiro. Até aí estamos de acordo. em termos previdenciários. Entretanto. daí.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Qual é o tributo que exige do Estado retribuir com dinheiro? Nenhum. 195. SR.

MINISTRO CARLOS BRITTO – Quero apenas mostrar a necessidade de se ver com um novo olhar. na previdência privada tem-se contribuinte obrigatório? O SR. SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Inatividade sem O SR. apenas. . chamar a atenção para a necessidade de se examinar com um novo olhar . O SR. Quero. Ora.. E não existe um tributo que tenha essa destinação. encontrará norma matriz da contribuição social de seguridade social. essa figura da contribuição previdenciária.105 / DF O perda.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Mas. com isso. com um novo par de olhos. mas isso é “en passant”. O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Se Vossa Excelência consultar o Sistema Constitucional Tributário. mas não a de destinação. MINISTRO CARLOS BRITTO – Vou colocar outro complicador aos nossos quadros mentais: qual é o tributo que o Poder Público repassa para a iniciativa privada totalmente? Sei que Poder Público pode delegar as atividades de fiscalização e arrecadação. a Constituição mesma diz que o Estado pode ser contribuinte de instituto de previdência privada complementar. MINISTRO CARLOS BRITTO – Isso não invalida. a identidade com os tributos lato sensu não é ortodoxa. Vossa Excelência está criando um suspense incrível. artigo 149.. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas..

VII. do ângulo do Poder Público. providência gerencial do Poder Público. para por ser SR. claramente. XXXIV. o regime constitucional público- previdenciário que vige entre nós.Supremo Tribunal Federal ADI 3. É nessa linha de pensamento que se pode constatar o óbvio: a que verbo recorreu o legislador de reforma para instituir o regime essa contributivo de da a previdência pública: “assegurar”. Sra. XIV. ao gerente. Este. fixação de base de cálculo e de percentual de descontos previdenciários o bastante para o alcance perene daquele patamar da auto-suficiência financeira. diz respeito ao gerente. V. exclusivamente. uma política de número de funcionários. Ou seja. Não interessa ao servidor. Compete ao gerente administrar a arrecadação de recursos para fazêlos render o suficiente para a auto-sustentação financeira do sistema. etc. XXVIII. muitas vezes. conforme se vê das seguintes passagens: art.105 / DF O suspense. caput) estabeleceu que a Previdência que Social deverá o ser organizada com observância e atuarial de do critérios preservem equilíbrio financeiro sistema. não é uma questão de Previdência. Quero dizer que. a questão da Previdência. para tanto. É deduzir: cabe ao Poder Público. estabelecendo. o sistema é teoricamente rentável e auto-suficiente que o mercado . a questão do equilíbrio atuarial e financeiro não diz respeito ao servidor. quando se fala em déficit. sim. o dispositivo constitucional em causa (art. porém de providência. MINISTRO CARLOS BRITTO – Vou desfazer o voz comando invariavelmente utilizada outorgar direitos subjetivos. mas. 40. Relatora. 5º. Tanto assim. enquanto exclusivo gestor das verbas arrecadadas. Agora. fazê-las render o suficiente para assegurar a continuidade vitalícia dos benefícios que são próprios do sistema.

cuja voz de comando é esta. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Faltou equilíbrio. para o servidor. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Não se esqueça que o dinheiro público vai ao fundo de pensão. Como foi cuidadoso o legislador de reforma: mesmo na excepcional hipótese de o volume de recursos aportados para o custeio do regime previdenciário não se revelar suficiente. mediante o aporte de de suplementar essa contabilidade novas fontes de receita para o mesmíssimo custeio. . tão alentados.” É curioso. 249 da Constituição Federal. MINISTRO CARLOS BRITTO – Claro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. se a gestão desses recursos se dará pelo próprio Estado. MINISTRO CARLOS BRITTO – Pouco importando.105 / DF previdenciário privado experimenta o maior assanhamento para abocanhar uma fatia desse mercado promissor. que nadam em dinheiro. é auto-sustentável. restou a todos os de manifestação. ou por interposta pessoa privada. E os fundos de pensão. naturalmente habilitada em processo público de licitação. ele (o autor da Emenda nº 20) tratou atuarial. Vossa Excelência tem razão.. não vi uma citação desse emblemático art. só desequilibrada. O SR. pontos de Esta vista ação são está numa absolutamente direção. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Interessa a entrada nesse campo.. não vi isso em nenhum dos pareceres tão bem feitos. O SR. evidenciam que o sistema é rentável. É sempre bom a gente se lembrar disso. tão elaborados com proficiência. Ministro.

embutida. É o que está dizendo o artigo 249.105 / DF ofício. o Distrito Federal e os Municípios poderão constituir fundos integrados pelos recursos provenientes de contribuições e por bens. De tudo quanto foi exposto. É nisso que reside a solidariedade: a sociedade e o Estado se emparceiram para desenvolver ações de seguridade social em benefício dos aposentados e pensionistas. Fora disso. desde a Constituição na sua redação originária. desde a origem. em adição aos recursos dos respectivos tesouros. só há pontos de vista que convergem na direção dos interesses corporativos. desde que preenchidos os requisitos constitucionais. já não poderá. por efeito de . os Estados. é a específica regra de garantia em que o novidadeiro art. de que a seguridade resulta de uma ação conjunta da sociedade e do Estado. Era uma solidariedade que já estava implícita. MINISTRO CARLOS BRITTO – Bem. Noutros termos. do Advogado-Geral da União. mediante lei que disporá sobre a natureza e a administração desses fundos”. nesta aclaradora legenda: “Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento de proventos de aposentadoria e pensões concedidas aos respectivos servidores e seus dependentes. quando for o caso. a União. 249 consiste. Tanto que a Constituição já falava. e nem precisou falar de solidariedade. É nesse sentido que a solidariedade pode ser interpretada. direitos e ativos de qualquer natureza. é de se concluir que os proventos da aposentadoria e eventuais pensões se constituem em direito subjetivo do servidor público ou seu dependente. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas seria corporativo o interesse geral como é o interesse dos servidores? O SR.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a partir do momento que o servidor público passa a preencher as condições de gozo do benefício. e somente agora veio a ser explicitada.

com seqüenciada aprovação pelo Tribunal de Contas.. vindo o Judiciário a definitivamente confirmar. agora muda outra vez de nome e passa a se chamar coisa julgada (. caso a lei venha a entrar em rota de colisão com as régias situações jurídicas ativas. se o funcionário formaliza o seu pedido de aposentação e a Administração Pública expede o respectivo ato. E por que isto? Em livro recentemente publicado pela Editora Forense.Supremo Tribunal Federal ADI 3. não a impugnação. 5º direito lei não individual inciso XXXVI art. e esse direito. por fluir direta e exclusivamente de uma norma geral. nem por imposição de Emenda Constitucional. o direito subjetivo. sob o título “Teoria da Constituição” (2003). Ora. nem ser por compelido a contribuir sistema previdenciário: determinação legal. estão - acobertadas pois (“A pelo petrealidade insculpido IV do CF). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”). ele ganha o direito à aposentadoria com proventos integrais.. Contudo. ou art. mas o ato executiva da aposentação. constitutivo ao dos direitos Estado..) se um determinado funcionário alcança o tempo mínimo de 35 anos de contribuição previdenciária.105 / DF nenhum ato da para ordem o legislativa (art. as posições . direitos oponíveis próprio marcadamente. no 60. nota 9 das páginas 112/113.. ele. passa a se chamar ato jurídico perfeito. padecerá de vício insanável de inconstitucionalidade. o direito subjetivo.)”. escrevi: “(. As manto da três hipóteses (art. que já teve a sua fase de direito adquirido e o seu estágio de ato jurídico perfeito. prejudicará o direito adquirido. E se alguém impugna em Juízo a validade de tal aposentadoria. que era do tipo adquirido. 5°. subjetivos Justamente públicos. Quanto a essa conclusão. invocadas § 4º. 59). se categoriza como adquirido.

ou complementares. Entretanto. entretanto. etc. II . sem que a Magna Carta necessite. Explico: “Retornando a lidar com o bloco dos três institutos. pp 151/161). perguntase: E se a Emenda Constitucional não assegurar o direito adquirido. II. Pronto! É esse racional esquema de exegese esquema da Constituição que explica o fato de ela própria. Elas não podem incidir sobre as matérias clausuladas como .daqui não se deduz. em parceria com WALMIR PONTES FILHO (“DIREITO ADQUIRIDO CONTRA AS EMENDAS CONSTITUCIONAIS” estudo publicado no bojo da coletânea DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. Ampliamo-nos. Malheiros Editores. e os fundamentos então lançados parecem-nos resistir a contraditas. até. que tudo o que a lei não esteja habilitada a fazer fica também interditado às emendas.) Em tema de suas próprias emendas. quando o Código Político substitui o silêncio pela fala expressa é para dizer o que elas não podem. portanto. jamais dizer sobre que matérias podem recair as emendas. vol. o ato jurídico perfeito ou a coisa julgada? Em face da dignidade da espécie normativa invocada. ano de 1997. convencidos que estamos de que a Lex Legum encerra. Nada disso! As emendas constitucionais podem tudo o que a lei pode e vão além: podem tudo o que a lei não pode. seria possível? Penso que não. o seguinte esquema de interpretação: I . na matéria. Já enfrentamos academicamente a questão. aduzimos que não tem relevância o fato de a legenda constitucional somente incluir a lei (não a emenda) como norma proibida de retroagir para prejudicá-los. ou delegadas. de dizê-los às expressas. Constituição.105 / DF doutrinárias e jurisprudenciais são uníssonas. salvante recair sobre matérias clausuladas de petrealidade pela Constituição. Não há necessidade da indicação desse vínculo entre determinadas matérias e a conformação normativa por via de emenda.Supremo Tribunal Federal ADI 3. nesta oportunidade.tudo o que a lei está habilitada a fazer fica inteiramente à mercê das emendas constitucionais. porque a emenda pode tudo que a Magna Carta reserva para as leis (pouco importa se leis ordinárias.

só proibiu as leis de fazê-lo. naquelas matérias que desfrutam de intangibilidade perante a ação legislativo-conformadora do Estado (que não matérias apropriadamente chamadas de pétreas). nenhum mal existe em reqüestrar a todo instante a lei porque a banalização da lei em nada trivializa a Constituição. “a forma federativa de Estado”. nas entrelinhas. por exemplo.” Ela não disse “senão em virtude de emenda”. exemplo: quando a Constituição falou da lei como veículo impositivo de deveres – positivos ou negativos -. que já não seria formalmente o mesmo a cada emenda produzida. salvante. 5º. “o voto direto. que permanece formalmente a mesma. universal e periódico”.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF pétreas ou intangíveis ou irreformáveis. Se esse raciocínio em fosse levado às últimas Por conseqüências. a banalização das emendas (que fatalmente ocorreria pela técnica de se dizer tudo que a elas competisse. só falou de leis (Art. De outra parte. que pedir o adjutório delas é reqüestrar a edição das emendas. . A Constituição não pode prestigiar tanto as suas emendas a ponto de dar a sua vida por elas. quer referentemente aos direitos concedidos por regra constitucional. insista-se. “a separação dos Poderes” e “os direitos e garantias individuais” (de cuja redação a garantia dos direitos adquiridos faz parte. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada partem de uma só base intelectiva: a Constituição não proibiu as emendas. como.” Permito-me agora dizer o seguinte: os que defendem a possibilidade de emenda ofender o direito adquirido. Melhor técnica legislativa. cairíamos todos contradições grotescas. é porque já prescreveu. seja para interditá-los. tintim por tintim) acarretaria a banalização do próprio Texto Magno. seja para lhes franquear certos conteúdos. quer os deferidos por outra modalidade de lei em sentido material). II): “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. impossível! Se a Constituição de 1988 fala a toda hora da leis. secreto. De revés. E interditar as leis não é interditar as emendas.

da 5º. claro uma emenda sim. que fez do indivíduo hiposuficiente perante o Poder Público e do trabalhador hiposuficiente perante o empregador? Uma Constituição que se preocupou. garantem o progresso. Constituição disse que o falou de da crime de Presidente República incorreria em crime de responsabilidade quando deixasse de cumprir as leis ou as é decisões que judiciais. mas. eu lembraria que elas. A Constituição simplesmente não falou de emenda porque não precisou. O progresso então obtido é preciso ser salvaguardado. não cumprem uma função conservadora. Quando responsabilidade (art. com distribuição de renda. a 85).105 / DF E esse silêncio quanto às emendas iria interditá-las para impor obrigações positivas ou negativas a terceiros? É evidente que não. ofender as três entendo que e as emendas estão proibidas o de emblemáticas estelares figuras: direito adquirido. responsabilidade. A emenda está ali. prefigurada. a ponto de fazer da soberania nacional no plano econômico o primeiro fundamento da . art.. 219): “O mercado interno integra o patrimônio nacional. ou seja. sim.. Quem nega à Constituição de 1988 esse caráter de uma constituição avançada. com moralidade administrativa. Então.Supremo Tribunal Federal ADI 3. na Constituição de 1988. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” ato (art. crime de Entretanto. normativa ela está dizendo do direito/lei. impeditivas de retrocesso. a ponto de fazer do mercado interno patrimônio nacional (art. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. XXXVI). 59 da qualquer ordem constante Constituição. de emendas. ofender Ela não falou é. Uma Constituição entranhadamente nacionalista. Quanto à questão das cláusulas pétreas – a preocupação do Ministro Joaquim Barbosa -.”. Quando a Constituição emite o discurso de que “a lei não prejudicará o direito adquirido. sim.

Pois não. II – garantir o desenvolvimento nacional. não pode. . MINISTRO CARLOS BRITTO – Será. justa e solidária. porque os fundamentos da República são pétreos por definição.105 / DF ordem econômica.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Ministro Carlos Britto. a ponto de dizer que eram objetivos da República Federativa do Brasil – como efetivamente são -: “I – construir uma sociedade livre. que os juristas da anglo-saxões de marfim a chamam e de enclausurar-se naquilo tower syndrom” – “ivory síndrome ignorando torre discutir social conceitos. raça. cor. sexo. à qual o dogmas. mas uma emenda harmônica com o que pretende não é possível. de forma alguma. MINISTRO CARLOS BRITTO – Uma emenda harmônica não. O SR. A petrealidade não chega ao ponto de impedir que uma norma protetiva receba adensamento.” O Excelência me SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Ministro. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Pois é. sem preconceitos de origem. idade e quaisquer outras formas de discriminação. o juíz constitucional. IV – promover o bem de todos. entendo que o intérprete da Constituição. Ministro Joaquim Barbosa. O SR. III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Uma emenda até que robusteça esse teor de proteção do hiposuficiente é bem recebida. sentido Vossa será permite? Qualquer emenda nesse inconstitucional. texto completamente realidade constitucional se aplica.

levando à ruptura do pacto. Entendo. O SR. 46 anos de idade. neste País. Se levarmos adiante esse raciocínio. de forma alguma. diferentemente do que ocorre no mundo inteiro. não podemos. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Poderia ter ocorrido se eu não tivesse sido nomeado para o Supremo Tribunal Federal.105 / DF O que está em jogo aqui. que a teoria das cláusulas pétreas é muito importante para a preservação de um núcleo essencial. sim. . todos nós sabemos: é um sistema de aposentadoria de pessoas que se retiram. Nós não podemos. de forma alguma. em sua grande maioria.Supremo Tribunal Federal ADI 3. da vida pública aos 45. estaremos petrificando a Constituição. a minha tese é basicamente esta: temos que exercer um juízo de ponderação de tudo o que Vossas Excelências acabam de dizer. uma contribuição sobre o vencimento de quem. MINISTRO CARLOS BRITTO – Esses excessos podem ser coibidos. bastardizá-la ao ponto de achar que uma pequena contribuição. se jubila percebendo mais do que ganha na atividade. entender que essa pequena contribuição de caráter solidário possa vir a constituir uma violação à Constituição. Esse catálogo imenso de direitos sociais -excelente que temos . O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Pois bem. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – O que não ocorreu com Vossa Excelência.há de ser examinado com granum salis. um núcleo de alta relevância.

. 2ª e 3ª geração são materialmente ou puramente formalmente constitucionais. O antimajoritárias. Examinamos. A temática da interpretação das cláusulas pétreas é um caminho extremamente rico para a discussão.acho que freqüentei até muitas aulas.105 / DF O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Já fizemos isso aqui. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – Se me permite um aparte? Estou me furtando participar do debate porque essa questão. antimajoritária. há tantos caminhos para enfrentá-la. mas acho que já aprendi aqui hoje muito mais do que em tantas aulas que freqüentei . obviamente. como fez o Ministro Joaquim Barbosa e. Parece-me altamente delicado. . obviamente.que as cláusulas pétreas são instrumento de conservadorismo ou instrumentos antidemocráticos. Em relação a essa questão de cláusula pétrea. Mas a Constituição. Agora.Supremo Tribunal Federal ADI 3. que direitos fundamentais de 1ª. mas não antidemocrática. sob o ponto de vista da teoria geral dos direitos fundamentais. vai se estender. já que não há direitos absolutos. afirmar simplesmente. não tenho nenhum compromisso com a tese que está se assentando a partir do voto da Relatora . O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – A questão que se coloca: é um direito absoluto? O SENHOR MINISTRO CARLOS VELLOSO – Absoluto não. SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - São O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – Sim. traz-me certa preocupação..

uma geração não pode sacrificar a outra. não tem o direito de emparedar o futuro.Não temos o adjetivo antidemocrática.Sr. Acontece que há uma diferença entre geração e nação. para possibilitar o ingresso de estados na União Européia . o artigo 96. Mas há espaço exatamente para se fazer um esforço hermenêutico. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – Certo. A Constituição originária é obra de quê? Da .Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SR. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – Tivemos um texto constitucional que não era democrático. MINISTRO CARLOS BRITTO . quando o Ministro Joaquim Barbosa falou que as futuras gerações estariam sendo sacrificadas pela geração contemporânea da Constituição.105 / DF O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . que justificavam a reforma de constituições. inclusive de cláusulas pétreas.e o argumento era exatamente esse. sem fazer essas afirmações apodíticas. SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Todos sabemos O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – Só estou lembrando. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Exatamente a isso que convidei o Colegiado. Presidente. Temos que ter muita cautela com esse tipo de afirmação. um “distinguishing”. lembrei-me de um argumento muito usado pelos constitucionalistas logo chamados de neoconstitucionalistas europeus. O disso. que tem uma forma de dissolver até decisões do Supremo Tribunal Federal. a Carta de 1937.

Toda nação é multigeracional. citado pelo eminente Presidente. habitualmente. enquanto a Constituição permanecer. a nação de ontem é a mesma de hoje. corrente . só queria terminar lembrando dois óbices que são colocados.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SR. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . assim como o rio é um só rio da nascente à foz .As gerações da América Latina costumam ser muito curtas.105 / DF nação . Parece-me que sim. O SR. Não há espaço para uma geração se sentir oprimida por outra se a nação permanece a mesma. MINISTRO CARLOS BRITTO – “Da nação”.nascente. essa fricção geracional preocupante. não tenho como fugir dele. Em suma.o cacófato “da nação” é inevitável. de sua identidade cultural. permaneço fiel à Emmanuel Joseph Sieyés. acho que ele foi insuperavelmente o grande intelectual no campo da dicotomia: poder constituinte – poder reformador. o que impede essa nova geração de pugnar por uma nova Constituição? Mas. contra a teoria da intocabilidade do . do ponto de vista ontológico. Se a geração atual entende que essa Constituição já se esclerosou. E.tudo é um só rio. as gerações vão se sucedendo. ou seja. dentro de uma mesma nação. tem que ser respeitada sem que haja. e as instituições nascidas à sombra dela já se esclerosaram. já não serve como locomotiva social. MINISTRO CARLOS BRITTO – É verdade. Mas não sou adepto do neoconstitucionalismo. no interior dela. foz. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Cuidado com a história. entraram em colapso cardíaco ou coisa que o valha.

ora. disse que somente eram cidadãos com direito a votar os libertos. A Constituição de 1824 não fazia do direito adquirido uma figura jurídica autônoma. como ficou diante da Lei do Divórcio? E o direito adquirido de permanecer numa relação íntegra? Eu respondo o seguinte: não existe esse direito adquirido. O que havia era uma proibição de contrair novas núpcias para cada um dos casados. remeteu para a lei a disciplina de abolir a escravidão e tornar o escravo livre.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o que existia era proibição de contrair novas núpcias. Para concluir. dissimulada. a Constituição o fez por forma oblíqua. por efeito de uma emenda – acho que foi a Emenda nº 7 –. ou debaixo de da cláusula de de impossibilidade de separação judicial impossibilidade contrair novas núpcias. não existia o direito adquirido de permanecer casado. Não havia a figura do direito adquirido como garantia genérica. E apenas se removeu uma proibição. E .105 / DF direito adquirido perante as emendas. O SR. O grandes SENHOR à MINISTRO SEPÚLVEDA de PERTENCE 1824 se Todas as reformas Constituição fizeram inconstitucionalmente por lei ordinária. A escravidão foi abolida no Século IXX. cumprindo essa função de bloqueio de qualquer legislação. Uma é de que a tese do direito adquirido não impediu que em 1977. ainda que rapidamente. Sei que o Ministro Pertence tem esse tipo de preocupação. não havia autonomia de vontade para casar de novo e veio a lei e disse que ela ficava assegurada. o divórcio fosse instituído no Brasil. Porém. à luz da Carta de 1824. da questão da escravidão. e quem se casou antes. mas ao prever isso sem dizer o que significava liberto. Ou seja. Ora. ao falar dos escravos. MINISTRO CARLOS BRITTO – Já procurei uma resposta na própria Constituição. Aí se diz. é preciso que a gente volte a falar.

Presidente.Supremo Tribunal Federal ADI 3. in solidum. O defesa. não incluiu o de submeter alguém à escravidão. concluo dizendo o seguinte: por essas razões que lancei a mais douta consideração de V. o voto da Ministra Ellen Gracie. e por todas aquelas razões que enxerguei no muito bem lançado voto da eminente Relatora Ellen Gracie. Devia ter vindo bem mais cedo.Exa. peço todas as vênias ao Ministro Joaquim Barbosa para acompanhar in totum. a legislação comum ocupou o seu espaço muito bem e aboliu a escravatura. à ela dizia que dos só era constitucional e aos o que e dissesse garantias respeito separação Poderes direitos individuais. Sr. MINISTRO CARLOS BRITTO – E aboliu até muito tarde. . SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - Brilhante O SR. entre os direitos e garantias individuais.105 / DF mais ainda. Como.

Presidência. Vice-Presidente. rejeitou as preliminares. o Dr. Plenário.CONAMP : ARISTIDES JUNQUEIRA ALVARENGA E OUTRO(A/S) : CONGRESSO NACIONAL Decisão: O Tribunal. Falaram. Aristides Junqueira Alvarenga. Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal-UNAFISCO SINDICAL. pela requerente. Celso de Mello. Álvaro Ribeiro Costa e. e do voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa. ELLEN GRACIE : MIN. da Emenda Constitucional nº 41. Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal-SINDJUS-DF. pela Advocacia-Geral da União. pelo Ministério Público Federal. os Drs. Mauro Menezes e José Luiz Wagner. e Carlos Britto. Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região-SINDIPOL. 26. Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social-ANFIP. Em seguida. CEZAR PELUSO : ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO . Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social-FENAFISP. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Votou o Presidente. o Dr. Cláudio Lemos Fonteles. após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie. o Dr.105-8 DISTRITO FEDERAL RELATORA ORIGINÁRIA RELATOR PARA O ACÓRDÃO REQUERENTE(S) ADVOGADO(A/S) REQUERIDO(A/S) : MIN. Associação Nacional dos Advogados da União e dos Advogados das Entidades Federais-ANAJUR. Associação Nacional dos Membros do Ministério Público-CONAMP. incisos I e II. caput. que a julgava improcedente. Procurador-Geral da República. que julgavam procedente a ação e declaravam a inconstitucionalidade do artigo 4º. Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União-FENAJUFE. Presentes à sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence. Carlos . em exercício. § 1º. pelas amici curiae. VicePresidente no exercício da Presidência.2004. por unanimidade. de 19 de dezembro de 2003. do Senhor Ministro Nelson Jobim. Relatora.Supremo Tribunal Federal PLENÁRIO (2) Ata de Extrato EXTRATO DE ATA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino SuperiorANDES.05.

Carlos Britto e Joaquim Barbosa. Dr.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Cezar Peluso. Ellen Gracie.105 / DF Velloso. Procurador-Geral Fonteles. da República. Marco Aurélio. Gilmar Mendes. Cláudio Lemos Luiz Tomimatsu Coordenador .

contribuirão para o custeio do regime de que trata o art. bem como os alcançados pelo disposto no seu art. incluídas suas autarquias e fundações. 201 da Constituição Federal. A contribuição previdenciária a que se refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere: I – cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. como fez. impor a eles a obrigação de pagar dito tributo. do Distrito Federal e dos Municípios. que dispõe sobre a contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas. verbis: “Art. Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade que tem por objeto o art. já incorporado aos seus patrimônios jurídicos.sessenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. dos Estados.” A requerente alega que “os servidores públicos aposentados e os que reuniam condições de se aposentar até 19 de dezembro de 2003 têm assegurado o direito subjetivo. não poderia. 40 da Constituição Federal com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. em gozo de benefícios na data de publicação desta Emenda. do Distrito Federal e dos Municípios.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. 4º da Emenda Constitucional nº 41. de não pagarem contribuição previdenciária. 4º da Emenda Constitucional nº 41/2003. 3º. II. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União. para os servidores inativos e os pensionistas da União. de modo a prejudicar aquele direito adquirido e impor aos seus titulares situação jurídica mais gravosa” . de 2003. forçosa a conclusão de que o art. para os servidores inativos e os pensionistas dos Estados.105-8 DISTRITO FEDERAL VOTO-VISTA (52) PELUSO CEZAR - Vista Voto O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: 1. Parágrafo único. 201 da Constituição Federal.

admite ponderação ou confrontação com outros valores igualmente protegidos pela nossa Constituição”. e configurar bitributação em relação ao imposto sobre a renda. 154. 150. . fundamento diverso: “De tudo quanto foi exposto. O Min. E haveria. “contribuição despida de causa eficiente. da Constituição da República. § 5º). 07). razão pela qual a tributação dos inativos em gozo do benefício contrariaria o art. 150.” O Min. à medida que o § único do art. por ver. Min. e que se estaria “diante de princípios constitucionais relativos. 5º. A eminente Relatora.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ofensa à isonomia tributária (art. que admitem ponderação com outros princípios. com invocar. II). 195. do mesmo modo que outros princípios constitucionais. I). ou de servidores federais” (fls. posto que não corresponde à necessária contrapartida de novo benefício” (art. XXXVI. “tendo por fato gerador a própria percepção dos mesmos proventos e pensões” (art. ademais. em síntese. desde que preenchidos os requisitos constitucionais. desse confronto podendo resultar o afastamento pontual de um deles. “porque discrimina indevidamente entre contribuintes em condição idêntica”. JOAQUIM BARBOSA votou pela improcedência. julgou procedente a ação. II). 4º estabelece distinção entre os atuais inativos “e ainda com diferenças de tratamento conforme se trate de servidores estaduais. além de a norma insultar a isonomia (art. distritais ou municipais. sustentando que “o princípio dos direitos adquiridos. é de se concluir que os proventos da aposentadoria e eventuais pensões se constituem em direito subjetivo do servidor público ou seu dependente. na hipótese. ELLEN GRACIE. 6).105 / DF (fls. para reconhecer a inconstitucionalidade. Relatora na conclusão. CARLOS BRITTO acompanhou a Min. quando for o caso.

Wladimir Novaes Martinez. desta Corte em qualificá-las como verdadeiros tributos (RE nº 146. a exemplificar.” Para melhor análise do caso. já não poderá. irretroatividade e anterioridade). pedi vistas dos autos.. Se as contribuições forem tributos. centrar um debate na temática da natureza jurídica não é absolutamente indispensável” (MARCO AURÉLIO GRECO. Salvas raras vozes hoje dissonantes sobre o caráter tributário das contribuições sociais como gênero e das previdenciárias como espécie1. essencial à análise da figura. pena privativa de liberdade. de Edvaldo Brito. 1 “com a Constituição de 1988. a partir do momento que o servidor público passa a preencher as condições de gozo do benefício. nem por imposição de Emenda Constitucional. RTJ 149/654). Min. A contribuição ao PIS. 146. ser compelido a contribuir para o sistema previdenciário: nem por determinação legal. nem por isso seu regime constitucional será idêntico ao tributário. MOREIRA ALVES. RE nº 158. assim porque disciplinadas as contribuições no capítulo concernente ao sistema tributário. raras são as vozes que sustentam o caráter não-tributário de tais exações. Marco Aurélio Greco. São Paulo: Dialética. rel. São Paulo: Dialética. e Valdir de Oliveira Rocha” (OCTAVIO CAMPOS FISHER. 67). 1999.577. serviço militar. 2. parto da necessidade metodológica de perquirir a natureza jurídica da contribuição. requisição. se elas não forem tributos.Portanto. Min. É o caso. estando ambas as figuras submetidas a algumas das limitações ao poder de tributar. III (normas gerais em matéria tributária) e 150. nem por isso deixarão de ter em comum como eles a característica de serem exigências patrimoniais constitucionalmente previstas e admitidas.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 2 “Este debate quanto à natureza jurídica das contribuições não é. p. p. pode dizer-se assentada e concorde a postura da doutrina e. 2000. CELSO DE MELLO. como porque corresponderiam à noção constitucional de tributo construída mediante técnica de comparação com figuras afins3.105 / DF Noutros termos. Por dar resposta à causa. I e III (princípios da legalidade. por efeito de nenhum ato da ordem legislativa (art. RTJ 143/684. sujeitos a regime constitucional específico2. 3 ROQUE ANTÔNIO CARRAZZA propõe uma definição de tributo formulada a partir do cotejo de figuras afins no texto constitucional (“desapropriação. Aurélio Pitanga Seixas Filho. porém. porque várias diferenças resultam do exame da CF-88. sobretudo. sob referência expressa aos art. perdimento de . Contribuições (uma figura “sui generis”). 74). Hamilton Dias de Souza.733. 59).. rel.

sustentam que as contribuições especiais são espécies autônomas e distintas dos impostos. 352). como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais.. Zelmo Denari. da Rosa Jr. enquanto parte da doutrina sustenta que não constituiriam espécie autônoma. Roberto Catalano Botelho Ferraz. Alberto Xavier. tendo por base a lei. não há nenhuma dúvida de que as contribuições são tributos que obedecem a regime jurídico próprio. por exemplo. porque têm no elemento “destinação” a sua peculiar característica. e Régis F. Ramiro Heise. 19ª ed. Américo L. porque podem ser reduzidas ora aos impostos. São Paulo: Malheiros. op. Diva Malerbi. das taxas e da contribuição de melhoria. em moeda. Masset Lacombe. serviço do Júri. Souto Maior Borges e Marçal Justen Filho. José Roberto Vieira. nisto. etc”. 71). pois. Antônio Sampaio Dória.Supremo Tribunal Federal ADI 3. de Oliveira e Estevão Horvath sustentam. a natureza tributária das contribuições. basicamente. entendem que. 2ª tiragem. e cuja propriedade vem da destinação constitucional das receitas e da submissão às finalidades específicas que lhes impõe o art. cit. p. como suposto metodológico indiscutível. . de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Esta é a linha de pensamento que parece ter sido seguida por Rubens Gomes de Souza. Sacha Calmon Navarro Coelho. Elisabeth Nazar Carrazza. 4 “Paulo de Barros Carvalho. Mas começa a surgir nova safra de autores que. 149. que as contribuições especiais não são espécies tributárias autônomas. José Eduardo Soares de Melo. ora assumem os contornos de taxas. 71). Luciano Amaro. 2003.): “tributo. 5 “Outros. p. independentemente da sua classificação dogmática como espécie autônoma. como diz Marçal Justen Filho. ao lume de nosso Estatuto Magno. agora.105 / DF Admitida. ora às taxas” (OCTAVIO CAMPOS FISCHER. seguindo os passos da doutrina estrangeira e as lições de Geraldo Ataliba. e. Celso Ribeiro Bastos. Luiz Emygdio F.. Susy Gomes Hoffmann e Luís Fernando de Souza Neves” (OCTAVIO CAMPOS FISHER. Antônio Carlos Rodrigues do Amaral. ao lado dos impostos e das taxas. segundo a materialidade dos fatos geradores4. Célio de Freitas Batalha e Bernardo Ribeiro de Moraes. igualitária e decorrente de um fato lícito qualquer” (Curso de Direito Constitucional Tributário. Cláudio Santos. ou como subespécie de imposto ou de taxa. A contribuição ao PIS. pena pecuniária. cit. a exemplo de Hugo de Brito Machado. Heron Arzua. estão as contribuições. senão exigências patrimoniais que ora se revestem das características de impostos. observado o bens. por Misabel Derzi. outra corrente lhes adjudica autonomia conceitual por conta do assento constitucional das finalidades e da destinação do produto da arrecadação5. é a relação jurídica que se estabelece entre o Fisco e o contribuinte (pessoa colhida pelo direito positivo). 149 da Constituição Federal: “Art. dentre as quais a contribuição de melhoria é a espécie mais típica. toda a divergência teórica reduz-se-lhes à classificação no quadro dos tributos e. Mas. serviço eleitoral. quando da ordem jurídica anterior. p.

no caso. cit. nas contribuições o conceito básico não é o poder de império do Estado. de modo expresso e categórico. isto não lhes retira esta diferença. 146. em função de certa finalidade. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. Em certa medida. esta visão tripartite encontra semelhança com o conceito de exigências gerais. I e III. para tanto. ou seja. e 150. as finalidades e o destino da arrecadação. Ainda que tenham natureza tributária. observa MARCO AURÉLIO GRECO: “As contribuições são diferentes de impostos e taxas porque partem de um conceito básico diverso. 195. nem o benefício que o indivíduo vai obter diretamente de uma atividade do Estado (nem necessariamente o seu custo). à previdência e à assistência social” (art. preferenciais e associativas a que se refere Kruse”6 Interessam-nos.. Enquanto o imposto apóia-se no poder de império (o casus necessitatis). nas taxas o conceito básico que as informa não é o do puro império. caput.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Ou seja. A respeito. e sem prejuízo do previsto no art. na forma do § 1º) como instrumento de atuação na área social (a). III.” Desse texto vê-se claro que as contribuições podem instituídas pela União (e também pelos Estados e Municípios. concebidas como instrumento de atuação do Estado no campo da chamada seguridade social. de intervenção no domínio econômico (b) e no interesse de categorias profissionais ou econômicas (c). segundo alguns é formulado a partir de uma noção de “contraprestação” que seria ínsita à figura). Por sua vez. 83. exerce (nos limites da Constituição) seu poder de império sobre os contribuintes. . p.105 / DF disposto nos arts. mas o de benefício (que. 3. o Estado precisa de determinado montante em dinheiro para atender às despesas relativas ao exercício de suas funções e. da Constituição da República). A seguridade social “compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade. 6 Contribuições. as contribuições sociais.. mas sim o conceito de solidariedade em relação aos demais integrantes de um grupo social ou econômico.. § 6 º relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. 194. a competência. a Constituição predefine-lhes.

” 7 A EC nº 42/2003 inseriu o inciso IV no art. III.105 / DF É organizada pelo poder público com base nos princípios constantes do § único do art. do Distrito Federal e dos Municípios. dos empregadores. com participação dos trabalhadores. à pessoa física que lhe preste serviço. a qualquer título. verbis: “I – do empregador. com a redação da época da edição da EC nº 41/20037. incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. 194. dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. e das seguintes contribuições sociais. a atuação estatal nas áreas da saúde.seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços.” E. IV – irredutibilidade do valor dos benefícios. VII – caráter democrático e descentralizado da administração. 195.Supremo Tribunal Federal ADI 3.” . de forma direta e indireta. por força do disposto no art. b) a receita ou o faturamento. c) o lucro. ou de quem a lei a ele equiparar. previdência e assistência social. é custeada por toda a sociedade. mesmo sem vínculo empregatício. dos Estados. nos termos da lei. mediante a gestão quadripartite. II – uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais. VI – diversidade da base de financiamento. com a previsão de instituição de contribuição cobrada “do importador de bens ou serviços do exterior. cujos direitos formam o conteúdo objetivo da seguridade social. mediante recursos provenientes dos orçamentos da União. V – equidade na forma de participação no custeio. não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201.universalidade da cobertura e do atendimento. III – sobre a receita de concursos de prognósticos. II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social. que são: “I. 195. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei.

5. não há como nem por onde opor-lhes. ao prescrever que “a lei não prejudicará o direito adquirido. só se caracteriza como situação tutelada. Mas o direito adquirido ou exaurido. para fundar pretensão de se eximir ao pagamento devido por incidência da norma sobre fatos posteriores ao início de sua vigência. Institui-se aí contribuição previdenciária. 6. 68. quando haja norma jurídica que o . não precisaria dizê-lo. os titulares dessas situações jurídico-subjetivas consolidadas contra a produção de efeitos normativos gravosos que. não obstante submissas a particular regime jurídico-constitucional. 4º). que são. XXXVI. O art. bem como pelos ilustres signatários dos pareceres que instruem a inicial (fls.105 / DF 4. poderiam advir-lhes da aplicação da lei nova sobre fatos jurídicos de todo realizados antes do seu início de vigência. Esta qualificação é. 5º. a garantia constitucional outorgada ao “direito adquirido” (art. A Emenda Constitucional nº 41/2003. invulnerável à eficácia de lei nova. não fosse tal garantia. II. em homenagem ao princípio fundamental de resguardo da confiança dos cidadãos perante a legislação. pertencente à classe das contribuições para a seguridade social. 195. alargando seu raio de incidência por meio da instituição de contribuição destinada à previdência social. enquanto postulado do Estado de Direito. 69 e ss). seria bom insistir. protege. no caso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. retira seu fundamento de validade à previsão do art. 5 e ss). têm natureza tributária incontroversa. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. 40. XXXVI). admitida e adotada pelos requerentes mesmos (fls. aliás. que. Como tributos. 5º. no alterar o alcance do art. entrando a exigir contribuição aos servidores inativos (art.

com a ocorrência do fato. o modelo ou tipo normativo. por imputação ideal (causalidade normativa). no mundo jurídico. Talvez conviesse recordar ao propósito.8 LOURIVAL VILANOVA. 8 . direito reconhecido a titular ou titulares personalizados (com adjetivo possessivo). nº 2. como conseqüência jurídica da perfeita realização histórica (fattispecie concreta) do fato hipotético previsto. como tipo (fattispecie abstrata). p. descrito como hipotético na primeira cláusula. 1989. de regra. em toda a sua inteireza. mediante o qual o fato realizado se jurisdiciza e. prevê. conquanto em esquema simplificado. redutíveis. a produção de certo efeito ou efeitos jurídicos. dá-se. que toda norma jurídica prática. Isso quer nos direitos subjetivos absolutos. cuja vocação está em induzir comportamento. às categorias conceituais de obrigações ou de direitos subjetivos. ao nascimento de direito subjetivo. 146. e liga à sua realização completa no mundo físico (fattispecie concreta). o fenômeno chamado de incidência da norma sobre o fato (ou subsunção do fato à norma). De modo que. por suposição. dá origem. que é efeito. fazendo-se jurídico. Daí afirmar-se: “Inexiste direito subjetivo sem norma incidente sobre fato do homem ou sobre o homem como fato: sobre seu mero existir ou sobre conduta sua. quer nos direitos subjetivos relativos”.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 2ª ed. ou de fato que se jurisdicizou: situa-se no lado da relação. Causalidade e Relação no Direito. isto é. enunciados em termos típicos mas complexos. na primeira cláusula de sua formulação lingüística. Grifos nossos e do original. reproduzido na realidade.105 / DF contemple como tal no segundo membro de sua estrutura lingüística (proposição normativa). São Paulo: Saraiva. privados ou públicos. na segunda cláusula. O direito subjetivo é efeito de fato jurídico. fato ou fatos de possível ocorrência histórica (fattispecie abstrata). no primeiro membro da proposição normativa.

105 / DF Ora. ou inatividade. como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria. não consta o de imunidade tributária absoluta dos proventos correlatos. por lei superveniente. Que a condição de aposentadoria. no segundo membro de sua proposição. à tributação de ordem constitucional. ajustando-se ao modelo normativo. adquirido no ato de aposentamento do servidor público. Donde. Nem se pode desconsiderar que. a outra circunstância típica elementar. Noutras palavras. Logo. fatos que. associado. em matéria tributária. não pode atingida. o efeito pontual de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos à incidência de lei tributária ulterior ou anterior. nenhuma norma jurídica válida que. e isso é observação radical e decisiva. que ninguém discute. é coisa óbvia. intui. Mas não menos óbvio. ou não. a norma que institua ou majore tributo somente pode incidir sobre fatos posteriores à sua entrada em vigor. não há. por expressa disposição constitucional. tampouco poderia encontrar-se. no rol dos direitos subjetivos inerentes à situação de servidor inativo. regulando-se por normas jurídicas vigentes à data de sua perfeição. incapaz de prejudicar os correspondentes direitos adquiridos. mas que precederam à data de início de . de modo absoluto. posto que o discutam alguns. qualquer que seja a modalidade do tributo eleito. lhe imunize os proventos. ao ato e à condição jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público. nem descobre. poderiam ser tidos por geradores. não se manifesta. com esse alcance. represente situação jurídico-subjetiva sedimentada.Supremo Tribunal Federal ADI 3. nenhuma norma jurídica que. direito subjetivo que. o alforriasse à exigência constitucional de contribuição social incidente sobre os proventos da inatividade. expressa ou sistemática. em nosso ordenamento. é que. que. no núcleo substantivo desse estado pessoal. impute.

105 / DF vigência da EC nº 41. a. § único... que com essa latitude não existe para o caso. Ora. da Constituição da República. é vedado à União. Mas. mas também por obra da irretroatividade específica da lei tributária. 4º. caput: “Art. reduzida sua pretensão à última significação jurídica. conforme dispõe o art. não são por esta alcançados. ao Distrito Federal e aos Municípios: (. às claras.) III – cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado. 150. os requerentes pretendem que esse cânone da Emenda não se aplique tampouco aos fatos geradores futuros. É que. pelo só fato de já estarem aposentados à data de início de vigência da EC nº 41/2003. não apenas em virtude daquela garantia genérica de direito intertemporal. objeto da norma do art. pois imunidade tributária depende sempre de previsão constitucional. alegando estarem sob o pálio da garantia constitucional do direito adquirido. vista como fato jurídico. Não lhes vale nem aproveita. Antes. a aposentadoria não guarda de per si tal virtude. aos Estados. a garantia que invocam. 149. no entanto. da EC nº 41/2003. os proventos dos servidores inativos ao âmbito de incidência da contribuição previdencial.” Na espécie. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. 150. e de referência do art. a EC nº 41/2003 subjugou. . III.Supremo Tribunal Federal ADI 3. pedem o reconhecimento de autêntica imunidade tributária absoluta. o fato gerador da contribuição previdenciária dos inativos é a percepção de “proventos de aposentadorias e pensões”.

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ADI 3.105 / DF 7. A relação jurídico-tributária baseia-se no poder de império do Estado e

legitima-se pela competência que a este, em qualquer das três encarnações federativas, lhe atribui a Constituição. Em terminologia clássica, é relação jurídica ex lege e, como tal, sua instituição e modificação (majoração, extinção, etc.) dependem da existência de lei, que seja reverente aos estritos desígnios e limites constitucionais. O art. 150, III, a, da Constituição da República, como se viu, prescreve que a lei tributária que institui tributo só pode apanhar fatos geradores ocorridos após seu início de vigência. Donde, e esta é conseqüência também oriunda do princípio constitucional da legalidade administrativa (art. 37, caput), uma vez dado o fato nela previsto como hipótese, exsurge ipso facto o poder jurídico de lhe exigir o pagamento, ou, em termos invertidos, a obrigação de o pagar, por força da subsunção do fato à norma, ou, o que dá no mesmo, da incidência desta sobre aquele, salvos os casos expressamente excluídos do âmbito de tal efeito, por força da previsão de imunidade ou de isenção, por exemplo. Exercida a competência, dentro dos limites constitucionais, a pessoa cuja condição é alcançada pela norma instituidora torna-se sujeito passivo na relação jurídicotributária, sem que desta posição obrigacional o livre situação jurídica anterior. A lei tributária aplica-se aos fatos jurídicos ocorridos sob seu império (art. 105 do Código Tributário Nacional), observado o princípio da anterioridade (art. 150, III, b e c, e art. 195, § 6º, da Constituição da República), cujo período, no caso, é de 90 dias.

8.

Por resumir, o ponto de referência para aplicação da norma tributária é o fato

gerador, segundo a terminologia do Código Tributário Nacional, ou, como também o

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ADI 3.105 / DF denomina a doutrina, o fato imponível9, ou ainda fato jurídico tributário10. Ou seja, é sempre o fato a que, previsto no primeiro membro da proposição normativa, esta imputa, no segundo, o efeito jurídico da exigibilidade do tributo. Já o relembrou a Corte. Ao apreciar a questão da aplicabilidade do Decreto federal nº 1.343/94, que aumentou a alíquota do imposto de importação, quanto aos contratos celebrados antes de sua vigência, o Plenário fixou, na decisão do RE nº 225.602 (Rel. Min. CARLOS VELLOSO), o entendimento de que o referencial para a aplicação da lei tributária é só o fato tido pela legislação como fato gerador, e não, os fatos ou atos jurídicos a ele anteriores ou dele preparatórios: “Divirjo, com a devida vênia, também aqui, do acórdão recorrido. Está no acórdão: “(...) Sem falar, ainda, que o Decreto não poderia atingir relações jurídicas de importação já consolidadas. Isto porque o fato gerador do II, ainda que só se perfaça com a entrada da mercadoria no território nacional, tem a sua formação iniciada desde o momento em que se entabulou a compra da mercadoria que se está importando. Como observa o mestre Hugo Machado, “a entrada da mercadoria no território nacional não pode ser vista como fato inteiramente isolado, sob pena de negar-se a finalidade do princípio da irretroatividade das leis como manifestação do princípio da segurança jurídica. A entrada da mercadoria no território nacional na verdade é fato que se encarta em conjunto de outros fatos, que não podem ser ignorados. Assim, para os fins de direito intertemporal, é relevante a data em que esse conjunto de fatos começou a se formar, representando a consolidação de uma situação que se pode considerar incorporada ao patrimônio do contribuinte. Se este já comprou as mercadorias que está importando, ou de qualquer modo vinculou-se a deveres jurídicos cujo inadimplemento lhe impõe ônus economicamente significativo, tem-se consolidada uma situação que não admite mudança no regime jurídico da importação, pena de se ter violado o princípio da irretroatividade das leis” (in Curso de Direito Tributário, Ed. Malheiros, 9ª ed., pág. 208). (...) Mas o que deve ser considerado é que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador (CTN, art. 113, §1º). Importa verificar, portanto, no caso, se
9

10

GERALDO ATALIBA. Hipótese de Incidência Tributária. 6ª ed. São Paulo: Malheiros. 2003. p. 66. PAULO DE BARROS CARVALHO. Curso de Direito Tributário. 15ª ed. São Paulo: Saraiva. 2003. p. 244.

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ADI 3.105 / DF o decreto majoritário veio a lume antes ou depois da ocorrência do fato gerador. O que a Constituição exige, no art. 150, III, a, é que a lei que institua ou que majore tributos seja anterior ao fato gerador. É isto o que está no citado dispositivo constitucional – art. 150, III, a. (...) Assim posta a questão, e considerando que o decreto que majorou as alíquotas é anterior à ocorrência do fato gerador, força é concluir que o acórdão recorrido não deu boa aplicação ao art. 150, III, a, da Constituição”11 (Grifos nossos. No mesmo sentido, cf. SS nº 775-AgRg, DJ de 23.02.96, e SS nº 819-AgRg, DJ de 13.06.97, rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE). Em síntese, tampouco deste segundo ângulo depara-se ofensa à garantia constitucional do direito adquirido, pois se cuida de tributo que, na modalidade de contribuição previdenciária, é só exigível em relação a fatos geradores ocorridos após a data da publicação da EC nº 41/2003, observados os princípios constitucionais da irretroatividade e da anterioridade (art. 150, III, a, e art. 195, § 6º). E não custa tornar a advertir: uma coisa é a aposentadoria em si, enquanto fonte e conjunto de direitos subjetivos intangíveis; outra, a tributação sobre valores recebidos a título de proventos da aposentadoria.

9.

Quanto à irredutibilidade do valor dos proventos, invocada pelos requerentes

como outro óbice à sujeição dos servidores inativos, basta avivar-lhes a aturada posição da Corte de que a cláusula constitucional de irredutibilidade da remuneração dos servidores públicos não se estende aos tributos, porque não implica imunidade tributária: “Nem se diga que a instituição e a majoração da contribuição de seguridade social transgrediriam a garantia constitucional da irredutibilidade da remuneração dos servidores públicos. É que – como se sabe – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos, embora irredutíveis, expõem-se, no entanto, à incidência dos tributos em geral (alcançadas, desse modo, as contribuições para a seguridade social), mesmo porque, em tema de tributação, há que se ter presente a cláusula inscrita no art. 37, e no art. 150, II, ambos da Constituição.
11

Cf. Revista Trimestral de Jurisprudência, v. 178/428-440.

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ADI 3.105 / DF Na realidade, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – especialmente quanto a garantia da irredutibilidade de vencimentos representava prerrogativa exclusiva dos magistrado – sempre se orientou no sentido de reconhecer a plena legitimidade constitucional da incidência das contribuições previdenciárias (RTJ 83/74 – RTJ 109/244). Mais recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao examinar essa específica questão em face da majoração das alíquotas referentes à contribuição para a seguridade social incidente sobre a remuneração mensal do servidor público federal em atividade, repeliu a argüição de ofensa à cláusula constitucional da irredutibilidade, nos termos assim expostos no voto vencedor do eminente Min. MARCO AURÉLIO, Relator da ADI 790-DF (RTJ 147/921, 925): “Da irredutibilidade dos vencimentos. Também aqui não se tem como cogitar da transgressão ao artigo 37, inciso XV, da Constituição Federal, no que majoradas as alíquotas da contribuição social. No próprio dispositivo em que se diz da intangibilidade dos vencimentos registrase também a circunstância de a remuneração (gênero) estar sujeita ao teor não só dos artigos 37, incisos XI e XII, 153, III, e 153, § 2º, i, como também do artigo 150, inciso II e, neste último, tem-se a previsão constitucional sobre a incidência dos tributos, ficando alcançadas, assim, as contribuições sociais” (ADI nº 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO. Grifos originais).

Não precisa, ademais, grande esforço por ver logo que outra coisa levaria a enxergar, no restrito comando da irredutibilidade, obstáculo intransponível à exigência de contribuição, não só aos inativos, mas também aos servidores em atividade, e, o que é não menos conspícua demasia, proibição de qualquer tributo que tome por base de cálculo o valor da remuneração paga aos funcionários públicos! O excesso da conclusão desnuda todo o excesso da premissa. Nem quadra falar, a rigor, em “redução de benefícios”, sobretudo em relação aos inativados antes do advento da Emenda nº 41/2003, porque, sob o regime anterior, receberiam mais do que os servidores da ativa, pois não se assujeitariam à contribuição previdenciária por estes paga. A respeito, notou a “Exposição de Motivos” da proposta da Emenda: “trata-se de uma situação ímpar, sem paralelo no resto do mundo nem qualquer

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF conexão com princípios previdenciários e de política social: pagar-se mais para os aposentados em relação àqueles que ainda permanecem em atividade” (fls. 219).

10.

Alegam

ainda

os

requerentes

que,

se

se

admitisse

contribuição

previdenciária devida pelos aposentados a título de tributo, sua instituição seria inconstitucional por retomar como fato gerador a percepção de proventos, travestindo-se, com bis in idem, de imposto sobre a renda, sem guardar os princípios da isonomia, da generalidade e da universalidade. O argumento não esconde petição de princípio. A identificação conceptual de cada tributo dá-se, em regra, à vista da conjunção do fato gerador e da base de cálculo12, mas, em relação às contribuições, devem ponderados também os fatores discretivos constitucionais da finalidade da instituição e da destinação das receitas. O fato gerador e a base de cálculo não bastam para identificar e discernir as contribuições, as quais, como já acentuamos, ex vi das regras conformadoras do regime constitucional próprio, inscritas nos arts. 149 e 195, caracterizam-se sobretudo pela finalidade e destinação específicas, como salienta EURICO MARCOS DINIZ DE SANTI: “a classificação intrínseca dos tributos não esgota o repertório de variáveis do sistema constitucional tributário vigente. Nele foram instaladas as seguintes peculiaridades: (i) é vedada a vinculação de receita de impostos [art. 167, IV, da CF/88], (ii) as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas, têm sua destinação vinculada aos órgãos atuantes nas respectivas áreas [artigos 149, 195, 212, § 5º, etc.] e (iii) os empréstimos compulsórios, sobre serem vinculados aos motivos que justificaram sua edição, hão de ser, obrigatoriamente, restituídos ao contribuinte.”13
12 13

GERALDO ATALIBA. Hipótese de incidência tributária . cit., pp. 126 e ss. As Classificações no sistema tributário brasileiro, in Justiça Tributária, I Congresso Internacional de Direito Tributário. São Paulo: IBET, p. 138.

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ADI 3.105 / DF

Se se atém ao fato gerador e à base de cálculo da contribuição previdenciária, esta aparece, deveras, como imposto, segundo a divisão tradicional dos tributos, assim como aparece como imposto disfarçado a contribuição descontada aos servidores em atividade, coisa que, provando muito, não prova nada, como se percebe. Tal critério não é, pois, suficiente para distinguir as contribuições dos inativos, que, portando dois elementos constitucionais próprios, compõem classe de tributo diversa dos impostos e cuja natureza não permite confusão alguma com a do imposto sobre a renda, ante a finalidade e a destinação particulares que lhes assina o estatuto constitucional. Confirma-o ex abundatia, e em remate, outra razão de não menor tomo. É que desponta de todo em todo irrelevante o fato de as contribuições apresentarem a “mesma base de cálculo do imposto sobre a renda” em relação aos inativos, porque isso o autoriza de maneira expressa o art. 195, II, da Constituição Federal14. Nem vislumbro outra base de cálculo capaz de medir com propriedade o “fato signo presuntivo da renda”15 dos servidores aposentados que não os proventos da aposentadoria.

