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Apostila Tratamento de Efluentes

Apostila Tratamento de Efluentes

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  • 1.1. Introdução
  • 1.2. Ocorrência das Águas
  • 1.3. Ciclo da Água
  • 1.4. Indicadores de Qualidade da Água
  • 1.5. Padrões de Qualidade da Água
  • 1.6. Fontes de poluição e seus efeitos
  • 1.7 Águas residuárias e seus tratamentos
  • 2.1. Introdução
  • 2.2. Planejamento
  • 2.3. Programa de coleta de amostras
  • 2.4. Preservação das amostras
  • 2.5. Recomendações para coleta e preservação de amostras
  • 3.1. Introdução
  • 3.2.1. Sólidos
  • 3.2.2. Demanda Química de oxigênio(DQO)
  • 3.2.3. Demanda Bioquímica de Oxigênio(DBO5)
  • 4. PROCESSOS DE TRATAMENTO DAS ÁGUAS
  • 5.1. Pré-Tratamentos (pré-oxidação, ajuste de pH e abrandamento)
  • 5.2. Coagulação/Floculação
  • 5.3. Decantação
  • 5.4. Filtração
  • 5.5. Desinfecção
  • 5.6. Fluoretação
  • 5.7. Ajuste final
  • 5.8.2. Troca Iônica
  • 5.8.3. Separação por membranas (osmose reversa, ultrafiltração e nanofiltração)
  • 5.8.4. Eletrodiálise
  • 6.1- Microbiologia e Bioquímica
  • 6.2- Parâmetros de Controle de Processo (texto adaptado de YRATA, 1999)
  • 6.3.1- Sistemas Aeróbios
  • 6.3.3. Vantagens e desvantagens dos processos aeróbios e anaeróbios
  • 6.3.4. Remoção de Nitrogênio
  • 6.3.5. Remoção de Fósforo
  • 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC CENTRO TECNOLÓGICO – CTC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E ENGENHARIA DE ALIMENTOS – EQA

APOSTILA

TRATAMENTO DE EFLUENTES
Prof. Hugo Moreira Soares

Florianópolis, Março de 2007

Esta apostila foi preparada especificamente e tão somente para atender às disciplinas de Engenharia Ambiental e de Tratamento de Efluentes, ministradas nos Cursos de Engenharia Química e de Engenharia de Alimentos da UFSC. Parte deste material foi reproduzido e/ou modificado de outros trabalhos, livros e artigos citados na mesma. Esta apostila não poderá ser reproduzida, a não ser para atender este objetivo a que se destina.

INDICE Página 1. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS 1.1. Ocorrência das Águas 1.2. Indicadores de Qualidade da Água 1.3. Padrões de Qualidade da Água 1.4. Fontes de Poluição e Seus Efeitos 2. COLETA E PRESERVAÇÃO DE AMOSTRAS 3. MÉTODOS ANALÍTICOS PARA CARACTERIZAÇÃO DE ÁGUAS 4. PROCESSOS DE TRATAMENTO DAS ÁGUAS 5. TRATAMENTO FÍSICO-QUÍMICO 5.1. Pré-Tratamentos (pré-oxidação, ajuste de pH e abrandamento) 5.2. Coagulação/Floculação 5.3. Decantação/Flotação 5.4. Filtração 5.5. Desinfecção 5.6. Fluoretação 5.7. Ajuste final 5.8. Outros Processos de Tratamento Físico-Químicos

6. TRATAMENTO BIOLÓGICO 6.1. Microbiologia e Bioquímica 6.2. Parâmetros de Controle de Processo 6.3. Sistemas de Tratamento 6.3.1. Sistemas Aeróbios 6.3.2. Sistemas Anaeróbios 6.3.3. Vantagens e desvantagens dos processos aeróbios e anaeróbios 6.3.4. Remoção de Nitrogênio 6.3.5. Remoção de Fósforo

dependendo do caso em questão. A poluição então está associada à alteração das condições naturais em um determinado manancial que se encontra em equilíbrio ambiental. e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Introdução No Brasil. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. no sentido de promover a sua deterioração ou depuração. Esta água poderia ser dessalinizada. Todas as reações bioquímicas ocorrem em meio aquoso. poluição é um conceito relativo. aos movimentos das águas em seus mananciais. as águas que encontram-se em geleiras e em grandes profundidades. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. a segurança e o bem estar da população. exigiriam investimentos muito grandes para sua viabilização de uso para abastecimento.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 1 1. III). Estima-se que a quantidade de água livre sobre a terra é de 1.1 apresenta a distribuição das águas no Planeta Terra. não disponíveis para o consumo humano direto. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS 1. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos. Química e Eng. Realmente. art. Os efeitos adversos provocados pela qualidade da água para um determinado fim serão resultantes das condições naturais do manancial e da interferência promovida pelo homem no mesmo. pois a água em seu estado natural varia suas características enormemente de uma fonte para outra. se olharmos somente os números de uma forma fria. podendo enquadra-se em condições de usos diversos. Na realidade. Porém.2. necessitando serem tratadas previamente para tais usos. inviabilizando à princípio seu uso. de Alimentos . c) afetem desfavoravelmente a biota. Observa-se que a grande maioria destas águas encontra-se no mar e. 1. A Terra é chamada muitas vezes como “o planeta água”. 3º. tal qual é estipulado no Art. Por este motivo. ou até mesmo para usos menos exigentes. até alguns anos atrás não se dava importância à sua preservação.1. Da mesma forma. Nesta análise deve-se considerar que devido ao ciclo hidrológico. disponibilidade de água não seria um problema. pelo transporte de íons através das membranas celulares. pois 2/3 de nossa superfície é ocupada pelos oceanos. o conceito de poluição é definido por lei (Lei n. Determinados mananciais naturais possuem características que já são impróprias para o consumo humano. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida. portanto. porém os custos desta operação são muito elevados.370 milhões de Km3. ou até mesmo uma associação entre ambos. A Tabela 1. As águas que estão mais disponíveis para o uso direto ao consumo e com o menor investimento são as águas subterrâneas de baixa profundidade e as dos rios e lagos. as interações das águas com os meios sólidos e gasosos promovem alterações em sua composição.º 6. 1 Prof. Ocorrência das Águas A água é essencial para a existência da vida em nosso planeta.938/81. como a irrigação de hortaliças e plantas. como sendo a degradação da qualidade ambiental resultante de atividade que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. imaginando que este seria um bem inesgotável. se observarmos um pouco mais profundamente sobre como estas águas ocorrem e sua distribuição na terra o quadro pode ficar bem diferente.

1 apresenta o ciclo hidrológico da água ou mais comumente chamado de ciclo da água.1: Distribuição das águas na Terra 97.30% 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. No entanto. A Figura 1. de Alimentos . 1.riolagos. dependendo das circunstâncias em que se encontram.200 Km3. A quantidade de água na terra que estaria mais facilmente disponível para consumo humano é de 4. o que seria suficiente para abastecer o planeta de água sem que houvesse preocupação com a sua disponibilidade.149.01% Oceanos (águas salgadas) Geleiras polares e glaciais Águas subterrâneas em grandes profundidades (> 800 m) Águas subterrâneas em baixa profundidade (< 800 m) Rios e lagos As águas subterrâneas de baixa profundidade são utilizadas para abastecimento de pequenas comunidades. principalmente a distribuição da mesma por regiões e a contaminação dos mananciais. As águas encontram-se em constante movimento e transformam-se de um estado da matéria em outro.1: O ciclo hidrológico da água Fonte: www. são os mais indicados. Transpiração Escoamento superficial Figura 1. não sendo viável para grandes centros urbanos.br/calsj/ciclo-agua. porém.com. Ciclo da Água A ocorrência das águas no planeta e sua distribuição estão vinculadas ao ciclo hidrológico a que estão submetidas. deve-se considerar uma série de fatores. Neste caso.3. são justamente estes mananciais que são mais vulneráveis à interferência do homem.htm 2 Prof.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 2 Tabela 1. como barragens.29% 0. os rios e lagos naturais ou artificiais. Química e Eng.40% 2.

Os excedentes desta água irão para o mar e posteriormente serão evaporadas. odor ou sabor. conferindo a característica polar à água. Segundo Mota (1997). +H 105o H+ O − Figura 1. formando os lençóis d’água (água subterrânea). representando suas características físicas. 1. A cor por si só não se constitui em um elemento tóxico prejudicial à saúde humana. podendo ser contaminada não necessariamente na sua origem. A água na sua característica original não apresenta cor. As águas superficiais irão escoar e uma parte irá infiltrar-se na terra e outra parte irá evaporar-se. 3 Prof.Cor: resulta da existência. A Figura 1. Devido à característica polar de sua molécula química a água é um solvente poderoso e pode ser atraída por campos magnéticos.2: Molécula da água À medida que vão sendo introduzidos outros elementos às moléculas de água estes vão conferindo propriedades que podem afastá-la de suas características originais. de Alimentos . Indicadores de Qualidade da Água. a água que chega em terra poderá escoar na superfície (escoamento superficial) formando rios e lagos ou poderá escoar para dentro da terra (infiltração). Durante estas transformações a água poderá sofrer alterações de seu estado natural. mas como não se conhece a sua origem existe um risco potencial à saúde se esta for utilizada para fins de consumo ou contato direto.4. na água. algas. dependendo da temperatura e da umidade relativa do ar. matéria orgânica. À temperatura ambiente (> 0oC) encontra-se no estado líquido. corantes.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 3 Os mecanismos de transferência da água são: a evaporação da água em contato direto com o sol e os ventos. A água é um composto inorgânico. de tal forma que as cargas positiva e negativa não sejam concêntricas. Mn. neve granizo ou orvalho. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Química e Eng. mas pelo caminho percorrido até chegar ao manancial. lagos ou fontes naturais. ligados por ligações covalentes.2 apresenta um desenho da molécula da água. de substâncias em solução. formando um ângulo de 105o. a transpiração das plantas e dos animais da água contida em seus corpos. A água é dissociada em íons H+ e OH-. podendo ser armazenadas em mananciais subterrâneos ou aflorarem na forma de rios. conferindo-lhe um pH neutro. tais como o Fe. a precipitação da água que foi vaporizada podendo estar na forma de chuva. As águas subterrâneas também estão em movimento. químicas e biológicas. conforme discriminadas a seguir: INDICADORES DE QUALIDADE FÍSICA . as condições naturais de ocorrência da água são determinadas através de diversos parâmetros. possuindo 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio. resinas e uma série de outras substâncias de origem natural ou introduzida pelo homem.

erosão). Ao efeito de resistência à mudança de pH do meio dá-se o nome de efeito tampão. o desinfetante mais utilizado no tratamento de águas de abastecimento são sais de cloro. Turbidez: A presença de material em suspensão na água interfere na passagem da luz. Estes compostos quando no seu estado oxidado apresentam-se insolúveis. O pH interfere em todas as reações químicas e bioquímicas. de Alimentos . deixando um residual perceptível quando consumido. INDICADORES DE QUALIDADE QUÍMICA .) e artificiais (esgotos domésticos e industriais). coloração e incrustações. Um dos problemas associados a turbidez é que estas partículas podem servir de suporte para microrganismos patogênicos impedindo a sua eficiente desinfecção e também servir de sorvente de compostos químicos tóxicos do meio aumentando sua concentração de forma localizada. estes são adicionados à água como um programa de erradicação de cáries em populações carentes. Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO3-). porém.1. bactérias. A sua escala varia entre 0 e 14 e o perfeito equilíbrio entre as espécies químicas encontra-se em pH = 7. existe um risco potencial de contaminação.Alcalinidade: São sais alcalinos dissolvidos na água. Maiores detalhes sobre o pH e a alcalinidade estão descritos no Capítulo II. podendo provocar prejuízos não só à vida dos organismos mas também aos materiais. Os cloretos conferem sabor salgado e propriedades laxativas à água . etc. . além de interferir nas conformações espaciais das moléculas. em concentrações elevadas causam a fluorose dentária (mancha escura nos dentes). Além disso. Por lei. . que terão a capacidade de reagir com os íons H+ neutralizando-os. carbonato (CO32-) e os hidróxidos (OH-). algas. . conferindo uma aparência turva chamada turbidez. Temperatura: A temperatura influi nas propriedades da água. Causa sabor desagradável e efeitos laxativos. principalmente Na e Ca. fungos. . Estes sais podem ser de origem natural ou antropogênica. altera a solubilidade de compostos químicos de origem orgânica ou inorgânica e interferem na solubilidade dos gases. ou de outros metais bivalentes. . da mesma forma como a cor. A água deve ser isenta de qualquer cor odor ou sabor para o consumo direto. Estes cátions podem reagir na água formando precipitados reduzindo a formação de espuma do sabão e provoca incrustações nas tubulações de caldeiras. Sua origem também pode ser natural (partículas de rocha. microrganismos) ou de origem artificial (esgotos domésticos e industriais.Dureza: A dureza resulta da presença de sais alcalinos terrosos (Ca e Mg). Além disso.Ferro e manganês: O ferro e o manganês são íons que estão presentes nos solos e podem ser introduzidos na água. conferem sabor e propiciam o desenvolvimento de ferrobactérias causadoras de mau cheiro.Oxigênio dissolvido: A grande maioria dos seres vivos na superfície terrestre utiliza o oxigênio como receptor final de elétrons nas suas reações para geração de energia 4 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Os esgotos domésticos e industriais também podem introduzir cloretos na água. A temperatura da água deve ser mantida em valores próximos de sua ocorrência natural para não alterar o equilíbrio de seu ecossistema. compostos orgânicos. vegetação em decomposição.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 4 - - - Sabor e odor: resultam de causas naturais (algas.Fluorêtos: em concentrações adequadas são benéficos no combate às cáries. promovendo manchas em roupas. Química e Eng. Podem não estar associados a riscos contra a saúde. causando coloração avermelhada ou marrom à água.pH: É o potencial hidrogênio que mede o equilíbrio entre as espécies químicas de caráter ácido e básico. Valores diferentes da neutralidade vão conferir um caráter agressivo à água. altera as velocidades das reações químicas e biológicas. porém. argila.Cloretos: Os cloretos são provenientes de sais dissolvidos de minerais ou por introdução de águas salgadas.

e devem estar presentes na flora intestinal de animais de sangue quente. os microrganismos anaeróbios degradam a matéria orgânica gerando gases que podem ser mau cheirosos. podem causar problemas conferindo: cor. A sua presença não necessariamente significa que a água está contaminada com microrganismos patogênicos. quando em equilíbrio com a atmosfera (APHA. Após o fim do oxigênio. Os métodos analíticos para sua determinação encontram-se no Capítulo 3. Algumas vezes. Estas algas promovem a turvação da água impedindo a passagem de luz. produzindo gases. Diferentes tipos de bactérias. mas indica que houve contato com os seres de sangue quente e que há um potencial risco de contaminação. vírus e protozoários podem transmitir doenças através da ingestão da mesma. Após seu ciclo de vida. A potencialidade de uma água transmitir doenças pode ser medida de uma forma indireta através de microrganismos indicadores. A concentração de matéria orgânica é medida em termos de demanda química de oxigênio (DQO). Quando estes são lançados nestes mananciais através de esgotos sanitários ou efluentes industriais permitem o crescimento destes organismos. onde estes se desenvolvem.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 5 - - - (catabólicas). WEF. estes consumirão o oxigênio dissolvido para o seu metabolismo. levando à flotação do material depositado aumentando a concentração de material em suspensão.5 mg/L a 30oC. sabor e turbidez à água. Nitrogênio e Fósforo: Os organismos autotróficos fotossintetizantes presentes em ambientes aquáticos naturais têm seu crescimento limitado pela presença de nutrientes (N e P). Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A concentração de oxigênio dissolvido na água pura é de aproximadamente 7. . principalmente o de algas. as algas morrem e depositam-se no fundo do manancial sendo então degradadas pelas bactérias heterotróficas presentes no meio. 5 Prof. por isso. Se houver a presença de microrganismos heterotróficos aeróbios. a concentração de matéria orgânica pode ser expressa na forma de sólidos voláteis (SV). demanda bioquímica de oxigênio (DBO) ou por carbono orgânico total (COT). AWWA. havendo uma variação de espécies presentes dependendo do nível de oxigênio dissolvido na água. devendo ser controlados. bactéria anaeróbias continuam a degradação. Química e Eng. Umas espécies são mais exigentes outras menos. quando conveniente. devido à sua facilidade de detecção. muitas vezes é medida a quantidade deste microrganismo para expressar a quantidade de coliformes fecais. Caso não haja oxigênio disponível. A princípio são degradadas pelas bactérias aeróbias que consomem o oxigênio do meio. mas suficiente para manter as espécies aquáticas existentes. Além disso. Dentre estes aquele de maior preocupação é de origem bacteriana. não devendo ser lançados na água. É uma concentração muito baixa.1995). de Alimentos . Matéria orgânica: A matéria orgânica é a fonte de carbono para os microrganismos heterotróficos. como o H2S e ácidos voláteis. possuindo comportamento similar aos outros de mesma classe. Os microrganismos indicadores usados são os coliformes totais e fecais. A este fenômeno dá-se o nome de eutrofização. Além dos coliformes algumas vezes se faz necessário o acompanhamento mais específico de outros microrganismos como a presença de giárdia e de ovos de helmintos. O microrganismo mais abundante nos coliformes fecais é a Escherichia coli (~80%). Outros compostos inorgânicos e orgânicos: vários compostos orgânicos e inorgânicos são tóxicos aos organismos vivos. Estes são provenientes do lançamento de esgotos à água. principalmente de origem industrial. Estes microrganismos indicadores são bacterianos. Qualquer elemento que esteja presente que possa reduzir a concentração do oxigênio dissolvido é considerado poluente. prejudicando a sobrevivência dos organismos aquáticos. INDICADORES DE QUALIDADE BIOLÓGICA São vários os microrganismos presentes na água sendo alguns deles prejudiciais à saúde.

Após esta classificação. de Alimentos . Águas doces são aquelas com salinidade inferior a 0.5. há a necessidade de se estabelecer parâmetros que caracterizem as águas segundo a sua classificação. de acordo com a Resolução no 357. desde que seja adequadamente tratada. exceto a de classe 4 pode ser usada para abastecimento.3 apresenta alguns dos parâmetros mais importantes utilizados no Brasil. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. conforme resolução do CONAMA no 274 de 2000. conforme resolução do CONAMA no 274 de 2000.5%. CLASSE Classe Especial • • • • • • • • • • • • Classe 3 • • • • • • • • USOS Abastecimento para consumo humano com desinfecção Preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas Preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação e proteção integral Abastecimento doméstico. plantas frutíferas e de parques. após tratamento convencional Irrigação de culturas arbóreas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 6 1. Irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película Proteção das comunidades aquáticas em terras indígenas Abastecimento doméstico. Tabela 1.2 apresenta a classificação das águas doces segundo seus principais usos no Brasil. 6 Prof. tais como natação. Irrigação de hortaliças. Padrões de Qualidade da Água Antes de estabelecer parâmetros para o lançamento de poluentes na água deve-se estabelecer os padrões de qualidade destas águas. após tratamento convencional Preservação das comunidades aquáticas Recreação de contato primário. Os teores máximos de impurezas permitidos na água são estabelecidos em função dos seus usos. com os quais o público possa a vir a ter contato direto Aqüicultura e atividade de pesca Abastecimento e consumo humano. Percebe-se também que todas as águas. águas salobras têm salinidade maior que 0. tais como natação. desde um grau de pureza elevado até águas para usos pouco nobres. cerealíferas e forrageiras Pesca amadora Recreação e contato secundário Dessedentação de animais Navegação Harmonia paisagística Classe 1 Classe 2 Classe 4 Percebe-se que a classificação das águas doces considera a existência de mananciais de qualidade variável. esqui aquático e mergulho. após tratamento simplificado Preservação das comunidades aquáticas Recreação de contato primário.2: Classificação das águas segundo seus usos principais. A Tabela 1.5 e menor que 30% e águas salgadas tem salinidade maior que 30%. Química e Eng. jardins e campos de esporte e lazer. os mananciais são classificados pela sua pureza e destino e também em função da salinidade da água. A Tabela 1. de 17/03/2005 do CONAMA. esqui aquático e mergulho. Sendo assim.

0 ≤10.5 .. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Cloro residual livre: concentração mínima de 0.3 são indicativos da qualidade dos mananciais não sendo os parâmetros de lançamento das águas residuárias. .0 6. Irrid. ..0 10.. DBO (mg/l) * ≤ 3. em conjunto com as águas que são alimentadas no mesmo não devem ultrapassar estes valores. Materiais flutuantes * ...0 1... Odor ou sabor * . não devem ser suficientes para mudar a sua classificação. .0 Turbidez (UNT) * 40 100 100 PH * 6..3: Alguns parâmetros para as classes de água doces de acordo com a Resolução no 357.0 6..0 Nitrito (mg/l) * 1...0 ≥ 5. Sólidos dissolvidos totais * 500 500 500 (mg/L) Cor (mg Pt/L) * 75 75 OBS: * devem ser mantidas as características originais da água na origem.. .. . CLASSE PARÂMETROS (LIMITES) ESPEC 1 2 3 4 Coliforme Termotolerante * 200(1) 1000 2500(2) (3) (ou E..0 OD (mg/l) * ≥ 6... .. . Além destes.0 1. toleram-se iridescências (1) para demais usos que não seja de recreação (esta definida pela Resolução do CONAMA no 274de 2000) (2) recreação (3) dessedentação (4) demais usos O CONAMA também define os principais padrões de para balneabilidade e padrões para uso de águas para irrigação... .. corantes * .... os padrões definidos pelo CONAMA são as concentrações mínimas que devem ser atingidas. virtualmente ausente.0 ≥ 2.pH entre 6.0 ≥ 4.4. Irid..Coliformes fecais: ausência em 100 ml de amostra . que não são abordados neste livro.. coli) (NMP/100 ml) 1000 4000(4) Óleos e Graxas (mg/l) * .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 7 Tabela 1. Porém... redefinindo os seus padrões em função das necessidades específicas de cada região..0 residuos sólidos * . .0 6. PADRÕES DE POTABILIDADE Os padrões de potabilidade são definidos pela Portaria no 30/90 do Ministério da Saúde e os seus valores estão apresentados na Tabela 1..... . .0 10.0 a 9. Observa-se que os valores apresentados na Tabela 1. implicando em que qualquer parâmetro redefinido por um órgão local deve atingir concentrações iguais ou inferiores às da legislação federal.0 a 9. Estes padrões de qualidade das águas são utilizados pelos órgãos de poluição locais.0 a 9. além dos seguintes parâmetros: .não existe padrão.. Estes valores significam que a soma dos lançamentos em um determinado manancial. Química e Eng.. o CONAMA também define padrões de potabilidade da água. .0 Nitrato (mg/l) * 10.0 ≤ 5. . e os padrões de lançamento de águas residuárias. de Alimentos . .5 e 8. ou seja.0 a 9. de 17/03/2005do CONAMA.2 mg/l em qualquer ponto da rede distribuidora 7 Prof...

3 10 10 (7) 5 (3) ñ obje.Físicas e Organolépticas Cor aparente Odor Sabor Turbidez II.2 (8) 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.001 10 0.2 µg/l Endrin (1) uH é a unidade de escala de Hazen (de platina . (5) Os valores recomendados para a concentração do íon fluoreto em função da média das temperaturas máximas diárias do ar deverão atender à legislação em vigor. IIb. Componentes 0. (7) Concentração limiar de odor de 0.2 Dicloroetano 2.6 Triclorofenol UNI D µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l µg/l VMP 0.0 uT é permitido em pontos da rede de distribuição se for demonstrado que a desinfecção não é comprometida pelo uso desse valor menos exigente.3 µg/l isômeros) 1 µg/l DDT 0.1 Diclororeteno 1.01 µg/l Benzeno-a-pireno Clordano (total de 0.1 ug/L (8) Sujeito à revisão em função de estudos toxicológicos em andamento.05 1. O VMP de 15 (quinze) uH é permitido em pontos da rede de distribuição. (6) Sujeito à revisão em função dos estudos toxicológicos em andamento.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 8 Tabela 1.05 0.2 250 1. 1 (4) mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l 0.0 500 0. (4) Para a turbidez o VMP é 10 uT para a água entrando no sistema de distribuição. CARACTERÍSTICAS I. Componentes que afetam a qualidade organoléptica Alumínio mg/l Agentes tensoativos mg/l Cloretos (Cl) mg/l Cobre mg/l Dureza total (CaCO3) mg /l Ferro total mg/l Manganês mg/l Sólidos totais dissolvidos mg/l Sulfatos (SO4) mg/l Zinco mg/l 0. (2) uT é a unidade de turbidez.03 Orgânicos µg/l Aldrin e Dieldrin 10 µg/l Benzeno 0.001 3 30 10 3 10 5.005 0. Química e Eng. Químicas IIa.4: Valores máximos permissíveis (VMP) para as características da água potável (Portaria no 36 de 19/01/90 do Ministério da Saúde).0 30 100 (6) 0.05 0.4. A remoção ou prevenção de trihalometanos não deverá prejudicar à eficiência da desinfecção.05 (5) 0.01 IIb.1 0. ñ obje. O VMP de 5.1 1000 400 5 8 Prof.cobalto).0 0.3 0. de Alimentos .1 0. seja unidade de Jackson ou nefelométrica (3) Para a cor aparente o VMP é 5 (cinco) uH para água entrando no sistema de distribuição. Componentes Inorgânicos Arcênio Bário Cádmio Chumbo Cianetos Cromo total Fluoretos Mercúrio Nitratos (N) Prata Selênio UNI D uH (1) uT (2) VMP CARACTERÍSTICAS Heptacloro Hexaclorobenzeno Lindano Metoxicloro Pentaclorofenol Tetracloreto de carbono Tetracloroeteno Toxafeno Tricloroeteno Trihalometanos 1.

0 IIb. As outras determinações são realizadas em casos especiais quando há risco de contaminação por algum destes componentes específicos devido às atividades agrícolas e industrias da região. a DBO é um parâmetro que requer algum cuidado no uso de seus resultados.Físico-Químicas 5 a 9 Nitrogênio amoniacal mg/l 20. VMP CARACTERÍSTICAS UNID.3 II.0 mg/l 0. o pH. Tabela 1. 9 Prof. referem-se às características organolépticas. Componentes Bário mg/l 5. algumas análises do grupo IIb da Tabela 1.01 I. Química e Eng. em conjunto com a DBO. VMP Mercúrio total mg/l 0. O CONAMA deixa livre para os órgãos estaduais definirem a concentração que deve ser exigida no lançamento dos efluentes. quando se realizam análises de potabilidade da água.5 apresenta estes padrões definidos pelo CONAMA. alguns estados estão lançando mão do uso da determinação da Demanda Química de Oxigênio (DQO). dependendo do caso.0 Tetracloreto de carbono mg/l 1.0 Orgânicos Boro total Cádmio total mg/l 0.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 9 Normalmente.0 Ferro total mg/l 15.0 Prata total mg/l 0.0 animais mg/L 20 Fluoretos Manganês (+2) solúvel mg/l 1. para avaliar o grau de impacto do lançamento de efluentes em cursos d’água. ou reduzir pelo menos 80% da concentração inicial de matéria orgânica.5: Padrões de qualidade do efluente industrial segundo a Resolução no 357.0 Chumbo Cianetos mg/l 0.1 Selênio mg/l 0. Como será visto no Capítulo 3.0 Inorgânicos mg/l 0. Componentes Zinco total mg/l 5.4.0 PH Faixa o C 40 Níquel total mg/l 2.5 Fenóis mg/l 0. é delegado aos órgãos estaduais de controle da poluição o estabelecimento de parâmetros que julgue serem mais adequados aos casos específicos de suas regiões.0 mg/l 1. A legislação local deve ser minimamente aquelas sugeridas pelo CONAMA podendo estes órgãos ter padrões mais exigentes.0 Um parâmetro de especial atenção é a concentração de matéria orgânica.0 Óleos vegetais e gorduras mg/l 10. CARACTERÍSTICAS UNID. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. os coliformes totais e fecais. Químicas Sulfêtos mg/l 1. PADRÕES DE LANÇAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS O CONAMA também dá diretrizes básicas para o estabelecimento de padrões de qualidade para o lançamento de águas residuárias em corpos d’água. A Tabela 1. porém nunca menos exigentes.0 Óleos minerais mg/l 20.5 Estanho mg/l 4. no entanto.0 Temperatura Sólidos sedimentáveis ml/l 1.2 Tricloroeteno mg/l 1. de 17/03/2005 do CONAMA.0 Cobre Cromo total mg/l 0.0 IIa. ficando a critério do órgão controlador a decisão de permitir o lançamento do efluente em função do manancial. por isso.5 Dicloroeteno mg/L 1. de Alimentos .5 Arcênio total mg/l 5. o cloro residual e. A redução de 80% para alguns efluentes industriais pode ainda significar concentrações elevadíssimas. Geralmente neste quesito os órgãos estaduais exigem uma concentração de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5) de 60 mg de O2/L.2 Clorofórmio mg/l 1.

