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REFLEXÕES SOBRE O ENQUADRE NO ACOMPANHAMENTO TERAP ÊUTICO.

Hailton Yagiu
Psicólogo Clin ico e Acompanhante Terapêutico do Instituto “A Casa” Psicanalista em fo rmação pelo instituto Sedes Sapientiae.

REFLECTIONS ON A THERAPEUTIC ACOMPANIMENT SETTING

“Quando se trabalha com os outros, percebemos a necessidade de
sermos pacientes, de conceder aos outros o tempo e o espaço que necessitam para chegar a sua própria compreensão da bondade e da condição de guerreiros. Se nos desesperamos e tratamos de impor a alguém a bondade fundamental somente conseguiremos aumentar o caos. Ao nos darmos conta disso, nos tornamos extremamente humildes e pacientes no trabalho com os demais. Deixamos que as coisas assumam sua própria forma a seu devido tempo. Paciência é, pois, brindar continuamente aos demais com uma atitude carinhosa que não desespera. Jamais deixamos de crer na bondade fundamental do próximo, na sua capacidade de atualizar o momento e o sagrado, de chegar a ser um guerreiro no mundo.” Shambala – A senda sagrada do guerreiro.

O ESPAÇO DA CLINICA Quando falamos do espaço na prática da clinica, remetemo- nos ao tema das fronteiras da mesma e, conseqüentemente, à questão do enquadre. Mas quando a prática sai dos moldes do consultório, e passa a ser exercida nos espaços da cidade, como no caso do acompanhamento terapêutico, não basta que se lhe adaptem as fronteiras do consultório, um outro enquadre se faz necessário. Na prática a questão do enquadre é importante na medida em que traça os limites aquém dos quais uma atividade pode ser terapêutica e além dos quais ela deixa de sê-la, e, se estas fronteiras

ainda na adolescência. então saiu e foi morar com um companheiro com quem mantinha um relacionamento. No acompanhamento terapêutico freqüentemente encontramo. então seu pai o leva juntamente com seus dois irmãos para a casa da avó paterna. Nesta época Libris começa a ter uma forte ligação com seu avô. quando passou a se sentir inseguro dentro de sua própria casa. e entra no curso de psicologia em uma faculdade. que passa a criá.los. mas fracassa na tentativa. que o levava entre outras coisas a organizar os colegas contra o regime das escolas. a primeira destas aconteceu logo depois da morte de seu avô. verifico como a mesma pode ser tematizada de forma a deixar de ser um código fixo de conduta para o acompanhante e passe a ser plástica. mostrando como ela foi manejada e as possíveis razões que levaram a isto. mas se afasta e depois abandona sem chegar a cursar o primeiro ano. Na sua infância Libris foi expulso de várias escolas pelo seu comportamento rebelde e manipulador. Depois de cerca de um ano. e dependendo do manejo os efeitos podem ser desastrosos ou construtivos. sua mãe perde a guarda dos três filhos por ser dependente de álcool. ouve do seu pai que ele seria o único filho com quem aquele não teria que se preocupar. rompe o relacionamento com este e envolve-se com uma pessoa mais velha. originário de uma família tradicional ele conta que nasceu para salvar um casamento em ruínas. num consultório. pois diferente dos seus irmãos Libris se destacava pela inteligência e iniciativa. lhes protege das influencias nocivas a tal atividade. ECOS DE UM ACOMPANHAMENTO Libris tem uma história conturbada. Mais tarde. neste momento Libris diz ter perdido o chão pela segunda vez.tornam-se móveis. Com a separação.nos frente a diferentes situações que colocam em questão os limites. tenta o suicídio por se sentir atraído por um amigo. onde vão morar juntos com os avós. pois sua mãe teria dito que engravidou para evitar uma separação. o que acontece é que tanto o profissional como seu paciente perdem aquilo que. tempos depois termina o relacionamento porque seu companheiro vai morar fora do pais e não demonstra interesse em levá. Depois disso tem . mas seus pais acabam por se separar na sua adolescência. extremamente rigoroso e machista. Consegue terminar o colegial. Na adolescência. Pretendo a partir de uma experiência abordar a questão da regra de abstinência. em seguida com um olhar analítico. então resolve revelar ao seu pai sua opção sexual.lo. que nos leva para a questão do enquadre e de sua construção. Libris conta que viveu experiências inesquecíveis de “perda do chão”. temendo a reação de seu pai. tal qual nos solicita muitas vezes esta pratica.

