Koans e Contos Zen Buddhistas

Há uma estória indiana de um homem que era um ateu e agnóstico, um r a r í s s i m o t i p o de p o s t u r a n a Í n di a . E l e e r a u m a pe s s o a q u e de s e j a v a l i v r a r - s e d e t o d a s a s f o rm a s d e r i t o s r e l i g i o s o s , de i x a n d o a p e n a s a e s s ê n c i a d a di r e t a experiência da Verdade. Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir a seu r e d o r t o d a s e m a n a , q u a n d o e l e f a l a v a a t o do s s o b r e s e u s p r i n c í p i o s . A p ó s a l g u m t e m po e l e s c o m e ç a r a m a s e j u n t a r a n t e s d o m e s t r e a p a r e c e r , p o r q u e e l e s go s t a v a m d e e s t a r e m g r u p o e c a n t a r j u n t o s . E v e n t u a l m e n t e f o i c o n s t r u í d a u m a c a s a p a r a a s r e u n i õ e s , c o m u m a s al a e s pe c i a l p a r a o m e s t r e a g n ó s t i c o . A p ó s s u a m o r t e , t o r n o u - s e u m a p r á t i c a e n t r e s e u s s e g u i d o r e s f a z e r u m a r e ve r ê n c i a r e s pe i t o s a p a r a a a go r a s al a v a z i a , a n t e s d e s e e n t r a r n o s a l ã o . E m u m a m e s a e s pe c i a l a i m a g e m d o m e s t r e e r a m o s t r a d a e m u m a m o l d u r a d e o u r o , e a s p e s s o a s d e i x a v a m f l o r e s e i n c e n s o l á, em respeito ao mestre. E m p o u c o s a n o s u m a r e l i gi ã o t i n h a c re s c i d o e m t o r n o d a q u e l e h o m e m , q u e e m v i d a n ã o p r a t i c a v a n a d a d i s s o , e q u e , ao c o n t r á r i o , s e m p r e d i s s e a o s s e u s s e g u i d o r e s q u e f i c a r p r e s o a e s t a s p r á t i c a s l e v a v a f r e q ü e n t e m e n t e a pe s s o a a s e i l u di r n o c a m i n h o d a V e r d a d e . “Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento. T e n h a i s c o n f i a n ç a n ã o n o e n s i n a m e n t o , m as n o e s p í r i t o d a s p a l a v r a s . T e n h a i s c o n f i a n ç a n ã o n a t e o r i a , m a s n a e x pe r i ê n c i a. N ã o c r e i a i s e m a l g o s i m p l e s m e n t e po r q u e v ó s o u v i s t e s . N ã o c r e i a i s n a s t r a d i ç õ e s s i m p l e s m e n t e p o r q u e e l a s t ê m s i d o m a n t i d a s de geração para geração. N ã o c r e i a i s e m a l g o s i m p l e s m e n t e po r q u e f o i f a l a d o e c o m e n t a d o p o r m u i t o s . N ã o c r e i a i s e m a l g o s i m p l e s m e n t e po r q u e e s t á e s c r i t o e m l i v r o s s a g r a d o s ; n ão c r e i a i s n o q u e i m a g i n a i s , pe n s a n d o q u e u m D e u s v o s i n s p i r o u . N ã o c r e i a i s e m a l g o m e r a m e n t e b a s e a do n a a u t o r i d a d e d e s e u s m e s t r e s e anciãos. M a s a p ó s c o n t e m p l a ç ã o e r e f l e x ã o , q u a n do v ó s p e r c e b e i s q u e a l g o é c o n f o r m e ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para o s o u t r o s , e n t ã o o a c e i t e i s e f a ç a i s d i s t o a b a s e de s u a v i d a. ” (Gautama Buddha - Kalama Sutra) Q u a n d o c u r i o s a m e n t e t e p e r g u n t a r e m , b u s c a n do s a b e r o q u e é A q u i l o , N ã o d e ve s a f i r m a r o u n e g a r n a d a . P o i s o q u e q u e r q u e s e j a a f i r m a d o n ão é a v e r d a d e , E o que quer que seja negado não é verdadeiro. C o m o a l g u é m p o de r á d i z e r c o m c e r t e z a o q u e A q u i l o p o s s a s e r E n q u a n t o p o r s i m e s m o n ã o t i v e r c o m p r e e n di d o pl e n am e n t e o q u e É ? E , a pó s t ê - l o c o m p r e e n d i d o , q u e p a l a v r a de v e s e r e n v i a d a d e u m a R e gi ã o Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir? P o r t a n t o , a o s s e u s q u e s t i o n a m e n t o s o f e r e c e - l h e s a pe n a s o s i l ê n c i o , S i l ê n c i o – e u m de d o a po n t a n d o o C a m i n h o . A n t e s d e e n t e n d e r m o s o Z e n , a s m o n t a n h a s s ão m o n t a n h a s e o s r i o s s ão r i o s ; Ao nos esforçarmos para entender o Zen, a s m o n t a n h a s d e i x a m d e s e r m o n t a n h a s e o s r i o s de i x a m d e s e r r i o s ; Q u a n d o f i n a l m e n t e e n t e n de m o s o Z e n , as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios. (versos zen)

1. Uma xícara de Chá N a n - I n , u m m e s t r e j a p o n ê s d u r a n t e a e r a M e i ji ( 1 8 6 8 - 1 9 1 2 ) , r e c e b e u u m p r o f e s s o r d e u n i v e r s i d a d e q u e ve i o l h e i n q u i r i r s o b r e Z e n . E s t e i n i c i o u u m longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O p r o f e s s o r , v e n d o o e xc e s s o s e d e r r a m a n d o , n ã o po d e m a i s s e c o n t e r e di s s e : "Está muito cheio. Não cabe mais chá!" " C o m o e s t a xí c a r a , " N a n - i n d i s s e , " v o c ê e s t á c h e i o d e s u a s p r ó p r i a s o pi n i õ e s e e s pe c u l a ç õ e s . C o m o po s s o e u l h e d e m o n s t r a r o Z e n s e m v o c ê p r i m e i r o e s v a z i a r sua xícara?"

2. Uma Parábola C e r t a v e z , d i s s e o B u d d h a u m a p a r á b o l a: U m h o m e m v i a j a n d o e m u m c a m po e n c o n t r o u u m t i g r e . E l e c o r r e u , o t i g r e e m seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de u m a v i n h a s e l v a g e m e m s u a s m ã o s e pe n d u r o u - s e p r e c i pi t a d a m e n t e a b a i x o , n a b e i r a do a b i s m o . O t i g r e o f a r e j a v a a c i m a . T r e m e n d o , o h o m e m o l h o u p a r a b a i x o e v i u , n o f u n do d o p r e c i p í c i o , o u t r o t i g r e a e s p e r á - l o . A pe n a s a v i n h a o sustinha. M a s a o o l h a r p a r a a pl a n t a , v i u do i s r a t o s , u m n e g r o e o u t r o b r a n c o , r o e n do a o s po u c o s s u a r a i z . N e s t e m o m e n t o s e u s o l h o s p e r c e b e r a m u m b e l o m o r a n g o v i c e j a n do p e r t o . S e g u r a n d o a v i n h a c o m u m a m ã o , e l e pe g o u o m o r a n g o c o m a outra e o comeu. " Q u e de l í c i a ! " , e l e d i s s e .

3. Nas Mãos do Destino U m g r a n d e g u e r r e i r o j a p o n ê s c h a m a do N o b u n a g a d e c i d i u a t a c a r o i n i m i g o e m b o r a e l e t i v e s s e a p e n a s u m d é c i m o d o n ú m e r o d e h o m e n s q u e s e u o po n e n t e . E l e s a b i a q u e p o de r i a g a n h a r m e s m o a s s i m , m a s s e u s s o l d a d o s t i n h a m d ú v i d a s . N o c a m i n h o p a r a a b a t a l h a e l e p a r o u e m u m t e m p l o S h i n t ó e d i s s e ao s s e u s homens: " A p ó s e u vi s i t a r o r e l i c á r i o e u j o g a r e i u m a m o e d a . S e a C a r a s a i r , i r e m o s vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos." N o b u n a g a e n t r o u n o t e m p l o e o f e re c e u u m a p r e c e s i l e n c i o s a . E n t ã o s a i u e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a l u t a r q u e e l e s g a n h a r a m a b a t a l h a f ac i l m e n t e . A pó s a b a t a l h a , s e u s e g u n d o e m c o m a n d o di s s e - l h e o r g u l h o s o : " N i n g u é m p o d e m u d a r a m ã o do D e s t i n o ! " "Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

4. Garotas T a n z a n e E k i do c e r t a v e z v i a j a v a m j u n t o s p o r u m a e s t r a d a l a m a c e n t a . U m a pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão. " V e n h a , m e n i n a , " d i s s e T a n z a n de i m e d i a t o . E r g u e n d o - a e m s e u s b r a ç o s , e l e a carregou atravessando o lamaçal. E k i d o n ã o f a l o u n a d a a t é a q u e l a n o i t e q u a n d o e l e s a t i n g i r a m o al o j am e n t o do

Templo. Então ele não mais se conteve e disse: "Nós monges não nos aproximamos de mulheres," ele disse a Tanzan, " e s p e c i a l m e n t e a s j o v e n s e be l a s . I s t o é p e r i g o s o . Po r q u e f e z a q u i l o ? " "Eu deixei a garota lá," disse Tanzan. "Você ainda a está carregando?"

5. Sem trabalho, Sem comida H Y A K U J O , o m e s t r e Z e n c h i n ê s , c o s t u m a v a t r a b a l h a r c o m s e u s di s c í p u l o s m e s m o n a i d a d e d e 8 0 a n o s , a p a r a n d o o j a r d i m , l i m p a n do o c h ã o , e p o d a n d o a s á r v o r e s . O s d i s c í p u l o s s e n t i r a m p e n a e m v e r o ve l h o m e s t r e t r a b a l h a n d o t ã o d u r a m e n t e , m a s e l e s s a b i a m q u e e l e n ão i r i a e s c u t a r s e u s a p e l o s p a r a q u e parasse. Então eles resolveram esconder suas ferramentas. Naquele dia o mestre não comeu. No dia seguinte também, e no outro. " E l e d e v e e s t a r i r r i t a d o p o r t e r m o s e s c o n di d o s u a s f e r r a m e n t a s , " o s d i s c í p u l o s a c h a r a m . " É m e l h o r n ó s a s c o l o c a r m o s de v o l t a n o l u g a r . " No dia em que eles fizeram isso, o mestre trabalhou e comeu exatamente como antes. À noite ele os instruiu, simplesmente: "Sem trabalho, sem comida." 6. Nada Existe YAMAOKA TESSHU, quando era um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso: "A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A v e r d a d e i r a n a t u r e z a do s f e n ô m e n o s é v a z i a . N ã o h á r e a l i z a ç ão , n e n h u m a d e s i l u s ã o , n e n h u m s á bi o , n e n h u m a m e d i o c r i d a d e . N ã o h á o D a r e t a m p o u c o nada a receber!" D o k u o n , q u e e s t a v a f u m a n do p a c i e n t e m e n t e , n a d a di s s e . S u bi t a m e n t e e l e a c e r t o u Y a m a o k a n a c a b e ç a c o m s e u l o n g o c a c h i m bo d e b a m b u . I s t o f e z o j o v e m f i c a r m u i t o i r r i t a d o , g r i t a n d o x i n g am e n t o s . " S e n a d a e x i s t e , " p e r g u n t o u , c a l m o , D o k u o n , " d e o n d e ve i o t o d a e s t a s u a raiva?"

