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1 INTRODUÇÃO

A Assistência Farmacêutica segundo a Resolução Nº. 338, de 06 de maio de 2004, do Conselho Nacional de Saúde é compreendida como um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial, visando seu acesso e uso racional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. O Farmacêutico é o responsável por garantir que os objetivos da Assistência Farmacêutica sejam atingidos, através do desenvolvimento racional do planejamento, organização, coordenação, acompanhamento e avaliação do trabalho. O farmacêutico deve buscar a mobilização e comprometimento dos seus funcionários na organização e produção de serviços que atendam às necessidades da população, valorizando as habilidades existentes na equipe profissional e contribuindo para suas potencializações. Sendo, fundamental entender da realidade social em que se atua, tendo, conhecimentos e habilidades de gerência (MARIN et al., 2003). O Ciclo da Assistência Farmacêutica abrange a seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e utilização de medicamentos (prescrição, dispensação e uso racional), além do acompanhamento, da avaliação e da supervisão das ações (BRASIL, 2011). A atuação efetiva do Farmacêutico em todas as etapas do Ciclo proporcionará um bom desempenho da Assistência Farmacêutica e consequentemente melhora na atenção à saúde. Um gerenciamento da Assistência Farmacêutica efetivo, garante o alcançe de resultados por meio de pessoas, utilizando os recursos disponíveis, que provém de conhecimentos, habilidades e atitudes, abrangindo ações de planejamento, de execução, de acompanhamento e de avaliação dos resultados, sendo que esta deve ser permanentemente reavaliada, o que resultará em um novo planejamento, nova execução, novo acompanhamento e nova avaliação (MARIN et al, 2003). A partir do planejamento, da organização e da estruturação do conjunto das atividades desenvolvidas, que visam aperfeiçoar os serviços ofertados à população é possível fazer o gerenciamento da Assistência Farmacêutica (BRASIL, 2011).

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A pesquisa se justifica pelo fato da Assistência Farmacêutica ser vital ao funcionamento dos hospitais públicos ou privados, e a correta elaboração do seu ciclo permite que cada etapa seja desenvolvida de forma a dar continuidade ao funcionamento de todo o ciclo. O presente trabalho teve como objetivo conhecer a realidade da Assistência Farmacêutica em hospitais que prestam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através da avaliação de cada uma das etapas que compõe o Ciclo da Assistência Farmacêutica.

2 REVISÃO DE LITERATURA

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2.1 Conceito e Histórico da Farmácia Hospitalar

De acordo com a Resolução 300 de 30 de janeiro de 1997, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) define a Farmácia Hospitalar como uma unidade clínica de assistência técnica e administrativa, dirigida por farmacêutico, integrada funcional e hierarquicamente às atividades hospitalares. A Farmácia Hospitalar tem como função garantir qualidade na assistência prestada ao paciente através do uso seguro e racional de medicamentos e correlatos, adequando sua utilização à saude individual e coletiva, nos planos: assistencial, preventivo, docente e de investigação, devendo, para tanto, contar com farmacêuticos em número suficiente para o bom desempenho da Assistência Farmacêutica. As definições para farmácia hospitalar são inúmeras e se faz necessário citar as definições de outros autores, como: Cimino (1973), Programa Regional de Medicamentos Essenciais da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS, 1987), Curso de Especialização em Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990), Ministério da Saúde (1994), Santich (1995). Segundo Cimino (1973) apud Santos (2006), a farmácia hospitalar é considerada como uma unidade técnica aparelhada para prover as clínicas e demais serviços, dos medicamentos e produtos afins de que necessitam para normal funcionamento.” De acordo com o Programa Regional de Medicamentos Essenciais da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS, 1987) apud Wilken (1998), a farmácia hospitalar compreende a seleção de medicamentos, a aquisição e o controle dos medicamentos selecionados e o estabelecimento de um sistema racional de distribuição que assegure que o medicamento prescrito chegue ao paciente na dose correta. Para tal é vital a implantação de um sistema de informações sobre medicamentos que permita otimizar a prescrição. O Curso de Especialização em Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990) apud Wilken (1998), a farmácia hospitalar é definida como o departamento ou serviço de um hospital, que sob a responsabilidade técnica de um profissional farmacêutico habilitado, se destina a contribuir para o seu bom desempenho procedendo à ampla assistência farmacêutica a seus pacientes e colaborando com todos os demais profissionais que integram a área de saúde, através de uma série de atividades colocadas em prática. O Ministério da saúde, através de seu Guia Básico para a Farmácia Hospitalar (1994), define a farmácia hospitalar como uma atividade que representa uma parcela muito alta do

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orçamento destinado aos hospitais, justificando, portanto, a implementação de medidas que assegurem o uso racional desses produtos. Segundo Santich (1995) apud Wilken (1998), farmácia hospitalar estaria representado pelo componente da prática farmacêutica que permite a interação do farmacêutico com o paciente com o propósito de atender as necessidades do paciente relacionadas com medicamentos. Para uma compreensão melhor do que é Farmácia Hospitalar é importante dar uma volta no tempo de maneira que se possa entender em que contexto este conceito acima foi desenvolvido. A Farmácia Hospitalar surgiu na Idade Média, na época dos romanos, gregos e árabes, aonde a profissão de medicina e farmácia eram desenvolvidas paralelamente por religiosos de conventos, nas boticas e nos hortos de plantas medicinais. O farmacêutico após o aparecimento das especialidades farmacêuticas, passou a exercer a função de manipulador de medicamentos e orientador do seu uso (BRASIL, 1994). Segundo o Ministério da Saúde (1994) os primeiros passos iniciados em direção à Farmácia Hospitalar, foi a partir do ano de 1940, pela necessidade de ampliação das áreas farmacêuticas de atuação. Em 1752, surgiu o registro da primeira Farmácia Hospitalar, em um hospital da Pensilvânia (EUA), que apresentou a primeira proposta de padronização de medicamentos. Na década de 1950, o Brasil já apresentava serviços de Farmácia Hospitalar que foram instaladas nas Santas Casas de Misericórdia e Hospital das Clínicas de São Paulo, onde o farmacêutico tinha por função manipular os medicamentos à base de ervas, para serem dispensados aos pacientes internados. Os hospitais foram se desenvolvendo e modernizando com o passar dos anos. O professor José Sylvio Cimino, foi o farmacêutico que teve mais destaque na luta pela implantação da Farmácia Hospitalar, sendo autor da primeira publicação à respeito da Farmácia Hospitalar no país. No ano de 1975, foi introduzida a disciplina de Farmácia Hospitalar na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Posteriormente em 1980, foi implantado o curso de pós-graduação em Farmácia Hospitalar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), (BRASIL, 1994). O Ministério da Saúde na década de 80, juntamente com a Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar (COCIN), criou o Curso de Especialização de Farmácia Hospitalar, para dar apoio prioritário à Farmácia Hospitalar (SANTOS, 2006). No ano de 1995, foi criada a SBRAFH - Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar, que contribuiu intensamente para as atividades da profissão e para o desenvolvimento da produção técnico-científico nas áreas de assistência farmacêutica hospitalar (THOMAZ – SBRAFH).

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O Brasil está vivendo nesse momento, uma fase clínico-assistencial da Farmácia Hospitalar, de acordo a expressão conceitual da SBRAFH (1996/1997): “unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por profissional farmacêutico, ligada, hierarquicamente, à direção do hospital e integrada funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente” (WILKEN, 1998). Dessa forma podemos compreender, que a atuação da Farmácia hospitalar não se preocupa apenas com o abastecimento e aquisição de medicamentos, materiais e serviços, mas também preocupa-se com os resultados da assistência prestada ao paciente. O que permitirá foco de atenção da unidade clínica no paciente, nas suas necessidades e no medicamento utilizado como instrumento para o tratamento terapêutico. (BRASIL, 1994).

2.2 A Farmácia Hospitalar no Brasil

No Brasil as funções do farmacêutico hospitalar, só foram definidas a partir da Resolução 208, do Conselho Federal de Farmácia, em 19 de Junho de 1990, embasada em publicação espanhola que regulamenta o exercício em Farmácia de Unidade Hospitalar, sendo posteriormente atualizada pela Resolução 300 no ano de 1997, na qual é definida as funções da farmácia hospitalar e do profissional farmacêutico. Na obra de Gonçalves, (2006) ressalta-se a situação da área hospitalar no Brasil hoje, que apresenta notável desigualdade entre hospitais, diferença entre hospitais públicos e privados e crise de financiamento. As desigualdades entre hospitais são encontradas tanto nos setores públicos como nos privados, até mesmo em hospitais nacionais e internacionais considerados como centros de referência, há predominância de funcionamento em má condições. A falta de profissionais capacitados no setor gerencial é uma das queixas freqüentes, e provável motivo dessas desigualdades. O objetivo principal de trabalho dos hospitais, é o paciente ou a comunidade a qual se presta serviços hospitalares. O aperfeiçoamento da qualidade nos hospitais, teve início através do modelo de Deming, o mais difundido desde o final da Segunda Guerra Mundial (ou seja desde antes de 1950), preconizava que, mesmo quando já existe qualidade, sempre há espaço para aperfeiçoamento. Desde o final da década de 1980 há um ampla discussão a respeito da qualidade hospitalar, na qual foi envolvida modelos utilizados em hotelaria, os voltados à certificações e esforços, com o objetivo de seguir o modelo internacionalmente conhecido, a

De acordo com essa Portaria os objetivos principais da gestão da farmácia hospitalar: garantir o abastecimento. De acordo com Gonçalves apud Barbuscia (2006) p.283. controle. 213. bem como elaborar pesquisas em assuntos farmacêuticos.17 acreditação (GONÇALVES. articuladas e sincronizadas com as diretrizes institucionais. rastreabilidade e uso racional de medicamentos e de outras tecnologias em saúde. • Propiciar meios para restabelecer a saúde dos pacientes internos e externos do hospital. • Coordenar os trabalhos de padronização de medicamentos. acesso. por meio de seus préstimos. 2006). • Selecionar e preparar as doses individualizadas. são objetivos da farmácia hospitalar: • Produzir. e participar ativamente do aperfeiçoamento contínuo das práticas da equipe de saúde. dispensação. • • Servir de órgão controlador dos produtos químicos adquiridos pelo hospital. No último dia útil do ano de 2010 foi publicada a primeira Portaria Brasileira de Farmácia Hospitalar do Ministro da Saúde n° 4. a medicação prescrita pelo corpo clínico. • Assessorar o corpo clínico do hospital com relação aos aspectos farmacodinâmicos. . distribuir e controlar todos os medicamentos e produtos afins. benefício e risco das tecnologias e processos assistenciais. no intuito de propiciar orientação teórica de enfermagem e aprendizado de estudantes. para um período de 24 horas. que aprova as diretrizes e estratégias para organização. segundo a prescrição médica. assegurar o desenvolvimento de práticas clínico-assistenciais que permitam monitorar a utilização de medicamentos e outras tecnologias em saúde. facultando-lhes. armazenar. fortalecimento e aprimoramento das ações e serviços de farmácia no âmbito dos hospitais. farmacotécnicos e farmacocinéticos dos medicamentos. otimizar a relação entre custo. desenvolver ações de assistência farmacêutica. utilizados pelo hospital. Servir como base de capacitação para a educação em serviços.

proteção e recuperação da saúde. A Assistência Farmacêutica é compreendida como um conjunto de atividades que envolvem o medicamento e que devem ser realizadas de forma sistêmica. bem como a sua seleção. entre outras. garantia da qualidade dos produtos e serviços. distribuição. Assistência Farmacêutica é o conjunto de ações voltadas à promoção. o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos. Segundo o Ministério da Saúde (2006). de acordo com o nível de aperfeiçoamento das atividades e da qualidade dos serviços realizados (MARIN et al. executar. Elaborar normas e procedimentos técnicos e administrativos. aquisição. coordenação dos programas. tanto individual como coletiva. acompanhar e avaliar as ações. programação. Este conjunto envolve a pesquisa. tendo o medicamento como insumo essencial. de 06 de maio de 2004.. Elaborar instrumentos de controle e avaliação. Selecionar e estimar necessidades de medicamentos. o paciente como beneficiário. sendo articuladas e sincronizadas. na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população.18 2. pessoas e tecnologias para o desenvolvimento dos serviços em um determinado contexto social. acompanhamento e avaliação de sua utilização. coordenar. 2003). visando seu acesso e uso racional. tendo. Fazendo-se. áreas interfaces. profissionais de saúde. Articular a integração com os serviços. necessário uma organização de trabalho que vise a ampliação da sua complexidade. .3 Assistência Farmacêutica Segundo a Resolução nº 338. Resulta da combinação de estrutura. dispensação. do Conselho Nacional de Saúde. as funções e atividades da Assistência Farmacêutica (AF) são: • • • • • Planejar.