ao perceber o silêncio.. telefone ou água transforma va-se para ele em um grande problema e Libris começava a ficar completamente paranóico e levantar suas hipóteses. além do acompanhamento terapêutico Libris tinha acompanhamento psiquiátrico. Rotulado pela sua família. apenas bebendo. .Cada acompanhante tem uma postura diferente. ficara dias sem comer. sendo inclusive impedido de levar adiante seus projetos de trabalho na instituição na qual se trata. Libris.É.Não sei se você é contra. novamente por comportamento inadequado. pois se perdê-lo passará a ter inúmeros problemas. e freqüentava um hospital dia onde participava de atividades como. seu pai desconfia da retidão de suas ações e intenções. portanto também não vai fornecer o tal comprovante. Libris não sabe o que fazer. Na época. Libris não consegue adaptar-se e se manter em trabalho nenhum e seu pai não quer que ele vá morar com a nova família que ele constituiu. Ao ouvir isto a sensação que passei a ter foi a de uma enorme inseguranç a.. Frente a esta inédita solicitação não sabia bem . Nesta situação sou chamado a acompanhá. acrescenta: . A obtenção de uma simples conta de luz. Libris encontra va-se em uma situação delicada. e na mais recente delas foi internado a um passo de um coma alcoólico.. Esta questão surge durante um acompanhamento. então ele passa a morar com a ajuda financeira de seu pai em um bairro próximo ao centro da cidade conhecido por ter muitas casas transformadas em pensões.lo. vitimas de mortes prematuras e em seu trajeto descobre o mundo das drogas. Temendo perder o prazo de renovação de seu benefício.outros relacionamentos. por que dos outros você sabe que eu não vou conseguir. Passados alguns meses de acompanhamento.. e destas passa a ser expulso. e ouço que ele havia pensado em mim como a solução de seu problema. o chão sob os meus pés se abrira. Permaneço na mesma postura. o proprietário da pensão onde ele mora não vai com a sua cara. de adicto como sua falecida mãe e homossexual.. e não quer marginais batendo na porta de sua casa. em grupo e de família. alguns deles duradouros. como nas experiências vividas por Libris. terapia ocupacional. sei lá. logo não lhe fornecerá comprovante nenhum. no qual Libris conta a sua versão relatada acima e acrescenta que havia pensado em uma solução. pensei que você poderia me emprestar um comprovante de endereço. mas vai perdendo ainda na juventude todos os amigos mais próximos. Nesta fase de sua vida passa também por algumas internações devido aos acidentes que sofre por estar embriagado. necessitava de um comprovante de residência para a renovação do documento que lhe garante alguns benefícios. Permaneço em silêncio ouvindo suas conjecturas.