7. A Subjugação de um fantasma - Um Exorcismo Zen... U m a j o v e m e b e l a e s po s a c a i u d o e n t e e f i n a l m e n t e c h e go u à s po r t a s d a m o r t e . " E u t e a m o t a n t o , " e l a d i s s e a o s e u m a r i d o , " E u n ão q u e r o d e i x a r - t e . P r o m e t a s que não me trocarás por nenhuma outra mulher! Se tu não o fizeres, eu retornarei como um fantasma e te causarei aborrecimentos sem fim!" L o g o a p ó s , a e s po s a m o r r e u . O m a r i d o p r o c u r o u r e s pe i t a r s e u ú l t i m o d e s e j o pelos primeiros três meses, mas então ele encontrou outra mulher e se a p a i x o n o u . E l e s t o r n a r a m - s e n o i v o s e l o g o s e c a s a r i am . Imediatamente após o noivado um fantasma aparecia todas as noites ao h o m e m , a c u s a n do - o p o r n ã o t e r m a n t i d o s u a p r o m e s s a . O f a n t a s m a e r a e s pe r t o , t a m b é m . E l a l h e d i z i a t u d o o q u e a c o n t e c i a e e r a f al a d o e n t r e e l e e s u a n o i v a , m e s m o a s m a i s í n t i m a s e x pe r i ê n c i a s . S e m p r e q u e d a v a à s u a n o i v a u m p r e s e n t e , o f a n t a s m a o de s c r e v i a e m detalhes. Ela até mesmo repetia suas conversas, e isso aborrecia tanto o h o m e m q u e e l e n ã o e r a c a p a z d e d o r m i r . A l gu é m o a c o n s e l h o u a e x po r s e u problema a um mestre Zen que vivia próximo à vila. Enfim, em desespero, o pobre homem foi buscar sua ajuda. " E n t ã o s u a e x - e s p o s a t o r n o u - s e u m f a n t a s m a e s a b e t u d o o q u e vo c ê f a z , " c o m e n t o u o m e s t r e , m e i o di v e r t i d o . " O q u e q u e r q u e v o c ê f a ç a o u d i g a , o q u e q u e r q u e v o c ê d ê à s u a a m a d a , e l a s a b e . E l a de v e s e r u m f a n t a s m a m u i t o s á b i o . . . R e a l m e n t e v o c ê d e v e r i a a dm i r a r t a l f a n t a s m a ! A p r ó x i m a ve z q u e e l a aparecer, barganhe com ela. Diga a ela exatamente o que direi a você..."

N a q u e l a n o i t e o h o m e m e n c o n t r o u o f a n t a s m a e di s s e o q u e o m e s t r e h a v i a instruído: "Você sabe tanto de mim que eu nada posso esconder-lhe! Se você me r e s p o n de r a pe n a s u m a q u e s t ã o , e u l h e p r o m e t o d e s f a z e r m e u n o i v a d o e permanecer solteiro." " N a v e r d a d e , e u s e i q u e v o c ê f o i v e r u m m e s t r e Z e n h o je ! D i g a - m e s u a questão." Disse o fantasma. O homem levantou sua mão direita fechada e perguntou: " J á q u e s a be s t a n t o , d i g a - m e a p e n a s q u a n t o s f e i j õ e s e u t e n h o n e s t a m ão . . . " N e s t e e x a t o m o m e n t o n ã o h a v i a m a i s n e n h u m f a n t a s m a p a r a r e s p o n de r a questão.

8. Verdadeira Riqueza U m h o m e m m u i t o r i c o p e d i u a S e n g a i p a r a e s c r e v e r a l go p e l a c o n t i n u i d a d e d a p r o s p e r i d a d e de s u a f a m í l i a , d e m o do q u e e s t a p u d e s s e m a n t e r s u a f o r t u n a de geração a geração. S e n g a i pe g o u u m a l o n g a f o l h a d e p a p e l d e a r r o z e e s c r e v e u : " P a i m o r r e , f i l h o morre, neto morre." O h o m e m r i c o f i c o u i n d i g n a do e o f e n d i do . " E u l h e p e d i p a r a e s c r e v e r a l g o p e l a f e l i c i d a d e d e m i n h a f a m í l i a ! P o r q u e f i z e s t e u m a b r i n c a d e i r a de s t a s ? ! ? " " N ã o p r e t e n d i f a ze r b r i n c a d e i r a s , " e x p l i c o u S e n g a i t r a n q ü i l a m e n t e . " S e a n t e s d e s u a m o r t e s e u f i l h o m o r r e r , i s t o i r i a m a g o á - l o i m e n s am e n t e . S e s e u n e t o s e fosse antes de seu filho, tanto você quanto ele ficariam arrasados. Mas se sua f a m í l i a , d e g e r a ç ã o a ge r a ç ã o , m o r r e r n a o r d e m q u e e u e s c r e v i , i s s o s e r i a o m a i s n a t u r a l c u r s o d a V i d a . E u c h am o a i s s o V e r d a de i r a R i qu e z a . "

9. Homem Santo B o a t o s e s p a l h a r a m - s e po r t o d a a r e g i ão a c e r c a do s á b i o H o m e m S a n t o q u e v i v i a e m u m a pe q u e n a c a s a s o b r e a m o n t a n h a . U m h o m e m d a v i l a d e c i d i u f a ze r a l o n g a e d i f í c i l j o r n a d a p a r a v i s i t á - l o . Q u a n do c h e go u n a c a s a , e l e v i u u m s i m p l e s v e l h o d e n t r o q u e o r e c e be u , a b r i n d o a p o r t a . " E u g o s t a r i a d e v e r o s á bi o H o m e m S a n t o , " d i s s e e l e ao o u t r o . O v e l h o s o r r i u e permitiu-o entrar. E n q u a n t o e l e s c a m i n h a v a m a o l o n g o d a c as a , o h o m e m d a v i l a o l h a v a ansiosamente em torno, antecipando seu encontro com um homem considerado um verdadeiro Santo. Mas antes que pudesse dar pela coisa, ele já havia p e r c o r r i d o a e x t e n s ã o d a c a s a e l e v a d o p a r a f o r a . E l e p a r o u e vo l t o u - s e p a r a o velho: " M a s e u q u e r o ve r o H o m e m S a n t o ! " " J á o f i z e s t e , " d i s s e o ve l h o . " T o d o s q u e t u e n c o n t r a s e m t u a v i d a , m e s m o s e e l e s p a r e ç a m s i m p l e s e i n s i g n i f i c a n t e s . . . v e j a c a d a u m de l e s c o m o u m s á bi o H o m e m S a n t o . S e f i z e r e s d e s t e m o do , e n t ã o q u a i s q u e r q u e s e j a m o s p r o bl e m a s q u e t r o u x e s t e s a q u i h o j e , s e r ã o r e s o l v i do s . . . " E fechou a porta.

1 0 . O s Po r t a i s do P a r a í s o Um orgulhoso guerreiro chamado Nobushige foi até Hakuin, e perguntou-lhe: "Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?" " Q u e m é v o c ê ? " pe r g u n t o u H a k u i n . "Eu sou um samurai!" o guerreiro exclamou. " V o c ê , u m g u e r r e i r o ! " r i u - s e H a k u i n . " Q u e e s pé c i e d e g o v e r n a n t e t e r i a t a l g u a r d a ? S u a a p a r ê n c i a é a d e u m m e n d i go ! " . N o b u s h i ge f i c o u t ã o r a i v o s o q u e c o m e ç o u a d e s e m b a i n h a r s u a e s p a d a , m a s

Hakuin continuou: "Então você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não c o r t a r á m i n h a c a be ç a . . . " O samurai retirou a espada num gesto rápido e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento Hakuin gritou: "Acabaram de se abrir os Portais do Inferno!" A o o u vi r e s t a s p a l a v r a s , e p e r c e b e n do a s a be d o r i a d o m e s t r e , o s a m u r a i e m b a i n h o u s u a e s p a d a e f e z - l h e u m a p r o f u n d a r e v e r ê n c i a. "Acabaram de se abrir os Portais do Paraíso," disse suavemente Hakuin.

11. É mesmo? U m a l i n d a g a r o t a d a v i l a f i c o u g r á v i d a . S e u s p a i s , e n c o l e r i z a d o s , e xi g i r a m saber quem era o pai. Inicialmente resistente a confessar, a ansiosa e embaraçada menina finalmente acusou Hakuin, o mestre Zen o qual todos da v i l a r e ve r e n c i a v a m p r o f u n d a m e n t e p o r v i v e r u m a v i d a di g n a . Q u a n do o s i n s u l t a d o s p a i s c o n f r o n t a r a m H a k u i n c o m a a c u s a ç ã o de s u a f i l h a , e l e simplesmente disse: "É mesmo?" Q u a n d o a c r i a n ç a n a s c e u , o s p a i s a l e v a r a m p a r a H a k u i n , o q u al a g o r a e r a v i s t o c o m o u m p á r i a p o r t o d o s d a r e g i ã o . E l e s e xi g i r a m q u e e l e t o m a s s e c o n t a d a c r i a n ç a , u m a v e z q u e e s s a e r a s u a r e s p o n s a bi l i d a d e . " É m e s m o ? " H a k u i n di s s e c a l m a m e n t e e n q u a n t o a c e i t a v a a c r i a n ç a . P o r m u i t o s m e s e s e l e c u i d o u c a r i n h o s am e n t e d a c r i a n ç a a t é o d i a e m q u e a menina não agüentou mais sustentar a mentira e confessou que o pai verdadeiro era um jovem da vila que ela estava tentando proteger. O s p a i s i m e d i a t a m e n t e f o r a m a H a k u i n , c o n s t r a n g i d o s , p a r a v e r s e e l e po d e r i a d e v o l v e r a g u a r d a d o be b ê . C o m p r o f u s a s d e s c u l p a s e l e s e x p l i c a r a m o q u e tinha acontecido. " É m e s m o ? " d i s s e H a k u i n e n q u a n t o de v o l v i a a c r i a n ç a .

12. Certo e Errado Q u a n d o B a n k e i r e a l i z a v a s e u s r e t i r o s s e m a n ai s d e m e di t a ç ã o , d i s c í p u l o s d e m u i t a s p a r t e s do J a p ã o vi n h a m p a r t i c i p a r . D u r a n t e u m d e s t e s S e s s h i n s u m d i s c í p u l o f o i p e go r o u b a n d o . O c a s o f o i r e p o r t a d o a B a n k e i c o m a s o l i c i t a ç ã o p a r a q u e o c u l p a do f o s s e e x p u l s o . Bankei ignorou o caso. M a i s t a r d e o d i s c í p u l o f o i s u r p r e e n di d o n a m e s m a f a l t a , e n o v a m e n t e B a n ke i desdenhou o acontecimento. Isto aborreceu os outros pupilos, que enviaram u m a p e t i ç ã o pe d i n d o a d i s pe n s a d o l a d r ã o , e de c l a r a n d o q u e s e t a l n ã o f o s s e f e i t o e l e s t o d o s i ri a m de i x a r o r e t i r o . Q u a n d o B a n k e i l e u a pe t i ç ã o e l e r e u n i u t o d o s d i a n t e d e s i . " V o c ê s s ã o s á b i o s , " e l e di s s e a o s di s c í p u l o s . " V o c ê s s a b e m o q u e é c e r t o e o q u e é e r r a d o . V o c ê s po d e m i r p a r a q u a l q u e r o u t r o l u g a r p a r a e s t u d a r e p r a t i c a r , m a s e s t e p o b r e i rm ã o n ão p e r c e b e n e m m e s m o o q u e s i g n i f i c a o c e r t o e o e r r a d o . Q u e m i r á e n s i n á - l o s e e u n ão o f i z e r ? E u v o u m a n t ê - l o a q u i , m e s m o se o resto de vocês partirem." U m a t o r r e n t e de l á g r i m a s f o r a m d e r r a m a d a s pe l o m o n g e q u e r o u b a r a . T o d o s e u d e s e j o de r o u b a r t i n h a s e e s v a e c i d o .

13. Buddha Cristão U m d o s m o n ge s do m e s t r e G a s a n v i s i t o u a u n i v e r s i d a d e e m T o k y o . Q u a n do e l e r e t o r n o u , e l e p e r g u n t o u a o m e s t r e s e e l e j a m ai s t i n h a l i d o a B í b l i a C ri s t ã . " N ã o , " G a s a n r e p l i c o u , " P o r f a v o r l e i a al g o de l a p a r a m i m . "

O m o n ge a b r i u a B í b l i a n o S e rm ã o d a M o n t a n h a e m S ã o M a t e u s , e c o m e ç o u a ler. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, ele parou. Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo. "Sim," ele finalmente disse, "Quem quer que proferiu estas palavras é um ser i l u m i n a do . O q u e vo c ê l e u p a r a m i m é a e s s ê n c i a d e t u d o o q u e e u t e n h o estado tentando ensinar a vocês aqui."

