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SEXO FEMININO Sistema reprodutor: - Órgãos internos: trompas de falópio, ovários, útero, cervix, vagina - Órgãos externos: vulva

, lábios, clitóris. Estrutura dos ovários e oogénese: O ovário divide-se por duas zonas: 1. Zona cortical: mais externa, apresenta folículos em diferentes estádios de desenvolvimento 2. Zona medular: mais interna, constituída por um tecido com numerosos vasos sanguíneos e nervos. Fases da oogénese: 1. Multiplicação: ocorre durante o desenvolvimento embrionário. As células germinativas, nos ovários, sofrem sucessivas mitoses formando oogónias (diploides), cuja maior parte degenera, não ocorrendo nova produção. 2. Crescimento: aumento do volume da célula. As oogónias armazenam substâncias de reserva no citoplasma, que asseguram a nutrição do novo ser nos 1ºs dias. Torna-se assim um oócito I (diploide), cuja maior parte também degenera. 3. Maturação: o oócito I bloqueia em profase I (infância). Na puberdade a meiose continua (início dos ciclos ováricos). Em cada ciclo só um oócito I passa a oócito II (haploide) e o 1º glóbulo polar. Ocorre a 2ª divisão meiótica que bloqueia em metáfase II – ocorre a ovulação, onde há libertação do oócito II para o oviduto. A meiose só termina se houver fecundação, formando o óvulo + 2º glóbulo polar. - Folículo primordial: oócito I rodeado por células foliculares - Folículo maduro ou folículo de Graaf (fim da oogénese): oócito II rodeado por células foliculares, que é libertado na cavidade folicular e depois para o oviduto (ovulação)  Após a ovulação a parede do ovário cicatriza e o folículo vazio sofre transformações físico-químicas, formando o corpo amarelo ou lúteo. Controlo hormonal:  O sistema genital da mulher tem um funcionamento cíclico que se inicia na puberdade e acaba na menopausa.  A sincronia entre o ciclo ovário e o ciclo uterino é devido a uma correlação hormonal. Hormonas: - Estrogénios: produzidos pelas células foliculares e pela teca interna. Aumenta conforme o crescimento folicular e diminui na ovulação, voltando a aumentar na fase luteínica. É responsável pelas contrações uterinas e maturação dos carateres sexuais secundários 1

- Progesterona: produzida pelo corpo lúteo atingindo valor máximo no desenvolvimento desse corpo, que, quando degenera, a progesterona diminui. Induz o endométrio a espessar e assegura a gravidez Ciclo ovárico: 1. Fase folicular: onde há o desenvolvimento do folículo até a ovulação 2. Fase luteínica: ocorre a seguir à ovulação onde há formação do corpo lúteo

Ciclo uterino: 1. Fase menstrual (5 dias): ocorre destruição parcial do endométrio, visto que a baixa de hormonas fez com que as células não recebessem os nutrientes necessários e morressem. São expelidos sangue e fragmentos de tecido. 2. Fase proliferativa (9 dias): espessamento do endométrio e desenvolvimento de glândulas e vasos sanguíneos, devido ao aumento da taxa de estrogénios, durante a fase folicular. 3. Fase secretora (14 dias): o endométrio continua a aumentar, bem como a atividade das glândulas secretoras devido à progesterona e os estrogénios, durante a fase luteínica.  Funcionamento dos ovários é regulado pelo complexo hipotálamohipófise (HH), através das gonadoestimulinas – hormonas produzidas pela hipófise anterior.  O hipotálamo atua sobre a hipófise anterior por intermédio da neurohormona GnRH, a qual estimula produção e libertação de FSH e LH pela hipófise. - FSH (foliculoestimulina): induz o crescimento e maturação dos folículos e intervém na secreção de estrogénios. - LH (luteoestimulina): estimula a ovulação, em função do seu pico no final da fase folicular. Estimula a formação do corpo lúteo, o que leva à produção de progesterona e estrogénios. Mecanismo de retroação: No regulamento hormonal da mulher ocorrem estes dois tipos de retroação (negativo1 e positivo2): 1. Aumento de estrogénios (+)  inibe  complexo HH  diminui  produção FSH  diminui  desenvolvimento folicular  diminui  produção de estrogénios (-) A retroação negativa assegura a regulação do teor de gonadoestimulinas. 2. Aumento de estrogénios (+)  estimula  complexo HH  aumenta  produção gonadoestimulinas (+) 2

 A retroação positiva causa um desequilíbrio. No final da fase folicular observa-se picos de LH e FSH, o que desencadeia a rutura do folículo de Graaf, ou seja, a ovulação. - Após a ovulação, estrogénios e progesterona exercem retroação negativa no complexo HH, o que causa a queda do teor de FSH e LH, desencadeando a regressão do corpo lúteo. - A atividade do complexo HH altera-se também sob a ação de estímulos nervosos externos ou internos, visto que produz variações na produção de GnRH e o descontrolo do ciclo sexual. - A menopausa é o último período menstrual da mulher devido ao esgotamento dos folículos – deixa de haver retroação negativa e a concentração de gonadoestimulinas aumenta. SEXO MASCULINO Sistema reprodutor: - Órgãos internos: testículos, epididimo, canais deferentes, glândulas anexas, uretra - Órgãos externos: escroto, pénis

Glândulas anexas: Vesículas seminais: produzem líquido seminal (60% do esperma) constituído por proteínas, frutose, muco e prostaglandinas, as quais fazem contrair a vagina para auxiliar a entrada de esperma. Próstata: constituída por cálcio, enzimas e possui um pH igual a 6,5. As enzimas precipitam as proteínas do esperma, tornando-o gelatinoso. Glândula de Cowper: produz uma secreção que limpa o pénis, é expelida antes da ejaculação e facilita a penetração. Estrutura dos testículos e espermatogénese: - Os testículos encontram-se voltados para o exterior do corpo, para se manterem a uma temperatura inferior à temperatura corporal. - São constituídos por lóbulos testiculares separados por septos radiais. - Os lóbulos contêm túbulos seminíferos onde se produzem continuadamente espermatozoides. Células de Sertoli: células muito volumosas que ocupam o espaço entre a periferia e o lúmen dos túbulos, sustentando as células germinativas, intervindo na sua nutrição e ser vem como um filtro, impedindo a passagem de substâncias nocivas. Células de Leydig: células intersticiais situadas entre os túbulos, produzem testosterona. 3

O complexo de Golgi forma o acrossoma (vesícula que armazena enzimas digestivas) que se adapta ao núcleo. . As mitocôndrias fornecem energia ao flagelo para este se locomover. Multiplicação: ocorre durante o desenvolvimento embrionário. Fases da espermatogénese: 1.Espermatogénese  A manutenção do teor de testosterona no sangue é feita pelo complexo HH (tal como na mulher) . No fim da 2ª divisão formam-se quatro espermatídeos (haploides com 1 cromatídeos) 4. A partir daí produz-se continuadamente espermatozoides e testosterona. a partir das quais são produzidos espermatozoides – uma espermatogónia mantém-se em multiplicação enquanto a outra prossegue o desenvolvimento. Controlo hormonal:  O sistema genital do homem tem um funcionamento contínuo que se inicia na puberdade. Crescimento: aumento pouco significativo do volume da célula. Maturação: ocorre divisão meiótica do espermatócito I. No homem só ocorre a retroação negativa: Aumento de testosterona (+)  inibe  complexo HH  diminui  produção LH  diminui  produção de testosterona (-)  A retroação negativa assegura a regulação do teor de gonadoestimulinas.Maturação dos órgãos genitais na puberdade . a qual é responsável por: .LH (luteoestimulina): atua nas células de Leydig estimulando a produção de testosterona. o que facilita a locomoção dos espermatozoides. Dá-se o alongamento e achatamento do núcleo.Aparecimento e manutenção dos carateres sexuais secundários . 4 . 2. sofrem sucessivas mitoses formando espermatogónias (diploides). a eliminação de grande parte do citoplasma e reorganização dos organelos. A formação dos espermatozoides é feita da periferia para o lúmen dos túbulos. Torna-se assim um espermatócito I (diploide). os espermatozoides são libertados no lúmen dos túbulos.FSH (foliculoestimulina): estimula as células de Sertoli e a produção de uma proteína com grande afinidade para a testosterona. nos testículos. Diferenciação ou espermiogénese (70 dias): o espermatídeo transforma-se num espermatozoide. No fim da 1ª divisão formam-se dois espermatócitos II (haploides com 2 cromatídeos). 3. As células germinativas. Os centríolos (formados pela proteína tubulina) originam microtúbulos que formam o flagelo. Por fim. Há a diferenciação do flagelo.

 No 6º dia o blastocisto eclode para o exterior da zona pelúcida  Nidação (8º dia): as células do trofoblasto aderem às células superficiais do endométrio e digerem-nas para obter o alimento necessário ao embrião nas primeiras semanas. Período embrionário: duração de 8 semanas  Multiplicação celular por divisões mitóticas – segmentação. 5 . e o trofoblasto.  Formação do blastómero entre o 1º e o 4º dia. visto que produz variações na produção de GnRH e o descontrolo do ciclo sexual. As suas células são totipotentes (estaminais)  Formação da mórula no 4º dia constituída por 64 células. Pelo contrário. no período ovulatório o muco torna-se mais fluido e a rede de fibras menos densa.  A fecundação ocorre no terço superior da trompa. o que permite a exocitose de enzimas digestivas que irão digerir a zona pelúcida. onde os espermatozoides são atraídos por uma substância segregada pelas células foliculares. deixando passar mais facilmente os espermatozoides. o que bloqueia a entrada de outros espermatozoides.  Desencadeia-se a reação acrossómica – libertação do conteúdo do acrossoma  Fusão da membrana do acrossoma com a membrana plasmática da cabeça do espermatozoide..  Este muco encontra-se muito espesso fora do período ovulatório. Durante:  Os espermatozoides que passam as células foliculares atingem a zona pelúcida com a qual estabelecem ligação por recetores específicos. apesar de não haver grande aumento de tamanho  O 5º dia marca o fim da segmentação e a formação do blastocisto: as células organizam-se de modo a formar um botão embrionário que originará o novo ser. uma camada superficial envolvente.  O oócito II completa a meiose e forma-se o 2º glóbulo polar  Os pronúcleos dos gâmetas fundem-se – cariogamia – formando-se o OVO Depois: Desenvolvimento embrionário 1. FECUNDAÇÃO Antes:  Os espermatozoides entram em contacto com o muco cervical produzido por glândulas do colo uterino.  Migração do ovo em direção ao útero devido às contrações dos músculos da parede do oviduto.  Fusão das membranas do espermatozoide e do oócito II – início da fecundação  O conteúdo dos grânulos corticais do citoplasma do oócito liberta-se para o exterior formando uma membrana de fecundação.A atividade do complexo altera-se também sob a ação de estímulos nervosos externos ou internos.

formando órgãos e sistema de órgãos. . Os diferentes tecidos inter-relacionam-se. . 6 . sistema circulatório. Origem de algumas estruturas Sistema nervoso. As células do endométrio proliferam e o embrião acaba por ficar completamente envolvido pela parede do útero. músculos. Substitui o corpo lúteo na produção de progesterona. endoderme e mesoderme no sentido de desempenhas funções específicas. excretor e reprodutor Sistema respiratório. 2. fígado. órgãos dos sentidos. Especialização estrutural e bioquímica de células da ectoderme. Parte desta fica incorporada no cordão umbilical. pâncreas Crescimento Morfogénes e Diferenciaçã o celular Ectoderme Mesoderme Endoderme  Anexos embrionários: estruturas transitórias existentes até ao nascimento .  Ao fim de 8 semanas a maioria dos órgãos já esta esboçada e definitivamente localizada.  Além das substâncias fundamentais ao embrião. Estabelece trocas seletivas entre a mãe e o embrião. mesoderme e ectoderme. de acordo com as estruturas que vão formar.Alantoide: contribui para formação dos vasos sanguíneos do cordão umbilical.Âmnio: rodeia a cavidade amniótica preenchida por líquido amniótico. tóxicos e micro-organismos para o embrião. Armazena os produtos do metabolismo do embrião. Período fetal: Restantes semanas  Aumento da complexidade e maturação dos órgãos já formados.Placenta: originada por tecido do endométrio e por vilosidades coriónicas do embrião. . São originadas 3 camadas. . passam anticorpos. epiderme Esqueleto.  O botão embrionário continua a dividir-se e ocorrem movimentos morfogenéticos que acabam por originar 3 camadas de células: endoderme.  Abrandamento do crescimento da cabeça e rápido crescimento do resto do corpo.Vesícula vitelina: ricamente vascularizada. sendo o primeiro local de produção de glóbulos sanguíneos. Processos biológicos A partir de multiplicações celulares. Por divisões mitóticas e também devido ao aumento de volume das células Conjunto de movimentos de territórios celulares que tomam posições uns em relação aos outros. Garante a proteção contra os choques e permite a manutenção da temperatura.Córion: membrana extraembrionária mais exterior que rodeia o embrião e intervém na formação da placenta.

mas a produção de progesterona e estrogénios fica assegurada pela placenta. Mudanças no comportamento do feto à medida que o sistema nervoso se desenvolve Controlo do desenvolvimento  A hormona gonadotropina coriónica humana (HCG) impede a degeneração do corpo lúteo. essenciais à manutenção do endométrio permitindo a nidação. o corpo lúteo degenera. Não protege das DST 7 . em função do declínio de HCG. impede a fecundação pela ausência de relações sexuais durante o período fecundo.  A ejeção de leite também é controlada pelo complexo HH .  Ver Esquema 2 Produção de leite  Durante a gestação. libertada a nível da hipófise posterior.  O declínio de progesterona no fim da gravidez conduz ao domínio dos estrogénios que estimula as contrações do útero.O colostro é menos rico em glícidos e lípidos e mais rico em proteínas e anticorpos do que o leite MANIPULAÇÃO DA FERTILIDADE Métodos contracetivos: permitem ao casal planear o nascimento dos filhos Métodos naturais ou de abstinência periódica: sem efeitos secundários. que continua a produzir progesterona e estrogénios. os níveis elevados de estrogénios e progesterona exercem uma retroação negativa sobre a secreção da hormona prolactina: Elevados teores de estrogénios (+)  inibem  complexo HH  não se produz  prolactina  A hormona não chega às glândulas mamárias e estas  Ver Esquema 3 não produzem leite. nomeadamente a cabeça.  Essa pressão exercida envia mensagens nervosas ao hipotálamo. Elevado teor HCG  estimula  corpo lúteo  aumenta  produção de estrogénios e progesterona  inibem  complexo HH  não se liberta  FSH e LH  não ocorre  novo ciclo ovário  Após a sua ação a HCG é eliminada pela urina podendo ser detetada nos testes de gravidez  Após 8 a 10 semanas. no qual se produz a neuro-hormona oxitocina. O trabalho de parto  Os estrogénios atuam na expansão do útero enquanto que a progesterona impede as contrações. que obriga o feto a deslocarse para o colo uterino.

transparente e filamentoso . ciclos menstruais mais regulares. Agravamento de doenças preexistentes. o muco é abundante. podem causar alergias. Pode ser desconfortável.Vasectomia: impede a saída de espermatozoides . Químicos: . fluido. risco de infeções que podem levar à infertilidade. Vantagens .Adesivos contracetivos Cirúrgicos: .Laqueação das trompas: impede o encontro dos gâmetas .Avaliação diária da temperatura retal – de manhã e antes de qualquer atividade: data da ovulação corresponde ao último dia que precede a subida de temperatura .DIU: impede a união dos gâmetas ou a nidação se já tiver havido fecundação.Os ciclos menstruais passam a ser mais regulares e sem dores 8 . . Proteção por pouco tempo.Pílulas contracetivas: impedem a ovulação ou a fecundação. . pouco recomendável a mulheres jovens.Data de ovulação .Impedem a ovulação ou a fecundação .Aspeto do muco cervical: na ovulação e durante 3 a 4 dias.Boa tolerância pela maioria das mulheres . visto que os elevados níveis de hormonas estimularam o endométrio a crescer.Implantes Pílulas combinadas: sobrecarga de estrogénios e progesterona Aumento de estrogénios (+) inibe  complexo HH  inibe  produção FSH e LH  inibe  desenvolvimento folicular  não ocorre ovulação (não há o pico de LH)  É necessário fazer 7 dias de pausa na toma da pílula para que ocorra a menstruação..Método do calendário (verificar se o ciclo menstrual apresenta um padrão) Métodos não-naturais: Físicos: . protege das DST. não aconselhável a mulheres jovens. . Requer orientação médica e o uso de espermicidas. .Preservativo: evita o encontro dos gâmetas. Pode romperse ou deixar passar espermatozoides quando não for utilizado adequadamente.Diafragma: impede a entrada de espermatozoides no útero. problemas circulatórios e metabólicos.Espermicidas: destroem os espermatozoides.