Distribuir e dispensar medicamentos. 1997 apud BRASIL. Desenvolver e capacitar recursos humanos. Elaborar material técnico. Gestão de estoques. facilitar o acesso aos medicamentos essenciais. Desenvolver estudos e pesquisa em serviço. De acordo a Política Nacional de Medicamentos. Promover o uso racional de medicamentos. Organizar e estruturar os serviços de AF nos três níveis de atenção à saude no âmbito local e regional. requer que a gerência efetiva do estabelecimento assuma papel prioritário na execução desses objetivos e das suas atividades. Garantir condições adequadas para o armazenamento de medicamentos. Assegurar qualidade de produtos. O cumprimento desses objetivos principais. Manter cadastro atualizado dos usuários. 1998). Promover ações educativas para prescritores. Participar de comissões técnicas. 2011). De uma forma geral a Assistência Farmacêutica nos dias de hoje representa uma das áreas com maior impacto financeiro no contexto do SUS. otimizando e efetivando os sistemas de seu acesso e dispensação (BRASIL. promovendo seu uso racional. processos e resultados.19 • • • • • • • • • • • • • • • Gerenciar o processso de aquisição de medicamentos. O gerenciamento da Assistência Farmacêutica é de fundamental importância. pois a demanda por medicamentos é crescente o que envolve uma elevação dos recursos financeiros. Essa reorientação é voltada à promoção do uso racional de medicamentos. a reorientação da Assistência Farmacêutica é uma diretriz fundamental que tem como objetivo principal. . gestores e profissionais de saúde. e sua ausência pode acarretar grandes disperdícios dos medicamentos que podem ser essenciais (MSH. unidades e profissionais de saúde. usuários de medicamentos. informativo e educativo. o que também é uma realidade nas secretarias estaduais de saúde (SES). Desenvolver sistema de informação e comunicação. Prestar cooperação técnica.

Para que seja atingido os objetivos da Assistência Farmacêutica. evitar o improviso e o imediatismo da rotina. 2003). 2006c). Os recursos humanos são fundamento principal dos serviços farmacêuticos hospitalares. quer em número. Sendo competência também das esferas de gestão do SUS. 2005). coordenação. de execução.. o gerenciamento. assume especial relevância no contexto da reorganização da farmácia hospitalar (CEFH. Estados e Municípios). Sendo. da organização e da estruturação do conjunto das atividades desenvolvidas. habilidades e técnicas em planejamento. organização. De acordo com a publicação da Portaria GM/MS n° 698 de 30 de Março de 2006. O farmacêutico deve buscar a mobilização e comprometimento dos seus funcionários na organização e produção de serviços que atendam às necessidades da população. 2011). Um bom gerenciamento provém de conhecimentos. de acompanhamento e de avaliação dos resultados. habilidades e atitudes. desenvolvimento e capacitação de recursos humanos. dos processos metodológicos e do direcionamento estratégico (BRASIL. alcançando resultados por meio de pessoas. quer em qualidade. sendo que esta deve ser permanentemente reavaliada. valorizando as habilidades existentes na equipe profissional e contribuindo para suas potencializações. conhecimentos e habilidades de gerência (MARIN et al. estruturação e organização de serviços. A atividade de planejamento deve ter recursos humanos com conhecimentos.20 É imprescindível que haja um gerenciamento efetivo. que visam aperfeiçoar os serviços ofertados à população é possível fazer o gerenciamento da Assistência Farmacêutica (BRASIL. capacidade de articulação. além de obter conhecimento do contexto interno e externo. o gerente deve fazer o planejamento. pelo que a aplicabilidade destes Serviços em meios humanos adequados. utilizando eficientemente os recursos disponíveis. compromisso e força de vontade para mudar e transformar a realidade dos fatos. nova execução. fundamental entender da realidade social em que se atua. o financiamento da Assistência Farmacêutica é responsabilidade das três esferas de gestão do SUS (União. O planejamento deve ter como objetivos: possibilitar uma visão ampliada e melhor conhecimento dos problemas internos e externos. novo acompanhamento e nova avaliação (MARIN et al. determinação. acompanhamento e avaliação do trabalho desenvolvido com racionalidade. 2003). . o que resultará em um novo planejamento. tendo. A partir do planejamento. abrangindo ações de planejamento.

Allem (1999) Elaboração por etapas de planos e programas com objetivos definidos. possibilitar o controle. Dever (1998) Curso de ação projetado para o futuro. 1999. tendo como ponto de referência uma análise da situação do estabelecimento (MARIN et al. a programação. 143-152. Administrar . visando a objetivos bem definidos. Conceitos/Autores Bonato (2003) Trabalho de preparação para um empreedimento. com o intuito de atingir um conjunto coordenado e consistente de operações rumo aos objetivos desejados. DEVER. 2006c).21 comprometer o gerenciamento para objetivos e resultados. 5. A. Epidemiologia na administração dos serviços de saúde. o aperfeiçoamento contínuo. Fontes: ALLEM. estabelecer prioridades (BRASIL. Dever e Allem. O gerenciamento abrange o planejamento. Ao fazer a elaboração do planejamento. 2003). Alan. 1988. a avaliação permanente das ações e resultados alcançados. Termos e definições críticos em planejamento. eficácia e efetividade nas ações programadas. p.. C. QUADRO 1 Termos empregados no planejamento por Bonato. o método da análise diagnóstica prévia vai conseguir identificar a existência de problemáticas. set-out. decorrentes da necessidade de criar ou modificar realidades. segundo roteiro e métodos determinados. Processo de ação/reflexão/ação cujo significado é o contrário de improvisação. v. n. a fiscalização e o controle das atividades desempenhadas no hospital. A. proporcionar eficiência. G. Dever e Allem. 33. É o processo orientado para a ação por meio do qual a instituicão se adapta a mudanças. o planejamento é uma ferramenta da gestão necessária para fazer o estabelecimento de objetivos e metas. São Paulo. Para alcançar bons resultados na Assistência Farmacêutica. E. tanto na sua constituição interna como em seu ambiente externo. Revista de Administração Pública. No QUADRO 1 a seguir será mostrado a definição de planejamento segundo termos empregados por Bonato. São Paulo: Pioneira. que podem ser fatores limitantes para se fazer o aperfeiçoamento da ação planejada.

através da realização de seminários locais para fazer a adaptação de conceitos de Assistência Farmacêutica e de um método de planejamento que pudessem se tornar instrumentos para a realização de oficinas e confecção dos capítulos de Assistência Farmacêutica do Plano de Saúde (BRASIL. sendo responsável pela tradução das diretrizes através de ações concretas. 2006b). 2006a. Através do Instrumento de Autoavaliação para o . também faz parte do termo gerenciamento (GONÇALVES. Tendo como objetivo verificar se os resultados produzidos convergem na direção dos resultados esperados. no período de 2007 a 2008. Na qual foi recomendado que os municípios fizessem a elaboração do capítulo “Assistência Farmacêutica” do Plano Municipal de Saúde. que não se restringe ao simples abastecimento de medicamentos. Avaliar. O aspecto principal do planejamento é o acompanhamento permanente da realidade. De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde n° 2084/05. avaliando as decisões tomadas. BRASIL. 2003). O gestor representará uma ligação entre os diferentes níveis dentro do sistema. 2006). Dessa forma entende-se que planejamento é um processo de aprendizagem que leva a correção da própria aprendizagem. Para que sejam atingidos objetivos esperados das diretrizes elaboradas. Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) propôs um método para o Planejamento na Assistência Farmacêutica. para que planejamento passa a ser parte integrante do processo de gerenciamento da Assistência Farmacêutica. que teve discussão no Conselho Municipal de Saúde e inclusão na revisão do Plano de Saúde. o que permite corrigir a trajetória dos objetivos propostos (BRASIL. Definindo-se a Assistência Farmacêutica como um conjunto de atividades de característica multiprofissional. no ano de 2007 (BRASIL. havendo necessidade do gestor envolvido (farmacêutico) fazer a elaboração de diretrizes claras. 2006c). orientando suas atitudes. que resulte na definição de ações específicas a serem realizadas (MARIN et al. no projeto “Assistência Farmacêutica: Planejar. O projeto teve como objetivo dar apoio aos municípios e estados. Organizar. na definição de metas com prioridade nas ações. O método de planejamento proposto baseia-se na identificação do estágio atual de desenvolvimento da aptidão técnica e do gerenciamento da Assistência Farmacêutica. denominado “Planejar é Preciso”. supervisionando sua atividades. 2006b).22 pessoas. na construção de parâmetros e definição das necessidades e no esboço do plano de ação.. através do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF) da Secretaria de Ciência. treinando-as e capacitando-as para exercer suas funções. é preciso desencadear um processo de análise permanentemente. é preciso”. No planejamento delimita-se o objetivo a ser alcançado e os possíveis obstáculos a serem superados para a construção de uma nova realidade.

dos estados. definindo um conjunto de ações para que sejam implementadas essas modificações (BRASIL. é feita a definição do estágio atual de desenvolvimento. Nessa formulação o medicamento é definido como um produto farmacêutico com finalidades profiláticas.4 Assistência Farmacêutica no SUS No ano de 1971 teve início a Assistência Farmacêutica. 6°) e o seu cuidado como competência comum da União. No Art. curativas. em relação ao grupo de dimensões da Assistência Farmacêutica. programação. a farmácia hospitalar e suas áreas internas deve seguir as normas das autoridades competentes. No entendimento de Babieri e Machline (2009). proteção e recuperação (BRASIL. 1971). que estabeleceu a saúde como direito social (Art. que em seu Artigo 6° determina como campo de atuação do SUS. a formulação da política de medicamentos. 1988. . 2. que tinha como meta o fornecimento de medicamentos à população que não tinha condições econômica para adquirir-los e se caracterizava por manter uma política centralizada de aquisição e de distribuição de medicamentos (BRASIL. elaboração.33). 196 foi estabelecido que: A saúde é direito de todos e dever do Estado. p. da Anvisa. é um conjunto normativo que reúne leis num regulamento técnico de várias normas voltadas para orientar o planejamento. avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. A Lei Orgânica da Saúde (Lei n° 8080/90) estabeleceu a regulamentação da Constituição Federal.23 Planejamento em Assistência Farmacêutica (IAPAF). Dessa forma será possível identificar modificações que. 23). como política pública através da instituição da Central de Medicamentos (CEME). se implementadas. A partir da promulgação da constituição Federal de 1988. 2006a). que foi projetado para que os municípios avaliem o estágio no qual se encontram. permitirão avanço. A Resolução RDC n° 50 de 21 de fevereiro de 2002. foram introduzidas mudanças de princípios. específica para a área da saúde. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. do Distrito Federal e dos municípios (Art. que posteriormente foi complementada pela RDC n° 189 de 18 de julho de 2003.