Analisando com mais cuidado o acontecido. pudesse comprovar seu endereço. uma conta em meu nome para que ele. pude perceber que. apontar que seu desejo era o de estar pedindo ao seu pai e que na verdade o pedido não estava sendo dirigido a mim. se há pouco Libris estava perseguido pela idéia de que não conseguiria uma conta. que eu julgava ser o grande nó da questão. que meu desejo. Ao término do acompanhamento fui para casa. transferencialmente eu fora colocado em um lugar paterno. Aos poucos.o que fazer. com isto mostrando . eu sempre ficava alerta. RESSONANCIAS DE UM INCOMODO. apareceriam marginais na minha porta? Quanto ao nível terapêutico. a interpretação na transferência. de não ter sido capaz de impor certos limites. de minha parte a única pista que tinha em mente era o meu impulso de tentar resolver concretamente os problemas. uma certa sensação de ter cometido uma falha. todas elas fazendo parte de uma estratégia terapêutica para aquele paciente. de trazer para o campo da realidade questões do campo simbólico. tanto ao nível mais concreto. aulas de cursos. mas naquele dia levei comigo um leve incomodo. Se nomearmos esta seqüência teremos. onde o mundo flutuando parecia bailar à sua volta. contra-transferencialmente consegui vislumbrar que meu paciente estaria vivendo este momento de enorme insegurança. agora era eu quem estava perseguido pela idéia de qual seriam as conseqüências da minha atitude. e finalmente fornecer a conta. mas isto ainda se mostrava insuficiente para motivar tal atitude. então. pois sabendo desta tendência. sobre o divã. as ultimas conversas entre os acompanhantes sobre este tema. e um ato analítico respectivamente. na verdade o desejo de Libris era o de poder solicitar ao seu pai uma conta. supervisões. ao deslizar por entre as minhas questões com a paternidade. durante instantes fiquei imobilizado. Subitamente a situação se invertera. Situando me neste contexto. Descobri mais tarde. Desde o lugar onde eu fui colocado e me coloquei. da transferência. e obter dele a resposta que eu lhe dera. algumas cenas começaram a passar em minha mente como flashs. pegou carona na situação concreta e me moveu a tal atitude. julguei ser necessário responder a firmativamente à esta solicitação e concordei em lhe emprestar uma conta. fui levado a perceber que se tratava antes de descobrir o que motivara tal atitude. Ao verificar a necessidade do estabelecimento de alguns limites. algumas opções de resposta eram possíveis: eu poderia ter lhe explicado que esta era uma relação terapêutica e assim sendo não me cabia este tipo de atitude.

no entanto. pois neste local estaria protegido das frustrações. e para estas existem diferentes pontos de vista que variam conforme os contextos em que foram elaborados. Para citar dois exemplos. o superego técnico analítico varia conforme a estrutura e o funcionamento de cada profissional. neste caso o enquadre? Para a psicanálise estas questões dizem respeito ao que Freud denominou de regra de abstinência 1 . seria necessário que se lhe consentisse algo.que o desejo permeia nossa pratica. casos onde uma intervenção terapêutica tem como objetivo restabelecer a confiança do paciente em seu ambiente. uma relação com o superego técnico analítico originário. diz que em determinados casos o manejo do enquadre requer que a regra de abstinência seja violada. Freud baseado em sua experiência com neuróticos diz que conforme a natureza do caso e a peculiaridade do paciente. ao lhe proporcionar a adaptação ambiental que ficou faltando em seu desenvolvimento. mas. Para avançar em nossa questão vamos recorrer a um artigo que analisa o funcionamento mental do analista em sua prática. estaria cometendo o mesmo erro que cometem aqueles que. pois o terapeuta que propiciasse a seu paciente tudo o que ele acha que este teria direito. permitem que este se refugie das provações da vida. quais as conseqüências? Estas duas incluindo-se em uma mais ampla. pois esta depende da confiança em um relacionamento seguro. Segundo este autor. freqüentemente na pratica do acompanhamento terapêutico estamos às voltas com situações em que a prática questiona a teoria. e ilustra como e por que ele se formaria e os problemas que daí surgem. e sem o qual ele não teria outra solução senão repetir e aperfeiçoar seus mecanismos de defesa. de como se constituiria. e que a despeito disso temos que tomar uma posição. À medida que fazia estas descobertas uma questão foi surgindo. codificado por Freud no contexto dos primórdios da psicanálise. mas teria em todos eles. e no qual serão baseados os próximos parágrafos. mesmo que não o saibamos. ao tornarem o entorno do paciente tão agradável. momentos em que ficamos às vezes sem saber o que fazer. onde esta ainda corria o risco de ser . não deveríamos consentir demasiadamente. Ao se proteger da constante ameaça de um aniquilamento já produzido o paciente estaria totalmente privado da possibilidade de criar. No referido artigo Figueira 2 nos diz que se dissecássemos a mente de um analista iríamos descobrir que entre o que ele ouve e a sua interpretação há um superego técnico analítico cuja função é a de observar e controlar o ego analítico enquanto o psicanalista trabalha. quando de um lugar terapêutico podemos atender a solicitação de um paciente? E se isso acontece. Já Winnicott baseando se em sua experiência com pacientes graves. Eis nos frente à um tema com diversos pontos de vista.

