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A Ética Cristã Pessoal O cristão aceita a Bíblia como sua regra em questões de fé e prática.

Isso significa que a ética cristã não estabelece uma dicotomia entre sagrado e profano, entre religioso e secular, entre o domingo e os demais dias. Para o cristão, ética e religião andam juntas. Ser cristão é viver a fé cristã com todas as suas implicações. Neste estudo falaremos da ética pessoal e no próximo da ética comunitária, a partir das diretrizes éticas gerais da Palavra de Deus. . 1. O CRISTÃO COMO PESSOA O termo “pessoa” indica o ser humano na sua relação com o mundo, consigo mesmo e com os outros. Estas três relações constituem o modo de ser do homem enquanto serno-mundo e, numa perspectiva ética cristã, apontam para o diferencial que lhe foi conferido por Deus frente ao restante da criação. A ética, sob o ponto de vista cristão, apóia-se na dignidade do homem, enquanto ser que se relaciona com Deus, com o mundo e com os outros. Enquanto ser que se relaciona, o homem vai descobrindo direitos e deveres que se delineiam em relação a cada um dos itens que constituem o seu ser-no-mundo. Acontece que vivemos numa época onde as pessoas se recusam em admitir suas responsabilidades. Mas, desde o relato da criação e queda do ser humano, vemos que a nossa liberdade implica em responsabilidade pelas nossas ações e escolhas (Gn 2.1517). 2. O CRISTÃO E O CORPO O termo corpo (grego, soma) apareceu pela primeira vez nos escritos de Homero, significando um cadáver de homem ou animal. Este significado foi conservado até o século V a.C., quando passou a ser empregado com o sentido de corpo inteiro e, por extensão, da pessoa inteira. Nos filósofos pré-socráticos, teve o significado de “elemento”, “figura”, denotando aquilo que é corpóreo. Mas, à medida que foi sendo desenvolvida a idéia de que a alma está no corpo, o corpo passou a ser visto como uma corrente ou sepulcro para a alma, como em Pitágoras e Platão. Assim, a alma seria pré-existente ao corpo e encontraria na morte a sua libertação. Para Aristóteles, a alma não pode existir separadamente do corpo. O corpo é aquilo através do qual a alma se torna algo particular e o vínculo entre alma e corpo é indissolúvel. Não pode haver espírito sem matéria nem matéria sem espírito. Para epicuristas e estóicos, a alma perece juntamente com o corpo. No AT, o corpo é a pessoa mesma. O menosprezo ao corpo, como sendo a sede das paixões, ocorre apenas na literatura do período interbíblico, bastante influenciado pelo helenismo. Para o NT, o corpo não é visto como algo desprezível, nem é a prisão da alma (Rm 6.12; 12.1; 1Co 7.4; 9.27; 1Co 13.3). A existência corpórea é concebida como sendo o modo normal e próprio da existência; soma é um elemento essencial e não um elemento secundário na existência humana.