etc. Minipílula: contém derivado sintético da progesterona. drogas. INFERTILIDADE: incapacidade temporária ou permanente de conceber um filho. opõem-se à nidação. Aconselhado a mulheres lactantes.Os riscos podem agravar-se por interação com tabaco. com uma maior impermeabilização do colo aos espermatozoides. sem uso de contracetivos.Desvantagens . etc Infeções genitais Obstrução ou alteração das vias de circulação de gâmetas 9 . Pílula do dia seguinte: 2 comprimidos com doses elevadas de hormonas. opõem-se ao deslocamento dos espermatozoides. Efeitos: bloqueia a ovulação. após. 1 ano de tentativas.Problemas de diabetes . O 1º comprimido tem que ser tomado antes de 72h após o ato sexual e o 2º é tomado entre 12 a 24h depois do 1º. drogas. Eficácia menor do que as pílulas combinadas. álcool. não bloqueia a ovulação. pelo menos. álcool.Insuficiências de circulação .Problemas de hipertensão . Causas da infertilidade Masculinas Femininas Produção de espermatozoides Anomalias na secreção hormonal – insuficiente problemas de ovulação Deficiência na mobilidade dos Problemas ao nível do endométrio gâmetas Elevada % de espermatozoides Muco cervical desfavorável aos anormais espermatozoides Anomalia congénita no aparelho reprodutor Ausência de produção de gâmetas Exposição à tóxicos como tabaco. ou então de levar uma gestação até ao fim. Mantém as características do muco cervical na fase luteínica.

porém. cujo desenvolvimento pode ser acompanhado por ecografia. A coleta de esperma deve ser feita momentos após a punção dos óocitos ou pode ser utilizado do banco de esperma. .Alguns oócitos não resistem à microinjecção. quimioterapia) que possam causar infertilidade.  Microinjecção citoplasmática: . obstrução das trompas e outros casos inexplicáveis . .Efeitos secundários devido à aplicação de hormonas  Fecundação in vitro: . . Problemas éticos em relação à RMA: 10 .Não permite resolver certos casos de infertilidade .Os espermatozoides podem ser criopreservados para bancos de esperma ou caso ocorram problemas graves de saúde (cirurgias.Os espermatozoides são preparados pela técnica descrita na IIU e os oócitos são obtidos pela técnica utilizada na estimulação ovárica. com ar humidificado. .A partir do 3º ou 5º dia do ciclo sexual.É utilizada em casos de disfunção ovárica grave.  Estimulação ovárica ou hiperestimulação controlada dos ovários: . 48h depois verifica-se se ocorreu fecundação.É utilizada quando há anomalias no funcionamento dos ovários (ex.Este é injetado (já sem cauda) no oócito através de uma micropipeta que penetra até ao centro o oócito. . com estimulação hormonal mais forte. efetua-se um tratamento hormonal com derivado sintético próximo da FSH.FIV: os espermatozoides são colocados em contacto com os oócitos num meio de cultura apropriado.É preciso fazer o estudo genético do casal .É utilizada quando os espermatozoides apresentam anomalias que os tornam inaptos para a fecundação . .É utilizada quando os espermatozoides não conseguem atingir as trompas . 3 a 4 embriões (com 2 a 8 células) são transferidos para o útero. os outros são criopreservados.É recolhido somente um espermatozoide saudável .REPRODUÇÃO ASSISTIDA  Inseminação artificial ou intrauterina (IIU): .Risco de gestações múltiplas . lesões hipofisárias) .Aspira-se o conteúdo dos folículos (óocito) que tenham um tamanho adequado. a 37ºC. que vai ativar a maturação dos folículos. Os que resistem são colocados numa incubadora a 37ºC até a transferência dos embriões (com 2 a 8 células) para o útero. previamente recolhidos e selecionados.Quando o desenvolvimento é suficiente injeta-se uma hormona sintética idêntica à LH provocando a ovulação.Transfere-se os espermatozoides. para a cavidade uterina.

cruzados entre si. pois esta possuía uma corola fechada. > Proporções fenotípicas: na geração F2 surgem ambas as características na proporção aproxm. fez cruzamentos parentais – entre os indivíduos pertencentes às linhas puras. relativamente à característica considerada. impossibilitando a fecundação por outras espécies de plantas. fazendo igualmente cruzamentos recíprocos.  Mecanismo de transmissão em monoibridismo . que sofreram histerectomia) . O CONTRIBUTO DE MENDEL  A espécie de ervilheira Pisum sativum foi a que deu melhores resultados. manifestando a característica de um dos progenitores. originam uma descendência que é sempre toda entre si e igual a um dos progenitores.Intervenção da clonagem na reprodução . de 3 para 1  Segundo Mendel: 11 PxP F1 F1 x F1 F2 Polinização cruzada (artificial) entre linhas puras Híbridos de 1ª geração Autopolinização (natural) dos híbridos Proporção fenotípica 3:1 . e um bom conjunto de características antagónicas. 1) Cruzamento parental 2) 1ª geração 3) Cruzamento entre F1 4) 2ª geração Conclusão: > Uniformidade dos híbridos: geração F1 é uniforme em relação ao caráter em estudo. depois de isolar as linhas puras.Obtenção de gâmetas fora do casal .Mães de substituição (casos de mulheres com ausência ou com anomalias congénitas do útero. Linhas puras: indivíduos homozigóticos em relação à característica pretendida e que. Cruzamentos de monoibridismo: onde se estuda a transmissão de apenas um caráter.Situações de casais homossexuais . procura respostas para a forma como se processa a herança genética.Produção de um filho de acordo com determinado padrão genético .Mendel. Cruzamentos de diibridismo: onde se estuda a transmissão de dois carateres.Situações de monoparentalidade ..Direitos dos seres humanos que vão nascer TRANSMISSÃO DE CARACTERÍSTICAS HEREDITÁRIAS Genética: área do conhecimento que tem como objeto de estudo os genes.Futuro dos embriões excedentários .

O fator recessivo nunca se manifesta na presença do dominante  Atualmente: . fazendo igualmente cruzamentos recíprocos: Conclusão: ) 12 . depois de isolar as linhas puras. AALl. 1) Se toda a descendência apresentar fenótipo dominante.Um indivíduo genotipicamente heterozigótico possui um par de genes diferentes relativamente a uma característica.O fenótipo é a forma como o genótipo se expressa Gâmetas/ Genótipo 1) Cruzamento Polinização cruzada (artificial) entre AL x al parental linhas puras 2) 1ª geração AaLl Diíbridos de 1ª geração 3) Cruzamento Autopolinização (natural) dos AL x al x Al x aL entre F1 diíbridos AALL. Alguns dos seus gâmetas possuem uma das formas alélicas e outros possuem a outra forma alélica.Principio da segregação fatorial: na formação dos gâmetas os fatores separam-se de tal modo que cada gâmeta contém um só fator de cada par. 4) 2ª geração AaLL.Mendel. 77 livro Cruzamento-Teste: serve para averiguar o genótipo de indivíduos que fenotipicamente revelam a característica do alelo dominante. . Aall. fez cruzamentos parentais – entre os indivíduos pertencentes às linhas puras. aall.O conjunto de todos os genes é o genoma . Proporção fenotípica 9:3:3:1 aaLL. o progenitor desconhecido é heterozigótico dominante  Mecanismo de transmissão em diibridismo . aaLl .. AAll. .O genótipo é a constituição genética de um indivíduo em relação a uma determinada característica.Um indivíduo genotipicamente homozigótico possui um par de genes idênticos relativamente a uma característica.  Xadrez mendeliano: ver pág. o progenitor desconhecido é homozigótico dominante.Os fatores de Mendel são os genes que podem apresentar formar alternativas (alelos) . Se existirem alguns com fenótipo recessivo. Consiste em cruzar esses indivíduos com homozigóticos recessivos e analisar a descendência. AaLl.Cada organismo possui 2 fatores que determina uma característica . Todos os seus gâmetas são geneticamente idênticos. .

2ª  Durante a formação dos gâmetas. embora parcialmente. ocorrendo simultaneamente.Dominância incompleta: acontece quando a F1 apresenta um terceiro fenótipo. .> No diibridismo os alelos se comportam como em dois cruzamentos de monoibridismo. a segregação dos alelos de um gene é independente da segregação dos alelos de outro gene.Codominância: ocorre quando a F1 possui um fenótipo que inclui carateres de ambos os progenitores. Diz-se que o alelo dominante não dominou completamente o recessivo. permitindo que ambos se expressassem no fenótipo. Os dois alelos se manifestam completamente no fenótipo de F1. > Principio da segregação independente: os genes que determinam características diferentes distribuem-se independentemente nos gâmetas > A probabilidade de um acontecimento ocorrer é independente da sua ocorrência em tentativas anteriores > A probabilidade de dois acontecimentos independentes ocorrerem conjuntamente é igual ao produto das probabilidades de ocorrerem isoladamente. Neste caso não se verifica qualquer tipo de dominância de um alelo sobre o outro.  No Cruzamento–Teste em diibridismo cruza-se desconhecido com um duplo homozigótico recessivo Leis de Mendel 1ª  Os dois elementos de um par de genes separam-se nos gâmetas de tal modo que há probabilidade de metade dos gâmetas transportar um dos alelos e a outra metade transportar o outro alelo. o progenitor 13 . O que contradiz as Leis de Mendel: .

geralmente. Hereditariedade humana sexuais) no (autossómica e ligada aos cromossomas 1) Genes em linkage (ligados factorialmente): genes que se dispõem linearmente ao longo do mesmo cromossoma. > Ao cruzar os indivíduos F1. Exceções às Leis de Mendel 1. vg+: asas longas com 14 . Tal só acontece se os genes estiverem afastados do centrómero. um do pai e outro da mãe. em diibridismo. são genotipicamente hemizigóticos. sendo transmitidos em conjunto aos descendentes. um é do pai e outro é da mãe. por isso. > Obtém-se assim uma descendência igual à prevista por Mendel Exemplo das moscas: cruzamento de duas linhas puras características antagónicas b: corpo preto. b+: corpo cinzento. mas sim 3:1 (como num caso de monoibridismo). embora em loci diferentes. > Mas em consequência do crossing-over. os genes podem separar-se e surgir nos gâmetas como se estivessem em gâmetas separados. vg: asas vestigiais. Alelos múltiplos 3. o(s) alelo(s) localizado(s) cromossoma X e. > Isto acontece porque os genes situam-se no mesmo cromossoma. > Genes autossómicos localizam-se os autossomas > Genes heterossómicos ou ligados ao sexo localizam-se nos cromossomas sexuais HEREDITARIEDADE LIGADA AOS CROMOSSOMAS SEXUAIS . Interações génicas 4. visto que a segregação dos genes localizados em diferentes cromossomas é independente.Indivíduos heterogaméticos: apresentam cromossomas sexuais diferentes (Homem)  Os machos manifestam.TEORIA CROMOSSOMICA DA HEREDITARIEDADE > Os genes localizam-se nos cromossomas que formam pares de homólogos > O gene situa-se no locus do cromossoma > Os dois alelos que controlam um determinado caráter localizam-se em loci correspondentes nos cromossomas homólogos. localizados em loci correspondentes nos cromossomas homólogos. > Em cada par de homólogos. > Na meiose dá-se a segregação dos alelos > Cada gâmeta pode conter qualquer combinação de genes. observa-se que a proporção fenotípica não é 9:3:3:1 como Mendel sugere. > O ovo é uma célula diploide em que cada gene está representado por dois alelos. Ligação fatorial (à 2ª Lei) 2. durante a meiose. sendo então transmitidos em conjunto.Indivíduos homogaméticos: apresentam dois cromossomas sexuais idênticos (Mulher) .

não possui esse aglutinogénio. mas com aglutininas anti-A e anti-B. mas pode fabricá-los quando expostos ao antigénio Rh. onde as suas hemácias são destruídas pelos anticorpos. Pode receber qualquer tipo de sangue Tipo O  sem aglutinogénios.  Por isso. Pode receber sangue tipo B eO Tipo AB  aglutinogénios A e B.contactar com Rh+. caso o seu sangue entre em contacto direto com as hemácias do filho mãe.e o filho Rh+  Isto porque o sistema imunitário da mãe formará anticorpos anti-Rh.Corpo cinzento e asas longas (75%) .não possuem naturalmente anticorpos anti-Rh. Um problema que se coloca durante a gravidez sendo a mãe Rh. 15 .Alelo O é recessivo em relação ao A e B . Só pode receber do tipo O . mas sem aglutininas. caso se verifique novamente um filho com sangue Rh+  O feto pode morrer de eritroblastose fetal. Só pode receber sangue Rh Os indivíduos Rh. embora cada indivíduo possua somente duas dessas formas. Pode receber sangue Rh+ ou Rh> Sangue do tipo Rh. mais anticorpos são produzidos.Fenótipo: corpo negro e asas vestigiais x corpo cinzento e asas longas Genótipo: bbvgvg x b+b+vg+vg+ Gâmetas: bvg x b+vg+ b b X b+ b+ vg vg vg+ vg+ Fenótipo da descendência F1: . quanto mais vezes o sangue Rh. Tal pode acontecer durante o parto.Corpo negro e asas vestigiais (25%) 2) Alelos múltiplos: mais de duas formas alélicas do mesmo gene.  Deste modo inicia-se a formação de anticorpos que atuarão logo numa 2ª gravidez. mais “resistência” se desenvolve.No sangue do tipo AB existe uma relação de codominância de A e B Exemplo: Sistema Rh > Rh é um aglutinogénio > Sangue do tipo Rh+ contém esse aglutinogénio. Exemplo: Sistema ABO Antigénios (aglutinogénios): glicoproteínas existentes nas hemácias Anticorpos (Aglutininas): moléculas proteicas que se aglutinam determinados aglutinogénios a Tipo A  aglutinogénios A e aglutininas anti-B. Pode receber sangue tipo A eO Tipo B  aglutinogénios B e aglutininas anti-A.Todos apresentam corpo cinzento e asas longas (características dominantes – selvagens) Fenótipo da descendência F2 (F1 x F1): .

Anomalia tende a aparecer em todas as gerações . pelo menos um dos progenitores também a possui .Heterozigóticos apresentam fenótipo normal .Dois progenitores afetados originam uma descendência em que todos os indivíduos apresentam anomalia Dominante: . . .O fenótipo dos indivíduos da geração F1 é diferente dos seus progenitores. metade da descendência pode ser afetada. neste caso dois ou mais genes controlam uma única característica. 4) Hereditariedade humana Dificuldades na investigação sobre genética humana: > Elevado número de cromossomas > Pequeno número de descendentes por geração > Longevidade do ciclo de vida > Cruzamentos experimentais não são viáveis eticamente Hereditariedade autossómica  Homens e mulheres igualmente afetados Recessiva: . ou seja.Quando um indivíduo manifesta a anomalia.O gene letal recessivo só provoca a morte em homozigotia. Se for dominante manifesta-se nos heterozigóticos. alelo recessivo só se manifesta em homozigotia.Quando um dos progenitores apresenta anomalia. aproxim.Muitas das características hereditárias dependem da interação de vários genes. 16 . Embora sejam dominantes não basta um só alelo! .  A expressão dos alelos de um locus depende dos alelos presentes no outro locus. Atualmente existe uma vacina que é injetada na mãe e que inibe a atuação dos anticorpos anti-Rh 3) Interações génicas (Exemplo do milho vermelho) . o milho só apresenta fenótipo vermelho quando estão presentes os dois alelos dominantes que determinam essa cor. uma vez que o cromossoma Y não possui alelo correspondente. . os genes localizados no cromossoma X manifestam-se sempre.Na F2 surgem classes fenotípicas completamente diferentes das esperadas num diibridismo mendeliano. .Maioria dos descendentes afetados possui pais normais .  No caso do homem.Os heterozigóticos apresentam anomalia Hereditariedade ligada ao sexo  Como na mulher existem dois cromossomas X os genes formam pares de alelos que funcionam como nos autossomas. quer sejam dominantes ou não.Por exemplo.

