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RODRIGO FERREIRA LOPES GOMES

DA CLÁUSULA DE SIGILO NOS CONTRATOS EMPRESARIAIS

FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS POUSO ALEGRE

2006 RODRIGO FERREIRA LOPES GOMES

DA CLÁUSULA DE SIGILO NOS CONTRATOS EMPRESARIAIS

Monografia Jurídica elaborada como Trabalho de Conclusão de Curso, exigência parcial para obtenção do grau em Direito, sob a orientação do Professor Ângelo Guersoni.

FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS POUSO ALEGRE
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2006 RESUMO Diante da escassez de informações acerca do tema em referência, percebe-se a importância dos negócios empresariais de serem assegurados e protegidos cada vez mais seguindo o molde dos contratos norte-americanos. Baseado nestes aspectos, este trabalho tem a função de discorrer sobre a importância da cláusula de sigilo como meio de proteção nos contratos empresariais, a fim de evitar futuros inconvenientes devido à forte competitividade que as empresas enfrentam no mercado nestes últimos tempos. Dentre os tipos de contratos que merecem atenção, destacamse os contratos de Prestação de Serviços em geral, Transferência de Tecnologia (Licença e Know-How), Representação Comercial, etc. Enfim, todo contrato onde existam duas partes com o fim de adquirir lucros, principalmente ligadas à questão de Propriedade Industrial e Intelectual, encontramos a necessidade de assegurar a perfectibilização do negócio entre os mesmos diante dos ditames e princípios da boa-fé e probidade contratuais.

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2 Estudo Comparado 3. ENTENDIMENTO E VALIDADE JURÍDICA DA MÚTUACONFIDENCIALIDADE 4. CONTRATO E PRÉ-CONTRATO 5.3 O Sigilo no Brasil 4.1 Importância do Segredo de Comércio 5.1 O Sigilo no Mundo 3. DEFINIÇÃO DE SIGILO 3.4 A Cláusula de Sigilo nos contratos em geral 6.3 Entendimento segundo o Tribunal de Arbitragem 5. BIBLIOGRAFIA ANEXOS 4 .3 Pré-Contrato .NDA (Non-Disclosure Agreement) 5.2 Contrato de Transferência de Tecnologia – “KNOW-HOW” 5.2 Entendimento Jurisprudencial 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 7.SUMÁRIO 1. BREVE HISTÓRICO DO SIGILO 3.1 Entendimento segundo a legislação 4. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 2.

º. pois é aí que se encontra a confiança entre as partes de não divulgarem as informações que poderiam causar prejuízo mercantil para a parte lesada. com o objetivo de firmar algo que já é garantido pelo princípio da boa-fé objetiva. como em um contrato comercial existem cláusulas importantes. principalmente na esfera comercial ou empresarial. Observa-se a necessidade de criar uma série de medidas necessárias para garantir a aplicação legal do princípio da boa-fé contratual. uma doutrina capaz de fornecer aos profissionais da área empresarial a segurança necessária para realizar seus pactos e transações. É clara a falta de informações sobre um assunto tão importante quanto este que é o direito ao sigilo garantido pela nossa carta magna em seu artigo 5. Assim. Diante da concorrência que as empresas sofrem atualmente. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Tendo origem com um dos princípios norteadores do sistema jurídico: a boa-fé. princípios como a boa fé devem ser ainda mais valorizados. a cláusula arbitral. Existe a necessidade de uma obra acerca do tema. incisos XII e XIV. além de muitos outros incisos. Não menos importante é a cláusula de sigilo ou confidencialidade. a cláusula de sigilo começa a ter tanta importância como qualquer outra das cláusulas gerais de um contrato. 5 . exemplificando. devendo até mesmo os acordos entre duas empresas tratarem sobre a divulgação de informações para obterem uma garantia a mais contra a concorrência desleal.1.

Além da garantia que as partes buscam de que o objeto do contrato será mantido. Observando este aspecto. e o porquê de uma cláusula contratual cujo seu direito já deve ser garantido por lei. a principal questão será a força da boa-fé e probidade. duas partes não podem criar lei num contrato. percebe-se fatores positivos e negativos. como será visto posteriormente. como a possibilidade de evitar contratos com objetos ilícitos e desiguais entre as partes. que o direito real só se constitui mediante lei.Vale ainda ressaltar. e também questiona-se o limite do respeito obtido por um pacto entre duas partes. 6 .