24 paliativas ou para fins de diagnóstico. 2011). A implementação dessas diretrizes causam ações que vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos. Garantia de segurança. (BRASIL. foram consideradas como prioridades a revisão permanente da RENAME. inclusive farmacêutica. Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos. quando foi desativada. ao setor da saúde a responsabilidade de executar ações de assistência terapêutica integral. eficácia e qualidade dos medicamentos. como: • • • • • • • • Adoção da Relação de Medicamentos Essenciais (RENAME). tendo como principais finalidades garantir a necessária segurança da eficácia e da qualidade dos medicamentos. Desenvolvimento científico e tecnológico. suas atribuições foram transferidas para diferentes órgãos e setores do Ministério da Saúde. Até o ano de 1997 a CEME foi responsável pela Assistência Farmacêutica no Brasil. relacionado à reorientação da Assistência Farmacêutica. 3916. a promoção do uso racional dos medicamentos e o acesso da população àqueles medicamentos considerados essenciais (BRASIL. A Política Nacional de Medicamentos estabelece diretrizes e prioridades que resultaram em importantes avanços na regulamentação sanitária. Regulamentação sanitária de medicamentos. Promoção da produção de medicamentos. ainda. publicada pela Portaria GM/MS n. a promoção do uso racional de medicamentos e a organização das atividades de Vigilância Sanitária de medicamentos para regular esta área. Promoção do uso racional de medicamentos. resultou no estabelecimento da Política Nacional de Medicamentos (PNM). a reorientação da Assistência Farmacêutica. 1998). 1998). Para que seja alcançado um dos objetivos prioritários estabelecidos pela PNM. o desenvolvimento de atividades para assegurar o uso racional dos medicamentos e ações que otimizem e tornem eficaz o sistema de distribuição no setor público e iniciativas que possibilitam a redução nos preços dos produtos. Reorientação da Assistência Farmacêutica. em 1998 (BRASIL. no gerenciamento de medicamentos e na organização e gestão da Assistência Farmacêutica no SUS. Atribuindo. é necessário promover a descentralização da sua gestão. . Dentre essas diretrizes. Para que sejam alcançados os objetivos propostos a PNM apresenta um conjunto de diretrizes. A formação de grupos profissionais que faziam a discussão dos principais aspectos relacionados aos medicamentos no país.

distribuição. a qualificação de recursos humanos. .25 A maioria dessas ações foram e estão sendo desenvolvidas na área de Assistência Farmacêutica no SUS. o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos. Recentemente. 399. 338. de acordo com a PNAF deve ser entendida como política pública norteadora para a formulação de políticas setoriais. A Portaria GM/MS n. foi realizado um amplo debate sobre a Assistência Farmacêutica com a sociedade na I Conferência Nacional de Medicamentos e. os Pactos pela Vida. regulamentou a forma de transferência dos recursos financeiros federais. Uma das questões cruciais no SUS é assegurar o acesso a medicamentos. Assistência Farmacêutica no SUS. bem como a descentralização das ações (BRASIL. tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e seu uso racional. proteção e recuperação da saúde. de 6 de maio de 2004. entre outros. com o propósito de atingir esses e outros objetivos que foram se impondo ao longo dos anos (BRASIL. devendo reunir-se á aquisição de medicamentos e insumos e a organização das ações de Assistência Farmacêutica necessárias. constituído por três componentes: o componente básico. definindo-a como: Um conjunto de ações voltadas à promoção. 2004). aquisição. 2011). garantia da qualidade dos produtos e serviços. estabelecendo. o bloco de financiamento da Assistência Farmacêutica. o Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou e publicou a Resolução CNS n. acompanhamento e avaliação de sua utilização. foi definido que o financiamento referente à Assistência Farmacêutica é de responsabilidade dos três gestores do SUS. considerando que estes insumos são uma interferência terapêutica muito utilizada. programação. dispensação. Este conjunto envolve a pesquisa. de 22 de fevereiro de 2006. No Pacto de Gestão. de 29 de janeiro de 2007. 204. com base nas propostas nela originadas. No ano de 2003. em Defesa do SUS e de Gestão foram instituídos através da Portaria GM/MS n. bem como a sua seleção. o componente estratégico e o componente especializado. na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL. tanto individual como coletiva. que estabelece a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF). Muitos foram os avanços e conquistas na área de Assistência Farmacêutica no SUS após a publicação da PNM e da PNAF. de acordo com a organização dos serviços de saúde. causando impacto diretamente sobre a resolubilidade das atividades de saúde. tendo como alguns dos seus eixos estratégicos a manutenção e a qualificação dos serviços de Assistência Farmacêutica na rede pública de saúde. constituindose no eixo norteador das políticas públicas estabelecidas na área da Assistência Farmacêutica. 2011).

2009). 2. farmacovigilância e das boas práticas de armazenamento e dispensação. desenvolvimento de programas de farmacocinética clínica. participação na elaboração de protocolos terapêuticos. O profissional farmacêutico é capaz de melhorar a eficácia do tratamento. como Comissão de Infecção Hospitalar . armazenar. individual ou unitária) e controlar os medicamentos (tanto os controlados por lei.26 Fazendo como se inclua o acesso a medicamentos tanto nos componentes básico e no estratégico. dispensar (conforme a evolução do sistema. Suas funções básicas são: selecionar (padronizar). que é entendida em toda a extenção do princípio da integralidade das atividades de saúde. em dose coletiva. requisitar. Ele ainda integra algumas comissões hospitalares. não só através do medicamento. 2011). quanto os antimicrobianos). observando os ensinamentos da farmacoeconômia. apresenta caráter fundamental para a atenção à saúde. receber. O farmacêutico hospitalar assume papel clínico que é desenvolvido através de programas e ações. disponibilizados no componente especializado da Assistência Farmacêutica (BRASIL. participação em programas de farmacovigilância. (CFF. como profissional responsável pelo uso racional e efetivo dos medicamentos. A inserção do profissional farmacêutico passa a ser uma necessidade e o seu papel. como o acesso ao tratamento de doenças cujas linhas de cuidado estão estabelecidas em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.CCIH e Comissão de Farmácia e Terapêutica – CFT (REIS. 1994). mas pela intensidade da atenção que é prestada aos pacientes (BRANDÃO.5 O Papel do Farmacêutico na Assistência Farmacêutica Hospitalar O farmacêutico é o responsável por prestar assistência e por fazer o planejamento das atividades farmacêuticas de um hospital. desenvolvimento de programas de farmácia clínica e desenvolvimento de programas de suporte nutricional (BRASIL. enquadradas nas funções clínicas como: estudos de utilização de medicamentos. 2007). . 2010).

Assim é possível entender que. FIGURA 1 . comprometendo o objetivo do programa. o resultado de uma atividade é o ponto de partida da outra e a ausência de uma delas. Tal fato pode resultar na desorganização dos serviços. 2.. reações adversas e custo dos antimicrobianos. A FIGURA 1 abaixo representa o Ciclo da Assistência Farmacêutica com suas respectivas etapas. 2004). 2003). valorizando a articulação entre as diversas partes que compõem o sistema. 2006). gerando a insatisfação do usuário proporcionando a má qualidade da gestão da Assistência Farmacêutica no âmbito do SUS (BRASIL. ou sua execução de forma inadequada. Sendo responsável também por estabelescer mecanismos de controle de dispensação dos fármacos (HOEFLER. no Ciclo da Assistência Farmacêutica. mecanismo de ação. farmacocinéticas. acaba impedindo o correto funcionamento de todo o ciclo. estabelecendo fluxos na construção de um conjunto articulado que influencia e é influenciado por cada um de seus componentes (MARIN et al. visando otimizar sua utilização.27 O profissional farmacêutico no âmbito hospitalar deve fornecer a equipe de saúde informações terapêuticas.6 Ciclo da Assistência Farmacêutica Ao fazer a adoção de um enfoque sistêmico para a organização da Assistência Farmacêutica é uma estratégia que procura superar a fragmentação da área.

Rio de Janeiro: OPAS/OMS.6. visando assegurar medicamentos seguros. a seleção de medicamentos tem por objetivo: • • • • Reduzir o número de especialidades farmacêuticas. 2006c. Contribuir para a promoção do uso racional de medicamentos.1 Seleção de Medicamentos O processo de seleção consiste na escolha de medicamentos.. produção e políticas farmacêuticas (MARIN et al.28 Fonte: MARIN et al. Uniformizar condutas terapêuticas. utilizando-se de critérios epidemiológicos. Melhorar o acesso aos medicamentos selecionados. 2003. 2003). Assistência Farmacêutica para Gerentes Municipais. eficazes e que tenham custo efetivo com propósito de racionalizar o seu uso. . direcionar o processo de aquisição.32). técnicos e econômicos. harmonizar condutas terapêuticas. 2. p. estabelecidos por uma Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde (BRASIL.

29 • • • Assegurar o acesso a medicamentos seguros. portanto. Aperfeiçoar a gestão administrativa e financeira. As outras atividades do ciclo são desenvolvidas com base na relação de medicamentos selecionados. na tomada de decisões. envolvendo os profissionais de saúde.fase de divulgação e implantação: elaboração de estratégias para divulgação da relação. além do uso apropriado dos medicamentos. com objetivo de estruturar e organizar sistemas eficientes e efetivos. Facilitar a integração multidisciplinar. • 3ª etapa . programação. armazenamento e distribuição constituem os pilares para objetivos mais centrais. • • Melhorar a qualidade da farmacoterapia e facilitar o seu monitoramento. Para garantir aos usuários o melhor cuidado possível. prescrição. simplificando a rotina operacional de aquisição. etc. palestras. dispensação.. sendo esses: o acesso e o uso racional de medicamentos (MARIN et al. • 4ª etapa . aquisição. Quando necessário. é fundamental que cada uma das atividades e. armazenamento. subcomissões ou consultas a especialistas.33) é recomendável algumas etapas para o desenvolvimento do processo de seleção de medicamentos: • • 1ª etapa . que deve nortear as diretrizes e utilização. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL. • Favorecer o processo de educação continuada e atualização dos profissionais. tanto a seleção como as atividades de programação. meios de . p. seja centrado nos pacientes e não na própria estrutura administrativa. cujo resultado e/ou produto consiste na elaboração de uma relação de medicamentos essenciais. Racionalizar custos e possibilitar maior otimização dos recursos disponíveis. controles e gestão de estoques. 2ª etapa . A seleção de medicamentos é considerada a etapa principal do Ciclo da Assistência Farmacêutica. que poderá ser feita por meio de seminários. 2003).fase política: apoio e sensibilização do gestor e dos profissionais de saúde. aquisição. Dessa forma. o serviço como um todo.seleção propriamente dita. Fase de estruturação da relação de medicamentos: definição de critérios e efetivação do processo. 2006c. tanto na atenção ambulatorial quanto na hospitalar. eficazes e custos-efetivos.fase técnico-normativa: criação de Comissão de Farmácia e Terapêutica em caráter permanente e deliberativo.

