CSMIA

I N F O R M A T I V O

BOLETIM MENSAL DA CÂMARA SETORIAL DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS DA ABIMAQ | JULHO/2012 - Nº 36

Poucos recursos, burocracia e distância dos institutos de pesquisa e universidades são os principais fatores que desestimulam o investimento em inovação por parte das indústrias de máquinas e implementos agrícolas. Contudo é preciso buscar alternativas

e insistir na questão, sob o risco de perder competitividade e operar no prejuízo. Preocupada com isto, a CSMIA busca uma aproximação com o respeitado IPT, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Saiba mais na página 3.

Editorial
Os bons resultados que nosso setor registrou nos últimos dois anos geram grande satisfação, sem dúvida nenhuma. Este ano, como já era esperado, o crescimento está sendo menor, mas ainda substancial. Na primeira metade do ano, o faturamento teve uma elevação de 13% em relação ao mesmo período de 2011. Entendemos que o setor continuará crescendo nos próximos anos em vista da necessidade de aumento da produção agrícola e dos bons lucros que os produtores estão registrando e deverão registrar, enquanto a demanda por alimentos estiver aquecida. Mas não podemos nos acomodar porque a concorrência, tanto no mercado externo como no doméstico, tende a aumentar e exige que tomemos certas decisões agora para evitar o pior. Precisamos olhar para o futuro e nos antecipar aos acontecimentos. A desaceleração das vendas nos países desenvolvidos tem motivado uma corrida de competidores estrangeiros de máquinas e implementos agrícolas em mercados com maior capacidade de crescimento de produção. E o principal é o Brasil. No primeiro semestre deste ano, ocorreu um aumento de 53,8% nas importações em relação ao primeiro semestre do ano anterior, como mostra o consolidado da ABIMAQ. Já nas exportações tivemos um decréscimo de 3,4%. Isto é um alerta. Esse quadro é resultado de antigo problema enfrentado pelo segmento: a baixa competitividade do produto brasileiro, decorrente de elevada carga tributária e da defasagem cambial que ainda castiga o fabricante nacional. Nossa defasagem em relação aos fabricantes internacionais está na faixa dos 40%, por isso a cada ano o País importa mais e exporta menos. É imprescindível que o governo promova uma ampla desoneração do segmento. E temos de cobrá-la. Além disso, é necessário investir em inovação para que o setor se mantenha competitivo dentro da fábrica. É responsabilidade nossa encontrar formas de realizar inovação em processos produtivos e nos produtos. Sabemos que a distância entre as empresas e os institutos de pesquisa é uma das principais dificuldades encontradas. Por isso a CSMIA está buscando uma aproximação com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), com o intuito de estabelecer um acordo de cooperação que possa atender às necessidades dos associados. Precisamos descobrir quais são as demandas comuns a todos os fabricantes, pois o instituto já demonstrou total interesse em nos atender. Celso Casale - Presidente

Notas

www.abimaq.org.br/csmia

Painel do Setor

Negócios com o Senegal
Uma missão do Senegal, composta por autoridades e empresários, se reuniu na FIESP com membros da indústria e agricultura brasileira. Dentre outras coisas, os senegaleses estão interessados nas sementes, máquinas e implementos agrícolas do Brasil. O diretor adjunto da CSMIA, José Carlos Pedreira de Freitas, acompanhado do assessor de relações institucionais da Abimaq, Daniel Santos, participou do encontro.

CSMIA viabiliza curso no IPT
Como primeiro resultado da aproximação da CSMIA com o IPT, a associada TRAPP ganhou o direito de participar do Curso Internacional de Mecânica da Fratura, que será ministrado pelo renomado professor John David Landes, da University of Tennessee, Knoxville, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo.

No acumulado de janeiro a maio, o crescimento nas vendas externas de máquinas e implementos agrícolas foi de apenas 0,7%, enquanto as importações cresceram 66,5%. O balanço dos primeiros cinco meses de 2012 confirma uma tendência de desaceleração forte nas vendas externas, acompanhada de um avanço expressivo na entrada doe produto importado. É o que indica o levantamento da ABIMAQ.
Janeiro a maio - 2012 | Exportação e importação de máquinas e implementos para agricultura (exceto tratores e colheitadeiras)
Jan 2012/2011 Jan-Fev 2012/2011 Jan-Mar 2012/2011 Jan-Abr 2012/2011 Jan-Mai 2012/2011 Jan-Jun 2012/2011

