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CURSO DE DIREITO

APOSTILA DE ECONOMIA

PROF. JOSÉ AURÉLIO VILAS BOAS, MSc.

Versão 1 - 2013
Prof. J. Aurélio Vilas Boas, MSc. 1

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INTRODUÇÃO À CIÊNCIA ECONÔMICA1
1.1 – CONCEITUAÇÃO E ORIGEM
A palavra “Economia” deriva do grego oikonomía, (de óikos, casa; nómos, lei), que significa a administração de uma casa, ou do Estado, e pode ser assim definida: Economia é a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. Essa definição contém vários conceitos importantes, que são a base e o objeto do estudo da Ciência Econômica:       Escolha Escassez Necessidades Recursos Produção Distribuição

Em qualquer sociedade, os recursos produtivos ou fatores de produção (mão-de-obra, terra, matérias primas, dentre outros) são limitados; contudo, as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam, por força do próprio crescimento populacional e do contínuo desejo de elevação do padrão de vida. Independentemente do grau de desenvolvimento do país, nenhum deles dispõe de todos os recursos necessários para satisfazer todas as necessidades da coletividade. Tem-se então um problema de escassez: recursos limitados contrapondo-se a necessidades humanas ilimitadas. Em função da escassez de recursos, toda sociedade tem de escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva entre os vários grupos da sociedade. Essa é a questão central do estudo da Economia: como alocar recursos produtivos limitados para satisfazer todas as necessidades da população. Evidentemente, se os recursos não fossem limitados, ou seja, se não existisse escassez, não seria necessário estudar questões como inflação, desemprego, crescimento, déficit público, vulnerabilidade externa e outras. Mas a realidade não é assim, e a sociedade tem de tomar decisões sobre a melhor utilização de seus recursos, de forma a atender ao máximo das necessidades humanas.

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Adaptado de VASCONCELLOS, Marco A. S.; GARCIA, Manuel E. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, 2008.

Prof. J. Aurélio Vilas Boas, MSc.

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1.2 – OBJETO DA ECONOMIA
O objetivo do estudo da Ciência Econômica é o de analisar os problemas econômicos e formular soluções para resolvê-los, de forma a melhorar nossa qualidade de vida.

1.3 – CONCEITO DE MERCADO
O mercado, num sistema econômico, é formado pelas pessoas que querem comprar e pelas que querem vender bens e serviços, ou seja, os consumidores e os empresários. Naturalmente, não se refere apenas à presença física de consumidores e produtores, mas sim às suas intenções de compra e venda.

1.4 – SISTEMAS ECONÔMICOS
Um sistema econômico pode ser definido como sendo a forma política, social e econômica pela qual está organizada uma sociedade. É um particular sistema de organização da produção, distribuição e consumo de todos os bens e serviços que as pessoas utilizam buscando uma melhoria no padrão de vida e bem-estar. Os elementos básicos de um sistema econômico são:  Estoque de recursos produtivos ou fatores de produção: aqui incluem-se os recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), o capital, a terra, as reservas naturais e a tecnologia. Complexo de unidades de produção: constituído pelas empresas. Conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais: que são a base da organização da sociedade.

 

Os sistemas econômicos podem ser classificados em:  Sistema capitalista, ou economia de mercado, é aquele regido pelas forças de mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. Pelo menos até o início do século XX, prevalecia nas economias ocidentais o sistema de concorrência pura, onde não havia a intervenção do Estado na atividade econômica. Principalmente a partir de 1930, passaram a predominar os sistemas de economia mista, onde ainda prevalecem as forças de mercado, mas com a atuação do Estado, tanto na alocação e distribuição de recursos como na própria produção de bens e serviços, nas áreas de infra-estrutura, energia, saneamento e telecomunicações.  Sistema socialista, ou economia centralizada, ou ainda economia planificada, é aquele em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento, predominando a propriedade publica dos fatores de produção, chamados nessas economias de meios de produção, englobando os bens de capital, terra, prédios, bancos, matérias-primas. Não pertencem ao Estado pequenas atividades comerciais e artesanais, as quais, junto com os meios de sobrevivência, como roupas, automóveis, móveis, pertencem aos indivíduos (mas com preços fixados pelo governo). Existe também liberdade para escolha de profissão (ou seja, há mobilidade de mão-de-obra).

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pelos bens que estão sendo produzidos e pelos que já o foram. mas permanecem por longo tempo entre as pessoas. a produção econômica. que. não são exauridos e não desaparecem no processo produtivo. O melhor exemplo é. ainda. como educação. mas concorrem para a produção de bens e de serviços. os animais etc.6 – RIQUEZA Essas observações são importantes para que se possa introduzir um novo conceito. temos o ato de respirar e o de se alimentar. num determinado momento. segurança. são de natureza biológica. têm uma série de necessidades individuais que precisam ser satisfeitas para garantir sua sobrevivência. a satisfação das necessidades individuais e coletivas é feita com o consumo de bens e serviços. que recebem o nome de necessidades coletivas. de elementos como a população do país (seu fator trabalho). temos a terra (utilizada na agricultura). Entretanto. os edifícios públicos. permanecendo muito tempo entre as pessoas. Como exemplos dessas necessidades. recebem o nome de fatores de produção e agrupam-se. ferramentas e máquinas. Uma boa parte dos bens e serviços produzidos em uma economia é consumida.1. em três itens:   Trabalho: é a contribuição do ser humano. em contato com outras pessoas. Em resumo. equipamentos e trabalho. 1. provavelmente. É o caso da educação. como o ser humano vive em sociedade. 4 . Há. fornece energia elétrica para os dois países.5 – FATORES DE PRODUÇÃO Os indivíduos. essa satisfação não se dá apenas através de objetos materiais mas também de serviços. roupas. sob a forma de quedas d’água. neste caso. as linhas telefônicas. como pão. ou seja. Recursos Naturais: são os elementos da natureza utilizados pelo homem com a finalidade de criar bens. construída com o aproveitamento do rio Paraná pelos governos brasileiro e paraguaio. os recursos naturais (a terra agricultável. um estoque de bens que podem ser usufruídos por muitos anos. aumentando consideravelmente a riqueza do Brasil e do Paraguai. A riqueza de um país.  A hidrelétrica de Itaipu. a água (que pode irrigar uma lavoura ou. mesmo. pelo fato de serem necessários à produção. MSc. fatores de produção que se comportam dessa forma. Tais elementos. as estradas. aumentando a eficiência do trabalho humano. Para satisfazer tais necessidades. o de riqueza.. etc. casas. algumas vezes por gerações e. por séculos. mas ainda não desapareceram. tradicionalmente. os edifícios históricos etc. um recurso natural que vem sendo usado continuamente na produção de produtos agrícolas. em forma de atividade física ou mental. as pontes. as obras de arte. A riqueza compõe-se. considerados isoladamente. os equipamentos (máquinas e instalações das empresas). as habitações. Capital: é o conjunto de equipamentos. também. Entretanto. que não se destinam à satisfação das necessidades através do consumo. a terra utilizada na agricultura. as redes de energia. juntos. os minerais. mas há outra parte que não é. produzidos pelo homem. a distribuição de água. Como exemplos. decorrentes da vida gregária. atendimento médico. as pessoas precisam consumir determinados bens. do transporte coletivo etc. as estradas. Como exemplo desses bens. surgem outros tipos de necessidades. na produção. formando um acervo. os monumentos Prof. Tais bens são produzidos através da combinação de fatores de produção. J. as pontes. transportes etc. fornecer energia elétrica). é formada pelos fatores de produção disponíveis. temos as instalações industriais. sem desaparecer. Aurélio Vilas Boas. as reservas minerais e de petróleo e os mananciais de água). que é obtida com a combinação de recursos naturais. Esses bens e serviços compõem.

de modo geral. as obras de arte. e que foi preservado. Sabemos. pode-se dizer que. surgem novos desejos. quanto.7 – AGENTES ECONÔMICOS Os elementos que participam do processo econômico levam o nome de agentes econômicos e são representados por pessoas que desempenham diferentes papéis na economia. as bibliotecas e outros. observa-se que as necessidades das pessoas são ilimitadas e. portanto. Como produzir? Isto é. que vende sua força de trabalho – um fator de produção. as exigências do consumo. e o trabalhador. Quando possível. que os economistas chamam de lei da escassez.9 – PROBLEMAS ECONÔMICOS BÁSICOS Nas bases de qualquer comunidade encontra-se sempre a seguinte tríade de problemas econômicos: O que e quanto produzir? Isso significa quais produtos deverão ser produzidos (carros. o mesmo ocorrendo com a quantidade de pessoas que pode trabalhar e em relação a máquinas. como e para quem produzir não seriam problemas se os recursos utilizáveis fossem ilimitados. educação. esses fatores são limitados. por quem serão os bens e serviços produzidos. pois não existem na quantidade que seria desejável. finita. que adquire bens e serviços. A riqueza. as necessidades humanas são ilimitadas. A área agricultável de um país é limitada. de outro. Para quem produzir? Ou seja. é um conceito bastante geral.históricos. escassos. Esse é o problema fundamental da economia. colocado o conflito que explica e justifica a existência da teoria econômica. De um lado. entre outros) e em que quantidades deverão ser colocados à disposição dos consumidores. como alimentos. ferramentas e equipamentos em geral. 1. que a produção de bens e de serviços exige a organização e a combinação dos fatores de produção existentes à disposição da sociedade. As pessoas já não se satisfazem em aplacar sua sede bebendo apenas água. na realidade existem ilimitadas necessidades e Prof. sua população e tudo o que a economia produziu ao longo de sua existência. Todavia. Mesmo para as necessidades puramente biológicas. 1. roupas etc. com quais recursos e de que maneira ou processo técnico. Como exemplos de agentes econômicos temos o consumidor. que organiza os fatores de produção. então. que os fatores disponíveis para a produção de bens e de serviços que satisfaçam essas necessidades são limitados. cigarros. que agrega as disponibilidades de recursos naturais do país. para quem se destinará a produção (fatalmente. para os que têm renda). em razão da própria natureza do ser humano. o empresário. MSc. transportes coletivos etc. Entretanto. Um número cada vez maior de pessoas procura bens e serviços que atendam suas necessidades de lazer. É muito fácil entender que: o que. Entretanto. em consequência. J. recorrem a refrigerantes ou a outras bebidas mais sofisticadas. suas necessidades se ampliam continuamente. além dos bens correntemente produzidos. Assim.8 – O PROBLEMA FUNDAMENTAL DA ECONOMIA A atividade econômica numa sociedade é realizada com o propósito de produzir bens e serviços que se destinem à satisfação das necessidades individuais ou coletivas de seus membros. Aurélio Vilas Boas. aumentando. 1. vestuários. por outro lado. Temos. café. 5 .

10 – CLASSIFICAÇÃO DOS BENS A produção econômica pode ser classificada em três categorias. Setor Secundário: constituído pelas unidades produtoras dedicadas às atividades industriais. as empresas de transporte. 1.limitados recursos disponíveis e técnicas de fabricação. pecuárias e extrativas. como alimentos. animais ou vegetais. através das quais os bens são transformados. Caracteriza-se pela intensa utilização do fator de produção capital.   bens de capital: também não atendem diretamente às necessidades dos consumidores. MSc. 2 O beneficiamento de certos produtos agrícolas. as escolas. a Economia deve optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. de refrigerantes e de roupas são exemplos de unidades produtoras incluídas no setor secundário. serviços médicos etc.11 – COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO No sistema econômico de uma nação. Entretanto. 1. Aurélio Vilas Boas. sejam minerais. o comércio etc. Como exemplo. que preparam folhas de pagamentos para as empresas etc. apesar da diversidade de objetivos das inúmeras unidades produtoras. J. 6 . mas destinam-se a aumentar a eficiência do trabalho humano no processo produtivo. concreto. os serviços de computação. cada qual organizando os fatores de produção para a obtenção de um determinado produto ou para a prestação de um serviço. constitui um caso de transformação que não altera substancialmente o produto. que é descascado e polido. como o arroz. Utilizando esse critério. Baseada nessas restrições. como as máquinas. É composto pelas unidades produtoras que prestam serviços. pois precisam ser transformados para atingir sua forma definitiva.   Setor Terciário: este setor se diferencia dos outros pelo fato de seu produto não ser tangível. que compõem o sistema econômico:  Setor Primário: constituído pelas unidades produtoras que utilizam intensamente os recursos naturais e não introduzem transformações substanciais em seus produtos2. Prof. estão as unidades produtoras que desenvolvem atividades agrícolas. Neste setor. de acordo com a sua destinação:  bens e serviços de consumo: são aqueles bens e serviços que satisfazem as necessidades das pessoas quando são consumidos no estado em que se encontram. como os bancos. as estradas etc. Indústrias de automóveis. podemos classifica-las de acordo com as características fundamentais de sua produção. encontramos um grande e diversificado número de unidades produtoras. embora seja de grande importância no sistema econômico. roupas. que serão empregadas na produção de automóveis. bens e serviços intermediários: são os bens e serviços que não atendem diretamente às necessidades das pessoas. podemos citar as chapas de aço. sob a forma de máquinas e equipamentos. veremos que as unidades produtoras podem ser agrupadas em três setores básicos.

de forma sistematizada. a poupança agregada. O enfoque é também macroeconômico. iniciou-se quando foi publicada a obra de Adam Smith A riqueza das nações. as primeiras referências conhecidas de Economia aparecem no trabalho de Aristóteles (384-322 a. e aparecem relatos mais elaborados sobre a moeda. é normalmente dividida em quatro áreas de estudo: Microeconomia ou Teoria de Formação de Preços. em 1776. encontravam sua justificativa em termos morais. mas que não apresentam um padrão homogêneo e estão permeados de questões de justiça e moral. MSc. a moralidade de juros altos e o que deveria ser um lucro justo são os exemplos mais conhecidos. Os conceitos de troca. Estuda as relações econômicas entre residentes e não residentes do país. da Moral e da Ética.1 – Introdução Existe consenso de que a Teoria Econômica.12 – DIVISÃO DO ESTUDO ECONÔMICO A análise econômica. Considerava que o Prof.C. mas centrado em questões estruturais e de longo prazo (progresso tecnológico. J. o nível geral de preços. 7 . o mercantilismo tinha algumas preocupações explícitas sobre a acumulação de riquezas de uma nação. Encontramos algumas considerações de ordem econômica nos escritos de Platão (427-347 a. ou seja. Em períodos anteriores. não existindo um estudo sistemático das relações econômicas. estratégias de crescimento etc. e preço justo. como o produto interno bruto. Apesar de não representar um conjunto técnico homogêneo. Preocupa-se com a melhoria do padrão de vida da coletividade ao longo de tempo.). para fins metodológicos e didáticos. Nos séculos seguintes. até a época dos descobrimentos. investimento agregado.13. Desenvolvimento econômico. As já citadas lei da usura. Estuda a formação de preços em mercados específicos. que aparentemente foi quem cunhou o termo Economia (oikosnomos) em seus estudos sobre aspectos de administração privada e sobre finanças públicas. O acúmulo de metais adquire uma grande importância.13 – EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: BREVE RETROSPECTO 1. como consumidores e empresas interagem no mercado e como decidem os preços e a quantidade para satisfazer a ambos simultaneamente. entre outros. Continha alguns princípios de como fomentar o comércio exterior e entesourar riquezas. encontramos poucos trabalhos de destaque.2 – Precursores da teoria econômica Antiguidade Na Grécia antiga.C. a atividade econômica do homem era tratada e estudada como parte integrante da Filosofia Social.). Mercantilismo A partir do século XVI observamos o nascimento da primeira escola econômica: o mercantilismo. 1.). Seu enfoque á basicamente de curto de prazo (ou conjuntural).) de Xenofonte (440-335 a. 1. a atividade econômica deveria se orientar de acordo com alguns princípios gerais de ética. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia.C. justiça e igualdade. Nesse sentido. as quais envolvem transações com bens e serviços e transações financeiras. Macroeconomia. em São Tomás de Aquino. Economia Internacional. em Aristóteles. Aurélio Vilas Boas. a condenação dos juros ou da usura.13. Estuda a determinação e o comportamento dos grandes agregados nacionais.1.

Quesnay foi aperfeiçoado e transformou-se no sistema de circulação monetária input-output criado no século XX (anos 40) pelo economista russo. Smith já era um renomado professor quando publicou sua obra A riqueza das nações.13. A defesa do mercado como regulador das decisões econômicas de uma nação traria muitos benefícios para a coletividade. exacerbou o nacionalismo e manteve a poderosa e constante presença do Estado em assuntos econômicos. 8 . Wassily Leontief. absolutas. Seus argumentos baseavam-se na livre iniciativa.3 – Os Clássicos Adam Smith (1723-1790) Considerado o precursor da moderna Teoria Econômica. a pesca e a mineração. 1. a fisiocracia surgiu como reação ao mercantilismo. Considerava que a causa da riqueza das nações é o trabalho humano (a chamada Teoria do Valor-Trabalho). a situação não se ajustava às necessidades da expansão econômica. mostrando a inter-relação dos mesmos. Smith acreditava que se se deixasse atuar a livre concorrência. O livro é um tratado muito abrangente sobre questões econômicas que vão desde as leis do mercado e aspectos monetários até a distribuição do rendimento da terra. acabam promovendo o bem estar de toda a comunidade. Os fisiocratas sustentavam que a terra era a única fonte de riqueza e que havia uma ordem natural que fazia com que o universo fosse regido por leis naturais. François Quesnay. Os organicistas (fisiocratas) associaram conceitos da Medicina à Economia (aliás. em 1776. Quesnay era médico): circulação. naturalizado norteamericano. Apesar de os trabalhos dos fisiocratas estarem permeados de considerações éticas. órgãos. e que um dos Prof. desejadas pela Providência Divina para a felicidade dos homens. o mercantilismo acabou estimulando guerras. e tudo o que fosse contra ela seria derrotado. fluxos. com excesso de regulamentação e intervenção governamental. A função do soberano era servir de intermediário para que as leis da natureza fossem cumpridas. Na verdade. elaborou alguns trabalhos importantes. É como se uma mão invisível orientasse todas as decisões da economia. funções. Fisiocracia No século XVIII. com um corpo teórico próprio.governo de um país seria mais forte e poderoso quanto maior fosse seu estoque de metais preciosos. Em sua visão harmônica do mundo real. foi grande sua contribuição à análise econômica. concluindo com um conjunto de recomendações políticas. Adam Smith colocou que todos os agentes. a riqueza consistia em bens produzidos com a ajuda da natureza (fisiocracia significa “regras da natureza”) em atividades econômicas como a lavoura. pois a lei na natureza era suprema. Em um mundo constantemente ameaçado pela falta de alimentos. colocada como um conjunto científico sistematizado. É o princípio do liberalismo. Aurélio Vilas Boas. O trabalho de maior destaque foi o do dr. Para os fisiocratas. imutáveis e universais. Só a terra tinha capacidade de multiplicar a riqueza. O Tableau Économique do dr. independente da ação do Estado. uma escola de pensamento francesa. MSc. em sua busca de lucrar o máximo. autor da obra Tableau Économique. sem necessidade da atuação do Estado. Portanto encorajava-se a agricultura e exigia-se que as pessoas empenhadas no comércio e nas finanças fossem reduzidas ao menor número possível. o primeiro a dividir a economia em setores. a fisiocracia. uma “mão invisível” levaria a sociedade à perfeição. A fisiocracia sugeria que era desnecessária a regulamentação governamental. da Universidade de Harvard. J. Com isso. no laissez-faire.

