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MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO NORTE 61ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE NATAL (EDUCAÇÃO

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Número: 06.2012.001961-2 Recomendação nº 0003/2012/61ª - PJE O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, por meio da 61ª Promotoria de Justiça da Comarca de Natal, no uso das atribuições conferidas pelo art. 129, incisos II e III, da Constituição Federal de 1988, pelo art. 27, parágrafo único, IV, da Lei nº 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público) e pelo art. 69, parágrafo único, “d”, da Lei Complementar Estadual nº 141/96 (Lei Orgânica Estadual do Ministério Público), e ainda, CONSIDERANDO ser função institucional do Ministério Público garantir o respeito aos direitos fundamentais assegurados nas Leis, além de promover o inquérito civil e a ação civil pública para a defesa dos interesses difusos e coletivos atinentes à educação; CONSIDERANDO que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho; CONSIDERANDO que a Constituição Federal, no caput do artigo 212, dispõe: “A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino”; CONSIDERANDO que o artigo 70, da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB) relaciona as despesas que podem ser efetuadas com os recursos destinados à educação, sic: “Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se destinam a: I-remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação; II-aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino;

III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino; IV-levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino; V-realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino; VI-concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas; VII-amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo; VIII-aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar.” CONSIDERANDO que em virtude de ordens judiciais, que visam a manutenção de serviços de saúde prestados à população pelo Município de Natal, foram bloqueados recursos das contas específicas da educação, a saber: - R$ 1.482.788,55 (hum milhão, quatrocentos e oitenta e dois mil, setecentos e oitenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos), da conta nº 5.891-2 (SALÁRIO EDUCAÇÃO); - R$ 2.148.305,45 (dois milhões, cento e quarenta e oito mil, trezentos e cinco reais e quarenta e cinco centavos), da conta nº 9.279-7 (PROJOVEM URBANO); - R$ 66.216,56 (sessenta e seis mil, duzentos e dezesseis reais e cinquenta e seis centavos), da conta nº 8.768-8 (FUNDEB); - R$ 1.461.681,33 (hum milhão, quatrocentos e sessenta e um mil, seiscentos e oitenta e um reais e trinta e três centavos, da conta nº 9.805-1 (PROINFÂNCIA); TOTALIZANDO o montante de R$ 5.158.991,89 (cinco milhões, cento e cinquenta e oito mil, novecentos e noventa e um reais e oitenta e nove centavos), conforme atestam os extratos em anexo; CONSIDERANDO que os valores destinados à educação não podem ser utilizados em nenhuma outra ação, a não ser nas descritas no artigo 70, da Lei nº 9.394/1996 (LDB), em especial os das contas destinadas à programas específicos, como é o caso do PROJOVEM URBANO e do PROINFÂNCIA; CONSIDERANDO que tais fatos só ocorreram porque, apesar de regularmente intimado para apontar as contas nas quais recairiam os bloqueios, o Município de Natal não indicou as contas com saldo suficiente para honrar os seus compromissos, conforme atestam as cópias das decisões em anexo . Em consequência, diante do silêncio do Executivo, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de valores existentes nas contas vinculadas ao CNPJ do Município, o que levou à incidência sobre os saldos das contas da Secretaria Municipal de Educação; Diante de tais ponderações, a Promotoria de Defesa da Educação, nos autos do Inquérito Civil nº 06.2012.001961-2, RECOMENDA à Excelentíssima Prefeita de Natal, Sra.

Micarla Araújo de Sousa Weber, e à Excelentíssima Secretária de Planejamento, Fazenda e Tecnologia da Informação, Sra. Maria Selma Menezes da Costa, o seguinte: a) a recomposição, no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis, dos saldos das contas a seguir relacionadas, no valor exato transferido por ordem judicial, para ações estranhas à educação: - R$ 1.482.788,55 (hum milhão, quatrocentos e oitenta e dois mil, setecentos e oitenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos), da conta nº 5.891-2 (SALÁRIO EDUCAÇÃO); - R$ 2.148.305,45 (dois milhões, cento e quarenta e oito mil, trezentos e cinco reais e quarenta e cinco centavos), da conta nº 9.279-7 (PROJOVEM URBANO); - R$ 66.216,56 (sessenta e seis mil, duzentos e dezesseis reais e cinquenta e seis centavos), da conta nº 8.768-8 (FUNDEB); - R$ 1.461.681,33 (hum milhão, quatrocentos e sessenta e um mil, seiscentos e oitenta e um reais e trinta e três centavos, da conta nº 9.805-1 (PROINFÂNCIA); b) Informar à Promotoria de Defesa da Educação, no prazo de 10 (dez) dias úteis, as providências adotadas em face da presente Recomendação. Publique-se esta Recomendação do Diário Oficial do Estado. Encaminhe-se cópia da presente para a Coordenação do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa da Cidadania. Natal, 16 de outubro de 2012 Zenilde Ferreira Alves de Farias 61ª Promotora de Justiça