. degradação da paisagem. . .Precipitação de poluentes atmosféricos: Poluentes atmosféricos podem ser carreados pelas chuvas aos mananciais hídricos. como pesticidas e fertilizantes de forma dispersa.Águas pluviais: Estas águas podem carregar impurezas da superfície do solo ou contendo esgotos lançados nas galerias. provocando a remoção de solo e conseqüente assoreamento dos mananciais. como o desmatamento. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. refletindo-se no preço a ser pago pela população. proliferação excessiva de algas e de vegetação aquática. Alguns possuem alta concentração de matéria orgânica e outros compostos tóxicos e recalcitrantes.Resíduos sólidos (lixo): O lixo urbano acondicionado de forma inadequada libera um líquido percolado chamado de chorume que contém altas concentrações de matéria orgânica e de metais pesados.6. a sua origem e suas conseqüências: POLUIÇÃO DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS .Erosão: Alterações nas margens dos mananciais. como a drenagem pluvial de defensivos agrícolas. irrigação. Possuem matéria orgânica em concentrações relativamente baixas quando comparadas com efluentes industrias. assoreamento dos mananciais. Outra preocupação da contaminação com esgotos domésticos é a presença de coliformes fecais indicando a potencialidade de conter microrganismos que transmitem doenças. Grandes desafios são enfrentados para o desenvolvimento de tecnologias adequadas ao tratamento destas águas. recreação. Fontes de poluição e seus efeitos Várias são as fontes de poluição das águas e seus efeitos nocivos ao homem. Normalmente carregam consigo resíduos de origem urbana e são lançados na natureza de forma pontual. turbidez e uma série de outros compostos orgânicos e inorgânicos ainda não controlados pelo CONAMA. porém ainda suficiente para desenvolver microrganismos heterotróficos aeróbios que irão consumir o oxigênio da água. . Química e Eng.Esgotos domésticos: Provenientes da atividade humana.. à descentralização de sua geração e a precários sistemas de tratamento implantados. impactos sobre a qualidade de vida da população A seguir são apresentadas algumas das principais fontes de poluição das águas. As fontes pontuais geralmente possuem elevadas concentrações de poluentes descarregadas em um único ponto. Os esgotos domésticos são os maiores responsáveis pela poluição hídrica devido aos grandes volumes envolvidos. 10 Prof. etc. . pesca. geralmente são diluídas e distribuídas em vários pontos do manancial. odor. Estas fontes podem ser pontuais ou difusas. elevação do custo do tratamento da água. com suas conseqüências negativas. resultando em problemas de diminuição da oferta de água e de inundações. ou resíduos de origem rural. de Alimentos . prejuízos aos peixes e a outros organismos aquáticos. outros problemas associados ao esgoto sanitário estão a cor.Esgotos industriais: Provenientes da atividade industrial podendo ter uma composição diversa dependendo do seu ramo. como a descarga de uma água residuária industrial em um rio local. tornando-se veículo de transmissão de doenças. além de uma infinidade de compostos orgânicos. sabor. Já as fontes difusas. A precipitação das chuvas auxilia na lixiviação destes compostos aumentando os riscos de contaminação. desequilíbrios ecológicos. Além destes. tais como industrial. agravamento dos problemas de escassez de água de boa qualidade. Dentre os poluentes mais comuns encontram-se os ácidos sulfúrico e nítrico pela conversão de gases contendo SOx e NOx na atmosfera.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 10 1. desvalorização das propriedades marginais. As conseqüências da poluição hídrica envolvem: prejuízos ao abastecimento humano. prejuízos a outros usos da água.

Outra forma muito comum é o uso de sistemas de tratamento usando lagoas de estabilização ou em outro sistema usando deposição no solo. de Alimentos - . a princípio. Este conhecimento é de grande valia. POLUIÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS . .Infiltração do chorume: Resultante de depósitos de lixo no solo sem prévia impermeabilização e acondicionamento. um exemplo da capacidade de autodepuração de um rio quando lançado uma corrente de esgoto sanitário é apresentado a seguir na Figura 1.Resíduos de outras fontes: percolados de cemitérios. Como alternativa de tratamento. como o esgoto sanitário. Este conceito se aplica. Portanto. auxiliando na definição da utilização da capacidade do manancial em funcionar como um sistema de tratamento do resíduo e impedir que sejam lançados resíduos em quantidades acima desta capacidade. e uma série de outras atividades. o que seria indesejável. as residências possuem sistema de fossa séptica e dispersão no solo (sumidouros ou valas de infiltração). deve-se conhecer com a maior precisão possível a capacidade de autodepuração do manancial em questão. para ilustrar este conceito. minas. Dependendo da magnitude desta perturbação o ecossistema poderá atingir outro estado de equilíbrio diferente do original. detergentes e poluentes atmosféricos depositados no solo. A partir deste momento. fertilizantes. contendo principalmente matéria orgânica como poluente primário. porém.Infiltração de águas pluviais: Estas águas carreiam pesticidas. . como o sistema de fertirrigação. Um ecossistema antes de sofrer o lançamento de poluentes encontra-se num estado de equilíbrio físico.Injeção de águas no subsolo: a injeção de águas no subsolo pode ser praticada para o tratamento destas águas. A esta capacidade de recuperação do ambiente natural por recursos próprios dá-se o nome de efeito de autodepuração. . Logo após. como a injeção de água salgada na extração do petróleo. usado de forma não controlada. a qualquer composto poluente e a qualquer ambiente natural. a concentração dos microrganismos cresce até que a concentração de substrato (matéria orgânica) já não seja suficiente para sustentar o crescimento dos microrganismos. de tal forma que as reações interativas entre seus meios permaneça de forma global constantes.Infiltração de esgotos domésticos: Muitos municípios não possuem sistema de coleta e tratamento dos esgotos domésticos. depósito de material radioativo. Química e Eng. frente ao poluente que está sendo introduzido no mesmo. da quantidade e da velocidade com que estes são lançados ao meio ambiente e da capacidade daquele ambiente natural em neutralizar os efeitos adversos causados pelos poluentes através das próprias características ambiente específico.Vazamentos de tubulações ou depósitos subterrâneos: Acidentes provocados pelo manuseio e transporte de compostos químicos em mananciais ou em regiões próximas . essa concentração começa a cair mais devido a atividade dos microrganismos heteretróficos aeróbios que consomem também a matéria orgânica (DBO) lançada no meio. AUTODEPURAÇÃO DOS CORPOS D’ÁGUA O impacto que as águas residuárias causam ao meio ambiente depende muito da sua composição química. . a princípio a concentração de oxigênio dissolvido (OD) na água cai pela dissolução dos compostos químicos no meio. o rio com o seu contato com a atmosfera e com a sua agitação natural reaera o sistema voltando a crescer a sua concentração 11 Prof. ou para extrair compostos de interesse comercial.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 11 Acidentes industriais: Acidentes provocados pelo manuseio e transporte de compostos químicos em mananciais ou em regiões próximas. Com este metabolismo. Quando introduzimos um composto estranho ao ambiente este irá reagir à perturbação tendendo a voltar ao equilíbrio anterior. químico e biológico.3. A figura mostra que ao ser lançado um esgoto sanitário em um ponto específico de um rio. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. não exatamente às características iniciais. porém. DBO continua decrescendo com a atividade de microrganismos aeróbios e anaeróbios. No final do processo. de Alimentos .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 12 dissolvida no meio. proliferação de algas. Zona de águas limpas: retorno às condições de origem. Figura 1. oxigênio é re-introduzido no sistema pela aeração e pela diminuição da atividade dos microrganismos. Zona de decomposição ativa: o teor de oxigênio atinge o mínimo podendo atingir condições anaeróbias. DBO atinge o valor máximo no ponto de lançamento. porém começa a cair com a atividade dos microrganismos heterotróficos aeróbios. amônia é produzida.3: Lançamento de esgotos nos corpos d’água e o efeito de autodepuração. Zona de recuperação: a atividade microbiana é muito baixa devido a grande parte da matéria orgânica ter sido degradada. devido à morte dos mesmos pela falta de substrato e o oxigênio dissolvido também assume valores próximos aos originais. peixes e outros organismos retornam ao sistema. Celular (bactérias aeróbias heterotróficas) Comprimento do rio Zona de degradação Zona de decomposição Zona de recuperação Zona de águas limpas • • • • Zona de degradação: água com aspecto escuro e sujo. Química e Eng. a re-aeração excede a desoxigenação. FONTE: Mota (1997) 12 Prof. sólidos sedimentam. verificadas pela presença de nitratos. sais dissolvidos que antes não haviam. Esgoto (matéria orgânica) fluxo do rio Oxigênio Dissolvido (OD) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) Conc. nitrogênio predomina na forma de nitritos e nitratos. os microrganismos voltam a concentrações próximas às anteriores. fosfatos.

A partir de então. Cumprir as determinações das leis é preciso. porém. Altera o equilíbrio das reações. Este é um dos parâmetros que se pode facilmente medir e controlar on-line em plantas de tratamento mais sofisticadas. os países desenvolvidos vêm centrando esforços para reverter a situação remediando os ambientes contaminados e tratando suas águas residuárias em níveis de purificação cada vez mais exigentes. Química e Eng. Este desenvolvimento se deu sem uma maior preocupação com as conseqüências ao meio ambiente. havendo necessidade de um monitoramento e correção contínuos. associado às necessidades básicas de sobrevivência do ser humano. No entanto. continuam a ser grandes desafios. Dentre as principais características das águas residuárias deve-se estar atento para aquelas que definem a necessidade de uma ou mais etapas de processo. Já as águas residuárias industriais. efluentes de processos de fabricação específicos. Muitos processos podem ter necessidade de correção do pH antes de sua introdução no tanque de reação e outros serão modificados à medida que as reações ocorrem. após um tanque de equalização. a geração de bens de consumo para suportar o crescimento econômico. principalmente para países em desenvolvimento. passaram a receber especial atenção com relação ao seu destino final. ser utilizada a vazão média para os cálculos. Deve-se verificar a sua variação ao longo de um período de trabalho para que se possa definir a necessidade de promover sua equalização. como visto anteriormente. de Alimentos . 13 Prof. ou esgotos sanitários. quando estes passaram a ser produzidos em grande escala. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. conforme a realidade do local de suas instalações.7 Águas residuárias e seus tratamentos A associação da transmissão de doenças via hídrica com os resíduos lançados em mananciais datam de pouco mais de 100 anos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 13 1. de forma sustentável. Atualmente. interfere no transporte de íons para dentro de células vivas. pois a economia mundial está cada vez mais associada aos investimentos nas questões ambientais o que poderá abrir um grande abismo entre estas nações. as quais serão descritas a seguir: Vazão A vazão é um dos principais parâmetros que irá definir o tamanho dos tanques que irão compor a planta de tratamento. altera o estado de oxidação de compostos químicos dissolvidos. Na definição de um processo de tratamento de resíduos será selecionada a tecnologia que melhor se adequa àquela situação. ou seja. Esta consciência das diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento é fundamental. O projeto de uma planta de tratamento poderá considerar a vazão de pico ou poderá. modifica a conformação de enzimas. gerando um passivo ambiental considerável. minimizando os impactos ambientais causados pela atividade do homem. influencia as interações físicoquímicas de adsorção. as águas residuárias domésticas. além de ser muito importante na seleção de materiais de construção de tanques com relação aos seus efeitos corrosivos. pH O pH. somente vieram a ser de importância após a revolução industrial. o que vem mudando um pouco esta perspectiva no século XXI. Para a tomada de decisão deve-se primeiro analisar as características da água residuária para então verificar qual é o nível de tratamento que deve ser aplicado para chegar aos parâmetros exigidos pela legislação. sendo a decisão tomada em relação ao nível de desenvolvimento da tecnologia e dos custos envolvidos. é essencial tanto para regular as reações químicas como as reações bioquímicas. Durante o século XX o desenvolvimento econômico de um país foi diretamente relacionado com o desenvolvimento agrícola e industrial e através da exploração de seus recursos naturais.

A temperatura também pode ser medida e monitorada facilmente em plantas de tratamento de efluentes. um seguido do outro. a temperatura influi na velocidade das reações químicas e bioquímicas. devido às características de aderência às superfícies que possui este material. como o nitrogênio. seja processos aeróbios ou anaeróbios. como na fabricação de sabão e na indústria de cosméticos. Normalmente estes são separados em sedimentadores e tratados de forma independente da matéria orgânica dissolvida. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. o fósforo e o enxofre. pois existem tecnologias mais adequadas para cada tipo de resíduo. se estes compostos estiverem presentes em quantidades insuficientes para sustentar o crescimento dos microrganismos desejáveis ao processo de degradação. A tendência atual é a aplicação dos dois processos. de Alimentos . Se os sólidos forem majoritariamente inorgânicos estes devem ser removidos antes de serem alimentados para o sistema de tratamento propriamente dito.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 14 Temperatura A temperatura é um parâmetro muito importante. aumentando a manutenção dos equipamentos e diminuindo a eficiência da degradação dos compostos solúveis em água. sendo a flotação a alternativa comumente usada. Como estes já se encontram num estado da matéria de fácil separação. o uso da força da gravidade através uma câmara de sedimentação é uma opção adequada para sua remoção. influi na estabilidade das enzimas e modifica as propriedades do meio. Como será visto nos capítulos subseqüentes. para aproveitar as vantagens de ambos. Primeiramente. ou vice-versa. sendo o primeiro considerado o tratamento principal e o segundo como polimento. dependendo de sua natureza. Matéria orgânica: O tipo de matéria orgânica e sua concentração devem ser analisados para auxiliar na escolha do sistema a ser utilizado. uma série de fatores irão influenciar na decisão de que tipo de processo deva ser melhor aplicado em cada caso. Nutrientes: Os nutrientes de importância são aqueles necessários em grandes quantidades para o crescimento dos microrganismos (macronutrientes). A sua presença nos processos subseqüentes trás uma série de problemas operacionais. deve-se avaliar a potencialidade de seu reuso como matéria prima de uma série de produtos. estes devem ser adicionados em quantidades suficientes para este fim. principalmente aqueles originados na indústria de alimentos. De forma equivalente ao pH. como a precipitação e a volatilização (striping). Sólidos em suspensão: A presença de sólidos em suspensão na água residuária deve ser analisada com cuidado. A sua remoção é também facilitada pela diferença de densidade entre estes e a água. 14 Prof. no entanto. pois poderão provocar o assoreamento e abrasão dos equipamentos subseqüentes. que também são combinações de processos aeróbios seguidos de anaeróbios. a necessidade de separá-los dependerá de sua concentração e do processo de tratamento que será utilizado. Óleos e graxas: As gorduras (óleos e graxas) são contaminantes presentes em vários efluentes. como viscosidade e densidade. Caso os sólidos sejam de origem orgânica. recentemente estão sendo desenvolvidos processos biológicos de remoção destes compostos. Por outro lado. Química e Eng. Existem métodos físico-químicos para a remoção destes compostos.

que devem ser removidos ao final do processo. Após todo o processamento das águas residuárias um elevado grau de inativação destes microrganismos foi realizado. indicando haver necessidade de uma separação prévia destes sólidos antes de prosseguir com o tratamento biológico. comparada com as características da maioria dos efluentes industriais. por sua origem. Uma boa parte destes sólidos em suspensão são materiais orgânicos (~80%). 15 Prof. Observase nesta tabela que os esgotos sanitários possuem uma concentração de matéria orgânica pouco concentrada. indicados pelos coliformes fecais. podendo ser utilizado um processo biológico para tal. apresenta um fluxograma genérico de uma planta de tratamento de esgotos domésticos com seus principais elementos. para fins de atendimento aos parâmetros definidos pela legislação. Nota-se também que estes possuem uma concentração de sólidos em suspensão elevada em relação aos sólidos totais. a Tabela 1.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 15 Compostos tóxicos e recalcitrantes: A presença de compostos tóxicos aos microrganismos e de compostos de difícil degradação deve ser analisada com cautela. Química e Eng. Dependendo da natureza do composto tóxico e de sua concentração seu efeito deve ser neutralizado antes de entrar no reator biológico. Como complementação. Como exemplo. troca iônica. verifica-se que há excesso de nitrogênio e fósforo nestes efluentes. oxidação fotocatalítica ou química. indicando haver necessidade de tratamento dos resíduos sólidos separadamente.4. podendo envolver adsorção. Um tratamento por oxidação química normalmente é empregado para atingir os níveis exigidos. indicando a viabilidade do uso de processos biológicos para remoção da matéria orgânica. possuem microrganismos patogênicos. e uma série de outros processos. Na maioria dos casos contorna-se a situação diluindo-se a água residuária com o próprio efluente tratado antes de ser alimentado no reator biológico. a Figura 1. Nos sólidos dissolvidos também há uma grande quantidade de matéria orgânica. o que implica em trabalhar com grandes volumes de líquido em reatores operados a baixos tempos de residência. Baseado nestas premissas. normalmente não é suficiente para removê-los aos níveis exigidos pela legislação. Microrganismos patogênicos: Os esgotos domésticos. de Alimentos . Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. estes compostos devem ser removidos por processos físico-químicos específicos. Após o tratamento biológico.6 apresenta as características do esgoto sanitário. no entanto.

5 Fósforo (P) 0.0-4.5 ~0 ~0 2.Fixos .5 0.5-7.8 1.7-3.50 140 35 110 Esgoto Caixa de areia Gradeamento Reciclo de lodo Leito de secagem Biodigestor Pós-Tratamento (remoção de nitrogênio e fósforo e/ou desinfecção) Figura 1.0 3.Voláteis • Sedimentáveis Matéria orgânica • Determinação indireta 40-60 .2 5-25 2-8 4-17 110-170 20-50 55-170 350 700 500 250 50 20 30 ~0 ~0 14 4 10 7.6.DQO 60-90 -DBOúltima • Determinação direta 30-60 .0 Nitrogênio total (N) 2.7-7.0-0.0-112. Química e Eng.5 • Fósforo orgânico (P) 0.0 • Amônia (N-NH4+) ~0 • Nitrito (N-NO2 ) 0.COT 6.Voláteis • Dissolvidos .5 • Nitrato (N-NO3 ) 1.5-5. de Alimentos . Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Fixos .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 16 Tabela 1.DBO5 80-130 .3-1.0 • Nitrogênio orgânico (N) 3.0 • Fósforo inorgânico (P) pH Alcalinidade (CaCO3) 20-30 Cloretos 4-8 Óleos e graxas 10-30 Fonte: adaptado de von Sperling (1996) Contribuição per capita (g/hab dia) Faixa Típico 180 120-220 60 35-70 10 7-14 50 25-60 120 85-150 70 50-90 50 35-60 Concentração (mg/L) Faixa Típico 1100 700-1350 400 200-450 80 40-100 320 165-350 700 500-900 400 300-550 300 200-350 15 10-20 50 100 75 45 8.6: Características típicas de esgotos sanitários Parâmetro Sólidos Totais • Em suspensão .7 25 6 20 200-500 400-800 350-600 170-350 35-70 15-30 20-40 ~0 0.4: Fluxograma do Tratamento Convencional de Esgotos Domésticos 16 Prof.5 4.

000-4.4 12.6-1.500 15.500-3.500 500-4.100 220 8-20 3-6 0.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 17 Da mesma forma que para o esgoto sanitário.000 1.25 150 300 30 45 185 100-250 100-200 16 20-150 15 30 10 60-500 1 50 0.5 50 5 3-8 8-50 Carga esp. mas das práticas cotidianas da fábrica.000 200-1.00020.7 apresenta as principais características de alguns efluentes industrias.000-5.Matadouros -Produção de levedura .Fundição .Doces . de Alimentos .2-0.000 250-300 1.500 500-4.Lavanderia de lã .0 1-10 2-10 20 0.Tinta . A composição de uma planta de tratamento de águas residuárias é 17 Prof.Sapatos .Rayon .Curtumes .000 300-2.000 250-5.Polpa sulfatada .Refinaria de Petróleo . Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Alvejamento de tecidos . de DBO (mg/L) 600-7.Laticínio com queijaria .Naylon . a Tabela 1.Laticínio sem queijaria . de água (m3/unid) 4-50 5-25 0.Tinturaria .110 25-200 0.7 Conc.05 10 0.5-10. As possibilidades de processos para o tratamento destes efluentes são várias e dependerá muito da experiência prévia com a água residuária em questão. de produção 1 ton 1 ton 1 ton açucar 1000 L de leite 1000 L de leite 1 ton 1boi/2.7: Características típicas de alguns efluentes industriais Gênero Tipo Unid.Papel .Vidro e subprodutos .Vinho .Conservas .5 porcos 1 ton 1 ton 1 m3 1 m3 1 m3 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton de pele 1000 pares 1 ton 1 ton 1 ton 1 empregado 1 ton 1 barril (117L) 1 ton 1 ton 1 ton 1 ton gusa 1 ton Cons.Açúcar de cana .Margarina .Destilação de álcool -Cervejaria .Polpa e Papel integrados .4 150 60 5-20 2-5 5 120-750 500-600 25-60 100-150 60-130 20-70 20-60 20-40 5 15-200 30-270 200-250 0.000 120-250 800 100-300 30-200 Alimentícia Bebidas Têxtil Couros e Curtumes Polpa e Papel Indústria Química Indústria Nãometálica Siderúrgica .500 200-1.000 600-2. esp.000-5.000 2.Laminação Fonte: adaptado de von Sperling (1996) .Cimento Como pode ser observada na tabela acima a composição de uma água residuária industrial depende em muito do tipo de produção na indústria e é muito diferente das características encontradas nos esgotos domésticos.500 3. de DBO (kg/unid) 30 2-8 2-5 1-4 5-40 30 4-10 1.6 0.Polyester .000 7.200 350 1.Refrigerantes .PVC .000 10 250-2.3-0.Sabão .000 2.000 3.500 500-600 500-1.Lã .4-2. devido às particularidades não só da produção. Química e Eng. Tabela 1.Algodão .000 300 300-10.

7 está em constante modificação. como diluição dos compostos tóxicos dificultando o seu tratamento. promovendo os programas de reuso e de reciclo de águas e de recuperação de insumos e produtos. Como exemplo. Uma prática comum realizada no passado e que hoje é evitada. podendo variar muito de um projetista para outro. na fabricação de cervejas era comum utilizar 10 a 15 litros de água para produzir 1 litro de cerveja. é a mistura dos efluentes industriais com os esgotos sanitários.5 apresenta um fluxograma genérico para o tratamento de efluentes industriais. considerada como faixa mínima há alguns anos atrás. Com a minimização do descarte de água no processo a tendência é de aumentar as concentrações de matéria orgânica e dos poluentes encontrados nos efluentes industriais. mas por outro trás desafios ainda não mensurados para tratar estas águas altamente concentradas em resíduos tóxicos e recalcitrantes. No entanto. esta média já ultrapassou a barreira dos 5 litros de água por litro de cerveja produzida. Atualmente. não é incomum tratar o efluente industrial e depois lançá-lo na rede de esgotos municipal para sofrer um polimento final. o que por um lado é interessante do ponto de vista do tratamento dos resíduos orgânicos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 18 complexa e depende de uma série de decisões. ou não recomendada. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A título de ilustração. 18 Prof. de Alimentos . a Figura 1.1.5: Fluxograma do Tratamento de Efluentes Industriais É importante ressaltar que as características dos efluentes industriais apresentadas na Tabela I. Tanque de Equalização Efluente Industrial Pré-Tratamento Físico-Químico Tratamento Biológico Decantador Peneira Leito de Secagem Pós-Tratamento Biológico ou Físico-Químico Figura 1. Química e Eng. pois há um movimento no sentido de minimizar a geração de resíduos e economizar insumos. devido a uma série de problemas associados.

fator que se torna mais crítico em baixos teores. Parâmetros físico-químicos de interesse Para cada parâmetro existe uma forma adequada de coleta e preservação de amostras. adição de produtos químicos e outras. temperatura. Introdução A coleta e preservação de amostras de efluentes são etapas que precedem a análise fisico-química que. Por exemplo.1. 2. Sendo uma atividade que deverá fornecer informações básicas. manuseio e transporte das amostras.1. 2. Esta fase deve definir em detalhes o programa de coleta de amostras. COLETA E PRESERVAÇÃO DE AMOSTRAS 2. assim como prever os recursos humanos. as quais irão influir decisivamente no desempenho do processo de tratamento. semana. com o menor custo possível. Um bom planejamento deverá ser embasado em informações preliminares como: 2. 2.3. É necessário também levantar a existência ou a possibilidade de implantar uma separação das correntes provenientes de diferentes operações. junto com outras informações tais como vazão de produção em função do tempo. os insumos empregados. sua freqüência e produtos utilizados para esse fim. Além disso.2. materiais e financeiros necessários. Química e Eng. o procedimento para a limpeza das instalações. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.2. a coleta de amostras deve ser precedida por um planejamento cuidadoso e deve ser realizada de modo a fornecer informações que retratem a realidade da forma mais fiel e acurada possível. e outros detalhes operacionais que influem na qualidade dos efluentes. que por sua vez poderão influir no planejamento da coleta e tratamento das amostras. etc. a amostragem para a caracterização da DBO (demanda bioquímica de oxigênio) de um efluente deve levar em conta que a amostra perde a validade em 24 horas. de Alimentos . de modo a minimizar erros resultantes da adsorção da espécie química de interesse na parede do recipiente. Presença de substâncias químicas potencialmente tóxicas A toxicidade das substâncias presentes deve ser considerada na definição dos métodos analíticos que serão usados. é preciso prever o tipo de frasco (se de plástico ou de vidro) a ser utilizado para cada parâmetro. irão subsidiar o projeto do sistema de tratamento.2. levando em consideração os métodos analíticos que serão aplicados. 19 Prof. preservação.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 19 2. de modo a assegurar a obtenção de todas as informações necessárias da forma mais precisa. A geração dos efluentes É necessário conhecer em detalhes os processos industriais responsáveis pela produção dos efluentes: suas variações ao longo do dia. o regime de descarga dos efluentes. Planejamento O planejamento tem por objetivo definir as atividades de coleta.2.2.

como no caso de análises microbiológicas e algumas determinações químicas e biológicas. forma de preservação e o prazo entre a coleta e o início de análise. para a maior parte dos parâmetros de composição química.5. 2. A Tabela 2. Congelamento É um método de preservação que pode ser aplicado para aumentar o intervalo de tempo entre a coleta e a análise. 2. 2. Procedimento para a guarda e transporte das amostras . Por exemplo. Não pode ser usado para a determinação do teor de sólidos filtráveis e não filtráveis ou de qualquer parâmetro nessas frações. e especialmente no manuseio dos produtos químicos a serem adicionados na amostra ou na fração coletada.4. É necessário que a pessoa designada para a coleta esteja qualificada quanto a todos os procedimentos envolvidos. não é possível recorrer a adições químicas em casos de determinação de parâmetros biológicos como a DBO (demanda bioquímica de oxigênio). Procedimentos quanto ao manuseio e preservação das amostras . No entanto. Refrigeração É usada quando outras técnicas não podem ser empregadas.1.2 apresenta sugestões dos parâmetros de caracterização por tipo de atividade industrial (Vitoratto. Deve conter a definição de itens como: .4. 1987. Programa de coleta de amostras O programa detalhado de coleta de amostras é produto da etapa de planejamento. Volume da amostra ou fração . etc. e em casos de ocorrência de interferências na análise química. de Alimentos . Período de amostragem . pois os componentes dos resíduos em suspensão se alteram com o congelamento e posterior descongelamento. Responsável pela amostragem No ato da coleta das amostras é imprescindível que se leve em conta a vazão do efluente.4. Freqüência de coleta .1 apresenta as recomendações da CETESB. Recomendações para coleta e preservação de amostras A Tabela 2.2. 2. cada fração deve ser proporcional à vazão no momento da coleta.3. Química e Eng. 20 Prof. O planejamento deve ter previsto também uma infra-estrutura para a refrigeração das amostras e um procedimento para o armazenamento e/ou transporte seguro e rápido ao laboratório de análise. se for o caso de uma amostra composta. quantidade de amostra necessária. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. quanto ao tipo de frasco para coleta. Adição de agentes químicos É o método de preservação mais conveniente. quando possível. contagem de microrganismos. 1993). 2.4. para os parâmetros de maior interesse. pois oferece o maior grau de estabilização da amostra e por maior espaço de tempo.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 20 2.3. Preservação das amostras As seguintes técnicas são empregadas para a preservação das amostras. contínua ou composta de frações periódicas) . Pontos de coleta . Forma de coleta (se pontual.