No geral: .  Em conjunto com o cromossoma Y permite seguir o processo evolutivo da espécie humana.  Sofre mutações num ritmo já conhecido.Quando uma mulher portadora cruza com um homem normal há 50% probabilidade de os filhos serem normais e 50% de probabilidade de serem afetados.Um homem afetado transmite a doença a todas as suas filhas . . podem detetar-se as mutações numa população e recuar no tempo até a origem da sua linhagem materna mais antiga. As filhas são todas normais podendo 50% ser portadoras. Sabendo isto.Não afeta igualmente homens e mulheres . Diferenças e semelhanças entre DNA mitocondrial e DNA nuclear: DNA mitocondrial Não possui exões Não ocorre crossing – over Possui várias cópias de DNA em cada mitocôndria. permitindo que na mesma célula existam diferentes alelos para o mesmo gene Taxa de mutação mais elevada Não possui enzimas que reparam o DNA DNA nuclear Possui exões Ocorre crossing – over Só possui uma cadeia (com dupla hélice) de DNA no núcleo da célula Taxa de mutação menos elevada Possui enzimas que reparam o DNA 17 . Recessivo no cromossoma X . dado que o cromossoma Y não contribui com as suas mitocôndrias para a formação do zigoto. originas filhos fenotipicamente normais e filhas portadoras.Uma mulher afetada transmite a doença aos filhos e filhas TRANSMISSÃO GENÉTICA DE GENES MITOCONDRIAIS:  O material genético contido nas mitocôndrias é transmitido pela mãe para os filhos e filhas.Quando um homem afetado cruza com uma mulher normal. Por isso é mais frequente manifestar-se uma característica recessiva no homem do que na mulher.

são transcritos.Gene operador: onde se liga o repressor. inativando-o • O gene operador fica desbloqueado • RNA polimerase liga-se ao promotor • Os genes estruturais são transcritos • Dá-se a síntese das enzimas  há degradação da lactose Funcionamento de um operão repressivo: processos anabólicos Ausência de triptofano • Gene regulador produz um repressor inativo • O gene operador está livre • RNA polimerase pode ligarse ao promotor • Os genes estruturais são transcritos Presença de triptofano • Triptofano liga-se ao repressor.  Três genes são responsáveis pelo processo de regulação genética (regulador. impedindo a transcrição dos genes estruturais. tendo que desenvolver rápidos mecanismos de resposta de acordo com as novas condições (respiração anaeróbia. Esta regulação é muito importante nos procariontes. normalmente. . operador e promotor) e os genes estruturais.Gene regulador: responsável pela produção da proteína repressora.  A diferenciação celular resulta da regulação da expressividade dos genes. síntese desse nutriente caso se verifique a sua ausência. Operão: conjunto de genes estruturais com funções relacionadas e dos genes que os controlam. associados a operões.Gene promotor: onde se liga a RNA polimerase para iniciar a transcrição dos genes estruturais. desde que o gene operador esteja livre do repressor. Funcionamento de um operão indutivo: processos catabólicos Ausência de lactose • Gene regulador produz um repressor • Repressor liga-se ao operador e bloqueia gene promotor • RNA polimerase não se liga ao promotor • Os genes estruturais não são transcritos • Não ocorre síntese das enzimas Presença de lactose • Lactose liga-se ao repressor. pois estão dependentes das variações do meio. ativando-o • O repressor liga-se ao gene operador • RNA polimerase não pode ligar-se ao promotor • Os genes estruturais não são transcritos 18 . etc. .REGULAÇÃO DO MATERIAL GENÉTICO  Todas as células de um mesmo organismo possuem a mesma informação genética e apenas um pequena parte dessa informação de manifesta. sobrevivências a altas temperaturas.Genes estruturais: codificam a produção de enzimas (de síntese ou de degradação) . cujo número varia de processo para processo. .)  Nos eucariontes os genes não estão.

podendo acarretar variação hereditária. satisfazendo mais depressa as necessidades da célula.As mutações também promovem a evolução já que determinam aumento na variabilidade genética. ou ainda acarretar doenças ou anomalias. muitas vezes. quando provocam a morte.Podem ainda ser letais. . benzeno.As mutações são espontâneas e podem ser silenciosas. . alcatrão.Podem ser transmitidas hereditariamente quando ocorrem nas células germinativas. .Quando ocorrem em células somáticas podem provocar a formação de tumores. ou seja. (exº: o mesmo regulador controla a possibilidade de vários glícidos serem convertidos em glicose. sais de metais radioativos. .As mutações podem ser génicas quando alteram a estrutura do DNA ou cromossómicas quando alteram a estrutura ou o número de cromossomas.  Os genes que se expressão numa determinada situação dependem das interações que o ambiente estabelece com o DNA. determinando. gás mostarda. radiações alfa. . dependendo do contexto e das interações que fatores endógenos e exógenos exercem sobre o DNA.• Ocorre a síntese das enzimas • Não se sintetizam as enzimas  não há formação de triptofano  Muitos genes de um genoma se destinam a regular o funcionamento de outros genes. TIPOS 19 .Alteram uma ou mais bases do DNA que afetará a leitura durante a replicação ou durante a transcrição. Químicos  colchicina. . Vantagens: torna mais rápida e coordenada uma resposta de genes de diferentes operões. . não alterar a proteína ou sua ação. mas que estão envolvidos num processo metabólico comum.São alterações ou modificações súbitas em genes ou cromossomas. MUTAÇÕES GÉNICAS .As mutações génicas são responsáveis por alterações nos genes e consequentemente nas proteínas.) MUTAÇÕES Definição: . a formação de novas proteínas ou alterando a ação de enzimas importantes. benzopireno.  Muitos dos genes do genoma podem nunca se expressar. etc. Regulão: grupo de operões que é controlado por um único tipo de regulador. beta e gama) e radiação ultravioleta. AGENTES MUTAGÉNICOS Físicos  radiações ionizantes (raios X.

5n.Podem provocar anomalias e mal formações no organismo ou até a inviabilidade dele.)* è quando há quatro ou mais genomas.Podem acontecer por delecção. para outro não homólogo (translocação simples).  ESTRUTURAIS . translocação ou inversão de partes de cromossomas.  NUMÉRICAS .Provocam alterações no número típico de cromossomas da espécie (cariótipo). .Monossomia (2n-1) è um cromossoma a menos no cariótipo. . . Não altera a localização do cromossoma Translocação è quando ocorre a troca de pedaços entre cromossomas não homólogos (translocação recíprocas) ou transferência de uma porção de um cromossoma. modificando a ordem de leitura da molécula durante a replicação ou a transcrição.Podem produzir anomalias graves e até a morte do organismo.Delecção è acontece quando uma ou mais bases são retiradas do DNA.. 20 .Nulissomia (2n-2) è perda de um par inteiro de cromossomas.Provocam alterações na estrutura dos cromossomas. Deficiência ou deleção è quando ocorre a perda de um pedaço do cromossoma.Euploidias: quando há a alteração de um genoma inteiro . modificando a ordem da leitura. a leitura duplicada ou erros na leitura de um ou mais genes. ALGUMAS DOENÇAS HEREDITÁRIAS  ver folhas anexas MUTAÇÕES CROMOSSÓMICAS .Substituição è ocorre a troca de um ou mais pares de bases.Adição è acontece quando uma ou mais bases são adicionadas ao DNA.São alterações na estrutura ou no número de cromossomas normal da espécie. . . Inversão è quando ocorre a quebra de um pedaço do cromossoma que se solda invertido (180º).Poliploidias (4n. ou mesmo de um cromossoma inteiro. Provoca erros na leitura.Triploidias (3n) è quando há três genomas. . provocando erros na leitura dos genes. Chama-se transição a substituição de uma purina por outra ou de uma pirimidina por outra e transversão a substituição de uma purina por uma pirimidina ou vice-versa.Monoploidias (n) è quando há apenas um genoma. durante a replicação ou a transcrição. podendo ocasionar a perda de genes. . . Duplicação è quando ocorre a presença de um pedaço duplicado do cromossoma. . duplicação. com consequente perda de genes.. . . No homem é letal.. acarretando uma dupla leitura de genes. .Aneuploidias (Somias): quando acrescentam ou perdem um ou poucos cromossomas.

Noutros casos não há citocinese. 2) Cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes (muito comum entre as plantas). Os híbridos são estéreis. plantas mais resistentes e com grandes frutos. contrabalançando o efeito dos proto-oncogenes. bloqueando a divisão celular.As Neoplasias têm origem genética pois resultam de alterações a nível do DNA. . Oncogenes: são proto-oncogenes alterados. A cromatina da célula apoptótica começa a condensar. como resultado de agentes mutagénicos. vertendo-se o conteúdo da célula no meio extracelular. que passam a estimular permanentemente a divisão celular. Genes supressores tumorais: participam na regulação da proliferação celular. mas por vezes o equilíbrio entre mutagénese e a reparação rompem-se. . * Poliploidias podem surgir por dois processos fundamentais: 1) Não-disjunção dos cromossomas durante a meiose ou mitose.Cancro. Estão normalmente ativos.  Num tecido normal a divisão celular é contrabalançada pela apoptose. Proto-oncogenes: genes capazes de estimular a divisão celular e estão normalmente inativos em células que não se dividem. a célula separa-se das suas vizinhas e a cromatina fragmenta-se. grãos de trigo maiores.  Muitas vezes a poliploidia é provocada em laboratório para que se obtenham. . etc.Necrose: as células morrem devido à ação de substâncias tóxicas ou à falta de nutrientes essenciais. frutos sem sementes ou caroço. 21 . Quando este equilíbrio se rompe pode surgir um cancro. causando uma pequena inflamação. pois os cromossomas não têm homologia e não podem emparelhar durante a meiose. por exemplo.Mutagénese: processo que conduz ao aparecimento de mutações . por fim a célula fragmenta-se. . Este fenómeno ocorre quando as células apresentam anomalia e já não são mais necessárias ao organismo.Trissomia (2n+1) è um cromossoma a mais no cariótipo.. Aumenta de volume e rompe-se a membrana plasmática.As células podem reparar os danos causados ao DNA. tumor maligno ou neoplastia maligna: conjunto muito heterogéneo e multifatorial de doenças que têm em comum o facto de apresentarem sempre o crescimento de um tecido neoformado.Apoptose: ocorre um conjunto de fenómenos programados geneticamente e que levam à morte da célula. MUTAÇÕES. as quais podem afetar os mecanismo de apoptose e regulação da proliferação celular. TECNOLOGIA E VIDA .

e isola-se o gene que se quer inserir no plasmídeo. Os mais comuns são os plasmídeos das bactérias. Alteração dos proto-oncogenes 2. Podem replicar-se na bactéria independentemente da molécula de DNA principal. Vetor: entidade que possa levar o material genético do genoma de onde foi tirado para o genoma que o vai receber. A enzima de restrição abre a molécula de DNA do plasmídeo num ponto específico. Cancros hereditários: são muito raros. Quando tal não acontece inicia-se um cancro. Ligases do DNA: enzimas que catalisam o processo que permite que os fragmentos de DNA se voltem a ligar. 2. Catalizam o desdobramento do DNA em fragmentos menores. Com a enzima de restrição do mesmo tipo abre-se outra molécula de DNA. que funciona como dadora. Técnica do DNA Recombinante: (p. O gene a inserir é colocado em contacto com o plasmídeo. juntamente com as ligases do DNA 22 . FUNDAMENTOS DE ENGENHARIA GENETICA Endonucleases de restrição: enzimas existentes nas bactérias que cindem o DNA do vírus sempre que encontram uma determinada sequência de pares de bases (zonas de restrição). O cancro pode surgir por duas razões: 1. A alteração genética está presente em todas as células do individuo. Plasmídeos: pequenas moléculas de DNA em cadeia dupla. Extremidades coesivas: pequenas extensões em cada extremidade dos fragmentos de DNA que possuem cadeia simples.135 do livro) 1. mas em algumas situações pode fundir-se com ela. 2. Cancros esporádicos: resultam de mutações somáticas.  As células neoplásicas que surgem no nosso organismo são naturalmente eliminadas por apoptose. Podem ligar-se por complementaridade a outro DNA. Caso sejam alterados por agentes mutagénicos passam a permitir que as células se dividam indefinidamente. cujos genes não são essenciais para a sobrevivência da bactéria. Metastização: as células cancerosas deslocam-se através da corrente sanguínea ou linfática para outras partes do corpo. Alteração dos genes supressores tumorais Existem 2 tipos de cancro: 1. manifestando-se muito cedo. 3.

4. O gene passa a fazer parte do plasmídeo possui agora, para além dos seus genes, o gene estranho (um DNA recombinante) 5. O plasmídeo recombinante em contacto com bactérias pode introduzir-se nelas (estimulação com choque térmico). Estas bactérias funcionam como hospedeiras aceitando o plasmídeo. 6. A partir do DNA recombinante, o gene inserido passa a comandar a síntese da proteína desejada.  Alguns plasmídeos possuem genes que lhes conferem resistência a alguns antibióticos, o que permite localizar as bactérias que contêm o DNA recombinante. Sujeitam-se as bactérias a um meio com esse antibiótico e as que resistirem são isoladas, pois possuem o plasmídeo recombinante OGM: Organismos Geneticamente Modificados. Não é ainda seguro que os OGM não disseminem os genes que vão perturbar o equilíbrio das populações naturais.  Com a técnica do DNA recombinante pode-se obter um grande número de cópias de um determinado gene e de o colocar a executar uma tarefa desejada (ex: produção de insulina humana) c DNA (DNA complementar) Transcriptase reversa: enzima existente em determinados vírus que catalisam a formação de DNA a partir de RNA. - O mRNA funciona como molde para a síntese de DNA (está em desacordo com o Dogma Central da Biologia Molecular) - A replicação do cDNA é catalisada pela enzima DNA polimerase, que transforma cDNA com uma cadeia numa molécula com duas cadeias. - O cDNA que se obtém provém de uma molécula madura de mRNA, ou seja, desprovida de intrões. Por isso, a porção de DNA que se isola já é funcional. - Este facto facilita a síntese de insulina ao nível do procarionte onde é inserido.

23

Impressões digitais genéticas informativo” e livro p.138

ou

DNA

fingerprint

ver

“Texto

 No seio do DNA existem zonas de restrição que se repetem milhares de vezes, cujo número e tamanho é específico para cada indivíduo. Processo: - A partir de uma amostra de material biológico que contenha material genético faz-se a extração do DNA. - Utilizam-se enzimas de restrição e o DNA é fragmentado em pedaços de diferentes tamanhos - Colocam-se os fragmentos num gel e, submetendo-os a um campo elétrico (eletroforese), eles vão deslocar-se com velocidades diferentes - Ao fim de um certo tempo localizam-se em zonas diferentes do gel - Podem localizar-se esses fragmentos e identificar o indivíduo pelo número de fragmentos em que o seu DNA foi dividido. Reações de polimerização em cadeia (PCR)  ver “Texto informativo” e livro p.140 Processo: - Aquece-se o DNA para separar as duas cadeias - A temperatura desce e adiciona-se um oligonucleótido, primer, que se vai ligar ao DNA em pontos específicos, delimitando as zonas a copiar. - Adiciona-se nucleótidos e a enzima DNA polimerase para repor a dupla hélice a partir de uma das cadeias simples. - Repete-se o procedimento até se obterem cópias suficientes do DNA em estudo Problema: conciliar um processo a elevadas temperaturas com a fragilidade da DNA polimerase. Solução: recorreu-se à DNA polimerase de bactérias que vivem em meios muito quentes - Terapia génica somática: substituição de genes que provocam doenças hereditárias num indivíduo adulto. - Terapia génica germinal: substituição de genes que provocam doenças hereditárias num embrião. Não tem atualmente justificação e é reprovada pelos comités de bioética. É preferível selecionar embriões isentos de determinados genes pelas técnicas de reprodução assistida.  Ler textos sobre OMG’s das fichas informativas SISTEMA IMUNITÁRIO Definição: células, tecidos e órgãos implicados na defesa do organismo contra agentes estranhos. Está em permanente vigilância. 24