Essa técnica normativo-constitucional de tributação, que faz recair, em certas hipóteses, sobre a mesma fonte ou suporte econômico, a previsão da base de cálculo de tributos, não é novidade e, em não poucos casos, já foi reconhecida por esta Corte como legítima, por não configurar bitributação nem confisco, como, p. ex., o do imposto de renda e contribuição sobre lucro das empresas, bem como o do Finsocial, Pis/Pasep e Cofins sobre a receita bruta ou faturamento (cf. ADC nº 1, Rel. Min. MOREIRA ALVES, DJ de 16.06.95; ADC nº 3, Rel. Min. NELSON JOBIM, DJ de 01.12.99; e RE nº 200.788, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA, DJ de 19.06.98). 15 ALFREDO AUGUSTO BECKER. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Lejus,1998, p. 503, nº133. Seria bom relembrar que é nessa categoria de fato que descansa o conceito constitucional da capacidade contributiva, a qual atua como critério decisivo para observância do princípio da igualdade na área tributária.

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Ellen. em certa medida.105 / DF 11. como sujeitos passivos. a qual. sem limite de idade. porém. no qual a comprovação de “tempo de serviço”. I). creio oportuno proceder a breve histórico da evolução. Antes. já que recai só sobre uma categoria de pessoas” (parecer do prof. 83 e ss). das formas normativas de custeio do regime previdenciário e da sua interpretação por esta Corte. cujo art. e voto da Min.Supremo Tribunal Federal ADI 3. E. entre nós. os “aposentados e pensionistas” da União. pág. Os termos originais da Constituição de 1988 desenhavam um sistema previdencial de teor solidário e distributivo. . 155. 16). envolveria bis in idem em relação ao imposto sobre a renda. Distrito Federal e Municípios. sem nenhuma referência à questão de proporcionalidade. que também se desvirtuaria a finalidade da contribuição. ou de equilíbrio atuarial. traduzindo-se em confisco e discriminação. parágrafo 2º. Estados. Mister indagar agora se como tributo poderia a contribuição ter sido instituída nos termos em que a concebeu a EC nº 41/2003. era uma das condições do direito ao benefício. Seu cunho solidário e distributivo vinha sobretudo de os trabalhadores em atividade subsidiarem. pois os aposentados seriam chamados a “contribuir para a cobertura de vultoso desequilíbrio financeiro’ a título de solidariedade” (ibid. de enfrentar tais argumentos. fls. 12. argumentam os requerentes que estaríamos diante de “contribuição sem causa”. os benefícios dos inativos. 4º atribui-lhe como aspecto material a percepção de “proventos de aposentadorias e pensões” e. Neste passo. ainda quando admitida por epítrope. José Afonso da Silva. “porque não atende aos princípios da generalidade e da universalidade (art. entre o volume de recursos e o valor das contribuições desembolsadas pelo servidor na ativa e o dos proventos da aposentadoria.

13. “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial”. com a redação da EC 20/98). Na ADI nº 1441.” Os argumentos ali expostos eram muito semelhantes aos de que se valem os autores desta ação: i) contribuição sem causa para os inativos. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.105 / DF O sistema padeceu substancial alteração com a Emenda Constitucional nº 20/98. baseado. 111 do acórdão). ii) “caráter virtual de imposto sobre a renda” (fls. 7º. de 29 de abril de 1996. da Constituição da República. argüiu-se.Supremo Tribunal Federal ADI 3. de 1990. à luz do texto da EC nº 3/93. que dispunha no art.1. mas no tempo de contribuição. a inconstitucionalidade da contribuição dos servidores inativos instituída pela MP nº 1. duas oportunidades marcantes: i) na ADI nº 1441-2/DF. . E a Emenda Constitucional nº 41/2003 instaurou regime previdencial nitidamente solidário e contributivo. O art. ex professo. iii) ofensa à irredutibilidade dos vencimentos. das autarquias e das fundações públicas. “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial” (art.415. 40. já não no “tempo de serviço”. pelo menos. que lhe introduziu feitio contributivo. mediante a previsão explícita de tributação dos inativos. já foi analisada por esta Corte em. 7º: “Art. in fine. O plano de Seguridade Social do servidor será custeado com o produto da arrecadação de contribuições sociais obrigatórias dos servidores ativos e inativos dos três Poderes da União. 13. e ii) na ADI nº 2010-2/DF.112. A questão da chamada “tributação dos funcionários públicos inativos” não é nova em nossa história jurídico-constitucional recente e. 231 da Lei nº 8. 231.

a de que já cumpriram o quanto lhes competia para obter o benefício da aposentadoria. por uma argumentação oportunística de ambas as partes: a de tomar-se a Seguridade Social ora como se tratasse de um contrato. 893. . capaz de assegurar aos inativos aumentos reais. as discussões sobre a chamada crise da Previdência e da Seguridade Social têm sido prejudicadas. não se mostra relevante o apelo ao princípio da irredutibilidade do provento. como é a da Seguridade. “última objeto de pedido de aditamento. SEPÚLVEDA PERTENCE resume de forma expressiva o fundamento capital do acórdão que negou a medida cautelar: “No fundo. Ibid.. de uma ação estatal independente de cálculos e considerações atuariais. O voto do Min.. no sentido de que não existiria causa eficiente para a cobrança de contribuição do aposentado.”17 16 17 Revista Trimestral de Jurisprudência.” e. Contribuição social é um tributo fundado na solidariedade social de todos para financiar uma atividade estatal complexa e universal.463-17/1997. compromete o argumento dos requerentes. v.”16 As razões concorrentes deduziu-as o Relator. não se acha imune à incidência dos tributos e das contribuições dotadas deste caráter.. que. cujos proventos são suscetíveis. indeferido por maioria. p. também não as aceito para fundamentar o argumento básico contra a contribuição dos inativos. até os motivados pela alteração das atribuições do cargo em atividade. de um lado e de outro. OCTÁVIO GALLOTTI: “Ainda em um primeiro exame. ora como se se tratasse. e efetivamente se trata. no julgamento do pedido cautelar. p. como sucede com os trabalhadores em geral. 893.Supremo Tribunal Federal ADI 3. de elevação do próprio valor intrínseco. da ausência de pedido de aditamento da inicial quanto às reedições subseqüentes. foram discutidas as teses nevrálgicas da demanda. ou seja. Assim como não aceito considerações puramente atuariais na discussão dos direitos previdenciários. ainda. Grifos nossos. Mas. 166. Min. assim como os vencimentos do servidor. como se viu.105 / DF Não foi julgado o mérito da causa em virtude da caducidade da Medida Provisória nº 1. (.) Dita correlação (entre os proventos e os vencimentos dos aposentados e os servidores da ativa). não apenas da sua representação monetária.

configurada pelas mudanças dos parâmetros constitucionais operadas pela EC nº 20/98. arts. 97-98) O juízo que. 40. o art. 1º da Lei nº 9. os seguintes: i) “ofensa ao princípio do equilíbrio atuarial (CF. e. “até a decisão final da ação direta. 37. diametralmente oposto ao afirmado na ADI nº 1. a qual. com a redação da EC nº 20/98). com as regras do art. como já adiantamos. 94). pela pertinência a este caso. teve decepado o texto que autorizaria a tributação dos inativos. 195. 5º.783/99. § 12. art. da Constituição. e iv) “desrespeito ao direito adquirido (CF. que instituiu a contribuição previdenciária para os servidores inativos. por deliberada exclusão no processo legislativo. conforme aduziu o Min. § 12. IV)”. 40. 1º da Lei nº 9.105 / DF 13. II). XV. em termos irrespondíveis: . p. c/c o art. com a redação dada pela EC nº 20/98.Supremo Tribunal Federal ADI 3. para suspender. e dos pensionistas” e “do provento ou da pensão” (Ementário 2064.2. art. 195. iii) “ilegitimidade constitucional da instituição da contribuição de seguridade social sobre aposentados e pensionistas (CF. A medida cautelar foi deferida por unanimidade. no caput do art. o Tribunal apreciou o tema da compatibilidade do art. criou regime previdenciário contributivo voltado aos “servidores públicos titulares de cargo efetivo” (CF. inciso XXXVI)” (Ementário 2064. reputou aí inconstitucional a tributação dos inativos. a eficácia das expressões “e inativo. art. e 194. destaco.441. Dentre os argumentos analisados. 40. ii) “violação da cláusula de irredutibilidade de vencimentos e proventos (CF. Na ADI nº 2010. cc. CELSO DE MELLO. caput e § 12. deu-se noutra moldura. art. § 5º)”. 195. de 28/11/1999. p.783. II.

do Estado da Bahia) que instituíra o custeio do sistema previdenciário local mediante contribuição dos servidores inativos e dos pensionistas – indeferiu. a possibilidade de impor.. definindo como contribuintes unicamente os ‘servidores titulares de cargos efetivos’. instituir e exigir contribuição para seguridade social dos servidores federais inativos e dos pensionistas? Entendo que não. ainda que em sede de mera delibação. Antes. Referida Emenda deu nova redação ao art. Daí as razões expostas na ADI 2. Rel. . apreciou essa questão de modo diverso. os titulares de cargos isolados de provimento efetivo ou de carreira. Rel. a que se reportou expressamente (RTJ 164/98-99. OCTAVIO GALLOTTI. admitiu. não se desconhece que o Plenário do Supremo Tribunal Federal.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 40 da Constituição. porque impôs a criação de novo regime de previdência de caráter contributivo e base atuarial. o § 6º do art. em cujo âmbito veiculou-se impugnação a lei estadual (Lei nº 6. o aspecto ora referido (fls. contudo. de 15/12/98. Min.430-BA. foi decidida pelo legislador constituinte. que o Supremo Tribunal Federal.105 / DF “Impõe-se responder a uma indagação básica: pode a União Federal. que previa contribuição dos inativos e pensionistas no custeio dos benefícios previdenciários. ao indeferir pedido de medida cautelar formulado na ADI 1. o pedido de medida cautelar nela deduzido. levando o STF a considerar a possibilidade de exigência da exação também dos aposentados. 40 do Projeto de emenda Constitucional nº 33/96. isto é. que esses julgamentos ocorreram sob a égide de um quadro normativo positivado em texto constitucional substancialmente diverso daquele que resultou da promulgação da EC nº 20/98. com fundamento no precedente firmado na ADI 1. OCTAVIO GALLOTTI (RTJ 166/890).915/95. Min.062/DF.) É certo. nas quais se destacou. não reproduzindo a regra do § 6º. tendo presente uma realidade constitucional substancialmente distinta daquela que hoje prevalece em nosso sistema de direito positivo. no regime anterior ao que foi instituído pela EC nº 20. a servidores inativos e pensionistas. Min. dispunha que as aposentadorias e pensões dos Servidores Públicos Federais seriam também custeadas com recursos das contribuições dos servidores. 40 da Constituição. por ausência de relevância. MOREIRA ALVES). a contribuição de seguridade social. que aprovou emenda supressiva do § 1º do art. Rel. é inaplicável no regime da EC nº 20/98. ajuizada pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPB.. precisamente. A exclusão dos inativos. 6/7): “No regime constitucional anterior à Emenda nº 20. acrescentado pela EC nº 03/93. aliás.441-DF. no entanto. devo registrar que esta Corte.441-DF. Torna-se necessário enfatizar. O entendimento firmado no julgamento da medida cautelar na ADIN nº 1441-2-DF. também. Como já referido. contudo. amparado na abrangência das expressões ‘Servidores Públicos Federais’ (ADIN 1441-2-DF). (. entendeu – ao menos em juízo provisório de mera delibação – ser lícito exigir referida contribuição dos servidores públicos inativos. sob o novo regime introduzido pela EC nº 20/98. pois. ao julgar a ADI nº 1.

40. este diploma legal. ainda. portanto.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 1º da PEC nº 33/95 (Substitutivo aprovado pelo Senado Federal). da Constituição. a imunidade prevista no art. 04110. 195. 195. porque esse dispositivo faz remissão ao art. ainda assim a Lei nº 9783/99 se ressentiria de inconstitucionalidade formal. 40. (.”. 154. se estendia aos servidores públicos aposentados e aos pensionistas. por expressa determinação do art. da Constituição. por isso mesmo.” (. Se fosse possível admitir essa competência residual da União. que dispõe serem aplicáveis ao regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo. da Constituição. o cômputo. edição de 12/2/98. da contribuição previdenciária – foi conscientemente excluída do texto.. nesse tópico.105 / DF A Constituição vigente.) O registro histórico dos debates parlamentares em torno da proposta que resultou na Emenda Constitucional nº 20/98. que. 40 da Constituição. portanto.) Na realidade. esse elemento de natureza histórica evidencia que. p. especialmente se considerado o contexto que motivou a supressão do § 1º do art.. . em sua nova redação. nos termos referidos no art. do tempo de serviço até então cumprido por agentes estatais”(Grifos originais).. no sistema previdenciário então modificado pela EC nº 20/98. sob a égide da EC nº 20/98. caput. A Corte entendeu. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. não autoriza a União a instituir Contribuição previdenciária sobre proventos e pensões. ao exigir contribuição dos aposentados e pensionistas. 40 e 149 da Constituição.. II. como tempo de contribuição. inteligível nos horizontes constitucionais do regime previdencial então vigente. que exige lei complementar para a instituição de outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social.. não dando margem à sua instituição com fundamento na competência residual prevista no § 4º do art. § 12. o regime de previdência de caráter contributivo a que se refere o art. determinando-se.” Recorreu. relativamente aos inativos e aos pensionistas da União. revela-se extremamente importante na constatação de que a única base constitucional – que poderia viabilizar a cobrança. “no que couber.. Sob qualquer ângulo. 201”. I. pois. a uma exegese francamente ampliativa. de modo que a Lei nº 9783/99 é inconciliável com os arts. à “aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. foi instituído somente em relação “Aos servidores titulares de cargos efetivos. é incompatível com a Lei Fundamental. como claramente evidencia o teor do seguinte comunicado parlamentar publicado no Diário da Câmara dos Deputados.

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ADI 3.105 / DF Quanto à “ausência de causa suficiente” para exigibilidade da contribuição aos inativos, por terem estes atingido a condição representada pela aposentadoria, assumiu também, como premissa fundamental da resposta, a natureza do regime inovado pela EC nº 20/98, ou seja, seu caráter contributivo: “Vale ter presente, ainda, neste ponto, a argumentação deduzida na ADI 2.016DF – que também veicula impugnação à Lei nº 7.783/99 -, fundada no reconhecimento de que inocorre, quanto a inativos e a pensionistas, a necessária correlação entre custo e benefício, pois o regime contributivo, por sua natureza mesma, há de ser essencialmente retributivo, qualificando-se como constitucionalmente ilegítima, porque despojada de causa eficiente, a instituição de contribuição sem o correspondente oferecimento de uma nova retribuição, um novo benefício ou um novo serviço. (...) Em um regime previdenciário contributivo, necessariamente, há correlação entre custo e benefício. Regime contributivo é, por definição, retributivo. No regime anterior à Emenda nº 20, a contribuição não era pressuposto para obtenção do direito aos proventos. Os pressupostos limitavam-se ao cumprimento de tempo de serviço, idade ou invalidação. A contribuição, introduzida pela Emenda nº 3, de 1993, era como uma obrigação acessória e não, propriamente, um pressuposto para a concessão de aposentadoria. Com a Emenda nº 20, não há mais benesse do Estado. A prévia contribuição é requisito para a aquisição de direito. Uma vez adquirido justamente com base na contribuição, o direito está protegido contra nova obrigatoriedade contributiva” (Min. CELSO DE MELLO. Grifos originais. Ementário cit., p. 146).

Sob outra perspectiva, a da ausência de fundamento constitucional, mas com a idêntica conclusão, votou o Min. CARLOS VELLOSO: “Na redação do § 6º do art. 40 da CF, sem a EC 20, de 15.12.98, a questão se limitava a esta indagação: os servidores inativos estariam abrangidos entre os “servidores públicos” ali referidos? É que o citado § 6º do art. 40, sem a EC 20, de 1998, estabelecia que as aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais seriam custeadas com recursos provenientes da União e das contribuições dos servidores, na forma da Lei. Acontece que a EC 20, de 1988, eliminou o citado § 6º do art. 40. É dizer, retirou a regra que poderia emprestar legitimidade constitucional à contribuição dos servidores aposentados. Com a redação da EC 20, no caput do art. 40 da CF, estabeleceu-se que aos servidores titulares de cargos efetivos “é assegurado o regime de previdência de caráter contributivo.” Indaga-se: o servidor aposentado seria titular de cargo efetivo? A resposta

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ADI 3.105 / DF parece-me negativa, já que o servidor aposentado não é mais titular de cargo efetivo. A conclusão, então, é que a Constituição, com a EC 20, de 1988, não autoriza cobrar contribuição do servidor inativo. Esta conclusão mais se reforça diante do disposto do § 12 do art. 40, redação da EC 20, ao estabelecer que “além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social” (Ementário 2064-1, p. 210). Esta reconstituição histórica da evolução normativa da matéria e das exegeses que recebeu da Corte, quando contraposta à luz das disposições constitucionais agora vigentes, traz elementos retóricos valiosos para a compreensão e o julgamento do caso.

14.

Sobre introduzir previsão literal de tributação dos proventos dos servidores

inativos, a EC nº 41/2003 transmudou o regime previdenciário dos servidores públicos com o manifestíssimo propósito de o equiparar ao regime geral de previdência. Sem avançar compromisso quanto à constitucionalidade ou

inconstitucionalidade das modificações impostas, sublinho mais uma vez que, com o advento da Emenda nº 41/2003, o regime previdencial deixou de ser eminentemente contributivo para se tornar contributivo e solidário, como se infere límpido à redação que emprestou ao art. 40, caput, da Constituição da República.

15.

Ditaram essa transmutação do regime previdencial, entre outros fatores

político-legislativos, o aumento da expectativa de vida do brasileiro e, conseqüentemente, do período de percepção do benefício, bem como a preocupação permanente com o dito equilíbrio financeiro e atuarial do sistema, tudo isso aliado à queda da taxa de natalidade e à diminuição do acesso aos quadros funcionais públicos. Essa equação, de crescente pressão

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ADI 3.105 / DF financeira sobre uma estrutura predominantemente solidária e distributiva, conduziria a inexorável desproporção entre servidores em atividade e aposentados, tendendo ao colapso de todo o regime18. Essa mesma tendência, observada já à época das Emenda nº 3/93 e nº 20/98, é que esteve à raiz das transformações do regime eminentemente solidário, em vigor

Da Exposição de Motivos da Proposta da Emenda consta: "66. Inúmeras são as razões que determinam a adoção de tal medida, cabendo destacar o fato de a Previdência Social ter, essencialmente, um caráter solidário, exigindo, em razão desta especificidade, que todos aqueles que fazem parte do sistema sejam chamados a contribuir para a cobertura do vultoso desequilíbrio financeiro hoje existente, principalmente pelo fato de muitos dos atuais inativos não terem contribuído para o recebimento dos seus benefícios ou terem contribuído, durante muito tempo, com alíquotas módicas, incidentes sobre o vencimento e não sobre a totalidade da remuneração, e apenas para as pensões, e, em muitos casos, também para o custeio da assistência médica (que é um benefício da seguridade social e não previdenciário). 67. Apenas na história recente a contribuição previdenciária passou a ter alíquotas mais próximas de uma relação contributiva mais adequada e a incidir sobre a totalidade da remuneração, além de ser destinada apenas apara custear os benefícios considerados previdenciários. 68. A grande maioria dos atuais servidores aposentados contribuiu, em regra, por pouco tempo, com alíquotas módicas, sobre parte da remuneração e sobre uma remuneração que foi variável durante suas vidas no serviço público. Isso porque há significativa diferença entre a remuneração na admissão e aquela em que se dá a aposentadoria em razão dos planos de cargos e salários das diversas carreiras de servidores públicos. 69. Também merece destaque o fato de o Brasil ser um dos poucos países no mundo em que o aposentado recebe proventos superiores à remuneração dos servidores ativos, constituindo, este modelo, um autêntico incentivo para aposentadorias precoces, conforme já mencionamos anteriormente. 70. Essas são as razões que fundamentam a instituição de contribuição previdenciária sobre os proventos dos atuais aposentados e pensionistas ou ainda daqueles que vierem a se aposentar. Além de corrigir distorções históricas, as tentativas de saneamento do elevado e crescente desequilíbrio financeiro dos regimes próprios de previdência serão reforçadas com a contribuição dos inativos, proporcionando a igualdade, não só em relação aos direitos dos atuais servidores, mas também em relação às obrigações. 71. Todavia, considerando a importância da medida em questão, apresenta-se à apreciação de Vossa Excelência, em razão dos interesses sociais que exsurgem da questão, que seja oferecida imunidade para os servidores e pensionistas que, à data de promulgação desta Emenda, percebam proventos até o limite de isenção do imposto de renda, previsto no art. 153, III, da Constituição Federal. Incluem-se neste grupo de imunidade também aqueles servidores que, à data de promulgação da Emenda, já possuam constituído o direito adquirido de acesso a aposentadoria e pensão conforme as normas ora vigentes. Já para os servidores que venham a aposentar-se e as pensões que venham a gerar-se após a promulgação da Emenda, o limite de imunidade será estendido até o teto de contribuição e benefícios do Regime Geral de Previdência Social, na medida em que estes servidores passam a ter seu benefício calculado de forma mais condizente com princípios previdenciários em função da alteração do § 3º do art. 40, já mencionada acima" (fls. 231/232).

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ADI 3.105 / DF antes da EC nº 3/93, para outro que, como regime contributivo e solidário, adotava a contribuição dos servidores ativos (art. 40, § 6º, acrescido pela EC nº 3/93), e, depois, para regime predominantemente contributivo, o da EC nº 20/98. A crise estrutural dos sistemas previdenciários estatais não é fenômeno recente, nem circunscrito ao país. Relatório do Banco Mundial, sob o título de “Averting the Old Age Crisis, Policies to Protect the Old and Promote Growth”, de 1994, já revelava tratarse de persistente problema global. São patentes a atualidade e a pertinência do diagnóstico: “O aumento da insegurança na velhice é um problema mundial, mas suas manifestações são diferentes nas diversas partes do mundo. Na África e em regiões da Ásia, os idosos compõem pequena parcela da população – e há muito têm sido amparados por largas medidas familiares, cooperativas de ajuda mútua e outros mecanismos informais. Planos formais que envolvem o mercado ou o governo são rudimentares. Mas, assim como a urbanização, mobilidade, guerras e a miséria enfraquecem a assistência familiar e os laços comunitários, os sistemas informais sentem-lhes o impacto. E este impacto é tanto maior onde a proporção da população dos idosos cresce rapidamente, em conseqüência dos progressos da medicina e do declínio da fertilidade. Para atender a essas novas necessidades, vários países asiáticos e africanos estudam mudanças fundamentais no modo com que provêem à seguridade social do idoso. O desafio é mudar para um sistema formal baseado na chamada garantia de renda19, sem acelerar o declínio dos sistemas informais e sem trazer ao governo mais responsabilidades do que possa suportar. Na América Latina, Leste Europeu e na ex-União Soviética, que já não podem sustentar os programas formais de seguridade social ao idoso, introduzidos há muito tempo, é ainda mais urgente a necessidade de reavaliar políticas. Aposentadorias precoces e benefícios generosos têm exigido elevadas cargas de contribuições, acarretando difusa evasão fiscal. O amplo setor informal da economia em muitos países da América Latina, por exemplo, reflete, em parte, os esforços de trabalhadores e empregadores para escaparem às contribuições sobre os salários. As conseqüentes distorções no mercado de trabalho, nesses países e em outras regiões, reduzem a produtividade, empurrando a carga das contribuições e o índice de evasão para níveis mais elevados, da mesma forma que a redução dos investimentos de longo prazo e da acumulação de capital refreiam o crescimento econômico. Não surpreende, então, que tais países não têm sido capazes de pagar os benefícios prometidos. A maioria diminuiu o custo dos benefícios, ao permitir
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A “garantia de renda” (income maintenance), além da saúde, educação e habitação, é um dos pilares do “Welfare State” anglo-saxão. Significa a manutenção, também devida ao desempregado ou ao subempregado, de renda mínima que garanta as condições básicas de existência ao cidadão.

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ADI 3.105 / DF que a inflação lhes corroesse os valores reais. Quando o Chile enfrentou tais problemas há quinze anos, reformou a estrutura de seu sistema. Outros países latino-americanos estão passando por mudanças estruturais similares, e alguns países do Leste Europeu os estão observando. O desafio é encontrar um novo sistema e um caminho de transição que seja aceitável pelo idoso, que foi induzido a esperar mais, e que ao mesmo tempo seja sustentável e estimule o progresso para os jovens. Países membros da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD) enfrentam problemas semelhantes, estagnadas, que se encontram, a idade de suas populações e sua produtividade. Programas públicos de seguridade social que cobrem praticamente toda a população têm pago elevados proventos de aposentadorias durante as últimas três décadas de prosperidade, enquanto a pobreza se reduziu mais rápido entre os idosos que entre os jovens. Mas, através das próximas duas décadas, a carga dos tributos tende a aumentar em muitos pontos percentuais, ao passo que o valor dos benefícios tende a cair. Isso intensificará o conflito entre as gerações de aposentados (alguns dos quais ricos), que recebem pensões públicas, e os jovens trabalhadores (alguns dos quais pobres), que estão pagando altas taxas para financiar esses benefícios, mas que nunca poderão reembolsar-se. Tais modelos de seguridade social podem, ademais, desencorajar o emprego, a poupança, e o capital produtivo, contribuindo desse modo para estagnação da economia. Muitos países da OECD parecem inclinar-se para adoção de sistema que combine planos de pensão públicos, destinados a atender às necessidades básicas, com planos privados de pensão ou programas pessoais de poupança, para satisfazer às cada vez mais elevadas exigências das classes média e alta. O desafio é introduzir reformas que sejam boas para o país, a longo prazo, ainda que isso implique subtração de benefícios esperados por alguns grupos, em curto prazo”.20
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“INCOME INSECURITY IN OLD AGE IS A WORLDWIDE PROBLEM, but its manifestations differ in different parts of the world. In Africa and parts of Asia, the old make up a small part of the population- and have long been cared for by extended family arrangements, mutual aid societies, and other informal mechanisms. Formal arrangements that involve the market or the government are rudimentary. But as urbanization, mobility, wars, and famine weaken extended family and communal ties, informal systems feel the strain. That strain is felt most where the proportion of the population that is old is growing rapidly, a consequence of medical improvements and declining fertility. To meet these rapidly changing needs, several Asian and African countries are considering fundamental changes in the way they provide old age security. The challenge is to move toward formal systems of income maintenance without accelerating the decline in informal systems and without shifting more responsibility to government than it can handle. In Latin America, Eastern Europe, and the former Soviet Union, which can no longer afford the formal programs of old age security they introduced long ago, the need to reevaluate policy is even more pressing. Liberal early retirement provisions and generous benefits have required high contribution rates, leading to widespread evasion. The large informal sector in many Latin American countries, for example, reflects in part the efforts of workers and employers to escape wage taxes. The resulting labor market distortions there and in other regions reduce productivity, pushing contribution rates and evasion still higher, even as limited long-term saving and capital accumulation further dampen economic growth. Little surprise, then, that these countries have not been able to pay their promised benefits. Most have cut the cost of benefits

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ADI 3.105 / DF Este inquietante quadro social, econômico e político, em que, sob juízo isento e desapaixonado, não se pode deixar de situar o país, interessa ao Direito, porque subjaz como fonte da razão normativa (ratio iuris) à aprovação da EC nº 41/2003, que estendeu aos servidores públicos inativos o ônus de compartilhar o custeio do sistema previdenciário.

16.

Conforme já notamos, a vigente Constituição da República moldou um

sistema de seguridade social baseado nos objetivos ou princípios capitulados no art. 194, § único, que reza:

“I- universalidade da cobertura e do atendimento; II – uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III- seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; IV – irredutibilidade do valor dos benefícios; V – equidade na forma de participação no custeio; VI – diversidade da base de financiamento;

by allowing inflation to erode their real value. When Chile faced these problems fifteen years ago, it revamped the structure of its system. Other Latin American countries are now undertaking similar structural changes, and some Eastern European countries are contemplating them. The challenge is to devise a new system and a transition path that is acceptable to the old, who have been led to expect more, while also being sustainable and growth-enhancing for the young. Countries that belong to the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) face similar problems, as their populations age and their productivity stagnates. Public old age security programs covering almost the entire population have paid out large pensions over the past three decades of prosperity, as poverty declined faster among the old than among the young. But over the next two decades, payroll taxes are expected to rise by several percentage points and benefits to fall. That will intensify the intergenerational conflict between old retirees (some of them rich) who are getting public pensions and young workers (some of them poor) who are paying high taxes to finance these benefits and may never recoup their contributions. Such social security arrangements may, in addition, have discouraged work, saving, and productive capital formation-thus contributing to economic stagnation. Many OECD countries appear to be moving toward a system that combines publicly managed pension plans designed to meet basic needs with privately managed occupational pension plans or personal saving accounts to satisfy the higher demands of middle- and upperincome groups. The challenge is to introduce reforms that are good for the country as a whole in the long run, even if this involves taking expected benefits away from some groups in the short run” (WORLD BANK. Averting the Old Age Crisis, Policies to Protect the Old and Promote Growth. New York: Oxford University Press, 1994, p. 3-5).

em suma.Supremo Tribunal Federal ADI 3. dos Estados. incluídas as autarquias e fundações. caput. mediante a gestão quadripartite. dos empregadores. Abstraída a demonstração. que dispõe: “nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado. 40. O art. com participação dos trabalhadores. editou a chamada regra de contrapartida. os três primeiros argumentos (i. e sua invalidez decorreria da ausência de causa suficiente para a contribuição (i). no § 5º.105 / DF VII – caráter democrático e descentralizado da administração. 40. dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. mediante contribuição do respectivo ente público. 195. em gozo de benefícios à data de sua publicação. assegura aos servidores titulares de cargos efetivos da União. a obrigação de contribuir para o custeio do regime de que trata aquele art.” E o art. majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados” (grifos nossos). anterior e exaustiva. firmou outro princípio sistemático fundamental. e. Mas argúem. com a redação dada pela EC nº 41/2003. caput.” O art. do Distrito Federal e dos Municípios. regime previdenciário de “caráter contributivo e solidário. de forma direta e indireta”. de bitributação em relação ao imposto de renda (iv) e de lesão ao princípio da isonomia (v). 4º da EC nº 41/2003 impôs aos inativos e pensionistas. 17. preceituando que “a seguridade social será financiada por toda a sociedade. da sua substancial fraqueza retórica. observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. de ofensa ao direito adquirido (ii) e ao princípio da irredutibilidade dos vencimentos (iii). ii e iii) enganam-se ainda ao pressupor ao regime . agora para definição do alcance das fontes de custeio. os requerentes que seria inválida tal imposição.

em que cada cidadão financia a própria . teria então. cujo ordenamento optou por regime essencialmente contributivo e capitalizador. Diferentemente do Chile.Supremo Tribunal Federal ADI 3. pelo outro contraente. de que o sistema previdenciário. mediante o pagamento de proventos da aposentadoria durante a velhice. 40 da Constituição da República. sob hipotética promessa constitucional de contraprestação pecuniária no valor dos vencimentos durante a aposentadoria. regido por normas de direito privado. não é nem nunca foi de natureza jurídico-contratual. sem causa jurídica. tampouco de que o valor pago pelo servidor a título de contribuição previdenciária nunca foi nem é prestação sinalagmática. deve ser custeado por toda a sociedade. objeto do art. direito adquirido. Ninguém tem dúvida. o que bem poderia chamar-se princípio estrutural da solidariedade. se o servidor contribuiu durante certo período. entendido segundo a matriz da relação jurídica de direito privado.105 / DF previdenciário constitucional. Desconto da contribuição. conforme o art. Sua lógica está em que. um cunho eminentemente capitalizador e contributivo. de perfil negocial ou contratual. e. de forma direta e indireta. independência e dignidade pessoais ao servidor idoso. que é terreno privilegiado de transcendentes interesses públicos ou coletivos. ao aposentar-se. do valor da contraprestação pré-acordada. 18. e. porém. como premissa indisfarçável do raciocínio. tipificaria aí redução. O regime previdenciário público tem por escopo garantir condições de subsistência. mas tributo predestinado ao custeio da atuação do Estado na área da previdência social. que é domínio dos interesses patrimoniais particulares e disponíveis. 195 da Constituição da República. ou adquirido direito subjetivo a perceber proventos integrais.

e o terceiro envolve aplicações individuais complementares e voluntárias). a rentabilidade mínima em relação ao desempenho médio de todos os fundos de pensão (pelo menos 50% de retorno médio ou não menos que 2 pontos abaixo da média) durante um período de doze meses deve ser garantida. administrado por empresas privadas. os benefícios são financiados pelo capital acumulado. nº 19. com fins lucrativos21. SAFP). Todas as contribuições (poupanças voluntárias com um limite máximo) e juros auferidos possuem tratamento tributário favorecido. em forma de título de reconhecimento. 1992. Adicionalmente. por fim. O Estado assegura a rentabilidade mínima e. enquanto os lucros estão sujeitos ao imposto de renda. uma reserva de capital próprio equivalente a 1% do total dos ativos (encaje) deve ser investida com o mesmo portifólio das reservas pertencentes aos segurados. 10% do salário bruto dos empregados. ii) retiradas mensais programadas. baseado na capitalização individual (IFF) administrada por empresas privadas com fins lucrativos (as Administradoras de Fondos de Pensiones . criou-se uma nova agência de supervisão (Superintendência de AFP. com limites máximos por modalidade) e credita a respectiva rentabilidade à conta individual. A alíquota de contribuição. o capital do segurado deve ser mantido pelos administradores e é legal e financeiramente separado da AFP. junho de 1999. quando acima da aposentadoria mínima. 18]. Para garantir a segurança do sistema compulsório das AFP. Revista: Planejamento e Políticas Públicas. p. Ao alcançar-se a idade de aposentadoria de 60/65 anos (mulheres e homens. na aposentadoria. em cuja organização as contribuições são destinadas ao custeio geral do sistema. apesar de se aposentarem com vencimentos 21 “O núcleo do sistema previdenciário chileno é o segundo pilar (o primeiro é um sistema público. também garante 100% da aposentadoria mínima e 75% do capital acumulado do segurado.105 / DF aposentadoria contribuindo para uma espécie de fundo de capitalização. nosso constituinte adotou um regime público de solidariedade. no caso de falência das AFP ou das companhias de seguro.AFP). a compor fundo privado com contas individuais.Supremo Tribunal Federal ADI 3. os servidores ativos não contribuíam. até à EC nº 3/93. A administradora de fundo de pensão investe o capital do fundo de acordo com normas de investimento específicas estabelecidas pelo Estado (há diversas modalidades de investimentos autorizados. cada um é calculado em base atuarial estrita e sem elementos redistributivos: i) uma anuidade vitalícia de uma companhia de seguros. individualmente. é transferida para uma administradora de fundos de pensão eleita pelo segurado (é permitida a mudança para outra AFP). O aumento de 11% do salário líquido graças à eliminação da contribuição patronal às AFP garantiu a adesão ao novo sistema. e não. e. com uma taxa real de juros de 4% ao ano” (KATJA HUJO. as contribuições passadas são reconhecidas e pagas. Contribuições voluntárias são possíveis a partir de um terceiro pilar. e o segurado pode optar entre três modos de saque diferentes. As políticas de investimento e as informações ao público são estritamente reguladas. ou iii) uma combinação dos dois. IPEA).2% do salário bruto). respectivamente). Novos Paradigmas na Previdência Social: Lições do Chile e da Argentina. Os servidores públicos em atividade financiavam os inativos e. o rendimento excedente deve ser depositado em uma reserva de flutuação. Além disso. . até um limite máximo (UF 45: US$ 675) [Vittas e Iglesias. a AFP cobra uma taxa de administração e um prêmio de seguro por invalidez e desemprego (aproximadamente 3.

vi) diversidade da base de financiamento. senão em congruência com os princípios enunciados no art. § único. v) equidade no custeio. Os elementos sistêmicos figurados no “tempo de contribuição”. a Emenda instituído regime semelhante ou análogo ao chileno? A resposta é imediatamente negativa. § único. em substância. obrigou à observância do equilíbrio financeiro e atuarial. iv) irredutibilidade. ii) uniformidade. com coerência. seria inconcebível concessão de benefício previdenciário a quem nunca haja contribuído (universalidade e distributividade) e. por garantia de pagamento de aposentadoria mediante contribuição compulsória durante certo período. da Constituição. A EC nº 20/98 estabeleceu regime contributivo e. o que lhe define o predicado contributivo. enquanto princípios mantidos pela EC nº 41/2003. no “equilíbrio financeiro e atuarial” e na “regra de contrapartida” não podem interpretar-se de forma isolada. submisso a normas de direito público e caracterizado.105 / DF integrais. mas sem prejuízo do respeito aos objetivos ou princípios constantes do art. sem perda do caráter universal. Da perspectiva apenas contributiva (capitalização). preservação do valor real da prestação (irredutibilidade do valor) e sua revisão automática proporcional à modificação da remuneração dos servidores . iii) seletividade e distributividade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Noutras palavras. muito menos. seletivo e distributivo. O regime previdenciário assumiu caráter contributivo para efeito de custeio eqüitativo e equilibrado dos benefícios. quais sejam: i) universalidade. 194. Teria. forjou-se aqui um regime híbrido. com isso. implementadas certas condições. 194.

só cuja subsistência. . exerce relevante papel no cumprimento desses objetivos e. 195. permitirá que. ADI nº 1441. 7º da EC nº 41/2003). de forma eqüitativa (art. preenchidas as condições. pois o caráter contributivo. justa e solidária. iii) erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. 22 Cf. 3º da Constituição tem por objetivos fundamentais da República: “i) construir uma sociedade livre. 19. O art. aliás. V). 166. sugerir que o valor da contribuição seja de todo alheio à dimensão do benefício. OCTÁVIO GALLOTTI22. v. Não quero com isso. No caso. 7º. 20. A previdência social. deve ser financiada por toda a sociedade. venha a receber proventos vitalícios ao aposentar-se. o que.105 / DF em atividade (art. importa. cit. relevam apenas os limites quanto à sujeição passiva. Não é esse o perfil de nosso sistema previdenciário. . in Revista Trimestral de Jurisprudência. é óbvio. a própria aposentadoria. Os limites estão postos no sistema e devem analisados em conjunto. na aguda percepção do Min. quando o sujeito passivo paga a contribuição previdenciária. senão concorrendo também. caput. como conjunto de prestações sociais (art. o equilíbrio atuarial. § único. como membro da sociedade. enfim de qualquer modo confiscatórios.. 194. 894.. XXIV). não mera atualização.. mas elevação do valor intrínseco da verba. p. em parte. não está apenas subvencionando. a regra de contrapartida e a equidade na repartição dos custos do sistema impedem se exijam ao sujeito passivo valores desarrazoados ou desproporcionais ao benefício por receber. nos claros termos do art. para a alimentação do sistema.Supremo Tribunal Federal ADI 3. De modo que.

traçalhes apenas finalidades vinculantes. a Constituição delimita-lhes. nem por . I) e a “investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional” (art. I” (art. os fatos geradores e os sujeitos passivos possíveis. III. 149. pois. no que concerne às contribuições sociais. o singular regime constitucional das contribuições responde a variantes axiológicas diversas daquelas que inspiram e orientam o dos impostos e das taxas. a Constituição lhes predefine algumas materialidades. caput). II. para fins “de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas. como se dá nos impostos. da base de cálculo e do sujeito passivo. 148. em cuja classe entram as contribuições previdenciárias. ao predefinir as respectivas materialidades nos arts. Em relação aos empréstimos compulsórios e às outras contribuições. E. obedecido o disposto no art. 154. a destinação e o regime jurídico. 195. 153. 155 e 156. os quais serão. II). com especificação do fato gerador. as segundas. 145. sem explicitar os fatos geradores nem os sujeitos passivos. O sujeito passivo não se define como tal na relação jurídico-tributária da contribuição por manifestar capacidade contributiva. § 4º). identificados dentre aqueles que guardem nexo lógico-jurídico com a finalidade constitucional do tributo. 148. ainda que de forma indireta. Como se vê. reservando competência à União para instituir “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social.105 / DF Quanto aos impostos. como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas” (art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Às demais contribuições limita-se a apontar a finalidade. e. às taxas e às contribuições de melhoria. mediante outorga de competência à União para instituir os primeiros com o fito de “atender a despesas extraordinárias” (art. 21.

6º da EC nº 41/2003. e os componentes . este segundo conceito é o de manifestação de capacidade contributiva. daí a idéia de contraprestação. para as taxas é a fruição individual da atividade estatal e. de alguma classe. eventualmente (não necessariamente). por isso. mas apenas por pertencer a um determinado grupo social ou econômico.Supremo Tribunal Federal ADI 3. também poderão aposentar-se com proventos integrais. E. tendo ingressado antes no serviço público. Por que paga-se taxa? Paga-se taxa porque o contribuinte usufrui de certa atividade estatal ou recebe certa prestação. observadas as normas do art. numa fase de transição. sendo que. Isto leva à identificação de uma razão de ser diferente para cada uma das figuras. para as contribuições. Alguém “faz parte”. O critério apóia-se numa qualidade (= fazer parte) e não numa essência (= fato determinado) ou utilidade (= benefício/vantagem)”. alguém “participa de” uma determinada coletividade. os do segundo grupo. desta participação. 23 Com as mudanças introduzidas pela EC nº 41/2003. Os do primeiro grupo aposentaram-se. tem-se a existência teórica de três grupos de sujeitos passivos da contribuição previdenciária: i) os aposentados até a data da publicação da Emenda. de regra. profissional). é a qualificação de uma finalidade a partir da qual é possível identificar quem se encontra numa situação diferenciada pelo fato de o contribuinte pertencer ou participar de um certo grupo (social. acentua a doutrina: “Um segundo conceito vai definir a estrutura das contribuições. iii) os que ingressaram. pode arcar com o ônus fiscal. com vencimentos integrais. pode haurir. encontrando-se em situação diferenciada.105 / DF auferir benefício ou contraprestação do Estado. identificável em função da finalidade constitucional específica do tributo de que se cuide. Ao propósito. tudo após a publicação da Emenda. de alguma categoria identificada a partir de certa finalidade qualificada constitucionalmente. econômico. ii) os que se aposentarão após a data da sua edição. Se alguém perguntar: por que pagam-se impostos? Eu responderia que pagam-se impostos porque alguém manifesta capacidade contributiva e. ingressarão e se aposentarão. Para os impostos. como se passa com as taxas. e assim por diante. determinada vantagem. por que paga-se contribuição? Paga-se contribuição porque o contribuinte faz parte de algum grupo.

cit.. pela obrigatoriedade de equilíbrio atuarial e financeiro. E. pelo regime público (art.. sobrecarregar o valor da contribuição 23 MARCO AURÉLIO GRECO. . servidores agora inativos com proventos equivalentes à ultima remuneração.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o valor correspondente a dez salários mínimos. no máximo. ou podem existir. senão que antes a acentua e agrava. p. 40. § 14). interessa-lhes sobremodo a manutenção do sistema. Esse tratamento tributário diferenciado encontra justificação no conjunto de elementos político-normativos representados pelo caráter contributivo do sistema. receber. no caso do § 14 do art. pelo imperativo de solidariedade social. sujeitar-se ao limite atribuído ao regime geral da previdência (art. 22. com abstração do montante dos vencimentos percebidos à época da aposentadoria.105 / DF do terceiro grupo poderão. existem. até injusto. 40 da Constituição. Enquanto os primeiros se aposentaram com os vencimentos integrais. Contribuições. sem nunca terem contribuído para o custeio do sistema. A circunstância de estarem aposentados não lhes retira de per si a responsabilidade social pelo custeio. Seria desproporcional e. pela distribuição eqüitativa dos encargos do custeio e pela diversidade da base de financiamento.. 201) e equivalente a dez salários mínimos. antes. porque os servidores só entraram a contribuir desde a Emenda Constitucional nº 3/93. os que ingressarem após a edição da Emenda poderão. porque sua subsistência pessoal depende diretamente dos benefícios pagos. 83. à medida que seu tratamento previdenciário é diverso do reservado aos servidores da ativa. Os servidores aposentados antes da edição da EC nº 41/2003 não estão à margem do grupo socioeconômico conexo à finalidade da previdência social.

cujos dados têm por fonte o Boletim Estatístico da Previdência – Boletim Estatístico de Pessoal – dez-02/SRH/MPOG-STN/MF. 219): 24 Valor Médio dos Benefícios Previdenciários no Serviço Público Federal e no RGPS (média de dezembro/01 a novembro/02) Serviço Público Federal Valores Executivos Civis 2.00 Ministério Público da União 12.04 contribuição Aposentadoria por idade 243.900.027. objeto do art. 194. da Constituição da República.00 Judiciário RGPS Valores Aposentadorias por tempo de 744. à aposentadoria. ofensa ao princípio da isonomia. mas receberiam até o limite do regime geral da previdência24. O caráter contributivo e solidário da previdência social impede tal distorção.00 8.Supremo Tribunal Federal ADI 3.001.00 Militares 4.265. conforme tabela seguinte. É interessante observar.272. contribuiriam para manter benefícios equivalentes a proventos integrais. que. de modo que.571.105 / DF dos servidores ativos para concorrerem à manutenção dos benefícios integrais dos inativos. receber. apenas a média dos benefícios previdenciários dos servidores públicos civis do Executivo é inferior a esse limite. A ofensa está alhures. proventos cujo valor não ultrapassará dez salários mínimos. no máximo. 23.10 TOTAL DOS BENEFÍCIOS 374.00 Legislativo 7. aí. e vinda com as informações (fls. § único.00 Banco Central do Brasil 7. considerando-se a média dos benefícios pagos aos inativos da União no período de dezembro de 2001 a novembro de 2002. que afrontaria ainda o princípio da “equidade na forma de participação de custeio”. São essas as razões por que não encontro. sabendo-se que os servidores ora em atividade (grupo iii) poderão. IV. fosse outro o tratamento. neste ponto.89 .

na verdade. e os que se aposentarem ou receberem a pensão ao depois. positiva ou negativamente. a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas” (PAULO DE BARROS CARVALHO. 26 “As manifestações normativas que exprimem as imunidades tributárias se incluem no subdomínio das sobrenormas. fragmentos de norma ou normas. Distrito Federal e Municípios. 23. metaproposições prescritivas que colaboram. que modela a competência tributária26. norma constitucional de estrutura25. de outro. e somente o estudo do ordenamento jurídico nos faz entender a natureza e a importância dessas normas".. prefixando-lhe os limites materiais e formais. previsto no § único do art. representa. mais exatamente. mas o modo de regular um comportamento. só que vinculados à União. de modo expresso. Curso de Direito Tributário. O só fato de alguns serem inativos ou pensionistas dos Estados. p. toda norma jurídica se volte ao comportamento intersubjetivo. de modo que a instituição da contribuição dos inativos em gozo As chamadas normas de estrutura "não regulam o comportamento. É a presença e freqüência dessas normas que constituem a complexidade do ordenamento jurídico. e para os da União.. em termos precisos. p.Supremo Tribunal Federal ADI 3. à medida que dá realce a normas de produção normativa. mencionando-lhes os limites materiais e formais da atividade legiferante. de um lado.1. o comportamento que elas regulam é o de produzir regras. como servidores e pensionistas. contidas no texto da Constituição Federal. não reverenciam o princípio constitucional da igualdade. como tal. bem como a ostensiva discriminação entre os aposentados e pensionistas em gozo de benefícios à data da edição da Emenda. para os servidores inativos dos Estados. para traçar a área de competência das pessoas titulares de poder público. ou. do Distrito Federal ou dos Municípios. Brasília: Universidade de Brasília. 45). Embora. (Teoria do Ordenamento a Jurídico. O teor substancial do § único do art. não deixa de ter utilidade prática a distinção. 1996. cit. e que estabelecem. 4º da EC nº 41/2003 cria uma hipótese evidente de imunidade e. 25 .” Formam uma “classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas. 8 ed. na classificação de NORBERTO BOBBIO. não lhes legitima o tratamento diferenciado proposto em relação aos que se encontram em idêntica situação jurídica.105 / DF O tratamento normativo diverso. 181). pois as que parecem não fazê-lo são. op. 4º da Emenda Constitucional nº 41/2003.

2004.105 / DF de benefícios somente poderia tomar por base de cálculo. Mas.” 27 Ora. do Distrito Federal e dos Municípios. Sabe-se que: “O princípio da igualdade exige não apenas a generalidade das normas (proibição de leges ad personae). 201 da Constituição Federal. II – sessenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. objeto de análise no postulado da razoabilidadecongruência. Sistema Constitucional Tributário.Supremo Tribunal Federal ADI 3. como tais. para os servidores inativos e os pensionistas dos Estados. como fato significante de riqueza. o valor dos proventos e das pensões. recebem aí tratamento desfavorável em relação aos inativos da União pelo só fato de estarem ligados a outros entes federativos. nos incisos. Servidores públicos. . 201 da Constituição Federal. deveria mediar entre o critério de diferenciação tomado pela norma e o tratamento normativo diferenciado do valor dos proventos e das pensões. São Paulo: Saraiva. para os servidores inativos e os pensionistas da União (grifos nossos). postos. O tratamento discriminatório aparece. mas também proíbe a escolha de critérios arbitrários para a diferenciação de tratamento. Distrito Federal e Municípios. ao indagar-se da presença de correlação lógico-jurídica que. na 27 HUMBERTO ÁVILA. p. Os inativos em gozo de benefícios dos Estados. que não é de pouca monta. com ofuscante clareza. à simples leitura do texto. prevê: Parágrafo único. nem descobre implicação alguma capaz de justificar a discriminação. não se revela. 337. por excluir toda idéia de arbitrariedade na hipótese. A contribuição previdenciária a que se refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere: I – cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.

afastando o . Violação do princípio fundamental da igualdade. como os da União. portanto. declarada inconstitucional a norma discriminatória. 4º da Emenda. à só luz da desvaliosíssima circunstância de não pertencerem aos quadros da União? Ao depois. tratamento normativo díspar entre eles. Como preceitua nítido o caput do art.2.Supremo Tribunal Federal ADI 3. como os da União. suportar incidência mais gravosa que a dos outros. No primeiro caso (i). o preceito revogado readquire validade por força do mecanismo da repristinação. ou já então em condições de se aposentar. “aos servidores titulares de cargos efetivos da União. por efeito de desconto da contribuição. ii) o mesmo diploma hospeda normas que impõem tratamento diferenciado a grupos pertencentes a uma só classe ou categoria jurídica. assim os inativos dos Estados. aposentados até a data da publicação da Emenda. 40 da Constituição. via de regra. Por que deveriam uns. do Distrito Federal e dos Municípios. Distrito Federal e Municípios. sem exceção nem distinção.105 / DF mesma situação jurídico-funcional considerada pelo caput do art. submetendose às mesmas regras para obtenção do benefício previdencial. na disciplina normativa de direitos atribuídos a classes de pessoas. Nada justifica. no tema em causa. dos Estados. incluídas suas autarquias e fundações”. pode dar-se. puderam e podem fazê-lo com proventos integrais. sob duas formas: i) norma posterior cria exceção a regime ou benefício antes aplicável a toda a classe. Distrito Federal e Municípios. são-no tanto os dos Estados. 23. o regime previdenciário dos servidores aplica-se.

pondera a doutrina: “A temática em torno do princípio da igualdade é vastíssima. bastante controvertido. que. isto é. atingir apenas a norma que expressa ou implicitamente restringe o âmbito de aplicação da lei. a eliminação da desigualdade através da extensão a todos dos direitos ou vantagens concedidos ilegitimamente a alguns. Aqui interessa apenas o problema. máxime no caso de atribuição de direitos ou vantagens apenas a parte do universo de pessoas elegíveis para deles beneficiar. designadas pela doutrina italiana como decisões additive ou aggiuntive. Tais decisões. p.105 / DF tratamento desigual. pode até submeter o grupo a situação ainda mais danosa. obtendo-se. A respeito. na parte ou nos limites em que contém uma prescrição em vez de outra. sobre ser incapaz de dar resposta à desigualdade. As decisões aditivas são normalmente distinguidas das chamadas decisões substantivas. a ampliatio do regime favorável. do conteúdo das decisões de inconstitucionalidade de leis que ofendam o princípio da igualdade. perante a coexistência incompatível de tratamentos normativos diferenciados. a decisão de inconstitucionalidade introduz. que sancionam designadamente violações do princípio da igualdade. A decisão de Inconstitucionalidade. A decisão de inconstitucionalidade deve. segundo este entendimento. Os autores. de um ponto de vista substancial. são. E a segunda hipótese (ii) encerra também outro problema. 1999. o Conteúdo e os Efeitos da Decisão de Inconstitucionalidade da Lei. freqüentemente. das decisões de inconstitucionalidade de uma norma enquanto. em ambos os casos. Lisboa: Universidade Católica Editora.”28 RUI MEDEIROS. qual deva ser mantido? Qual atende ao princípio da isonomia? Esta questão envolve duas necessidades: ablação de um dos tratamentos díspares e extensão dos direitos ao grupo antes discriminado. Uma concepção muito em voga admite. em regra. como as decisões substitutivas têm por efeito fazer dizer à disposição a que se reportam qualcosa di diverso e. por essa via. qualcosa di più em relação àquele que era o seu originário significado.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o de saber. Mas. 28 . 456. Já no segundo (ii). preceitos novos ou um quid pluris em relação à posição de partida: tanto as decisões aditivas. a pronúncia de inconstitucionalidade de uma das normas cria um “vácuo” normativo. que concluem pela inconstitucionalidade de uma lei na parte em que não estatua algo ou em que restringe expressamente o seu âmbito de aplicação.