V P. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.5gK2Cr2O7/L + 50mL HNO3/L HNO3 até pH<2 H2SO4 até pH<2. V = vidro neutro ou borossilicato. 1 mL acetato de zinco 2N. pH 6-9. de amostra (mL) 200 200 100 100 500 200 100 2. 1993). Cel. R HCl até pH<2.000 1.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 21 Tabela 2. V V P. R NaOH até pH>12. V P P.000 200 300 250 Preservação R R R H2SO4 até pH<2.000 1. V P. V P P.1 . V P. Cur. x x x x x x x x x x Parâmetro Óleos e graxas pH ST / SV Sólidos Sed. de Alimentos . V V.Cuidados na coleta e preservação de amostras: P = polietileno. R Medida em campo R Prazo 24 h 24 h 180 d 7d menor possível 14 d 24 h 24 h 7d menor possível 7d 24 h 10 d 180 d 24 h 24 h 24 h 4-8 h 6h 7d 24 h 7d 24 h 24 h Tabela 2. = têxtil (Vitoratto. SST/SSV Sulfeto Temperatura Al. V P.Parâmetros para caracterização de efluentes por atividade industrial: Al.000 150 300 200 1. âmbar P P. boca larga P.000 1. 1987) Parâmetro Acidez Alcalinidade Boro Carbono Orgânico Total Cianeto Cloreto Cloro residual Condutividade DBO DQO Fenóis Fluoreto Fosfato total Volume de lodo Mercúrio Metais N amoniacal / orgânico Óleos e graxas Oxigênio consumido Oxigênio dissolvido pH ST / SV SST / SSV Sulfato Sulfeto Temperatura Tensoativos P. V Frasco P. = curtume. V P. R R Reagentes para det. x x x x x x x Beb Cel x x x x x x x x x x x x Cur x x x x x x x Sid Tex. OD: 2 mL sulfato manganoso 2 mL álcali-iodeto-azida R R R Sem ar. V P.000 200 1. R = refrigeração a 4oC (CETESB. Parâmetro N-NH3 Cianeto Cloreto Cromo DBO DQO Fenóis N total N nitrato Al. Química e Eng. tampa de teflon ou vidro. = bebidas. = celulose. Tex. = siderúrgica.000 100 200 1. V P. Sid. V V. V proveta de 1000 mL P. x x x x x x x x x x x x x x 21 Prof.2 . R H2SO4 ou HCl até pH<2 ou NaOH até pH>12 R H2SO4 até pH<2. V frasco de DBO Vol. = alimentícia. V P.000 250 1. V P. R medida em campo 0. Beb. x Beb Cel x x x x x x x x x x x x x x Cur x x x x x Sid Tex. R medida em campo R R H2SO4 até pH<2.

Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 22 3.1. sendo indicada a consulta às referências apontadas. agrupou-se uma série de técnicas que estão baseadas em princípios comuns. Visto que se trata de uma etapa que vai subsidiar o projeto do sistema de tratamento. Simplicidade do método.1 a seguir um sumário da grande maioria das determinações praticadas nas suas caracterizações. de Alimentos . em função das atividades responsáveis por sua geração. Presença de compostos interferentes na metodologia. Para se ter uma dimensão da gama de análises realizadas na área de tratamento de águas naturais e residuárias. Precisão do resultado. condutividade. Economia de insumos e equipamentos. pois é difícil um único método reunir as todas as melhores condições dos quesitos acima mencionados. Métodos Analíticos para Caracterização de Águas Geralmente. nem tão pouco traz detalhes das metodologias utilizadas em cada caso. É uma etapa de trabalho que gera informações quanto à composição e vazão da água natural ou residuária. Para isto. deve ser realizada de modo a fornecer as informações da forma mais precisa possível. amônia. existe mais de 1 método analítico para determinar a concentração do composto de interesse. CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS 3. é apresentado na Tabela 3. Estabilidade do composto. Esta tabela não pretende estar completa com relação aos componentes a serem analisados e das várias técnicas alternativas que podem ser empregadas. As considerações sobre a escolha dos métodos a serem aplicados são as seguintes: • • • • • • • • Propriedades físicas. Além da coleta da amostra. químicas e físico-químicas dos componentes. etc. abordada no capítulo anterior. influindo decisivamente no seu desempenho. em consulta às referências da Laurence and Berkeley Laboratory (1986) e ao Standard Methods (1998). dividindo os componentes por classes e as técnicas de medidas de suas concentrações. pois o assunto é bastante extenso. Cada um dos métodos possíveis de serem utilizados na determinação dos compostos possui vantagens e desvantagens quando comparado com os outros.2. Na maior parte das vezes a decisão recai sobre a disponibilidade de equipamentos que possui o laboratório analítico. Faixa de concentração a ser determinada. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. 22 Prof. 3. Química e Eng. potencial redox. Introdução A caracterização das águas é uma tarefa básica para o equacionamento adequado do problema de tratamento das mesmas. outra tarefa muito importante é a escolha da metodologia apropriada para fazer a determinação dos compostos desejados. Economia de tempo de análise. as técnicas de potenciometria e eletrodos específicos envolvem a medida de pH. Por exemplo. necessitando uma avaliação mais cuidadosa em cada caso específico. levando em conta as suas variações ao longo do tempo. dando uma visão geral da utilização das mesmas.

Química e Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 23 23 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. de Alimentos .

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Observa-se que para compostos presentes em altas concentrações pode-se utilizar técnicas convencionais ou por via úmida, que são mais baratas, já compostos presentes em pequenas quantidades há necessidade de se utilizar técnicas mais avançadas como a de absorção atômica e cromatográficas. Outra observação interessante é que a maioria dos compostos pode ser analisada utilizando-se técnicas colorimétricas ou espectrofotométricas. No entanto, estas técnicas se aplicam muito bem para análises de águas puras,mas para águas residuárias há muitos problemas de interferentes nas determinações analíticas. Adaptações aos métodos e preparos de amostras devem ser verificados para aumentar a precisão dos mesmos. Além das análises realizadas constantes da Tabela 3.1, são ainda realizadas as seguintes análises para verificação da qualidade das águas e efluentes. Características Físico-Químicas • Temperatura: que utiliza sensor de temperatura • Turbidez: determinada pela refração da luz • Cor: determinada por colorimetria ou visual • Odor: determinada por sensibilidade ao olfato • Sabor: determinada por sensibilidade degustativa • Sólidos totais: determinada por gravimetria Constituintes Orgânicos (complementação da tabela) • Sólidos voláteis: determinada por gravimetria • Demanda química de oxigênio(DQO) • Demanda bioquímica de oxigênio(DBO) Organismos patogênicos • Tubos múltiplos: método estatístico, baseado na indicação da presença/ausência do microrganismo em um meio de cultura específico, utilizando a técnica de diluições em série e expressando os resultados como número mais provável (NMP) • Ovos de helmintos Os métodos microbiológicos serão vistos com maiores detalhes no Capítulo XI.2 e, devido à sua importância na caracterização das águas e efluentes, alguns métodos estão descritos e discutidos sucintamente a seguir. Os métodos indicados neste item estão de acordo com o Standard Methods (APHA, AWWA, WQF, 1998). Recomenda-se a consulta da obra original para a obtenção de maiores detalhes. 3.2.1. Sólidos A análise de sólidos é uma das mais utilizadas na caracterização de águas de abastecimento e residuárias. Diferentes determinações podem dar indicações quantitativas absolutas e relativas dos materiais componentes da água, podendo dividi-los em orgânicos e inorgânicos, solúveis e insolúveis e sedimentáveis e não sedimentáveis. A seguir são apresentadas as bases das metodologias utilizadas nestas determinações e o seu significado nas ciências do meio ambiente.

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SÓLIDOS TOTAIS Os sólidos totais (ST) expressam a quantidade total de compostos orgânicos e inorgânicos, solúveis e em suspensão contidos na amostra. A análise de sólidos totais é realizada através da pesagem da amostra em cadinho de porcelana previamente tarado e evaporação da água contida em uma estufa a 105 oC durante 2 horas. Dependendo da amostra o tempo de secagem pode ser superior,sendo recomendado se possível que a amostra fique durante a noite na estufa a esta temperatura para depois seguir com o procedimento analítico. Após a retirada da amostra da estufa,esta deve ser esfriada a temperatura ambiente antes da pesagem devendo-se promover o resfriamento em um dessecador para evitar a rehidratação da amostra. O peso do cadinho depois da secagem menos o peso inicial representa a umidade da mesma e o restante da massa os sólidos totais (ST). Os sólidos toais são expressos em [gST/L]. Nesta determinação compostos orgânicos voláteis podem ser eliminados e considerados como sendo parte da umidade. Determinação de sólidos totais pelo uso de microondas

SÓLIDOS VOLÁTEIS Dando prosseguimento à determinação de sólidos totais, procede-se a análise de sólidos voláteis (SV). A amostra depois de seca na estufa é calcinada a 550 oC durante 2 horas. Novamente, resfria-se o cadinho com a amostra calcinada em dessecador para que a mesma não se rehidrate. O peso do cadinho depois da calcinação menos o peso depois da secagem representa os sólidos voláteis (SV), ou seja a massa de matéria orgânica que foi transformada em CO2 e H2O. Outros compostos inorgânicos podem ser oxidados a compostos gasosos interferindo no resultado final da análise. Os sólidos voláteis são utilizados para medir a concentração de matéria orgânica e a relação SV/ST indica a fração de matéria orgânica contida na amostra. Normalmente estes sólidos são expressos em [%ST]. SÓLIDOS FIXOS A diferença entre os sólidos totais e os sólidos voláteis são os chamados sólidos fixos (SF) ou cinzas. Corresponde aos compostos inorgânicos contidos nas amostra. SÓLIDOS DISSOLVIDOS E SÓLIDOS EM SUSPENSÃO Este mesmo procedimento pode ser realizado no sobrenadante ou nos sólidos retidos de uma amostra filtrada. Quando utilizamos o sobrenadante, os sólidos são ditos dissolvidos (SDT e SDV) e quando realizado nos sólidos retidos são ditos em suspensão (SST e SSV). A relação SST/ST indica qual é a fração dos sólidos que se encontra em suspensão. SÓLIDOS SEDIMENTÁVEIS Uma outra informação importante relativa aos sólidos em suspensão é com relação à sua facilidade com que estes sedimentam. O teste para realizar a sedimentabilidade dos sólidos é feita em um frasco de 1 litro, que tem um formato cônico e graduado, denominado de cone de imhoff, conforme apresentado no Figura 3.1. O frasco é preenchido até a marca de 1 L e espera-se 30 minutos para sua sedimentação. Após o tempo decorrido faz-se a leitura do volume de sólidos sedimentados neste período. A unidade de medida dos sólidos sedimentáveis é expressa em [mL/L].
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8 Figura 3.1: Cone de imhoff utilizado na determinação dos sólidos em suspensão 3.2.2. Demanda Química de oxigênio(DQO) DQO é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar quimicamente toda a matéria orgânica, lavando-a a CO2 e H2O. Através da determinação da quantidade de reagentes químicos necessários para promover esta reação de oxidação podemos indiretamente determinar a quantidade de matéria orgânica em uma amostra. O método baseia-se na oxidação da matéria orgânica por dicromato de potássio em meio ácido sulfúrico, contendo sulfato de prata como catalisador, e ebulição por 2 horas. A equação 3.1 apresenta a reação química que ocorre na determinação da DQO. A amostra deve ser diluída adequadamente para que haja excesso de dicromato. A quantificação do dicromato que reagiu, que é equivalente à matéria orgânica presente no meio, pode ser feita de duas formas: a) Titulação do dicromato excedente com uma solução de sulfato ferroso amoniacal, usando ferroína como indicador do ponto final. A solução de FeII é padronizada na hora do uso. b) Determinação espectrofotométrica do Cr3+ gerado na redução do dicromato. Para isso, faz-se leitura da intensidade da cor a 600 nm e calcula-se a concentração de Cr3+ através de uma curva de calibração obtida aplicando-se esse procedimento a soluções padrão de biftalato de potássio. (CaHbOc) + Cr2O72- + H+ amarelo ∆ Cr3+ + CO2 + H2O verde (equação 3.1)

Em ambos os casos, o resultado é expresso em termos de massa de oxigênio consumido por volume de amostra [mg O2/L]. O método espectrofotométrico tem a vantagem de ser mais econômico, tanto em reagentes como em tempo de analista, porém tem variabilidade maior que o de titulação. Os métodos de determinação da DQO são métodos fáceis de serem realizados e rápidos, quando comparado com a demanda bioquímica de oxigênio, que será vista a seguir. Uma das limitações do método é a oxidação de compostos inorgânicos que podem interferir no resultado final. Pode-se calcular facilmente a DQO teórica de um composto orgânico fazendo-se a reação de oxidação, como no exemplo na oxidação do ácido acético apresentada na equação 3.2 abaixo:
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Química e Eng.07 g O2 60 Outro cálculo freqüentemente utilizado é a conversão da DQO em Carbono Orgânico Total (COT). AWWA.2. quando se tem um efluente que contenha compostos que podem promover toxicidade aos microrganismos deve-se utilizar um inoculo de uma fonte de microrganismos que esteja adaptada ao efluente específico. deve-se diluir a amostrar minimamente 40 vezes para que haja suficiente oxigênio para oxidar toda a matéria orgânica. degradada em 5 dias. no momento de utilizar os resultados do ensaio. Períodos diferentes de 5 dias podem ser realizados dependendo da necessidade e do objetivo do ensaio. Neste caso. Inoculação Normalmente.2) 1 g HAc = 64 = 1. Demanda Bioquímica de Oxigênio(DBO5) DBO5 é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar biologicamente a matéria orgânica.67 g O2 12 3. Como pode ser observado na Tabela I. utilizando-se titulometria ou potenciometria.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 27 C2H4O2 + 2 O2 60 g 2 x 32 g 1g X g O2 2 CO2 + H2O ⇒ (equação 3. é indicado que se faça ao menos diluições até 10-3 para realizar o teste.6. Incubação Os frascos inoculados devem ser mantidos em uma estufa incubadora a uma temperatura de 20oC por um período de 5 dias. No entanto. WQF.3 abaixo: C + O2 12 g C 32 g 1gC X g O2 CO2 ⇒ (equação 3. Para realizar o ensaio. Portanto.1. esgoto bruto. 1998).3. sob condições padrão (T = 20 oC). a DBO de um esgoto sanitário é de 350 mg/L. de Alimentos . deve-se seguir os seguintes passos: Preparo Inicialmente deve-se ter uma idéia da ordem de grandeza da concentração de matéria orgânica que contém a amostra. Estas diluições são feitas usando-se soluções salinas de tal forma que não permita o rompimento celular pelo equilíbrio da pressão osmótica entre as células e o meio de diluição. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A série de diluições da amostra que apresentar o oxigênio dissolvido final na mesma fique na faixa entre 1 a 5 mgO2/L será 27 Prof. pois este é um teste que necessitará fatalmente de uma diluição quando for determinada em amostras de efluentes brutos. Determinação Mede-se o oxigênio dissolvido na amostra no início e no final do ensaio após a incubação. dada pela equação 3. Sabe-se também que se consegue dissolver aproximadamente 9 mg/L de oxigênio na água natural dessalinizada a uma temperatura de 20 oC (APHA. Este procedimento é um ponto de muita discussão.3) 1 g C = 32 = 2. sobre como proceder a inoculação e de sua efetividade. as águas naturais e residuárias possuem microrganismos suficientes para realizar a degradação da matéria orgânica conforme o método está estabelecido.

Normalmente.2. Química e Eng. Observa-se nesta curva que os microrganismos aeróbios autotróficos também estão presentes e consomem oxigênio em seu metabolismo sem consumir a matéria orgânica interferindo no resultado final da determinação. À DBO teórica final do processo de degradação de uma determinada amostra dá-se o nome de DBO última (DBOúltima). não sendo conveniente para ser utilizado como parâmetro de controle de processos de tratamento modernos que possuem baixos tempos de retenção hidráulica. o que não permite que se possam fazer balanços de massa mais precisos. As respostas obtidas são variáveis. O resultado é expresso em termos de massa de oxigênio consumido por volume de amostra [mg O2/L]. no entanto. Este é um método demorado. 2o estágio (nitrificação) DBO mg/l 1o estágio (DBO carbonácea) 10 20 30 40 50 60 Tempo de incubação (dias) Figura 3. de Alimentos . cuidados devem ser tomados ao considerar que um determinado efluente é pouco biodegradável quando a relação é inferior a 0.4.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 28 escolhida para se fazer os cálculos. A determinação é muito trabalhosa consumindo muito tempo e mão de obra. No entanto esta determinação é importante para ser utilizada na avaliação do impacto ambiental provocado pelo lançamento de um determinado efluente nos mananciais naturais. não havendo um valor mais preciso para a determinação. A DBO é calculada multiplicando-se o valor encontrado da diferença das concentrações de oxigênio inicial e final pelo fator de diluição daquela amostra. pois deve-se lembrar em que condições foram realizados os testes e em que condições pretende-se realizar o tratamento do efluente em questão. O teor de oxigênio dissolvido pode ser determinado através de eletrodo específico ou pelo método iodométrico de Winkler. No entanto. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Uma curva típica da concentração de matéria orgânica consumida ao longo do tempo do ensaio é apresentada na Figura 3. não dando tempo suficiente para que a degradação ocorra completamente. Estes microrganismos autotróficos usam o CO2 dissolvido como fonte de carbono para o seu crescimento e crescem mais vagarosamente do que as bactérias heterotróficas aeróbia. valores superiores a estes podem ser encontrados. dependendo da biodegradabilidade da matéria orgânica e da composição química do meio.2: Curva de oxigênio consumido ao longo do tempo em um ensaio de DBO Como pode-se perceber a determinação da DBO é variável e questionável quanto à sua eficácia. A relação DBO5/DQO tem sido utilizada para medir o grau de biodegradabilidade de uma água residuária.4 desta relação indicam que a mesma é de fácil biodegradabilidade. 28 Prof. a DBO5 equivale a aproximadamente 60 a 70% da DBOúltima. Valores acima de 0. Por este motivo a determinação da DBO é realizada após 5 dias de incubação.

Durante o seu tratamento as moléculas orgânicas de mais difícil degradação vão sendo hidrolisadas e aumentando a sua biodegradabilidade. Compostos indicadores: ex. A recomendação é de que use a DQO para controle do processo de tratamento e a DBO para o controle do impacto ambiental que os efluentes irão gerar no meio ambiente quando lançados nos corpos d’água.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 29 Uma situação freqüentemente encontrada na prática é a ocorrência de uma remoção de DBO inferior à remoção de DQO atingida no tratamento da água residuária. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. ATP (bioluminescência). Química e Eng. Plaqueamento em meio específico: contagem de unidades formadoras de colônias (UFC) Tubos múltiplos: método estatístico. ou até mesmo obter a DBO do efluente do processo de tratamento superior à da entrada do mesmo. apresentando uma remoção de DBO negativa. utilizando a técnica de diluições em série e expressando os resultados como número mais provável (NMP) Técnicas modernas de identificação e quantificação de microrganismos por seqüênciamento de DNA: FISH e PCR • 29 Prof. etc. Constituintes Microbiológicos • • • • • Sólidos suspensos voláteis: gravimetria Microscopia: contagem direta de microrganismos. clorofila (spectrometria ou fluorometria). Este fenômeno ocorre porque a matéria orgânica antes de entrar em um processo de tratamento foi submetida a um ensaio de biodegradabilidade sem microrganismos adaptados e em quantidades muito aquém daquelas encontradas no processo real. podendo em uma determinada condição apresentar as distorções acima comentadas. de Alimentos . baseado na indicação da presença/ausência do microrganismo em um meio de cultura específico.

A seguir é apresentado um fluxograma de processos utilizados para o tratamento de águas para fins de potabilização (fluxo principal) e de processamentos auxiliares. Além disso. PROCESSOS DE TRATAMENTO DAS ÁGUAS Do ponto de vista técnico. havendo variações com relação aos equipamentos específicos. a presença de determinados compostos ou poluentes pode inviabilizar o processo de tratamento. qualquer água encontrada no meio ambiente. Quanto maior for a poluição hídrica. independentemente do grau de poluição. pode ser transformada em água potável. quando se tratar de água para reuso. ou para atender as exigências de qualidade definidas pelo CONAMA com relação à classe do manancial em que serão lançados os efluentes. Química e Eng. maior será o grau de sofisticação do sistema de tratamento da água para sua potabilização. de Alimentos . o grau de depuração será indicado pelo fim a que se destina a água. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Todos os processos de tratamento de efluentes industriais envolvem uma ou mais etapas destes fluxogramas. Entretanto do ponto de vista econômico. TRATAMENTO BIOLÓGICO PRECIPITAÇÃO/PRÉ-OXIDAÇÃO Oxidante MISTURA RÁPIDA Coagulante/Floculante FLOCULAÇÃO FLOTAÇÃO OUTROS PROCESSOS DE TRATAMENTO FÍSICO-QUÍMICO • Adsorão • Troca iônica • Eletrólise • Eletrodiálise • Separação por membranas • Oxidação avançada DECANTAÇÃO Oxidante Auxiliar de filtração FILTRAÇÃO DESINFECÇÃO Desinfetante FLUORETAÇÃO Flúor Correção e ajuste de pH CORREÇÃO DE pH ÁGUA TRATADA Fluxograma do Tratamento Convencional da Água para Fins de Potabilização 30 Prof.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 30 4. dependendo das necessidades de tratamento.

como a sedimentação. pois envolvem menos custos na produção de água potável. como é o caso de um tratamento biológico para águas com altas concentrações de matéria orgânica ou de nutrientes. Química e Eng. os sólidos mais grosseiros irão decantar facilmente. Se as águas forem de fontes naturais que contenham muitos sais dissolvidos que podem conferir propriedades adversas ao seu consumo direto. tornando o processo mais oneroso. mantendo os níveis mínimos de cloro residual em qualquer ponto da rede. permitindo assim a sua sedimentação em uma maior velocidade. uma filtração é praticada. Por isso vem a grande preocupação em manter os mananciais com o menor nível de impacto pelo uso dos recursos ambientais. pode causar problemas operacionais na etapa de filtração. Normalmente. A floculação é a união de uma série de partículas de tal forma que juntas se comportam como se fosse uma partícula de maior diâmetro. se a quantidade de partículas é muito grande. Na sedimentação. Porém. como o nitrogênio e o fósforo. caso tenha uma água de alto grau de pureza na sua captação. Estes processos irão remover compostos da água de tal forma que poderia se chegar a água ultra pura. de tal forma a eliminar o efeito destes compostos ou promover a sua insolubilização. Caso haja necessidade de se obter água com alto grau de pureza para fins específicos. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. ou adição de compostos químicos para reagirem com os componentes da água que possam promover a formação de precipitados. como os mananciais selecionados para o abastecimento doméstico são aqueles de melhor qualidade possível. por um processo chamado de coagulação. esta etapa envolve processos de oxidação. Águas com maior grau de impurezas já são consideradas águas residuárias que podem ter origem doméstica ou industrial. Ou seja. 31 Prof. porém. poderá haver a necessidade de adicionar agentes que possam promover esta aglomeração e desestabilizar as cargas elétricas nas mesmas. Para isso. Para que ocorra a floculação. além de que estas partículas consomem os reagentes das etapas subseqüentes. procurando o ponto isoelétrico destes compostos. de Alimentos . A seguir será apresentado com um pouco mais de detalhe os vários processos envolvidos no tratamento de águas. as necessidades de processamento da água iniciam-se do fim do fluxograma para o seu início.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 31 Na realidade. desalinizada. O que se pode observar é que quanto mais limpa for a água captada menor será o custo para tratá-la. a empresa distribuidora de água do município irá necessitar apenas de certificar-se de que a água seja distribuída de forma segura e então irá apenas fazer uma desinfecção preventiva. mudança de pH. se houver uma fração significativa de sólidos em suspensão de características de difícil sedimentabilidade haverá a necessidade de auxiliar esta sedimentação através de um artifício chamado de floculação. havendo necessidade de se remover a maior parte destes sólidos que poderiam ser retirados por processos menos onerosos. ou seja. que exigem um tratamento mais acentuado. haverá a necessidade de promover um pré-tratamento da mesma. Na grande maioria dos casos a água proveniente de um manancial natural possui partículas em suspensão que devem ser removidas para a sua distribuição. além da adição de flúor pra atender ao programa de combate às cáries. deve-se utilizar processos diferenciados parta o seu tratamento.

agentes de cor e odor indesejáveis). Geralmente utilizados para desinfecção. reage com todas as substâncias inorgânicas e orgânicas citadas anteriormente. Os oxidantes mais eficientes e abrangentes são o oxigênio. Fe2+. Reagente barato e de fácil manuseio. toxicidade e corrosividade. O cloro (hipoclorito) e o dióxido de cloro são oxidantes moderados e usualmente empregados para oxidar H2S. será necessária a realização de algumas etapas preliminares com o intuito de auxiliar a remoção dos contaminantes nas etapas subsequentes do tratamento. além do fim a que se destina. SO32-).1. 32 Prof. Mata e previne uma grande variedade de algas e microrganismos. S2-. ajuste de pH e abrandamento) Dependendo das características químicas e físico-químicas da água a ser tratada. odor e gosto. O ozônio é termodinamicamente muito instável. aminas. bactérias. CN-. Dependendo do estado de oxidação e das condições de reação. Química e Eng. Em geral pode ser utilizado para desinfecção. O ozônio é um poderoso oxidante que age com a maioria dos compostos orgânicos e microrganismos presentes na água e não fornece à água cor e odores desagradáveis. Substâncias tóxicas ou degenerativas incluem: substâncias inorgânicas (Mn2+. Sua efetividade aumenta com o pH. NO2-. substâncias orgânicas (fenóis. TRATAMENTO FÍSICO-QUÍMICO 5. Mn2+. o ozônio e o permanganato de potássio. é de fácil adaptação aos processos convencionais de tratamento. É produzido a partir do oxigênio com uso de descargas elétricas. Sua limitação reside no longo tempo de processo quando não se utiliza catalisadores. remoção de ferro e manganês e oxidação de cianidro. pois é pouco solúvel em água e sua reatividade é baixa em pressões e temperaturas comuns. Oxidação química é um processo onde o estado de oxidação (perda de elétrons) de uma substância aumenta. e tem como objetivo converter espécies químicas indesejáveis em espécies não prejudiciais ou degenerativas à qualidade da água. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. monitoração e alimentação. O permanganato de potássio é um poderoso agente oxidante. qualquer material com a capacidade de ser receptor de elétrons pode ser um agente oxidante e qualquer material com capacidade de doar elétrons pode ser um agente redutor. ácidos. algas. não provoca gosto nem odor na água. dificuldade de utilização. As desvantagens são relativas ao alto custo e baixa eficiência em sua produção. De acordo com a teoria geral da troca de elétrons. Pré-Tratamentos (pré-oxidação. Fe2+ e CN-. Tais etapas compreendem a adição de reagentes químicos utilizados para precipitar íons que se encontram dissolvidos na água.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 32 5. FeII e FeIII). Foi observada a viabilidade econômica e a eficiência deste processo que pode ser combinado com outras etapas de tratamento. um elemento pode ser tanto redutor quanto oxidante (ex. O oxigênio como oxidante é economicamente interessante pois pode ser aplicado na forma de aeração. remoção de cor. Forma compostos intermediários como clorofenóis e outros organoclorados. de Alimentos .

tais como ClOH. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. abaixando o pH das equações acima. um exemplo típico do processo de oxidação é a remoção de ferro e manganês. 33 Prof. Os produtos da oxidação destes metais e suas respectivas solubilidades vão depender de uma série de fatores. Química e Eng. ClO2. Oxigênio (ar) como agente oxidante: 4 Fe2+ + O2 + 10 H2O Mn2+ + O2 + H2O 4 Fe(OH)3↓ + 8 H+ MnO2 + outros produtos (pH > 7.5) O uso de outros agentes oxidantes.0) (pH ≥ 9.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 33 REMOÇÃO DE FERRO E MANGANÊS Para ilustrar. ou pela combinação dos dois processos. de Alimentos . ClO-. mas principalmente do agente oxidante e do pH do meio. As formas solúveis mais comuns do Fe e do Mn presentes nas águas naturais são suas formas divalentes (Fe2+ e Mn2+). que pode ser feita via aeração ou pela adição de um oxidante forte. H2O2 e até mesmo o permanganato de potássio irão auxiliar a oxidação pela aeração.