chamada de Teoria das Vantagens Comparativas. até que os rendimentos decrescentes diminuem de tal forma os lucros que a poupança se torna nula. atingindose uma economia estacionária. surge imediatamente a renda sobre aquela de primeira qualidade. David Ricardo (1772-1823) David Ricardo é outro expoente do período clássico. ou seja. que. Aprimora a tese de que todos os custos se reduzem a custos do trabalho e mostra como a acumulação do capital. J. a partir de algumas generalizações e usando poucas variáveis estratégicas. Seu trabalho foi o principal texto utilizado para o ensino de Economia no fim do período clássico e no início do período neoclássico. Ricardo discute a renda auferida pelos proprietários de terras mais férteis. Sua análise de distribuição do rendimento da terra foi um trabalho seminal de muitas das idéias do chamado período neoclássico. e a marxista. ampliando-a. A maioria dos estudiosos considera que os estudos de Ricardo deram origem a duas correntes antagônicas: a neoclássica. quando a terra de menor qualidade é utilizada no cultivo. é necessário ampliar os mercados e as iniciativas privadas para que a produtividade e a riqueza sejam incrementadas. pelas suas abstrações simplificadoras. e esta. com salários de subsistência e sem nenhum crescimento. provoca uma elevação da renda da terra. pela ênfase dada à questão distributiva e aos aspectos sociais na repartição da renda da terra. se é melhor para elas comerciarem e quais produtos devem ser comerciados. Ricardo. economia de tempo e condições favoráveis para o aperfeiçoamento e invento de novas máquinas e técnicas. consequentemente. O comércio entre países dependeria das dotações relativas de fatores de produção. A produtividade decorre da divisão de trabalho. acompanhada de aumentos populacionais. isto é. Ricardo analisou por que as nações comerciavam entre si. é estimulada apela ampliação dos mercados. Assim. finalmente. vantagens e funcionamento de uma economia de mercado. Jean Baptiste Say (1768-1832) O economista francês Jean Baptiste Say retomou a obra de Smith. os trabalhadores deveriam se especializar em algumas tarefas. Em virtude de a terra ser limitada. o papel do Estado na economia deveria corresponder apenas à proteção da sociedade contra eventuais ataques e à criação e manutenção de obras e instituições necessárias. A aplicação desse princípio promoveu um aumento da destreza pessoal.fatores decisivos para aumentar a produção é a divisão de trabalho. mas não à intervenção nas leis de mercado e. Aurélio Vilas Boas. A ideia de Smith era clara. na prática econômica. Partindo das idéias de Smith. Para Adam Smith. John Stuart Mill (1806-1873) John Stuart Mill foi o sintetizador do pensamento clássico. A obra de Stuart Mill consolida o exposto por seus antecessores. por sua vez. Subordinou o problema das trocas de mercadorias a sua produção e popularizou a chamada Lei de Say: “ A Prof. A resposta dada por Ricardo a essas questões constituiu um importante item da teoria do comércio internacional. produziu vários dos mais expressivos modelos de toda a história da Ciência Econômica. e avança ao incorporar mais elementos institucionais e ao definir melhor as restrições. 9 . a renda da terra é determinada pela produtividade das terras mais pobres. desenvolveu alguns modelos econômicos com grande potencial analítico. decorre da tendência inata da troca. MSc. destes derivando importantes implicações políticas.

ou seja. Seu livro. é possível deduzir o equilíbrio de mercado. Assim. que seria gasta na compra de outras mercadorias e serviços. o potencial da população excederia em muito o potencial da terra na produção de alimentos. com a finalidade de descobrir leis gerais e regularidades do comportamento econômico. MSc. J. por seus efeitos sobre a mortalidade e a natalidade. a limitação voluntária de nascimentos nas famílias pobres. 10 . Outros economistas de destaque foram: William Jevons. serviu como livro-texto básico até metade deste século. custo Prof. Malthus deu apoio à teoria dos salários de subsistência. Vilfredo Pareto. Alfred Marshall (1842-1924) O grande nome desse período foi Alfred Marshall. Em função disso. a Economia possa a formar um corpo teórico próprio e a desenvolver um instrumental de análise específico para as questões econômicas. Para Malthus. Os neoclássicos sedimentaram o raciocínio matemático explícito inaugurado por Ricardo. Nesse período. Os pressupostos morais e as consequências sociais dessas atividades não são mais realçados como anteriormente. o vício e a contenção moral. Ao assinalar que o crescimento da população dependia rigidamente da oferta de alimentos. Aurélio Vilas Boas. a formalização da análise econômica (principalmente a Microeconomia) evoluiu muito. 1. O comportamento do consumidor é analisado em profundidade.4 – Teoria neoclássica O período neoclássico teve início na década de 1870 e desenvolveu-se até as primeiras décadas do século XX. Princípios de Economia. Através do estudo de funções ou curvas de utilidade (que pretendem medir o grau de satisfação do consumidor) e de produção. Nesse período. considerando restrições de fatores e restrições orçamentárias. São a miséria. Léon Walras. publicado em 1890. A partir da contribuição dos economistas clássicos. privilegiam-se os aspectos microeconômicos da teoria. Arthur Pigou e Francis Edgeworth. Joseph Alois Schumpeter. e aceitava as guerras como uma solução para interromper o crescimento populacional. O desejo do consumidor de maximizar sua utilidade (satisfação no consumo) e o do produtor de maximizar seu lucro são a base para a elaboração de um sofisticado aparato teórico. pois a crença na economia de mercado e em sua capacidade auto-reguladora fez com que não se preocupassem tanto com a política e o planejamento macroeconômico. Apesar de existirem muitas aplicações normativas no pensamento clássico. Eugene Bohm-Bawerk. nem as técnicas de limitação da fertilidade humana que se seguiriam.oferta cria sua própria procura”. Malthus advogou o adiamento de casamentos. situando-se o interesse primordial na análise abstrata das relações econômicas. seu tema central pertence à ciência positiva. procurando isolar os fatos econômicos de outros aspectos da realidade social. Thomas Malthus (1766-1834) Malthus foi o primeiro economista a sistematizar uma teoria geral sobre a população. A capacidade de crescimento da população dada pelo instinto de reprodução encontra um conjunto de obstáculos que a limitam. a causa de todos os males da sociedade residia no excesso populacional: enquanto a população crescia em progressão geométrica. Como o resultado depende basicamente dos conceitos marginais (receita marginal. a produção de alimentos seguia em progressão aritmética.13. o aumento da produção transformar-se-ia em renda dos trabalhadores e empresários. Malthus não previu o ritmo e o impacto do progresso tecnológico.

Alguns economistas privilegiaram alguns aspectos. apesar de a crise estar durando alguns anos. enquanto outros privilegiaram aspectos de equilíbrio parcial. A realidade dos fatos relacionados à situação conjuntural da economia dos principais países capitalistas. O debate sobre aspectos do trabalho de Keynes dura até hoje. Deve-se destacar também a análise monetária. torna-se necessária a intervenção do Estado através de uma política de gastos públicos.marginal etc. Segundo o pensamento Keynesiano. era crítica. alguns economistas trabalharam na agenda de pesquisa aberta pela obra de Keynes. destacando-se três grupos: os monetaristas. Nos anos seguintes houve um desenvolvimento expressivo da Teoria Econômica. como a Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter e a Teoria do Capital e dos Juros de Bohm-Bawerk. 11 . Aurélio Vilas Boas. após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. O desemprego na Inglaterra e em outros países da Europa era muito grande. que ajudou a formalizar ainda mais a ciência econômica. uma crise. e aponta para soluções que poderiam tirar o mundo da recessão. houve uma produção rica em outros aspectos da Teoria Econômica. A Teoria Econômica vigente acreditava que se tratava de um problema temporário. Por outro. J. os fiscalistas e os pós-Keynesianos. que por sua vez é determinado pela demanda agregada ou efetiva. A economia mundial atravessava. naquele momento.13.5 – A era Keynesiana A era Keynesiana iniciou-se com a publicação da Teoria Geral do Emprego. Keynes ocupou a cátedra que havia sido de Alfred Marshall na Universidade de Cambridge.). o número de desempregados assumia proporções elevadíssimas. 1. é também chamada de Teoria Marginalista. MSc. como a interação de muitos mercados simultaneamente – o equilíbrio geral de Walras é um caso -. Muitos autores descrevem o início da era Keynesiana como a Revolução Keynesiana. usando um instrumental gráfico – a Caixa de Edgeworth. que relaciona a quantidade de dinheiro com os níveis gerais de atividade econômica e de preços. Para entender o impacto da obra de Keynes é necessário considerar a época. Ou seja. um dos principais fatores responsáveis pelo volume de emprego é explicado pelo nível de produção nacional de uma economia. Os argumentos de Keynes influenciaram muito a política econômica dos países capitalistas De modo geral. Por um lado. na década de 30. inverte o sentido da Lei de Say (a oferta cria sua própria procura) ao destacar o papel da demanda agregada de bens e serviços. É o chamado Princípio da Demanda Efetiva. essas políticas revelaram-se eficientes e apresentaram resultados positivos no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. incorporaram-se os modelos por meio do instrumental estatístico e matemático. é possível fazer Prof. em 1936. A análise marginalista é muito rica e variada. Apesar de questões microeconômicas ocuparem o centro das atenções. o que significa o fim do Laissez-faire da época clássica. de John Maynard Keynes (a883-1946). A Teoria Geral consegue mostrar que a combinação das políticas econômicas adotadas até então não funcionava adequadamente. como não existem forças de auto-ajustamento na economia. Keynes tinha também preocupações com as implicações práticas da Teoria Econômica. Apesar de nenhum dos grupos ter um pensamento homogêneo e todos terem pequenas divergências. Para Keynes. com a criação da Teoria Quantitativa da Moeda. Acadêmico respeitado. tamanho o impacto de sua obra. por exemplo. Nos Estados Unidos. que ficou conhecida como a Grande Depressão. dos Juros e da Moeda.

Até alguns anos atrás. procurando mostrar que ele não negligenciou o papel da moeda e da política monetária. da Universidade de Yale. já que são baseadas no trabalho de Keynes. observamos uma consolidação das contribuições dos períodos anteriores. A Teoria Econômica passou a ter um conteúdo empírico que lhe conferiu uma aplicação prática maior.7 – Os críticos A Teoria Econômica tem recebido muitas críticas e abordagens alternativas. Além de Joan Robinson. 12 . outros economistas dessa corrente são Hyman Minsky. O desenvolvimento da informática permitiu um processamento de informações em volume e precisão sem precedentes. Destacamos os marxistas e os institucionalistas. Os pós-Keynesianos realizaram uma releitura da obra de Keynes. com a explosão recente dos chamados mercados futuros e de derivativos. De maneira geral. Enfatizam o papel da especulação financeira e. privilegiam o controle da moeda e um baixo grau de intervenção do Estado.13. Finalmente. A incorporação de algumas técnicas econométricas. e o impacto desses estudos na melhoria do padrão de vida e do bem-estar de nossa sociedade é considerável. Hoje a análise econômica engloba quase todos os aspectos da vida humana. Os fiscalistas têm seus maiores expoentes em James Tobin. Essa revolução se fez sentir também nos mercados financeiros. existe uma consciência maior das limitações e possibilidades de aplicações da teoria. Em ambas as escolas. isso permite um aprimoramento constante da teoria existente. De maneira geral. principalmente a partir dos anos 70. recomendam o uso de políticas fiscais ativas e um acentuado grau de intervenção do Estado. após as duas crises do petróleo. onde a Economia interage com os fatos Prof. Os monetaristas estão associados à Universidade de Chicago e têm como economista de maior destaque Milton Friedman. MSc. Primeiro. 1. Aurélio Vilas Boas. de Harvard e MIT. há consenso quanto aos pontos fundamentais da teoria. A Teoria Econômica caminha em muitas direções. e algumas abordagens alternativas foram e são incorporadas. abre novas frentes importantes. por outro. critica-se a abordagem pragmática da Ciência Econômica e propõe-se um enfoque analítico. Paul Davison e Alessandro Vercelli.alguma generalizações. Três características marcam esse período.6 – O período recente A Teoria Econômica vem apresentando algumas transformações. Por um lado. defendem um papel ativo do Estado na condução da atividade econômica. heterogêneo. como Keynes. O controle e o planejamento macroeconômico nos permitem antecipar muitos problemas. cujas idéias eram afinadas com as de Keynes. Os pós-Keynesianos têm explorado outras implicações da obra de Keynes. apesar das diferenças entre as várias correntes. Muitas das críticas foram e são absorvidas. com um baixo conteúdo empírico. evidentemente. J. e pode-se associar a esse grupo a economista Joan Robinson. Um exemplo é a área de finanças empresariais. conceitos de equilíbrio de mercados e hipóteses sobre o comportamento dos agentes econômicos revolucionou a Teoria de Finanças. Todo o corpo teórico da economia avançou consideravelmente. e Paul Anthony Samuelson. O segundo ponto diz respeito ao avanço no conteúdo empírico da economia. O espectro de críticos é muito amplo e disperso e. 1. Cabe destacar que. a Teoria de Finanças era basicamente descritiva. e evitar algumas flutuações desnecessárias.13.

Os marxistas têm como pilar de seu trabalho a obra de Karl Marx (1818-1883) economista alemão que desenvolveu quase todo seu trabalho com Frederic Engels na Inglaterra. dirigem suas críticas ao alto grau de abstração da Teoria Econômica. Consequentemente. o valor que excede o valor da força de trabalho e que vai para as mãos do capitalista é definido por Marx como a mais-valia. que teve um impacto ímpar não só na ciência econômica como em outras áreas do conhecimento. Assim sendo. Prof. MSc. segundo essas escolas. O marxismo desenvolve uma Teoria do Valor-Trabalho. o reconhecimento de seu trabalho inovador só ocorreu muito tempo depois. além do valor pago por sua força de trabalho.históricos e sociais. e resulte do cálculo de ganhos e perdas marginais. Acreditava no trabalho como determinante do valor. 13 . na segunda metade do século passado. A partir de 1969 foi instituído o Prêmio Nobel de Economia e consolidou-se a importância da Teoria Econômica como corpo científico próprio. o capital aparece com a burguesia. Aurélio Vilas Boas. por Hegel e pela Teoria do ValorTrabalho de Ricardo. na esfera econômica. Para Marx. J. os econometristas e economistas que trouxeram contribuição empírica ao conhecimento econômico têm se constituído na grande maioria dos agraciados com o Nobel de Economia. Ela pode ser considerada aquele valor extra que o trabalhador cria. seja racionalmente dirigido. A outra classe social. Rejeitam o pressuposto neoclássico de que o comportamento humano. Consideram que as decisões econômicas das pessoas refletem muito mais as influências das instituições dominantes e do desenvolvimento tecnológico. tal como Smith e Ricardo. que têm como grandes expoentes os americanos Thornstein Veblen e John Kenneth Galbrait. e consegue analisar muitos aspectos da economia com seu referencial teórico. Contudo. As contribuições dos economistas na linha marxista para a Teoria Econômica foram muitas e variadas. e ao fato de ela não incorporar em sua análise as instituições sociais – daí o nome de institucionalistas. O conceito da mais-valia utilizado por Marx refere-se à diferença entre o valor das mercadorias que os trabalhadores produzem em um dado período de tempo e o valor da força de trabalho vendida aos empregados capitalistas que a contratam. é obrigada a vender sua força de trabalho. um economista polonês que antecipou uma análise parecida com a da Teoria Geral de John Maynard Keynes. mas era hostil ao capitalismo competitivo e à livre concorrência. a produção teórica foi pouco divulgada. A apropriação do excedente produtivo (a mais-valia) pode explicar o processo de acumulação e a evolução das relações entre classes sociais. por afirmava que a classe trabalhadora era explorada pelos capitalistas. considerada uma classe social que se desenvolve após o desaparecimento do sistema feudal e que se apropria dos meios de produção. Aliás. Entretanto. Um exemplo é o trabalho de Mikail Kalecki. juros e aluguéis (rendimentos de propriedades) representam a expressão da mais-valia. Os lucros. dada a impossibilidade de produzir o necessário para sobreviver. Os institucionalistas. por razões políticas. o proletariado. Marx foi influenciado pelos movimentos socialistas utópicos. A análise das questões econômicas sem a observação dos fatores históricos e sociais leva. Os primeiros ganhadores foram Ragmar Frisch e Jan Tinbergen. Marx enfatizou muito o aspecto político de seu trabalho. a uma visão distorcida da realidade. a maioria ocorreu à margem dos grandes centros de estudos ocidentais.