Segredo absoluto. sinete”. dados ou informações relevantes para atender os seguintes objetivos. indicações geográficas. dentre outros: • Avaliar e discutir um projeto ou estudo. Des. encontra-se a seguinte definição para sigilo: “ si. tem-se: “O sigilo outra coisa não é senão o segredo profissional ou institucional oriundo do interesse público e social. 7 . reciprocamente. incluindo invenções.gi. 1. desenhos industriais. marcas. Para este trabalho. • Preparar. DEFINIÇÃO DE SIGILO Segundo Dicionário Michaelis – UOL. Marca de segredo. 3. Discrição. como um contrato nada mais é do que um acordo de vontades. sem esquecer que o segredo é a alma do comércio”. Observando o conceito fornecido pelo ilustre doutrinador Hélio Apoliano Cardoso. Portanto. programas de computador. obras intelectuais e congêneres. modelos de utilidade. um termo de sigilo pode ser definido como um acordo de qualquer natureza a fim de fornecer. 2. m. montar e acompanhar processo para proteção de propriedade intelectual. em sua obra Do sigilo – Breve teoria e jurisprudência. cultivares. mistério.lo s. o que interessa é a figura do sigilo analisado dentro de um contrato firmado entre duas partes.2.

8 . É importante ressaltar que este tipo de acordo seja firmado antes de qualquer discussão sobre o estudo. não reproduzindo. as partes se comprometem a mantê-las em segredo. Além de acordarem em fornecer essas informações.• Apoiar e acompanhar negociações acerca de transferência de tecnologia. divulgando a terceiros. bem como nas relações diárias de trabalho em laboratórios e/ou escritórios em que é necessário garantir a confidencialidade das informações ali disponibilizadas. nem utilizando-as para outros fins diferentes dos estipulados no termo. projeto ou propriedade intelectual.

literalmente. marca. No início. sigilo quer dizer segredo.1 O Sigilo no Mundo Como foi salientado anteriormente.3. Campinas: Bookseller. isto é. Já com relação ao segredo mercantil.gif 1 2 s ite: V. com rigor. este começou a ter força por volta da Revolução Industrial no século XVIII. Daí a garantia da inviolabilidade de correspondências que prega atualmente a Constituição Federal. p. Em latim. 9 . sigilum era apenas o selo. 24. BREVE HISTÓRICO DO SIGILO 3. CARDOSO. Do sigilo – Breve teoria e jurisprudência.com. sendo que o Direito Romano estendeu o sigilo também aos advogados (patroni).03. A palavra “sigilo” possui relação com signo. o sinal com que se fechava uma carta para garantir que não seria violada antes de chegar ao destinatário. o sinete impresso no lacre. Hélio Apoliano.1ª ed.br/notitia/reading/exemplum/reading/primeira/images/d0.ibest. sinal. Informações obtidas através de reportagens no dia 20. Quanto ao segredo profissional na antiguidade.. 2002. onde várias feiras de invenções eram apresentadas entre os países com o intuito de exibirem potenciais produtos ao mercado. era tido como um rito religioso. Na Idade Média foi consagrado.06 junto ao http://nominimo. sigilum vem a ser simplesmente o diminutivo de signum1. o segredo do confissionário pelo Direito canônico 2.

Instituto Nacional de Propriedade Industrial. A noção de boa-fé (bona fides). sendo que hoje em dia o Trade Secret (Segredo de Comércio). não fosse exatamente a mesma. cf. é interessante discorrer um pouco a respeito deste princípio jurídico para melhor entender a relação entre estas duas matérias através de um estudo comparado histórico. como a engenharia reversa. 3 10 . Curso básico de capacitação em propriedade intelectual.2 Estudo Comparado Não há como se falar em sigilo sem antes falar do princípio da Boa-fé. por exemplo. foi cunhada primeiramente no Direito Romano. sem ao menos dar alguma satisfação aos seus criadores3. Essa ‘juridicização’ só ocorreu com o incremento do comércio e o desenvolvimento do jus gentium. Em Roma. podia-se afirmar que a fides era um conceito ético antes de ser uma expressão jurídica da técnica. é uma preocupação que atinge desde sociedades mercantis até universidades do mundo inteiro. ao que consta. outros países simplesmente copiavam aqueles produtos que lhes interessavam através de muitas formas. complexo jurídico aplicável a romanos e a estrangeiros. A partir daí vários países começaram a se precaverem diante deste problema. Santa Rita do Sapucaí: INPI. receptores da cultura romanista. 2006. 3. Portanto. embora a conotação que lhe foi dada pelos juristas alemães. partindo-se de uma acentuada amplitude semântica.Como não havia sequer nenhuma forma de proteção aos inventores.

