GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, de qualquer forma ou meio, sem a autorização prévia do editor. Edição de: Bombas Grundfos Portugal, S.A.

Impresso em papel ecológico, isento de cloro por: Expresso Gráfico - Lisboa
BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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mas também em linguagens específicas (física. denotativos uns. a forma mais antiga e mais adequada. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". aliás. Assim. Serve esta pequena introdução para explicar que. Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". Do substantivo bomba derivaram outras palavras. geológica). o verbo bombear e o substantivo bombeamento. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. todavia. Do velho Morais ao novo Houaiss. podendo. As línguas.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. mais tarde. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. Para o caso. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. designadamente. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. E é empregado na linguagem corrente. conotativos outros. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. Por isso. No primeiro caso. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". em cada momento. inclui os dois verbetes). há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. como qualquer organismo vivo. estado". ou seja. mudam com o tempo e as vontades. mais tarde ou mais cedo. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. não colide com a morfologia do nosso idioma. em matéria linguística. militar. bombeamento é. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. Edite Estrela 3 .

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. . . . . . . . . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . . Chaminés de equilíbrio . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . As duas opções em confronto . . . . . . . . . . . . . .10 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Condições de fronteira . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . 2. . . .9 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 5. . . .Índice Índice 1. .3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. .5. . .9 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Determinação da pressão . . . . . . .12 2. . . . . . . . . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Definição . . . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatórios unidireccionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . .11 2. . . . . . . . . .2. . . .8 4. . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . Determinação do caudal máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2.1 6. . . . . . .11 1. . . . .2 2. . . . . .3. . . . . . . . . .4. . . .12 1. . . . . . . .5. . . . . . . . . . .4 1. . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . Redes hidráulicas . . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . .2 5. . . . . .10. 4. . . . . .2. . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 3. . . . .16 2. .4 2. . . . . . . . . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . .5 2. . 3. Sistema Hydro 2000 F . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . .14 1. . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . .6. .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . 5. . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 5. . . . . . . . . Arrancadores suaves . . . . . . . .1 6. . 3.9. . .1 1. . . . . . . . . . Cálculo hidráulico . . .5 5. . . . . . Cavitação e NPSH . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . . . . . . .2 6. 96 Na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 2. . . . . . . . . . . . 6.2. . . . . .3 3. . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . . . . . A 2ª. .3. . . . . . . . . . . . . . .6 3. . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . . . Introdução . . . . .6 1. . . . . . . . . . . . . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto .1 2. . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . .5 1. . . .4 2. . . . . . . . . Expansão do abastecimento . . . . . .5. . . . . . . .15 1. . . . . . . . . .3 6. . .2. . . . . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 3. . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. .11 4. . .3 2. . . . . . . . . . . .5 4. . .5. . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . .5 3. . . . . . . . .2 Grupos electrobomba . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . Introdução . .4 4. . . . .3 3. . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 1. . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . Propriedades da água . . . de velocidade fixa . . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . e hidrodinâmica . . . . .3 2. . . .2 4. . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . .4 2. . . . . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . . . . . . . . . Compressibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . .4.6 2. . . . . . . . . . . .3. . . . . . Equação da continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . .3. . . . .3. . . .4 5. . . . . . Volantes de inércia . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas motorizadas . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . .3 1. . . . . . . . . Classificação dos escoamentos . . . .2 2. Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . Regime uniforme e permanente . Bombas centrífugas . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . .3 3. . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Circuito de desvio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 4. . . . Bombas de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 4. . . . . . . . . 102 6. . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os problemas da qualidade das águas . . . . . . . . . . . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 6. . . .7 1. .1 2. . . . . . Perdas de carga contínuas . . . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . 1. . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . .3 2. Dispositivos de protecção . . . .3 4. .3. . . . . . . . . . Companhia das Águas e o Alviela .6 4. . . . .8 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . Leis de semelhança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . .2 2. . . . . . Curva característica da instalação . . . .1 Reservatórios de membrana . . . . . . . . . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . . .1 4. . . . . Conceitos básicos . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . Viscosidade . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . 91 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 2. . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . . . .7 4. . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . Constituição . . . .10 1. . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . Sistema Hydro 2000 E . . . . . . Caso prático . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 3. . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 100 . . . .1 5. . .2. . . . . .6. . Teste de sistemas . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . .1 Introdução . . . . . . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . Dimensionamento económico de condutas . . . . . . . A 1ª. . . . . . . . . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da bomba . . . . . . .3. . . . . . . Introdução . . . . . . . . Classificação das redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . .2 5. . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . .10. . . . . .2 2. . . . . . . . . .6 5. . . .

1 10. . . . . . . . . . .4 9. . . . . . Execução das redes prediais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . .3. . . . . . . . . . .3 8. . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . Enquadramento legislativo . . . . Introdução . . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . .4. . . . . . . . . . . . .2. . . . .2.1 11. . . . . . . . .4. . . . . . . . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . .3. . . . . . . .6. . . Verificação. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 7. .4. . . . . . Controlo por pressão . . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . Outros tipos de controlo . . .1 7. . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . . . 9. . . . . . . . . . . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . Saúde ocupacional . . . . . . . . . Filtração por Osmose Inversa . . . . . . . . . . . . . . Prova de funcionamento hidráulico . .2. . . .5. . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . .1 8. .2 9. . . .1 9. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . .6 11. . . . . . . . . . . . . . Requisitos para instalação . Isolamento das canalizações . . . . . . . .3 11. . . .2 7.6.3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . .1 7. . . . Verificação . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .4.3. . . . . . . . . Águas não convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . .6 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. .1 8. .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . .5 10. .5. . . . . .1 9. . . . . .1 11. . . . . . . .4 10. . . . . .5 11. . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . Controlo por caudal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por nível . . . .2. Válvulas . . . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão .4 Contadores . . . . . . . . . . .6 9. . . . . . . . .2.1 10. . . . Exemplos de aplicação industrial .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . .2. . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . .1 9. . . . . . . . . . . . .5.2 Sistemas de controlo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . Introdução . .2. . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . .3 12. . . . . . . .1 11. . . . . . . .4 10. . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. .3. . . . Entrada em serviço dos sistemas . . Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . .4. . . Aspectos gerais . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. Sistemas de rega sob pressão: eficiência.3.3 9. . . . . 11. .2. . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento hidráulico . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . . . . . . .2 8. . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . .5 9. Aspiração de uma rede sob pressão . . . . .1 9. . . . . . .2 10. . . . . . . . . . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . .8 9. . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas convencionais . . . Aspiração negativa . . . . . . . . . . . . . . . .3 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . . . . .4 9. . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. .2. . . Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de abastecimento público . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . .2 8. . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . . . . . . . . . comunicação e gestão . . . . .1 12. . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . Necessidade de comunicação . . .3 9.1 9. . . . . . . . 10. . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . 7. . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . 12. . . . . . .4 11. Concepção dos sistemas . . . . . . . . . . .5 9. . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . .2. .3. . . . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . Introdução . . . . . . .8. Eficiência total de rega . . . . . . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . . . . . . .2. . . . . . . . .3 10. . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . . . .3. . . . . . . . . . . . . .2 7. Manutenção . Sistema de abastecimento predial de água .5. . . . . . . . . Eficiência de transporte .3 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . .2 9. . .3 9. . . Elementos de dimensionamento . . .7.4 9.3 9. . . . . . . . . Conclusões . . . Aspectos gerais . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . . . . .2 11.3. . . .Índice 7. . .3 7. . . . . . . . .3 8. . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2.7 9. . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . . . . . .1 9. . . . .4. Eficiência de uso de água . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . .7 12. . . . . . . . . . . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . Aspectos gerais . . . . . . . .4 8. . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . Qualidade . .3. . . . . . .3.4 7.9 10. . . . . . . . . . . .3 11.2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . Ramais de ligação . . . . . . . . . .3 9. .3. . . . . . . . . .4 11. . . . . . . . . . . . .3. . . . . . 8. . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . .4.2 11. . .4. . . . . . . . . . . . . .5 9. . .3 10. . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . Sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . .4 7. Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . Eficiência de aplicação .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . . . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . polivalência e economia . . . . . . . . . . . . . . . Circuitos térmicos . Outras publicações complementares . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 . EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.

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Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. é um Património Precioso. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. o Equilíbrio Perfeito. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. Existimos numa cadeia una. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. presente. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. dispomos de um serviço educativo para as escolas. os outros e o próprio Mundo. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. em Portugal. da EPAL e também de Portugal. construídos entre o século XVIII e XIX. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. e de capacidade criativa do génio humano. 9 . bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. preservados e organizados museologicamente. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. de sentir prazer e de não envelhecer. Este conjunto de monumentos e edifícios. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. de rir. quando um elo se quebra. local de criatividade e de encontro de culturas. estudantes e especialistas. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. afecta o todo que somos nós. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. que provocam a mudança de mentalidades. O Museu constitui. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática).Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). de pensar livremente. do nosso conhecimento e do pensamento. universidades. Tudo é património. estimulando a investigação. a Harmonia Absoluta. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. a Sala de Exposições Permanentes. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. Existimos fisicamente no mundo. a preservação e animação do património. O Mundo. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. indissociável que. tudo é passado. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. todo ele. os reservatórios da Mãe d'Água. alertando para o ambiente. acima de tudo. As percepções espirituais. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres.

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onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. na colina do castelo. A ocidente. os defensores de ambas as teses. Aí. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. ideológico. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. chegando à colina do castelo. continuando na direcção da serra de Sintra. de camadas calcárias. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. desde as origens até aos nossos dias. no estuário. pois. a partir desta. onde encontramos a bacia do Trancão. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. eléctricas. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. à condução da água graviticamente até à cidade. que seria talvez a maior da Península. e de camadas de grés e arenitos. dado que. às suas características e qualidade. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. ainda que de forma sucinta. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. uma rota natural de migrações. mas também aos materiais utilizados nas condutas. no vale de Carenque. sem a análise do fenómeno político. e. um aqueduto que transportava a água para a cidade. constitui um laboratório excelente para este debate. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. à utilização de máquinas. às possíveis formas para a sua condução. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. ao longo dos tempos. A esta barragem. nascentes estas perenes. Os Romanos. Efectivamente. onde as diversas ciências têm lugar. a barragem de Olisipo. à geologia das suas origens. para o caso de Lisboa. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. o enquadramento geográfico do sítio. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. para captar. junto à foz do Tejo. até mesmo. portanto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. primeiro a vapor e. adução e distribuição. que secavam na estiagem. A indústria da água é. desde o conhecimento científico e tecnológico. a sua situação. e foram procurá-la em zonas mais distantes. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. e a outros diferentes ramos do conhecimento. em 1994. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. Contudo. toda a bacia hidrográfica que. mais tarde. sociológico. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. logo à partida. à captação de águas em poços profundos. na base da colina do castelo. onde um grande número de nascentes provenientes. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. aduzir. 11 . novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. conhecimento não apenas relativo à água. procuraremos. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. convergem uma diversidade de factores. A indústria da água. debitavam água para as ribeiras. aos equipamentos concebidos para a sua elevação.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. Por um lado. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. agora com complexos sistemas de tratamento. distantes da cidade. quando dominaram a Península Ibérica. Porém. abordar. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. só disponíveis nos tempos modernos. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. e. no homem. De norte para leste. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. Trata-se de um porto natural. alternadamente. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado.000 m³. não se deram por satisfeitos com estas águas. incluindo as ciências sociais. até por razões de estratégia defensiva. temos que ter em consideração. provavelmente às portas de Santo André. Assim. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. cuja evolução abordaremos. apesar de outros existirem em zonas circundantes.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. a própria tecnologia gera. sem utilização de meios mecânicos. neste capítulo. corta o andar de Belas. todos têm razão. à sua captação em rios e em barragens. Nesta indústria. um campo de estudo pluridisciplinar. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. entre margens alcantiladas. Há que. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. por outro. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. ou. 1.

deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D.C. da ordem dos 22 a 24°. que serão designadas por águas altas. como o Chafariz de Dentro. como as Alcaçarias do Duque. São bem conhecidas as suas termas. devido a tal facto.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . que irão surgir. em Évora. caso das águas dos basaltos. construído por Quinto Sertório em 75 a. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram.para a recolha das águas. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. eram um povo de avançada civilização. mais a ocidente. incluídas no Aquilégio Medicinal. O chafariz mais antigo da cidade. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. não apenas em Roma. em 1572. Os Romanos.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais. Dinis. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. Em Portugal há que referir. o aqueduto romano da Água da Prata. invasores do Império. Também os estabelecimentos termais merecem referência. esta já mais a leste do bairro. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. 12 .. 1 .Chafariz d'El Rei 1. o Chafariz d'El-Rei.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. Além da sua temperatura elevada. apareciam no Arsenal da Marinha. porque distantes da cidade. por um lado. e. como as que. certamente satisfeitos com os recursos locais. estando. menos abundantes. cedo arrastou consigo a falta de água. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. aí terão construído dispositivos . como o humanista português Francisco de Olanda que. também as necessidades de água diminuíram face. ou os banhos do Batista ou os da D. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. ou dos Cavalos. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. Clara. o Chafariz dos Paus. . ao longo dos séculos. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. 1. por outro. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. virá a propor a sua reconstrução. designadas normalmente por águas orientais. Fig. Já os Árabes.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. o Chafariz da Praia. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. com uma grande tradição de utilização da água. as diversas nascentes da zona oriental. durante a sua ocupação. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. no concelho da Amadora . 2 . João III em 1531. quer nas nascentes de Monsanto.para além do que resta da barragem. Fig. estas só mais tarde analisadas. publicada em 1726. e reedificado pelo rei D. aliás. em particular. designadamente pelo efeito da expansão marítima. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. ao decréscimo da população. apresentam uma temperatura elevada. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato.

por conseguinte. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. de governação. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. do arquitecto Tinoco.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. Assim. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. que era Filipe II em Portugal. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. na época designados por "canos de repucho". Do século XVII somente tinham ficado intenções. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. no dia em que visitaram Sintra. p. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. que "el quarto y ultimo camino. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. ficando. suficientes para a concretização do projecto. também Francisco de Olanda. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. quando da sua entrada em Lisboa. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. projecto que D. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. No entanto. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. 273. e aí. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. em prejuízo do projecto do novo palácio real. a San Roche. sobretudo de Itália. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. refere. em canalizações fechadas. a da Água Livre. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. já que Leonardo Torreano. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. e muda-se para uma outra nascente. de alguma forma. em Agosto de 1732. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. No entanto. Sebastião. Cláudio Gorgel do Amaral. em 12 de Maio de 1731. aqueduto que. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. os quais. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. Contudo. o rei veio a publicar. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. em tudo semelhantes aos actuais sifões. seria a cidade do poder. e por todo um saber trazido de outros países. Face a todos estes ataques. 1. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. A cidade ocidental. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. onde se situava o Paço da Ribeira. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. pois após a estadia do rei na cidade. a obra mal feita. de assumir a condução dos trabalhos. Em 15 de Janeiro de 1717 D.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. 13 . y sobre la puerta de Santo Andres. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. enterradas. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. no dia 29 de Junho de 1619. na zona da actual Estrela. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. projectos no papel. porém. a obra ia realizar-se. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. na zona da barragem romana. como dio antigamente. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. dando assim prioridade à obra pública. pues abra quantidad bastante pera ella"1. rebentando e deixando a cidade sem água. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. que era mesmo a mais abundante. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. és por el aqueducto antigo de los Romanos. já constatados como insuficientes para as necessidades. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água.