Agentes patogénicos: seres que podem provocar doenças (patologias) Vírus: seres acelular que possuem um património genético constituído por DNA ou RNA (retro-vírus), mas nunca os dois simultaneamente. São rodeados por uma camada proteica (cápside), possuindo, por vezes, algumas enzimas e invólucro externo, o qual é produzido pela células hospedeira onde se multiplicam. São parasitas intracelulares obrigatórios. São incapazes de se reproduzir e de realizar o metabolismo de modo autónomo. Ciclo reprodutor de um vírus (ver imagem pág.155 livro) Bactérias: células procarióticas com uma molécula de DNA circular no seio do citoplasma, não sendo rodeado por invólucro nuclear, sendo por isso chamado de nucleoide. Algumas possuem plasmídeos (pequenos anéis de DNA) que contêm genes acessórios e que se replicam separadamente. Possuem ribossomas e podem reproduzir-se autonomamente (por divisão binária), obter e mobilizar energia do meio. Órgãos linfoides primários: locais de formação das células imunitárias (timo e medula óssea vermelha) Órgãos linfoides secundários: locais de circulação e armazenamento das células imunitárias (baço, gânglios linfáticos, amígdalas e um tecido linfático disperso e associado a mucosas) Células efectoras: são primariamente diferentes tipos de leucócitos que têm origem na medula óssea vermelha (por hematopoiese) e/ou no fígado fetal. Alguns evoluem para células com funções específicas na defesa do organismo. Leucócitos: São células circulantes no sangue, na linfa intersticial ou na circulante; Têm a capacidade de se deformar e penetrar entre as células da parede dos vasos capilares; Apresentam à superfície da membrana glicoproteínas específicas que funcionam como recetores. - Podem ser: granulares e polimorfonucleares1 (eosinófilos, neutrófilos e basófilos) ou agranulares e monomorfonucleares2 (monócitos e linfócitos) 1) Defesa do organismo, fagocitose e resposta inflamatória (libertação de histamina) 2) Defesa do organismo, papel fundamental na imunidade, fagocitose  Resposta imunitária depende dos fagócitos (neutrófilos e monócitos  macrófagos) e linfócitos (T e B)  A fagocitose processa-se por 4 etapas: adesão, ingestão, digestão e exocitose LINHAS DE DEFESA DO ORGANISMO Marcadores celulares: glicoproteínas existentes na superfície das células que diferem de organismo para organismo. Permite que cada indivíduo seja 25

pelas enzimas do suco gástrico e pelo muco estomacal. neutralizá-los e eliminá-los.O rubor e o calor são causados pelo maior afluxo sanguíneo . e exprimem-se sempre do mesmo modo.Aumenta a quantidade de fluido intersticial.bioquimicamente único. independentemente do tipo de corpo.Mucosas: segregam muco que dificulta a fixação de micro-organismo e a sua multiplicação nessas mucosas. São células muito ramificadas. Elimina células. captam corpos estranhos.Os monócitos transformam-se me macrófagos.Acontece quando os micro-organismos conseguem ultrapassar as barreiras anatómicas. . 2ª Linha de defesa  Resposta inflamatória (esquema 6 das fichas) . . que já estão lesionadas ou já envelhecidas.Pele: 1ª barreira mecânica e química.Mastócitos e basófilos produzem histamina e outros mediadores químicos que provocam a dilatação dos vasos e aumentam a permeabilidade. atravessam as paredes dos capilares e passam para os tecidos infetados.Ocorre a cicatrização por processos mitóticos 26 .Adaptativa: são adquiridas mais tardiamente na evolução das espécies. só aparecendo nos vertebrados DEFESA NÃO ESPECÍFICA: . degradam-nos e apresentam os fragmentos moleculares aos linfócitos T . Imunidade: diversos processos fisiológicos que permitem ao organismo reconhecer corpos estranhos ou anormais. . sudoríparas e lacrimais segregam substâncias tóxicas para muitas bactérias. A epiderme possui células especializadas na pigmentação e imunidade cutânea.Pelos das narinas: 1ª barreira à entrada de micro-organismo existentes no ar . Faz parte da imunidade inata 1ª Linha de defesa  Barreiras anatómicas (físicas) .Inata: linhas de defesa presentes em todos os organismos multicelulares .Representa uma ação geral de defesa contra corpos estranhos. Muitos micro-organismos ingeridos com os alimentos são destruídos no estômago pelo ácido clorídrico. Possuem ainda células especializadas na imunidade . que fagocitam as células estranham e destroem-nas em vacúolos digestivos por ação de enzimas hidrolíticas .Secreções e enzimas: as glândulas sebáceas. o que provoca um edema na região . . São a expressão de genes que existem sob diferentes formas alélicas.Quimiotaxia: a acumulação de substâncias químicas inflamatórias ativa o sistema imunitário. destrói as células anormais ou mutantes  vigilância imunitária . do próprio organismo.Diapedese: os neutrófilos e monócitos deformam-se. atraindo células efectoras para o local .A dor no local é devido à distensão dos tecidos e à ação de diversas substâncias químicas sobre as terminações nervosas que existem na zona. A camada mais externa da epiderme é constituída por células mortas (córnea protetora).

. podem fazer disparar a febre. estes processos são extremamente eficazes e dirigidos especificamente contra determinados elementos estranhos. mas estimula a célula a produzir as suas próprias proteínas antivirais. Podem ser moléculas livres ou estruturas moleculares que existem na superfície de micro-organismos invasores. ex: pólen. Um dos sintomas é a febre. inibindo a síntese proteica. Esta é induzida a produzir proteínas antivirais capazes de destruir o mRNA viral. que se originam na medula óssea vermelha a partir de linfoblastos. parasitas. São capazes de resposta imunitária. Faz parte da imunidade adquirida Antigénios: todos os componentes moleculares estranhos que estimulam uma resposta imunitária específica. entra na circulação e liga-se a recetores da superfície da célula Y. não é antivírico. os linfócitos adquirem os recetores específicos de antigénios que lhes permite reconhecer esses antigénios. Resposta sistémica: envolve todo o organismo. migrando depois para o timo (linfócitos T) ou permanecendo na medula óssea (linfócitos B)  No interior do timo ou na medula óssea. . . interatuando com a primeira a segunda linha de defesa. .Células imunocompetentes: linfócitos desenvolvidos e com os respetivos recetores. sob a ação de hormonas. produzidos por alguns leucócitos. As toxinas produzidas pelos agentes patogénicos e certos compostos chamados pirogénios. .  Os linfócitos passam depois à corrente sanguínea. Este abandona a célula.  Intervêm fundamentalmente linfócitos T e B. As proteínas antivirais bloqueiam a multiplicação de qualquer vírus que entre na célula Y.A febre muito alta é perigosa mas a febre moderada contribui para a defesa do organismo. só por si. Funções da resposta específica: 1) Reconhecimento: o invasor é reconhecido como um corpo estranho 27 . .Uma vez ativados. induzindo a síntese de interferão. podendo migrar para um tecido linfoide secundário. etc.  Interferões – proteínas importantes na limitação da propagação de determinadas infeções virais.O interferão.Os mecanismos de defesa específica vão sendo mobilizados.O interferão não é específico para um tipo de vírus DEFESA ESPECÍFICA:  esquema 7 das fichas .Atuação: o vírus entra na célula X. tecidos ou órgãos transplantados. Geralmente são moléculas de grande peso molecular (proteínas e polissacarídeos).

As duas cadeias mais longas chamam-se cadeias pesadas ou H . . . Estrutura do anticorpo: .São representados em forma de Y e compostos por 4 cadeias polipeptídicas interligadas e idênticas duas a duas.Seleção clonal: o antigénio estimula uma pequena fração dos linfócitos B que possuem os recetores específicos . mas prontas a responder rapidamente caso o antigénio venha a reaparecer no organismo.  O elevado grau de especificidade resulta de: .Pertencem a um tipo de proteínas que têm uma estrutura globular. Esta ligação é feita entre um anticorpo que contém a sequência particular de aminoácidos na zona variável.Estrutura dos sítios de ligação é complementar da estrutura do antigénio .  A produção de anticorpos é específica. de ligações de hidrogénio ou de outro tipo de ligação entre antigénio e anticorpo.Proliferação clonal: após a ativação dos linfócitos B. preparando os agentes específicos que vão intervir no processo 3) Ação: os agentes do sistema imunitário neutralizam ou destroem as células ou corpos estranhos IMUNIDADE HUMORAL . uma molécula antigénica pode estimular a produção de vários anticorpos. circulando até ao local da infeção. Por isso. estes experimentam uma rápida divisão. originando clones com o mesmo tipo de recetores. Complexo antigénio-anticorpo (ou complexo imune): complexo formado pelo antigénio e anticorpo.  Sítios de ligação: situa-se nas zonas variáveis onde a sequência de aminoácidos é singular e própria para cada tipo de anticorpo e onde se liga um antigénio específico. sendo também designadas de imunoglobulinas (Ig). Determinantes antigénicos (ou epítopos): regiões localizadas na superfície do antigénio que são reconhecidas pelos anticorpos.2) Reação: o sistema imunitário reage. que o permite reconhecer o antigénio. .Nesse local toda a estrutura química favorece o estabelecimento de forças eletrostáticas. Um antigénio pode ter vários epítopos. > Mecanismos de ação dos anticorpos 28 .Diferenciação: uma parte das células do clone diferencia-se em plasmócitos (células secretoras de anticorpos). enquanto que outras são constantes. outras em células de memória que ficam inativas.As duas cadeias mais curtas são as cadeias leves ou L  Nos dois tipos de cadeia existem regiões variáveis de anticorpo para anticorpo. Estes são libertados no sangue ou na linfa (chamada antigamente de humores).

Precipitação: se o antigénio é uma molécula solúvel forma-se um complexo imune insolúvel que precipita. IgE No soro em concentrações baixas  Anticorpos pertencentes a classes diferentes podem apresentar a mesma especificidade antigénica. Existe no colostro e no leite IgM Existe exclusivamente no soro Lágrimas. No IgD soro em concentrações baixas Liga-se aos basófilos e mastócitos e é responsável por alergias.Neutralização: os anticorpos fixam-se sobre o vírus ou toxinas bacterianas. Estes complexos podem depois ser destruídos por fagocitose. Pode atravessar a placenta.Intensificação direta da fagocitose: após a ligação antigénio-anticorpo. . como recetor antigénico. As pequenas diferenças nas regiões constantes permitem dividir as imunoglobulinas em 5 classes: Imunoglob ulinas IgG Características e funções Mais abundante no soro humano. secreção nasal. dá-se a aglutinação de células. . IMUNIDADE MEDIADA POR CELULAS 29 . suor.Aglutinação: se as moléculas antigénicas fazem parte da parede de uma célula. Isto aumenta a aderência dos complexos às células fagocitárias  promove endocitose. enquanto que o termo anticorpo está associado à sua função imunológica (ligação ao antigénio). No soro em concentrações baixas Mais na superfície dos linfócitos B. saliva.Para evitar isso é preferível realizar-se transfusões isogrupais – o sangue do dador é do mesmo grupo que o do recetor.  As propriedades biológicas são conferidas pelas regiões constantes das cadeias pesadas. leite. as regiões constantes dos anticorpos ficam na periferia do complexo imune. . devido à ligação antigénio-anticorpo entre células diferentes (os agentes portadores de antigénios ficam neutralizados) . Os anticorpos não têm capacidade de destruir diretamente os invasores portadores de antigénios. > Incompatibilidades sanguíneas – rever “Sistema ABO” .  A presença do complexo antigénio-anticorpo intensifica a resposta inflamatória Imunoglobulinas: este termo refere-se às características estruturais da molécula. enquanto que a função de reconhecimento dos antigénios cabe às regiões variáveis.Uma transfusão feita a um recetor que possui anticorpos que aglutinam as hemácias do dador produz uma reação transfusional imediata. suco intestinal e IgA muco. . impedindo-os de penetrar nas células. Existem recetores nas membranas dos fagócitos capazes de fixarem essa região constante.

As células T podem intensificar ou suprimir a produção de anticorpos pelas células B Vigilância imunitária  Uma das principais funções da imunidade mediada por células é a de reconhecer e destruir células cancerosas.Th (helpers).  O cancro só se origina se a vigilância imunitária falhar e não reconhecer ou destruir células cancerosas. ligado a marcadores individuais.Th – produz mensageiros químicos e intervém na regulação do processo humoral . as quais promovem o aparecimento de novos antigénio superficiais  A destruição das células cancerosas é feita por linfócitos T que.Proliferação clonal: após a ativação dos linfócitos T.Há rejeição de excertos quando o dador e o recetor pertencem a estirpes diferentes. devido à informação retida pelos linfócitos Tm (memória). Rejeição  A rejeição de excertos de tecidos e órgãos também é responsabilidade do sistema imunitário. O linfócito T com os recetores específicos para o antigénio é ativado . . estes experimentam uma divisão menos acentuada do que nos linfócitos B. em que se verificam diferenças genéticas mais ou menos acentuadas.Os anticorpos produzidos pelas células B podem facilitar ou diminuir a capacidade das células T atacarem e destruírem as células invasoras . .Diferenciação: o estado de ativação leva os linfócitos a produzirem e libertarem mediadores químicos e a diferencia-se em efectoras .  Estas células podem surgir por mutações génicas. depois de ativados pelos antigénios.Tc – produz mensageiros químicos e destroem as células infetadas pelos antigénios . . 30 . libertam substâncias químicas que podem provocar a morte da célula por apoptose. que depois se multiplicam.Ts – regulam o processo humoral e o mediado por células  Os linfócitos T nunca produzem anticorpos. originando clones com o mesmo tipo de recetores. Tc (citolíticos) Ts (supressores) e células de memória – Tm . mas controlam a capacidade das células B nessa produção COOPERAÇÃO ENTRE CÉLULAS IMUNITÁRIAS – esquema 7 das fichas informativas  Os linfócitos B e T influenciam-se mutuamente: ..Seleção clonal: reconhecimento do antigénio apresentado na superfície de uma célula apresentadora (normalmente um macrófago).Quando se reincide o excerto a resposta imunitária é muito mais intensa e rápida.

Muitas vezes utilizam-se antigénios do agente infecioso ou apenas os determinantes antigénicos. produtos químicos e alimentares. Este é ainda submetido a um tratamento com drogas que suprimem a resposta imunitária. mais intensa e mais longa.  Ver fichas informativas Doc. mas as de memória ficam armazenadas no baço e nos gânglios linfáticos. o primeiro encontro com o antigénio provoca a formação de células efectoras e células de memória. surge uma resposta imunitária secundária mais rápida.  Se ocorrer um novo contacto com esse antigénio. sem risco de infeção. esporos. alguns dias.. .  Esta memória é específica. Vacina genética: as mais estudadas são constituídas por plasmídeos de origem bacteriana. vivendo durante muito tempo. Exº: ácaros. geralmente. As efectoras sobrevivem. incorporadas em órgãos vegetais manipulados geneticamente.  Atualmente trabalha-se para se produzir vacinas comestíveis.Para minimizar as rejeições procuram-se tecidos ou órgãos que sejam compatíveis com as características bioquímicas do recetor. começando depois a reduzir progressivamente.5 ALERGIAS  Correspondem a estados de hipersensibilidade imunitária traduzidos por reações aberrantes em relação a antigénios específicos e podem conduzir a lesões de tecidos e órgãos.187  Quando um antigénio é injetado aparece uma resposta imunitária primária.4 e Doc. o que traduz a memória imunitária. que atingem o máximo. cujos anticorpos produzidos seriam específicos para esse novo antigénio. o que poderá tornar as vacinas mais baratas e mais seguras. São inseridos nesses plasmídeos genes que codificam uma ou árias proteínas antigénicas. pólen. preparada em laboratório.  Alergénios: substâncias que desencadeiam as alergias. Memória imunitária e vacinação – ver fichas informativas + pág. pó. pois caso fosse injetado outro tipo de antigénio iria desencadear uma nova resposta primária. Podem ser inofensivas mas para algumas pessoas se comportam como antigénios. de agentes patogénicos mortos ou inativos de modo que não se reproduzam. normalmente sintetizadas por um agente patogénico. por vezes durante toda a vida. Tipos de hipersensibilidade: 31 . traduzida pelo aumento de linfócitos B produtores de anticorpos.Portanto. A vacina desencadeia uma resposta imunitária primária e provoca a produção de células de memória Vacina clássica: solução. mas que devido à sua baixa seletividade podem comprometer a capacidade do sistema imunitário em relação a outras infeções.

r eczema de contacto  Património genético constitui um importante fator de risco na génese de certas alergias. este vai ligar-se ao IgE dos Tipo I se mastócitos. Mecanismos de desencadeamento: . devido à presença de duas hormonas produzidas no pâncreas.Fase de sensibilização: Resulta da síntese de grandes quantidades de imunoglobulina E (IgE) É a mais que se liga aos mastócitos.O timo pode deixar passar linfócitos com moderada ou mesmo elevada afinidade para os antigénios do próprio individuo (quebra da autotolerância) . 32 . Tipo II de 12h Alergias de contacto: Sobreactivação de certas Tardia para se células do sistema imunitário devido à repetida desenvolve aplicação de uma substância sobre a pele.Situação anormal: Uma hiperglicémia crónica que caracteriza a diabetes. Encontram-se no soro dos diabéticos anticorpos contra células das ilhotas de Langerhans. frequente e Resposta secundária: Num 2º contacto com o manifesta.Infeções microbianas ALGUMAS DOENÇAS AUTOIMUNES Diabetes insulinodependente (Tipo 1): .Deleção incompleta de clones autorreativos . Os linfócitos T destroem as células produtoras de insulina. AUTOIMUNIDADE  Surgem quando o sistema imunitário se torna hipersensível a antigénios dos seus próprios tecidos. O complexo antigénio-anticorpo Imedi imediatame ativa os mastócitos e basófilos. uma das quais é a insulina – segregada por células endócrinas chamadas ilhotas de Langerhans.alergénio. São assim produzidos autoanticorpos e células T sensibilizadas contra alguns autoantigénios.Heranças genéticas . afluxo de alergénio. células fagocitárias e secreção de grandes quantidades de muco que causa a contração dos bronquíolos.Situação normal: A concentração de glicose (glicemia) sofre uma variação que é acompanhada de um retorno rápido ao valor normal. Ex. edema. os quais ata nte após o libertam histamina que desencadeia uma contacto resposta inflamatória intensa – vasodilatação com o (diminui tensão arterial). Leva mais Resposta imunitária mediada por células. A insulina permite que a glicose passe do sangue para as células.Outras anomalias imunológicas . . através de mediadores químicos.Ativação policlonal .