levando em consideração a eficácia e segurança dos medicamentos. para subsidiar os prescritores. Para que seja feita essa seleção. que recomenda a descentralização mantendo a integralidade das ações. promovendo a qualidade no uso e a otimização dos investimentos em medicamentos (MARQUES. quantidade média de medicamentos prescritos por receita. prestar esclarecimentos aos usuários solicitantes e revisar as normas internas relacionadas com as rotinas referentes ao uso e à solicitação de inclusão de medicamentos. Como dito anteriormente. levando em consideração a complexidade dos serviços a serem cobertos (STORPIRTIS et al. .. ZUCCHI. Um dos requisitos para uma seleção de medicamentos num hospital é a criação da Comissão de Farmácia e Terapêutica e elaboração de seu regimento ou estatuto. as Relações Estaduais de Medicamentos Essenciais (RESME) e o Formulário Terapêutico Nacional (FTN) devem ser os documentos fundamentais no processo de seleção de medicamentos (MARIN et al. como forma de validar e legitimar o processo. dados de consulta e demanda. Estas comissões compõe umas das estratégias reconhecidas para organizar as ações que devem conseguir fazer o aprimoramento da utilização dos fármacos nos diversos equipamentos de saúde. 2003). 2008). evitando dessa forma o modelo centrado na consulta médica e no atendimento automático da demanda correspondente (ARAUJO et al. As Comissões de Farmácia e Terapêutica são jurisdições. instrumento oficial (Portaria). a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). o hospital deve ter uma comissão de padronização de medicamentos que seja encarregada de seguir os critérios de seleção.30 comunicação. com caráter multidisciplinar. A seleção de medicamentos requer análise e perfil das prescrições na rede de saúde. 2008). tendo como finalidade de auxiliar o gestor e a equipe de saúde sobre assuntos referentes aos medicamentos. buscando-se minimizar as pressões mercadológicas e de relações interpessoais. entre outros.. Atualmente o modelo proposto de organização do SUS. divulgar informações sobre os medicamentos selecionados. que emitem parecer e decisão. medicamentos mais prescritos. a seleção de medicamentos deve se basear em critérios epidemiológicos e farmacoeconômicos. além de estudos de utilização de medicamentos que possibilitem dispor de uma série de informações técnicas e administrativas que devem ser apresentadas à gestão (MARIN et al. 2006). 2003). gastos efetuados por mês. • 5ª etapa .elaboração de um Formulário Terapêutico: documento que consiste de informações técnicas relevantes e atualizadas a respeito dos medicamentos que foram selecionados..

serviços internos e externos ao hospital. 2008). e por determinado período de tempo. A avaliação dessas necessidades representa um dos pontos importantes do ciclo da assistência farmacêutica por sua . levando em consideração um determinado período de tempo. culturas. 2. através de um serviço ou de uma rede de serviços de saúde. Estes medicamentos devem estar sempre disponíveis. ORDOVÁS. As escolhas não são baseadas somente nos critérios de eficácia. etc.2 Programação de Medicamentos No processo de programação de medicamentos. 2005 apud STORPIRTIS et al. evitando assim as aquisições desnecessárias. 2006c). é possível definir as propriedades na aquisição dos medicamentos. O modelo que é tradicionalmente usado para selecionar medicamentos é baseado em dados de consumo ou de estudos quantitativos de utilização dos medicamentos. A etapa da programação tem por objetivo a garantia da disponibilidade dos medicamentos previamente selecionados nas quantidades adequadas e no tempo oportuno para atender às necessidades de uma população. perdas e descontinuidade no abastecimento (BRASIL.6. pois sua função limita-se a informar as decisões estabelecidas por preferências de uso (JIMÉNEZ TORRES et al.31 Um dos objetivos do processo de seleção de medicamentos. 2006). compreendidos como aqueles que satisfazem as necessidades prioritárias de atenção à saúde da população. influência de indústria farmacêutica. Nessa circunstância a CFT não participa ativamente do processo de escolha dos medicamentos. é definido as quantidades de medicamentos que serão adquiridas de acordo à determinada demanda de serviços... Considerando-se a disponibilidade de recursos. CLIMENTE. POVEDA. mas também na preferência dos prescritores. 2000. é a definição de uma relação de medicamentos essenciais. tanto nas quantidades como nas formas farmacêuticas adequadas (WANNMACHER.

perdas ou excesso desses produtos (BRASIL. é a informação dos dados de consumo e demanda atendida e não atendida de cada produto. • Consumo histórico / consumo médio mensal: analisa o consumo de medicamentos em uma série histórica. perfil epidemiológico local (morbimortalidade). 2006c). capacidade instalada e recursos humanos). do conhecimento sobre os medicamentos selecionados. entre outros fatores (BRASIL. cobertura assistencial. assim como.32 relação direta com a disponibilidade e acesso aos medicamentos e com o nível de estoque. dados populacionais. É importante que sejam consideradas a sazonalidade e a demanda não-atendida (BRASIL. A partir disto. 2004). A programação deve atender as necessidades reais. De acordo com Brasil (2004) a programação é uma atividade associada ao planejamento. As quantidades feitais perante aquisição podem ser ajustadas à disponibilidade financeira. 2006c). e calcula-se a quantidade necessária de cada medicamento para atender à população-alvo (BRASIL. incluindo sazonalidade e estoques existentes. 2004). 2003). Sua praticalidade e realização dependem da utilização de informações gerenciais disponíveis e confiáveis. delineia-se os esquemas terapêuticos e as quantidades de medicamentos necessárias por tratamento. De acordo com Marin et al. (2003) o requisito essencial para uma programação bemsucedida. Calcula-se a capacidade de oferta do serviço e multiplica-se pela quantidade de medicamentos utilizados por procedimento (BRASIL. oferta e demanda dos serviços. com o diagnóstico situacional de saúde da população. infra-estrutura.. • Oferta de serviços: estimam-se as necessidades de medicamentos a partir da disponibilidade de serviços ofertados. conhecimento da rede de saúde local (níveis de atenção à saúde. 2006c). sua indicação e sua perspectiva de utilização pelos . os mais utilizados são: • Perfil epidemiológico: baseia-se nos dados de morbimortalidade. possibilitando estimar as necessidades. independentemente do método utilizado no processo de estabelescimento das necessidades ou recursos financeiros disponíveis para atender a demanda (MARIN et al. Dentre os vários métodos utilizados para a programação de medicamentos. tempo demandado para concretização do processo. da análise da situação local de saúde.

Cada item do estoque apresenta valores de utilização que é dado pela relação (consumo anual do item x preço unitário e estoque médio do item x custo unitário de aquisição). a programação deve refletir a necessidade real (MARIN. no caso de quantificação inicial de um medicamento a ser introduzido na lista. Os objetivos da curva ABC são: oferecer um tratamento especial para os itens mais importantes. O que torna possível fazer-se a divisão dos materiais de consumo em três classes (BARBIERI . Estes devem receber atenção especial dos administradores mediante planejamento e controle mais rigoroso. O método de classificação ABC. que estabelece relação entre a quantidade de itens com seu consumo e seu custo unitário (GONÇALVES. como por exemplo. as quantidades podem ser ajustadas de acordo com a disponibilidade de recursos financeiros. 2004). implantar estratégias para a gestão dos estoques. Existem diversos critérios para classificar materiais. poucos itens representam muito valor e muitos itens representam pouco. Contudo. 2006). formando grupos de materiais segundo algum critério.33 usuários atuais e potenciais. entre outros fatores (BRASIL. formando um conjunto de valores diferenciados em que. tempo exigido para efetivação do processo. mesmo por ocasião da elaboração da solicitação de aquisição. 2009): • Classe A – pertencem a essa classe os poucos itens que representam parcela substancial do valor total considerado. diagnosticar quais serão esses itens. conhecida também como classificação de Pareto é uma análise quantitativa. no caso os da curva A. • Classe B – são os itens em número e valor intermediários e que devem receber um tratamento menos rigoroso que os da classe A. medicamentos e materiais médicohospitalares devem ser classificados sob diversos critérios para facilitar as atividades operacionais e administrativas. 2006). 2003). do consumo de um determinado período. Independentemente da forma metodológica utilizada no processo de estabelecimento das necessidades ou dos recursos financeiros disponíveis para atender a demanda. por exemplo. pelo valor de utilização. De acordo com Barbieri e Machline (2009). MACHLINE. pelas dificuldades de armazenamento e entre outras. . servir de indicador para gastos com produtos de alto custo curva A. propiciar ao hospital maior liquidez quando aumentar o giro de alguns produtos (SANTOS.

O método de classificação XYZ é uma análise qualitativa que determina a criticidade dos materiais e medicamentos no hospital.34 • B. A. Gestão de Farmácia Hospitalar / Gustavo Alves Andrade dos Santos.R$ 65-70 20-30 10-15 Fonte: SANTOS. auxiliar no estabelecimento de políticas de estoque e lotes de compras. segundamente um produto pode variar de classificação de acordo com sua quantidade de uso e cuidado. dos. Essa classificação objetiva. A. 72. Classe C – nesta classe. na qual os produtos são analisados segundo sua importância nas atividades operacionais do hospital. G. importância do item para o hospital. 2006 . ao mesmo tempo permitindo estabelecer sistemas de reposição apropriados à importância que cada item representa no estoque total (BARBIERI . contribui muito para reduzir o volume de estoques hospitalares.(Série Apontamentos). complementar os estudos da curva ABC de materiais e suas respectivas análises quantitativas. entram os numerosos itens de pouca importância em termos de valor. 2009). pois um item pode pertencer à classe C e ser crítico para o processo que o utiliza. – São Paulo: Editora Senac São Paulo. O uso da classificação ABC apesar de algumas limitações. Na tabela 1 a seguir mostra os valores percentuais dados por convenção para cada classe de itens: TABELA 1 Valores percentuais dados por convenção para cada classe de itens Classe A B C % Itens (quantidade) 10-15 20-30 65-70 % valor do estoque . com seu grau de utilização e valorização e estrutura do hospital. Os materiais são classificados pelo modelo XYZ de acordo com critérios (GONÇALVES. atribuir aos produtos tratamento diferenciado de acordo com a classificação. é necessário tomar algumas precauções: primeiramente ela não deve ser utilizada para eliminar produtos de pouco valor. MACHLINE. Ao fazer uso da classificação ABC. Devem receber um tratamento menos rigoroso que os itens da classe De acordo com Santos (2006) o gestor terá que estabelecer uma margem percentual a ser adotada para cada classe de itens. 2006): . p. levando em consideração a dimensão do hospital. pois a classificação ABC não mostra a sazonalidade dos produtos nem o grau de importância dos itens para as atividades em que eles são necessários.

administrativos (cumprimento dos prazos de entrega) e financeiros (disponibilidade orçamentária e financeira e avaliação do mercado). com finalidade de suprir as necessidades da quantidade. têm que ser planejados para um NA de 100%. 2. Material Z: vital ou crítico para a produção. podendo ser facilmente substituído por outros similares. considerando o modelo de organização do SUS e os esforços operacionais que demanda. . Além de se fazer a observação dos aspectos legais. De acordo com Brasil (2006. a compra de medicamentos deve considerar outros critérios relacionados ao planejamento e às estratégias de compra (BRASIL. de difícil substituição e/ou insubstituíveis (BARBIERI .3 Aquisição de Medicamentos Nesse processo é feita a efetivação da compra dos medicamentos que foram devidamente selecionados e programados. • • A utilização da classificação XYZ vai permitir aos gestores fixar Níveis de Atendimento (NA) adequados aos diferentes tipos de criticalidade dos materiais utilizados pelo estabelecimento. estabelecidos pela Lei 8. considerando os aspectos jurídicos (cumprimento das formalidades legais). pelo fato de não serem críticos podem ser planejados para um NA de 97% .666 de 1993. Os itens X.35 • Material X: de aplicação pouco importante para o funcionamento do hospital. 9). e suas atualizações. tendo em vista que a seleção de medicamentos pode considerar realidades de saúde comuns a municípios de uma determinada região. 2009). Esta etapa do ciclo envolve diferentes setores técnicos e administrativos e deve ser permanentemente qualificada. técnicos (atendimento às especificações técnicas). qualidade e menor custo efetivo dos medicamentos mantendo a regularidade do sistema de abastecimento (BRASIL. 2006c). sem similar no hospital. Material Y: de aplicação de média importância às atividades do hospital.Os itens Y tem que ser planejados para um NA de 98%. p. a aquisição de medicamentos pode ser realizada através de cooperação entre municípios. Já os itens Z. A aquisição de medicamentos é uma das principais atividades da Gestão da Assistência Farmacêutica.6. pelo fato de serem imprescindíveis. 2011). MACHLINE. Sendo necessário que os gestores conduzam a política de estoque de modo a obter para os itens classificados um NA planejado e real de 100%.