1 4 . A L u a N ã o P o de S e r R o u b a d a R y o k a n , u m m e s t r e Z e n , v i v i a a m a i s s i m p l e s e f r u g ai s d a s v i d a s e m u m a p e q u e n a c a b a n a a o s p é s de u m a m o n t a n h a . U m a n o i t e u m l a d r ã o e n t r o u n a c a b a n a a p e n a s p a r a de s c o b r i r q u e n a d a h a v i a p a r a s e r r o u b a d o . R y o k a n r e t o r n o u e o s u r p r e e n de u l á. " V o c ê f e z u m a l o n g a v i a g e m p a r a m e v i s i t a r , " e l e d i s s e ao g a t u n o , "e v o c ê n ã o d e v e r i a r e t o r n a r d e m ã o s v a z i a s . P o r f a vo r t o m e m i n h a s r o u p a s c o m o u m presente." O l a d r ã o f i c o u pe r p l e x o . R i n do d e t r o ç a , e l e t o m o u a s r o u p a s e e s g u e i r o u - s e para fora. Ryokan sentou-se nu, olhando a lua. " P o b r e c o i t a d o , " e l e m u r m u r o u . " G o s t a r i a d e po d e r d a r - l h e e s t a b e l a l u a . "

15. Equanimidade Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia f a c i l m e n t e d i z i m a r u m a c i d a d e e t o m a r c o n t r o l e . N u m a v i l a , t o d o s f u gi r a m a p a v o r a d o s a o s a b e r q u e u m ge n e r a l f a m o s o po r s u a f ú r i a e c r u e l d a d e e s t a v a se aproximando - todos exceto um mestre Zen, que vivia afastado. Q u a n d o c h e go u à v i l a , s e u s b a t e d o r e s d i s s e r a m q u e n i n g u é m m a i s e s t a v a l á , a l é m do m o n g e . O ge n e r a l f o i e n t ã o ao t e m pl o , c u r i o s o e m s a be r q u e m e r a t a l h o m e m . Q u a n do e l e l á c h e g o u , o m o n g e n ão o r e c e be u c o m a n o r m a l s u b m i s s ã o e t e r r o r c o m q u e e l e e s t a v a a c o s t u m a d o a s e r t r a t a d o p o r t o do s ; i s s o l e vo u o g e n e r a l à f ú r i a . " S e u t o l o ! ! " e l e g r i t o u e n q u a n t o d e s e m b a i n h a v a a e s p a d a , " n ã o p e r c e be q u e v o c ê e s t á d i a n t e de u m h o m e m q u e p o de t r u c i d á - l o n u m p i s c a r d e o l h o s ? ! ? " Mas o mestre permaneceu completamente tranqüilo. " E v o c ê p e r c e be , " o m e s t r e r e pl i c o u c a l m a m e n t e , " q u e v o c ê e s t á d i a n t e de u m h o m e m q u e p o d e s e r t r u c i d a d o n u m p i s c a r de o l h o s ? "

16. O ladrão que se tornou um discípulo Uma noite quando Shichiri Kojun estava recitando sutras um ladrão com uma e s p a d a e n t r o u e m s e u z e n d o , e x i gi n d o s e u di n h e i r o o u a s u a v i d a. S h i c h i r i di s s e - l h e : " N ã o m e p e r t u r b e . V o c ê p o d e e n c o n t r a r o di n h e i r o n a q u e l a g a v e t a . " E r e t o m o u sua recitação. U m p o u c o d e po i s e l e p a r o u d e n o v o e d i s s e a o l a d r ã o : "Não pegue tudo. Eu preciso de alguma soma para pagar os impostos amanhã." O i n t r u s o p e g o u a m a i o r p a r t e d o di n h e i r o e p r i n c i p i o u a s ai r . " A g r a d e ç a à pe s s o a q u a n do v o c ê r e c e b e u m p r e s e n t e , " S h i c h i r i a c r e s c e n t o u . O homem lhe agradeceu, meio confuso, e fugiu. P o u c o s d i a s de p o i s o i n d i v í d u o f o i p r e s o e c o n f e s s o u , e n t r e o u t r a s c o i s a s , a o f e n s a c o n t r a S h i c h i r i . Q u a n do S h i c h i r i f o i c h am a d o c o m o t e s t e m u n h a e l e disse: " E s t e h o m e m n ã o é l a d r ã o , a o m e n o s t a n t o q u a n t o m e d i z r e s pe i t o . E u l h e de i o di n h e i r o e e l e i n c l u s i v e m e a g r a d e c e u p o r i s s o . "

A pó s o h o m e m t e r c u m p r i do s u a pe n a , e l e f o i a S h i c h i r i e t o r n o u - s e u m d e s e u s discípulos.

17. Verdadeira regeneração R y o k a n de v o t o u s u a v i d a a o e s t u d o do Z e n . U m di a e l e o u v i u q u e s e u s o b r i n h o , a d e s pe i t o d a s a d v e r t ê n c i a s d e s u a f am í l i a , e s t a v a g a s t a n d o s e u d i n h e i r o c o m uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na r e s p o n s a b i l i d a d e d e ge r e n c i a r o s p r o v e n t o s d a f a m í l i a , e o s be n s d e s t a portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan f a z e r a l go . R y o k a n t e v e q u e v i a j a r po r u m a l o n g a e s t r a d a p a r a e n c o n t r a r s e u s o b r i n h o , o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio n o v a m e n t e e o c o n v i do u a pe r n o i t a r e m s u a c a s a . P o r t o d a a n o i t e R yo k a n s e n t o u e m m e d i t a ç ã o . Q u a n d o e l e e s t a v a p a r t i n d o n a m a n h ã s e g u i n t e e l e d i s s e a o j o ve m : " E u d e v o e s t a r f i c a n do v e l h o , m i n h a s m ão s t r e m e m t a n t o ! P o de r i a m e a j u d a r a am a r r a r m i n h a s a n d á l i a d e p a l h a ? " O s o b r i n h o o a j u do u d e v o t a d a m e n t e . " O b r i g a d o , " di s s e R y o k a n f i n a l m e n t e , " v o c ê vê , a c a d a d i a u m h o m e m s e t o r n a m ai s v e l h o e f r á g i l . C u i d e - s e c o m a t e n ç ã o . " E n t ã o R y o k a n p a r t i u , j am a i s m e n c i o n a n do u m a p a l a v r a s o b r e a c o r t e s ã o u a s r e c l a m a ç õ e s de s e u s p a r e n t e s . M a s , d a q u e l a m an h ã e m d i a n t e , o e s b a n j a m e n t o do s e u n e t o t e r m i n o u . 18. O Homem rico U m h o m e m q u e r i a f i c a r r i c o e , t o d o s o s di a s , i a p e d i r a D e u s q u e l h e a t e n d e s s e às súplicas. N u m di a d e i n v e r n o , a o vo l t a r d a o r a ç ão , a v i s t o u , p r e s a n o g e l o do c am i n h o , uma polpuda carteira de dinheiro. N o m e s m o i n s t a n t e , j u l go u - s e a t e n d i d o . M a s c o m o a c a r t e i r a r e s i s t i s s e ao s s e u s e s f o r ç o s , u r i n o u e m c i m a d e l a a f i m d e de r r e t e r o g e l o q u e a r e t i n h a . E foi então... Que despertou na cama toda molhada...

1 9 . M o r t e de T o k u a n M e s t r e T o k u a n ( c u j o n o m e s i g n i f i c a " p e p i n o " ) e s t a v a m o r r e n do ; u m d i s c í p u l o a p r o x i m o u - s e e pe r g u n t o u - l h e q u a l e r a o s e u t e s t a m e n t o . T a k u a n r e s p o n de u que não tinha testamento; mas o discípulo insistiu: - Não tendes nada... Nada para dizer? - A v i d a n ã o p a s s a de u m s o n h o . E e x pi r o u .

20. Eremita e a ambição Na China antiga, um eremita meio mágico vivia numa montanha profunda. Um b e l o d i a , u m v e l h o a m i g o f o i v i s i t á - l o . S e n r i n , m u i t o f e l i z p o r r e c e bê - l o , ofereceu-lhe um jantar e um abrigo para a noite; na manha seguinte, antes da p a r t i d a d o a m i g o , q u i s o f e r t a r - l h e u m p r e s e n t e . T o m o u de u m a p e d r a e , c o m o d e d o , c o n v e r t e u - a n u m b l o c o de o u r o p u r o . O a m i g o n ã o f i c o u s a t i s f e i t o ; S e n r i n a p o n t o u o d e do p a r a u m a r o c h a e n o r m e , q u e t a m bé m s e t r a n s f o r m o u e m o u r o . O amigo, porém, continuava sem sorrir. - Que queres, então? - indagou Senrin. R e s p o n d e u - l h e o a m i go : - C o r t a e s s e de d o , e u o q u e r o .

2 1 . P r e s e n t e de I n s u l t o s Certa vez existiu um grande guerreiro. Ainda que muito velho, ele ainda era c a p a z d e de r r o t a r q u a l q u e r d e s a f i a n t e . S u a r e p u t a ç ã o e s t e n d e u - s e l o n ge e a m p l a m e n t e a t r a v é s d o p a í s e m u i t o s e s t u d a n t e s r e u n i am - s e p a r a e s t u d a r s o b sua orientação. U m d i a u m i n f a m e j o ve m g u e r r e i r o c h e g o u à v i l a . E l e e s t a v a d e t e r m i n a do a s e r o p r i m e i r o h o m e m a de r r o t a r o g r a n d e m e s t r e . J u n t o à s u a f o r ç a , e l e po s s u í a u m a h a b i l i d a de f a n t á s t i c a e m pe r c e b e r e e x p l o r a r q u a l q u e r f r a q u e z a e m s e u o p o n e n t e , o f e n d e n do - o a t é q u e a e s t e pe r d e s s e a c o n c e n t r a ç ã o . E l e e s p e r a r i a e n t ã o q u e s e u o po n e n t e f i z e s s e o p r i m e i r o m o vi m e n t o , e a s s i m r e v e l a n d o s u a f r a q u e z a , e e n t ã o a t a c a r i a c o m u m a f o r ç a i m p i e do s a e v e l o c i d a d e d e u m r a i o . Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro m o vi m e n t o . Contra todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre a l e g r e m e n t e a c e i t o u o de s a f i o d o j o v e m g u e r r e i r o . Q u a n do o s d o i s s e posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre. Ele jogava terra e cuspia em sua face. Por horas ele verbalmente o f e n d e u o m e s t r e c o m t o d o o t i p o de i n s u l t o e m al d i ç ã o c o n h e c i do s p e l a h u m a n i d a d e . M a s o v e l h o g u e r r e i r o m e r am e n t e f i c o u p a r a d o a l i , c a l m a m e n t e . F i n a l m e n t e , o j o v e m g u e r r e i r o f i n a l m e n t e f i c o u e x a u s t o . P e r c e b e n do q u e t i n h a s i d o d e r r o t a d o , e l e f u g i u v e r g o n h o s am e n t e . U m t a n t o de s a p o n t a d o s po r n ã o t e r e m v i s t o s e u m e s t r e l u t a r c o n t r a o i n s o l e n t e , o s e s t u d a n t e s a p r o x i m a r a m - s e e l h e pe r g u n t a r a m : " C o m o o s e n h o r p ô d e s u p o r t a r t a n t o s i n s u l t o s e i n di g n i d a d e s ? C o m o c o n s e g u i u d e r r o t á - l o s e m ao menos se mover?" " S e a l g u é m v e m p a r a l h e d a r u m p r e s e n t e e v o c ê n ão o a c e i t a , " o m e s t r e replicou, "para quem retorna este presente?"