em ambientes completamente esterilizados. tendo que viver isolados. As injeções de insulina servem para controlar a diabetes crónica mas não ataca a doença. falta de acuidade visual.Linfomas e outras condições neoplásicas .Desnutrição .Certos linfócitos T reativos confundem determinado antigénio com os autoantigénios do indivíduo e atacam a mielina. SIDA).Em 80% dos casos os sintomas são: perturbações sensitivas.Insuficiência de colostro . Apresentam uma morte precoce.Doença neurológica que se declara entre os 20 e 40 anos. Artrite reumatoide: . IMUNODEFICIENCIAS  Congénita: Exº Indivíduos que não possuem linfócitos T e B. o que leva ao enfraquecimento dos ligamentos e à deformação das articulações Esclerose múltipla: . Viroses indutoras de Exaustão Imunológica.Infeções Virais: Viroses linfotrópicas (ex. . A deficiência é devido a um funcionamento anormal da medula óssea. Pode haver uma pré-disposição genética para a diabetes. são extremamente sensíveis a infeções. . etc. ocorrendo lesões na substância branca dos centros nervosos. insuficiência renal e cegueira.Caracterizada pela destruição (proteólise) das cartilagens pelo sistema imunitário. A mielina dos axónios e células nervosas é destruída por linfócitos T ou por mediadores químicos. 33 . zonas sem mielina e axónios. .Infeções Bacterianas Crónicas (Exaustão Imunológica) . Viroses indutoras de neoplasia linfoide.Administração de Corticoides .Falha na absorção dos anticorpos . Os linfócitos B também produzem os anticorpos contra os constituintes da mielina.Falha na transferência de passiva de anticorpos do colostro . Os macrófagos fagocitam os detritos e apresenta-os ao sistema imunitário. sistema nervoso. formigueiros. a qual pode levar ao mal funcionamento do sistema cardiovascular. desequilíbrio.Stress .Alternam-se períodos de crise com períodos de remissão. gangrena das extremidades.A longo prazo estas lesões levam a uma atrofia do sistema nervoso central. dificuldades motoras dos membros inferiores. Um excerto de medula óssea compatível pode ser um tratamento eficaz  Adquirida: Causas Básicas: . . As crises podem durar vários dias ou semanas deixando ou não sequelas – “cicatrizes” formadas por tecidos de sustentação.Drogas citotóxicas / irradiação .

uma produção diversificada de anticorpos – anticorpos policlonais – que ficam no soro. o qual segregam anticorpos monoclonais com a mesma especificidade conferida pelo LB e são culturas celulares permanentes. .Há. 202 livro . formando assim um hibridoma. enzimas.Quando marcados (por fluorescência. pois estes são-lhe fornecidos (pelo soro)  Imunidade ativa: o organismo é estimulado a produzir anticorpos (pelas vacinas) ANTIBIÓTICOS  São utilizados em baixas concentrações para inibir a multiplicação ou matar certos organismos patogénicos. . levando ao enfraquecimento do sistema imunitário  Uma pessoa infetada com o HIV reage à sua presença através da produção de anticorpos anti-HIV pelos linfócitos B. propriedade conferida pelo mieloma. pelo que a pessoa é denominada de seropositiva e pode transmitir o vírus. que multiplicam-se rapidamente em cultura e algumas perdem a capacidade de produzir anticorpos. . Por isso. radioisótopos. pelo que é difícil a produção de anticorpos monoclonais. teríamos clones produtores de um único tipo de anticorpo – anticorpos monoclonais  pois provêm de um só tipo de clone  Os linfócitos B não sobrevivem mais do que uma semana em cultura. etc. recorre-se aos mielomas (linfócitos B malignos diferenciados em plasmócitos que formam tumores). antídotos contra venenos.Tratamento e controlo de certas doenças – soro antitetânico. terapia tumoral. .Detetar minúsculos conjuntos de moléculas nos tecidos e fluidos .  Procede-se à fusão de um mieloma com um linfócito B ativado. etc. por isso.A seleção clonal dos linfócitos B promove a produção de vários de linfócitos B diferentes e específicos para cada determinante antigénico do antigénio em questão.197 IMPORTÂNCIA BIOMÉDICA DOS ANTICORPOS – ver Ficha de Trabalho .Verificar compatibilidade de tecidos e órgãos para excertos e transplantes.  Imunidade passiva: o organismo não é induzido a produzir anticorpos. Experiência de Fleming – ver pág.Fleming fez uma cultura de bactérias Staphylococcus que foi contaminada com fungos do ar. …) permitem discriminar os antigénios ligados ao anticorpo marcado dos antigénios nãos ligados – testes de gravidez.Se após a estimulação antigénica isolarmos um clone de células B. O HIV é um retrovírus responsável por infetar os linfócitos T4. 34 . derivadas de um único linfócito B. Isto permite a produção de anticorpos em massa Aplicações dos anticorpos monoclonais: . mesmo que não tenha sintomas clínicos – ver fichas informativas + pág.

Fleming fez ainda culturas do fungo em meio líquido. desde a esterilização. Bioconversão e recuperação do produto Preparação do Bioconversão Recuperação do produto material Cultura de células + Separação e rutura das engenharia genética + Fracionamento + células + concentração do fermentação + catálise esterilização produto + isolamento + enzimática + controlo dos purificação fermentadores Esteroides – biomoléculas com diferentes funções.Verificou que à volta do fungo as colónias de Staphylococcus eram raras. etc. . que procuraram fabricá-la em grande escala. que permite a produção em boas condições comerciais dada a sua larga utilização no controlo da natalidade. Este processo tecnológico inclui 3 fases: preparação do material. a penicilina foi largamente utilizada pelos exércitos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. à temperatura.hormonas sexuais (estrogénios e progesterona). Vitaminas – vitamina B12 e riboflavina são produzidas industrialmente por fermentação direta. a que deu o nome de penicilina.. Biotecnologia: ciência que utiliza organismos vivos para a produção ou transformação de substâncias úteis ao Homem Bioconversão (biotransformação): Baseia-se na capacidade dos microorganismos realizarem certas reações químicas que ultrapassam a capacidade de síntese química e que são economicamente favoráveis.Então fez uma cultura do fungo Penicillium notatum e contaminou-a com bactérias patogénicas diferentes e em bandas isoladas. o pH. Para estimular uma produção com maior rendimento é possível: . Podem ser sintetizadas por bioconversão. Assim.Provocar mutações e selecionar mutantes mais produtivos . filtrou-as e verificou que o filtrado impedia o desenvolvimento das mesmas bactérias . utilizando culturas de certas bactérias para a 1ª ou fungos para a 2ª.  A penicilina foi depois isolada e purificada por Florey e Chain.Muitas bandas começaram a desaparecer a partir do local onde estava o fungo.Fornecer nutrientes necessários para os micro-organismos . em condições perfeitamente controladas. que impedia o desenvolvimento de certas bactérias. . . Ex.  Atualmente os antibióticos são produzidos por processos de fermentação em aparelhos designados biorreactores ou fermentadores. insulina) 35 . mas que convergiam para o local onde estava o fungo.Através da engenharia genética é possível incorporar numa bactéria uma sequência de DNA humano que codifica determinada proteína (ex.Evitar contaminação Micro-organismos na produção de proteínas humanas: .Concluiu que os fungos produzam uma substância.

As substâncias produzidas não são contaminadas. são mais facilmente purificadas.Baixa nos níveis dos lençóis freáticos.Uma enzima corta o DNA de um linfócito humano nas zonas de restrição.A partir do mRNA que codifica a hormona. O mesmo acontece com o plasmídeo da bactéria.Existem riscos que levantam problemas de ordem ética PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E SUSTENTABILIDADE . são mais específicas e podem ser produzidas em grande escala Desvantagens da biotecnologia: . obtido a partir de uma biopsia das vilosidades coriónicas . O plasmídeo recombinante é introduzido na bactéria que produz o interferão. .Degradação dos solos.  Hormona de crescimento: uma lesão ou deficiência no lobo anterior da hipófise em criança pode provocar atrasos no crescimento ou mesmo nanismo.Permite produzir vacinas em organismo não patogénicos . Por isso recorre-se à biotecnologia microbiana: . As ligases unem o plasmídeo aberto e o gene humano isolado. . Este é integrado no DNA da bactéria Escherichia coli juntamente com uma sequência de DNA regulador.Perda de biodiversidade ao substituir as variedades selvagens por sementes selecionadas. sem comprometer a capacidade das gerações seguintes satisfazerem as suas necessidades MICROBIOLOGIA E INDÚSTRIA ALIMENTAR 36 .Foi responsável por: .Permitiu reduzir a fome nos países onde foi aplicada CONTRAS: . .Revolução verde (1960-1970): plano alimentar baseado nas inovações tecnológicas que visava satisfazer as necessidades alimentares dos países menos desenvolvidos.Aumento da poluição (uso de fertilizantes e pesticidas químicos) .Permitiu a produtividade em certos setores agrícolas (produção de arroz e milho) .Permite detetar anomalias a partir do cariótipo do feto. .Desenvolvimento sustentável: que satisfaz as necessidades das gerações presentes. Algumas Vantagens da biotecnologia: . existente na hipófise. PRÓS: . permitindo a sua autossuficiência. faz-se uma transcrição reversa produzindo cDNA. Interferões: os interferões produzidos por organismo manipulados são utilizados no tratamento de cancros. A bactéria em cultura produz a hormona em grandes quantidades sem qualquer contaminante de natureza humana.

na ausência de oxigénio. o azedar da cerveja e do vinho era causado por bactérias. para destruir as bactérias.Apresentam pequenas dimensões . queijo.A milhões de anos atrás. etc) sem que este soubesse da sua existência . a partir da FERMENTAÇÃO ALCCÓLICA . cerveja. que origina etanol por redução: 37 .Grande diversidade metabólica e nutricional sua grande utilidade na produção de substâncias úteis .Grande capacidade de se reproduzirem ao Homem rapidamente METABOLISMO AERÓBIO E ANAERÓBIO POSSÍVEIS SUBSTRACTOS: .Glicólise: ocorre a degradação da glicose em piruvato .Apresentam baixo grau de diferenciação Justificam a . originando-se um composto com 2 átomos de carbono (aldeído acético).Louis Pasteur foi o 1º cientista a pôr em evidência a atividade de microorganismos na alteração dos alimentos.Redução do piruvato: conduz à formação dos produtos de fermentação FERMENTAÇÃO: Obtenção de energia. vinho.Proteínas REACCÇÕES ENZIMÁTICAS QUE OCORREM NO HIALOPLASMA: .Podem existir sob forma subcelular (vírus) ou celular . os micro-organismos proporcionaram a produção de alimentos ao Homem (pão.Hidratos de carbono . o azedar do leite podia ser evitado pelo aquecimento. Demonstrou que a produção do vinho é feita por fermentação produzida por leveduras.Lípidos .Podem produzir estruturas pluricelulares observáveis a olho nu . manteiga.. Micro-organismos: .Após a glicólise ocorre a descarboxilação do piruvato.

utilizando diversos açúcares como substrato .Após a glicólise.Na panificação as leveduras produzem uma série enzimas que lhes permite decompor o amido da farinha em compostos mais simples. por fermentação. pois bactérias aeróbias do género Acetobacter desenvolvem-se sobre a superfície.Intervêm lactobactérias do género Lactobacillus e Streptoccocus que desencadeiam reações de fermentação no leite. o qual pode originar as bolhas de algumas bebidas fermentadas.O leite é pasteurizado para eliminar micro-organismos endógenos.O vinho deixado em contacto com o ar pode produzir vinagre. . produzem álcool e CO2.Alguns queijos experimentam um tratamento onde se favorece o crescimento de fungos . o piruvato experimenta redução. se a cultura de arranque for de estirpe pura. o seu sabor será suave. originando-se ácido láctico. . que se transforma em ácido acético.. 38 . . AÇÃO DAS ENZIMAS  Para que se inicie uma reação química é necessário haver colisões entre os átomos das moléculas envolvidas. . Caso a estirpe for mista. formando-se espaços do interior do pão. combinando-se com o hidrogénio transportado pelo NADH.O etanol evapora-se e o CO2 fica retido. sendo-lhe depois acrescentadas culturas de arranque.No caso dos queijos. que altera o pH do meio. FERMENTAÇÃO LÁCTICA . para iniciar o processo. A cozedura mata as leveduras e faz expandir o CO2. provocando a coagulação do leite. formando bolhas que faz aumentar o volume da massa. terão um sabor mais acentuado.As leveduras convertem os hidratos de carbono do mosto da uva ou da cerveja em etanol e CO2. . oxidando o etanol. os quais.

São específicas .O não funcionamento de uma enzima na cadeia enzimática conduz à acumulação de um dos produtos intermediários. mais facilitada será a reação química entre os reagentes. .Não alteram o equilíbrio químico das reações .Enzima exocelular: atua fora da célula em que é produzida. os produtos intermédios servem de substrato à reação seguinte.A configuração espacial de uma enzima determina a existência de uma pequena região – centro ativo – que é complementar da configuração espacial do substrato (no todo ou em parte) .São inibidas a temperaturas muito baixas . têm maiores dimensões do que o substrato .Fazer baixar a energia de ativação das reações .No mínimo.Não são destruídas ao participarem na reação . . a sua estrutura tem que ser ternária .Enzima endocelular: atua dentro da célula em que é produzida. não se formando os produtos seguintes .Em regra.Especificidade absoluta: a enzima atua sobre uma única substância (substrato) . Quanto maior for o número de colisões (maior agitação corpuscular).Substância não proteica  Cofactor 39 .Especificidade relativa: a enzima atua sobre um grupo de substâncias com algumas afinidades entre elas Estrutura das enzimas: .É ao nível do centro ativo que se faz a ligação que forma o complexo enzima-substrato . .São destruídas a temperaturas elevadas .São proteínas constituídas por uma ou mais cadeias polipeptídicas. até à formação do produto final.A longa cadeia polipeptídica dobrada permite a adaptação da molécula através de alterações conformacionais .Componente proteica  Apoenzima .São catalizadores químicos e biológicos .Atuam em reações de anabolismo e catabolismo  Cadeia enzimática: sequencia de enzimas que funcionam em cooperação num conjunto de reações  Via metabólica: conjunto ordenado de reações que ocorrem com intervenção de uma cadeia enzimática .Numa via metabólica. Energia de ativação: energia mínima necessária para que se inicie uma reação química Características/ Propriedades das enzimas: . .

MODELOS DE LIGAÇÃO ENZIMA–SUBSTRATO:  MODELO “CHAVE-FECHADURA” DE FISHER .Baseado na especificidade da ação enzimática .Iões metálicos que ligados à apoenzima permitem uma melhor ligação da enzima ao substrato . Características comuns dos centros ativos: . até que todo este seja transformado em produto.O centro ativo tem estrutura permanente onde apenas se pode ajustar um tipo de substrato .Mais tarde.O nº de centros ativos de uma enzima é variável (quando intervêm cofactores há centros ativos adicionais) Variação dos intervenientes numa reação enzimática:  Inicialmente há uma grande concentração de substrato em relação à enzima livre .  À medida que a enzima cataliza a reação.O substrato liga-se à enzima formando complexos enzima-substracto (ES) Enquanto a concentração de enzima livre e de substrato diminui.Apoenzima + Cofactor  HOLOENZIMA Reações de síntese (anabolismo): enzima + 2 substratos = 1 produto Reações de análise (catabolismo): enzima + 1 substrato = 2 produtos  As ligações enzima-substrato são transitórias. a concentração de produto vai aumentando  Há uma estabilização das concentrações de enzima livre de do complexo ES. derivados vitamínicos.Coenzimas (Q10. A.  A partir do momento que a concentração do substrato atinge valores baixos. podendo depois ligar-se a novas moléculas de substrato.Correspondem a uma fenda ou cavidade na estrutura da enzima . Depois de atuar a enzima fica livre. etc): compostos orgânicos que se ligam temporariamente durante a catálise. Os cofactores podem ser: .Ocupam uma pequena parte do volume total da enzima . este modelo foi considerado muito rígido e estático 40 . a concentração da enzima livre aumenta ligeiramente. o que significa que a velocidade de formação de ES é igual à velocidade da separação da enzima e do produto.A especificidade da ligação ao substrato depende do arranjo dos átomos no centro ativo . a concentração do complexo ES aumenta.

