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PROCESSO PENAL I

Professor: Felipe de Magalhães Carvalho

DÚVIDAS drfcarvalho@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO
Direito Processual Penal é o conjunto de princípios e normas que disciplinam a composição das lides penais, por meio da aplicação do direito penal objetivo.

Processo X Procedimento

É exatamente o instrumento ou meio próprio para se resolver o conflito entre as partes, e tratando-se da prática de uma infração penal, esse conflito vai se situar entre o Estado e o acusado. •

uma série de atos coordenados em função de mera atividade administrativa, sem relação processual e, por vezes, sem contraditório e outras garantias. Em outra significação temos este como os chamados ritos.

Objeto do processo

PRETENSÃO PUNITIVA.

SISTEMAS PROCESSUAIS
• Inquisitivo • Acusatório – art. 129 I CF • Misto

PRINCÍPIOS
• Princípio do Devido Processo Legal – Art. 5º LIV CF
“Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”

Formal Concepção Substancial
Portanto, o réu só pode ser privado de sua liberdade ou de seus bens com garantia de um processo legal, ou seja, da forma prescrita em lei.

• Princípio da Verdade Processual (Real) – Descobrir a verdade processual é colher elementos probatórios necessários e lícitos para se comprovar, com certeza quem violou a lei e a forma que o fez. (art. 156 II, art. 196 c/c 234 c/c 616 todos do CPP) O JECRIM mitiga este princípio (art. 76 e 77 da lei 9099/95). • Princípio da Publicidade – Art. 93 IX CF Os atos em regra são públicos, salvo algumas exceções previstas em lei.

• Princípio do Contraditório – Art. 5º LV CF
“Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ele inerentes.” A instrução contraditória é inerente ao próprio direito de defesa, pois não se concebe um processo legal, buscando a verdade processual dos fatos, sem que se dê ao acusado a oportunidade de desdizer as afirmações realizadas pelo MP.

• Princípio da Ampla Defesa - Art. 5º LV CF
Formal Defesa Material (art. 261 PU CPP e Sumula 523 STF)

• Princípio da Imparcialidade do Juiz – O juiz tem que ser
imparcial. Não pode ter interesse em nenhuma das partes. Para ser imparcial, o juiz tem que ser independente e com garantias constitucionais. Inamovabilidade; Irredutibilidade de Subsidios; Vitaliciedade.

• Princípio da Igualdade das Partes – Procura-se manter o
equilíbrio entre as partes, a chamada igualdade de armas.

• Princípio da Presunção de Inocência ( NãoCulpabilidade) – Art. 5º LVII CF
Enquanto não definitivamente condenado, presume-se o réu inocente. Essa regra constitucional inverte, totalmente o ônus da prova para o MP. STF - HC-73338/RJ. Habeas Corpus. Relator Ministro Celso de Mello. Publicação DJ: 19/12/1996, p. 51.766. Julgamento: 13/08/1996. Primeira Turma.

• Princípio do Favor Rei ou Favor Libertatis – Art. 386 VI
CPP Ao se deparar com normas com interpretações antagônicas (diferentes) deve se aplicar a que melhor favoreça o réu. Em caso de dúvida ABSOLVE.

• Princípio do Duplo Grau de Jurisdição – visa assegurar a
defesa dos interesses da justiça e até mesmo daquele que está sendo processado.

• Princípio da Razoabilidade da Duração do Processo –
Art. 5º LXXVIII CF Deve-se respeitar os prazos previstos em lei. ( art. 400 CPP)

• Princípio do Juiz Natural – Art. 5º XXXVII CF
O juiz do caso deve estar previamente estabelecido conforme as regras de competência.

• Princípio do Promotor Natural – Art. 127 §1º CF
É a garantia de toda pessoa ter um órgão de execução do MP com suas atribuições previamente estabelecidas em lei. - Divergência STJ – Reconhece o princípio STF – Não reconhece o princípio

STJ
Quinta Turma ÓRGÃO ESPECIAL. COMPOSIÇÃO. VÍCIO. NULIDADE. A Turma, prosseguindo o julgamento, entendeu que não há que se falar em vício na composição do órgão especial do TRF da 3ª Região, quiçá nulidade de seus julgados, quando o Tribunal, mesmo com o advento da EC n. 45/2004, não providenciou ainda eleições internas, preservando seus membros atuais. Quanto ao princípio do promotor natural, somente ocorre violação mediante demonstração, com ônus probatório da defesa, de inequívoca lesão ao exercício pleno e independente das atribuições do parquet, manipulação casuística ou designação seletiva por parte do procurador-geral de Justiça, a ponto de deixar entrever a figura do acusador de exceção. Precedente citado: HC 12.616-MG, DJ 5/3/2001. HC 102.466-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 17/2/2009. Informativo nº 0328 •

STF
HC 90277 / DF - DISTRITO FEDERAL , HABEAS CORPUS, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 17/06/2008