as quais se reportaram à qualidades ou estados humanos objetivados. antes de tudo. traduzindo conotações totalmente diversas daquelas que a marcavam no direito romano. que deveria ser observada nas relações jurídicas em geral. dado o seu alto grau de precisão semântica. 11 . como numa das acepções da fides romana. a língua alemã. que exige do jurista acentuada abstração. ao invés de denotar a idéia de fidelidade ao pactuado. sendo considerado como um princípio jurídico inafastável à esfera contratual. os maiores filósofos da modernidade e psicanalistas exprimiam as suas idéias também nessa língua. Mais tarde. Por ter se tratado de conceito demasiadamente aberto. Destarte. observa-se que a boa-fé. regra objetiva.Já no Direito Alemão. facilita a concretização lingüística dos mais profundos pensamentos jurídicos. Vale dizer. ou seja. é uma diretriz principiológica de fundo ético e espectro eficacial jurídico. como estado contraposto à má-fé. Esta fórmula demarcava o universo da boa-fé obrigacional proveniente da cultura germânica. embora introduzisse um poderoso pólo de significados. fazer ou não fazer. em termos semelhantes aos do direito alemão. a noção de boa-fé traduzia-se na fórmula do Treu und Glauben (lealdade e confiança). sendo a boa-fé vista como a ausência de pecado. a boa-fé se traduz em um princípio de um substrato moral. que ganhou contornos e matiz de natureza jurídica cogente. aliás. Também o direito canônico enfrentou o tema. sem dúvida. na fórmula. Não por outra razão. as idéias de lealdade ( Treue ou Treu) e crença (Glaube ou Glauben). a cultura germânica inseriu. as obrigações das partes não mais se resumiam apenas naquelas de dar.

o brasileiro são filiados ao sistema de base romanística. no uso e nas decisões das Cortes de Justiça. na verdade. ou seja. à exata satisfação dos interesses envolvidos na obrigação assumida. informação.A foram os pioneiros na preocupação com seus segredos industriais criando cláusulas contratuais protegendo o assunto. FILHO. Mesmo com um sistema jurídico baseado em costumes. confidencialidade ou sigilo . ou seja. Enquanto o direito francês. Pablo Stolze. baseado no costume. sua legislação penal também nutri um especial interesse na proteção do mercado industrial e empresarial. o direito vigente nos Estados Unidos e na Inglaterra integra o chamado sistema do common law. Já na Espanha. pois se referem. o precedente judiciário. assistência. o segundo. o alemão e. 4 12 . Uma das diferenças básicas entre os dois sistemas está em que o primeiro tem como fonte principal o direito legislado (statue law) e. Novo curso de direito civil – Abrangendo o código de 1916 e o Novo Código Civil. o direito comum (common law) criado por decisões judiciárias. Rodolfo Pamplona. Tomo 1 – Teoria Geral.surgindo também os deveres jurídicos anexos ou de proteção. o italiano. sendo que utilizaram a figura do contrato de Know-How (Importação de Tecnologia) para atingirem uma natureza dúplice de se protegerem ao mesmo tempo que poderiam “comprar” os inventos criados por outros países. os E. confiança. 4. como os deveres de lealdade e confiança. e não o direito escrito. entre tantos outros. não menos relevantes.U. 2005. – São Paulo: Saraiva. expressão que designa o direito consuetudinário. por força da boa-fé contratual. etc. com o objetivo GAGLIANO. Tais deveres foram impostos tanto ao sujeito ativo quanto ao sujeito passivo da relação jurídica obrigacional. Volume IV – Contratos.

sofrendo realmente uma verdadeira repercussão atualmente devido a alguns casos que foram baleados pela mídia como a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo. O destinatário final de tal preocupação é o consumidor. Acesso em: 20. 7.ibest. incontestável. 20 set. recebeu uma debatida liminar do STF que causou estranheza a vários profissionais juristas6. Revelação de segredos de empresa por quem tem obrigação legal ou contratual de guardar reservas. Romulo. 6 Reportagem obtida através do SITE: http://nominimo. V. Acesso em: 03 mai.3 O Sigilo no Brasil O aspecto do sigilo sempre teve uma preocupação parcial pelos legisladores nacionais.asp?id=4312>. que esteja violado ou ameaçado por ato ilegal ou inconstitucional de uma autoridade. no início deste ano.2006 e 17.de possibilitar uma melhor competitividade neste setor.br/notitia/reading/exemplum/reading/primeira/images/d0. que trata "De los delitos relativos al mercado y a los consumidores"5.2006. A ação proposta para asssegurar à pessoa um direito líquido e certo. 2003.03.gif.com. 2006.03. 5 13 . n. já que a inviolabilidade dos dados de movimentação financeira de um cidadão é garantida por lei.uol. Jus Navigandi.com. 3. Seção Terceira.. Teresina.br/doutrina/texto. Título I. 79. pois o delito está relacionado com a violação de segredo que encontra-se abrigado no Livro III. a. pelo senador petista Tião Viana que impetrou Mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal objetivando impedir o caseiro de desmascarar o ministro Antonio Palocci. Aplicação na Espanha. Disponível em: <http://jus2. PALITOT.