Declínio nas exportações

Expediente Informativo CSMIA é uma publicação mensal da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da ABIMAQ. Conselho editorial: Celso Casale, Carlos Eduardo De Marchi e José Carlos Pedreira de Freitas | Coordenação Editorial: Enio Campoi | Jornalista responsável: Adriana Ferreira - MTB 42.376 | Colaboração: Mariana Aranha | Projeto e Diagramação: Janaina Cavalcanti
End.:Rua Bernardino de Campos, 1001, sl 805, Higienópolis | CEP 14015-130 | Ribeirão Preto SP | Tel: (16) 3941-4114 | www.abimaq.org.br/ camaras/csmia | Email: csmia@abimaq.org.br
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Exportação Importação
Fonte: DEEE/ABIMAQ

+ 36,4 + 49,4

+ 25,1 + 58,6

+ 10,2 + 95,7

+ 4,7 + 81,2

+ 0,7 + 66,5

-3,4 + 53,8

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Capa

Quem não inovar vai morrer
Segmento de máquinas e implementos deve buscar alternativas para investir em inovação
A Pesquisa de Inovação Tecnológica - PINTEC 2008 - do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2008, mostrou que a taxa de inovação nacional ficou em 38,11%. No levantamento anterior a taxa foi de 33,36%. Apesar da evolução, os números ainda deixam clara a distância do Brasil em relação aos países desenvolvidos e mesmo entre aqueles em desenvolvimento. Segundo a pesquisa, os principais entraves à inovação são, na ordem: elevados custos, riscos econômicos excessivos, falta de pessoal qualificado e escassez de fontes de financiamento. Porém, em linhas gerais, custos e riscos são intrínsecos ao processo de inovação, por isso não deveriam ser tratados como empecilho. De acordo com especialistas, no caso da indústria, o risco maior é não inovar. Quem não investir em inovação estará fadado a desaparecer. Os fabricantes de máquinas e implementos agrícolas preocupados com essa questão dizem que um dos grandes obstáculos para desenvolver projetos inovadores é a falta de diálogo entre empresas, universidades e institutos de pesquisa. Aspectos legais e burocracia que permeiam as etapas do processo de inovação também são citados como complicadores. Distantes das empresas, é comum institutos e universidades primeiro desenvolverem a pesquisa e depois procurarem o mercado para checar se há demanda para aquela tecnologia. O caminho inverso é que seria o ideal, comentam empresários e especialistas. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Governo do Estado de São Paulo, (IPT) há mais de 100 anos desenvolve soluções e serviços tecnológicos para a indústria nacional, sobretudo para o segmento de máquinas e equipamentos, e acena com uma postura diferente. O diretor de inovação do instituto, Fernando Landgraff, afirma que o IPT preocupa-se em entender o que o parceiro quer. “Ele tem essa tradição de trabalhar com a indústria e investimos nesse esforço de entender o problema da empresa”, reforça. Através de doze centros tecnológicos e um núcleo, o instituto opera de forma multidisciplinar, atuando basicamente em quatro áreas: inovação, pesquisa e desenvolvimento, serviços tecnológicos, desenvolvimento e apoio metrológico, informação e educação em tecnologia. Suas atividades vão da geolo-

Disposição para o diálogo

gia, importante para os agronegócios, até a nanotecnologia. “O que tentamos fazer é juntar competências para atender os problemas das empresas”, acrescenta o diretor. Há empresas do setor agrícola que já trabalham com o IPT. No laboratório de máquinas de fluxo do instituto, pela primeira vez uma semeadora irá passar por ensaios para avaliação de eficiência energética. A fabricante procura soluções para um rotor mais econômico. De acordo com Marcio Nunes, diretor do Laboratório de Máquinas de Fluxo do IPT, as indústrias que atuam no setor agropecuário têm procurado mais o instituto nos últimos anos para a realização de ensaios de equipamentos. O IPT é referência nacional na área de calibração e foi o primeiro a ter seus laboratórios acreditados pelo Inmetro. O laboratório de embalagem e acondicionamento vem contribuindo com o setor da agricultura. Bombonas para defensivos agrícolas passaram por avaliações, bem como caixas hortícolas, um trabalho que resultou na normatização das embalagens nacionais. Rogério Parra, diretor do Laboratório de Embalagem, informa que a embalagem para produtos hortícolas existe no Brasil há pouco mais de um século, mas sem regulamentação. “A preocupação normalmente é do fabricante do defensivo, que a repassa aos fabricantes das bombonas, e algumas indústrias já nos têm procurado para desenvolvermos as embalagens de acordo com