com emoções. de levar em conta e criticar nossas tendências próprias. o autor diz que Ferenczi postulava que o funcionamento mental dos analistas não poderia ser controlado da forma como Freud propunha. quando se percebe q ue estes conselhos foram violados. no meio tempo. e fazem com que o analista controle as suas emoções.. a plasticidade de todos os processos anímicos e a riqueza dos fatores determinantes se opõem.”3 Segundo Figueira com estes conselhos Freud pretendia que o seu leitor se id entificasse com ele.. Freud pensou em controlar estas interferências indesejáveis que poderiam surgir na mente do analista. A extraordinária diversidade das constelações psíquicas intervenientes. Segundo o mesmo autor os conselhos técnicos de Freud levam de forma geral a formação de um superego técnico psicanalítico. por uma instancia superegoica introjetada. se o principiante ousar ir alem destes parâmetros.lo às imprecisões técnicas que acabariam por comprometer a validade da Psicanálise. ou seja. comparamos as novas conexões com os resultados anteriores da análise. Mas Freud alertava que “(. mas também da interferência das características pessoais do analista na sua prática. Esta foi a forma de Freud garantir minimamente a ocorrência de acidentes em seu métier devido às influencias da personalidade do psicanalista.desqualificada por causa da possibilidade de alguns acidentes devidos ao desconhecimento da teoria.. e tornam possível que as vezes um procedimento legitimo não produza efeito em algumas ocasiões. ele propunha colocar limites no ego do analista. e seja gerada uma insegurança.) Deixarmos agirem sobre nós as associações livres dos pacientes e ao mesmo tempo deixarmos a nossa fantasia jogar com este material associativo. tratando-se de “(.”4 . para o primeiro caso a recomendação era a de que se estudasse cuidadosamente a teoria e para o segundo. No mesmo artigo que estamos seguindo. faço bem ao apresentá-las como alguns conselhos e não pretender que elas sejam incondicionalmente obrigatórias. nem por um instante. O que não deixa de ser um problema para quem trabalha efetivamente. a uma mecanização da técnica. no jargão analítico.. e isto se faria. e introjetasse aqueles e os tornasse parte de seus superegos. Mas com isso também provocava o surgimento de sentimentos de culpa.. sem deixar. no tempo em que ainda não existia a analise de formação. e afaste os sentimentos que poderiam levá. por certo.) Por outra parte. enquanto que outro habitualmente considerado errôneo atinja em algum caso a meta.. de forma a controlar as interferências indesejáveis que pudessem agir em suas mentes. na concepção dele o trabalho psíquico do psicanalista seria bastante complexo e envolveria diferentes atividades.