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sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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Fig. não se tendo. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. procedimentos administrativos. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. mas também os aspectos sociais. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. Companhia das Águas o Governo. aliás. 1. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade.8 A 2ª. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. sempre que possível. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. Entretanto. de que Pinto Coelho será o Director. no Ministério das Obras Públicas. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. Na zona média. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. de recorrer aos rios que as banhavam. Tal. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. portanto. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. hipótese que. contudo. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. porém. pôs fim à Companhia. homem que pertencera à 1ª. através de uma galeria. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. Companhia. O momentum tecnológico. foi 18 . por Decreto de 23 de Junho de 1864. À semelhança do que se praticava em Paris. advogado e deputado conservador. porém. continua a ser o do Aqueduto. e da Penha de França descia à Graça. que o delimita a sul. nunca entre nós veio a ser posto em prática. e não conseguiu fornecer à cidade.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. a partir daí. nos prazos estipulados. esgotou o seu capital nas obras. como a das nascentes da serra de Sintra. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. colocados.Interior do reservatório da Patriarcal. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo.. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. e a 2ª. Para isto. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. Após várias diligências e negociações. A 1ª. captada acima de Santarém. irá desenvolver o projecto do Alviela. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. funcionando. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. provavelmente no Arco do Cego. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. Um século mais tarde. e dado outras possíveis opções. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. económicos. Carlos Zeferino Pinto Coelho. que. Já no final da sua curta existência. Para Carlos Ribeiro. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. etc. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. políticos. não terem viabilidade. 11 . estando todo o sistema interligado por meio de sifões. o contrato entre o Governo e a nova companhia. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. Para abastecimento da zona alta. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade.

as vantagens deste novo projecto eram evidentes. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. A primeira iniciativa da Companhia. o que diminuía os custos do projecto. a Companhia alterou o projecto inicial. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. acabou por 19 .o regulamento dos encanamentos particulares . no início da exploração. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. Porém. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. para elevar para a Verónica. Aliás.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. a população a abastecer em cerca de 200. 12 . ditas do sistema Woolf. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. era a concretização do projecto do Alviela. Fig. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas.Companhia das Águas de Lisboa. no máximo. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. logo em 1868. computando-se. no fim. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. de imediato. na Normandia. arrastando-se.000 habitantes. ideia já anteriormente defendida por Pezerat. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. denominada CAL . incluindo a perda de carga. e consumiam. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. na Graça. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. à sua custa. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. inclusive. Assim. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. agora. pela gravidade. e vai possibilitar. 13 . em Portugal. havendo. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. menor necessidade de construção de obras de arte. Fig.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. num aqueduto até Lisboa. de expansão variável e de condensação. a construir. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. as canalizações nas habitações. trazendo consigo os projectos já iniciados.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. a sua extensão às outras medidas. o que era algo de bastante complicado para a época. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². O objectivo principal da constituição da Companhia.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. só em 1852 havia sido posto em vigor. por alguns anos. o sistema decimal para as medidas lineares. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. mas em que à Companhia. na periferia da cidade. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. contemplado no contrato. na zona ribeirinha oriental.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. Quanto ao Alviela. 1.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. de 75 quilogrâmetros.

dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. para o reservatório da Verónica. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. Um carvão mais miúdo teria. incluindo a perda de carga. que viria ser colocada em 1889. 14 . No que se refere à elevação da água. mais tarde. em Lisboa. aproximadamente 139 litros de água por segundo. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. Tratavam-se de máquinas verticais. e o outro de simples expansão. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. de boa qualidade. de balanceiro. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. que abastecia a zona baixa.000 m³ em 24 h. com dois grupos elevatórios. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. elevando 5. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. na Graça. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. para a cisterna do Monte. com dois cilindros.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. elevando 10.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. e de expansão variável. ou seja. 45% de carvão graúdo3. Lisboa dispunha agora. a Companhia. duas bombas verticais. para conseguir a aprovação do regulamento. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. 15 . Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. sistema Worthington. e uma menor superfície de aquecimento. um de tríplice expansão. 3 No comércio. por exemplo. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres.350 m³ por dia a 26 m de altura. no Porto alguns anos mais tarde. Companhia. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. com geradores de vapor cilíndricos.000 m³ diários de água. a uma altura de 77 m. através do sifão construído pela 1ª. Fig. correspondendo. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. incluindo a perda de carga. 20 . à semelhança do que iria acontecer. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. directamente através do balanceiro.000 m³. em contexto semelhante. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. com. a uma superfície de aquecimento de 90 m². cada um. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. certamente uma combustão mais rápida. e vindo. instrumento previsto no contrato. de efeito duplo. Aqui. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. ficando o espaço para uma quarta máquina. Fig. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. retomou as obras. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. pelo menos. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. na zona média. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. do sistema Woolf.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. de Ruão. também do Pombal atingia a Penha de França. ou seja.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. de um volume de 30. tendo que enfrentar processos em tribunal. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. para além das águas altas e das águas orientais.

a construção de mais um compartimento no do Pombal. no Verão. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. Em 1885. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique.000 m³. ideia que era defendida. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. como a do Porto. aliás. não correspondeu às expectativas. levar de vencida a contenda. e. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. que vivamente desaconselhou tal hipótese. de estrangeiros. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. três anos após a inauguração do Alviela. de 1922. procurando resgatar a concessão. em 1870 a 4. sem poderes efectivos de regulação do sector.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. se fecha este ciclo na indústria da água4. estando a Companhia obrigada. Neste contrato. no final desse ano o seu número passara a 260. com a 1ª. e. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. ano em que.167 consumidores. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água.032. junto a Lisboa.000 m³ diários. em 1900. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. no entanto. e. pelo contrato. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. Por essa mesma altura.000 m³. vindo o da Ajuda a ser construído em S. durante a Ditadura. Era necessário. a cidade ficou com uma população de 311. fiscal do Governo junto da Companhia. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. num movimento de municipalização. 21 . a cerca de 3 km da confluência do Alviela. construção de um novo reservatório na Ajuda. a água era fortemente mineralizada. iniciativa que. para lavagens e para os esgotos da cidade. mesmo após a implantação da República. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. gás e electricidade. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. e no Ministério das Obras Públicas. duplicando a sua capacidade para 12. com sucessivas quedas do Governo. para abastecimento de água. pois o caudal do Rio Tejo.009. no Regueirão dos Anjos. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. fora criado. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. dando elevados prejuízos. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. foi sempre. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. não se tendo vindo a construir este último. 1. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. o Governo. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. A nível nacional. aliás. tinham-se. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. que durou até 1921. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. apenas um órgão consultivo. sendo algumas. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. conseguiu. Restava o caso de Lisboa. com capacidade de 1. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. a custo. No Congresso Nacional Municipalista. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. Dado que. por outro lado. próximo de Sacavém.000 m³. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. na zona de Bucelas. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. Porém. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. a abastecer toda a cidade agora aumentada. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. em 1875 a 11. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. do projecto de Ressano Garcia. de 4. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. trouxe novamente situações de carência. Para além disso. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. Com o excesso de água que tinha. mas também pelo seu crescimento para norte. a Companhia.500 m³.540.471 habitantes. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. portanto. no sítio da Boa Vista. 4 1. Este Conselho. com capacidade de 120. em 1880 a 16. e em 1883. Jerónimo. já tínhamos 27. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro.

Fig. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. na realidade. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. Engenheiro Duarte Pacheco. o do Arco e o de Campo de Ourique. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa.000 m³ diários. Finalmente. podendo elevar um volume de 11. elevavam a água para os reservatórios da zona média. na sequência do qual. em 1917. valor médio. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. através do Ministro das Obras Públicas. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. com a potência efectiva de 90 CV cada. de um novo contrato de concessão à Companhia. 17 . movidas por motores Diesel pesados. 260 e 215 CV. e a sua substituição por uma estação eléctrica. para a Verónica. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água.Estação Elevatória dos Barbadinhos . não excedia os 2. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. elevando para a zona baixa. de 3 de Fevereiro de 1933. de bombas centrífugas e unicelulares.320 m³ diários a 73 m de altura. 16 .Construção do reservatório da Penha de França 1. a 49 m de altura. verdadeira mudança de paradigma tecnológico.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. com a capacidade elevatória unitária de 15. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas.000 m³ cada. Outros dois grupos. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. os dois últimos grupos. 22181. tendo uma potência de. a 82 m. com uma capacidade elevatória de 15. com uma capacidade de elevação de 4.000 m³ diários e outro de 9. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. com 600 m³ de capacidade. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL.000 m³ cada.Sala das Máquinas 22 . Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. pensava a Companhia. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. com a imposição pelo Governo. respectivamente. por um dos grupos da zona alta. com uma potência efectiva de 90 CV cada. e para obviar às carências que se faziam sentir. as nascentes das margens da ribeira da Ota. elevavam para a zona alta. o que. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. pelo Decreto nº.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. baixava a níveis bastante reduzidos. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. A produção da estação. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. para o Pombal. a Companhia lançou mão de novos recursos. pois na estação do Arco. Com o novo contrato de concessão. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel.000 m³ diários.900 m³ diários cada uma. com a capacidade de elevação de 12. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. que não vieram a ser concretizados. variando com o movimento das marés. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. já que a produção das nascentes. contudo. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig.500 m³ diários. Um grupo com a capacidade de 12. na estiagem. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. A altura da elevação era de 98 m. para abastecimento da zona alta oriental. não veio a acontecer.600 m³.

Havia. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela.000 m³. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. para o efeito. em Sacavém. em Lisboa. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. que construir uma segunda linha de sifões. nas passagens dos vales. Em Sacavém. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. seria construído um dique. 18 . A 2ª. 19 . não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. Na 3ª. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. mais 55. Quinta do Campo e na Lezíria. armazenadas acima da confluência do Nabão. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. e introduzidos no Canal Tejo.000 m³ nas camadas do Belaziano.000 m³ diários. contudo as suas propostas.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig.230 m³ cada. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica. pois a firma Layne & Co.000 m³. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. para o efeito. Espadanal. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. seriam trazidos do Zêzere. agora não só de Lisboa. próximo de Alcanhões. após depuração mecânica. Fig. fase. no sítio da Nora Alta. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. a uma altura de 28 m. e. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. na região do Carregado. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. e com uma nova estação elevatória. diários. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. portanto. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. o facto de. o do Canal Tejo.000 m³ de água diários. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. e uma potência de 70 CV. obra que foi executada logo em 1933. em funcionamento a partir de 1960. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. autor do projecto de 1908. Na 1ª. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. e Luís Veiga da Cunha. A 4ª. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. além de onerosas.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. apresentou uma proposta interessante ao Governo. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. 23 .000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. afastando de vez o fantasma da municipalização. fase. possuir uma única linha de sifões. construindo-se. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. no Alviela. aliás. em Sacavém. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. em canal próprio. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936.

Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. com sucessivas actualizações. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. próximo de Vila Nova da Rainha. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. 22 . dadas as suas dimensões. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. Olivais. fachada principal 24 . W. por ocasião de febres. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. pois. dos quadros da CAL. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. e. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. A utilização do cloro levantou graves problemas. 21 . na Quinta da Ché. em número de doze. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. 20 . que apresentava condições mais vantajosas. temos a adjudicação à firma americana R. ao contrário do que inicialmente se observara. 1. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. ligados aos tubos de aspiração das águas.000 m³ diários. da Alameda de D. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. Professor Ricardo Jorge. Além desta firma. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. monumento que. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. que continua ainda no presente. foi objecto de um processo contínuo.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. da ordem dos 250.Captação de água . em 1897. escultor que também. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. Afonso Henriques. como Rebelo de Andrade. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. em 1913. Fig. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. O higienista português. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948.Estação Elevatória dos Olivais. a própria colocação dos grupos elevatórios. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. Por outro lado. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. a água de Javel. havia sido construída a estação elevatória. sendo em França utilizada uma solução de cloro. mas de uma forma sistemática e preventiva. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. Iniciando-se em barracões provisórios. Fig. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. chegou mesmo a defender em meios internacionais. face a uma série de epidemias de febres tifóides.

Fig. construída pela firma Degrémont.000 m³. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. em 1949. no dique de Valada. e que funcionou durante um ano. e. construída em 1958. construída durante as obras de construção da barragem. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. A estação de tratamento de Vale da Pedra. em 1967. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. captadas na Boa Vista. onde a água é decantada. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. a CAL decidiu.ETA de Vale da Pedra 25 . com uma capacidade diária de 100. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo.13 As duas opções em confronto . fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. Com o tratamento. começou por meio de uma estação piloto. e finalmente desinfectada por meio de cloro.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. 24 . Caso isso não tivesse sido feito. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. na barragem do Castelo do Bode. menos mineralizadas. com a barragem cheia. A água é elevada para uma estação de tratamento.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. uma na Amadora e outra na Buraca. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. mais tarde.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. Como também foi referido. em períodos de carência. 1. 25 . ou até mesmo impossível.000 m³ diários. 23 . muito embora tivesse uma produção reduzida. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. Porém. execução. com uma capacidade de produção de 240. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. tal obra seria de muito mais difícil. lá estava a torre de captação de água. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água. No entanto. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. A captação de água no Tejo. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. Na sequência de todo este progresso tecnológico. em Vale da Pedra. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. já em 1963 estava em funcionamento. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo.

de Janeiro de 1950.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. agora completa. no século XIX. dando esta companhia lugar a uma empresa pública.120 m.40 m. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. o que se deve verificar em 1974. sido abandonados. em vez dos três em que.000 m³ por dia. correspondentes. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. ainda em 1970.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. abandonadas as águas do Zêzere. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". a dividira. conforme os estudos mencionados referem. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. dar meio milhão de m³ diários. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. em Lisboa. a braços com nova crise de falta de água. fase. de onde a água é elevada para Telheiras. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". 40 m . poderia. para o Zêzere. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . da Geologia. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. com a opção Tejo. Fig. Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. que. Em 1959 a CAL. Não foram. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. 62 m . no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. às zonas baixa. uma estação de tratamento na Asseiceira. respectivamente.95 m. Acima dos 120 m. na albufeira do Castelo do Bode. uma central elevatória situada a jusante da barragem. da Química. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. definitivamente. O Zêzere. média. mais tarde. publicado em Junho de 1962. inicialmente.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. alta e superior. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. que a Companhia abastece em alta. e a cidade tem agora quatro andares. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. sendo composto pela torre de captação. e 95 m . 26 . vai ter que se virar. inviável no curto prazo. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira.Barragem do Castelo de Bode 1. feito em tempo útil. mais tarde. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". com esta 2ª. já então elevada para 400. pois. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. correspondente à captação de Valada-Tejo. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. pois. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. 26 .000 m³ diários. Mary. será criada a zona limite. muito embora. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física.62 m. a EPAL. Objecto de estudos posteriores. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir.

pela EPAL. 27 . de capitais exclusivamente públicos. 27 . abastece de água a quase totalidade do País. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. o que possibilita hoje o abastecimento.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. da nossa memória colectiva. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. que.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. A EPAL é hoje uma sociedade anónima. 26 . a Águas de Portugal.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. com um conjunto de empresas multi-municipais. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. AdP.Barragem do Castelo de Bode Fig.

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30 .

BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. 31 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Hidráulica e Ambiente. Lda. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.

32 .

Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. acompanhamento de obra e Fiscalização). Materiais de Construção. o Mestrado em Engenharia Municipal. hidrologia. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. • Águas Pluviais. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. consultoria. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. Reservatórios e Redes de Distribuição). Auditorias Ambientais. SBS . Comemora actualmente o XXXI aniversário. Estruturas.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Desenvolve. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. 33 . O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. Sistemas Elevatórios. Estações de Tratamento de Água. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. Hidráulica e Ambiente. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. Lda.Engenharia Civil. Hidráulica. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. Regularização Fluvial). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Acompanhamento de Obras). Geotecnia. projectos. Sistemas Elevatórios. Estações de Tratamento de Águas Residuais). Sistemas de Adução. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Interceptores e Emissários. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. ainda. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. para cada valor de (ε/D).e comprovados através das experiências de Nikuradze. A variação de λ com Re apresenta. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. 2 . ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ.teoria da turbulência . quatro intervalos (I.Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . III.2. que dividida por D. turbulento de transição e turbulento rugoso. sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. permite a determinação expedita dos valores de λ. Fig.7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial .51 ε /D = −2 log( + ) 3. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. uma rugosidade equivalente (ke). concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. a) Determinação de l. com suficiente rigor.4. define-se para essas condutas.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . • Os intervalos II.ε) às condutas comerciais. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. que substituída na expressão de cálculo de λ.rugosidade relativa (ε/D). que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. em regime turbulento rugoso. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". sem depender da rugosidade da conduta. corresponde a um parâmetro adimensional . II.

formando feixes ou malhas de condutas.5 Redes hidráulicas 2. Re . Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. válvulas. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. ou seja. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. Quanto à sua constituição. temperatura. Logo.. ke . λ.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. material das paredes do contorno sólido. 2.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente..51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. em cada troço. mudanças de direcção. secção transversal. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica.número de Reynolds (adimensional). Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. b) Determinação de l. por considerar por exemplo os consumos domésticos. etc. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 .1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga.6. quer sob a forma analítica. λ. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. . Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2.5.coeficiente de resistência (adimensional). seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso.). Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais.fluido. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 .TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida.4.diâmetro da conduta (m).rugosidade equivalente (m): D . etc. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade. o caudal é constante logo. válidas apenas em certas circunstâncias . são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli.6 Cálculo hidráulico 2.

caudal no extremo de jusante. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. L .Selecção do diâmetro mais económico. . O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo.caudal unitário de percurso. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. em regime uniforme e permanente. 41 . H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. Qj .comprimento da conduta.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. para efeito do cálculo das perdas de carga. a altura de elevação necessária para esta instalação.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.6 a 1. 2. .8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.caudal no extremo de montante. em movimento uniforme e para um dado diâmetro. 4 . apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4. 3 . .7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q .Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas. 2. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. (actualizados ao ano 0) . As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. para cada caudal.Curva característica da instalação Fig. considerando os caudais que realmente circulam na rede. Qm . 3. conforme se representa na Fig. há uma variação do coeficiente de perda de carga.

Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). 6 . sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. Fig.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. melhorando a eficiência da bomba. Fig. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. • Veios condutores. 2. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. 42 . A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. • Motor eléctrico. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2.9 Bombas centrífugas 2.2 Constituição Na sua forma mais simples. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.9. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. são as seguintes: • Corpo da bomba. • Sistema de refrigeração. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. b) Eixo vertical. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor.9. 5 . onde se preserva a pressão do primeiro. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. c) Eixo inclinado. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. • Sistema de lubrificação. • Propulsor ou rotor. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n.9. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. usa-se uma bomba multiestágio. Nesta situação.

Com estas modificações. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. Velocidade absoluta do líquido v. 43 . w = velocidade relativa à alheta. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . é indicado por uma linha recta.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. velocidade periférica da alheta u. Fig. onde: v = velocidade absoluta do líquido. velocidade relativa w. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. u = velocidade periférica da alheta. logoνu1 = 0. Para além disso. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. Assim sendo. Ht∞. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. vm = componente radial da velocidade absoluta. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. 7 .

para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. • perdas por atrito no empanque da transmissão. onde o líquido atinge a ponta da alheta. Se tomarmos este factor em consideração. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. conforme se pode ver na Figura seguinte. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. 9 . • perdas por atrito na chumaceira. Fig. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. 44 . As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. conforme se pode constatar na figura seguinte. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. • No bordo de fuga da alheta. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. Este efeito é ilustrado na Figura 9. Por muito pequena que seja a folga. 8 . quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. a diferença é a perda por fuga Hv. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. • Na voluta da bomba. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. poderemos obter a altura teórica Ht.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. A redução de altura de Ht∞. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. Por este motivo.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. Fig. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba.

Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. particularmente. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. com uma densidade muito mais baixa. tal como se estivesse a bombear areia. formam-se bolhas de vapor. Implosão de bolhas de vapor Fig. A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. 10 . Normalmente. o seu colapso ocorrerá rapidamente. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. tação. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. na instalação de qualquer bomba. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. conforme representado na figura seguinte.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. Fig. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. Habitualmente. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. 11 . As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. irão eventualmente implodir. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. com líquidos quentes e voláteis. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação.

∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. Nas bombas verticais. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. As alturas de pressão são apresentadas na Fig.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. conforme demonstrado na Figura 14. Fig. 12. como pode ser visto na Figura 15. Nas bombas horizontais. 15 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. Fig. 13 . ataque da alheta. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. 14 . Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal.Curvas de NPSH 46 . na bomba e na tubagem de pressão.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. Pmin= pressão estática mínima na bomba. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. 12 . Na realidade. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco.

é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. Este procedimento é muito frequente. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. Para bombas instaladas verticalmente. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. pois é necessário. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. Assim sendo. tais como a alheta do impulsor. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. em muitas situações. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . O NPSH. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. Por este motivo. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. Este valor é definido como NPSH3. Em princípio.5 m é suficiente. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação.5 m. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. Por exemplo. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. isto é. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. as suas margens de segurança e métodos de medição. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. 2. Na prática. carga a desenvolver pela bomba (H). O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. uma margem de segurança de 1 a 1. Estas leis são relações entre: caudal (Q). REFERENCE GUIDE"(1997). ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15).

).Ponto de funcionamento de uma bomba 48 . 16 . com a curva característica da instalação. Fig.dis.req.H. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.P. (≤ N.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.S.P. o rendimento e o N. Com esse ponto.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q).H. a potência absorvida.S. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2.

J. (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. (1981) HIDRÁULICA . ANTÓNIO C.PORTO EDITORA MACINTYRE.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . REFERENCE GUIDE QUINTELA.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. ARCHIBALD J.

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de Eng. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 .

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a Profluidos. 53 . dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. especializada nas suas áreas de actuação. na procura de um produto final de qualidade. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. garante a qualidade técnica dos projectos. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. tendo como objectivo último. a satisfação dos seus clientes. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. Lda. Consultadoria e Assistência Técnica. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. por Decreto Régio de D. Com ampla experiência nacional e internacional. Em 25 de Outubro de 1988.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . rapidez de resposta e segurança de actuação. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. caracterizada pela qualidade. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. Maria II. eficiência. É uma empresa multidisciplinar.

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abastecimento público e indústria.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. Fig. rega. quer sob o ponto de vista económico. 1 . Fig. 3.3 Centrais hidropneumáticas 3.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. tubagens e dos aparelhos de consumo. quer sob o ponto de vista funcional. consiste em utilizar bombas de velocidade variável. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. em função do caudal ou pressão. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: .Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos.3. O seu correcto dimensionamento. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos.Pressóstatos ou sensores de pressão. Fig. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. . As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. Na actualidade. 2 .Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 .Um ou mais reservatórios fechados. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. . A primeira solução. .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. cada vez mais corrente no mercado. 4 . com arranque e paragem automáticas. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. 3 . que automaticamente. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. em série ou em paralelo com as bombas. com ou sem membrana.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3.

2. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). 6 . Para melhor precisar estas noções. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso. Fig. dá partida à bomba. ou ainda.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. 7 . o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. enchendo-se o reservatório. pelo contrário. Noutras. Fig. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. um sensor. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar.3.Eléctrodos ou interruptores de nível. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. quando duas bombas funcionam em paralelo. protecção e controle das bombas e compressores. Fig. 5 . Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. a curvatura é acentuada (tangente 3.3. um interruptor de flutuador.2 Grupos electrobomba 3. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. 6). Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido.Manómetros. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. 6). pressóstato. .Selecção das bombas 56 .

. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. 3. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba.Evolução progressiva de C6.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: .Através do diferencial de caudal.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas.Através do diferencial de pressão. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. Nesta evolução. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. conforme está representado na figura 8. que são accionados mecanicamente pela pressão da água.2. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. etc. é posta em marcha a terceira bomba. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: . Em A3 é atingida a pressão mínima. até A1.Evolução de A2. designada regulação manométrica. 57 .Paragem da segunda bomba.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. Assim. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento).2. Se o consumo de água continua a aumentar. passando por todas as fases intermédias. Qp . . para B5. designada regulação debitométrica. para C5 e por fim C4. do respectivo caudal e da pressão. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. através de uma das duas opções: .2. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig.2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. Com o arranque da segunda bomba. . Nesta situação. Para se evitarem os inconvenientes descritos.3. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. . que permitem. ou seja. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá.Em cada arranque e paragem de uma das bombas. . São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. .3. bombas multicelulares. 9).caudal de arranque.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. ocorre um salto brusco de A3 para B3. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. 8 Qa . correspondente à curva 2P. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente.

o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. que estará compreendido entre 0 e Qmax. impedindo a dissolução do ar na água. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. 11 . o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. 9 O ar sob pressão. 12 . actualmente. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. Como se pode observar na fig. Fig. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. No exemplo ilustrado na figura 11.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. ao contrário da água que é praticamente incompressível. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. 10.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. A maior parte dos depósitos são. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. Fig. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado. depois progressivamente. de B' para B. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável.Gama de caudais garantidos por n bombas . não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. aprisionado na parte superior do depósito. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. esta diferença vai alimentar o depósito. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. Fig. entretanto. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito.

Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. .Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo.3. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig. .Número de arranques do motor. corresponde ao ciclo de duração mínima e. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado). conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens.2. . 3. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx).2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. Sendo assim.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . por conseguinte ao número máximo de arranques. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. 13 . Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. Fig. 14) apresenta três consequências. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: .3. O caudal crítico Qc. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . Contudo.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. . Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. Esta diferença é absorvida pelo depósito. .Maior frequência de arranques.1. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado.1. . Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito).2. cujos efeitos serão: . cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta.2.Flutuação da pressão.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). portanto.Volume de reserva de água. 14 . (fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Conclui-se.2. Por outras palavras.

esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. será necessário dispor-se de um grande volume útil. É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. 15). 16). 15 . correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. maiores variações de pressão). A temporização. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. Fig. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. não tem qualquer influência (fig. Fig. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. 60 . 19). 18 .Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. 19 . Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h.Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. No entanto. Fig. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. 16 . utilizando bombas de velocidade fixa. 18 e fig. fora deles. sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques.

é de notar a persistência das flutuações de pressão. que são prejudiciais às canalizações. pode ser mantida em funcionamento permanente. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é.1. tal como nos reservatórios tradicionais.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. 3.3. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. Uma regulação debitométrica é. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos. Deste modo. 21 .2. de tal forma que acompanham o consumo. Deste modo. dispendioso. Esta bomba Jockey. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. uma operação contínua dos grupos. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. em geral.3.3.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. futebol ou hipódromos. No entanto. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. também correntemente denominados depósitos de membrana. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. 3. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. bem como os arranques frequentes das unidades principais.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 . a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens.2. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas.3. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. quando as bombas principais estão paradas (fig. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig.3.3 Reservatórios de membrana 3. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados.2. utilizados em pequenas e médias instalações.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig.2. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. 20). por conseguinte. Como regra geral. 21).3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. 20 . tais como de campos de golfe. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. 3. entre dois períodos de funcionamento consecutivos.3. Contudo. ou imobilizada. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação.2.1 Introdução Os reservatórios de membrana. mais atenuadas são as flutuações de pressão. assim. Podemos.3. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*.3. Por este motivo.

Volume residual. É o volume de água que é introduzido no reservatório. Pp .4 Reservatórios hidropneumáticos 3. h2 .1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. isto é. Vr = 0.3.2 Vt. deve ser igual a 2.Caudal bombeado.5 vezes o diâmetro da canalização. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório. Vu . Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Número de arranques por hora da bomba. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig.4.Duração de um ciclo em segundos.Pressão de paragem (bar) Pa .Caudal consumido pela instalação em litros. h2 = 2.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. também se baseia na Lei de Boyle Mariotte. entre o arranque e a paragem da bomba.Capacidade útil necessária. Esta altura.Pressão manométrica de paragem da bomba (bar). em litros.Pressão de arranque (bar) Pb . tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).Capacidade útil real (litros) Vt . Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . Vp . com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp. Cu .Volume útil de água no reservatório. por minuto. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. Pa .Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. A .Volume total do reservatório (litros) Pp .Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). é o limite de segurança de utilização de água do reservatório. Q .3. o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido". por minuto.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z .5d. Vt .Altura correspondente a Vr. 22 . ou seja.Volume total do reservatório (M3) Vr .Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T . a capacidade total necessária é de: Fig. Va . Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3.

c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais.34 0.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. Fig.08 0.33 0.29 0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem.2 0.32 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.8 Vt. 23. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx . b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q .Pmin.13 0. 23 . com estes valores no gráfico.2 0.24 0. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.4 0. em litros por minuto.13 0.Número máximo admissível de arranques horários.5 2 2.4 0.3 0. vem: Vu = 0.1 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.5 3 3.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.27 0.16 0.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.4 0.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto.4 0. Pc = Pmin-0.5 4 0. Z .25 x Qm x (Pmín.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 .26 0.

25 .Pressão inicial de pré-compressão (bar).Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . Qm . O arranjo da fig. 24 . 27 .Pressão atmosférica T . e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo. com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Tempo de duração de um ciclo (minutos).Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi .2 em geral). Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível. Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. 64 .Coeficiente de segurança (K=1.Pressão mínima de arranque em bar. Fig. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento. Vu = 1. 26 . O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. Ha . HM .5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício.3.Instalação doméstica rural A fig. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. 24. Fig.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig. Hm .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . T . 3.Pressão máxima de paragem em bar. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.

4. 28 . como se sabe. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. mas sim. 29.Instalação em "by-pass" A instalação da fig.4 Sistemas por bombeamento directo 3. • minimização da potência perdida para economia de energia. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias.Simplicidade de operação e manutenção. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. A curva é traçada em função de um ponto de referência R.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. h). 3. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2. sendo a descarga directa à rede. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico. essa variação é normalmente apreciável. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. 65 . • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. . Fig.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. Na fig. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. 29 . Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. 3. . a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. . se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício.Ocupação de um espaço reduzido.3. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: .

com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. a pressão é mantida constante. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. Po .1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável. 3.3.4.2 Bombas de velocidade fixa 3. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. RS. Por outro lado. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.Potência dissipada inutilmente. como se pode observar.Ponto de funcionamento da bomba instalada. quer por variação do consumo. em função do caudal. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que. P .3.4. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. independentemente do consumo da rede.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. 66 .Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3.4. o rendimento praticamente não varia com a velocidade. 31 . PQ .32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração.Curva de potência Na fig.3. 30 . QR .4. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. do tempo de funcionamento e das anomalias.4.2. por exemplo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas.4. para os menores consumos correspondentes às horas mortas. Na figura 31. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3. rpm Fig. para uma pressão constante de 7. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.

Fig. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C). máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. 3. 32.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA. Controlador Controlador Fig. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas. rodando sempre sincronizadamente.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. Existe um controlador que compara o sinal medido. .4 Regulação manométrica Neste caso. . 32) são os pontos críticos de operação das bombas. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. diversas situações são praticáveis tais como: .Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração.3.4.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida.Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. . . outras compreendidas entre essas. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. 35).Zona de funcionamento das bombas 67 . . por sua vez. Independentemente do caudal requerido. 34). 4-20mA ou 0-10V. usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . Os pontos C e F (fig.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. 33). Nestes casos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. que foi pré-programado. para situações intermédias. 32 . 33 . Fig. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). proporcional à pressão medida. o que pode traduzir-se no seguinte: . com o valor ajustado.Instalar todas as bombas com velocidade variável.

logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. 36 Fig. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo.Regulação manométrica. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. Fig. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. obter-se-á. 37). Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. Se o consumo aumentar (fig. Com efeito. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. as torneiras fecham-se. 35 . Na prática. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. 36).

. 38 . 39 . com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . enquanto não se verificarem alterações de caudal. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. associada ao número de bombas. • Pressão constante. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. dentro do tempo de funcionamento admissível. 10 % de velocidade em excesso. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. com uma instalação de velocidade fixa.Campo de variação de caudal só com 3 bombas.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. compreendido entre 0 e Qmáx.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. na variação de velocidade controlamos ambos. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. através da variação da velocidade de uma das bombas. • Volume do depósito hidropneumático reduzido.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. • Número de arranques dos motores das bombas. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. Enquanto que. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. sem arranques ou paragens. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. para evitar uma sobrecarga no motor. . o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. independentemente do caudal. representa cerca de 33% de potência suplementar. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. assim como um funcionamento contínuo. • Economia energética. em cada transposição destes valores. por exemplo. quando o consumo tende para zero. a sua inserção tem como vantagens. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais.Pode satisfazer-se um consumo aleatório. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. embora este acessório seja dispensável. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. Na realidade. para se garantir a pressão do sistema.

40 . A pressão em B. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. reside no transporte do sinal.∆hAB (figura 40). a pressão em A não é igual em B. É o princípio da regulação manométrica compensada.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente.43). apesar de existir um sistema de variação de velocidade. 42). mas sim no local de consumo (fig. A dificuldade da solução. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. também apelidado de manodebitométrico. Deve-se considerar o desnível geométrico. Fig. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. através de um sistema de controlo complexo e.4. ­ Passagem do cabo. denominada "pressão disponível".3.20mA Pode encontrar-se esta solução. a regulação manométrica. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. cujo valor varia com o quadrado do caudal. Este tipo de regulação não permite. será efectuada. em certas redes urbanas de distribuição de água. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. ­ Transmissão de um sinal de 4 . O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. é igual a PA . 70 . com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. consequentemente dispendioso. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. mas para tal. ii) Compensação das perdas de cargas Fig. devido ao: ­ Custo do cabo. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo.Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação.