(2008) a listagem de medicamentos e materiais selecionados deve ser reavaliada constantemente apontando: • • • Itens em desuso. 37. paciente assistido pela instituição. obtendo-se vantagens e desvantagens. de junho de 1993 regulamenta o art. o processo de licitação é o princípio constitucionalmente estabelecido através da administração pública que impõe a concorrência para efetuar suas aquisições ou venda de bens e serviços. que devem ser excluídos ou substituídos. 2008). A maioria dos profissionais farmacêuticos utiliza como critério técnico para a aquisição. inciso XXI. 2008).. Sendo recomendável fazer a combinação de vários métodos para se obter uma programação mais adequada para que se possa quantificar melhor. (BRASIL. administradores e os demais profissionais envolvidos. Essas informações normalmente são elaboradas em guias hospitalares. da Constituição Federal. dados de consumo histórico e/ou critérios subjetivos. XXI da Constituição Federal. 37. . a inexigibilidade de licitação e a dispensa de licitação . Dentre os critérios o que é mais utilizado no momento da licitação são os medicamentos de menor preço (MARIN et al. A Lei Federal n° 8666. Os materiais em alguns hospitais ficam sob responsabilidade dessa comissão (STORPIRTIS et al. De acordo com o Art. regendo a aquisição de produtos e serviços pelo setor público. Segundo Storpirtis et al. 2006).. denominados Guias Farmacoterapêuticos (STORPIRTIS et al. definindo como modalidades de aquisição: a licitação. levando em consideração para todos os métodos de programação.36 As necessidades de medicamento surgem em resultado do perfil das doenças da população e das metas de oferta dos serviços. A Comissão de Farmácia de Terapêutica (CFT). enfermeiros. o perfil epidemiológico. preparando o processo administrativo para a contratação dos fornecedores.. oferta de serviços. Correta utilização dos itens dispostos por meio do estabelecimento de protocolos e/ou procedimentos operacionais padrões. 2003). Para fazer o julgamento das propostas podem ser utilizados os seguintes critérios: melhor técnica. tem por função de selecionar os medicamentos. formada por médicos. farmacêuticos. institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. consumo histórico ou ajustado. Inclusão de itens com elevados níveis de eficácia clínica. menor preço ou técnica e preço.

que assegure: alto grau de flexibilidade . a estocagem e a distribuição de medicamentos denominada Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF). que instituiu o pregão eletrônico como possibilidade de aquisição de produtos no serviço público. além dos procedimentos corretos. a definição de qual licitação será realizada depende do bem ou serviço. Depois do ano 2000 veio a Medida Provisória n° 2023-7. A etapa de armazenamento tem como objetivos principais: receber matérias de maneira adequada de acordo com cada tipo. De acordo com Santos (2006). Esse modelo de licitação ajudou a simplificar a maneira do processo de aquisição. no momento certo e oportuno.37 A Lei Federal n° 8666/1993 define como possibilidades de licitação: concorrência. convite.. armazenamento é definido como um estudo que permite ao administrador (farmacêutico) organizar e dispor os medicamentos em geral. tomada de preços. efetuar procedimentos de gestão e controle.4 Armazenamento e Distribuição de Medicamentos O processo de armazenamento tem por finalidade assegurar condições adequadas de conservação dos produtos. estocagem. é necessário. que vai ser adquirido e do valor investido. aplicável a qualquer valor de aquisição. uma estrutura física adequada. tendo como finalidade fazer o abastecimento do hospital de forma dinâmica. preservando a qualidade dos materiais (BRASIL. possibilitando a rápida localização. Há envolvimento das atividades de recepção/ recebimento. No entendimento de Storpirtis et al. atribuindo-lhe agilidade e grandes possibilidades de redução dos custos operacionais e dos preços efetivamente contratados. por esse motivo designa-se um local onde se realiza o recebimento. 2003). guardá-los de acordo com as ordens legais e técnicas. 2. conferência. mantendo-os sob constante observação e de uma forma economicamente desejável. (2008) armazenar é estocar os materiais disponibilizando-os. conservação e controle de estoque de medicamentos ( MARIN et al. preservar as características dos itens armazenados e por em prática a expedição dos produtos. Para que o processo de armazenamento seja eficaz. em uma área específica. 2006c). esses são estocados de forma diferencial. apresentando qualidade e quantidade adequadas. concurso ou leilão. Devido às características particulares dos medicamentos.6. de forma organizada através de conhecimentos técnicos.

essas condições devem ser rigorosamente determinadas e monitoradas.38 do arranjo físico. (2008) as propriedades dos produtos podem sofrer alterações caso não sejam armazenados em condições ambientais adequadas. eficiente organização do espaço. drogas sobre as quais tem de ser exercido controle rigoroso. antibióticos. longe de fontes de calor e umidade. para isso três tipos de produtos: • • Medicamentos de prateleira. diminuição de perdas por deterioração e/ou desvio e garantia dos requisitos de segurança individual e coletiva (MARIN et al. manutenção dos registros adequados de entrada e saída. por exemplo. no caso de medicamentos. e sua estocagem é feita através de câmaras frias. redução da necessidade de equipamentos. tipo doméstico. ao meio do dia e pela tarde. • Materiais refrigerados: medicamentos que requerem refrigeração. até 30°C. o que costuma ser feito em geladeiras comuns. e preparar ou fabricar medicamentos. ventilado. Os demais devem ser transportados e armazenados em temperatura inferior a 25° C. refrigeradores ou congeladores. e dependendo do fármaco e das condições climáticas do local. No entendimento de Barbieri e Machline (2009). 2008).. armazenar e distribuir medicamentos aos usuários. Ao longo do dia devem-se realizar várias medições de temperatura. Determinados medicamentos necessitam ser armazenados em condições especiais de temperatura. De acordo com Storpirtis et al. seringas e outros insumos farmacêuticos. agulhas. necessariamente pela manhã. dentre as funções básicas da farmácia hospitalar. Assim é necessário fazer o controle e acompanhamento ambiental da área de estocagem. destacam-se o processo de receber. para assegurar a qualidade e integridade dos medicamentos. temperatura ambiente de até 25°C. anotando-se as temperaturas atingidas no período com suas respectivas máximas e mínimas (STORPIRTIS et al. de preferência com leitura de máximo e mínimo. produtos químicos e de limpeza e materiais diversos. A temperatura ambiente e dos equipamentos tem que ser monitorada através de termômetros. Armazenando. se esses forem estocados em condições inadequadas. o que pode alterar sua estabilidade. . Fazer a utilização dos medicamentos dentro do prazo de validade indicado pelo fabricante não garante sua eficácia. Psicotrópicos. segurança da integridade e estabilidade dos itens armazenados.. devendo as autoridades de saúde ser constantemente informadas sobre seu uso e o estoque existente na instituição. É recomendável estocar os medicamentos em local fresco. 2003). evitando exposição solar direta. instalações sanitárias adequadas. pronto acesso aos produtos.

Em ambientes de armazenamento a umidade relativa do ar não deve ser superior a 70%. ocorre de acordo com o método de programação utilizada. No entendimento de Storpirtis et al. FIFO – first in. com o tempo de aquisição. mediante um cronograma estabelecido. entorpecentes e outros) devem ser armazenados em locais seguros. afetando sua estabilidade. bem dispostos. 1998). protegidos e seguros de danos. primeiro que sai (em inglês. com instalações trancadas e acesso restrito. primeiro que sai (em inglês. instabilidade e degradação dos medicamentos (VALERY. de 12 de maio de 1998 os medicamentos controlados (Psicotrópicos. 2006c). Sendo importante colocar os medicamentos que vencem primeiro na frente. com a demanda local. para que esses possam ser utilizados primeiro. 67): • Rapidez – o processo de distribuição deve se realizar em tempo. com o número de unidades de dispensação de medicamentos. recursos financeiros. (2008) os medicamentos e materiais devem estar em local de fácil acesso. entre outros (BRASIL. 2006c. p. Os requisitos necessários para que os sistemas de distribuição sejam eficazes (BRASIL. estocados ordenadamente em prateleiras. estrados ou outro acessório adequado de armazenagem. A etapa tem que assegurar rapidez e segurança na entrega. FEFO – first expipy. em regiões que ultrapassem esse índice é recomendável fazer o uso de desumidificadores. A distribuição de medicamentos é o suprimento de medicamentos para as unidades de dispensação na quantidade correta. O local de armazenamento deve ter iluminação adequada. sem incidência de luz solar direta sobre os medicamentos e produtos estocados. no caso dos materiais que não tem determinação de validade ou que essa não seja necessária utiliza-se o sistema primeiro que entra. A variação da periodicidade da distribuição dos medicamentos da Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) às unidades de dispensação. garantindo em tempo certo a qualidade dos produtos. seguindo e regulamentação em vigor. first out). 1989). Esse sistema é conhecido como primeiro que expira. O acesso a esses medicamentos deve ser restrito ao farmacêutico responsável ou a outra pessoa designada por ele (BRASIL. De acordo com a Portaria 344.39 A umidade também pode alterar as características físico-químicas dos medicamentos. eficiência no controle e informação. . para evitar problemas de alterações de cor. first out). além de danificar suas embalagens. com a disponibilidade de infra-estrutura para transporte (veículos e recursos humanos). para evitar atraso ou desabastecimento. Sendo recomendável não depositar os medicamentos diretamente no solo ou encostá-los em paredes ou tetos. comprometendo sua utilização. armários.

para obter o nível de distribuição que vise suprir as necessidades de medicamentos por um determinado período de tempo. umidade e pressão atmosférica que ocorrem de uma região para outra. . as condições e os fatores externos que podem alterar a qualidade de sua carga e o seu custo. o empilhamento correto das caixas/contêineres. . por meio de relatório de desempenho. estoques máximo e mínimo. quantidades recebidas e distribuídas. verificando as quantidades . tempo da entrega e os custos financeiros: . . elaborar instrumentos (formulários) para acompanhamento e controle. em razão das grandes variações de temperatura. Sendo necessário para a realização desse procedimento: • • Planejar o processo de distribuição. faz-se uma avaliação criteriosa para proceder ao atendimento requerido. normas e procedimentos. treinados e informados sobre o tipo de material que transportam seu manuseio correto. ponto de reposição. • Transporte .Veículo com isolamento térmico é exigido para transportar medicamentos. dados de consumo e demanda de cada produto. para a garantir a qualidade do sistema de distribuição. . o manuseio. Para tanto. principalmente em distâncias longas. Análise da solicitação – a partir da solicitação da unidade.40 • • Segurança é a garantia de que os produtos chegarão ao destinatário nas quantidades corretas. a fim de evitar danificação dos produtos.Os motoristas e os responsáveis pela distribuição devem ser qualificados.Avaliar o processo. soros e insulinas.Observar as operações de carga e descarga. elaborar cronograma de entrega. e qualquer outra informação que se fizer necessária para um gerenciamento adequado. Sistema de informação – o processo de distribuição deve ser monitorado e avaliado. Os medicamentos devem ser imediatamente colocados nos locais adequados de armazenagem assim que chegarem ao destino. em especial no caso de vacinas.condições adequadas de segurança.Medicamentos termolábeis – o veículo deve ter características especiais (conforto térmico). é indispensável um sistema de informações que propicie dados atualizados sobre a posição físico-financeira dos estoques. De acordo com Brasil (2006c) o início do sistema distribuição é a partir da solicitação de medicamentos feita pelo requisitante (farmacêutico).