que delineou uma verdadeira regra de comportamento. além de pré-contratos. ou mesmo após. Tomo 1 – Teoria Geral. sem ter ciência do vício que a inquina. Entretanto. por exemplo.Entretanto. Novo curso de direito civil – Abrangendo o código de 1916 e o Novo Código Civil. Logo. Ora. durante a vigência do contrato. que consistia em uma situação psicológica. Assim acreditam ser imperativo lógico da lealdade que deve ser observada entre as contratantes. mesmo que o dever de sigilo esteja embutido dentro de um contrato através do princípio da boa-fé. divulgarem dados ou informações uma da outra. ainda que não haja estipulação nesse sentido. é forçoso convir que a boa-fé objetiva impõe que se observe o dever de sigilo entre ambas. pág. Porém foi a boa-fé objetiva. resguardando direito da personalidade7. não se consignando cláusula no sentido de que as partes contratantes não poderiam. que tendo natureza do princípio jurídico originário. empresários e advogados procuram adicionar cláusulas para a proteção de suas informações. como o objetivo deste trabalho é tratar do sigilo como cláusula contratual. 86 7 14 . os juristas contemporâneos consideraram o dever de sigilo ou confidencialidade como um dever anexo à boa-fé objetiva. uma vez que a decisão do judiciário brasileiro é constantemente passível de alteração. onde em um contrato firmado entre duas empresas para o fornecimento de um produto. um estado de ânimo ou de espírito do agente que realiza determinado ato ou vivencia dada situação. faz-se necessário mencionar o Código Civil de 1916. pois foi aí que se pode ver presente a boa-fé subjetiva. Volume IV – Contratos. de fundo ético e exigibilidade jurídica.

o objeto sobre o qual estão acordando as partes não deve versar sobre algo que seja proibido por lei. não se deve esquecer dos princípios da probidade e da boa-fé dispostos no artigo 113 do Código Civil de 2002. ENTENDIMENTO E VALIDADE JURÍDICA DA MÚTUA CONFIDENCIALIDADE 4. o conteúdo do contrato será sempre entendido como lei entre as partes.1 Entendimento segundo a legislação O direito real só se constitui mediante lei. vinculando-as e obrigando cada uma a cumprir aquilo a que se propôs. vale ressaltar que o contrato é um negócio jurídico. Ou seja. que possa prejudicar direitos de terceiros ou que afronte a moral e os bons costumes. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. determinado ou determinável.4. No entanto. Destarte. possível. e conforme reza o artigo 104 do Novo Código Civil. 15 . Concomitantemente. a saber: “Art. de acordo com a redação e interpretação das cláusulas. Nenhuma das partes poderá negar ou discordar do que nele foi estipulado. depois de lido e assinado. Só poderá o contrato ser modificado se houver interesse de ambos os contratantes e se no mesmo não houver nenhuma disposição em contrário. 113. uma de suas condições de validade é que este seja um objeto lícito. duas partes não podem criar lei num contrato. alterando suas cláusulas de forma unilateral.

encontramos no Código Penal dentro do Capítulo VI – DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL. de conhecimentos. informações ou dados confidenciais. sem autorização.021/90 tratam desta mesma quebra mas apenas quanto às informações financeiras para caráter fiscal. incisos X. encontra-se na Constituição Federal no artigo 5º. Quanto à esfera penal.. ressalvar o direito de conhecimento do fato. Como o foco deste trabalho trata do sigilo como forma de proteção dentro dos negócios empresariais. Comete crime de concorrência desleal quem: (. 195. Já em relação à legislação aplicável. Assim. ou seja. importantes preceitos legislativos fazendo referência à este assunto dentro dos artigos 153 e 154. XIV. merece destaque o enunciado deste preceito legal citado: “ Art.) XI . na Seção IV – Dos Crimes contra a Inviolabilidade dos Segredos. observa-se que o sigilo está protegido na Carta Magna como direito individual fundamental à inviolabilidade da vida social. utilizáveis na 16 . o principal embasamento legal se encontra na Lei de Propriedade Industrial de n. Ele é coerente com a moderna preocupação de preservar a intimidade e cumpre. XII e XIV tratando de forma genérica sobre o assunto. desde que afete direito de alguém.. A Lei Complementar Nº: 75/93 veio para regulamentar em seu artigo 8º à respeito da quebra do sigilo. XIII. no entanto. protagonista do mesmo.º 9. enquanto os artigos 197 e 198 do Código Tributário Nacional e o artigo 8º da Lei 8.279/96. mais detalhadamente com a relação à quebra de sigilo nos incisos XI. em seu artigo 195 que trata sobre o crime de concorrência desleal. explora ou utiliza-se. XII.Quanto ao embasamento legal sobre o tema em questão.divulga.

de resultados de testes ou outros dados não divulgados. XIV . 4. como depositado ou patenteado. que incorrer nas tipificações estabelecidas nos mencionados dispositivos. mesmo após o término do contrato. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. sem o ser. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. ou de desenho industrial registrado. Portanto. sem autorização.detenção. quando necessário para proteger o público”. a confidencialidade é a regra e sua quebra a exceção. § 2º O disposto no inciso XIV não se aplica quanto à divulgação por órgão governamental competente para autorizar a comercialização de produto. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. declarando ser objeto de patente depositada. sem autorização. explora ou utiliza-se. ou XIII . explora ou utiliza-se. ou seja. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. em anúncio ou papel comercial. expõe ou oferece à venda produto.vende. comércio ou prestação de serviços. XII . é claro e notório que este artigo veio para suplir a lacuna deixada pelo Código Penal ao tratar da inviolabilidade de informações comerciais fornecidas por uma empresa à outra. § 1º Inclui-se nas hipóteses a que se referem os incisos XI e XII o empregador. ou multa. ou concedida.divulga. ou menciona-o. sócio ou administrador da empresa. ou registrado. que não o seja. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 17 . Pena . cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos.2 Entendimento Jurisprudencial O sigilo possui caráter relativo e não absoluto.divulga.indústria.