Segundo o grupo organicista. 1. Daí surge a necessidade da utilização da Matemática e da Estatística como ferramentas para estabelecer relações entre variáveis econômicas. dado que os recursos são escassos. Na relação vista anteriormente (C = f(RN)). mas probabilísticas. MSc. dada uma variação na renda nacional ( ). mas sim uma estimativa aproximada. como a que se estabelece entre a produção de bens e serviços e os fatores de produção utilizados no processo produtivo. π = letra grega pi e r = raio) é uma relação matemática exata qualquer que seja o comprimento da circunferência.1 – Economia. A construção do núcleo científico inicial da Economia começou a partir das chamadas concepções organicistas (biológicas) e mecanicistas (físicas). A segunda informa que. Afinal. 14 . funções.2 – Economia. e se ocupa de quantidades físicas e das relações entre essas quantidades.14. Daí utilizarem-se termos como órgãos.14 – INTER-RELAÇÃO DA ECONOMIA COM OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO Embora a economia tenha seu núcleo de análise e seu objeto bem definidos. e é por excelência uma ciência social. C = 2πr (em que C = comprimento da circunferência. eu coloca em plano superior os móveis psicológicos da atividade humana. Tomemos como exemplo uma importante relação econômica: “O consumo nacional está diretamente relacionado com a renda nacional”. Com as relações econômicas não são exatas. a Economia repousa sobre os atos humanos. Matemática e Estatística Apesar de ser uma ciência social. 1. Física e Biologia O início do estudo sistemático da Economia coincidiu com os grandes avanços de técnica e das ciências físicas e biológicas nos séculos XVIII e XIX. que resumem os aspectos essenciais da questão em estudo. Daí advêm termos como equilíbrio. forças e outros. Afinal. velocidade. teremos uma variação diretamente proporcional (na mesma direção) do consumo agregado ( ). dinâmica. J. não obtemos o valor exato do consumo. Com o passar do tempo. Por exemplo. A matemática torna possível escrever de forma resumida importantes conceitos e relações de Economia e permite análises econômicas na forma de modelos analíticos. Prof. ela tem intercorrências com outras ciências. circulação e fluxos na teoria econômica. Essa relação pode ser representada da seguinte forma: ( ) A primeira expressão diz que o consumo (C) é uma função (f) da renda nacional (RN). há muitos pontos de contato. aceleração. a Economia se comportaria como um órgão vivo. predominou uma concepção humanística. evidentemente. a Economia é limitada pelo meio físico. recorre-se à Estatística.1. Aurélio Vilas Boas. conhecendo o valor da renda nacional num dado ano. as leis da economia se comportariam como determinadas leis da Física. com poucas variáveis estratégicas.14. todas estudam a mesma realidade e. estática. Em Economia tratamos de leis probabilísticas. Já para o grupo mecanicista.

mas não predominar. que alteraram profundamente a história mundial.3 – Economia e Política A economia e a política são áreas bastante interligadas. reage. Se a economia tivesse relações matemáticas. 1. quando tratamos de fatos econômicos. Entretanto. Poder dos oligopólios e monopólios. A política fixa as instituições sobre as quais se desenvolverão as atividades econômicas. que combina Teoria Econômica. As prioridades de política econômica (crescimento. As guerras e revoluções. por outro lado. Em última análise. Prof. Aurélio Vilas Boas. “não existe no mundo econômico regularidades como C = 2πr. Permitem colocar à prova as hipóteses da teoria econômica. e a Revolução Industrial. Poder das corporações estatais. J. Alguns importantes períodos históricos são associados a fatores econômicos. por exemplo. Citemos apenas alguns exemplos:      Política do “café com leite”. quando Minas Gerais e São Paulo dominavam o cenário político do país.14. pois facilita a compreensão do presente e ajuda nas precisões. Os átomos pensantes logo se agrupariam em classes para defender seus interesses: teríamos uma Física dos átomos proletários. pois esses sempre envolvem decisões que afetam relações humanas. Matemática e Estatística. também os fatos econômicos afetam o desenrolar da história. patrimônio). leis de Newton. A área da Economia que está voltada para a quantificação dos modelos é a Econometria. finge. Na Economia. Poder econômico dos latifundiários. As exportações e as importações dependem da taxa de câmbio. a estrutura política se encontra muitas vezes subordinada ao poder econômico. o átomo aprende. Lembremo-nos. a Economia apresenta muitas regularidades. de que a matemática e a estatística são instrumentos.14. Imagine como seria a Física e a Química e o átomo aprendesse: aquelas belas regularidades desapareceriam. 15 . Nesse sentido. as próprias guerras e revoluções são permeadas por motivações econômicas. a quebra da Bolsa de Nova York (1929).4 – Economia e História A pesquisa histórica é extremamente útil e necessária para a Economia. como os ciclos do ouro e da cana-de-açúcar no Brasil. Por outro lado. tudo o mais constante. Poder do sistema financeiro. que podem ser estimadas estatisticamente. alteraram o comportamento e a evolução da Economia. a crise do petróleo. Contudo. tais como:    O consumo nacional depende diretamente da renda nacional. A quantidade demandada de um bem tem uma relação inversamente proporcional com seu preço. equivalência entre massa e energia. porém.Embora a renda seja a variável mais importante. No entanto. antes de 1930. 1. pensa. estabilização) são determinadas pelo poder político. tudo seria previsível. MSc. e não fins em si mesmas. mas são meios. projeta. ferramentas de análise necessárias para testar as proposições teóricas com os dados da realidade. a atividade econômica se subordina à estrutura e ao regime político do país (se é um regime democrático ou autoritário). juros. distribuição de renda. o consumo não depende só da renda nacional. mas de outros fatores (como condições de crédito. Física dos átomos burgueses e outros”. A questão da técnica nos deve auxiliar.

1. a economia urbana.5 – Economia e Geografia A Geografia não é o simples registro de acidentes geográficos e climáticos. a localização de empresas e a composição setorial da atividade econômica. a concentração espacial dos fatores produtivos. MSc. Aurélio Vilas Boas. algumas áreas de estudo econômico estão relacionadas diretamente com a Geografia. A economia era orientada por princípios morais e de justiça.14. as teorias de localização industrial e a demografia econômica. Moral e Ética. e predominavam princípios como a lei da usura.14. Não existia ainda um estudo sistemático das leis econômicas. como as condições geoeconômicas dos mercados.6 – Economia. como a economia regional. as encíclicas papais refletem a aplicação da filosofia moral e cristã às relações econômicas entre homens e nações. a atividade econômica era vista como parte integrante da Filosofia. dentre outros filósofos. Atualmente. J. Ela nos permite avaliar fatores muito úteis à análise econômica. Ainda hoje. no século XVIII. o conceito de preço justo (discutidos. Justiça e Filosofia Antes da Revolução Industrial. Prof. por Santo Tomás de Aquino). 16 .1. Moral.

o foco reside nos agentes das relações de consumo – consumidor e fornecedor – sendo que. de outro. A jurídica. conforme o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.1 – INTRODUÇÃO Este tópico procura mostrar como importantes conceitos da teoria econômica estão relacionados ou dependem do quadro de normas jurídicas do país. analisa-se o comportamento dos produtores e dos consumidores quanto a suas decisões de produzir e de consumir. Fundamentos de Economia. o sistema de preços permite que se extraia a máxima quantidade de bens e serviços úteis do conjunto de recursos disponíveis na sociedade. Consumidores e produtores/fornecedores encontram-se nos mais variados mercados. J. descobriu uma propriedade notável: o princípio da mão invisível. Nesse sentido.2 – O DIREITO E A TEORIA DOS MERCADOS: DEFESA DO CONSUMIDOR E DA CONCORRÊNCIA Quando se estuda a teoria dos mercados. no jurídico. Aurélio Vilas Boas. nas últimas décadas. ao atuar na busca apenas de seu bem-estar particular. dois enfoques são encontrados. No mundo real. extraída do Direito Comercial. Prof. no econômico. realiza o que é mais conveniente para o conjunto da sociedade. S. com a capacidade de adquirir e exercer direitos e obrigações. 3 VASCONCELLOS. destacamos a relevância do arcabouço jurídico que norteia a aplicação dos instrumentos de política econômica. vem ganhando mais importância o papel regular do governo. 2008. com seu patrimônio elevado à categoria de pessoa jurídica. por outro. Finalizamos com alguns comentários sobre o papel do Estado na promoção do bem-estar da sociedade. iniciamos este tópico com um enfoque mais ligado à Microeconomia. tanto do ponto de vista econômico como jurídico. visando garantir a defesa da concorrência e os direitos dos consumidores. novamente.2 ECONOMIA E DIREITO3 2. Adam Smith. por um lado. Manuel H. Quando se estudo o estabelecimento comercial e o papel do empresário.. Particularmente. conduzindo a economia a uma eficiente alocação dos recursos. pelo qual cada indivíduo. analisando os mercados. de um lado. as normas jurídicas molduram o campo de análise da teoria econômica e. Em seguida. apresenta várias concepções. que é parte da microeconomia. duas visões emergem da análise: a econômica e a jurídica. MSc. já direcionados mais pela macroeconomia. em concorrência perfeita e sem falhas no mercado. Marco A. que enfatizam que o estabelecimento comercial é um sujeito de direito distinto do comerciante. trabalho. em função do expressivo avanço da liberalização dos mercados. 2. São Paulo: Saraiva. A visão econômica ressalta o papel do administrador na organização dos fatores de produção – capital. 17 . terra e tecnologia – combinando-os de modo a minimizar seus custos ou maximizar seu lucro. o surgimento de novas questões econômicas atuam de modo a modificar esse arcabouço jurídico. e a consequente redução da atividade econômica do Estado (o chamado neoliberalismo). Assim. os direitos do consumidor colocam-se perante os deveres do fornecedor de bens e serviços. tanto do comércio como das finanças internacionais. GARCIA.

Segundo essa visão do sistema econômico. luvas de proteção etc. 18 . com o Clayton Act. o que se traduz em menores preços para os consumidores. a sociedade foi vivenciando a mão invisível do governo como forma de aumentar a eficiência econômica. os bens de capital e a tecnologia permitem que as empresas maximizem sua produção aos menores custos possíveis. em 1914. foi votada a lei Sherman contra os trusts. tanto no comércio como na indústria. até meados dos anos 1990. tinha sido pouco eficaz. As externalidades dão a base econômica para a criação de leis antipoluição. ou ainda reduz o ritmo de inovações. como e para quem produzir. possui legislação em defesa da concorrência. no caso da segurança do motorista. Em consequência. maquiagens nos balanços permitiram colocar no mercado ações com preços bem acima do valor real dessas empresas. o Estado brasileiro fez. Contudo. informação imperfeita e poder de monopólio. por exemplo: estabelecendo-se normas quanto aos prazos de validade de produtos. O que ocorre nos mercados de bens também é observado nos mercados de fatores de produção: o trabalho. no campo da segurança no trabalho. o Estado deveria intervir o menos possível no funcionamento dos mercados.Ele ficou impressionado com a ordem econômica estabelecida pelos mercados e preconizou que qualquer interferência governamental na livre concorrência seria prejudicial. com a finalidade de aumentar os lucros. que não se refletem nos preços de mercado. Naquele período. Sua atuação se faz por meio de leis. E como meio de proteger os consumidores. em 1890. que passaram a limitar a oferta e a encarecer os preços dos bens e serviços. ou diminui a qualidade ou a variedade de produtos ou serviços. tratou-se de definir mais concretamente quais condutas seriam consideradas ilícitas. de restrições quanto ao uso da terra. ou. que regulam tanto as estruturas de mercado. durante muitos anos. que proibiu a formação de monopólios. o controle de monopólios e oligopólios surgiu nos Estados Unidos. Devido a esses fatos. em 1950. isto é. com a regulamentação da comercialização de bens e serviços. esse conjunto de normas. eles não tomarão decisões corretas quando forem ao mercado desejando adquiri-lo. Aurélio Vilas Boas. MSc. As externalidades ou economias externas se observam quando a produção ou o consumo de um bem acarreta efeitos positivos ou negativos sobre outros indivíduos. como a conduta das empresas. Por seu lado. Já o exercício do poder de monopólio caracteriza-se quando um produtor (ou grupo de produtores) aumenta unilateralmente os preços (ou reduz a quantidade). a opção pelos controles de preços. Em resposta a essas falhas de mercado. no final do século XIX. empresas de pequeno porte passaram a ser absorvidas por outras maiores. ou seja. porque este livremente resolveriam da maneira mais eficiente possível os problemas econômicos básicos da sociedade: o quê. ou ainda. desde os anos 1960. Pouco a pouco. quando o Estado deveria intervir na economia? A justificativa econômica para a intervenção governamental nos mercados se apoia no fato de que no mundo real observam-se desvios em relação ao modelo ideal preconizado por Smith. tanto para compradores como para vendedores de mercadorias ou serviços. as chamadas leis de defesa da concorrência. existem as chamadas imperfeições de mercado: externalidades. devido aos altos níveis de proteção à indústria nacional e aos elevados índices de inflação. normas jurídicas possibilitaram que a atuação do governo na economia fosse cada vez mais abrangente. justifica-se a ação governamental. E. criando-se normas para o uso de capacetes. exigindo-se o uso do cinto de segurança. Prof. não têm informação completa a respeito de determinado bem ou serviço. Finalmente. Paralelamente. a lei Celler-Kefauver proibiu as fusões de empresas por meio da compra de ativos. se os agentes econômicos possuem falhas de informação. se fosse verificado que essas fusões reduziriam a concorrência. de proteção ambiental etc. O Brasil. Porém. J. Historicamente. a terra.

de 21 de dezembro de 2000. agência. conforme o caso. os acordos de exclusividade. a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAC). causando-lhe prejuízos. autarquia vinculada ao Ministério da Justiça e instância judicante administrativa. ou em que qualquer dos participantes tenha registrado faturamento bruto anual no último balanço equivalente a R$ 400. por exemplo: a fixação de preços de revenda. do Ministério da Justiça. 15 da Lei nº 8. busca-se coibir e reprimir abusos no mercado: a concorrência desleal. a operação será aprovada. Aurélio Vilas Boas. alterou e acrescentou dispositivos à Lei nº 8. se houve configuração de infração à ordem econômica. estabelecimento. e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). com isso. distribuição e consumo de bens e serviços produzidos pela concentração que não possam ser obtidas de outra maneira e que sejam persistentes no longo prazo. todavia. 4 5 Artigos 173 e 174 da Magna Carta. Essa lei se aplica inclusive a empresas estrangeiras que operem ou tenham no Brasil filial. sendo esse determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. utilização indevida das invenções. Nela encontram-se os princípios básicos da atuação do Estado na economia.000.884/94. e o Cade aprecia. a concentração será proibida ou será condicionada à adoção de medidas consideradas comportamentais e/ou estruturais necessárias. sucursal. Por meio dela. escritório. é de extrema importância a ação governamental para a política de defesa da concorrência. procurando coibir condutas ou práticas anticoncorrenciais. igual ou superior a 20% (vinte por cento) de um mercado relevante. foi promulgada a Lei nº 8. tudo que possa induzir o consumidor a erro. seja por fusões ou por incorporações de empresas. J. que criou o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). a sujeição do sistema econômico ao Estado sob a forma de proteção contra o abuso do poder econômico e. as funções de fiscalização. Enfim. a partir da Constituição Federal de 19884. Todavia.884/94 7 Definição em conformidade com o § 3º do artigo 54 da Lei nº 8. a defesa da concorrência implica necessariamente a DEFESA DO BEM-ESTAR PÚBLICO. sejam pessoas físicas.Mudança expressiva ocorreu. a segunda. formado pelos três órgãos encarregados da defesa da concorrência no País: a Secretaria de Direito Econômico (SDE). consiste na apuração de práticas anticoncorrenciais de empresas que detêm poder de mercado.149. com base nas opiniões da SDE e da SEAE. essa lei sujeitou a todos. quando essas eficiências forem inferiores aos custos. Esses órgãos do sistema atuam em duas frentes: a primeira. 19 .884/94 Prof. O controle de condutas. as melhorias nas condições de produção. agente ou representante. pela constituição de sociedade para exercer o controle de empresas ou qualquer forma de agrupamento societário. que implique participação da empresa. do Ministério da Fazenda. na forma da lei. O controle das estruturas de mercado diz respeito aos atos que resultem em qualquer forma de concentração econômica. às normas da concorrência6. para apurar os fatos. as vendas casadas. Como se pode notar. esses últimos podem advir das eficiências econômicas geradas. incentivo e planejamento. ou seja. criar as condições para tornar máximo o nível de bem-estar econômico da sociedade. O objetivo primordial desse sistema é prevenir e reprimir as infrações contra a ordem econômica e.884. por seu turno. Quanto à repressão do abuso do poder econômico. Nesses casos. de direito público ou privado. sejam pessoas jurídicas.000. A lei nº 10.00 (quatrocentos milhões de reais)7. de signos distintivos. O Cade avalia os custos e os benefícios da operação. de 11 de junho de 19945. a SDE promove Averiguação Preliminar ou instaura Processo Administrativo. no controle das estruturas de mercado. marcas e nomes comerciais. a cartelização de mercados e os preços predatórios. 6 Art. Se esses benefícios forem iguais ou superiores aos custos. A partir dessa base legal. ou grupo de empresas. MSc.

A política fiscal (arrecadação e despesas públicas) é de competência das três entidades da federação: União. Em parte baseando-se nesses princípios.2. com importantes reflexos sobre a produção. 1994. Redução das desigualdades regionais e sociais. Busca do pleno emprego Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. Propriedade privada. por um acordo. Aurélio Vilas Boas. O governo. as finanças públicas e os orçamentos anuais. supõe-se que esteja voltada para o bem-estar da população. à liberdade e à propriedade. Defesa do meio ambiente. Prof. 20 . fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. das competências para instituir impostos da União. os homens decidiram entrar num acordo para criar uma sociedade civil cuja finalidade fosse promover e ampliar os direitos naturais do homem à vida. seguros e transferências de valores. e mesmo entre governos. das limitações do poder de tributar. de maneira voluntária e unânime. VII. V. cambial e de comércio exterior são de competência da União8. III. e encontram-se na Constituição Federal de 1988. 8 9 Constituição Federal de 1988. 11 Segundo tratado sobre el Gobierno civil. indivíduos e organizações internacionais. 10 Artigos 145 a 162 da Constituição Federal de 1988. Distrito Federal e Municípios. câmbio. quer jurídico. um dos expoentes do liberalismo. Segundo John Locke11. Estados e Municípios. nos capítulos relacionados com a tributação. e é o Direito que estabelece as normas que regulam as relações entre indivíduos. 2. O papel da despesa do governo ganha destaque especial quando se estuda o papel do Estado na geração de renda. hidroelétricas. Estados. IX. IV. II. limitado em suas competências e responsável perante o povo. dispor sobre moeda. tem por fim assegurar a todos existência digna. Livre concorrência. VI. Soberania nacional. as normas constitucionais brasileiras foram criadas com a preocupação de promover o bem-estar da coletividade. a Constituição Federal de 1988 trata dos princípios gerais. Assim. e sobre o comércio exterior. quer do ponto de vista econômico. rodovias.4 – O ESTADO PROMOVENDO O BEM-ESTAR DA SOCIEDADE A ação do Estado. Função social da propriedade. com a sanção do Presidente da República. No tocante às receitas. grupos. conforme os ditames da justiça social. buscou-se o que está previsto no artigo 170 da Constituição de 1988: “A ordem econômica. VIII. o emprego e a renda nacional. além da repartição das receitas tributárias10. títulos e garantias de metais. J. cabe ao Congresso Nacional. teriam colocado parte de seus direitos naturais sob controle de um governo parlamentar. MSc. Madrid: Alianza Editorial. os indivíduos. Porém. de crédito. Esse ente federal tem a competência para emitir moeda e para legislar sobre o sistema monetário e de medidas. Em última instância. para a atuação do Estado brasileiro na economia. Artigo 48 da Constituição Federal de 1988. por meio de gastos em investimentos – obras de infra-estrutura. seus limites de emissão e montante da dívida mobiliária federal9.3 – ARCABOUÇO JURÍDICO DAS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS As políticas monetária. Defesa do consumidor. dentre outros – gera um aumento da demanda agregada. sobre a política de crédito. observados os seguintes princípios: I. produção e emprego.

Aurélio Vilas Boas. agrícola e fundiária. pois as empresas. em que se definem as competências “econômicas” das várias esferas do governo. MSc. Prof. bem como o meio ambiente de maneira geral. Por outro lado. os preços de seus produtos. as políticas monetária. Nunca é demais repetir que a fundamentação jurídica para essas políticas encontra-se na Constituição. Contudo. têm encarecidos seus processos de produção e. Entretanto. por exemplo. 21 . de crédito. ao serem obrigadas a utilizar filtros antipoluentes. cambial e de comércio exterior. é preciso lembrar que essas normas jurídicas acarretam impactos nos custos de produção. há um benefício social em termos de melhor qualidade de vida para a população como um todo. Nesse sentido. O Estado acaba por exercer sua função distributiva. o Sistema Financeiro Nacional. sanções têm sido impostas a empresas que poluem o meio ambiente. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. bem como para as regiões do país menos desenvolvidas.Parágrafo único. que jogam detritos nos rios ou nos mares. consequentemente. É possível ainda observar a ligação entre Economia e Direito quando se analisam os princípios gerais da atividade econômica. voltada para canalizar recursos para as camadas economicamente mais pobres. salvo nos casos previstos em lei”. da política urbana. independentemente de autorização de órgãos públicos. os governos também têm tentado criar normas jurídicas que protejam a fauna. J. a flora e os mananciais.

