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Apresentação
Aluno Assumir uma posição, a favor ou contra algo, num texto escrito que muita gente lerá, não é uma tarefa simples, mas é um bom desafio. Neste módulo, você estudará o artigo, que é um texto em que se assumem posições, e escreverá o seu. Conhecerá alguns processos usados para formar palavras em língua portuguesa, descobrindo que é um campo interminável.

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Legenda

Exercício [faça no seu caderno]

Produção de texto [escreva no seu caderno]

Conceito [conceito importante que você deve gravar]

Aprenda mais [faça no seu caderno]

Ler é viver [leia e depois responda no seu caderno]

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Interpretação do texto 1- Procure no dicionário o significado das palavras grifadas: A identidade nacional perdeu o centro, e suas marcas se fragmentaram em espasmos contraditórios. 2- No primeiro parágrafo e no terceiro há um sinônimo diferente para adolescência. Copie a frase completa onde cada um aparece. 3- O texto “Adolescência imaginária” é um artigo, isto porque é um texto que expõe claramente a opinião do autor e traz seu nome. Quem escreve esse artigo? A respeito do que ele dá sua opinião? 4- O artigo diz que a adolescência chega quando a voz começa a esganiçar. Depois, o mesmo acontece com o Brasil. Como isso se dá? 5- Por que as novelas “Mandacaru” e “Zazá” são consideradas “espasmos contraditórios”? 6- O que representa a adolescência obediente na TV? 7- O que o artigo diz que se pode levar a sério? Você concorda ou não? Por quê?

Você reparou que o artigo sobre TV, embora seja a opinião de quem o escreveu, não precisa ter as expressões “eu acho”, “na minha opinião”, “é o que eu penso”, etc? Isto porque ele trata alguns aspectos da TV como positivos e outros como negativos, o que já demonstra a opinião dele. 8- Agora é sua vez. Qual é o assunto da semana que todos estão discutindo? Leia sobre ele, pense bem, encontre os aspectos positivos e negativos e escreva seu artigo.

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Conheça a formação de palavras. Você já deve saber que a maior parte das palavras da língua portuguesa teve origem no latim que se transformou com o passar do tempo. A língua está sempre em processo de criação de palavras, seja por motivos expressivos ou por necessidade mesmo, isto porque cada vez que se inventa um aparelho, cada vez que ocorre uma descoberta, é necessário criar palavras para nomear essas novidades. Até bem pouco tempo, não tínhamos a palavra deletar, mas a informática fez com que fosse necessária a sua criação. Observe o trecho do texto estudado: “A imagem do Brasil na tela começou a descarrilar para os falsetes como a voz insegura de um rapaz diante do óbvio.” descarrilar insegura des + carril (trilho) + ar in + segura

Você notou que essas palavras foram formadas por acréscimo de elementos? Esse processo de formação de palavras é chamado de derivação. Derivação é o processo pelo qual se forma uma palavra nova a partir de outra já existente na língua. A palavra que dá origem a outra chama-se primitiva. A palavra que se originou de outra chama-se derivada. Note: carne encarnado encarnar descarnar carnívoro primitiva

derivadas

Essas palavras são formadas do mesmo radical primitivo “carn” e constituem uma família de palavras. Ao elemento básico, o radical, você pode acrescentar outros para fazer a derivação.

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Assim, temos:  prefixo acrescentado antes do radical. Ex.: inseguro  sufixo acrescentado depois do radical. Ex.: segurança Podemos ainda, na derivação, acrescentar prefixo e sufixo ao radical, ao mesmo tempo. Ex.: insegurança Exemplos de alguns prefixos: ão, ada, ário, aria, ismo, isto, izar,inho, mente, dade, eiro, ento, etc. Observação: O sufixo  inho (a)  não indica apenas diminutivo, isto é, tamanho pequeno, mas pode indicar sentimento: afeto ou desprezo. Ex.: É apenas uma criancinha. (tamanho pequeno) Minha melhor amiga é um amorzinho de pessoa. (afeto) Que sujeitinho mais atrevido! (desprezo) Observe este exemplo do texto sobre TV que trata da composição de palavras. “. . . e a mitologia do “cabra macho” se desmancha em pó-de-arroz” pó + de + arroz A palavra “pó-de-arroz” foi formada pelo processo denominado composição. Composição é o processo de formação de palavras pela junção de duas ou mais palavras ou radicais já existentes na língua. Veja: pó poeira arroz um tipo de grão usado cozido na alimentação pó-de-arroz pó para passar no rosto

A composição se realiza de dois modos: 1- por justaposição: cada elemento mantém sua origem.

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Ex.: pó-de-arroz (pó + de + arroz) guarda-chuva (guarda + chuva) passatempo (passa + tempo) 2- por aglutinação: um dos elementos sofre alguma alteração Ex.: planalto (plano + alto) alviverde ( alvo + verde) aguardente (água + ardente)

1- No 3º parágrafo do texto “Adolescência imaginária”, aparece “uma seiva de brasilidade”! Faça uma lista de, pelo menos, três palavras da mesma família de brasilidade. 2- Copie do texto: a) uma palavra que possua prefixo e identifique-o; b) uma palavra que possua sufixo e identifique-o. 3- Quais são os processos responsáveis pela formação das palavras abaixo? d) pé-de-moleque e) passatempo a) couve-flor f) ilegal b) deslealdade g) pernalta c) felizmente 4- O que indica o sufixo – inha nesse texto?

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5- O “Moderno Dicionário da Língua Portuguesa” de Michaelis, edição de 1998, traz a palavra “perueiro”, formada por derivação, que os dicionários não registravam. Por que foi necessária a criação dessa palavra? PERUEIROS DE VOTORANTIM DISPUTAM OS PASSAGEIROS PÁG. 11 Cruzeiro do Sul 20/10/98 6- Encontre em jornais ou revistas uma palavra formada por processo de derivação que ainda não aparece em dicionários. Explique a necessidade de seu uso.