22. Caçando dois coelhos U m e s t u d a n t e d e a r t e s m a r c i a i s a p r o x i m o u - s e de s e u m e s t r e c o m u m a q u e s t ã o : " G o s t a r i a d e a u m e n t a r m e u c o n h e c i m e n t o d a s a r t e s m a r c i ai s . E m a d i ç ão a o q u e a p r e n d i c o m o s e n h o r , e u go s t a r i a de e s t u d a r c o m o u t r o p r o f e s s o r p a r a po d e r aprender outro estilo. O que pensa de minha idéia?" " O c a ç a d o r q u e e s p r e i t a do i s c o e l h o s a o m e s m o t e m p o , " r e s p o n d e u o m e s t r e , " c o r r e o r i s c o de n ã o p e g a r n e n h u m . "

23. O Mais Importante Ensinamento U m r e n o m a d o m e s t r e Z e n di z i a q u e s e u m a i o r e n s i n a m e n t o e r a e s t e : B u d d h a é a s u a m e n t e . D e t ã o i m p r e s s i o n a d o c o m a p r o f u n d i d a d e i m pl i c a d a n e s t e a x i o m a , u m m o n g e d e c i di u d e i x a r o M o n a s t é r i o e r e t i r a r - s e e m u m l o c a l a f a s t a d o p a r a m e d i t a r n e s t a p e ç a de s a b e do r i a . E l e v i v e u 2 0 a n o s c o m o u m e r e m i t a r e f l e t i n d o n o g r a n d e e n s i n am e n t o . U m d i a e l e e n c o n t r o u o u t r o m o n g e q u e vi a j a v a n a a t r a v é s d a f l o r e s t a p r ó x i m a à s u a e rm i d a . L o g o o m o n ge e r e m i t a s o u b e q u e o v i a j a n t e t a m b é m t i n h a estudo sob o mesmo mestre Zen. " P o r f a v o r , d i g a - m e s e vo c ê c o n h e c e o g r a n d e e n s i n am e n t o do m e s t r e , " perguntou ansioso ao outro. Os olhos do monge viajante brilharam, "Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."

2 4 . A p r e n de n d o do m o d o m a i s d u r o O filho de um mestre em roubos pediu a seu pai para ensinar-lhe os segredos de seu ofício. O velho ladrão concordou e naquela noite levou seu filho para a s s a l t a r u m a g r a n d e m a n s ã o . E n q u a n t o a f a m í l i a d o r m i a , e l e s i l e n c i o s am e n t e l e vo u s e u a p r e n d i z p a r a d e n t r o d e u m q u a r t o q u e c o n t i n h a u m a r m á r i o d e r i c a s r o u p a s . O p a i di s s e a o f i l h o p a r a e n t r a r n o a r m á r i o e pe g a r al g u m a s r o u p a s . Q u a n d o o r a p a z f e z i s s o , s e u p a i r a p i d a m e n t e f e c h o u a po r t a e o p r e n d e u l á dentro. Então ele saiu, e bateu sonoramente na porta da frente, acordando c o n s e q ü e n t e m e n t e a f a m í l i a q u e do r m i a , e r a p i d am e n t e f u g i u a n t e s q u e q u a l q u e r pe s s o a o v i s s e . Horas mais tarde, seu filho retornou à casa, em trapos e exausto. "Pai!" ele gritou em fúria, "Porque o senhor me prendeu no armário? Se eu não t i v e s s e u s a d o de s e s pe r a d a m e n t e m e u s r e c u r s o s c o m m e do de s e r de s c o be r t o , e u j a m a i s t e r i a e s c a p a d o . T i v e q u e a b a n d o n a r t o d a a m i n h a t i m i de z p a r a s ai r de lá!" O v e l h o l a d r ã o s o r r i u : " F i l h o , v o c ê a c a b o u d e t e r s u a p r i m e i r a l i ç ão n a a r t e d a rapinagem..."

2 5 . G u t e i e o D e do O M e s t r e G u t e i , s e m p r e q u e l h e f a z i am u m a p e r g u n t a , r e s p o n di a l e v a n t a n d o um dedo sem dizer nada. Um noviço adquiriu o vício de imitá-lo. Certo dia, um v i s i t a n t e p e r g u n t o u a o n o vi ç o : " Q u e s e r m ã o o M e s t r e e s t á p r o n u n c i a n d o a go r a ? " O n o v i ç o r e s p o n d e u l e v a n t a n d o o de d o . O v i s i t a n t e , q u a n d o s e e n c o n t r o u c o m o Mestre, contou-lhe que o noviço o imitara. Mais tarde, o Mestre escondeu uma faca nas vestes e chamou o noviço. Quando este se apresentou, Gutei perguntou-lhe: "O que é Buddha?" O r a p a z , a n s i o s o p a r a i m p r e s s i o n a r o m e s t r e , r e s p o n d e u l e v a n t a n d o o de d o . O M e s t r e e n t ã o a g a r r o u - l h e a m ã o e c o r t o u - l h e o d e do c o m a f a c a . O d i s c í p u l o , apavorado e em choque, já ia sair correndo, mas o Mestre o chamou com um grito: "NOVIÇO!" Q u a n d o o r a p a z s e v o l t o u p a r a o M e s t r e , e s t e pe r g u n t o u a b r u p t a m e n t e : "O que é Buddha?" O d i s c í p u l o i a l e v a n t a r o de d o , m a s n ão t i n h a m a i s de d o . N e s t e i n s t a n t e , e l e alcançou o Satori.

26. Seguindo a corrente U m v e l h o h o m e m bê b a d o a c i de n t a l m e n t e c a i u n a s t e r r í v e i s c o r r e d e i r a s d e u m r i o q u e l e v a v a m p a r a u m a a l t a e pe r i g o s a c a s c a t a . N i n g u é m j a m a i s t i n h a s o b r e v i v i do à q u e l e r i o . A l g u m a s p e s s o a s q u e v i r a m o a c i de n t e t e m e r a m pe l a s u a v i d a , t e n t a n d o d e s e s p e r a d a m e n t e c h a m a r a a t e n ç ão d o h o m e m q u e , b ê b a d o , e s t a v a q u a s e de s m a i a d o . M a s , m i r a c u l o s a m e n t e , e l e c o n s e g u i u s ai r s a l v o q u a n d o a p r ó p r i a c o r r e n t e z a o de s p e j o u n a m a r g e m e m u m a c u r v a q u e fazia o rio. A o t e s t e m u n h a r o e ve n t o , K u n g - t z u ( C o n f ú c i o ) c o m e n t o u p a r a t o d a s a s p e s s o a s q u e di z i a m n ã o e n t e n d e r c o m o o h o m e m t i n h a c o n s e g u i do s a i r de t ã o g r a n d e dificuldade sem luta: " E l e s e a c o m o d o u à á g u a , n ã o t e n t o u l u t a r c o m e l a . S e m pe n s a r , s e m r a c i o n a l i z a r , e l e p e r m i t i u q u e a á g u a o e n vo l v e s s e . M e r g u l h a n d o n a c o r r e n t e z a , conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."

27. O Sonho C e r t a v e z o m e s t r e t a o í s t a C h u a n g T z u s o n h o u q u e e r a u m a b o r b o l e t a , v o a n do a l e g r e m e n t e a q u i e a l i . N o s o n h o e l e n ão t i n h a m a i s a m í n i m a c o n s c i ê n c i a d e s u a i n d i v i d u a l i d a de c o m o p e s s o a . E l e e r a r e a l m e n t e u m a b o r b o l e t a . R e pe n t i n a m e n t e , e l e a c o r d o u e de s c o b r i u - s e d e i t a d o a l i , u m p e s s o a novamente. M a s e n t ã o e l e pe n s o u p a r a s i m e s m o : " F u i a n t e s u m h o m e m q u e s o n h a v a s e r u m a bo r b o l e t a , o u s o u a g o r a u m a borboleta que sonha em ser um homem?" 28. Egoísmo O P r i m e i r o M i n i s t r o d a D i n a s t i a T a n g e r a u m h e r ó i n a c i o n a l pe l o s e u s u c e s s o t a n t o c o m o h o m e m de e s t a d o q u a n t o c o m o l í de r m i l i t a r . M a s a de s p e i t o d e s u a f a m a , p o de r e r i q u e z a , e l e s e c o n s i de r a v a u m h u m i l de e d e v o t o B u d d h i s t a . Freqüentemente ele visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e e l e s p a r e c i a m s e d a r m u i t o b e m . O f a t o de q u e e l e e r a p r i m e i r o m i n i s t r o a p a r e n t e m e n t e n ã o t i n h a e f e i t o e m s u a r e l a ç ão , q u e p a r e c i a s e r s i m p l e s m e n t e a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante. U m d i a , d u r a n t e s u a v i s i t a u s u a l , o P r i m e i r o M i n i s t r o p e r g u n t o u ao m e s t r e , " M e s t r e , o q u e é o e go í s m o d e a c o r d o c o m o B u d d h i s m o ? " O r o s t o d o m e s t r e f i c o u v e r m e l h o , e n u m t o m de v o z e x t r e m am e n t e d e s d e n h o s o e i n s u l t u o s o e l e g r i t o u e m r e s po s t a : " Q u e t i po d e p e r g u n t a e s t ú p i d a é e s t a ? ! ? " Tal resposta tão inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornouse imediatamente arrogante e com raiva: "Como ousa me tratar assim?" Neste momento o mestre Zen sorriu e disse: " I S T O , S u a E x c e l ê n c i a , é e go í s m o . . . "

29. Conhecendo os Peixes C e r t a v e z C h u a n g T z u e u m a m i g o c am i n h a v a m à m a r g e m d e u m r i o . " V e j a o s pe i x e s n a d a n d o n a c o r r e n t e z a , " d i s s e C h u a n g T z u , " E l e s e s t ã o realmente felizes..." " V o c ê n ã o é u m p e i x e , " r e p l i c o u a r r o g a n t e m e n t e s e u a m i go , " E n t ã o v o c ê n ão p o d e s a b e r s e e l e s e s t ã o f e l i ze s . " " V o c ê n ã o é C h u a n g T z u , " d i s s e C h u a n g T z u , " E n t ã o c o m o v o c ê s a be q u e e u n ã o s e i q u e o s pe i x e s e s t ã o f e l i z e s ? "

30. Plena Atenção A pó s d e z a n o s de a p r e n d i z a g e m , T e n n o a t i n g i u o t í t u l o d e m e s t r e Z e n . N u m d i a c h u v o s o , e l e f o i v i s i t a r o f a m o s o m e s t r e N a n - I n . Q u a n do e l e e n t r o u n o mosteiro, o mestre recebeu-o com uma questão, " V o c ê d e i x o u s e u s t a m a n c o s e s e u g u a r d a - c h u v a n o al p e n d r e ? " "Sim", Tenno replicou. "Diga-me então," o mestre continuou, "você colocou seu guarda-chuva à e s q u e r d a de s e u c a l ç a do , o u à di r e i t a ? " T e n n o n ã o s o u b e c o m o r e s po n d e r a o k o a n , pe r c e b e n do a f i n a l q u e e l e ai n d a n ã o t i n h a a l c a n ç a do a p l e n a a t e n ç ã o . E n t ã o e l e t o r n o u - s e a p r e n d i z de N a n - I n e e s t u d o u s o b s u a o r i e n t a ç ã o p o r m ai s d e z a n o s .