ter o cuidado para que ele “(. Em se tratando da construção de um enquadre. e que nos capacita a escutar as singularidades em jogo. Passando para a outra questão que colocamos. podemos dizer que o tato seria algo que nos permite levar em conta e perceber o outro. poder ocupar o lugar onde se é transferencialmente colocado. a importância da análise do analista.) faculdade de “sentir com”. Trocando em miúdos o conceito formulado por este autor.. que lutar com resistências – adivinhar seus pensamentos retidos. No acompanhamento terapêutico é fundamental esta capacidade de ser um corpo de ressonância do mundo emocional do acompanhado. dentro dos nossos estilos próprios. devemos. poder responder com alguma atitude terapêutica. seria necessário antes de qualquer coisa sabermos qual o objetivo de se estabelecê-lo e conseqüentemente de como fazê-lo. poder suportar este lugar e os afetos que nos são dirigidos...Desta forma. ele se constrói e deve ser um conjunto de elementos. e estão em vias de ser tornado consciente. que seria a “(. Aqui devemos . mas de um atributo que se adquire na e com a pratica.nos como poderíamos utilizá. refinado pelas supervisões e pela analise pessoal. ou seja. que podem ser úteis se conseguirmos aproveitar suas idéias na nossa prática. e isso é possível por meio deste atributo denominado tato. e mostra.) não se adota. segundo Nogueira.. mas também suas tendências inconscientes. sobretudo da dissecção de nosso eu. Para isso basear-nos-emos em um texto de base psicanalítica em que o autor Nogueira 6 descreve as condições que influem na sua construção. e em especial as suas emoções. portanto apenas de uma questão de técnica.. então. Por meio do tato podemo s perceber o que o outro tem a nos dizer. um enquadre “(. tornar presentes as associações possíveis ou prováveis do paciente. associações que ele ainda não percebe. propiciadores do trabalho analítico.) não seja apenas um elemento opressor construído de fora para dentro (. não se tratando.”5 Ao autorizar o analista a utilizar-se de suas emoções como mais um instrumento de trabalho. segundo este autor.. o da valorização das emoções e fantasias que surgiriam no contato com a fala do paciente. ao propor a utilização do que ele chama de tato. para então. Ferenczi nos revela um outro aspecto da questão.)”7 . Ferenczi propõe uma ampliação do espaço mental deste e enfatiza o conhecimento de seus próprios mecanismos psíquicos. com a ajuda de nosso saber. tanto dos aspectos já conhecidos. e não apenas de uma adoção rígida de regras e cânones restritivos. quando dos que ainda lhe são desconhecidos. mas. resultantes de um processo evolutivo de libertação. tirado da dissecção de muitos psiquismos humanos. Se conseguirmos.. como ele. a do enquadre. poderemos – não tendo. se conseguirmos..las com fins terapêuticos.

Se o acompanhante consegue estabelecer uma distancia ideal para com o acompanhado. acadêmica. penso que violar uma determinada regra de conduta em uma situação especifica e adotar uma conduta terapeuticamente adequada vai depender da forma como cada um de nós. era denominada pelos antigos gregos de techné (técnica). de forma a reduzir os ruídos. e que eles davam a um determinado conjunto das techné. que seria a inteligência pratica que depende da habilidade ou da capacidade de quem a exerce. ele pode criar um enquadre tal.” 8 Se aproximarmos estas sábias palavras à nossa pratica. mas como uma forma de acolhimento da pessoa que a está realizando. nesta pratica especifica o enquadre possuiria um aspecto prático que é constituído ao longo de nossas experiências e que propicia condições de trabalho em locais e situações adversas. ou seja. Para concluir. mais a condição mental do acompanhante. torna possível que se diga que no acompanhamento terapêutico o enquadre pode ser constituído pela soma da parte estrutural. e as conseqüências da sua conduta só serão percebidas a posteriori. O fato do acompanhante se utilizar em sua prática. o enquadre possibilitaria e favoreceria a criação de um espaço onde o acompanhado se sinta confortável para nos falar. e de ambos com o meio que os circunda. memória e senso de oportunidade. As principais características da métis seriam. descobri com certa surpresa que a idéia de um saber prático adquirido por meio da experiência e que exige uma grande capacidade de observação. o nome de métis. que possibilite a criação de um espaço de fala. parodiando Winnicott poderíamos dizer que este seria um “enquadre suficientemente bom”. ou seja. e que levaria a promoção da saúde. o que revela o poder de produção que possui um enquadre adequado.encontrar os caminhos da liberdade de execução de nossa tarefa de modo que ela se imponha não como um elemento de medo. Ao aprofundar algumas anotações que tinha feito para a confecção deste texto. podemos dizer que as teorias deveriam ser apropriadas e utilizadas de forma que elas nos deixassem livres para que pudéssemos de forma amorosa e acolhedora perceber e criar as condições que propiciem a realização do trabalho. das experiências advindas da sua formação. dentre as quais a medicina fazia parte. por meio da transferência. perceber . não como uma rejeição. a partir do qual seria possível perceber a capacidade do acompanhado de aproveitar da própria situação. o golpe de vista. mas como um elemento de amor. e a maneira como cada um de nós introjeta e cria os critérios com os quais irá estabelecer as próprias regras de conduta é dada pela sua transferência com o triplo modelo da formação. utiliza o tato de maneira amorosa e acolhedora. pratica e da análise pessoal. e de colocar em cena seu mundo psíquico. a cidade e seus elementos.