a demanda (atendida e não atendida). o consumo. os itens atendidos de forma parcial (por exemplo: nome da unidade. atende-se à solicitação mediante documento elaborado em duas vias. total do crédito e a data).Após a entrega do pedido. • Registro de saída: . número da identidade ou da matrícula. (2008). • Conferência – realizar inspeção física do medicamento para identificar alterações no produto ou nas embalagens antes da distribuição. ou sistema informatizado. informando as quantidades e os recursos gastos no mês. local. total. • Preparação e liberação do pedido – separar os medicamentos por ordem cronológica de prazo de validade. setor de trabalho e data do recebimento). registram-se as informações que podem ser em: livro-ata. o responsável pela unidade solicitante deve conferir todos os itens e assinar as duas vias do documento (nome por extenso. sendo uma cópia para a unidade requisitante e a outra para o controle da distribuição. • 2. que descreve as atividades como ações envolvidas com a tecnologia do uso de medicamentos. Para otimizar o tempo. O desenvolvimento das atividades está relacionado ao desempenho das etapas anteriores. Após a preparação do pedido. recomenda-se confeccionar um carimbo com os referidos dados. ou seja. ficha de controle. desde a prescrição até a utilização correta e eficaz dos medicamentos. o estoque existente. quantidade total a receber.Registrar em formulário próprio os itens não atendidos. e a eficácia deste processo condiciona a disponibilidade do medicamento.5 Prescrição. A preparação do pedido deve ser feita por um funcionário e revisada por outro. • Processamento do pedido – após a análise das informações e identificação das necessidades. . porcentual de cobertura. quantidade entregue. especificação do produto. Dispensação e Uso de Medicamentos Segundo Araújo et al. • Monitoramento e avaliação – elaborar relatórios mensais.41 distribuídas. para evitar as falhas. dependendo do sistema de controle existente. Arquivo da documentação – deve-se manter o arquivo com cópias de todos os documentos de distribuição. . a data do último atendimento e a solicitação anterior.6.

documentar as atividades profissionais (MARIN et al. envolve questões de cunho legal. São elementos importantes desta orientação. disponibilizar medicamentos com qualidade assegurada e distribuí-los com precisão. a influência dos alimentos. entre outros. antes de preparar ou autorizar a distribuição do medicamento. segundo procedimentos e normas. Neste ato. técnico e clínico. o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação do produto.. ele entrega o medicamento correspondente e orienta seu uso. verificando sua adequação ao paciente.42 De acordo com a Política Nacional de Medicamentos (Brasil. p. a interação com outros medicamentos. quando necessário. a ênfase no cumprimento do regime de dosificação. o farmacêutico informa e orienta o paciente sobre o uso adequado do medicamento. através de uma prescrição elaborada por profissional habilitado (BRASIL. A dispensação de medicamentos é atividade executada pelo profissional farmacêutico. • Aviamento dos medicamentos. certificando-se da integralidade da mesma. que resulta num documento legal pelo qual se responsabilizam o prescritor e o dispensador do medicamento. 2003). • Interpretação da prescrição. 1994 apud MARIN et al. 1998. o ato de prescrever medicamentos é definir qual medicamento será usado pelo paciente.. No entendimento de Arias (1999. geralmente como resposta à apresentação de uma prescrição elaborada por um profissional autorizado. assegurar que a prescrição é apropriada para o paciente e relacionada com o requerido quanto aos aspectos terapêuticos. visando a manter a prescrição do perfil farmacoterapêutico do paciente e.37).. No momento da dispensação. A prescrição da mesma forma que a dispensação. preparando os medicamentos por meio de técnicas apropriadas. legais e econômicos. O processo de prescrição normalmente é registrado em uma receita médica. 1998). com sua devida dosagem e duração do tratamento. 74) apud Marin et al. 2003): • Recebimento da prescrição. FERREIRA. aconselhar pacientes sobre o uso de medicamentos. . E para que esses objetivos sejam alcançados é necessário fazer uso das seguintes etapas (WHO/Inrud/BU. que estão sujeitos à legislação de controle e às ações da ANVISA (WANNMACHER. (2003): A dispensação é o ato farmacêutico de distribuir um ou mais medicamentos a um paciente. sociais. 2003). que estabelece o que deve ser dispensado ao paciente e como deverá ser utilizado. 2000 apud MARIN et al. p. na qual. Os objetivos da dispensação é assegurar a integralidade da prescrição. 2006c). o farmacêutico deve verificar a adequação da receita quanto a critérios técnicos e normativos e informar ao prescritor quanto a qualquer incoerência encontrada (LUIZA.

O FTN apresenta indubitáveis benefícios individuais. a RENAME demonstra um compromisso com a disponibilização de medicamentos selecionados nas normas técnico-científicas e de acordo com as prioridades de saúde da população (BRASIL. livres e embasadas em evidências sobre os medicamentos selecionados na RENAME tendo como objetivo auxiliar os profissionais de saúde na prescrição. . Para a população e aos usuários do SUS. precauções.43 • Distribuir os medicamentos segundo normas e procedimentos estabelecidos. visando a documentar as atividades de dispensação de medicamentos. esquemas e cuidados de administração. conveniência e menor custo. dispensação e uso de medicamentos essenciais (BRASIL 2011). • Comunicação com o paciente. Formulário Terapêutico Nacional (FTN) e Protocolos Clínicos e Terapêuticos (CFF. segurança. contraindicações. interações. • Registro do atendimento. tendo em vista necessidades administrativas. Institucionalmente. garantindo. fornecendo informações básicas sobre o uso racional dos medicamentos prescritos para este. institucionais e nacionais. A RENAME deve ser o instrumento base para as atividades de planejamento do Ciclo da Assistência Farmacêutica. Ás equipes de saúde. O Formulário Terapêutico Nacional (FTN) apresenta informações científicas. dessa forma. a RENAME deve auxiliar a elaboração e a pactuação de suas Relações de Medicamentos. técnicas e éticas. juntamente com o Formulário Terapêutico Nacional. orientação ao paciente. a diminuição de erros referentes ao processo de medicação. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (2010): O FTN contém indicações terapêuticas. Para os gestores estaduais e municipais. favorece a melhoria do padrão de atendimento e a significativa redução de gastos. formas e apresentações disponíveis comercialmente incluídas na RENAME e aspectos farmacêuticos dos medicamentos selecionados. contribui para obtenção de terapia com eficácia. Para o usuário. a RENAME. segundo normas e procedimentos estabelecimentos. efeitos adversos. especialmente para os prescritores. 2010). de seleção de medicamentos e de organização da Assistência Farmacêutica contexto do SUS. Para promover o uso racional de medicamentos é necessário fazer a implantação e utilização de Relação de Medicamentos Essenciais (RENAME). pode vir a ser um importante auxílio na escolha da melhor terapêutica. 2010).

acompanhamento e a verificação de resultados. Padronizar condutas terapêuticas. conforme a medicina baseada em evidências. tratamento preconizado com os medicamentos disponíveis nas respectivas doses corretas. pelo fato de harmonizar condutas terapêuticas.44 Segundo o Conselho Federal de Farmácia (2010) o uso de protocolos clínicos é fundamental tendo grande importância na gestão dos medicamentos no SUS.1 Classificação da pesquisa Este trabalho carateriza-se como pesquisa de caráter qualitativo do Ciclo da Assistência Farmacêutica nos três hospitais que prestam atendimento pelo Sistema Único de . os medicamentos disponíveis nas respectivas doses corretas. os mecanismos de controle. Fornecer subsídios para a implementação de serviços voltados para a prática de um modelo em Atenção Farmacêutica e a gestão dos medicamentos. Reduzir a incidência de RAM – Reações Adversas a Medicamentos. Garantir o acesso da população aos medicamentos. Os protocolos clínicos na Assistência Farmacêutica objetivam: • Estabelecer os critérios de diagnóstico de cada doença. • • • • • • Promover o uso racional de medicamentos. facilitando o seu acesso . Criar mecanismos para a garantia da prescrição segura e eficaz. 3 METODOLOGIA 3.

3 Procedimentos para coleta de dados Para o procedimento de coleta de dados foi utilizado um questionário avaliativo (APÊNDICE A) com 18 perguntas sendo 17 fechadas e uma aberta. 3. Os dados da pesquisa foram coletados no período de 26 de outubro a 03 de novembro de 2011. aquisição. Abordando também questões relacionadas com a Assistência Farmacêutica (principais problemas encontrados no hospital e o que é feito para melhorar a Assistência Farmacêutica hospitalar de um modo geral). Possui caráter comparativo. distribuição. Pelo fato de não haver relevância para a pesquisa em mencionar os nomes dos hospitais pesquisados. 3. pois tende a verificar semelhanças e explicar divergências (ANDRADE. que abordavam questões referentes às etapas do Ciclo da Assistência Farmacêutica. bem como as atividades de seleção. Médio e Pequeno porte. que prestam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Do ponto de vista de seus objetivos. Minas Gerais. programação. estes foram denominados como sendo hospitais de Grande.4 Análise dos dados e interpretação dos resultdos . dispensação e uso racional de medicamentos. que prestam atendimento pelo SUS. visando descrever relações entre as variáveis sem interferir nos fatos. A amostra foi constituída por três unidades hospitalares do município de Teófilo Otoni.2 Procedimentos de amostragem A população alvo contitui-se de farmacêuticos responsáveis pela farmácia de cada um dos hospitais do município de Teófilo Otoni. prescrição. classifica-se como descritiva. 3.45 Saúde (SUS) no município de Teófilo Otoni – MG. armazenamento. 2007).

Variáveis foram confrontadas afim de verificar a existência de deficiências na metodologia desenvolvida pelos hospitais para realizar as etapas do Ciclo da Assistência Farmacêutica. Os resultados obtidos com a aplicação do questionário foram convertidos em quadros utilizando o programa Microsoft Office Word ® (2007). foi possível observar que um dos hospitais não apresentava uma lista de padronização de medicamentos de acordo com a RENAME. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Após análise dos dados coletados através do questionário avaliativo. 3.46 Os dados obtidos de cada hospital foram comparados entre si e posteriormente interpretados tendo como base a literatura consultada. que trata das questões éticas sobre pesquisas que envolvem seres humanos. do Conselho Nacional de Saúde. QUADRO 1 . riscos e benefícios da pesquisa. Anexado ao questionário avaliativo estava o termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNCIDE B) que esclarecia sobre o objetivo. como podemos ver no (QUADRO 1). de 10 de outubro de 1996.5 Questões éticas e legais Este trabalho seguiu as normas e diretrizes da Resolução n° 196.

na seguranca. à administração e ao uso de medicamentos. farmacêuticos. monitorar e avaliar as reações adversas aos medicamentos para elaborar as recomendações que previnem tais ocorrências. participar na avaliação da qualidade relacionada à distribuição. assessorar o serviço de farmácia na implementação do . de seleção de medicamentos e de organização da Assistência Farmacêutica. a RENAME deve ser o instrumento base para as atividades de planejamento do Ciclo da Assistência Farmacêutica. desenvolver e manter atualizado o formulário terapêutico. incluindo a pesquisa clínica. A padronização de medicamentos é elaborada pela Comissão de Farmácia de Terapêutica (CFT). 2010b). tem a função de selecionar os medicamentos. A seleção dos medicamentos da RENAME baseia-se nas prioridades nacionais de saúde. enfermeiros. bem como nas etapas de seleção e uso racional de medicamentos. educação e consultoria aos profissionais da instituição sobre todas as questões relacionadas ao uso de medicamentos.Sim Hospital de Pequeno Porte . estabelecer programas e procedimentos sobre custo-efetividade dos fármacos para que haja uma terapêutica medicamentosa segura e eficaz. formada por médicos.Sim Hospital de Médio Porte . garantindo a escolha do melhor tratamento terapêutico (STORPIRTIS et al.47 Presença de lista de padronização de medicamentos de acordo com a RENAME Hospital de Grande Porte . 2010a). na eficácia terapêutica comprovada.. A RENAME é um instrumento racionalizador das ações no âmbito da Assistência Farmacêutica e medida indispensável para o uso racional de medicamentos no contexto do SUS. A ausência da RENAME nesse hospital implicará maior dificuldade para a execução das atividades de planejamento do Ciclo da Assistência Farmacêutica. selecionar os fármacos. 2008). administradores e os demais profissionais envolvidos. na qualidade e na disponibilidade dos produtos (BRASIL. estabelecer programas de educação continuada sobre o uso de fármacos para os profissionais da instituição. A CFT tem como funções: oferecer avaliação. O que permite afirmar que a RENAME é responsável pelo compromisso com a disponibilização de medicamentos selecionados nas normas técnicocientíficas e de acordo com as prioridades de saúde da população (BRASIL.Não Fonte: Dados da pesquisa No contexto do SUS. definir estudos de utilização de medicamentos para elaborar recomendações sobre o uso racional dos fármacos.

