A UTILIZAÇÃO DE JOGOS SOBRE FUNÇÃO NA EDUCAÇÃO DE SURDOS Millena Lopes de Paula Silva1 Wesley Fernandes dos Santos2, Nazareno

Messias Amoras Magina3, Fernando Cardoso de Matos4
2

Instituto Federal do Pará / Licenciando em Matemática, millena.di.paula@hotmail.com Instituto Federal do Pará / Licenciando em Matemática, Wesleeyfernandes@hotmail.com 3 Instituto Federal do Pará / Licenciando em Matemática, omessias_@hotmail.com 4 Instituto Federal do Pará / Orientador, matos2001@gmail.com

1

Resumo O presente artigo trata de uma experiência na Educação Especial. A Educação Especial é um processo que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas portadoras de deficiência, conduta típica ou de altas habilidades, e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino. Fundamenta-se em referenciais teóricos e práticos compatíveis com as necessidades específicas de seu alunado. Através da disciplina Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) ministrada nos cursos de Licenciatura do Instituto Federal do Pará (IFPA) foi proposto um trabalho em que os alunos desse curso desenvolvessem métodos de ensino de matemática para surdos. Nosso grupo sugeriu que fosse feito um jogo de dominó envolvendo o conteúdo de Função Afim, que fora ministrada por um professor para alunos surdos de uma escola pública em Belém-PA, para que de forma lúdica, os alunos fixassem o assunto que foi dado e para a socialização dos mesmos. Palavras-chave: Educação Especial, alunos surdos, função afim. INTRODUÇÃO Para se trabalhar a inclusão do aluno surdo foi desenvolvido um trabalho que visava reforçar o conteúdo de função afim que fora ministrada pelo seu professor, com o objetivo de incentivar os alunos a fazerem a leitura dos textos do livro didático, utilizar o “Dominó” que foi confeccionado durante a aula, revisar e fixar o conteúdo estudado anteriormente e promover a inclusão e participação de todos os alunos na atividade com o domino envolvendo a função afim. Essa metodologia também inclui alunos que não tenham deficiência auditiva, que era o caso da escola que continha alunos surdos e não-surdos. Iniciamos esse trabalho explicando um pouco da educação inclusiva no ensino e posteriormente relatamos a atividade desenvolvida e aplicada aos alunos surdos. Através desse tipo de atividade é possível estimular nos alunos o interesse por leituras de textos sobre a História da Matemática, relacionados ao conteúdo ministrado, utilizar jogos e metodologias mais dinâmicas para melhorar a aprendizagem matemática, aprender a manusear o material pedagógico confeccionado para essa atividade inclusiva, interação de todos os alunos, estimulando a participação de todos para socializar os conhecimentos adquiridos durante as aulas resolvendo os desafios proposto durante as partidas realizadas.