31. Concentração A pó s g a n h a r v á r i o s t o r n e i o s de A r c o e F l e c h a , o jo v e m e a r r o g a n t e c a m pe ã o r e s o l v e u d e s a f i a r u m m e s t r e Z e n q u e e r a r e n o m a d o pe l a s u a c a p a c i d a d e c o m o arqueiro. O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um d i s t a n t e a l v o n a m o s c a n a p r i m e i r a f l e c h a l a n ç a d a , e ai n d a f o i c a p a z de d i v i di l a e m d o i s c o m s e u s e g u n do t i r o . " S i m ! " , e l e e x c l a m o u p a r a o v e l h o a r q u e i r o , "V e j a s e p o de f a ze r i s s o ! " I m pe r t u r b á v e l , o m e s t r e n ã o p r e p a r o u s e u a r c o , m a s e m ve z d i s s o f e z s i n a l para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles a l c a n ç a r a m u m p r o f u n d o a bi s m o a t r a v e s s a d o p o r u m a f r á g i l e po u c o f i r m e t á b u a de m a de i r a . C a l m a m e n t e c am i n h a n do s o b r e a i n s e g u r a e c e r t a m e n t e p e r i g o s a p o n t e , o v e l h o m e s t r e t o m o u u m a l a r g a á r v o r e l o n gí n q u a c o m o a l v o , esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro. " A g o r a é s u a v e z , " e l e d i s s e e n q u a n t o e l e s u a ve m e n t e v o l t a v a p a r a s o l o seguro. O l h a n do c o m t e r r o r p a r a de n t r o d o a b i s m o n e g r o e a p a r e n t e m e n t e s e m f i m , o j o v e m n ã o p ô de f o r ç a r a s i m e s m o c am i n h a r pe l a p r a n c h a , m u i t o m e n o s a c e r t a r u m a l v o de l á . " V o c ê t e m m u i t a p e r í c i a c o m s e u a r c o , " o m e s t r e d i s s e , p e r c e be n d o a d i f i c u l d a d e d e s e u de s a f i a n t e , " m a s v o c ê t e m p o u c o e q u i l í b r i o c o m a m e n t e q u e d e v e n o s de i x a r r e l a x a d o s p a r a m i r a r o a l v o . "

32. Professor de Sino U m n o v o e s t u d a n t e a p r o x i m o u - s e d o m e s t r e Z e n e pe r g u n t o u - l h e c o m o e l e poderia absorver seus ensinamentos de forma correta. " P e n s e e m m i m c o m o u m s i n o , " o m e s t r e e x p l i c o u . " M e dê u m s u a v e t o q u e , e e u i r e i l h e d a r u m pe q u e n o t i n i do . T o q u e - m e c o m f o r ç a e v o c ê r e c e b e r á u m a l t o e p r o f u n do b a d a l o . "

33. O Elefante e a Pulga R o s h i K a p l e a u ( u m m e s t r e Z e n m o d e r n o ) c o n c o r d o u e m f a l a r a u m g r u p o de p s i c a n a l i s t a s s o b r e Z e n . A pó s s e r a p r e s e n t a d o a o g r u p o p e l o di r e t o r do i n s t i t u t o a n a l í t i c o , o R o s h i q u i e t a m e n t e s e n t o u - s e s o b r e u m a al m o f a d a colocada sobre o chão. Um estudante entrou, prostrou-se diante do mestre, e e n t ã o s e n t o u - s e e m o u t r a a l m o f a d a p r ó x i m a , o l h a n do s e u p r o f e s s o r . " O q u e é Z e n ? " o e s t u d a n t e p e r g u n t o u . O R o s h i p e go u u m a b a n a n a , de s c a s c o u a, e começou a comê-la. "Isso é tudo? O senhor não pode me dizer nada mais?" o estudante disse. "Aproxime-se, por favor." O mestre replicou. O estudante moveu-se mais para perto e Roshi balançou o que restava da banana em frente ao rosto do outro. O estudante fez uma reverência e partiu. U m s e g u n do e s t u d a n t e l e v a n t o u - s e e di r i g i u - s e à a u d i ê n c i a : " V o c ê s t o d o s e n t e n de r a m ? " Q u a n d o n ã o h o u v e r e s po s t a , o e s t u d a n t e adicionou: " V o c ê s a c a b a r a m de t e s t e m u n h a r u m a c o m pl e t a d e m o n s t r a ç ã o d o Z e n . A l g u m a questão?" A pó s u m l o n g o s i l ê n c i o c o n s t r a n g i d o , a l g u é m f al o u . "Roshi, eu não estou satisfeito com sua demonstração. O senhor nos mostrou algo que eu não tenho certeza de ter compreendido. DEVE existir uma maneira de nos DIZER o que é o Zen!" " S e v o c ê i n s i s t e e m u s a r m a i s p a l a v r a s , " o R o s h i r e pl i c o u , " e n t ã o Z e n é ' u m e l e f a n t e c o p u l a n do c o m u m a p u l g a. . . ' " .

34. Livros Hsüan-Chien, quando jovem, era um devoto estudante do buddhismo. Estudou muito os conceitos e as doutrinas, e tornou-se muito hábil em analisar os termos complexos, e se considerava um expert em filosofia buddhista. A p r e n de u d e c o r o S u t r a d o D i a m a n t e , e o r g u l h o s a m e n t e e s c r e v e u u m l o n g o comentário sobre ele. U m d i a , s a be n d o q u e e m H u n a n h a v i a u m g r a n d e s á b i o q u e d i z i a c o i s a s q u e e l e não concordava, resolveu viajar até lá para provar, através de seu c o n h e c i m e n t o , q u e o p r e t e n s o s á b i o e s t a v a e r r a d o . E l e pe g o u s e u c o m e n t á r i o Q i n gl o n g s o b r e o S u t r a d o D i a m a n t e e p a r t i u . N o c a m i n h o , e n c o n t r o u u m a v e l h a q u e v e n d i a bo l i n h o s de a r r o z . C a n s a d o e com fome, falou à senhora: " G o s t a r i a d e c o m p r a r a l g u n s bo l i n h o s , p o r f a v o r . " " Q u e l i v r o s e s t á c a r r e g a n d o ? " , p e r g u n t o u a ve l h a . " É o m e u c o m e n t á r i o s o b r e o s e n t i d o v e r d a d e i r o d o S u t r a do D i a m a n t e , " di s s e orgulhoso," mas você não sabe nada sobre esses assuntos profundos." A pó s u m p e q u e n o m o m e n t o e m s i l ê n c i o , a v e l h a l h e d i s s e : " V o u l h e f a z e r u m a p e r g u n t a , e s e p u d e r m e r e s po n d e r e u l h e d a r e i o s bo l i n h o s d e g r a ç a . S e n ã o , t e r á q u e i r e m bo r a , p o i s n ã o v o u l h e v e n d e r o s b o l i n h o s . " A c h a n do - s e c a p a z d e r e s po n d e r q u a l q u e r p e r g u n t a , q u a n t o m ai s d e u m a p e s s o a sem os seus anos de conhecimentos nos termos filosóficos, disse: " M u i t o be m , p e r g u n t e - m e ". " E s t á e s c r i t o n o V a j r a c c h e di k a q u e a M e n t e d o p a s s a do é i n a t i n g í v e l , a M e n t e d o f u t u r o é i n a t i n g í v e l e a M e n t e d o p r e s e n t e é i n a t i n g í ve l ; di g a - m e e n t ã o : com qual Mente você vai se alimentar?" E s t u p e f a t o , H s ü a n - c h i e n n ã o s o u b e o q u e d i z e r . A ve l h a l e v a n t o u - s e e comentou: "Sinto muito, mas acho que terá que se alimentar em outro lugar", e partiu. Q u a n d o c h e go u n o s e u d e s t i n o e n c o n t r o u L o n g t a n , o m e s t r e d o t e m p l o . T i n h a chegado tarde, e ainda abalado com o encontro anterior, sentou-se s i l e n c i o s a m e n t e e m f re n t e a o m e s t r e , e s pe r a n d o q u e e l e i n i c i a s s e o d e b a t e . O mestre, após muito tempo, disse: "É muito tarde, e você está cansado. É melhor ir para seu quarto, dormir." " M u i t o be m , " di s s e o i n t e l e c t u a l , l e v a n t o u - s e e c o m e ç o u a s a i r p a r a a e s c u r i d ã o d o c o r r e d o r . O m e s t r e ve i o d e de n t r o d o s al ã o e c o m e n t o u : "Está muito escuro, tome, leve esta vela acesa," e lhe passou uma das velas a c e s a s d o a l t a r . Q u a n do H s ü e n - c h i e n pe g o u a v e l a t r a z i d a p e l o m e s t r e , L o n g t a n s u b i t a m e n t e a s s o p r o u - a , a p a g a n d o a l u z e d e i x a n d o a m bo s s i l e n c i o s o s em meio à escuridão. Neste momento Hsüan-chien atingiu o Satori. N o d i a s e g u i n t e , l e v o u t o do s s e u s l i v r o s e c o m e n t á r i o s p a r a o p á t i o e o s queimou.

35. Obra de Arte U m m e s t r e e m c a l i g r a f i a e s c r e ve u a l g u n s i d e o g r a m a s e m u m a f o l h a d e p a p e l . U m d o s s e u s m a i s e s p e c i a l m e n t e s e n s í ve i s e s t u d a n t e s e s t a v a o b s e r v a n d o . Q u a n d o o a r t i s t a t e r m i n o u , e l e p e r g u n t o u a o pi n i ão d o s e u p u pi l o - q u e imediatamente lhe disse que não estava bom. O mestre tentou novamente, mas o e s t u d a n t e c r i t i c o u t a m bé m o n o v o t r a b a l h o . V á r i a s v e ze s , o m e s t r e c u i d a d o s a m e n t e r e d e s e n h o u o s m e s m o s i d e o g r a m a s , e a c a d a ve z s e u estudante rejeitava a obra. E n t ã o , q u a n do o e s t u d a n t e e s t a v a c o m s u a a t e n ç ã o de s v i a d a p o r o u t r a c o i s a e n ã o e s t a v a o l h a n do , o m e s t r e a p r o v e i t o u o m o m e n t o e r a p i d a m e n t e a p a g o u o s caracteres que havia escrito no último trabalho, deixando a folha em branco. " V e j a ! O q u e a c h a ?, " e l e p e r g u n t o u . O E s t u d a n t e e n t ã o v i r o u - s e e o l h o u atentamente. " E S T A . . . é v e r d a d e i r a m e n t e u m a o b r a d e a r t e ! " , e x c l am o u . (Uma lenda diz que este é o conto que descreve a criação de arte do mestre

K o s e n , q u e p o r s u a ve z f o i u s a d a p a r a c r i a r o e n t a l h e e m m a de i r a d a s p a l a v r a s " O P r i m e i r o P r i n c í pi o " , q u e o r n a m e n t a m o p o r t ã o d o T e m p l o O b a k u e m K y o t o ) .

3 6 . B u s c a n do p o r B u d d h a U m m o n g e pô s - s e a c a m i n h o d e u m a l o n g a pe r e g r i n a ç ã o p a r a e n c o n t r a r B u d d h a . E l e l e vo u m u i t o s a n o s e m s u a b u s c a a t é al c a n ç a r a t e r r a o n d e di z i a - s e q u e vi v i a B u d d h a . A o c r u z a r o s a g r a d o r i o q u e c o r t a v a e s t e p a í s , o m o n ge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo f l u t u a n d o e m s u a di r e ç ã o . Q u a n d o o o b j e t o c h e g o u m a i s p e r t o , e l e v i u q u e e r a um cadáver - e que o morto era ele mesmo! O m o n ge p e r d e u t o d o o c o n t r o l e e d e u u m g r i t o d e do r à v i s ã o d e s i m e s m o , r í g i d o e s e m v i d a , f l u t u a n d o s u a v e m e n t e n a c o r r e n t e do g r a n d e r i o . N e s t e i n s t a n t e pe r c e b e u q u e a l i e s t a v a c o m e ç a n d o s u a b u s c a p e l a l i b e r a ç ã o . . . E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.

37. O Agora U m g u e r r e i r o j a po n ê s f o i c a p t u r a d o p e l o s s e u s i n i m i g o s e jo g a d o n a p r i s ão . N a q u e l a n o i t e e l e s e n t i u - s e i n c a p a z d e do r m i r p o i s s a b i a q u e n o d i a s e g u i n t e e l e i r i a s e r i n t e r r o g a d o , t o r t u r a d o e e x e c u t a d o . E n t ã o a s p a l a v r a s de s e u mestre Zen surgiram em sua mente: " O ‘ a m a n h ã ’ n ã o é r e a l . É u m a i l u s ã o . A ú n i c a r e al i d a d e é ‘ A G O R A ’ . O v e r d a d e i r o s o f r i m e n t o é v i v e r i gn o r a n d o e s t e D h a r m a " . Em meio ao seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, f i c o u e m p a z e do r m i u t r a n q ü i l a m e n t e .