Existe uma interação dinâmica entre enzima e substrato . de modo a que os aminoácidos do centro ativo se adaptem. 41 . formando um centro ativo complementar do substrato . induz uma mudança na estrutura da molécula enzimática. MODELO DO “ENCAIXE INDUZIDO” DE KOSHLAND .Este modelo permite explicar a atividade de certas enzimas que atuam sobre substâncias ligeiramente diferentes.O substrato. ao ligar-se à enzima.

normalmente.Inibição alostérica (não competitiva): algumas enzimas contêm. pelo que a inibição depende apenas da concentração do inibidor. até esta se anular. liga-se ao centro ativo da enzima.  Quando o produto final está em excesso. outras em meio neutro e outras em meio básico. O aumento da temperatura acima da temperatura de desnaturação afeta a estrutura da enzima e a estabilidade do complexo ES  desnaturação da enzima. provocando a paragem da sequência metabólica. . as moléculas desse produto vão inibir a 1º enzima. provoca uma diminuição da sua atividade catalítica. a enzima fica não funcional. por isso. a partir do qual 42 . (Antibióticos. Ao aumentarmos a concentração do substrato em relação à do inibidor.Inibição irreversível: o inibidor combina-se permanentemente com a enzima. desnaturando a enzima. a ligação do inibidor provoca uma alteração estrutural na enzima que afeta o seu centro ativo e. 3. A partir da temperatura ótima verifica-se então um declínio da velocidade da reação.Inibição reversível: o inibidor dissocia-se rapidamente da enzima e a enzima permanece funcional. que será retomada logo que deixe de haver excesso de produto final.  Muitos inibidores são substâncias celulares que regulam a atividade enzimática. Este controlo representa uma economia celular! FATORES QUE INFLUENCIAM A ATIVIDADE ENZIMÁTICA 1. Esta inibição tem maior tendência a ser irreversível do que a inibição alostérica. um centro alostérico (centro regulador) onde podem ligar-se inibidores que não têm estrutura semelhante à do substrato. (Gás cianídrico. o produto de uma atividade enzimática pode controlar a atividade de outra enzima.) . . Temperatura: Baixas temperaturas provocam.) .INIBIÇÃO DA ATIVIDADE ENZIMÁTICA Inibidor enzimático: substância que. quando interatua com uma enzima. inativando-a ou mesmo destruindo-a. Concentração do substrato: a velocidade da reação é proporcional à concentração do substrato até a um valor máximo. combinando-se reversivelmente com enzimas. impedindo a ligação do substrato. Há enzimas que têm a sua atividade ótima em meio ácido. A partir de uma temperatura mínima a velocidade da reação aumenta com a temperatura. devido à compactação das moléculas. Por isso. resistente à ação enzimática. Apesar do substrato e do inibidor poderem ligar-se à enzima. para além do centro ativo.Inibição competitiva: (ex: sulfamidas) uma molécula estruturalmente semelhante ao substrato (inibidor). pH: pode alterar a estrutura do centro ativo. a inativação das enzimas. pesticidas. etc. uma vez que a energia de ativação também aumenta até um valor ótimo. 2. a probabilidade da ligação enzima-substrato vai aumentar. Não há competição pela ocupação do centro ativo. etc.

Desse modo. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS ENZIMAS . acrescenta-se o sufixo –ase  o problema é que não especifica o tipo de transformação que ocorre durante a catálise . A velocidade máxima é atingida quando todas as moléculas da enzima estiverem ocupadas em catálise. Inibição alostérica: ação dos inibidores é independente da concentração do substrato. 5. 4. não há enzimas livres. a velocidade da reação é diretamente proporcional à concentração da enzima. MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS 43 .Inibição competitiva: um aumento da concentração do substrato (até um certo ponto). os centros ativos das enzimas atingem a saturação. Haverão tantas moléculas inibidas quantas moléculas de inibidor existirem.estabiliza.Comissão para as Enzimas da União Internacional de Bioquímica (1961): as enzimas dividem-se em 6 classes: CONSERVAÇÃO. Concentração da enzima: quando a concentração do substrato é elevada. A inibição poderá ser ultrapassada fazendo aumentar a concentração da enzima. Inibidores: a.Designação estabelecida por Duclaux (1883): a partir do nome do substrato sobre o qual atuam. faz aumentar a velocidade da reação (há mais possibilidades da enzima encontrar as moléculas de substrato) b.

Processamento de matérias-primas para produzir alimentos estáveis. álcoois e substâncias gasosas 44 .Os aditivos devem responder a uma necessidade tecnológica e apresentar vantagens para o consumidor. . desde que inofensivos para a saúde.  O consumo de alimentos frescos nem sempre é possível. . os produtos podem ser transportados a grandes distâncias e passar por um longo período de armazenamento antes de serem consumidos. Alimentos seguros: não prejudicam a saúde do consumidor quando preparados e ingeridos de acordo com as condições corretas de utilização. .Alguns são úteis.A distribuição de alimentos até ao consumidor final com garantias de qualidade.Os principais agentes de alteração alimentar são as bactérias. . mantendo o seu aspeto e consistência.Os hidratos de carbono podem fermentar com produção de ácidos. decompondo-se em ácidos gordos e glicerol . amoníaco e ácido sulfúrico. Das condições de higiene no manuseamento dos alimentos. como os que contribuem para evitar o aparecimento de micro-organismos. com libertação de aminoácidos. . aminas. mas alguns ocultam a falta de certos ingredientes ou a utilização de outros sem qualidade. ficando assim sujeitos a diversos micro-organismos. PROCESSOS DE CONSERVAÇÃO Aditivos alimentares: substâncias adicionadas pelos fabricantes aos alimentos com o objetivo de prolongar a sua conservação e de os tornar mais atraentes.A utilização de micro-organismos ou produtos da sua atividade. Por outro lado. degradando as proteínas. Das condições de armazenamento. havendo necessidade de serem conservados. disponíveis e seguros por parte das indústrias alimentares inclui: . .A alteração dos alimentos causada pelos micro-organismos é um processo normal na natureza A quantidade e qualidade dos micro-organismos presentes num alimento processado dependem: Da qualidade microbiológica do produto quando fresco. Existem mais de 300 aditivos autorizados pela UE. Dos procedimentos seguidos durante o seu processamento.Alguns dos micro-organismos são proteolíticos. .A produção de alimentos saborosos.As gorduras também se alteram. seguindo-se os bolores e as leveduras .

.Todos os alimentos têm tendência a deteriorar-se devido às enzimas intrínsecas Ervas aromáticas. cebola.Novos compostos químicos intervêm na intoxicação alimentar. Os métodos de controlo devem ser simples e rápidos e estar em contínua atualização. . . incidindo sobre todas as etapas do processamento de alimentos. ovos e leite são alimentos que apresentam substâncias antimicrobianas. 45 .Os alimentos crus e os alimentos cozinhados não devem ser guardados em conjunto .As técnicas de conservação nem sempre impedem a deterioração microbiana dos alimentos  O controlo de qualidade dos alimentos faz parte da indústria alimentar. exigindo novas necessidades de controlo.Novas tecnologias industriais são desenvolvidas. Como minimizar a alteração dos alimentos por micro-organismos (em casa): . porque: .Os alimentos não devem ficar expostos ao ar na superfície de trabalho .Novos agentes biológicos se tornam patogénicos.Os alimentos que foram congelados não devem ser recongelados . alho.

Conservação de alimentos MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS 46 .

 O desempenho dos micro-organismos é influenciado pelas condições em que se expressa a informação genética.Escolher estirpes melhoradas para aumentar o rendimento (otimização do produto) . produzindo compostos de grande utilidade. temperatura. pH.Que o meio de cultura e os micro-organismos estão devidamente misturados .Assegurar as condições de assépticas para que as culturas não sejam contaminadas com outros micro-organismos .Identificar claramente a atividade das estirpes bacterianas e o produto pretendido (raramente se utilizam estirpes selvagens pois a quantidade de metabolitos é muito baixa) . etc) Fases de um processo industrial que utiliza micro-organismos: Seleção de microMelhorame nto da Matériasprimas e préPreparação do meio de Fermentad or Controlo das Recuperação e formulação do Durante o processo é necessário: . esterilização. Foi ultrapassado pela Técnica do DNA recombinante que tem tido um grande impacto na microbiologia industrial. No processo industrial todos os fatores devem ser rigorosamente controlados (pH. assegurando a estabilidade genética dos micro-organismos e a qualidade do produto Rendimento: grau de bioconversão do substrato 47 . Um processo bem sucedido depende do equilíbrio entre a redução de contaminação e otimização do produto. Utilidade dos micro-organismos deve-se: à sua diversidade metabólica e nutricional associada à capacidade de se reproduzirem rapidamente.  Melhoramento não recombinante de estirpes é um método tradicional de mutagénese que produz resultados rápidos e vantajosos.  Muitas vezes.Assegurar as condições ideais de temperatura. arejamento e dispersão de calor. em situações de carência de nutrientes específicos os micro-organismos otimizam a produção de metabolitos. humidade. humidade.

Produtividade: rapidez com que o processo se desenvolve. a partir dos quais pode formar-se outro açúcar. Lisina: suplemento na alimentação humana.Alguns nucleótidos também servem para realçar o sabor dos alimentos. a frutose. Ácido glutâmico: realça o sabor dos alimentos. Processos de imobilização de enzimas: 48 . Síntese de riboflavina: química e bioquímica competitivas. Algumas são produzidas por fermentação direta utilizando micro-organismos (B12 e riboflavina). Ácido cítrico: o único produzido exclusivamente por micro-organismos. cítrico) embora a síntese química seja economicamente competitiva. . As amilases promovem conversão do amido em açúcares. Este processo é catalisado só por enzimas microbianas e tem sido importante devido ao aumento do preço do açúcar em relação ao preço do amido. Vitaminas: essenciais para nutrição animal. tendo grande aplicação como aditivo em doces e refrigerantes. Proteases bacterianas são produzidas em maior quantidade. Enzimas: aplicadas na indústria alimentar. láctico. aditivo de rações alimentares. complexa e economicamente viável. que tem elevado poder adoçante. Síntese de B12: bioquímica. Ácido glutâmico e lisina são os produzidos em maior quantidade. Aminoácidos e nucleótidos: aplicados na industria alimentar. Ácidos orgânicos: podem ser produzidos por fermentação microbiana (ácido acético.

As enzimas imobilizadas têm sido utilizadas em: .Permitem detetar álcool no sangue. .Possuem elevada sensibilidade e especificidade. glicose em fluidos orgânicos.Produção de antibióticos .Conversão da glicose em frutose . .Redução dos níveis de lactose no leite . micro-organismo e suas aplicações: 49 . detetando o substrato em concentrações muito baixas.Podem ter um vasto campo de aplicações no controlo da poluição e gestão do ambiente. .Produção de biossensores Biossensores: dispositivos analíticos pouco complexos que incorporam um agente biológico como parte fundamental. Enzimas. permitindo o reconhecimento e a quantificação de um dado composto a analisar. drogas na urina. etc.

salsicha. requeijão. molho de soja fermentado.Uma função catabólica degradação de compostos complexos em simples.Capacidade para degradar as paredes celulares celulósicas (não digeríveis pelo ser humano). tornando a estrutura do alimento mais permeável à saída dos compostos nutritivos que estão no interior. iogurte.TRANSFORMAÇÕES BIOTECNOLÓGICAS DOS ALIMENTOS 1) Transformação por Catálise Microbiana: intervêm micro-organismos 2) Transformação por Catálise Enzimática: intervêm enzimas produzidas por micro-organismos (temperatura e pH neutros) 3) Transformação Genética: há alteração no património genético ALIMENTOS OBTIDOS POR: 1) Catálise microbiana: couve fermentada. vermute. piclkes. 50 . pão. cerveja. vinho. .  Em geral. a fermentação implica um ganho no valor nutritivo dos alimentos Os micro-organismos possuem: . queijo. whisky.Uma função anabólica  síntese de substâncias essenciais à nutrição do homem . chouriço. Hoje conhecem-se 1500 enzimas. rum. 2) Catálise enzimática: somente em 1926 Summer isolou e purificou a primeira enzima (urease) a partir de feijocas.

Aumento da população humana . algodão.Desflorestação e incêndios DESFLORESTAÇÃO: destruição intensiva dos habitats florestais tem assumido proporções alarmantes.Caça/pesca furtiva e comercialização ilegal de espécies .Introdução de espécies que competem com as espécies selvagens . frutas. vento. é necessário conhecer os objetivos visados e os riscos adicionais. Principais causas da desflorestação: . Fatores abióticos: condições físico-químicas – temperatura. arroz. pressão. soja. Fatores que contribuem para a extinção de espécies  ameaças à Biodiversidade: . etc 3) Manipulação genética: possibilita a modificação dos processos alimentares.Um conceito dinâmico que se expressa nas interações recíprocas entre os seres vivos e o meio. Uma opinião pública cada vez mais informada exigirá um maior controlo desses processos e produtos EXPLORAÇÃO DAS POTENCIALIDADES DA BIOSFERA Biosfera: subsistema terrestre que inclui todos os organismos existentes e as suas inter-relações.Incêndios florestais 51 .Conversão em áreas agrícolas .Um conceito funcional que sublinha a participação ativa do mundo vivo na criação e dinâmica do ambiente físico e químico. bem como os ambientes em que se desenvolvem.Agricultura e industrialização . sumos de frutas. controlo da qualidade e desenvolvimento de novos produtos.  Transgénicos: tomate. leveduras. posição geográfica. milho. altitude. humidade. . etc.Poluição das águas e solo . vinho. relevo. . > A engenharia genética trouxe benefícios no processamento industrial de alimentos e na sua qualidade. pão. constitui uma ajuda na resolução de deficiências alimentares a nível mundial. carnes. > Criar uma regulamentação relativa aos riscos de cada OMG antes de chegar ao mercado > Novos processos na biotecnologia  Novos produtos  Novos problemas de segurança alimentar. Biodiversidade: multiplicidade de seres vivos que se agrupam em populações que pertencem a diversas espécies que interagem numa variedade de comunidades e de ecossistemas e que se diferenciam individualmente a nível genético. etc. peixes. Hidrólise em carnes (para ficar mais tenra). hidrólise da lactose no soro do leite (tornar o soro doce). > Contudo.

alternadamente. de modo que em cada ano todas as parcelas sejam cultivadas com diferentes espécies.Desde a preparação do solo para a plantação até à colheita. renovação e purificação do ar.Fragmentação devido à construção de vias de comunicação e expansão de centros urbanos . Nessa parcela desenvolvem-se plantas espontâneas ou semeadas.Pesticidas e fertilizantes em excesso poluem o ambiente Intensificação da agricultura causa degradação ambiental: 52 . praticada individual ou coletivamente.Poluição atmosférica . que em muitos casos são adubos verdes . . Monocultura: .  Pousio – o terreno agrícola é dividido em áreas. AGRICULTURA: (Ver ficha de apoio) a agricultura tradicional em regime de policultura. nos quais algumas áreas tinham sido destruídas pelas chuvas ácidas.Sobrexploração de madeiras . sem disso resultar um aumento significativo de rendimento.  Associação de culturas – diversas áreas com diferentes características. ficando uma delas. pelo solo e pelo ar .Rotação de culturas . humidade. aplicação de fertilizantes e de pesticidas.Utilizam-se fertilizantes sintéticos. por vezes em quantidades excessivas.Associação de espécies com diferentes necessidades de nutricionais . irrigação. que permitiu o desenvolvimento de técnicas no sentido de uma melhor rentabilidade do solo.  O aumento da área florestal fora dos trópicos deve-se às plantações efetuadas em certos países industrializados. evita erosão dos solos e torna-os mais férteis.Baseia-se no conhecimento empírico. para além de abrigar uma enorme diversidade de espécies. constituindo o adubo verde. ao longo do tempo.Introdução de espécies exóticas  As florestas são importantes para a regulação do clima.. .No combate às doenças são utilizados pesticidas que se espalham pelas águas. . Agricultura tradicional: .Rega com água dos rios ou poços.A rentabilidade das grandes plantações assenta nos avanços tecnológicos . com rotatividade de culturas. por cultivar durante algum tempo. que mais tarde são enterradas antes da nova cultura.Pousio de terrenos após a colheita . onde só se cultiva uma espécie vegetal em grande escala. cultivadas simultaneamente. todo o trabalho é efetuado por máquinas: monda.Aplicação de adubos orgânicos.  Rotação de culturas – o terreno agrícola é dividido em áreas. foi substituída por uma monocultura. previamente selecionadas.

53 . Muito mais pobres em biodiversidade. salinização. . muitas vezes em quantidades excessivas. não sendo absorvidos pelas raízes e ocasionando a poluição do ambiente. morte de peixes e predadores Ecossistemas agrários ou agrossistemas: ecossistemas artificiais resultantes das condições ecológicas anormais impostas pela agricultura. perda de fertilidade.A colheita retira o total das plantas e deixa o solo praticamente sem resíduos orgânicos. Têm vindo a desenvolver-se técnicas de agricultura com objetivo de melhorar a produtividade e diminuir o impacte nos ecossistemas naturais: Cultivo de plantas em estufa. Permitem ajustar a temperatura. poluição de aquíferos e linhas de água superficiais 3) Poluição do ar: emissão de gases de estufa. desertificação 2) Poluição da água: gasto excessivo de água.As espécies vegetais selecionadas mobilizam os minerais do solo. ficando os solos rapidamente impróprios para novas plantações. . poluentes e pesticidas 4) Riscos para saúde: contaminação da água e comida por pesticidas e agentes patogénicos 5) Perda de biodiversidade: perda de habitats. mas sem a intervenção do agricultor não há restituição desses mesmos minerais. com ou sem solo: mantém um ambiente favorável às plantas em crescimento. a luz e a concentração de CO2 de acordo com as exigências das espécies cultivadas e obter colheitas precoces e com melhores rendimentos.1) Degradação dos solos: erosão. São então utilizados fertilizantes sintéticos.