Marx). outros. Aurélio Vilas Boas. em que prepondera a soberania do consumidor. pilar do capitalismo. hábitos. A teoria da demanda baseia-se na teoria do valor-utilidade. A teoria do valor-trabalho considera que o valor de um bem se forma do lado da oferta. a teoria do valor-utilidade permitiu distinguir o valor de uso do valor de troca de um bem.. portanto. Manuel E. cerveja). O valor de troca se forma pelo preço no mercado. Os custos de produção eram representados basicamente pelo fator mão-de-obra. São Paulo: Saraiva. MSc. Fundamentos de Economia. dependendo do tempo produtivo (em horas) que eles incorporam na produção de mercadorias. Ela é. 3. Marco Antonio S. a utilidade difere de consumidor para consumidor (uns preferem uísque. cujos fundamentos estão alicerçados no conceito subjetivo de utilidade. O valor de uso é a utilidade que ele representa para o consumidor. e outros). o valor do bem surge da relação social entre homens. Dominick. A utilidade representa o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e serviços que podem adquirir no mercado. a utilidade é a qualidade que os bens econômicos possuem de satisfazer as necessidades humanas. J. Nesse sentido. isto é. Microeconomia. pela satisfação que o bem representa para o consumidor. Como está baseada em aspectos psicológicos ou preferências. Representa a chamada visão utilitarista. renda. Além disso. a teoria do valor-trabalho é objetiva (depende de custos de produção). 1984. A teoria do valor-utilidade veio complementar a teoria do valor-trabalho. alguns economistas elaboraram o conceito de utilidade marginal e dele derivaram a curva de demanda e suas propriedades. Tem-se que a utilidade total tende a aumentar quanto maior a quantidade consumida do bem ou serviço. desenvolvida pelos economistas clássicos (Malthus. a utilidade marginal.1 – BREVE HISTÓRICO A evolução do estudo da teoria microeconômica teve início basicamente com a análise da demanda de bens e serviços. GARCIA.2 – UTILIDADE TOTAL E UTILIDADE MARGINAL Ao final do século passado. Adam Smith. 22 . Ou seja. pois não era mais possível predizer o comportamento dos preços dos bens apenas com base nos custos da mão-de-obra (ou mesmo custos em geral) sem considerar o lado da demanda (padrão de gostos. subjetiva e considera que o valor nasce da relação do homem com os objetos. em que a terra era praticamente gratuita (abundante) e o capital pouco significativo. Entretanto. Ricardo. A teoria do valor-utilidade contrapõe-se à chamada teoria do valor-trabalho. São Paulo: McGraw-Hill. Pela teoria do valor-trabalho. 2004 e SALVATORE. A teoria do valor-utilidade pressupõe que o valor de um bem se forma por sua demanda. Prof. por meio dos custos do trabalho incorporados ao bem.3 UTILIDADE TOTAL E MARGINAL12 3. que é a satisfação adicional obtida pelo consumo de mais uma unidade 12 Adaptado de VASCONCELLOS. pelo encontro da oferta e da demanda do bem.

o que nos dá uma UMx de 10 útiles. é decrescente. = R (a renda monetária do indivíduo) 3. J. Cada valor da coluna (3) é obtido pela subtração dos dois valores sucessivos da coluna (2). o indivíduo substitui esta mercadoria por outra (que manteve seu preço inalterado). a UTx vai de zero útiles a 10 útiles. 3. Observe que.) observe que até um determinado ponto. ou está em equilíbrio.4 – O EFEITO SUBSTITUIÇÃO E O EFEITO RENDA O movimento de um ponto de equilíbrio do consumidor para outro pode provocar um efeito substituição e um efeito renda. ou menos. se o consumo individual da mercadoria X vai de zero unidades até 1 unidade. quando ele gasta a sua renda de tal forma que a satisfação ou utilidade do último real gasto nas várias mercadorias é a mesma. Quando isso ocorre. à medida que este indivíduo consome mais e mais unidades de X por unidade de tempo. sua renda real sobe. UTx cresce de 10 para 18. O efeito substituição diz que. Se a mercadoria é um bem normal.do bem.5 – EXEMPLO As duas primeiras colunas da Tabela a seguir referem-se à utilidade total hipotética para um indivíduo (UT). Isto pode ser expresso matematicamente por: Havendo a seguinte restrição: Px Qx + Py Qy + . Se o preço de uma mercadoria cai. Em outras palavras. UMx decresce. O efeito renda pode ser expresso como se segue. como o indivíduo consome mais unidades de X por unidade de tempo. se é um bem inferior. chegando à saturação. o poder aquisitivo do indivíduo com renda monetária constante sobe. o indivíduo tende a comprar mais da mercadoria cujo preço caiu.. 3. Por exemplo. UT x cresce. Este efeito substituição opera de modo a elevar a quantidade procurada da mercadoria cujo preço caiu. dando-nos uma UMx de 8. programada a partir do consumo de várias quantidades alternativas da mercadoria X por unidade de tempo. quando o preço de uma mercadoria cai. Similarmente. O consumidor atinge o seu objetivo.3 – EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR O objetivo do consumidor racional é o de maximizar a utilidade total ou satisfação que ele obtém ao utilizar a sua renda. porque o consumidor vai perdendo a capacidade de percepção da utilidade proporcionada por mais uma unidade do bem. As colunas (1) e (3) ta Tabela nos dão esta utilidade marginal do indivíduo (UM) num quadro para a mercadoria X. MSc. (A utilidade será suposta mensurável em termos de uma unidade fictícia que chamaremos “útil”. Aurélio Vilas Boas. se o consumo de X crescer de uma unidade para duas unidades.. Prof. 23 .

) Com o contínuo decréscimo de UM. ao mesmo tempo que maximizamos a utilidade recebida. Um indivíduo poderia gastar seu quinto e sexto reais na compra da primeira unidade de X e seu sétimo e oitavo reais na compra de uma segunda unidade de X. Seu terceiro e quarto reais podem ser gastos na compra de uma terceira e quarta unidades de Y. Assim. UMx 16 14 ( 12 ) 10 8 6 4 2 UMy 11 10 9 8 7 (6) 5 4 24 . o indivíduo pode gastar o primeiro e o segundo reais de sua renda para comprar a primeira e a segunda unidade de Y. Se ele gasta os primeiros dois reais de sua renda na compra da primeira unidade de X. gastando-se um real na unidade de tempo. Aurélio Vilas Boas. O nono e décimo reais podem ser usados na compra de uma quinta e sexta unidades de Y. escolhendo unidades adequadas. respectivamente. J. MSc. Suponha que X e Y sejam as duas únicas mercadorias disponíveis e P x = $2 enquanto Py = $1. Disto ele recebe um total de 17 útiles. Receberia então. Ele estará recebendo então um total de 21 útiles. (Observe que podemos sempre expressar os preços e as quantidades em números inteiros. proporcionando um total de 13 útiles. Q 1 2 3 4 5 6 7 8 Prof. e é completamente gasta.(1) Qx 0 1 2 3 4 5 6 7 (2) UTx 0 10 18 24 28 30 30 28 (3) UMx 10 8 6 4 2 0 -2 3. 16 e 14 útiles. ele receberá apenas 16 útiles.6 – EXERCÍCIO (Resolvido em sala de aula) A Tabela a seguir fornece as escalas de UMx e UMy para um indivíduo. a UT pode ser maximizada. a renda do indivíduo é $12 por período de tempo. O indivíduo pode ainda gastar seus dois últimos reais comprando a terceira unidade de X (quando receberia 12 útiles) ao invés de comprar a sétima e oitava unidades de Y (quando receberia então somente 9 útiles).

As mesmas duas condições gerais teriam que ser satisfeitas para o indivíduo. 25 .A utilidade total geral recebida pelo indivíduo é 93 útiles (obtida pela adição das utilidades marginais das três primeiras unidades de X e das primeiras 6 unidades de Y. MSc. Este indivíduo atinge um novo ponto de equilíbrio quando compra 6 unidades de X a P x = $1. Aurélio Vilas Boas. se ele comprasse mais de duas mercadorias. ete indivíduo deve comprar mais unidades de X. Isto representa a utilidade máxima que o indivíduo pode receber de seus gastos. este indivíduo não estará mais em condição de equilíbrio. e a quantidade de dinheiro gasta em X ($6) mais a quantidade gasta em Y ($6) iguala exatamente a renda individual (de $12). Com o objetivo de atingir um novo ponto de equilíbrio. Assim que ele o fizer. Se o indivíduo gasta sua renda de outra forma. para estar em equilíbrio. a utilidade total obtida será menor. A UM do último real gasto em X (para a compra da terceira unidade de X) agora lhe dá 12 útiles enquanto o último real gasto em Y (na compra da sexta unidade de Y) lhe dá somente 6 útiles. UM x cairá. = ou = P x Q x + P y Qy = R ou $1 x 6 + $1 x 6 = $12 Prof. as duas condições para o equilíbrio do consumidor são simultaneamente satisfeitas. = ou = P x Q x + P y Qy = R ou $2 x 3 + $1 x 6 = $12 Isto é. No ponto Qx = 3. J. Qy = 6. a UM do último real em X (6 útiles) iguala a UM do último real gasto em Y. Se agora permitirmos a Px cair de $2 para $1.

26 . Assim: Prof.00 8. Tabela 4.1.00 6. a renda do consumidor e o gosto ou preferência do indivíduo.1).1. 4. Essa relação quantidade procurada/preço do bem pode ser representada por uma escala de procura (Tabela 4. É a chamada lei geral da demanda.000 9. J. considera-se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor.00 3. colocando no eixo vertical os vários preços P.000 Outra forma de apresentar essas diversas alternativas é pela curva de procura (Figura 4.1 – DEMANDA DE MERCADO 4. o preço dos outros bens. São elas: o preço do bem ou serviço.00 10.000 2. traçamos um gráfico com dois eixos.00 Quantidade demandada 11. Para estudar-se a influência isolada dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus.1 – Conceito A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de certo bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo. curva de procura ou função demanda.4 DEMANDA. OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 4. Para tanto. e no horizontal as quantidades demandadas Q.1). A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. ou seja.000 4.1 Escala de procura Alternativas de preço ($) 1.2 – Relação entre quantidade procurada e preço do bem: a lei geral da demanda Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem. Aurélio Vilas Boas. MSc.000 6.

00 6. reduzindo assim a demanda do bem A. no sentido da esquerda para a direita.10.1 Curva de procura do bem X. que envolve. ou grau de satisfação no consumo daquele produto. outro bem similar que satisfaça a mesma necessidade. 27 . b) Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem A. Matematicamente.000 10. os consumidores passarão a demandar isqueiros. A curva de procura inclina-se de cima para baixo. depende do preço P. subjacente á curva há toda uma teoria de valor. refletindo o fato de que a quantidade procurada de determinado produto varia inversamente com relação a seu preço. Ou seja.000 8. Se o preço de um bem aumenta. A expressão Qd = f (P) significa que a quantidade demandada Qd é uma função f do preço P. quando o preço do bem A aumenta. Os economistas supõem que a curva ou a escala de procura revelam as preferências dos consumidores.00 2. como vimos.00 4. isto é. coeteris paribus.000 Figura 4. A curva de demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: o efeito substituição e o efeito renda. ou seja.00 2. reduzindo assim sua demanda por fósforos. o consumidor Prof. Exemplo: se o preço da caixa de fósforos subir demasiadamente. P = preço do bem ou serviço. Aurélio Vilas Boas. J.000 6. a queda da quantidade demandada será provocada por esses dois efeitos somados: a) Efeito substituição: se um bem A possui um bem substituto B. a relação entre a quantidade demandada e o preço de um bem ou serviço pode ser expressa pela chamada função demanda ou equação da demanda: Qd = f (P) em que: Qd = quantidade procurada de determinado bem ou serviço. o consumidor passa a adquirir o bem substituto (o bem B).00 8.000 4. tudo o mais constante (renda do consumidor e preços de outros bens estando constantes). sob a hipótese de que estão maximizando sua utilidade. MSc. num dado período de tempo. os fundamentos psicológicos do consumidor.

Ou seja. pelo preço dos bens substitutos (ou concorrentes). Prof. Por exemplo. Aurélio Vilas Boas. Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também. um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe. congelamentos ou tabelamentos de preços e salários. 4. Finalmente. Para a maioria dos produtos. Assim. como efeitos sazonais e localização do consumidor. alguns produtos são afetados por fatores mais específicos. eles são chamados de bens complementares (por exemplo. já a quantidade procurada relacionada ao preço P0 é Q0.1. ou fatores mais gerais. foi corroído. Quando há uma relação direta entre preço de um bem e quantidade de outro. e a demanda por esse produto (A) diminui. embora seu salário monetário não tenha sofrido nenhuma alteração. MSc.1. Caso o preço do bem aumentasse para P1. em termos de poder de compra. Temos ainda o caso de bens de consumo saciado. Existe também uma classe de bens que são chamados bens inferiores. 28 .3 – Outras variáveis que afetam a demanda de um bem Efetivamente. quando a demanda do bem não é influenciada pela renda dos consumidores (como arroz. não na demanda. farinha. Quando há uma relação inversa entre o preço de um bem e a demanda de outro. se o consumidor ficar mais rico. Os gastos em publicidade e propaganda objetivam justamente aumentar a procura de bens e serviços influenciando preferências e hábitos. A demanda de um bem ou serviço também pode ser influenciada pelos preços de outros bens e serviços. a procura será também afetada pela renda dos consumidores. sal). haveria uma diminuição na quantidade demandada. seu salário real. por exemplo. quantidade de automóveis e preço da gasolina.perde poder aquisitivo. que se aplicam ao estudo da procura pela maior parte dos bens. tudo o mais constante. temos um bem normal. pelo preço dos bens complementares e pelas preferências ou hábitos dos consumidores. Por quantidade demandada devemos compreender um ponto específico da curva relacionando um preço a uma quantidade. quantidade de camisas sociais e preço das gravatas). a demanda de um bem ou serviço também sofre a influência dos hábitos e preferências dos consumidores. cuja demanda varia em sentido inverso às variações da renda. Além das variáveis anteriores. Existe uma série de outras variáveis que também afetam a procura. Na Figura 4. Por demanda entende-se toda a escala ou curva que relaciona os possíveis preços a determinadas quantidades. esses termos têm significados diferentes. J. ou ainda sucedâneos. como condições de crédito. 4. a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. as alterações da quantidade demandada ocorrem ao longo da própria curva de damanda (reta D). a demanda está indicada pela reta indicada pela letra D.2. eles são chamados de bens substitutos ou concorrentes. diminuirá o consumo de carne de segunda e aumentará o consumo de carne de primeira.4 – Distinção entre demanda e quantidade demandada Embora tendam a ser utilizados como sinônimos. perspectivas da economia.

passando de Q0 para Q2. Aurélio Vilas Boas. P P1 P0 D0 Q1 Q0 Q 3 Q2 D1 Q Figura 4. o consumidor pode Comprar Q2 Ao mesmo preço P1. aos mesmos preços. o consumidor estaria disposto a adquirir maiores quantidades do bem. por exemplo. a curva da procura D0 iria se deslocar para a direita. o que estaria indicando que. Sendo o bem superior. caso houvesse um aumento na renda dos consumidores. 29 . o consumidor pode comprar Q0 Ao preço P1.3 Alteração na demanda Antes do aumento da renda Ao preço P0. A nova curva de demanda é representada pela reta D1. J. P0. o consumidor pode comprar Q1 Após o aumento da renda Ao mesmo preço P0.3) fosse a reta indicada pela letra D0.2 Alteração na quantidade demandada Suponhamos que aogra a curva da procura inicial (Figura 4.P P1 P0 B A Q1 Q2 Q Figura 4. MSc. o consumidor pode Comprar Q3 Prof.

temos uma mudança na demanda (e não na quantidade demandada). 30 . Quando a curva de procura se desloca (em virtude de variações da renda ou de outras variáveis. de seu próprio preço.000 6.00 10.00 3.Dessa forma.000 8. a oferta depende de vários fatores.000 6. dada uma série de preços.00 Essa escala pode ser expressa graficamente.2 Escala de oferta Preço ($) 1. devido a mudanças no preço do bem. dentre eles.00 6. do preço (custo) dos fatores de produção e das metas ou objetivos dos empresários.000 Figura 4. J.000 10. a função oferta mostra uma correlação direta entre quantidade ofertada e nível de preços. que não o preço do bem).00 2.000 10.00 8.00 4. Quantidade ofertada 1. coeteris paribus.00 2. Aurélio Vilas Boas. Podemos expressar uma escala de oferta de um bem X.2 – OFERTA DE MERCADO Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores dessem oferecer ao mercado em determinado período de tempo.4 Curva de oferta do bem X Prof. ou seja. É a chamada lei geral da oferta. 4. MSc.00 8.000 3. quais seriam as quantidades ofertadas a cada preço: Tabela 4. Da mesma maneira que a demanda.000 4. Diferentemente da função demanda.000 10. movimentos da quantidade demandada ocorrem ao longo da própria curva.000 8.

Parece claro que a relação entre a oferta e o custo dos fatores de produção seja inversamente proporcional. A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bem deve-se ao fato de que. a função ou equação da oferta é dada pela expressão: Qo = f (P) Em que: Qo = quantidade ofertada de um bem ou serviço.Matematicamente. coeteris paribus (movimento ao longo da curva – diagrama a). Da mesma forma. um aumento no preço do bem provoca um aumento da quantidade ofertada. salários. conduz a um aumento da oferta. Por exemplo. um aumento do preço de mercado estimula as empresas a elevar a produção. a oferta de um bem ou serviço é afetada pelos custos dos fatores de produção (matérias-primas. a curva de oferta para a direita (diagrama c). enquanto uma alteração nas outras variáveis (como nos custos de produção ou no nível tecnológico) desloca a oferta (isto é.2. Aurélio Vilas Boas. 31 . enquanto a quantidade ofertada diz respeito a um ponto específico da curva de oferta. deslocando-se. ou uma melhoria tecnológica na utilização dos mesmos. 4. Por outro lado. J. coeteris paribus). e portanto aumento da oferta. novas empresas serão atraídas. ou ainda um aumento no número de empresas no mercado. Prof. a empresas são obrigadas a diminuir a produção (diagrama b). preço da terra). também devemos distinguir entre a oferta e a quantidade ofertada de um bem. Assim. A oferta refere-se à escala (ou toda a curva). uma diminuição no preço dos insumos. por alterações tecnológicas e pelo aumento do número de empresas no mercado. um aumento no custo das matérias-primas provoca uma queda na oferta: mantido o mesmo preço P0 (isto é. desse modo. dado que melhorias tecnológicas promovem melhorias da produtividade no uso dos fatores de produção. Por exemplo.1 – Oferta e quantidade ofertada Como no caso da demanda. P = preço do bem ou serviço. num dado período. um aumento dos salários ou do custo das matérias-primas deve provocar uma retração da oferta do produto. aumentando a quantidade ofertada do produto. a curva de oferta). há uma relação direta entre a oferta de um bem ou serviço e o número de empresas ofertantes do produto no setor. A relação entre a oferta e nível de conhecimento tecnológico é diretamente proporcional. Além do preço do bem. dados os mesmos preços praticados. MSc.