No caso. freqüentemente.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Todavia. depois. ao abrir exceção vistosa à imunidade objeto do art. a aplicação de normas diversas que se situam aliunde. então eficácia positiva. pois. seguramente. pode dizer-se que as normas repristinadas conformes com o princípio da igualdade já estavam latentes no ordenamento jurídico. É também sabido que. 40. op. considerando-se que o tratamento normativo por adotar já se acha imanente ao próprio ordenamento constitucional e. As normas repristinadas não são. 4º da EC nº 41/2003. considerava que uma decisão de inconstitucionalidade que determinasse a repristinação da norma anterior constituía. em matéria de violações do princípio da igualdade. Isto mesmo pode ser. Mas esta necessidade é aparente. da Constituição. § 18. 491. aplicável extensivamente aos 29 RUI MEDEIROS. 195. II. criadas pelo órgão de controlo da constitucionalidade. mas um acto positivo’. será apenas restabelecido com a pronúncia de invalidez das normas de discriminação: “A norma inconstitucional impede. O próprio Mestre da Escola de Viena. o remédio à vulneração do princípio isonômico.”29 O § único do art. esta lei será inconstitucional e continuará a aplicar-se a preexistente’. A correspondente decisão de inconstitucionalidade tem. ilustrado com o chamado efeito repristinatório. não se confundindo portanto com as normas resultantes de uma decisão modificativa. com a redação dada pela própria Emenda. o efeito repristinatório pode conduzir à eliminação da discriminação: ‘se até certa altura uma lei não fizer acepção de situações ou de pessoas e. . p. mesmo neste último caso. cit. parece exigir recurso a uma decisão modificativa.105 / DF 23. caracterizada no mesmo texto que abriga normas simultâneas de conteúdo e alcance diferencial. e a decisão terá eficácia positiva só quanto ao efeito repristinatório da norma parcialmente revogada.3. faz também exceção à imunidade prevista no art. vier uma nova lei abrir diferenciações não fundadas. facilmente. teorizador do Tribunal Constitucional como legislador negativo. O substrato do problema reconduz-se à primeira hipótese (estabelecimento de exceção). ‘não um simples acto negativo de legislação..

Ela não pode ser excluída. em atenção ao caráter unitário do fim público de ambos os regimes e ao princípio da isonomia: “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem normalmente aplicado as normas relativas à imunidade. 195. no sentido de examinar os fins subjacentes às normas constitucionais. de sorte a abranger na imunidade os fatos necessários à garantia dos fins públicos referentes às imunidades (garantia e promoção da federação. nos termos da lei. caso contrário a função pública das instituições seria restringida. garante imunidade às aposentadorias e pensões concedidas pelo regime geral de previdência: “Art. e das seguintes contribuições sociais: (. mediante recursos provenientes dos orçamentos da União.4. 23. de modo teleológico. deve interpretado de forma teleológica e expansiva. da liberdade de manifestação do pensamento).105 / DF servidores inativos e pensionistas por força da interpretação teleológica e do disposto no art. do Distrito Federal e dos Municípios. II. também aquelas concedidas pelo regime dos servidores públicos. dos Estados. A imunidade qualifica-se como meio para garantir a promoção de determinados fins públicos. Este cânone.) II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social. no que sejam compatíveis. 195. para alcançar. da educação. da liberdade religiosa. de forma direta e indireta. Em relação às contribuições previdenciárias. o art. do processo democrático. A seguridade social será financiada por toda a sociedade...Supremo Tribunal Federal ADI 3. embora faça menção apenas às aposentadorias e pensões concedidas pelo regime geral de previdência.”30 . não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201” (grifos nossos). 40. § 12.

de modo que tanto os aposentados pelo regime geral de previdência. e com relação ao ISS. conforme estipulado pelo art. E daí vem que. esta Corte. II. nas últimas decisões..”31 Transparece cristalino ao texto do art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. quanto os que o sejam pelo regime especial público. Nesse sentido. ILMAR GALVÃO. por ambas as Turmas. a imunidade prevista no art.395).822).105 / DF Para o demonstrar ad rem o acerto da observação.00 (dois mil e quatrocentos reais). até o limite de R$ 2. tem reconhecido o benefício da imunidade com relação ao IPTU. 5º da EC nº 41/2003 para o regime geral da 30 HUMBERTO ÁVILA. que o fim público objetivado por essa imunidade é o resguardo da inteireza do valor das aposentadorias e pensões concedidas pelo regime geral da previdência. 210. decisivamente inclinada à interpretação teleológica das normas de imunidade tributária. cit. 195. op. até o valor do limite estabelecido pelo art. E sua não menos cristalina racionalidade normativa repousa na preservação da dignidade da pessoa humana. tem por objeto imediato menos os aposentados e pensionistas que o valor dos seus proventos e pensões. proferido no julgamento do RE nº 325. referido pelo Ministério Público Federal. como garantia ou estímulo à concretização dos valores constitucionais que inspiram limitações ao poder de tributar. estão sob amparo da mesma garantia. ainda que sobre imóveis locados (RE 257. 195.822-2/SP: “Relembro que o Supremo Tribunal Federal. estou em que o entendimento do acórdão – conforme ao do precedente anterior à Constituição – é o de que se afina melhor à linha da jurisprudência do Tribunal nos últimos tempos. uma interpretação mais ampla da matéria. tem-se permitido. assim se expressou: ‘Não obstante.900) ou sobre a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública (AGRAG 155. II.700) ou utilizados como escritório e residência de membros da entidade (RE 221. 5º da EC nº 41/2003. p.’ Com efeito. ao julgar o RE 237.400. em tema de imunidade tributária. ainda que sobre o preço cobrado em estacionamento de veículos (RE 144.718. tendência que foi captada pelo Ministro Sepúlveda Pertence quando. de modo a maximizar-lhes o potencial de efetividade. . transcrevo trecho de voto do Min.

todavia.2004. o mesmo tratamento normativo-constitucional. 5º da EC nº 41/2003). È que a aplicação simples da proibição de incidência de contribuição sobre proventos de inativos. O critério da igualdade normativa. 40. então há de se atentar para um fato peculiar. Refiro-me ao julgamento da ADI nº 2. Relator designado para o acórdão o Min. logo é esse também o limite da imunidade para os benefícios dos servidores públicos inativos. a doutrina já antecipava a conclusão agora proposta: "Se. não a pessoa. é o valor. para que se não atribua à norma de remissão (art. que leva a uma "soma de felicidades" para os servidores públicos. 40. § 12) um sentido aparentemente invertido. Não é difícil perceber que o reconhecimento da imunidade pura e simples de aposentados e pensionistas em relação à contribuição previdenciária produz uma anomalia no sistema. . como conseqüência da aplicação do § 12 do art.00).Supremo Tribunal Federal ADI 3. em ambos os regimes. a despeito dessa remarcada diferença entre os dois regimes. neste particular.010. como os benefícios concedidos pelo regime geral da previdência estão limitados ao valor máximo de R$ 2. beneficia 31 32 DJ de 14. constante do regime geral. II. Ora. II. talvez devesse o Tribunal. 195. ampliou de forma desmedida as vantagens que o sistema constitucional concede aos aposentados do serviço público. da Constituição. os proventos de todos os aposentados e pensionistas.105 / DF previdência (R$ 2. amplia as desigualdades entre os beneficiários dos dois sistemas. aos servidores públicos. reajustável de modo a preservar. se insistir na aplicação do disposto no art. GILMAR MENDES. que não se compatibiliza com o princípio central da igualdade e com o postulado da justiça social constantes do texto constitucional. A aplicação da norma de remissão. devem ter. rediscutir a questão com objetivo de assentar. sob esse prisma. equiparando situações jurídicas notoriamente desiguais. aqui.05. em trabalho crítico à interpretação construída pela Corte em torno da Emenda nº 20/9832. seu poder aquisitivo (art. pelo menos. II. 195. que a imunidade prevista no art. Assim. conjugada com o art.400. E.00). É possível admitir que o Tribunal até poderia ter chegado à conclusão de que a aplicação da disposição que exclui os aposentados e pensionistas da responsabilidade do regime geral de Previdência Social seria extensiva aos servidores públicos. em vez de equiparar as relações entre os dois regimes. O nãoestabelecimento dessa ressalva produz um resultado altamente insatisfatório. § 12. no julgamento definitivo. Esse reconhecimento deveria vir acompanhado de ressalva relativa à necessária observância dos limites vigentes para os benefícios da Previdência Social (R$ 1.200. em caráter permanente.400. 195. do art. 40.00.

Presidência da República Subchefia para Assuntos Jurídicos (<http:/www. os Estados."33 Essa é interpretação cuja consistência encontra ainda sólido apoio no fato de o limite máximo previsto para os benefícios do regime geral de previdência ter sido adotado agora. pela Constituição. . com a redação introduzida pela Emenda. para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo. Contribuição de Inativos: Uma Interpretação Possível.200. ex vi dos §§ 14 e 18 do art.Revista Jurídica Virtual nº 6-outubro/novembro de 1999. também. o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. por fim.. ou seja. 40. 201. R$ 1. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art..presidência. 201.105 / DF apenas a parcela dos proventos até o limite estabelecido para o regime geral de Previdência. o Distrito Federal e os Municípios. 33 IVES GANDRA DA SILVA MARTINS e GILMAR FERREIRA MENDES. poderão fixar. com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos” (grifos nosos).Supremo Tribunal Federal ADI 3. De observar. § 12. dos Estados.) § 18.br/ccvil 03/revista/Rev 06>).00.gov. como limite de valor para a imunidade da contribuição previdenciária incidente sobre os proventos de aposentadorias e pensões dos servidores que se aposentarem após o mesmo termo. verbis: “§ 14. como paradigma para a instituição de regime de previdência complementar dos servidores públicos que ingressarem após a edição da Emenda e. do Distrito Federal e Municípios. manda aplicar aos servidores públicos titulares de cargo efetivo da União. A União. 40. (. desde que instituam regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo. que o art.

o fato de ter-se aposentado o servidor antes ou depois da publicação da Emenda não lhe justifica nem legitima tratamento diferenciado quanto à sujeição ao tributo. se muitos servidores percebem proventos de aposentadoria e pensões acima do limite fixado para o regime geral de previdência. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a amplitude dessa interpretação extensiva escorou-se. 23. como já se viu. À luz do critério constitucional de igualdade normativa. com o § único do art. em palavras menos congestionadas. 195. adotado como fator de discriminação entre eles. Além dessa visível inconstitucionalidade no tratamento desigual dos servidores inativos em gozo de benefícios à época da publicação da Emenda. II. então. baseado no valor dos benefícios. Mas. autorizaria tributá-los. Não é só. § 18. isolada e validamente. vê-se ao confronto do art.5.” Tal norma de equiparação foi invocada no julgamento da ADI nº 2010 como fundamento para extensão da imunidade prevista no art. 40. Ou. “no que couber. na ausência de norma de tributação dos proventos dos inativos e na estudada amputação do texto que. no projeto de emenda constitucional.105 / DF inclusive suas autarquias e fundações. que esta norma também estabelece discriminação entre os aposentados e pensionistas em gozo de benefícios na data de publicação da Emenda e aqueles que se aposentaram ou aposentarão ao depois. 4º da EC nº 41/2003. sob a égide do regime previdenciário modificado pela EC nº 20/98. o tempo não pode ser. aos servidores públicos inativos. .

estipuladas no art.. no Direito Tributário. 5º) deve ser fundamentado. e a adoção de qualquer outro há de manter perceptível e justificada correlação lógico-jurídica com os propósitos normativos e os direitos e garantias fundamentais. op. 4º. da Constituição da República). I e II. § 1º.”34 A conclusão é que se não descobrem razões suficientes para justificar. 40. I e II. reduzem. da Emenda Constitucional nº 41. 145. deduz-se que são flagrantemente inconstitucionais as exceções que. 4º. ou. . sob pena de insulto ao princípio da igualdade: “A igualdade de tratamento exige igual tratamento em aspectos relevantes. deve ser a capacidade contributiva (art. perante os interesses tutelados e os escopos da tutela. de modo que as distinções entre categorias de pessoas devem fundar-se nesse critério. da EC 41/2003. para algumas pessoas pertencentes à mesma classe dos servidores 34 HUMBERTO ÁVILA. o próprio significado fundamental do princípio da capacidade contributiva seria afastado (arts. no direito tributário. Qualquer afastamento desse direito preliminar de igual tratamento (art. parágrafo 1º). 344. incs. ao conceito de capacidade contributiva (art.105 / DF As exigências de justiça. p. na redação que lhe deu a EC 41/2003). Decisivo é. § único. de 2003. as disparidades normativas que gravam as normas constantes do art. 1º e 5º). 201” (art. § 18. o critério que determina quais situações devem ter a mesma e quais devem ter outra conseqüência jurídica. Como o fato gerador da contribuição dos inativos é a percepção de “proventos de aposentadorias e pensões que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. § único. caso contrário. 145. incs.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O critério justiça. da Constituição. cit. subordinam o tratamento normativo à medida da riqueza manifestada. portanto. em rigor técnico.

o alcance da imunidade tributária que a todos abrange e aproveita. sem que ‘houvesse razões bastantes e materialmente figuráveis para esta contrariedade ao sistema’. diversas vezes neste sentido e. IV. porque. de 19 de dezembro de 2003. 35 CLAUS-WILHELM CANARIS. 60. atentar contra o princípio constitucional da igualdade e. Pensamento Sistemático e Conceito de Sistema na Ciência do Direito.. . por isso. ofendendo o princípio constitucional da isonomia tributária (art. e nos princípios do novo sistema previdenciário inscritos no art. 5º. mutatis mutandis. 4º da Emenda Constitucional nº 41. De facto. Menezes Cordeiro. II. 225 e 226. constantes do parágrafo único. 60. considerou nula uma norma com a fundamentação de que o legislador ‘se afastou do seu próprio princípio’. 194. inc..35 23. serem nulas. resultante da natureza das coisas. II). IV). por causa da contradição de valores nela incluídas. 1996. ou. a baseada na data das aposentadorias. P. 2ª ed. o Tribunal Constitucional manifestou-se também. ainda quando provenha do constituinte derivado (art. para o mesmo efeito normativo-constitucional. 40. Pode. cc. são arbitrárias as distinções previstas entre servidores da União e dos demais entes federativos e. incisos I e II. Mas sobretudo. do art. de A. é de enfocar que. § 4º. Neste sentido. mais simplesmente. § 4º. 150. caput e § 1º. tenho por inconstitucionais as expressões “cinqüenta por cento do” e “sessenta por cento do”. Grifos do original. art. trad.. quando a disposição possa ser caracterizada como arbitrária”. 150. por exemplo. todos da Constituição da República. combinados com o art. 5º. ou materialmente informado para diferenciação legal ou para o tratamento igualitário. Lisboa: Fund. o artigo 3 I se deve entender no sentido de uma proibição de arbítrio: ‘o princípio da igualdade é violado quando não se possa apontar um fundamento razoável. que é particularização do princípio fundamental da igualdade (art.105 / DF públicos e pensionistas. E são-no. segundo a jurisprudência constante do Tribunal Constitucional. A Constituição da República não suporta arbitrariedade.6. caput e §§ 12 e 18. Calouste Gulbenkian. apoiado nos arts.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ser transplantada ao caso a seguinte experiência constitucional: “as normas contrárias ao sistema podem. caput e § 1º).

a imunidade tributária que.”36 23. p. 4º da Emenda. como norma latente no ordenamento constitucional.. 40.. da Constituição. suprimidas aquelas expressões. II.105 / DF Com esta decisão.197.400. com isso. a contribuição incidirá tão-somente sobre a parcela dos proventos e pensões que ultrapasse R$2. § 18.. a contribuição previdenciária a que se refere o caput do art. volta. apud RUI MEDEIROS. A decisão de inconstitucionalidade. visto que o legislador não podia constitucionalmente excluir uma parte dos constitucionalmente elegíveis para beneficiar do direito ou suportar as obrigações em causa. restabelecendo-se. a ter a eficácia plena que a inconstitucionalidade restringiria: “Se o legislador exclui das vantagens ou dos encargos uma parte dos que constitucionalmente tinham direito às primeiras ou deveriam estar obrigados. A este mesmo resultado se poderia também chegar pela técnica alternativa de pronúncia de inconstitucionalidade de todo o § único do art. traduz limitação negativa à atuação do legislador. 201 da Constituição Federal. 36 . com seus reajustes. 504. para todos os servidores inativos e todos os pensionistas. o caráter geral da regra que. para todos os servidores inativos e pensionistas. Ou seja. VITAL MOREIRA. consta do art. é admissível. Princípio da maioria e princípio da constitucionalidade: legitimidade e limites da justiça constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. in Legitimidade e legitimação da justiça constitucional. sem nenhuma distinção. então a decisão de inconstitucionalidade da lei.7. garantida no art. 4º da Emenda nº 41/2003 incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. na parte em que operou a exclusão. apesar do conseqüente alargamento do âmbito da norma. cit. p.00 (dois mil e quatrocentos reais). 195. E o resultado prático da pronúncia de inconstitucionalidade do meu voto está em que. com a redação dada por aquela.

nas urnas. Pesa-lhe apenas a tarefa. Não lhe bastam.”37 E da ponderação das repercussões creio não me ter apartado na formulação deste voto. de todo irrenunciável.105 / DF 24. todos os valores. Nenhum juiz constitucional procederá assim na prática. o instrumento constitucional de expressão e decisão. pereat res publica. nesse mister. Antes de concluir o voto. porque. princípios e normas que a compõem como um sistema de conexão de sentidos. Aqui a ponderação das conseqüências é. os métodos tradicionais da argumentação jurídica. econômicas e políticas do caso. a que é natural não sejam estranhas manifestações apaixonadas da opinião pública. sob os mais nobres propósitos. reafirmo a velha convicção de que a esta Corte não cabe a tarefa de. de cuja largueza escuso-me pela complexidade jurídica e as repercussões sociais. cuja vocação última é o de tutelar a dignidade da pessoa humana. guardando-lhe. estes meios não são suficientes. Não pode proceder segundo a máxima: fiat justitia. que tende a garantir a viabilidade econômica de sistema da mais alta importância social e de não injuriar nem agravar a situação dos menos favorecidos. de não menor nobreza e relevância no Estado Democrático de Direito.Supremo Tribunal Federal ADI 3. de velar pela Constituição. portanto. como já se advertiu: “nas resoluções de grande alcance político para o futuro da comunidade. substituir-se aos órgãos republicanos competentes para legislar e para definir políticas públicas. Ao Tribunal Constitucional incumbe uma responsabilidade política na manutenção da ordem jurídico-estadual e da sua capacidade de funcionamento. . como elaboração e patrimônio da consciência jurídica nacional em dado momento histórico. nem tampouco de se fazer intérprete de aspirações populares que encontram.

de 19 de dezembro de 2003. 4º da Emenda Constitucional nº 41. Relatora e ao Min. 1997. CARLOS BRITO. Ante o exposto. do art. 517. 37 KARL LARENZ. constantes do parágrafo único. 3ª ed. p.105 / DF 25. peço vênia à Min.Supremo Tribunal Federal ADI 3. declarar inconstitucionais as expressões “cinqüenta por cento do” e “sessenta por cento do”. incisos I e II. Lisboa: Fund. . Calouste Gulbenkian. em parte. em conseqüência. procedente esta ação direta de inconstitucionalidade e. para julgar.. Metodologia da Ciência do Direito.

BOBBIO. sejam outros mais. O inciso IV do § 4o do artigo 60 da Constituição do Brasil veicula regra dirigida ao Poder Constituinte derivado. A ação/objeto é não abolir. assim. acompanho o voto da eminente Relatora Ellen Gracie no que tange à legitimidade ativa e ad causam da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público . lembro que a interpretação de um texto normativo demanda duas verificações: [i] a quem ele se dirige e [ii] qual o comportamento estabelecido. 1 . examinarei inicialmente as razões. 1. inciso XXXVI. Torino. sejam os enunciados pelo artigo 5o.CONAMP. Teoria generale del diritto. Giappichelli. bem assim o inciso IV do § 4o do artigo 60 da Constituição do Brasil. que é quem não deverá deliberar sobre proposta de emenda constitucional tendente a abolir os direitos e as garantias individuais. p.993. vale dizer não excluir do texto da Constituição qualquer dos direitos ou garantias individuais.105-8 DISTRITO FEDERAL (31) GRAU EROS - Voto V O T O O SENHOR MINISTRO EROS GRAU: Preliminarmente. afrontando o disposto no artigo 5o. 146. articuladas na ADIN. Cf. No mérito. 2. Identifica-se. na proteção do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. Quanto a este último. segundo as quais o artigo 4o da EC 41/03 violaria o princípio da segurança jurídica.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. o destinatário/sujeito e a ação/objeto1.

na proteção do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. Nesta ocasião. inclusive a Constituição. inciso XXXVI. Aqui a regra não incide. 3 Teoria pura do direito. Tenho assim por superado. 1. pois a emenda constitucional promulgada não afetou o texto do artigo 5o. sem que se torne necessário penetrarmos o debate a respeito do controle da constitucionalidade das emendas constitucionais desde o § 4o do artigo 60 da Constituição do Brasil. empreendido pelo Poder Judiciário. pp. há interpretação autêntica [= criadora de direito] tanto no processo de interpretação/aplicação do direito. tese. no sentido acima indicado. todo ele.quando o legislador interpreta a Constituição. não de sua abolição [= exclusão] do texto da Constituição. Cuida-se de alegada violação a direito. observo que.105 / DF como tais qualificados mercê do que o Ministro Carlos Ayres Britto2 chama de "interpretação generosa ou ampliativa" das cláusulas pétreas. o questionamento do preceito desde a perspectiva do § 4o do artigo 60 da Constituição do Brasil. PUC/SP.Supremo Tribunal Federal ADI 3.999. O que se alega é que o artigo 4o da EC 41/03 violaria o princípio da segurança jurídica. quanto no curso do processo legislativo --. São diversos os discursos pronunciados em um e outro caso. trad. São Paulo. 4a edição. Em breve nota. O regime jurídico das emendas à Constituição. Armênio Amado. inciso XXXVI da Constituição. cumpre considerarmos o preceito veiculado pelo artigo 4o da EC 41/03 em face do artigo 5o. âmbito do segundo discurso. afrontando o disposto no artigo 5o. para KELSEN3. Coimbra. no caso. 2 . 1. 464 e ss. inciso XXXVI da Constituição do Brasil. de João Baptista Machado.976.

retirando do patrimônio público ou privado direito que a ele se RE 18. Rio de Janeiro.988: “A Constituição não determina. . II. na vigência da Constituição de 1. muitos suportando contratempos por esquecimento de lições dos mais velhos. vol. Freitas Bastos S/A. O tema dos direitos adquiridos vem desafiando a doutrina e a jurisprudência.958. inciso XXXVI da Constituição. 6 Idem. bastando-se em afirmar que a lei não prejudicará o direito adquirido. perfeitamente adequada à Constituição de 1. em inúmeros votos do Ministro OROSIMBO NONATO4. não estabeleceu a proibição de leis retroativas. 1.988. Transpondo para o momento de hoje a objetividade de FRANCISCO CAMPOS5. Em outros termos: no Brasil. [DJ 03. com efeito.946. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.105 / DF 3.891. retroativa. Essas observações cabem qual uma luva à Constituição de 1. 12.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Direito Administrativo. ao contrário da 1.1953]. que a Constituição de 1. a lei é. O que ela prescreve é que a lei não poderá retroagir em prejuízo de direito adquirido.988.988. sob a égide da Constituição de 1. que a lei não deve ser retroativa. Apenas não poderá [prossigo a transcrever FRANCISCO CAMPOS6] “alterar as situações jurídicas definitivamente constituídas. em princípio.269. p. ato jurídico perfeito ou coisa julgada”. 5 4 .12. ato jurídico perfeito ou coisa julgada. não há vedação da retroatividade das leis senão quando a retroação de uma delas prejudique direito adquirido. Os mais atentos sabem que no Brasil. ibidem.Passo a tratar do argumento segundo o qual o artigo 4o da EC 41/03 afrontaria o disposto no artigo 5o. Aqui neste Tribunal deixou-se bem claro.

o desrespeito aos atos praticados em observância da lei antiga. 9. professor da minha Faculdade de Direito: “Quando. Se retroatividade é a violação de direitos adquiridos. porque a retroactividade seria injusta. p. mas a conseqüências novas de relações anteriores. à retroatividade justa".há autores que “nem chamam retroatividade à retroprojeção da lei sem ofensa do direito adquirido. pois então a lei se aplica não ao passado. diz OROSIMBO NONATO10: "[o] limite da aplicação da lei nova é o direito adquirido. vale dizer.06. a destruição da coisa julgada. São Paulo. p. Fala-se em retroatividade justa e injusta. Por isso mesmo --. do mesmo autor. 7 .Supremo Tribunal Federal ADI 3. mesmo retroactivamente..1951]. deve ser inteiramente abolida". ao executar-se uma lei nova qualquer. 8 Ob. MS 1447/DF [DJ 01. O Código Civil e a retroactividade. v..09.11.909. porque a retroactividade é justa”. ao qual a lei do tempo do seu evento ou da sua realização atribuísse a fôrça de gerar aquêle efeito”.ainda OROSIMBO NONATO11 --. depara-se um direito adquirido que possa ser lesado. 8. cit. Quando não se encontra direito adquirido. Adote-se a lição de REYNALDO PORCHAT7. 11 RE 18269. E prossegue o mestre das Arcadas afirmando que é pelo reconhecimento da existência ou inexistência do direito adquirido que se conclui pelo efeito não retroativo ou retroativo de uma lei nova8-9. também.105 / DF tenha incorporado em virtude de fato ou de ato jurídico.1955]. apenas haveria retroatividade quando a lei atingisse Da retroactividade das leis civis.g. republicado in Revista dos Tribunais. applica-se a lei. Duprat & Comp. 9 Veja-se também.1951].. 1. a lei não tem applicação ao caso. RMS 2726/DF [DJ 01. 10 RE 163989/CE [DJ 28. 810/755-760. cit.

quando o primeiro é submetido ao segundo e vice-versa. Referindo-me ao critério proposto por MATOS PEIXOTO12. 13 Ao cuidar do ato jurídico perfeito. No que concerne ao plano da eficácia. breve digressão. e. não são titulares de "direito adquirido". a salvaguarda constitucional respeita ao direito adquirido. além disso. as situações mantêm-se íntegras. em ambos os casos enquanto. ou os contratantes que se vincularam sob condição suspensiva [enquanto esta não se verifica]. Limite temporal da lei. não verificada a condição. destarte. Aqui é necessário apartarmos facta praeterita dos facta futura. in RT 173/459. que incidam sobre tais pressupostos e elementos. de direito adquirido. no direito positivo. Nesses casos. Não se trata.Permito-me. 4. ou vivo o testador]. cujo conceito contempla situações de direito nas quais se verificam os efeitos da situação jurídica. v. mas de ato jurídico perfeito --.g. Pois é certo existir direito adquirido que não se funda em ato jurídico perfeito [os direitos do nascituro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. XXXVI da Constituição do Brasil colhe situações que se manifestam em três planos: o da existência. a distinção entre direito adquirido e ato jurídico perfeito.os contemplados pelo testamento feito no regime da lei anterior [enquanto vivo o testador]. de graduação por intensidade da retroatividade. 493 [RTJ 143/724. 744-745]. verificados os pressupostos da existência e os elementos da validade. 12 . citado também pelo eminente Ministro Moreira Alves em voto na ADIN n.] e ato jurídico perfeito que não implica direito adquirido [justamente os negócios sujeitos a condição suspensiva e o testamento. o da validade e o da eficácia13. o que evita a confusão entre ambos. . de forma geral. neste passo. o preceito constitucional está a referir situações existentes e válidas [mesmo que ainda não eficazes] --. a salvo de eventuais modificações. enquanto vivo o testador. pp. pp. nas hipóteses de retroatividade média e de retroatividade mínima não haveria retroatividade. Resulta nítida. 468-469. A tutela estabelecida pelo artigo 5o. então.105 / DF direitos adquiridos.exemplificando: o testamento formalizado no regime da lei anterior. os negócios jurídicos sujeitos a condição suspensiva. respectivamente.

1 de 1. Considerada a dimensão temporal do fenômeno jurídico. V. até sua extinção. os efeitos que serão produzidos no futuro. de pronto surtindo os efeitos a ela inerentes ou dela decorrentes. 1. tais efeitos manifestam-se em três níveis: os efeitos produzidos no passado. isto é. algo lineal. interessa bem de perto considerarmos é a facta pendentia. Nos dois primeiros casos verificam-se pontos distintos. nele é que cumpre averiguarmos os efeitos da lei. .Valho-me. . Os efeitos decorrentes do direito assim identificado é que se impõe preservar.105 / DF O que. da natureza ou da verificação de deveres sancionados por ações que ocorrem em determinado momento.. os efeitos produzidos são de natureza sucessiva. apresenta-se uma composição linear que principia com a existência válida da situação considerada. em linhas gerais. na lição de PONTES DE MIRANDA15. no fluir do tempo. e os que se produzem de forma sucessiva. vol. Esses efeitos dependem da lei que vige no momento em que o direito ingressa no plano da existência ou em que se verifica determinada condição ou termo. 15 . tanto ao nível da existência quanto no da eficácia. No último caso. da exposição de PONTES DE MIRANDA14.969. São Paulo. irradia-se e constitui-se a partir de fator da vontade. no entanto. Editora Revista dos Tribunais.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 14 Comentários à Constituição de 1.967 com a Emenda n. que encerra o momento presente. passando porém à margem de disputas teóricas. em vez de punctual. No último. o que permite possamos identificar com precisão o tempo em que se produzem.969. O direito funda-se. cit.Ob. 82. inerente aos efeitos que se devem produzir. em situações nas quais a eficácia seja condicionada ou a termo. É esse o traço do elemento sucessivo. 2ª ed. p. 5..

TEORI ALBINO ZAVASCKI19.. Aplicando-se a lei imediatamente. Freitas Bastos. in RTDP 22/64 e ss. a dizer. LGDJ.inspirado em DUGUIT23 -.do ato que deu origem à situação jurídica de que se trate. cit. 4éme. na segunda. 17. 17 16 . Vide PAUL ROUBIER. Situação jurídica. Le droit transitoire.Supremo Tribunal Federal ADI 3.demonstra que na primeira delas prevaleceu um direito previsto em cláusula de contrato contra a lei nova. 22 Traité élémentaire de droit administratif. 2éme edition. ao passo que. nem alterará as conseqüências de um direito já realizado18. a revogada.030/90] --. p. 1. Paris. como a toma LAUBADÈRE22 --. 18 CARLOS MAXIMILIANO. direito adquirido e FGTS. da imediatidade da lei1617 . diria eu --. p.21621 [indexador com base na variação da Taxa Referencial .caráter. 1. – Há mais. p.946. considerando duas decisões à primeira vista contraditórias desta Corte --.ADI 49320 e MS 21.967. Elas podem ser de dois tipos: Cf.292 e ss. ed. PONTES DE MIRANDA. Em estudo percuciente e instigador. porém. Daí a proposta de que a matéria do direito adquirido seja ponderada mediante a consideração da natureza --. Direito intertemporal ou Teoria da retroatividade das leis.112. 80. Rio. Não obstante. Dalloz et Sirey. 1. 21 RTJ 134/1. vale dizer. pp. 6.TR e revogação do artigo 1o da Lei 7.é o conjunto de direitos e obrigações de que uma pessoa pode ser titular. então. prevaleceu lei nova contra o que dispunha outra lei. não afetará as condições de validade de qualquer ato passado.22. Trata-se.960. 20 RTJ 143/724. ob. aplicar-seá às situações em curso.105 / DF A lei aplica-se imediatamente aos efeitos que se manifestam nesse período. 19 Planos econômicos.830/89 pela Lei 8. atingirá os efeitos [= direitos] que se verifiquem de forma sucessiva. Paris.

t. dizer respeito ao problema da modificabilidade das situações jurídicas: “[e]nquanto nas situações gerais as alterações se aplicam de plano. como sustenta o administrativista francês. 24 No original de LAUBADÈRE: “[l]es situations individuelles ne se rencontrent jamais à l’état pur. 1. Por certo que as situações individuais ou subjetivas jamais se encontram em estado puro.981. Elles sont toujours em réalité des situations plus ou moins mixtes. p. pp. modelando-se pelo ato individual. 17.. legais ou regulamentares --. [ii] situações individuais ou subjetivas. em que o conteúdo da situação é específico para cada qual. alcançando os que nela estão Traité de droit constitutionnel. Editora Revista dos Tribunais. c’èst-à-dire qu’elles comportent toujours certaisn elements determines par des dispositions générales et imperatives de la loi” [ob.. um locatário.]. 106-111.por vezes denominadas estatutárias ou objetivas. São Paulo. aí o caso. 2éme edition. p. v. 1. de um credor.105 / DF [i] as situações jurídicas gerais e impessoais --.cujo conteúdo é necessariamente o mesmo para todos os indivíduos que dela são titulares. inevitavelmente comportam alguns elementos fixados por disposições gerais24. visto que.. cit.921.g. 25 Ato Administrativo e Direito dos Administrados. cujo conteúdo é individualmente determinado e pode variar de um para outro titular. um devedor. Ancienne Librairie Fontemoing & Cie.Supremo Tribunal Federal ADI 3. I. a par dos aspectos subjetivos individuais oriundos do ato individual que as cria. que enfatiza a circunstância de essa distinção. Paris. A exposição de LAUBADÈRE é sintetizada por CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO25. 23 . 254-255.

003. in Aspectos controvertidos do novo Código Civil. Elles sont.105 / DF investidos. ‘intangibles’ ” [cit. No mesmo sentido. o direito adquirido em situação geral. 28 Introdução ao direito e ao discurso legitimador. as situações individuais e subjetivas permanecem intangíveis.. cit. p. Coimbra. mas apenas aparente. aliás.Supremo Tribunal Federal ADI 3. como enfatiza OSWALDO ARANHA BANDEIRA DE MELLO.235. No original de LAUBADÈRE: “Au contraire. intactas”26. autrement dit du problème de la non-rétroactivité des lois” [idem. JOÃO BAPTISTA MACHADO28. no segundo. estatutária.. 30 “As situações estatutárias se estendem a número indeterminado de sujeitos e são mutáveis segundo a alteração das regras jurídicas que 26 .Isso explica aparente. No primeiro caso considerou-se o ato jurídico perfeito em situação individual. subjetiva ou contratual. 2. 18]. 107. 234 e ss. 2. São Paulo. Ob. Editora Revista dos Tribunais. [coordenadores Arruda Alvim et alii]. é a imediata alterabilidade das situações gerais e a intangibilidade das situações individuais30. O que é relevante para os fatos.216. institucional. . XXXVI. contradição entre as posições assumidas pelos Ministros MOREIRA ALVES e CELSO DE MELLO no julgamento da ADI 493 e do MS 21. 27 “On voit que la distinction fournit ainsi le critère technique de solution du problème de l’application des lois dans le temps. 5º. 12a reimpressão. afastandose a incidência do preceito constitucional inscrito no art. p. p. A distinção fornece o critério para solução do problema da aplicação da não-retroatividade das leis27.000. apartando o “estatuto contratual” [ou “pessoal”] do “estatuto legal” [ou “real”]. de cuja exposição se vale GILMAR FERREIRA MENDES29. 7. p. les situations individuelles et subjectives ne sont pas touchées par les modifications des lois et règlements parce que leur contenu n’a pas été determine par ceux-ci. ibidem]. 29 “Anotações sobre o princípio do direito adquirido tendo em vista a aplicação do novo Código Civil”. dit-on parfois.

obedientes às regras que permitiram a sua criação.permitirá a superação da complexidade da matéria. Já as situações individuais se referem apenas a especificados sujeitos.105 / DF 8.facta praeterita/facta futura/facta pendentia e situações individuais/situações estatutárias ou institucionais --. Tratando do tema. em nome do direito adquirido ou do ato jurídico perfeito. a regulam. de modo determinado. Min. reversamente. Eros Grau: Está no ‘Ato administrativo e direito dos administrados’. se a legislação posterior a seu casamento viesse a extinguir este instituto jurídico? Ou. cit. Nelson Jobim: A citação do Professor Celso Antônio é do parecerista ou do escritor? Min.Supremo Tribunal Federal ADI 3. teria direito adquirido à indissolubilidade de vínculo se lei nova estabelecer o divórcio?". argüindo direito adquirido àquelas normas que vigiam à época em que se tornou contribuinte pela primeira vez? Teria sentido invocar direito adquirido para obstar a aplicação de novas regras concernentes ao serviço militar.” [Princípios gerais de direito administrativo. 110.979. Forense. adicionais etc. 2ª ed. Min. 1. quais as concernentes às licenças. p. em determinado ponto de sua exposição indaga CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO31: "Teria sentido alguém pretender se opor à alteração das regras do imposto de renda. 31 Ob. Carlos Britto: É obra acadêmica. Rio de Janeiro. argumentando que o regime vigorante era mais suave quando o convocado completou 18 anos? Acaso poderia um funcionário.A ponderação dos critérios acima explorados --. Min. . garantir para si a sobrevivência das regras funcionais vigentes ao tempo em que ingressou no serviço público. 425].. Nelson Jobim: Obrigado. .? Seria viável alguém invocar direito adquirido a divorciar-se. p. Não no parecer. e são inalteráveis por terceiros ou por uma das partes sem a concordância da outra..

85534: “… em se tratando de direito público com referência a regime jurídico estatutário. 9. in RTJ 79/268. RE 82. Retorno a CELSO ANTÔNIO32: “É nítido o discrímen entre ambas as espécies de situações jurídicas e igualmente nítida a imediata aplicação das modificações que incidam sobre as situações gerais. a situação dos aposentados e pensionistas é institucional e.072. in RTJ 108/382.966.Essa conclusão é inteiramente coerente com o entendimento reiteradamente adotado por este Tribunal. in RTJ 183/323. Permito-me retornar. RE 177. RE 99.802. Eros Grau: A situação dos aposentados. . RE 99. de resto. . acima mencionada. RE 99. O artigo 4o da EC 41/03 aplica-se imediatamente sobre tais efeitos. cit. p. in RTJ 143/293.522. neste ponto. RE 92.749.267.881. RE 185. 178. 88/651 RE 99. o que jamais alguém sustentou”.065. ao contrário do que se passa com as subjetivas”. 99/1. não há direito adquirido a esse regime jurídico. 111.594. RE 199. in RDA 145/56-61. no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico33. agora digo eu.638.105 / DF Min. in RTJ 116/1. esse direito para eles será um direito adquirido sob a condição de completarem esses 35 anos de serviço público. como sempre sustentou esta Corte.. in RDA 153/110-113. terão direito à aposentadoria. O direito adquirido que afirmam os autores seria direito à "imutabilidade de um certo regime jurídico". in RTJ 108/785.592. e isso porque pode ele ser alterado ao arbítrio do legislador. RE 146. Por todos. e todos os que ingressarem no serviço público sob a égide de lei que estabeleça que.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Não fora isso. os efeitos que no caso cumpre considerarmos verificam-se de forma sucessiva.753. se vierem a completar trinta e cinco anos.955. o que afirmou MOREIRA ALVES no RE 226. in RTJ 158/228. à proficiente exposição de GILMAR FERREIRA MENDES35. onde colho a 32 33 Ob.

porque na hipótese trata-se de efeitos. Assim. p.80]. com todas as letras: “(. ao disposto no artigo 5o.) O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Na ementa do RE 226. A incidência de contribuição para o custeio da previdência social sobre os proventos dos servidores públicos inativos foi apreciada..Supremo Tribunal Federal ADI 3. é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta Corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. por decorrer da Lei e por ela ser disciplinado. De mais a mais. ou seja. não cabe a alusão. sim. mas. cit. de direitos irradiados de uma situação institucional.232-6. Aposentados e pensionistas são titulares de direito adquirido a perceber aposentadorias e pensões. na qual o papel da vontade é nenhum.05. rel. 10.105 / DF observação de que a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito não obstam a modificação ou a supressão de determinado instituto jurídico.. no caso. em sede de medidas cautelares. RTJ 174/916. Min. mas não ao regime jurídico de umas e outras [RE 92. – Note-se que existem precedentes específicos a serem considerados. estatutária. ao contrário do que sucede com as cadernetas de poupança. no caso. Ob. Não há afronta. 239. nas ADIs 34 35 36 RTJ 174/942. XXXVI da Constituição do Brasil.. a ato jurídico perfeito. MOREIRA ALVES – DJ de 09. . não tem natureza contratual.85536 se pode ler.

neste passo.2002). RTJ 143/684]. Plenário. Plenário. Aliás. – O fato é que as situações jurídicas dos inativos. Essa contribuição é. Permito-me recorrer.105 / DF 1.430 [RTJ 164/98]. julgada em 11. na trilha também do RE 70. observados os limites ditados pela Constituição Federal. com fundamento em norma de caráter legal. 12.441 [RTJ 166/890] e 1. em 29.. IV da Constituição do Brasil. – No que concerne ao argumento da irredutibilidade dos proventos.Passo a cogitar do argumento construído em torno da caracterização da contribuição previdenciária como tributo. RE 146.Supremo Tribunal Federal ADI 3.733. Afasto também a alegada ofensa ao artigo 194.009 (Rel.11. O Pleno desta Corte as indeferiu. 11. Min. o que ninguém contesta [v. ao voto do Ministro CELSO DE MELLO no RE 116. Xavier de Albuquerque. acompanho o voto da eminente Relatora.03. . porém da lei.01037.683: “A Administração Pública.” 13. Os direitos e obrigações de que são titulares não decorrem de ato de vontade. no julgamento da Medida Cautelar na ADI 2. um tributo. . não podendo o servidor a ela estatutariamente vinculado invocar direito adquirido para reivindicar enquadramento diverso daquele determinado pelo Poder Público. p/ o acórdão o Min. julg. assentou-se que “[n]ão 37 Relator o Ministro Celso de Mello (trecho extraído da decisão liminar.010 (rel.04. efetivamente. aposentados e pensionistas são dotadas de caráter institucional.1973) e da ADIMC 2.2004). Celso de Mello. atua de modo discricionário ao instituir o regime jurídico de seus agentes e ao elaborar novos Planos de Carreira. DJ 12.g.

tenho como indispensável. a percepção de uma determinada parcela dos proventos e pensões (cf. Daí. que é cobrada da empresa porque ela é empresa.Supremo Tribunal Federal ADI 3. A contribuição não é devida simplesmente à existência da pessoa. O parecer acostado aos autos. não ser correta a afirmação de que se tributa aposentados por serem aposentados. do que decorreria a sua caracterização como “tributo de capitação”.a cujo conceito se subsumem as contribuições de seguridade social (RTJ 143/648 e RTJ 149/654)”. como acaba de demonstrar o Min. como se lê no parágrafo único do artigo 4o da EC 41/03.diante de um jogo de palavras. relação de causa ou fato gerador material.e “causa” é vocábulo utilizado por JOSÉ AFONSO DA SILVA não no sentido que assume na teoria do negócio . pretensão que vise a obstar o aumento de tributos --. de uma contribuição sem causa [finalidade]. afirma tratar-se.Ademais. A ser assim diríamos que a contribuição previdenciária é cobrada do empregado porque ele é empregado. incidente sobre certa categoria de pessoas. Não haveria. Há aqui. no caso. ao Poder Público. Tributo aplica-se imediatamente. Tem como fato gerador. não confundirmos a causa --. com as devidas vênias ao eminente mestre. A tributação se dá em decorrência da verificação do seu fato gerador. no caso. porém. . 14. – O primeiro diz com seu fato gerador.. no entanto. a percepção de determinada parcela de proventos e pensões. dois aspectos a serem considerados. o parágrafo único do artigo 4o da EC 41/03).105 / DF assiste ao contribuinte o direito de opor. 15. Estaríamos --..estamos --. não ocorre. Isso. do eminente Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA. na contribuição. CEZAR PELUSO.

105 / DF jurídico. segundo JOSÉ AFONSO DA SILVA. nessa emenda constitucional. Após a aposentadoria não haveria mais razão de ser [= causa] para a contribuição. mas como razão de ser. o fato gerador material efetivamente existindo. à moda de von JHERING38 --. seria a referibilidade direta da contribuição a uma atuação concreta-atual ou potencial do Estado. alternativamente. por emenda à Constituição.gênero no qual incluídas as aposentadorias e pensões. 8. que trata de outra matéria. a causa é moldada. conformada pela lei.não confundirmos a causa da contribuição com o seu fato gerador. o fato gerador é a percepção do benefício. reside na lei --. eleger a percepção do provento ou da pensão como hipótese de incidência da contribuição. p. como o fez. Druck und Verlag von Britkopf e Härtel. Mas isso não autoriza a conclusão de que.no caso. ou não existe o fato gerador. o provento ou a pensão. Leipzig. sustenta-se que não se teria. poderíamos dizer que. uma contribuição previdenciária.De outra banda. então. § 2o. no caso dos inativos. . indicar-se como preceito constitucional violado o artigo 155. O que explica a confusão entre o fato gerador e a causa [= finalidade] da contribuição é a circunstância de o primeiro ser o provento ou a pensão e a segunda ser o benefício --. mas um bis in idem de caráter discriminatório.984. A emenda constitucional poderia. Isso compreendido. finalidade. a causa [= razão de ser da contribuição]. 38 . 16. I. A causa [= razão de ser da contribuição]. VIII. como será visto mais adiante. Erster Band.assim designado pela Lei n. E razão de ser para ela há. Não obstante. zweite umgearbeitete Auflage.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ou não existe a causa. equivocadamente. 1. Der Zweck im Recht. nas situações institucionais.213/91 --. Anoto parenteticamente o fato de.

o bis in idem. nada mais estaria a fazer senão a insistir em política de incidência da própria contribuição previdenciária e do imposto de renda sobre o lucro do empregador (artigo 195. da Constituição vigente correspondia ao atual art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Ora. quanto ao bis in idem. no sentido de decretação do mesmo imposto duas vezes pelo governo competente. ALIOMAR BALEEIRO (RE 77. do Distrito Federal ou dos Municípios. cuja incidência seja definida em lei federal.131. III da Constituição do Brasil). 18. DJ 06. desde que não tenham base de cálculo e fato gerador idênticos aos dos previstos nesta Constituição instituir outros impostos. além dos mencionados nos artigos 21 e 22 e que não sejam da competência tributária privativa dos Estados. I da Constituição proíbe é a instituição. lembro. IV da Constituição]. 17. ainda que represente.” .. 154. O que o artigo 154.105 / DF Retomando porém o fio da minha exposição. o art. Não há óbice jurídico.no exercício de competência residual. aliás não demonstrada. à opção por essa política. a observação do Min. imposto instituído por emenda constitucional é imposto discriminado na Constituição. pela União. § 5º. a saber: “A União poderá. assim como transferir-lhes o exercício da competência residual em relação a impostos.1974]: “. – Afasto também a alegação de confisco [artigo 150.não por emenda constitucional -. uma política legislativa má”39. c e 153..11. 39 Note-se que à época do referido acórdão. mediante lei complementar --. quase sempre. pode ser constitucional em muitos casos. no Brasil. de impostos cumulativos e que tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição. I da Constituição do Brasil. porém. I. A admitir-se que a Emenda Constitucional 41/03 contempla bis in idem.

a fim de resguardar-se o interesse público e a continuidade da prestação por parte do Estado. 18. sua incidência sobre aposentadorias e pensões importaria quebra de sinalagma. Padova.002. do ut facias. 667). facio ut des]41.. 364 e s. 40 . 3ª ed. adstrita a normas cogentes de Direito Administrativo. porém correta a suposição de que a relação previdenciária seja dotada de caráter sinalagmático. CEDAM. Contratos sinalagmáticos caracterizam-se pela circunstância de a prestação de cada uma das partes encontrar sua justificativa e seu fundamento na prestação da contraparte [do ut des. entre a prestação e a contraprestação (obligatio ultro citroque). p. Torino. – O segundo aspecto diz com a afirmação de que. na síntese de TRABUCCHI40.. facio ut facias. 41 PAOLO GALLO. embora a contribuição seja um tributo. na hipótese.que assume relevância tanto no momento da conclusão do contrato Istituzioni di diritto civile. O sinalagma é. o liame recíproco que existe em alguns contratos.997. – O que há. 19. Diritto Privato. sendo perfeitamente possível a revisão de suas regras. 1..Supremo Tribunal Federal ADI 3. visto serem contribuintes da contribuição previdenciária.. 2. 37ª ed. Giappichelli. É no quadro desta relação que haveria de ser considerada a referibilidade direta da contribuição a uma atuação concreta-atual ou potencial do Estado. Não é.105 / DF A entender-se que os inativos estariam gravados por um tributo confiscatório seríamos forçados a sustentar que os servidores ativos estariam também onerados pelo mesmo efeito. Essa ligação funcional entre as duas prestações --. é relação institucional.

cit. Contratos.. nos quais. Tutti i contratti corrispettivi sono onerosi."nos contratos bilaterais.991. Mas o sinalagma não significa real e objetiva equivalência entre prestação e contraprestação. 46 Ob. ma la proposizione inversa non vale. está a pagá-la com um sacrifício que é visto pelos sujeitos do negócio como correspondente”. como explica TRABUCCHI: “La distinzione tra contratti unilaterali e corrispettivi non coincide con quella tra contratti onerosi e contratti gratuiti (. Fonte das obrigações. 1. pelo que.976. E prossegue46: “no negócio oneroso as partes estão de acordo em que a vantagem que cada uma visa obter é contrabalançada por um sacrifício que está numa relação de estrita causalidade com aquela vantagem”.como observa SERPA LOPES47 --. 31. 1. o que prepondera é a vinculação de uma prestação a outra. característico do sinalagma. Rio de Janeiro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. come il mutuo. Efetivamente --. 4ª ed. se cada parte obtém da outra uma vantagem.a “falta de equivalência objetiva ou usual das atribuições patrimoniais”. pp. il deposito. genético para uns (vinculação originária das prestações). Coimbra Editora. Coimbra. sendo possível --ainda a dicção de MOTA PINTO45 --. 45 Idem. ibidem... 47 Curso de direito civil. p. cit. Não obstante.). ibidem. funcional para outros (vinculação na execução das obrigações)”. Idem. v.105 / DF [sinalagma genético] quanto no momento da sua execução [sinalagma funcional]42 --. il mandato” [ob.. 43 42 . na dicção de MOTA PINTO44.é típica dos contratos onerosos43.. “cada uma das prestações ou atribuições patrimoniais é o correspectivo (a contrapartida) da outra. III. 669-670 (negrito no original). perchè onerosi possono essere anche alcuni contratti unilaterali. Freitas Bastos. 279. p. p. 279. 44 Teoria geral do direito civil.

Supremo Tribunal Federal ADI 3. nos termos da lei. Não há. A relação previdenciária decorre da lei. não decorre de nenhum ato de vontade. visto que ela. encontra-se em situação de dever. relação contratual. Não é titular de quaisquer direitos no bojo dessa relação. cujo outro pólo é ocupado pelo aposentado ou pelo pensionista. de resto. no sentido obrigacional.seríamos compelidos a. cogitar da sua revisão. Não cumpre prestação. ainda que nela sejam apontados traços similares aos de um contrato. mas da lei --. no caso da relação previdenciária. O conteúdo das prestações. nas circunstâncias de fato presentes. admissível em ADI. – Além de tudo. no entanto. sinalagma entre dever e obrigação. dele não sendo possível exigir-se o impossível. nem pode haver. é conformado pela lei.105 / DF Não há sinalagma no caso. próprio à teoria geral dos contratos. sem querer [= vontade] a caracterizá-la. Sem penetrar considerações atuariais --. relação previdenciária. – Pois é certo que o Estado. 20. O Estado. o que nos conduziria a indagar do rompimento ou não rompimento do equilíbrio econômico da relação. menos ainda contrato bilateral oneroso que o tenha estabelecido. nessa relação. nele. está vinculado pelo dever de pagar aposentadorias e pensões. é de ser presumida --.anoto que o Estado está vinculado pelo dever de pagar aquelas aposentadorias e pensões. 21.cuja veracidade. a atribuirmos caráter contratual à relação previdenciária --. Isso não seria. Sinalagma é liame entre obrigação e obrigação.e o faço apenas para argumentar. . na relação previdenciária. Mas não há sinalagma a justificá-la. visto inexistir.

pode apenas conservar. 48 . p.e mais ainda emenda constitucional --aplica-se imediatamente. por um jovem jurista italiano. 111. como observa FRANZ NEUMANN48. p. Ademais. no sentido literal do termo. salvo se o regime do segundo não pudesse ter sido alterado. de atos jurídicos perfeitos.o paralelismo perece. cuja evolução autoriza a modificação substancial de cláusulas de contratos em pleno vigor. a percepção do benefício pode perfeitamente ser eleita pelo direito como sua hipótese de incidência. pois até mesmo para tanto será preciso mudar. O paralelo entre sistema estatutário [ativos versus inativos] e sistema previdenciário [contribuintes versus beneficiários] não me parece adequado.. ‘redescoberta’ em 1.pois não há direito adquirido a regime jurídico --.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Glencoe. assim. cit.. vimos acima. 22. na linha de pensamento do eminente The Democratic and The Authoritarian State. 1. The Free Press. OSTI (. E. A propósito.)”. que a tese da quebra de sinalagma na relação previdenciária não é sustentável. diz ele ser nítida a “imediata aplicação das modificações [inclusive de ordem tributária.. completo eu. Estamos diante de tributo cujo fato gerador é a percepção de determinada parcela de proventos e pensões. – Vê-se para logo. 49 Ob.105 / DF Ainda assim --. nenhum sistema social. à qual a lei --.912.o ato jurídico perfeito cederia diante da teoria da imprevisão.lembro aqui voto do Ministro PAULO BROSSARD na ADI 493 --.172. Palavras do Ministro BROSSARD: “É interessante que a velha cláusula medieval da ‘rebus sic stantibus’ tivesse sido. Como isso pode se dar --.957. A contribuição tem de ser considerada no quadro dessa relação. retornando a CELSO ANTÔNIO49. nem mesmo o mais conservador.

