FACULDADES INTEGRADAS JACARAPÁGUA PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO PENAL

TEORIA GERAL DO DIREITO PENAL Carlos Magno Vieira Neves

Novembro de 2012 RIO GRANDE DO NORTE

63 p. inserindo a ideia de proporção ao dano causado. Rio de Janeiro. sem exceções. RJ. Estabelece ainda os princípios para a aplicabilidade das medidas de segurança e a tutela da liberdade. da pessoalidade. O Direito Penal objetivo corresponde ao próprio ordenamento jurídico-penal. Já o Direito Penal subjetivo. dogmática. negligência ou imperícia. nos meios empregados. A interpretação da norma penal figura de acordo com o mediador. alternativa ou cumulativamente com pena de multa. nos resultados. é o direito de punir exercido pelo Estado (jus puniendi). Direito Penal é o conjunto de normas jurídicas através das quais. fato justificado por sua evolução histórica. Nos primórdios. A interpretação pode realizar-se centrada no sujeito. o Direito Penal obtinha suas fontes nos costumes e tradições. em sociedades sem organização estatal definida. o Estado disciplina determinadas condutas que ligam ao crime. Segundo o artigo 1º da Lei de Introdução ao Código Penal.FACULDADES INTEGRADAS JACAREPÁGUA. Assim. O Direito Penal evoluiu historicamente com a sociedade. Suas fontes encontram-se nos costumes. sob a ameaça de sanção penal. ou conforme a constituição ou por analogia. o Direito Penal é a ultima ratio e não deve ser acionado em caso de danos de pouca importância (princípio da insignificância). da proporcionalidade. na jurisprudência e na doutrina. O Direito Penal é uma ciência cultural e normativa. ainda. O Direito Penal que temos hoje evoluiu ultrapassando diversas etapas. 2008. Com o avanço da organização social adveio à vingança pública com o intuito de dar mais estabilidade ao Estado. A Lei de Talião veio suprimir essa retaliação desmedida. (p. As punições correspondiam a um revide à agressão sofrida. normalmente. sob a influência do direito grego. Ainda. Para que haja crime é preciso uma conduta humana . 23) O crime diz-se doloso quando o sujeito quer ou assume o risco de produzi-lo. Pelo conceito analítico crime é o fato típico. O crime é considerado culposo quando o agente dá causa ao resultado por imprudência. romano e canônico. sem uma proporção estabelecida. variando de acordo com a cultura. entre outros. Os princípios da proporcionalidade e da insignificância devem ser sempre invocados na ocasião da delimitação da pena. ilícito e culpável. entre outras escolas. com o intuito de extrair o significado da lei e aplicá-lo aos casos concretos. O Estado tem o seu poder punitivo limitado pelos princípios da humanidade das penas. crime é a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção. da intervenção mínima. diz-se preterdoloso àquele em que a ação causa um resultado mais grave do o pretendido pelo agente. no respeito aos mais relevantes interesses sociais. Teoria Geral do Direito Penal. considerando que as suas manifestações encontram-se baseadas no direito positivo e estende-se a todos.

dá-se o concurso de crimes. dividindo-se em concurso material. direta ou indiretamente. de qualquer modo. a participação dá-se quando o sujeito não pratica o crime. ao autor de uma infração. É função do Direito Penal proteger os bens jurídicos fundamentais. formal e crime continuado. com o intento de evitar novo delito. ilícita e culpável. A conduta é apenas um dos fatores constituintes do fato típico.típica. A pena é condicionada a qualidade e quantidade do crime. retribuindo a ele o mal causado pelo seu ato e ainda. Se o período de prova se extingue sem intercorrências. Já as medidas de segurança estão condicionadas à sua periculosidade. A conduta é considerada ilícita ou antijurídica quando apresenta contrariedade ao ordenamento jurídico. As penas são aplicadas individualmente (princípio da individualização da pena) de acordo com a culpabilidade de cada um. integra. bem como inibir outros membros da sociedade a praticar o mesmo. A co-autoria decorre da realização comum do núcleo do tipo em regime de cooperação consciente. é necessário que essa conduta seja alvo de reprovação pela ordem jurídica. mas contribui de forma diversa para que ocorra. Quando várias pessoas concorrem. à realização de um crime. Além disso. prevenir que o sujeito pratique novas condutas ilícitas. É função . em determinadas situações previstas em lei. Quando o sujeito pratica dois ou mais crimes através de uma ou mais ações ou omissões. A punibilidade não é fator constituinte do crime. Pena é a sanção aflitiva imposta pelo Estado. As penas podem ser privativas de liberdade (reclusão e detenção). a pena privativa de liberdade não é mais executada. a sua consequência jurídica. O autor do crime é aquele que pratica a conduta expressa. As medidas de segurança integram outra forma de sanção penal. restritivas de direito (prestação de serviços à comunidade. juntamente com o nexo causal e o resultado. fato que constitui a culpabilidade. a liberdade e a propriedade. São isentos da pena os inimputáveis – agentes que por motivos fortuitos. não eram ao tempo da ação. sim. Conclui-se que o Direito Penal brasileiro objetiva punir o meliante. dá-se o concurso de pessoas. A pena pode ser suspensa parcialmente por um pequeno período. O mesmo ocorre em caso de livramento condicional. possuindo natureza preventiva. interdição temporária de direitos e limitação de fim de semana) ou multas (pagamento pecuniário ao fundo penitenciário). por meio de ação penal. coagindo a violação do direito a vida. capazes de entender caráter ilícito do seu ato. simultaneamente. Por fim.

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