38. Nada santo Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre: " N ó s c o n s t r u í m o s t e m p l o s , c o p i a m o s o s s u t r a s s a g r a d o s , o r d e n am o s m o n g e s e m o n j a s . Q u a l o m é ri t o , r e v e r e n c i a d o S e n h o r , d a n o s s a c o n d u t a ? " "Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio. O I m p e r a d o r , c h o c a d o e a l go o f e n di d o , pe n s o u q u e t a l r e s p o s t a c o m c e r t e z a e s t a v a s u b v e r t e n d o t o d o o do g m a b u d d h i s t a , e t o r n o u a pe r g u n t a r : "Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?" " U m v a s t o V a z i o , s e m n a d a s a n t o d e n t r o d e l e " , af i r m o u B o dh i d h a r m a , p a r a a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta: " Q u e m é s e n t ã o , p a r a f i c a r e s di a n t e d e m i m c o m o s e f o s s e u m s á bi o ? " "Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora. 39. Onde está sua mente? Finalmente, após muitos sofrimentos, Shang Kwang foi aceito por Bodhidharma c o m o s e u di s c í p u l o . O j o ve m e n t ã o p e r g u n t o u ao m e s t r e : " E u n ã o t e n h o p a z de e s p í r i t o . G o s t a r i a d e pe d i r , S e n h o r , q u e p a c i f i c a s s e minha mente." "Ponha sua mente aqui na minha frente e eu a pacificarei!" replicou Bodhidharma. " M a s . . . é i m po s s í v e l q u e e u f a ç a i s s o ! " a f i r m o u S h a n g K w a n g . "Então já pacifiquei a sua mente.", conclui o sábio.

40. A prática faz a perfeição Um estudante de canto de ópera dramática treinou sob um rígido professor que insistia que ele recitasse dia após dia, mês após mês o mesmo trecho da m e s m a c a n ç ã o , s e m j a m a i s s e r pe r m i t i d o i r a d i a n t e . F i n a l m e n t e , o p r i m i d o p e l a f r u s t r a ç ã o e de s e s pe r o , o j o v e m f u g i u e m b u s c a d e o u t r a p r o f i s s ão . U m a n o i t e , parando em uma estalagem, ele encontrou por acaso o anúncio de uma c o m p e t i ç ã o d e r e c i t a ç ã o . N ã o t e n do n a d a a p e r d e r , e l e e n t r o u n a c o m pe t i ç ã o e , é claro, cantou a única passagem que ele conhecia tão bem. Quando ele t e r m i n o u , o p a t r o c i n a d o r d a c o m p e t i ç ão c o n g r a t u l o u - o e f u s i v a m e n t e s u a p e r f o r m a n c e . A de s p e i t o d a s e m b a r a ç a d a s o b j e ç õ e s d o e s t u d a n t e , r e c u s o u - s e a a c r e d i t a r q u e h a v i a e s c u t a d o u m c a n t o r p r i n c i pi a n t e . " D i g a - m e , " p e r g u n t o u o p a t r o c i n a d o r , " q u e m é s e u i n s t r u t o r ? E l e d e ve s e r u m grande mestre!" O estudante mais tarde tornou-se conhecido como o grande cantor japonês Koshiji. 41. O Paraíso D u a s p e s s o a s e s t a v a m pe r d i d a s n o d e s e r t o . E l a s e s t a v a m m o r r e n do d e i n a n i ç ã o e s e d e . F i n a l m e n t e , e l e s a v i s t a r a m u m a l t o m u r o . D o o u t r o l a do e l e s p o d i am o u v i r o s o m de q u e d a s d ' á g u a e p á s s a r o s c a n t a n d o . A c i m a e l e s po d i a m v e r o s g a l h o s d e u m a á r v o r e f r u t í f e r a a t r a v e s s a n d o e pe n d e n do s o b r e o m u r o . S e u s frutos pareciam deliciosos. U m d o s h o m e n s s u b i u o m u ro e d e s a p a r e c e u n o o u t r o l a d o . O o u t r o , e m v e z di s s o , s a c i o u s u a f o m e c o m a s f r u t a s q u e s o b r e s s a í am d a á r v o r e a l i m e s m o , e r e t o r n o u a o d e s e r t o p a r a a j u d a r o u t r o s pe r d i d o s a encontrar o caminho para o oásis.

4 2 . G a t o R i t u a l - C o m p l i c a n do o q u e é s i m p l e s Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía. E n t ã o o p r o f e s s o r o r d e n o u q u e o g a t o f o s s e am o r d a ç a d o d u r a n t e a p r á t i c a n o t u r n a . A n o s de p o i s , q u a n d o o m e s t r e m o r r e u , o g a t o c o n t i n u o u a s e r amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro g a t o f o i t r a z i d o p a r a o M o n a s t é r i o e am a r r a d o . S é c u l o s d e po i s , q u a n d o t o do s o s f a t o s d o e v e n t o e s t a v a m p e r d i do s n o p a s s a d o , p r a t i c a n t e s i n t e l e c t u a i s q u e estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a p r á t i c a d a m e di t a ç ã o . . .

43. Natureza D o i s m o n g e s e s t a v a m l a v a n d o s u a s t i g e l a s n o r i o q u a n do p e r c e be r a m u m e s c o r p i ã o q u e e s t a v a s e a f o g a n do . U m do s m o n g e s i m e d i a t a m e n t e p e g o u - o e o c o l o c o u n a m a r g e m . N o p r o c e s s o e l e f o i pi c a d o . E l e v o l t o u p a r a t e r m i n a r de lavar sua tigela e novamente o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião e novamente foi picado. O outro monge então perguntou: " A m i g o , p o r q u e v o c ê c o n t i n u a a s a l v a r o e s c o r p i ão q u a n d o v o c ê s a b e q u e s u a natureza é agir com agressividade, picando-o?" "Porque," replicou o monge, "agir com compaixão é a minha natureza." ( O u t r a ve r s ã o d e s t e c o n t o de s c r e v e u m a r a p o s a q u e c o n c o r d a e m c a r r e g a r u m e s c o r p i ã o e m s u a s c o s t a s a t r a v é s d e u m r i o , s o b a c o n d i ç ão q u e o e s c o r p i ão não o pique. Mas o escorpião ainda assim pica a raposa quando ambos estavam no meio da correnteza. Enquanto a raposa afundava, levando o escorpião

c o n s i g o , e l a l a m e n t o s a m e n t e p e r g u n t o u ao e s c o r p i ã o p o r q u e t i n h a c o n de n a d o a a m bo s à m o r t e a o p i c á - l a . " P o r q u e é m i n h a n a t u r e z a . " A m e s m a e s t ó r i a é e n c o n t r a d a n a t r a d i ç ã o i n d í g e n a a m e r i c a n a. N o B r a s i l a raposa é substituída por um sapo.)

44. Sem Mais Questões A o e n c o n t r a r u m m e s t r e Z e n e m u m e ve n t o s o c i a l , u m p s i q u i a t r a d e c i di u colocar-lhe uma questão que sempre esteve em sua mente: " E x a t a m e n t e c o m o v o c ê a j u d a a s p e s s o a s ? " e l e pe r g u n t o u . " E u a s a l c a n ç o n a q u e l e m o m e n t o m ai s d i f í c i l , q u a n do e l a s n ão t ê m m a i s n e n h u m a q u e s t ã o p a r a p e r g u n t a r , " o m e s t r e r e s po n d e u .

45. Não Morri Ainda O Imperador perguntou ao Mestre Gudo: "O que acontece com um homem iluminado após a morte?" " C o m o e u p o de r i a s a b e r ? " , r e p l i c o u G u d o . " P o r q u e o s e n h o r é u m m e s t r e . . . n ã o é ? " r e s p o n de u o I m pe r a d o r , u m p o u c o surpreso. "Sim Majestade," disse Gudo suavemente, "mas ainda não sou um mestre morto." 46. Samsara O m o n ge p e r g u n t o u a o M e s t r e : " C o m o po s s o s a i r d o S a m s a r a ( a R o d a d e r e n a s c i m e n t o s e m o r t e s ) ? " O M e s t r e r e s p o n de u : "Quem te colocou nele?"

4 7 . M e n t e e m M o vi m e n t o D o i s h o m e n s e s t a v a m d i s c u t i n do s o b r e u m a f l âm u l a q u e t r e m u l a v a ao v e n t o : " É o v e n t o q u e r e a l m e n t e e s t á s e m o v e n d o ! " de c l a r o u o p r i m e i r o . "Não, obviamente é a flâmula que se move!" contestou o segundo. U m m e s t r e Z e n , q u e p o r a c a s o p a s s a v a p e r t o , o u v i u a di s c u s s ã o e o s i n t e r r o m p e u d i z e n do : " N e m a f l âm u l a n e m o ve n t o e s t ã o s e m o v e n d o , " d i s s e , " É a M E N T E q u e s e m o ve . "

48. O Quebrador de Pedras E r a u m a ve z u m s i m p l e s q u e b r a d o r d e pe d r a s q u e e s t a v a i n s a t i s f e i t o c o n s i g o m e s m o e c o m s u a po s i ç ã o n a v i d a . Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras q u e f re q ü e n t a v a m a m a n s ã o . " Q u ã o po d e r o s o é e s t e m e r c a d o r ! " pe n s o u o q u e b r a d o r de p e d r a s . E l e f i c o u muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante. P a r a s u a g r a n d e s u r p r e s a e l e r e pe n t i n a m e n t e t o r n o u - s e o c o m e r c i a n t e , u s u f r u i n do m a i s l u x o s e p o de r d o q u e e l e j am a i s t i n h a i m a g i n a d o , e m b o r a f o s s e i n v e j a d o e de t e s t a d o p o r t o d o s a q u e l e s m e n o s p o de r o s o s e r i c o s d o q u e e l e . U m di a u m a l t o o f i c i a l do g o ve r n o p a s s o u à s u a f r e n t e n a r u a , c a r r e g a d o

em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado p o r s o l d a d o s , q u e b a t i a m g o n go s p a r a a f a s t a r a pl e b e . T o d o s , n ã o i m po r t a quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem. " Q u ã o po d e r o s o é e s t e o f i c i a l ! " e l e p e n s o u . " G o s t a r i a d e po d e r s e r u m al t o oficial!" E n t ã o e l e t o r n o u - s e o a l t o o f i c i a l , c a r r e g a d o e m s u a l i te i r a d e s e d a p a r a q u a l q u e r l u g a r q u e f o s s e , t e m i d o e o d i a d o p e l a s p e s s o a s à s u a vo l t a . E r a u m d i a de v e r ã o q u e n t e , e o o f i c i a l s e n t i u - s e m u i t o d e s c o n f o r t á v e l n a s u a d a l i t e i r a d e s e d a . E l e o l h o u p a r a o S o l . E s t e f u l g i a o r g u l h o s o n o c é u , i n d i f e r e n t e pe l a sua reles presença abaixo. " Q u ã o po d e r o s o é o S o l ! " e l e p e n s o u . " G o s t a r i a de s e r o S o l ! " E n t ã o e l e t o r n o u - s e o S o l . B r i l h a n d o f e r o zm e n t e , l a n ç a n d o s e u s r a i o s p a r a a t e r r a s o b r e t u d o e t o d o s , c r e s t a n d o o s c a m po s , am a l d i ç o a d o pe l o s f a z e n de i r o s e t r a b a l h a d o r e s . M a s u m d i a u m a gi g a n t e s c a n u v e m n e g r a f i c o u e n t r e e l e e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele. " Q u ã o po d e r o s a é a n u ve m de t e m p e s t a d e ! " e l e p e n s o u " G o s t a r i a d e s e r u m a nuvem!" E n t ã o e l e t o r n o u - s e a n u v e m , i n u n d a n d o c o m c h u v a c am p o s e v i l a s , c a u s a n do temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado p a r a l o n ge c o m u m a f o r ç a d e s c o m u n al , e s o u be q u e e r a o v e n t o q u e f a z i a i s s o . " Q u ã o po d e r o s o é o V e n t o ! " e l e pe n s o u . " G o s t a r i a d e s e r o v e n t o ! " E n t ã o e l e t o r n o u - s e o ve n t o d e f u r a c ã o , s o p r a n d o a s t e l h a s d o s t e l h a d o s d a s c a s a s , de s e n r a i z a n d o á r v o r e s , t e m i d o e o di a d o po r t o d a s a s c r i a t u r a s n a t e r r a . M a s e m de t e r m i n a d o m o m e n t o e l e e n c o n t r o u al g o q u e e l e n ã o f o i c a p a z d e m o ve r n e m u m m i l í m e t r o , n ã o i m p o r t a s s e o q u a n t o e l e s o p r a s s e e m s u a v o l t a , l a n ç a n d o - l h e r a j a d a s de a r . E l e v i u q u e o o b j e t o e r a u m a g r a n d e e al t a r o c h a . " Q u ã o po d e r o s a é a r o c h a ! " e l e pe n s o u . " G o s t a r i a d e s e r u m a r o c h a ! " E n t ã o e l e t o r n o u - s e a r o c h a . M a i s po d e r o s o d o q u e q u al q u e r o u t r a c o i s a n a t e r r a , e te r n o , i n a m o v í v e l . M a s e n q u a n t o e l e e s t a v a l á , o r g u l h o s o p e l a s u a f o r ç a , e l e o u v i u o s o m de u m m a r t e l o b a t e n d o e m u m c i n z e l s o b r e u m a d u r a s u p e r f í c i e , e s e n t i u a s i m e s m o s e n do d e s pe d a ç a d o . " O q u e p o d e r i a s e r m a i s p o de r o s o d o q u e u m a r o c h a ? ! ? " pe n s o u s u r p r e s o . E l e o l h o u p a r a b a i xo d e s i e v i u a f i g u r a de u m q u e b r a d o r d e p e d r a s .