. em qualquer das disposições veiculadas pelo artigo 201.é a instituição de outra fonte de custeio para garantir a manutenção de benefício da seguridade [para o que era exigido apenas lei complementar --artigo 195. Os benefícios da previdência social estão previstos no capítulo da Seguridade Social. pois. não se justifica a instituição (ou a majoração) da contribuição de seguridade social. correlação entre custo e benefício”. no qual a afirmação de que o § 5o do artigo 195 da Constituição ensejaria a conclusão de que a instituição de nova exação previdenciária apenas se justificaria desde que estabelecido novo benefício. contudo. necessariamente. nenhuma garantia de que.” e o § 5º desse artigo apenas impõe ao legislador a vedação de ser criado.é financiada por toda a sociedade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. concretizada a percepção . não procede no regime instalado pelo artigo 195.O artigo 195 da Constituição do Brasil dispõe que “a seguridade será financiada por toda a sociedade. § 4º].. – Passo a outro capítulo.01 foi dito que “[s]em causa eficiente. O raciocínio.repita-se --. No julgamento da ADI 2. 23. de caráter contribuinte e solidário. no regime de previdência de caráter contributivo deve haver. O que se tem --. majorado ou estendido benefício ou serviço da seguridade social sem a correspondente fonte de custeio.. caput da Constituição. O benefício (da aposentadoria) já está criado. 24. que --. Não há. Esta não é a hipótese.isso poderia ser dito --.105 / DF professor da PUC de São Paulo] que incidam sobre as situações gerais”.

no sentido de que a cada contribuição criada deva corresponder um benefício específico. 195 da Constituição do Brasil. Isso assim não pode ser. Em nenhum momento o preceito assegura que. ele seria titular de direito a não mais contribuir. menção à situação inversa. De mais a mais --. Insisto em que a interpretação a contrario sensu só teria sentido em um sistema exclusivamente contributivo. O artigo 201.não é admissível a instalação de sinalagma na relação previdenciária. Por outro lado. – O raciocínio que estou a recusar parte de uma leitura invertida do preceito contido no § 5º do art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. por haver se aposentado. é bem sabido que a aposentadoria é apenas um dos benefícios da previdência social. etc.já aquietado na . o que estaria sendo pretendido mediante a prática dessa leitura. dado que o servidor.auxílio-reclusão. visto que a correlação presente neste dispositivo tem apenas uma via. Isso é bem nítido também. salvo se pretendêssemos voltar ao passado. não está excluído da fruição de outros benefícios previdenciários mantidos pela seguridade social. Ademais. a de que nenhum benefício será instituído sem fonte de custeio. ou seja. somente deixou assente a partir de que momento estava assegurada a aposentadoria --. 25. § 7º ao conjugar contribuição e idade.apenas fixou os requisitos a serem atendidos para que o servidor possa aposentar-se. no texto constitucional. E que não há.105 / DF de qualquer benefício previdenciário --. cumpridos esses requisitos. o fato de ser assegurado o direito à inativação remunerada somente após longo período de contribuição não significa exaurimento da obrigação de contribuição para a seguridade social. para reproduzir o debate --.e neste passo retorno ao quanto anteriormente observado --. --deixaria de ser exigida qualquer contribuição.

§ 11) e a pensão por morte do servidor não poderá ser superior à remuneração percebida pelo de cujus (artigo 40.a propósito da natureza da relação de emprego público. . como observam os Ministros MOREIRA ALVES e CELSO DE MELLO nos arestos acima mencionados.01. veja-se a EC 20/98). estadual ou municipal) que sairão os recursos para pagá-lo. à Administração. 50 DJ 08.Supremo Tribunal Federal ADI 3. enquanto ativo. há muito vencida pela teoria estatutária [ver. § 2º. Lembre-se que o servidor. não perde o vínculo que o jungia. 26.988 na medida em que ela define que os proventos de aposentadoria e as pensões não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão (Constituição do Brasil.1953. Os proventos de sua aposentadoria estão sujeitos ao teto de vencimentos fixado para a Administração Pública em geral (artigo 40. – Passo a tratar do tema da igualdade. – Insisto em que essas relações decorrem da lei e não de qualquer ato de vontade.105 / DF doutrina e na jurisprudência --. Essa vinculação é transferida para o pensionista. A contribuição exigida do servidor em atividade é condição de sua aposentadoria. com opção pela teoria contratual. 27. artigo 40. por todos. RE 20. estando positivada na Constituição de 1. § 2º). ao aposentar-se.988/SP50]. eis que é dela (federal. bem assim da pensão por morte devida aos seus dependentes.

Observa FRANCISCO CAMPOS (Direito Administrativo. ao passo que a igualdade --. Dizendo-o de outro modo. igualdade e . o primeiro subordina a realidade a um imperativo destinado a transformá-la. Ao passo que o princípio absoluto de igualdade tem por fim alterar a estrutura social. vol. Reunidos os dois princípios. sed generaliter constituuntur52. sem qualquer qualificação ou restrição. tout court --.105 / DF A igualdade51 se expressa em isonomia [= garantia de condições idênticas asseguradas ao sujeito de direito em igualdade de condições com outro] e na vedação de privilégios. que o princípio da igualdade perante a lei consubstancia norma jurídica. pág. 2a edição. 78-79). as circunstâncias que condicionam efetivamente essas relações ou que não disponha de modo diferente para casos idênticos ou iguais.Supremo Tribunal Federal ADI 3. nem procure igualar o que é. ao contrário. 1. ao regular as relações humanas. existem entre os homens. singelamente. São Paulo. Decorreria da universalidade das leis --. despido porém de conteúdo deontológico (vide meu O direito posto e o direito pressuposto. 10. mas se limita a determinar que a lei tenha em conta. Êle não pretende alterar as relações efetivamente existentes entre os homens. 1. 3.ULPIANO.ou princípio da igualdade. 188) ser necessário não confundirmos o princípio da igualdade perante a lei com o princípio da igualdade. 8. 51 . O princípio de igualdade perante a lei. 52 . efetivamente. tem conteúdo restrito. cit. o segundo é uma regra de direito positivo. II.998. o princípio de igualdade perante a lei visa tão sòmente assegurar o reconhecimento pela lei das igualdades ou desigualdades que.. o segundo um mandamento jurídico de conteúdo limitado e concreto e de valor positivo. ou enunciado em termos gerais e absolutos.é expressão de um valor. uma aspiração ou um postulado contrário às condições efetivamente existentes na sociedade: êle parte do reconhecimento da existência de desigualdades de fato entre os homens para postular a modificação das relações humanas no sentido de tornar iguais os indivíduos que são efetivamente desiguais.jura non in singulas personas. destinada a limitar ou restringir a ação da lei aos dados da realidade". Malheiros Editores. O segundo "representa um ideal. págs. Há uma relação polêmica entre o princípio absoluto de igualdade e o fato das desigualdades reinantes entre os homens. O primeiro é uma ideologia. desigual. intervindo nela para o efeito de suprimir as desigualdades existentes. efetivamente. afirmarei.

o que importa em que todos devam ser tratados de modo igual pelo legislador56. 1.963... Armenio Amado.Cf.960. São Paulo. págs. não alcançando o legislador54. Theorie der Grundrechte. o que despertou acesa crítica de KELSEN55. próprio ao modo de produção capitalista.Vide.105 / DF universalidade das leis. Após passou ele a ser tomado também como determinação de igualdade na formulação do direito. 54 . obrigado a aplicá-la de acôrdo com os critérios constantes da própria lei". respeitei a ortografia do original. contudo. 1o vol. necessàriamente. pág. Suhrkamp. Tal como inscrito nos primeiros textos constitucionais. O Direito e a vida dos direitos. 1. A anotação de FRANCISCO CAMPOS57 a propósito é primorosa: "O mandamento da Constituição se dirige particularmente ao legislador e. Frankfurt am Main. pág. 188. Esse direito pode ser descrito como um universo no qual se movimentam sujeitos jurídicos dotados de igualdade [perante a lei]. cit. II. o princípio da igualdade foi interpretado exclusivamente como determinação de igualdade na aplicação do direito. Por isso mesmo as normas jurídicas que compõem esse direito são abstratas e gerais. 189-191. Livraria Freitas Bastos S/A. 56 . . pág. 1. pág. Rio de Janeiro. decisivamente. 55 . 53 . A igualdade contribui. ROBERT ALEXY. 66. por todos. O executor da lei já está. Nem sempre foi assim.. VICENTE RÁO. FRANCISCO CAMPOS. sòmente êle poderá ser o destinatário útil de tal mandamento. 17 e ss. Direito Administrativo. 57 . Essa determinação vincularia unicamente os órgãos que aplicam o direito. efetivamente.Neste sentido. 357 e ss.Direito Constitucional. vol. e Direito Constitucional. Max Limonad. págs. condição necessária a que ele adequadamente viabilize a fluência das relações de mercado. na prática da liberdade de contratar.Supremo Tribunal Federal ADI 3. para conformar o chamado direito moderno. cit. assim se traduzem: a lei é igual para todos e todos são iguais perante a lei53. Coimbra. 210. tratando do direito alemão. 1.956.A Justiça e o Direito Natural.986.

Política. Vale dizer: o direito deve distinguir pessoas e situações distintas entre si.Idem. 61 . . págs.crucial --. apenas há homens iguais (ou circunstâncias externas iguais). até porque --. ARISTÓTELES. 1. E prossegue.a igualdade consiste em dar tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais. 59 . tem de haver uma norma . Por isso. por outras palavras. 70/71. Editora Revista dos Tribunais.é a seguinte. adiante61.Supremo Tribunal Federal ADI 3. cit.PLATÃO. . sem quebra e agressão aos objetivos transfundidos no princípio constitucional da isonomia?".Tudo se torna mais claro na medida em que considerarmos o quanto afirma KELSEN60: "os homens (assim como as circunstâncias externas) apenas podem ser considerados como iguais.105 / DF 28.A concreção do princípio da igualdade reclama a prévia determinação de quais sejam os iguais e quais os desiguais. na dicção de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO59: "Afinal. 29. todos são iguais e tudo é igual". observando que o princípio "postula não apenas um tratamento igual mas também um tratamento desigual. 67. 58 .978. a fim de conferir tratamentos normativos diversos a pessoas e a situações que não sejam iguais.O conteúdo jurídico do princípio da igualdade. São Paulo. que espécie de igualdade veda e que tipo de desigualdade faculta a discriminação de situações e de pessoas. ou. Se não há que tomar em conta quaisquer desigualdades sejam elas quais forem. desde PLATÃO e ARISTÓTELES58 --. V 6 (1131a).. págs.Ob. Leis. 15/16. A questão que fica --. III 9 (1280a) e Etica a Nicômano. 60 . na medida em que as desigualdades que de facto entre eles existem não sejam tomadas em consideração. VI 757.e isso é repetido quase que automaticamente. pág.

105 / DF correspondente a este princípio que expressamente defina certas qualidades em relação às quais as desigualdades hão-de ser tidas em conta. de todo em todo. distinguir situações. 135): "É antes mister. procurar entender. seja . portanto. Konrad Hesse. obviamente. portanto. a jurisprudência do Tribunal Constitucional alemão toma como fio condutor o seguinte: "a máxima da igualdade é violada quando para a diferenciação legal ou para o tratamento legal igual não seja possível encontrar uma razão razoável. indivíduos 'iguais'. pág. Saraiva. afim de que as desigualdades em relação às outras qualidades possam permanecer irrelevantes. de alguma forma. 62 . 'Iguais' são aqueles indivíduos que. nenhum problema jurídico a resolver. logicamente. entre uma hipótese de incidência e outra". Se duas situações a serem normadas ou decididas fossem idênticas. E o poderem. quer de aplicação da lei. é a consequência do facto de que. alguma diferença entre uma situação e outra. a fim de conferir a um tratamento diverso do que atribui a outra. Por isso mesmo pode.sem violação do princípio da igualdade. a fim de que possam haver de todo em todo.Supremo Tribunal Federal ADI 3. preliminarmente. o que seja a igualdade jurídica. Para que possa fazê-lo.como qualquer outro texto normativo --. é necessário que a discriminação guarde compatibilidade com o conteúdo do princípio. Procurando dar resposta à indagação à respeito de quais situações e pessoas podem ser discriminadas sem quebra e agressão aos objetivos transfundidos no princípio constitucional da isonomia. A igualdade jurídica supõe. sem que tal violação se manifeste. se não todas. pelo menos certas desigualdades não são consideradas" (grifo no original)62. como salienta o Prof.Daí a observação de FÁBIO KONDER COMPARATO (Direito Público Estudos e Pareceres. em relação às qualidades assim determinadas. a lei --. São Paulo. que surja da natureza da coisa ou que. que não se confunde com a identidade. 1. não haveria. contudo. não são desiguais.996. existir indivíduos 'iguais'. quer de legislação.

como anota ANTÔNIO ROBERTO SAMPAIO DÓRIA65. para a diferenciação legal. . pois. o poder tributário se há de exercitar com justiça"66.Idem. ROBERT ALEXY. 65 . aqui tomada como isonomia tributária. pela conclusão de que a taxação deve ser idêntica para as pessoas ou atividades igualmente situadas e desigual para aquelas que entre si desigualem e. 1. Essa reiteração da isonomia no setor tributário não é redundante ou supérflua. de alguma forma.988.. seja concretamente compreensível"64.105 / DF compreensível. 66 . cit. dado que aqui. pág.Prossegue o autor (ob. mas também é afirmada como uma das limitações constitucionais ao poder de tributar. se possível. II contempla a igualdade. pág. 366. na esfera tributária. quando a disposição tenha de ser qualificada de arbitrária"63. 370. Todas as observações atinentes à igualdade. não obstante se amoldam ao instituto da isonomia tributária. a vedação da discriminação entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente não consubstancia apenas um direito fundamental. como contemplada no artigo 5o. pág. alguma razão razoável que surja da natureza das coisas ou que. a exigência de igualdade fiscal deve "se conformar e harmonizar com as desigualdades econômicas. Dir-se-á. ou de outra natureza. idem): "Esta concepção do princípio da igualdade exprime-se. 30. . isto é. São Paulo. ob. também o seu artigo 150. 63 64 . cit.Além do artigo 5o da Constituição de 1. . que uma discriminação será arbitrária quando "não seja possível encontrar. Editora Revista dos Tribunais. 193..Cf. em função das quais.Supremo Tribunal Federal ADI 3.964.Princípios Constitucionais Tributários e a Cláusula Due Process of Law. nesse artigo 150. Assim. e sómente delas. na exata medida da desigualdade apurada".

Sustenta-se. Busca-se restabelecer a proporção adequada de suas participações no sistema previdenciário. Os servidores aposentados antes da vigência da EC 41/03 contribuíram em menor monta. discrimina os servidores inativados anteriormente à publicação da Emenda daqueles que vierem a aposentar-se a partir de sua vigência. Demonstrou-o em seu voto o Ministro Cezar Peluso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. inteligente. em nada contribuíram. José Afonso da Silva. 67 68 . ao acrescentar o § 18 ao artigo 40 da Constituição do Brasil. antes da EC 20/98.Considero os fatores alinhados por SAMPAIO DÓRIA. visto serem. da Suprema Corte norte-americana. E os seguintes fatores devem ser considerados: a) razoabilidade da discriminação. baseada em diferenças reais entre as pessoas ou objetos taxados. de bom senso e civilizado possa racionalmente prestigiar"67. pág. 32. aludindo ao Justice BRANDEIS. com esteio no parecer do Prof. 195. .Idem.. pág.Ob. 31. A discriminação é razoável. b) existência de objetivo que justifique a discriminação.105 / DF Quanto à indagação à respeito de quais contribuintes podem ser discriminados sem quebra e agressão aos objetivos da isonomia tributária. . . insiste SAMPAIO DÓRIA em que se exige meramente que a discriminação seja razoável. todos eles. aposentados ou pensionistas da previdência social. cit. c) nexo lógico entre o objetivo perseguido e a discriminação que permitirá alcançá-lo68. – O artigo 1º da EC 41/03. sendo razoável a "classificação que um homem bem informado. que esse discrímen não poderia ter sido adotado. 196.

tornando-se efetivos. Os incisos I e II do parágrafo único do art. 34. sem relação com o universal [= com a vontade universal]. E isso mesmo porque seus interesses pessoais só deixam de ser abstratos. como diria HEGEL. para afirmar-se um tipo especial de imunidade dos inativos à incidência da contribuição. do Distrito Federal e dos Municípios. nem se argumente com a tese dos "direitos humanos". para dar.Supremo Tribunal Federal ADI 3. . quanto a esses incisos. 33. provimento parcial à ação direta. homem considerado como nômada isolada. 4º da EC 41/03 estabelecem patamar diferenciado para a incidência da contribuição. de um lado. 69 “A seguridade social será financiada por toda sociedade”. e. apenas essa concepção justificaria tal imunidade. no seio da comunidade política. dispensando outras considerações. o voto do Ministro CEZAR PELUSO. que os indivíduos não vivem unicamente orientados pelo seu interesse. diz o artigo 195 da Constituição do Brasil. como simples pessoas privadas. Pois é certo que esta encontra seu fundamento no princípio da solidariedade69 e unicamente a concepção do homem separado da comunidade. Acompanho. de outro. nos termos desse voto. – Concluindo. .Outra afronta à isonomia residiria na discriminação entre os servidores aposentados e pensionistas dos Estados-membros.105 / DF Há objetivo que justifica a discriminação e nexo lógico entre o objetivo perseguido e a discriminação que permitirá alcançálo. os da União. fechada sobre si própria. A dignidade da pessoa humana somente poderá tornar-se concreta na medida em que se compreenda que o destino dos indivíduos está em participarem de uma vida coletiva. ensimesmado. preocupado apenas com o seu interesse pessoal.

1. OCTÁVIO GALLOTTI. 35. por exemplo.. 137-138.l.789. rejeito a argüição de inconstitucionalidade e julgo improcedente a ação direta. 70 . não se justifica essa vantagem contra o direito comum71.Supremo Tribunal Federal ADI 3.441. mais toujours contre le droit commun”. Estados-membros e Municípios. nos casos da imunidade parlamentar e da imunidade tributária de que gozam reciprocamente União. salvo exclusivamente no que respeita aos incisos do parágrafo único do artigo 4º da EC 41/03. Ainda que não se tome em conta considerações puramente atuariais na discussão da matéria. já a fizera o Min. como se dá.Com esteio em todos esses argumentos. . A menção a pretendida imunidade como tal. avec des obfervations relatives aux circonftances actuelles. 71 Um autor anônimo do século XVII (Droit public de la province de Bretagne. pp. s.105 / DF De modo que essa imunidade70 corresponderia a um privilégio que não se justifica por referência ao bem comum. nota de rodapé) referia: “Qu’eft-ce qu’un Privilége? C’eft un avantage que le Prince accorde gratuitement ou à prix d’argent. no julgamento da medida cautelar na ADI 1.

tal como se verifica nas ações diretas em exame. uma expressa rejeição a uma utilização demagógica e “eleitoreira” de um pleito defendido por um setor expressivo da nossa sociedade.105-8 DISTRITO FEDERAL (42) MENDES GILMAR - Voto V O T O O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES – RELATOR: Introdução: Interpretação do texto constitucional anterior à Emenda 41 Com a instituição da contribuição dos inativos. e o ajuizamento da presente ação direta a impugnar a referida Emenda. na parte em que institui a contribuição dos inativos. pelas vias democráticas. esta Corte novamente está diante de questão bastante sensível e que tem gerado debates acalorados na sociedade brasileira. . Como já assinalei. E obviamente não se pode menoscabar. Faço tal observação apenas para registrar. além de uma questão jurídica relevante. pela Emenda Constitucional no 41. o impacto de tal medida no orçamento individual dos pensionistas e inativos. certamente. de iniciativa do Governo Lula. infelizmente. esse novo ônus tributário. o tema ora em discussão não é novo nesta Corte. Mas. nesse julgamento público. a par do papel desta Corte em proferir um julgamento a partir de critérios jurídico-constitucionais. a nossa história eleitoral recente mostra um uso demagógico e irresponsável dessa perspectiva dos pensionistas e aposentados que. As críticas à contribuição dos inativos são amplamente conhecidas.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. possuem interesse legítimo em contestar. a ser decidida por esta Corte.

1999. § 6o." (Rel. assim nos manifestamos juntamente com o Prof. Sobre essas decisões. para afastar a . que determinava a revisão compulsória dos proventos dos inativos sempre que houvesse alteração dos vencimentos do pessoal ativo. n. II.96). 36. Com efeito. optando claramente por uma interpretação contextualizada e sistemática da letra constitucional. 40. tornavam legítima a instituição de contribuição social para os servidores inativos e pensionistas.96). Min. por maioria." (Contribuição dos inativos. da incidência de contribuição para o custeio da previdência social. 40. DJ 18. II. em tudo assimétrica. § 12 com o art. Min. Medida cautelar indeferida. IV e 195.441-DF: "Extensão. antes da reforma constitucional de 1998. de argüição de sua incompatibilidade com os artigos 67. Em ambas as decisões. é insuficiente conjugar o disposto no art. Esse entendimento foi ratificado na ADI 1. mas também o art. a. p.105 / DF Este Tribunal. asseverou o Tribunal que não só o art. Revista CONSULEX. Penso que a mesma exegese era aplicável a partir da promulgação da Emenda Constitucional no 20. Octavio Gallotti. já se havia pronunciado no sentido da legitimitidade da cobrança de contribuição social dos inativos e pensionistas. Insuficiente relevância. III. todos da Constituição Federal. 41). Moreira Alves.430 (Rel. que estabelecia a possibilidade de instituição de contribuição social sobre a remuneração. 195. de 1998. DJ 13.10. Assim foi ementada a decisão cautelar proferida nos autos da ADI 1. 195. § 4o.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 194. §§ 5o e 6o. Ives Gandra Martins: "Fica evidente que aqui o Tribunal atribuiu pouco significado à ‘letra da lei’. § 6o. dez.12. aos proventos dos servidores públicos inativos. 40. numa incorporação mecânica e automática da disciplina do Regime Geral de Previdência Social. em juízo provisório e para fins de suspensão liminar. 40.

tal como o antigo § 4o da redação anterior. Asseveramos no mencionado texto: "[." Sem dúvida.Supremo Tribunal Federal ADI 3. os beneficiários do regime da Previdência Social estão submetidos a um teto de R$ 1. com direito à aposentadoria integral e à elevação real do valor dos proventos. Essa imposição é reproduzida no caput do art. observados critérios que preservassem o equilíbrio financeiro e atuarial.. concede o direito de revisão dos proventos toda vez que houver alteração da remuneração do pessoal da ativa. que seu § 3o assegura o direito do servidor a se aposentar com base na última remuneração percebida na ativa (aposentadoria integral) e que o § 8 o do aludido artigo. a redação dada ao caput do art. 14 da Emenda Constitucional no 20.200 e fazem jus a reajustes apenas a recompor o valor real. caput.] Se considerarmos que o art. determina a instituição de um modelo contributivo de previdência do servidor público. Até porque os regimes de aposentadoria dos servidores públicos e o regime geral de Previdência Social continuam antes e depois da revisão constitucional marcadamente distintos. 40. 40 pela Emenda 20 assegurou aos servidores regime de previdência de caráter contributivo. 201 da Constituição. . nos termos do art.105 / DF possibilidade de cobrança de contribuição previdenciária dos inativos e pensionistas. Enquanto os servidores públicos gozam dos benefícios já referidos.. temos de reconhecer que haveria elementos suficientes para manter a jurisprudência firmada em 1996.

110 e 2. A segunda exigência. Com efeito. 40. Informativo n o 181). No que se refere ao equilíbrio atuarial. existem evidentes limites factuais e normativos para a elevação das alíquotas das contribuições previdenciárias dos servidores em atividade. em sua redação anterior à Emenda 41. evidencia-se a importância de que todos os beneficiários do regime de previdência social do servidor público. § 8o. A primeira impõe que as receitas sejam no mínimo equivalentes aos gastos. Rel. ao meu ver. tanto que quando o constituinte intentou alguma diferenciação. que se referia aos "servidores em atividade". determina a adoção de correlação entre os montantes com que contribuem os segurados e os valores que perceberão a título de proventos e pensões. ao empregar o termo genérico "servidor". a ofereceu expressamente. Ocorre que a Constituição já dispõe sobre o valor dos benefícios previdenciários dos servidores públicos. tornando insustentável a vida financeira do indivíduo.111. reconhecido inclusive por este Supremo Tribunal Federal (ADIn's 2.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Sydney Sanches. portanto. anteriormente à Emenda 41. Ademais. Todavia. exige-se uma correlação entre os montantes relativos à contribuição e ao benefício. o valor da contribuição incidente sobre a remuneração dos servidores em atividade não poderia implicar confisco. inclusive os servidores inativos. relativa ao equilíbrio atuarial. a Constituição. resta ao Estado tão-somente disciplinar a questão da contribuição.105 / DF O princípio do "equilíbrio financeiro e atuarial" contém basicamente duas exigências. Min. Destarte. como de fato o fez no art. para se cumprir o mandamento constitucional de preservação do mencionado equilíbrio. assegurando-lhe tanto o equilíbrio financeiro entre receitas e despesas quanto o equilíbrio atuarial entre contribuições e benefícios. e aqui temos o denominado equilíbrio financeiro. Assim. concorram para a solidez e manutenção do sistema previdenciário. já abrangia tanto os servidores ativos como os inativos. nem assumir valores exorbitantes. Assim também o .

204-6: "De fato. de uma regra simples: é que os vencimentos. entretanto. sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade.. A proibição de acumulação de vencimentos com proventos decorre. ao aludir explicitamente aos "servidores públicos inativos". que são percebidos pelos servidores públicos ativos. . inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação de cargo ou função em que se deu a aposentadoria.] Os servidores públicos aposentados não deixam de ser servidores públicos: são como bem afirmou Haroldo Valadão. art. Nesse sentido. sendo também estendidos aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade. servidores públicos inativos. empresas públicas. 40. Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE 163. 20 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 40. sociedades de economia mista e fundações mantidas pelo poder público (CF. decorrem de um exercício atual do cargo. constituem remuneração decorrentes do exercício atual ou passado . § 4o [atual art. na forma da lei' (art. A Constituição estabelece os casos de aposentadoria e o tempo de serviço necessário à sua obtenção (CF. que. ou de empregos e funções em autarquias. XVI e XVII. 40). que ‘os proventos da aposentadoria serão revistos. vale transcrever trecho do voto do Relator.de cargos públicos. inclusive estendeu para aposentados e pensionistas]) [. na mesma proporção e na mesma data.105 / DF art. mais. e art. enquanto os proventos dos aposentados decorrem de um exercício passado. na realidade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. § 8o. A aposentadoria encontra disciplina na Constituição e nas leis dos servidores públicos. estabelecendo. 37. vencimentos e proventos. art. Ambos..

94. da leitura das normas inseridas pela Emenda Constitucional no 20.constituem remuneração decorrente do exercício de cargo público. bem como dos §§ 3o e 7o do mesmo dispositivo.105 / DF 40). em sua redação anterior à Emenda 41. não havia. já no regime anterior à Emenda 41. essa acumulação de vencimentos e proventos incide na regra proibitiva. com repercussões imensuráveis ao equilíbrio do regime de previdência dos servidores públicos. p. ao meu ver. E a Constituição. É o que se extrai do aludido § 8o do art. de 1998. na redação anterior à Emenda 41. está justamente vedando a acumulação remunerada decorrente do exercício de cargos públicos. ao estabelecer que ‘é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos'. antes da Emenda 41." (julg. cabe lembrar.95. no artigo 37. Outrossim. também não diferenciava entre as espécies de servidores. Igualado o tratamento entre servidores ativos e inativos e estabelecido um regime de caráter contributivo.11. observadas as exceções por ela previstas. 07779). Tal entendimento. porque ambos vencimentos e proventos .Supremo Tribunal Federal ADI 3. constatou-se que o constituinte derivado manteve a equiparação entre tratamento dispensado aos servidores em atividade e aquele dos servidores inativos e pensionistas. O § 1o do art. a inexistência de óbice a que os Estados. Por isso mesmo.03. obstáculo constitucional à instituição de contribuição previdenciária aos servidores aposentados. 40. XVI. também não foi acolhido por esta Corte. como de fato tem-se verificado. 149 da Constituição. 09. sob pena de violação ao princípio da isonomia. o Distrito Federal e os Municípios instituíssem contribuição previdenciária sobre os proventos dos seus servidores inativos. DJ 31. Da assimetria previstos entre os regimes previdenciários constitucionalmente . razão pela qual também se sustentou.

XIII. Esse. 40 da Constituição: [transcreve a redação do art. disciplinados em distintas passagens do Este Egrégio Tribunal já reconhecia a diversidade dos regimes quando do julgamento da mencionada ADIn 1. 201. 195. 40. regulado no art. que nenhum liame conservam com os seus empregadores após a rescisão do contrato de trabalho pela aposentadoria. de 1998. são por igual aplicáveis tanto aos servidores ativos como aos inativos. XIV e XVI do art. II. texto constitucional. com algumas alterações de conteúdo]). Não é por outro motivo que interdições. tais incisos mantiveram a mesma numeração. na verdade. 40 do § 40. é um argumento formulado antes da edição da Emenda 41 e que ora se renova. na qual assim se manifestou o Ministro Relator: "Ao contrário dos trabalhadores na iniciativa privada. bem como a de acumulação remunerada (incisos XI. atual § 8°] . teria concedido imunidade à cobrança de contribuição previdenciária dos inativos. § 12 com o art.105 / DF Poder-se-ia argumentar que a combinação do estabelecido no art. com a pessoa jurídica de direito público para que hajam trabalhado. entre vencimentos e proventos. 37 da Constituição [com a EC n o 20.Supremo Tribunal Federal ADI 3.441-DF. tais como a imposição do teto de remuneração e as proibições de vinculação ou equiparação de vencimentos do cômputo de acréscimos pecuniários percebidos ao mesmo título. é realçada pela disposição do § 4° do art. no silêncio da Constituição. Essa perfeita simetria. Ocorre que o regime de previdência dos servidores públicos não se confunde com regime geral de Previdência Social. preservam os servidores aposentados um remarcado vínculo de índole financeira.

no que couber. enquanto para estes últimos é somente estatuída a preservação do valor real estendidos do benefício original. de 1998. pelas razões já expostas. § aos segurados do regime geral Previdência Social. e até mesmo decorrentes de transformação ou reclassificação do cargo ou função. 40. cujos proventos são suscetíveis. § 12 dispõe que ao regime de previdência dos servidores públicos aplicam-se. não apenas da sua representacão monetária. uma vez que as vantagens percebidas pelo servidor aposentado em muito se afastam das do beneficiário do regime geral de previdência social. portanto. não é minimamente razoável a tese da absoluta impossibilidade de cobrança . da públicos." E arremata o eminente Ministro Octavio Gallotti: "Dita correlação. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. 201. Ora. são àqueles quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos funcionários em atividade." [sem grifos no original] Essa é a interpretação que considero adequada. só é possível se compatível com as prescrições daquele. e ver-se-á que. compromete o argumento dos requerentes. de elevacão do próprio valor intrínseco. como sucede com os trabalhadores em geral. no sentido de que não existiria causa eficiente para a cobrança de contribuicões de aposentado. Essa aplicação subsidiária das regras deste regime. capaz de assegurar aos inativos aumentos reais.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O art. já a partir da EC n° 20. com a do art.105 / DF Contraste-se servidores destinada essa norma. como se viu. até os motivados pela alteração das atribuições do cargo em atividade. concernente aos 2°.

isentando-se os servidores inativos e pensionistas. A Emenda 41 A decisão cautelar proferida por esta Corte nos autos da ADI 2010. agora acrescidos da alegada violação a cláusulas pétreas. que não se compatibiliza com o princípio central da igualdade e com o postulado da justiça social constantes do texto constitucional". uma vez que foi introduzido por emenda constitucional. Renovam-se. ainda que se considerasse que a Emenda 20 teria criado uma imunidade (antes certamente não havia). o tema não teria por isso status de cláusula pétrea. levando a uma "soma de felicidades". conforme enfatizávamos. implicando uma ampliação ainda maior das desigualdades entre os beneficiários dos dois sistemas. o Governo Lula logrou a aprovação da ora discutida Emenda à Constituição. sob a perspectiva de violação a cláusulas pétreas. Equiparam-se situações jurídicas manifestamente desiguais.105 / DF de contribuição previdênciária dos servidores inativos. Caso contrário. chegamos a propor. Assim. haveria de se ressalvar que tal só se impõe até o limite vigente para os benefícios da Previdência Social. aqui. Tal como já expus. "o não-estabelecimento dessa ressalva produz um resultado altamente insatisfatório. Cabe. com expressa previsão da contribuição previdenciária dos inativos. Na oportunidade daquele referido estudo. . as impugnações relativas à constitucionalidade da contribuição. refutar os argumentos que se renovam. todavia. caso fosse reconhecida a aplicação do inciso II do art. Desde logo gostaria de assentar que. já não vislumbraria inconstitucionalidade caso a contribuição tivesse sido fixada em lei. Passo a análise das impugnações. 195.Supremo Tribunal Federal ADI 3. no sentido de suspender disposição legal que previa a contribuição de inativos por certo remeteu o Poder Executivo a conceber nova emenda à Constituição.

a segunda. Karl. Coimbra: Coimbra. Trad. que uma concepção radical da idéia de soberania popular deveria admitir que a Constituição Miranda. destinada a derrogar a norma proibitiva.. Jorge. 3 Biscaretti di Ruffia. Dentre os expoentes do ceticismo em relação às cláusulas pétreas — ou pelo menos. admitindo-os. os tomam apenas como relativos. p. em relação à sua eficácia — há de ser mencionado Karl Loewenstein2. tal entendimento levaria a uma instabilidade da Constituição. 2 Loewenstein. 1990. como referido. em duas etapas: a primeira. 1976.105 / DF Interpretação das cláusulas pétreas Cláusulas Pétreas: Natureza e Significado Uma concepção conseqüente da idéia de soberania popular deveria admitir que a Constituição pode ser alterada a qualquer tempo por decisão do povo ou de seus representantes. 1 . e a daqueles que.Supremo Tribunal Federal ADI 3. levada a efeito com o propósito de instituir as reformas pretendidas3. Não se nega. Paolo. admitem que os limites explícitos podem ser superados mediante processo de emenda constitucional. Manual de Direito Constitucional. Madrid: Technos. 192. porventura sucetíveis de remoção através de dupla revisão ou de duplo processo de revisão"1. são três as concepções básicas sobre as chamadas "Cláusulas Pétreas" ou limites materiais da revisão: "a dos que os aceitam ou que os tomam mesmo como imprescindíveis e insuperáveis. 282-283. a despeito mudança. Outros. Barcelona: Ariel. Tomo II. Derecho Constitucional..1984. a daqueles que impugnam a sua legitimidade ou a sua eficácia jurídica. esp. Evidentemente. pág 190. como Biscaretti de Ruffia. das cautelas formais estabelecidas para uma eventual Tal como apontado por Jorge Miranda. Teoría de la Constitución. p. 2 ed.

Teoría de la Constitución. de 14 de agosto de 1884 (La forme républicaine du Government ne peut faire l'objet d"une proposition de revision"): "Si por una expresa prescripción legal-constitucional se prohíbe una cierta reforma de la Constitución. Kommentar zum Grundgesetz. Schmitt enfatizava que a modificação de uma Constituição não se confunde com sua abolição. Müller. o próprio significado da Constituição enquanto ordem jurídica fundamental de toda a Comunidade (rechtliche Grundordnung des Gemeinswesens)5. na distinção entre constituinte (Verfassungsgeber = Schöpfer der Verfassung) e legislador constituinte (Verfassungsgezetzgeber = Gesetzgeber über die Verfassung). p. cit. p. 6 Hesse. Do prisma teórico. a substituição de uma ordem constitucional por outra. 1988. Grundzüge des Verfassungsrechts.105 / DF poderia ser alterada a qualquer tempo por decisão do povo ou de seus representantes4. Honrad. 2o da Lei Constitucional francesa. Restam evidenciadas aqui a permanente inevitável tensão entre o poder constituinte contradição e a originário. A Maunz-Dürig. no21. na sua Verfassungslehre (Teoria da Constituição.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o problema dos limites materiais da revisão constitucional foi seriamente contemplado por Carl Schmitt. Cf. Miranda. Trad. 263. que repugna mudanças substanciais7. cit. 7 Cf.p. ed. segundo Schmitt. art. 175 s. esto no es más que confirmar tal diferencia entre revisión y supresión de la Constitución"8.. sobre o assunto. Carl.. e a vocação de permanência desta. A Constituição somente poderá desempenhar essa função — acentua Hesse — se puder estabelecer limites materiais e processuais6. 1928). esp. Tal entendimento permitiria questionar.. que legitima a alteração da Constituição ou. 1982. p. Madrid: Alianza.. Hesse. porém. problemática assentar-se-ia. 16ª. Grundzüge des Verfassungsrechts der Bundesrepublik Deutschland. Manual de Direito Constitucional. 79. 8 Schmitt.F. 5 4 . Heidelberg: C. 121. III. acrescentando com base no exemplo colhido do art. 263. até mesmo.

diante de sua falta de eficácia em face de eventos históricos como os golpes e as revoluções12.. Tais cláusulas devem impedir. p. atribuindolhe quase conteúdo declaratório. p. Teoría de la Constitución. que não só os princípios gravados. significa que una o varias regulaciones legal-constitucionales pueden ser sustituidas por otras regulaciones legalconstitucionales.105 / DF Portanto. todavia.. . afetar a continuidade e a identidade da Constituição: "Los límites de la facultad de reformar la Constitución resultan del bien entendido concepto de reforma constitucional. de modo algum. 119.. para Schmitt não se fazia mister que a Constituição declarasse a imutabilidade de determinados princípios.. não só a supressão da ordem constitucional10. eventualmente. A concepção de Schmitt relativiza um pouco o valor exclusivo da declaração do constituinte originário sobre a imutabilidade de determinados princípios ou disposições. 12 Cf. É que a revisão não poderia. 192. cit. Teoría de la Constitución. Una facultad de "reformar la Constitución. Vê-se. mas também outras disposições — inclusive aquelas relativas ao processo de revisão constitucional — não poderiam ser alterados sem afetar a identidade e a continuidade da Constituição. 30:1(24). pero sólo bajo el supuesto de que queden garantizadas la identidad y contituidad de la Constitución considerada como un todo (. cit. 262. cit..Supremo Tribunal Federal ADI 3. 9 10 Schmitt. BVerfGE. É verdade que importantes autores consideram risíveis os resultados práticos de tais cláusulas. assim.)"9. com a cláusula de imutabilidade. Loewenstein. Grundzüge des Verfassungsrechts. mas também qualquer reforma que altere os elementos fundamentais de sua identidade histórica11. p. 11 Hesse. atribuída por una normación legalconstitucional.

cit.. 16 Bryde. poderia ser considerada. deflagrando um processo de erosão da própria Constituição16. de caráter declaratório. 236. a disposição contida no art. p. que o constituinte e os órgãos constitucionais procurem evitar a ocorrência de tais golpes. sem suprimir princípios fundamentais. acabam por lesá-los topicamente. à revelia do eventual 13 Bryde. Se se entender que elas contêm uma "proibição de ruptura de determinados princípios constitucionais" (Verfassungsprinzipiendurchbrechungsverbot). porém. 237.. 242.105 / DF Isto não deve impedir. a decisão sobre a imutabilidade de determinado princípio não significa que outros postulados fundamentais estejam submetidos ao poder de revisão15. cit. p. Verfassungsentwicklung. 14 Bryde. Verfassungsentwicklung: Stabilität und Dynamik im Vergassungsrecht der Bundesrepublik Deutschland. . Bryde revisão e Constituição destaca que as idéias de limites materiais de cláusulas pétreas podem estar muito expressamente próximas. da Lei Fundamental. 1982. Tal como observado por Bryde. a proibição atinge emendas constitucionais que. Nesse sentido. III. Baden-Baden. p. Em qualquer hipótese. tem-se de admitir que o seu significado é bem mais amplo do que uma proibição de revolução ou de destruição da própria Constituição (Revolutions. 79. os limites do poder de revisão não se restringem. p.. nesse caso. Verfassungsentwicklung. 15 Bryde. Certo é que tais proibições dirigidas ao poder de revisão constituem um dos instrumentos de proteção da Constituição13. cit. Verfassungsentwicklung.Supremo Tribunal Federal ADI 3. aos casos expressamente elencados nas garantias de eternidade. é legítimo supor que nelas foram contemplados os princípios fundamentais14. Se consagrados na o constituinte considerou determinados elementos de sua obra tão fundamentais que os gravou com cláusulas de imutabilidade. 227. Otto-Brun. O efetivo significado dessas cláusulas de imutabilidade na práxis constitucional não está imune a controvérsias. É que.und Verfassungsbeseitigungsverbot). A Corte constitucional alemã foi confrontada com esta questão na controvérsia sobre a constitucionalidade de emenda que introduzia restrição à inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telefônicas e telegráficas. necessariamente. em grande parte.

de que a tese que vislumbra nas garantias de eternidade uma "proibição de ruptura de determinados princípios constitucionais" (Verfassungsprinzipiendurchbrechungverbot) não parece merecer reparos do prisma estritamente teórico. que retira quase toda a eficácia daquelas disposições. da Lei III.. vale registrar a observação de Bryde: A propósito dessa "Enquanto a ordem constitucional subsistir. Verfassungsentwicklung. Ao revés. mediante a utilização de mecanismos formais. na sua substância ou nos seus fundamentos. até porque esta somente poderia ser admitida no caso de identidade entre o constituinte e o legislador constituinte ou. não será necessário que o Bundesverfassungsgericht suspenda decisões dos órgãos de representação popular tomadas por 2/3 de votos. outrossim. de 1970. 240.Supremo Tribunal Federal ADI 3. é a distinção entre os poderes constituintes 17 BVerfGE. Hesse. BVerfGE. III sejam derrogados"18. visa a impedir que "a ordem constitucional vigente seja destruída. sustentou-se que a disposição contida no art. permitindo a posterior legalização de regime totalitário"17. vedando. 19. II. decisão. cit. 79. 79. p. o recurso ao Poder Judiciário (Lei Fundamental. 18 Bryde. entre o detentor do poder constituinte originário e derivado. 30:1(24). Grundzüge des Verfassungsrechts. Não se cuida de uma autovinculação (Selbstbindung) do constituinte. nesses casos. cit. art. 34:9(19). em outros termos. . Já não terá relevância a opinião do Tribunal numa situação política em que princípios fundamentais contidos no art. 10..105 / DF atingido. c/c o art. na prática. IV). o Tribunal acabou por consagrar uma atitude demissionária. Essa interpretação minimalista das garantias de eternidade foi amplamente criticada na doutrina. Nessa decisão do Bundesverfassungsgericht. Não há dúvida. uma vez que. p. Fundamental. 262-4.

. O que há. ao invés pode de assegurar a sua a continuidade ruptura. Esse argumento agora vem reforçado com a perspectiva de cláusula pétrea. Mas tal como estão postas em nosso sistema as restrições à reforma constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. do sistema que o constitucional. são objeto desse intenso debate doutrinário. Verfassungsentwicklung. por certo. 242. não Aí reside o grande desafio da jurisdição constitucional: permitir a eliminação do núcleo essencial da Constituição. cit. As possibilidades da atividade legislativa ordinária ou reformadora. As questões que envolvem as cláusulas pétreas. não vislumbro uma restrição insuperável ao exercício da democracia parlamentar. p. nem ensejar que uma interpretação ortodoxa ou atípica acabe por colocar a ruptura como alternativa à impossibilidade de um desenvolvimento constitucional legítimo. Não se pode negar. que a aplicação ortodoxa dessas cláusulas. porém. Admiti-las. implica uma restrição significativa à atividade legislativa ordinária e mesmo ao Poder Constituinte Derivado.105 / DF originário e derivado que permite 19 afirmar a legitimidade do estabelecimento dessa proibição . 19 Bryde. Direito adquirido e irredutibilidade de vencimentos Um dos argumentos recorrentes é o da suposta violação ao direito adquirido. . é um dever de consistência nas formulações que procuram justificar a compatibilidade de determinada alteração constitucional com as cláusulas de imutabilidade. são muito amplas. a evidenciar sua marcante complexidade. por certo. ao nos atermos às restrições impostas pelo Constituinte Originário à reforma constitucional. mediante decisão ou gradual processo de erosão. ainda que dentro dos limites constitucionais à revisão. antecipar permitindo desenvolvimento constitucional se realize fora de eventual camisa de força do regime da imutabilidade. conforme expus.

João Baptista. adotaram desenganadamente. a definição de retroatividade foi objeto de duas doutrinas principais – direito adquirido e fato passado ou fato realizado − como ensina João Baptista Machado: “a doutrina dos direitos adquiridos e doutrina do facto passado. Para a primeira a Lei nova deveria respeitar os direitos adquiridos. da Constituição. todos os textos constitucionais brasileiros têm consagrado cláusula semelhante.105 / DF A discussão sobre direito intertemporal assume delicadeza ímpar. que reproduz norma tradicional do direito brasileiro. . Desde 1934. tendo em vista a disposição constante do art. domina. para a primeira doutrina seria retroactiva toda a lei que violasse direitos já constitutídos (adquiridos). a teoria do direito adquirido é chamada teoria subjetiva. Coimbra. É o que se lê na seguinte passagem do voto proferido na ADI 493. para a segunda seria retroactiva toda lei que se aplicasse a factos passados antes de seu início de vigência. a teoria subjetiva do direito adquirido. entre nós. a partir de 1934. há de salientar-se que as nossas Constituições. p. para a segunda a lei nova não se aplicaria (sob pena de retroatividade) a fatos passados e aos seus efeitos (só se aplicaria a factos futuros)”. na nossa tradição. e com a exceção da Carta de 1937. verbis: “Por fim. Como se sabe. inciso XXXVI. e com exceção de 1937. Machado. 5o. 232. sob pena de retroatividade. Resumidamente. Introdução ao Direito e ao discurso legitimador. Na lição de Moreira Alves. 1983.Supremo Tribunal Federal ADI 3. em matéria de 20 Cf.20 A doutrina do fato passado é também chamada teoria objetiva.

21 21 ADIN n. Por isso mesmo. Com efeito. Relator: Ministro Moreira Alves. Como as soluções. modificando a anterior promulgada com o Código Civil. razão por que a Lei no 3. de 1942. conforme a teoria adotada. a Lei de Introdução ao Código Civil. 724 (750). a teoria subjetiva dos direitos adquiridos e não a teoria objetiva da situação jurídica. desde que expressa nesse sentido. . que é a teoria de ROUBIER. na Constituição de 1946. entretanto. e não sendo. pudesse retroagir. RTJ 143. seguiu em parte a teoria de ROUBIER. nem sempre são coincidentes. o direito adquirido e a coisa julgada". a que ora está vigente em nosso sistema jurídico a teoria objetiva de ROUBIER. o artigo 6o rezava: "A lei em vigor terá efeito imediato e geral. respeitados o ato jurídico perfeito. é preciso ter cuidado com a utilização indiscriminada dos critérios por estes usados para resolver as diferentes questões de direito intertemporal”. o texto da nova Lei de Introdução se tornou parcialmente incompatível com ela. salvo disposição expressa em contrário.238/57 o alterou para reintroduzir nesse artigo 6o a regra tradicional em nosso direito de que "a lei em vigor terá efeito imediato e geral. as situações jurídicas definitivamente constituídas e a execução do ato jurídico perfeito". 493. Com o retorno.105 / DF direito intertemporal. tendo em vista que a Constituição de 1937 não continha preceito da vedação da aplicação da lei nova em prejuízo do direito adquirido. em matéria de direito intertemporal.Supremo Tribunal Federal ADI 3. do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Não atingirá. do princípio da irretroatividade no tocante ao direito adquirido. p. e admitiu que a lei nova.

O que convém ao aplicador de uma nova lei de ordem pública ou de direito público. não permite que se excepcionem da aplicação do princípio as chamadas regras de ordem pública. entre nós. que as mais das vezes não é possível separá-los. nas relações jurídicas já existentes. há ou não direitos adquiridos. porém. porque a simples invocação de um motivo de ordem pública não basta para justificar a ofensa ao . E seria altamente perigoso proclamar como verdade que as leis de ordem pública ou de direito público têm efeito retroativo. é a que sustenta que são retroativas as "leis de ordem pública" ou as "leis de direito público". No parágrafo referente ao estudo do direito público e do direito privado. Como destacado por Moreira Alves. é verificar se."jus privatum sub tutela juris publici latet". que a justiça não permite que sejam desconhecidos e apagados. recordando o aforisma de Bacon .Supremo Tribunal Federal ADI 3. tendo sido causa das maiores confusões na solução das questões de retroatividade. cumpre ponderar que é dificílimo discriminar nitidamente aquilo que é de ordem pública e aquilo que é de ordem privada. inteiramente falso. outrossim. conforme se lê nas seguintes passagens de sua obra: "Uma das doutrinas mais generalizadas e que de longo tempo vem conquistando foros de verdade. No caso afirmativo a lei não deve retroagir. porque mesmo diante dessas leis aparecem algumas vezes direitos adquiridos.105 / DF É certo. já salientamos essa dificuldade. há muito Reynaldo Porchat questionava a correção desse entendimento. que a dimensão constitucional que se confere ao princípio do direito adquirido. Antes de tudo. Esse critério é. O interesse público e o interesse privado se entrelaçam de tal forma.

ou entre lei de ordem pública e lei dispositiva”. a lei nova não pode ter efeitos retroativos (critério objetivo). ao enfatizar que o problema da irretroatividade é comum ao direito público e ao direito privado. RTJ 143. Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda no 1 de 1969. RTJ 143. comum ao direito privado e ao direito público. 25 ADIn n. 23 Pontes de Miranda. 22 . Cf. p. 338/339.23 Não discrepa dessa orientação Oswaldo Aranha Bandeira de Mello. Tomo V. 2ª ed.22 Na afirmar: mesma linha. I. quer se trate de direito privado. 2ª ed. 2ª tiragem. vol. nem ferir direitos adquiridos (critério subjetivo). Curso Elementar de Direito Romano. é a lição de Pontes de Miranda. no 528. 493.24 Daí concluir Moreira Alves que o princípio do direito adquirido “se aplica a toda e qualquer lei infraconstitucional. todavia. 493. e sim. 1937. também. ou ofensivos dos direitos adquiridos. São Paulo: Revista dos Tribunais. págs.25 Porchat.105 / DF direito adquirido. tão-só. a qualquer lei”. ADIN no.. págs. 724 (747). cuja inviolabilidade. 24 Bandeira de Mello. sem qualquer distinção entre lei de direito público e lei de direito privado. Princípios Gerais de Direito Administrativo. vol. 724 (746). no dizer de Gabba. 2ª ed. só a cláusula de exclusão pode conferir efeitos retroativos. I. pág. regra dirigida aos juízes. São Paulo: Melhoramentos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ao "A regra jurídica de garantia é. 1979. Se não existe regra jurídica constitucional de garantia. também um forte motivo de interesse público". 333 e segs. p. Reynaldo. Relator: Ministro Moreira Alves. Relator: Ministro Moreira Alves. Quer se trate de direito publico. 99. 1974. Oswaldo Aranha. conforme seja o sistema adotado pelo legislador constituinte.. São Paulo..

o ao princípio do ato jurídico natureza qualquer perfeito e à coisa julgada de constitucional. é óbvio que se está introduzindo modificação na causa. a possibilidade de subsistência de situação jurídica individual em 26 27 Cf. Fica não permite a ordem pública retroatividade evidente que a natureza constitucional do princípio distinção sobre eventual retroatividade das leis de muito comum em países nos quais o princípio da não é mera cláusula legal. 2a. transcrição na RTJ 143. não tem sentido a afirmação de muitos .105 / DF Nesse sentido é o voto por ele proferido na Representação de Inconstitucionalidade no 1. As duas principais teorias sobre aplicação da lei no tempo − a teoria do direito adquirido e a teoria do fato realizado. sendo respeito ao direito adquirido.apegados ao direito de países em que o preceito é de origem meramente legal . de forma enfática. 9-13. sobre o assunto. Direito adquirido a estatuto ou instituto jurídico Mas há aqui uma questão que precisa ser considerada. 746. e isso porque. o que é vedado 26 constitucionalmente". Cf. . no Brasil. também chamada do fato passado27 − rechaçam.de que as leis de ordem pública se aplicam de imediato alcançando os efeitos futuros do ato jurídico perfeito ou da coisa julgada. sem qualquer exceção a espécie de legislação ordinária. cit. Direito Intertemporal ou Teoria da Retroatividade das Leis. p. verbis: "Aliás.. p. 270 s. Rio de Janeiro. Carlos..451.Supremo Tribunal Federal ADI 3. se se alteram os efeitos. Princípios Gerais de Direito Administrativo. ed.. 1955. p. Maximiliano. Bandeira de Mello.

31 28 29 Maximiliano. p. Vol. no contraste. Traité de Droit Romain. M.. v. 9-13. p. sustentava leis concernentes institutos jurídicos outorgam aos indivíduos apenas uma qualificação abstrata quanto ao exercício do direito e uma expectativa de direito quanto ao ser ou ao modo de ser do direito. Carlos. A segunda classe de normas. Traité de Droit Romain. 276. p. a propósito. I. pois.105 / DF face de uma 28 alteração substancial Savigny do que regime as ou de um estatuto aos jurídico. onde o princípio da irretroatividade não se aplica. relacionam-se à existência de direitos. 375 s.29 O notável jurisconsulto distinguia duas classes de leis: a primeira.. primeiramente. 503 s. concernente à aquisição de direito... 30 Savigny. relativa à existência de direitos. cit.. cit. cit. ou seja. verbis: "A primeira. As normas sobre a existência de direitos são. Princípios Gerais de Direito Administrativo. à manutenção dos direitos adquiridos. 1860.. se assim fosse. aquelas relativas ao contraste entre a existência ou a não existência de um instituto de direito: assim. 503 –504. Paris.30 Afigurase digna de registro a lição de Savigny a propósito. Savigny. Bandeira de Mello.. Cf. 31 Savigny.C. cit.F. ainda. levam. . aquelas que. Assim. Dizemos que todas essas leis não poderiam estar submetidas ao princípio da manutenção dos direitos adquiridos (a irretroatividade). 8. concernente à aquisição de direitos. a segunda. as leis que extinguem completamente uma instituição e. p. sem suprimir completamente um instituto modificam essencialmente sua natureza.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 375 s. estava submetida ao princípio da irretroatividade. as leis mais importantes dessa espécie perderiam todo o sentido". desde então. que agora serão tratadas. Direito Intertemporal. vol. Traité de Droit Romain. dois modos de existência diferentes. p.