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A fim de / Afim Você não deve confundir a locução a fim de com o adjetivo afim. Para evitar essa confusão, observe: • a locução a fim de traduz idéia de finalidade. Essa locução tem significado próximo ao da preposição para (para que): Prestamos atenção a fim de evitar dúvidas. (. . . para evitar . . .) Ficamos atentos a fim de que não tivéssemos dúvidas. (... para que não tivéssemos . . .) • a palavra afim é um adjetivo que significa igual, semelhante. Como se trata de um adjetivo, deve concordar com o substantivo a que se refere:

Os dois desempenham funções afins na equipe. Nossos objetivos são afins; devemos, portanto, trabalhar juntos.

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O que é que os jornais não noticiam? Por quê?

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Gabarito 1) Procure no dicionário. 2) A puberdade, quando chega, é impiedosa e inequívoca. Segundo ela, tudo o que resta da identidade pátria é uma pergunta (bem típica da pubescência, por sinal): o país vai ou não decolar? 3) Eugênio Bucci – A respeito de um país adolescente. 4) Pelas mudanças que ocorrem através do tempo (umas para melhor, outras para pior). 5) Porque Mandacaru foi uma novela de época que não abordou temas atuais, enquanto a novela Zazá, através de metáforas, comparou um Brasil que não se desenvolveu com a questão do avião: “o país vai ou não vai decolar”. 6) Representa a imitação, ou seja, a cópia de comportamentos (modelos) de outros países. 7) Resposta pessoal. 8) Resposta pessoal. 1) Casualidade, responsabilidade etc. . . 2) Exemplos: impiedosa adolescência prefixo 3) a- composição (justaposição) c- derivação (sufixo) d- composição (justaposição) derivação (prefixo) g- composição (aglutinação) 4) Passa-nos a idéia de carinho indicando também o diminutivo da palavra. sufixo b- derivação (prefixo e sufixo) e- composição (justaposição) f-

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p. 08 5) Devido a criação de uma categoria de trabalhadores. Observe que a palavra perueiro deriva da palavra perua com o acréscimo do sufixo eiro. 6) Resposta pessoal. p. 11 Resposta pessoal.

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Apresentação
Aluno Você já viu a representação de uma peça teatral? É algo tão vivo que parece estar acontecendo na realidade, mas por trás há um texto que foi incorporado pelos atores. Neste módulo, você estudará o texto dramático e conhecerá alguns aspectos importantes da concordância nominal.

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Legenda
Exercício [faça no seu caderno]

Produção de texto [escreva no seu caderno]

Conceito [conceito importante que você deve gravar]

Aprenda mais [faça no seu caderno]

Ler é viver [leia e depois responda no seu caderno]

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TEXTO DRAMÁTICO O trecho que você leu faz parte da última cena de uma peça teatral. É uma comédia em que a personagem principal, um nordestino que sai em busca da felicidade, passa por uma série de aventuras, envolvendo-se com o bem e o mal. Chegou a ser preso, sem ter culpa, por lhe armarem uma cilada. O nome da peça é “O Testamento do Cangaceiro” e foi escrita por Chico de Assis. Ela foi montada pela primeira vez no Teatro de Arena de São Paulo em 1961. Augusto Boal foi o responsável pela direção e Lima Duarte fez o papel de Cearim. Você notou como o texto dramático tem algumas características diferentes dos outros textos estudados? Observe: • a fala das personagens vem introduzida pelo nome de cada um; • os trechos entre parênteses, chamados de rubricas, indicam como o texto deve ser representado e a movimentação das personagens em cena; • esse texto tem um narrador mas, geralmente, o texto teatral não tem narrador porque a narração é a própria representação dos diálogos; • quase sempre as frases são curtas porque são características da fala. Na verdade, o texto dramático tem como finalidade ser representado por artistas que o decoraram tão bem que dão a impressão de estarem conversando naturalmente. Interpretação do texto Releia o texto e responda: 1- Cearim enganara o Sacristão, mas agora parece arrependido e decide ajudá-lo. Copie o trecho que prova isso. 2- Qual é a estratégia que Cearim usou para ele e o Sacristão não serem descobertos? Isso aparece na fala ou na rubrica? 3- Quantas rubricas aparecem nesse trecho? Por que os verbos estão sempre no presente? 4- Por que os camponeses não tinham comida? Você acha certo ou errado isso? Por quê? 5- O que Cearim prometeu ao camponês em troca de um pouco de comida? 6- Em vez de reza, Cearim mostrou a real situação dos camponeses para que eles se conscientizassem dela e usou sua história para ilustrar. O que os camponeses entenderam? Você concorda ou não com eles? Explique.

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7- Como se trata de um texto teatral, a linguagem é próxima da fala, portanto, mais informal. Logo no início, Cearim diz “pera aí” em vez de usar o mais formal que é “espere aí”. Encontre uma outra construção informal e passea para um nível mais formal.

Agora você fará uma paráfrase, isto é, transformará o trecho do texto dramático em um texto narrativo em prosa. Você escreverá o texto contando a mesma história. Não se esqueça de usar o discurso direto ao abrir espaço para os personagens falarem. Sugestão: se você pertence a algum grupo comunitário, que tal escrever um texto dramático para dramatizarem? Vejamos agora a concordância nominal Concordância é a correspondência de flexão entre dois termos. Ex.: o armazém dois termos no singular roupas arrebentadas dois termos no plural uma reza dois termos no feminino Aqui vamos tratar de alguns casos de concordância que podem gerar dúvidas. 1- Só, sós, a sós a) Quando equivale a somente, é invariável. Ex.: “O Coronel fechou o armazém e só vai dar comida se a gente der metade da colheita . . .” b) Quando equivale a sozinho, é variável. Ex.: “Agora não posso deixar você só no mato”. Se, nessa fala, Cearim usasse vocês seria: “Agora não posso deixar vocês sós no mato”. c) Quando equivale a sem mais companhia, usa-se a locução a sós. Ex.: Os namorados ficaram a sós.

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2- É proibido/ é necessário/ é bom/ é preciso, etc. Expressões desse tipo ficam invariáveis se o sujeito não vier precedido de a (artigo) ou palavra feminina. Ex.:  É proibido entrada. (invariável) É proibida a entrada (o sujeito entrada tem o artigo a)  Cerveja é bom. (invariável) Esta cerveja é boa. (esta é feminino) 3- Anexo, obrigado, mesmo, incluso, quieto, próprio Todas as palavras mencionadas acima concordam com o nome a que se referem. Veja alguns exemplos: “Muito obrigada”, respondeu Maria Alice. mesmas próprias

Elas

consertaram o carro.