49. Talvez Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo p o r m u i t o s a n o s . U m di a s e u c a v a l o f u g i u . A o s a b e r d a n o t í c i a , s e u s v i z i n h o s vieram visitá-lo. " Q u e m á s o r t e ! " e l e s di s s e r a m s o l i d a r i a m e n t e . "Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens. " Q u e m a r a v i l h o s o ! " o s v i z i n h o s e xc l a m a r a m . " T a l v e z , " r e pl i c o u o v e l h o h o m e m . N o d i a s e g u i n t e , s e u f i l h o t e n t o u d o m a r u m d o s c a v a l o s , f o i d e r r u b a d o e q u e b r o u a p e r n a . O s v i z i n h o s n o v a m e n t e vi e r a m p a r a o f e re c e r s u a s i m p a t i a pe l a m á f o r t u n a . " Q u e pe n a , " d i s s e r a m . " T a l v e z , " r e s po n d e u o f a z e n d e i r o . N o p r ó x i m o d i a , o f i c i a i s m i l i t a r e s v i e r a m à v i l a p a r a c o n v o c a r t o d o s o s j o v e n s ao s e r v i ç o o b r i g a t ó r i o n o e x é r c i t o , q u e i ri a e n t r a r e m g u e r r a . V e n do q u e o f i l h o do v e l h o h o m e m e s t a v a c o m a pe r n a q u e b r a d a , e l e s o di s p e n s a r a m . O s v i z i n h o s c o n g r a t u l a r a m o f a z e n d e i r o p e l a f o rm a c o m q u e a s c o i s a s t i n h a m s e v i r a d o a s e u f a v o r . O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente: "Talvez."

50. Cipreste U m m o n g e pe r g u n t o u a o m e s t r e : " Q u a l o s i g n i f i c a do d e D h a r m a - B u d d h a ? " O m e s t r e a p o n t o u e di s s e : "O cipreste no jardim." O m o n ge f i c o u i r r i t a d o , e di s s e : "Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!" "Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro," disse o m e s t r e . O m o n ge e s pe r o u u m p o u c o , e ve n d o q u e o m e s t r e n ã o i ri a c o n t i n u a r fez a mesma pergunta: " E n t ã o ? Q u a l o s i g n i f i c a d o de D h a r m a - B u d d h a ? " O m e s t r e a p o n t o u e di s s e : "O cipreste no jardim."

51. Chá ou Paulada Certa vez Hakuin contou uma estória: "Havia uma velha mulher que tinha uma casa de chá na vila. Ela era uma g r a n d e c o n h e c e do r a d a c e r i m ô n i a d o c h á , e s u a s a be d o r i a n o Z e n e r a s o b e r b a . Muitos estudantes ficavam surpresos e ofendidos que uma simples velha pudesse conhecer o Zen, e iam à vila para testá-la e ver se isso era mesmo verdade. " T o d a ve z q u e a v e l h a s e n h o r a vi a m o n g e s s e a p r o x i m a n d o , e l a s a b i a s e e l e s v i n h a m a p e n a s p a r a e x pe r i m e n t a r o s e u c h á , o u p a r a t e s t á - l a n o Z e n . À qu e l e s q u e vi n h a m pe l o c h á e l a s e r v i a g e n t i l e g r a c i o s a m e n t e , e n c a n t a n d o - o s . À q u e l e s q u e vi n h a m t e n t a r s a b e r d e s e u c o n h e c i m e n t o do Z e n , e l a e s c o n d i a - s e a t é q u e o m o n ge c h e g a s s e à p o r t a e e n t ã o l h e b a t i a c o m u m t i ç ã o . "Apenas um em cada dez conseguiam escapar da paulada..."

5 2 . O s Po d e r e s S o b r e n a t u r a i s C e r t a m a n h ã , o M e s t r e D a i e , a o l e v a n t a r - s e , c h am o u s e u d i s c í p u l o G yo z a n e lhe disse: " V a m o s f a ze r u m a di s p u t a p a r a s a b e r q u e m d e n ó s d o i s po s s u i m a i s p o d e r e s sobrenaturais?" G y o z a n r e t i r o u - s e s e m n a d a r e s p o n d e r . D a l i a po u c o , v o l t o u t r a z e n d o u m a bacia com água e uma toalha. O mestre lavou o rosto e enxugou-se em s i l ê n c i o . D e po i s , D a i e e G yo z a n s e n t a r a m e m a n t e u m a m e s i n h a e f i c a r a m c o n v e r s a n d o s o b r e a s s u n t o d i v e r s o s , t o m a n d o c h á. P o u c o d e p o i s , K y o ge n , o u t r o d i s c í p u l o , a p r o x i m o u - s e e pe r g u n t o u : "O que estão fazendo?" " E s t a m o s f a z e n d o u m a c o m pe t i ç ã o c o m n o s s o s p o de r e s s o b r e n a t u r a i s " , r e s p o n de u o M e s t r e , " Q u e r e s p a r t i c i p a r ? " K y o g e n r e t i r o u - s e c a l a d o e l o g o de p o i s r e t o r n o u t r a z e n d o u m a b a n d e j a c o m d o c e s e b i s c o i t o s . O M e s t r e D a i e e n t ã o d i r i g i u - s e ao s s e u s d o i s d i s c í p u l o s , e exclamou: " N a v e r d a d e , v ó s s u p e r a i s e m po d e r e s s o b r e n a t u r a i s S a r i p u t r a , M o g a l l a n a e todos os discípulos de Buddha!"

53. Pó C h a o - C h o u ( J o s h u ) c e r t a v e z v a r r i a o c h ão q u a n d o u m m o n g e l h e pe r g u n t o u : " S e n do v ó s o s á bi o e s a n t o M e s t r e , d i ze i - m e c o m o s e a c u m u l a t a n t o p ó e m s e u quintal?"

Disse o Mestre, apontando para o pátio: "Ele vem lá de fora."

54. Jardim Zen - A Beleza Natural Um monge jovem era o responsável pelo jardim zen de um famoso templo Zen. Ele tinha conseguido o trabalho porque amava as flores, arbustos e árvores. P r ó x i m o a o t e m p l o h a v i a u m o u t r o t e m p l o m e n o r o n d e v i vi a a p e n a s u m ve l h o m e s t r e Z e n . U m d i a , q u a n d o o m o n g e e s t a v a e s pe r a n d o a v i s i t a de i m p o r t a n t e s c o n v i d a do s , e l e d e u u m a a t e n ç ã o e x t r a ao c u i d a d o d o j a r d i m . E l e t i r o u a s e r v a s daninhas, podou os arbustos, cardou o musgo, e gastou muito tempo meticulosamente passando o ancinho e cuidadosamente tirando as folhas secas d e o u t o n o . E n q u a n t o e l e t r a b a l h a v a , o v e l h o m e s t r e o bs e r v a v a c o m i n t e r e s s e de cima do muro que separava os templos. Quando terminou, o monge afastou-se um pouco para admirar seu trabalho. " N ã o e s t á l i n d o ? " e l e pe r g u n t o u , f e l i z , p a r a o v e l h o m o n g e . " S i m , " r e p l i c o u o a n c i ã o , " m a s e s t á f a l t a n d o a l go c r u c i a l . M e a j u d e a p u l a r e s t e m u r o e e u i re i a c e r t a r a s c o i s a s p a r a v o c ê . " A pó s c e r t a h e s i t a ç ã o , o m o n g e l e v a n t o u o v e l h o po r s o b r e o m u r o e p o u s o u - o suavemente em seu lado. Vagarosamente, o mestre caminhou para a árvore mais próxima ao centro do jardim, segurou seu tronco e o sacudiu com força. Folhas desceram suavemente à brisa e caíram por sobre todo o jardim. " P r o n t o ! " d i s s e o v e l h o m o n g e , " a g o r a v o c ê p o d e m e l e v a r de v o l t a . "

5 5 . P o n t e de P e d r a H a v i a u m a f a m o s a p o n t e de p e d r a n o M o n a s t é r i o d e C h a o - C h o u ( J o s h u ) q u e e r a u m a a t r a ç ã o do l u g a r . C e r t a v e z u m m o n ge v i a j a n t e af i r m o u : " J á o u v i f a l a r s o b r e a f a m o s a p o n t e de p e d r a , m a s a t é a g o r a n ão a v i . V e j o somente uma tábua." " V e de s u m a t á b u a , " c o n f i r m o u C h a o - c h o u , " e n ã o v e d e s a p o n t e d e m a d e i r a . " " E n t ã o o n de e s t á a po n t e d e p e d r a ? " pe r g u n t o u o m o n ge . "Acabastes de cruzá-la", disse prontamente Chao-Chou.

5 6 . A pe n a s d u a s p a l a v r a s H a v i a u m c e r t o M o n a s t é r i o S o to Z e n q u e e r a m u i t o r í g i do . S e g u i n d o u m e s t r i t o v o t o d e s i l ê n c i o , a n i n g u é m e r a p e r m i t i do f al a r . M a s h a v i a u m a pe q u e n a e x c e ç ã o a e s t a r e g r a : a c a d a 1 0 a n o s o s m o n ge s t i n h am p e r m i s s ã o d e f al a r a p e n a s d u a s p a l a v r a s . A pó s p a s s a r s e u s p r i m e i r o s de z a n o s n o M o n a s t é r i o , u m j o v e m m o n g e f o i pe r m i t i d o i r a o m o n ge S u p e r i o r . " P a s s a r a m - s e d e z a n o s , " di s s e o m o n ge S u pe r i o r . " Q u a i s s ã o a s d u a s p a l a v r a s q u e vo c ê go s t a r i a de d i ze r ? " " C a m a d u r a . . . " di s s e o j o v e m . "Entendo..." replicou o monge Superior. D e z a n o s d e p o i s , o m o n g e r e t o r n o u à s al a d o m o n g e S u p e r i o r . " P a s s a r a m - s e m a i s de z a n o s , " di s s e o S u p e r i o r . " Q u a i s s ão a s d u a s p a l a v r a s q u e vo c ê go s t a r i a de d i ze r ? " "Comida ruim..." disse o monge. " E n t e n d o . . . " r e p l i c o u o S u pe r i o r . M a i s d e z a n o s s e f o r a m e o m o n ge u m a v e z m ai s e n c o n t r o u - s e c o m o s e u S u pe r i o r , q u e p e r g u n t o u : " Q u a i s s ã o a s d u a s p a l a v r a s q u e v o c ê go s t a r i a de d i z e r , a pó s m a i s e s t e s d e z anos?" "Eu desisto!" disse o monge. " B e m , e u e n t e n d o o p o r q u ê , " r e p l i c o u , c á u s t i c o , o m o n g e S u pe r i o r . " T u d o o q u e

você sempre fez foi reclamar!" ( E s t e é u m c o n t o c o m u m e m a l g u n s l o c a i s S o t o o c i de n t a i s . N ã o e x i s t e c e r t e z a s e é u m c o n t o Z e n o ri g i n a l . C o m o m u i t a s a n e d o t a s , e s t a a q u i n o s f a z r i r , m a s também nos encoraja a refletir sobre o que há de engraçado nisso tudo...)