Não há dúvida de que. nós temos direitos patrimoniais privados em relação aos quais o legislador tem liberdade de editar novas disposições de aplicação imediata. como seriam a propriedade literária e a propriedade industrial. e assim aplica-se imediatamente toda lei nova 32 Cf. Esses são: 1o) direitos assegurados aos entes privados.32 Essa segundo o orientação somente foi retomada e desenvolvida adquirido em por Gabba.48-50). assinala o emérito teórico.. de pesca. têm uma vinculação especial e direta com o interesse geral e estão sujeitos a limites. dos qual existia direito razão institutos jurídicos com referência às relações deles decorrentes. o direito de caça. o direito de propriedade sobre florestas e minas e o direito de exigir o pagamento em uma outra espécie de moeda. verbis: "Como dissemos inicialmente. alterassem o estatuto da vida conjugal ou da situação dos filhos. cit.33 Nesse sentido. portanto. condições e formas estabelecidas pelo legislador. as leis que abolissem a escravidão.. Princípios Gerais de Direito Administrativo. p. e aqueles direitos que. entretanto.g. redefinissem a propriedade privada.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Deveriam ser. relativamente aos próprios institutos. Bandeira de Mello. 33 Cf.. v. de imediata aplicação. Bandeira de Mello. cit. p. graças exclusivamente à lei. como já tivemos oportunidade de advertir (p. desenvolvidos por efeito da liberdade natural do trabalho e do comércio.. a lei nova sobre propriedade literária e industrial aplica-se não só aos produtos literários e às invenções anteriormente descobertas. . jamais. como àquelas outras desenvolvidas após a promulgação da lei. 281. 2o) direitos. como. independentemente de qualquer obstáculo decorrente do princípio do direito adquirido. Princípios Gerais de Direito Administrativo.. 276. que não são criados pelo legislador. a propósito.

Supremo Tribunal Federal ADI 3. às leis igualmente. que visa mais o estado ou a situação em si do que os meios pelos quais ela se constitui. 1897. assim. p. vol. verbis: "As leis que aboliram a escravidão ou os direitos feudais puderam aplicar-se às situações existentes. 210 . 208. tema em é contemplado.36 Adiante. supressivas ou por Roubier.35 "Ora. ela se aplica desde o dia da entrada em vigor. Le Droit Transitoire.. nesse sentido. Roubier. Roubier. III. Torino. cit.215. pouco importava o modo de aquisição do direito: o que a lei censurava era o regime jurídico 34 35 36 Gabba. 2a. 1960. Paris. ed.ela respeitará as situações já estabelecidas. Teoria della Retroattivitá delle Leggi. 213. pesca. sem se aplicar retroativamente às situações já existentes". Paul. as regras que nos guiaram até aqui. ou a lei é uma lei de estática jurídica. que de relação modificativas institutos jurídicos.34 O distingue. nos conduzirão facilmente à solução: ou a lei é uma lei de dinâmica jurídica.. aquelas leis que suprimem uma situação jurídica para o futuro sem afetar as relações jurídicas perfeitas ou consolidadas daqueloutras que não só afetam a situação jurídica como também os seus efeitos. p. com efeito. Le Droit Transitoire. ressalta o mestre de Lyon. . que visa mais os meios de alcançar uma determinada situação do que a própria situação em si.105 / DF sobre caça. E. p. é uma lei de constituição . é uma lei relativa aos efeitos de uma situação jurídica. sem que tenham sido retroativas. propriedade florestal ou sobre o sistema monetário".

. elas são assimiláveis pelas leis que regem os efeitos de uma situação jurídica. em seu clássico O Direito Intertemporal. verbis: "Não há direito adquirido no tocante a instituições. Le Droit Transitoire. relativa aos efeitos da situação jurídica. podem visar os efeitos e o conteúdo dessa situação . sem retroagir. as leis não poderiam atingir sem retroatividade situações já constituídas.e aí são assimiláveis pelas leis que governam a constituição de uma situação jurídica -. elas se aplicam. 215. lhes modifica essencialmente a natureza. Roubier.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a propósito.. ela atingiu as situações já constituídas".38 O problema relativo à modificação das situações subjetivas em virtude da mudança de um instituto de direito não passou despercebido a Carlos Maximiliano. às situações existentes para pôr-lhes fim". o conteúdo do direito feudal: a lei era.. p. 215. Aplica-se logo. p. ou. no segundo. ao contrário.105 / DF do escravo. então. Le Droit Transitoire. cit. sem os eliminar. posto que. e não à sua constituição. às vezes. formula Roubier o seguinte resumo de sua tese. verbis: "Em suma. não só a lei abolitiva. tais 37 38 Roubier. cit. diríamos que as leis que suprimem uma situação jurídica podem visar ou o meio de alcançar esta situação .logo. que assinala. Em nenhuma hipótese granjeia acolhida qualquer alegação de retroatividade. ou institutos jurídicos.37 Sistematizando esse entendimento. no primeiro caso. mas também a que. de imediato.

. v. 10. p. v. v. 30 s. Direito Intertemporal . expressamente. de 4 de novembro de 1981.437. v. p.1960. 30 s. 10. 10. RE 52. proferido no RE 94.060. então. p. de 30. igualmente.931. ERE no 47. pela voz do eminente Ministro Moreira Alves. p. in: Referências da Súmula do STF. p.325.060. v. in: Referências da Súmula do STF. deixou assente a Corte. pois. de 30. Relator: Ministro Ribeiro da Costa.1963. Em sucessivos pronunciamentos. RE 50. in: Referências da Súmula do STF. Relator: Ministro Ribeiro da Costa. 10.. 693 do Código Civil aplicava-se às enfiteuses anteriormente constituídas. 10. de 24. encontrou acolhida na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. de 24. Relator: Ministro Ribeiro da Costa.07. perfilhada por nomes de prol das diferentes correntes jurídicas sobre direito intertemporal. p. 41 ERE no 47.1960. de 30. p. Relator: Ministro Villas Boas.08.04. Assentou-se.04.41 Esse entendimento acabou por ser consolidado na Súmula 170 do Supremo Tribunal Federal (É resgatável a enfiteuse instituída anteriormente à vigência do Código Civil).. 24 s. in: Referências da Súmula do STF. indenizar". in: Referências da Súmula do STF. afirmando. Mencione-se.07. . in: Referências da Súmula do STF. de março de 1955. 62.1962.931.04. Relator: Ministro Ribeiro da Costa. a propósito. p. 24 s. a controvérsia suscitada sobre a resgatabilidade das enfiteuses instituídas antes do advento do Código Civil e que estavam gravadas com cláusula de perpetuidade.. RE no 51. RE no 51. Em acórdão mais recente. a alegação de ofensa ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido.020. p.325... por eqüidade. v. 10. in: Referências da Súmula do STF.cit. RE 52. 34. Relator: Ministro Villas Boas.606.08..1963. 10. Relator: Ministro Ribeiro da Costa. levada a efeito pela Lei no 2. 10.Supremo Tribunal Federal ADI 3. v. que a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito não obstava à modificação ou à supressão de determinado instituto jurídico. a legitimidade da redução do prazo de resgate.1962. reconheceu o Supremo Tribunal Federal que a disposição constante do art. de 30. 34.1962.105 / DF institutos envolvam certas o vantagens patrimoniais ou mande que. v.39 diploma ressalve Essa orientação básica. de 08. 28 s. RE 50. Relator: Ministro Ribeiro da Costa.606. in: Referências da Súmula do STF.1962.04.40 Rechaçou-se. verbis: 39 40 Maximiliano. 28 s. de 08.

como se lê na ementa do acórdão. Relator: Francisco Rezek. Collor I (no concernente aos meses de abril e de maio de 1990) e Collor II. Relator: Ministro Moreira Alves. Quer isso dizer que. Verão.Supremo Tribunal Federal ADI 3. mas. 783. não tem natureza contratual. . RE no 105. seja ela de coisa móvel ou imóvel. igualmente da relatoria do Ministro Moreira Alves: “Fundo de Garantia por Tempo de Serviço .105 / DF "(. p. ERE no Relator: Ministro Rafael Mayer. Relator: Ministro Cordeiro Guerra.137. estatutária. é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta Corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico.855. Natureza jurídica e direito adquirido. RTJ 104. 43 RE no RE no 105. Em decisão proferida no RE no 226. p.O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).Assim. sim. p.322.137. . RTJ 119.020. Ministro 42 94. essa modificação se aplica de imediato". 709. Correções monetáriasdecorrentes dos planos econômicos conhecidos pela denominação Bresser. RTJ 115. se a lei nova modificar o regime jurídico de determinado instituto de direito (como é o direito de propriedade. .42 Esse entendimento foi 43 reiterado pelo Supremo Tribunal Federal em tempos mais recentes.FGTS.. 379. RTJ 118. ou de marca). 269 (272). 105. ao contrário do que sucede com as cadernetas de poupança. p.) em matéria de direito adquirido vigora o princípio – que este Tribunal tem assentado inúmeras vezes – de que não há direito adquirido a regime jurídico de um instituto de direito. por decorrer da Lei e por ela ser disciplinado. o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza institucional do FGTS..

cit. Embora possa apresentar relevância jurídica. o emérito jurisconsulto recomendava que. sem privilegiar uma parte às custas de outra”. é de aplicar-se o princípio de que não há direito adquirido a regime jurídico.105 / DF .. p. Savigny. rigorosamente calcadas nos postulados fundamentais do direito adquirido. cit. p. em que a decisão recorrida se fundou na existência de direito adquirido aos índices de correção que mandou observar. .. “A política e a economia política estarão plenamente satisfeitas". Collor I (quanto ao mês de maio de 1990) e Collor II. Traité de Droit Romain. Recurso extraordinário conhecido em parte. 525-526. Savigny. sustentava Savigny. cit. já assentara Savigny que. para afastar da condenação as atualizações dos saldos do FGTS no tocante aos Planos Bresser. situando-se a matéria exclusivamente no terreno legalinfraconstitucional. deveria o legislador conceder uma compensação ao atingido pela providência. e nela provido. p. o problema se desloca do âmbito do direito intertemporal para o plano da política legislativa. não há questão de direito adquirido a ser examinada.Supremo Tribunal Federal ADI 3.855.44 Diante dessas colocações. Traité de Droit Romain. nesse caso..Quanto à atualização dos saldos do FGTS relativos aos Planos Verão e Collor I (este no que diz respeito ao mês de abril de 1990). A propósito. Collor I (apenas quanto à atualização no mês de maio de 1990) e Collor II”. por razões de eqüidade. 526.46 44 45 46 RE 226. aos Planos Bresser. "se a liquidação desses direitos se efetivasse pela via da reparação.No tocante. .45 Como observado.916. poder-se-ia afirmar que muitas soluções legislativas fixadas pela lei nova acabariam por causar prejuízos diretos aos titulares de direitos nos casos específicos. porém. essa colocação já não mais se enquadra nos estritos lindes do direito intertemporal.

que o princípio constitucional do direito adquirido não se mostra apto a proteger as posições jurídicas contra eventuais mudanças dos institutos jurídicos ou dos próprios estatutos jurídicos previamente fixados. 47 Vê-se. Tratava-se unicamente de conservar para os antigos credores munidos de uma garantia seus direitos de preferência. uma indenização não é necessária. no entanto. Diante da inevitável pergunta sobre a forma adequada de proteção dessas pretensões.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Dessa forma. Em diversos casos.) a Inglaterra nos deu um grande exemplo de eqüidade. quando se trata de abolir os feudos e os fideicomissos. Esse objetivo é muito difícil de se alcançar... Traité de Droit Romain. tem-se como resposta indicativa que a 47 Savigny. quando emancipou os escravos. foram eles convocados publicamente a se apresentar em dentro de um determinado prazo para inscrever seus créditos nos novos registros hipotecários.105 / DF Savigny permitiu desenvolver esse raciocínio em passagem memorável do "Traité de Droit Romain". E parece inegável que esse princípio se aplica de forma inequívoca às Emendas Constitucionais. p. são Pode-se tentar diminuir o prejuízo suspendendo por algum tempo a execução da lei (§ 399. o). na ordem estabelecida pela antiga lei”. às custas do Estado. o prejuízo que seus proprietários tiveram.. indenizou. É o que foi feito em muitos casos onde o regime hipotecário prussiano substituiu o direito de garantia estabelecido pelo direito comum. pois as pretensões e as expectativas. 526. chamados à sucessão. cit. daqueles extremamente incertas. basta. verbis: "(. disciplinar a transição de forma a afastar ao máximo todo prejuízo possível. . assim.

o que certamente não impede o exame da constitucionalidade dessas mesmas cláusulas sob uma outra perspectiva. ou se esta regulou. Degenhart. que é o princípio da segurança jurídica enquanto postulado do Estado de Direito. adequada e proporcionada. que. 1991. É bem verdade que. também há se invocar a própria garantia eventualmente afetada e não o princípio do direito adquirido. 14. ed. afirma Canotilho que “o princípio da proteção da confiança justificará que o Tribunal Constitucional controle a conformidade constitucional de uma lei. em casos de mudança de regime jurídico. Coimbra: Almedina. em muitos sistemas jurídicos. Canotilho. 1998. p. José Joaquim Gomes. os problemas resultantes da conexão de efeitos jurídicos da lei nova a pressupostos – posições. p. 48 49 Cf.. há que se invocar a proteção ao direito de propriedade estabelecida no texto constitucional. Assim. situações − anteriores e subsistentes no momento da sua entrada em vigor”. Staatsrecht I.105 / DF proteção a ser oferecida há de vir do próprio direito destinado a proteger a posição afetada. em face da insuficiência do princípio do direito adquirido para proteger tais situações. relações.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Nessa linha. Se se tratar de liberdade de associação ou de outro direito de perfil marcadamente institucional. aqui. a própria ordem constitucional tem-se valido de uma idéia menos precisa e. uma omissão quanto ao estabelecimento de cláusulas de transição. edição. 5a. analisando se era ou não necessária e indispensável uma disciplina transitória. Heidelberg. A idéia de segurança jurídica tornaria imperativa a adoção de cláusulas de transição nos casos de mudança radical de um dado instituto ou estatuto jurídico.49 É certo que não há. Daí porque se considera. se se trata de direito de propriedade ou de outro direito real. Embora de aplicação mais genérica. Direito Constitucional. 384. de forma justa. 128 s. Christoph. o princípio da segurança jurídica traduz a proteção da confiança que se deposita na subsistência de um dado modelo legal (Schutz des Vertrauens)48. . por isso mesmo mais abrangente. a ausência de cláusulas de transição configura uma omissão inconstitucional.

dirigido ao legislador infraconstitucional. ou ainda. a um modelo de completa correspondência entre contribuição e benefício.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ao longo de sua vida profissional ativa. relatoria do Ministro suficiente”. a existência de precedente sobre o tema. Essa de fato é a idéia básica e o princípio de natureza atuarial concebido para viabilizar a existência e a eficiência do sistema previdenciário. Em primeiro lugar. no futuro. Não parece acertado pressupor. no regime de previdência de caráter contributivo. ao regime contributivo. ao menos de um modo irrestrito. que a Constituição almeja um sistema baseado especialmente na idéia do regime contributivo. não cabe no caso em exame o argumento baseado no direito adquirido. não se justifica a instituição (ou majoração) da contribuição da seguridade social.10. deve haver.96). Registro. que o legislador constituinte esteja vinculado. argumento no sentido de uma alegada ausência de causa suficiente para a instituição da contribuição dos inativos. Para tanto. pois. . em que se teria assentado que “sem causa suficiente. correlação entre custo e benefício”. lhes devolverá tais recursos na forma de proventos de aposentadoria. arrimase em trecho da decisão proferida por esta Corte na ADI 2010. firmado na ADI 1441 (DJ 18. não se afigura correta uma simples extensão desse entendimento firmado na ADI 2010. também não vejo consistência alguma. depositam recursos em um fundo que. ainda. nenhuma espécie tributária poderia ser majorada ou instituída. Não se nega. da Gallotti. O Ministério Público Federal reproduz. Fosse correto o argumento. Quanto ao argumento da irredutibilidade. desde logo. Da alegada ausência de causa suficiente Outro argumento que se coloca é da chamada em seu “causa parecer. obviamente.105 / DF De qualquer sorte. em que os potenciais beneficiários. necessariamente.

em parecer juntado aos autos. não há exigência constitucional nesse sentido. Conceitos importantes da atualidade. Nesse sentido o preciso ensinamento de Luís Roberto Barroso. Os parâmetros constitucionais de controle existem. vigora o princípio da solidariedade. Isto porque. endossando entendimento no sentido de que qualquer ônus a ser estabelecido para os beneficiários da Previdência podem ser livremente fixados pelo legislador. tanto como fundamento direto de direitos. para tornarse uma norma jurídica: o dever de ajudar o próximo.Supremo Tribunal Federal ADI 3. e principalmente. Traduz-se na divisão de ônus e bônus na busca de dignidade para todos. 3°. e muito menos uma cláusula pétrea a estabelecer tal limitação específica. em matéria de responsabilidade civil. Além da evidente inviabilidade prática desse tipo de percepção. a par do caráter contributivo. obviamente. Não estou. como vetor de interpretação das regras do sistema. ainda que legislador constituinte. inclusive as cláusulas pétreas. de desenvolvimento sustentado . A solidariedade ultrapassa a dimensão puramente ética da fraternidade. verbis: “Uma das principais características do direito constitucional contemporâneo é a ascensão normativa dos princípios. O que quero afastar desde logo é um argumento que com a devida vênia não parece ter esse amparo constitucional. O termo já não está mais associado apenas ao direito civil obrigacional (pelo qual alguém tem direito ou obrigação à integralidade do crédito ou da dívida). mas também. I. cuja matriz constitucional se encontra no art. Dentre os princípios que vêm merecendo distinção na quadra mais recente está o princípio da solidariedade.105 / DF Mas daí não se pode chegar à conclusão de que qualquer obrigação tributária para fins previdenciários deva ter no futuro um benefício que corresponda de um modo exato àquele ônus. à idéia de justiça distributiva.

105 / DF e de proteção ambiental fundam-se sobre este de princípio. um pacto de confiança entre elas. Em primeiro lugar. essencialmente. como contribuintes e beneficiários contemporâneos entre si. Como bem captou o Ministro Sepúlveda Pertence: ‘Assim como não aceito considerações puramente atuariais na discussão dos direitos previdenciários. na idéia de solidariedade. como é a Seguridade’. inclusive no reconhecimento obrigações com as gerações futuras.” . O modelo de repartição simples constitui um regime de financiamento solidário. também não as aceito para fundamentar o argumento básico contra a contribuição dos inativos. À vista de tais premissas. a de que já cumpriram o quanto lhes competia para obter o benefício da aposentadoria. existe solidariedade entre as gerações. mas à solvabilidade do sistema. pela geração seguinte.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ou seja. no qual os servidores em atividade financiam os inativos e comungam da crença de que o mesmo será feito por eles em algum lugar do futuro. a contribuição previdenciária de ativos e inativos não está correlacionada a beneficios próprios de uns e de outros. existe solidariedade entre aqueles que integram o sistema em um dado momento. no entanto. Pois bem: o sistema de previdência social é fundado. especialmente quando se trata do regime próprio dos servidores públicos. Contribuição social é um tributo fundado na solidariedade social de todos para financiar uma atividade estatal complexa e universal. Além disso.

a imunidade até o limite máximo do benefício do regime geral de previdência. 4o. o compromisso do contribuinte inativo ou pensionista. em última instância. e não apenas com a sua conta junto ao órgão previdenciário. será tributado o valor que supere 50% daquele limite. E no caso dos servidores inativos e pensionistas dos Estados. no § 18 do art. parágrafo único. verifica-se um tratamento diferenciado entre aqueles que já recebem ou que já preenchem os requisitos para receber benefícios em relação àqueles que se enquadrarão no novo modelo. certo. está prevista. Tal situação. Esse limite. 4o.105 / DF Em suma. é com o sistema como um todo. qual seja a vinculação dos seus recursos à manutenção do regime de previdência. que há alguns aspectos. 40. portanto. ao pagar esse específico tributo. qualquer razão para que seja estabelecida uma restrição absoluta à instituição para a contribuição dos inativos. Tal fato obviamente sequer desnatura o que é peculiar à contribuição previdenciária.Supremo Tribunal Federal ADI 3. relacionados ao princípio da isonomia. Daí não haver qualquer incoerência na inclusão dos inativos e pensionistas entre os contribuintes do sistema. todavia. Isonomia Penso. jamais poderia ser Não vejo. no caso dos servidores inativos e pensionistas da União. 60% do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art 201 da Constituição. tendo em vista esta alegada inexistência de causa suficiente. com a capacidade econômica do sistema em honrar os benefícios previdenciários. com a solvabilidade do sistema e. Já para os que ficam sujeitos à regra permanente. do Distrito Federal e dos Municípios. Da leitura do art. que devem ser considerados na análise da Emenda 41. por confundida com a do imposto de renda. Para os beneficiários colhidos pela regra do art. será devida a contribuição sobre o valor dos proventos e das pensões que supere. nos termos da .

no dispositivo impugnado. ensina Canotilho: “Uma possível resposta. A questão [continua Canotilho] pode colocar-se nestes termos: o que é que nos leva a afirmar que uma lei trata dois indivíduos de uma forma igualmente justa? Qual o critério de valoração para a relação de igualdade?” A resposta a tal pergunta reconduz-se à proibição geral do arbítrio. de modo que haveria observância da igualdade quando indivíduos ou situações iguais não são arbitrariamente tratados como desiguais.105 / DF Constituição. Nas palavras de Canotilho. não vislumbro qualquer razão para que se estabeleça uma faixa diferenciada de imunidade entre servidores públicos e empregados da iniciativa privada. Estamos aqui. É como se houvesse uma presunção. de que. sufragada em algumas sentenças do Tribunal Constitucional. não poderia haver cobrança. por parte do constituinte.Supremo Tribunal Federal ADI 3. De plano. Considerado o tratamento diferenciado que a Emenda confere para diferentes grupos. precisamos indagar se há aqui. parece ser um elemento de forte identificação entre os dois regimes. ao linha divisória tem desonerar a parcela um da objetivo de cunho social população que possui uma remuneração mais baixa. diante de uma caso de aplicação daquela dimensão do princípio da igualdade designada por Canotilho como “igualdade justa”. Tal evidente. Para além da exigência de igualdade material (tratamento igual para o que é igual e tratamento desigual para o que é desigual). Sobre o tema. uma discriminação arbitrária. “a fórmula ‘o igual deve ser tratado igualmente e o desigual desigualmente’ não contém o critério material de um juízo de valor sobre a relação de igualdade (ou desigualdade). o princípio da igualdade pressupõe um juízo quanto à própria relação de igualdade. por se estar ainda no âmbito de um mínimo suficiente para a própria subsistência digna. até esse limite máximo do Regime Geral de Previdência Social. reconduz-se à proibição geral do arbítrio: existe observância da igualdade quando indivíduos ou situações iguais não .

(iii) estabelecer diferenciação jurídica sem um fundamento razoável. A primeira. 50 Canotilho. no seu enunciado normativo-material. 4o e os beneficiários do regime geral. critérios possibilitadores da valoração das relações de igualdade ou desigualdade. Este costuma ser sintetizado da forma seguinte: existe uma violação arbitrária da igualdade jurídica quando a disciplina não se basear num: (i) fundamento sério. Esta a justificação de o princípio da proibição do arbítrio andar sempre ligado a um critério material objetivo. A segunda diferenciação é estabelecida entre servidores da União e dos Estados.105 / DF são arbitrariamente (proibição do arbítrio) tratados como desiguais. No caso em exame. será também insuficiente se não transportar já. Direito Constitucional.. 577. entre os beneficiários vinculados ao setor público que estão abrangidos pelo art. a própria qualificação desse referido “fundamento razoável” conduziria novamente a um problema de valoração. O arbítrio da desigualdade seria condição necessária e suficiente da violação do princípio da igualdade. com base no qual são consagrados apenas os casos de flagrante desigualdade. cit. este princípio. . (ii) não tiver um sentido legítimo. verifica-se uma dupla diferenciação arbitrária.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Por outras palavras: o princípio da igualdade é violado quando a desigualdade de tratamento surge como arbitrária. Embora ainda hoje seja corrente a associação do princípio da igualdade com o princípio da proibição do arbítrio. como simples princípio de limite. Penso que. p. do Distrito Federal e dos Municípios.”50 Como bem percebe o próprio Canotilho. a resposta estaria em tratar a proibição do arbítrio como critério essencialmente negativo. nesse ponto.

De qualquer sorte. em razão de moléstias que eliminam por licença gestante. em face do art. da relatoria do Ministro Sydney Sanches (DJ 16. Haverá entre eles tanto pessoas na faixa de cinqüenta anos com aposentadoria de valor elevado quanto pessoas de idade muito avançada e com aposentadorias de valores não muito expressivos. não é fato novo nesta Corte. previsto no art. a que se refere o art. da Constituição. a serem considerados na análise da Emenda 41. Certamente. da Constituição. a aplicação do princípio da igualdade referia-se à garantia de tratamento isonômico entre homens e mulheres no contexto do mercado de trabalho. qualquer elemento consistente a justificar tais diferenciações. 7o. pelo exposto. 14 da Emenda Constitucional no 20 interpretação conforme à Constituição. recordo o precedente fixado na ADI 1946. no que toca à faixa de imunidade. combinado com o princípio da igualdade. tenho como oportuno formular algumas considerações sobre outros valores constitucionais. considero que a violação ao princípio da igualdade afigura-se suficiente para a declaração da inconstitucionalidade do parágrafo único do art.105 / DF Não há. que o estabelecimento de restrições ao poder de emenda.2003). 5o. Segurança jurídica e dignidade humana Refiro-me aos princípios da segurança jurídica e da dignidade humana. A propósito. ademais. diante das razões acima expostas – fixação de um critério que se relaciona a um valor pecuniário mínimo para a subsistência – encontramos uma justificativa séria para a equiparação entre futuros e atuais beneficiários. IV.5. entre aposentados e pensionistas colhidos pela Emenda há situações diferenciadas. . § 4o. excluindo-se sua aplicação ao salário da inciso XVIII. Haverá ainda aquelas situações de aposentadoria não voluntária. ao art. Considero oportuno lembrar. No caso em exame. no caso. Ao contrário. 60.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 4o da Emenda 41. ao lado da igualdade. II. tendo em vista o princípio da igualdade. Naquele caso. em que se conferiu.

todavia. Christian (org.). 1976. Tübingen. p. 2. com o tratamento desigual entre aqueles que de fato são desiguais. Ter-se-ia. por contribuição impõe emenda constitucional. Restaria prestigiado. ao controle de proporcionalidade. em concreto.Supremo Tribunal Federal ADI 3. § 2o. 403 . assim. Bundesverfassungsgericht und Grundgesetz.105 / DF completo a capacidade laborativa. Lembro-me aqui a disciplina legislativa do Imposto de Renda. fórmulas marcadamente 51 Schneider. igualmente. especialmente naqueles que envolvem normas de conformação extremamente aberta (cláusulas gerais. que não há qualquer incompatibilidade para que mesmo o legislador ordinário venha a estabelecer fórmulas que atendam às diferentes situações desses novos contribuintes do sistema previdenciário. e (3) de dignidade humana. poderá afetar diretamente a própria condição de vida digna. ao não se impor um ônus que. Significa dizer que qualquer medida concreta que afete os direitos fundamentais há de se mostrar compatível com o princípio da proporcionalidade. A instituição da segurança jurídica. se de um lado confere maior estabilidade e outro uma normativa mais rígida ao sistema previdenciário. tendo em vista aqueles que sequer possuem alternativas viáveis para contornar a diminuição de renda imposta pela nova contribuição. Tais de situações inativos moldura não pela estão via da diferenciadas pela Emenda. in: Starck. Não obstante pautar-se pelos princípios da generalidade e da universalidade (art. uma autêntica aplicação do princípio da proporcionalidade em concreto. 153. (2) de segurança jurídica. Recordo que a Corte constitucional alemã entende que as decisões tomadas pela Administração ou pela Justiça com base na lei eventualmente aprovada pelo Parlamento submete-se.51 Essa solução parece irrepreensível na maioria dos casos. há disciplina legal expressa a isentar daquele imposto pessoas em situações singulares. Com isto. o princípio da proporcionalidade. ademais. Zur Verhältnismässigkeits-Kontrolle insbesondere bei Gesetzen. vol. como por exemplo os portadores de determinadas moléstias. I). Hans. Penso. estariam atendidas as perspectivas de (1) isonomia. para alguns indivíduos.

1996. 160. 29. Gunnar Falke.1985. É que a solução ou fórmula legislativa não contém uma valoração definitiva de todos os aspectos compõem cada caso ou hipótese de aplicação. 571 s. Eventual dúvida ou controvérsia somente poderia surgir na aplicação “in concreto” das diversas normas53. com base no discutiu a legitimidade de repetição de notícias sobre fato delituoso ocorrido já há algum tempo e que. após analisar a situação conflitiva. Ingo. 164. 53 Richter. quando apreciou pedido liminar contra a Medida Provisória no 173. Schuppert. entendeu Sua Excelência que essas características dificultavam um juízo seguro em sede de cautelar na ação direta de inconstitucionalidade55. pode revelar-se inadmissível se ela coloca em risco o processo de ressocialização do autor do delito”54. Relator para acórdão: Ministro Sepúlveda Pertence. no qual se e circunstâncias que Richter e Schuppert analisam essa questão. RTJ 132. 154. O voto proferido pelo Ministro Sepúlveda Pertence. Essa distinção não passou despercebida ao nosso Supremo Tribunal Federal. Michael. 161. ameaçava afetar o processo de ressocialização de um dos envolvidos no crime. 162. Jakobs. de 18 de março de 1990.105 / DF abstratas)52. Após enfatizar que o que chocava na Medida Provisória no 173 eram a generalidade e a abstração. p. Abstratamente consideradas. concluiu a Corte que “a repetição de informações. especialmente em face de normas restritivas abertas ou extremamente genéricas. 150. as regras de proteção da liberdade de informação e do direito de personalidade não conteriam qualquer lesão ao princípio da proporcionalidade. não mais coberta pelo interesse de atualidade. 202 (237). revela perfeitamente a necessidade de um duplo juízo de proporcionalidade. 55 ADIn no 223. p. Casebook Verfassungsrecht. 165.Supremo Tribunal Federal ADI 3. que vedava a concessão de provimentos liminares ou cautelares contra as medidas provisórias constantes do Plano “Collor” (MPs no 151. Bumke Verlag: CH. 158. por isso.Beck. sobre delitos grave ocorridos no passado. p. chamado “caso Lebach”. No caso. Der Grundsatz der Verhältnismässigkeit. 52 . 54 BVerfGE 35. Köln: Carl Heymanns. 167 e 168).

a conclusão a que cheguei.) Por isso. mas ao abuso de poder cautelar. nesta ação direta. da medida provisória. vero a priori. a meu ver. até onde são elas contenções. como eu. distinguir . gradativamente. que acaba. a toda e qualquer restrição que se faça a concessão de liminar..Supremo Tribunal Federal ADI 3. em tese. inversamente. que a meu ver. dificultam.) essa generalidade e essa imprecisão.. O caso. e só assim poderemos decidir neste processo – até onde as restrições são razoáveis. e onde se inicia. . a validez desta medida provisória. data venia dos dois magníficos votos precedentes. faz eloqüente a extrema fertilidade desta inédita simbiose institucional que a evolução constitucional brasileira produziu.. sobremaneira. podem vir a condenar. acentuou que não aceita veto peremptório. esse juízo sobre a suspensão liminar dos seus efeitos. a acoplar o velho sistema difuso americano de controle de transcrever expressiva passagem do aludido voto. (.105 / DF Vale verbis: “(.. Para quem. sem um plano preconcebido. em tese.. agora. no mérito.. (.) depois de longa reflexão. o abuso das limitações e a conseqüente afronta a jurisdição legítima do Poder Judiciário. é que a solução adequada às graves preocupações que manifestei – solidarizando-me nesse ponto com as idéias manifestadas pelos dois eminentes Pares – não está na suspensão cautelar da eficácia. é impossível. no cipoal de medidas provisórias que se subtraíram ao deferimento de tais cautelares. initio litis. não ao uso regular. a partir da Emenda Constitucional 16.

nenhuma medida provisória pode subtrair ao juiz da causa um exame da constitucionalidade.) O que vejo. da suspensão cautelar. aqui. no caso concreto. na medida em que. por que incompatível com o art. à medida provisória. é que a simbiose constitucional a que me referi. porque nele. em tese. embora entendendo não ser de bom aviso. naquela medida de discricionariedade que há na grave decisão a tomar. 571 (589-590). porque abusiva”56. 5o. p. conceder a liminar. permite controle não deixar de ao desamparo ninguém que precise de medida liminar em caso onde – segundo a premissas que tentei desenvolver e melhor do que eu desenvolveram os Ministros Paulo Brossard e Celso de Mello – a vedação da liminar. deixando de dar aplicação. inclusive sob o prisma da razoabilidade. porque desarrazoada. em relação àquele caso. em cada caso concreto. dos dois sistemas de constitucionalidade da lei.060-4. .Supremo Tribunal Federal ADI 3. creio que a solução estará no manejo do sistema difuso. em ação de paternidade movida por terceiro. por que ofensiva do âmbito de jurisdição do Poder Judiciário. que pretendia ver reconhecido o seu status de pai de um menor. se a entender inconstitucional. No HC no 76.. das restrições impostas ao seu poder cautelar.. XXXV. no qual se discutia a legitimidade de decisão que obrigava o pai presumido a submeter-se ao exame de DNA. para. cit. o Ministro Sepúlveda 56 ADIn no 223.105 / DF constitucionalidade ao novo sistema europeu de controle direto e concentrado.. a julgue inconstitucional. (. se entender abusiva essa restrição. Assim. se mostre inconstitucional.

não estão presentes as circunstâncias – que. que assim tem por si a presunção legal da paternidade e contra quem. tendo em vista o direito fundamental à própria e real identidade genética.Supremo Tribunal Federal ADI 3. A manifestação do eminente Relator deixa claro que conformação do caso concreto pode-se revelar decisiva para desfecho do processo de ponderação.060-4. que mais não seja. A propósito. de hipótese atípica. atinentes ao direito fundamental à própria e real identidade genética – me induzem a insistir na ressalva prudente. por certo. como visto. Não discuto aqui a questão civil da admissibilidade da demanda. . Lex-STF –237. Cuida-se aqui. ao confronto do princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade – de fundamental importância para o deslinde constitucional da colisão de direitos fundamentais – é que se pretenda constranger fisicamente o pai presumido ao fornecimento de uma prova de reforço contra a presunção de que é titular” 57. que. em precedente que acentua essa perspectiva de conformação de direitos fundamentais no caso concreto. não parece resistir. O que. revela-se ilustrativa a seguinte passagem de seu voto: “Na espécie. conduziu o entendimento do Tribunal em favor da concessão da ordem. p. 304 (309). em que o processo tem por objeto a pretensão de um terceiro de ver-se declarado pai da criança gerada na constância do casamento do paciente. se dirige a ação. manifestara-se em favor da obrigatoriedade do exame. por isso. entretanto. na primeira decisão. Relator: Ministro Sepúlveda Pertence. a o 57 HC no 76.105 / DF Pertence.

não vejo qualquer obstáculo a que seja estabelecido. 3o da Emenda. Devo dizer – e aí reside uma das riquezas do sistema brasileiro de controle de constitucionalidade – que tais pretensões poderiam ser subjetivos. 4o. o pagamento da contribuição previdenciária com observância da regra de imunidade prevista no § 18 do art. parágrafo único. ao meu ver. nos próprios processos . da Emenda Constitucional no 41. dos Estados. 40. com o estabelecimento de isenções a partir da identificação de situações singulares que justifiquem tal benefício. meu voto. formuladas. do Distrito Federal e dos Municípios. Conclusão Concluo. uma disciplina legislativa assemelhada àquela prevista para o imposto de renda. bem como os alcançados pelo art. portanto. no âmbito da contribuição previdenciária.105 / DF Feitas tais considerações. incluídas suas autarquias e fundações. na redação da Emenda 41.Supremo Tribunal Federal ADI 3. em gozo de benefícios na data de publicação da Emenda 41. garantindo-se aos servidores inativos e os pensionistas da União. no sentido de − em razão de ofensa ao princípio da igualdade − declarar a inconstitucionalidade do art.

vivemos uma época que enquadraria como de verdadeiro encantamento. Nesse caminhar. aprendi a confiar nos representantes do povo brasileiro. sob a minha óptica. sempre momentânea. com “c” e com “s”. com a extensão ora verificada. confesso que não esperava defrontar com a matéria em debate.dada uma certa política governamental.105-8 DISTRITO FEDERAL (17) AURÉLIO MARCO - Voto V O T O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senhor Presidente. diploma que submete o Executivo. objetivando a segurança jurídica. Os primeiros dias do mandato do novo governante são profícuos quanto à introdução de reformas que visem . Considerei. que a Carta da República a todos sujeita indistintamente. . O Estado tudo pode mas com estrita observância do que se encontra na Constituição Federal. olvida-se que vivemos em um Estado Democrático de Direito. Desde a primeira hora. tão logo apresentado o projeto concernente à reforma da previdência. isolada – a consertar. nos deputados federais e nos senadores da República. submete o Legislativo e o próprio Judiciário. necessitam ser respeitados. o Brasil. que. levando em conta os parâmetros que. Como é normal toda vez que há alternância no Poder.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.

pudessem simplesmente apagar o que estabelecido. Os últimos dirigentes sempre chegaram ao Executivo com um plano milagroso.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Nós. Senhor Presidente. atropelando situações constituídas. hoje. como se. pensavam que o Estado preservaria a conjuntura existente. regime jurídico . Notou-se.a tese fascista . em si.perdoem-me os que entendem de modo diverso . mas tão-somente casos legitimados. de uma hora para outra. no Supremo Tribunal Federal. direito adquirido. mais conflitante com a Lei Maior. de imediato. . Preceitua esse artigo . de uma forma constante. nos respectivos lares. vindo a submeter a esta Corte o que a ela pareceu. Atacado é apenas o artigo 4º da Emenda nº 41. consoante a Carta de 1988. ainda estamos no rescaldo dos incêndios provocados pelos diversos planos econômicos. para ter-se um novo regramento. Um pesadelo.e vemos que não está em jogo situação em curso.segundo a qual não há direito adquirido a regime jurídico. situo a matéria em discussão e vejo que a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP atuou de maneira estratégica. a lei máxima desta República. para aqueles que. o predomínio da visão tecnocrata em detrimento da jurídica. de 19 de dezembro de 2003.

Exa. a distinção dos relativamente do aos servidores Federal. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União. no interior dele. seja o estatutário. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Ainda que se afirme a inexistência de direito adquirido a regime jurídico. permite fazer uma distinção? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Sim. Afirmei. bem como os alcançados pelo disposto no seu art. do Distrito Federal e dos Municípios. somente seria possível se o poder constituinte fosse um poder constituinte . dos Estados. Seja o celetista. O SR. 40 da Constituição Federal com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. disse eu que vivíamos à luz de parâmetros contidos em um documento rígido e não flexível . à época. como já glosado em votos. E aí o parágrafo único estabelece. 3º. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Imaginava-se encaminhar projeto de emenda constitucional ao Congresso.a Constituição do País. à situação jurídica perfeita e acabada.105 / DF Art. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – V. quando. então. incluídas suas autarquias e fundações. não se pode negar esta verdade: há direito adquirido em qualquer regime jurídico. Senhor Presidente. entrevistado por um seriíssimo jornalista de um grande jornal de São Paulo . Distrito Municípios. em gozo de benefícios na data de publicação desta Emenda.Fausto Macedo -. inativos dos e aos pensionistas Estados. que o menosprezo a direito adquirido.Supremo Tribunal Federal ADI 3. contribuirão para o custeio do regime de que trata o art. Obrigado pelo aparte. O SR. servidores e pensionistas da própria União.

Entretanto. certos acontecimentos – refiro-me ao caso Ibsen Pinheiro. visões. nas discussões. E. e se cria um novo país. noticia a que ponto se pode chegar no desvirtuamento dos fatos. como o que existe no Congresso. Refiro-me ao sempre lembrado mestre baiano Rui Barbosa.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ou quando há uma revolução. O jornal. para a mitigação da aposentadoria e do instituto da pensão. caminhou-se. para esquentar o conteúdo da entrevista. quando se desmembra uma fatia territorial. à época. imperando a força das armas. Senhor Presidente. A Revista Isto É. que não dominava e não domina o Direito. apontando que era preciso preservar o instituto da aposentadoria e o da pensão. voz altiva surgiu em prol da preservação de princípios. na oportunidade da elaboração da Carta de 1891. a alcançar situações constituídas de aposentados e pensionistas.105 / DF originário. indagou-me: quando é que se tem o poder constituinte originário? E respondi que se estabelece o poder constituinte originário. apontou que eu estaria a proclamar a conveniência de uma revolução para viabilizar a modificação substancial. da ordem natural das coisas. submetido às balizas do artigo 60. para afastar. que circula esta semana. por exemplo. muito embora essa revelação não recupere o que perdido à época em que versados. inclusive. de forma distorcida. e não derivado. . e não a força do Direito. uma nova nação. que tudo pode. O jornalista.

a jubilação. perenes e irretratáveis.. proclamou ele. socialmente digna.105 / DF “moralizadoras”. santifica os contratos. O cidadão. mediante um ato unilateral da sua autoridade. com a limitação de pessoas. e cujas contas se liquidaram e encerraram com um saldo a seu favor. em face da proposta da Assembléia Nacional Constituinte de expungir do Diploma da República a referência a direito adquirido. a renda assume a modalidade especial de um crédito contra a Fazenda. o reformado. adquiridos. à maneira de usufruto. que com esses credores contraiu. jubilações ou aposentadorias.. por títulos definitivos. por isto mesmo. Presidente. moralmente honesta. Disse Vossa Excelência. na reforma. a reforma. Sob um regime. assim como o a que ela conferiu uma pensão. a esta não seria dado jamais exonerar-se desse compromisso essencialmente contratual. hoje Presidente desta Corte: . que a lei aposentou. juridicamente aceitável. numa situação jurídica semelhante à de outros elementos da propriedade individual. perpétuas e intransferíveis. obrigações que para com eles firmou . logicamente sensata. jubilou ou reformou. distorcidas.Supremo Tribunal Federal ADI 3. e. mas a retribuição de serviços que já prestou. em garantia delas. pela qual se possa autorizar o estado a não honrar a dívida. submete ao cânon da sua inviolabilidade o Poder Público. O aposentado. não recebe esse benefício. o pensionista do Tesouro são credores da Nação. que afiança os direitos adquiridos. Na espécie das reformas. que entraram no ativo dos beneficiados como renda constituída e indestrutível para toda a sua vida. como fiz inserir no voto prolatado no Recurso Extraordinário nº 163. A aposentadoria. na jubilação ou na aposentadoria.204-6/SP. a paga de serviços que esteja prestando. o jubilado. Palavras suplantadas? Não. e. Tenho em mão trecho dos debates ocorridos quando da elaboração da Carta em vigor. adstringe as leis à norma tutelar da irretroatividade. não há consideração de natureza alguma. então constituinte Nelson Jobim. são bens patrimoniais. saldo reconhecido pelo estado com a estipulação legal de lhe mortizar mediante uma renda vitalícia na pensão.

e não pretender que a regra de sobredireito esteja colocada a um nível baixo da lei ordinária. O que temos que ter presente é que a Lei de Introdução ao Código Civil de 1916 é anterior à Constituição de 34. estaríamos introduzindo. . Diz-se. usurpa o domínio de lei que já incidiu. Depois disso. e que está assim redigido: A lei não prejudicará o direito adquirido. porque a retroatividade se caracteriza no seguinte – e eu pediria um breve instante de meditação . Sr. Srs. por influências francesas. é fundamental que se tenha presente que as Constituições brasileiras de 1824 e de 1931 diziam e proibiam. Objetiva-se. Constituintes. com isso.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Diz expressamente Pontes de Miranda.é que a tradição constitucional nossa. a reversão na dimensão fisicamente irreversível. Diz-se e se dirá aqui que somente as Constituições americana. o ato jurídico perfeito ou a coisa julgada. é efeito de hoje. riscando. o voltar no tempo. ao dizerem que era vedado prescrever leis retroativas. a expressão direito adquirido. suprimir do texto constitucional a garantia de que a lei nova não retroagirá. Isso é o que precisamos ter presente.corrigindo-se a referência – que veio definir o problema do direito adquirido. que invade o passado.105 / DF É fundamental que tenhamos a máxima atenção com relação à emenda fusionada de autoria dos Constituintes Agassiz Almeida e Ronan Tito. – estou lendo o teor – a irretroatividade da lei.toda vez que se constitui um fato no mundo social e esse fato é uma hipótese de uma norma legal . pela supressão. Pretende-se que o texto passe a ter a seguinte redação: A lei não prejudicará o ato jurídico perfeito ou a coisa julgada. a possibilidade da retroatividade da norma legal. princípio hoje pacífico e patente no constitucionalismo americano e no sul-americano. cancelando o efeito pretérito: o hoje contra o ontem. que as Constituições européias não prevêem no seu texto a proteção ao direito adquirido. e se levou em conta o problema do direito adquirido. mexicana e brasileira o elevaram a regra constitucional. uma vez que se pretende suprimir do texto do § 4º. Relator sabe disso . em seu Tratado: O efeito retroativo.e o Sr. e se dirá aqui. como também nas regras de sobredireito existentes no Direito Continental. americana e sul-americana é a regra de sobredireito estar esculpida no texto constitucional. Srs. É o § 3º do art. passou o texto a ser redigido de outra forma. Mas por uma razão muito simples .no dizer de Pontes de Miranda – essa norma . Presidente. está-se dizendo que a lei nova não retroagirá. Presidente. Constituintes. Quando se diz que a lei nova não prejudicará o direito adquirido. diretamente. 13 da Constituição de 1891. Sr. ao se suprimir a garantia do direito adquirido.

que tive a possibilidade de sustentar a necessidade nas relações. que é o compromisso desta Constituinte. que é célebre no Brasil. O que se quer. no que diz respeito à saúde da fixação dos contratos de Direito Público. a alterar substancialmente os direitos que se constituíram preteritamente. a incidência da norma jurídica em fatos constituídos anteriormente e o justo de ontem passa a ser o injusto de hoje. ou seja. e. não vale o argumento. E o nosso Direito já prevê que. o problema do Direito Público. um ou dez anos depois. Foi aqui. no que diz respeito ao petróleo. Aqui foi dito e se dirá que isto é uma forma de. Na medida em que admitirmos essa retroatividade. possibilitar as negociações do Brasil com as multinacionais. E continuou Vossa Excelência: Ora. jurisdicionando-o e/ou “jurisdecisando-o”.Supremo Tribunal Federal ADI 3. alterar o sistema jurídico e vir a mexer. ou não. e da eficácia da norma sobre o fato produzse um direito que é o direito de quem tem a possibilidade de exercê-lo. se antes da incidência da norma ao fato concreto. . A regra do direito adquirido não atinge. na medida em que a suprimirmos teremos a instalação da insegurança. em síntese. É preciso que tenhamos presente que o direito é uma técnica de controle social. nas relações jurídicas de Direito Público.105 / DF incide sobre o fato. se isso é verdade. É por isso que clamo pelo não acolhimento da emenda e pela sua rejeição. absolutamente. que é o efeito de constituir um direito subjetivo para depois. tornando-o jurídico. portanto. a possibilidade unilateral da rescisão é algo assegurado à entidade pública. que visa determinada fixação do trânsito social das individualidades e das coletividades futuras. no futuro. é alterar substancialmente uma tradição. porque estará sujeito ao dono do poder do momento. que pode possibilitar e assegurar a manutenção da ordem e a segurança jurídica. nesta mesma tribuna. todo direito que se constituíra anteriormente teria desaparecido. porque estaríamos permitindo a retroeficácia da norma jurídica. produz-se no plano do Direito um efeito. porque ninguém mais terá condição de preestabelecer uma regra de conduta. nova regra dizer que aquele fato não é mais fato gerador de direito. e o direito de ontem passa a não ser o direito de hoje. Isso fere substancialmente um dogma básico na estrutura jurídica. suprimindo o dispositivo.

a contribuição deveria ocorrer em vista de dois objetos: a assistência social e a aposentadoria. então. Isso leva a crer.105 / DF Poderia terminar o voto aqui e simplesmente proclamar que as normas em discussão conflitam. o § 6º.Supremo Tribunal Federal ADI 3. com o direito adquirido. sim. A aposentadoria. constataremos que o sistema não seria elaborado em prejuízo. Se formos ao texto primitivo. reportando-me ao texto primitivo da Carta. é certo. da União. que não encerrava . porque basta. em si. mas em benefício dos servidores. Introduziu-se. a mais não poder. no artigo 40. não fosse esse sentido sempre utilizado pelo legislador pátrio. mas o dever de juiz leva-me a tecer considerações sobre a previdência no setor público e no correr dos anos. a Emenda Constitucional nº 03/93 a contribuição dos servidores na . veio à balha a Emenda Constitucional nº 03. abriu-se margem à disposição. já alterado pela Emenda Constitucional nº 41. E. pelos Estados. que a contribuição deveria ficar a cargo de servidores na ativa.e por isso mesmo não cabe falar em critério atuarial – o sistema contributivo. devendo os aposentados contribuírem para uma nova aposentadoria? A aposentadoria no além prescinde de contribuição. para alcançá-la. Em 1993. a própria morte. Na Carta de 1988. ao § 1º do artigo 149. Previu. mais que isso. a satisfação dos proventos e de pensões sempre se mostrou ônus. sobre o caráter contributivo. visando o custeio da previdência local. assegurado constitucionalmente.

no que o artigo 13 preceitua que. às situações jurídicas em curso. O legislador. à previdência social. com a Emenda nº 20/98. então.112/90.foi pedagógico o legislador. observando os ditames constitucionais. 15 e 16 introduzidos no artigo 40. relativo aos trabalhadores em geral. ele foi adiante e. para aplicar-se aos servidores já integrados ao sistema. que a integração ao novo sistema dependeria da manifestação expressa do servidor . será lavrado termo do qual constarão direitos e obrigações inalteráveis por qualquer das partes. Dispôs-se que a adoção desse teto por União. Estados e Municípios necessitaria da criação da previdência complementar. no § 16. olvidando a dignidade assegurada pela Carta da República. a revelar que o regime jurídico – então único – dos servidores da União é o regime contratual. segundo a qual não há direito adquirido a regime jurídico. quanto a proventos e pensões. não bastasse a Lei nº 8. a adoção do teto. mediante o § 14. Viabilizou-se. quando da posse do servidor. no entanto. previu. um substancial avanço: afastou-se expressamente essa proclamação linear. que não foi alterada pela famigerada Emenda Constitucional nº 41/2003: . Leio a norma.Supremo Tribunal Federal ADI 3. como se se pudesse brincar com o próprio homem.105 / DF ativa. Refiro-me aos §§ 14. Disse eu que a Emenda nº 20/98 veio a desmitificar assertiva de não haver direito adquirido a regime jurídico. Houve. não parou aí com a Emenda nº 20/98.

desprezar a natureza jurídica do que serve a manter hoje. da pensionista. sob pena de grassar a babel. com política institucional . é um Tribunal compromissado com princípios que são perenes. a política governamental em curso.que consagre. o servidor ativo/servidor inativo do pensionista ou. em si. a quadra vivida. como apontei. refiro-me à palavra “política” . confiando nas balizas oferecidas para a prestação dos serviços. que durante um bom período teve assento na cadeira que está à minha direita.porque o Direito é uma ciência. vocábulos com sentido próprio – o servidor ativo do servidor inativo.105 / DF § 16 Somente mediante sua prévia e expressa opção. Não podemos. possui institutos. esses princípios. respeitando-se o previsto no tocante à satisfação de proventos. O que é isso senão a admissão do direito do servidor ao respeito ao regime jurídico presente quando da arregimentação? Submeteu-se ele a um concurso público.Supremo Tribunal Federal ADI 3. no campo tributário. sempre proclamou que o Supremo Tribunal Federal. o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de previdência complementar. considerado o serviço público. como guarda da Carta da República. a . confundir expressões e partir para o significado dessas expressões segundo.no bom sentido. O ministro Néri da Silveira. A aposentadoria visa à ociosidade. no sistema contributivo. na maioria das vezes. Precisamos distinguir . Não podemos.