as normas do Ministério dos Transportes.” Já no Laboratório Aerodinâmico Industrial e Engenharia do Vento, a simulação de uma queimada mapeia o caminho da dispersão dos gases. Segundo Gilder Nader, diretor deste laboratório, o vento é uma adversidade climática que pode ser utilizado em favor da produção. “Tanto para melhorar a qualidade de produtos agrícolas quanto para evitar problemas de dispersão de fuligem, contaminantes ou de qualquer coisa relacionada à queima, por exemplo, de produtos agrícolas”, explica. Ciente da urgência do tema inovação para a sobrevivência do segmento brasileiro de máquinas e implementos agrícolas, representantes da CSMIA se reuniram, no dia 26 de junho, com a direção do IPT, para buscar o estabelecimento de um acordo de cooperação que possa atender às necessidades dos seus associados. Na oportunidade, foram discutidas algumas das demandas de desenvolvimento do setor, bem como serviços que podem ser prestados pelo IPT em atendimento às empresas do setor. Esse foi um primeiro passo. Para que haja avanços é preciso que fabricantes de máquinas e implementos manifestem real interesse nessa parceria. Assim, a CSMIA se sentirá apoiada para levar adiante as tratativas e o IPT estimulado a atender às demandas das empresas associadas.
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CSMIA e IPT

Contribuições para a agricultura

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Entrevista

www.abimaq.org.br/csmia

Fernando Landgraff,
O diretor de inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), fala sobre como inovar na indústria de máquinas e implementos agrícolas.

As indústrias brasileiras de máquinas e colas e com a terra ao mesmo tempo estão implementos agrícolas que não investirem sob condições adversas. Estamos tentando identi car um interlocutor, uma empresa, em inovação conseguirão sobreviver? Sobreviverão com baixa rentabilidade. neste segmento para entendermos melhor A inovação é a oportunidade de ter um os problemas especí cos da área. produto melhor, com melhor preço e De que forma o IPT pode atender ao segmento de máquinas e implementos agrícolas? maior lucratividade. Ou atendemos as necessidades individuais O que fazer para inovar quando os redas empresas ou, se a CSMIA conseguir de nir cursos são escassos? Uma empresa que decide investir em ino problemas comuns às indústrias do segmento vação deve, prioritariamente, contratar um podemos desenvolver soluções que bene pro ssional que tenha feito mestrado, que ciem a todas. O IPT precisa ter mais contato aprendeu a língua da pesquisa. Pois existe umacom a Câmara Setorial para avançarmos na de quantidade grande de recursos disponível nas nição de problemas. Mas nos colocamos à dis agências de fomento para nanciar ou subsi posição para acolher as necessidades do setor. diar a pesquisa em cooperação com as em Qual o diferencial do IPT em relação a presas. As indústrias só conseguirão acesso a outros centros de pesquisa? esse recurso se tiverem um funcionário capaz O IPT tem uma preocupação de entender o de ir atrás dele. Tem um programa da FAPESP, que o parceiro industrial quer. O mais comum por exemplo, que dá recursos da ordem de 1 entre os institutos é aparecer com soluções milhão de reais, sem retorno. O importante que não são o que o mercado necessita. Nós, é ter uma boa idéia e alguém capaz de fazer ao contrário, investimos nesse esforço de en comunicação entre a empresa e a academia. tender o problema do parceiro para buscar Há algum trabalho do IPT na área de soluções sob medida. desgaste de máquinas? Nós, do IPT, junto com a USP, temos Novas associadas uma competência muito forte no desgaste CSMIA - ABIMAQ de materiais, seleção e desenvolvimento de materiais resistentes. O problema do 1. Colhefort Indústria de Máquinas desgaste na indústria de máquinas e imple mentos agrícolas deve ser importante. Co Agrícolas Ltda lheitadeiras que lidam com produtos agrí 2. Marcher Brasil Agroindustrial S/A -

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Máquinas e Implementos para Agricultura. Faturamento, Emprego, Comércio Exterior, Nível de Utilização da Capacidade e Pedidos em Carteira
Especi cação Jan-Jun12 | Jan-Jun11 | Var.% (2012/11) 1 - Faturamento Nominal (R$ mil) 5.069.991 4.486.346 13,0 2 - Comércio Exterior de Máquinas e Equipamentos 2.1- Exp. brasileira (Total - US$ mil FOB) 450.749 466.756 -3,4 2.2 - Imp. brasileira (Total - US$ mil FOB) 381.009 247.687 53,8 Especi cação Jun/12 | Jun/11 | Var.% (2012/11) 3 - Número de Empregados (30/04) 55.620 53.037 4,9 4 - Pedidos em Carteira (Semanas para atendimento - média no mês) 3,49 3,78 -7,7 5 - Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Média no mês - %) 78,85 84,38 -6,5
FONTE: DEEE/ABIMAQ - SINDIMAQ. | NOTAS: 1) Faturamento, pedidos em carteira, nível de utilização da capacidade instalada e emprego estimados a partir de pesquisa por amostragem. | 2) Comércio Exterior a partir de dados da SECEX. | 3) Dados de Comércio Exterior reti cados. | 4) Dados Preliminares

Brasil - 2011 / 2012

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