O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP. Como Líder.) – Sr. Presidente, Srs. Senadores que compõem a Mesa, Sr.

Vice-Governador da Paraíba, Sr. Prefeito de Campina Grande, Dona Glória e toda sua família, amigos aqui presentes, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, Diógenes da Cunha Lima, minhas senhoras e meus senhores, o Senador Cyro Miranda me havia pedido para designá-lo para falar em nome da Bancada. Ele o fez e o fez muito bem. Expressou o sentimento de todos os seus colegas, meu caro Cássio, e o sentimento que é unânime no Senado, de admiração, de louvor por essa grande figura que foi Ronaldo Cunha Lima, seu pai, mas eu não poderia deixar de dar uma palavra, ainda que fosse um post scriptum ao discurso do nosso querido colega Cyro Miranda, uma palavra muito pessoal. À semelhança do pronunciamento do Agripino Maia, aqui, quem fala é o Aloysio Nunes Ferreira, amigo do Ronaldo Cunha Lima. Eu o conheci em 1990. Ronaldo era candidato ao Governo da Paraíba e eu era candidato a Vice-Governador de São Paulo. Ele foi a São Paulo para retomar contatos com quem ele havia convivido em São Paulo e deixado uma lembrança extraordinária como advogado competente, combativo. Estava ele lá em São Paulo, em busca de amealhar um pouco de recurso para a sua campanha de governador, ele que sempre enfrentou dificuldades nessa área, e foi ao comitê que era o quartel general da nossa campanha do PMDB. Eu o recebi, já o conhecia de nome, de renome, sabia quem era Ronaldo Cunha Lima, mas a conversa com Ronaldo Cunha Lima naquela tarde, há 22 anos, me revelou um personagem absolutamente fascinante – fascinante –, pela vivacidade da sua inteligência, pela profundidade com que analisava o quadro político daquele momento, pelo colorido de suas histórias, pela sua conversa, que revelava uma enorme curiosidade intelectual, e uma simpatia da qual eu fiquei cativo, e permaneci cativo, meu querido Cássio, ao longo desses anos todos. Eu me lembro da última vez que o vi. Foi ali no corredor que separa as duas alas do plenário do Senado. O Senador Cássio Cunha Lima fazia o seu discurso de estreia. Depois de ter sido profundamente injustiçado, o povo da Paraíba o conduziu aqui ao Senado Federal. (Palmas.) Aquele olhar vivo do Ronaldo, aquela luminosidade do seu olhar, do nosso poeta Ronaldo, aqueles olhos se embaçaram por lágrimas que correram abundantemente pelo seu rosto enquanto você discursava.

Eu me lembrei de um discurso que Ronaldo pronunciou da tribuna do Senado em homenagem à memória de Antônio Mariz, um dos grandes discursos que esta Casa já ouviu. Agripino estava no plenário e aparteou Ronaldo. Naquele discurso, em determinado momento, ele se socorre de uma imagem – imagens das quais ele tinha o dom. O homem que é capaz de falar do Habeas Pinho, do açoite das cordas do violão, formulou a seguinte imagem para descrever a tristeza do povo da Paraíba pela morte do líder Antônio Mariz, do qual ele fora companheiro. Ele descreve a saída do féretro da chácara onde vivia Antônio Mariz até o Palácio da Redenção. Passava de meia-noite, e Ronaldo dizia: “As luzes da cidade se acendendo e a esperança das pessoas se apagando.” A sua presença, Cássio, na vida pública, na continuidade da luta do seu pai, é uma garantia de que a esperança do povo da Paraíba não se apagará jamais. Muito obrigado. (Palmas.)