5 kg/m3. Este processo de troca iônica é recomendado para águas limpas. muito dura: >200 mg/L. Esta etapa denomina-se “re-carbonatação”. resultando num precipitado de carbonato de cálcio e hidróxido de magnésio. levemente dura: 56 a 100 mg/L. e para evitar que na areia dos filtros se produzam depósitos trata-se a água com CO2 antes da entrada.3) dureza carbonatada (não permanente ou temporária)2 Ca(HCO3)2 + Ca(OH)2 Mg(HCO3)2 + 2Ca(OH)2 Ca(HCO3)2 + 2NaOH CaSO4 + Na2CO3 MgSO4 + Na2CO3 + Ca(OH)2 Dureza permanente Al2(SO4)3 + 3 Ca(HCO3)2 1 Mole: < 55 mg/L. Com unidades de zeolitos a dureza pode ser reduzida a zero. devendo-se contrabalançar o custo da água tratada com as economias que ela pode trazer. pois as partículas responsáveis pela turbidez colmatariam rapidamente os zeolitos anulando seus efeitos.). Química e Eng. Recupera-se os zeolitos com uma solução concentrada de NaCl.4 a 27. A eliminação de matérias coloidais e em suspensão pode ser feita ao mesmo tempo que a remoção da dureza usando-se coagulantes (como será visto mais adiante). de Alimentos . 34 Prof. menos gastos na manutenção de caldeiras. Equilíbrio Carbônico H2CO3 + CO32HCO32 HCO3CO32. A capacidade de remoção para zeolitos sintéticos varia de 18. consiste em trocar os íons de cálcio e magnésio por íons de sódio. O processo cal e soda consiste na adição de cal (CaO) e soda (NaOH) na água. As reações que envolvem o abrandamento fazem parte do equilíbrio carbônico da água. então os carbonatos de cálcio e magnésio são novamente dissolvidos. Para ilustrar. A operação de remoção da dureza da água é chamada de abrandamento e é essencialmente um problema econômico ao se projetar uma instalação de tratamento. Os principais métodos usados na remoção da dureza da água são os processos cal e soda e o processo dos zeólitos ou permutas. um exemplo da etapa de abrandamento. sendo altamente dependente do pH. aumentando um pouco a dureza final. O processo dos zeolitos ou permutas. A água decantada contém sempre uma pequena quantidade de CaCO3 e Mg(OH)2 em suspensão (devido ao equilíbrio se conseguir muito lentamente). etc. 2 Podem ser removidas por simples aquecimento.5) (pH = 8. ou pelo processo de troca iônica.+ H+ 2CaCO3↓ + 2H2O Mg(OH)2↓ + 2CaCO3↓ + 2H2O CaCO3↓ + Na2CO3 + 2H2O CaCO3↓ + Na2SO4 Mg(OH)2↓ + CaCO3↓ + Na2SO4 Al(OH)3↓ + 3 CaSO4 + 6CO2 (pH = 4. adotando-se para projetos o valor de 23 kg/m3.(menor consumo de sabão. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 34 TRATAMENTO DE ÁGUAS DE CALDEIRAS A presença de sais de Cálcio e de Magnésio conferem à água uma qualidade a qual denominou-se de Dureza1. moderadamente dura: 101 a 200 mg/L. realizado pelo processo químico de adição de cal e barrilha (ou soda). que se elimina por decantação.

Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 35 5. se houver alguma falha implicará em grandes prejuízos à qualidade e ao custo do produto distribuído à população. 35 Prof. permitindo a aproximação umas das outras e assim formando flocos num processo chamado de floculação. na faixa de pH em que normalmente são encontradas (5-10). de Alimentos . em partículas maiores (flocos) para que possam ser removidas com maior facilidade por processos subseqüentes. além de bactérias. formando uma camada compacta. pois. protozoários e/ou plâncton. encontram-se carregadas negativamente. Química e Eng. O processo de coagulação é aquele que desestabiliza as cargas das partículas. e diluindo seus efeitos à medida que aumenta a distância da partícula (Teoria da Dupla Camada). Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.2. As partículas possuindo cargas elétricas iguais se repelem. Esta é a força que deve ser vencida para aproximar duas partículas. Coagulação/Floculação A finalidade da coagulação e floculação é transformar as impurezas que se encontram em suspensão fina. As partículas presentes nas águas. tornando o sistema estável. Potencial Zeta: é a medida do potencial elétrico entre a superfície externa da camada compacta que se desenvolve ao redor da partícula e o meio líquido em que ela está inserida. O Potencial Zeta é uma função da carga da camada difusa (por unidade de superfície do colóide) e a extensão da mesma. em estado coloidal ou em solução. Estas cargas negativas atraem os íons positivos dissolvidos na água formando uma camada com predominância de cargas positivas em volta das partículas. Esta etapa é a parte mais delicada do tratamento de águas.

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. também podem ser adicionados ao sistema. Na realidade. DESESTABILIZAÇÃO DOS COLÓIDES A desestabilização dos coloides é realizada por diferentes compostos químicos chamados Agentes Coagulantes. gelatina ou cola) ou polieletrólitos (polímeros de cadeia longa com grande número de pontos ativos nos quais as partículas sólidas se fixam). amido.A floculação das partículas já coaguladas resulta das várias forças de atração que atuam entre as partículas “neutralizadas” que se agregam umas às outras. permitindo a sua remoção por sedimentação ou filtração. a floculação se inicia no mesmo tanque da coagulação (mistura rápida). aluminato de sódio). tensoativos (ex. O tempo para a floculação é bem superior ao da coagulação. Estes agentes podem ser eletrólitos (ex.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 36 A adição de certos reagentes às suspensões coloidais irá promover os processos de estabilização e agregação. Contato por movimento do volume do fluido. Os mecanismos para aumentar a eficiência destas colisões são: • • • Contato por movimento térmico. Uma série de fatores irão determinar o tempo necessário para se atingir o tamanho do floco desejado. ou agitação. que irão formar polímeros inorgânicos no sistema. Além da desestabilização das partículas. a taxa de coalescência. A simples precipitação de outros sais insolúveis para remoção da dureza e de Fe e Mn. bem como sua concentração ótima em função das características de sedimentabilidade dos flocos formados podem ser avaliados em laboratório fazendo-se os testes de jarro. Aprisionamento do precipitado em malhas (enredamento). que permite a ligação entre as mesmas. também contribuem para o processo de coagulação/floculação. vai depender da eficácia das colisões entre as partículas. Contato resultante da sedimentação diferencial. Adsorção em polímeros orgânicos para permitir as ligações interpartículas Os coagulantes mais comumente utilizados são polímeros orgânicos sintéticos. A coagulação ocorre em alguns segundos. a adição do coagulante é feita em um tanque de mistura rápida. A determinação do melhor tipo de coagulante a ser utilizado. ou pela combinação de dois ou mais métodos: • • • • Compressão da camada difusiva. para evitar que a partícula se carregue positivamente pela adição em excesso de espécies positivas na sua superfície negativa. Química e Eng. voltando a se estabilizar. citados no item anterior. que podem ser adicionados diretamente ao processo. diminui-se a agitação e inicia-se o processo de aglutinação (floculação). conduzindo à formação dos flocos de dimensões consideráveis. ou de agregação. Após a desestabilização. Outros agentes não coagulantes. sob forte agitação. imediatamente após a etapa de coagulação. que funcionam como auxiliares de floculação. e prosseguindo durante o processo de decantação. 36 Prof. Na etapa de coagulação. de Alimentos . ou movimento Browniano. desenvolvendo-se nos tanques floculadores. que podem agir sobre a partícula através de quatro métodos distintos. ou podem ser adicionados sais de ferro ou de alumínio (Fe3+ e Al3+). Adsorção de íons para produzir a neutralização das cargas.

A sedimentação pode ser classificada como: • Quanto ao processo sedimentação em batelada ou descontínua sedimentação contínua 37 Prof. níveis altos de turbidez exigem doses altas de coagulantes. Os efeitos de baixa turbidez e temperaturas baixas podem ser agravados com uma agitação inadequada. Decantação A separação de uma suspensão de partículas sólidas. Com isso o processo de coagulação se torna menos eficiente. • Temperatura da Água Água com temperaturas baixas podem causar dificuldades no processo de coagulação. Cada um dos sais coagulantes inorgânicos possuem sua faixa própria de pH ideal. A etapa de decantação é utilizada quando tem-se uma alta concentração de sólidos. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Como resultado. A turbidez baixa muitas vezes dificulta a coagulação devido a dificuldade em induzir a colisão entre as partículas. Já na floculação a agitação necessitar ser lenta para não desagregar s flocos. e além disso a sedimentação dos flocos torna-se mais pobre devido a alta densidade da água. Em muitas plantas é necessária a correção do nível de pH durante o processo de coagulação. por isso fica mais difícil a dispersão do agente coagulante na água. a forma e o diâmetro das partículas.3. • Efeitos da Agitação Agitação insuficiente e inadequada causa uma dispersão desigual do coagulante. diluída em um meio líquido. e a viscosidade do meio. Os principais fatores que controlam a velocidade de sedimentação são as densidades dos sólidos e do líquido. denomina-se sedimentação ou decantação. com o intuito de diminuir a quantidade de sólidos na etapa posterior de filtração. • Natureza da Turbidez Geralmente. que é alterada pela temperatura. • Efeitos da Dosagem do Coagulante A dosagem dos produtos coagulantes é um fator crítico e normalmente utiliza-se bombas dosadoras. A vasta maioria dos problemas de coagulação são relacionados com níveis impróprios de pH. há uma redução significativa na velocidade das reações químicas. Neste caso a formação de flocos é pobre e a maior parte das partículas é carregada para os filtros. 5. Com a temperatura próxima ao ponto de congelamento. devido a alta probabilidade de colisão dos colóides deste caso. Em grandes instalações um medidor de vazão monitora a entrada e envia informações para o dosador. ou flocos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 37 FATORES QUE INFLUENCIAM NA COAGULAÇÃO • Efeitos do pH A faixa de pH em que o processo de coagulação ocorre pode ser considerado um dos fatores mais importantes. Faixa ótima de pH é de 7 a 10. Normalmente a quantidade de coagulante a ser adicionada é relativamente pequena quando a turbidez é muito maior que a normal. pela força da gravidade. Química e Eng. entretanto raramente a relação é linear. de Alimentos . é necessário o uso de doses maiores de coagulante.

........... max 5 mg/L (água decantada) bactéria ...... onde obtêm-se as velocidades de sedimentação e espessamento do lodo em função das características dos flocos formados............... Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.. do que aquela contendo baixa concentração de matérias em suspensão................ de Alimentos ................................. Com a sedimentação simples.... 60 a 70% turbidez ... 40 a 80% bactérias ........................................ 80% 38 Prof.. 40 a 80% Após a coagulação: turbidez ..................................... Química e Eng.. A sedimentação simples constitui-se um adequado processo de purificação quando as águas são relativamente puras e contém quantidades apreciáveis de sólidos em suspensão. A experiência tem mostrado que as águas contendo uma elevada concentração de matéria em suspensão é mais facilmente clarificada por sedimentação........Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 38 • • • - Quanto a finalidade clarificadores: quando a fase que interessa é o líquido espessadores: quando a fase que interessa é a lama Quanto a concentração da suspensão sedimentação livre: para baixas concentrações de sólidos sedimentação retardada ou obstada: para altas concentrações de sólidos Quanto ao uso do coadjuvantes sedimentação natural: quando não se faz uso de substâncias floculantes sedimentação forçada: quando se faz uso de substâncias floculantes para aumentar a velocidade de sedimentação O projeto de decantadores e espessadores é feito com base em testes de decantação em provetas................................. podem ser obtidas reduções da ordem de : matérias em suspensão .......

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. de Alimentos . Química e Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 39 LODO HIDROCICLONE POLIMERO LODO COM MICROAREIA PARA HIDROCICLONE MICRO- CLARIFICADA COAGULANT ÁGUA BRUTA DOSAGEM COAGULAÇÃ MATURAÇÃ DECANTADOR COM RASPADOR 39 Prof.

A flotação é utilizada como alternativa à decantação. Existe três formas de operação destes sistemas: • • • Injeção de ar em um líquido pressurizado. Um tratamento subseqüente. antes da filtração. própria para sofrer a filtração rápida em areia. 40 Prof. aplicada principalmente quando tem-se uma fração de sólidos em suspensão que possui densidade menor que a do efluente (óleos e gorduras) ou é de difícil decantação. denomina-se flotação. geralmente a cloração. Na parte superior dos flotadores há sistemas de raspagem. de Alimentos . Flotação A separação de uma suspensão de partículas sólidas. normalmente produz uma água de baixa turbidez (1 a 5 mg/L). Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. antecedendo a sedimentação. pode ser suficiente para produzir uma água satisfatória. as bolhas de gás se aderem às partículas formando uma outra partícula de densidade aparente menor do que a do líquido. Saturação do líquido com ar a pressão atmosférica . sendo levada para cima pela força do empuxo. Aeração por pressão atmosférica (flotação por ar). Em todos os casos agentes químicos podem ser adicionados para facilitar a flotação aumentando o diâmetro das partículas em suspensão. removendo as partículas flotadas do meio. O tratamento prévio em câmaras de mistura e floculação. a simples sedimentação não produz uma água segura para ser usada no suprimento público.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 40 Apesar dos resultados obtidos. pela introdução de finas bolhas de gás (normalmente ar) e levando-as a flotar. seguido de uma despressurização repentina (flotação por ar dissolvido). como é o caso de partículas muito finas. Química e Eng. diluída em um meio líquido. Os tanques de sedimentação são destinados a remoção de turbidez natural ou floculada. Neste processo. ou flocos. seguido da aplicação de vácuo na câmara de flotação (flotação a vácuo).

ou maiores no caso de meios granulares. carvão. Os processos que utilizam membranas geralmente são aqueles onde o diâmetro das partículas a serem separadas são muito pequenos. podendo ser de poros menores que o diâmetro das partículas. os processos mais utilizados são os filtros de areia. etc. de Alimentos . no caso das membranas. CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS FILTROS • • • • • De acordo com o tipo de material filtrante: Areia. ou são utilizados nos casos em que deseja-se recuperar a fração sólida. redução de bactérias presentes e alteração das características da água. inclusive químicas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 41 5. Este processo só é aplicado nos casos onde tem-se baixa concentração de sólidos. terra diatomácea. rápidos ou de taxas elevadas De acordo com a pressão existente: Por gravidade ou sob pressão 41 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Com a passagem da água através de um leito de areia verifica-se a remoção de materiais em suspensão e substâncias coloidais. Filtração A filtração é um processo utilizado para remover partículas sólidas em suspensão que não puderam ser removidas pela decantação. O processo envolve a retenção das partículas sólidas pelo efeito de barreira. afim de evitar grandes gastos com a manutenção dos mesmos. No caso do tratamento de águas naturais para fins de potabilização. antracito. podendo chegar ao nível molecular. Química e Eng. brita. descendente ou nos dois sentidos De acordo com a velocidade de filtração: Lentos. ou até mesmo em casos onde tem-se uma concentração de sólidos muito elevada inviabilizando o uso de meios granulares. De acordo com a disposição do material do meio filtrante no leito: Superposição das camadas do meio filtrante De acordo com o sentido de escoamento da água: Ascendente.4.

areia de ~0.reduz 98 a 99% das bactérias .lamina de água de 0.46 a 0.areia de ~0.5 m de espessura .taxa de aplicação: Q = 120 a 360 m3/m2 dia (camada simples) Q = 240 a 480 m3/m2 dia (camada dupla) A Figura abaixo apresenta um desenho esquemático de um filtro de areia e sua operação.podem ser operados abertos para a atmosfera (gravitacional) ou em tanques fechados (pressurizados) .remove a maioria dos sólidos exceto argila e colóides . apresenta eficiência de remoção de partículas e de bactérias igual ou superior ao de baixa filtração .76 m de espessura .camada de 0. 42 Prof. de Alimentos . Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.taxa de aplicação: Q < 6 m3/m2 dia Filtro rápido (alta taxa de filtração) .usado sem necessidade de pré-tratamento .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 42 Filtro lento (baixa taxa de filtração) .camada de 0.9 a 1.9 a 1.5 m .se usado após coagulação e floculação.55 mm de diâmetro .35 mm de diâmetro . Química e Eng.

Vai depender das características físicas e químicas da suspensão e do meio. de Alimentos . da taxa de filtração e das características químicas da água sólidos maiores são removidos por forças intersticiais sólidos menores são removidos por dois mecanismos: transporte (sedimentação. Química e Eng. intercessão e hidrodinâmica) e por fixação (interações eletrostáticas. difusão. ligações químicas e adsorção) MÉTODOS DE CONTROLE DE VAZÃO • • • filtração à pressão constante filtração à vazão constante filtração à queda variável de vazão 43 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 43 MECANISMOS DE FILTRAÇÃO O mecanismo de remoção de sólidos em suspensão por filtração é bastante complexo.

o que vai provocar a sua destruição por perda das funções metabólicas e coagulação do material citoplasmático. Porém o uso de cloro e seus derivados são os mais empregados. além de ser seguro e fácil de armazenar. transportar. Da temperatura da água. protozoários e vírus. pois sabe-se que a água está permanentemente sujeita a contaminação durante a sua distribuição. como bactérias. sejam desinfetadas. e cujas técnicas de aplicação são largamente conhecidas. presente no interior do citoplasma da mesma. normalmente pela ação do cloro. Natureza e condições da água a se desinfetar. nem causar sabor desagradável a água ou torná-la indesejável por alguma razão. A desinfecção. cada um com suas vantagens e desvantagens. FATORES QUE GOVERNAM A DESINFECÇÃO QUÍMICA • • • • • Natureza dos organismos que se quer destruir. independente de sua origem ou tratamento. 44 Prof. A priori. Tal fato se faz necessário. Sua concentração em água deve ser de fácil determinação. manipular e aplicar. Devem persistir em água desinfetada na concentração suficiente para proporcionar uma proteção AGENTES OXIDANTES QUÍMICOS • • • • • • Halogênios: cloro. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS PROPRIEDADES DOS DESINFETANTES • • • • • Devem destruir das classes de patogênicos o maior número possível de organismos e garantir um período longo de resistência a mudanças de temperatura e a possíveis contaminações após tratamento. vital no metabolismo da célula.5. Química e Eng. como meio de controle sanitário. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Íons metálicos: prata Álcali e ácidos. Nas condições requeridas. Do tempo de contato. Existem vários produtos desinfetantes. Desinfecção A desinfecção é a eliminação de microrganismos patogênicos por meios físicos ou químicos prevenindo-se assim das doenças de origem hídrica. Natureza e concentração do reagente desinfetante e os produtos de reação. de Alimentos . É um dos processos mais importantes para o tratamento de água. julga-se que todas as águas de abastecimento.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 44 5. A desinfecção química dá-se pelo ataque do reagente à uma enzima (oxidação). flúor e iodo (e seus derivados) Ozônio: muito pouco usado pelo alto custo Permanganato de potássio: custo elevado Peróxido de hidrogênio. não devem ser tóxicos ao homem ou a animais domésticos. bem como sua concentração. bromo. Devem ser um produto barato e abundante. trata principalmente da eliminação das bactérias. que se ocupa quase que totalmente com a destruição de organismos unicelulares.

k t 2.01 0.9 99.99 45 Prof.3 ⇒ ln (N/N0) = -kt ∴ k = λCn N – concentração de microrganismos log (N/N0) 0 -1 -2 -3 -4 tempo N/N0 (fração remanescente) 0.0001 -log N / N0 (redução logarítimica) 1 2 3 4 % Morte (% de inativação) 90 99 99.kN t – tempo de contato k – constante que depende do desinfetante λ – coeficiente de letabilidade específica C – concentração do desinfetante n – coeficiente de diluição (geralmente = 1) ln (N/N0) = -kt ⇒ log (N/N0) = . Química e Eng.> NH2Cl Ordem de resistência do microrganismo: Cysts > vírus > bactéria CINÉTICA DA DESINFECÇÃO A efetividade de um desinfetante é determinada por ensaios de laboratório. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.001 0. para cada microrganismo patogênico. com o intuito de obter curvas C x T.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 45 Ordem de efetividade do desinfetante: O3 > HOCl > ClO2 > OCl. de Alimentos .1 0. dN/dt = .

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Ct é constante.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 46 Foi observado que: Cn t(% morte) = K(% morte) ∴ C – conc. para atingir um % de inativação desejado. do desinfetante. a uma dada temperatura e pH. 46 Prof. Para cada desinfetante e para cada microrganismo são construídas curvas de C x t. Química e Eng. Se n = 1. de Alimentos .

2 0.48 0.48 0.63 0.9 1.5 0.0 Caso a residual obtido seja diferente.32 0.9 1.5 E. pH 6a7 7a8 8a9 9 a 10 Cloro livre em mg/L após 10 minutos 0.9 1.95 0.60 2. deverá ser aumentada ou diminuída a dosagem aplicada. deverão ser coletadas amostras de água nos extremos da rede de distribuição. Não se dispondo de dados sobre a demanda de cloro da água a ser desinfetada. por exemplo. a Endamoeba histolytica não é removida pela cloração comum. Iniciada a desinfecção.02 1.24 0. Alguns suprimentos públicos de água são desinfetados com ozônio.8 Cloro combinado em mg/L Após 60 minutos 1.2 0.95 0.2 0.5 5 10 15 20 0.4 0.08 0.79 0.5 1.0 10 500 0. De posse deste parâmetro e utilizando-se a Tabela.6 1.4 0.32 0.0 1.005 0.63 0.0 50 0.48 2 2.72 0.5 2. porém o único desinfetante em uso geral nos suprimentos públicos de água é o cloro. Os exames bacteriológicos subseqüentes indicarão os efeitos da desinfecção processada.95 0. O residual máximo permitido por lei está limitado na consideração sobre o odor “levemente perceptível” de cloro.06 Polivirus 1 20 8000 150 2 5 40 Entamoeba histolytica Nem todos os organismos microscópicos e formas superiores de vida na água podem ser removidos por todos esses métodos.4 1.5 0.48 0.2 0.12 0. coli 1.32 0.8 a 2.3 0. a seguir determina-se qual a concentração recomendada de cloro residual livre ou combinado a ser obtido na água após o tempo de contato indicado.16 0.48 Valores de Ct99 para destruição de classes de microrganismos para vpários desinfetantes Agente desinfetante Microrganismo HOCl OCl NH2Cl O3 ClO2 HOBr 0.72 3 25 0. recomenda-se iniciar a aplicação com a dosagem de 1 mg/L de cloro.16 0.5 0.5 1.005 1.24 1 1. 47 Prof.8 1. de Alimentos .40 0. Química e Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 47 Valores de Ct para Inativação de Giárdia Cysts pelo Ozônio a pH 6-9 Inativação Temperatura (log) 0. a fim de conhecer o pH da água. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.97 0.23 0.36 1.