57. Aranha U m c o n t o T i b e t a n o f a l a d e u m e s t u d a n t e d e m e d i t a ç ã o q u e , e n q u a n t o m e di t a v a e m s e u q u a r t o , p e n s a v a v e r u m a a s s u s t a d o r a a r a n h a d e s c e n d o à s u a f re n t e . A c a d a d i a a c r i a t u r a a m e a ç a d o r a r e t o r n a v a c a d a v e z m ai o r e m t a m a n h o . T ã o terrificado estava o estudante que finalmente foi ao seu professor para relatar o s e u di l e m a : " N ã o p o s s o c o n t i n u a r m e di t a n d o c o m t a l am e a ç a s o b r e m i m , " d i s s e e l e t r e m e n do d e p a v o r . " V o u g u a r d a r u m a f a c a e m m e u c o l o d u r a n t e a m e di t a ç ã o , d e f o r m a q u e q u a n do a a r a n h a a p a r e c e r e u p o s s a m a t á - l a ! " O p r o f e s s o r a d v e r t i u - o c o n t r a e s t a i dé i a : " N ã o f a ç a i s s o . F a ç a c o m o e u l h e d i go : l e v e u m pe d a ç o de c a r v ã o n a s u a meditação, e quando a aranha aparecer, marque um 'X' em sua barriga. Depois disso venha até mim." O e s t u d a n t e r e t o r n o u à s u a m e di t a ç ã o . Q u a n do a a r a n h a n o v a m e n t e a p a r e c e u , e l e l u t o u c o n t r a o i m p u l s o d e a t a c á - l a e e m ve z d i s s o f e z c o m o o m e s t r e sugeriu. Então correu para a sala de dele, gritando: " E u a m a r q u e i n a b a r r i g a ! F i z o q u e m e p e di u ! O q u e f a ç o a g o r a ? " O professor olhou-o e falou: "Levante a túnica e olhe para sua própria barriga." Ao fazer isso, o estudante viu o "X" que havia feito.

5 8 . M e di t a ç ã o e M a c a c o s U m h o m e m e s t a v a i n t e r e s s a do e m a p r e n d e r m e di t a ç ã o . F o i a t é u m ze n d o ( l o c al d e p r á t i c a m e d i t a t i v a ze n ) e b a t e u n a po r t a . U m v e l h o p r o f e s s o r o a t e n d e u : "Sim?" " B o m d i a m e u s e n h o r , " c o m e ç o u o h o m e m . " E u go s t a r i a de a p r e n d e r a f a z e r meditação. Como eu sei que isso é difícil e muito técnico, eu procurei estudar a o m á x i m o , l e n do l i v r o s e o p i n i õ e s s o b r e o q u e é m e d i t a ç ã o , s u a s p o s t u r a s , etc... Estou aqui porque o senhor é considerado um grande professor de meditação. Gostaria que o senhor me ensinasse." O v e l h o f i c o u o l h a n d o o h o m e m e n q u a n t o e s t e f al a v a . Q u a n d o t e r m i n o u , o professor disse: "Quer aprender meditação?" "Claro! Quero muito?" exclamou o outro. "Estudou muito sobre meditação?", disse um tanto irônico. " F i z o m á x i m o q u e p u de . . . " a f i r m o u o h o m e m . "Certo," replicou o velho. "Então vá para casa e faça exatamente isso: NÃO PENSE EM MACACOS." O h o m e m f i c o u p a s m o . N u n c a t i n h a l i do n a d a s o b r e i s s o n o s l i v r o s d e m e d i t a ç ã o . A i n d a m e i o i n c e r t o , pe r g u n t o u : "Não pensar em macacos? É só isso?" "É só isso." "Bem isso é simples de fazer" pensou o homem, e concordou. O professor e n t ã o a pe n a s c o m p l e t o u : " Ó t i m o . V o l t e a m a n h ã , " e b a t e u a po r t a . D u a s h o r a s de p o i s , o p r o f e s s o r o u v i u a l g u é m b a t e n d o f r e n e t i c a m e n t e a p o r t a d o ze n d o . E l e a b r i u - a , e l á e s t a v a de n o v o o m e s m o h o m e m . " P o r f a v o r m e a j u d e ! " e x c l a m o u a f l i t o " D e s d e q u e o s e n h o r p e di u p a r a q u e e u n ã o pe n s a s s e e m m a c a c o s , n ã o c o n s e g u i m a i s de i x a r d e m e p r e o c u p a r e m N Ã O

PENSAR NELES!!!! Vejo macacos em todos os cantos!!!!"

59. O Eu Verdadeiro Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse: "Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e o u v i f a l a r s o b r e o E u S u p e r i o r , n o s s a ve r d a d e i r a E s s ê n c i a T r a n s c e n d e n t a l , e p o r m u i t o s a n o s t e n t e i a t i n g i r e s t a r e a l i d a de p r o f u n d a , s e m n u n c a t e r s u c e s s o ! P o r f a v o r m o s t r e - m e m e u E u V e r d a de i r o ! " M a s o p r o f e s s o r a p e n a s f i c o u o l h a n do p a r a l o n ge , e m s i l ê n c i o , s e m d a r n e n h u m a r e s po s t a . O h o m e m c o m e ç o u a i m p l o r a r e p e d i r , s e m q u e o m e s t r e lhe desse nenhuma atenção. Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o h o m e m v i r o u - s e e c o m e ç o u a s e af a s t a r . N e s t e m o m e n t o o m e s t r e c h am o u - o p e l o n o m e , e m vo z a l t a . "Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio. "Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.

6 0 . A n s i a n d o po r D e u s U m s á b i o e s t a v a m e di t a n d o à m a r g e m de u m r i o q u a n d o u m h o m e m jo v e m , u m t a n t o e n t u s i a s m a do , o i n t e r r o m pe u . " M e s t r e , e u d e s e j o s e r s e u d i s c í p u l o ! " , d i s s e o jo v e m . "Por quê?" replicou o sábio. O j o v e m e r a u m a p e s s o a q u e s e m p r e o u v i u f a l a r do s c am i n h o s e s pi r i t u a i s , e t i n h a u m a i d é i a f a n t a s i o s a e r o m â n t i c a de l e s . E m s u a i m a t u r i d a d e , e l e a c h a v a q u e s e r " e s p i r i t u a l " e r a a l g o c o m o p a r t i c i p a r de u m m o v i m e n t o , de u m a c r e n ç a , de uma moda, sem grandes conseqüências. Ele então pensou numa resposta bem "profunda" e disse: "Porque eu quero encontrar DEUS!" O s á b i o p u l o u de o n d e e s t a v a , a g a r r o u o r a p a z pe l o c a n g o t e , a r r a s t o u - o a t é o r i o e m e r g u l h o u s u a c a be ç a s o b a á g u a . M an t e v e - o l á p o r q u a s e u m m i n u t o , s e m p e r m i t i r q u e r e s pi r a s s e , e n q u a n t o o t e r r i f i c a d o r a p a z c h u t a v a e l u t a v a p a r a s e l i b e r t a r . F i n a l m e n t e o m e s t r e o p u x o u d a á g u a e o a r r a s t o u d e vo l t a à margem. Largou-o no chão, enquanto o homem cuspia água e engasgava, l u t a n d o p a r a r e t o m a r a r e s p i r a ç ã o e e n t e n de r o q u e a c o n t e c e r a . Q u a n do e l e eventualmente se acalmou, o sábio lhe perguntou: " D i g a - m e , q u a n d o e s t a v a s o b a á g u a, s a b e n do q u e m o r r e r i a , o q u e v o c ê q u e r i a mais do que tudo? " A r ! " , r e s po n d e u o j o v e m , a m u a do . " M u i t o be m " , di s s e o m e s t r e . " V á p a r a s u a c a s a , e q u a n d o v o c ê s o u be r a n s i a r p o r u m D e u s t a n t o q u a n t o vo c ê a c a bo u d e a n s i a r p o r a r , po d e vo l t a r a m e procurar."

61. Por que palavras? U m m o n g e a p r o x i m o u - s e de s e u m e s t r e - q u e s e e n c o n t r a v a e m m e d i t a ç ã o n o pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida: "Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o v e r d a d e i r o s e n t i d o s u r g e a t r a v é s do s i l ê n c i o . M a s v e jo q u e o s S u t r a s e a s recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. S e o D h a r m a e s t á a l é m do s t e r m o s , po r q u e o s t e r m o s s ã o u s a d o s p a r a d e f i n i lo?" O v e l h o s á b i o r e s p o n d e u : " A s p a l a v r a s s ão c o m o u m d e d o a p o n t a n d o p a r a a L u a ; c u i d a d e s a be r o l h a r p a r a a L u a , n ã o s e p r e o c u p e c o m o d e d o q u e a aponta." O m o n ge r e p l i c o u : " M a s e u n ã o po d e r i a o l h a r a L u a , s e m p r e c i s a r q u e a l g u m

dedo alheio a indique?" "Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode o l h a r a l u a po r t i . A s p a l a v r a s s ã o c o m o b o l h a s de s a b ã o : f r á g e i s e i n c o n s i s t e n t e s , d e s a p a r e c e m q u a n do e m c o n t a t o p r o l o n g a d o c o m o a r . A L u a e s t á e s e m p r e e s t e ve à v i s t a . O D h a r m a é e t e r n o e c o m p l e t a m e n t e r e ve l a d o . A s p a l a v r a s n ã o p o de m r e v e l a r o q u e j á e s t á r e v e l a do d e s de o P r i m e i r o Princípio." " E n t ã o , " o m o n ge p e r g u n t o u , " p o r q u e o s h o m e n s p r e c i s am q u e l h e s s e j a r e v e l a d o o q u e j á é de s e u c o n h e c i m e n t o ? " "Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites f a z c o m q u e o s h o m e n s s e e s q u e ç a m de l a pe l o s i m p l e s c o s t u m e de a c e i t a r s u a e x i s t ê n c i a c o m o f a t o c o n s u m a do , a s s i m t a m b é m o s h o m e n s n ão c o n f i am n a V e r d a d e j á r e v e l a d a p e l o s i m p l e s f a t o de l a s e m a n i f e s t a r e m t o d a s a s c o i s a s , s e m d i s t i n ç ã o . D e s t a f o r m a , a s p a l a v r a s s ã o u m s u b t e r f ú gi o , u m a do r n o p a r a embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário." O m e s t r e f i c o u e m s i l ê n c i o d u r a n t e m u i t o t e m p o . E n t ã o , de s ú b i t o , simplesmente apontou para a lua.

62. O Som do Silêncio Certa vez, um buddhista foi às montanhas procurar um grande mestre, que, s e g u n do a c r e d i t a v a , p o de r i a l h e d i z e r a p al a v r a d e f i n i t i v a s o b r e o s e n t i do d a S a b e do r i a . A p ó s m u i t o s d i a s de d u r a c a m i n h a d a o e n c o n t r o u e m u m b e l o t e m p l o à be i r a d e u m l i n do v a l e . " M e s t r e , v i m a t é a q u i p a r a l h e p e d i r u m a p a l a v r a s o b r e o s e n t i d o do D h a r m a . P o r f a v o r , f a ç a - m e a t r a v e s s a r o s P o r t õ e s do Z e n . " " D i g a - m e , " r e p l i c o u o s á b i o , " v i n d o p a r a c á v ó s p a s s a s t e s pe l o v a l e ? " "Sim." "Por acaso ouvistes o seu som?" U m t a n t o i n c e r t o , o h o m e m di s s e : " B e m , o u v i o s o m do v e n t o c o m o u m s u a v e c a n t o p e n e t r a n d o t o d o o v a l e . " O s á b i o r e s po n d e u : " O l o c a l o n d e vó s o u v i s t e s o s o m d o v a l e é o n d e c o m e ç a o c a m i n h o q u e l e v a a o s Po r t õ e s d o Z e n . E e s t e s o m é t o d a p al a v r a q u e v ó s p r e c i s a i s o u v i r s o b r e a Verdade."

63. O Mudo e o Papagaio U m j o v e m m o n g e f o i a t é o m e s t r e J i - s h o u e pe r g u n t o u : " C o m o c h a m a m o s u m a p e s s o a q u e e n t e n de u m a v e r d a d e m as n ã o p o d e e x p l i c ála em palavras?" Disse o mestre: " U m a pe s s o a m u d a c o m e n d o m e l ". " E c o m o c h a m a m o s u m a pe s s o a q u e n ão e n t e n de a v e r d a d e , m a s f a l a m u i t o sobre ela?" " U m p a p a g a i o i m i t a n d o a s p a l a v r a s de u m a o u t r a p e s s o a " .

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