Aurélio Vilas Boas.(a) Aumento na quantidade ofertada P P1 P0 Q0 (b)Diminuição da oferta P P0 O1 O0 P P0 Q1 Q (c) Aumento da oferta O0 O1 O Figura 4.3. Tabela 4.3 – EQUILÍBRIO DE MERCADO 4.000 2.000 8.3 representativa da oferta e da demanda do bem X.000 6.000 6.000 Situação de mercado Excesso de procura (escassez de oferta) Excesso de procura (escassez de oferta) Equilíbrio entre oferta e procura Excesso de oferta (escassez de procura) Excesso de oferta (escassez de procura) 32 Prof.00 Quantidade Procurada Ofertada 11. MSc. J.000 1.5 Alteração da quantidade ofertada e da oferta 4.000 4.00 10.000 10.00 8.3 Oferta e demanda do bem X Preço ($) 1.00 3.000 3.00 6.000 9.1 – A lei da oferta e da procura: tendência ao equilíbrio A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado. Seja a Tabela 4. .

6 Equilíbrio de mercado Na interseção das curvas de oferta e demanda (ponto E). Prof. teremos o preço e a quantidade de equilíbrio. Haverá uma competição entre os consumidores. será observada essa tendência natural de o preço e a quantidade atingirem determinado nível desejado tanto pelos consumidores como pelos ofertantes. Analogamente. se não há obstáculos para a livre movimentação dos preços. Para que isso ocorra. que normalmente impedem quedas de preços dos bens e serviços. é necessário que não haja interferência nem do governo nem de forças oligopólicas.00 1.000 9. o que forçará a elevação dos preços. Formar-se-ão filas.00 2. se a quantidade ofertada se encontrar acima do ponto de equilíbrio E.Como se observa na Tabela 4. até que se atinja o ponto de equilíbrio. 33 . conduzindo a uma redução dos preços. pois as quantidades procuradas serão maiores que as ofertadas. J.000 Q Figura 4.000 4.00 unidades monetárias. se o sistema é de concorrência pura ou perfeita. Com se observa. ou seja. MSc.00 8.000 6. haverá um excesso ou excedente de produção. há uma tendência natural no mercado para se chegar a uma situação de equilíbrio estacionário – sem filas e sem estoques não desejados pelas empresas.00 E D O 3. quando as filas cessarão. teremos uma situação de escassez do produto. Desse modo.3. quando há competição tanto de consumidores como de ofertantes. Se a quantidade ofertada se encontrar abaixo daquela de equilíbrio E. o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos consumidores e dos produtores simultaneamente. Aurélio Vilas Boas.000 11. o que provocará uma competição entre os produtores. existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X quando o preço é igual a 6. até atingir-se o equilíbrio. Graficamente: P 10.00 6. isto é. um acúmulo de estoques não programado do produto.

O novo equilíbrio se dará ao preço P1 e quantidade Q1 (ponto B).3. que haja uma diminuição dos preços das matérias-primas usadas na produção do bem X. Da mesma forma. Assim. ainda. um deslocamento da curva de oferta afetará a quantidade de mercado e o preço de equilíbrio. Aurélio Vilas Boas. existem vários fatores que podem provocar deslocamentos das curvas de oferta e demanda. decreta tabelamentos ou. será maior. a curva de oferta do bem X se deslocará para a direita. congela preços e salários. 34 . aos mesmos preços anteriores. como exercício. para exemplificar.4. quando fixa impostos. 4.1 – estabelecimento de impostos Embora seja tratado nos capítulos de Macroeconomia o papel do governo por meio Prof. Suponhamos. por exemplo. a demanda do bem X.4 – INTERFERÊNCIA DO GOVERNO NO EQUILÍBRIO DE MERCADO O governo intervém na formação de preços de mercado. construir o gráfico para esse caso. que provocará um aumento de preços até que o excesso de demanda acabe. os consumidores obtêm um aumento de renda real (aumento de poder aquisitivo).4. e. dá subsídios. Suponha. o preço de equilíbrio se tornará menor e a quantidade maior. 4. O preço de equilíbrio inicial é P0 e a quantidade. por raciocínio análogo ao anterior. para D 1. Preço do bem x D0 P1 P0 D1 O B A Q0 Figura 4. O leitor poderá. por hipótese. ao preço P0 teremos um excesso de demanda. J. que o mercado do bem X (um bem normal. não inferior) esteja em equilíbrio. fixa preços mínimos para produtos agrícolas. Isso significa um deslocamento da curva de demanda para a direita. Consequentemente. estabelece os critérios de reajuste do salário mínimo.2 – Deslocamento das curvas de demanda e oferta Como vimos.7 Deslocamento do ponto de equilíbrio Q1 Quantidade do bem x Se. Q0 (ponto A). com evidentes mudanças do ponto de equilíbrio. MSc.

como se pode notar. há poucos impostos específicos. R$ 5. o valor do IPI será de R$ 6.000.  No Brasil. sendo a quase-totalidade dos impostos incidentes sobre o consumo do gênero ad valorem. ou seja. Imposto ad valorem: é um percentual (alíquota) aplicado sobre o valor da venda. Exemplos: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Normalmente os impostos indiretos são recolhidos pelas empresas. Impostos diretos: impostos incidentes sobre a renda e o patrimônio. que ressalta a questão da incidência do tributo. 13 Há uma diferença entre o conceito jurídico e o conceito econômico de incidência. terá de elevar o preço de seu produto. que mostra sobre quem recai efetivamente o ônus do imposto13. Assim. A proporção do imposto paga por produtores e consumidores é a chamada incidência tributária.000 ao governo (esse valor é fixo e independe do valor do automóvel). Os impostos dividem-se em:  Impostos indiretos: impostos incidentes sobre o consumo ou sobre as vendas. ou seja.000. do ponto de vista econômico. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Caso contrário. diz respeito a quem arca efetivamente com o ônus. procurará repassar o imposto para o consumidor. saber sobre quem recai efetivamente o ônus do tributo é uma questão da maior importância na análise dos mercados. Do ponto de vista legal. o valor do IPI será de R$ 5. qualquer que seja o valor da unidade vendida. Exemplo: supondo a alíquota do IPI sobre automóveis de 10%. Aurélio Vilas Boas. a título de imposto. aumentando o preço do produto e assim onerando o consumidor final. No ato do recolhimento. é sabido que quem recolhe a totalidade do tributo é a empresa. se o valor do automóvel for de R$ 50. Prof. Assim. se seu valor aumentar para R$ 60. recolhe-se. J. Os tributos podem ser impostos. se ela quiser continuar vendendo as mesmas quantidades anteriores.  Entre os impostos indiretos destacamos:  Imposto específico: o valor do imposto é fixo. Exemplo: para cada carro vendido. terá de reduzir seu volume de produção. enquanto o valor do imposto varia com o preço do automóvel. MSc. Exemplos: Imposto de Renda (IR) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). é interessante observar o enfoque microeconômico da tributação. mas isso não quer dizer que é ela quem efetivamente o paga. um aumento de impostos representa um aumento de custos de produção para a empresa.dos instrumentos da política tributária. a incidência refere-se a quem recolhe o imposto aos cofres públicos.000. mas elas repassam parte do imposto. 35 . a alíquota permanece inalterada em 10%.000. taxas ou contribuições de melhoria.

Prof.. 5. uma análise (de curto prazo) a respeito da concorrência perfeita e do monopólio. Apesar disso. os produtos de todas as empresas no mercado são homogêneos. servindo de parâmetro para o estudo das outras estruturas de mercado. algumas aproximações dessa situação de mercado poderão ser encontradas no mundo real. Trata-se de uma construção teórica. Tais mercados. Concorrência monopolística: é uma situação de mercado na qual existem muitas empresas vendendo produtos diferenciados que sejam substitutos próximos entre si. por sua vez. podemos classificar as estruturas de mercado para o setor de bens e serviços da seguinte forma: Concorrência perfeita: é uma situação de mercado na qual o número de compradores e vendedores é tão grande que nenhum deles.2 – CONCORRÊNCIA PERFEITA A primeira estrutura de mercado a ser analisada denomina-se concorrência perfeita. Aurélio Vilas Boas. NOGAMI. agindo individualmente. a concorrência monopolística e o oligopólio não serão objeto de estudo. Princípios de Economia. J. Apresentaremos.1 – INTRODUÇÃO Pretendemos neste item estudar a maneira pela qual se determinam os preços dos produtos e as quantidades que serão produzidas nos diversos mercados de uma economia. Otto. Tendo isso em vista. a seguir. Carlos Roberto \M. sendo indicadas tão-somente suas características básicas. Devido à natureza introdutória deste texto. controlando a oferta de um produto que pode ser homogêneo ou diferenciado. 36 . Monopólio: é uma situação de mercado em que uma única firma vende um produto que não tenha substitutos próximos. É uma estrutura de mercado que visa descrever o funcionamento ideal de uma economia. estão estruturados de maneira diferenciada em função de dois fatores principais: número de firmas produtoras atuando no mercado e a homogeneidade ou diferenciação dos produtos da firma. 14 Adaptado de PASSOS. Oligopólio: é uma situação de mercado em que um pequeno número de empresas domina o mercado. consegue afetar o preço. como é o caso dos mercados de vários produtos agrícolas. 2000. São Paulo: Pioneira.5 ESTRUTURAS DE MERCADO14 5. Além disso. MSc.

por outro lado. J. barreiras econômicas tais como a necessidade de grandes investimentos acabam por inviabilizar a entrada de novas empresas no mercado.2. pelo fato de inexistir desinformação. Como resultado. totalizando uma oferta conjunta de 2 milhões de toneladas. o que não seria bastante para exercer impacto sobre o preço de mercado.01%. nenhum comprador estará disposto a adquirir um produto por um preço superior ao vigente. MSc. ou seja. o que também seria insuficiente para alterar o preço desse bem. pelo mesmo motivo. a inexistência de direitos de propriedades e patentes que possibilitem a uma empresa ou grupo de empresas controlar a entrada de novas empresas no mercado. pelo lado da oferta. Por esta razão. portanto. Assim é que. existam 10. Isso evidencia o fato de que compradores e vendedores. tais como a exigência de determinadas condições para o estabelecimento de empresas em muitos mercados e que acabam resultando em imperfeições da concorrência. Se uma das empresas resolvesse dobrar sua produção. 37 . inexistem barreiras legais à entrada e saída resultantes da ação governamental.000 compradores. sendo cada comprador ou vendedor tão pequeno em relação ao tamanho do mercado que nenhum deles. b) Os Produtos são homogêneos Em um mercado de concorrência perfeita os produtos colocados no mercado pelas empresas são homogêneos. atuando isoladamente.5. consegue influenciar o preço da mercadoria. um dos compradores resolvesse deixar de comprar esse produto. Se. Se tal controle ocorrer a concorrência estará limitada e o mercado não serão perfeitamente competitivo. cada qual adquirindo 200 Kg desse produto. nenhum vendedor estará disposto a vender seu produto por um preço inferior ao de mercado.1 – Hipóteses Básicas do Modelo de Concorrência Perfeita As hipóteses nas quais o modelo de concorrência perfeita se baseia são as seguintes: a) Existência de um grande número de compradores e de vendedores Existe um número tão grande de compradores e vendedores. os compradores são indiferentes quanto à empresa da qual eles irão adquirir o produto. por 1. Finalmente. as vendas cairiam em 0. Por esse motivo pressupõe-se a inexistência de tais obstáculos. o preço é um dado fixado tanto para empresas quanto para consumidores. cada qual produzindo 2.000 empresas. Os vendedores conhecem também os custos e lucros de seus concorrentes.10%. ou seja. Prof. diz-se que eles são tomadores de preço. não incapazes de exercer influência sobre o preço do que está sendo comprado ou vendido. pelo lado da procura. Igualmente. Aurélio Vilas Boas. Suponhamos ainda que.000 toneladas desse bem. suponhamos que o mercado de um produto qualquer seja composto. Pressupõe-se. d) Transparência de Mercado Essa hipótese garante que tanto compradores quanto vendedores têm informação perfeita sobre o mercado: ambos conhecem a qualidade do produto e seu preço vigente. Para exemplificar. são perfeitos substitutos entre si. c) Livre Entrada e Saída de Empresas Inexistem barreiras legais e econômicas tanto para a entrada quanto para a saída de empresas no mercado. isoladamente. a oferta total aumentaria em apenas 0.

Aurélio Vilas Boas.00 Quantidade Demandada 20.000 40.00 DM 0 20000 40000 60000 80000 100000 E OM P 60. Figura 1 A Derivação da Curva de Demanda para uma Firma em Concorrência Perfeita Parte 1 – Determinação do Preço de Mercado Parte 2 – Curva de Demanda para uma das Empresas P 60.00 – 10. isto é. Quadro 1 Escalas de Oferta e Demanda de Mercado Preço (R$) 50.000 unidades (ponto E).00 40.00 – 0 D Q 200 300 400 500 600 Q O aspecto mais relevante para uma firma em um mercado puramente competitivo é o fato de que ela tem de subordinar-se aos preços de equilíbrio de mercado.00 – 40.00 10.000 40.000 60. J. o preço de um bem será determinado pela interseção entre as curvas de oferta de mercado e demanda de mercado.00 20. Em nosso Prof.00 10.00 20.000 O gráfico correspondente é dado pela Figura 1 – Parte 1. então.00 30. quando a quantidade que todas as firmas desejam produzir é exatamente igual à quantidade que todas as firmas desejam produzir é exatamente igual à quantidade que os consumidores desejam comprar.000 100.00 – 50.2 – A Curva de Demanda para uma Firma em Concorrência Perfeita Em um mercado operando em regime de concorrência perfeita.000 Quantidade Ofertada 100. 60. Consideremos. MSc.000 20. O equilíbrio de mercado é determinado pelo preço de R$ 30.5. A demanda de mercado é representada por DM e a oferta de mercado por OM.000 60.00 30.000 80.00 40. 38 .00 20.00 – 30.2. um produto qualquer.00.000 80. com as escalas de demanda e oferta de mercado dadas pelo Quadro 1.00 50.

3. Em termos analíticos a receita média é dada por: como RT = P . o preço de equilíbrio de mercado é de R$ 30.exemplo. os consumidores passarão a comprar de outras firmas. Essa curva de demanda para a empresa pode ser visualizada a partir da Figura 1 – Parte 2.1 – Receita Total (RT) Em concorrência perfeita. Q então e finalmente Prof. Ela é o resultado do quociente entre a receita total e a quantidade vendida do produto.3 – RECEITA DE UMA FIRMA EM CONCORRÊNCIA PERFEITA 5. Q onde: RT = Receita Total da firma P = preço de venda de produto Q = quantidade vendida 5. 5. Verificamos então que ao preço de R$ 30 a empresa poderá vender tantas unidades quantas conseguir produzir com as instalações de que dispõe. Isto porque se a firma resolver aumentar seu preço não conseguirá vendar nada. RMe = P 39 . pois dadas as hipóteses de produto homogêneo e transparência de mercado. é uma reta horizontal ao nível do preço do produto no mercado. MSc. Em termos analíticos a receita total é dada por: RT = P . ou seja. uma vez que isso implicaria em perdas desnecessárias de receita. Aurélio Vilas Boas. como já vimos. isso significa dizer que a procura do produto para a empresa é infinitamente elástica. e é um parâmetro dado para a empresa. qualquer que seja o volume de vendas. o preço cobrado por uma empresa não variará. A empresa também não irá cobrar abaixo do preço de mercado. O preço de mercado será o único preço pelo qual a empresa venderá seu produto. ela pode vender a quantidade que quiser ao preço de mercado. J. Por essa razão qualquer empresa que se encontre em um mercado perfeitamente competitivo poderá calcular a receita total através da multiplicação do preço cobrado pela quantidade vendida. se o preço é um dado para a empresa. uma vez que.3.2 – Receita Média (RMe) Entende-se por receita média a receita que a firma receberá por unidade vendida da mercadoria.

00 10. dizem respeito aos pagamentos que a firma terá de Prof.(2) (4) Receita Média (3)÷(2) (5) Receita Marginal P (R$) 10.00 10.00 10. aluguel de prédios. Logo. Vejamos exemplo mostrado no quadro 2.00 10. certos tipos de ordenados etc.00 10. e ΔQ = Variação na Quantidade A Receita Marginal. custos de conservação.00 RT 0 10.00 10. 40 . por sua vez.00 10. RMg = P = RMe.2 – Custos Variáveis (CV) Os custos variáveis. isto é: Onde: RMg = Receita Marginal ΔRT = Variação na Receita Total.4.00 60. a seguir: Quadro 2 Receita Total.00 10.00 RMe 10.00 5. seguros.00 10.00 20. Aurélio Vilas Boas.5. e serão sempre iguais. Os custos fixos dizem respeito às despesas nas quais a firma terá de incorrer.00 50.1 – Custos Fixos (CF) Os custos fixos estão associados ao emprego dos fatores de produção fixos. J. depreciação. será exatamente igual à receita média e ao preço de mercado. Média e Marginal (1) Preço de Mercado (2) Nível de Produção e Vendas Q 0 1 2 3 4 5 6 (3) Receita Total (1).00 10. pagamentos de juros.4.4 – CUSTOS DE PRODUÇÃO 5. em concorrência perfeita. 5.3. MSc.3 – Receita Marginal (RMg) A receita marginal é definida como sendo a variação na receita total decorrente do acréscimo de uma unidade no produto vendido.00 40.00 10.00 30.00 10. quer a empresa produza ou não.00 10. Incluem certos tipos de impostos.00 10.00 10.00 10.00 RMg 10. quaisquer que sejam os níveis de produção.

nesse caso. o Custo Total será igual ao Custo Fixo. 41 .5 – Custo Variável Médio (CVMe) É o Custo Variável dividido pela quantidade produzida: 5.4. J. maior quantidade de tecido ela terá de comprar e. É claro que.4. Ele é dado pela soma dos custos fixos mais os custos variáveis.4. energia elétrica. Isso significa que o custo marginal corresponde ao custo adicional em que se incorre ao produzir-se mais uma unidade do produto.6 – Custo Médio (CMe) O Custo médio é obtido através da divisão do Custo Total pelo volume de produção: 5. maiores serão seus custos com esse fator de produção. Ele é dado pela seguinte expressão: Prof.4. MSc. se a produção for zero. nada se emprega de fator variável) e aumentarão à medida que a produção aumentar.4 – Custo Fixo Médio (CFMe) É o Custo Fixo dividido pela quantidade produzida: 5. Algebricamente: CT = CF + CV 5. 5. quanto maior a produção de uma confecção.3 – Custo Total (CT) É o custo de produção total associado a cada possível nível de produto. Aurélio Vilas Boas.4. Esses custos serão zero quando não houver produção (uma vez que. consequentemente.7 – Custo Marginal (CMg) É o acréscimo no custo total resultante do acréscimo de uma unidade na produção. Os custos variáveis variam de acordo com o volume de produção da empresa. mão-de-obra etc. e incluem itens tais como despesas com metérias-primas. Por exemplo.efetuar pela utilização de fatores de produção variáveis.