1 1. 48 Prof.8 a 21.7 Superior 1.7 0. fluoreto de sódio.2 1.4 a 32.3 1.7 0. Ajuste final Após a água ter sido tratada até os níveis desejados de depuração.2 1. Os compostos mais utilizados são: fluorsilicato de sódio. fluorita e o ácido fluorsilícico.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 48 5. Esta necessidade irá depender de quais foram os processos e condições utilizadas anteriormente. de Alimentos .9 0. caso este se encontre fora dos níveis permitidos.9 0. Química e Eng. Fluoretação A fluoretação é realizada para introduzir na água o flúor que age como agente de combate à cárie. A adição é feita através de sais de flúor na forma sólida ou em solução.7 a 17. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.7. deve-se fazer uma correção do pH.6 Ótimo 1. LIMITES RECOMENDADOS PARA A CONCENTRAÇÃO DE ION FLUORETO SEGUNDO AS NORMAS DE ÁGUA POTÁVEL DO SERIÇO DE SAÚDE PÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS Média anual das temperaturas máximas diárias do ar (oC) 10.6.6 14.8 0.0 0.3 26.0 a 12.5 a 26.4 21.7 1.8 5.2 a 14.0 0.8 0. a fim de não provocar danos ás tubulações e equipamentos.8 0.5 1.7 17.5 Limites recomendados para a concentração do íon fluoreto (mg/l) Inferior 0.1 12.

para-se o processo para proceder-se a regeneração da mesma. O soluto não se dissolve no sólido. em boa medida. o carvão de ossos. natureza do adsorvente. Além disso.1. a bauxita. A Figura abaixo apresenta um esquema da operação destas colunas. Os principais equipamentos utilizados na adsorção são colunas empacotadas. o soluto pode ser removido do sólido. onde percola-se o efluente a ser tratado. a alumina. Forças de van der Waals). Além disso os adsorventes são seletivos quanto à capacidade de adsoverem solutos específicos. temperatura. É importante a escolha dos adsorventes. Os sólidos devem ter características de pequena queda de pressão e boa resistência mecânica para suportar o manuseio. O fenômeno da adsorção ocorre porque na direção normal à superfície. a natureza do sólido deve ser cuidadosamente ponderada para que se tenha a segurança de um desempenho satisfatório. A adsorsão é um fenômeno físico que depende. a terra fuller. Os principais fatores que influenciam a adsorção são: área superficial. num gás ou num líquido. o conhecimento dos coeficientes de transferência de adsorção é uma condição necessária. Química e Eng. presença de outros componentes. para uma superfície sólida. 49 Prof. de modo que a modificação da pressão. onde ele fica retido em conseqüência de interações microscópicas com as partículas constitutivas do sólido. No equilíbrio. pH. ou da pressão de operação.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 49 5. ou de temperatura pode provocar a fácil remoção do soluto adsorvido no sólido. Assim que as características do efluente atingirem uma concentração final superior à aquela estipulada. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. o campo dos elementos da rede não está balanceado. Os adsorventes comerciais incluem a bentonita.8. Adsorção A adsorção aplica-se à transferência física de um soluto. mas permanece na superfície do sólido ou nos poros do sólido. O processo de adsorção é muitas vezes reversível. o carvão ativo e a sílica gel. de Alimentos . e pela simples modificação da temperatura. Estes dados são necessários antes de se poder aplicar a equação de projeto. o soluto adsorvido tem uma pressão parcial igual à existente na fase fluida em contato. assim as moléculas adsorvidas sobre uma superfície são mantidas por forças que provém desta superfície (ex. e a área superficial limita a quantidade de material que pode ser adsorvido. Os dados de equilíbrio são usualmente apresentados na forma de isotermas de adsorção. A estrutura dos poros limita as dimensões das moléculas que podem ser adsorvidas. da área superficial e do volume dos poros. natureza do adsorbato. Por isso. Outros Processos Físico-Químicos 5.8.

tais como o solo. etc.2. Estes emaranhados formam os poros deste material. é de conhecimento que muitos materiais naturais promovem um efeito de troca iônica. As resinas são um emaranhado de radicais de hidrocarbonetos nos quais estão ligados os grupos funcionais iônicos solúveis. celulose.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 50 5. Trocadores de cátions fortemente acídicos: Forma com hidrogênio Forma com sódio (regenera com HCl ou H2SO4) (regenera com NaCl) 2+ + 2R-SO3H + Ca ↔ (R-SO3)2Ca + 2H 22R-SO3Na + Ca2+ ↔ 2Na+ (R-SO3)2Ca + 2. Química e Eng. Geralmente estes materiais utilizados para este processo são resinas sintéticas. podendo estes serem catiônicos ou aniônicos. Trocadores de cátions fracamente acídicos: Forma com hidrogênio Forma com sódio (regenera com HCl ou H2SO4) (regenera com NaCl) 2R-COOH + Ca2+ ↔ (R-COO)2Ca + 2H+ 2R-COONa + Ca2+ ↔ (R-COO)2Ca + 2Na+ 50 Prof. algodão. Troca Iônica A troca iônica é um processo no qual íons ligados por forças eletrostáticas para carregar grupos funcionais na superfície de um suporte sólido são trocados por íons de carga similar em uma solução onde estes sólidos estão imersos. porém. carvão ativo.8. de Alimentos . As principais reações de troca estão representadas abaixo: 1. A Figura abaixo apresenta um desenho esquemático destas resinas. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A natureza destes grupos funcionais irá determinar a capacidade de remoção de determinados íons. as resinas podem ser regeneradas utilizando soluções iônicas fortes (que tem maior afinidade pelos grupos funcionais do que os íons trocados). Uma vez trocado os íons.

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Quando a água inicial é turva. Trocadores de anions fortemente básicos: Forma com hidróxido Forma com colrêto (regenera com NaOH) (regenera com NaCl) 2R-R’3NOH + SO42. Trocadores de anions fracamente básicos: Forma com hidróxido Forma com clorêto (regenera com NaOH) (regenera com NaCl) 22R-NH3OH + SO4 ↔ (R-NH3)2SO4 + 2R-NH3Cl + SO42. até utilizações químicas e eletrônicas críticas. é necessário um pré-tratamento por outros métodos. que requerem apenas a água livre de dureza.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 51 3.↔ (R-NH3)2SO4 + 2OH2ClOs tipos de equipamentos e a forma de operação são muito similares às aquelas das colunas de adsorção apresentadas anteriormente. Química e Eng. que exigem água com uma resistividde maior que 10 megahoms por centímetro. é possível fazer o tratamento da água de forma a torná-la apropriada a qualquer aplicação. de Alimentos . ou contém cloro livre ou matéria orgânica. opera-se uma coluna de troca catiônica seguida de uma coluna de troca aniônica em série. isoladamente ou em seqüência.↔ (R-R’3N)2SO4 + 2R-R’3NCl + SO42. Neste caso. Mediante o uso de trocadores iônicos convenientes.↔ (R-R’3N)2SO4 + 2OH2Cl4. desde simples operações de lavagem. 51 Prof.

de Alimentos .3. Os processos de separação com membranas. como o próprio nome sugere.8. Química e Eng. 52 Prof. ultrafiltração e nanofiltração). irá separar os componentes indesejáveis. As diferenças dos vários processos são basicamente o tamanho de poro destas membranas e a força motriz empregada. Separação por membranas (osmose reversa. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A Tabela abaixo mostra a aplicabilidade dos vários processos de separação em função do diâmetro das partículas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 52 5. dependendo do diâmetro e das características do material da mesma. são processos onde uma corrente de fluido passa através de uma membrana que.

de Alimentos . ocorrendo apenas um processo de retenção das partículas por tamanho de poro. Química e Eng. são aqueles onde as pressões osmóticas são negligíveis devido ao tamanho dos poros envolvidos nas membranas. aplica-se uma força superior à pressão osmótica da solução.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 53 No caso da osmose inversa. 53 Prof. porém aqueles que são mais comuns são do tipo cartucho. em sentido reverso. A Figura abaixo apresenta um esquema da osmose direta e a reversa. conforme a Figura abaixo. Existem vários tipos de equipamentos utilizados. Já os processos de ultrafiltração e nanofiltração. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.

de Alimentos . e permeáveis a ânios somente. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.8. Eletrodiálise A eletrodiálise também é um processo de separação com membranas em que a solução é submetida a um potencial elétrico por dois eletrodos. 54 Prof. Para evitar problemas de obstrução das membranas. devendo ser removidos sólidos em suspensão.4. as resinas removem os últimos traços dos íons radioativos. com resinas trocadoras catiônicas e aniônicas em forma granulada. No interior da célula de eletrodiálise. A Figura abaixo apresenta um desenho esquemático do processo de eletrodiálise. mostram-se úteis na descontaminação das águas de rejeito de resíduos radioativos diluídos. existindo membranas permeáveis a somente cátions. Os eletrodialisadores. A eficiência de remoção dos sais dissolvidos aumenta com o número de membranas instaladas e células em série. aumentando a resistência e consequentemente menor eficiência do equipamento. A obstrução acarreta também redução da corrente elétrica. é necessário pré-tratamento. Química e Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 54 5. há membranas seletivas de um só tipo de íons . ocasionando uma corrente elétrica de cátions para o eletrodo negativo e de ânions para o eletrodo positivo.

TRATAMENTO BIOLÓGICO DE RESÍDUOS A utilização de microrganismos nos processos de tratamento de águas residuária é realizada há mais de um século. compostos orgânicos e CO2.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 55 6. em biorreatores. Estes são casos muito particulares. matéria orgânica. outros poluentes também podem ser removidos pela ação direta ou indireta dos microrganismos. principalmente devido à evolução e otimização dos processos de tratamento. no entanto. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. degradação do substrato = crescimento microbiano proporcional No entanto. A biotecnologia aplicada ao tratamento de efluentes vem sendo utilizada principalmente para remoção da matéria orgânica. Esta capacidade dos microrganismos em metabolizar diferentes compostos vem no sentido de extrair dos mesmos fontes nutricionais e energéticas necessárias para o crescimento e funções metabólicas dos mesmos. CO2. os microrganismos crescem proporcionalmente em massa.1. antes considerados recalcitrantes ou até mesmo não biodegradáveis.e NO3-. sendo um fator determinante da predominância das populações de microrganismos que irão participar do mesmo. de Alimentos • • . compostos orgânicos. fósforo. sulfato. perdendo elétrons em reações REDOX. em reações REDOX. NUTRIÇÃO E NUTRIENTES A composição química do meio é de importância fundamental nestes processos biológicos. formando uma verdadeira cadeia alimentar com interações nutricionais facultativas e obrigatórias. Em geral. matéria orgânica. Estas transformações ao acaso vem sendo chamadas de “fortuitas”. os diferentes tipos microbianos nos processos biológicos de tratamento atuam conjuntamente. a biotransformação de alguns compostos não tem sido associada a nenhum benefício para a célula. que operados sob determinadas condições resulta na estabilização dos mesmos. 55 Prof. Ex. vem mostrando-se passíveis de serem transformados biologicamente. Ou seja. a medida que o substrato (matéria orgânica e nutrientes) vai sendo consumido (degradado). Ex. Esta área vem se desenvolvendo de forma exponencial à medida que a microbiologia vem desvendando os mistérios do comportamento dos microrganismos na natureza. • • Compostos doadores de elétrons (ou de hidrogênio): são compostos passíveis de oxidação. SO42. compostos inorgânicos e luz. Fontes de carbono: compostos que ao serem metabolizados são transformados em material celular. seja nutricional ou energético. O tratamento biológico de resíduos emprega a ação conjunta de espécies diferentes de microrganismos. O2. Fontes de energia: compostos que ao serem metabolizados geram energia. 6.Microbiologia e Bioquímica A grande maioria dos processos biológicos de tratamento estão associados ao crescimento dos microrganismos envolvidos. os quais não serão objeto deste curso. Compostos receptores de elétrons (ou de hidrogênio): são compostos passíveis de redução. recebendo os elétrons dos doadores. Ex. Incluem-se entre os processos mais conhecidos a remoção de nitrogênio. Química e Eng. Contaminantes orgânicos tóxicos. Ex. além da remoção de metais pesados pelos processos de biolixiviação e biosorção.

etc. referindo-se para aqueles casos em particular. Fe. etc). Por isso.1200:7:1:1 Outra questão muito importante é com relação do que venha a ser considerado uma substância tóxica.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 56 • • • Fontes de nitrogênio: NH3. e contrariamente. K. além do seu conteúdo orgânico. nem todo o nitrogênio está sob a forma disponível para os microrganismos. A grande maioria das águas residuárias possui. Co. é necessário que se verifique as concentrações proporcionais destes nutrientes em função da quantidade de matéria orgânica que deseja-se degradar. Além disso. estas relações são obtidas na prática. é de se imaginar que uma relação C:N de 5:1. O nitrogênio e o fósforo são os de maior interesse. Na realidade. • Fórmula química média de microrganismos Bactéria aeróbia: Anaeróbia: Leveduras: C5H7O2N C5H9O3N C7H12O3N Por tanto. considera-se tóxica aquela substância que em baixas concentrações provoca um efeito inibitório ao microrganismos. No entanto. Deve-se ter cuidado na extrapolação destas quando estuda-se um caso específico. em função da disponibilidade do mesmo. Bo. dependendo da sua concentração no meio. Fatores de crescimento: compostos essenciais para o crescimento que alguns microrganismos não sintetizam. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Química e Eng. • Relação carbono:nitrogênio (C:N) – 2:1 – 30:1 • Relação DQO:N:P:S – 500:7:1:1 . As Figuras abaixo demonstram estes efeitos. nem toda a matéria orgânica é biodegradável. no caso de bactérias seria o ideal para atender estas necessidades. vitaminas. Normalmente. contendo a maioria dos compostos necessários para o crescimento dos microrganismos em geral. S. qualquer substância pode ser tóxica ou nutritiva para um microrganismo. No entanto. Na realidade. um bom ponto de partida para avaliar as necessidades nutricionais é a análise elementar da composição celular. uma série de relações C:N podem ser encontradas na literatura. NO3 e NO2 Nutrientes minerais: compostos essenciais para o crescimento. Considerando que as moléculas de carbono devem combinar-se com as de nutrientes para gerar as moléculas da composição celular. Ex. uma substância nutritiva aquela que é necessária em altas concentrações para promover um franco desenvolvimento do mesmo. ficando uma parte do mesmo sob a forma de subprodutos. A Figura abaixo apresenta as curvas características do cultivo de células em batelada. de Alimentos . Na. Zn. aminoácidos. elas podem ter um efeito sinérgico ou antagônico com relação à toxicidade. Portanto. aqueles nutrientes que são necessários em maiores quantidades deve-se estar atento para verificar se os mesmos estão em quantidades suficientes. Se. deve-se considerar alguns fatos nesta análise: nem todo o carbono será utilizado para a composição celular. Mo. Macronutrientes (P. uma composição bastante diversificada. 56 Prof. quando duas ou mais substâncias estão em solução. CINÉTICA DO CRESCIMENTO CELULAR Quando na presença de um substrato o microrganismo apresenta um crescimento populacional que pode ser dividido em 6 fases distintas. Mg e Ca) e micronutrientes (Ni. indicando como sendo a ideal para sustentar o crescimento dos microrganismos sem limitações nutricionais.

III. P: produto X: células S: substrato X S Tempo Log Conc. X I II III IV V VI Tempo Fase lag: ajuste dos microrganismos ao meio (sistema enzimático). Fase de declínio: substrato está praticamente ausente. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. I. Química e Eng. IV. Fase de retardo: substrato começa a ficar escasso e nem todas as células se dividem.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 57 P Conc. II. Curvas características do crescimento de um microrganismos em processo de batelada Traçando-se as tangentes aos pontos destas curvas obtemos: • Velocidade de produção de células: • Velocidade de consumo de substrtato: • Velocidade de formação de produtos: VX = dX dt dS dt VS = − VP = dP dt 57 Prof. A taxa de morte se torna muito superior à de crescimento. V. A taxa de morte e crescimento se igualam. de Alimentos . Fase estacionária: algumas células começam a morrer. Fase de aceleração: início da multiplicação e do aumento de células. Fase exponencial (ou log): todas as células se dividem.

Química e Eng.YX/S* ∆S Para avaliar o comportamento cinético característico para cada microrganismo. como sendo o fator de conversão de substrato para produto.2 Ks=0.1g/L Ks=0.0g/L 0 0 1 2 3 4 5 6 S (g/L) Com isto ele pode escrever µ = µ max * Onde: µmax= valor máximo de µ S Ks + S Ks=cte. Portanto. de saturação= valor de S para µ=µmax/2 58 Prof.5 com µmax =0. é conveniente definir este coeficiente de proporcionalidade como: Fator de conversão de substrato em células YX = S ∆X (− ∆S ) Pode-se também definir a grandeza YP/S=∆P/∆S. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.3 0. de Alimentos . proporcionais. ∆X = .6 Equação de Monod µ=µmax *S/(Ks+S) 0. teremos: • Velocidade específica máxima de produção de células: • Velocidade específica máxima de consumo de substrtato: • Velocidade específica máxima de formação de produtos: µ= µS = 1 dX * X dt 1  dS  * −  X  dt  µP = 1 dP * X dt Sendo as curvas de consumo de substrato e de formação de células.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 58 Dividindo-se pelo número de células e medindo-se esta velocidade no ponto de inflexão da curva. MONOD desenvolveu o seguinte modelo: 0.4 (h ) -1 0.1 Ks=2.3g/L Ks=1.0g/L 0. bem como a de formação de produtos.5 h -1 0.

o microrganismos utiliza a energia armazenada na forma de ATP para realizar reações que necessitam de energia. Geralmente estas reações estão associadas à degradação dos compostos orgânicos. Esquematização da troca de energia entre reações catabólicas e anabólicas Como exemplo re reações catabólicas apresenta-se na figura abaixo a seqüência de reações realizadas no processo de transformação da glicose em um intermediário muito importante para reações anabólicas posteriores. 59 Prof. Geralmente estas reações estão associadas à síntese dos compostos orgânicos necessários ao crescimento. de Alimentos . O metabolismo pode ser dividido basicamente em catabolismo e anabolismo: Catabolismo são as reações metabólicas que ao final de uma seqüência irão gerar energia para as várias funções dos microrganismos. onde as substâncias doadoras de elétrons vão sendo oxidadas e as receptoras reduzidas. As reações anabólicas só poderão ocorrer se energia suficiente foi gerada nas reações catabólicas. Anabolismo são as reações metabólicas que ao final de uma seqüência irão gerar um produto para as várias funções dos microrganismos. A energia liberada em uma determinada reação é armazenada na forma de ligações químicas. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A este processo específico dá-se o nome de glicólise. Estas reações são de oxi-redução produtoras e consumidoras de energia. Nas reações de síntese energia é requerida. onde as mais importantes são as ligações fosfato com a adenosina AMP + P + energia ↔ ADP ADP + P + energia ↔ ATP Quando necessário.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 59 ASPECTOS BIOQUÍMICOS DO METABOLISMO Metabolismo são reações químicas que ocorrem na célula para produzir energia e para síntese de compostos necessários à vida e ao crescimento. como transporte de íons para dentro e fora da célula e mobilidade. como as reações de síntese celular e para outras funções primárias da célula. A Figura abaixo apresenta um fluxograma esquemático da energia gerada e utilizada pelos microrganismos. Química e Eng.

Portanto. 1 mol de glicose gera 2 moles de piruvato. conforme a esquematização apresentada abaixo. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. 60 Prof.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 60 Glicólise Observa-se que nesta transformação. Apenas o ATP pode fazê-lo. de Alimentos . Química e Eng. com a produção de moles de ATP e mais 2 moles de NADH2. que é denominada de cadeia transportadora de elétrons. transformando-os em ATP. há uma transformação da energia contida no NADH2 para o ADP. As moléculas de NADH2 não provê energia química diretamente para o anabolismo.

enquanto que no anaeróbios esta geração de energia é muito inferior. NO3Fe3+. SO42-). Fe3+.Porcessos fermentativos: são aqueles que utilizam compostos orgânicos que participam do processo. Conforme mencionado anteriormente. Processos anaeróbios: .Processos anóxicos (respiração anaeróbia): são aqueles que utilizam outros compostos. denomina os processos de tratamento. • • Processos aeróbios (respiração aeróbia): são aqueles que utilizam o oxigênio como aceptor final de eletrons. orgânicos ou inorgânicos.) RESPIRAÇÃO ANAERÓBIA Ciclo de Crebes CO32-. a glicólise produz uma energia total equivalente a 8 ATPs. normalmente. etc. NO3-. como aceptores finais de elétrons (aceptores internos). álcoois. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. classifica-se os microrganismos em função do composto que é capaz de metabolizar ou dos produtos metabólicos gerados. como aceptores finais de elétrons. Uma das grandes divisões de classes de microrganismos dá-se em função do tipo de aceptor final de elétrons utilizado pelo mesmo nas reações de obtenção de energia. que por sua vez. Também visto anteriormente. . Portanto. Química e Eng. 61 Prof. ácidos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 61 Observa-se que cada mol de NADH2 produz 3 moles de ATP. a composição química do meio é um fator determinante na seleção da predominância das populações envolvidas nos processos de tratamento dos resíduos. nos processos aeróbios são gerados 38 ATPs por cada mol de glicose degradado. SO42- CH4 N2 Fe2+ S2- CO2 O2 Aceptores finais externos de elétrons RESPIRAÇÃO AERÓBIA Como pode ser observado. que não o oxigênio ou nenhum composto orgânico que participam do processo (aceptores externos: CO32-. PROCESSOS ANAERÓBIOS FERMENTAÇÃO Aceptores finais internos de elétrons Hidrólise Glicose 8 ATPs PROCESSOS AERÓBIOS 30 ATPs Piruvato 6 ATPs Produtos de fermentação (lactato. de Alimentos . Devido ao grande número de compostos passíveis de serem metabolizado pelos microrganismos e devido às suas especificidades. os microrganismos são classificados segundo as formas de obtenção de matéria (carbono) e de energia.

Nas Tabelas a seguir estão apresentados alguns parâmetros cinéticos típicos dos processos anaeróbio e aeróbio. Este fato tem uma implicação direta na partição da quantidade de substrato que vai para geração de energia e a que vai para a síntese de novas células. Química e Eng. Os fatores ambientais são de fundamental importância. nem toda a energia contida em 1 mol de glicose é armazenada na forma de ATP. 62 Prof. Doadores de elétrons Formiato Glicose Glicerol Metanol Piruvato Glicina Lactato Etanol Succinato Benzoato Acetato SO42Aceptores de elétrons NO3NO2- CO2 O2 0 30 -5 35 -10 -15 -20 -25 - Esta maior capacidade de extração de energia do substrato dos processos aeróbios implica em um desenvolvimento mais acelerado de uma população de microrganismos. não implica em que sejam maiores a velocidade específica de conversão de substrato em produto. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. de Alimentos .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 62 podendo gerar até mesmo menos de 1 ATP por mol de glicose. A Figura abaixo apresenta um gráfico das relações entre doadores de elétrons (substratos) e de aceptores de elétrons com a energia gerada pelas reações metabólicas. É importante lembrar que os argumentos termodinâmicos não podem ser usados em todos os casos para prever ou explicar determinadas ocorrências nestes sistemas. Processos aeróbios geram de 5 a 20 vezes mais material celular a partir de uma quantidade determinada de substrato do que os processos anaeróbios. Esta diferença em termos energéticos está relacionada à termodinâmica das reações envolvidas. em geral. os microrganismos anaeróbios degradam um substrato 2 vezes mais rápido do que os aeróbios. ficando grande parte da mesma dissipada no ambiente. Na realidade. porém. Respiração aeróbia: 38 ATPs/mol x 7 kcal/mol ATP = 266 kcal Glicose Glicose 6 CO2 + 6 H2O Etanol (∆H = 688 kcal/mol) ⇒ 266/688 = 39 % (∆H = 57 kcal/mol) ⇒ 14/57 = 25 % Fermentação: 2 ATPs/mol x 7 kcal/mol ATP = 14 kcal Este fato demonstra a capacidade de microrganismos aeróbios de extrair uma maior quantidade de energia de um substrato comparativamente com os anaeróbios. onde podemos observar numericamente os comentários feitos acima. Além disso.

075 5 60 40 0.17 0.67 6.8 0.77 – 6. enquanto que os anaeróbios acidogênicos aproveitam em média 15 % e os metanogênicos 3 %.7 0.5 – 630 105 – 3180 12 – 500 11 – 421 4. Química e Eng.015 0.100 15 .07 0. No entanto.6 7.004 – 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.1 0.025 – 0.01 – 0.4 – 0.054 0. de Alimentos .6 0.4 vezes).6 1.08 – 0.045 6. e os metanogênicos acetoclásticos.047 0.025 – 0. Este fator implica em que um lodo anaeróbio pode ser conservado sem alimentação por períodos mais longos do que os aeróbios.017 – 0.10 25 .1 2.6 0.92 .90 22. 63 Prof.01 – 0.037 0. limitantes do processo anaeróbio.01 – 0.05 – 4.027 0.14 – 0. Isto tem importância fundamental na retomada de processos após um período de parada para manutenção.6 – 11. Em termos de velocidade de decaimento (b ou Kd). ou em casos de processos sazonais. Os microrganismos aeróbios aproveitam em torno de 60 % da matéria orgânica para produzir novas células.55 0.8x10-5 – 0.04 -0.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 63 Sumário de valores de constantes cinéticas para vários substratos utilizados em processos anaeróbios mesofílicos Substrato Processo k (gDQO/gSSVd) KS (mgDQO/L) µmax (d-1) YX/S (gSSV/gDQO) b (d-1) Carbohidratos Ácidos de cadeia longa Ácidos de cadeia curta Acetato H2 e CO2 Acidogênese Oxidação anaeróbia Oxidação anaeróbia Metanogênese acetoclástica Metanogênese 1. os metanogênicos acetoclásticos decaem numa velocidade aproximadamente 3 vezes menor. que mesmo não sendo nas mesmas unidades podem dar uma idéia da ordem de grandeza.2 – 17. em termos de velocidade de conversão de substrato em produtos os microrganismos anaeróbios acidogênicos são em média 7 vezes mais rápidos do que os aeróbios.085 – 0.20 0.11 0.33 – 70.13 – 1.06 Nestas Tabelas é importante verificar as diferenças entre os fatores de conversão de substrato em células (Y).088 Sumário de valores de constantes cinéticas para vários substratos utilizados em processos aeróbios mesofílicos Valores coeficiente k KS YX/S b unidade d-1 mgDBO/L mgDQO/L gSSV/gDQO d-1 faixa típico 2 . tem uma velocidade média ligeiramente superior à dos aeróbios (1.2 – 30 0.70 0.

Lodos ativados No processo de Lodos Ativados participam uma série de microrganismos. ou induzindo o metabolismo endógeno celular. como Filtro Biológico. A floculação bacteriana é conseqüência direta da operação do bioreator. 64 Prof. protozoários e micrometazoários. Dentre os principais tipos encontram-se: bactérias heterótrofas e quimioautrótofas (destacando-se as filamentosas). ou seja. sua descrição microbiana é bastante semelhante para outros sistemas. Lagoas Aeradas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 64 Cinética de crescimento 5 Growth Velocity (d-1) 4 3 2 1 0 0 100 200 300 400 500 Substrate (mg COD/L) Cinética de consumo de substrato Substrate Removal Velocity (mg COD gSV -1d-1) 10 8 6 4 2 0 0 100 200 300 400 500 Substrate (mg COD/L) Lodos Ativados Metanogênicas Acetoclásticas INTERAÇÕES MICROBIANAS NOS PROCESSOS DE TRATAMENTO BIOLÓGICO (Texto adaptado de VAZOLLER. de Alimentos . Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. conduzindo a menor atividade de parte das células no sistema. são responsáveis pela degradação da matéria orgânica. bem como a auto-oxidação das células. Nestes sistemas as bactérias são os consumidores primários. Os protozoários utilizam as bactérias como base nutricional. A baixa atividade das bactérias favorece a floculação no bioreator. estes serão abordados em conjunto. Valos de Oxidação e Biodiscos. No entanto. A quantidade de bactéria filamentosas tem um papel fundamental na floculação do lodo. que por sua vez irão constituir a base nutricional dos micrometazoários. 1999) • Sistemas Aeróbios O sistema biológico mais comumente utilizado como exemplo dos processos aeróbios é o conhecido por Lodos Ativados. Por serem sistemas microbianos semelhantes. Química e Eng. A principal característica deste processo e a formação de aglomerados de microrganismos (flocos) que é importante para separação do lodo formado. o que em certo grau auxilia na diminuição da massa celular. que promove condições de estresse nutricional.