As poesias anexas são de autor desconhecido. Observações: 1- A expressão em anexo é invariável: As poesias em anexo são de autor desconhecido. 2- Quando mesmo for advérbio (= de fato, de verdade), será invariável:  Obrigada! Obrigada mesmo! 4- Menos, alerta As palavras menos e alerta são invariáveis. Observe os exemplos:  Rapazes, estejam alerta!

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Havia menos meninas que meninos na minha vida. 5- Bastante, caro, barato, meio, muito, pouco Estas palavras podem funcionar ora como advérbios, adjetivos. 1- Quando forem advérbios, serão invariáveis. Exemplos: A atriz é bastante conhecida na Europa. Esta blusa custa caro. As laranjas custam barato no inverno. Ela está meio doente. Vocês brincam muito. 2- Quando tiverem função de adjetivos, concordam com o nome a que se referem. Exemplos: Há bastantes atrizes no estúdio. Estas blusas são caras. Como são baratas as laranjas no inverno! Saboreamos meia melancia. Havia poucas crianças, mas muitos adultos. ora como

1- Quando Cearim come a farinha que o camponês lhe dá, o “agradecimento” dele é: “pra quem ama, fedor de bode é perfume”. Se fizesse o agradecimento comum, como o faria? 2- Além dos exemplos do uso de só, há outros no texto. Escolha um exemplo e explique ao que equivale. 3- O texto também traz usos diferentes de muito. Copie os dois exemplos e explique a diferença entre eles.

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4- Faça a concordância com a palavra entre parênteses: a) As candidatas estavam _________ apreensivas. (bastante) b) Muito ______  disse o velhinho. (obrigado) c) Ela disse “muito ____” e despediu-se satisfeita. (obrigado) d) Ela _____ consertou a enceradeira. (mesmo) e) É _____ a entrada de pessoas estranhas. (proibido) f) Esta aveia é ______ para a saúde. (bom) g) Água é _____ para rejuvenescer. (bom) h) A transferência segue em ______. (anexo) i) A nota promissória está ______ ao cheque. (anexo) j) As notas promissórias estão ______ao cheque. (anexo) l) Esta viagem sairá _____. (caro) m) Havia ______ meninas que meninos na festa. (menos) n) Eles ______ falaram com o escritor. (próprio)

5- Explique o significado de só nesse texto publicitário.

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6- Explique a concordância para o uso de própria nesse texto publicitário.

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ONDE / AONDE No texto acima, a frase “Para onde vamos no próximo mês”, o verbo “ir” indica movimento em direção a algum lugar; portanto, poderemos substituir a expressão “para onde” por “aonde”.

1- Complete no seu caderno com onde ou aonde. a)  Para _____ vocês vão? b)  Iremos para a Itália, mas não sabemos _____ ficaremos hospedados. c)  ______ nos levarão? d)  Para lugares ______ há muitos monumentos. e)  E você sabe ______ fica Veneza? No Norte ou no Sul? f)  Não tenho bem certeza, mas é um dos lugares ______ iremos. LIXO Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.  Bom dia . . .  Bom dia.  A senhora é do 610.  E o senhor do 612.  É.  Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente . . .  Pois é . . .  Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo . . .  O meu quê?  O seu lixo.  Ah . . .  Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena . . .  Na verdade sou só eu.  Mmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata.  É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar. . .  Entendo.  A senhora também . . .

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 Me chame de você.  Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim . . .  É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra . . .  A senhora . . . Você não tem família?  Tenho, mas não aqui.  No Espírito Santo.  Como é que você sabe?  Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.  É. Mamãe escreve todas as semanas.  Ela é professora?  Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?  Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.  O senhor recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.  Pois é . . .  No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.  É.  Más notícias?  Meu pai. Morreu.  Sinto muito.  Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.  Foi por isso que você recomeçou a fumar?  Como é que você sabe?  De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.  É verdade. Mas consegui parar outra vez.  Eu, graças a Deus, nunca fumei.  Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprido no seu lixo . . .  Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.  Você brigou com o namorado, certo?  Isso você também descobriu no lixo?  Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.  É, chorei bastante, mas já passou.  Mas hoje ainda têm uns lencinhos . . .  É que eu estou com um pouco de coriza.  Ah.  Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

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 É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.  Namorada?  Não.  Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.  Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.  Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.  Você já está analisando o meu lixo!  Não posso negar que o seu lixo me interessou.  Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.  Não! Você viu meus poemas?  Vi e gostei muito.  Mas são muito ruins!  Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.  Se eu soubesse que você ia ler . . .  Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?  Acho que não. Lixo é domínio público.  Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?  Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que . . .  Ontem, no seu lixo . . .  O quê?  Me enganei, ou eram cascas de camarão?  Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.  Eu adoro camarão.  Descasquei, mas ainda não comi . . . Quem sabe a gente pode . . .  Jantar juntos?  É.  Não quero dar trabalho.  Trabalho nenhum.  Vai sujar a sua cozinha.  Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.  No seu lixo ou no meu?

(Veríssimo, Luís Fernando) Português Palavras e Idéias José de Nicola e Ulisses Infante Ed. Scipioni, pág. 153, 154, 155, 156.