O SR. deixei claro que. IV. que está noS artigos 37 e 194. E tudo isso garantido duplamente pela cláusula da irredutibilidade. como disse Celso Antonio Bandeira de Mello. sem querer comprometê-lo com esta minha tese —— tenho esse cuidado de dizer ——. de outro lado. Há peculiaridades que fazem dessa contribuição um instituto especialíssimo. e aí .105 / DF própria previdência social.desconhecer o que Sacha Calmon afirma como natureza comutativa e sinalagmática da própria relação jurídica Administração Pública. embora não se possa de todo afastar o caráter tributário da contribuição previdenciária. se não bastasse a questão do direito adquirido.Supremo Tribunal Federal ADI 3. paridade entre os vencimentos e os proventos.perdoe-me quem sustenta o contrário . seria um direito adquirido qualificado pelo fato de sua transformação em ato jurídico perfeito. retribuição. É o único direito —— a aposentadoria e a pensão —— para cujo gozo o servidor público despende recursos do seu bolso. foi muito feliz ao falar da irredutibilidade enquanto modalidade de . no entanto. Ele entra numa relação jurídica tricotômica: de um lado. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO . Lembro-me de que o Ministro Sepúlveda Pertence. é preciso. E. contribuição. vê-la não como ortodoxa figura de Direito Tributário.Vossa Excelência me permite um aparte? No meu voto. Estado e servidor aposentado. por um terceiro lado. ou entre os vencimentos e a pensão que vier a ser concedida.

que chegou às nossas mãos por intermédio da CONAMP. no caso da contribuição criada. tivemos até a sinceridade dos dirigentes. é um direito adquirido qualificado.Presidente. Ora. no pensar do Ministro Sepúlveda Pertence. Nele há sempre uma coerência que faz dele um dos mais luminosos e definitivos juristas deste País. Não há contradição no fato de Celso Antonio pensar juridicamente por meio de um parecer ou pensar por meio de uma monografia. para fazer caixa. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO . acrescentando algo ao direito adquirido. Presidente. lido pelo eminente Ministro Eros Roberto Grau. Espero não estar traduzindo mal o pensamento de Sua Excelência. é possível. confirmando aquilo que sabemos de Celso Antonio. de uma forma categórica. lançar mão da contribuição? Não. A . A irredutibilidade. E Celso Antonio Bandeira de Mello. ou seja. pareceme.Supremo Tribunal Federal ADI 3. porque se apontou.à salvação da previdência social. é um “plus” em relação ao direito adquirido puro e simples.105 / DF direito adquirido. concordando com o pensamento que Vossa Excelência vem desenvolvendo até agora. confirma exatamente o que diz no seu livro “Ato Administrativo e Direito dos Administrados”. De sorte que agradeço ainda uma vez o aparte a mim concedido. num parecer. sem uma contraprestação. que ela visa – da mesma forma que o IPMF/CPMF à salvação da saúde . a quem tanto admiro. que tenho como primoroso.

Uma família com renda mensal de R$ 7. perfazendo.500 paga R$ 2. e não mais apenas tributo a tributo. e R$ 740 em despesas com saúde e educação. Refiro-me ao confisco. E.Supremo Tribunal Federal ADI 3.500.006 mensais em tributos e contribuições diretos. se não me falha a memória. do mês de junho. R$ 531 mensais são gastos em tributos e contribuições diretos. deparei com um rol de 37 tributos hoje existentes no Brasil. Há mais. como um verdadeiro imposto. hoje em dia. a meu ver.105 / DF exação que se cobra. surge. e R$ 1. 37% do Produto Interno Bruto. no caso.500. desses R$ 2. ou não. Esclareceu-se que. tendo em conta a exacerbação da carga tributária .680 em dispêndios . O confisco precisa ser manejado por esta Corte no contexto da carga tributária. R$ 1. A publicação é de revista de grande circulação no território nacional.110 em tributos indiretos. Teve-se presente uma família com renda mensal de R$ 2. Num levantamento feito. mais dia ou menos dia. numa evolução da própria jurisprudência. neste julgamento. Há de perquirir-se se há confisco. Presidente. Publicação recente revelou uma simulação da carga tributária direta e indireta.hoje. que deveriam ser providos pelo próprio Estado. R$ 390 em tributos indiretos. por coincidência. fixarei um ponto de vista sobre um outro instituto que será considerado pela Corte. um dos maiores empecilhos para o crescimento da nação e criação de empregos para os jovens projetados no mercado ano a ano.

ou seja. com um preceito que obstaculiza a incidência da contribuição sobre proventos e pensões. Refiro-me ao Verbete nº 359. até hoje . consoante o qual a aposentadoria é regida pela legislação em vigor na data em que atendidos os requisitos fixados em lei. de onerá-los. o § 12. notamos a soma de infelicidades para aqueles que hoje estão aposentados e para aqueles que hoje recebem pensão. que determina a observância dos parâmetros da previdência geral relativamente aos servidores. Refiro-me ao inciso II do artigo 195.9% da renda familiar.e vigorou. surgindo daí um direito no patrimônio dos trabalhadores em geral -. Presidente. Há aqui configurado um verdadeiro confisco. constantes da legislação ordinária e. acima de tudo. Há mais. repito. que. da . Um total de R$ 4. 63.796. digo mesmo a audácia.105 / DF com saúde e educação. dos vencimentos dos servidores. também. Diante do quadro. Esta Corte conta com uma jurisprudência sumulada a respeito da segurança jurídica. o ministro Gilmar Mendes com uma inversão. deveriam ser custeados pelo Estado.Supremo Tribunal Federal ADI 3. E a Emenda Constitucional nº 41 não aboliu do cenário jurídico o dispositivo do artigo 40. no que. portanto. tem-se a audácia. Desejo parafrasear. a par de não se repor o poder aquisitivo dos benefícios. A Carta de 1988 vigora.

As incoerências. aqueles que hoje têm. as pensões que vinham sendo usufruídas. em relação a esses servidores . virão a contribuir. . pensionistas. que está no ápice da pirâmide das normas jurídicas. A Emenda Constitucional nº 41/03 preservou os parâmetros alusivos aos proventos quanto à quantia a ser observada. rasgando a Carta da República. paulatinamente. ocorria a diminuição dos proventos -. desconhecendo a norma do artigo 60. portanto. a qual incentivou a permanência no serviço -. o abono igualizado ao tributo incidente. diria que se deu uma no cravo e outra na ferradura. surpreendendo aqueles que se encontravam nos respectivos lares. às regras da pensão. Presidente. certos do respeito às regras da aposentadoria.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a nos mostrar que. para compensar essa maldade feita num mês de festas.introduzida pela Emenda Constitucional nº 20/98. e. em vista do instituto do direito adquirido. com a passagem do tempo. sofrerão uma diminuição de onze por cento do que percebido. que estão na ativa hoje. se resolverem se aposentar. saltam aos olhos. Da mesma forma. Também aqueles que usufruem pensão e os detentores da imunidade constitucional . a 1988. como deveria ocorrer. preservou. não contribuem. Aposentados da União que não contribuíram e se aposentaram sem contribuir – se vivos – virão a contribuir. Ter-se-á.e repito aqui. porém.105 / DF Constituição Federal. a meu ver. voltamos ao estágio anterior. um decesso. De outro lado. o mês de dezembro. a esses aposentados.

quinze anos. mas desde que proceda com observância irrestrita ao que se contém na Constituição Federal. e a dignidade da pessoa humana. diria mais. olvidou-se o § 4º do artigo 60 da Constituição Federal. por isso mesmo. quatro. não podem ser tidos os aposentados e pensionistas como bodes expiatórios -. cinco. principalmente da União .105 / DF criou essa contribuição que.porque se cobra seriedade dos representantes do povo a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais. a todos os olhos. talvez para minimizar o rombo da previdência social e da previdência dos servidores públicos. dois. criou esse ônus referente ao “custeio”. Volto a afirmar que o Estado tudo pode. a título de contribuição.Supremo Tribunal Federal ADI 3. segundo o qual não será objeto de deliberação . é algo que conflita frontalmente com a nossa Constituição . realmente. criouse o tributo. constatar que a República Federativa do Brasil é um Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos a cidadania. a esta altura. quanto a servidores que estão aposentados há um. precisamos preservar a Carta da República para. um ônus. Ao ser aprovada e. não é uma contribuição. a pressupor uma vida gregária sob ordem. três. diminuindo-se-lhes os proventos.que. e contribuição não é. não foi provocado pelos servidores públicos e. introduzir. ao tramitar a PEC que deu origem à Emenda Constitucional nº 41/03. E. Ou seja. ou mais. visando ao “custeio” da própria previdência. certamente. rotulando de contribuição. Presidente. dez.

105 / DF Federal e implica. portanto. o pedido inicial. julgando procedente. para acompanhar a relatora. declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º como um todo. . ofensa à dignidade da pessoa humana. até mesmo.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O que se dirá relativamente a pensionistas? Peço vênia aos Colegas.

CARLOS que o VELLOSO: --- Sustento. do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. seria a própria Constituição que estaria a excepcionar a regra. como juiz federal em Minas. que não estabelecia. É que. assim. se fosse admissível a afirmativa. É nesse sentido. aliás. consagrando a Constituição tais garantias. sustentei. ficaria a Constituição contraditória com ela própria. certo que a afirmativa no sentido de que a emenda constitucional passa a integrar o texto constitucional e. Sr. jurídica. no ano de 1971. deve constituinte respeitar o direito adquirido. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. de Ministro longa data. É que. que uma emenda constitucional não poderia afrontar as garantias do direito adquirido. que constituem garantias constitucionais da segurança Ainda sob o pálio da Constituição pretérita. como cláusula pétrea. há de ser entendida cum grano salis.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. não seria possível ao constituinte derivado afrontá-las.105-8 DISTRITO FEDERAL (17) VELLOSO CARLOS - Voto V O T O O Presidente. . a lição de Caio Mário da Silva Pereira (Caio Mário da Silva Pereira. derivado Sr. expressamente. os direitos e garantias individuais.

Del Rey Ed. de Direito Público nº 21/174. poucos constitucionalistas se dedicavam ao tema. Todavia. lª ed. 2ª tiragem. Presidente. Rio. que o saudoso Geraldo Ataliba publicou na Rev.Aposentadoria – Direito Adquirido . está presente nesta sessão.Das Limitações do Poder Constituinte Derivado" está reproduzido no meu "Temas de Direito Público". Ministros. I.. contornos diversos. 1961. de ministro Tribunal melhores do de antigo Justiça. a questão aqui debatida assume contornos diferentes. Tenho. 457 e segs. Naquela época. mestres Direito Constitucional Tributário Geraldo . Com efeito. 125). vol.. pois. 1997. Belo Horizonte. compromisso com a tese jurídica acima exposta. Interessante que o ilustre Procurador da entidade de direito público  a UFMG  que sustentara tese contrária. de Tribunal que Federal o de Recursos e do na Superior linha  dos perfilho entendimento. sobretudo. Sr.105 / DF "Instituições de Direito Civil". Transformei a sentença em artigo de doutrina.). Forense. Desde o meu tempo de juiz federal em Minas e. O artigo sob o título "Servidor Público . págs.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Srs. pág.

3) as contribuições. contribuições de seguridade social (C. 2) as taxas de serviço e de polícia (C. consagrando o caráter tributário dessas contribuições. art. contribuições do sistema "S". 153..Supremo Tribunal Federal ADI 3. art.3.2. Finalmente.2. § 5º. art. que são as contribuições 3.2. Existiam os que. 149).105 / DF Ataliba. 195). 155.F. § 4º) e 3. especiais. 149) e 3. II).. . que se constituem em 3. 145.1.2. de que as contribuições previdenciárias constituem espécie tributária. 239. FGTS.2. Sacha Calmon. art..F. III). SENAI.. 212.2.2.1. art. 240).. contribuições de seguridade social decorrentes de novas fontes (C. dentre outros . SENAC. art. I: arts.F..1 contribuições sociais (C.2. art. O Sistema Tributário inscrito na Carta Política vigente tem como componentes os tributos. 195.2. Paulo de Barros Carvalho. de intervenção (C. que são 1) os impostos (C.1.1.1. 154. Aliomar Baleeiro. que se desdobram em 3. a questão apresentava polêmica. não emprestavam às contribuições previdenciárias caráter tributário.2.F. A Constituição de 1988 acabou com a polêmica. José Souto Maior Borges.F. 145. contribuições sociais gerais (salário educação. as contribuições parafiscais podem ser 3. art. art. corporativas (C. Roque Carrazza. que se classificam em 3. ardorosos fiscalistas.1. arts. Misabel Derzi. Luciano Amaro. SESI (C.2. contribuições parafiscais.2. 156). PIS. 145. Rubens Gomes de Souza..F...2.F.F. Até a promulgação da Constituição de 1988. contribuições de melhoria (C.F. Hugo de Brito Machado. 3. 3.

a destinação do produto da arrecadação dessas contribuições constitui característica destas (C. que "A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Recentemente." No que concerne. 149-A). É que. 148. hoje denominadas contribuições de seguridade social. declarando inconstitucional a taxa de iluminação pública. instituiu a contribuição municipal e distrital para o custeio do serviço de iluminação pública (C.F.a destinação legal do produto da sua arrecadação. a EC 39/2002. Não há mais dúvida..F. não prevalece.F.. 149 e 149-A). sendo irrelevantes para qualificála: I . compõem o Sistema Tributário Constitucional os empréstimos compulsórios (C. art. Ao cabo. art. I e II). O Código Tributário Nacional estabelece. são espécies tributárias.a denominação e demais características formais adotadas pela lei. às contribuições parafiscais. art.105 / DF 149). no art. entretanto. 4º. A lição da professora Misabel Derzi é significativa: escrevendo sobre as contribuições parafiscais. constante de norma infraconstitucional.. II . não há mais polêmica: as contribuições previdenciárias. por força de disposição constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. essa regra. diante de decisão do Supremo Tribunal Federal. .

515. o salário-educação.F. as contribuições sociais gerais visam financiamentos específicos. 1999. que é constitucionalmente determinada. finalisticamente afetados. que Misabel atualizou.. pág. "Curso de Direito Constitutional Tributário".” (Misabel Derzi.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 167. 23ª ed. Malheiros Ed. mas de contribuições ou de empréstimos compulsórios. art. como..F. VII e XI).." Mais: "A Constituição de 1988 não denomina os tributos. 2003. Assim. § 5°).F. em Aliomar Baleeiro. a contribuição de seguridade social financia a seguridade social (C. “Direito Tributário Brasileiro".F. Roque Carrazza. pág. dando à destinação que lhes é própria relevância não apenas do ponto de vista do Direito Financeiro ou Administrativo. As contribuições de intervenção constituem instrumento de atuação da União (C. A contribuição denominada CIDE. de impostos.. art. No mesmo sentido: Hugo de Brito Machado.. por exemplo..105 / DF acentua a eminente mestra que “a sua peculiaridade reside essencialmente na destinação do produto arrecadado. Malheiros Ed. 149). Ed. art. . art.. "Curso de Direito Tributário". mas igualmente do Direito Tributário (ou Constitucional). Forense. 72. o produto de sua arrecadação tem destinação certa (C. que financia o ensino fundamental público (C.. 19ª ed. 1033).. 212. 195. 11ª ed. contribuição de intervenção no domínio econômico. pág.

.. conforme foi dito... da Constituição Federal: "Art.105 / DF art.. não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art... b. Financiam.F. Esta.. II... no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade. por exemplo. 195... de forma direta e indireta.. Examinemos a contribuição de seguridade social.. A seguridade social será financiada por toda a sociedade. julgou inconstitucional ato normativo que destinava citada contribuição para finalidade outra que não a prevista na Constituição.. mediante recursos provenientes dos orçamentos da União. 195. Recentemente..Supremo Tribunal Federal ADI 3.. art... 195.. II.. 167. dos Estados..." ... Vale transcrever o art. do Distrito Federal e dos Municípios. A contribuição do trabalhador e demais segurados não objetiva financiar apenas um certo benefício ou certos benefícios. sim. As contribuições corporativas financiam entidades representativas das categorias profissionais. como. 201.. c)... e das seguintes contribuições sociais: (EC 20/98 e EC 42/2003) I. VIII e XI... ... 149)... art... a seguridade social.. a contribuição para a OAB (C... II.. § 4º. nos termos da lei. a. financia a seguridade social: C... 177.. art.. o Supremo Tribunal Federal..F.do trabalhador e dos demais segurados da previdência social.

a dos trabalhadores e demais segurados. social e saúde. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. a seguridade social. registrou Ministro Eros Grau. da seguridade que são o nesta os compreendida benefícios que previdência podem ser certo concedidos. que proclama: “A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade. o da solidariedade: toda a sociedade participa desse financiamento. vale repetir.105 / DF O financiamento da seguridade social tem uma marca.” É dizer. art. espécie tributária. não para o fim específico de obtenção do benefício social. mesmo porque. à previdência social e à assistência social. assenta-se numa tripeça: segundo a Constituição. é instituída. União. O conceito de seguridade social está na Constituição. de forma direta da e indireta. dos mediante Estados recursos e dos provenientes e dos das orçamentos Municípios. 194. art.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes . contribuições sociais. dentre essas. A contribuição de seguridade social. diversos aposentadoria. 194. portanto. mas a para o financiamento social. previdência assistência social.

uma certa classe de servidores públicos. a previdência social e a assistência social. o sujeito ativo e o sujeito passivo. a dos inativos. como direito ou vantagem dele conseqüente. a hipótese de incidência descrita. princípios constitucionais tributários. em abstrato. Os aposentados são funcionários públicos de uma categoria especial. com abrangida observância por dos imunidade tributária. certo que no julgamento do RE 163. Presidente. então. ligadas diretamente ao cargo ou ao posto do inativo. em concreto. que a contribuição aqui tratada é um tributo e que ela se destina a financiar a seguridade social. Uma lei física que ou jurídica. não há direito em não ser tributado. na lei. Sr. a base de cálculo ou base imponível. que descreva em abstrato a hipótese de incidência. também. Estabelecido. invoquei lição do professor Haroldo Valadão no sentido de que "a aposentadoria e a reforma acham-se. à previdência social e à assistência social. a menos que esteja a pessoa. compreendendo esta a saúde. são funcionários inativos" (RTJ 166/267-274). um tributo. atinge a todos os sujeitos passivos que realizarem.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a alíquota.105 / DF públicos e da sociedade. sem previsão expressa. institua. examinemos se seria possível afastar da incidência do tributo.204/SP. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. .

. na realidade. com a seguinte redação: "§ 6°. posta na Constituição como isenção. o § 6º.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 40. § 7º.105 / DF Os servidores públicos  ativos e inativos  não são contemplados por imunidade tributária relativamente à contribuição de seguridade social. 201 da Constituição.. e 1. Relator o Ministro Moreira Alves. No texto primitivo da Constituição vigente não havia proibição expressa da incidência da contribuição sobre os proventos dos servidores públicos. são estas: 1) do art. § 7º). relativamente à essa contribuição. Relator o Ministro Octavio Gallotti. II)." (C.F. no art. 195. 2) a dos aposentados e pensionistas do regime geral da previdência social de que trata o art. As imunidades. A Emenda Constitucional nº 3. 195.. que gozam de imunidade tributária relativamente à contribuição de seguridade social (C. 195. As aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais serão custeadas com recursos provenientes da União e das contribuições dos servidores públicos. é imunidade tributária: "São isentas de contribuição de para a seguridade que social as às entidades exigências beneficentes assistência social atendam estabelecidas em lei. art.F.441/DF.430/BA. incluiu. de 1993." Esse dispositivo constitucional foi trazido à apreciação do Supremo Tribunal Federal nas ADIs 1. mas que. art. na forma da lei.

da incidência de contribuição para o custeio da previdência social.. 195. de 17 de março de 1993: ‘§ 6º. assim. Relator o Ministro Octavio Gallotti. Insuficiente relevância.. pela Emenda n° 3. ao âmago da proposição dos requerentes. 40. acrescentado.” No seu voto.10.) Chego. aos proventos dos servidores públicos inativos. na forma da lei.96) indeferida. Assim a ementa da do “EMENTA: Extensão. § 6º. que exclui os servidores aposentados da permissão contida no § 6º. de argüição de sua incompatibilidade com os artigos 67. As aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais serão custeadas com recursos provenientes da União e das contribuições dos servidores. por maioria. ao art.105 / DF Na ADI 1. Medida cautelar (“DJ” de 18. 194. o eminente Ministro Octavio Gallotti acentuou: “(." . 40 da Constituição. IV e 195. o Supremo Tribunal Federal indeferiu a cautelar de suspensão eficácia acórdão: das normas legais objeto da causa. §§ 5º e 6°. em juízo provisório e para fins de suspensão liminar. II. todos da Constituição Federal.Supremo Tribunal Federal ADI 3.441-MC/DF.

enquanto para estes últimos é somente estatuída a preservação do valor real do benefício original. destinada aos segurados do regime geral da Previdência Social. inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria. Essa perfeita simetria. sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. sendo também estendidos aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade. é realçada pela disposição do § 4° do art. na mesma proporção e na mesma data. concernente aos servidores públicos. na forma da lei. com a pessoa jurídica de direito público para que hajam trabalhado. entre vencimentos e proventos. até mesmo os decorrentes de transformação ou reclassificação do cargo ou função. XIV e XVI do art. Não é por outro motivo que interdições. que nenhum liame conservam com seus empregadores após a rescisão do contrato de trabalho pela aposentadoria. são por igual aplicáveis tanto a servidores ativos como a inativos. bem como a de acumulação remunerada (incisos XI. preservam os servidores aposentados um remarcado vínculo de índole financeira. § 2°. no silêncio da Constituição. e ver-se-á que. 40 da Constituição: "§ 4°. Os proventos da aposentadoria serão revistos. tais como a imposição do teto de remuneração e as proibições de vinculação ou equiparação de vencimentos. 201. do cômputo de acréscimos pecuniários percebidos ao mesmo título. são àqueles são estendidos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos funcionários em atividade. .105 / DF Ao contrário dos trabalhadores na iniciativa privada. XIII." Contraste-se essa norma. com a do art. 37 da Constituição).

Supremo Tribunal Federal ADI 3. como se viu. jamais a do diploma que haja julgado dispensável tornar expressa a recomendação de dar-se cumprimento à Constituição. 195. dessarte. o Supremo Tribunal Federal indeferiu a cautelar. cujos proventos são suscetíveis. a meu ver. Indefiro. que a cláusula de vigência a partir da publicação não está a merecer a crítica de inconstitucionalidade por omissão que lhe irrogam os requerentes. até os motivados pela alteração das atribuições do cargo em atividade. A vigência antecipada da norma instituidora da contribuição é o pressuposto necessário do termo inicial do prazo de noventa dias. com esta incompatível. de elevação do próprio valor intrínseco.” Na ADI 1. portando o acórdão a seguinte ementa: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. será de arguir-se a inconstitucionalidade da execução da cobrança precoce. em seu art. a dar pela procedência da ação. indispensável à sua exigibilidade. Se efetuada antes do prazo. Relator o Ministro Moreira Alves. Argüição de .105 / DF Dita correlação. jamais podendo ser.430-MC/BA. compromete o do argumento dos requerentes. no sentido de que não existiria causa eficiente para a cobrança de contribuições do aposentado. por fim. relevância jurídica para a sua concessão. não apenas da sua representação monetária. § 6°. ainda. Pedido de liminar. capaz de assegurar aos inativos aumentos reais. no juízo provisório próprio da apreciação de liminar. não sendo demais observar. Entendo. como sucede com os trabalhadores em geral. que da execução da norma impugnada. por isso mesmo. porventura. o requerimento cautelar. não decorre a ineficácia da decisão de mérito que venha. Falta portanto.

105 / DF inconstitucionalidade de expressões e de incisos constantes da Lei nº 6. . do Estado da Bahia.T.95. de 10. sem a EC 20.12.915. não permitia a cobrança de contribuições sobre servidores aposentados e dos pensionistas. Quando do julgamento da ADI 2.A fundamentação jurídica do pedido não tem a relevância necessária para a concessão da cautelar requerida. sem a EC . de 1999. de 1998.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Precedente do S.F. entretanto. introduziu a não-incidência da contribuição sobre os aposentados e pensionistas. 40 da CF. sobre o fundamento de que a EC 20.010-MC/DF: “Gostaria de dizer duas palavras a respeito. 1º da Lei 9. (ADIN 1.010-MC/DF. Custeio da previdência mediante contribuição dos servidores inativos e dos pensionistas. em que se indeferiu o pedido de liminar) com relação à contribuição social para os servidores inativos da União.98. Na redação do § 6° do art. de 1998.96) de liminar indeferido.” (“DJ” de A EC 20. a questão se limitava a esta indagação: os servidores inativos estariam abrangidos entre os ‘servidores públicos’ ali referidos? É que o citado § 6° do art.441. Pedido 13. não obstante a questão já estar decidida. os proventos dos Disse eu no voto que proferi na citada ADI 2.12. alinhei-me entre os que concederam a cautelar para suspensão da eficácia do art.783. de 15. 40.11. Quero documentar a minha posição.

’ A conclusão. de 1988. I e II). II  expresso está que não ‘incidirá contribuição sobre a aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. É dizer. é que não há autorização constitucional para a cobrança de contribuição de seguridade social dos servidores aposentados e dos pensionistas. no caput do art. Acontece que a EC 20. Com a redação da EC 20. a cautelar. 40.105 / DF 20. ao regime da seguridade social. O art. arts. não autoriza cobrar contribuição do servidor inativo. no ponto. entre os quais se incluem os servidores públicos  art. é que a Constituição. com a redação da EC 20. então. retirou a regra que poderia emprestar legitimidade constitucional à contribuição dos servidores aposentados. 194 e seguintes. então. 195. 40. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. estabelecia que as aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais seriam custeadas com recursos provenientes da União e das contribuições dos servidores. Esta conclusão mais se reforça diante do disposto do § 12 do art. A conclusão. de 1998. 40 da CF. 201. o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará. eliminou o citado § 6º do art. de 1988. Ministro Relator e defiro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. no que couber. redação da EC 20. E no que toca às contribuições dos demais segurados da previdência social.’ Vamos. com a EC 20. 195. inscrito na Constituição. dispõe exatamente sobre o financiamento da seguridade social (art.” . pois. na forma da lei. ao estabelecer que ‘além do disposto neste artigo. estabeleceu-se que aos servidores titulares de cargos efetivos ‘é assegurado o regime de previdência de caráter contributivo. Acompanho o voto do Sr. já que o servidor aposentado não é mais titular de cargo efetivo. 195.’ Indada-se: o servidor aposentado seria titular de cargo efetivo? A resposta parece-me negativa.

Sr. Deferi a suspensão cautelar do art. a constitucionalidade do referido artigo 4º. para de a 1998. argüiu-se a inconstitucionalidade de lei ordinária frente à Emenda Constitucional nº 20. Especulou-se.783.010/DF. cujo voto foi acima transcrito. Agora.105 / DF Vejam bem. Presidente. de 1998. agora. Presidente. não autorizava a incidência da contribuição sobre os proventos dos servidores aposentados. Não há como deixar de reconhecer. de 1999. a EC 41. de 2003. com esse meu voto. que o meu em voto. porque eu já me manifestara dessa forma na ADI 2. A mídia veiculou. vezes.Supremo Tribunal Federal ADI 3. a não submeter-se a um tributo instituído por lei com observância dos princípios constitucionais tributários. da EC 41. a EC 41. art. 1º da Lei 9. muito. estamos diante de Emenda Constitucional. Na ADI 2. expressamente estabelece a incidência do tributo (EC 41/2003. 4º). Sr.010/DF. de 2003. por isso que não há falar em direito adquirido a não ser tributado. Mas o que acontece. da não há apenas autorização constitucional instituição contribuição. diversas julgando. Somente escapam da . é que. favor nesta dos ação direta e que estamos deveria ser aposentados pensionistas. no caso. de 2003. simplesmente porque a EC 20.

entretanto. tais proventos. nenhuma influência tiveram na elaboração deste voto. constitucionais abrangidas por físicas imunidade tributária. muitas e muitas delas com pingues proventos  centenas de aposentados ainda moços. está municipais déficit distritais. no pagamento amargando aposentadorias e pensões dos servidores públicos. Pareceme adequado que seja esse pagamento realizado. que paga. indiretamente. Presidente. O trabalhador de salário-mínimo. contribuições e federais.Supremo Tribunal Federal ADI 3. social estaduais. Alguém há de pagar. É que não há almoço de graça. que trabalham em diversos setores do mercado de trabalho  esses proventos estariam sendo financiados pela sociedade. em termos metajurídicos. tributária com as legitimamente dos e instituída. orçamentos previdência por seguridade toda a social é pelas financiada. Uma palavra. então. vale dizer. mediante contribuição razoável. observância pessoas. no caso. mas que devem ser ditos tendo em vista que muitos trouxeram para o debate considerações dessa ordem. . por exemplo. Sr. em e termos pelos Se a das sociedade. A solidários. argumentos metajurídicos que. pelos beneficiários. IPI e ICMS sobre o cigarro miserável que fuma.105 / DF incidência instituída tributários. Imunidade tributária não há. estaria financiando. princípios jurídicas.

21 da Constituição Federal”. de igual expressão: “sessenta por cento do”. No que concerne à alegada inconstitucionalidade de expressões inscritas nos incisos I e II do parágrafo único do citado artigo 4°.105 / DF Este. dou pela inconstitucionalidade das expressões: “cinqüenta por cento do”. contribuição parcela dos proventos e das pensões que supere o “limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. Concluindo a primeira parte deste voto. incidirá apenas federais. No inciso I. é um raciocínio metajurídico. sobre a estaduais municipais. 4º. dou pela constitucionalidade do art. que não cabe ao Judiciário fazer e que certamente foi feito pelos poderes políticos. da EC 41/2003.Supremo Tribunal Federal ADI 3. caput. adiro ao magnífico voto do Ministro César Peluso. no inciso II. . É como voto. para os servidores e públicos aposentados a e os pensionistas. Assim. por ofensivos ao princípio isonômico. entretanto. o Executivo e o Legislativo.

105-8 DISTRITO FEDERAL V O T O (Confirmação) (1) BARBOSA JOAQUIM - Voto de Confirmação O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA: Sr. Presidente. peço a palavra simplesmente para confirmar o voto que proferi na primeira assentada.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. com um pequeno ajuste: também adiro à conclusão do ministro Cezar Peluso. .

assim expôs. até a data de publicação da Emenda Constitucional em questão. 4º da EC nº 41/2003. aos servidores públicos aposentados e aos que já cumpriram. 5º. incisos XXXVI. § 4º. 4º da EC nº 41/2003. da ao impugnar a legitimidade sobre incidência contribuição previdenciária servidores inativos e pensionistas.868/98.105-8 DISTRITO FEDERAL (55) MELLO DE CELSO - Voto V O T O O direta formal de do SENHOR MINISTRO CELSO cuja (Lei DE MELLO: Trata-se observa art. no ponto em que a norma em referência. de o ação rito na inconstitucionalidade. A constitucional autora da (CONAMP). quanto ao art. qual se questiona a validade jurídico-constitucional do art. inciso IV. 4º da Emenda Constitucional nº 41. da Constituição. inciso II. 12). e 60. Pelo art. determina que o novo sistema seja financiado mediante contribuição. 150. dos servidores inativos e dos pensionistas. de 2003.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. os requisitos para a aposentadoria no regime anterior foi imposta a obrigação tributária de pagar contribuição . as razões consubstanciadoras de sua pretensão de inconstitucionalidade: “A norma impugnada contraria o disposto nos arts. dentre outros. procedimento abreviado tramitação nº 9. ao estabelecer regime de previdência de caráter contributivo e solidário.

ou apenas tinha caráter contributivo (depois dessa mesma Emenda Constitucional nº 20. como é público e notório.587-DF. Esse aspecto jurídico é relevante. Celso Antônio Bandeira de Mello e Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Rel. quando das suas aposentadorias ou do momento em que poderiam se aposentar. sob o principal argumento de que a Previdência Social está ‘quebrada’ e necessita fazer ‘caixa’ para reverter a sua situação deficitária.11. Ora. Em outras palavras: o servidor público aposentado ou que já reúne os requisitos para se aposentar tem o direito adquirido de ter a sua aposentadoria regida pelo regime jurídico de aposentadoria vigente à época em que se aposentou ou que poderia se aposentar. tinham garantidos. 10. segundo a qual a ‘lei que regula a aposentadoria e a reforma é a vigente ao tempo em que elas ocorreram’ (RE nº 15. p. de 15 de dezembro de 1998).Supremo Tribunal Federal ADI 3. Lafayette de Andrada. o direito de não pagarem mais contribuição previdenciária. de forma inconstitucional. em virtude do próprio sistema previdenciário estabelecido na Constituição. DJ de 23. da má gestão dos recursos públicos previdenciários e das rotineiras e milionárias fraudes. Min.598). que têm descontados em folha o dito tributo. cujos pareceres seguem em anexo e aos quais apenas fazemos referência e pedimos vênia para a eles remeter essa colenda Corte Suprema. a obrigação de pagarem contribuição previdenciária. Importante dizer que os servidores públicos aposentados e os que preenchiam as exigências de aposentação antes da vigência da nova norma constitucional estavam submetidos. o que fez a norma impugnada? Simplesmente desrespeitou o direito adquirido dos servidores públicos aposentados e dos que já poderiam se aposentar até a sua vigência e lhes impôs. Esse entendimento é compartilhado pelos insignes professores e juristas José Afonso da Silva. depois de se aposentarem. tendo em vista a antiga e pacífica jurisprudência desse colendo Supremo Tribunal Federal.105 / DF previdenciária ‘com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos’. a regime previdenciário que não tinha caráter contributivo ou solidário (antes da Emenda Constitucional nº 20. Decorre daí que aqueles servidores públicos. . de 1998). e não da falta de contribuição dos servidores públicos. situação essa decorrente.1950.

que a controvérsia jurídica ora em exame resume-se. de modo a prejudicar aquele direito adquirido e impor aos seus titulares situação jurídica mais gravosa. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada’. Ao desrespeitar direito subjetivo incorporado ao patrimônio jurídico dos servidores públicos aposentados e dos que poderiam se aposentar até 19 de dezembro de 2003. e. desrespeitou a garantia individual do direito adquirido. mas apenas a preservação das situações subjetivas favoráveis já constituídas. de não pagarem contribuição previdenciária. já incorporado aos seus patrimônios jurídicos. 4º da Emenda Constitucional nº 41. pois. de forma precisa. inciso IV.) os direitos e garantias individuais’. dentre os vários fundamentos . se os servidores públicos aposentados e os que reuniam condições de se aposentar até 19 de dezembro de 2003 têm assegurado o direito subjetivo. 4º da Emenda Constitucional nº 41. como fez. Preceitua o art. 60 da Constituição. de 2003. conseqüentemente. em voto proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 23. de 2003. impor a eles a obrigação de pagar dito tributo.047-DF. pois.” (grifei) Vê-se. inciso XXXVI. do art. 5º. com base nele. consignou. É esta exatamente a hipótese exposta nesta ação. afrontou a cláusula pétrea inscrita no inciso IV do § 4º do art. Ora..105 / DF O eminente Ministro Sepúlveda Pertence. estabelecida no inciso XXXVI do art. Evidente.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 60 da Constituição dispõe que não ‘será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir (. a inconstitucionalidade do dispositivo aqui impugnado. em seus aspectos essenciais. o vocábulo lei escrito nesse inciso constitucional tem o significado amplo de ato normativo editado ou expedido pelos Poderes e agentes estatais. não poderia. que ‘nem contra a lei ordinária superveniente há direito adquirido a um determinado regime jurídico objetivo. forçosa a conclusão de que o art. Logicamente. da Constituição que ‘a lei não prejudicará o direito adquirido. o art. 5º da Constituição. Já o § 4º. por quem haja satisfeito os pressupostos respectivos’. Daí estar incluída em seu conceito a espécie normativa emenda constitucional..

nela. ou não. de seu poder reformador. da possibilidade de o Congresso Nacional. pessoas a geral servidores situações particular). o Congresso Nacional. em outras palavras. . incida em domínio materialmente protegido pelas cláusulas pétreas? É evidente que a resposta a tal indagação impõe de necessárias reflexões – que reputo indispensáveis – em torno temas como aqueles referentes ao valor normativo da Constituição. à indevassabilidade de seu núcleo intangível e aos limites que restringem o exercício legítimo. às notadamente em quando (e se aos de tratar de garantam. e o acesso ao tratamento isonômico em matéria tributária. promulgar emenda à Carta Política de que resulte ofensa a direitos constitucionalmente direitos públicos que em assegurados. agindo em sede de reforma constitucional. pelo Congresso Nacional.105 / DF em apreciação. de outro. para. de um lado. sem que. alterar a Constituição. introduzir prescrições como as ora impugnadas nesta sede de fiscalização abstrata. no exercício de seu poder de reforma. Ou. com tais modificações.Supremo Tribunal Federal ADI 3. intangibilidade definitivamente consolidadas. consistente no reconhecimento. cabe formular a seguinte indagação: pode. a um ponto que se revela impregnado de inquestionável relevo.

contudo.o dever de buscar. com apoio em autorizado magistério doutrinário (EDUARDO GARCÍA DE ENTERRÍA. que envolve. Rel. Impõe-se advertir. Razões de Estado.105 / DF Quando do julgamento da ADI 2. os valores delineados e as limitações impostas no texto da Constituição da República. tive o ensejo de enfatizar que não desconheço as graves distorções e a séria crise que continuam a afetar. não pode ser efetivada sem que se respeitem. a todos .cidadãos e governantes . por sua vez.Supremo Tribunal Federal ADI 3. não devem prevalecer. CELSO DE MELLO). de que fui Relator (RTJ 181/73-79).010-MC/DF. Min. o sistema previdenciário nacional. “La lucha contra las . em atenção ao princípio da solidariedade social e em face da necessidade de realização do bem comum. por mais respeitáveis que possam ser.163-AgR/MA. A realização dessa imensa tarefa. com estrita fidelidade. sobre o império da Constituição. jamais. possíveis conflitos intergeneracionais. dramaticamente. Argumentos de necessidade. a superação dos obstáculos que impedem a construção de uma sociedade efetivamente justa. Também não ignoro que se impõe. não podem ser invocadas para legitimar o desrespeito e a afronta a princípios e a valores essenciais que informam o nosso sistema de direito constitucional positivo (AI 234. até.

está permanentemente exposto à fiscalização de ordem jurídico-constitucional dos magistrados e Tribunais. no sistema de direito positivo. 3ª ed. CELSO DE MELLO).. Min. por mais de uma vez.que muitas vezes configuram fundamentos políticos . Madrid).representam expressão de um perigoso ensaio destinado a submeter. Editorial Civitas. à supremacia da ordem constitucional e aos valores democráticos que a informam. Rel. culminando por introduzir. O Supremo Tribunal Federal.quando invocadas como argumento de sustentação das pretensões do Poder Público . à vontade do Príncipe (o que se revela absolutamente intolerável). teve o ensejo de repelir esse argumento de ordem política (RTJ 164/1145-1146. a idéia de que o exercício do poder estatal. 1983. por efeito das gravíssimas conseqüências provocadas por seu eventual acolhimento.105 / DF inmunidades del poder”. a autoridade hierárquico-normativa da própria Constituição da República. que as razões de Estado .Supremo Tribunal Federal ADI 3. desse modo.além de deslegitimar-se como fundamento idôneo de justificação de medidas legislativas . um preocupante fator de ruptura e de desestabilização político-jurídica: “Motivos de ordem pública ou razões de Estado . quando praticado sob a égide de um regime democrático. uma ameaça inadmissível às liberdades públicas.representa. por entender que a invocação das razões de Estado . comprometendo.

É que uma Constituição democrática . Nada compensa a ruptura da ordem constitucional. no entanto. então. comprometendo-a em sua integridade e desrespeitando-a em sua autoridade . observando-se. desse modo.105 / DF destinados a justificar. Fabris Editor). a inaceitável adoção de medidas que frustram a plena eficácia da ordem constitucional. pragmaticamente.590-AgR/RS.reveste-se de alta significação emblemática. sociais ou econômicas... tradução de Gilmar Ferreira Mendes.). a novas exigências ditadas por necessidades políticas. ex parte principis. que se promovam. CELSO DE MELLO) Se. ajustando-a. circunstanciais e materiais que conformam e condicionam o processo de reforma estabelecido e disciplinado na própria Carta Política. mudanças no texto da Lei Fundamental. Nada recompõe os gravíssimos efeitos que derivam do gesto de infidelidade ao texto da Lei Fundamental. circunstâncias de fato ou de direito sugerirem ou reclamarem a alteração da Constituição. 1991. pois . em ordem a conferir-lhe um sentido de maior contemporaneidade. as limitações formais. em determinado momento histórico. p. Rel.não podem ser invocados para viabilizar o descumprimento da própria Constituição (.muito mais do que um estatuto de organização do poder e de garantia das liberdades públicas . como adverte KONRAD HESSE (“A Força Normativa da Constituição”.” (RE 250. 22. Min.Supremo Tribunal Federal ADI 3.

que é o guardião da Constituição.105 / DF representa a expressão mais intensa do processo de transformação histórica da sociedade e do Estado. por isso mesmo. garantias e deveres individuais e coletivos. por expressa delegação do Poder Constituinte . se a Suprema Corte falhar no desempenho da gravíssima atribuição que lhe foi outorgada. nela concentrando-se o modelo legitimador das práticas governamentais e do exercício dos direitos. a estabilidade do ordenamento normativo do Estado. pois. necessariamente. A relação do Poder e de seus agentes.Supremo Tribunal Federal ADI 3. muito menos a avaliações discricionárias fundadas em razões de pragmatismo governamental. a integridade do sistema político. a qualquer juízo de oportunidade ou de conveniência. com a Constituição. nem deve submeter-se. A defesa da Constituição não se expõe. O Supremo Tribunal Federal . O inaceitável desprezo pela Constituição não pode converter-se em prática governamental consentida. há de ser.não pode renunciar ao exercício desse encargo. enquanto . a proteção das liberdades públicas. Ao menos. uma relação de respeito. a segurança das relações jurídicas e a legitimidade das instituições da República restarão profundamente comprometidas.

destinada a ser manipulada. na experiência concreta das sociedades civilizadas. de validade e de eficácia de todas as decisões emanadas do Poder Público.como simples obra de circunstância.105 / DF houver um Poder Judiciário independente e consciente de sua alta responsabilidade política. Nela repousam os fundamentos da ordem normativa instaurada pela comunidade estatal. o . o reflete. por todos os meios possíveis. momento na pluralidade da dos fins a que de se acha ordem culminante instauração uma normativa revestida do mais elevado grau de positividade jurídica. A normatividade subordinante que dela emerge atua como pressuposto de existência. a Constituição não é . A supremacia da Constituição traduz. de maneira irresistível.e assim não deve ser vista . a tendência universal de inviabilizar. de modo irresponsável e inconseqüente. Projeta-se. Enquanto peça fundamental no processo de edificação do Estado e no de preservação das liberdades públicas. desse modo. pelos detentores do Poder.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Ninguém ignora – e não configura demasia insistir em tal asserção – que a Constituição é a lei fundamental do Estado. O estatuto constitucional vocacionado. hoje. social e jurídico-institucional. um fator referencial da mais significativa importância.

É o domínio do sentimento constitucional” (grifei). p. os aspectos que ressaltam a multifuncionalidade (a) ser ele um que qualifica básico o de documento regulação constitucional: instrumento normativa do Poder.um sentido de permanência que se destina a conferir. (b) evidenciar-se como um elemento decisivo na estruturação orgânica e na definição programática dos fins do Estado e (c) qualificar-se.e tendo-se presente esse novo contexto histórico-cultural . à Lei Fundamental do Estado. o necessário grau de estabilidade normativa. UFMG). Revela-se ínsito à Carta Política. Daí a observação de RAUL MACHADO HORTA (in “Revista Brasileira de Estudos Políticos”. a fim de que. enquanto meio de solene afirmação dos direitos da pessoa e da coletividade social perante o Poder. concretizem-se. gerando formas difusas de obediência constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. por isso mesmo . . que conduz. para quem. “O acatamento à Constituição ultrapassa a imperatividade jurídica de seu comando supremo. pela deformação da vontade soberana do poder constituinte originário. da adesão à Constituição. em tais condições. que se espraia na alma coletiva da Nação. Decorre. como o estatuto jurídico das liberdades públicas. à erosão da própria consciência constitucional. 237. também. em plenitude. jan/jul-1992.105 / DF inaceitável processo de desrespeito sistemático à Constituição. nº 74/75.

posteriormente editada como preâmbulo da Constituição jacobina da França. até mesmo. 28 assim dispunha: “Um povo tem. Uma geração não pode sujeitar. as gerações futuras. de novas exigências políticas. que são documentos jurídicos essencialmente mutáveis. Esse aspecto. ao analisar a permanência do . econômicas. 1.Supremo Tribunal Federal ADI 3. que as Constituições sejam documentos vocacionados à perpetuidade. contudo. 69.” Daí a observação de MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO (“Direito Constitucional Comparado: o poder constituinte”. Bushatsky). o direito de rever. já em 1789. foi realçado. que a rigidez dos preceitos constitucionais não significa a perpetuidade das Constituições.105 / DF O sentido de permanência da ordem constitucional não significa. É importante assinalar. culturais ou éticas. por isso mesmo. v. em função. de reformar e de mudar a sua Constituição. p. cujo art. a suas leis. 1974. item n. 53. pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. de 1793. sempre. concernente ao tema da permanência dos sistemas normativos instaurados pelas Constituições. ditadas pela própria complexidade ou necessidade da vida social.

consistente na plena revisibilidade das Constituições e de todos os documentos.”. embora tenha tomado uma decisão. no entanto. emanados de órgão exercente do poder constituinte. ostentem a qualificação de textos revestidos de índole constitucional. o poder constituinte sobrevive no sentido de que o Homem. não se reveste de força primária ou originária. Esse poder de reforma constitucional. estabelecer outra Constituição. que. Um povo decide-se por uma Constituição. cujo desempenho foi deferido ao Legislativo. revela-se . o que não significa que ele não possa. está igualmente investido de atribuições extraordinárias destinadas a viabilizar. É inquestionável.. no plano de nosso sistema jurídico. Pelo contrário. esse dado essencial inerente à experiência política e jurídica dos povos. pode mudar posteriormente essa decisão. pode rever. Em outras palavras. o processo de reforma constitucional. Todos sabemos que. amanhã..105 / DF poder constituinte. portanto. Uma geração não pode sujeitar às suas leis gerações futuras. a partir do seu concreto exercício.Supremo Tribunal Federal ADI 3. mudar de Constituição. o Congresso Nacional. ao lado de suas funções legislativas ordinárias. mesmo após a promulgação de uma nova Constituição: “Esta é a fórmula clássica que exprime a permanência de poder constituinte após a edição de Constituições.enquanto poder .

ostentando grau de irrecusável supremacia no contexto da Carta Federal. quer no que diz respeito à forma de sua manifestação. “porque criado pela Constituição e regulado por ela quanto ao modo de se dos exercer seus (. exerce. tem necessariamente lhe compete de se compreender contra as dentro opções parâmetros. Não se pode perder de perspectiva . ed.. ou de segundo a grau como uma necessariamente restringem.). do poder não dispor fundamentais constituinte originário” (grifei). . quer no que se refere ao seu conteúdo. tomo II/165. que. Coimbra Editora) . atividade constituinte secundária.Supremo Tribunal Federal ADI 3. essencialmente limitada e juridicamente subordinada a padrões normativos. também no que concerne ao procedimento de reforma... de sujeita maneira condicionamentos significativa. O Congresso Nacional. desse modo.consoante ressalta JORGE 2ª MIRANDA (“Manual de Direito Constitucional”. 1988.o fato de que o poder de reforma constitucional. políticas visam a tornar intangíveis pelo determinadas decisões fundamentais consagradas legislador constituinte primário. o exercício.105 / DF constituinte prerrogativa normativos meramente estatal que lhe derivado. quer no que concerne ao seu alcance.

Supremo Tribunal Federal ADI 3. A revisão serve para alterar a Constituição mas não para mudar de Constituição” (grifei). . Coimbra Editora). não Congresso lhe Nacional. para quem “A questão da revisão constitucional envolve necessariamente o problema dos limites à mudança constitucional”. e. embora se possa traduzir na alteração de muitas disposições da Constituição. J. 1991. conserva um valor integrativo. 107. Editorial Caminho. p. O confere. menos.“A revisão constitucional. como explicitado MOREIRA poder constituinte e Revisão adverte VITAL (“Constituição Constitucional”. originário”. eis que . 1990.e esse é um aspecto essencial do tema em análise . ao poder de reformar a Constituição. GOMES CANOTILHO/VITAL MOREIRA (“Fundamentos da Constituição”. Lisboa). no sentido de que deve deixar substancialmente idêntico o sistema constitucional. portanto. A Legislativo inaceitável da competência União de não violar foi reformadora defere “o à outorgada ao Poder o da instituição essencial pelo parlamentar de valores poder tal como sistema Constituição. p. 289.105 / DF Essa percepção do tema é claramente realçada no magistério de J. o poder atribuições de ilimitadas a ordem muito não outorga destruir normativa positivada no texto da Lei Fundamental do Estado.

”. sem ruptura constitucional” (grifei). sustenta esse eminente publicista português (“op. p. somente originário pode As reforma produções normativas decorrentes do processo de do constitucional configuram emanações concretizadoras exercício da função constituinte secundária. que.105 / DF Afinal. ao versar o tema concernente ao “Poder de Reforma ou Poder de Revisão”. in RDA n. por qualificar-se como atividade que meramente o instituída. Essa mesma percepção do tema é revelada por MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO (“Poder Constituinte e Direito Adquirido”. enfatiza que “a mudança da Constituição já é que a deve ser efetuada ‘de acordo’ com a a Constituição. . poder participa de da mesma natureza ou poder jurídica tipifica constituinte reforma constituinte de segundo grau.Supremo Tribunal Federal ADI 3. A substituição de uma Constituição e esta por não outra pode exige uma renovação do poder uma constituinte ter lugar. Constituição efetuar”. “A revisão constitucional não é propriamente o meio propício para fazer revoluções constitucionais. 210. naturalmente. 8). cit. cujo magistério. p. 108). mudança que da Constituição o Poder ‘contra’ ‘revolução’. 1/9.

a reforma constitucional acha-se juridicamente subordinada. 1990. p. §§ 1º. pelas protegidas. cujo magistério. com irrecusável lucidez. à imposição de referendum popular. em seu processo de positivação. destaca. em dois turnos e (2) aprovação Senado por 3/5 dos de membros da Câmara dos Deputados e do de Federal. e tendo presentes. ao versar o tema em questão. São exigências quanto ao quorum. natureza mesma. ou de ratificação. da Constituição da República. à forma de votação. ainda. a múltiplas limitações: (a) de ordem formal (restrições que incidem na esfera procedimental: (1) exigência de discussão e votação. em cada Casa Legislativa. o que se segue: “O controle de constitucionalidade contempla o próprio direito de revisão reconhecido ao poder constituinte derivado. denominadas cláusulas pétreas). as regras inscritas no art. de estado de defesa ou de estado de sítio) se e (c) de ordem material do sua (intangibilidade geral de das matérias porque que acham em pré-excluídas função de poder reforma. Parece axiomático que as Constituições rígidas somente podem ser revistas com a observância dos ritos nelas prescritos.Aspectos jurídicos e políticos”. Alguns textos consagram. Daí a clara advertência de GILMAR FERREIRA MENDES (“Controle de Constitucionalidade . 95/98. 60.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Nesse contexto. . 2º e 4º. (b) ordem circunstancial (impossibilidade emenda na vigência de intervenção federal. igualmente. Saraiva). vedações circunstanciais à reforma da ordem constitucional.

. asseverando que o constituinte não dispõe de poderes para suspender ou suprimir a Constituição..... ........... que as reformas constitucionais podem revelar-se incompatíveis com o texto da Constituição a que aderem ou a que se referem.105 / DF ........... Tais cláusulas devem impedir.. Nesse sentido... Não raras vezes....... um esforço do constituinte para assegurar a integridade da Constituição... obstando a que eventuais reformas provoquem a destruição..... É que..” (grifei) É preciso não perder de perspectiva.... pronunciou-se o Tribunal Constitucional alemão... impõe o constituinte limites materiais expressos à eventual reforma da Lei Maior. a Constituição contribui para a continuidade da ordem jurídica fundamental. o enfraquecimento ou impliquem profunda mudança de identidade..... em verdade.... pois. mas também qualquer reforma que altere os elementos fundamentais de sua identidade histórica. ...... jurisdicional em processos do mutação temático formal especialmente face núcleo protegido pela cláusula de imutabilidade inscrita no art...... o caráter de emenda ou a natureza de revisão da dos Carta Política..... não só a supressão da ordem constitucional.. no plano instrumental ou na esfera procedimental................. como ensina Hesse.. Cuida-se das chamadas cláusulas pétreas ou da garantia de eternidade (Ewigkeitsgarantie)... que limitam o poder de reforma sobre determinados objetos........ na medida em que impede a efetivação de um suicídio do Estado de Direito democrático sob a forma da legalidade................ de Daí a plena da sindicabilidade Constituição.............. .......... 60. Tais cláusulas de garantia traduzem. da Carta Política.... quer assumam. todavia..Supremo Tribunal Federal ADI 3..... § 4º..........

58/60. 2ª ed. as da limitações Carta quando jurídicas por desrespeitadas. por isso mesmo. elas próprias. “Curso de Direito Constitucional Positivo”. 1977. 97. Coimbra. que as emendas à Constituição podem qualificar-se. .105 / DF Emendas à Constituição. texto estabelecidas Política. MARIA HELENA DINIZ. GOMES CANOTILHO. JOSÉ AFONSO DA SILVA. neste ponto. 1987. 72. 756/758. Rel. 1989. Rel.Supremo Tribunal Federal ADI 3.. “Normas Atlântida Constitucionais Editora. “Norma Constitucional e seus efeitos”. também elas. superiormente Nacional. BACHOF. 5ª ed. 4ª ed.. RT. deliberação do órgão exercente das funções constituintes primárias ou originárias (OTTO p. 1988. Cumpre enfatizar. Min. entre outros). “Direito Constitucional”. p. Almedina. “Manual de Direito Constitucional”. SYDNEY SANCHES – RTJ 156/451. Min. MOREIRA ALVES). podem. Inconstitucionais?”. por mais de uma vez (RTJ 151/755. uma vez configurada a hipótese de transgressão às restrições que delimitam a atividade reformadora do Congresso Nacional. J. 52/54. JORGE MIRANDA. p. como objeto de controle de constitucionalidade.. tanto que o Supremo Tribunal Federal. Saraiva. incidir no pelo vício Congresso no de inconstitucionalidade. J. 1989. p. já proclamou a plena sindicabilidade dos atos materializadores de reforma constitucional. Coimbra Editora. item n. tomo 11/287-294.