” Já quanto ao sigilo industrial. Des. em que é apelante EleteleIndústria de Reostatos e Resistências Ltda. 8 9 Ap. RE 215. da Comarca de São Paulo. 47.301-0-CE – 2ª T. em 6ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo por votação unânime. Ruiter Oliva. DA CF 9. temos os seguintes entendimentos através do acórdão na íntegra da ApC nº 226. 18 . sendo apelados Masanobu Shimamura e outra. que ficam fazendo parte do acórdão. 25/08/1998 – rel. conforme fica cabalmente demonstrado a seguir: “SIGILO BANCÁRIO – PEDIDO DE QUEBRA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.468-1/7. firma-se entendimento as principais decisões jurisprudenciais. negar provimento ao recurso. Carlos Velloso – DJU 28/05/1999. SIGILO BANCÁRIO – QUEBRA – MINISTÉRIO PÚBLICO QUE PROMOVE A MEDIDA DIRETAMENTE. que será explicado mais adiante por ser a real intenção deste trabalho. acordam. portanto. 13/04/1999 – rel. 129.Apenas o Judiciário pode pedir a quebra do segredo. de conformidade com o relatório e voto do Relator. QUE PODE SER FEITO ADMINISTRATIVAMENTE – OPÇÃO PELA JURISDICIONALIZAÇÃO – BANCO REQUISITADO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES QUE NÃO PODE SER CONSIDERADO PARTE PASSIVA NA RELAÇÃO PROCESSUAL. VIII. – Apelados: Masanobu Shimamura e outra: “SIGILO INDUSTRIAL – NÃO VIOLAÇÃO – AÇÃO IMPROCEDENTE – FABRICO DE PRODUTO DE CONHECIMENTO PÚBLICO – RECURSO NÃO PROVIDO. SEM A INTERFERÊNCIA DA AUTORIDADE JUDICIÁRIA – INADMISSIBILIDADE EM FACE DA NORMA INSCRITA NO ART.4/8 – 9ª Câm.296. relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 226.468-1/7 – São Paulo – Apelante: Eletele-Indústria de Reostatos e Resistências Ltda. não pode ser feito através de ato administrativo do Ministério Público. Acórdão Vistos. J.. Min. 8. – J.

tempestivamente apelou a vencida. se obrigou a guardar segredo sobre os materiais e métodos de fabricação usados na feitura dos produtos da empresa empregadora. Recebido o recurso. São Paulo. o punctum fruens da questão sub judice está no exato sentido que se deve dar ao contido no contrato de fls. Relator. esse mesmo contrato. Voto 1. a merecer a proteção e manutenção legais. Ernani de Paiva (Presidente. pessoa física. bem elaborada por sinal. respondido e preparado. pessoa jurídica. 22 de junho de 1995 – REIS KUNTZ. e também evitar tornar público o segredo dos materiais e métodos empregados por esta em sua atividade. foi ele processado. Irresignada. ex-empregado daquela. pelos seus termos. 19 . teve a finalidade precípua de impedir que o referido segundo contratante exercesse atividade correlata. Como devidamente colocado nas razões recursais. como bem colocado pelo MM. 290-297. P. além do que o modelo pela mesma patenteado caiu no domínio público antes da co-ré. a concorrer com a primeira contratada. Assim posta a questão. Em seguida é preciso deixar consignado que. subindo os autos a este Tribunal de Justiça. Trata-se de ação ordinária fundada no descumprimento de contrato de constituição de obrigação de manutenção de sigilo industrial julgada improcedente pela r. a técnica empregada pela autora já era conhecida e utilizada de há muito tempo por empresas nacionais e estrangeiras. De início.O julgamento teve a participação dos Des. Juiz. e fundado em prova pericial. está exatamente na existência do direito de privilégio que deveria ter a autora dos métodos de fabricação de seus produtos. Costa Manso e Sena Rebouças. passa a operar. Acontece que. 10 e 11 havido entre a autora e o co-réu. com votos vencedores. Sentença proferida às fls. conclui-se que o pressuposto para a caracterização do alegado descumprimento contratual. É o breve relatório. a ensejar o necessário acolhimento da pretensão deduzida em Juízo. pleiteando a reforma do decisório. 2. cujo relatório é adotado. sem voto). sem dúvida que este.