“no ser corporal. falta.12. 1Co 6.6.16). (…) A carne é um poder alheio. que é a natureza humana decaída resultante da queda original (Rm 6.A Bíblia fala da natureza pecaminosa do ser humano. e sob esta perspectiva. Diferentemente do dualismo clássico. Se levarmos em consideração a concepção aristotélica. virtude (grego. Ao examinarmos a tradição bíblica. um por falta e outro . hostil.18.13). as inclinações negativas da carne devem ser mantidas sob sujeição. o corpo físico (Gn 2. Sendo que Aristóteles distinguiu virtudes morais e intelectuais. (4) lembremos ainda que os próprios corpos dos crentes ficarão livres das paixões pecaminosas e serão redimidos no dia da salvação consumada. mas. Diante da tensão entre o ser e o dever-ser na vida pessoal do cristão. foi feita a elaboração clássica do termo. ou as prerrogativas de que se acham dotadas.16-25). a fim de que não dominem sobre a vida espiritual (1Co 9. A natureza pecaminosa do ser humano indica que. 2Co 4. Com Platão e Aristóteles. que exerce domínio sobre o homem e do qual precisa libertar-se”.19). podemos encontrar de forma abundante todos os elementos que integram o conceito de virtude. (2) além disso. ou as qualidades em virtude das quais realizam o bem”. (3) O autocontrole sobre as inclinações naturais do corpo é obtido através das disciplinas espirituais e do reconhecimento de que o corpo também deve ser um instrumento para o serviço e louvor de Cristo (Rm 12.28-29). há diversas e poderosas forças que transformam a personalidade individual num campo de batalha”. 1Jo 4. Vício indica deficiência. podemos afirmar que a pessoa é o seu corpo. indicando-a como prerrogativa do espírito humano. destacamos o seguinte: (1) O pecado e a morte não residem na corporalidade em si. mas isso não significa que o nosso corpo seja mau. kakía) é o contrário da virtude. ilustrada por Paulo na tensão entre a carne e o Espírito (Gl 5. areté) indica ou os bens que as pessoas justas e retas perseguem. o cristianismo não prega a desvalorização do corpo. às vezes também pode ser empregado num sentido negativo designando “o homem em sua situação espiritual de queda. a virtude é o meio-termo entre dois vícios. ausência de uma virtude particular. a palavra carne designa. Na Bíblia. e indica a falta ou deficiência de alguma característica que um objeto qualquer deveria ter. ou seja.2).23. a personalidade humana não é separável da nossa consciência do corpo humano. pecabilidade e rebelião contra Deus. Tais forças apontam um conflito entre as inclinações naturais do ser humano e a nova natureza daquele que está em Cristo. Por outro lado. por exemplo. 1Pe 3.1. “Na linguagem ética e religiosa. O CRISTÃO E A PRÁTICA DAS VIRTUDES A nossa responsabilidade moral requer que busquemos as virtudes e evitemos os vícios. A idéia de uma alma eternamente separada do corpo é negada pela certeza da ressurreição escatológica dos justos e injustos (Jo 5. 3. A doutrina da ressurreição ressalta a importância da unidade corpo-alma. mas em sua condição espiritual deformada. “vício” (grego. 8.15.

1Pe 2. a mansidão.3.1923. sem falar nos muitos casos onde virtudes ou vícios são tratados isoladamente.9-10. a paz. 2Pe 1.html COMENTE O ARTIGO COM FUNDAMENTAÇÃO _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ .5.22-24. Mestre em Filosofia.8.9. Por isso.por excesso daquela qualidade em particular.3). um chamado à autoconsciência humana. A ética pessoal cristã é um chamado à responsabilidade individual e à reflexão quanto ao tipo de homens e mulheres que desejamos e precisamos ser.20-21. a longanimidade. 1Tm 3.8 e 2Pe 1.5. 3. Mas. no caso de Fp 4. Gl 5. Obs. Fp 4. Desta forma. a nova vida em Cristo é dominada pelo Espírito e não pelas paixões e vícios da natureza pecaminosa do ser humano. aparece dentro de listas de virtudes e vícios. Paulo alista as virtudes cristãs ou frutos do Espírito Santo. a fidelidade.Este artigo foi publicado pela JUERP na Revista Capacitação Cristã 5.com/2006/02/tica-crist-pessoal. em Gl 5.5-9. de onde ele recebe sua força para viver eticamente e o poder e a graça para atualizar potencialidades que glorificam a Deus. contra estas coisas não há lei. E.29-31. 2Co 12. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”. referindo-se ao comportamento moral que se esperava dos cristãos. Tt 1.9. A ética cristã encontra na Bíblia. é algo possibilitado ao crente pela presença do Espírito em sua vida. no NT.blogspot. Mestre em Teologia. que representam a vitória do Espírito sobre a carne ou natureza sensível marcada pelas paixões e desejos: “Mas o fruto do Espírito é: o amor. o exercício da virtude não é o resultado apenas da força de caráter do cristão. Os catálogos gerais de virtudes e vícios estão presentes principalmente nas epístolas paulinas (especialmente Rm 1. a bondade. *André Holanda. o gozo.8. Assim. desde o relato da criação e da queda. 2003 ref: http://theo-philo. 6.5. No NT. É um chamado divino a reconhecermos o valor das nossas escolhas e ações. 1Co 5. as virtudes são qualidades morais sempre relacionadas como indicativos da obra regeneradora e transformadora do Espírito Santo no cristão. à semelhança do que acontecia na filosofia grega. o domínio próprio. a benignidade. o termo “virtude” aparece apenas em Fp 4. na vida cristã.12. Pelo contrário. Cl 3.1-13.

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