A EDUCAÇÃO PARA SURDOS No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império, com a criação de duas instituições: O Imperial Instituto dos meninos cegos, em 1854, atual Instituto Benjamin Constant – IBC, e o Instituto dos surdos-mudos , em 1857, hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi (1926), instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental. Em 1954, é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE; e em 1945 é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na sociedade Pestalozzi, por Helena Antipoff. A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Sendo assim, respeitando-se as possibilidades e as capacidades dos alunos, a educação especial destina-se às pessoas com necessidades especiais e pode ser oferecida em todos os níveis de ensino. Enquanto modalidade de ensino, a educação especial deve seguir os mesmos requisitos curriculares dos respectivos níveis de ensino aos quais está associada. No entanto, para auxiliar no processo de integração, os sistemas de ensino contam hoje com as adaptações curriculares. Uma das responsabilidades das instituições federais é garantir a inclusão dos alunos com deficiência, incluindo surdos (ou com deficiência auditiva), proporcionar aos mesmos os serviços de tradutor, intérprete em sala de aula, equipamentos tecnológicos que garantam o acesso a comunicação, da programação visual dos cursos de nível médio e superior, e da formação de professores na modalidade à distância, onde deve existir a janela de visualização para facilitar o entendimento. A inclusão adequada dos estudantes surdos, nos diversos níveis de ensino, depende de inúmeros fatores, especialmente da capacidade de seus professores para promover sua aprendizagem e participação. Todavia, sabe-se que a maior parte dos professores não está preparada para assumir tal responsabilidade. Neste sentido, se faz necessário a implementação do decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005 que visa a capacitação desses professores, para que possam promover a disseminação da língua de Libras, mas para isso devem haver, por parte do governo, medidas que obriguem as instituições de ensino a disponibilização da disciplina de Libras, prevendo até mesmo punições para aquelas que não se adequarem, o que hoje o decreto não prevê. É de suma importância a preparação dos futuros professores para o atendimento desses alunos, que precisam que seus direitos estejam garantidos em lei, e que o descumprimento dessas leis seja punido. Acreditamos que no momento em que o MEC exigir de forma mais eficaz das instituições de ensino que as mesmas se adequem para atender esses alunos, não apenas de maneira satisfatória, mas de forma correta, oferecendo uma educação de qualidade, com os equipamentos, recursos e tecnologias adequadas para atender esses alunos, aí sim o governo estará garantindo a inclusão desses alunos de fato, com dignidade, com respeito e oferecendo um ensino de qualidade, já que educação é direito de todos, então que se faça de modo que beneficie a todos, independente de terem necessidades especiais ou não. Para melhor solidificação da língua de Libras, é necessário que não somente nos cursos de licenciaturas seja obrigatória a língua Libras como disciplina, mas também nos cursos de graduação e cursos profissionalizantes, que levará a uma melhor sensibilização por parte de todos da dificuldade que hoje um deficiente auditivo tem de enfrentar.

A EDUCAÇÃO PARA SURDOS O ENSINO DE LIBRAS COMO DISCIPLINA OBRIGATORIA DOS CURSOS DE
LICENCIATURA DO IFPA

Nos cursos de Licenciatura do Instituto Federal do Pará tornou-se obrigatória a disciplina Introdução à LIBRAS, onde o professor apresenta aos acadêmicos a Linguagem Brasileira de Sinais, suas leis, o alfabeto e muitas vezes mostram como funciona a educação para surdos. Na turma do curso de Matemática do IFPA, a professora da disciplina LIBRAS levou os alunos para conhecer uma Instituição Filantrópica em BelémPA onde são desenvolvidas atividades de aprendizado para surdos. A Instituição é totalmente equipada com materiais didáticos específicos fornecidos pelo Governo Federal e através de doações.
Figura 1: Estrutura Interna da Instituição

Fonte – Acervo Pessoal.

Na disciplina é ensinado primeiramente o alfabeto e em seguida algumas expressões que se relacionam com a educação para surdos, bem como diálogos, musicas, etc. Em umas das aulas a professora propôs que a turma formasse grupos e desenvolvessem uma aula de matemática voltada para surdos que seria ministrada em uma escola pública de Belém. Como a turma já tinha estudado o conteúdo de função afim, foi proposto um jogo para que os alunos fixassem melhor o conteúdo. Ao jogo proposto chamamos de Dominó de Função, o qual envolvia os conceitos da função afim, como função crescente, função decrescente, inequações e inserimos, ainda, os matemáticos que contribuíram para o desenvolvimento do conteúdo e o país de origem deles para que o jogo ficasse mais interessante e acrescentasse mais informações aos alunos. Este jogo foi confeccionado com peças retangulares, na forma de paralelepípedo, em que uma das faces está marcada por informações e conteúdos estudados nas aulas anteriores referentes à Função Afim ou Função Polinomial do 1º Grau. Este conjunto de pedras contém 28 pedras no total combinados entre si. Matematicamente: C(7,2) + 7 = C(8,2) = 28.