é mesmo iníqua. a utilização dos materiais e métodos empregados na fabricação de seus produtos não estavam sob proteção e manutenção. nega-se provimento ao apelo. como insiste a autora. 4. os quais ficam aqui adotados e fazendo parte integrante. No que se refere à outra cláusula contratual. devendo a r. Juiz assim enfocou a questão: ‘tendo em conta a estruturação do instrumento reproduzido a fls. Relator. em especial no direito individual 20 . Não se poderia impor ao referido empregado o sigilo ou segredo de algo de conhecimento e domínio públicos notórios. revitalizado pela Lei 9. não haveria mesmo que se cogitar na manutenção de seu sigilo.” Assim. a arbitragem tem se mostrado. inarrecadável o reconhecimento de que a cláusula pela qual Masanobu comprometeu-se. mesmo sendo sua aplicação extremamente controvertida. desde que lícita. Mais do que isso. sendo incabível a restrição imposta a pretexto de preservar um segredo que nem sequer foi cumpridamente especificado’ (cf. tem conquistado cada vez mais espaços nos conflitos empresariais e comerciais. a não trabalhar com reostatos ou resistências semelhantes ou congêneres aos fabricados pela ELETELE.3 Entendimento segundo o Tribunal de Arbitragem Após nove anos. o instituto da arbitragem. também com acerto o MM. principalmente. durante o prazo de cinco anos após a ruptura do vínculo empregatício. REIS KUNTZ. 296). fls. Sentença ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. dela não podem derivar efeitos prejudiciais ao signatário. uma poderosa e eficaz ferramenta de solução de conflitos nas áreas trabalhistas e do consumidor.307/96. Pelo exposto. tem-se constatado o entendimento jurisprudencial que predomina atualmente em nossos tribunais sobre o assunto em tela.Assim. O que leva a concluir que o indigitado contrato não foi descumprido. repita-se. 10 e 11. Constitui direito inalienável do trabalhador exercer a atividade laborativa que lhe aprouver. e isto porque. abusiva. não sendo mais considerados segredo industrial os métodos e materiais já referidos.

Dentre as vantagens da arbitragem sobre a rapidez.trabalhista em que há grande divergência sobre a disponibilidade e renunciabilidade dos direitos discutidos. somente às partes em litígio interessa se o Processo pode se tornar público ou não. Conciliador ou Árbitro. As partes assinam com o Mediador. encontramos que a característica principal de um Juízo Arbitral é o Sigilo. um pacto de confidencialidade e privacidade. proporcionando um estabelecimento de confiança e respeito. suficiente para um diálogo franco e sincero. entre outras. a economia. cujos fatos e circunstâncias discutidos são garantidos por total e absoluto sigilo. 21 .

A por exemplo. possuímos apenas duas formas de proteção das invenções e inovações tecnológicas para as empresas. serem concedidas em menor tempo do que as nacionais. forçando os empresários a buscarem outros caminhos. Mas inicialmente seria interessante listar algumas das desvantagens do método de concessão de patentes pelo INPI. como por exemplo o risco de tentar manter segredo devido à alta espionagem industrial que existe no caso do segredo de comércio. a dificuldade de um produto ser considerado novidade e de atender à outros requisitos é muito elevada.1 Importância do Segredo de Comércio Atualmente. Outra desvantagem seria o tempo elevado para concessão de uma patente. CONTRATO E PRÉ-CONTRATO 5.U. E uma vez feito o pedido de depósito de patente junto ao INPI. 22 . mas sim uma expectativa de direito. já que a patente vale apenas em nível nacional. pois o órgão público pode conceder ou não aquela patente.5. Destarte. Ambos os métodos possuem vantagens e desvantagens. Ou através de concessão de patentes junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) ou o trade secret (segredo de comércio). sendo necessário um depósito para cada país em que o titular desta deseja possuir exclusividade de comércio ou recebimento de pagamento de determinada quantia denominada royalty pelo fornecimento daquela tecnologia. como os E. A primeira desvantagem da concessão de patentes é o investimento elevado. que em média chega até a dez anos. Além destas complicações. a empresa se vê obrigada a pedir patentes estrangeiras devido as patentes de alguns países. não se cria um direito.