00 37.00 10.00 CV (R$) 0 4.00 P (R$) 10.00 30.00 30.50 14.00 35.00 39.00 10. O Quadro 3 contém dados relativos a uma firma operando em concorrência perfeita.00 105. Quadro 3 Receita. J.00 30.00 50.00 30.00 40.00 10. custo variável e custo total. Aurélio Vilas Boas.00 30.00 CF (R$) 30.50 48.00 34.50 5. nos fornece o lucro total. dado pela diferença entre a receita total e os custos totais.00 30.00 -24.00 7. respectivamente. então. As colunas ( 4 ) e ( 5 ) e ( 6 ) nos fornecem os valores de custo fixo.00 10.00 81.00 10.00 (4) Custo Fixo (5) Custo Variável (6) Custo Total (4)+(5) CT (R$) 30.00 30.00 9. Verificamos.5 – A MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO NO CURTO PRAZO: ABORDAGEM TOTAL No curto prazo.00 30. e é obtida através do produto das colunas ( 1 ) e ( 2 ). a suposição de que a firma sempre irá optar pelo maior dos dois níveis de produção maximizadores de lucros. 42 .00 -5. por hipótese.00 -17. será de R$ 10 por unidade.00 10.00 (7) Lucro Total (3)–(6) LT (R$) -30.00 30.00 11.00 9. que o lucro máximo é de R$ 15 e ocorre com uma produção de 7 ou 8 unidades.5. MSc.00 -9.00 51.00 10.00 41.00 Prof.00 10.00 70.00 80. A coluna ( 3 ) nos dá os valores de receita total. O preço de mercado do produto está na coluna ( 1 ) e.50 11. então.00 100. uma firma operando em um mercado de concorrência perfeita maximizará o seu lucro total (LT) ao nível de produção em que a diferença entre a receita total (RT) e os custos totais (CT) for máxima. A coluna ( 2 ) representa o nível de produção e vendas da firma. A coluna ( 7 ) finalmente.50 55.00 30. Custos e Lucro para uma Firma em Concorrência Perfeita (1) Preço de Mercado (2) Nível de Produção e Vendas Q 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 (3) Receita Total (1)x(2) RT (R$) 0 10.00 -1.00 10.00 60.00 30.00 15.50 18. Faremos.00 20. A razão pela qual há dois níveis que maximizam o lucro é que estamos trabalhando com unidades discretas.50 15.00 90.50 44.00 75.00 65.00 10.50 25.

00 60.24.50 5.08 7.13 9. 43 .24 1.00 . Analisemos com um pouco mais de cuidado esses resultados.00 37.00 CT (R$) 30.9. Quadro 4 Receita Marginal.00 10.00 20.00 A pergunta que se faz é a seguinte: qual é o nível de produção que irá maximizar o lucro do empresário? Uma olhada no quadro acima nos mostra que o lucro será máximo quando a empresa estiver produzindo sete ou oito unidades do produto.00 10.50 11. nesta seção.0.00 RMg (R$) 10.50 LUNID.00 10. Prof.50 3.00 70. quando a RMg = CMg.00 81.00 39.00 10.00 .50 LT (R$) .50 48.82 2.10 1.87 1.00 10. produzirá onde a receita marginal for igual ao custo marginal.00 10.00 24.00 CMe (R$) 34.50 44.00 2.38 1.00 30. Custo Marginal.00 . Aurélio Vilas Boas.00 .00 4.00 6. Em termos marginais o empresário. Isso porque enquanto o acréscimo de receita for maior que o acréscimo de custo.00 15.00 10. Eles nos mostram que o empresário sempre aumentará a produção enquanto o acréscimo de receita (RMg) for maior que o acréscimo de custo (CMg).50 10.00 10. Nesse ponto o CMg = RMg = P.17.50 15.00 9.38 8.00 10.90 8. J. O equilíbrio de custo prazo da firma vai ser alcançado onde o custo marginal é igual à receita marginal. .00 100.(7) (9) Lucro Total (8) x (2) P (R$) 10.00 .00 16.00 10.00 65.00 34.00 10. analisar a maximização do lucro pela firma através do enfoque marginal.00 105.00 10.00 10.00 50.00 10.00 10.00 .0.24.8.00 2. MSc.00 10.30. Para tanto.50 13.6 – A MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO NO CURTO PRAZO – ABORDAGEM MARGINAL Vamos. Isso ocorrerá para uma produção de 8 unidades.00 10.50 .00 CMg (R$) 4.00 10.00 10.1.00 80.3.00 10.00 18. vamos nos utilizar dos valores constantes do Quadro 4.00 3.00 90. Custo Médio e Lucro (1) Preço de Mercado (2) Nível de Produção e Vendas (3) Receita Total (1) x (2) (4) Receita Marginal (5) Custo Total (6) Custo Marginal (7) Custo Médio (5) ÷ (2) (8) Lucro por Unidade (1) .5.00 41.00 40.00 Q 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 RT (R$) 0 10.5.00 . objetivando maximizar o lucro total. e o nível de produção é de 8 unidades.00 .00 10.86 8. necessariamente haverá um acréscimo de lucro.50 55.

desde que o preço seja igual ou maior que o custo variável médio. imaginemos uma firma que tenha apenas dois tipos de despesas: a folha de pagamento. fechando as suas portas. no curto prazo. Caso ela feche suas portas.5. Sabemos também que a produção no curto prazo não é afetada pelos custos fixos. e com esta receita consegue cobrir seus custos variáveis. embora tenha de continuar a pagar um aluguel no valor de R$ 130. Nessas condições a folha de pagamento representa o custo variável e o aluguel representa o custo fixo. por decorrência. a suposição de que a receita mensal desse escritório seja de R$ 100. mesmo que com prejuízo. no valor de R$ 80. 5. portanto. Façamos então. com um contrato válido por um ano.9 – QUANDO A EMPRESA DEVE FECHAR AS PORTAS? A pergunta que se faz é por que em uma situação de prejuízo a empresa não interrompe a produção. Teremos. 5. Aurélio Vilas Boas. Isso significa que. mesmo que a firma esteja operando com prejuízo. Sabemos que existem dois tipos de custo no curto prazo: os custos fixos e variáveis. no valor de R$ 80 mensais e o aluguel do escritório. podemos afirmar que a firma não encerrará suas atividades. J. Prof. Em outras palavras. quer ela produza ou não. no valor de R$ 130 por mês. Vamos analisar não só quando tais condições ocorrem como também quando é que a empresa realmente deve fechar suas portas.7 – O LUCRO NO CURTO PRAZO Uma empresa estará obtendo lucro. a única obrigação da empresa se resume em procurar cobrir seus custos variáveis. MSc. Para exemplificar. 44 .8 – O PREJUÍZO NO CURTO PRAZO Uma empresa incorrerá em prejuízo sempre que o preço do produto foi inferior ao custo médio de curto prazo. sobrando ainda R$ 20 para cobrir parte de seus custos fixos. em vez de ficar perdendo dinheiro? A resposta é que existem situações em que é mais vantajoso continuar produzindo. sempre que o preço de mercado do produto for maior que o custo médio de curto prazo. o que implicará em um prejuízo maior do que se ela continuar a produzir. e encerre sua produção ela não terá receita e nem custo variável. a curto prazo. ela não deverá fechar as portas. uma vez que a empresa tem de arcar com esses custos. Inicialmente devemos observar que se o preço estiver abaixo do custo médio e a firma. Essa empresa terá. uma vez que operando ela obtém uma receita de R$ 100. então a seguinte situação: CF = R$ 130 CV = R$ 80 CT = R$ 210 RT = R$ 100 De acordo com esses valores. estiver incorrendo em prejuízo. um prejuízo de R$ 110. a manutenção da firma aberta minimizará o prejuízo. Situação I: Empresa produzindo.

A custo prazo. este é um prejuízo com o qual ela terá de arcar. Aurélio Vilas Boas. portanto. no valor de R$ 80. que se a receita da empresa possibilitar a cobertura do custo variável e ainda houver uma sobra. 45 . a seguir. ela deve esperar que as condições de mercado melhorem. no valor de R$ 130. Entretanto. continuando ou não a produzir. suponhamos. Como consequência a empresa teria um prejuízo exatamente igual ao seu custo fixo.As alternativas entre fechar as portas e continuar produzindo são expostas a seguir: Alternativa 1: fechar as portas Custo Total = Custo Fixo = R$ 130 Receita Total = Zero Prejuízo = R$ 130 Alternativa 2: continuar a produzir Custo Total = Custo Fixo + Custo Variável = R$ 210 Receita Total = R$ 100 Prejuízo = R$ 110 Vamos então. J. Mesmo assim não valeria a pena fechar as portas e encerrar a produção. Situação II: Ponto de fechamento da empresa Voltando ao nosso exemplo numérico. agora. esta sobra contribuirá para a cobertura de parte do custo fixo. que uma diminuição de preços provoque uma queda na receita dessa empresa de R$ 100 para R$ 80. É claro que se os preços continuarem baixos no longo prazo então valerá a pena encerrar a produção. MSc. Vamos. resumir as alternativas da empresa: Alternativa 1: fechar as portas Custo Total = Custo Fixo = R$ 130 Receita Total = Zero Prejuízo = R$ 130 Alternativa 2: continuar a produzir Custo Total = Custo Fixo + Custo Variável = R$ 210 Receita Total = R$ 80 Prejuízo = R$ 130 Prof. optando por não encerrar suas atividades. E por que? Porque com essa receita seria possível cobrir todo o custo variável.

10 – MONOPÓLIO Já estudamos uma estrutura de mercado composta por um grande número de compradores e um grande número de produtores. agora. MSc. que a alternativa mais conveniente para a empresa será. tendo somente de cobrir o custo fixo. Se a firma continuar a operar ela terá um prejuízo de R$ 140. Fixado esse preço.Situação III: Empresa encerrando suas atividades Utilizando ainda o exemplo numérico. denominada concorrência perfeita. o encerramento de suas atividades. então.1 – Hipóteses Básicas A ocorrência de monopólio está condicionada ao cumprimento das seguintes hipóteses: Prof. no valor de R$ 130. Nesse caso. o preço de um produto qualquer era determinado pelas forças de oferta de mercado e demanda de mercado. então. de fato. Nessa estrutura de mercado. Devido a isso o monopolista exerce grande influência na determinação do preço a ser cobrado pelo seu produto. será mais interessante ela encerrar suas atividades e despedir seus empregados. Aurélio Vilas Boas. suponhamos que a receita da empresa caia de R$ 80 para R$ 70 mensais. de tal forma que nenhum deles exercia influência sobre o preço do produto. 5. Se ela fechar as portas. analisar o comportamento dos preços e da produção em uma estrutura de mercado que é o extremo oposto da concorrência perfeita: o monopólio. J. 5. 46 .10. O monopólio é uma situação de mercado em que existe um só produtor de um bem (ou serviço) que não tenha substituto próximo. cada empresa procurava ajustar seu nível de produção ao preço dado de modo a maximizar o lucro. não terá mais de arcar com o custo variável. As alternativas entre encerrar as atividades e continuar produzindo são expostas a seguir: Alternativa 1: fechar as portas Custo Total = Custo Fixo = R$ 130 Receita Total = Zero Prejuízo = R$ 130 Alternativa 2: continuar a produzir Custo Total = Custo Fixo + Custo Variável = R$ 210 Receita Total = R$ 70 Prejuízo = R$ 140 Verificamos. Iremos.

companhias telefônicas. Em contrapartida. 3) Proteção de patentes A posse de patentes dá ao monopolista o direito único de produzir uma particular mercadoria. Isso significa dizer que devem existir barreiras que impeçam o surgimento de competidores. protegendo. Trata-se. 47 . trilhos e terminais ferroviários). os custos fixos passam a ser distribuídos entre um número cada vez maior de unidades à medida que a produção aumenta.I – um determinado produto é suprido por uma única empresa. é ter uma curva de custo médio decrescente em uma larga faixa de produção. a posição do monopolista. tem um efeito semelhante ao controle sobre o fornecimento de matérias-primas essenciais. o que dá origem àquilo que denominamos de monopólio natural. de uma estrutura mercadológica ideal. Para que um monopólio exista é preciso manter os concorrentes em potencial afastados da indústria. Esse parece ser o caso das indústrias que têm uma parcela muito alta de custo fixo e custos variáveis relativamente baixos. J. A tecnologia desses serviços é de tal ordem que uma vez incorridos os altos custos de instalação (como geradores de força. 4) Monopólio Legal Existem casos em que o Governo concede a uma empresa um direito exclusivo para ela operar. Nesse sentido. uma vez que impede a entrada de novas firmas na indústria. II – não há substitutos próximos para esse produto. MSc. então. a expansão dos serviços vai ser feita a custos médios totais decrescentes em uma faixa de produção bastante ampla. e III – existem obstáculos (barreiras) à entrada de novas firmas na indústria (nesse caso a indústria é composta por uma única empresa). 2) Controle sobre o fornecimento de matérias-primas Se uma empresa monopolista detém o controle sobre o fornecimento das matériasprimas essenciais a um processo produtivo ela pode bloquear o ingresso de novas firmas no mercado. uma vez que fica difícil imaginar que num sistema econômico complexo e interdependente exista um produto para o qual não haja substitutos próximos. Nessas condições. dessa forma. cabendo a cada unidade uma carga cada vez menor dos custos fixos. A tendência. conferindo a essa empresa um status de Monopólio Legal. São eles: 1) Existência de “Economias de Escala” na firma monopolista implicando no surgimento do “Monopólio Natural” Uma firma já existente e de grandes dimensões pode suprir o mercado a custos mais baixos do que qualquer outra empresa que deseje entrar na indústria. o Prof. novamente. Aurélio Vilas Boas. Como exemplo podemos citar as companhias de energia elétrica. de transporte ferroviário etc. Discutiremos a seguir os principais obstáculos ao ingresso de firmas concorrentes no mercado.

devido à disponibilidade de numerosos substitutos para o produto. de restaurantes. Na realidade. porém. podemos citar os serviços de água.11 – CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA Como o próprio nome diz. estadual e municipal). reduções no preço provocarão aumentos nas quantidades vendidas. mas consumidor pode ser levado a pensar que elas existam. sendo. Costuma-se estabelecer. por sua vez. embalagem e design. Será também bastante elástica. cada produtor possui alguma liberdade para fixar seus preços. Exemplificando. tais como os serviços prestados por academias de ginástica. pode ser real ou ilegítima. regulamentados pelo governo. de aparelhos de televisão. salões de beleza. bares etc. Prof. 48 . ou DVD. de maneira artificial. por exemplo diferenças a respeito do aspecto de composição química. padarias. cada qual respondendo por uma fração da produção total de mercado. O fato de os produtos serem diferenciados é que dá ao produtor o poder de monopólio. em concorrência monopolística as empresas produzem produtos diferenciados. No caso da diferenciação real busca-se diferenças reais nas características do produto. o que dá ao consumidor outras alternativas de consumo caso ocorram aumentos de preço. os meios de transporte coletivo etc. ficando em uma situação intermediária entre essas duas formas de organização de mercado. as diferenças são superficiais. podemos citar o monopólio estatal de exploração de recursos minerais estratégicos e petróleo. portanto. a concorrência monopolística é uma estrutura de mercado que contém elementos da concorrência perfeita e do monopólio. normalmente como resultado de campanhas promocionais que. de automóveis. A curva de demanda será negativamente inclinada. ou seja. do que ocorre no monopólio. Existem. 5. tais como marca. No caso da diferenciação ilegítima do produto. J. eletricidade. de propriedade privada. cada produtor procura diferenciar seu produto a fim de torná-lo único. que pertencem e são regulamentados pelos governos (federal. Nessas condições. A diferenciação. Como exemplo. A concorrência monopolística é muito comum no setor de serviços. a diferenciação caracteriza a maioria dos mercados existentes. a exemplo. não existe um tipo homogêneo de perfume. Os Monopólios Legais são. Aurélio Vilas Boas. uma vez que somente ele produz aquele tipo de bem. O que irá diferenciar uma estrutura da outra é o que enquanto em concorrência perfeita as empresas produzem um produto homogêneo. embora substitutos próximos. Na verdade. a concorrência monopolística apresenta um grande número de empresas. apontam características diferenciadoras entre os produtos. os monopólios Estatais. Em outros casos pode não haver nenhuma diferença. MSc.Governo pode fazer exigências em relação à quantidade e qualidade do produto e impor preços e taxas a serem cobrados. ainda. serviços oferecidos por vendedores etc. Da mesma forma que na concorrência perfeita. tendo a possibilidade de ingressar na indústria ou abandoná-la com relativa facilidade. Como exemplo.

então. a concretização do cartel de forma disfarçada por intermédio de sindicatos. possuidor de várias fábricas. organizam-se as empresas de forma que elas agem como se participassem de um grande conglomerado monopolista.12. Assim. o que impossibilitou. O oligopólio apresenta como principal característica o fato de as firmas serem interdependentes. Uma das maneiras de verificar se uma indústria é um oligopólio é através da determinação do índice de concentração da indústria. de alumínio etc. estabelecer o mesmo preço. Aurélio Vilas Boas. existe. podemos citar a indústria automobilística e de cigarros cujos produtos. Há muitos tipos de cartéis. Ele pode ser conceituado como sendo uma estrutura de mercado em que um pequeno número de empresas controla a oferta de um determinado bem (ou serviço).2 – Liderança de Preços Liderança de Preço é a forma de conluio imperfeito em que as empresas do setor oligopolístico decidem. o Carlton é diferente do Hollywood. objetivando aumentar os lucros totais do mesmo. aceitando a Prof. 5. Na ausência desta. Vamos. e assim por diante). não são idênticos (o Astra é diferente do Gol. Em sua forma mais perfeita existe o cartel Centralizado. através de uma agência coordenadora. MSc. ainda. São inúmeras as maneiras pelas quais um oligopolista pode agir e reagir. Isso decorre do pequeno número de firmas existentes na indústria. Exemplos de oligopólios puros podem ser encontrados na indústria de cimento. cada um dos quais partindo de diferentes hipóteses. O oligopólio pode ser puro ou diferenciado.5. Ele será considerado puro caso os concorrentes ofereçam exatamente o mesmo produto homogêneo (substitutos perfeitos entre si). e significa que as firmas levam em consideração e reagem às decisões quanto a preço e produção de outras firmas. Essa organização formal determina as políticas para todas as empresas do cartel. O surgimento do oligopólio se dá por razões semelhantes às do monopólio. tais como economia de escala e o controle sobre a oferta de matérias-primas e patentes. Por essa razão tal forma de conluio perfeita leva à solução de monopólio. associações e clubes. Como exemplo. sem acordo formal. em outras. Esse método nos fornece o percentual da produção total da indústria que é controlada pelos quatro (às vezes oito) maiores produtores. 49 . que determina todas as decisões para todas empresas-membro. a construção de uma teoria geral do oligopólio. J. caracterizar duas situações oligopolísticas. tudo o que temos são modelos de oligopólio. embora semelhantes. 5.1 – Cartéis Cartel é uma organização formal de produtores dentro de um setor.12. até agora. a prática da cartelização ocorre sem que haja qualquer documento explicitando o comportamento do cartel. Caso os produtos não sejam homogêneos o oligopólio será considerado diferenciado. Muitas vezes os acordos entre as firmas concorrentes são tornado públicos.12 – OLIGOPÓLIO O oligopólio é a forma de mercado que atualmente prevalece nas economias do mundo ocidental.