A medição da pressão é insuficiente Com efeito. 45). É portanto. ponto por ponto. 46). A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. por mais sofisticado que seja.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. entre A e B (fig. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. 44 B. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. Fig. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. sofisticado (fig. 43). correcta ou insuficiente. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. para tal. as perdas de carga nas condutas de alimentação. em contrapartida. Por conseguinte.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. necessário haver medição do caudal (fig. conclui-se que um dispositivo de regulação. 45 71 . Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. assegura uma pressão constante nos utilizadores. em que ocorrem perdas de carga elevadas. o que constitui uma abordagem interessante. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. que é dispendioso. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. Para se obterem jactos com a mesma altura. independentemente do caudal. mas. mas sim variável em função do caudal. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. No entanto. O controlador apropriado é. Em que nas horas em que o consumo é elevado. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. 44). a pressão de serviço ou é programada. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. deverão ser desprezáveis. Fig. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. ou segundo uma equação matemática correspondente. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. de acordo com o caudal de consumo. 46 Fig. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. Em função do equipamento disponível. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. é dispendiosa. Por exemplo.

industrial e de distribuição pública.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade.5. Fig. é possível determinar. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local. 3. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.250 0. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.350 0. 3.1. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. de uma forma rigorosa.250 0. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. 48).1. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 . o caudal máximo da instalação. .100 1.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. bastante aproximados à realidade.5.005 0. Par tal. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . 48 3.200 0.350 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. rega. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático. nas informações técnicas que publicam. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. visto que.700 Fig. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig.100 0. com a ajuda de ábacos ou de tabelas. interior. o caudal e a altura manométrica.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação. no caso de uma instalação já existente.050 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .5.100 0.500 0.100 0. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido. 47 3.

20 0. ginásios ou parques de campismo. . para um hotel. . . . .25 0. ginásios. . . . . . . . . . . . . .15 0. . . . . . . . . . 140 x 0. . . . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. . . . .10 0. . . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . .20 0. . . . . . . . . . . . . .50 0.03987 = 4. . . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. . . . . .45 sendo n o número de torneiras. . Nos centros de férias. . . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. . . . . . . . . . . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 .15 0. . . . hotéis. . . . .20 0.0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0.5 0. . É de notar. .15 0. 140 x 0. . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. .10 0.20 l/s = 28l/s 70 torneiras . .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos.10 0. .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. 70 x 0. No caso de hospitais. . . . . . . . .15 0. . . . . . centros férias. . . Por exemplo. . . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . em que K. . 1. . . . . . . . impõe-se um estudo para cada instalação específica. Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. . escolas. . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. .10 0. . . . . estas deverão ser calculadas à parte. . Total . . 140 x 0. . . quartéis. . 1. . . . . . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . . . .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . . .15 0. . . . 140 x 0. mas normalmente. . . . .30 0. . . . . . . . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . . . . .

1.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4.1. 3.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .2. Deve ser da ordem de 1. Para a sua determinação rigorosa. ou seja. Exemplo prático Tomando como exemplo.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3. 50 .2.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 .4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente. 49 . À perda de carga contínua.5. 51 .5 bar em locais de habitação. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.5. Fig.∆hasp . um edifício de 10 andares.5. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.1. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede .Pasp) 3.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável.2 Perda de carga Como valor expedito.8 bar 3. ∆hasp .2.2. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer. a altura média de cada andar nos edifícios recentes.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro .1.Hasp Fig.5.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado. válvulas.2.5. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas. etc.5. deve ser determinada a sua dimensão exacta. ou ábacos de perdas de carga.

Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. Hmt = Pdesc .2 mca. Pasp = 2-0. Logo. Pasp = 20 .5. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.3 bar. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0.5 . porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.Pasp= 48 . Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca.5 =1.5 mca Caso 2.no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.18 = 30 mca. Por exemplo: Prede = 2 bar.0. sinal .2 )= 50 mca.1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada.Pasp = 48 .5 = 46. 75 .5 mca.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Exemplo (com Pdesc = 48 mca. Aspiração negativa ∆Hasp = -1. temos: Hmt = 48 .5 = . Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede).1. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração. Hmt = Pdesc.5 mca. conforme descrito anteriormente. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento. ∆hasp = 0.( . ∆hasp = 1 mca.5 mca. Pasp = -1. b) Ligação através de tanque Fig.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. 52 .Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp .1 .3 a 1 bar. calculado previamente) Caso 1.5 m ∆hasp = 0.

J. Applications. 17 . Dimensionnement. Archibald Joseph. 1995 76 . Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.Principe. Archibald Joseph.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.La Surpression . Les Cahiers Techniques Nr.6 Referências bibliográficas AGHTM .Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Les Stations de Pompage d'Eau M. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE. Prossen.

CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept. de Eng.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.

78 .

– Integração noutros sistemas. durante manobras de válvulas. 1 . superiores à pressão admissível para o material das condutas. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. etc. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. volumes aspirados e descarregados de reservatórios.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. – Outras particularidades do sistema em análise. o valor da pressão. – Diâmetro das condutas e respectivo material. – Caudal e pressão de funcionamento. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. que como não podem deixar de ser. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. 79 . fecho de válvulas. etc. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. variações de velocidade de escoamento. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. – Limites de funcionamento admissíveis.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. níveis de água. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. Fig. O cálculo é realizado por tentativas. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. paragem e arranque de grupos electrobomba. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. tempos de paragem de grupos electrobomba. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. A aplicação do método.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. a velocidade de escoamento.

• Mesmo durante o regime transitório.velocidade de escoamento λ .2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. nós de condutas. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. trata-se de um modelo matemático. assim como a inserção das condições de fronteira. tais como bombas. • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características. reservatórios. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. t. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. válvulas.coeficiente de atrito da conduta D .Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig.Forças actuantes num volume elementar de fluido.Hx + Vt + λ 2.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . etc. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. 2 .diâmetro interior do tubo g . A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. mudanças de características de condutas.altura manométrica v .aceleração da gravidade a .Linha piezométrica (2) . sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema. por exemplo: (1) . 80 . A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade.

3 . dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+.e. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .HA + x (QP .e. Para uma escolha adequada dos valores de µ. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.dx + Ht. transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a. Estas curvas características.Curvas características representadas no plano x.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. dt dt dH dx = Hx. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. As curvas representam fisicamente. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). BP). as equações (11) e (13). Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13).dt dH = Hx. determinadas pelas equações (12) e (14). t.L2 = 0. no plano x. diferentes e aleatórios.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx.dx + vt.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a. é possível simplificar a equação 3.t) e H = H(x. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. no caso particular da celeridade ser considerada constante. H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. t. v = v(x. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. Se a equação (11) for multiplicada por a. t. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P.

e. tais como: Fig. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo).QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. 4. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1).e. – A distribuição da velocidade e de pressão. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha.e. é uniforme nas secções transversais da conduta. O tratamento explícito das condições de fronteira. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). 4 . porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. pode ser associado a técnicas de interpolação. pela sobreposição de efeitos. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). Na modelação do comportamento das condutas. 82 . – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. No cálculo do sistema durante o regime transitório. O método das características. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. causada por uma falta generalizada de energia. dentro de um critério de probabilidade significativa. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. em instantes determinados. representam as vantagens mais importantes do método das características. permanecendo o resto do programa inalterável. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média.

83 . Para proteger um sistema. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. válvulas de alívio. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. etc. reservatórios unidireccionais (RUD). = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. Para certos casos particulares. é efectuada. etc. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. de regulação.5.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões).CQ2 em que N é a velocidade de rotação. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. etc. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. considerou-se a equação: PV1. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. 4. O método das características. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. do líquido transportado (composição química. à das bombas. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. Q o caudal bombeado e A.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. válvulas de controlo. do tipo de grupos elevatórios.). do seu perfil. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. tais como do comprimento das condutas. conteúdo de sedimentos. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. dos motores. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. válvulas de retenção intercaladas na conduta. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. etc. quando os motores forem eléctricos. chaminés de equilíbrio.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. viscosidade. reservatórios de ar comprimido (RAC). concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. temperatura. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. e às características eléctricas. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . a modelação das condições de funcionamento das bombas. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. condutas de aspiração paralela. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. a bomba irá bombear. poderá utilizar-se um único. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação.

em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. armazenando consequentemente energia potencial elástica.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. à custa da energia cinética de escoamento. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. 6 . de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. um método possível para a proteger. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas.5. ou a afluir ao reservatório no caso contrário.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. São vasos metálicos fechados. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. RAC. Quando se inicia um regime transitório. Em regime estacionário (permanente). Quando ocorre a inversão do fluxo. durante a fase da onda de pressão positiva. Fig. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. Fig. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. com períodos curtos. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. 4. a massa de líquido do interior do reservatório. 5 . deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. Paralelamente com a variação de pressão na conduta.5. Para se restabelecer o equilíbrio. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal.

a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. e 1. Com hgas2 determinado.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. hgasi representa a pressão absoluta do gás. fiabilidade e disponibilidade no mercado. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. o custo em geral elevado.altura do reservatório dt . Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. 7 .2. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas.4 nos processos adiabáticos.diâmetro interior hb .Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. facilidade de aplicação e controle. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório.altura da base do reservatório zt . At = π 4 d2t. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. No início do cálculo. 8 It . Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. 85 .cota de inserção do RAC na conduta Fig. não é considerada no modelo de cálculo. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. Uma técnica analítica de cálculo. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. têm como principais vantagens a sua simplicidade. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito.

de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). Na análise do comportamento do sistema. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. Na modelação. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. 86 . Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. O trecho compreendido entre a bomba.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Como em geral o caudal é reduzido. turbina ou válvula e a chaminé. 9 . Ou seja. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. 4. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. Assim. Quando ocorre uma paragem da bomba. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. Quando as bombas estiverem em operação. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. Quando os desníveis geométricos. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. evitando as depressões no ramo de compressão. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. ocorre em geral uma oscilação em massa. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. Quando tal não se verificar.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. permanecendo outras em funcionamento. aplicam-se as equações. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. durante as horas de máximo consumo. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. sendo actualizada em cada instante. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido.

e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. Fig. Salvo casos especiais. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. – Impacto da estrutura no ambiente. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. 87 . 13. Conforme se poderá observar na fig. 12 . em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. – Cálculo estrutural. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. de betão armado ou escavado na própria rocha. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. – Amplitude das ondas de pressão. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. 10 .8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. e ha representa a pressão atmosférica.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água.

A grande vantagem. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. 4. Em regime permanente. como a conduta continuará a ser alimentada.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. 13 . procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. 4. for inferior à cota da válvula de retenção. Caso contrário.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. O tipo de paragem dos grupos. que apresentava um ponto alto num local isolado.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. é a de se dispensar o ramal de enchimento. o que não acontece no RUD. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico.10. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. Outra vantagem. necessitou projectar um dispositivo. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. Este dispositivo. não era possível nesse caso a sua adopção. Pelo descrito. é a do líquido armazenado para protecção. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. Para proteger esse local. não ficar em contacto com a atmosfera. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. assim. 4. conforme representada na figura 14. apresentada por este dispositivo. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. Fig. de condutas destinadas a transportar águas residuais. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões.10. foi adoptada uma variante. 4. a análise é semelhante à de uma simples junção.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. Fig. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. Evita-se dessa forma a inquinação. A análise deste dispositivo. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. 14 .2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. Devido à concepção do RUD. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. o tempo de anulação de caudal é aumentado. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional.

de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes. são do tipo multicelular. 390 1 89 .a.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5. o volume RAC seria exagerado.92 x 10-4 B = 6. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.56 x 10-1 C = 5.86 kgf. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado.m-2 PD2 do motor 92.7 7.c.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1.300 Pressão de abertura m. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial. Se não se realizar esta associação.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2.00 kgf. dimensionados conforme o gráfico 1. Dos resultados do cálculo efectuado.1 Máximo Adoptado 6.

M. 1978 De Martino. M. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte.º 6. Lisboa LNEC.L’Eau. A. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias. Prentice Hall. London. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. Glasgow and London. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. B. Hydraulique urbaine. Lisboa. 1981 Martins. M. E. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. Blackie. J. C. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. M. L. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. Caldinhas A. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. 1977 Stephenson. C. J. D. Julho 1963 Wylie. I. 1960 Stephenson. A.. 1977 Rosich. n.. Mac Millan. J. LNEC. A. A. M. C.º 242. E. Eyrolles. Elsevier 1976 Li. G. O. Vol 88. N. Guéneau. D. Transitórios hidráulicos. Sousa. Tome II Paris. ASCE. Golpo d’ariete in condotte elevatorie. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli. H. E. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural. Seminário 238. 1955 Reis A.. R. Chiari.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. C. V. Wilson. 1974 Roche. n. Mémento des partes de charge.. R. A. B.. Napoli. n. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . M. n. M. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. New York. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. F. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. Golpes de aríete em condutas. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger.E. Puech. W.º 8. 1971 Livingston. 1969 Rosich. J. A. Dover. 1963 Dubin. 1955 e New York.º 124 CTGREF. H. TSM . Waterhammer analysis. Parmakian. E. Protection des refoulements d’eaux usées.. Streeter. Abril.A. Paris. La Houille Blanche.12 Referências bibliográficas Almeida. Instituti Idraulici.º 6. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. 1978 Fox. Developments in Water Science. Ch. Eyrolles Paris. C.. 1979. 1973 Nichile. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron.

O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Hidráulica e Ambiente. 91 . Lda.

92 .

a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. 2000). assim como uma longa durabilidade. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. estabelecido em 1960. energias renováveis. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. 93 . age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. Como qualquer investimento. ambientais. a solução que apresenta menor custo global. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. etc. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. incluindo sistemas de bombeamento. paragens. da instalação e do modo como o sistema irá operar. 1 . não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. ensaios. Como exemplo. energéticos. pois só assim poderá ser utilizada.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. com base nas informações disponíveis. transporte e tratamento de águas residuais. instalações de rega. equipamentos. manutenção (preventiva e correctiva). O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. 5. o processo de cálculo do CCV indicará. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. pode ser realizado por várias metodologias. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. mas também mundial. operação.). consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. colecta.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. de forma isenta. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. ao longo da sua vida útil.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. industrial. tubagens e acessórios. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. instalação. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. Representa os custos de aquisição. fundado em 1917. 5. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. equipamento eléctrico e electromecânico. desmontagem e desmantelação do equipamento.

A operação. 2 . Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. principalmente no sector fabril. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. de exploração e de manutenção. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Sistemas de bombeamento . e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. acessórios. serviços de apoio. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. tubagens. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. etc.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. o escalonamento esperado nos anos vindouros. mas extremamente dependente da informação disponível. Outros custos como por exemplo os de paragens. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. bombas. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. sendo de difícil quantificação. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. 2000). Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. O processo em si é basicamente matemático. em termos de custos. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais.

No funcionamento paralelo. desenhos.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. entre outros.c. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. • Ligações de tubagens de processo. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. betão etc. 95 . então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. • Formação. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema.). A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. projecto. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. • Ligações eléctricas e de instrumentação. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. Se as solicitações ao sistema são constantes. • Ligações a sistemas auxiliares. circulação e/ou dissipação de calor etc. etc. • Avaliações e regulações no arranque. o seu comportamento com o fluido bombeado. • Peças de reserva. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. • Inspecção e testes. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. os controlos integrados. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. o cálculo é simples. filtragem. especificações etc.). Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento. • Construção civil. os materiais utilizados. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. preparação. Estes detalhes. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. os empanques instalados. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. necessárias ao arranque do sistema. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. • Processo de aquisição. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido.

Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. sob o risco de representarem externalidades.5 Implementação da metodologia 5. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos.5. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. uso de peças contaminadas etc. mas também às verificadas em singularidades. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. pressão etc. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. Estes incluem: • Preços actuais da energia. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Por exemplo. • Taxa de inflação. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. Se for utilizado um equipamento de reserva. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. mas também dos custos dos materiais. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. consumo energético. tais como a manutenção.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. ruído. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. 5. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. ambiental. • Taxa de juros. 96 . podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. • Embora as avarias não possam ser previstas. destruição e outros custos importantes. requer uma manutenção regular e eficiente. gamas de caudais. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. • Actualização do valor anual da energia. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. paragens. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. bombeamento de produtos corrosivos. • Vida útil esperada para o equipamento. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. temperaturas.

97 . mas outros diminuirão. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. • Avaliar as perdas de carga no sistema. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. • Não sobredimensionar a bomba.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. • Utilização de velocidades económicas. 3 . e caudais). • Avaliar a eficácia do sistema. • Especificar motores de elevada eficiência. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. Os dois modelos não são incompatíveis. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. 5. mas completam-se. Não obstante o método usado. facilitando significativamente o processo de cálculo. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. • Optimizar a manutenção preventiva. • Seguir as normas do fabricante. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. graças à capacidade de processamento. Desenvolvendo um modelo do sistema. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. pressões diferenciais. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. um dos quais determinará a escolha da bomba. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. ser substituídos por programas informáticos.5. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. Fig. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. resultando a necessidade de motores com maior potência. • Monitorizar a bomba e o sistema. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". • aumentam os custos de energia eléctrica. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. Analogamente. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais.

6. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. 5 . Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5.000 horas/ano. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). 4 . Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba.20% e com um considerável ruído de cavitação. e remover a válvula de controlo. 98 . Antes da troca da válvula de controlo. Após a revisão dos cálculos do projecto. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. Um permutador de calor aquece o líquido.0 m e 80 m3/h. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo. Fig. a carga total da bomba é reduzida a 42. Em consequência do grande diferencial de pressão. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. d) Manter o sistema actual. admitindo uma reparação anual da válvula. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. • O processo é operado em 80 m3/h em 6.

b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.08 23. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5.1 6.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.500 8 8 4 59.08 23.500 8 8 4 74. em função do volume do reservatório superior. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará.930 A opção B. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.500 0.000 11.827 Alternativa B 2.500 8 8 4 91. no aparelho mais desfavorável. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica.000 5. Para garantir a pressão residual mínima.000 0. com base nos pressupostos apresentados. Altura Manométrica Caudal Fig.000 6.500 4.000 8 8 4 113.088 500 2. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido.6 m3/h.08 11.1 6. 99 . No final de um ciclo (diário.568 1 000 2. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5".6 6.000 11.250 0.088 500 2. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica. a altura manométrica deverá ser de 5.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. por ciclos.6.313 Alternativa D 0 0. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.08 14.0 6. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior. alterar o impulsor.720 500 2. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .0 Bar.481 Alternativa C 21. com um caudal de ponta de 18.

a pressurização será realizada por ciclos. existe uma variação nos caudais bombeados. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. junto ao reservatório inferior Neste sistema. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). ao longo da curva característica da bomba. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. relativamente às situações anteriores. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. 8 .Curvas características Fig. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). a velocidade de rotação da bomba pode variar. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. Nesta solução. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. Por outro lado. embora de funcionamento mais simples. para a mesma altura geométrica. conforme é apresentado na figura 7. Em primeiro lugar. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. Fig. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. 9 100 .PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. Assim. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. b) Fig. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica).O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.

• O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano. Relativamente aos valores do CCV. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.5 37. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B). • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.038 (***) ."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que. • O preço de energia actual é 0. os gastos de energia representa 24%.4 500 500 20 3. respectivamente.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) . B e C.08 6.655 452. 33% e 26% para as alternativas A."2xCR 15-5". Situação inversa é verificada na alternativa B.5 3. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.5 3.5 3. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3.154 492.08 5.696 5.990 + 2.806 Alternativa C(***) 9.08 8. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.900 0.066 654. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C. 101 .32 400 500 20 3.850 0. Alternativa B(**) 5.000 0.5 38. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7".08 €/kWh.5 37. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.3 500 500 20 3. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção.5%. QUADRO 3 . • Este projecto tem uma vida de 20 anos. com base nos dados e pressupostos utilizados. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.

. Fuller. 2000. Petersen. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Stephen R. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps". February 2001 European Commission . Federal Energy Management Program. J. 2001. Technical University of Darmstadt. "Life-cycle costing manual". VDMA project . and Lauer. (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. Hydraulic Institute. US Department of Energy.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. 1995 102 . "Study on improving the efficiency of pumps". Sieglinde K. B. 1994.Final report.SAVE..7 Referências bibliográficas Europump. Stoffel. "Study on improving the energy efficiency of pumps".

Sistemas de Pressurização Grundfos 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .

104 .

2.2. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.1. e consequentemente o sistema está sobre pressão. Havendo necessidade de consumo. acessório de intersecção e depósito de membrana. Não existindo consumo de água.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base.2.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. manómetro. integrando uma ou mais electrobombas. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . pressóstato. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. 6. quadro eléctrico. colector de compressão comum. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. Os sistemas de pressurização. pressóstatos (um por grupo electrobomba). Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6.1. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. manómetro. incluindo válvula de retenção.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.1 Sistema Hydro 100 6. depósito de membrana. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. com variação de velocidade integrada.

e de retenção por grupo electrobomba. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. montados em paralelo sobre uma base comum. Se o consumo de água continuar a aumentar. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. parando assim que atinja a pressão pretendida. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. pressóstatos. tendo uma válvula de seccionamento. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar). assim que atingem as respectivas pressões de paragem. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório. Quando o consumo de água diminuir. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. Assim que haja consumo de água. em sequência (um a um). Ao reduzir o consumo de água. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. manómetros. um dos grupos electrobomba arranca.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa.2 Sistema Hydro 1000 6. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey).2.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba. colector de compressão comum. manómetro.1. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. quadro eléctrico.2. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. montados numa base comum. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. O compressor arranca quando solicitado. se o consumo de água continuar a aumentar.2.2. colector de compressão comum.

1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. dependendo das necessidades. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.3 Sistema Hydro 2000 6. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba. O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento.2.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento.2. 6. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 .3.

através do comando. depósito de membrana. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. pelo facto de ser determinada automaticamente. em funcionamento. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. ligando ou desligando os grupos electrobomba. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal.2.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem.3. 6. e depende da carga. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. 108 . através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. três grupos electrobomba principais idênticos. conforme as necessidades. Três grupos electrobomba em funcionamento. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. período de tempo ou de avaria.

1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE. transdutor de pressão.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. mantém uma pressão quase constante. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. período de tempo ou de uma avaria. pelo facto de ser determinada automaticamente. interruptor de corte geral. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS .3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. dependendo das necessidades.3. manómetro. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga.

fugas. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento . Três grupos electrobomba em funcionamento. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. 110 .3. Para um valor 0. parando de seguida. mantendo uma pressão constante. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. etc.5 ∆H acima.5 ∆H abaixo do setpoint.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. montados em base comum. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. 6. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. aumentando assim o rendimento do sistema. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000.

enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. A central supressora Hydro 2000 MEH. .A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. . dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. do tempo e de avarias. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. período de tempo e de avarias. . Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. .Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. conforme as necessidades.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. do período de tempo e de avarias. 111 .

providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.3.3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem). 112 .Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME .MEH . Modo de funcionamento . montados em base comum.

A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. O grupo electrobomba auxiliar.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. controlado através do conversor de frequência. 113 . A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. é sempre o primeiro a arrancar. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. período de tempo ou de uma avaria. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF .Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. e um ou dois grupos electrobomba principais.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. . período de tempo ou de uma avaria.

4 38. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 5 398. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 1 1 7. 8 29. 96 0. 5 76. 3 4. 0 1 1 8. 1 8 3. 25. 8 98. 38. 4 38. 4 397. 1 26. odut M ot ºPr o or N º. 1 398. ºC 1 5 2. 96 0. 0 50. 97 398.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 0 9. 0 396. 44. 5 1 2 5. 22. 2 397. 1 398. 4 38. 6 34. 9 1 1 3. 0 50.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 7 397. 4 4. 96 0. 6 399. 5 38. 25. 5 34. 0 50. 0 50. 0 50. 1 2 62. 26. 1 6 9. 6 23. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 397. 7 400. Ti de M ot po or N . 0 1 4 26. 7 398. 5 38. 1 5 68. 7 399. 8 399. 4 37. 8 32. 1 398. 8 400. 4 397. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 1 32. 9 24. 1 6. 1 0 34. 0 36. 7 3x45 3 50 400 3x7. 0 0. 5 398. 4 6. 93 0. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 2 36. 2 36. 2 2. 8 396. 0 50. 8 396. 6 32. 3 399. 3 1 9 4. 0 50. 215 . 1 9 9. 6 4. 3 6. 0 398.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 8 396. 5 399. 6 35. 1 7 9. 3 34. 9 399. 90 0. 9 399. 97 0. 1 36. 7 399. 8 50. 1 1 0 5. 96 0. 96 0. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 8 4. 0 50. 0 35.

0 50. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 1 1 5. 70. 3 396. 1 399. 6 8. 0. 7 396. 8 50. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 1 2 4. 1 7 4. 0 1 2 5. 86 398. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 7 398. 7 68. 5 398. 0 50. 1 0 5. 8 84. 5 396. 1 8 2. 3 69. 40 0. 1 6 4. 0 50. 7 397. 5 77. 7 25. 7 400. 9 0. 4 36. 9 396. 1 9 4. 0 397. 0 398. 213 . 1 8 4. 1 397. 9 8. 5 1 8 4. 0 50. 0 399. 2 399. 0 0. 2 7. 5 397. 0 218 . 0 50. 6 1 2 5. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 5 397. 0 397. 87 0. 4 22. 1 8 4.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 9 8. 7 397. 87 0. 4 398. 6 1 0 3. 1 5 3. 1 24. 86 0.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N .2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 4 7. 8 7. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 6 396. 1 2 5. 8 397. 22. 215 . 0 50. 2 4. 8 7.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 22. 1 3 4. 4 4. 0 396. 3 399. 5 719 . 0 50. 3 398. 9 27. 6 4. 87 0. 0 50. 6 397. 86 0. 3 7. 0 50. 23. 5 396. 3 70. 87 0. 86 0. 0. 0 7. 9 399. 7 397. 1 4 3. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 0 50. 1 6 3. 6 8. 86 0. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 0 1 1 2. 1 0. 0 396. 0 399. 3 398. 8 8. odut M otor N º. 2 80. 3 67. 1 8 4. 6 7. 4 396. 2 28. 2 64. 1 4 4. 9 8. 4 69. 86 0. 1 8. 1 2 5.

116 .

Sistemas de Controlo. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 . Comunicação e Gestão 7. SISTEMAS DE CONTROLO.

118 .

tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. entre outros. Neste sentido. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas.2. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. poços ou outros locais. custos de manutenção. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). 7. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. instalados nos tanques.2. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. tendo em atenção a localização da instalação.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. controlo e rentabilização de exploração. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. cisternas. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. a operacionalidade dos mesmos. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. entre outros. aparelhagem de medida e controlo). de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. 7. 7. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. disponibilizando para tal.2. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. segurança e operação da instalação. Comunicação e Gestão 7.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. A Grundfos. em termos energéticos e de serviço. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. custos de exploração. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. aplicados em diferentes pontos da instalação. servindo a necessidade dos utilizadores. válvulas. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. 7. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. 119 .Sistemas de Controlo. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. para a indicação ou medida. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. a sua manutenção e eficiência. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos.

pressão. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados.4. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação. como: controlo por diferença de nível. Por exemplo.Sistemas de Controlo. número de arranques. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. Entre eles destacamos outros.3. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. Comunicação e Gestão 7.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. etc. em que se necessite de conjugar várias grandezas.Comunicação directa ou individual 120 . Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis. toda a instalação. sob a forma de uma mensagem SMS. 7. visto que não existe nenhum centro de controlo.3.3. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória.2. visando a protecção dos equipamentos. 7. 7. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme. 7.2. Fig.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. referimo-nos a controlos mistos. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente.2. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. 7. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado. das instalações e dos sistemas de exploração. 1 .1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. Por outro lado. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. conforme descrito nas secções seguintes.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. caudal ou pressão. dos quais abordamos apenas alguns. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento.3. por diferença de pressão. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. mas muitas mais existem.4. consumo de energia.2.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. isto é.2. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS.

A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. de modems de rádio. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. Normalmente. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto).1.3. composta por várias estações de bombeamento. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. Também é possível utilizar linhas dedicadas. etc. dependendo apenas do número de informações requeridas. Esta é uma característica importante. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. o volume de bombeamento durante o dia. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. modems GSM ou qualquer combinação destes. por exemplo. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. Tipicamente. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. tal como acontece. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços.Sistemas de Controlo. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. 7. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública.2.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. normalmente uma semana.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. Para além do texto do alarme. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. Comunicação e Gestão Assim sendo. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo.4. tomando em consideração os custos de instalação. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha).1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. Ocasionalmente. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. o que lhe permite transferir o alarme 121 . para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). em vez de todos os dados registados. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. o tempo de funcionamento das bombas. 2 .Painel de supervisão de gestão integrada 7.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo.4. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. De uma maneira geral. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais.

técnicos de serviço. 7.4.2 Vantagens de um sistema integrado 7. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. No entanto.4. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. Fig. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. engenheiros do sistema de abastecimento. Por exemplo. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. tendo sempre em atenção os custos energéticos. As bombas alternam em cada ciclo.4. os operadores. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software.2. às aplicações mais diversas. particulares de abastecimento de água. dispositivos ultra-sónicos.. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. quando a variável atinge o nível de paragem. etc. que monitorizam as estações de bombeamento. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. do seu melhor desempenho.Vários sistemas integrados 7. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador.1. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. independentemente da localização.4. Para possibilitar esta integração. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. Todas as bombas em funcionamento são paradas. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. Estão disponíveis vários tipos de sensores. o nível de arranque e a pressão de controlo. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. de manutenção e exploração. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. tais como transdutor de pressão. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. em cada sistema. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. parando quando esta estiver acima do valor requerido. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. caudalímetros. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. é medir a pressão de abastecimento.Sistemas de Controlo. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . Por este motivo. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. etc. Também a nível do controlo. Recorrendo a diversos tipos de sensores. depois de introduzirem a respectiva identificação. Normalmente.1. 3 . 7. gestores. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário.

Sistemas de Controlo.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. Os sinais analógicos de entrada.).2. etc. esta é automaticamente parada. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. pelo menos. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. nível baixo. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. Fig. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. Em última análise. Intebus. são utilizados para medidas contínuas. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço.4. fornecidos pelos circuitos de comando. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. Modbus. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. tais como alarmes de nível elevado. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos.4. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. etc. 7. Nestas circunstâncias. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. Para efeitos de calibragem. A unidade tem de registar.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. 7. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU. para tratar de caudais maiores. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba.2. é activada a segurança da instalação automaticamente. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. que se encontram nas folhas de características destas.4 Registo e análise de dados 7. 4 . é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. Por exemplo. provenientes de sensores adicionais. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. o tempo de funcionamento. bem como uma versão especial da aplicação de software. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. para que o operador possa evitar possíveis danos. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. Comunicação e Gestão Em alguns casos. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. quando presentes. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 .4.2.

nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. 7. Habitualmente. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. a intervalos específicos. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. ou continuamente. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. através de um sistema automático de controlo remoto. 124 . Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. tais como a função de varrimento automático. Este interface tem de ser composto. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. para um computador portátil com software adequado. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. Comunicação e Gestão motor da bomba. por um pequeno visor LCD e um teclado. algumas funções úteis. no mínimo. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede.2. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados.Sistemas de Controlo.4.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

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as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. 8.2. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. também denominado depósito de membrana.2. Os equipamentos eléctricos. 8. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção.golpes de aríete (consultar capítulo 4). O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. 127 . tais como temperatura e humidade. motores equipamentos electrónicos. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. Os equipamentos de bombeamento. 3 . que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas.3. É recomendado por isso. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. bem como a sua localização. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. permitindo alargar os períodos de manutenção.2. 8. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. 2 .Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. eléctricas e físicas. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo.2 Requisitos para instalação 8. que são: 1 . CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis.

hidráulico e eléctrico. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. mas também a segurança.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. destacamos. Fig. etc. bem como acústico nos casos em que tal se justifique.3. a cavitação. protecção contra falta de água. 2 . daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. se uma destas avarias ocorrer. a uma cisterna com pressão positiva. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. 1 . em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. Para as bombas com variação de velocidade CRE. No funcionamento normal. à instalação ou às pessoas. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. isto é. variável. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. a bomba pára. volta a funcionar. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. 128 .Sistema de protecção LiqTecTM 8.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. denominado LiqTec.3. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. a bomba pára e só após algum tempo. após várias tentativas. Se a avaria persistir. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. boiadores. Fig. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba.

têm de se adaptar à instalação e às diversas situações. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. Fig. 3 . Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. 4 .4 Manutenção 8. contra sobrecarga. Como qualquer outro equipamento. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. o já referido funcionamento em seco. possam necessitar de maior intervenção. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. etc.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. 129 . falta de fase. não devendo ser entendida como característica de operação.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. tendo como objectivo sempre. como ainda para um possível aumento de pressão. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. São exemplo disso. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. 5 .3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. protecção contra sobreaquecimento do motor. Fig.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8.3. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. não só contra falta de água. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação.4.Central de bombeamento tipo. Estas bombas e os quadros que as controlam. quando existirem • Empanques e retentores Fig. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas.

bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. relés ou outros). 6 . deve ser efectuada uma inspecção regular. 8. a eles ligados. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. com a periodicidade acordada inicialmente. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação. a qualidade da água.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores.4. o tempo de operação das bombas. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. Fig. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. a temperatura da água e a temperatura ambiente. 7 . deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 .2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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os problemas de assistência e higiene pública. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. No que respeita à água para consumo público. em profundidade. Aumento de reservas. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. No entanto. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema.A. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. Maia e Valongo. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. para uso público. transporte e distribuição. de 122. Teve isto lugar em 1896.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. a inquinação dessas águas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. então. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. A água de abastecimento público passou. o qual é aprovado por Carta de Lei. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. já sendo sentida desde algum tempo antes. para uma população de 370. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia.XVI). De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. até ao século XIX. A partir de 1855.500 contos. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. novas captações. revelador do facto de.000 habitantes equivalentes. Os trabalhos são concluídos em 1886. o Porto já possuir fontes e chafarizes. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. Em 1983. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. os SMAS. em 27 de Julho do mesmo ano. há mais de seis séculos. contudo. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. com a captação no Rio Sousa. Cem anos volvidos. no areal de Zebreiros (1937). Há anos já que esta Municipalidade. No reinado de D. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907.. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. elevação. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. procederam à captação. e para isso esta Municipalidade.. A população da Cidade era. Sebastião (meados do séc. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa." Actualmente. Gondomar. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". as doenças transmitidas. 133 . sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. então. S. embora sem condições de higiene. por 3. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. A sua necessidade vinha. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. conhecida a causa indicado estava o remédio. altura em que..