48 serviço de distribuição de medicamentos. Por esse motivo torna-se necessário fazer uso da CFT. perdas ou excesso desses produtos (BRASIL. A programação tem por objetivo garantir a disponibilidade dos medicamentos previamente selecionados nas quantidades adequadas e no tempo oportuno para atender às necessidades de uma população. A avaliação dessas necessidades representa um dos pontos importantes do ciclo da assistência farmacêutica por sua relação direta com a disponibilidade e acesso aos medicamentos e com o nível de estoque. . evitando sua falta (BRASIL. levando em consideração um determinado período de tempo. dos gastos em saúde. porque ela é uma das estratégias reconhecidas para organizar as ações que devem dar conta de aprimorar a utilização dos fármacos nos diversos equipamentos de saúde. e divulgar informação e recomendações para todos os profissionais de saúde da instituição (MARQUES. logo isso refletirá numa melhor programação. 2004). ZUCCHI. reações adversas. por meio de um serviço ou de uma rede de serviços de saúde.Não Fonte: Dados da pesquisa O processo de programação é importante para estabelecer as quantidades de medicamentos a serem adquiridos. QUADRO 2 Presença de Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) Hospital de Grande Porte . Uma boa programação evita que sejam feitas aquisições desnecessárias. De acordo com Marques e Zucchi (2006) a ausência da CFT no âmbito hospitalar.Sim Hospital de Médio Porte . permitindo uma maior disponibilidade dos medicamentos. A análise da QUADRO 3 demonstra que o hospital de grande porte usa mais critérios para programação que os outros hospitais. interações medicamentosas preveníveis e aumento da resistência bacteriana aos antimicrobianos. evitando perdas e faltas. conseqüentemente. sendo necessário fazer uso de critérios como pode ser visto no (QUADRO 3). efeitos colaterais. Essas questões estão diretamente relacionadas ao aumento dos custos de tratamento e. ocasiona a utilização inadequada dos medicamentos que gera conseqüências como efeito terapêutico insuficiente.Sim Hospital de Pequeno Porte . Como podemos ver no QUADRO 2 somente um dos hospitais não apresenta CFT. 2006). 2006c).

2006). Disponibilidade de recursos. Hospital de Médio Porte .Histórico de consumo de meses anteriores.Histórico de consumo de meses anteriores. como pode ser visto no (QUADRO 4). Curva XYZ. não havendo um motivo em comum ou único.Medicamentos que não foram licitados porque não houve empresas para ofertá-los.49 QUADRO 3 Critérios utilizados para fazer a programação dos medicamentos Hospital de Grande Porte . selecionando os que devem ser adquiridos. Hospital de Médio Porte . e seu objetivo principal é definir as quantidades de medicamentos.Prescrições de medicamentos fora da lista padronizada. Curva ABC. Fonte: Dados da pesquisa Em relação às compras de urgência. Sazonalidade. Hospital de Pequeno Porte . Fonte: Dados da pesquisa . Consumo Médio Mensal. mas todos eles impactam o bom funcionamento da programação dentro da Assistência Farmacêutica. Curva ABC. A programação deve ser feita com base na relação consensual de medicamentos na fase eleção. priorizando-os e compatibilizando-os com os recursos disponíveis de modo a evitar a descontinuidade do abastecimento (BRASIL. Perfil epidemiológico. Curva XYZ. Na pesquisa foi perguntado qual ou quais fatores levavam a realização de compras de urgência. estas prejudicam a disponibilidade dos medicamentos no ambiente hospitalar.Atraso nas licitações para a compra de medicamentos. Consumo Médio Mensal. QUADRO 4 Fatores que levam a realização de compras de urgência Hospital de Grande Porte . Hospital de Pequeno Porte . Consumo Médio Mensal. Pela análise do QUADRO 4 percebe-se que os motivos que levam a realização de compras de urgências foram variados. Curva XYZ.Curva ABC.

conservação e controle de estoque de medicamentos (MARIN et al.Não tem estantes e estrados em número suficiente para a guarda de todos os medicamentos. 2003).50 O armazenamento de medicamentos é um fator de grande importância. Hospital de Pequeno Porte . área física insuficiente. Na realidade.. 2004). que pode ser de origem financeira ou arquitetônica. garantindo que esses sejam diponíveis e . O armazenamento de medicamentos é uma importante atividade do Ciclo de Assistência Farmacêutica. pois nesse processo é assegurado condições adequadas de conservação dos medicamentos. Já os hospitais de Médio e Pequeno porte apresentaram um mesmo problema em relação a armazenagem dos medicamentos a falta de estantes e estrados suficientes e o hospital de médio porte apresentou uma área física insuficiente para a guarda de todos os medicamentos. de conservação e de controle eficaz de estoque (BRASIL. A não adequação da armazenagem reflete na má estruturação da parte física e/ou de planejamento da mesma. Todos os itens relativos a questão número 9 do questionário (APÊNDICE A) são sintetizados para se chegar a resposta dessa questão e o QUADRO 5 demonstra as condições de armazenagem dos medicamentos em cada hospital. área física insuficiente. o armazenamento de medicamentos é um conjunto de procedimentos técnicos e administrativos que tem como objetivo assegurar a qualidade dos medicamentos por meio de condições adequadas de estocagem e guarda. como é demonstrado no (QUADRO 5).Não tem estantes e estrados em número suficiente para a guarda de todos os medicamentos. estocagem. QUADRO 5 Condições de armazenagem Hospital de Grande Porte – Adequado Hospital de Médio Porte . Fonte: Dados da pesquisa O sistema de distribuição de medicamentos (SDM) deve suprir as necessidades de medicamentos por um determinado período de tempo. Há envolvimento das atividades de recepção/recebimento. Somente o hospital de Grande porte apresenta todas as condições de armazenagem adequadas de acordo com a literatura pesquisada. mas também tem sido relegada por muitos como sendo uma prática meramente administrativa.

mas está em fase de elaboração do manual. A análise do QUADRO 6 mostra que um dos hospitais o SDM não está suprindo as necessidades de medicamentos por um determinado período de tempo.Não possui. por falta de recursos financeiros. Fonte: Dados da pesquisa Para fazer a promoção do uso racional de medicamentos num hospital é necessário fazer a implantação e utilização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME).51 acessíveis (BRASIL. A disponibilidade de recursos financeiros no âmbito hospitalar permite que seja feito uma melhor programação e aquisição dos medicamentos previamente selecionados. 2006c). 2010).Adequado Hospital de Pequeno Porte . interferindo nos processos de programação e aquisição de medicamentos. . Formulário Terapêutico Nacional (FTN) e Protocolos Clínicos e Terapêuticos (CFF. QUADRO 7 Uso de manual que incentiva o Uso Racional de Medicamentos Hospital de Grande Porte . QUADRO 6 Suprimento do SDM por um determinado período de tempo Hospital de Grande Porte – Adequado Hospital de Médio Porte .Protocolos Clínicos e Terapêuticos. por falta de recursos financeiros.Não supre as necessidades do SDM por um determinado período de tempo. Hospital de Médio Porte . Com a análise do QUADRO 7 podemos ver que dois dos hospitais não apresentavam manual ou outro dispositivo que incentive o Uso Racional de Medicamentos (URM). A falta de recursos financeiros na instituição hospitalar acarreta sérias consequências para o planejamento da Assistência Farmacêutica. interferem no processo da escolha da melhor terapêutica e do uso racional e seguro dos medicamentos. A ausência de manuais que incentivam o URM.

embora este fato não justifique a não existencia deste sistema nos outros estabelecimentos. de forma especial. Através do questionário foi possível identificar os principais problemas relacionados a Assistência Farmacêutica do hospital e o que é feito para melhorá-la. A implantação de um sistema de informação sobre medicamentos deve permitir otimizar a prescrição médica e a administração dos medicamentos. veremos quais são esses problemas e o que o profissional farmacêutico esta fazendo para melhorar a Assistência Farmacêutica do hospital de um modo geral. Nos QUADROS 9 e 10.Não possui. A análise do QUADRO 8 mostra que somente o hospital de Grande porte apresenta sistema informatizado de controle de estoque de medicamentos. além de acompanhar os pacientes. QUADRO 8 Uso de sistema informatizado de controle de estoque de medicamentos Hospital de Grande Porte . QUADRO 9 . o rigor no controle de estoque deve ser maior. orientando-os adequadamente quanto ao tratamento ambulatorial ou domiciliar prescrito (BRASIL. ajuda a ter maior controle da quantidade de medicamentos existentes no estoque do hospital.Semi-informatizado Fonte: Dados da pesquisa. em razão de ser um hospital que apresenta maior número de atendimentos.Semi-informatizado Hospital de Pequeno Porte . 1994).Informatizado Hospital de Médio Porte . no momento da alta. Fonte: Dados da pesquisa O sistema informatizado do controle de estoque de medicamentos num hospital.52 Hospital de Pequeno Porte .