5. etc. O mercado. e como consequência são alijadas do mercado. fica. entretanto. Homogêneo: alumínio Considerável Diferenciado: automóveis Prof. acompanhadas de suas principais características: ESTRUTURA Número de Empresas Diferenciação do Produto Produto Homogêneo Produto único sem substituto próximo Produto Diferenciado Homogêneo Ou Diferenciado Condições de entrada e saída Influência sobre o preço Nenhuma (são tomadoras de preços) Forte Exemplos Concorrência Perfeita Muitas Fácil Alguns produtos agrícolas Serviços telefônicos Monopólio Uma Difícil Concorrência Monopolística Muitas Fácil Oligopólio Poucas Difícil Comércio varejista. um acordo não formal). ou então aceitam o preço praticado pela rival de menores custos. J. Desta forma. um quadro que resume as quatro principais estruturas de mercado.liderança de preço de uma empresa da indústria. Leve restaurantes. As firmas menos favorecidas em termos de preços tornam-se seguidoras dos preços fixados pela firma líder. De início. resta às firmas que oferecem o produto a preços mais elevados duas possibilidades: ou mantêm o preço. e continuam no mercado. responsável pela determinação do nível de venda do produto. a seguir.13 – RESUMO DAS ESTRUTURAS DE MERCADO Apresentamos. preferirá o produto que esteja sendo oferecido a preços mais baixos. sem maximizar seus lucros. consegue se impor como líder do grupo. 50 . através de um acordo tácito (isto é. Aurélio Vilas Boas. os preços podem ser diferenciados. Por essa razão. Esse modelo pressupõe que a liderança decorre do fato de uma das firmas rivais possuir estrutura de custos mais baixos que as demais. que é mais baixo. Assim é que a firma líder de preços. MSc.

como pela entrada de capitais financeiros internacionais. 1 libra pode custar 5 reais. pagamentos de juros. em consequência. haverá maior oferta de divisas. remessas de lucros. ou que a moeda nacional está desvalorizada. 51 .000 unidades de seu produto a 50 dólares cada.80 reais. pois os exportadores passarão a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da exportação. pela decisão das autoridades econômicas com a fixação periódica das taxas (taxas fixas de câmbio). isto é. saída de turistas. Por exemplo. Assim. e o dólar desvalorizado.6 TAXA DE CÂMBIO15 6. Economia: Micro e Macro. a expressão desvalorização cambial indica que ouve um aumento da taxa de câmbio – maior número de reais por unidade de moeda estrangeira. Se a taxa de câmbio se encontrar em patamares elevados. exigindo que se fixe a relação de troca entre ambas. 2006 Prof. e também pela saída de capitais financeiros. utilizam-se mais os termos apreciação e depreciação cambial. Nesse caso. por exemplo. entram necessariamente em jogo duas moedas.000 dólares. J. Na literatura internacional. uma queda na taxa de câmbio. em vez de valorização e desvalorização. A oferta de divisas é realizada tanto pelos exportadores. ser definida como o preço da moeda estrangeira (divisa) em termos da moeda nacional. São Paulo: Saraiva. A moeda nacional é desvalorizada. A determinação da taxa de câmbio pode ocorrer de dois modos:   Institucionalmente. valorização cambial significa moeda nacional mais forte. Marco Antonio Sandoval de. com o resultado da balança comercial do país. Uma taxa de câmbio elevada significa que o preço da divisa estrangeira está alto.1 – CONCEITO Quando dois países mantêm relações econômicas entre si. Assim. Por sua vez. e o dólar. por exemplo. em consequência. A demanda de divisas é constituída pelos importadores. e tem-se. estimulará as exportações. ou 15 VASCONCELLOS. pagam-se menos reais por dólar. A taxa de câmbio está intimamente relacionada com os preços dos produtos exportados e importados e. Pode. A taxa de câmbio é a medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros países. consequentemente. também. valorizado. turistas etc. ou pelo Funcionamento do mercado. 1 dólar pode custar 3. que recebem moeda estrangeira em contrapartida a suas vendas. MSc. precisa ser convertida em moeda nacional. Seu faturamento era de 50. no qual as taxas flutuam automaticamente em decorrência das pressões de oferta e demanda de divisas estrangeiras (taxas flutuantes ou flexíveis). uma vez que a moeda nacional não é aceita fora do país. Aurélio Vilas Boas. a moeda nacional foi valorizada. e que o exportador vendia 1. eu precisam delas para pagar suas compras no exterior. suponhamos um taxa de câmbio de 2 reais por dólar. Como a divisa não pode ser utilizada internamente.

Uma vantagem frequentemente apontada para a manutenção de uma taxa de câmbio relativamente fixa refere-se ao fato de que. a moeda nacional encontra-se valorizada) surte efeito contrário tanto nas exportações como nas importações. importadores e devedores em dólar). ocorrendo uma apreciação cambial no caso inverso. existem regimes intermediários. teremos uma valorização cambial. Aurélio Vilas Boas. consequentemente. entre os dois casos. na qual é adotado o regime de câmbio flutuante. a situação se inverte. sem grandes oscilações.000 dólares. mas com intervenções do Banco Central. Se a taxa de câmbio sobe tem-se uma depreciação cambial. 6. útil para controle da inflação. a taxa de câmbio subirá para 2.000 reais. haverá um desestímulo às importações e. Enquadra-se dentro das regras do câmbio fixo.50 reais por dólar e. Do lado das importações. uma queda na demanda por divisas. Ou seja. Ou seja. existem dois grandes tipos de regime cambial. só que valendo agora 125. Na verdade. dizemos que houve uma desvalorização cambial. a quantidade de moeda local varia em função da entrada e da saída de divisas. aumentando a oferta de divisas. sendo. uma taxa dá maior previsibilidade para os agentes do mercado (principalmente exportadores. além do câmbio fixado. pois se os preços dos produtos importados se elevam. adotado por certo período no Plano Real (até janeiro de 1999). Taxas de câmbio flutuantes ou flexíveis: a taxa de câmbio varia de acordo com a demanda e a oferta de divisas. 1. Isso estimulará o exportador a vender mais. vendendo as mesmas 1. em moeda nacional (os importadores pagarão mais reais pelos mesmos dólares pagos antes das importações). Se a taxa foi fixada em um valor mais elevado. o de taxas fixas e o de taxas flutuantes de câmbio. comprando e vendendo divisas de forma a manter a taxa de câmbio em níveis adequados. receberá os mesmos 50. caso contrário. o qual tem-se que. e compromete-se a comprar divisas à taxa fixada. 52 . como o comércio exterior é relativamente instável. Se o câmbio for desvalorizado em 10%. o que se ajusta é a taxa de câmbio. Há um desestímulo às exportações e um estímulo às importações. a oferta de moeda fixa ancorada ao volume de reservas cambiais. com o mercado determinando a taxa. Taxas fixas de câmbio: o Banco Central fixa antecipadamente a taxa de câmbio. porque permanece a obrigação do Banco Central de disponibilizar reservas para atender ao mercado. Uma taxa de câmbio sobrevalorizada (isto é. O que se ajusta é a oferta e a demanda de divisas. como a chamada flutuação suja ou dirty floating.2 – REGIMES CAMBIAIS: TAXAS DE CÂMBIO FIXAS E TAXAS DE CÂMBIO FLUTUANTES (FLEXÍVEIS) De modo geral. se necessário. MSc. J. em que se admite flutuação dentro de limites fixados pelo Banco Central.000 reais. Prof. evita aumentos de preços de produtos importados. 2. Além disso.000 unidades.100. ao valor fixado. Outro regime intermediário é o de bandas cambiais. e o Banco Central não tem o compromisso de comprar divisas no mercado. Ainda dentro do regime de câmbio fixo há o chamado currency board. portanto.

Política monetária mais independente do câmbio. Com relação ao regime de câmbio flutuante. Maior dificuldade de controle das pressões inflacionárias devido às desvalorizações cambiais. devido ao aumento do custo dos produtos importados. se o Banco Central fixa o câmbio. CÂMBIO FLUTUANTE (FLEXÍVEL) O mercado (oferta e demanda de divisas) determina a taxa de câmbio Banco Central não é obrigado a disponibilizar as reservas cambiais. com o Banco Central podendo realizar intervenções esporádicas no mercado cambial.      DESVANTAGENS   VANTAGENS Maior controle da inflação. Hoje em dia. no Brasil. .Entretanto. pois fica dependente da situação cambial. os países que adotam o câmbio fixo tendem a valorizar sua moeda. Como o Banco Central é obrigado a disponibilizar suas reservas. como veremos em seguida. faz com que a política monetária torne-se passiva. do nível de atividade e emprego). O quadro abaixo resume as diferenças existentes entre os dois tipos principais de regimes cambiais. além de todas as implicações de aumento da taxa de juros sobre o setor produtivo (retração dos investimentos. o que a torna mais protegidas em face de ataques especulativos. Como defesa. o que. sua principal vantagem é que o Banco Central não precisa disponibilizar suas reservas. o Banco Central precisa aumentar a taxa de juros. estas ficam muito vulneráveis a ataques especulativos. o sistema mais frequente é o de flutuação suja. A política monetária (taxa de juros) fica dependente do volume de reservas cambiais. vigora o sistema de taxa de câmbio flutuante. e em grande parte do mundo. levando ao déficit na Balança Comercial. o regime de câmbio fixo apresenta algumas desvantagens importantes. Em outras palavras. 53 CÂMBIO FIXO   CARACTERÍSTICAS Banco Central fixa a taxa  de câmbio. As principais desvantagens do câmbio flutuante referem-se à maior dependência da volatilidade do mercado financeiro internacional e à maior dificuldade de controlar as pressões inflacionárias. J. consequentemente. Ou seja. Com isso. e. A taxa de câmbio fica muito dependente da volatibilidade do mercado financeiro nacional e internacional. Ademais. MSc. Banco Central é obrigado a disponibilizar as reservas cambiais. Ou seja.  Prof. Aurélio Vilas Boas. (custo das importações) Reservas cambiais vulneráveis a ataques especulativos. a política monetária torna-se mais independente da situação cambial. Reservas cambiais mais protegidas de ataques especulativos. seja para manter divisas no país. desestimula exportações e estimula importações. deixa de realizar política monetária. seja para atrair capital financeiro externo.

essa política cambial está acoplada com uma política de abertura comercial. pelo aumento da competição externa. por exemplo. muitos economistas criticaram tal política alegando que ela poderia levar a uma “armadilha cambial” com o seguinte argumento: quando o país cresce. por seu turno. constituindo-se numa verdadeira “armadilha” cambial. Embora realmente uma desvalorização cambial possa proporcionar um aumento das exportações e uma queda na maior parcela dos produtos importados.4 – EFEITO DAS VARIAÇÕES NA TAXA DE CÂMBIO SOBRE A TAXA DE INFLAÇÃO Um dos mais importantes instrumentos utilizados para o controle da inflação tem sido a valorização cambial. 6. uma política de valorização cambial tende a aumentar a dependência do país de financiamentos externos. Assim. isto é. aumentando a concorrência com os nacionais. os exportadores brasileiros receberão mais reais por dólar exportado. tanto para o setor exportador. o que provoca uma pressão pela queda dos preços internos. o efeito mais imediato é o aumento no custo das importações. as desvalorizações cambiais tendem a estimular as exportações e a desestimular as importações. e pela modernização do parque produtivo propiciada pelas importações mais baratas. de âncora cambial. como. torna a moeda nacional mais forte. o que representa restrição externa ao crescimento. Isso traz uma pressão sobre os custos de produção e.3 – EFEITO DAS VARIAÇÕES NA TAXA DE CÂMBIO SOBRE EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES Com uma desvalorização cambial. os importadores pagarão mais reais por dólar e tendem a importar menos. com quedas acentuadas das tarifas sobre importações e das barreiras protecionistas. ao valorizar-se o câmbio. Isso porque. o que inclui muitos produtos essenciais. e não do crescimento da renda interna. os compradores estrangeiros. Prof. e pressionar a inflação. de liberalização de importações. Pelo lado da demanda. Tomando como referência o Plano Real. cuja demanda é inelástica. enquanto os exportadores estrangeiros receberão menos dólares por real. leva um certo tempo para essa resposta. implementado a partir de julho de 1994. vendendo menos ao Brasil. tornando a moeda nacional mais forte. consequentemente. que perde mercado pela maior valor relativo de seu produto. Inequivocamente. J. nesse contexto. chamada. Aurélio Vilas Boas. mas isso não ocorre necessariamente com as exportações. Na verdade. ela tem impactos negativos. Pelo lado da oferta. que utilizou uma política de valorização cambial até janeiro de 1999. compram mais produtos brasileiros e os exportadores tendem a exportar mais. Geralmente. Assim. a valorização da moeda nacional é um instrumento adequado para controlar a inflação. que dependem do aumento da demanda externa. O efeito da desvalorização cambial sobre as taxas de inflação é chamado de pass-through. as importações tendem a aumentar. MSc.6. o petróleo. estimula-se a compra de produtos importados. sobre as taxas de inflação. Nesse sentido. o nível da taxa de câmbio deve ser relativamente alto para estimular as exportações e relativamente baixo para não encarecer demasiado as importações. além de colaborar com a melhoria da eficiência produtiva. a taxa de câmbio sobe (o preço do dólar sobe. o que estimulará a compra de produtos importados. quanto para os setores que eram mais protegidos e passaram a sofrer a concorrência dos importados. mas desestimula a venda dos exportados. em reais). 54 . Entretanto. com os mesmos dólares. A valorização cambial.

Quando as taxas reais de juros internas diminuem. há uma tendência a um aumento do fluxo de capitais financeiros internacionais para o país. 55 . diminui a competitividade de nossos produtos. aumentando a competitividade das exportações. isto é. Portanto. o efeito sobre os juros é menor. que afetam diretamente a taxa de câmbio:  Quando as taxas reais de juros internas aumentam em relação às externas. assim. e inibir a compra de produtos importados. teremos apenas uma desvalorização nominal (de 20%). se houver um excesso de demanda de divisas. Paralelamente. se a taxa de câmbio variar 20% no mês. portanto. mas não desvalorização real. Aurélio Vilas Boas. o que também redunda em valorização da moeda nacional. J. diminuindo a saída de divisas do país e. o efeito seria nulo: o estímulo representado pela desvalorização nominal foi anulado pelo aumento dos preços internos. Por exemplo. uma desvalorização do euro (moeda adotada em quase todos os países da Comunidade Econômica Européia). a fim de manter suas reservas. Assim. para avaliar a competitividade dos produtos brasileiros no comércio exterior. e promovendo uma queda da taxa de câmbio. 6. aumentando. É necessário também que a inflação interna seja superior à inflação internacional (externa).5 – VARIAÇÃO NOMINAL E VARIAÇÃO REAL DO CÂMBIO A valorização real é igual à valorização nominal. já que o Banco Central não é obrigado a disponibilizar suas reservas. para que ocorra a desvalorização real. não basta a desvalorização nominal superar a taxa de inflação interna. provocando uma desvalorização da moeda nacional.  No sentido inverso. Rigorosamente.6 – RELAÇÕES ENTRE TAXA DE CÂMBIO. Só ocorrerá desvalorização real se a desvalorização nominal superar a taxa de inflação. menos a taxa de inflação do período. não o nominal. o Banco Central pode ser obrigado a elevar a taxa de juros. os efeitos da política cambial sobre as taxas de juros internas. a oferta de divisas estrangeiras (dólar por exemplo). Prof. os nacionais ficam atraídos a investir no mercado interno de capitais. relativamente às externas. a demanda de divisas. independente da política cambial brasileira. mas a inflação alcançar também 20%. vimos anteriormente que dependerá principalmente do regime cambial adotado pelo país. MSc. como no caso de um ataque especulativo. No câmbio fixo. para atrair ou evitar a saída de dólares no país. No câmbio flutuante. TAXA DE JUROS Alterações das taxas de juros internas. provocam movimentações de capitais financeiros. tem-se um efeito contrário: uma queda na oferta e um aumento da demanda de divisas. se o objetivo de política econômica é melhorar o saldo da balança comercial. Nesse caso. em relação às internacionais. e consequentemente uma valorização da moeda nacional. o conceito relevante é o de câmbio real.6.

que por ser escasso era aceita na Roma Antiga como moeda. As pessoas de posse de ouro. o sal. Essa aceitação é garantida por lei. Alguns desses bancos receberam o privilégio do monopólio da emissão de notas bancárias. o guardavam em casas especializadas (embrião do atual sistema bancário). a moeda mercadoria constitui a forma mais primitiva de moeda na economia. passando a ter aceitação geral. em seguida. porque possuíam lastro e podiam ser convertidos a qualquer instante em ouro. onde ourives – pessoas que trabalhavam o ouro e a prata – emitiam certificados de depósitos dos metais. por suas características peculiares ou pelo próprio fato de serem escassas. carne). Esses bancos começaram a emitir notas ou recibos bancários que passaram a circular como moeda. 2006 Prof. pois o ourives. Marco Antonio Sandoval de. J. Os metais preciosos passaram a assumir a função de moeda por diversas razões: são limitados na natureza. foi implantada a “cunhagem” da moeda pelos governantes. o fluxo de trocas de bens e serviços na economia dava-se por escambo. percebendo que sempre permanecia em sua firma determinado montante de metais preciosos sobre os quais não havia comando. outros bens assumiram idêntica função. 16 Adaptado de VASCONCELLOS. MSc. possuem durabilidade e resistência. a moeda tem “curso forçado”.7 TEORIA MONETÁRIA16 7. o novo detentor do título poderia retirar o montante correspondente de metal com o ourives. e. a partir do século XVII. sem nenhum lastro. Ao adquirir bens e serviços. São Paulo: Saraiva. com trocas diretas de mercadoria por mercadoria (economia de trocas). Como o depositário do metal merecia a confiança de todos. Se alguém tivesse a mercadoria sal em excesso e precisasse trocá-la por outra (por exemplo. já que. 56 . o que deu origem à atual moeda metálica. para pagamento de bens e serviços. Em diversas épocas e locais diferentes. É fácil imaginar os transtornos trazidos por tal mecanismo. Mais tarde. Economia: Micro e Macro. por questão de segurança. passou a emitir moeda-papel em proveito próprio. certas mercadorias passaram a ser aceitas por todos. sendo esse monopólio a origem de muitos bancos centrais. Aurélio Vilas Boas. precisaria primeiro localizar alguém que tivesse carne em excesso e desejasse sal. Ao longo do tempo. O papel-moeda de hoje teve origem na moeda-papel. o lastro tornou-se menor que 100%. dando origem ao papel-moeda. as pessoas podiam então fazer os pagamentos com esses certificados. Por exemplo. esses certificados foram ganhando livre circulação. Para exercer o controle sobre os metais em circulação. por serem transferíveis. Portanto. ou seja. Antes da existência da moeda. teria de resolver o problema das quantidades e divisibilidade: quanto de sal seria necessário para comprar um boi? E se a pessoa precisasse de apenas meio boi? Com a evolução da sociedade. entretanto. surgiram os bancos privados.1 – CONCEITO DE MOEDA Moeda é um instrumento ou objeto aceito pela coletividade para intermediar as transações econômicas. são divisíveis em peso etc.