capacidade de encontrar rapidamente uma solução inesperada ou resolver uma dificuldade de modo astuto e sutil e. Sandor Ferenczi: Escritos Psicanalíticos – 1909 – 1933. 9 M. 17.) in Laplanche. vol. p. Freud. 12. 1992. Sandor Ferenczi: Escritos Psicanalít icos – 1909-1933. 4 S. p. 303. Figueira.d. 1994. M.A.d. sobretudo. Uma trajetória analítica. Taurus Timbre. São Paulo. “Sobre a iniciação do tratamento”. vol. t radução livre. Dimensão. vol. O. 12. p. o senso de oportunidade. Esfreguei os olhos.. Para o analista isto implica a norma de não satisfazer as demandas do paciente nem desempenhar os papéis que este tende a lhe impo r. J. p.. p. 1995. 1993. “Introdução à técnica psicanalítica” in Uma trajetória analítica. Buenos Aires. o expediente. s. 1968. P. p. 2 S. BIBLIOGRAFIA Birman. Nogueira.. Não seriam estes os atributos de um acompanhante terapêutico? Notas: 1 “Regra segundo a qual a cura analítica deve ser d irigida de tal forma que o paciente encontre o mínimo possível de satisfações substitutivas de seus sintomas. s. p. S. 1994. 26. que a medicina grega denomina crise. Nogueira. onde a doença pode ser curada 9 . Chauí. p. Taurus Timbre.instantaneamente o que é essencial e o que não é . Buenos Aires. ou kairós.92-3. Amorrortu. Amorrortu. Figueira. p. Amorrortu. A.. “Elasticidade da Técnica Psicanalít ica” in J. Go iás. in Revista Brasileira de Psicanálise.. 3 S. nº4. S.3. Introdução à História da Filosofia I. Reg la de”. “Abstinencia. 7 Idem. Brasiliense. 121-144. Rio de Janeiro. J e Pontalis. 1993. nº 4. Brasiliense. Ferenczi. (. 1995. “Sobre o inicio do tratamento” (Novos conselhos sobre a técnica da psicanálise). J-B. 553-570. 1995. 5 Idem. _______ “Novos caminhos da terapia psicanalítica”. 125. 1992. . Revista Brasileira de Psicanálise. São Paulo. vol. São Paulo. Diccionário de Psicoanálisis. “Dissecando a mente do psicanalista: O superego técnico psicanalitico”. 6 P. 553-570. São Paulo. Introdução à Historia da Filosofia I. que seria a percepção do momento oportuno para realizar a ação. Dimensão. pp. Birman.Freud. Chauí. Labor. Barcelona. 26. Buenos Aires. “Dissecando a mente do psicanalista: O superego técnico psicanalítico”. O. Goiás. Rio de Janeiro. 8 Idem.308. vol.