Beggiatoa sp. O crescimento em abundância de filamentosas. Ciliados livres-nadantes e sésseis – Aspidisca costata. Sphaerotillus natans. Nocardia sp. além da competição com as demais espécies bacterianas pelo substrato orgânico. como efeito de algum desequilíbrio operacional do sistema. O quadro abaixo apresenta alguns exemplos de gêneros microbianos presentes em Lodos Ativados. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Estas bactéria podem ser encontradas na estrutura dos flocos ou livres. Microthrix parvicella. Monas sp e Cercobodo sp. Trachelophyllum sp. Bdellovíbrio sp. Zooglea ramigera. Flagelados – Spiromonas sp. Mycobacterium. Flexibacter sp. e outras são capazes de oxidar compostos reduzidos de enxofre. Bodo sp. A existência de outros metabolismos também pode ser exemplificada pelas espécies quimioautótrofas Nitrosomonas sp e Nitrobacter sp. Filamentosas Nitrificantes Protozoa Classe Sarcodina Classe Ciliata Classe Mastigophora Algumas espécies de bactérias filamentosas são também heterótrofas. Nitrosomonas sp E Nitrobacter sp. 65 Prof. Didinium sp e Chilodenella sp. e em sua grande maioria são heterótrofas. Euglena sp. removendo a matéria orgânica do meio. Haliscomenobacter hydrosis. Nostocoida limicola. e são em geral os microrganismos responsáveis pela ocorrência de um dos graves problemas no tanque de aeração. Alcaligenes sp e Citromonas sp. com formação intracelular de grânulos de enxofre elementar. o intumecimento do lodo. Paramecium sp. que interfere na sedimentação e compactação do floco bacteriano. Química e Eng. Amebas – Arcella discoides e Amoeba sp. como é o caso dos gêneros Thiothrix e Beggiatoa sp. Tipos de microrganismos encontrados no processo de lodos ativados Tipo de microrganismo Bactérias Exemplos Heterótrofas Pseudomonas sp. responsáveis pela nitrificação da amônia. Achromobacter sp. Thiothrix. Flavobacterium sp.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 65 As bactérias responsáveis pelo processo biológico e presentes no floco pertencem a diferente gêneros. de Alimentos . Leucothrix sp. forma uma macroestrutura semelhante a uma rede.

com a concentração de O2 e com a concentração das várias espécies de microrganismoa presentes no sistema. posteriormente substituídos por protozoários holozóicos. Algumas características do processo relacionadas com a predominância das populações está apresentada na Tabela abaixo: Outro parâmetro de controle realizado com a análise microscópica é com relação às características de sedimentabilidade do lodo em função do número de filamentos existentes e do diâmetro do floco. de Alimentos . Pode-se controlar qualitativamente o processo de lodos ativados em função da predominância das populações de microrganismos existentes. No início do processo pode-se observar a presença de amebas e flagelados. em função do grau de depuração do efluente. como por exemplo os ciliados livrenadantes. como os rotíferos e nematóides. A Figura abaixo apresenta um gráfico representativo das variações de predominancia dos vários microrganismoas presentes em um processo de Lodos Ativados. Química e Eng. uma vez que sua natureza varia com a concentração de matéria orgânica. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 66 A microfauna existente é um bom indicador do estágio de depuração do processo. 66 Prof. O climax do sistema atinge quando se observa a presença de siliados sésseis e micrometazoários.

a degradação da matéria orgânica envolve a atuação de microrganismos procarióticos anaeróbios facultativos e obrigatórios.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 67 • Sistemas Anaeróbios Nos processos anaeróbios ou. acetogênicas produtoras de hidrogênio e metanogênicas. etc. 4 H CO2 H22++ CO2 Formiato. o que se observa é a ocorrência da oxidação de compostos complexos.). sistema gastrintestinal de animais superiores. Química e Eng. lipídos. de Alimentos . polisacarídeos) 1 MONOMEROS Y OLIGOMEROS 1 1 4 1 I . pântanos. a partir de compostos orgânicos complexos. como também em habitat naturais com formação de metano (sedimentos aquáticos. FORMIATO II – Acetogênese y desidrogenacão ACETATO 5 6 2 3 III – Metanogênese CH4 + CO2 A natureza da gênese do metano em etapas. 67 Prof.Hidrólise e fermentação ÁC. acetato e hidrogênio. etc. Na atividade microbiana anaeróbia em biodigestores. nos sistemas de biodigestão anaeróbia. A bioconversão da matéria orgânica poluente com produção de metano requer a cooperação entre culturas bacterianas como ilustrado no esquema da Figura abaixo. cujas espécies pertencem ao grupo de bactérias hidrolíticas-fermentativas. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Microbiologia e Bioquímica da Digestão Anaeróbia POLÍMEROS (proteinas. etc. e alguns exemplos são mostrados no Quadro seguinte. São vários os tipos de bactérias que participam no processo. resultando nos precursores do metano. GRAXOS ALCOOiS LACTATO. mostra a importância das interações microbianas que buscam evitar o acúmulo de ácidos orgânicos e álcoois no meio em fermentação.

Bifidobacterium sp. sob condições anaeróbias. observa-se a ocorrência de várias reações de degradação dos compostos orgânicos e a dependência das mesmas da presença do hidrogênio formado no sistema. Peptococcus anaerobicus. 68 Prof. Assim. com diferentes capacidades degradativas. Lachnospira multiparus. Desulfovibrio sp. representadas por espécies de metanobactérias e de redutoras do íon sulfato. Bacteroides succinogenes. A cooperação entre as bactérias produtoras e consumidoras de hidrogênio. Bacillus sp. Os intermediários metabólicos de um grupo de bactérias podem servir como nutrientes ao crescimento de outras espécies. sob condições padrão de ocorrência e dentro dos biodigestores. sob condições padrão de ocorrência e dentro dos biodigestores. Megasphaera sp. Staphylococcus sp Syntrophomonas wolinii. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. portanto. A Tabela a seguir apresenta a estequiometria de algumas reações da biodigestão anaeróbia. é denominada "transferência de hidrogênio entre espécies". A eficiência do processo anaeróbio depende. observa-se a ocorrência de várias reações de degradação dos compostos orgânicos e a dependência das mesmas da presença do hidrogênio formado no sistema. com diferentes capacidades degradativas. Butyrivibrio fibrisolvens. portanto.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 68 Etapas da biodigestão anaeróbia Espécies bacterianas Hidrólise e acidogênese Clostrídios. e as variações de energia livre destas reações. Química e Eng. Assim. A eficiência do processo anaeróbio depende. Selenomonas sp. Os organismos da biodigestão anaeróbia apresentam um elevado grau de especialização metabólica. Acetivibrio cellulolyticus. Eubacterium cellulosolvens. Methanospirillum sp Acetogênese Metanogênese acetoclástica Metanogênese hidrogenotrófica Os organismos da biodigestão anaeróbia apresentam um elevado grau de especialização metabólica. wolfei. de Alimentos . A Tabela 5 apresenta a estequiometria de algumas reações da biodigestão anaeróbia. S. das interações positivas entre as diversas espécies bacterianas. Desulfotomaculum sp (bactérias redutoras do íon sulfato) Methanosarcina sp e Methanothrix sp Methanobacterium sp. A remoção do hidrogênio nos sistemas anaeróbios é feita pela ação de bactérias anaeróbias hidrogenotróficas. Acetobacterium woddii. Methanobrevibacter sp. Clostridium bryantii. das interações positivas entre as diversas espécies bacterianas. Syntrophus buswellii. e as variações de energia livre destas reações. Os intermediários metabólicos de um grupo de bactérias podem servir como nutrientes ao crescimento de outras espécies.

de Alimentos . ácidos orgânicos.2 +21. Oxidação do propionato a acetato CH3 CH2COO.2 -4.+ 4H2O 6. este é o teor de hidrogênio que permite a ocorrência da maioria das reações para a metanogênese completa dos resíduos.→ CH3COO.+ HCO3.3 -76.+ H+ → CH4 + 3H2O 5.+ H+ + 2H2 8. 37°C e pH 7.4 -39. Desalogenação redutiva H2 + CH3 Cl → CH4 + H++ Cl+18.+ NH4+ + 2H2 7. butirato.+ 7H2O → 3CH3COO. e associados à oxidação anaeróbia da glicose.0 +11. 1 mmol/L para acetato. Metanogênese do hidrogênio e dióxido de carbono 4H2+ HCO3.5 -5.+ H2O → CH4 + HCO34. aminoácidos e benzoato pelas bactérias fermentativas e acetogênicas produtoras de hidrogênio. propionato e isovalerato.1 -3.3 2. Conversão da glicose em metano e dióxido de carbono C6H12O6 + 3H2O → 3CH4 + 3HCO3 + 3H + -96.7 -14.6 -1.6 atm para o metano.+ H+ → CH3COO. benzoato e cloreto de metila.0 +1. A metanogênese hidrogenotrófica e acetoclástica ocorre sob pressões parciais de hidrogênio da ordem de 10-4 atm.10-4 para o hidrogênio.2 -1.+ 4H+ + 4H2 3.+ 2 HCO3.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 69 Reações ∆G0’ ∆ G’ (kcal/reação) (kcal/reação) 1.3 -49.4 -32.+ 2H2O → 2CH3COO. Conversão da glicose em acetato e hidrogênio C6H12O6 + 4 H2O → 2CH3COO. Oxidação do benzoato a acetato C7 H5 O2.8 -29. Os dados das variações de energia livre das reações mostrados nesta Tabela. 69 Prof. Metanogênese do acetato CH3COO.+ 3H+ + 3H2 10.0 * Os cálculos de AG' foram realizados sob as condições "típicas" em um biodigestor anaeróbio. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. 20 mmoles/L para o íon bicarbonato e íon cloreto. Química e Eng.5 -95. Acetogênese do hidrogênio e dióxido de carbono 4H2 + 2HCO3.+ 3H2O .1 -7. leucina. Oxidação de aminoácido Leucina + 3H2O → isovalerato + HCO3.0.4 -25. 0.+ H++ 3H2 9. indicam a necessidade de baixas pressões parciais de hidrogênio no sistema.+ HCO3. A concentração de produtos e reagentes foram as seguintes: 10 (molares para glicose. Portanto. Oxidação do butirato a acetato CH3CH2CH2COO.9 -7.

ou mesmo daqueles que crescem numa velocidade menor.2. os nutrientes.2 0 5 5. esta é uma matéria extensa que traria uma dispersão do enfoque principal. Este é o caso típico dos microrganismos metanogênicos na digestão anaeróbia. A Figura abaixo apresenta um gráfico da atividade de alguns microrganismos metanogênicos em função do pH.8 0.5 9 pH 70 Prof. Relative Activity 1. Os microrganismos fisicamente organizados em aglomerados bacterianos. No anexo 3 encontra-se uma apostila sobre a questão do equilíbrio químico voltado ao tratamento biológico de resíduos.4 0. ou em biofilmes. a predominância e a atividade dos microrganismos está diretamente relacionada aos fatores ambientais. deve-se buscar a faixa de pH onde propicia-se o crescimento máximo da maior parte dos microrganismos envolvidos. para que não haja um desequilíbrio do sistema.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 70 O elevado desempenho dos biodigestores anaeróbios modernos. Aqui veremos com um pouco mais de detalhes a interferência de alguns fatores como o pH. Porém. • pH: O pH altera as cargas dos sítios ativos das enzimas modificando suas estruturas e. de Alimentos . a toxicidade de alguns íons e a temperatura.8 a 7. merecendo um aprofundamento específico. A presença de um material que suporte a adesão dos microrganismos não é obrigatória em alguns reatores. Química e Eng. Nestes sistemas onde existem uma série de microrganismos atuando na forma de consórcios. A grande maioria dos microrganismos tem a atividade ótima em valores de pH em torno da neutralidade.6 0. consequentemente perdendo suas especificidades.5 8 8. a composição química do meio é de extrema importância nestes processos. São a eles que deve-se procurar otimizar o crescimento.5 6 6. grânulos biológicos. ficam facilmente retidos dentro do sistema. denominados nãoconvencionais. A faixa ótima para a metanogênese é entre 6.2 1 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Existem microrganismos que possuem uma faixa mais ampla de sobrevivência do que outros. como no caso do lodo granulado dos reatores de fluxo ascendente e manta de lodo INFLUÊNCIA DE MICRORGANISMOS FATORES AMBIENTAIS NA ATIVIDADE DOS Como comentado no primeiro capítulo. é conseqüência da organização eficiente dos microrganismos anaeróbios e sua retenção no reator. Certamente.5 7 7. ou daqueles mais exigentes (faixas mais estreitas).

de tal forma que a situação de limitação de substrato é atingida.).5 µmax. Estes valores mostram que um processo aeróbio é capaz de atingir um efluente de melhor qualidade muito mais fácilmente do que os processos anaeróbios. • Temperatura: A temperatura altera as propriedades físicas do meio. 60 60 + 60 60 600 + 60 = 0. Isto pode ser extrapolado para os outros nutrientes envolvidos. a DBO5 de 60 mg/l é um parâmetro comum a ser alcançado. Há uma série de formas que os compostos podem interferir nas funções metabólicas dos microrganismos. Cada microrganismo possui uma faixa ótima de temperatura. quando não há limite de substrato os microrganismos são capazes de crescer com a sua velocidade máxima. mas principalmente do tipo de microrganismo e da concentração do composto tóxico. Química e Eng. µ = µmax. N. Em processos anaeróbios há necessidade de manter-se altos teores de nitrogênio para que este não seja limitante.) a níveis máximos estipulados pela legislação. a Figura abaixo apresenta o efeito inibitório de alguns cátions de metais leves e de amônio sobre a velocidade de utilização de acetato em digestão anaeróbia. A Figura abaixo apresenta a faixa de temperatura para alguns microrganismos anaeróbios. interfere na cinética das reações. a intensidade da inibição irá depender de uma série de fatores. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. etc. Porém. Vejamos como estarão as atividades dos microrganismos aeróbios e anaeróbios nesta condição: Aeróbios: Anaeróbios µ = µmax. transporte de íons. Segundo a equação de Monod. = 0. 71 Prof. • Toxicidade: Uma série de compostos pode causar inibição ao crescimento de microrganismos aeróbios e anaeróbios. Como exemplo. como é o caso do nitrogênio amoniacal (fonte de nitrogênio). envolvendo mecanismos muitas vezes complexos e pouco esclarecidos. de Alimentos .09 µmax. altera a conformação da estrutura das enzimas e interfere nas funções básicas dos microrganismos (mobilidade. Como exemplo. etc. µ = µmax. S ks + S Nos processos de tratamento de efluentes deseja-se minimizar a concentração dos nutrientes (C.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 71 • Nutrientes: A concentração dos nutrientes disponíveis para os microrganismos interfere diretamente nas suas atividades.

A Figura abaixo apresenta a variação de atividade dos microrganismos aeróbios e anaeróbios em função da temperatura e da concentração de substrato disponível. Significado bioquímico: a medida deve refletir uma conseqüência do metabolismo do sistema biológico. pH.6 0. 6. Enquanto que nos processos sob controle estatístico (processos estáveis) a variabilidade se deve a causas aleatórias não significativas. A corrente de entrada do sistema deve ser monitorada para que se possa fazer correções quando necessário. através de um sistema de monitoramento on-line. de modo a assegurar seu bom desempenho. Química e Eng. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Em temperaturas inferiores a 10 oC o processo anaeróbio se torna muito pouco ativo praticamente inviabilizando o mesmo para altas remoções de matéria orgânica.2. É desejável a aquisição de dados em tempo real. a desestabilização se deve a causas especiais como: sobrecarga orgânica ou hidráulica.2 1 0. Algumas características são importantes nas metodologias de acompanhamento e controle: Rapidez: para que um eventual problema seja detectado a tempo de proceder a intervenção no processo antes do estabelecimento de uma condição de falha no sistema. 72 Prof. de modo a minimizar as probabilidades de desequilíbrio do sistema de tratamento.4 0.Parâmetros de Controle de Processo (texto adaptado de YRATA. e outras. Várias são as causas de variabilidade que podem ocorrer. Confiabilidade: a precisão e exatidão das medidas obtidas são características importantes dos métodos usados. 1999) Como qualquer processo. aparecimento de substâncias tóxicas orgânicas ou inorgânicas na corrente de entrada.2 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Temperature Os microrganismos anaeróbios são muito mais sensíveis a variações de temperatura do que os aeróbios.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 72 Relative Activity 1. os de tratamento biológico de efluentes devem ser monitorados e mantidos sob controle estatístico.8 0. que podem afetar o sistema biológico. mudanças significativas nas condições ambientais como temperatura. de Alimentos .

Por essa razão. Quando se trata de um reator homogêneo. acoplado a um de referência (como um de calomelano. Apesar de ser uma medida muito simples quanto à realização. pois este mede o equilíbrio entre as populações de microrganismos acidogênicos e metanogênicos. Química e Eng. preparação da amostra. de Alimentos . o Carbopack B-DA com 4% de Carbowax 20 M) É importante seguir as recomendações do fabricante do equipamento e da coluna quanto aos cuidados com o condicionamento do sistema. decorrente da falta de equilíbrio entre as populações. específico para H+. que é agravado pela agitação. Sua queda revela um acúmulo de intermediários ácidos num nível superior ao tolerado pela capacidade tampão do meio. O acúmulo dos mesmos indica desequilíbrio do processo e consequentemente a falha. etc. • AOV (ácidos orgânicos voláteis) É um dos parâmetros mais importantes para o acompanhamento e controle da digestão anaeróbia. 73 Prof. que normalmente são compostos por um eletrodo de vidro. É também fundamental fazer uma calibração adequada do método usando padrões (externos ou internos). Como a pressão parcial do CO2 fora do reator é menor do que dentro. as amostras para a avaliação do conteúdo do tanque podem ser retiradas na saída do efluente. O pH é resultado de várias interações entre as espécies químicas. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. das quais o CO2 é uma das mais importantes. por fornecer informações mais detalhadas. de prata/cloreto de prata). A perda contínua de CO2 dissolvido vai resultar no aumento contínuo do pH. assim que a amostra é coletada começa um processo de liberação do gás dissolvido. É importante principalmente em trabalhos de pesquisa. alguns cuidados são importantes. Vários métodos estão disponíveis para sua medida. deve-se dispor de um detector de ionização de chama e integrador automático para que resultados adequadamente precisos sejam obtidos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 73 Outra questão importante é com relação a Amostragem. de modo que seria interessante colher amostras ao longo da altura. Determinação cromatográfica de AOV Para cromatografia em fase gasosa. O melhor de todos é a cromatografia. Quando se tratar de reatores não homogêneos como o filtro biológico e o UASB. PRINCIPAIS PARÂMETROS PARA PROCESSOS ANAERÓBIOS • pH O pH tem um significado muito importante no processo anaeróbio. o que pode ser o resultado de um desequilíbrio entre a produção e o consumo dessas substâncias. a medida de pH deve ser feita imediatamente após a coleta de amostra do reator. dependendo dos objetivos do trabalho. Existem várias colunas no mercado capazes de separar eficientemente os AOV de interesse (como por exemplo. tanto em fase gasosa como em fase líquida. misturando o conteúdo sem provocar uma agitação excessiva. O valor de pH é medido usando um potenciômetro dotado de eletrodos específicos para pH. regeneração da coluna. os parâmetros terão valores que variam ao longo da altura.

Uma vez que cada espécie tem o seu pH de neutralização completa. No caso de se medir o biogás total. • Alcalinidade A medida da alcalinidade mostra o nível da capacidade tampão. em escala de laboratório.2 quando ambos os parâmetros estão expressos em mg/L. não fornecem a composição dos AOV. 74 Prof.35 em concentrações molares de AOV e alcalinidade. pode-se usar uma solução de 200 g de Na2SO4 e 200 mL de H2SO4 concentrado em 800 mL de água. Em escala de laboratório. em pesquisa.1 e 0. pode-se coletar apenas o metano. como o espectrofotométrico segundo Montgomery et al. quantificando o volume de líquido deslocado em um período de tempo. Duas são as desvantagens principais tanto do método colorimétrico como do volumétrico. a medida pode ser feita facilmente usando gasômetros de transferência de líquido. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. que correspondem a 0. Química e Eng. Os valores recomendados ficam entre 0. Existem diversas espécies químicas que conferem alcalinidade ao meio: bicarbonato. No caso de se trabalhar em pequena escala. por cromatografia ou por outro método mais simples.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 74 Determinação conjunta dos AOV Para uso rotineiro de monitoramento do processo em laboratórios ou em estações de tratamento. do que simplesmente o AOV e alcalinidade separadamente. • Relação AOV / alcalinidade A relação AOV/alcalinidade é um parâmetro mais adequado para o monitoramento do processo. ambos indicando o equilíbrio do processo entre as várias populações de microrganismos. Neste caso é importante determinar a composição do gás. pois a concentração de CH4 é importante para avaliar o equilíbrio do processo anaeróbio. A alcalinidade total é determinada por titulação até pH 4. absorvendo o CO2 em tubo de cal sodada e recolhendo o gás num gasômetro contendo uma solução de NaOH. Neste caso a cal sodada deve ser substituída periodicamente e a solução de soda não deve ter pH inferior a 12. sais de ácidos voláteis e outros.0. que poderia provocar uma falha do sistema. • Volume de gás total e de metano A medida do volume de gás produzido e sua composição refletem a condição do processo. ou o de titulação segundo Standard Methods.06 e 0. pois permite prever e evitar a queda de pH. de Alimentos . pode-se usar métodos mais simples. em relação ao cromatográfico: podem apresentar desvios cuja magnitude depende da composição dos AOV. sendo por isso importante para a prevenção de quedas de pH. o significado do parâmetro depende do pH final de titulação.

É fundamental que se tenha pelo menos um biogás padrão certificado para a calibração do sistema a cada ocasião de análise. Após a leitura dos 30 minutos. • Composição do biogás É altamente desejável contar com um cromatógrafo simples. métodos mais simples podem ser usados para ter uma avaliação da produção de metano. 20 e 30 minutos. Coloca-se a amostra em uma proveta de 1L e acompanha-se a sedimentação fazendo leitura da altura do lodo em tempos de. como por exemplo as CNTP. o conteúdo é homogeneizado e daí é feita a determinação de sólidos suspensos totais (SST). dotado só com um detetor de condutividade térmica exclusivamente para analisar gases. de Alimentos . deve-se tomar o cuidado de equilibrar a pressão interna do gasômetro e do reator com a pressão ambiente na ocasião da leitura. para comparar as características do lodo ao longo do tempo. Na falta de disponibilidade de um cromatógrafo. plotando o volume de lodo em função do tempo. 5. De preferência o equipamento deve ser configurado de tal forma que uma única injeção seja suficiente para obter os picos dos principais componentes do biogás (metano. uma vez que o lodo sedimentado no decantador final é retornado ao tanque para assegurar um alto tempo de retenção celular. calculado dividindo o volume de lodo obtido no teste de sedimentação (após 30 minutos) pelo teor de SST. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. gás carbônico. Química e Eng. PRINCIPAIS PARÂMETROS PARA PROCESSOS AERÓBIOS • Sedimentabilidade A sedimentabilidade do lodo do tanque de aeração é uma característica fundamental para o bom funcionamento do processo. volume de lodo (mL/L) IVL = SST (g/L) 75 Prof. é importante que o equipamento seja dotado de um amostrador (loop). 10. A sedimentabilidade é determinada em amostras coletadas perto da saída do tanque de aeração. 15. Para uma maior precisão de medida. Nas mesmas amostras deve-se determinar o SSV. para que seja possível a expressão do volume de gás sempre na mesma condição.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 75 Nos gasômetros de deslocamento de líquido. ar contaminante. • Índice volumétrico de lodo (IVL) É o volume ocupado por 1 grama de lodo (em termos de matéria seca). em escala de laboratório. Construi-se a curva de sedimentação. hidrogênio). para poder calcular o índice volumétrico de lodo. por exemplo.

conforme descrito anteriormente. porém o seu entendimento é um pouco mais complexo. a capacidade do sistema em degradar a carga orgânica aplicada ao reator.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 76 • Velocidade específica de consumo de oxigênio É o consumo de oxigênio realizado por uma unidade de massa de lodo do tanque de aeração por uma unidade de tempo. A medida deve ser efetuada com o sistema nas condições normais de operação. 76 Prof. • Idade do lodo Este parâmetro é uma estimativa do tempo de retenção celular médio. O θc é tempo de permanência da massa celular no reator. Este parâmetro avalia a atividade específica do lodo. PARÂMETROS UTILIZADOS PARA O CONTROLE DOS DOIS PROCESSOS • Quantidade de biomassa A quantidade de biomassa (X) é um parâmetro importante para verificar. θh = V / Q • Tempo de retenção celular (θc) O tempo de retenção (ou detenção) celular pode ser definido da mesma forma como o θh. de Alimentos . suprimindo-se a oferta de ar só durante a sua realização. É determinado dividindo a massa de SSV no tanque pela massa de SSV removida do sistema. O método mais utilizado é a concentração de sólidos suspensos voláteis(SSV). associada à concentração de matéria orgânica do efluente. Ela é o volume de efluente aplicado ao reator por unidade de tempo. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Para um reator com reciclo de lodo (lodo ativado convencional) o θc tem a seguinte expressão: θc = V X / (Qd Xd + Qe Xe) Quando o reator for de mistura completa sem reciclo o θc será igual ao θh. A vazão deve ser equalizada para evitar as flutuações de velocidades ascensionais internas no reator. Mede-se a queda no teor de oxigênio dissolvido. Química e Eng. • Vazão volumétrica (Q) A vazão volumétrica (Q). A velocidade específica de consumo de oxigênio é calculada dividindo-se a velocidade de queda da concentração de oxigênio pela concentração de SST. • Tempo de retenção hidráulico (θh) O tempo de retenção (ou detenção) hidáulico é o tempo que um elemento de volume leva para percorrer todo o volume do reator (V). é um parâmetro importante para o cálculo da carga aplicada. por meio de um eletrodo específico. em conjunto com a atividade.

por unidade de tempo (kg DQO/kg SSV dia). Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. 77 Prof. • Microscopia Como já mencionado anteriormente. porém mede exatamente a capacidade daquele consórcio de microrganismos em degradar um substrato específico. separadamente ou em conjunto. DBO (demanda bioquímica de oxigênio) ou COT (carbono orgânico total) A matéria orgânica consumida (diferença entre a introduzida e a remanescente) é relacionada à quantidade introduzida no reator. DQO (demanda química de oxigênio). As técnicas utilizadas são várias. obtendo-se a fração removida. qv = Q S0 / V • Carga orgânica específica (qe) ou relação F/M A carga orgânica específica é a quantidade de substrato alimentado (S0) pela quantidade de biomassa presente. Este parâmetro mede a capacidade de um reator em tratar um determinado efluente. Este parâmetro reflete a eficiência do processo. servindo como parâmetro de projeto e de comparação entre reatores de diferentes concepções. Este teste pode ser aplicado para várias populações de microrganismos específicos. por unidade de tempo (kg DQO/kg SSV dia). Este parâmetro é importante para verificar em que condições de alimentação os microrganismos estão expostos (substrato limitante ou excedente). por unidade de tempo (kg DQO/m3 r dia). A unidade é a mesma da carga orgânica específica. MEDIDAS DA EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE TRATAMENTO • Remoção de matéria orgânica A matéria orgânica pode ser expressa em termos de SV (sólidos voláteis). a microscopia é uma ferramenta muito útil quando deseja-se avaliar as populações que predominam nos sistemas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 77 • Carga orgânica volumétrica (qv) A carga orgânica volumétrica é a quantidade de substrato alimentado (S0) por unidade de volume de reator. qe = F/M = S0 / θ X = qv / X • Atividade específica: A atividade específica mede a relação entre a quantidade de substrato consumido e a quantidade de biomassa. variando o substrato que é adicionado e as condições ambientais aplicadas ao teste. dependendo do objetivo da análise. Em geral é expressa em termos de porcentagem. de Alimentos . Química e Eng.

em escala real. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Sistemas Aeróbios LODOS ATIVADOS Dentre os processos aeróbios.Sistemas de Tratamento 6. É a relação entre o volume de gás total ou de metano produzido com a quantidade de matéria orgânica adicionada ao reator ou removida pelo processo.3.3. Química e Eng. É no seu interior do biorreator (tanque de aeração) que ocorrem as reações que conduzem à metabolização dos compostos bio-tranformáveis. que pode ser recirculado para o tanque de aeração ou ser descartado. uma vez que pode-se controlar o seu tempo de residência. A primeira unidade. Desde então o processo de lodos ativados ganhou grande difusão e incorporou modificações técnicas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 78 • Conversão de matéria orgânica a gás Embora possa ser expressa em termos de biogás ou de metano. 6. tem maior significado quando expressa em termos de metano. Aqui é essencial que se tenha boa mistura e boa aeração.1. mantendo-se ativo no mercado de processos de tratamento de efluentes. O efluente tratado. para tratamento de esgotos foi instalada em Manchester (UK em 1914). em conjunto com o lodo (biomassa) em suspensão vai para o decantador secundário onde separa adequadamente o lodo. 78 Prof. de Alimentos . o processo de lodo ativado (PLA) é um dos mais aplicados e também de maior eficiência. Esta recirculação irá dar as características desejáveis ao lodo. A Figura abaixo mostra um esquema simplificado de tratamento por lodo ativado. É o mais utilizado em localidades de grande concentração urbana. Afluente Biorreator Decantador secundário Efluente final Aeração Reciclo de lodo Descarte de lodo Esquema simplificado de tratamento por lodo ativado.

de Alimentos . relativamente abundante. Tanques de aeração Afluente Efluente Aeração 79 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. A Figura abaixo apresenta um desenho esquemático destes reatores. Para esgoto doméstico a literatura. CONVENCIONAL Estes são reatores tipo calha (plug flow). que normalmente são operados em paralelo.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 79 O funcionamento do processo está condicionado pela capacidade de decantação do lodo. VARIANTES DO LODOS ATIVADOS 1. viabilizando o processo. que asseguram boa sedimentabilidade do lodo. devido à sua especificidade. permite indicar faixas operacionais do processo. deve ser realizado um trabalho experimental para assegurar um projeto criterioso de lodos ativados. Para efluentes industriais. Química e Eng.

outro problema é com relação a não permissividade de absorver cargas de choque orgânico ou de compostos tóxicos. Química e Eng. 2. AERAÇÃO ESCALONADA Outra forma de contornar o problema da aeração e da sobrecarga. AERAÇÃO DECRESCENTE Para resolver o problema da aeração diferenciada. de Alimentos . utiliza-se uma variação na aeração do sistema através do espaçamento dos aeradores. pode-se fazer a alimentação em vários pontos do reator e manter a distribuição uniforme da aeração. Tanques de aeração Efluente Afluente Aeração 80 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. a concentração de oxigênio varia ao longo do mesmo.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 80 Dois são os maiores problemas deste tipo de reator: sendo a aeração uniforme ao longo do reator. prejudicando as características de sedimentabilidade do lodo. Tanques de aeração Afluente Efluente Aeração 3.