 Algumas soluções para a desertificação: .Agricultura biológica: sistema de produção baseado no funcionamento do ecossistema agrário. .CULTIVO DE PLANTAS A seleção de sementes. couve de Bruxelas. reduzindo a desertificação . como por exemplo resistência a doenças e a pragas. Erosão: processo que ocorre naturalmente.  Vantagens: . mas a ação humana é responsável pela aceleração deste processo. CRUZAMENTO DE PLANTAS E CRIAÇÃO DE ANIMAIS Reprodução seletiva: seleção de plantas e animais que apresentam determinadas características com interesse. (ex. repolho. etc) .Após a colheita deixar sobre o terreno os resíduos das culturas ou a cobertura herbácea.Recorre-se à reprodução assexuada em que os descendentes apresentam características idênticas às do progenitor.A seleção de plantas por reprodução sexuada é lenta e implica variabilidade genética dos descendentes devido às recombinações genéticas. salvo rara exceções. . de novas variedades por cruzamento entre plantas e isolamento progressivo. conduziu à obtenção de novas plantas.Fertiliza os solos.Protege a saúde dos agricultores .Preserva a vida rural . A agricultura biológica também usa “químicos” pois estes fazem parte da constituição de todos os materiais. couve-flor.Respeita a vida selvagem e os ambientes naturais .Usa racionalmente a água e preserva os aquíferos . com o objetivo de maior produtividade. que terá grande interesse económico. 54 . Muitas das técnicas são idênticas às da agricultura tradicional.Distribuição adequada das culturas de acordo com o terreno. cujo programa genético associa carateres que existiam separados nos progenitores. trigo. Substituem-se os agroquímicos por fertilizantes e pesticidas de origem vegetal. mas. animal ou mineral. Desertificação: consequência da transformação dos solos em terrenos semiáridos ou mesmo áridos devido a mudanças climáticas ou à ação humana. a manutenção e a melhoria da fertilidade do solo.Reduz o impacte sobre a biodiversidade . . brócolos. não usa componentes químicos sintéticos.Permite uma autêntica segurança alimentar DEGRADAÇÃO DOS SOLOS: o solo é uma película muito fina e frágil à superfície dos continentes. como o cultivo em socalcos ou a plantação de sebes em volta da área agrícola. podendo mesmo conduzir à desertificação.Produz alimentos saudáveis ricos em nutrientes . Utiliza práticas agrícolas que fomentam o equilíbrio do ecossistema.

 Pode-se recorrer à agricultura biológica para a criação de animais. praticamente. As bactérias consomem menos nutrientes e produzem menos produtos tóxicos. Tudo isto trás vantagens para o agricultor. Razões que levam à seleção de animais:  Produção de melhor carne. associa-se uma planta com bom sistema reticular (porta-enxerto) com uma planta que produz bons frutos (enxerto) .Na enxertia. mas com consequências nefastas para os seres humanos e o próprio meio: .CRIAÇÃO DE ANIMAIS . pois envolve menos custos. TÉCNICAS MODERNAS DE REPRODUÇÃO SELETIVA: . em regra. quer na redução da toxicidade.Hormonas sintéticas: servem para acelerar o crescimento dos animais.CLONAGEM DE PLANTAS Clonagem por micropropagação: Permite a propagação rápida com interesse económico no domínio da agricultura e floricultura. qualquer tipo de tecido ou mesmo de células isoladas.A partir do séc. Mergulhia.Processos de reprodução artificial: Estaca. O sémen de animais com melhores características pode ser criopreservado e depois vendido aos criadores de gado. Etapas do processo: 55 . mas têm como principal efeito secundário aumentar a proporção de massa muscular em relação às gorduras.285) . São usadas pelos veterinários para tratar a asma ou reduzir os abortos. onde estes são considerados parte de um todo em equilíbrio que integra solo.XX a inseminação artificial passou a ser utilizada. leite e ovos  Produção de pele de melhor qualidade  Obtenção de maior descendência  Obtenção de animais mais resistentes a doenças e parasitas  Para melhorar a produção animal são utilizados métodos industriais procurando a rentabilidade máxima. Podem surgir alergias e resistência aos antibióticos. Porém. Há um ganho para os animais quer em nutrientes. o uso de antibióticos pode causar danos para a saúde do consumidor. É possível obter novos indivíduos a partir de. Enxertia (p. .Antibióticos: inibem mecanismos da flora bacteriana intestinal dos animais.Efetua-se o cruzamento entre animais com certas características para se obter linhas puras . plantas e animais. Alporquia. principalmente quando o uso é exagerado.

continuam a desenvolver-se antes de passarem para o ar livre. Clonagem de plantas Vantagens Produção numerosa. citocininas. ácido abcísico. que será colocado num meio com elementos nutritivos e hormonas vegetais (oxinas. Esta totipotência é crucial nos processos de clonagem. 56 . 3) Micropropagação ou enraizamento (4 semanas mais tarde): os microrrebentos transformam-se em calos que são transportados para um meio contendo somente elementos nutritivos. 6 semanas mais tarde obtémse a plântula.1) Colocar em cultura (1º dia): Uma folha é colocada em líquido desinfetante e depois lavada com água destilada. o explante. etileno) 2) Micropropagação (6 semanas mais tarde): forma-se o tecido caloso (calo). juntamente com a parede celular. as células diferenciadas podem perder a sua especialização. homogénea e económica Utilização de um só indivíduo. pode ser degradada por processos mecânicos ou enzimáticos levando ao isolamento de células vegetais sem parede  protoplastos  podem regenerar plantas inteiras quando colocados em meio de cultura em condições assépticas. colocadas em vasos com terra. giberelinas. rápida. 4) Aclimatização (15 dias mais tarde): após o desenvolvimento de pequenas plantas. um maciço de células indiferenciadas provenientes da desdiferenciação* das células da planta em multiplicação in vitro. elas são removidas para a estufa onde. *desdiferenciação: em determinadas circunstâncias. Fragmenta-se o calo em microrrebentos que são colocados em meios de cultura adequados. Remove-se uma pequena porção. tornando-se indiferenciadas com capacidade para se dividir e originar por diferenciação outros tipos de células. selecionado pelas suas características – melhoramento genético As plantas apresentam maior vigor As características selecionadas encontram-se em todo o clone Diminuição do espaço de trabalho Desvantagens Técnica altamente especializada Pode conduzir a uma redução considerável da diversidade das espécies cultivadas A homogeneidade das culturas pode torná-las mais sensíveis a doenças REGENERAÇÃO DE PLANTAS A PARTIR DE PROTOPLASTOS As células vegetais encontram-se ligadas às células adjacentes por uma matriz de pectinas que.

Numerosa descendência.Ciclo de vida curto. aumentando a biodiversidade A engenharia genética possibilitou: resistência às doenças. melhoramento de qualidades nutritivas.ENGENHARIA GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS Técnica do DNA recombinante: possibilitou a manipulação do genoma de plantas. adaptação a condições ambientais extremas. alterando as características genéticas e reduzindo o tempo necessário para a produção de novas variedades. o que permite uma seleção rápida de novas características .Podem ser autofecundadas. produção de compostos com interesse económico. introduzindo novos genes específicos. permitindo a fixação de uma nova característica introduzida . o que permite o aparecimento de mutações raras. As plantas possuem características que facilitam o melhoramento genético: . resistência a condições ambientais extremas e outras características de melhoramento de plantas.  Um dos fatores preocupantes e difíceis de controlar é a transferência de genes geneticamente manipulados para correspondentes selvagens através da dispersão de pólen Obter milho resistente à pirale: 57 .

quer naturalmente quer artificialmente. Injeta-se na vaca a hormona FSH. mas reduz a variabilidade genética das espécies. a qual provoca uma ovulação múltipla 3.. Quando os embriões atingem o estado de 4 a 8 células. Cada célula é totipotente. Sujeita-se a vaca a uma hiperestimulação ovárica 2.A utilização de plasmídeos de Abrobacterium tumefaciens e de Abrobacterium rhizogenes na transferência de genes deve-se à capacidade destes micro-organismos do solo de . formando novos embriões. A fecundação in vitro inicia-se e os embriões começam a desenvolver-se. O esperma recolhido do touro é adicionado aos óvulos 5.CRIAÇÃO DE ANIMAIS As técnicas de inseminação artificial. e injeções de progesterona asseguram que o útero esteja pronto para permitir o implante. a fecundação in vitro e a transferência de embriões aceleraram o processo de melhoramento genético de algumas espécies. Os óvulos são aspirados e colocados num fluido semelhante ao que existe no oviduto da vaca 4.Apesar das vantagens trazidas pela toxina Bt. Os embriões podem ser separados por sexo e por genes necessários para produzir as características selecionadas (produção elevada de leite). . Etapas da FIV e transferência de embriões: 1. sendo a cultura mantida sob condições controladas 6.Descobriu-se que a bactéria Abrobacterium é um vetor natural de transferência de genes. considerada mãe de aluguer. pois reduz o número de alelos do fundo genético. 58 . . diminuindo a probabilidade de serem produzidas novas variedades.  A clonagem é um processo rápido que envolve poucos custos e produz um elevado número de organismos geneticamente idênticos. Cada embrião é implantado no útero de uma vaca. pois pode prejudicar outros organismos. 7. as células podem ser separadas e colocadas num meio de cultura. alguns investigadores consideram-na uma ameaça para o equilíbrio ecológico.

. invadindo as culturas ou disseminando doenças nessas culturas. requerem normalmente mais tempo de gestação e nascem com maior peso.Pode ter efeitos colaterais negativos a nível de eventuais afeções na saúde pública. como os transgénicos. .Diminui o número de mortes causadas por insetos 59 . originando partos problemáticos. Inibem o desenvolvimento da plântula Inibem a fotossíntese Desorganizam a membrana plasmática Vantagens: . . . decorrente de modificações na anatomia e na fisiologia dos animais (aumento de massa corpórea.Ratos transgénicos são utilizados como modelos para o estudo de doenças humanas.Animais resultantes de FIV. podendo cruzar-se com populações selvagens.Melhoramento genético de animais domésticos com interesses económicos em larga escala. Este perigo é muito elevado no meio aquático. ENGENHARIA GENÉTICA NA CRIAÇÃO DE ANIMAIS .) . CONTROLO DE PRAGAS Pragas: organismos devastadores que competem com o Homem pelo alimento. da produção de carne.Estas técnicas podem ser a solução para a fome mundial Aspetos controversos: . da resistência a doenças. etc. lípidos ou pigmentos.Muitos animais têm malformações e problemas de saúde.Os animais transgénicos podem sair do espaço onde são criados.Ovelhas e porcos transgénicos são utilizados para produção de substâncias necessárias para medicamentos ou para transplante de órgãos para seres humanos. não sobrevivendo muito tempo.Aumenta a produtividade para uma população crescente . COMO PROTEGER AS CULTURAS: 1) Luta química: Pesticidas/ biocidas: produtos químicos que combatem as espécies nocivas: Inibem o crescimento das pragas Inibem a biossíntese de ácidos nucleicos. Se ocorressem mudanças ambientais que tornassem o ambiente hostil as espécies clonadas poderiam desaparecer por falta de resistência às novas condições. .

 Herbicidas: totais (que eliminam todas as plantas) ou seletivos (que atuam apenas sobre determinadas espécies. Bioampliação: a concentração de alguns pesticidas aumenta quando eles passam sucessivamente para níveis tróficos mais elevados. podendo tornar-se perigosos quando são utilizados na alimentação. Os organismos dos níveis tróficos superiores ingerem maior concentração de pesticida.Contacto: penetrando através da cutícula .Causam doenças . inibindo a germinação das sementes. a síntese proteica. Persistência de um pesticida: traduz o tempo em que um pesticida mantém a sua toxicidade no ambiente.Aceleram a resistência genética . inibem a respiração.  Fungicidas: combate os fungos. Baixo espectro de ação  biocidas muito seletivos  Inseticidas: eliminam os insetos e podem atuar por: .Asfixia > Inseticidas sistémicos: são mais eficazes. em níveis mais elevados do que os normais. a mitose e a biossíntese de esteróis. Bioacumulação: algumas moléculas do pesticida são absorvidas e acumuladas em tecidos e órgãos específicos dos indivíduos.Ingestão: sendo absorvidos com o alimento . após a aplicação.Afetam organismos não visados no tratamento .Efeito cumulativo Espectro de ação: avalia o número de espécies e estádios de vida que o biocida afeta.Poluição . Inibem a germinação de esporos.Dispêndio económico elevado . impedindo o desenvolvimento das plântulas ou bloqueando a fotossíntese). São transportados pela seiva das plantas e são absorvidos simultaneamente com a seiva pelos insetos consumidores. 60 . mais específicos e menos contaminantes para o ambiente. Acumula-se durante a cadeia trófica.Desvantagens: .Perigo de envenenamento .

Plantio de sebes em redor das culturas de forma a fornecer habitats para predadores das pragas Alguns micro-organismos podem ser usados como biopesticidas (ex.Utilização de porta-enxertos resistentes à uma determinada praga .Cultura em faixas .Culturas em locais onde não existem as suas principais pragas . bactéria Bacillus thuringiensis e as suas toxinas)  Feromonas: substâncias químicas produzidas por seres vivos que desencadeiam uma reação fisiológica ou um comportamento específico noutros animais da mesma espécie.Plantio de culturas marginais para atrair pragas para fora da cultura principal . Normalmente utilizam-se feromonas sexuais colocadas em armadilhas que capturam os insetos ou para atrair predadores 61 .Policultura em detrimento da monocultura .2) Luta biológica: práticas alternativas .Rotação de culturas .

por métodos físicos (radiações ionizantes) ou químicos. que incluem métodos de cultura.O programa de controlo de pragas associa várias técnicas.Conhecer os habitats das pragas .Cruzamentos seletivos: obtém-se variedades com as características que interessam 62 . erradicar as pragas. Para isso é necessário: . para competirem com os machos selvagens durante o acasalamento. em regra. 3) Luta integrada . desenvolvidos em determinada sequência e tempo próprios. .Não visa. método de proteção biológica e métodos químicos. Esterilização de machos: criação de grandes quantidades de machos de uma espécie que são esterilizados. Os machos esterilizados impedem a formação de ovos viáveis.Conhecer o ciclo de vida das plantas e das respetivas pragas . Os machos estéreis são depois largados na área afetada. em determinada fase do desenvolvimento.Conhecer o funcionamento do organismo desses seres 4) Controlo genético . mas sim reduzir os prejuízos causados nas colheitas para níveis economicamente aceitáveis.