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EXCESSO DE LIXO No ano 2000, mais da metade da população mundial estará concentrada em cidades; e tudo indica que as maiores taxas de crescimento serão registradas pelas metrópoles de países do Terceiro Mundo. Estas duas informações, combinadas, sugerem automaticamente uma imagem: muito lixo, pilhas de lixo, montanhas de lixo. Não que os países ricos não se defrontem com o mesmo problema, ao contrário: nas sociedades mais desenvolvidas os objetos cotidianos tendem a ser mais descartáveis  a riqueza gera o desperdício, isso está dentro da sua lógica. No entanto, esses países ricos também são os que primeiro se deram conta do enorme desafio que o lixo representa para o bem-estar e a saúde das próximas gerações. Podiam investir, e investiram, em coleta, separação e reciclagem de materiais como vidro, plástico, metais, papéis e também no aproveitamento da parte orgânica. Assim, essa tecnologia de tratamento de dejetos não só veio a atenuar o drama maior  a crescente falta de novos lugares onde colocá-los  como também passou a dar lucro. Nos países pobres, entretanto, o quadro é outro. Os recursos tecnológicos para tratamento racional de lixo são ineficientes ou insuficientes. Mesmo quando as iniciativas funcionam, nunca estão na mesma escala das necessidades. No total diário de cerca de 90.000 toneladas de lixo produzido no país todo, São Paulo comparece com algo em torno de 12.000 toneladas. A maior metrópole brasileira está perto do colapso. Os chamados aterros sanitários estão esgotados, não há onde criar outros. Resultado: montanhas de lixo, exércitos de lixo, máfias de lixo. Toda uma sociedade de quinto escalão se instala sob os viadutos e gravita em torno dos dejetos de quem tem o que jogar fora, contaminando-se com eles e, num efeito bumerangue, contaminando o ambiente geral. Quando algo está no ar ou na água, ou na cadeia alimentar, então o problema é geral. Esse é, com maior ou menor carga dramática, o quadro de qualquer metrópole do Terceiro Mundo, no limiar do terceiro milênio.
(Revista Globo Ecologia. jun./92.)

Ambos os textos abordam o mesmo assunto: “o lixo”. O primeiro é um texto literário; o segundo, um texto científico. Considerando-se a pergunta que encerra o primeiro texto: “No seu lixo ou no meu?” e as explicações científicas do segundo texto, você acredita que o lixo produzido pode ser propriedade de uma só pessoa? Explique o seu ponto de vista.

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1) . . .”Agora não posso deixar você só no mato. Vem comigo, vamos procurar comida. Afinal, levou os tiros no meu lugar.” 2) A estratégia é: Tira do baú dois hábitos de capuchino, veste um e dá o outro ao sacristão. Aparece na rubrica. 3) Três rubricas. Porque as personagens estão representando naquele momento (presente). 4) Porque o coronel e o vigário fecharam o armazém e disseram que só dariam comida se os camponeses repartissem a colheita. Resposta pessoal. 5) Prometeu a reza para que o vigário e o coronel abrissem o armazém. 6) Uns podiam ter uma esperança de vida nova./ Resposta pessoal. 7) Resposta pessoal. p. 06 Resposta pessoal. p. 08 1) Muito obrigado. p. 09 2) “Agora não posso deixar você só no mato”. equivale a sozinho. 3) “ Tem muitas coisas que vocês não sabem. . .” Adjetivo muitas, concordando com o nome a que se refere (coisas); variável. “Era uma vez um lugar muito triste, perdido nos longes do sertão”. Advérbio muito que significa bastante; invariável. 4) a- bastante b- obrigado c- obrigada d- mesma e- proibida f- boa g- bom h- anexo i- anexa j- anexas l- caro m- menos n- próprios p. 09 5) No texto publicitário “Sisal” o só equivale a somente, portanto é invariável. 6) No texto publicitário “Portas” a palavra própria concorda com o nome a que se refere (fabricação). p. 10 1) a- onde b- onde c- Aonde d- onde

p. 05

Gabarito

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p. 15

e- onde f- aonde Resposta pessoal.

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Apresentação
Aluno Certamente você já leu alguma reportagem, mas às vezes, não se preocupou em observar o seu contexto. Neste módulo, você aprenderá um pouco sobre reportagem, inclusive estudando tempos verbais que podem aparecer nesse tipo de texto. Com isso, fará também a sua reportagem.

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Legenda
Exercício [faça no seu caderno]

Produção de texto [escreva no seu caderno]

Conceito [conceito importante que você deve gravar]

Aprenda mais [faça no seu caderno]

Ler é viver [leia e depois responda no seu caderno]

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Esse texto é uma reportagem. Reportagem é o relato de um acontecimento feito pelo jornalista que esteve no local do fato ou tenha apurado informações relativas a ele.

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Interpretação do texto 1- Por que a exploração de cavernas submersas é um esporte arriscado? 2- O Brasil é um país que possibilita a prática desse esporte? Explique. 3- O que prova que as cavernas se formaram antes de ficarem cheias de água? 4- Você acredita que esse esporte tem condições de ser popular? Explique. 5- Além de ser um esporte, a exploração das cavernas traz contribuições científicas. O que foi encontrado no ano anterior ao da reportagem? Faça um comentário sobre o conteúdo da reportagem. 6- Na reportagem, qual é o sinal de pontuação usado para indicar a fala das pessoas entrevistadas? 7- O título “Mergulho radical” é adequado para o texto? Por quê?

Agora chegou sua vez de ser repórter. Faça uma pequena reportagem sobre um fato de seu conhecimento. Pode ser um fato de sua rua, de seu bairro, de seu grupo de amigos, de seu time, etc.

Como já fizemos com os outros modos verbais, vamos estudar o modo subjuntivo. Ao empregarmos o subjuntivo, consideramos o fato como incerto, duvidoso ou mesmo irreal. É completamente diferente do indicativo que considera o fato como certo ou real.

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Compare: TEMPO Presente MODO INDICATIVO Afirmo que ela estuda MODO SUBJUNTIVO Duvido que ela estude Duvido que ela estudasse

Imperfeito Afirmei que ela estudava

Veja os dois exemplos abaixo, extraídos da reportagem sobre cavernas submersas: 1- Se tudo isso não bastasse, um movimento brusco das nadadeiras é capaz de levantar do chão uma nuvem de areia. . . 2- Acredita-se que o animal tenha vivido na região há mais de 10.000 anos. No primeiro exemplo, bastasse está indicando as possibilidades de perigos nas cavernas, os riscos que podem acontecer. No segundo, tenha vivido indica a incerteza da existência de tal animal naquela região. Pode ter vivido ou não. Os tempos do subjuntivo são: 1- presente indica uma ação possível.

Ex.: Espero que você estude bastante para a prova. 2- pretérito imperfeito indica uma ação possível no passado.