§ 1º). art. que. 2003. “O Processo Legislativo”. sobre o poder de reforma conferido ao Legislativo. um núcleo temático intangível e imune à ação revisora da instituição parlamentar.105 / DF Insista-se. acaso desrespeitada. pois.. v. no exercício de sua função reformadora. identificou.g. 1968. “Curso de Direito Constitucional Positivo”. NELSON DE SOUSA SAMPAIO. Malheiros. inibitórias do poder reformador (CF. 68/71. a par de restrições de ordem circunstancial. está juridicamente subordinado à decisão do poder constituinte originário.) . na asserção .incidem. legitimará. p. As limitações materiais explícitas definidas no § 4º do art. 22ª ed. o controle normativo abstrato . como já enfatizado. A irreformabilidade desse núcleo temático. diretamente. 60 da Constituição da República – além daquelas que configuram restrições de caráter implícito ou imanente (JOSÉ AFONSO DA SILVA. p. em nosso sistema constitucional. sempre que se tratar de matérias protegidas pelo círculo de incidência das cláusulas pétreas. 60. 23. . inibindo-lhe o exercício dessa competência extraordinária.Supremo Tribunal Federal ADI 3.porque inquestionável de que o Congresso Nacional.de constitucionalidade dos atos resultantes do processo de alteração do texto constitucional. item n. 68. Saraiva.e mesmo a fiscalização incidental .

o sentido e o alcance da cláusula constitucional inscrita no art. Sendo inquestionável. que teria sido desrespeitada pela EC nº 41/2003.178. a preservar - . impõe-se definir. pois. “Na tramitação parlamentar de Reforma Constitucional não foi violada cláusula alguma da Constituição da República. discutiu a validade da própria Reforma Constitucional de 1926. destinada. já sob a égide de nossa primeira Constituição republicana (a de 1891) – que só contemplava o controle incidental ou concreto de constitucionalidade dos atos estatais – ao julgar o HC 18. nas sessões plenárias de 27 e 29 de setembro e de 1º de outubro de 1926. em nosso ordenamento jurídico. para o efeito ora pretendido nesta sede de fiscalização abstrata. decidindo. e que consagra.” (RF 47/748 grifei). que. de que foi Relator o saudoso Ministro HERMENEGILDO DE BARROS. até mesmo como mero registro histórico. a plena sindicabilidade jurisdicional das emendas à Constituição... que o Supremo Tribunal Federal. 5º. da Carta Política.Supremo Tribunal Federal ADI 3. acha-se consagrada em norma de sobredireito. então. que assume qualificação constitucional em nosso sistema. em sua formulação.105 / DF É de assinalar. a incolumidade do direito adquirido. A proteção ao direito adquirido. XXXVI. dentre outras situações definitivamente consolidadas. aqui.

que não apenas os atos legislativos comuns. neste ponto. pp. Irretocável. sob tal aspecto. artigo em co-autoria com VALMIR PONTES FILHO. 117/121): “Retornando a lidar com o bloco dos três institutos. a própria emenda à Constituição – devem observar. Forense. vol. em sua mais recente produção acadêmica (“Teoria da Constituição”. o magistério de nosso eminente colega e ilustre Professor CARLOS AYRES BRITTO. .105 / DF contra atos estatais supervenientes e lesivos . deixou registrado o que fez consignar. em assim não ocorrendo. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada’). a cláusula constitucional pertinente ao direito adquirido. incidirem em situação de inconstitucionalidade material. 151/161). em parceria com VALMIR PONTES FILHO (‘DIREITO ADQUIRIDO CONTRA AS EMENDAS CONSTITUCIONAIS’.a integridade das situações jurídicas definitivamente consolidadas. 2003.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Cumpre registrar. em mais de uma oportunidade (“Direito Adquirido Contra as Emendas Constitucionais”. que. estudo publicado no bojo da coletânea DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. Malheiros Editores. mas quaisquer outras espécies normativas – aí incluída. in RDA 202/75-80). ano de 1977. com extrema propriedade. II. em seu processo de formação. sob pena de. Já enfrentamos academicamente a questão. também. aduzimos que não tem relevância o fato de a legenda constitucional somente incluir a lei (não a emenda) como norma proibida de retroagir para prejudicá-los (‘a lei não prejudicará o direito adquirido. p.

Daí que aceitar a retroação de emenda para desrespeitar o direito adquirido passe a significar a possibilidade de retroação também para o desrespeito às duas outras situações jurídicas ativas. como...... em nossa Constituição..105 / DF e os fundamentos então lançados parecem-nos resistir a contraditas... 5º).....). Elas não podem incidir sobre as matérias clausuladas como pétreas ou intangíveis ou irreformáveis. a aterradora pergunta que se faz é mesmo esta: de que vale o megaprincípio da segurança .... ........... 5º............. ‘a separação dos Poderes’ e ‘os direitos e garantias individuais’ (de cuja relação a garantia dos direitos adquiridos faz parte.. nem por silenciar quanto às emendas...... não! Diga-se o mesmo da norma constitucional que proíbe a lei de excluir da apreciação do Poder Judiciário ‘lesão ou ameaça a direito’ (art.. .. ou negativo (‘ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei’)................ E nessa hipótese.......Supremo Tribunal Federal ADI 3... cit.. em tema de direito adquirido. universal e periódico’... ato jurídico perfeito e coisa julgada...... ‘o voto direto. cairíamos todos numa contradição grotesca... Em tema de suas próprias emendas.. (...... que.. E a falta de menção às emendas significaria a imprestabilidade delas para obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa? A toda evidência..... na matéria.. quando o Código Político substitui o silêncio pela fala expressa é para dizer o que elas não podem....... enquanto veículo de imposição de deveres de conteúdo positivo............ ....): se a referência constitucional apenas à lei... mas aqui mesmo nos permitimos retomar o que dissemos em co-autoria com VALMIR PONTES FILHO (ob....... não a emenda....... por exemplo.. está liberando qualquer delas para interditar o acesso de toda pessoa privada às instâncias judicantes. fosse um abre-te sésamo para a edição das emendas.. ‘a forma federativa de Estado’. é a mesma do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (inciso XXXI do art..... quer referentemente aos direitos concedidos por regra constitucional. secreto........... quer os deferidos por outra modalidade de lei em sentido material)... inciso XXXV).. Remarque-se ainda que a regra-matriz do direito adquirido. O raciocínio será retomado no capítulo entrante... É que a nossa Constituição também só mencionou a lei........

porque os fundamentos da intocabilidade do direito adquirido por elas se encontram na vedação constante do art 60. e. segundo o qual a lei não pode prejudicar o direito adquirido. 5º da Constituição Federal se incluem também as emendas constitucionais. o direito adquirido é uma garantia individual expressa no art. O argumento é irretorquível. entre as limitações materiais. de sorte que se pode dizer que é pacífico. em parecer oferecido nos autos deste processo. o poder de emenda constitucional é poder regrado. Não é sequer necessário descer a considerações tal como a de saber se no termo ‘lei’ do inc. na doutrina de hoje. que emendas à Constituição não podem ofender o direito adquirido. assim se pronunciou: “Quanto às normas constitucionais derivadas. Por isso que alcança todos os espécimes legislativos de que trata o art. Ou se quiser em forma de um silogismo: emenda constitucional não pode abolir direitos e garantias individuais. Ou ainda. configurados na Constituição. De fato. IV. logo. XXXVI do art. em douto magistério.105 / DF jurídica. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada? Que se entenda. por JOSÉ AFONSO DA SILVA. como um entimema: emenda constitucional não pode abolir direito adquirido porque se trata de uma garantia individual. é uma referência ao Direito-lei. se encontra a vedação de proposta de emendas tendentes a abolir os direitos e garantias individuais mencionado no citado inc. por outra forma: os direitos e garantias .Supremo Tribunal Federal ADI 3. condicionado e sujeito a limitações formais e materiais. que a referência à lei. IV do § 5º da Constituição de 1988. 59. no capítulo ‘DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS’. a questão tomou novo rumo com a Constituição de 1988. 5º. sempre que a Magna Carta impuser proibição ou simples limitação à faina legislativa da Estado. as emendas no meio (inciso nº I). se do seu conteúdo já não fazem parte o direito adquirido. que. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. § 4º. XXXVI. emenda constitucional não pode abolir o direito adquirido. pois.” (grifei) Esse mesmo entendimento é perfilhado.

político e social. o texto da Lei Fundamental. mediante desrespeito frontal àquele conjunto de valores que informam e dão substância à declaração de direitos. a necessária observância. pelo Estado. sob pena de tal desrespeito acarretar-lhe um irreparável déficit de legitimidade político-social. a pretexto de reformar o texto constitucional.Supremo Tribunal Federal ADI 3. destruir a própria Constituição.105 / DF individuais são imodificáveis por emenda constitucional. porque. dentre os quais avulta. nas sociedades democráticas. para. logo. desse modo. que as emendas à Constituição não podem transgredir a cláusula de salvaguarda do direito adquirido. legitimar-se-á a intervenção tutelar do Poder Judiciário. que não pode ser conspurcado em sua essência. o direito adquirido é uma garantia constitucional. o direito adquirido é imodificável por emenda constitucional.” (grifei) Assentado. das situações jurídicas definitivamente consolidadas. que não pode ser vulnerado em seu espírito. cuja função precípua – presente esse contexto – consiste em fazer prevalecer a vontade soberana do constituinte originário. nem autoridade. mantendo íntegro o núcleo consubstanciador das decisões políticas fundamentais adotadas no âmbito do Estado e cuja inobservância compromete o alto significado que deve representar. em função de seu sentido histórico. em ocorrendo tal hipótese. . Em uma palavra: o Congresso Nacional não tem poder.

que não podem ser reduzidas à subalterna condição de fórmulas antidemocráticas. da Carta Política. IV. o direito à insuscetibilidade de sofrer a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor dos respectivos proventos e das pensões.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Nisso consiste a alta finalidade de que se revestem as cláusulas pétreas. art. transgredindo. consideradas as próprias razões de ordem histórica e política que justificaram a sua consagração nas Constituições elaboradas sob a égide do princípio democrático. nas múltiplas dimensões em que ela se projeta. a limitação material imposta. na medida em que viabiliza a alteração gravosa do regime daqueles que já incorporaram. pelo art. ao poder reformador do Congresso Nacional. . Dentro desse contexto. § 4º. 4º) vulnera. desse modo. o regime dos direitos fundamentais dos aposentados e pensionistas. tenho por irrecusável que a norma ora questionada (EC nº 41/2003. 60. em seu art. aos seus respectivos patrimônios jurídicos. 4º. e como bem o demonstraram os eminentes Ministros CARLOS BRITTO e MARCO AURÉLIO. Dentro dessa perspectiva. a emenda constitucional em causa (EC nº 41/2003) efetivamente agride e afronta. a cláusula constitucional pertinente à intangibilidade do direito adquirido.

por efeito conseqüencial. não podia. IV. na espécie. da Constituição – permitia submetê-lo ao domínio de proteção das cláusulas pétreas. ocorrido em momento anterior ao advento da EC nº 41/2003 (“tempus regit actum”). é que se registrou. em benefício deles. em seu favor. O que se mostra irrecusável. quando já adquirido esse direito por seus titulares. 60. por servidores inativos e pensionistas. dos requisitos necessários à obtenção da aposentadoria e à percepção das pensões. a incidência. § 4º. legitimamente assegurada. apta a traduzir. após haver consagrado a imunidade em favor dos servidores inativos e pensionistas. pela própria Lei Fundamental. operou-se a regular e legítima investidura de tais pessoas na titularidade de um direito subjetivo qualificado por sua nota de fundamentalidade. do amparo representado pelas cláusulas pétreas. suprimir. a prerrogativa que derivava dessa particular situação subjetiva de vantagem. .Supremo Tribunal Federal ADI 3. a consolidação definitiva de uma situação jurídica que os favorecia. Com o preenchimento. aos destinatários dessa especial garantia de índole social. ainda que mediante emenda à Constituição. a viabilizar. a posse legítima de um direito cuja essencialidade – reconhecida pelo art. em momento posterior. em favor de inativos e pensionistas.105 / DF O Congresso Nacional.

as doutas considerações que. nem por imposição de Emenda Constitucional. neste ponto. a observação feita pelo eminente Ministro CARLOS BRITTO. Qualquer nova lei que venha a alterar as . Noutros termos. a esse propósito. desde que preenchidos os requisitos constitucionais. das situações subjetivas individuais daqueles que se aposentaram regularmente: “Na lição clássica de FRANCISCO CAMPOS. quando for o caso. em seu douto voto: “De tudo quanto foi exposto. 59). em Memorial apresentado a esta Suprema Corte.. por ato estatal gravoso e subseqüente (como. neste ponto. a partir do momento em que o servidor público passa a preencher as condições de gozo do benefício. ante a sua extrema pertinência. do momento em que se verificam todos os elementos de que a lei faz depender a sua concessão. por efeito de nenhum ato da ordem legislativa (art. ou o direito de ser colocado na inatividade com as vantagens asseguradas na legislação em vigor.105 / DF Cabe referir. é de se concluir que os proventos da aposentadoria e eventuais pensões se constituem em direito subjetivo do servidor público ou seu dependente. já não poderá.” (grifei) Cumpre considerar.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o ‘direito à aposentadoria nasce. Nesse momento o funcionário adquire um direito contra o Estado.. ao tempo em que o direito foi adquirido. por exemplo. desenvolveu o eminente Ministro XAVIER DE ALBUQUERQUE. uma emenda constitucional). ser compelido a contribuir para o sistema previdenciário: nem por determinação legal. com apoio em nosso sistema constitucional. a invulnerabilidade. sobre esse específico tema. quando enfatizou.

.’ De então para cá. a Súmula encerra conteúdo maior do que o sugerido por seu ditado: não só a regulação dos proventos. o interessado.. bem como as funções da administração civil e militar.. segundo CLÁUDIO PACHECO. desde sempre consagradora (. continuarão a ser exercidas pelos órgãos até aqui existentes. mas também a própria aquisição do direito de o funcionário se aposentar. a jurisprudência não se desviou da direção aprumada nas últimas oito décadas. já encontra constituída. ou a diminuir as suas vantagens. na espécie julgada. 179.105 / DF condições de aquisição do direito à aposentadoria.’ A referência a magistrados não compromete a generalidade da proposição. com relação aos atos na plenitude dos seus efeitos. assim como o direito adquirido a elas na forma das leis’). reuniu os requisitos necessários. ou que a lei nova não encontra em fase de formação. quer civis. do art. sobre o qual os comentadores. entre o funcionário e o Estado. ao preceito contido no nº 28. quer militares. Velho acórdão do Ministro GUIMARÃES NATAL costuma ser apontado como dos primeiros a integrar a jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal. Colhe-se isso de um dos consideranda do aresto. Comprova-o a Súmula 359 na sua formulação retificada e ainda prevalecente: ‘Ressalvada a revisão prevista em lei. uma relação jurídica em plena maturidade.) do direito adquirido à aposentadoria. aliás. ou o servidor civil. com . Data ele de 6 de julho de 1918 e guarda esta ementa: ‘A situação dos magistrados aposentados se regula pelas leis em vigor ao tempo da aposentadoria e não pode em seu desfavor ser alterada por lei posterior.’ Como é óbvio compreender.. Remonta a idéia. submetem-se à lei do tempo da implementação dos respectivos requisitos. da Constituição imperial de 1824 (‘Ficam garantidas as recompensas conferidas pelos serviços feitos ao Estado. o Governo Provisório editou a Proclamação de 15 de novembro de 1889 para solenemente apregoar: ‘As funções da justiça ordinária. devendo-se apenas à circunstância de ser um deles.Supremo Tribunal Federal ADI 3. de constituição ou de dependência’. Na hora mesma da instalação da República em substituição ao Império. os proventos da inatividade regulam-se pela lei vigente ao tempo em que o militar. a dizer: ‘Considerando que a situação dos funcionários aposentados é regulada pelas leis em vigor ao tempo de sua aposentadoria e não poderá ser alterada em seu desfavor por leis posteriores. ‘assinalaram que isto garantia primeiramente o direito à aposentadoria nos serviços públicos’.

.. Destarte.. Mesmo com o advento de norma posterior.... pode o Estado.6. antes de adquirido pelo funcionário o direito à aposentaria. v. 1º.....’ Do próprio OSWALDO ARANHA BANDEIRA DE MELLO: ‘Impõe-se verificar quando se tornou adquirido o direito do aposentado. sob pena de ter efeito retroativo. uma vez decretada. Abundam convergências em nossa doutrina. em novamente proclamar (destaques da transcrição): ‘Art.. de revisões futuras.... lei posterior reduzindo as vantagens da aposentadoria não lhe pode alcançar. E ainda em plena infância republicana. Não.. Não fica passível. ao tempo em que ilustrava o cargo de Consultor-Geral da República: ‘O disciplinamento [legislativo] que sobrevier [à aquisição do direito] não poderá ser considerado para qualquer efeito... em face do fato realizado. portanto...’ Ninguém discute que. a vitaliciedade do senado’... respeitadas as vantagens e os direitos adquiridos por cada funcionário. depois de exercitado mediante efetiva inativação... assume o caráter de actus perfectus....’ Concisa e precisa. na conformidade de leis ordinárias anteriores à Constituição Federal.. porém. porém. a lição do Ministro LUIZ RAFAEL MAYER. ficando subordinada à lei do tempo de sua decretação. 268)..Supremo Tribunal Federal ADI 3.. abolida. por efeito de modificação da legislação respectiva. Não pode ser alterada ou modificada.. desde já.) . continuam garantidos em sua plenitude.. constitui um fato jurídico perfeito e acabado..... de jeito nenhum.. (.. desvelou-se a Lei nº 44-B.1892..’” (grifei) .. 1. Fica..105 / DF relação às pessoas. se se realizou o fato jurídico que lhe assegura a obtenção dessa regalia.... De EDUARDO PINTO PESSOA SOBRINHO: ‘A aposentadoria.. e desconhecer direito adquirido.. com todas as vantagens que lhe foram atribuídas. last but not least.’ De MÁRIO DINEY CORRÊA BITTENCOURT: ‘A aposentadoria de servidor público. mediante nova lei. depois de adquirido. ‘se sujeita por inteiro à lei antiga’ na lição precisa de Oswaldo Aranha Bandeira de Mello (Princípios de Direito Administrativo. p...... A lei nova não terá aplicação aos funcionários que se encontrarem legalmente aposentados. menos ainda.. de 2. Os direitos já adquiridos por empregados inamovíveis ou vitalícios e por aposentados. isto é. alterar-lhe os pressupostos de aquisição. depois de sua decretação..

por efeito causal. ou seja. o ato de aposentadoria . a inaceitável .Supremo Tribunal Federal ADI 3. atingir. avulta a insuscetibilidade de tributação. dos respectivos proventos. mediante ato estatal superveniente.não pode ser afetado nas conseqüências jurídicas que dele necessariamente resultam. sob pena de o ato estatal superveniente. dentre os quais. fazendo instaurar. tendo-se presente a situação dos que lhe adquiriram o direito de gozo em contexto temporal anterior ao advento da EC nº 41/2003. com a modificação gravosa e a desvalorização lesiva de posições jurídicas pré-existentes e definitivamente consolidadas. enquanto causa que é. desqualificar o próprio fundamento causal que constitui o suposto legitimador dos efeitos derivados da aposentadoria.regularmente aperfeiçoado sob a égide de um ordenamento positivo que não autorizava a imposição de contribuição previdenciária . da aposentadoria adquirida em momento que precedeu a promulgação da EC nº 41/2003 significa reconhecer a inadmissível possibilidade de o Poder Público. Atingir ou suprimir as conseqüências que se irradiam. cuja eficácia não pode ser comprometida por decisões normativas ulteriores emanadas do Estado. se se revela intangível a situação jurídica resultante do ato de aposentadoria. modificar ou suprimir a própria causa (a cuja noção se ajusta o ato de aposentação).105 / DF Se assim é. mediante contribuição previdenciária. em projeção retrooperante incabível. torna-se forçoso concluir que.

que a eficácia imediata da nova deliberação do Poder Público.Supremo Tribunal Federal ADI 3.. de forma inadmissível. eis que. consoante assinalado nas lições . arbitrária ou demasiado onerosa. violando-se princípio. que tem advertido . que é o que sucede quando ela afeta. mesmo que se trate de hipótese de retroatividade mínima. ainda que impregnada de retroatividade em seu grau mínimo. em tal específica situação. tal como reconhecido em paradigmática decisão proferida pelo Tribunal Constitucional português (Acórdão nº 173/2001). não se revela possível ao Estado “(. confere-lhes um círculo indevassável de proteção..quando o ato estatal superveniente revelar-se apto a modificar efeitos futuros resultantes de causa anterior . revestir-se-á de caráter inegavelmente retroativo (RTJ 143/724). É por essa razão que se tem proclamado – em face dos postulados da confiança do cidadão no Estado e da segurança jurídica – que a edição de resolução estatal superveniente e gravosa. traduz situação de inconstitucionalidade. Daí o magistério jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal.) violar princípios ou disposições constitucionais autônomas. ao amparar o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. que. direitos ou expectativas legitimamente fundadas dos cidadãos”.105 / DF ocorrência do fenômeno da retroatividade. em julgamento que guarda pertinência com a espécie ora em exame. ainda que em seu grau mínimo.

1937. do fato consumado. Melhoramentos). deviam derivar da existência de determinado ato.) é não somente a regra positiva que contrasta com as conseqüências. fato ou relação jurídica. isto é.Supremo Tribunal Federal ADI 3. impregnada de inquestionável significado democrático. traduz prerrogativa fundamental das mais relevantes que a Carta da República. 228/229. vol.. Forense). já realizadas.” (grifei) O princípio do direito adquirido. a esse propósito. vol. . M. segundo a lei anterior. que: “Retroativa e. para quem. portanto. por uma razão relativa só a ele. item XIII. item nº 528. condenável (. 1985. mas também a que impede as conseqüências futuras do mesmo fato. 468) e de REYNALDO PORCHAT (“Curso Elementar de Direito Romano”. que se unem à sua causa como um corolário necessário e útil”. além de representar limitação constitucional ao poder reformador do Estado.105 / DF de MATOS PEIXOTO (“Limite Temporal da Lei”. in Revista dos Tribunais. considerada a concepção vigente no sistema normativo brasileiro pertinente à matéria em causa.. OTHON SIDOU (“O Direito Legal”. I/338-339. 173/459. Perfilha igual orientação J. assegura à generalidade dos cidadãos. enfatizando. portanto. p. “A lei nova não atinge conseqüências que.

”. em parecer sobre a matéria. § 4º. por extremamente relevante. 122) – mero catálogo de ficções jurídicas – deliberadamente omitiu essa importante conquista do cidadão. considerada a experiência política vivida pelo povo brasileiro. Nesse sentido. como o atesta. que “. ainda. que somente aos regimes autoritários ou autocráticos causa repulsa o dever de respeitar o ato jurídico perfeito. IV da Constituição”. mas não pode tudo. no entanto. o douto parecer do eminente Procurador-Geral da República.. no sentido de que a EC nº 41/2003 “se divorcia da Constituição e afronta direitos e garantias expressamente consagrados no art. sua manifestação. de modo eloqüente. 3).Supremo Tribunal Federal ADI 3. a coisa julgada e o direito adquirido. n. cujo . já se achava consagrada na Constituição democrática de 1934 (art. cb. concebida para protegê-lo contra o absolutismo estatal. que..105 / DF É sempre oportuno relembrar. com o art. acentuou. direitos e garantias de aposentados e pensionistas assegurados antes de promulgada”. o legislador pode muito. Cabe referir. veio a ser interrompida pela outorga da Carta Política do Estado Novo. ao alterar. assim. 113. cuja vigência. “para reduzir. 60. concluindo.. a Carta despótica de 1937. que. cuja declaração de direitos (art. mostram-se irretocáveis as palavras do eminente Ministro PAULO BROSSARD. XXXVI. 5º. com propriedade..

alteração ou supressão das garantias e direitos individuais. de forma expressa... inclusive. portanto... do texto constitucional. não é correta a afirmação de que a Constituição admite a possibilidade de supressão dos direitos adquiridos singular e concretamente considerados.. ou em linguagem mais apropriada.. a despeito de ainda não aposentados.... O poder de emendar a Constituição é manifestação do chamado poder constituinte derivado. o seu entendimento: “Assiste razão à requerente. assim expôs. com inteira correção. inatingível. ao direito adquirido e à coisa julgada..... podendo impor... da garantia do direito adquirido. e.... do poder constituído. à modificação por via da emenda constitucional. inciso IV.. porquanto a instituição de contribuição previdenciária incidente sobre os proventos dos inativos e pensões dos pensionistas.... erigidos à categoria de cláusula pétrea (.. em seu artigo 60.. bem como dos servidores que.. é entendimento pacífico que o respeito ao ato jurídico perfeito.. no elenco dos direitos e garantias individuais. impõe.. único apto a inaugurar nova ordem jurídica... a propósito da intangibilidade do direito adquirido. fere a garantia constitucional de inalterabilidade do ato jurídico perfeito e do direito adquirido... está inserto no rol dos direitos e garantias individuais.105 / DF pronunciamento.. inciso XXXVI.. na data da Emenda Constitucional em questão já preenchiam os requisitos necessários à aposentadoria. § 4º.. por outro lado. Pois bem... É irrelevante para a solução da questão a alegação no sentido de que a palavra lei contida no dispositivo supramencionado se restringe às leis infraconstitucionais. está obrigado a respeitar os limites de atuação estabelecidos pela Constituição Federal que. a proteção dos direitos e garantias individuais.. que difere substancialmente do poder constituinte originário... mais especificamente às leis ordinárias..... . proclamado no artigo 5º..).Supremo Tribunal Federal ADI 3... ainda que o novo tributo tenha sido previsto em emenda constitucional. visto que apenas proíbe a edição de emenda que tendente a abolir a previsão geral e abstrata. Sendo o poder de emendar um poder subalterno.. ......

. ‘Reforma constitucional e direito adquirido’. por isso. José Afonso da Silva. não estão sujeitas a respeitar o direito adquirido. Elival da Silva Ramos. de sorte que se pode dizer que é pacífico. Não é sequer necessário descer a considerações tal como a de saber se no termo ‘lei’ do inc. mas a Constituição pode ressalvar como fizeram as Constituições de 1946 e 1967. Carlos Ayres Britto e Valmir Pontes Filho. Malheiros. ‘Direito adquirido contra as emendas constitucionais’. p. São Paulo. é necessário distinguir entre as normas constitucionais provenientes da atuação do poder constituinte originário – normas constitucionais originarias – e as normas constitucionais provenientes de emendas constitucionais – normas constitucionais derivadas. RDA 202/75 e ss. RDA 210/1 e ss. Hugo Nigro Mazzilli. t. dúvida alguma resta de que não se submetem ao direito anterior e. no parecer trazido à colação pela autora. 1 de 1969. RDA 213/121 e ss.. p. porque os fundamentos da intocabilidade do direito adquirido . Antes da promulgação da Constituição de 1988.Supremo Tribunal Federal ADI 3.. 4. Saraiva. reproduzido no livro do autor Poder Constituinte e poder popular. Quanto às normas constitucionais derivadas. Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Quanto às primeiras. mostra que a interpretação restritiva do conceito de lei não tem relevância para o deslinde da questão em debate: ‘3. entendia-se que não havia direito adquirido contra norma constitucional. a questão tomou novo rumo com a Constituição de 1988. Revista AP/MP 17/5 e ss. VI. 221 e ss. para que só subsista o que for compatível com a nova estrutura e as normas regras jurídica constitucionais´ (Cf. ‘Poder constituinte e direito adquirido!. no entanto. na doutrina hoje. São Paulo. fosse ela originária ou derivada. Revista dos Tribunais. 1972. que emendas à Constituição não podem ofender o direito adquirido (Cf.105 / DF José Afonso da Silva. São Paulo. Hoje. 381). XXXVI do art. Proteção aos direitos adquiridos no direito constitucional brasileiro. 2002. 238). 2003.. Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. Neste aspecto basta lembrar Pontes de Miranda: ´A constituição é rasoura que desbasta o direito anterior. pp. 5º da Constituição Federal se inclui também as emendas constitucionais..

............. Afinal... então tudo é permitido’.. Impõe-se a qualquer dos atos estatais que se integrem no ‘processo legislativo’..... a alegação de que o legislador constituinte erigiu à categoria de cláusula pétrea apenas a garantia abstrata dos direitos adquiridos... 72) constante do Ademais.. dentre elas a emenda constitucional... na realidade . no sentido de que somente seria inconstitucional a alteração do próprio inciso XXXVI. a qualquer veículo introdutor de normas.... Não fosse assim...... e não cada um destes singularmente considerados.. É que sem a proteção dos direitos adquiridos singularmente considerados.. e não estes.. 60.. da garantia do direito adquirido... pudesse ser diretamente atingido por emendas ao texto constitucional? Não se sustenta.’ .. IV’...... . e não o prejuízo imposto ao seu conteúdo. do artigo 5º.. É totalmente desprovida de consistência a interpretação atribuída ao preceito sob análise...... É este o entendimento do Ministro Carlos Ayres Britto e de Valmir Pontes Filho: ‘Em síntese... lógica e juridicamente.. o preceito constitucional restaria inócuo e sem aplicação.... (fls..... o legislador constituinte ao utilizar a palavra lei se referiu..105 / DF por elas se encontra na vedação art............... ou seja. de que adiantaria garantir a proteção genérica dos direitos adquiridos se o conteúdo de cada direito adquirido individualmente considerado. na realidade.. sem exclusão das emendas... carece de fundamento a assertiva apresentada nos autos segundo a qual a Constituição proíbe a edição de emenda tendente a abolir a previsão geral... teríamos que dizer do direito adquirido aquilo que o gênio de Dostoievski hipotetizou em relação ao próprio Deus: ‘Se Deus não existe..... a norma constitucional veiculadora da intocabilidade do direito adquirido é norma de bloqueio de toda função legislativa pós-Constituição. De igual modo. concretamente considerados...... Trata-se de interpretação que esvazia o conteúdo dos direitos adquiridos e supõe no texto constitucional uma divisão entre os direitos e as garantias...... inserta no rol dos direitos e garantias individuais.Supremo Tribunal Federal ADI 3..... § 4º. a quaisquer das espécies legislativas elencadas no artigo 59 da Constituição Federal..

que não se revela legítima qualquer deliberação do Congresso Nacional.. secundário ou acidental – ganha relevo e assume aspecto de fundamentalidade.). sobre situações jurídicas definitivamente consolidadas. cujo domínio – a partir de exigências inafastáveis fundadas no princípio da segurança jurídica e apoiadas no postulado que respeita a confiança do cidadão no Estado – impede que qualquer ato estatal. neste ponto. incida.Supremo Tribunal Federal ADI 3. . ainda que em sede de emenda à Constituição. subsumindo-se ao âmbito de proteção das cláusulas pétreas. a manipulações e a mutações impostas pelo órgão investido da competência para reformar a Carta Política. com força de retroatividade máxima.” (grifei) Cumpre enfatizar. o direito adquirido – que não ostenta caráter periférico. média ou mínima. conforme lição de José Afonso da Silva (. que atinja o núcleo essencial consubstanciador das decisões políticas fundamentais subjacentes ao estatuto constitucional. que o núcleo essencial – precisamente por conferir identidade ao texto constitucional . Nesse contexto. consideradas as razões expostas a respeito do caráter juridicamente subordinado do poder reformador. É imperioso advertir. quanto a seus elementos fundamentais.105 / DF inexistente. como uma emenda à Constituição.. por isso mesmo.não pode expor-se.

por efeito de atos estatais supervenientes. direitos que foram legitimamente incorporados ao patrimônio das pessoas em geral.Supremo Tribunal Federal ADI 3. É necessário afirmar que a preservação do direito adquirido não representa a consagração de privilégios. de situações jurídicas pré-existentes e definitivamente consolidadas representa clara exigência que se justifica e se legitima enquanto limitação resultante do princípio consagrador do Estado Democrático de Direito. E é sob tal perspectiva que o postulado inerente à incolumidade do direito adquirido deve ser analisado e interpretado.105 / DF A intangibilidade.impede que se desfaçam. pelo poder estatal. Torna-se inegável. que as cláusulas pétreas assumem relevante significado jurídico. no exercício do poder reformador. adequando-a a seus próprios interesses ou ajustando-a aos desígnios de seus . altere a Constituição. pois o sentido da tutela constitucional dispensada àqueles que titularizam situações jurídicas definitivamente consolidadas representa um significativo instrumento de proteção contra o arbítrio do Estado e a opressão do poder. nesse contexto. pois visam a impedir que o Estado. na medida em que a Constituição – mediante utilização dos mecanismos de bloqueio representados pelas cláusulas pétreas . social e político em nosso sistema normativo.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF governantes, não obstante de possa e resultar, desse processo, grave cuja

comprometimento

direitos

garantias

fundamentais

preservação tem o alto sentido de resguardar a própria identidade da Lei Fundamental e de preservar-lhe a fidelidade aos princípios que inspiraram a sua elaboração originária.

O significado transcendente das cláusulas vocacionadas a preservar a identidade político-jurídica do Estatuto

Constitucional, como aquelas inscritas no art. 60, § 4º da vigente Carta valores Política, resulta da necessidade processo de de proteção a certos de

fundamentais,

cujo

positivação

resultou

longo itinerário histórico, motivado pela necessidade permanente de ampará-los contra o arbítrio do poder, sempre que este, superpondo-se à supremacia da ordem constitucional, vise a torná-la dependente da mera vontade estatal.

Eis porque não se pode contestar a asserção de que a declaração de direitos – que contém amplo catálogo de prerrogativas jurídicas reconhecidas em favor das pessoas e dos cidadãos – qualifica-se como insuperável obstáculo de ordem jurídica ao exercício do poder de reforma constitucional, quer se pretenda, com tal modificação, a pura e simples supressão de tais direitos individuais, políticos e/ou sociais, quer se objetive, com tal alteração, a restrição do conteúdo inerente a essas mesmas liberdades públicas,

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF quer se busque, ainda, pela fórmula artificiosa da dupla revisão, a eliminação das salvaguardas representadas pelas limitações materiais impostas à atividade revisional do Parlamento.

Isso significa, portanto, que, longe de afetar os fundamentos em que se assenta o Estado Democrático de Direito, a razão subjacente às cláusulas pétreas traduz a necessidade de preservar, de modo especial, a permanente intangibilidade dos valores, que, erigidos à condição de elementos determinantes da própria identidade constitucional, merecem, por isso mesmo, a qualificada proteção que lhes deu a Constituição, sob pena de a transgressão a esse sistema de valores romper a própria unidade da Constituição, degradá-la em sua irrecusável supremacia, atingir-lhe a coerência interna e, assim, comprometer a integridade do núcleo axiológico que anima e dá significação material à Lei Fundamental, convertendo-a, arbitrariamente, em um instrumento normativo incapaz de manter-se fiel aos compromissos que justificaram, em determinado momento histórico, a sua soberana formulação por uma Assembléia Constituinte investida de poderes originários.

Há, ainda, um outro argumento que se me revela apto a conferir procedência à tese de inconstitucionalidade material ora sustentada na presente ação direta.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF Refiro-me à alegação de que a instituição de contribuição previdenciária, a incidir sobre proventos e pensões, viola o princípio do equilíbrio atuarial, ante a evidente ausência de causa legitimadora da cobrança de referido tributo, tal como bem o demonstrou, em seu douto voto, a eminente Ministra Relatora.

Cumpre reconhecer, neste ponto, que inocorre, quanto a inativos e a pensionistas, a necessária correlação entre custo e benefício, pois o regime contributivo, por sua natureza mesma, há de ser essencialmente retributivo, qualificando-se como

constitucionalmente ilegítima, porque despojada de causa eficiente, a instituição de contribuição sem o correspondente oferecimento de uma nova retribuição, de um novo benefício ou de um novo serviço.

Se é certo, portanto, que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total (CF, art. 195, § 5º), não é menos exato que também não será lícito, sob uma perspectiva estritamente constitucional, instituir ou majorar contribuição para custear a seguridade social sem que assista, àquele que é compelido a contribuir, o direito de acesso a novos benefícios ou a novos serviços.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF Cabe ter presente, por isso mesmo, a decisão plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento final da

ADI 790/DF, Rel. Min. MARCO AURÉLIO (RTJ 147/921-929), quando esta Suprema Corte, necessária legitimação seguridade matéria: analisando a questão do equilíbrio atuarial e de da causa eficiente como pressuposto ao custeio sobre da de da a

existência do aumento

contribuição

destinada

social,

expendeu

irrepreensível

magistério

“Contribuição social. Majoração percentual. Causa suficiente. Desaparecimento. Conseqüência. Servidores públicos federais. O disposto no artigo 195, § 5º, da Constituição Federal, segundo o qual ‘nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio’, homenageia o equilíbrio atuarial, revelando princípio indicador da correlação entre, de um lado, contribuições e, de outro, benefícios e serviços. O desaparecimento da causa da majoração do percentual implica o conflito da lei que a impôs com o texto constitucional...”. (grifei)

É por essa razão que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao também analisar a questão relativa à viabilidade jurídico-constitucional da instituição, sobre vencimentos e proventos, de contribuição previdenciária, assim decidiu:

“O REGIME CONTRIBUTIVO É, POR ESSÊNCIA, UM REGIME DE CARÁTER EMINENTEMENTE RETRIBUTIVO. A QUESTÃO DO EQUILÍBRIO ATUARIAL (CF, ART. 195, § 5º). CONTRIBUIÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL SOBRE PENSÕES E PROVENTOS: AUSÊNCIA DE CAUSA SUFICIENTE.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF - Sem causa suficiente, não se justifica a instituição (ou a majoração) da contribuição de seguridade social, pois, no regime de previdência de caráter contributivo, deve haver, necessariamente, correlação entre custo e benefício. A existência de estrita vinculação causal entre contribuição e benefício põe em evidência a correção da fórmula segundo a qual não pode haver contribuição sem benefício, nem benefício sem contribuição. Doutrina. Precedente do STF.” (RTJ 181/73-79, 76, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

Daí a correta observação que o eminente Procurador-Geral da República fez em seu douto parecer:

“A contribuição previdenciária, não se discute, tem natureza de tributo, devendo, por via de conseqüência, possuir todas as características inerentes à espécie (...). ................................................... Ocorre que, conforme já reconhecido pelo STF quando do julgamento da ADI 2010-2, a contribuição para a seguridade social é tributo vinculado, ou seja, o produto de sua arrecadação é especificamente ‘destinado ao custeio e ao financiamento do regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargos efetivos’. Vê-se, desse modo, que a contribuição previdenciária só existe em função da necessidade de que sejam custeados serviços e benefícios específicos, os quais pressupõem a existência de uma determinada parcela da população beneficiária, a saber, os contribuintes. Enfim, em sendo a contribuição previdenciária um tributo vinculado, somente poderá ser seu contribuinte o beneficiário da previdência. E na situação ora estudada, opera-se uma peculiaridade: o benefício principal jamais é simultâneo, ou seja, o sujeito passivo paga a contribuição durante longo período de tempo e, quando preenchidos os requisitos, terá direito à aposentadoria e à percepção de determinado provento, que é a retribuição do Estado pelas contribuições anteriormente pagas.

Supremo Tribunal Federal
ADI 3.105 / DF De tais considerações decorre uma conclusão, qual seja, a de que se o legislador deseja impor uma nova contribuição deverá também criar um novo benefício que a justifique, sob pena se ter como caracterizada a cobrança de um imposto sui generis cujo fato gerador seria a percepção de proventos de aposentadoria, hipótese que já se configura como fato gerador do imposto de renda. Ao contrário do afirmado nas razões da AGU, não se limitou o STF, no julgamento da retrocitada ADI nº 2010, a vincular a instituição da contribuição previdenciária de inativos e pensionistas à inexistência de uma matriz constitucional, falta que estaria suprida pela edição da Emenda Constitucional nº 41/2003. Naquela oportunidade, também restou assentado que, ante o caráter retributivo do sistema contributivo, sem causa suficiente, não se justifica a instituição ou majoração da contribuição de seguridade social: ‘(...) O REGIME CONTRIBUTIVO É, POR ESSÊNCIA, UM REGIME DE CARÁTER EMINENTEMENTE RETRIBUTIVO. A QUESTÃO DO EQUILÍBRIO ATUARIAL (CF, ART. 195, § 5º). CONTRIBUIÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL SOBRE PENSÕES E PROVENTOS: AUSÊNCIA DE CAUSA SUFICIENTE. - Sem causa suficiente, não se justifica a instituição (ou a majoração) da contribuição de seguridade social, pois, no regime de previdência de caráter contributivo, deve haver, necessariamente, correlação entre custo e benefício. A existência de estrita vinculação causal entre contribuição e benefício põe em evidência a correção da fórmula segundo a qual não pode haver contribuição sem benefício, nem benefício sem contribuição.’ Observando-se, portanto, que a Emenda Constitucional apenas instituiu nova contribuição previdenciária, sem especificar qualquer novo benefício, tem-se a criação de tributo sem causa, inconstitucional, portanto. ................................................... Pois bem, nessa hipótese, o que se tem é que o servidor já está sofrendo a tributação destinada ao financiamento da previdência social, isto é, já está recolhendo a contribuição que, obrigatoriamente, se

de imposição de natureza tributária.. Veja-se. terá ele direito à percepção de determinado provento.. a meu sentir.. notadamente no tópico em que. o regime contributivo previdenciário tem por característica o fato de que o sujeito passivo contribui hoje para garantir um benefício futuro.. do serviço público. quando em atividade e ao qual são agregados. que deve ser analisada à luz dos princípios constitucionais próprios.... incorrem os defensores da alteração introduzida pelo artigo ora em exame consiste em confundir sistemas diversos. Ora. para todos os efeitos. foi estender a contribuição previdenciária a um grupo de pessoas sobre o qual até então ela não incidia.. O equívoco em que.. portanto. quando ingressam na inatividade.. desligados que estão..... quando da aposentação... o que se fez... porque como já afirmado. portanto. .Supremo Tribunal Federal ADI 3. que não cabe argumentar que a contribuição tem finalidade previdenciária.... da EC nº 41/03.... .105 / DF destinará a assegurar que.. Trata-se. 4º...... de um lado o sistema estatutário a que se submetem os servidores públicos ao longo de sua vida funcional. de outro... ainda...... Essa confusão entre conceitos levou à presente tentativa de fazer com que os aposentados e pensionistas paguem retroativamente pelos benefícios que já auferem e que lhes foram regularmente deferidos..” (grifei) Convenço-me... mas proventos. com extrema propriedade. o estabelecimento de uma contribuição sobre os proventos de aposentadoria representa a tributação sobre o benefício a que faz jus o aposentado por já ter contribuído para a previdência.... da plena correção do douto voto da eminente Ministra Relatora.. mediante a edição do referido art. procede ao exame da contribuição previdenciária sobre proventos de aposentadoria e pensões.... passando a perceber não mais vencimentos.. fazendo-o sob a perspectiva de seu caráter jurídico-tributário: “Conforme entendo.. o sistema previdenciário para o qual contribuem eles..

... segundo o Prof... Dentre as categorias de contribuintes pode-se então dizer que os servidores – ainda que se aceite a afirmativa de que em ocasiões passadas contribuíram pouco (o que. o fundo da seguridade social. José Afonso da Silva (f. Logo.... com percentual fixado em lei sobre seus ganhos. e será beneficiário.. que proventos e pensões já são tributados pelo Imposto sobre a Renda. diga-se de passagem.. o servidor se torna titular de um direito a perceber benefício de prestação continuada.. No regime previdenciário. por isso.. ou se.. Ora. do texto da norma impugnada se depreende que o fato gerador da contribuição não é outro senão a percepção desse benefício. não pode fugir.. regido por direitos e deveres próprios. porém.... No sistema estatutário. porque é ainda necessário que os recursos dela provenientes sejam destinados a satisfazer as prestações da seguridade social..112/90 que estabeleceu o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União. É preciso extremar com clareza os dois sistemas. para o regime da previdência. vinculado a satisfazer as prestações previdenciárias... ele é contribuinte.. enquanto em atividade....... como se viu.. enquanto em atividade.. na relação previdenciária.. Para o servidor. . a contribuição previdenciária..105 / DF na forma da lei vigente ao tempo da inativação ou do óbito do servidor. após haver contribuído e prestado serviços pelo tempo definido em lei. for considerado inválido. De tal contribuição.. 83). a obrigação que se lhe cria é a de contribuir. ‘é tributo vinculado a determinado tipo de prestação.... Desnecessário lembrar. não corresponde exatamente à verdade) – foram sempre contribuintes perfeitamente pontuais no recolhimento da parte que lhes cabia... tributo que se destina a alimentar um fundo...Supremo Tribunal Federal ADI 3.. na forma dos artigos 183 e 231 da Lei 8. acaso.. .... Mas. Caso único de categoria de contribuintes onde a evasão ou a sonegação corresponde a zero.... mensalmente. após cumprir todas as condições de tempo de serviço e contribuições previstas em lei... quando passar à inatividade.. sua arrecadação compulsória só por si não é suficiente para legitimá-la. posto que os descontos respectivos se operam em folha de pagamento. o indivíduo pode apresentar-se em uma de duas condições: ou é servidor ativo ou é servidor inativo.

nem por isso faz tábula rasa de outros princípios de igual dignidade constitucional. Vale dizer.105 / DF porquanto só para tal destino a Constituição Federal fundamenta sua cobrança. um tributo sem causa. mesmo que não tenha contribuído antes. 40 (da Constituição Federal). Logo. embora respeitável.’ (f. em seu art. e precisamente daí. a simples menção da finalidade (causa) não satisfaz os princípios constitucionais da tributação. como a garantia contra a bi-tributação (CF. 19 do parecer) A emenda nº 41/03. No caso. Quando eles alcançam essa prestação. o que lhe dá caracterização de . art. porque não estava obrigado a isso. José Afonso da Silva. IV). é que se verifica o direito subjetivo do trabalhador às prestações. ocorre como que um acerto de contas entre o contribuinte e o Ente público. também.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Se o servidor já está recebendo o benefício a que fez jus. a tese do déficit da previdência ou a tese de que os atuais aposentados não contribuíram ou contribuíram pouco para a previdência não são causas legítimas para a imposição a eles de contribuição.’ Para o mesmo ilustre jurista. São utilizadas como simples pretexto para a sua criação. ter-se-á uma contribuição sem causa. contribuem para que venham a perceber proventos de aposentadoria. 154. nos termos do art. em seu já citado parecer conclui ‘que as razões (causas) dadas pela Exposição de Motivos para a criação da contribuição de previdência sobre os proventos de aposentadoria não têm uma conexão lógica com as finalidades que dão fundamento de legitimidade à sua exação. quebra o sinalagma da relação jurídica previdenciária. mas. que não se pode imputar a ele. o servidor aposentado não pode ficar sujeito a pagar uma contribuição em razão de fatos passados. 150. sempre que ocorrerem os pressupostos que justifiquem receber a vantagem previdenciária. art. ‘Os servidores. Portanto. 4º da EC – 20/1998 converteu o tempo de serviço público em tempo de contribuição. I) e o princípio do não-confisco (CF. como se viu acima. 4º. pelo que o Ente arcava com os benefícios como uma forma de salário futuro. Tanto é verdade. porque o sistema constitucional não dava ao Ente público o direito de cobrar-lhe contribuição. Por isso que o Prof. que o art. vinculadas. não são causas reais. incidente sobre certa categoria de pessoas. portanto. forçando aposentados e pensionistas a efetuarem verdadeira ‘doação’ de parte de seus proventos em nome do princípio da solidariedade intergeneracional que.

de que o pensionista ou a pensionista depende...... a contribuição dos inativos é uma forma de tributo sem causa.........” (grifei) Nem se diga.. com maior razão.. Tudo que foi dito sobre ilegitimidade das contribuições dos inativos se aplica.. O agente gerador da pensão contribuiu efetivamente ou teve seu tempo de serviço considerado como contribuição.. seu cônjuge ou herdeiro tivesse direito à pensão........ que caracteriza um tratamento desigual em relação a quem não pertence à mesma categoria.. que não se enquadra em nenhuma forma legítima de tributação constitucionalmente prevista. sem relação de causa com um fato gerador material......... A estes sequer se aplica o argumento da Exposição de Motivos quando apela para a solidariedade e o dever de contribuir para a cobertura do desequilíbrio financeiro do sistema...... com a sua morte. que a fundamentação subjacente ao pronunciamento da eminente Ministra Relatora desconheceria o princípio da solidariedade.. (.. .. a exação padece de inconstitucionalidade... porque não se caracteriza como trabalhador ou servidor obrigatoriamente vinculado à previdência social ou à previdência própria das entidades públicas......105 / DF tributo de capitação... à incidência de contribuição sobre pensionistas.’ (. um tipo de capitação.. porque pensionista não é participante porque ele.. para que. No primeiro caso.... num bis in idem ilegítimo. como tal...... quando esta não era exigida..... ou se caracteriza como uma tributação da renda (proventos de qualquer natureza)....)...Supremo Tribunal Federal ADI 3................. sem causa.. .).. No segundo caso..... porque retira parte do patrimônio de um grupo de pessoas. neste ponto. tem-se uma apropriação de recursos de uma categoria de pessoas.. não contribui para a previdência.. A pensão é adquirida em conseqüência da contribuição de terceiro.. Em conclusão.. de duas uma. ... porque faz incidir uma espécie de tributação da renda apenas sobre uma categoria de pessoas... Não está sujeito à contribuição..... Em tal situação. a inconstitucionalidade é ainda mais brutal.. Como tal se conceitua toda forma de tributação sobre a pessoa.

Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Ressalte-se que o princípio da solidariedade. fundado . Daí a norma que. e no que concerne à execução do conjunto integrado de ações na área de saúde. do art. seja mediante recursos provenientes dos orçamentos públicos. cujo conteúdo material é o seguinte: “‘Art. os Estados. tal como invocado pela União Federal. em adição aos recursos dos respectivos tesouros. introduzida pela EC nº 20/98 (art. 2º). ao texto da Carta Federal. seja por intermédio de recursos oriundos da generalidade dos empregadores (inclusive o Estado) e dos trabalhadores e servidores públicos. de previdência e de assistência sociais na exigência de financiamento global por toda a sociedade. 249. direitos e ativos de qualquer natureza. o Distrito Federal e os Municípios poderão constituir fundos integrados pelos recursos provenientes de contribuições e por bens. mediante o pagamento das pertinentes contribuições sociais. nada mais significa do que a explicitação de um critério que já se revelava imanente ao próprio sistema de seguridade social. a União. mediante lei que disporá sobre a natureza e a administração desses fundos. 249. 41/2003 e 42/2003. resultou no acréscimo.mesmo antes do advento das Emendas Constitucionais nºs 20/98. Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento de proventos de aposentadoria e pensões concedidas aos respectivos servidores e seus dependentes.’” (grifei) .

do art. É o que está dizendo o artigo 249. antes . por esta Suprema Corte.105 / DF O eminente Ministro CARLOS BRITTO. e uma vez alcançado determinado nível de concretização de tais prerrogativas (como estas reconhecidas e asseguradas.” (grifei) Para além de todas as considerações que venho de expor. bem enfocou o sentido desse postulado. fazendo-o a partir da mencionada norma inscrita no art. ao princípio da proibição do retrocesso. em tema de direitos fundamentais de caráter social. Era uma solidariedade que já estava implícita. ao tratar da questão pertinente à solidariedade. e nem precisou falar de solidariedade. cuja invocação revela-se apta a justificar a decretação de inconstitucionalidade. ainda. Tanto que a Constituição já falava. em sede de controle concentrado. desde a redação originária. e somente agora veio a ser explicitada. há. É nesse sentido que a solidariedade pode ser interpretada. enquanto diretriz vocacionada a conferir sustentabilidade ao sistema previdenciário dos agentes públicos. desde a origem. embutida. um outro parâmetro de controle. 249 da Lei Fundamental: “É nisso que reside a solidariedade: a sociedade e o Estado se emparceiram para desenvolver ações de seguridade social em benefício dos aposentados e pensionistas.Supremo Tribunal Federal ADI 3. 4º da EC nº 41/2003. que. em face do caráter de fundamentalidade de que se revestem os direitos de natureza previdenciária. que a seguridade social resulta de uma ação conjunta da sociedade e do Estado. Refiro-me. neste passo.

in Revista Público. 320/322. . níveis concretização dessas prerrogativas. p. Sergio Antonio Fabris Editor. no processo de sua concretização. J. J. 2001. 127/128. 1998. Na realidade. SARLET. INGO W. Brasília Jurídica. uma vez atingidos. ANDREAS JOACHIM KRELL. INOCÊNCIO MÁRTIRES COELHO e PAULO GUSTAVO GONET BRANCO. p. n. exceto nas hipóteses – de todo inocorrente na espécie – em que políticas compensatórias venham a ser implementadas pelas instâncias governamentais. venham a ser reduzidos ou suprimidos. item n. p. impede que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive (GILMAR FERREIRA MENDES. “Algumas considerações em torno do conteúdo. 2002. “Direito Constitucional e Teoria da Constituição”. 40.. 1ª ed. 12. p. 03. “Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha”. 2002. “Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais”. 2002. GOMES CANOTILHO.Supremo Tribunal Federal ADI 3. conseqüência.105 / DF do advento da EC nº 41/2003. Almedina. impedindo. eficácia e efetividade do direito à saúde na Constituição de 1988”. 2ª tir. aos inativos e aos pensionistas). verdadeira dimensão negativa pertinente em aos direitos sociais que os de natureza de prestacional. a cláusula que proíbe o retrocesso em matéria social traduz. 99).