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são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. materiais e tipos de junta das condutas. à escala 1:500 (Art. 9. pelo promotor. Para os obter. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. profundidades. entre outros. assim como as necessidades prediais. Por fim. prisionais. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. qualquer que seja o horizonte de projecto. bombeiros e instalações desportivas. lavagem de pavimentos. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. ensino. militares.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. fornecida pela Câmara Municipal. acessórios e instalações complementares. tais como combate a incêndio. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. entre outros.º 250º). que devem ser avaliados de acordo com as suas características. os reservatórios. Os consumos públicos. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. caso a caso. Seguidamente.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. lavagem de arruamentos. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. as condições de ligação. sobre carta topográfica à escala 1:500. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. nomeadamente.º 23º). b) As secções. fornecendo os elementos seguintes.2. 9. Em todas as intervenções urbanas. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. prediais de água fria e quente. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. às unidades turísticas. bebedouros.2. ser inferior a 250 l (habitante / dia). é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos.Porto. tais como de fontanários.2 Sistema de abastecimento público 9. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. hoteleiras. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade.º 251º). podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. uso industrial. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS .º 18). fundamentalmente. Na escolha do sistema a ser utilizado. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. a) A localização em planta das condutas. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. 135 . estabelecimentos de saúde. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso.

qualificação e assinatura do autor do projecto. designação e local da obra. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . f) Legenda específica das redes representadas. equipamentos e instalações complementares previstas. no original. escalas e data da sua elaboração. em tela plástica. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. b) 125mm . O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art.º 56º).grau 4. d) Número.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa. b) Identificação do proprietário. de ampliação ou remodelação. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). paginadas e todas elas assinadas. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. c) Nome. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. Os elementos descritos serão apresentados em original.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art.2. 9. • Pormenores . e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. c) 150mm (a definir caso a caso) . no mínimo. pelo técnico responsável pelo projecto.grau 5. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. descrição do desenho.º 32º). Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação. indicando se se trata de obra nova. 9. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.grau 1 a 3. subscrito pelo promotor.2. a solicitar a aprovação do projecto.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. 9. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. As peças desenhadas devem ser apresentadas.º 264º).º 267º). não excedendo as dimensões do formato A0. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . Quando se justifique.2. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo.1:500. 136 . os materiais e acessórios e as instalações complementares. o tipo da obra. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. em boas condições de caudal e pressão. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. a natureza.º 53º). onde conste a identificação do proprietário. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.º 55º). b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.º 35º). • Perfis .5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. a descrição da concepção dos sistemas. das obras a executar.1:500 em extensão e 1:50 em altimetria.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto.

º 76º).. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. III. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. combate a incêndios e fins industriais não alimentares.3 Sistema de abastecimento predial de água 9.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. quer por contacto. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.º 73º). Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I. quer por aspiração de água residual em caso de depressão.Porto. no futuro. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada.. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. 9. a salubridade e o conforto nos edifícios.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. sempre que necessário. nomeadamente poços ou furos privados.º 4º). preservando-se a segurança." (Art. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. Deste modo.3. rega. II. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. polietileno ou PVC rígido" (Art.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. nomeadamente poços ou furos.3.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. aço galvanizado ou PVC rígido. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. entre outros. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. devem ser isentos de defeitos e. 2 . aço inoxidável. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos.Nas redes exteriores de água fria. Assim." (Art. ser de cobre. "1. interna e externa. a sua fácil ligação àquelas redes. Também." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade.º 77º). deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto.. peças acessórias e dispositivos de utilização. Assim. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais.." (Art.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. As redes prediais a instalar.. pela própria natureza ou por protecção adequada.3. VIII e XI ao Regulamento. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública.º 90º). "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. impedindo a sua contaminação. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS .1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos." (Art. 9. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. e aos esforços a que vão ficar sujeitos.º 75º). encarnado para água de combate a incêndios. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. 2. ". quando existam ou venham a ser instaladas.

º 78º). falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. em regra. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. Secção e pressões disponíveis? 3.. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. 138 . Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4." (Art. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício.3. Qual o tipo de ocupação? 6.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa." . Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. incluindo o piso térreo. Neste sentido. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. coordenada com a arquitectura. "2 . técnica e económica. ou seja. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. na rede pública e ao nível do arruamento. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. Existe rede pública? Onde? 2.(Art. inferior a 100Kpa o que.º 21 º).. Dentro desse contexto. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. sendo recomendável. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim. Caso contrário.

Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação." (Art. 139 . "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela. d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. ou seja.º 83º). c) Ao grau de conforto pretendido. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial.

T. ao Decreto-Regulamentar 23/95. Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto..Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. O Chefe de Divisão 140 . º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA .PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P.T. à profundidade de m. Porto. n.

no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. etc. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.5 e 2.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9.0m/s.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. para um nível de conforto médio.4.4. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 . quando existem fluxómetros. 9. como acima já se referiu. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. os caudais de cálculo dos fluxómetros.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. escolas. através da curva referida acima. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. para a ocupação previsível. excepto em casos devidamente justificados. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. considera-se na determinação do caudal de cálculo. fornece os caudais de cálculo. restaurantes. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção. ou seja. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. Contudo. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. em função dos caudais acumulados. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. bem como os aparelhos alimentados. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. que devem situar-se entre 0. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo.4. sendo os valores mínimos a considerar. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. b) As velocidades de escoamento. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção.3. c) A rugosidade do material.

nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. 2. 7. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. 17. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. b) Saídas para distribuição. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. Tampa sobre a válvula de bóia. Reserva para 24 horas. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. com válvula adequada. por duas células. 14. a 150 mm do fundo. 9. ≥2 células para manutenção ou reparação. Fig. Aberturas para ventilação. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. preparadas para funcionar separadamente mas que.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. Alarme/detecção de fugas de água. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório.Esquema tipo de um reservatório 142 . 5. pelo menos. associada a caixa de limpeza. sistema de ventilação. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. tipo mosquiteiro. 8. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. 19. de material não corrosivo. se intercomuniquem. Soleira com pendente de igual superior a 1%. Descargas de fundo com válvula.0 m3 devem ser constituídos. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. Equipamento /acesso e atravancamento. Os reservatórios podem ser de betão. protegidas com ralo e colocadas. em funcionamento normal. 10. 3. Descarga de superfície. Pintura interior de protecção. Entrada e saída da água em pontos opostos. a fim de facilitar o esvaziamento. 16. no mínimo. 4. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. Rebaixo para retenção de areias. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. 6. 18. no mínimo. 12. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. 20. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. Independência da restante estrutura. tipo mosquiteiro. 15. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. 13. protegida com rede de malha fina. 11. convenientemente protegido com rede de malha fina. equipada com uma válvula de funcionamento automático. c) Descarregador de superfície colocado. Isolamento térmico quando necessário. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. 1 . Condições de acesso e de inspecção. Localização em zona técnica acessível. Caleira nas proximidades. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. d) Descarga de fundo implantada na soleira.

Laboratório de Análises.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. . d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. durante pelo menos meia hora. sem consumir. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. limpo e arejado. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. agricultura. pressurização e circulação de água. de dois grupos electrobomba idênticos.4. etc. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção.Instale-o sempre em local de fácil acesso. nomeadamente. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória. pressurização. transferência de líquidos. .Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). . Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. Drenagem de águas residuais. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão. no mínimo. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. transferência de líquidos.Encha completamente e mantenha em repouso. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. sistemas de rega. adicione por cada m3 de água. Abastecimento de água. esvaziamento de reservatórios e piscinas. Abastecimento de água. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. 9.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. nos lugares ocupados. rebaixamento de aquíferos. etc.Escove cuidadosamente as paredes. assim como protecção contra o choque hidráulico.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . tenha os seguintes cuidados: . "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. pressurização. irrigação. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. . . As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. agricultura.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. serviços industriais. 20ml do referido hipoclorito.Esvazie-o totalmente. agricultura.Porto. Edição nº1. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. c) A altura manométrica. . captação de águas subterrâneas. irrigação e circulação de água em sistemas. circulação e transferência de água. circulação e pressurização. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . b) A pressão disponível a montante. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. Revisão nº0. . etc. o fundo e a abertura. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. etc." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". Elevação. serviços industriais. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. instalações especiais. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. Página 1 de 1.4.Volte a esvaziar. a sua limpeza e desinfecção. utilizando preferencialmente. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . de segurança e de alarme.4.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). SMAS . serviços industriais. . etc. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. rebaixamento de aquíferos. etc. Abastecimento de água. e) A instalação. escovas só para esse fim.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída.

Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.4.a. Ja. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P.4.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão.a.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. considerando que o fluido bombeado é água.a. Designando por Hc a carga à entrada na bomba.26 4.4.3. HTOTAL.8x103 N/m3.Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m).4. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1. por Hs a carga à saída da bomba.c. pela bomba.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ). a que corresponde um peso volúmico de 9.Factor de segurança (m). em função das temperaturas indicadas.Peso volúmico (N ). esta varia com a temperatura do líquido.Capacidade de aspiração (m).Rendimento da bomba (entre 60% a 70%).Potência.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.3. Patm/γ. devido às perdas nas transformações de energia em presença.4.43 1. 9.3 Altura manométrica 9.13 0. Pv/γ.a.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. Assim. por η o rendimento da bomba. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m.24 0.83 10.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m. γ.013x102kPA.c.Altura equivalente à pressão atmosférica (m).2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .Altura de elevação. NSPH. Q .4. a.4. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m).4. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.33m.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.Caudal bombeado (m3s-1). 144 .Altura máxima de aspiração (m). quer as variações de pressão.c. γ. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. η. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor.Caudal. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba.Potência (W).c. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. Q.Peso volúmico. H. para a água.). a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento.

V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos).c. varia na razão inversa das pressões que suporta.(Pmin-2)} Vtotal. Pmin. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança.).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação. Vtotal = {1. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento.pressão manométrica máxima (m. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria. etc. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. Em situações de edifícios de habitação. mantendo constante a temperatura. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. logo menor perda de carga. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. tal como nas instalações eléctricas. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto. Fig. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. Qp. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx .Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx .número de arranques por hora.a.5. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. Pmáx.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. industriais e similares (unidades hoteleiras. de serviços. 9. centros comerciais.). e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. tendo em conta os factores já mencionados.volume do depósito (m3). Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima. hidráulicas e de ventilação. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura.4.caudal bombeado (m3/h).Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. de seguida. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. se adequadamente dimensionados.pressão manométrica mínima (m. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás.8 (Pmáx . se necessário. 9.c. à circulação forçada ou retorno. 145 . unidades de saúde. 2 . No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. recorrendo.5. N.a. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Considerando o reservatório representado na figura. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema.1 Aspectos gerais Far-se-á.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável.

2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. 320 e 380 Kcal/min. A partir daí. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. a gás ou solar. 146 .2 1512/45=33.2=5. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação. à medida em que passa pelo aparelho. consoante as características do edifício de habitação.6=3. considerando que 1KW = 0.Q. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. b) De passagem. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores.864 Kcal. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.8 l/min 380 380/25= 15. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. tais como o aquecimento central ou a climatização. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico.6=1.5. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. sendo as mais usuais de 250. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências. 13 e 16 l/min. os valores encontrados são os indicados no quadro. 9. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. Aquecimento rápido .1750w. em que a água é aquecida gradualmente.0 100/57. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. através de um circuito primário de aquecimento.1000w.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção.7 Fig. normal e rápido. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores. 3 .2 100 litros (horas) 100/33. temos a situação referida no quadro seguinte. Aqui.6 2592/45=57. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. Aquecimento normal . é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação.3000w.

com vantagem económica e conforto. recomendando-se 0. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. Por outro lado. o diâmetro do tubo. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. tês.6. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás.6 Traçado 9. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. válvulas. Seguidamente. Para tubos metálicos.Distribuição de água quente com recirculação 147 . consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. Fig. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig.5. ligados entre si por acessórios apropriados. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C).).5 9. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. etc.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. caleiras ou tectos falsos.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. com vista à sua selecção.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. embainhadas ou embutidas. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. em galerias.5% como valor orientativo. 4 . Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). horizontais e verticais.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. 5 .

6 .7. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. d) Em locais de difícil acesso. com ou sem revestimento cromado. excepto quando flexíveis e embainhadas.1 Torneiras e fluxómetros Fig. b) Embutidas em elementos estruturais. 148 . quando de pequeno comprimento. 9. b) No caso de materiais diferentes. com materiais não metálicos. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão.6.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. h) As canalizações enterradas serem executadas. não corrosivos. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. imputrescíveis. c) Embutidas em pavimentos. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. não embutidas. sempre que possível.7 Elementos acessórios da rede 9. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. de infiltrações ou de choques mecânicos. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. PVC rígido. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm. incombustíveis e resistentes à humidade.6.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. de preferência com o mesmo material. sempre que possível. ou de material de nobreza próxima inferior.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. 9.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. ferro fundido. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. do mesmo material.7. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção. preferencialmente. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. f) As canalizações metálicas serem colocadas.3.

Máquinas lavar louça . O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. aquela que define o tipo.Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor. Contadores É aos SMAS. aço e PVC. . parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água.Purgadores de água A montante e a jusante: . como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA .M.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9.Autoclismos . deste modo. b) No interior do edifício.Nos edifícios com logradouros privados.Acumuladores de água quente . no caso de vários consumidores. no caso de um só consumidor.De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de .Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos. . contudo. os contadores devem localizar-se no seu interior. na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores.A. 7 . os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: . uma bateria de contadores.Equipamento produtor de água quente .Máquinas lavar roupa . d) A perda de carga que provoca. garantindo-se a medição de todos os consumos.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . Fig.7. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial.) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água .Aparelhos produtores .3. São. bronze. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar. A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão. b) A pressão de serviço máxima admissível.C. constituindo. 149 .dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos .Fluxómetros .

de jusante para montante. antes de entrarem em serviço. isto é. será suficiente para a lavagem final da rede. Através do ponto de injecção. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante.8. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento).8 Verificação. 150 . inclusive este. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. para assegurar uma limpeza eficaz. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. em princípio. durante um período mínimo de 30 minutos. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. a fim de o desinfectante poder actuar. 8 . ou para qualquer outra rede predial interior. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço.Instalação de contadores 9.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano.8. período este que. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. d) Esvaziamento do troço ensaiado. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. que não deve acusar qualquer redução. c) Introdução da solução desinfectante Fig. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Abrir. juntas e acessórios à vista. encher de novo e esvaziar. c) Leitura do manómetro da bomba. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. em caudal razoável. com o mínimo de 900 kPa. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro.1 Verificação Todas as canalizações. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. desinfecção e funcionamento hidráulico 9.

respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. na qual conste: Delimitação do terreno. a preços correntes. onde conste identificação do proprietário. d) Número. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. quando for caso disso. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.8. b) Identificação do proprietário. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. f) Legenda específica das redes representadas. descrição da concepção dos sistemas. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. 151 . equipamentos e instalações complementares projectadas. tipo da obra. e) Memória descritiva e justificativa.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. natureza. de ampliação ou remodelação. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. c) Nome. escalas e data. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. qualificação e assinatura do autor do projecto. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. Edificações existentes no terreno. solicitando a aprovação do projecto. designação e local da obra. g) Estimativa descriminada do custo. e instalações complementares projectadas. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. da obra específica a executar. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.º 304º). se as houver. no mínimo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. não excedendo as dimensões do formato A0. dos diâmetros e inclinações das tubagens. Assim. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. descrição do desenho. materiais e acessórios. indicando se se trata de obra nova. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações.

Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Editorial FEUP. 1997 CANHA DA PIEDADE. A. 1990 MIRANDA. Instalações de Edifícios. RODRIGUES. Redes e Instalações em Edifícios. Edições Orion. Carlos. A. Barcelona.. Moret. Ramos.. Porto. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. Porto. Envolvente e Comportamento Térmico. Amadora. 2000 COELHO. Ed. Carlos. 1995 152 . Amadora.A. 1995 PEDROSO. 2004 MACINTYRE. Luís F. Porto.R. Editorial FEUP. 2004 MEDEIROS. e RORIZ. LNEC. Grupo Editorial CEAC. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Edições Orion. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. António Leça.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Editorial Faculdade de Arquitectura. 1998 MEDEIROS. Angel Luis.. Climatização em Edifícios. Victor M. H. 1998 MEDEIROS. Carlos.. Instalaciones. Archibald J. S. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado).9 Referências bibliográficas BACELLAR.. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro.

S.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL .Empresa Portuguesa das Águas Livres.A. 153 .

154 .

remonta a 1897. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2.6 milhões de pessoas. detida a 100% pela AdP . desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. Coagulação química e floculação/decantação. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. no concelho de Lisboa. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. Actualmente. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. 155 . Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . afecta ao abastecimento domiciliário. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano.Águas de Portugal. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. A EPAL é responsável por um sistema de produção. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. modernidade das tecnologias utilizadas. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). química orgânica e química inorgânica.Águas de Portugal. onde assegura o abastecimento domiciliário. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. Pelo seu "know-how". qualidade dos serviços prestados e larga experiência. do concelho de Lisboa. que garantem a produção e o transporte de água. bem como de equipamentos analíticos de última geração. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. Remineralização e correcção de agressividade. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. Para assegurar a qualidade da água. mas principalmente ao nível da qualidade. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . Estações de Tratamento e Adutores. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos.Empresa Portuguesa das Águas Livres. Filtração.

156 .

actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. aproximadamente. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1.2. apesar de pouco significativo. organização. tratamento/qualidade de água. elevação. manual de redes prediais. 9 estações elevatórias. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros.F. legislação. processo de abastecimento. 10. qualidade de serviço. • Enquadramento legislativo. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 .2. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. é constituída por 15 reservatórios. Odivelas e Amadora. melhoria contínua.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. precioso auxiliar das equipas de manutenção. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. Palavras . eficiência e produtividade. a Rede Geral de Distribuição. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. sistema de distribuição. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. 35 mil m3/dia. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. 10. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. Abril de 2001. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. Em termos gerais.Xira/Telheiras. Neste sistema. a profundidade das condutas é de 2.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. designado Interáqua. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. Acrescente-se ainda que nos últimos anos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. 260 000 m3 de água por dia. fiabilidade. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. satisfação do Cliente. quer pela acentuada orografia da cidade.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. Em complemento. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. pressão. com cerca de 1 400 Km. respectivamente. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa.5 m ou mesmo superior. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. Aqueduto Tejo. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. como sendo. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato.chave: sistema de produção e transporte. zonas de distribuição. Oeiras. Tejo e Adutor V. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. ou seja. utiliza em média. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. Aqueduto Alviela. 360 mil m3/dia. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede.0 m de profundidade. segurança e qualidade do serviço. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. atingindo 4 ou 5 m. reserva.

• Existência de alternativas de abastecimento.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 .1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. nomeadamente. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada. de 30 em 30 metros. 10.2. 1 .2.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede.sistema integrado de medição. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede. por zona de abastecimento. com substituição da rede mais antiga. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão .

Cruz Fig. Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). 2 . da respectiva zona altimétrica. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. St. Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição.

Reservatório do Arco Rede (ZA) .Reservatório do Pombal Rede (ZS) .Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . Jerónimo Rede (ZM) . ferro fundido dúctil e ferro galvanizado. nos últimos anos (desde 2002). a melhoria da fiabilidade das reparações.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) .Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .44 25 . exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. o PEAD.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) . no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) . correntes vagabundas. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) .2.Reservatório do Vale Escuro e de S. • Corrosão generalizada. através de mecanismos vários. • Roturas devidas a movimentos dos solos. Em termos de exploração.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos.c. vindo a aumentar a sua aplicação.3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico. fibrocimento.2. ferro fundido cinzento.3 bar. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem.2. Jerónimo Rede (ZA) . a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.Zona Média. ferro fundido dúctil.Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 .Zona Baixa. A predominância do ferro fundido cinzento.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 .2. ZA . numa média de 60 km/ano. súbita ou continuada no tempo. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações.Zona Superior 160 . A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais.Zona Alta. No quadro seguinte pode-se observar. 10.Reservatório da Charneca Rede (ZA) . manobras de válvulas. betão pré-esforçado. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório). para a sua degradação.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. ZS . QUADRO 2 .Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . salvo o caso da estação elevatória do Restelo.30 125 . ZM . cujo único destino é o reservatório de Monsanto. galvânica. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes.130 S. polietileno de alta densidade. incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento.a) 10. localizada. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8. sendo os principais: o aço. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. principalmente na renovação da rede. tendo no entanto.2.2.

Cloreto. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição. .máx Zona Superior V.Sulfato. . do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida.9 8. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . quando atingem teores agressivos.máx Zona Alta V.7 6. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos . resultante das extensões axiais e das curvaturas. A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .máx Reservatórios V.Concentração hidrogeniónica (pH).5 6.Contaminação orgânica.máx Zona Média V. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.Correntes vagabundas.4 8. .7 8. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. Os factores químicos da água transportada na rede. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas. . por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado. separados por longos períodos de acalmia. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).9 8. . enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. assim como o valor máximo.6 7. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7.Alcalinidade.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.Alviela. o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa. e conforme já mencionado.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V. degradam a tubagem afectando a qualidade da água. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. .Cargas rolantes sobre o terreno. • Condições geotécnicas. .7 8.min V. 161 . em que se registam sismos fracos.min V. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: .6 7. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos.min V.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo.min V. .Resistividade.min V.Movimentos permanentes do terreno.

60 5.ZS ZA.ZA ZA ZA. 3 .ZM. JERÓNIMO ARCO C.ZA ZB.66 17. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.10 152.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.ZL Zona Baixa .00 6.ZM Zona Alta .ZA Zona Superior-ZS 162 .46 116.00 2.90 4.43 92. os quais funcionam também como reservas de água.00 119.38 122.00 116.50 4.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.2.00 68.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.2.70 5.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.ZS N.30 57.72 90.ZM.25 2.10 171.30 5.90 5.90 2.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.ZB Zona Média . encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 . 4 .00 12.70 4.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .27 126.00 74.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.30 152.62 2.90 5.

28 1. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. o qual não é uma ideia recente. para Lisboa: QUADRO 5 . previamente estabelecidas e divulgadas.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. no mês de maior consumo. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL. . potencialmente.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . opção que motivou à elaboração de um Manual.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa.2. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. 10. dirigido a projectistas. previstos para os anos de 1995 e 2020. se não forem verificados determinados critérios de concepção.29 1. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada.34 1. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. ainda. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo.3. No quadro seguinte. além de envolver. destinada 163 . mas sim um projecto há muito planeado.54 1.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL.2. em particular combates a incêndios.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. a reunir conceitos e regras.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. .19 2020 (1) / (3) 1. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1.54 1.34 1. actuações de emergência.

3. 10. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10.2 Capítulo II . 10.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I.3. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. para emissão de parecer.3. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor.3. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. ou seja.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização.3. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV. de acordo com o estabelecido no capítulo II.3. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento. assim como a descrição do seu circuito. Após a constituição de um processo de abastecimento. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. A consulta do fluxograma a seguir representado. na EPAL. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. 164 .1 Capítulo I . este deve ser entregue. Generalidades II.

Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 5 .

no que respeita a alterações entregues. Fig. para serviço de uma propriedade. órgãos e equipamentos instalados na via pública. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. 6 . seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações.Redes prediais. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. ou a bocas de incêndio e marcos de água. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. Responsabilidades de manutenção 166 . 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. responsabilidades de manutenção e recomendações. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.

actualmente de 300kPa. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. na rede geral de distribuição de água. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. 7 .3. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. assim como o valor máximo. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. quer a manutenção dessa mesma qualidade. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. Quando o valor mínimo não for garantido. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. disponibilizado pela EPAL. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização.3 Capítulo III .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig.3. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. levando a que existam sempre que possível. 8 .

Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig. 10 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. 9 .

a título meramente exemplificativo.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual.. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados. E Legislação e Normalização Aplicáveis .Inclui as referências do "Capítulo II . No entanto.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. onde se definiu o traçado das canalizações. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. quadros de apoio.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. 169 . constantes no Manual. relativos ao dimensionamento. tal como as minutas tipo. são componentes fundamentais do projecto da rede predial. Os cálculos justificativos. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. uma vez que se determinam entre outros. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. B Simbologia . 10. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. Fig. apresentam-se nas seguintes figuras. F Referências Bibliográficas. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento .3.4 Capítulo IV .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. no entanto.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento".Listagem não exaustiva de documentação. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução . é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais. através da apresentação de ábacos. encontrando-se organizada por ordem alfabética.3.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais.3. os mesmos não são vinculativos. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. se forem detectadas irregularidades.5 Anexos Os anexos.3. etc. 10. salvo se indicado. já anteriormente mencionados. consistem: A Terminologia . valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. 11 . A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. tabelas e referências bibliográficas.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .

13 .Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .

15 .Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Pontos de ligação roscados 174 . 16 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País.3. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. durante o ano de 2004. Instaladores e Donos de Obra.000 3. sempre que os indicadores apresentam desvios. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig.000 5. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. quadro e figuras. a seguir. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. sendo este um documento dinâmico. ou seja. por vezes. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. 18 . consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. Empreiteiros.17 . principalmente através dos comentários construtivos. relativamente ao tempo de resposta.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo.3. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. A imagem. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004.000 4.3. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos.5 Resultados práticos 10.5. passado dois anos e meio da sua publicação.000 2.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria".3.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. no entanto. todas as opiniões. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. Fig. apresentam-se. no início de 2002. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. Internamente. são introduzidas acções correctivas. Através deste tipo de controlo.000 1. Nº de Processos 6. no exterior. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. 175 . Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições.5. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. sendo. também tem sido mais positiva. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. No entanto.

Com efeito. não é afectado pelo disposto no presente diploma". S. no Artigo 1º. S.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. com o qual os serviços se regem. rege-se pelo presente diploma. S. na sua redacção actual". de 21 de Fevereiro . assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. (EPAL). face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. de 24 de Julho de 1944. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. e no Artigo 8º. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço. beneficiam com a publicação deste documento.. 2 de Março .Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho. de 23 de Agosto . Decreto-Lei nº59/99. parágrafo 2. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. de 21 de Junho. Pode-se concluir que.A. 176 . como tal. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. pelos seus estatutos. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. 10. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL.A. tanto a EPAL como os agentes externos da área. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. Decreto-Lei nº64/90.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. presentemente. parágrafo 2. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. é mencionado que: "A EPAL. Pelo anteriormente exposto.A.".

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . " Manual de Redes Prediais". EPAL. 177 . " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" .elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. Setembro 1997 .Relatório Final. elaborado pelo LNEC para a EPAL. 2001.Relatório 254/99-NES.

178 .

Polivalência e Economia 11. Faro 179 . Universidade do Algarve. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. FERN. POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático.

180 .

Penha e Gambelas . com centros de investigação nacionais e internacionais. por exemplo. e com uma estação meteorológica automática. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES .RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. hoje. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. Hotelaria e Turismo. alunos e funcionários. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes.FERN surgiu em 1982. Em 1998. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . Um edifício recém inaugurado. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. mais de 700 estudantes.Economia. tal como existe neste momento.º 513-T/79. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica .especialidade de Marketing e Comercialização. Gestão. 16 dos quais liderados por docentes seus.e de dois Pólos . Recursos Hídricos. Por exemplo.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. com espaços ao ar livre e estufas. criada pela Lei n. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação.especialidade de Marketing e Comercialização. criado pelo decreto-lei n. Engenharia de Recursos Naturais. 33 laboratórios. e com empresas da região e do país. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). dispondo. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico . de dois Campus .Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . de 26 de Dezembro.CDCTPV. cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. em 1993. Ciências do Mar e Ambiente. Engenharia Biotecnológica.Portimão e Vila Real de Santo António -. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. esta Faculdade inclui 46 gabinetes.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. após a criação da Universidade do Algarve. de ensino e investigação. e em Arquitectura Paisagista.Educação. Tecnologia e Saúde. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. situado no Campus de Gambelas. Ciências Humanas e Sociais. trabalho. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . 181 . Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. que proporcionam excelentes condições de estudo.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. A FERN .ramo Hortofruticultura. como não podia deixar de ser. cinco anos mais tarde. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. Em 1991.ramo Hortofruticultura. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. Possui cinco FACULDADES .

182 .

No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega. com uma subdivisão em processos de rega.2. Allen et al.como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. de acordo com Beltrão et al. teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material.Água de drenagem (mm) Es . O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. tendo em vista.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.2 Classificação dos sistemas de rega 11. 1983. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004).Ac) + ∆S em que: R . 1980a. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. difíceis de definir. 1980) .Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . 1999): a) relacionadas com o solo .. Ao falar-se de polivalência.SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .Evapotranspiração de referência (mm) kc . uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. 1986).como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. Contudo. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados.1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. blocos de gesso e outras. expressa através da dotação real de rega (mm) P . 1945). Contudo.Água de escorrimento superficial (mm) Ac . além da rega de humedecimento. e b) relacionadas com a planta .Precipitação (mm) ETa . É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega. QUADRO 1 .. outros tipos de utilização agro-ambiental.1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola. sondas TDR.Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal. do Instituto Superior de Agronomia. por haver situações híbridas e combinadas. No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr .(1996) ∆S . tipo de instalação e funcionamento. quer à gestão dos sistemas de rega. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. 11. Beltrão et al. 1980b). Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão). 1997). à planta (Taylor et al. Polivalência e Economia 11.Escorrimento Método . poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. 1981). Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. variando com a cultura e o seu estado fenológico.Água de rega.Água de ascensão capilar (mm)..Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método .coeficiente cultural. considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). 1979. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância.

Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. 1). tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. a aspersão e a infiltração. nas laranjeiras. como prevenção contra a gomose basal. a água escorre por todo o terreno a regar. 2002).Instalação de rega por aspersão estacionária semi . Fig. 2 . 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1). A rega por submersão pode ser permanente e temporária. actualmente. sendo neste caso a submersão permanente. 184 . 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural.2. 4) maior economia de água. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. 11. Os sistemas de rega por gravidade.2. infiltrando-se no solo. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. As caldeiras são de submersão temporária.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. em zonas de maiores declives. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado.2. a caldeira disposta em coroa circular. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. o sistema de rega por regadeiras de nível.fixa Fig. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. 1 . rega qualitativa). submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. fertirrega mineral e orgânica. mantendo-a a uma profundidade conveniente. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. humedecendo o solo por infiltração. respectivamente. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. Na rega subterrânea.2 Sistemas de rega sob pressão 11. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. 2). e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. utiliza-se a ascensão capilar da água. 7) menores problemas de erosão do solo. contudo. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. 6) geralmente maior produção. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. abertos entre as linhas das plantas.