Ex.: Se você estudasse, não sofreria tanto. 3- futuro indica uma ação que poderá ocorrer no futuro. Ex.: Se você estudar, conseguirá boas notas. O subjuntivo, normalmente, indica que uma ação não realizada é subordinada, dependente de outra. Portanto, quase sempre, a frase vem com mais de uma oração.

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Ex.: Se vocês jogarem bem,

ganharão o campeonato.

Observe que ganhar o campeonato só é possível com um jogo bom. Agora você tem o modelo dos verbos conjugados no modo subjuntivo.

FORMAS NOMINAIS Há ainda três formas que não expressam com exatidão o tempo ou modo em que acontece o fato. São as formas nominais. 1- Infinitivo apresenta o processo verbal em potência, isto é, a idéia de algo que pode acontecer. Ex.: “É preciso sempre recorrer a uma corda para marcar o caminho da saída.” O infinitivo tem a terminação em ar, er, e ir e pode ser flexionado como se vê no quadro da página seguinte. Exemplos: amar (1ª conjugação); vender (2ª conjugação); servir (3ª conjugação). 2- Gerúndio apresenta o processo verbal em curso, isto é, a idéia de algo acontecendo.

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Ex.: Nossa secretária não pára um minuto: telefonando, agendando, anotando recados, correndo para lá e para cá. O gerúndio tem a terminação em ando, endo, e indo. 3- Particípio idéia de algo concluído. apresenta o resultado do processo verbal, isto é, a

Ex.: “Ali vivem peixes como o cascudo albino e o bagre-cego, adaptados ao ambiente de eterna escuridão”. O particípio tem a terminação em ado e ido. Observação: as formas nominais aparecem freqüentemente nas locuções verbais. Ex.: Eu estou estudando. Eu tinha estudado. Eu vou estudar. Veja o quadro das formas nominais:

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Leia com atenção os quadrinhos abaixo:

Calvin – Bill Waterson Cruzeiro do Sul – 24 de agosto

1999.

1- Para saber se você entendeu os modos verbais, responda às questões abaixo sobre a tira de Calvin. a) Identifique dois verbos no gerúndio e dois no infinitivo. b) Chegar, no último quadrinho, parece infinitivo, mas é futuro do subjuntivo. Copie a frase em que esse tempo aparece e explique o uso nesse texto. 2- No texto “Mergulho radical”, há muitos verbos no infinitivo. Só no primeiro parágrafo há oito. Identifique esses oito e explique o porquê do uso deles pelo autor.

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3- Encontre, no texto “Mergulho radical”, dois exemplos de locução verbal com particípio. 4- Leia o trecho abaixo. O infante! Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te e foste desvendando a espuma. (Fernando Pessoa) Agora identifique em que tempos e modos verbais estão os verbos sublinhados e o que eles indicam.

O cabeça ou a cabeça? Observe: Várias gerações das melhores cabeças da técnica da informática foram influenciadas pelo que se costuma chamar filosofia hacking. A pancada foi muito forte e quebrou-lhe a cabeça. A polícia procura o cabeça da rebelião. Cabeça, como substantivo feminino, significa, entre outras coisas, parte do corpo, pessoa muito inteligente. Cabeça, como substantivo masculino, quer dizer chefe, líder.

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Copie as frases, completando-as com a palavra cabeça fazendo a concordância necessária: a) b) c) d) e) Acho que não sou ______ de nada. Ele é _______ do movimento. A melhor coisa que você faz é não esquentar ________. O acidente não me sai ________. O rapaz faz ________ da turma. ESCOLA DE BEM-TE-VIS Muita gente já não acredita que existam pássaros, a não ser em gravuras ou empalhados nos museus  o que é perfeitamente natural, dado o novo aspecto da terra, que, em lugar de árvores, produz com mais abundância blocos de cimento armado. Mas ainda há pássaros, sim. Existem tantos, em redor da minha casa, que até agora não tive (nem creio que venha a ter) tempo de saber seus nomes, conhecer suas cores, entender sua linguagem. Porque evidentemente os pássaros falam. Há muitos, muitos anos, no meu primeiro livro de inglês se lia: “Dizem que o sultão Mamude, entendia a linguagem dos pássaros. . .” Quando ouço um gorjeio nestas mangueiras e ciprestes, logo penso no sultão e nessa linguagem que ele entendia. Fico atenta, mas não consigo traduzir nada. No entanto, bem sei que os pássaros estão conversando. O papagaio e a arara, esses aprendem o que lhes ensinam, e falam como doutores. E há o bem-te-vi, que fala português de nascença, mas infelizmente só diz o seu próprio nome, decerto sem saber que assim se chama. Anos e anos a fio, os bem-te-vis do meu bairro nascem, crescem, brigam, falam.. .  depois deixam de ser ouvidos: não sei se caem nas panelas dos sibaritas, se arranjam emprego, se viajam, se tiram férias, se fazem turismo. Não sei. Mas, enquanto andam por aqui, são pacientemente instruídos por seus pais ou professores, e parece que, tão cedo começam a voar, já vão para as aulas, ao contrário de muitas crianças que antes de irem para as aulas já estão voando. Os pais e professores desses passarinhos devem ensinar-lhes muitas coisas: a discernir um homem de uma sombra, as sementes e frutas, os pássaros amigos e inimigos, os gatos  ah! Principalmente os gatos . . . Mas essa instrução parece que é toda prática e silenciosa, quase sigilosa: uma espécie de iniciação. Quanto a ensino oral, parece que é mesmo só: “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”, que uns dizem com voz rouca, outros com voz suave, e os garotinhos ainda meio hesitantes, sem fôlego para três sílabas.