320/321. uma garantia institucional e um direito subjectivo. mesmo que se afirme sem reservas a liberdade de conformação do legislador nas leis sociais. ao mesmo tempo. passam a constituir. direito à educação). J. simultaneamente. por ex.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O princípio da . A ‘proibição de retrocesso social’ nada pode fazer contra as recessões e crises econômicas (reversibilidade fáctica).105 / DF Lapidar. e do núcleo essencial da existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa humana. De qualquer modo. mas o principio em análise limita a reversibilidade dos direitos adquiridos (ex. subsídio de desemprego. em clara violação do princípio da protecção da confiança e da segurança dos cidadão no âmbito econômico. 1998. subjetivamente adquiridos.. uma obrigação de prossecução de uma política congruente com os direitos concretos e as expectativas subjectivamente alicerçadas. Com isto quer dizer-se que os direitos sociais e económicos (ex. será inconstitucional uma lei que extinga o direito a subsídio de desemprego ou pretenda alargar desproporcionadamente o tempo de serviço necessário para a aquisição do direito à reforma (. Assim. GOMES CANOTILHO.: segurança social. p. Almedina.). direito à assistência. O reconhecimento desta proteção de direitos prestacionais de propriedade. estimula as seguintes reflexões (“Direito Constitucional e Teoria da Constituição”. 3): “O princípio da democracia econômica e social aponta para a proibição de retrocesso social. social e cultural. cuja lição. a propósito do tema. as eventuais modificações destas leis devem observar os princípios do Estado de direito vinculativos da actividade legislativa e o núcleo essencial dos direitos sociais..: direito dos trabalhadores.. uma vez obtido um determinado grau de realização. A idéia aqui expressa também tem sido designada como proibição de ‘contra-revolução social’ ou da ‘evolução reaccionária’. o magistério de J. item n. constitui um limite jurídico do legislador e. sob todos os aspectos. A violação no núcleo essencial efectivado justificará a sanção de inconstitucionalidade relativamente aniquiladoras da chamada justiça social. prestações de saúde).

Supremo Tribunal Federal ADI 3. uma determinada alteração na ordem jurídica -. Lisboa): “Que o Estado não dê a devida realização às tarefas constitucionais. em douto voto de que extraio o seguinte fragmento (“Acórdãos do Tribunal Constitucional”. Mas quando desfaz o que já havia sido realizado para cumprir essa tarefa. 117-118.105 / DF proibição de retrocesso social pode formular-se assim: o núcleo essencial dos direitos já realizado e efectivado através de medidas legislativas (‘lei da segurança social’. que lhe estão cometidas. então. 3/95-131. vol. o resultado passa a ter a protecção directa da . ‘revogação’ ou ‘aniquilação’ pura a simples desse núcleo essencial. quando ela seja levada a cabo. ‘lei do subsídio de desemprego’. Conselheiro VITAL MOREIRA. e com isso atinge uma garantia de um direito fundamental. Imprensa Nacional. isso só poderá ser objecto de censura constitucional em sede de inconstitucionalidade por omissão. ao invocar a cláusula da proibição do retrocesso. o Tribunal Constitucional português (Acórdão nº 39/84). reconheceu a inconstitucionalidade de ato estatal que revogara garantias já conquistadas em tema de saúde pública. concretas e determinadas. vindo a proferir decisão assim resumida pelo ilustre Relator da causa. Se a Constituição impõe ao Estado a realização de uma determinada tarefa – a criação de uma certa instituição. se traduzam na prática numa ‘anulação’. sem a criação de outros esquemas alternativos ou compensatórios. então a censura constitucional já se coloca no plano da própria inconstitucionalidade por acção. A liberdade de conformação do legislador e inerente auto-reversibilidade têm como limite o núcleo essencial já realizado.” (grifei) Bem por isso. ‘lei do serviço de saúde’) deve considerar-se constitucionalmente garantido sendo inconstitucionais quaisquer medidas estaduais que. 1984.

. como se já existissem à data da Constituição.. . ainda.......” (grifei) Cabe rememorar. sim... a propósito do postulado que veda o retrocesso social.. ou seja. impeditiva de retrocesso.. . Excelência. para se transformar (ou passar também a ser) numa obrigação negativa... sistema de segurança social. Enquanto elas não forem criadas... pelo eminente Ministro CARLOS BRITTO. Este enfoque dos direitos sociais faz hoje parte integrante da concepção deles a teoria constitucional... mas. os direitos sociais traduzem-se para o Estado em obrigação de fazer.... portanto. Em grande medida.Supremo Tribunal Federal ADI 3. não pode descumprir o que cumpriu....... O Estado não pode voltar atrás...... passa a estar obrigado a abster-se de atentar contra a realização dada ao direito social... (.. Quer isto dizer que a partir do momento em que o Estado cumpre (total ou parcialmente) as tarefas constitucionalmente impostas para realizar um direito social..) Se o fizesse. que estava obrigado a actuar para dar satisfação ao direito social.. como a cláusula do ‘Estado social’... na sessão de 26/05/2004. não pode tornar a colocar-se na situação de devedor. mas após terem sido criadas.. o respeito constitucional deste deixa de consistir (ou deixar de consistir apenas) numa obrigação positiva. sobretudo de criar certas instituições públicas (sistema escolar.) da Constituição.. etc. obrigam-no também a não aboli-los uma vez criados. mesmo lá onde é escasso o elenco constitucional de direitos sociais e onde.. a incisiva observação feita... não cumprem uma função conservadora. “.... a Constituição só pode fundamentar exigências para que se criem. O Estado..).. eles têm de ser extraídos de cláusulas gerais.... As tarefas constitucionais impostas ao Estado em sede de direitos fundamentais no sentido de criar certas instituições ou serviços não o obrigam apenas a criá-los.. incorreria em violação positiva (..na Constituição de 1988.. a Constituição passa a proteger a sua existência.105 / DF Constituição.. acentuou que estas. quando Sua cuidando da finalidade inerente às cláusulas pétreas.

E. cujas razões também incorporo a esta minha decisão.”. . eminente Relatora.105 / DF garantem o progresso.para julgar integralmente procedente na linha dos a presente doutos votos e ação direta de pela inconstitucionalidade. É tempo de concluir o meu voto. advertindo. em conclusão de seu pensamento..Supremo Tribunal Federal ADI 3. ao fazê-lo. proferidos pelos Ministra ELLEN GRACIE. eminentes Ministros que a acompanharam. que “O progresso então obtido é preciso ser salvaguardado”. peço vênia – considerados os fundamentos expostos .. Senhor Presidente. É o meu voto.

201 da . 40 da Constituição Federal com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. 4º Os servidores inativos e os pensionistas da União. segmentos importantes da sociedade brasileira. alguns desaforos. do Distrito Federal e dos Municípios. na presente ação direta. 4º da Emenda Constitucional nº 41/2003: "Art. exclusivamente o art. dos Estados. Questiona-se. como já imaginava. Tudo.cinqüenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. bem como os alcançados pelo disposto no seu art. contribuirão para o custeio do regime de que trata o art.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. Parágrafo único. e justificadamente. Cumpro apenas o dever de explicitar as razões do meu voto. em causa que tanto emociona. A contribuição previdenciária a que se refere o caput incidirá apenas sobre a parcela dos proventos e das pensões que supere: I . aqui que esta causa (Até propiciava dito votos proferidos. incluídas suas autarquias e fundações. mas deles não tratarei). 3º. em dizer está um sentido nos ou em até outro. em gozo de benefícios na data de publicação desta Emenda.105-8 DISTRITO FEDERAL V O T O (27) PERTENCE SEPÚLVEDA - Voto O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - Senhor Presidente. ocupante desta cadeira de decano — conforme Vossa Excelência tanto gosta de lembrar-me — quando a discussão aqui chegasse seria vã e ilusória a tentativa de dizer algo de novo.

mas pela conveniência da postura tomada neste julgamento —. ou seja. na ADIn 1. fui Relator da ADIn MC 2.6. No primeiro desses precedentes — já assaz citado — a ADIn 1. e o segundo na ADIn 2.96. também não as aceito para fundamentar o argumento básico contra a contribuição dos inativos. na breve adesão que prestei ao voto do Relator pela denegação da liminar. Gallotti. como proclamado até pelos jornais.sessenta por cento do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. O primeiro deles. as discussões sobre a chamada crise da Previdência e da Seguridade Social têm sido prejudicadas. da lavra do Ministro Celso de Mello. ora como se se tratasse.441. pouco depois. de certo modo. está. acentuei: “No fundo.087.010. nesse último. e efetivamente se trata.105 / DF Constituição Federal. 28. 201 da Constituição Federal. a . delineada em intervenções precedentes em julgamentos no Tribunal. melhor explicitada a minha posição. quando.” A minha posição. para os servidores inativos e os pensionistas dos Estados. de uma ação estatal independente de cálculos e considerações atuariais. por uma argumentação oportunística de ambas as partes: a de tomar-se a Seguridade Social ora como se tratasse de um contrato. para os servidores inativos e os pensionistas da União. do Distrito Federal e dos Municípios. II .441. de um lado e de outro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Assim como não aceito considerações puramente atuariais na discussão dos direitos previdenciários. relator Octavio Galloti. RTJ 166/890 — não por meus méritos.

30. com pretendida base nela. Não obstante.9. que deferiu a suspensão cautelar do dispositivo legal questionado. embora o caso previdenciário estadual.” Não obstante. para explicitar a limitação dos motivos da minha adesão ao voto condutor da ADIn MC 2. em 31. um voto breve (RTJ 181/73. se referisse a um sistema Aproveitei-me. fui Relator da ADIn MC 2. que tocara em quase todos os pontos que explorou agora.99. sob a Emenda Constitucional 20.105 / DF de que já cumpriram o quanto lhes competia para obter o benefício da aposentadoria.010. a lei ordinária que instituía a taxação dos proventos dos servidores públicos inativos. como disse. então. na qual também se discutia a possibilidade da incidência de contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e as pensões. compus a ampla maioria do Tribunal — ADIn 2. da autoria sempre ilustre do Ministro Celso de Mello. com aprofundamento que selou a sorte da lei (tanto que o Tribunal passou a aplicar aquele precedente. Mas proferi. então. do Amazonas.010.Supremo Tribunal Federal ADI 3. . como se se tratasse de decisão definitiva).11. pouco tempo depois. editada a Emenda Constitucional 20 e.124). como é a da Seguridade. Contribuição social é um tributo fundado na solidariedade social de todos para financiar uma atividade estatal complexa e universal.087.99 —.

a um dos fundamentos. na tramitação no Congresso Nacional da proposta de que resultou a Emenda Constitucional 20. 195. 40. a impossibilidade constitucional de . pouco do depois. que me reduzia a um. mas ponderabilíssima Mendes). desceu a uma minuciosa resenha histórica do ponto. Permito-me reproduzi-lo. não se logrou oferecer réplica aceitável: a que extrai da combinação do novo art.087.Supremo Tribunal Federal ADI 3.087. e o art. 40. hoje eminente colega Gilmar O meu voto. 195. da decisão liminar do Tribunal. deixando os outros sob prudente reserva. na Emenda Constitucional 20. Limitava-me a concluir que. a severa. da combinação entre o art. II. na ADIn MC 2. apenas para a documentação da nenhuma contradição entre o meu voto de então com o que hoje vou proferir.105 / DF Deixei claro nessa ADIn MC 2. Disse então que: “Sob a EC 20/98. pelo menos. contudo. nosso no ponto. § 12. resultara uma imunidade dos proventos dos servidores públicos à contribuição previdenciária (recebemos crítica. II. § 12 com o novo art.

conforme a EC 20/98 . 40. 40 CF. CF. 195. no que veda incida a contribuição previdenciária sobre “aposentadoria e pensão”. de um fruto ocasional e imprevisto de algum descuido da elaboração da EC 20/98. 1999).Supremo Tribunal Federal ADI 3. Brasília Jurídica. afinal resultante na emenda constitucional referida. II.dado que nada faz descabida a sua aplicação ao regime especial de previdência do servidor público efetivo. É só recordar .Aprovada e Comentada.o que sucedeu a respeito nos sucessivos momentos do processo de elaboração da EC 20/98.como fiz em meu voto na ADIn MC 2010 . E sim. porém. da parte final do art. delineado no conjunto normativo do art. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social”. de uma resultante inevitável da reiterada derrota na Câmara dos Deputados da proposta governamental de fazer incidir a contribuição sobre aposentados e pensionistas de servidor público. ed.que. Não se trata. precisamente documentados no cuidadoso trabalho da Dra. Cláudia Fernanda Pereira (Reforma da Previdência . . Extrai-se do primeiro . também aos beneficiários dele.o § 12 do art. “o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará. no art. no que couber. além do disposto no caput e nos onze parágrafos anteriores. pelo contrário. 40 resulta a aplicabilidade. Dessa norma de remissão . Essa conseqüência lógica da abertura. § 12 à aplicação subsidiária ao servidor público da imunidade literalmente adstrita aos beneficiários do regime geral de previdência pode ser contrária às aspirações e inspirações dos formuladores iniciais da proposta da reforma constitucional.105 / DF fazer incidir contribuição previdenciária sobre proventos de aposentadoria e pensões do setor público.

p.. observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. 42.após o caput do art.estatuía (ob.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Com o substitutivo do aprovado na Câmara Alta.. § 9º . 384): “Art. reduzia as fontes de custeio das “aposentadorias e pensões dos servidores públicos” aos “recursos provenientes do respectivo ente estatal e da contribuição dos servidores públicos”.. cit.III. é Senador Beni Veras. 40 CF.ob.” O mesmo se propunha com relação aos militares inativos e seus pensionistas (art. 40. porém. 40 (. 42. salvo na remessa da questão dos militares a um regime próprio. § 5º . p. 402).105 / DF A proposta de emenda constitucional do Presidente da República . bem como dos pensionistas e do respectivo ente estatal. a ser estabelecido em lei complementar (art. não o alterou no particular (cf. que acabou aprovada. no qual o art. § 9º). (ob. Deputado Euler Ribeiro. com . que ressurgiu. 403).. p. Cit. similar ao que veio a ser aprovado .. arts. ib.) § 1º . 42. A inovação já não se incluiu. 40. mas a emenda aglutinativa do Deputado Michel Temer. 392) O substitutivo continha disposição idêntica com relação aos militares (art. § 2º. no substitutivo do relator da Comissão Especial.O custeio dos benefícios do regime previdenciário referido neste artigo será feito mediante contribuições dos servidores públicos ativos e inativos. p.. cit. § 9º . 393).ob. p. cit. O substitutivo Euler Ribeiro acabou rejeitado no plenário da Câmara dos Deputados. como relatado no MS 22503.

o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará.) § 13. no contexto daquele substitutivo do Senado. 195. no mesmo substitutivo Beni Veras aparece. Ocorre que. na forma da lei. originalmente. it. 40. voltando à Câmara.) § 1º. só até o limite destes é que a exclusão se estenderia a inativos e pensionistas do setor público. da proposta do Executivo. acabou novamente rejeitada. essa última reiteração. a pretensão originária do governo (ob. 407): “Art. não tinha a ver. no que couber.. 409): “Art. por força da redação então aprovada para o art. p. 201.. 40 (.105 / DF temperamentos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Além do disposto neste artigo.. no particular. o futuro art. cit.. As aposentadorias e pensões serão custeadas com recursos provenientes das contribuições dos servidores e pensionistas e do respectivo ente estatal.” Mas. não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão de valor igual ou inferior ao limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.. § 1º.” A remissão. já estabelecesse a imunidade à contribuição dos proventos e pensões do regime geral. sob o nº 13. com a questão de qua: não obstante a redação proposta para o art. . porém. § 12 (ob. 40. 40 (. II. os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.. p.

Velloso). I.como resulta inequivocamente da combinação desses dois dispositivos . no mínimo à exigência formal da lei complementar: é recordar o que sucedeu com a extensão da contribuição social das empresas sobre a remuneração de seus próprios dirigentes e de trabalhadores autônomos e avulsos que . a remissão do art.296. 154. da Lei Fundamental. RTJ 156/666. DJ 17. 195. 40 (que resultou no § 12 do texto promulgado) e o art. que autoriza a instituição de “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social. M. 4. .9. § 4º. e ADInMC 1. quando objeto de lei ordinária. 195. Pl. porque não compreendida na previsão constitucional do art.94.repelida pelo Tribunal. mas traduziu com precisão a dupla recusa da Câmara dos Deputados à proposta de submetê-los à exação. submete a recriação de novas contribuições. I.12. 12. porém. 195. Corrêa. 18. Não foi preciso examinar. De qualquer sorte.96.772. como os proventos e pensões.102.94. ADInMC 1. parece claro que a regra não legitima instituir contribuições sociais sobre fontes que a Constituição tornara imunes à incidência delas. de contribuição sobre a folha de salários (RE 166. obedecido o disposto no art. na ADInMC 2. Aurélio.94. Moreira.95. com o art.Supremo Tribunal Federal ADI 3.102.98. 29. II: a recordação do processo formador da emenda evidencia.94) . pois.010. 5. por força da conjugação já tão referida do art. 40. Néri.321. 154. § 4º.95. ao art. 195.5. 1º.8.só mediante a LC 84/ viria a legitimar-se (ADInMC 1432. Brossard. RE 228.10.94. 9.105 / DF Foram aprovados. o § 13 do art. 9.10. Pl.11. Pl.9. 195. se a incidência questionada sobre proventos e pensões poderia buscar fundamento no art.96. 15.11. § 12. Primeiro. que a imunidade irrestrita de proventos dos servidores públicos inativos e dos respectivos pensionistas à contribuição social .não foi um acidente.4. RE 177. § 1º”. II.

de que já sobre a EC 20 seria possível defender a constitucionalidade da tributação dos proventos dos servidores públicos. Depois de recusada. Recordo apenas um ponto na tramitação da emenda que. essa alternativa não me passou despercebida. e à sua sugestão. do substitutivo Beni Veras: “Art.. lembro apenas em atenção às críticas do Ministro Gilmar Mendes. logo depois sugerida em trabalho doutrinário — e hoje repisada — pelo Ministro Gilmar Mendes.105 / DF De tudo isso. não incidindo contribuição . naquela época. e lá é vitorioso. o ponto é submetido à revisão do Senado. na forma da lei. que era quase exatamente a fórmula. Releio. 40 (. a meu ver. o substitutivo do ilustre Senador Beni Veras. impedia adotá-la: o Congresso rejeitara decididamente a solução.. hoje reiterada. à luz do texto constitucional então vigente. mas que a tributação partisse do que excedesse esse limite — que. porque estes limitados rigidamente. qualquer idéia de taxação previdenciária dos inativos. desde que se lhes garantisse. na Câmara dos Deputados. no ponto. não a total imunidade dos beneficiários do regime geral.Supremo Tribunal Federal ADI 3.) § 1º As aposentadorias e pensões serão custeadas com recursos provenientes das contribuições dos servidores. pensionistas e do respectivo ente estatal.

XXXVI. O tema ameaçava ser a grande discussão desta causa: o que significava a aplicação da garantia de que a lei não prejudicará o direito adquirido frente a uma emenda constitucional? A leitura ortodoxa é sabida. em momentos incidentes.” A Câmara dos Deputados.Supremo Tribunal Federal ADI 3. sobretudo as tomadas sob a Constituição pretérita: segundo ela. a garantia do artigo 5º. capitaneada pelo Ministro Moreira Alves. combinado com o artigo 5º. IV. E aqui foi. só protege o direito adquirido contra a lei ordinária. E. à alteração advinda por constituição originária ou por emenda à constituição é inoponível o direito adquirido. O carro-chefe da fundamentação da presente ADIn e dos notáveis pareceres que a respaldam é a violação da cláusula pétrea do artigo 60. 201. e traduzida em diversas decisões da Corte. a proposição aprovada no Senado. XXXVI da Constituição. durante muitos anos. contudo. na volta.105 / DF sobre aposentadoria e pensão de valor igual ou inferior ao limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. § 4º. rejeitou. vigente a Constituição de 1988. essa visão ortodoxa prenunciava que também a cláusula de .

virtualmente unânime na doutrina firmada sob a Constituição de 1988. ou aos proventos . com relação ao direito adquirido. relação contesta ou a na existência de estatutária previdenciária. de que o tema é praticamente irrelevante. sim. que de um lado e outro ilustraram o debate desta causa. afinal. É certo que essa visão ortodoxa parece hoje abandonada pela opinião comum dos doutores. que tende. no momento em que reunidos os seus pressupostos. Ninguém. provavelmente. a entender alcançada pela cláusula de intangibilidade a própria existência dos direitos adquiridos oriundos de qualquer fonte normativa ou de qualquer fato anterior. a leitura e releitura demorada de todos os pareceres. emenda tivessem eles fonte constitucional ou fonte legislativa ordinária. essa discussão de hoje exigiria do Tribunal definir-se a respeito. mas a reflexão maior. Cheguei a anunciar em palestras que. convenceram-me. se restringia a proteger de eventual emenda à Constituição a abolição da garantia de que a lei ordinária não o prejudicaria.Supremo Tribunal Federal ADI 3. ninguém contesta a existência de direito adquirido à aposentadoria.105 / DF intangibilidade dos direitos e garantias individuais. direito adquirido na rigorosamente. jamais como uma limitação material a que a constitucional atingisse direitos subjetivos adquiridos.

a afastar a invocação do direito adquirido. irrespondíveis. o Ministro Cezar Peluzo — se há imunidade constitucional a acobertar determinada pessoa. a meu ver. em voto rigorosamente antológico. O Tribunal.Supremo Tribunal Federal ADI 3. .105 / DF calculados conforme o direito vigente naquele mesmo momento. não há direito adquirido a uma hipótese de não- incidência tributária. decididamente. com argumentos. hoje. Sr. determinado tipo de relação jurídica ou determinado bem. estatuto intributabilidade. titular. expulsa da discussão o tema do direito adquirido: é a natureza tributária da contribuição social para a Previdência Social. indiscutivelmente irrelevante em tema de direitos adquiridos. Mas há um dado que. faz mais de 40 anos. nesta causa. a meu ver — e esperei pela lição do Ministro Celso de Mello a respeito —. não há direito adquirido. Presidente. salvo — demonstraram-no na discussão desta causa. O fato de algum ato ou de algum bem não ser em determinado em momento favor do objeto seu de incidência um tributária pessoal não de estabelece. Com efeito. por isso mesmo. levou a eminente Relatora neste ponto. entre os pareceristas Luiz Roberto Barroso e. que veio posteriormente a exigência a ser do cortada de um excesso de formal que continha requerimento aposentadoria. que. editou a Súmula 359.

há norma explícita de incidência do tributo.2. existia. 925). pessoal da qual hoje ativa. 37.105 / DF Esta imunidade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. lesão à garantia constitucional da irredutibilidade de vencimentos e proventos e. E já decidimos sem discrepâncias que a irredutibilidade de vencimentos — sujeitos. porque também seria oponível à própria existência da contribuição previdenciária fosse ele que ou ao fosse. na Emenda Constitucional 41 não há norma de imunidade. Em posição diametralmente oposta. 150. irredutibilidade de vencimentos. XV c/c art. ou seja. sobre os proventos da aposentadoria e as pensões. à incidência dos tributos gerais (CF. Alegou-se. M. Aurélio. mas. mais especificamente. 26. II) —. RTJ 147/921. ao contrário. dos benefícios previdenciários. embora decorrente da combinação de dois dispositivos. Creio que o Ministro Cezar Peluso liquidou o problema ao mostrar que a invocação da irredutibilidade prova demais. art. porém. goza aumento sobre também da os da contribuição vencimentos garantia do da previdenciária. então. não é oponível à majoração da contribuição previdenciária dos servidores públicos (ADIn 790. entendeu a unanimidade do Tribunal. .93. da contribuição previdenciária. na Emenda Constitucional 20.

lei posterior não poderá reduzi-lo. Expõese. Ministro Moreira Alves. desse modo. neste caso. o que está até na ementa da ADIn MC 2. Está na ementa magistral do Ministro Celso de Mello. quanto aos servidores públicos ativos.” Em precedente de que fui Relator. que prevê. há que se ter presente o que dispõe o art. XV). da idéia de que a tributação . 925. 150.010.694. o RE 298. por isso mesmo. do Município de São Paulo.010: “A garantia constitucional da irredutibilidade da remuneração devida aos servidores públicos em atividade não se reveste de caráter absoluto. concorrer para o afastamento. em tema de tributação. às derrogações instituídas pela própria Constituição da República. a incidência de tributos. Precedentes: RTJ 83/74 – RTJ 109/244 – RTJ 147/921. adquirido o direito a um determinado vencimento. a exigibilidade da contribuição de seguridade social. também.Supremo Tribunal Federal ADI 3. uma acalorada discussão sobre ser ou não ser a irredutibilidade o que então chamei — e o Ministro Carlos Britto há pouco lembrava — de uma modalidade qualificada ou específica de direito adquirido: o de que. Por isso. tive com o notável mestre.105 / DF No ponto. na ADIn 2. da idéia de violação de direito adquirido. mesmo porque. da Carta Política. relativamente ao subsídio e aos vencimentos “dos ocupantes de cargos e empregos públicos” (CF. II. legitimando-se. estou confortado.37. art. Daí que a incidência da garantia da irredutibilidade pressupõe sempre a afirmação do direito adquirido àquele vencimento “x” ou “y” anteriormente fixado. parece-me.

que estes nascem e surgem de relações jurídicas diversas. “irredutibilidade dos benefícios”.Ministro. realmente. Cuidava-se da afirmação da imunidade tributária recíproca e se partiu afirmação axiomática de que o poder . IV. antes não tributados por essa específica modalidade tributária. sucessivamente fosse aumentando o percentual de contribuição de doze. magnificamente desenvolvida por José Afonso da Silva. Constituição não toleraria. neste ponto. se o Governo. quinze e vinte? O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . no ponto acolhido pelo voto da eminente Relatora: é a de que essa incidência de sem contribuição causa sobre proventos o que a importaria numa contribuição suficiente. mais me impressionou foi a alegação. o que.105 / DF de proventos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. onde o gênio de Marshall usou de argumento semelhante. ainda há pouco utilizado pelo Ministro Celso de Mello. O SR. constituísse lesão ao direito adquirido à aposentadoria ou aos proventos. a jurisdição constitucional depois de “Marbury versus Madison” tem um precedente obrigatório: “McCullogh versus Maryland”. Então. a partir de agora. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Vossa Excelência me permite um aparte? Como ficaria a situação dessa regra do artigo 194.

a proventos irredutíveis. E nem é preciso grande construção constitucional para elidir a possibilidade aventada por V. não se pretendeu ali imunizá-los à incidência de tributos. também. mais de um século depois. se aplicaria. de reduções explícitas de benefícios previdenciários. dialética uma antecedente.Supremo Tribunal Federal ADI 3.” Creio que. Não vamos raciocinar com o absurdo. O SR. que. A meu ver. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Essa cláusula da irredutibilidade dos benefícios. Exa: a nossa Constituição tem regra explícita de proibição do tributo com efeito de confisco (CF. obviamente. como não estavam imunes — e aí por disposição expressa da .Creio que a especificação da irredutibilidade foi uma reação de proventos. especialíssimas e não.105 / DF de tributar envolve o poder de destruir. não estaria a atestar que as contribuições previdenciárias são. ortodoxa figura de direito tributário? Ela não reclama um quebrantamento na ortodoxia conceitual do tributo? O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . que permanece. portanto. art. salvo engano Holmes viria respondê-lo: não enquanto os tribunais estiverem abertos. no âmbito mesmo das próprias contribuições sociais. IV). a ou de benefícios experiência previdenciários. 150.

A leitura invertida do artigo 195. todos os vencimentos do serviço público. da qual me pareceu claro. mas de tributo vinculado à seguridade social. . contratual entre a Previdência Social e o segurado. hoje tornados irredutíveis. segundo a qual não se poderão criar novos benefícios sem a criação da fonte necessária de custeio. Creio que essa teoria da contribuição sem causa suficiente pressupõe. porque não se cuida de taxa. ou pressupõe uma relação sinalagmática. a meu ver. E. data venia. E friso. não me pareceu convincente. § 4º. a opinião de Vossa Excelência é altamente respeitável. não se cuida de taxa. Regra primacial. Mas. uma alternativa: ou ela parte de uma assimilação da contribuição previdenciária à taxa. o que se disse aqui hoje contra ambos os termos dessa alternativa dispensa qualquer tentativa de dizer algo de novo: evidentemente. como sói. evidentemente.105 / DF Constituição — os vencimentos. é claro. à seguridade social — conforme se colhe antes no artigo 195 da Constituição Federal — a ser financiada por toda a sociedade.Supremo Tribunal Federal ADI 3. não se cuida de relação sinalagmática. com todas as vênias.

Então. o emparceiramento do Estado com a sociedade para garantir os direitos à saúde. No aranzel do meu voto. o mestre Arthur Versiani Velloso chamaria de “sanduíche de asfalto com arame farpado”. esse artigo 194 relança o . Acontece solidariedade. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Vossa Excelência me permite outro aparte sobre esse conceito de solidariedade. Antes. à previdência e à assistência social.105 / DF independentemente da não-utilização do termo na Constituição. se não for abusar da sua paciência? O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE - Vossa Excelência não abusa. Nos votos dos eminentes Ministros Cezar Peluso. O SR. que. artigo 194. repito. O SR.Supremo Tribunal Federal ADI 3. direitos mencionados às expressas no artigo 6º da Constituição. no que toca aos servidores públicos. são direitos sociais. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Muito obrigado. hoje explícita na regra básica de todo o sistema: o artigo 40 da Constituição Federal. o fundamento que que me pareceu decisivo nesse foi o da solidariedade. de que o princípio basilar do regime previdenciário é o da solidariedade. implícita. simplesmente. Eros Roberto Grau e Gilmar Mendes. significa. as suas intervenções são sempre um refrigério.

Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SR. o artigo 195 me parece bem específico e dispõe que a seguridade social — não fala só em previdência —. já continha esse princípio. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . já estava na Constituição quando não havia sequer a obrigação da contribuição dos servidores públicos. redação originária.Ministro. 194 – A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações . será financiada por toda a sociedade.Tanto que eu afirmei.. . O sistema não era ainda contributivo e já era solidário. veja bem. significando solidariedade. a solidariedade já está aqui na palavra integrado. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Mas. O SR. a palavra “integrado”. procurei dizer. E o artigo 194. que a Constituição já continha o princípio da solidariedade. e Vossa Excelência o lembra hoje.441.“ Integrado aqui é solidário.. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO 194 da Constituição originária: Vou ler o artigo “Art. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . ao votar na ADIn 1.105 / DF tema dos direitos sociais de que trata o artigo 6º.

me MINISTRO parece CARLOS AYRES a BRITTO – Mas há um irrespondível: seguridade social.Mas. faziam-no social. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . enfrentando ferozes réplicas.Data venia. O sistema do servidor público não era contributivo. Ministro. O SR. 194 e 195 falam nisso. Ousei dizer aqui. O regime geral de previdência. .Supremo Tribunal Federal ADI 3. disciplinado a partir do art. não Ministro. 194. não a subtraí-los ou mutilá-los. quando os arts. na Constituição originária. antes da Emenda Constitucional 3. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Mas o do servidor público não era. destina-se a garantir direitos. aposentadoria de servidor público era um direito constitucional do servidor e nada tinha a ver com previdência. que.105 / DF O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . com referência apenas ao regime geral de previdência O argumento que SR. era e sempre foi contributivo. compreendendo um conjunto integrado de ações de iniciativa do poder público da sociedade.

mas. 195. que é todo – já que tanto se falou aqui em soma de felicidades e soma de maldades – uma soma de desigualdades: a desigualdade — sempre no suposto de que ele fosse incindível a incidência prevista no art. sobretudo no capítulo dedicado à violação da isonomia. O SR. 4º da Emenda Constitucional 41 o seu parágrafo único. se não fosse possível cindir na incidência tributária de que cuida o caput do art. realmente. à primeira leitura. o princípio da isonomia estaria. específico é o art. sim. também. 4º. esses direitos custam dinheiro.Impressionoume. por isso. nos votos que o seguiram — que. pela demonstração inequívoca contida no voto do Ministro Cezar Peluso e.105 / DF O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Ministro. 195 a dizer que essas ações integradas serão financiadas por toda a sociedade. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE . depois. brutalmente ofendido. Respeito a visão de Vossa Excelência. caput — entre o . vem o art. Então. data vênia. um notável memorial de Xavier Albuquerque. até concluir — e ver-me hoje confortado. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Agradeço a Vossa Excelência a tolerância com que me ouviu. lamentavelmente. que fala do financiamento da seguridade social.Supremo Tribunal Federal ADI 3.

conforme já se tivessem aposentado ou não. para justificar essa discriminação escancarada. entre os servidores — num sistema que se diz integrado e nacional — conforme fosse ele servidor inativo da União ou das entidades locais da federação. as existentes entre o servidor inativo e o segurado do regime geral da previdência social ou entre o servidor inativo. em matéria de direito previdenciário. Para justificar as primeiras e maiores iniqüidades. a desigualdade despudorada. sem contribuir ou contribuindo sob bases mínimas (aqueles que vieram do regime da CLT para o regime jurídico dos servidores. no curso da aquisição do seu direito à aposentadoria. conforme o tempo de sua aposentadoria.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O parecer da Procuradoria-Geral da República. extraiu-se — como está explícito na Exposição de Motivos da PEC — um argumento cuja sem-cerimônia me parece evidente: quem já obteve o direito — quem já se aposentou ou já está com o direito de aposentadoria — certamente teve bom tempo. Antônio Fernando de Barros deixa claro que não serve. a desigualdade entre os servidores públicos. esse propósito declarado de punir o servidor público já aposentado ou com direito à . da lavra do Dr.105 / DF servidor público e o segurado do regime geral da previdência social. e até entre aqueles aposentados ou já titulares do direito à aposentadoria. do velho artigo 39 da Constituição).

porque quando não a contribuiu. reflexões. com as vênias e o respeito ao magnífico voto da eminente Relatora e dos que a seguiram. Permito-me. apenas com o sentido de explicitar as razões do meu voto. 4º da EC 41. Senhor Presidente. em síntese. Ministros Carlos Britto e Celso de Mello. Admitir-se. com o decotamento nela de todas as palavras que levavam às três iniqüidades marcantes. ou. São essas. mas um direito funcional. e.Supremo Tribunal Federal ADI 3. caso se queira a fórmula mais elaborada do Ministro Cezar Peluso. contudo.105 / DF aposentadoria contribuir. de outro lado. as considerações que me levam. aposentadoria quando não não era lhe um era dado instituto previdenciário. tratar desfavoravelmente aqueles que vieram do regime não-contributivo. porque regime contributivo não existia para o servidor público. a constitucionalidade dessa conversão de um regime não-contributivo para um regime contributivo. de um lado. para finalizar. algumas . parece-me uma verdadeira barafunda de conceitos que merece a unanimidade que se vai formando no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo único do art. a acompanhar o voto do Ministro Cezar Peluso.

como está sendo hoje.105 / DF Expresso com este voto minha tranqüila convicção jurídica. em seu conjunto. Certo. representará um impacto violento no orçamento doméstico de milhares e milhares de famílias. elimina indefensáveis e insuportáveis estímulos às aposentadorias precoces. com relação a esse último. tanto mais quanto coincide com uma época de perverso esmagamento da classe média. Mas é verdade também que a imposição da contribuição previdenciária dos inativos — malgrado coerente com a nota de solidarismo da seguridade social —. da esdrúxula discriminação que continha —.Supremo Tribunal Federal ADI 3. corrige desigualdade manifesta entre os dois regimes de previdência social — a geral e a dos servidores públicos — e. nesta Casa. atingidos pela nova exação. tem sido incapaz de pôr cobro à taxa imoral de inadimplência dos grandes . embora deva confessar que poucas vezes. a EC 41 — uma vez podada. onde se situam os que não têm como furtar-se pela sonegação. Não há como ignorar que a nota de solidariedade social que a legitima — e a relatora o frisou com eloqüência —. chegar a este convencimento haja contrariado tão frontalmente a minha vontade de concluir diversamente.

178 (RFor 47/748 a 827). poder excepcional. na aplicação da Lei Fundamental. o mais eminente dos quais é o de reforma da Constituição. que muitas vezes não permite a nenhum juiz de uma corte constitucional libertar-se por inteiro de sua própria mundividência. pelo menos. É. que este Tribunal. cf. quando não pela corrupção sistêmica. Não desconheço. a superação da visão puramente exegética da interpretação jurídica em geral e. que há de ser exercido com circunspecção extremada. o constitucionalismo republicano brasileiro jamais subtraiu do Judiciário o poder de controle da validade de emendas à Constituição. cevada pela inépcia. por outro lado. de há muito. do seu aparelhamento administrativo. particularmente. se tem arrogado (desde 1926. da hermenêutica da Constituição. no entanto. Certo. Mas há limites aos quais há de render-se o juiz para não usurpar ilegitimamente o poder que toca às instâncias políticas. .105 / DF devedores da Previdência Social.Supremo Tribunal Federal ADI 3. HC 18.

pretexto tentação . como o em. é a que fácil antes arrisca à de assegurar a estabilidade institucional. ou dar legitimar dos rupturas golpes de revolucionárias Estado. como de saber correntio. de temática similar à deste julgamento — de que uma interpretação radical e expansiva das normas de intangibilidade da Constituição. um poder contramajoritário. ao ponto de tachar de antidemocrático o respeito às chamadas “cláusulas pétreas”. essas últimas. interpretação restrita a tais limitações materiais ao poder de reforma constitucional: sigo convencido — como acentuei no MS 23.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o poder da maioria. no Estado democrático de direito. e mesmo o maior deles. porque um poder constituído. não é absoluto.105 / DF Não vou. Entretanto. sim. Ministro Joaquim Barbosa. no entanto.047. submete-se às limitações formais e materiais impostas pelas normas de sua instituição. Empresto. o de alterar a Constituição. exatamente com o sentido de subtrair das maiorias os dogmas fundamentais que dão identidade à Carta Magna. as “cláusulas pétreas”. A jurisdição constitucional é.

reitero. pelas razões expostas. .Supremo Tribunal Federal ADI 3. que acompanho o Ministro Cezar Peluso: é o meu voto.105 / DF A direito confusão será entre talvez qualquer o maior dado risco de status quo e o adquirido dessa hermenêutica temerária das cláusulas pétreas. Com escusas pela digressão final.

105-8 DISTRITO FEDERAL (Aparte do Sr. do ele Peluso efetivamente antológico.783. cuja instituição se revelava indispensável para legitimar. No entanto. no contexto da reforma do modelo previdenciário.105 VOTO (9) JOBIM NELSON - Voto O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Cabe-me votar e o farei em tópicos. a criação e a incidência dessa exação tributária sobre o valor das aposentadorias e das pensões. quero lembrar aos colegas que na ementa da ADI nº 2. soube colocar os pontos com absoluta transparência e coragem.” Na mesma ementa. Ministro Cezar com clareza foi e transparência. Ministro Carlos Britto) TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3. de fixar a necessária matriz constitucional. o Congresso Nacional absteve-se” – quando votou a Emenda nº 20 – “conscientemente. que ou o voto seja. lê-se: “. sobre problema relativo ao Congresso Nacional ..não obstante as substanciais modificações introduzidas pela EC nº 20/98 no regime de previdência dos servidores públicos. Friso. tendo em vista que a matéria foi amplamente discutida..que não poderia ter ele introduzido essa matéria e criado essa tributação sobre inativos. lemos adiante: . O afirmações primeiro em ponto um que quero levantar refere-se o às feitas.010. em bases válidas. exatamente na qual houve a maioria pela procedência da ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei nº 9. determinado momento.Supremo Tribunal Federal 18/08/2004 TRIBUNAL PLENO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.

40. § 5º). a cláusula constitucional da não-incidência (CF.105 / DF “. relativamente aos inativos e aos pensionistas da União. art.a única base constitucional – que poderia viabilizar a cobrança..783 de 1999. O Ministro Celso de Mello referiu-se à transgressão ao princípio constitucional do equilíbrio atuarial e disse: “Entendo. Digo mais. inexiste a despesa a ser custeada do ponto de vista do aposentado. 195. Falta então o fundamento . in “Enfoque Jurídico”. p. art. c/c o art. apresenta-se destituída da necessária causa suficiente.. a ilustre Professora MISABEL DERZI (“Da Instituição de Contribuição Sobre os Proventos dos Servidores Inativos”. falou-se muito e aqui leio também. ofende. na linha do que venho de expor. evidenciando que essa exação. resolveu aquilo que estava apto a fazê-lo: incluir no texto da Constituição uma decisão política que somente àquele Congresso caberia fazer. 195. como segundo item. O Exatamente o que que fez o Congresso ser Nacional feito na Emenda nº 41? a deveria quando declaramos inconstitucionalidade da Lei nº 9. a meta constitucional permitida para a cobrança já foi alcançada. de um lado. de outro. da contribuição de seguridade social – foi conscientemente excluída do texto. quanto a aposentados e a pensionistas. o princípio constitucional do equilíbrio atuarial (CF. por isso mesmo. com inquestionável procedência.. 13 Suplemento): “Se o servidor já goza de aposentadoria. na redação dada pela EC nº 20/98) e transgride. II. § 12. pois os servidores públicos em atividade a financiam.Supremo Tribunal Federal ADI 3. consoante observa. quando da discussão da ADI 2.” Lembrem-se de que na Emenda nº 20 o texto que determinava a incidência de tributação de contribuição sobre inativos restou não aprovado no destaque para votação em separado que lá procedera. 2.. que a instituição da contribuição pertinente à seguridade social. referentemente aos servidores inativos e aos pensionistas.010. n.

o valor atual dos benefícios futuros ou custo previdenciário trazem-se os benefícios futuros.e as obrigações dos segurados para com o plano. o direito individual de receber aquilo que pagou. sobre essa questão do equilíbrio atuarial. de ser viável financeiramente.por isso. pois ele não tem nada a ver com a relação entre pagar e ter que receber.105 / DF constitucional necessário e impostergável.” Argumento que foi acolhido pela Ministra Ellen Gracie. ou seja. não significa que toda contribuição deve ter uma causa eficiente. prêmios e à análise de mercado econômico para o estabelecimento de planos e políticas de investimento. A idéia do equilíbrio atuarial determina que o sistema previdenciário para o como um todo e no deve ter viabilidade econômico-financeira futuro futuro. mas a do sistema como um todo e a sua necessidade de ser auto-suficiente. ou estatística. que funda o exercício da competência da União. o equilíbrio atuarial não remete à noção de direitos e deveres individuais e. isto é. avaliação riscos.Supremo Tribunal Federal ADI 3. Ele é um conceito que vem da matemática atuarial – é bom deixar explicitada neste ponto – porque a atuária se refere a uma parte da matemática específica. chamados custos previdenciários. como se pretendeu . meus caros Colegas. Há um problema. Portanto. Equilíbrio atuarial é a necessidade de existir equivalência entre o ativo líquido do sistema e a sua reserva matemática. fixação à de probabilidade eventos. que investiga problemas de relacionados à com cálculo de de à seguros. assim. não pode ser levantado para justificar a suposta necessidade de causa para a alteração do regime. Essa reserva significa a diferença entre as obrigações do plano para com os seus segurados. o valor atual das contribuições. A visão que prepondera no equilíbrio atuarial não é a individual. na linguagem dos atuários. para o momento atual . .

um misto de regime financeiro de repartição simples e orçamentária. Há uma confusão imensa entre dois regimes: o de capitalização. Se. ao contrário. não há que se pensar nisso.105 / DF Se a previsão atual de arrecadação futura é maior do que a previsão atual do pagamento de benefícios futuros. os direitos individuais ou os direitos fundamentais. em hipótese alguma. a possibilidade de trabalhar nesse sentido. a todo aumento ou criação de contribuições e tributo. absolutamente nada a ver com as relações entre haver pago e ter direito a receber.010 pelo àquelas Ministro manifestações extraordinárias competentes feitas Celso de Mello: passa-se que citar autores e discutir a questão dos direitos adquiridos. futuros.essa diferença não se compensa com o patrimônio líquido atual do sistema -. E ou o benefícios que há. o sistema está com déficit. e o regime o de repartição atualmente como Ministro Sepúlveda Pertence deixou muito claro e explicitou em voto anterior com outra linguagem – é um regime misto. para aqueles que tinham a linguagem dos séculos XIX e . é evidente que não teríamos. uma vez que temos as contribuições dadas pelos beneficiários futuros. Aqui. como deixou claro o Ministro Carlos Velloso. teríamos a impossibilidade total de resolver as questões deficitárias do sistema. inclusive pelos atuais. gostaria de explicitar novamente o que havia e dito na ADI 2. ou seja. uma especialidade da matemática que trabalha exatamente com as ações de futuro. um benefício subseqüente. Se fosse verdadeira a tese à qual me referi. porque se tivéssemos que ter. em que alguém faz um depósito em um valor futuro para receber contribuições simples. o sistema reflete superávit. que se compensam no déficit do equilíbrio atuarial pelo orçamento público. a previsão atual de arrecadação futura é menor do que a previsão atual de pagamento de benefícios futuros .Supremo Tribunal Federal ADI 3. É isto que significa o princípio do equilíbrio atuarial: um cálculo matemático com regras de probabilidade. Portanto.

portanto. o direito à livre expressão. ou a aistoricidade de conceitos ditos nos séculos XVIII e XIX e. conquista do século XIX . Aqueles eram direitos absolutos. quando alguns juristas nossos esquecem dessa distinção econômica fundamental em que estão os direitos que custam. à previdência. É. sob pena de se criar um extraordinário rombo. portanto. nessa linha que temos que pensar muito nitidamente nessa transferência aistórica. fundamentalmente. exatamente. . no século XX. um “gap” dentro da própria sociedade no que diz respeito a sua capacidade de inclusão social futura. são direitos negativos: direito de ir e vir. distinguem direitos civis e políticos porque aqueles são direitos sem custos. com a introdução do “well fair state”. ele arrecada da sociedade. mas.os direitos à habitação. os direitos fundamentais eram os direitos civis e políticos a velha conferência do velho e extraordinário economista Alfred Marshall quando fez os ciclos da cidadania: as cidadanias dos direitos civis. Lá. A partir do momento em que se introduziram os direitos fundamentais . que dependem da capacidade de uma sociedade de prestá-los. Quando se fala que o Estado tem que satisfazer. tivemos o surgimento direitos de um outro âmbito que da cidadania. se as cidadanias claramente dos dos econômico-sociais.105 / DF XVIII é um problema grave. conquista do século XVIII. temos que lembrar que o Estado nada mais é do que a sociedade. os direitos a uma prestação. no sentido lato -.e o Ministro Sepúlveda Pertence teve a oportunidade de se referir a isso em aparte mencionado -. direito de votar. os direitos econômico-sociais. por força das grandes discussões dos partidos socialistas do fim do século XIX e.Supremo Tribunal Federal ADI 3. as cidadanias dos direitos políticos. direitos relativos. de participar da vida política. os que custam. fundamentalmente para os meados do século XX. que foram.surgiu um fenômeno muito importante para o século XX. à alimentação. mesmo no século XX. porque ele não cria fórmulas. ou seja.

embora ausente. que foram postos pelo Ministro Cezar Peluso. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. corresponde a empurrar os governos para a ilegalidade e para o golpe. do Ministro Marco Aurélio: sorri muito profundamente. com uma lucidez e precisão extraordinários. quando as necessidades sociais possam determinar situações adversas. meus caros Colegas. o discurso Por era quê? a infraconstitucional. não podem na impor sua à plasticidade futura. sua Isso. os pontos sobre esta questão. Leu o Ministro Marco Aurélio. Quero fazer uma referência.Supremo Tribunal Federal ADI 3. O SR. V. Exª me permite um aparte? O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Ouço V. Exª também ouvirá a minha resposta. e em todo o momento a palavra que usei foi esta: a lei não atingirá o direito adquirido. constituinte. E V. Presidente. Ministro Celso de Mello. Lá. quando ouvi referências e leitura alongada do Ministro Marco Aurélio com relação a voto e debate de que participei na Assembléia Nacional Constituinte. que petrificação contra a Constituição. exatamente Porque este: Ministro falava-se Sepúlveda na lei no Pertence. Vossas Excelências ouviram. as Constituições. O SR. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Claro! .Sr. e para na reformá-la. Exª com prazer. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO . no sentido de derrubar a Constituição manutenção sociedade.105 / DF Creio. processo sempre tive presente.

Elas não cumprem. Refiro-me.Ministro. as contribuições previdenciárias não se prestam como instrumento de distribuição de renda. O SR. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – São para financiar o sistema. faço uma pequena objeção ao belo raciocínio de V. Eu só queria fazer essa ressalva. O SR. à lei. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE). por conseqüência. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Faça a objeção que quiser. O SENHOR MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Para não deixar passar a oportunidade. portanto. Exª o outro ponto. exclusivamente. poderia fazê-lo. vamos tratar daquilo que eu disse. Não vamos estender esse debate. debaterei com V. a emenda pode também ferir o ato jurídico perfeito e até a coisa julgada. o papel que é próprio do Imposto de Renda. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – São para financiar o sistema.Supremo Tribunal Federal ADI 3. porque não resolve. concluiremos: então. Exª no que tange ao custo atuarial para manter o sistema. . Num momento oportuno.105 / DF Se apenas a lei não pode ferir o direito adquirido e a emenda. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Por definição jurídica.

Alguém está pagando. exemplifiquei com um caso concreto de alguém que tem uma imensa possibilidade de se aposentar. o cidadão brasileiro.Supremo Tribunal Federal ADI 3. V. contribuiu para o sistema geral da Previdência sobre dez salários mínimos e. você tem as receitas e. não há dúvida. MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO – Nesse caso. da obrigação social de todos O SR. no lado passivo. as obrigações. Elas são trazidas no cálculo atuarial. Quando votei na ADI nº 2. Exª está perante alguém que tem a capacidade de confessar que.010. quando membro da Câmara dos Deputados. Dei este exemplo no caso da discussão da Emenda nº 20. contribuiu para o extinto Instituto de Previdência dos Congressistas e recebeu de volta seus valores. O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – É o meu caso. no lado ativo do sistema. Meu caro Ministro. E aí surge a solidariedade contribuírem. com a remuneração do topo da carreira.105 / DF O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (PRESIDENTE) – Foi o que eu disse. também. no caso específico. sem ter contribuído durante oito anos e ter contribuído durante doze ou vinte anos com base em dez salários mínimos. . decorrente. Exatamente por isso que. Alguém está pagando essa conta. Quem está pagando é. até 1986. exatamente. para a introdução de um cálculo delta. Só passei a contribuir a partir de 1997 e posso me aposentar com o salário integral de Ministro do Supremo Tribunal Federal sem ter contribuído. durante oito anos. a um momento do passado e do presente em atos futuros. a solidariedade nada mais é do que a possibilidade daqueles que têm de ajudar os que não têm.

quando deixa muito clara a divisão e a distinção entre aqueles que têm voto na sociedade e podem definir políticas públicas daqueles que não têm e. peço a V.105 / DF Senhores. portanto. . com elogios e reconhecimento. devem respeitar as decisões daqueles que as tomam. encerro o meu voto para acompanhar. integralmente. Exª autorização para usar a parte final do seu voto. por último. mas. fundamentalmente. legitimadas pelo único processo democrático que até agora conhecemos: o processo eleitoral.Supremo Tribunal Federal ADI 3. o eminente Ministro Cezar Peluso.

o Dr. pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. que a julgava improcedente. e Carlos Britto.Supremo Tribunal Federal TRIBUNAL PLENO (2) Ata de Extrato EXTRATO DE ATA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.CONAMP : ARISTIDES JUNQUEIRA ALVARENGA E OUTRO(A/S) : CONGRESSO NACIONAL Decisão: O Tribunal. e do voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Associação Nacional dos Membros do Ministério PúblicoCONAMP. os Drs. Em seguida. 23. da Emenda Constitucional nº 41. Artur de Castilho Neto.2004. em exercício. Associação Nacional dos Advogados da União e dos Advogados das Entidades Federais-ANAJUR.2004. justificadamente. Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal-UNAFISCO SINDICAL. caput. nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278. Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal-SINDJUS-DF. . pelo Ministério Público Federal. de 19 de dezembro de 2003. do Senhor Ministro Nelson Jobim. o Dr. Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região-SINDIPOL.6. Plenário. parágrafo único. incisos I e II. Álvaro Ribeiro Costa e.105-8 DISTRITO FEDERAL RELATORA ORIGINÁRIA RELATOR PARA O ACÓRDÃO REQUERENTE(S) ADVOGADO(A/S) REQUERIDO(A/S) : MIN. CEZAR PELUSO : ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO . Plenário. Procurador-Geral da República.05. após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie. pela Advocacia-Geral da União. Relatora. pelas amici curiae. rejeitou as preliminares. Vice-Presidente. Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União-FENAJUFE. o Dr. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino SuperiorANDES. Falaram. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso. pelas requerentes. Presidência. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social-FENAFISP. 26. Mauro Menezes e José Luiz Wagner. ELLEN GRACIE : MIN. que julgavam procedente a ação e declaravam a inconstitucionalidade do artigo 4º. de 15 de dezembro de 2003. Aristides Junqueira Alvarenga e pela Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR. o Dr. por unanimidade. Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social-ANFIP. Votou o Presidente. Cláudio Lemos Fonteles.

Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim.2004.08. pelo que aplica-se. de 19 de dezembro de 2003. por maioria. Plenário. Votou o Presidente. Dr.Supremo Tribunal Federal ADI 3.105 / DF Decisão: O Tribunal. e os Senhores Ministros Carlos Britto. Marco Aurélio e Celso de Mello. Gilmar Mendes. então. Presidente. contidas. Marco Aurélio. introduzido pela mesma emenda constitucional. Joaquim Barbosa e Eros Grau. Presentes à sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence. Procurador-Geral da República. nos incisos I e II do parágrafo único do artigo 4º da Emenda Constitucional nº 41/2003. Ellen Gracie. Carlos Britto. 18. Celso de Mello. vencidos a Senhora Ministra Ellen Gracie. Luiz Tomimatsu Secretário . Carlos Velloso. Relatora. Redigirá o acórdão o Senhor Ministro Cezar Peluso. Cezar Peluso. Haroldo Ferraz da Nóbrega. o Senhor Ministro Nelson Jobim. substituto. à hipótese do artigo 4º da EC nº 41/2003 o § 18 do artigo 40 do texto permanente da Constituição. respectivamente. julgou improcedente a ação em relação ao caput do artigo 4º da Emenda Constitucional nº 41. Por unanimidade. o Tribunal julgou inconstitucionais as expressões “cinqüenta por cento do” e “sessenta por cento do”.

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