A aula (jogo) durou cerca de 45 minutos, as regras foram explicadas pela professora fazendo a interpretação para os alunos. No jogo aplicavam-se as seguintes regras: • Podem jogar quatro jogadores individuais ou 4 duplas (8 jogadores no total); • Cada jogador ou dupla receberá sete pedras; • Pode-se também jogar entre duplas (4 jogadores 2x2), onde cada jogador recebe 7 peças; • Se tivermos somente 2 jogadores com 7 pedras cada um e 14 pedras para comprar no caso do oponente não ter a pedra da vez; O primeiro a jogar será: • O que tem a pedra com a LEI DE FORMAÇÃO (y = ax+b) dupla (carrão, ou seja nas duas pontas é idêntica) • Iniciar a primeira partida no sentido horário a partir deste jogador; Como jogar: • O objetivo é baixar todas as peças primeiro, caso feche o jogo abri-se o jogo para outro continuar a partida; • Quem baixar todas as peças que tem na mão primeiro a partida; Pontuação: • São jogadas várias partidas consecutivas, onde a dupla que obtiver o maior número de pontos primeiro é a vencedora; • Uma batida normal (em uma única "cabeça") vale 01 ponto; • Batida de "carrão" vale 02 pontos; • Bater com uma pedra simples nas duas pontas, vale 02 pontos; • Batida de “carrão” nas duas pontas, vale 04 pontos.
Figura 2: Peça do dominó mostrando a origem de um dos matemáticos e uma inequação.

Figura 3: Peça do dominó mostrando Leonhard Euler e a Função Afim.

RESULTADOS A atividade foi bem aceita pelos alunos que não tiveram dificuldade em entender as regras do jogo e executar as ações estabelecidas. Foi uma forma de fixar o conteúdo ensinado pelo professor da turma e de acrescentar conhecimento através do aspecto histórico que foi inserido no dominó, como os matemáticos que desenvolveram o conteúdo de função afim e suas origens. A Instituição não permitia que fosse feitas imagens dos alunos sem prévia autorização dos pais. Como soubemos disso no dia da atividade, não foi possível registrar os alunos durante a realização da atividade. CONCLUSÃO A educação de qualidade para pessoas com deficiências educativas especiais é direito de cada um e dever do Estado, garantindo assim, um melhor aprendizado, inserindo-os aos direitos de plena cidadania e à inclusão, tanto no sistema regular de ensino, como na vida social e a preparação dos mesmos para a sociedade trabalhadora. Realizar esse trabalho com alunos surdos foi de muita relevância, pois pudemos verificar que os mesmos podem aprender sim, desde que sejam métodos adequados e que os professores tenham boa preparação. Dessa forma, acreditamos numa inclusão social de fato, onde todos aprendam a se comunicar, independente de serem deficientes auditivos ou de terem necessidades especiais como os surdos, onde a comunicação através da língua de sinais esteja ao alcance de todos e seja oferecida em todas as escolas. E que esse direito se estenda à todos os cursos de nível superior também, não apenas aos cursos de Licenciatura, pois esses alunos não vão somente à escola, eles também freqüentam outros espaços e são atendidos por outros profissionais como: médicos, advogados, engenheiros e muitos outros, por isso acreditamos que todos devem ter acesso à LIBRAS para que de fato se faça a inclusão de modo bem mais abrangente e eficaz, e não de modo paliativo ou providência momentânea, mas sim de forma digna que garanta uma educação mais justa com maiores oportunidades de igualdades e acesso à todos, sem discriminação. REFERÊNCIAS ALMEIDA, N. Matemática: Ciência e Aplicações. São Paulo: Atual, v.1, 2004. DANTE, L. R. Matemática. São Paulo: Ática, 2008. IEZZI, G.; DOLCE, O.; DEGENSZAJN, D.; PÉRIGO, R.; OLIVEIRA, A. M. Manual de Matemática. São Paulo: DCL, 2008.