7) utilização em solos marginais.2. por humedecimento da parte aérea das plantas. enquanto a água é distribuída. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. vinhas. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea.: Rain-move). aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha).Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão .Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. destinando-se ao Sul de Portugal.Aspersão Processos: Aspersão . 185 . 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. espaços verdes e campos de golfe. e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. 11. com movimento de translação (ex. devido à rega da parte aérea das plantas. isto é. Destes. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. através de tensiómetros). culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. Assim. 3) custo das instalações elevado. 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. e culturas hortícolas principalmente em estufas). 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. menor caudal e menor pressão de serviço. com movimento de rotação e de translação (ex. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado.2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . sendo a subterrânea enterrada. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. QUADRO 2 . 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método .: Canhão automotor) e mistas. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método .Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. menos infestantes. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação.: Center-pivot). devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar).superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. forragens. traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir.2. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. 4) desenvolvimento de doenças.

o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas .1 Águas convencionais 11.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares.3. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. momento e época da fertilização. de forma localizada às raízes. 11. efectuada através do efeito de Venturi. são o fraccio- 186 . Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos. Fig. 2) depósito aplicado à saída da bomba. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. que se inclui no circuito de água. 3 .1. sendo as mesmas altas e mal distribuídas.3. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. que hoje se inclui na água residual agrícola. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. 4). sendo a saída da mistura para a tubagem de rega.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. quando se procede à fertirrega. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. principalmente na rega gota a gota.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. É necessário que. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. com válvula-parafuso de regulação da saída. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. sendo a água consumida apenas por transpiração. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. 3) bomba injectora de adubo (Fig. No caso da rega localizada. é uma aparelhagem de grande rigor. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega.usa-se muito a ureia. na fertirrega localizada. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. o amónio. Outras vantagens da fertirrega. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. Relativamente aos macronientes aplicados. Caso as águas sejam alcalinas. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. quando se pratica a fertirrega mineral. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. para todos os sistemas de rega sob pressão. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. namento das fertilizações. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. os nitratos. em que se faz a mistura adubo+água. em relação à água de rega. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. accionada hidráulica ou electricamente.

sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. nas horas de maior calor. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. 4 . 11. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. 11. mas é também afectado pela concentração de sal no solo. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. e muito raramente no nosso país. 2) No Verão. formação de uma atmosfera nebulosa. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas).4 Combate às altas temperaturas Fig. que corresponde ao calor latente de solidificação da água.2 Águas não convencionais 11.5 Rega qualitativa 11. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada.3.2. conforme descrito para a fertirrega.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. É sobretudo utilizada. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno. 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. como o caso dos campos de golfe.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. através de aspersores e miniaspersores. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota.1.3.3. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo. concorre para o combate à geada com a rega. Assim dois exemplos serão apresentados. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão.1.1.3. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. e assim combater os seus efeitos nocivos.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. 1994).3. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. maior será o pressão osmótica. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. ou alternativamente. 187 . Além desta vantagem. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água.3. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. 11. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. com diminuição dos teores de clorofila. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. em que é fixada certos pigmentos.1. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados.

θfc} . cd .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Sal fornecido pela toalha freática Sf . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Com lixiviação na zona radicular.Sal dos fertilizantes Sp . [cd . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). maior será a concentração de sais no solo.(L . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . a eq. respectivamente. θfc é o teor volumétrico da água do solo. Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. Vs é o volume de solo considerado (m ). será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). A é a superfície de evaporação (m2). Vs -1 -1 (5) (6) Fig.Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade.Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . 5 . respectivamente ci e cd. as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.Variação na quantidade de sais solúveis Si . respectivamente (kg m-3). (4) sendo L = (Qi . que inclui todos os inputs. a eq. (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. e é afectado por um grande número de processos.Sal fornecido pela água das chuvas Sd .Sais precipitados Qi e Q d são. θfc) .Iões absorvidos pela plantas 188 . é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1). ETa) . Vs e Dr = Qi .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento.Sal removido pela água de drenagem Sl . Dr )] . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. por transpiração e evaporação.A .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci . outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr .(L . m-3 soil). estão em equilíbrio.Sal fornecido pela água de rega Sg . 5). à capacidade de campo (m3 água . -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas.Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa .Sem lixiviação na zona radicular. 3 Sc .

Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq. os sais concentram-se acima deste horizonte.Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . 1997). a que se chama sensibilidade. portanto. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. A . 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.a) em que: Y. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. (2002).Compactação do solo e formação de impermes . A. como se segue: Qil = [Cd / (Cd .Volume de água de rega. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . (2002a). abvalor limiar de salinidade (dS.grande economia de água. Eta Em que : Qil .Ci)]. 6 . isto é. devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial.Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . pode haver contaminação dos aquíferos. 10. 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS.Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 . 4) Culturas tolerantes à salinidade . mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. para maiores valores da tolerância.m-1). Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig.sem técnicas ambientalmente limpas . sendo de 10 % a redução para o nível N1. a que se chama tolerância. é maior para NO do que para N1.b (CE .sem lixiviação . MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 .Elevação do nível da toalha freática . e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas.Área da parcela (m2) ETa .Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. a sensibilidade (b). De acordo com a eq.produção relativa da cultura (%).m-1) a partir do qual decresce a produção.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0).. quando não existe horizonte impermeável. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.esta técnica é muito útil para as plantas. por outro lado. e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. 1992): 1 . satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). CEs .Transporte (água e vento) a) Água . 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .salinidade do solo ou da água.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais .evaporação b) Actividades humanas . o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. Por outro lado.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta).15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0).

tornando as águas subterrâneas mais salinas. 2001.Hidroculturas . Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos. 2.3. 2002). 190 Percentagem de Cl - . Polivalência e Economia Em Portugal.Restaurantes e comércios URBANAS . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).Ligações e descargas clandestinas .Transformadoras de petróleo . 2002). Cuartero et al. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.coli. QUADRO 3 .Pecuária (chorumes) 2 1. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas. de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques. Em relação a estes problemas. Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas).Serviços . conforme é apresentado no QUADRO n.. como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. de Cl .1000 cfu / 100 ml. A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Infiltrações subterrâneas .Cantinas INDUSTRIAIS .200 cfu / 100 ml. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.em folhas dos relvados . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga.200 cfu / 100 ml.2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. Nessas condições.1000 cfu / 100 ml. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . 2002).. pomares e vinhas regados gota a gota e forragens .Hospitais e laboratórios . verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras.agrostis. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. A Fig. 7 mostra as percentagens médias.Adegas e lagares AGRÍCOLAS .Fábricas .2. 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al. culturas industriais .Habitações domésticas (higiene e cozinha) .Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS . hidroponia e culturas hortícolas . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. jardins. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais).Percentagens médias. 2003). 1998). bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa.. de Cl .CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.º 3 (Gamito. "kikuyugrass". campos de golfe e de outros desportos).5 11.Transformadoras de produtos alimentares .5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig. em virtude de a água nestas regiões ser limitada.5 1 a 0. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.agrostis. 2) Uso de espécies tolerantes à sede.em folhas dos relvados . Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. 2003). estufas. pomares e vinhas regados por aspersão . fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. "kikuyugrass".. 7 .

a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. e à recarga de aquíferos.1. com vista a evitar problemas de contaminação. aonde já se nota a sua reutilização. no local de recepção dos efluentes. usos florestais (combate a incêndios. jardim privado. campos de golfe e de outros desportos). 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. forragens e viveiros).1. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). d) Profundidade de rega com água residual depurada.3 m 4) Sistema de rega por gravidade . Através da literatura disponível.sem vento durante a rega Rega por aspersão . 191 . acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. usos industriais (refrigeração).100 m Rega por miniaspersão . 1996). para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. combate a incêndios.00 m: Espécies herbácias . para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5.2. culturas industriais. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas.5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão.50 3) Calma . sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. estufas. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . lavagem do automóvel.1. descargas na floresta). Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. pomares e vinhas. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão . principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa.00 m Árvores de fruto . 1976. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. usos urbanos (lavagem das ruas. fontes decorativas).50 m Floresta . Oron & Beltrão. autoclismos).2. máxima aconselhável.2.00 m Como foi dito.. sendo.200 m Rega por miniaspersão . Contudo destas regiões.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". jardins.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . Contudo.500 m (Beltrão. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte. culturas hortícolas e outras de consumo humano. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques.

10 2.00 0. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais.30 0.2002). juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias.02 575 0. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa. Contudo. os chorumes são utilizados.3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais. Inicialmente.05 2.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo.5 .0 10.0 20 --------15 5. a componente fertilizante (Costa et al. como prevenção à contaminação.5 ----0. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega.0 6. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5. 11. recorrendo a modelos de simulação.2.01 5.5 0. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve. incluindo além da componente água (Asano.20 0. 1998).8.05 ----1. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada. nomeadamente membranas.005 0.5 .0 ----1. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados.3..05 20 ----10 5.4 100 ----VMA 20 10 ----1. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al.75 0.0 0.05 0.0 70 0. com a adopção de tratamentos terciários adequados e.20 ----0.8 10 ----0.0 5.0 1. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. que não é de prever a contaminação das relvas. em campos de golfe. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas.9. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção..5 5.. respectivamente.0 2.0 ---------0. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.Valor Máximo Recomendável VMA .0 0.Valor Máximo Admissível 192 .DECRETO-LEI NR.0 4.0 ----0. Polivalência e Economia QUADRO 4 . 2002). para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al.10 1. Em relação às águas residuais agrícolas.10 2. principalmente.0 ----1. VMR .

5 13.5 25.5 25.0 15 3. 1976).0 20.0 45 15.2 Eficiência de distribuição (ed).5 5 1.dotação de rega) X .0 20 3.5 33.0 5.5 5.0 10 2.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 22. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 35 8.5 14. 11.0 16. QUADRO 5 .4 Eficiência de rega e sua classificação 11.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 17.5 15. (° C) 0.0 Velocidade do vento (m s-1) 1. sistema de rega sob pressão .0 12.0 18.0 21.0 23. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.0 20.5 13.0 32. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.5 40 12.0 7.0 22.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .0 19.0 35.0 4. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 7.0 2.0 31.0 5.5 4.5 10. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).5 6. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.0 30.0 4.0 27.0 30.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).0 6.5 1.0 35. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 37.0 9.4.5 27.5 10.0 7.0 5.desvio à média n .0 9.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .0 13.0 26. b) velocidade do vento.0 25.5 9.0 16.0 12.0 6.0 6.0 28.0 11.0 30.4.5 9.0 34.5 15. diagrama pluviométrico. Polivalência e Economia 11. É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.5 24.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 2.Campo experimental de batateira.0 16. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 3.0 40.0 10.4.5 17. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.5 14. de acordo com Achtnich (1966).água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água. regada por aspersão.0 36.0 20.5 25 4.0 13.0 0.5 8. Wd .0 2.0 17.0 45.5 13.0 40.0 30 6. 8 .0 9.0 3.0 4. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.0 8.0 18. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 4.0 33.0 31. 8 mostra um campo experimental de batateira. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).5 7.0 21.0 3.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 11.0 193 .0 21.0 12. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.5 16.0 31.profundidade de rega.0 10.5 8.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.0 21.0 12.0 18. (14) Temp.0 25. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .média (sistemas de rega por gravidade . (13) Fig.

90).1997b. MS . milho (0. a evaporação directa não estar associada à produção.95). ervilha (0.5).5).Evapotranspiração real da cultura.80). sendo neste caso T = ETa. e velocidade do vento .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota.1.relação de transpiração (22) (21) (20) 11. Ed .6 .70 . (17) 11.0. subterrânea (0.90 .0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. diagrama pluviométrico.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA. amendoeira (0. Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas.problemas de entupimento. Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .0.3 . gota a gota superficial (0.50). qualidade e características dos aspersores.0.0. trigo (0.4.0.50).00).5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y .temperatura durante a rega . beterraba (0. RT . a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher.0. feijão (0. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT.5. 1993).55). batata (0.0. visto que das componentes da evapotranspiração.4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .Produção.4).0. ETa .85).matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0.3 . No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão. luzerna (0.4.declive do solo 194 .1. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: . Polivalência e Economia 11.1966): CT = T / MS T . Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea.2 .40 . Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) . 1997). Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea . miniaspersão (0.35 -0.0. aspersão (0.85 .6). a assimilação e a produção estão associadas. Beltrão et al. ao contrário do que se verifica com a transpiração.5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11. Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.características físicas do solo .30 . Ed .6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.rega localizada .4.1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0.45 . qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração. gota a gota subterrânea (0.7 . a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT .95 .80). Maximiza-se a eficiência de rega .9).0). 1993).a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .grau de pulverização.transpiração (m3 de água). definido por (Achtnich.rega por aspersão . Ep (19) (18) 11.4 .0. Nestas condições.água necessária na zona radicular (16) ..

-1 3 -1 .A percentagem de solo humedecido.rendimento total dos grupos motor-bomba (%). .1-1.5 5. isto é.ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias .As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.altura manométrica total (m).Móveis .Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Polivalência e Economia 11. por hectare regado.5 80 100 2. 4 .eficiência de rega (%).Fixas Semoventes . e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.6-3.6 1.não aproveitamento das águas pluviais. no que respeita à rega localizada. ar livre Hort.Volume anual de rega (m ) .5 7 60 60 60 6.9 5. .Potência dos grupos motor-bomba.3 1. sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).4-6.0 2.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .5. e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) . e incluem os seguintes factores: . .1-2.5-6. .diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 . e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.3-8. 2 .número de dias úteis por semana.duração útil diária de rega (h d ).Semi-fixas .Sistemas pivot .6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal.caudal de ponta ( m3 h ) .7 1900-2800 85 70 20 16 7 5.Quanto às culturas em estufa: .8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. Pomares Hort. estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.0 4.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares. 3 .7-4. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).0-1. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).5-2. .Canhões autom. orn.

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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200 .

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202 .

os corticosteróides. Durante a década de 90. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. Estes produtos . Fundada em 1959 por Ivan Villax. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. que permitem a visualização das veias. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. e que lhe valeu. trabalham na Hovione. desde 1990. 1 .exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos.1 milhões de Euros. Fig. ambas são certificadas ISO9000. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. 6% em projectos ambientais. 203 . 14. 5% em qualidade e 1% em formação. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. clientes da empresa. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. usados na preparação de injectáveis. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. em Loures e em Macau. nos EUA. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. a Hovione tem duas unidades fabris.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. substâncias activas farmacêuticas. os agentes de diagnóstico radiológico. artérias e órgãos nos exames radiográficos. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. investigador químico. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. Japão. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. em 1992. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Cerca de 660 profissionais. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. na qual investiu. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. Na área dos produtos genéricos.

204 .

é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos.) não adequados ao processo. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos.2. em vigor desde 30 de Junho de 2003. • elastómeros (empanques. • erosão mecânica. 12. No caso das bombas centrífugas de processo. 12.2.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. provenientes desses equipamentos. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. nomeadamente metais pesados. Segurança. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa.2. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. por síntese química. em grande quantidade. etc. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. juntas. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. através de soluções BAT (Best Available Techniques). ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. • resíduos de aplicações anteriores. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. Assim. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. lista de lubrificantes. de forma a evitar perdas para o exterior. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. que possam afectar a qualidade do produto. Ambiente e Saúde Ocupacional.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. 12. Quando admissíveis. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. 12. garantias e certificações. substâncias inflamáveis. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. abordadas no documento de referência do IPPC. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. relatórios dos testes em fábrica. Ambiente e Saúde Ocupacional. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. Segurança. às chumaceiras e às juntas. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. abrangendo também as indústrias de síntese química. • produtos resultantes da corrosão. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. aos impulsores. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade. 205 . podem degradar-se por acção química e/ou térmica. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente.

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12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

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Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300.A. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs). sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba.000 10.2.000 22 8. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima.3. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas. é possível considerar três opções diferentes.5 Custo Total (Euros) 7. por ter menor custo.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .000 3.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores.000 56. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV . H = 40M. 11 . que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente.600 22. igual consumo energético.C.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável. ambos do mesmo modelo.2. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida.000 500. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal.CAPACIDADES Equip.) 4. QUADRO III . No Quadro III.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. menor número de equipamentos.200. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8. para as três opções consideradas.000. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit. QUADRO II .

Guides for New Facilities . D.. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries . WinCAPS. First Edition ISPE. 211 .Bulk Pharmaceutical Chemicals. Ismail and Aksahin.Q. Process Heat Transfer. Novembro 1993.February 2003. New York. Chemical Engineering. 1965. Ilhan.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. Tosun.4 Referências bibliográficas Grundfos.Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003.44 / 2003. Jornal Oficial das Comunidades Europeias . June 1996. McGraw-Hill. Volume1. Kern. Predict Heating and Cooling Times Accurately. Versão 7.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias .

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A.Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.273 Porto Tel.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www.03/2005 .com BGP .601 Porto Rua da Ranha.153 Paço de Arcos Tel. 241 • 2770 .: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031. Sede: Apartado 1079 • 2771. S.grundfos.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães. 320 e 334 • 4350 .