AERÓBIO DE CONTATO Observou-se que a matéria orgânica antes de ser metabolizada ela é adsorvida pela matriz do floco microbiano. o máximo possível. é interessante remove-la primeiro por adsorção. o excesso de lodo ativado produzido. As desvantagens são os custos elevados e a necessidade de um controle efetivo da quantidade de oxigênio podendo promover lodo de má sedimentabilidade. de Alimentos . Este processo é utilizado quando o efluente é muito concentrado ou a unidade está sobrecarregada. Química e Eng. A velocidade de adsorção é muito superior a da biodegradação. 81 Prof. A vantagem deste sistema é a diminuição do tempo de retenção hidráulico total do sistema. portanto. Como a matéria orgânica encontra-se de forma diluída. A idéia básica do processo de Aeração Prolongada é a de reduzir. separar os sólidos e depois degrada-la em um reator de sólidos separadamente. Se operada de forma adequada. Tanque de adsorção Afluente Decantador secundário Efluente final Reciclo de lodo Biorreator Aeração Descarte de lodo 5.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 81 4. LAGOS AERADAS Lagoas aeradas são bacias de grande volume nas quais. a aeração do despejo é feita por meio de unidades mecânicas de aeração (aeradores de superfície). a planta de tratamento de despejos por Aeração Prolongada não produz efeitos deletérios ao meio ambiente (odor) podendo. ou seja. OXIGÊNIO PURO O oxigênio puro pode ser usado no lugar do ar para obter a vantagem da maior transferência de oxigênio para o meio. 6. ser instalada em locais de grande concentração populacional. pelo aumento do tempo de residência no reator. AERAÇÃO PROLONGADA Esse processo de tratamento é também definido como um processo de oxidação total e se constitui num modificação do processo de lodos ativados. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. analogamente ao reator de lodo ativado. Essa redução da concentração de lodo é conseguida pelo simples aumento do tempo de aeração. Dessa forma. o excesso de lodo é consumido por respiração endógena.

é lançado diretamente no corpo receptor ou. ou seja. se necessário. A concentração de sólidos na lagoa aerada será função das características do despejo e do tempo de residência. Luz Algas CO2 Sais Minerais Respiração Bacteriana Esgoto • O2 82 Prof. Devido à acumulação. A seleção do regime de operação de uma lagoa aerada resulta de uma avaliação dos custos de operação e. a aeração não é feita por meios mecanicamente induzidos (aeradores de superfície) mas somente por meios naturais (transferência do oxigênio atmosférico para a água e. esses sólidos devem ser removidos (freqüência de remoção varia entre 1 e 6 anos). em maior parte. O oxigênio liberado na fotossíntese é utilizado pelos microrganismos aeróbios na degradação da matéria orgânica e. perfeita simbiose. PO43-) são utilizados pelas algas numa. exigem maiores volumes de bacia. em razão da provável escassez de oxigênio dissolvido. por assim dizer. O tempo de residência dessas lagoas é da ordem de 6 dias. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. o lodo formado‚ juntamente com o despejo tratado. por sua vez. regimes de operação de lagoas aeradas regime de mistura completa: Nesse regime. por demandarem menor potência de aeração. dos custos da terra (área).Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 82 A diferença fundamental entre a lagoa aerada e o reator de lodo ativado reside no fato de que na lagoa aerada não há reciclo do lodo. enviado para unidades de tratamento de lodo. LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO A diferença básica entre a lagoa de estabilização e a lagoa aerada é que na primeira. pela ação fotossintética dos vegetais clorofilados presentes na lagoa). sofrem decomposição anaeróbia. Química e Eng. principalmente. de Alimentos . NO3-. os produtos dessa degradação aeróbia (CO2. É claro que as lagoas facultativas. Os tempos de retenção são elevados e a carga mássica e volumétrica são menores. o nível de agitação é de cerca de 5 vezes menor que o regime de mistura completa. o nível de agitação é tal que todos os sólidos são continuamente mantidos em suspensão e o tempo de residência é da ordem de 3 dias • regime de lagoa facultativa: Nesse regime de operação. Esse nível de agitação é insuficiente para manter em suspensão homogênea todos os sólidos presentes de forma que parte desses sólidos se deposita no fundo da lagoa onde.

decorrente de menores taxas de transferência de substrato. até mesmo. sendo a maior parte da biomassa praticamente isenta de oxigênio (pela grande resistência à difusão do oxigênio atmosférico ao longo de toda a espessura da camada ). a taxa de consumo de oxigênio será maior que a taxa de re-aeração. externa àquela. Esta camada se constitui de 2 sub-camadas: uma camada anaeróbia.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 83 O tratamento de despejos em lagoas de estabilização será economicamente viável se: 1.maior probabilidade de colmatação do leito .predominam na película anóxica.nitrificantes . No filtro biológico (FB) há o contato direto do substrato com o ar atmosférico e com os microrganismos que se desenvolvem aderidos à superfície do meio poroso. O efluente passa de forma descendente através do recheio e é coletado no fundo. A taxa global de remoção dependerá da natureza e da 83 Prof. Se a DBO do afluente da lagoa (despejo a ser tratado) for muito alta. vermes e larvas. essencialmente constituída de bactérias e algas.1 mm a 2 mm. As bactérias heterotróficas predominam na película oxigenada enquanto que as autotróficas . é de se esperar que a primeira delas opere em condições anaeróbias enquanto que nas subsequentes. estas do gênero Zooglea. externa àquela. A matéria orgânica em solução contida no despejo bem como o oxigênio necessário para a sua oxidação biológica difundem-se através da camada de limo (biofilme) e é por ele metabolizada com a conseqüente redução da DBO e a evolução de gases e demais produtos do metabolismo aeróbio e anaeróbio. aderida à superfície da do meio poroso e uma outra aeróbia. a espessura da sub-camada aeróbia seria da ordem de algumas centenas de micra (100 a 200 µ). pode haver o desenvolvimento de uma sub-camada anaeróbia junto à superfície do suporte e uma sub-camada aeróbia. No caso de se utilizar lagoas de estabilização em série. há a presença de protozoários. então a concentração de OD será baixa ou nula e o substrato só será degradado por ação anaeróbia com os conseqüentes problemas de odor (H2S e mercaptanas). 2. as condições aeróbias poderão eventualmente prevalecer. O filtro biológico é um recheio coberto de limo biológico através do qual a água residuária passa. a camada de limo. Uma condição freqüentemente encontrada em lagoas de estabilização é de que as lâminas d'água mais próximas da superfície livre operam em condições aeróbias enquanto que as mais profundas operam em condições anaeróbias. Somente em casos de tratamento de despejos de alta concentração da DBO é que as condições de operação da lagoa são anaeróbias. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. padrões de lançamento de despejos não muito rígidos. por ser feita por meios naturais é baixa. Espessuras maiores têm efeito adverso tanto na operação do filtro . grandes áreas de terra forem disponíveis a custos baixos. embora em menor proporção. Além das bactérias e das algas há. FILTRO BIOLÓGICO Neste tipo de reator se utiliza a biomassa imobilizada (aderida) em algum tipo de suporte. Como já mencionado. de forma esquemática. A figura 2 a seguir mostra.quanto na eficiência de remoção do substrato. oxigênio e dos metabólitos A remoção da DQO no FB decorre por floculação da matéria orgânica em estado coloidal e aglomeração da matéria orgânica em suspensão.1 a 2 mm. Química e Eng. de Alimentos . Dependendo da espessura dessa camada de limo. a qual. cuja espessura pode variar de 0. Segundo alguns autores. fungos e. Normalmente o efluente é distribuído por pulverização uniforme sobre o recheio usando um distribuidor rotativo. a espessura da camada de limo pode variar entre 0.

maiores taxas de transferência de massa . correspondem a reatores com biomassa (limo) aderidos a um suporte inerte.recheados com uma material de preferência inerte. escória ou até mesmo bambu. 2 . Quando o despejo contém uma elevada percentagem da DBO nessas formas.e para permitir o fluxos de liquido e de ar sua porosidade é moderada ( 40 a 60% ). busca-se a utilização de material de recheio que alie custos baixos e a maior área superficial. filtros clássicos Os filtros clássicos são constituídos de um tanque de grandes dimensões . de modo que se pode esperar a existência das duas sub-camadas. Dessa forma. o oxigênio vai sendo consumido. 84 Prof. o termo “filtro” é inadequado. No filme biológico que ocorre na sub-camada correspondente. aí residindo sua maior atratividade com a restrição de que são recomendados como opção de tratamento de baixas vazões de despejos. ar e metabólitos . maiores taxas de remoção da mesma pode ser removida em virtude da coagulação-floculação dos colóides e por aglomeração da matéria em suspensão no liquido. maiores taxas de remoção quando comparados com despejos contendo substratos mais complexos. principalmente. 3 . Apesar de extensivamente utilizado na literatura de tratamento de águas residuárias. A eficiência de remoção de substrato depende de vários fatores. Química e Eng. tanto no estado coloidal quanto em solução. tipo de recheio e. A área elevada permite uma maior taxa de colonização superficial da biomassa e.diâmetro maior que a altura . de Alimentos . Despejos contendo substratos mais simples exibirão maiores taxas de difusão resultando. Em outras palavras. sendo aquele assimilado e os produtos desta assimilação se difundem para fora da camada de biomassa. por exemplo. substratos e oxigênio difundem-se através da camada de biomassa. sobre a qual o despejo percola. das condições de operação. a remoção de substrato é da ordem de 60 % enquanto que no PLA esta remoção é da ordem de 80 %.No FB convencional. À medida que o líquido percola através do meio poroso. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. mas sim uma biossorção seguida da metabolização dos constituintes biodegradáveis do despejos. os mecanismos de degradação biológica que ocorrem nessas subcamadas são essencialmente idênticos aos que ocorrem em qualquer outro processo de degradação biológica.Os custos de instalação/manutenção/operação do FB constituem-se numa pequena fração dos custos correspondentes do PLA. Concomitantemente com a metabolização do substrato. assim. Para minimizar as interrupções de funcionamento da unidade de tratamento decorrentes do entupimento do meio poroso . coque. entre eles: natureza do despejo. parte do oxigênio é consumido para a síntese de material celular e parte para prover a energia necessária ao ciclo vital dos microorganismos. como brita. pois nestes dispositivos não ocorre propriamente uma filtração. Os filtros biológicos convencionais.colmatação . os filtros utilizados têm de 1.substrato. em conseqüência.Não há energia despendida na aeração. COMPARAÇÃO ENTRE O FILTRO BIOLÓGICO E O LODOS ATIVADOS 1 .5 a 4 m de altura e “diâmetro” médio de partícula de recheio variando na faixa de 4 a 12 cm.No caso de despejos domésticos.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 84 concentração da matéria orgânica biodegradável presente. desenvolvem-se microorganismos que realizam a oxidação biológica da matéria carbonácea até transformá-la em gás carbônico na sub-camada aeróbia e ácidos orgânicos voláteis na sub-camada anaeróbia. Em geral.

Os discos são parcialmente submergidos no efluente dentro da bacia e a medida que vai girando uma parte fica exposta ao ar e outra submergida. de Alimentos . A figura abaixo apresenta um desenho esquemático de um biodisco. ocorrendo a oxidação pelos microrganismos. Quando a parte submergida é exposta ao ar. Química e Eng. 85 Prof. Os biofilmes desenvolvem-se em discos de material inerte. dentro de uma bacia. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 85 BIODISCOS Os biodiscos são reatores que estão baseados no mesmo princípio de biofilmes descrito para os filtros biológicos. que são colocados paralelamente em um eixo central que gira. um filme de líquido permanece percolado na superfície do biofilme.

de Alimentos . em múltiplos estágios. A partir de então vários outras configurações de fossas foram desenvolvidas.2. Com o desenvolvimento dos eficientes sistemas aeróbios no início deste século. São empregados como solução individual em áreas urbanas desprovidas de rede coletora pública de esgoto. Era a fossa Moura. formando uma camada de lodo no fundo do tanque. Esses fatores ampliaram significativamente a aplicação dos sistemas anaeróbios que podem ser praticamente usados para qualquer tipo de água residuária. houve uma evolução significativa dos sistemas de tratamento anaeróbio. um melhor entendimento dos processos bioquímicos envolvidos e o desenvolvimento dos reatores de alta taxa. graxas e outros materiais leves que formam uma camada de escuma na parte superior do tanque e a digestão anaeróbia do lodo sedimentado. concentradas ou diluídas.Sistemas Anaeróbios (texto de FLORENCIO. em baixas ou altas temperaturas. Desenho esquemático de um tanque séptico Nos tanques sépticos ocorrem os seguintes fenômenos: a sedimentação dos sólidos sedimentáveis proveniente dos esgotos. TANQUES SÉPTICOS Os tanques sépticos são reatores de fluxo horizontal e arbitrário. a flotação de óleos. vilas.3. uma câmara de digestão anaeróbia. DECANTO-DIGESTORES A fossa Mouras. 1999) A primeira aplicação de uma unidade de tratamento de esgotos foi relatada há um pouco mais de 100 anos. A partir da década de 70. outros sistemas anaeróbios foram concebidos e amplamente aplicados. especialmente os filtro biológicos e os sistemas de lodos ativados. patenteado na França em 2 de setembro de 1881 por Jean Louis Mouras. assim como para atender conjuntos residenciais. e comunidades com pequenas vazões (ABNT-NBR 7229/93 e NBR 13969/97). Naquela época. devido a vários fatores. foi o primeiro sistema de tratamento de esgotos relatado na literatura.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 86 6. Devido a sua configuração hidráulica que não 86 Prof. como unidade única. tais como. a aplicação do tratamento anaeróbio ficou praticamente limitada ao tratamento do lodo gerado nos processos aeróbios. se destacando os tanques sépticos e os tanques Imhoff (tanques sépticos com câmara sobreposta). reduzindo assim continuamente o volume do lodo depositado. ou em combinação com outras unidades (aeróbia e físico-química). Química e Eng. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.

2 a 2. especialmente quando comparado com outras concepções de sistemas anaeróbios mais econômicas e eficientes. Química e Eng. Vantagens e desvantagens dos tanques sépticos • • • • • • VANTAGENS Construção simples Baixo requisito de área Baixo consumo de energia Resistente a variação qualitativa e quantitativa do efluente Operação extremamente simples e eventual Baixo custo de implantação e operação • • • • DESVANTAGENS Baixa eficiência na remoção da matéria orgânica dissolvida Dificuldade em satisfazer padrões de lançamento bem restritivos Possibilidade de efluentes com aspecto desagradável A simplicidade operacional pode levar ao descaso Construção 87 Prof. a remoção global da DBO se dá principalmente pela digestão da DBO particulada.2 m para volumes <6 m3 1. Por possuírem câmaras superpostas eles necessitam de uma maior profundidade que os tanques sépticos.5 a 2. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Esta câmara funciona como um decantador primário. recomendável pelo menos anual TANQUE IMHOFF Os tanques Imhoff. Configuração Câmara única Câmara em série (1a com 2/3 volume total e 2a com 1/3 do volume total) Forma e dimensões Prismática retangulares Relação comprimento/largura: de 2 a 4 Largura mínima: 0. onde as fases de sedimentação e digestão dos sólidos em suspensão ocorrem em câmaras separadas. Os esgotos fluem apenas pela câmara superior. é uma evolução dos tanques sépticos. de Alimentos . Algumas características gerais dos tanque sépticos Construídos in loco (alvenaria ou concreto) ou em unidades pré-moldadas (fibra de vidro). sendo muito pequena a estabilização da DBO solúvel.80 m Profundidade útil: 1.8 a 2. devendo ser empregados para população superiores a 50 habitantes. onde ocorre a separação dos sólidos sedimentáveis. Atualmente os tanques Imhoff não são mais construídos no Brasil devido ao seu alto custo de construção.10 m Diâmetro interno mínimo (d): 1.5 m para volumes de 6 a 10 m3 1. onde ocorre a digestão anaeróbia e acumulação do lodo.10 m e d<2h Eficiência Remoção da DBO: 40 a 70 % Remoção dos sólidos suspensos: 50 a 80% Óleos e graxas: 70 a 90% Tempo de detenção hidráulico 12 a 24 horas Período entre limpeza Variável. Os sólidos sedimentáveis atravessam a abertura no fundo da câmara e atingem a câmara inferior.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 87 favorece a mistura e contato entre biomassa e esgoto solúvel.8 m para volumes >10 m3 Cilíndricas Profundidade útil mínima (h): 1. originalmente chamados de Emscher.

6 a 3. A partir de então muitos tipos de digestores foram desenvolvidos. com cobertura fixa ou flutuante Redução de sólidos voláteis: 45 a 50% 7. Termófila: 45 a 57 oC Diâmetro: 6 a 38 m Profundidade: 7 a 14 m Hidrólise Baixa carga (sem mistura): 30 a 60 d (QETE < 250 l/s Alta carga: 15 a 20 d Baixa carga 0. etc.2 a 6.2 (kgSSV/m3 d) 45 a 50 % Semi-contínua De 10 a 15 anos para remover a areia acumulada Desenho esquemático de um digestor de lodo com mistura e aquecimento.0 >15 88 Prof. Características gerais dos digestores anaeróbios de lodo Construção Remoção da DBO pH Temperatura Dimensões Etapa limitante Tempo de detenção hidráulico = Tempo de detenção celular (d) Carga de sólidos Eficiência na remoção dos sólidos Alimentação e retirada do lodo Limpeza Concreto armado. com e sem aquecimento. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.2 45 30 Alta taxa 1. bem como o tratamento de alguns esgotos industriais. com estágios único ou múltiplo.4 Mesófila: 30 a 40 oC. Taxa de aplicação e tempos de detenção para digestores de baixa e alta carga Digestor Taxa de aplicação (kg SSV/m3 d) Tempo de detenção no reator (dias) • não homogeneizado • reator homogeneizado baixa taxa < 1. Química e Eng. de baixa e alta carga.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 88 DIGESTORES DE LODO Os digestores anaeróbios de lodos são reatores utilizados para estabilizar os lodos concentrados produzidos durante o tratamento de esgotos. de Alimentos . Os digestores de lodo foram desenvolvidos após a constatação de que a digestão do lodo aquecido em tanque separado apresentava eficiência superior aos dos tanques Imhoff.0 a 7.6 a 1.6 (kgSSV/m3 d) Alta carga : 1.

ocorre a formação de um lodo floculento e a produção de metano (reator anaeróbio) e no segundo. destilarias. levedura Mistura completa. assim como a retenção no sistema de maior quantidade de lodo. Embora de aplicação limitada.40 75 a 90 Esgotos industriais diversos: laticínios.48 a 2. O processo de contato anaeróbio tem uma concepção similar ao processo aeróbio de lodos ativados. Muitas vezes pode ser ainda projetado. entre o digestor e o decantador. que requer a agitação por meio externo. para remoção do biogás (em geral por sucção). processamento de carne. sendo o efluente. ainda é utilizado na Alemanha e Inglaterra. Consiste de dois tanques. O esgoto bruto é misturado com o lodo anaeróbio ativo de retorno no reator de mistura completa. uma pequena unidade intermediária .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 89 PROCESSO DE CONTATO ANAERÓBIO O processo de contato anaeróbio é um processo de alta taxa desenvolvido nos anos cinqüenta para o tratamento de esgotos industriais. Desenho esquemático de um reator anaeróbio por contato. de Alimentos . Parte do lodo sedimentado é retornada para inocular o esgoto bruto afluente e garantir uma alta concentração de lodo ativo. o que não acontece com os digestores convencionais. a separação dos sólidos em suspensão. Alguma características dos processo de contato anaeróbio DQO afluente (mg/l) Tempo de detenção hidráulico (horas) Carga orgânica (kg DQO/m3 d) Eficiência (%) Tipo de esgoto a tratar Tipo de mistura 1 500 a 5 000 2 a 10 0. Foi um dos primeiros reatores concebidos para a melhoria dos requisitos de contato biomassa-esgoto. onde ocorre a separação dos sólidos. Desta forma o tempo de detenção celular se torna independente do tempo de detenção hidráulico. a mistura é separada no decantador ou flotador. permitindo tamanhos menores dos digestores. encaminhado para tratamento posterior. Química e Eng. onde no primeiro. ainda com alta carga poluidora. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. com agitadores mecânicos ou injeção do próprio (recirculação) biogás Crescimento disperso (em geral floculento) Tipo de crescimento dos microrganismos A evolução dos reatores anaeróbios convencionais pode ser sumarizada da seguinte forma: 89 Prof. Após a decomposição anaeróbia da matéria orgânica.

2.5) Alcalinidade > 1550 mg/l (CaCO3) Profundidade De 2 a 5 m (valores mais adotados = 2-4 m) Tempo de detenção 3 a 6 dias (tempos maiores pode tornar a lagoa hidráulico facultativa) Carga volumétrica de DBO5 Entre 100 e 400 g DBO5/ m3 d (ver tabela 3. 1986): Temperatura o C <10 Carga volumétrica g DBO5/ m3 d 100 Remoção de DBO5 (%) 40 90 Prof. Tanques sépticos concebidos para reduzir o volume do lodo Digestão do lodo separado em câmaras superpostas (tanques Imhoff). 6. pode chegar a 75 %) Localização na ETE Antes das demais lagoas Funcionamento Como tanque séptico aberto pH > 6 (ideal: em torno de 7.03 a 0. Diques de terra e fundo compactados e impermeabilizados Remoção da DBO 50 a 60 % (temperaturas >25 oC.ano Cargas orgânicas volumétricas permissíveis de projeto e remoção de DBO5 em função da temperatura (Mara & Pearson. laticínios. mas também do tratamento direto de efluente líquidos industriais.04 m3/hab. onde ocorre a sedimentação e digestão de sólidos sedimentáveis proveniente dos esgotos domésticos e/ou industriais (frigoríficos. O digestor é provido de sistema de mistura O lodo é separado em decantador e reintroduzido no reator anaeróbio. em processo similar ao de lodos ativados. 3. Em geral são utilizadas em combinação com outros tipos de lagoas.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 90 1. etc. Desenho esquemático de uma lagoa anaeróbia Algumas características de lagoas anaeróbias. 4. Agora o tratamento anaeróbio se aplica ao não apenas ao tratamento de lodos em ETEs.2) < 100 g DBO5/ m3 d pode se tornar facultativa > 400 g DBO5/ m3 d risco de odor Limpeza Quando estiver com o lodo ocupando a ½ do volume N = [½ volume da lagoa ( m3)]/ [taxa de acumulação do lodo (m3/hab. tais como facultativas e de maturação nos sistemas de lagoas de estabilização.ano) x população servida (hab)] Taxa de acumulação do lodo 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. de Alimentos Construção . Aquecimento do lodo dos tanques Imhoff Digestão do lodo separado em decantadores.). Química e Eng. LAGOAS ANAERÓBIAS As lagoas anaeróbias são reatores de fluxo horizontal (arbitrário). 5.

• • • • • • Desvantagens Elevado requisito de área Dificuldade em satisfazer padrões de lançamento bem restritivos A simplicidade operacional pode levar ao descaso na manutenção Possibilidade de crescimento de insetos Possibilidade de mau odores Necessidade de um razoável afastamento das residências circunvizinhas FILTROS ANAERÓBIOS Existem relatos (McCarty. 1981) que já no fim do século passado um tipo de filtro anaeróbio foi aplicado para o tratamento de esgotos sanitários na Inglaterra. Entretanto podem ser aplicados como uma única unidade de tratamento de esgotos concentrados ou diluídos (indústria farmacêutica. propiciando assim uma alta retenção de biomassa no reator. onde formam uma película de biofilme na sua superfície. Os filtros anaeróbios são largamente utilizados como unidade de pós-tratamento de decanto-digestores tratando os esgotos sanitários de pequenas populações. também chamado de leito. Os filtros anaeróbios consistem de tanques preenchidos com um material de suporte inerte (pedra. refrigerantes. numa maior capacidade de tratamento. etc. Este fato abriu amplas perspectivas para a aplicação de processos anaeróbios no tratamento direto de vários tipos de águas residuárias. quando aplicaram altas cargas orgânicas no tratamento de matéria orgânica solúvel. Neste caso. Entretanto.). consequentemente. favorecendo uma maior quantidade de biomassa aderida e que resulte. etc). além de desencadear o desenvolvimento de novas configurações de reatores anaeróbios de alta taxa. Por esta razão é desejável que o material inerte tenha uma grande área superficial por unidade de volume. devido ao risco de entupimento. que permanece estacionário. são mais aplicáveis para esgotos solúveis e com baixa concentração de sólidos suspensos. laticínio. 91 Prof. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. foi a partir do trabalho desenvolvido por Young & McCarty no final da década de 60. Química e Eng. que os filtros anaeróbios obtiveram um grande êxito.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 91 10-20 20T-100 >20 300 *interpolação linear (T= temperatura oC) 2T + 20* 60 Vantagens e desvantagens das lagoas anaeróbias Vantagens • • • • • • • • Baixo custo Eficiência satisfatória Construção relativamente simples Ausência de equipamentos mecânicos Operação e manutenção bem simples Boa resistência aos choques hidráulicos e orgânicos Requerimentos energéticos praticamente nulos Redução da área total em sistemas de lagoas de estabilização. aos quais os microrganismos crescem tanto nos espaços vazios quanto aderidos ao meio fixo. plástico. de Alimentos .

Química e Eng. etc. alvenaria. Altura / profundidade total 3 a 13 m Volumes dos reatores 1 a 10 000 m3. peças de plástico. Máxima: 2 m/h Eficiência.2 m Material do meio de suporte Qualquer material inerte mecânico. Recomendável no Brasil : 6 a 18 horas 92 Prof. Podem ser construídos com ou sem cobertura. 100 a 140 m2/m3 Temperatura 25 a 38 oC Carga orgânica volumétrica Para esgotos industriais: 0.2 a 16 kg DQO/m3 d (12 na prática) Velocidade superficial Na partida: 0. Nos filtros de fluxo ascendente o leito permanece totalmente submerso. o fluxo do esgoto pode ainda ser horizontal e descendente.2 m (h) ABNT: já incluído a altura do fundo falso < 1. volume útil mínimo (ABNT) = 1. químico e biologicamente resistentes (brita.60 m < h <1. etc) desde que estanques. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Brita no 4 ou no suporte 5 (ABNT).Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 92 Os filtros anaeróbios podem ser concebidos com e sem recirculação. escória de alto fornos de siderúrgicas. de Alimentos . 12 a 96 horas.) Área específica do meio de Dimensões o mais uniformes possíveis. enquanto que nos de fluxo descendente podem ser operados de maneira que o meio suporte seja afogado ou não afogado.0 m3 Altura do meio de suporte 50 a 70 % da altura do filtro. ABNT: 0. fibra de vidro. Desenho esquemático de filtros anaeróbios Algumas características gerais selecionadas dos filtros anaeróbios Forma do reator Construção Cilíndrica ou retangular Construídos in loco ou pré-fabricado (concreto armado. Embora na prática os filtros com fluxo ascendentes tenham sido mais utilizado. como unidade de DBO:40 a 75 % pós-tratamento de tanques DQO:40 a 70 % sépticos (ABNT) Sólidos em suspensão: 60 a 90% Tempo de detenção celular >20 dias Tempo de detenção hidráuli.4 m/h.