Redução de custos no controlo de pestes . + . inalar ou absorver através da pele.Dose: quantidade de substância potencialmente nociva que um determinado ser vivo pode ingerir. Poluentes: substâncias produzidas pela atividade humana que apresentam um impacte ambiental não negligenciável. NOx. POLUIÇÃO E DEGRADAÇÃO DE RECURSOS Impacte ambiental: alterações do meio ocasionadas por ações antrópicas.Engenharia genética: transfere-se para a planta o gene que lhe permite resistir a uma agressor particular. Afeta o ar (CO.Ação de uma determinada dose ao longo do tempo . a água (concentração de O2 e Hg. Este conceito é normalmente associado à ação antrópica.. Pb. regional ou global.Modo como ocorreu a exposição do organismo . O seu efeito pode ter caráter local. A toxicidade de determinada substância depende de: . SOx. . Toxicidade: capacidade que as substâncias têm em causar efeitos adversos a um determinado organismo. Ph. CONTAMINANTES E EFEITOS FISIOLÓGICOS Poluição: causada por substâncias presentes no ambiente que. Criam-se plantas transgénicas resistentes. Contaminação: quando a concentração de um composto químico excede determinado valor limite. devido à composição química ou concentração. etc). etc) e o solo (taxa de erosão.etc). temperatura.Modo de funcionamento dos sistemas de eliminação da substância pelo organismo 63 .Redução da quantidade de pesticidas e de fertilizantes em regra altamente poluentes para o ambiente. provocam alterações ou impedem o regular funcionamento dos processos naturais.

transformação de um ecossistema lacustre num terrestre) 64 . durante um fenómeno de sucessão ecológica (ex. acumulam nos seus tecidos altas concentrações do poluente. principalmente azoto e fósforo. Agentes teratogénicos: fatores que podem ser responsáveis pelo aparecimento de anomalias morfológicas e funcionais num embrião ou feto.Património genético individual DL50: dose que origina a morte de 50% dos indivíduos de uma população estudada. Algumas substâncias tóxicas podem ser consideradas: Agentes mutagénicos: originam alterações permanentes no genoma de uma célula em relação a uma determinada sequência de DNA. Eutrofização: enriquecimento excessivo em nutrientes.  A exposição de um organismo a substâncias tóxicas provoca determinados danos que globalmente são designados como resposta do organismo ao agente. metais pesados) Efeito agudo: reação rápida resultante da exposição a uma determinada substância nociva. verificam-se efeitos negativos em ecossistemas de água doce.. Efeito crónico: consequência permanente devido à exposição prolongada a uma determinada substância perigosa (ex. podendo resultar no desenvolvimento de um tumor maligno. ALTERAÇÕES DA QUALIDADE DA ÁGUA  Devido ao aumento da população humana e à utilização massiva de produtos como detergentes. acumulam-se no organismo (ex. pelo contrário. As alterações podem ser transmitidas à descendência. Agentes cangerígenos: provocam alterações ao nível do DNA celular.  Algumas substâncias ao entrarem no organismo participam nas reações metabólicas que conduzem à sua eliminação pela função excretora ou. por conseguinte. Poluição da água: quando se verifica a alteração das suas características por ações antrópicas. mercúrio)  Ao longo das cadeias alimentares. Sinergismo: ocorre quando o efeito combinado de dois agentes é superior à soma do efeito que cada agente apresenta quando atua isoladamente. Pode ter origem natural ou cultural (antrópica). Eutrofização natural: processo muito lento associado à evolução natural dos ecossistemas. Os efeitos revelam-se mais tarde noutras espécies que ocupam os níveis tróficos mais elevados e que. que promovem o desenvolvimento de organismos fotoautotróficos (algas verdes e cianobactérias). fertilizantes ricos em azoto e fósforo. os níveis de alguns poluentes aumentam de nível para nível trófico – bioampliação.

Biológicas: densidade populacional.Aumento da concentração em nutrientes . . num determinado ecossistema pode provir de: esgotos domésticos.Boa penetração da luz .Crescimento da comunidade aquática submersa Lago mesotrófico: . 65 .Crescimento limitado do fitoplâncton .Morte de peixes e moluscos por asfixia Aumento da produtividade primária – proliferação de cianobactérias.Físicas: cor.Químicas: salinidade. turvação. dureza. sólidos dissolvidos totais. Lagos eutróficos apresentam grande produtividade primária. acelerado pelas atividades humanas. peixes e outros seres vivos morrem. os decompositores anaeróbios continuam a sua atividade libertando odores e conferindo aspeto e sabores indesejáveis à água. ao contrário dos oligotróficos.Aumento da taxa de decomposição . CBO – carência bioquímica de oxigénio: quantidade de oxigénio dissolvido na água necessário para a decomposição da matéria orgânica para que ocorra a reciclagem dessa matéria.Desenvolvimento do fitoplâncton .Redução do O2 dissolvido . azoto e outros nutrientes.Baixos níveis de nutrientes . etc .Crescimento rápido do fitoplâncton .  A poluição pode ser causada por matéria orgânica biodegradável – resíduos que são passíveis de serem decompostos pela atividade de certos seres vivos.  Num processo de eutrofização cultural. passando a competir com os demais organismo e proliferando mais rapidamente que estes.Os organismos decompositores aeróbios consomem o O2 dissolvido na água. Assim.Acumulação de detritos e algas mortas .Redução da comunidade vegetal submersa Lago eutrófico: . etc. oxidabilidade. esgotos industriais.Mesmo quando o O2 é quase inexistente. fertilizantes agrícolas. do organismo que se pretende identificar. substâncias tóxicas. alcalinidade. quer em anaerobiose como em aerobiose. detergentes.Água límpida . QUALIDADE DAS ÁGUAS Para caracterizar a qualidade da água é preciso avaliar as variáveis: . o influxo de fósforo. sabor e odor .Eutrofização cultural ou acelerada: processo de enriquecimento em nutrientes. culminando na eutrofização.Elevada concentração de nutrientes .Aumento da turvação . . Lago oligotrófico: . algas e outros seres fotossintéticos como resposta ao aumento de nutrientes.

É um processo bastante dispendioso pelo que nem todas as estações o efetuam.Impedir a exploração de petróleo em zonas sensíveis .Promover um ordenamento das zonas ribeirinhas e costeiras . 4) Tratamento terciário ou avançado: Tratamento físico-químico que conduz à remoção de nutrientes e poluentes específicos.Banir petroleiros de casco simples . bactérias e sólidos suspensos. . 3) Tratamento secundário: Num biorreactor. À saída. tamisagem. desareação) com vista à remoção e desintegração dos sólidos de maiores dimensões. produzido durante o tratamento anaeróbio. . As partículas orgânicas removidas arrastam consigo uma grande quantidade de bactérias.Reduzir a utilização de detergentes 2) .Reciclar óleos usados .Fossas sépticas . decantadas sob forma de lamas (lamas primárias). Inclui 4 etapas: 1) Tratamento preliminar: O efluente é sujeito a processos físicos (crivagem. que por aerobiose como por anaerobiose.ETAR TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS O tratamento de esgotos é feito nas ETARes – estações de tratamento de águas residuais. partículas coloidais ou suspensas e matéria orgânica.Reduzir a emissão de efluentes tóxicos . o efluente é constituído essencialmente por água. 2) Tratamento primário: Há redução da velocidade e são eliminadas 50% a 60% das matérias em suspensão. diminuindo o CBO.O biogás.Soluções para a poluição da água 1 – Prevenção 2 – Tratamento 1) . Depois ocorre nova decantação formando as lamas secundárias.Os biossólidos ou lodos tratados (lamas) podem ser utilizadas como fertilizantes e condicionadores de solo. A biomassa que se encontra em suspensão é denominada por sistema de lamas ativas. 66 . pode ser valorizado como fonte de energia.Separar esgotos do sistema de águas residuais . as substâncias orgânicas são oxidadas pela ação de micro-organismos.

Resolvem o problema durante um certo período de tempo. Tem como objetivo a deposição dos resíduos acima ou abaixo da superfície natural. ocorrendo a produção do composto. furanos e outros compostos com metais pesados. RSU – resíduos sólidos urbanos: refere-se não só à mistura de matérias e de objetos de proveniência doméstica. Há decomposição de matéria orgânica. em condições de aerobiose. Aterros sanitários: tratamento do lixo com posterior incineração ou compostagem. Este é um material estabilizado que não deve ficar sujeito à ocorrência de reações de decomposição. uma vez que o desenvolvimento das sociedades urbanas e industriais ocorreu de forma desordenada e à custa de níveis crescentes de poluição e degradação ambiental. a incineração é um convite à produção de maior quantidade de resíduos. em vez de se apostar numa política de valorização dos mesmos. Podem-se formar subprodutos perigosos como dioxinas. Os aterros necessitam de grandes espaços. Compostagem: é como uma adaptação industrial de uma prática agrícola. um enquadramento paisagístico adequado e um controlo rigoroso dos resíduos.  As lixeiras ou vazadouros geravam problemas estéticos e de saúde pública.TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS Com a Revolução Industrial o problema dos resíduos sólidos aumentou. A colocação dos resíduos é feita de uma forma controlada e existe uma monitorização permanente do local. por isso não são a melhor solução. Segundo alguns especialista. Incineração: tratamento por via da combustão. em os RSU são reduzidos a cinzas e gases. 67 . como também engloba os resíduos com origem no setor dos serviços ou estabelecimentos comerciais. de uma forma controlada. industriais ou de unidades prestadoras de cuidados de saúde com uma natureza ou composição idêntica da dos domésticos.

geralmente de qualidade inferior.Atua no solo como uma esponja retendo a humidade e nutrientes .Permite valorizar os resíduos no composto . a nossa sociedade entrará rapidamente em colapso. Permite reduzir 25% a utilização de matériaprima. O novo modelo de desenvolvimento sustentável deve funcionar como um sistema fechado. Permite reduzir entre 20% a 90% a utilização de matéria-prima no fabrico de um determinado produto.Reduz a quantidade de resíduos nos aterros . Reciclagem secundária: converte os resíduos em outro tipo de produtos. RECICLAR E REUTILIZAR Reciclagem primária: transforma os resíduos eliminados pelos consumidores em novos produtos do mesmo tipo.Os solos ficam menos afetados pela erosão . onde se promova o uso racional da energia.Diferenciam-se duas fases: . a reciclagem e a reutilização dos 68 . REDUZIR.Diminui a utilização de fertilizantes . . com posterior arrefecimento até 30ºC.Não requer conhecimentos técnicos ou equipamento especializados.O composto é um material rico em nutrientes .Não são necessárias grandes áreas para o tratamento dos resíduos .Melhora as características dos solos (nova estrutura) . Vantagens: . Se o modelo de desenvolvimento atual não for modificado a curto prazo.Fase Termófila (2 a 4 semanas): aumento da temperatura até 70ºC.Fase Mesófila (2 a 4 meses): estabilização do produto (composto) atingindo-se a temperatura ambiente.

entre outros gases presentes na atmosfera. frigoríficos.Fusão das calotes polares .Aumento do risco de incêndios florestais Chuvas ácidas Os gases com azoto e enxofre produzidos nas mais diversas atividades humanas.CH4: origem em plantações de arroz. a atmosfera terá capacidade de absorver mais radiação IV.Aumento do risco associado a doenças . e a corrosão/destruição de obras arquitetónicas. ao reagir com o vapor de água existente na atmosfera. que constituem a chuva e a neve ácida (pH < 5. que é absorvida pelo vapor de água. adubos. produção de petróleo e gás natural. ao mesmo tempo. Trata-se de um efeito natural responsável pela manutenção da temperatura terrestre. dado que se verifica a acidificação dos solos. originando uma alteração no equilíbrio térmico do planeta. Estas provocam perdas na produtividade agrícola. Com o aumento dos gases. lixeiras… .Menor qualidade da água . Algumas consequências: .CO2: origem nos combustíveis fósseis.Problemas na agricultura e pesca . No entanto. minas de carvão. . garantindo.CFC: origem no ar condicionado.Aumento do nível médio da água dos oceanos .6).Extinção de fauna e flora . as atividades humanas têm intensificado este processo.Maior probabilidade de infeções alimentares . Camada de ozono 69 . Gases com efeito de estufa: . aterros.materiais com a consequente redução dos resíduos produzidos. desflorestação.N2O: origem nos combustíveis fósseis. um controlo das fontes de poluição. IMPACTES HUMANOS A NIVEL GLOBAL Efeito de estufa: (ver ficha de apoio) Efeito produzido pela retenção de parte da radiação IV emitida pela superfície da Terra feita por diversos gases que se encontram na troposfera. industrias… . CO2 e CH4. produzem ácidos como o ácido nítrico e ácido sulfúrico. aerossóis…  Parte da energia absorvida pela Terra é irradiada sob forma de radiação IV.

a densidade populacional aumentou ligeiramente.Número de pessoas que constituem a população .O smog fotoquímico forma-se a partir da conjugação entre temperaturas elevadas.Durante o séc.Na Antártida o caso é mais grave.Situa-se na estratosfera (15km a 50km). O O3 troposférico acarreta variados problemas de saúde. impedindo que a maior parte dos raios UV chegue à superfície terrestre. uma diminuição acentuada da espessura da camada. diminuem drasticamente a biodiversidade. Existem 3 fatores fundamentais que estão na origem dos impactes ambientais: . Existe um buraco quando o nível de O3 < 220 Dobson. CRESCIMENTO POPULACIONAL E SUSTENTABILIDADE .XX ocorreram inovações tecnológicas que melhoraram muito as condições de vida da população. PEGADA ECOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 70 . A pressão antrópica e a expansão dos centros urbanos aumentaram drasticamente a quantidade de resíduos e calor emitidos. . que levam à acumulação de compostos com cloro. a impermeabilização e a compactação do solo. Demografia: estudo dos padrões de crescimento. na verdade. . A remoção da cobertura vegetal dos solos. a radiação UV pode provocar o aparecimento de cancro de pele e diminuir a produtividade agrícolas.O chamado “buraco” na camada de ozono é. .O ozono troposférico é considerado um poluente secundário. . . do movimento e do desenvolvimento das populações humanas. o crescimento da população humana foi muito lento.A Revolução Industrial trouxe mais conforto e fez com que a taxa de mortalidade diminuísse.O consumo médio de recursos por pessoas . uma vez que a taxa de mortalidade – número de óbitos ocorridos num certo período de tempo por mil habitantes – era muito elevada. . acelerando a destruição química do O3 Devido à menor proteção da camada de ozono. mas a esperança média de vida continuava a ser muito baixa. acelerando o seu crescimento (exponencial).Durante muitos milénios. constituída por O3.Impactes ambientais resultantes da utilização da tecnologia utilizada para produzir cada unidade de um determinado bem de consumo. principalmente a nível respiratório. As temperaturas muito baixas nesta região favorecem o aparecimento de nuvens polares estratosféricas. A sua destruição deve-se aos CFCs: . baixa humidade e gases poluentes. resultante da oxidação fotoquímica de poluentes como N2O que são produzidos durante a combustão em indústrias e nos automóveis. e tem a função de “filtrar” as radiações solares.Com a sedentarização e a domesticação de animais.

etc. sugere-se que os benefícios tecnológicos possam ser transferidos dos países desenvolvidos para os que estão à procura desse desenvolvimento.Pegada Ecológica: avalia a extensão com que uma dada população se apropria do espaço biologicamente produtivo.capacidade de produção biológica num dado ano que pode ser utilizável por um determinado pais tendo em conta a sua área produtiva – através do passivo ecológico diferença entre o valor da pegada ecológica e o da biocapacidade. transportes. pastagens. minerais. Para que a sociedade seja sustentável.Esta área pode ser comparada com a biocapacidade .  É urgente gerir de uma forma sustentável os recursos da Terra e apostar numa nova educação centrada na aquisição de competências que permitam promover políticas de sustentabilidade.). bens de consumo. o capital natural por nós consumido. gestão equilibrada e recuperação dos ecossistemas  Manutenção da biodiversidade  Para um modelo de desenvolvimento sustentável. habitação. água… da pegada ecológica . Para a calcular é necessário avaliar várias categorias de terrenos (agrícola. energia.Somando as várias pegadas parcelares obtemos um valor global que representa uma área produtiva capaz de repor. energia fóssil e construídos) e de consumo (alimentação. Eliminar o passivo ecológico: . . os altos níveis de consumo de recursos e de energia não são necessários para sustentar uma boa qualidade de vida  No sentido de minorar os impactes ambientais que possam vir a acontecer nos países em vias de desenvolvimento. 71 . oceanos.Melhorar os sistemas produtivos (energias alternativas) .Proteção. floresta. pelo menos em teoria. para tornar a pegada ecológica mundial mais leve. dependendo da escala em causa. . Permite calcular a área de terreno produtivo necessária para sustentar o nosso estilo de vida.Mudança nos padrões de consumo de energia.Controlo demográfico Redução . a Pegada Ecológica terá de ser inferior à biocapacidade (ou capacidade de carga) do planeta ou região.

• Redução do consumo de “fast food”. latas (ecopontos). utilização de lâmpadas e aparelhos elétricos de menor consumo. Energia e água • Poupança de energia e água através de simples práticas caseiras. principalmente ferroviários. compra de carros de baixo consumo e abastecidos a gasolina sem chumbo. Serviços públicos • Adoção de formas de recreio e turismo com menores impactes ambientais (ecoturismo). • Prioridade de compra de produtos que não venham envolvidos em embalagem excessiva. em detrimento da carne e peixe. principalmente de bens supérfluos. por alimentos da época e produzidos através da agricultura biológica.Como reduzir a pegada Alimentos • Preferência pelo consumo de produtos nacionais ou produzidos localmente. duradouros. embalagens. 72 . reciclados ou recicláveis. • Incremento da produção local de alimentos. como seja o isolamento térmico. nos quintais e hortas existentes.. Resíduos • Compostagem de resíduos orgânicos no jardim ou quintal de casa. Transportes • Utilização preferencial de transportes públicos. • Adoção de uma alimentação preferencialmente à base de cereais e vegetais. etc. compra em segunda mão. utilização de sacos de compras reutilizáveis. • Reciclagem de papel. • Reutilização e reaproveitamento de bens. diminuição do volume de água do autoclismo. • Se for viável. plástico. investimento em painéis solares ou outras formas de energia renovável. • Manutenção frequente da viatura particular. • Preferência de produtos “amigos do ambiente”. vidro. • Sempre que possível andar a pé ou de bicicleta. pilhas. • Reutilização e reaproveitamento de bens. Bens de consumo • Redução do nível de consumo.