E este é um quadro histórico que apenas se agravou pelo tempo. em qualquer outro lugar do mundo em que houver este questionamento.2 Contrato de Transferência de Tecnologia – “KNOW-HOW” 10 Informações obtidas junto ao INPI. que optaram pelo segredo de comércio (Trade Secret) ao invés de patentearem seus inventos e fórmulas respectivamente. Dessa forma. Isso ocorre devido a patente que eles conseguiram na época junto ao governo norte-americano. a melhor técnica atualmente seria seguir o exemplo de grandes empresas como a EMBRAER e a COCA-COLA. 23 . Para ilustrar tal pensamento. Pelo exposto. nada melhor do que lembrar que apenas no Brasil que reconhecem Santos Dumont como o inventor do avião. o Brasil necessita de várias formas de proteção para evitar que esta injustiça continue se alastrando. logo o país teria como vantagens a elevação do PIB pelo fato de diminuir o pagamento de royalties a outros países pela utilização de suas tecnologias. como o conhecimento é um bem intangível. E assim começaria a receber tais royalties sobre as invenções nacionais. mas não sabe se proteger. 5. todos dirão equivocadamente que foram os Irmãos Wright os seus inventores.As patentes seriam uma boa opção se não fossem pelas desvantagens que apresentam por causa da pouca inserção de recursos financeiros pelo governo. O crescimento tecnológico do país demonstra que o povo brasileiro é extremamente inteligente e criativo. Um bom exemplo é o fato de serem concedidas oito vezes mais patentes para estrangeiros do que para brasileiros10. como a isenção de impostos por exemplo. Se o Estado utilizasse de mecanismos governamentais para incentivar o registro de invenções.

durante certo tempo. É utilizada desde 1916 para designar conhecimentos secretos decorrentes de aplicação de técnicas por empresa. Como o know-how é um bem imaterial. pelas companhias nacionais ou por institutos de pesquisa. que constituem verdadeiros instrumentos de expansão econômica. técnicas ou processos de fabricação de um produto. ou profissional. Apenas em 1953 tornou-se usual nos EUA. será preciso que o receptor tenha condições técnicas e aptidão para usar as fórmulas ou as peças. os conhecimentos que tem de processo especial de fabricação. Denota-se que o know-how consiste em certos conhecimentos. etc. de onde espraiou-se por toda a Europa. secretos e originais. Assim. mediante o pagamento de royalties. idôneos para melhorar um produto. que alguém tem. Japão e demais países. para que este os aproveite. Know-how é um recurso que torna possível a transformação de conhecimentos em atividade produtiva. garantindo. se obriga a transmitir ao outro contraente.. sendo que na França procurou-se dar-lhe a denominação savoir faire ou secret technique. física ou jurídica. estipulada livremente pelos contraentes. permitindo a introdução de nova tecnologia estrangeira. de fórmulas secretas. de técnicas ou de práticas originais. sendo fontes de divisas para seus titulares. O contrato de know-how é aquele em que uma pessoa. na seara industrial. possui valoração econômica. tornando-o mais rentável para o seu possuidor. comercial. este contrato pode ser definido como 24 .A expressão inglesa “know-how” advém da frase “to knowhow to do it” (saber como se faz algo). soluções técnicas apropriadas. Para que haja transferência tecnológica (bem imaterial) pelas multinacionais. sendo necessária a transferência de tecnologia por ser menos onerosa do que sua criação. ainda.

que know-how e segredo industrial ou negocial são sinônimos. pois tal transferência se operará mediante cláusulas especiais. adverte que o segredo de fabricação é uma invenção patenteada que só o dono da patente utiliza com exclusividade. v. secretos e originais. que traduzido para o português é interpretado como Acordo de Não-Divulgação. p. que os empregará. a obrigação de guardar segredo.NDA (Non-Disclosure Agreement) O NDA – Non-Disclosure Agreement. sendo que uma delas impõe ao que recebe.a transferência. sem transmiti-lo a ninguém. prepara as partes para um negócio futuro. v. Instituto Nacional de Propriedade Industrial. 5. O know-how. 675. desses conhecimentos. p. 11 12 13 Tratado teórico e prático dos contratos.3 Pré-Contrato . Santa Rita do Sapucaí: INPI.11 Carlos Roberto Gonçalves. mas não os poderá divulgar. por tempo determinado. III. Curso básico de capacitação em propriedade intelectual.13 Também chamado de termo de sigilo. 25 . quando na resistência de ser firmado. 4. sob pena de receber uma sanção pela sua divulgação. logicamente. observa Maria Helena Diniz. a outra pessoa. 28. no entanto.. pela parte contrária. 2006. este pré-contrato permite ao contratante de boa-fé em tomar conhecimento sobre a intenção de divulgação de seus negócios ou pelo menos parte deles. Dessa forma. Serve assim como cautela. por sua vez. Direito Civil Brasileiro. cit. não constitui segredo absoluto e é objeto de transmissão por via de contrato12. nada mais é do que um contrato que precede a intenção de negócio entre duas instituições. técnicas ou processos. evitando assim que seja repassado.