67 0.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 93 Valores do tempo de detenção hidráulico (em dias) em função da vazão e temperatura do esgoto.92 0. o dimensionamento é efetuado pela carga hidráulica (a situação é controlada pela concentração).75 0.00 0.08 0. como pós tratamento de tanques sépticos (NBR 13969/97.83 0.75 6 000 12 9 4. 1990) Tempo de detenção hidráulico (horas) 12 18 32 64 96 3 000 6 4.67 0.5 2.58 0.0 0. devido ao espaço inerte ocupado pelo material de enchimento • Alto custo do material de enchimento • Riscos de entupimentos • Formação de caminhos preferenciais • Possibilidade de maus adores • Não remove nutrientes (N e P) • Efluentes com odores e cor escura 93 Prof. enquanto que na restante predomina a carga orgânica DQO afluente(mg/l) Vantagens e desvantagens dos filtros anaeróbios Vantagens • Retenção de grande massa de microrganismos • Baixa produção de lodo • Baixo requisitos de área • Construção.75 0. operação e manutenção simples • Robusto contra variações de carga hidráulica e orgânica • Aplicável a diversos tipos e concentrações de esgotos • Reduzido consumo de energia • Aplicável como tratamento único ou como pós-tratamento • Não necessita inóculo para partida • Não há necessidade de recircular o efluente ou lodo nem de decantar o efluente • Custo operacional baixo Desvantagens a esgotos • Limitado predominantemente solúveis • Dificuldade de satisfazer padrões de lançamento restritivos • Volume relativamente grande.25 1. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.5 2.75 0. Química e Eng.92 1.50 Carga orgânica (kg DQO / m3 d) em função da vazão e do tempo de detenção hidráulico (Speece.25 1. de Alimentos .83 1.92 0.5 3 24 000 48 36 18 9 6 48 000 96 72 36 18 12 75 80 85 90 95* Eficiência % * Recomendável o uso de reatores de dois estágios para atingir eficiências superiores a 90% Obs: Na parte sombreada.58 0.50 0.50 0.13 0.83 0.ABNT) Vazão (l/d) <1500 1501 – 3 000 3001 – 4 500 4501 – 6 000 6001 – 7 500 7501 – 9 000 > 9 000 Temperatura média do mês mais frio (oC) < 15 15 <T<25 >25 1.5 12 000 24 18 9 4.75 0.17 1.

tais como RAFA. sejam de natureza simples ou complexa. com tempo de detenção hidráulica relativamente curto. o reator UASB também é conhecido com outras denominações. etc. Na sua parte superior há um separador trifásico (sólido–líquido-gás). sem a necessidade de um material de suporte. O reator UASB foi desenvolvido a partir de estudos efetuados com o filtro anaeróbio ascendente. No Brasil. O reator UASB pode ser aplicado diretamente para o tratamento de uma grande variedade de esgotos. O reator UASB consiste de um tanque de fluxo ascendente no qual os microorganismos crescem dispersos. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. solúveis ou com material particulado. como reator biológico pois ocorre a transformação da matéria orgânica complexa (carboidratos. formando flocos ou grânulos densos com alta resistência mecânica que permanecem no reator. o reator dispensa qualquer dispositivo adicional de mistura.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 94 REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO (UASB) Os reatores anaeróbios de manta de lodo UASB (upflow anaerobic sludge blanket) foi concebido na década de 70 por Lettinga e colaboradores na Holanda. com centenas de sistemas em escala real tratando esgotos industriais e sanitários. assim como a sedimentação e retorno automático do lodo à câmara de digestão. é o reator com maior êxito de aplicação dentre os reatores anaeróbios. Sua configuração permite o desenvolvimento e a retenção de uma grande quantidade de biomassa ativa. de baixa ou de alta concentração. de Alimentos . devido a sua adequada agitação e mistura hidráulica que favorece um melhor contato biomassa-esgoto. Desenho esquemático de um reator anaeróbio de manta de lodo UASB O reator UASB desempenha várias funções simultaneamente: como decantador primário. Devido a agitação natural provocada pelo próprio fluxo hidráulico ascendente e gases gerados na digestão da matéria orgânica. RALF. RAFAALL. onde ocorre a remoção do gás produzido. Adicionalmente. Devido às suas características técnicas e econômicas. pode acomodar altas cargas orgânicas volumétricas. conferindo-lhe um elevado tempo de retenção celular. lipídios e proteínas) 94 Prof. pois ocorre a sedimentação dos sólidos suspensos do esgoto. DAFA. Química e Eng.

11 a 0. 2. mas podem ter alturas maiores Compartimento de Decantação: 1.5 0. Y (em DQO) Densidade do lodo Concentração do lodo de descarte In loco ou pré-moldado U$ 10.0 kgDQO/kgSVT d Lodo floculento e COV <6.2 Qpico : vp < 5.8 horas ) Esgotos industriais: até 45 kgDQO/m3d (escala piloto) mas < 15 kgDQO/m3d. desde que estanques e resistentes. etc. Picos (2 a 4h) <2.00 per capita/ano (media: 1. DQO: 45 a 85 Esgotos industriais: 65 a 95 % Na partida: 0.0 a 2. requerendo depois somente secagem.7.0 a 4.0 horas Qmed = 0. aço.2 m/h : θh > 0. na prática.1 Picos (2 a 4h) <1.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 95 em produtos mais simples. tais como metano e gás carbônico. como de parte da própria biomassa presente.0 a 1.50 a 2.8 horas. Esgotos sanitários: 2.9 a 1. produzindo um lodo já estabilizado. além da separação do biogás produzido.5 < θh < 2. 6 h < θh < 16 h para T > 20 oC Esgotos sanitários: < 5.5 m 1.3.6 –0.23 kg DQOlodo / kg DQOaplicado e 0.5 a 3. Qmax : vp < 4.3 a 0. de Alimentos .5) Concreto armado.(m3/m3 d) Carga orgânica volumétrica (COV) Tempo de detenção celular Eficiência (esgotos sanitários) (%) Eficiência (DBO e DQO) Carga orgânica aplicada ao lodo Velocidade ascendente do fluxo para esgotos industriais (m/h) Velocidade ascendente do fluxo para esgotos sanitários (m/h) Produção de sólidos no sistema. como digestor de lodo.0 m2. Algumas características do reator UASB Construção Custo de construção (sem o terreno) Custo de operação Material de construção Forma Altura/profundidade do reator Tempo de detenção no decantador Taxa de aplicação superficial do decantador Velocidade nas aberturas para o decantador (m/h) Área de influência do distribuidores Tempo de detenção hidráulica. alvenaria.00 per capita (media 20 . como decantador secundário. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.0 Vazão média:0.4 kgDQO/kgSVT d Regime permanente até 2.6 a 0.5 a 3.00 a 40. quando do descarte do lodo de excesso. Cilíndrica ou prismático retangular Total: 3 a 6 m. esgotos sanitários e T> 20 oC Tempo de detenção hidráulica Carga hidráulica vol.30) U$ 0.0 m2 para esgoto sanitário Adotar: θh de 6 a 10 horas (vazão média) θh> 4 (para Q max menor que 6 horas de duração) >4. (θh (min) >4.: 0. pois ocorre a digestão da parte sólida retida.0 kgCOD/m3 d Vazão média:0. fibra de vidro.50 a 5.0 h Qmax < 1.10 a 0.5 a 0.0 h : θh > 1.6 m/h Qmed : vp < 2.7. pois ocorre a separação da biomassa do esgoto tratado. seja o lodo dos esgotos.0 m Compartimento de Digestão: 2.5 kgDQO/m3d > 30 dias DBO: 40 a 75.0 a 2.5 a 2.0 0.0 a 3.8 m/h : 1. Química e Eng.6 a 6.6 h Qpico < 1.20 kg SST / kg DQOaplicado 1020 a 1040 kg SST/m3 2 a 5% 95 Prof. Vazão máx. propriamente dito.

Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. podem ser aplicados para tratar esgoto diluídos. praticamente não existe problema de limitação do substrato. de Alimentos . Para promover a expansão do leito pode ser necessária a recirculação do efluente tratado. devido a fina espessura do biofilme.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 96 Vantagens e desvantagens do reator UASB Vantagens • Sistema compacto. Adicionalmente. onde os microrganismos crescem aderidos a um fino material inerte de suporte. tais como esgotos sanitários. Dependendo do grau de expansão do leito o reator é chamado de leito expandido ou fluidificado. Os reatores de leito expandido ou fluidificado possuem uma alta concentração de biomassa que pode ser mantido no reator. em geral cilíndrico e de fluxo ascendente. com baixo requisitos de área • Baixo custo de operação e manutenção • Baixa produção de lodo • Satisfatória eficiência na remoção de matéria orgânica • Não necessita equipamentos mecânicos • Não necessita meio de suporte para a retenção da biomassa • Menores volumes de descarte de lodo devido à elevada concentração de sólidos (2 a 5%) • Lodo facilmente desidratado Desvantagens • Possibilidade de maus odores • Maior tempo necessário para partida. que permite uma alta transferência de massa. Química e Eng. quando não dispõe de inóculo adequado • Dificuldade em satisfazer padrões de lançamento restritivos. com área superficial muito grande. • Necessita um pós-tratamento • Construção exige proteção especial contra corrosão • Remoção de nutrientes insatisfatória • Possibilidade de efluente com aspecto desagradável REATOR ANAERÓBIO DE LEITO EXPANDIDO OU FLUIDIFICADO Consiste de um tanque vertical. 96 Prof. Desenho esquemático dos reatores de leito expandido e fluidificado. com tempo de detenção hidráulico relativamente pequeno. que permanece suspenso no reator. Algumas características dos reatores de leito expandido ou fluidificado. Consequentemente.

desde que inertes. antracito. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. carvão ativado etc.0 100 a 2000 mg/l Pode chegar a 40 000 mg/l Leito expandido: 10 a 20 % (quando o aumento da perda de carga é linear ao aumento da velocidade ascensional) Leito fluidificado: >30 a 100 % (quando a perda de carga é constante independente do aumento da velocidade ascensional) Total: de 3 a valores superiores a 6 m 3 horas Desde muito baixa até 30 – 60 kgDQO/m3d (mais comum entre 20 –30 kgDQO/m3d) > 30 dias Esgotos sanitários: 80 %. • Possibilidade de controlar e otimizar a espessura do biofilme Desvantagens • Consumo de energia elétrica maior que em outros sistemas anaeróbios pois necessita equipamentos mecânicos • Poucos sistemas operando em escala real • Exige um bom controle operacional • Requer operação cuidadosa • Necessita meio de suporte para o desenvolvimento e retenção da biomassa • Pode ocorrer longo tempo para a partida • Dificuldade em satisfazer padrões de lançamento restritivos • Pode necessitar de pós-tratamento • Remoção de nutrientes insatisfatória • Possibilidade de efluente com aspecto desagradável 97 Prof.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 97 Tipos de esgotos Construção Material de construção Forma usual Unidades complementares e equipamentos Material inerte de suporte Diâmetro do material suporte (mm) Concentração do esgoto (DQO) Concentração da biomassa Expansão do leito em relação ao leito estático inicial Altura/profundidade do reator Tempo de detenção hidráulica para esgotos sanitários e temperatura > 20 oC Carga orgânica volumétrica (COV) Tempo de detenção celular Eficiência (DQO) Velocidade ascensional do fluxo Sanitários e industriais In loco ou pré-moldado Concreto armado. para a recirculação Areia. desde que estanques e resistentes.2 a 2. Química e Eng. zonas mortas e caminhos preferenciais. atóxico. de Alimentos . e com baixa densidade 0. resistentes à abrasão. terra diatomácea . Cilíndrica Construção de um poço e de um conjunto motor bomba. Esgotos industriais 70 a 90 % 10 m/h Vantagens e desvantagens do reator de leito expandido Vantagens • Baixo requisitos de área • Sistema muito compacto • Volumes muito pequenos • Baixo custo de implantação • Alta concentração de biomassa agregada a um material de suporte denso que permanece no reator • Alta eficiência na remoção de matéria orgânica • Pequeno de descarte de lodo • Não apresentam problemas de entupimento. etc. fibra de vidro reforçado.

Química e Eng. Vantagens e desvantagens dos processos aeróbios e anaeróbios Principais vantagens dos processos anaeróbios comparados com os aeróbios • • • • • • • • • • Processos de operação mais estável Menor quantidade de biomassa produzida diminuindo custos de disposição final Menor quantidade de nutrientes requerida reduzindos os custos operacionais Reator de menor volume reduzindo área de implantação e custos fixos de instalação Saldo energético positivo pela produção de CH4 e não necessidade de aeração Ecologicamente mais vantajoso por não lançar compostos orgânicos voláteis na atmosfera Menor necessidade de atenção na operação do sistema reduzindo custos operacionais Possibilidade de operar o sistema sazonalmente devido à manutenção da atividade dos microrganismos por um período mais longo sem alimentação Redução dos compostos organoclorados com alto nível de substituição Degradação de alguns compostos aerobiamente não biodegradáveis Principais desvantagens dos processos anaeróbios comparados com os aeróbios • • • • • • • • Longos períodos de posta em marcha dos sistemas para desenvolver uma biomassa ativa Necessidade de manter alta a alcalinidade. de Alimentos .Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 98 OUTRAS CONFIGURAÇÕES Devido ao sucesso obtido com os reatores anaeróbio de alta taxa de aplicação orgânica. em especial aos reatores de fluxo ascendentes (filtro anaeróbio e UASB). 6. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. a maioria dessas novas configurações encontram-se em estágio de desenvolvimento.3. A. aumentando os custos operacionais Menor porcentual de remoçãoda matéria orgânica resultando em um efluente de pior qualidade Menores taxas de conversão a temperaturas mais baixas Produção de compostos que causam mau cheiro como ácidos orgânicos e H2S Nitrificação não é possível Maior toxicidade das metanogênicas à compostos organoclorados alifáticos Alta concentração de NH4 requerida para manter a biomassa ativa podendo comprometer a qualidade do efluente final 98 Prof. sendo muitas vezes consideradas variantes de reatores de uso já consagrados.3. várias outras configurações de reatores anaeróbios foram e continuam sendo desenvolvidas para o tratamento dos mais diversos tipos e características de esgotos. Muitas destas novas concepções apresentando similaridades.

NH4+.NH4+ oxidado. provocando a eutrofização. Si não existir alcalinidade suficiente disponível.+ 2 H+ + H2O NO3NO2. Química e Eng. o qual é assimilado como nutriente para o crescimento celular.98 NO3. a nitrificação será afetada pela queda de pH. Além disso. se fizermos os cálculos somente pela nitrificação (equação da soma das etapas). Os processos em suspensão são identicos ao de lodos ativados e os de película fixa aos filtros biológicos ou biodiscos. Neste caso pode-se diferenciar entre tratamento em etapa única (processos combinados) e etapas separadas (processos diferenciados).Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 99 6. utilizando o oxigênio como aceptor final de elétrons. o requerimento de oxigênio será de aproximadamente 4.+ 1.3. Remoção de Nitrogênio O nitrogênio presente nas águas residuárias geralmente se encontra sob as formas de nitrogênio amoniacal e nitrogênio orgânico. e na segunda o nitrito é transformado em nitrato pelas bactérias Nitrobacter.NH4+ oxidado.88 H2CO3 Esta equação indica em primeiro lugar que é utilizado grandes quantidades de alcalinidade (HCO3-) durante a oxidação do nitrogênio amoniacal (NH4+).18 mg O2/ mg N. a relação será de 4.+ 2 H+ + H2O Associando as equações de obtenção de energia acima com a de produção de biomassa. pode-se distinguir entre processos de cultura em suspensão e de película fixa.57 mg O2/ mg N. aproximadamente 8.83 O2 + 1.041 H2O 1.+ 1/2 O2 Soma das etapas: NH4+ + 2 O2 NO3. este é liberado na forma de amônia e/ou despejado em conjunto com os efluentes. As equações abaixo representam as duas etapas do processo. Além disso.63 mg HCO3-/ mg N. Este processo se dá em duas etapas sucessivas: a primeira a amônia é transformada em nitrito pela ação de bactérias denominadas Nitrozomonas.→ 0. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.4. NITRIFICAÇÃO A nitrificação é promovida por microrganismos autótrofos que usam o CO2 como fonte de carbono e quimiossintetizantes (litótrofos) que obtém energia a partir da oxidação da íon amônia. No entanto. Primeira etapa: NH4+ + 3/2 O2 Segunda etapa: NO2. Os processos de nitrificação podem ser classificados de acordo com o grau de separação existente entre a remoção de carbono e a oxidação de amônio a nitrato. A maior parte da alcalinidade será necessária para neutralizar os íons de hidrogênio liberados durante a oxidação. No tratamento biológico uma parte do nitrogênio orgânico passa para a forma amoníacal pela ação de microrganismos heterótrofos. quando o nitrogênio está presente em excesso à quantidade necessária ao crescimento celular. valor este que é usualmente empregado para cálculos de projeto. de Alimentos . No entanto.98 HCO3. Qualquer processo poderá 99 Prof.021 C5H7O2N + 0. sem a fração para o crescimento celular. teremos a reação total como se segue: NH4+ + 1.

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ser executados em etapa única ou separadas, podendo haver combinação entre eles. Caso haja muita matéria orgânica no efluente, pode-se fazer um lodo ativado para remover a matéria orgânica, seguido de um biofiltro para converter a amônia. Os microrganismos nitrificantes encontram-se em quase todos os sistemas de tratamento biológico aeróbios. No entanto, nestes sistemas onde há disponibilidade de matéria orgânica, a massa de micorganismos nitrificantes (autótrofos) produzida por unidade de substrato é inferior a dos microrganismos heterótrofos, promovendo um desequilíbrio na distribuição destas populações, prejudicando a nitrificação. Um fator de importância nestes sistemas é a relação DBO5/NTK, representada na Figura abaixo. Quando a relação é maior que 5, o processo é dito combinado, e se for inferior a 3 o processo pode ser considerado em etapas separadas.

Como nos processo de remoção de matéria carbonácea, os processos de nitrificação possuem suas características próprias em função da temperatura e do pH do meio. As Figuras abaixo apresentam estas relações.

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Algumas recomendações são feitas pela literatura para projeto e operação dos processos de nitrificação em suspensão: • • • • • • • Manter um fator de segurança mínimo de 2 para o tempo de retenção celular afim de absorver sobrecargas sem que haja fuga do NH4+ Manter o oxigênio dissolvido sempre acima de 2 mg/l Manter o pH na faixa de 7,8 a 9,0. Para isso, deve-se manter a alcalinidade em 7,14 mg CaCO3/l para cada mg/l de NH4+ oxidado Estimar a velocidade máxima de crescimento de microrganismos para as condições mais adversas em termos de pH, temperatura e oxigênio dissolvido Definir a concentração N- NH4+ oxidado admissível no efluente Estabelecer o tempo de retenção hidráulico necessário para alcançar a concentração de NNH4+ definida Definir a taxa de utilização de substrato quando se emprega um processo de nitrificação combinado ou de etapa única

Enquanto que em processos de lodo suspensos o parâmetro de projeto está baseado na concentração de biomassa dentro do reator, através da recirculação dos lodos do decantador secundário, os processo de película fixa baseiam-se na área superficial disponível para o desenvolvimento do biofilme. Na realidade estes valores são empíricos e aplicados para os vários tipos de processos existentes. Um exemplo pode ser verificado na Figura abaixo, onde apresenta um gráfico da área superficial requerida em função da concentração de amônia no efluente, para uma dada concentração de entrada, e em função da temperatura. Maiores informações específicas de cada processo deve ser consultada a literatura.
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DENITRIFICAÇÃO A denitrificação é a conversão do íon nitrato a compostos gasosos, principalmente o nitrogênio por microrganismos anaeróbios que utilizam o nitrato como aceptor final de elétrons e necessitam de fonte de carbono orgânico (heterótrofos). Os principais microrganismos conhecidos que realizam a denitrificação são: Achronobacter, Aerobacter, Alcaligenes, Bacilus, Brevibacterium, Flavobacterium, Lactobacilus, Pseudomonas e Spirilum. As reações são realizadas em etapas, convertendo primeiramente o nitrato a nitrito e depois em compostos gasosos como o NO e o N2O, que por sua vez são transformados em nitrogênio gasoso. As etapas metabólicas deste processo são pouco conhecidas. NO3- → NO2- → NO → N2O → N2 Durante a denitrificação, alcalinidade é produzida pela degradação da matéria orgânica convertida a CO2, promovendo o aumento do pH do meio ficando na faixa ótima entre 7 e 8. Como há necessidade de fonte de carbono, o processo deve ser operado de tal forma que haja ainda carbono suficiente, ou adicionar uma fonte externa, como por exemplo o metanol. As velocidades de denitrificação reportadas na literatura variam entre 0,075 a 0,115 kg N-NO3-/kg SSV dia a 20oC, quando não ouver limitação de fonte de carbono. PROCESSOS COMBINADOS PARA NITRIFICAÇÃO/DENITRIFICAÇÃO Normalmente os processos de denitrificação são acoplados aos processos de nitrificação. Devem-se dispor os reatores para atender as necessidades de cada um separadamente. Existem vários de processos descritos na literatura, arranjados de tal forma que atenda a estas exigências dos processos. Um esquema simplificado do conceito de um processo de remoção de nitrogênio é apresentado abaixo.

Recirculação de líquido

Afluente
Anaeróbio

Efluente

Aeróbio

Recirculação de lodo

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1982/1984 África do Sul/Paris. o fósforo orgânico aparece principalmente como fósforo orgânico. Esses produtos são usualmente produzidos no processo anaeróbio. então uma DBO presente no início da etapa anaeróbia. elas obtém energia para manutenção da sua vida pela quebra das ligações fosfato do polifosfato armazenado e liberam fosfato de dentro da célula para a água (meio). Há. Este processo usa de uma etapa de fermentação anaeróbia. Em ambientes não aerados essa é a sua forma de sobrevivência. liberando N2.3. Primeiro a bactéria anaeróbia fermenta a matéria orgânica com a produção de moléculas orgânicas menores. No entanto. de Alimentos . uma sessão anóxica e uma seção aerada. Se o efluente possuir também o nitrogênio para ser retirado. Nesta seção 103 Prof.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 103 6. A bactéria polifosfato se alimenta dos produtos formados na fermentação. sobre a remoção de fósforo prevaleceu a idéia de remoção biológica. após a passagem pelo reator anaeróbio há uma seção anóxica onde ocorre denitrificação. uma bactéria facultativa está presente. Esta capacidade dos microrganismos foi descoberta acidentalmente. Química e Eng. quer seja na forma iônica ou complexada. armazenando-os. que foi primeiramente demonstrado em Santo Antonio/Texas (1967) quando o processo biológico mostrou a capacidade de remoção de fósforo em grandes quantidades. Após dois Congressos realizados. Desde então. quando em uma planta de lodos ativados. Enquanto tudo isso está acontecendo com as bactérias anaeróbias e as obrigatoriamente aeróbias. O efluente mais o lodo reciclado são misturados no reator de fermentação. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. Estas bactérias armazenam a matéria orgânica para uma utilização futura. especificamente álccois e ácidos orgânicos pequenos. encontra-se geralmente como fosfato. Estas bactérias (bactérias polifosfato) possuem esta capacidade e sobrevivem. Esta bactéria específica armazena energia na forma de polifosfato. Durante a década de 60 foi observado que alguns sistemas de tratamento de esgotos nos EUA apresentavam remoção de fósforo superior àquela requerida pelo metabolismos bacteriano nos processos de lodo ativado. exclusivamente aeróbias. podem morrer.5. polifosfatos e ortofosfatos. enquanto que outras bactérias. por décadas houve controvérsias sobre os mecanismos envolvidos na remoção do excesso de fósforo. onde dois tipos de microrganismo tem atividade. os aeradores da 1a sessão estavam obstruídos de forma que os microrganismos trabalharam primeiramente em condições com baixas concentrações de O2 e em uma segunda etapa em um reator aerado e com isto observou-se uma grande remoção de fósforo. Remoção de Fósforo O Fósforo presente nas águas residuárias. A microbiologia deste sistema está relacionada com a capacidade de adaptação de um microrganismo. Em esgoto sanitário. Para tanto. O 2o tipo de microrganismo presente no reator anaeróbio é necessariamente uma bactéria aeróbia. que consegue sobreviver por certos períodos de tempo em condições anóxicas. e quebram o polifosfato armazenado liberando o fosfato para a água para obter energia. há mais de 25 variações deste processo para retirada de nutrientes. Na década de 70 a África do Sul começa a experimentar o conceito de LUXURY UPTAKE OF PHOSPHOROUS.

existem vários processos para alcançar estes 104 Prof. Química e Eng. Então o fosfato é biologicamente removido no processo. Mais uma vez. Então ela acumula fosfato adicional. mas transferem grande quantidade desta energia para armazenar polifosfato. As bactérias anaerobias sobrevivem. Após a denitrificação o efluente é descarregado em um reator aerado. A bactéria polifosfato que finalmente está em um ambiente aeróbio. Elas se preparam para um período futuro anaeróbio pegando todo o fosfato por elas mesmo liberado durante o período anaeróbio e mais o fosfato presente no efluente. Na seção aerada os microrganismos facultativos funcionam aerobicamente degradando a DBO. NITROGÊNIO E FÓSFORO A remoção de fósforo e de nitrogênio normalmente vem combinada com a remoção da matéria orgânica. produzem um efluente com concentração inferior a 1 mg/L de fosfato. na forma de polifosfato. Elsa produzem energia para o crescimento e reprodução. pode agora degradar a matéria orgânica acumulada durante a fase anaeróbia. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng. como se fosse um metabolismo basal.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 104 as bactérias anaeróbias e as obrigatoriamente aeróbias sobrevivem. REMOÇÃO COMBINADA DE CARBONO. A parte dos microrganismos que será descartada contém alta concentração de fosfato. Bactérias nitrificantes agem. quando bem operadas. Após este período há a seção do clarificador onde parte dos microrganismos volta para o reator anaeróbio. A remoção destes nutrientes pode ser alcançada arranjando os reatores e a retirada de lodos do sistema. de Alimentos . Estas plantas.

de 17/03/2005do CONAMA. São Paulo: IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Guia de coleta e preservação de amostras de água. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias: Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos. Resolução no 357. E. São Paulo: CETESB.Apostila para o Curso de Graduação em Engenharia Química – Disciplina de Engenharia Ambiental EQA 5309 105 objetivos em comum. S. Von Sperling. vol 1. 19th. Química e Eng. 1993. de Alimentos . WEF.br/calsj/ciclo-agua. E. Introdução á engenharia ambiental. CETESB. 1997. edn. 286 p. 243 p. ABES. II Curso de Tratamento Biológico de Resíduos. A Figura abaixo apresenta um desenho esquemático do processo BARDEMPHO de 5 etapas.. American Public Health Association. 1987. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APHA.G. Universidade Federal de Minas Gerais. DC. E.riolagos. AWWA. 2a ed. Washington. 1996.5Q Q Efluente Ana Anox Aero Anox Aero Recirculação 0. (1995). Standard methods for the examination of water and wastewater. Vitoratto..htm Mota. Agudo.5 Q Descarte de lodo 7. Hugo Moreira Soares Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Eng.com. Phoredox / Bardenpho modificado Sistema BARDENPHO em 5 etapas 0. Fonte: www. 105 Prof. 1a ed..

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