“... O STF não reconhece o postulado do promotor natural como inerente ao direito brasileiro (HC 67.759, Pleno, DJ 01.07.1993): "Posição dos Ministros CELSO DE MELLO (Relator), SEPÚLVEDA PERTENCE, MARCO AURÉLIO e CARLOS VELLOSO: Divergência, apenas, quanto à aplicabilidade imediata do princípio do Promotor Natural: necessidade de "interpositio legislatoris" para efeito de atuação do princípio (Ministro CELSO DE MELLO); incidência do postulado, independentemente de intermediação legislativa (Ministros SEPÚLVEDA PERTENCE, MARCO AURÉLIO e CARLOS VELLOSO). - Reconhecimento da possibilidade de instituição de princípio do Promotor Natural mediante lei (Ministro SIDNEY SANCHES). - Posição de expressa rejeição à existência desse princípio consignada nos votos dos Ministros PAULO BROSSARD, OCTAVIO GALLOTTI, NÉRI DA SILVEIRA e MOREIRA ALVES". 4. Tal orientação foi mais recentemente confirmada no HC n° 84.468/ES (rel. Min. Cezar Peluso, 1ª Turma, DJ 20.02.2006). Não há que se cogitar da existência do princípio do promotor natural no ordenamento jurídico brasileiro. 5. Ainda que não fosse por tal fundamento, todo procedimento, desde a sua origem até a instauração da ação penal perante o Superior Tribunal de Justiça, ocorreu de forma transparente e com integral observância dos critérios previamente impostos de distribuição de processos na Procuradoria Regional da República da 3ª Região, não havendo qualquer tipo de manipulação ou burla na distribuição processual de modo a que se conduzisse, propositadamente, a este ou àquele membro do Ministério Público o feito em questão, em flagrante e inaceitável desrespeito ao princípio do devido processo legal 6. Deixou-se de adotar o critério numérico (referente ao finais dos algarismos lançados segundo a ordem de entrada dos feitos na Procuradoria Regional) para se considerar a ordem de entrada das representações junto ao Núcleo do Órgão Especial (NOE) em correspondência à ordem de ingresso dos Procuradores no referido Núcleo. 7. Na estreita via do habeas corpus, os impetrantes não conseguiram demonstrar a existência de qualquer vício ou mácula na atribuição do procedimento inquisitorial que tramitou perante o TRF da 3ª Região às Procuradoras Regionais da República. 8. Não houve, portanto, designação casuística, ou criação de "acusador de exceção". 9. Habeas corpus denegado”

• Princípio da Identidade Física do Juiz – Art. 399 §2º CPP
O juiz que presidir a instrução, deverá proferir a sentença. • Princípio da Demanda – O juiz não pode iniciar uma processo sem iniciativa das partes.

• Princípio da Oficialidade – A função penal tem índole eminentemente pública, a pretensão punitiva do Estado deve se fazer valer por órgãos públicos. • Princípio da Oficiosidade – os órgãos incumbidos da persecução penal devem proceder ex-ofício, não devendo aguardar provocação. • Princípio da Autoritariedade – Os órgãos de investigação e processantes devem ser autoridades públicas.

• Princípio da Inadmissibilidade das Provas Obtidas por Meio Ilícito – Art. 5º LVI CF e Lei 11.690/08 – art. 157 caput
CPP A lei veda a utilização de provas obtidas por meio ilícito. A Teoria dos Frutos da Arvore Envenenada. Mitigação - PONDERAÇÃO DE INTERESSES – Uma prova reconhecidamente ilícita pode ser explorada no processo desde que o bem da vida que busca resguardar justifique o seu emprego. O STF admite a utilização da prova ilícita pró-réu. Pode utilizar em caso de legitima defesa própria e de terceiro e em estado de necessidade.

Classificação das Normas Processuais Penais, sua Interpretação e Aplicação Intertemporal
Exclusivamente Processuais art. 2° e 3º CPP

• Normas

Materiais art. 5º XL CF Hibridas ex. art. 74 PU, 76, 89 l 9099

INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL
Consiste em extrair da norma seu exato alcance e real significado. Deve buscar a verdade da lei. O CPP adota a interpretação extensiva (art. 3° CPP) . Interpretação extensiva – a letra escrita da lei ficou a quem de sua vontade (a lei disse menos do que queria) e por isso a interpretação vai ampliar o seu significado.

A LEI PROCESSUAL NO TEMPO
Art. 2° CPP O legislador pátrio adotou o princípio da aplicação imediata das normas processuais. Art. 5° XL CF – Tal dispositivo só tem incidência na lei penal e não processual.

A LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO
Aplica-se em todo território nacional. Art. 1° CPP Art. 5° §§1° e 2° CP

ANALOGIA
É a atividade consistente em aplicar a uma hipótese não regulada por lei disposição relativa a um caso semelhante. in bonam partem Analogia in malam partem Art. 3° CPP

FONTES
É o local de onde provém o direito.

Material Fontes Imediata Formal Mediata

Costume – Conjunto de normas de comportamento a que as pessoas obedecem de maneira uniforme e constante, pela convicção de sua obrigatoriedade jurídica. Princípios Gerais do Direito – Postulados gerais que se fundam em premissas éticas extraídas do material legislativo