p. 14 26 . tem-se que o modelo pela mesma patenteado caiu no domínio público. não sendo mais considerado segredo industrial os métodos e Celso Delmanto. tem-se a dizer que os empregados e os ex-empregados se obrigam a guardar segredo sobre materiais e métodos de fabricação usados na feitura dos produtos da empresa empregadora. 5ª ed. que é na verdade um pré-contrato entre duas partes (pessoa física ou jurídica). ou seja. e o contrato de sigilo entre empresa e seus colaboradores internos. Tratado teórico e prático dos contratos. O de fábrica seria relativo ao método ou processo de fabricação. 211 e 237. O contrato de sigilo se dá de várias formas diferenciadas. se a técnica empregada pela empresa industrial já era conhecida e utilizada de há muito tempo por empresas nacionais e estrangeiras. patenteável ou não. O sigilo industrial. sendo preferencialmente empresas que desejam praticar negócios em conjunto. sendo os mais importantes o NDA ( Non-Disclosure Agreement). Como o segredo industrial pode ser obtido mediante contrato entre as partes que possuem acesso à informações sigilosas. que se trata na verdade de uma espécie de termo aditivo ao contrato laboral. seus empregados. 2003. São Paulo : Saraiva. Citado por Maria Helena Diniz em: DINIZ. Maria Helena. Volume 4. que consistente na técnica utilizada para a fabricação do produto de conhecimento público. e o de negócio seria atinente à movimentação geral dos negócios.Deve-se ter em mente que existe também uma divisão classificatória do termo de sigilo. Entretanto. destacando-se entre eles a listagem de fregueses por exemplo14. Crimes de concorrência desleal. 1975. A quebra do contrato de segredo pode ensejar à empresa lesada o direito de elevadas indenizações além de ação penal privada mediante queixa pelo crime de concorrência desleal. pois o segredo de comércio ou industrial pode ser de fábrica ou de negócio.

o contrato final sucederá ao pré-contrato. 5. Depois do objeto. como a definição dos termos técnicos utilizados. podendo estas serem fixadas juntamente entre uma cláusula central ou outra. Finalmente.4 A Cláusula de Sigilo nos contratos em geral Inúmeros contratos que são realizados dentro do ordenamento jurídico nacional permitem e até mesmo necessitam de uma cláusula de não-divulgação. merecem ser destacadas as cláusulas complementares. prestação de serviços em geral. logo após a discriminação das partes. onde será destacado aquilo que se está negociando. conforme melhor seja a interpretação por seu contratantes. não devendo se cogitar mais na manutenção de seu sigilo. forma de realização. entre outras. podendo ser citados os contratos de engineering. na verdade o que existe é a temporariedade. onde numa primeira etapa ocorre a proteção e num segundo momento a publicação. serão necessárias as cláusulas centrais pertinentes ao contrato em si. Em primeiro lugar. observa-se também que não há a incompatibilidade entre proteção e publicação.materiais já referidos. etc. Por sua ampla abrangência. Obviamente. contratos de trabalho. É dentro das cláusulas complementares que encontramos a 27 . onde um esquema simples poderá ser feito para o seu entendimento. Sendo que a punição se dá na quebra deste lapso de tempo. o rol destes contratos seria exemplificativo e não taxativo. deve ser definido o objeto do contrato. know-how. quanto ao segredo industrial. Destarte.

usando o contrato de transferência de tecnologia como base. Para título de ilustração. através do esquema apresentado. 28 . etc. entre outros. Portanto. ficaria assim: PARTES: Transferente e Receptor. e que garanta a proteção junto ao caráter da confidencialidade. remuneração. CLÁUSULAS COMPLEMENTARES: Exclusividade. as partes estariam protegidas quanto às suas informações sigilosas. confidencialidade. CLÁUSULAS CENTRAIS: Definição da tecnologia.cláusula de sigilo. assistência técnica. de fácil entendimento. que merece tanto respeito quanto àquelas que dizem respeito à exclusividade e à rescisão. tendo mais um respaldo jurídico nos casos de má-fé por uma das partes. um contrato simples. OBJETO: Bens portadores de conhecimentos técnicos.

já sendo descartada a hipótese de um contrato de extremo risco desde o início. as partes de um contrato empresarial se encontram numa situação de buscarem cada vez mais respaldos diferentes que garantam sua proteção futuramente.6. observa-se que o sigilo e a confidencialidade estão inseridos dentro do princípio da boa-fé. como cada vez mais as empresas pactuam na ordem de exorbitantes valores financeiros. quando finalmente as partes estabelecerem o contrato final de acordo com o objeto pactuado. Finalmente. a simples presença de um pré-contrato já impediria contratantes de má-fé. nada mais sendo do que deveres jurídicos anexos ou de proteção aos contratos que fazem referência. E num momento posterior. pois a resistência em pactuarem num simples acordo de confidencialidade já ensejaria as intenções de uma das partes contratantes. elas já devem se protegerem através de précontratos. 29 . a cláusula de sigilo ainda deve estar presente. logo em um primeiro momento. como é o caso do Acordo de Não-Divulgação de informações. Entretanto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de todo o exposto. acrescidamente das constantes modificações nos julgados dos tribunais. quando as partes estão em negociações iniciais. Dessa forma.

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ANEXOS (modelos de contratos de NDA e cláusulas de sigilo) 32 .