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Antigamente era assim. Agora, porém, as coisas têm mudado. Certa vez, quando pai ou professor ensinava com a mais pura dicção: “Bem-te-vi!”  o aluno, preguiçoso, relapso ou turbulento, respondeu apenas: “Te-vi!” Grande escândalo. Uma pausa, na verde escola aérea “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”, tornou o instrutor, com uma animação que se ia tornando furiosa. Mas os maus exemplos são logo seguidos. E a classe toda achou graça naquela falta de respeito, naquela moda nova, naquela invenção maluca e foi um coro de “Te-vi! Te-vi” Te-vi!, que deixou o próprio eco muito desconfiado. Essa revolução durou algum tempo. A passarinhada vadia pulava de leste para oeste a zombar dos mais velhos. “Bem-te-vi!”, diziam estes, severos e puristas, tentando chamá-los à razão. “Te-vi! Te-vi!”, gritavam os outros, galhofeiros, revoltosos, endoidecidos. Passou-se o tempo necessário ao aparecimento de uma nova geração. E então foi sensacional! Os passarinhos mais recentes ouviam aquele fraseado clássico dos avós: “Bem-te-vi! Bem-te-vi!”  e deviam achar aquilo uma língua morta: o latim e o sânscrito lá deles. Depois, ouviam a abreviatura dos pais: “Te-vi! Te-vi!” Mas acharam muito comprido ainda. (Que trambolho, a família!) E passaram a responder, por muito favor, “Vi! Vi!” Muito mais econômico. Afinal, pelos ares não voam mais anjos e sim aviões a jato . . . “Bem-te-vi!”, exclamam os anciãos, com sua dignidade ofendida. “Te-vi!”, respondem os filhos revoltosos. E os netos, meio chochos: “Vi! Vi!” Quanto aos bisnetos, vamos ver o que acontecerá. Talvez os professores mudem de método. Talvez mude o ministro. Talvez os tempos sejam outros, e a passarinhada volte a ser normal, ou deixe de falar, só de pirraça, ou invente  quem sabe? uma expressão genial. E também pode ser que não haja mais bem-te-vis.
Meireles, Cecília – Palavras e Idéias, Nicole, José De e Infante, Ulisses – 7ª S Editora Scipione – p. 204.

Houve entre os bem-te-vis um conflito de gerações? Por quê?

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Interpretação do texto 1) Porque batidas no teto das grutas podem provocar danos nos tanques de oxigênio. O mergulhador também corre o risco de ficar entalado nas estalactites até o fim do suprimento de ar. 2) Sim, existem cerca de 200 grutas submersas. Resposta pessoal. 3) A prova disso é a presença de estalactites e estalagmites, esculpidas num ambiente seco, onde a água escorre por fendas na rocha e forma depósitos progressivos de calcário. 4) Resposta pessoal. 5) Fóssil de uma preguiça de 6 metros de comprimento numa gruta da Chapada Diamantina. Resposta pessoal. 6) Aspas. 7) Resposta pessoal. p. 04 Agora chegou sua vez de ser repórter. Resposta pessoal. p. 09 gerúndio = 1) a- fazendo, treinando. infinitivo = secar, tornar b- Quando chegar a adolescência você já sai na frente. Existe nessa frase uma idéia de uma ação que poderá ocorrer no futuro. 2) esgueirar, provocar, ficar, recorrer, suportar, levantar, acabar. Os verbos no infinitivo dão a idéia de algo que pode acontecer. 3) ficar entalado foram inundadas 4) fosse, unisse, separasse: pretérito imperfeito do modo subjuntivo – indica uma ação possível no passado. desvendando: gerúndio – apresenta a idéia de algo que está acontecendo. 5) Tivéssemos – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo. p. 10 a- o cabeça b- o cabeça c- a cabeça d- da cabeça e- a cabeça p.12 Resposta pessoal.

p. 04

Gabarito

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Apresentação
Aluno Neste módulo, você verá que um artigo científico contém resultados de uma pesquisa com dados precisos. E isto o motivará a fazer sua pesquisa. Além disso, você terá alguns verbos irregulares que, muitas vezes, causam sérias dúvidas para conjugá-los.

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Legenda
Exercício [faça no seu caderno]

Produção de texto [escreva no seu caderno]

Conceito [conceito importante que você deve gravar]

Aprenda mais [faça no seu caderno]

Ler é viver [leia e depois responda no seu caderno]

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O texto que você acabou de ler é um Artigo Científico. O artigo científico trata de uma questão verdadeiramente científica, baseada em pesquisas que o próprio autor do texto fez ou que ele recolheu de outro pesquisador. É o caso desse artigo de Cristiane Segatto. 1- O que a autora do artigo anuncia como boa notícia? Você concorda que é boa? Por quê? 2- A pesquisa sobre o novo medicamento foi feita na Universidade de Yale. Como foi feita essa pesquisa e qual o seu resultado? 3- “O ReVia não é uma panacéia para curar o alcoolismo, mas uma arma a mais”. Procure no dicionário o significado da palavra grifada e explique-a no texto acima. 4- O que nenhum cientista conseguiu ainda explicar até hoje sobre os consumidores de álcool? 5- O que você acha do depoimento de G.L.F. sobre o uso do novo remédio: ele vencerá o vício ou não? Por quê? 6- Por que vários núcleos do grupo de apoio Alcoólicos Anônimos discordam do uso do novo medicamento? Você concorda com eles ou não? Por quê? 7- Como o texto é um artigo científico, há muitos elementos científicos para provar, tais como: porcentagens, gráficos, depoimentos, etc. Qual deles você acha que lhe faz, enquanto leitor, acreditar mais na pesquisa. Por quê?

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Você fará uma pequena pesquisa científica. Vá até a biblioteca do CEESVO e consulte uma revista científica. Encontre um artigo que fale sobre o meio ambiente e a partir dele, escreva um pequeno texto com os dados, porcentagens, opiniões, esquemas apresentados. Agora vamos estudar os verbos irregulares. Verbos irregulares são os que sofrem mudança no radical ou os que têm a terminação diferente do modelo. Vejamos a 1ª pessoa do presente do indicativo dos verbos poder e medir:  eu posso apresenta o radical pod (de poder) como nas outras formas: podes, pode, podemos,etc.  eu meço não apresenta o radical med (de medir) como nas outras formas: eu medi, mediremos, medes, etc. Assim, os verbos poder e medir são irregulares. Colocaremos a seguir alguns verbos irregulares mais usados. Há quadros em que não aparecem todos os tempos. Isto porque os tempos que não aparecem, devem seguir os regulares.

