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Teixeira a Guerra Colonial...[1]

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Às propostas de negociação pacífica feitas pela União Indiana
sobre a futura integração dos territórios de Goa, Damão e Diu, sob
administração portuguesa, respondeu Salazar em Junho de 1955 com o
envio de mais um contingente de tropas e mais material de guerra.
Alimentando um conflito votado ao insucesso com a jovem e poderosa
nação indiana, procurando perpetuar um domínio colonial que os povos
autóctones repudiavam, o governo salazarista, qual falcão em plena
guerra-fria, insistia na via do confronto militarista. Na longínqua Ásia, de
que deveria restar uma memória positiva, ficou uma lembrança trágica,
prenúncio de outras tragédias diminuindo Portugal aos olhos do mundo.
Os governantes fascistas, escondendo do povo português a sua
vocação belicista, usando a férrea censura dos jornais, preparavam mais
mobilizações numa altura histórica em que se registavam alguns sucessos
nas relações entre as grandes potências: A realização da Conferência de
Genebra entre a França, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética, em
1955; a conferência dos Povos Asiáticos e Africanos, em Bandung, no
mesmo ano; a Assembleia Mundial da Paz, em Helsínquia, com
representantes de 68 países; o fim das guerras da Coreia e da Indochina.
No regimento de Artilharia 1, em Évora, foram mobilizados 150
soldados para a Índia, que no regresso da licença regulamentar de 10 dias,
se manifestaram ruidosamente contra a mobilização: “Não queremos ir
para a Índia! Não queremos ir para a Índia!”
Como represália, foram castigados com o corte de dispensas, e assim
teve início uma escalada repressiva “exemplar”. Já em número de 300,
juntaram-se na parada a protestar, pondo o quartel em “estado de sítio”. O

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comandante, intimando toda a hierarquia, mandou fazer uma marcha
acelerada, na qual quem ficava para trás era sovado a cavalo marinho.
Exaustos e revoltados, quando a marcha acabou muitos soldados
vieram para a varanda do quartel que dá para a cidade, gritar: “Estamos
presos e maltratados porque não queremos ir para a Índia!”. Juntou-se
muita gente cá fora e o oficial-de-dia tentou uma manobra dissuasiva
dando ordem de prisão a dois “cabecilhas”. Aumentou a revolta aos gritos
de, “Canalha! Cobarde! Se prendes dois, tens de prender todos!”
Perante o estado de rebelião, o comandante tenta uma manobra
dilatória ao mandar chamar dois representantes dos soldados, prometendo
liberar os detidos no dia seguinte, e se acalmassem daria mais alguns dias
de licença. Os delegados trazem a notícia e encontram a turba exaltada:
“Não é amanhã, é hoje! É hoje!”.
A gritaria durou muitas horas até à exaustão e à quebra pelo cansaço.
No dia seguinte os dois soldados foram de facto libertados e recebidos em
apoteose. Depois de mais alguns episódios repressivos, como uma busca
às casernas enquanto os soldados estavam formados na parada, foram
finalmente informados que a mobilização não seria imediata, dependia de
outros embarques próximos. Tal foi recebido como uma grande vitória
pelos soldados de Évora, gritando de regozijo continuaram a afirmar a
não aceitação da mobilização.

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