Participação efetiva do profissional farmacêutico nas Comissões Técnicas de Infecção Hospitalar.Recursos humanos insuficientes. equipamentos. Implantação do . Ao fazer a análise do QUADRO 10 podemos ver quais são as atividades que os profissionais farmacêuticos estão fazendo para melhorar a Assistência Farmacêutica do hospital. materiais e recursos humanos de acordo às suas necessidades (BRASIL. e consequentemente na situação econômica e organizacional do hospital. Dispor de pessoas capacitadas em Assistência Farmacêutica que auxiliam nas diversas atividades hospitalares no âmbito do SUS. A falta de recursos interfere diretamente na gestão da Assistência Farmacêutica.53 Principais problemas na Assistência Farmacêutica do Hospital Hospital de Grande Porte . Instalações/Infra-estrutura inadequadas. contribui para a reestruturação da Assistência Farmacêutica (CFF. Capacitação insuficiente. Capacitação insuficiente. Farmácia e Terapêutica. de acordo com o QUADRO 9. Fonte: Dados da pesquisa Os três hospitais relataram Recursos humanos insuficientes. Aumento da demanda. Instalações/Infra-estrutura inadequadas e Capacitação insuficientes. Hospital de Pequeno Porte . isso permite compreeder o motivo pelo qual esses hospitais se encontram fora das especificações de adordo com a literatura pesquisada. Falta de medicamentos. 2004). Recursos financeiros insuficientes. QUADRO 10 Atividades para a melhoria da Assistência Farmacêutica do Hospital Hospital de Grande Porte . Nutrição e Dietética. As instalações e infra-estruturas devem ser adequadas às suas funções. Os hospitais de Médio e Pequeno porte relataram. Recursos financeiros insuficientes. Instalações/Infra-estrutura inadequadas. que atenderia não só os funcionários relacionados a farmácia como de toda a instituição. Hospital de Médio Porte . contendo área física. problema seria facilmente resolvido com a implantação de um programa de Educação Continuada. Um problema comum aos três estabelecimentos é a capacitação dos funcionários do setor relacionados a assistência farmacêutica. Capacitação insuficiente. Instalações/Infra-estrutura inadequadas. Recursos financeiros insuficientes. 2010).Recursos humanos insuficientes.Recursos humanos insuficientes.

programação. Implementação da antibioticoterapia em conjunto com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). desenvolvidas pelo Ciclo da Assistência Farmacêutica. Uso das ferramentas de gestão: Curva ABC e padronização. sendo ele uma parte inserida no todo. aquisição. requer que o profissional farmacêutico seja o executor dessas atividades com o propósito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Implementação do programa de riscos relacionado ao uso de medicamentos. permite concluir que somente o hospital de Grande porte encontra-se dentro das qualificações exigidas pelo contexto da Assistência Farmacêutica.Implantação de protocolos clínicos. Implantação da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). Uso de sistema informatizado de controle de estoque. 5 CONCLUSÃO As atividades de seleção. prevenção. dispensação e uso racional de medicamentos. Implantação da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) . apoiando as ações de saúde na promoção do acesso aos medicamentos essenciais e promovendo o seu uso racional. Hospital de Pequeno Porte . especificamente após a realização da comparação avaliativa das etapas do Ciclo da Assistência Farmacêutica com a literatura pesquisada. Acompanhamento das interações medicamentosas e farmaco-nutrientes e manter contato com o corpo clínico.Adequação dos serviços às novas demandas.54 programa de farmacovigilância no âmbito hospitalar. ou seja. Hospital de Médio Porte . integrando ações de promoção. distribuição. . Tal fato mostra como numa unidade hospitalar é importante o trabalho em equipe. armazenamento. recuperação e reabilitação da saúde. Fonte: Dados da pesquisa A observação do Quadro 10 nos remete as principais atividades relacionadas aos profissionais farmacêuticos de participar em conjunto às equipes multidisciplinares. muitas dessas atividades não dependem diretamente do farmacêutico. prescrição. Criação de manual de boas práticas para o preparo e administração de medicamentos. Os resultados da pesquisa.

L. O que permite afirmar que dos hospitais pesquisados o de Pequeno porte.uaemex. ARAUJO. Maria Margarida de. encontra-se em pior situação no que diz respeito à Assistência Farmacêutica prestada e à elaboração das etapas do seu ciclo. Rio de Janeiro. M. REFERÊNCIAS ANDRADE. ausência da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) e no Sistema de Distribuição de Medicamentos (não está suprindo as necessidades do SDM por um determinado período de tempo). A. v. São Paulo: Atlas. na etapa de armazenamento de medicamentos (não tem estantes e estrados em número suficiente para a guarda de todos os medicamentos e área física insuficiente). – 2. 8. O papel do farmacêutico na prestação de serviços nas unidades hospitalares.com/2007/12/papel-dofarmacutico-ateno-farmacutica. Antônio Celso da Costa.html> Acesso em 22 set.. . bem como a elaboração das etapas do seu Ciclo. BARBIERI. promovendo o acesso e uso racional dos medicamentos. O hospital de Pequeno porte. Disponível em: <http://redalyc. UETA. rev. José Carlos. Claude.. Disponível em: <http://boaspraticasfarmaceuticas. 162 p. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. manual que incentiva o Uso Racional de Medicamentos.mx/pdf/630/63009707. R. 2011. MACHLINE. 325 p. 2008. resume-se na execução das atividades referentes à Assistência Farmacêutica.blogspot. 13 (supl. 2011. FREITAS. A. e atual. ed.pdf> Acesso em 16 set. PEREIRA. ed. O. Ciência & Saúde Coletiva.55 Os hospital de Médio porte. apresentou deficiências em alguns aspectos da Assistência Farmacêutica como ausência de manual que incentiva o Uso Racional de Medicamentos e na etapa de armazenamento de medicamentos (não tem estantes e estrados em número suficiente para a guarda de todos os medicamentos e área física insuficiente). 2009. J.. BRANDÃO. com objetivo de contribuir para a melhoria de vida dos pacientes. também apresentou deficiências em alguns aspectos da Assistência Farmacêutica como ausência da RENAME.). Logística hospitalar: teoria e prática. L. Perfil da assistência farmacêutica na atenção primária do Sistema Único de Saúde. Papel do farmacêutico e Atenção Farmacêutica. L. il. – São Paulo: Saraiva. 2007. Ano 2007.

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Minas Gerais.61 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO AVALIATIVO Questionário para avaliação do Ciclo da Assistência Farmacêutica em hospitais que prestam atendimento pelo SUS no município de Teófilo Otoni. Existe no hospital uma lista de padronização de medicamentos (de acordo com a RENAME)? . IDENTIFICAÇÃO Hospital:____________________________________________________________________ Farmacêutico Responsável pela Assistência Farmacêutica:_____________________________ Profissional Responsável pelo Preenchimento:______________________________________ Data do Preenchimento:________________________________________________________ 1.

O farmacêutico elabora ou participa do processo de aquisição de medicamentos? . ( ) Comissão de Farmácia e Terapêutica ( ) Farmacêutico ( ) Médico ( ) Grupo de Saúde Coletiva ( ) Outros:__________________________________________________________________ 3. Quem participou da elaboração da lista de padronização de medicamentos? Marque mais de uma opção se necessário. Quais foram os critérios utilizados para fazer a seleção dos medicamentos? ( ) Perfil de consumo ( ) Solicitações ( ) Eficácia Terapêutica x Custo ( ) Custo ( ) RENAME ( ) Perfil epidemiológico ( ) Outros:__________________________________________________________________ 5. Quais os critérios utilizados para estabelecer as quantidades de medicamentos a serem adquiridos (programação)? ( ) Número de pacientes cadastrados (atendidos) ( ) Total populacional ( ) Disponibilidade de recursos ( ) Demanda ( ) Custo ( ) Outros:__________________________________________________________________ 6.62 ( ) Sim ( ) Não 2. Existe Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) no Hospital? ( ) Sim ( ) Não 4.

assinale: 9. sinais de infiltração) em parede ou teto nas áreas de guarda dos medicamentos? ( ) Sim ( ) Não 10.63 ( ) Sim ( ) Não 7.1) Existem estantes ou estrados em número suficiente para a guarda de todos os medicamentos? ( ) Sim ( ) Não 9. Se sim. freezer e/ou câmara fria que estejam suficientes ao armazenamento de termolábeis? ( ) Sim ( ) Não 9.6) Existe controle de temperatura para geladeira. freezer e camara fria? . Em relação às condições de armazenagem dos medicamentos.5) Existe geladeira. mofo.2) Existem sinais de umidade (pintura danificada. O que leva à realização de compras de urgência? ( Marque tantas opções quanto necessárias) ( ) Atraso nas licitações para a compra de medicamentos ( ) Atraso nas entregas pelos fornecedores ( ) Prescrição de mecicamentos fora da lista padronizada ( ) Não se costuma fazer compras de urgência ( ) Outros (especificar)________________________________________________________ 9.3) Os medicamentos que vencem primeiro estão em posição de serem dispensados primeiro? ( ) Sim ( ) Não 9.4) Existe algum tipo de controle de temperatura e umidade no ambiente onde os medicamentos são estocados? ( ) Sim ( ) Não 9. de que forma? ( ) Possui membro na Comissão Permanente de Licitação ( ) Elabora Solicitação de Compra. definindo as especificações técnicas ( ) Elabora ou participa da elaboração do Parecer Técnico ( ) Estabelece requisitos técnicos e participam da elaboração de normas administrativas que irão compor o Edital ( ) Acompanha e avalia o processo de compra e desempenho dos fornecedores 8.

64 ( ) Sim ( ) Não 9.RENAME .7) Existe local específico para guardar os medicamentos controlados pela Portaria 344/98? ( ) Sim ( ) Não 10. Se sim. O sistema de distribuição de medicamentos do Hospital está suprindo as necessidades de medicamentos por um determinado período de tempo? ( ) Sim ( ) Não 11. Existe manual ou outro dispositivo que incentive o Uso Racional de Medicamentos? ( ) Sim ( ) Não 15. As prescrições médicas obedecem protocolos clínicos ou são de acordo com o Uso Racional de Medicamentos? ( ) Sim ( ) Não 13. qual o motivo? ( ) Falta de planejamento no processo de distribuição ( ) Falta de análise das solicitações ( ) Falta de monitoriamento e avaliação 12. marque abaixo qual ou quais são utilizados pelo Hospital? ( ) Relação de Medicamentos Essenciais . Se não. Que categoria de profissionais costumam realizar a atividade de dispensação de medicamentos das prescrições médicas no hospital? ( ) Enfermeiros e/ou técnicos de enfermagem ( ) Auxiliares de enfermagem ( ) Auxiliares administrativos ( ) Auxiliares de Farmácia ( ) Outros (especificar)_______________________________________________________ 14.

classificando-os em ordem decrescente de importância: ( ) Capacitação insuficiente ( ) Recursos humanos insuficientes ( ) Instalações/Infra-estrutura inadequadas ( ) Alto custo de aquisição dos medicamentos ( ) Falta de medicamentos ( ) Excesso de medicamento ( ) Recursos financeiros insuficientes ( ) Aumento da demanda ( ) Outros (especificar)________________________________________________________ 18. Existe um sistema informatizado de controle do estoque de medicamentos no Hospital? ( ) Sim ( ) Não 17. Marque os principais problemas na Assistência Farmacêutica do hospital. O que é feito para melhor a Assistência Farmacêutica no Hospital? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _________________________________________________________________ .65 ( ) Formulário Terapêutico Nacional – FTN ( ) Protocolos Clínicos e Terapêuticos 16.

Minas Gerais Prezado Senhor Farmacêutico: • Você está sendo convidado a responder às perguntas deste questionário de forma totalmente voluntária. . MINAS GERAIS. • Antes de concordar em participar desta pesquisa e respeonder este questionário. Pesquisador responsável: Karina Araújo dos Santos Instituição/Departamento: Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC Telefone para contato: (33) 8813-5854 Local da coleta dados: Teófilo Otoni. é muito importante que você compreenda as informações e instruções contidas neste documento.66 APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Título da pesquisa: AVALIAÇÃO DO CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA EM HOSPITAIS QUE PRESTAM ATENDIMENTO PELO SUS NO MUNICÍPIO DE TEÓFILO OTONI.

nos hospitais que prestam atendimento pelo SUS no município de Teófilo Otoni. _____ de _______________________ de 2011. • Você tem direito de desistir de participar da pesquisa a qualquer momento. Sigilo: As informações fornecidas por você serão confidenciais e de conhecimento apenas do pesquisador responsável. Assinatura: _________________________________________________________________ . Minas Gerais. Benefícios: Esta pesquisa trará maior conhecimento sobre o tema abordado para o meio acadêmico. Local e data: _________________________. Objetivo do estudo: Avaliar a atividade do Ciclo da Assistência Farmacêutica. mesmo quando os resultados desta pesquisa forem divulgados em qualquer forma. Riscos: A participação na pesquisa não representará qualquer risco de ordem física ou psicológica para você. Procedimento: Sua participação nesta pesquisa consistirá apenas em responder as perguntas feitas pelo pesquisador.67 • O pesquisador deve responder todas as suas dúvidas antes que você decida participar. Os sujeitos da pesquisa não serão identificados em qualquer momento.