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12-Complete no seu caderno os espaços com a forma adequada do verbo dar: a) b) c) d) e) Queremos que vocês _______ uma bela festa. Quem ______com a língua nos dentes, morreria. Assim que ele ______ a volta, avise-me. Amanhã todos ______ sua colaboração para a festa. Ah, se ela me _______ um beijo! Eu adoraria!

13- Encontre no texto “Inimigo do copo”, dois exemplos de verbos irregulares. Copie a frase onde aparecem e indique o tempo.

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14- No resumo abaixo, há cinco lacunas que você completará usando verbos. Após completar, grife apenas os irregulares. SEXTA-FEIRA, 16 DE VOLTA PARA O FUTURO, de Robert Zemeckis (Back to the Future, EUA, 1985). Aventura de ficção científica. Eis o filmaço que _____ origem à cinessérie. Produzida pelo mão-de-ouro Steven Spielberg e dirigida pelo competente Zemeckis, esta fita ______ o mais alto grau de diversão que a atual Hollywood conseguiu gerar. Viagem no tempo? Cientista louco? Aventura, suspense, comédia, efeitos especiais, alto-astral? Quem ______ até uma inesperada e gargalhável visita ao complexo de Édipo? Pois tudo isto a fita tem, de primeira e com muita imaginação e pique. O adolescente Marty Mcfly (Michael J. Fox) _______ numa máquina do tempo bolada por seu amigo cientista (Christopher Lloyd) e viaja de 1985 para 1955. Lá _____ que tem uma missão inimaginável: convencer sua futura mãe (Lea Thompson) a namorar seu futuro pai (Crispin Glover)  caso contrário, Marty não nascerá (!). É brincadeira? Tremenda matinê, para não perder (113min). Globo (5), 15h25. Revista Veja, 14/10/98. 15- Reescreva as frases usando o verbo grifado no tempo adequado: a) b) c) d) e) f) Ontem eu crer em você, mas hoje já não crer. Quando vocês poder ajudar, avisem-me. Se você querer, podemos estudar juntos. Amanhã trazer o livro que você me pediu. Quando vocês pôr tudo em ordem, todos vão descansar. Eu não caber neste espaço.

16- Na letra da música de Chico Buarque de Holanda, “Olha nos olhos”, há o seguinte trecho: “Quando meu bem querer me vir, estou certo de que há de vir atrás”. As formas são iguais, mas uma é do verbo ver e a outra do vir. Identifique cada uma.

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PALAVRAS PARÔNIMAS Observe as palavras em destaque: a) Em meado de setembro, haverá um concurso de contos no colégio. b) Na noite escura, ouviu-se um miado estridente. As palavras em destaque são: • diferentes quanto ao sentido. Meado significa metade ou próximo ao meio. Miado refere-se à voz do gato. • semelhantes quanto à pronúncia e à grafia. Tratam-se de palavras parônimas.

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TERMINAÇÕES EM/ ÊM/ ÊEM Observe: Ele tem direitos. Eles têm direitos. Ele vem cantando. Eles vêm cantando.

LER ele eles lê

CRER crê

VER vê vêem

DAR dê dêem

lêem crêem

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1- Copie as frases, passando para o plural o sujeito e o verbo: a) Ele tem responsabilidade. b) Ela vem na frente de Carlos. c) O país subdesenvolvido tem muitas dívidas. d) A floresta tem muitas riquezas. e) O pacote vem com lacre. f) O navio vem se aproximando. 2- Copie as frases, passando-as para o plural: a) Este aluno lê muito. b) Ela crê em mim. c) É preciso que você me dê atenção. d) O animal vê tudo em preto e branco. e) O professor lê os textos em voz alta. A MOÇA TECELÃ Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás da beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear. Linha clara, para começar o dia. Delicado traço de luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

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Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela. Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para a frente e para trás, a moça passava seus dias. Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se a sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma e foi entrando na sua vida. Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade. E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele lhe poderia dar.  Uma casa maior é necessária  disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer. Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.  Por que ter casa, se podemos ter palácio? – perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata. Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira. Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

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 É para que ninguém saiba do tapete  disse. E antes de trancar a porta a chave advertiu:  Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos! Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo. Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear. Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seus tecidos. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na casa pequena e sorriu para o jardim além da janela. A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu. Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
Colasanti, Marina. Doze reis e a moça no labirinto do vento. Rio de Janeiro, Nórdica, 1982. p. 12-6

Vocabulário: pender: inclinar-se; estar pendurado lançadeira: peça de tear por onde passa o fio da tecelagem penumbra: sombra incompleta; meia-luz pente: peça onde se encaixam as balas de uma arma; peça onde passam os fios de um tecido entremear: misturar; intercalar aprumado: alinhado batente: rebaixo onde janela e porta se encaixam ao fechar estrebaria: lugar onde se recolhem cavalos e arreios capricho: desejo, extravagância

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Você concorda ou não que a tecelã pode representar o poder que cada um de nós temos de conduzir a própria vida? Explique.

1) A queda do preço do remédio ReVia contra o alcoolismo. Resposta pessoal. 2) O remédio foi testado durante três meses, analisando 104 homens e mulheres dependentes de álcool que já participaram de grupos de apoio e de tratamentos psiquiátricos. Setenta e sete por cento dos pacientes deixaram a bebida. O medicamento também diminuiu a possibilidade de recaída e aumentou a adesão ao tratamento. 3) Panacéia: 1- remédio para todos os males, pretendido pela alquimia. 2- recurso empregado para remediar dificuldades. O ReVia não irá resolver todos os problemas do alcoolismo, mas é uma arma a mais. 4) O que nenhum cientista conseguiu explicar é por que uma pequena parcela dos usuários torna-se dependente e tem sua vida destruída. 5) Pelo depoimento de G.L.F. houve uma transformação em seu comportamento pelo tratamento. Resposta pessoal. 6) Para eles, tudo é questão de força de vontade. “As pessoas podem se iludir, achar que estão curadas e voltar a beber”. Resposta pessoal. 7) Resposta pessoal. p. 05 Pesquisa - Resposta pessoal. p. 15 1) a- dêem b- desse c- der d- darão e- desse 2) mentem – presente do indicativo “. . . um acerto familiar ou que claramente mentem ao médico sobre seus últimos deslizes”. fosse – pretérito imperfeito do subjuntivo. “ O álcool age igualmente no cérebro de todos eles, como se fosse um spray. . .” 3) deu – alcançou – faria – entra – descobre

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Gabarito

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4) a- Ontem eu cri em você, mas hoje já não creio. b- Quando vocês puderem ajudar, avisem-me. c- Se você quiser, podemos estudar juntos. d- Amanhã trarei o livro que você me pediu. e- Quando vocês puserem tudo em ordem, todos vão descansar. f- Eu não caibo neste espaço. 5) querer me vir = verbo ver. Há de vir atrás = verbo vir. 1) a- Eles têm responsabilidade. b- Elas vêm na frente de Carlos. c- Os países subdesenvolvidos têm muitas dívidas. d- As florestas têm muitas riquezas. e- Os pacotes vêm com lacre. f- Os navios vêm se aproximando. 2) a- Estes alunos lêem muito. b- Elas crêem em mim. c- É preciso que vocês me dêem atenção. d- Os animais vêem tudo em preto e branco. e- Os professores lêem os textos em voz alta. Resposta pessoal.

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Bibliografia
• O Texto: Da Teoria À Prática – Subsídios à Proposta Curricular para o Ensino de Língua Portuguesa – Ensino Fundamental – Secretaria de Estado da Educação – São Paulo – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – 2ª ed. – São Paulo – 1998. • Parâmetros Curriculares Nacionais – Português e Apresentação dos Temas Transversais – Ministério da Educação e do Desporto – Secretaria de Educação Fundamental – Brasília – 1997. • Proposta Curricular para o ensino de Língua Portuguesa – Ensino Fundamental – Secretaria de Estado da Educação – São Paulo Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - 4ª ed. – São Paulo – 1998. ALMEIDA, Maria Aparecida e FERREIRA, Givan - Falando a Mesma Língua. São Paulo: FTD, 1994. BASSI, Cristina M. e LEITE, Márcia - Leitura e Expressão. Atual Editora, 1992. CARDOSO, Eloisa G. e DONADIO, Miriam G. - Português – Projeto Alternativo. Ed. do Brasil, 1989. CARVALHO, Carmen Silvia C. Torres de; PANACHÃO, Déborah; KUTNIKAS, Sarina Bacellar; SALMASO, Silvia Maria de Almeida - Construindo a escrita: Gramática/ ortografia. São Paulo: Ática, 1997. CARVALHO, Carmen Silvia C. Torres de; PANACHÃO, Déborah; KUTNIKAS, Sarina Bacellar; SALMASO, Silvia Maria de Almeida - Construindo a escrita: Leitura e interpretação de textos. São Paulo: Ática, 1997. COLEÇÃO “PARA GOSTAR DE LER” : Ed. Ática, 1994. CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley - Nova Gramática do Português Contemporâneo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA DO BRASIL – Rio de Janeiro, 1997. FARACO, Carlos Emílio e MOURA, Francisco Marto de - Gramática Nova. São Paulo: Ática, 1992. FARACO, Carlos Emílio e MOURA, Francisco Marto de - Linguagem Nova. São Paulo: Ática, 1997. FÁVERO, Leonor L. - Coesão e coerência textuais. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1995. FÁVERO, Leonor L. e KOCH, Ingedore G. V - Linguística textual: introdução. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1994. GARCIA, Othon M. - Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1975. GONÇALVES, Maria Silvia e RIOS, Rosana - Português Em Outras Palavras. 2ª ed. Ed. Scipione, 1997.

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GRANATIC, Branca - Técnicas básicas de redação. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1997. INFANTE, Ulisses - Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação. São Paulo: Scipione, 1998. JORNAIS: O Estado de São Paulo, Cruzeiro do Sul, Folha de São Paulo, Diário de Sorocaba. KLEIMAN, Angela - Texto e leitor. 4ª ed. Campinas, SP: Pontes, 1995. LUFT, Celso Pedro e CORREA, Maria Helena - A Palavra é Sua. 3ª ed. São Paulo: Ed. Scipione, 1997. MAIA, João D. - Literatura: Textos e técnicas. São Paulo: Ática, 1996. MIRANDA, Claudia e RODRIGUES, Maria Luiza Delage - Linguagem viva. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1997. NICOLA, José De e INFANTE, Ulisses - Palavras e Idéias. São Paulo: Scipione, 1995. PERINI, Mario A. - Por uma nova gramática. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1989. PROENÇA, Graça e HORTA, Regina - A Palavra É Português. 3ª ed. Ed. Ática, 1997. REVISTAS: Veja, Isto É, Manequim, Nova Escola, Cláudia. SARGENTIM, Hermínio G. - Atividades de Comunicação em Língua Portuguesa. São Paulo: IBEP. SILVA, Antonio de Siqueira e BERTOLIN, Rafael - A Construção da Linguagem. São Paulo: IBEP. SOARES, Magda - Português Através de Textos. 3ª ed. São Paulo: Ed. Moderna, 1993. TRAVAGLIA, Luiz C. - Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1997. TEATRO DA JUVENTUDE – Governo do Estado de São Paulo/ Secretaria da Cultura. Ano 2 – Número 14 – Outubro/1997. TESOTO, Lídio - Novo Texto e Contexto. São Paulo: Ed. do Brasil, 1994. TUFANO, Douglas - Curso Moderno de Língua Portuguesa. 2ª ed. reformulada. São Paulo: Moderna, 1991.

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Equipe de Português
• Antonia Gilmara Biazotto de Souza Rodrigues • Aparecida Ferreira Ladeira • Edna Gouvêa • Maria Alice Pacos

Coordenação
Cheila Fernanda Rodrigues

Supervisão
Terezinha Hashimoto Bertin

Colaboração especial
Neide Giamboni Lopes

Direção
Rita de Cássia Fraga Costa

Capa
Criação: Lopes e Vilela

Observação Importante
Este material foi elaborado pelos professores de Português/ Sorocaba, para uso exclusivo de CEES. É proibida a sua comercialização.

Observação
Estes Módulos foram feitos com base na nova L D B, Parâmetros Curriculares, Proposta CENP.