Assim. denominando-se moeda de curso forçado ou moeda fiduciária (de fidúcia.como o banco da Inglaterra. Prof. Um último esforço da manutenção de um regime de moeda lastreada foi o Acordo de Bretton Woods (1944). Moeda escritural ou bancária: é representada pelos depósitos à vista (depósitos em conta corrente) nos bancos comerciais (é a moeda contábil. constituem pequena parcela da oferta monetária e visam facilitar as operações de pequeno valor e/ou com unidade fracionada (troco). 7. Posteriormente. e as demais moedas tinham suas paridades fixadas em relação ao próprio dólar. O ouro. e a deflação (queda de preços) a valoriza. quase todas as moedas nacionais do mundo passaram a ser fiduciárias. Assim. Reserva de valor: a posse da moeda representa liquidez imediata para quem a possui. serve para intermediar o fluxo de bens. o Estado passou a monopolizar a emissão do papel-moeda lastreado em ouro (padrão-ouro). Denominador comum monetário: possibilita que sejam expressos em unidades monetárias os valores de todos os bens e serviços produzidos pelo sistema econômico.   O papel-moeda e as moedas metálicas em poder do público (famílias e empresas) são denominados moedas manuais. Claro está que o requisito básico para que a moeda funcione como reserva de valor é sua estabilidade diante dos preços dos bens e serviços. ou a critério das autoridades monetárias de cada país. a partir de 1920 o padrão-ouro foi abandonado.2 – FUNÇÕES DA MOEDA As funções da moeda no sistema econômico são fundamentalmente as seguintes:   Instrumento ou meio de troca: por ter aceitação geral. escriturada nos bancos comerciais). uma vez que a capacidade de emitir moeda estava vinculada à quantidade de ouro existente. J. já que a inflação corrói o poder de compra da moeda. pode ser acumulada para a aquisição de um bem ou serviço no futuro. contudo. serviços e fatores de produção da economia. Em 1971. representa parcela significativa da quantidade de dinheiro em poder do público.3 – TIPOS DE MOEDA Existem três tipos de moeda:  Moedas metálicas: emitidas pelo Banco Central. com a suspensão da conversibilidade do dólar em outro. pelo qual o dólar norte-americano respeitava uma regra de padrãoouro. Aurélio Vilas Boas. ao impor um limite à oferta monetária. e o padrão-ouro passou a apresentar um obstáculo à expansão das economias nacionais e do comércio internacional. é um metal com reservas limitadas na natureza. É um padrão de medida.  7. fundado em 1694 por um grupo de banqueiros privados para financiar os déficits da Coroa. não sendo lastreada em metais preciosos. Papel-moeda: também emitidas pelo Banco Central. 57 . MSc. a moeda passou a ser aceita por força de lei. e a emissão de moeda passou a ser livre. confiança). Dessa forma.

Sabendo-se que M1 = moeda em pode do público + depósitos à vista nos bancos comerciais. a moeda tem seu preço e quantidade determinados pela oferta e demanda. Ou seja. Note. A liquidez da moeda é a capacidade que ela tem de ser um ativo prontamente disponível e aceito para as mais diversas transações. Enfim. 17 A inclusão da quase-moeda origina outras definições de moeda. como os títulos públicos. conceituados como moeda de liquidez imediata. que não rendem juros. na literatura mais específica. J. Nesse sentido. Aurélio Vilas Boas. ou seja. Também não são considerados. rendem juros. os depósitos à vista ou em conta corrente não são dinheiro dos bancos. 58 . MSc. isto é.4 – OFERTA DE MOEDA Como qualquer mercadoria. que pode ser utilizada imediatamente para efetuar transações. Os demais ativos financeiros.ativo que tem alta liquidez (embora não tão imediata) e que rende juros. os economistas incluem como moeda a chamada quase-moeda17 . quanto a coletividade tem de moeda “física” (metálica e papel) com o público ou no cofre das empresas somando a quanto ela tem em conta corrente nos bancos. aquela que não está aplicada em contas ou ativos remunerados. Os meios de pagamento no conceito M1 também são chamados de ativos ou haveres monetários. são chamados de ativos ou haveres não monetários. como letras de câmbio e letras imobiliárias. ou seja. Os meios de pagamento. Prof. letras de câmbio. excluem-se a moeda que está com os próprios bancos comerciais e a que está com as autoridades monetárias. de M1. então. é a moeda que não está rendendo juros. Para alguns objetivos. Os meios de pagamento em sua forma tradicional são dados pela soma da moeda em poder do público mais os depósitos á vista nos bancos comerciais. de liquidez imediata. O dinheiro que pertence aos bancos são seus encaixes (caixa dos bancos comerciais) e suas reservas (quanto os bancos comerciais mantêm depositado no Banco Central). 7. Veremos que a moeda pode ser ofertada pelas autoridades monetárias e pelos bancos comerciais. também são chamados. hipotecárias e imobiliárias). que rendem juros. também. que o conceito econômico de moeda é representado apenas pela moeda que está com o setor privado não bancário. as cadernetas de poupança. estaduais e municipais. mas dinheiro que pertence ao público não bancário. podemos também conceituar:  M2 = M1 + depósitos de poupança + títulos privados (depósitos a prazo. Os meios de pagamento constituem o total de moeda à disposição do setor privado não bancário.1 – Conceito de meios de pagamento A oferta de moeda também é chamada de meios de pagamento. as cadernetas de poupança e os depósitos a prazo nos bancos comerciais (captados via certificados de depósitos bancários – CDBs). os depósitos a prazo e alguns títulos privados. por duas razões: não são de liquidez imediata e são remunerados.  M4 = M3 + títulos públicos federais. na definição tradicional de meios de pagamento. pela soma da moeda manual e da moeda escritural. Os meios de pagamento representam.  M3 = M2 + fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos federais.4.7. A oferta de moeda é o suprimento de moeda para atender às necessidades da coletividade.

A Lei nº 4. MSc.2 – Oferta de moeda pelo Banco Central O Banco Central é o órgão responsável pela política monetária e cambial do país. crédito. pois os depósitos a prazo não são meios de pagamento. A monetização é o processo inverso: com inflação baixa. 18 No Brasil. que criou os dois órgãos. de forma compatível com o nível de atividade econômica e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Já com o saque de um cheque no balcão do banco não há nem criação nem destruição de meios de pagamento. a destruição de moeda ocorre quando se faz uma redução dos meios de pagamento. conforme o art. de 31/12/1964. J. Compete ao Banco Central do Brasil (Bacen) cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pela Conselho Monetário Nacional (CMN). 59 . com a sansão do Presidente da República. isto é. O CMN e o Bacen desempenham o papel de autoridade monetária.595. Criação e Destruição de Moeda (ou de Meios de Pagamento) Ocorre criação de moeda quando há aumento do volume de meios de pagamento. e rendem juros. pois simplesmente houve uma transferência de depósitos à vista (moeda escritural) para moeda em poder do público (moeda manual). 7. inversamente. o Banco Central deve procurar manter a liquidez da economia. atendendo às necessidades de transações do sistema econômico18. taxas de juros e câmbio. deu ao CMN as principais funções decisórias e ao Bacen as funções executivas de supervisão e fiscalização bancária. as pessoas mantêm mais moeda que não rende juros em relação aos demais ativos financeiros. O grau de monetização ou desmonetização pode ser medido pela razão : quando M1 aumenta em relação a M4. em decorrência do fato de as pessoas procurarem defender-se da inflação com aplicações financeiras que rendem juros. que tem como objetivo regular o montante de moeda. Ou seja. dispor sobre limites de emissão monetária e montante da dívida mobiliária federal. Quando o depositante retira depósito à vista e o coloca em depósito a prazo . dado que não são de liquidez imediata. diminui a quantidade de moeda sobre o total de ativos financeiros. já que saem do público e retornam ao caixa dos bancos. quando M1 cai relativamente a M4. O resgate de um empréstimo no banco é destruição de moeda.Monetização e Desmonetização da Economia Em processos inflacionários intensos normalmente ocorre a chamada desmonetização da economia. ocorre destruição de moeda.4. cabendo-lhe cumprir e fazer cumprir as decisões do CMN. Alguns exemplos ilustram esses fatos:    O aumento dos empréstimos ao setor privado é criação de moeda. Prof. ocorre a desmonetização. 48 da Constituição Federal. cabe ao Congresso Nacional. reduzem-se os meios de pagamento. Aurélio Vilas Boas. pois os bancos comerciais tiram-na de suas reservas e a emprestam ao público. há monetização.

Fiscalização das instituições financeiras. Uma das mais importantes missões do Banco Central é a defesa da moeda nacional. precisam ser socorridos. para não deixarem seus recursos ociosos. Depósitos compulsórios ou reservas obrigatórias: os bancos comerciais.As funções clássicas do Banco Central:    Execução da política monetária: a principal atribuição de um Banco Central é o controle da oferta de moeda e crédito. o volume de moeda manual da economia. a câmara de compensação de cheques e outros papéis foi delegada ao Banco do Brasil. . J. devido à eventual utilização abusiva do Banco Central pelo governo para o financiamento de déficits públicos. No segundo caso. que é uma função normativa – regula a moeda e crédito do sistema econômico. Basta o Banco Central aumentar ou diminuir o 60  Prof. sob supervisão do Bacen. Muitos hoje questionam essa função. os depositam no Banco Central. seja em função dos objetivos mais gerais de política econômica. Banco do governo: cabe ao Banco Central receber depósitos do governo e lhe conceder créditos. há a necessidade de transferência de fundos entre os bancos comerciais. Instrumentos de Política Monetária As alterações de política monetária. Banco dos bancos: o fluxo de caixa dos bancos tanto pode apresentar insuficiência de recursos como excesso. Execução da política cambial e administração do câmbio: controle das operações com moeda estrangeira e capitais financeiros externos. os bancos. o que é feito por meio de suas contas no Banco Central. No primeiro caso. MSc. são feitas por meio dos seguintes instrumentos:  Controle das emissões: o Banco Central controla. Aurélio Vilas Boas. Controle e regulamentação da oferta de moeda. por força da lei. são obrigados a depositar no Banco Central um percentual determinado por esse sobre os depósitos à vista. o Banco Central utiliza os instrumentos de política monetária.     Para exercer essas funções. No Brasil. Além disso. Banco emissor: cabe à autoridade monetária de um país a função de emitir o papel-moeda e a moeda metálica. e quem o faz é o Banco Central. além de possuírem os chamados encaixes técnicos (o caixa dos bancos comerciais). cabendo a ele as determinações das necessidades de novas emissões e respectivos volumes. como resultado positivo ou negativo da câmara de compensação de cheques e outros papéis. seja para correções de eventuais desvios na expansão ou contração dos meios de pagamento com relação à programação monetária.

fixando a taxa de juros. Dessa forma. para estimular a compra de máquinas agrícolas. Aurélio Vilas Boas. Existem os redescontos de liquidez. o Banco Central abre uma linha especial de crédito. a taxa selic 19): para vender os títulos públicos.3 – Oferta de moeda pelos bancos comerciais. que são empréstimos autorizados pelo Banco Central visando beneficiar setores específicos. por exemplo. A mudança na taxa cobrada pelas autoridades monetárias influi no sentido de aumentar ou diminuir o crédito concedido aos bancos comerciais. No entanto. contingenciando o crédito. Além de uma conta de depósitos compulsórios. MSc. quando o governo compra os títulos. 61 .4. Um depósito à vista ou em conta corrente num banco comercial representa um fundo disponível. 7. J. o que aumenta a oferta de moeda (os meios de pagamento). os limites de prazos para o crédito ao consumidor etc. já que parte da moeda em poder do público retorna ao governo como pagamento desses títulos. Por exemplo. o banco precisa guardar em seus cofres apenas a parte dos depósitos à vista que lhe permita cobrir as reservas técnicas ou de caixa (para pagamento dos cheques) e os depósitos 19 Selic – Serviço Especial de Liquidação e Custódia. Ao contrário. aumentar a oferta de moeda) com a multiplicação da moeda escritural ou depósitos à vista. em que são lançados os cheques de compensação entre os bancos. o Banco Central normalmente deve elevar a taxa de juros. efetua pagamento em moeda a seus portadores. o Banco Central pode afetar o fluxo de moeda pela regulamentação da moeda e do crédito.  Além desses instrumentos típicos da política econômica. O Banco Central mantém uma carteira de títulos para realizar operações reguladoras da oferta monetária. e os redescontos especiais ou seletivos. portanto. Prof. Essas operações afetam e são afetadas pela remunerações oferecidas por esses títulos. existe um fluxo contínuo de depósitos e saques.  Operações com mercado aberto (open Market): consistem na compra e venda de títulos públicos ou obrigações pelo governo. os bancos comerciais mantêm no Banco Central uma conta de depósitos voluntários (ou reservas livres). que são empréstimos para os bancos comerciais cobrirem eventual débito na compensação de cheques. Quando o governo coloca seus títulos para o público. que pode ser movimentado a qualquer instante pelo titular da conta corrente por meio de cheque. O multiplicador monetário Os bancos comerciais também podem aumentar os meios de pagamento (isto é. na criação de depósitos ou moeda escritural). de tal forma que o banco não precisa manter a totalidade dos recursos captados de depósitos à vista para fazer frente aos pagamentos dos cheques emitidos pelos correntistas. que é a taxa de juros básica da economia (no Brasil. pela qual os bancos comerciais emprestam (descontam) aos produtores rurais e redescontam o título no Banco Central. que podem ser empréstimos ou redesconto de títulos. Operações de redesconto: englobam a liberação de recursos pelo Banco Central aos bancos comerciais.percentual do depósito compulsório para influir no volume ofertado de empréstimos bancários (e. o efeito é o de reduzir os meios de pagamento (“enxuga” os meios de pagamento).

1. e assim sucessivamente.000. o banco retém o montante de reservas que cubra as reservas técnicas. d) Os bancos irão reter apenas o necessário para cobrir as reservas e emprestarão os recursos remanescentes. não criando moeda (meios de pagamento) adicional com essas operações. Aurélio Vilas Boas. estamos supondo por enquanto que. depósitos à vista. por sua vez faz novo depósito à vista.1 – O efeito de criação múltipla do depósito à vista Banco A B C D Depósito à Vista 100.400 8.000 36. portanto. a oferta inicial de moeda manual de até $ 100. e o restante torna a emprestar para outro cliente. dentre os intermediários financeiros privados. nesse processo. Note que apenas os bancos comerciais.960 5. Os chamados intermediários financeiros não bancários.600 12. a moeda em poder do público é nula).776 11.000 Como observado.664 somados Total 250.184 7. podendo emprestar o restante a seus clientes.000 transformou-se Prof.960 E 12. bancos de investimentos. J. b) As pessoas depositarão todo o dinheiro nos bancos comerciais para movimentá-lo por meio de cheques (por simplificação. bem com o depósito compulsório e o depósito voluntário no Banco Central. Ou seja. pois dispõe de uma carta-patente que lhe permite fazer isso. por terem carta-patente que lhes permite emprestar os depósitos do público.000 21. apenas transferindo dinheiro de emprestadores para tomadores. e suas obrigações não são consideradas meios de pagamento.000 14. c) Os bancos precisam manter em reservas técnicas.000 60. O efeito de criação múltipla de depósito à vista e. como as financeiras. que.440 7. 62 . MSc.000 150. compulsórias e voluntárias 40% dos depósitos. enquanto as instituições financeiras não bancárias não são autorizadas a manter depósitos.600 Reserva dos Bancos comerciais (40% dos depósitos à vista) 40.000 36.compulsórios e voluntários (cheques de compensação). apenas transferem recursos de aplicadores para tomadores. O cliente que tomou o dinheiro emprestado faz um depósito à vista no mesmo ou em outro banco.776 Demais bancos 19.000 21. sendo essa quantidade de moeda entregue ao público. de meios de pagamento pode ser visualizado na Tabela 7. Desse novo depósito. supõe-se que: a) A emissão primária da moeda pelo Banco Central seja $ 100. Tabela 7.000 24. apenas os bancos comerciais podem criar oferta de moeda.000 100.640 Empréstimos 60. podem efetuar empréstimos com suas obrigações. isto é.

em uma oferta total de moeda escritural (depósitos à vista) de $ 250.000. O efeito multiplicador da moeda escritural é dado por uma progressão geométrica decrescente. De uma forma mais simples, ele é dado pelo inverso da porcentagem da reserva bancária, ou:

Em que: m = efeito multiplicador monetário; r = taxa ou percentagem de reserva dos bancos comerciais sobre os depósitos à vista.

7.5 – DEMANDA DE MOEDA A demanda ou procura de moeda pela coletividade corresponde à quantidade de moeda que o setor privado não bancário retém, em média, seja com o público, seja no cofre das empresas, e em depósitos à vista nos bancos comerciais. O que faz com que pessoas e empresas retenham dinheiro que não rende juros, em vez de utilizá-lo na compra de títulos, imóveis etc.? isto é, quais os motivos ou razões para a demanda de moeda per se? São três as razões pelas quais se retém moeda:  Demanda de moeda para transações: as pessoas e empresas precisam de dinheiro para suas transações do dia-a-dia, para alimentação, transporte, aluguel etc.; Demanda de moeda por precaução: o público e as empresas precisam ter certa reserva monetária para fazer face a pagamentos imprevistos ou atrasos em recebimentos esperados; Demanda de moeda por especulação (ou por portfólio): dentro de sua carteira de aplicações (portfólio), os investidores devem deixar uma “cesta” para a moeda, observando o comportamento da rentabilidade dos vários títulos, para fazer algum novo negócio. Ou seja, a moeda, embora não apresente rendimentos, tem a vantagem de ter liquidez imediata, e pode viabilizar novas aplicações.

As duas primeiras razões (transações e precaução) dependem diretamente do nível de renda. É de esperar que, quanto maior a renda (seja das pessoas, seja a renda nacional), maior a necessidade de moeda para transações e por precaução. Considerando que a taxa de juros, para quem possui moeda, representa um rendimento, isto é, quanto se ganha com aplicações financeiras, há uma relação inversa entre demanda de moeda por especulação e taxa de juros. Quanto maior o rendimento dos títulos (a taxa de juros), menor a quantidade de moeda que o aplicador retém em sua carteira, já que é melhor utilizá-la na compra de ativos rentáveis. 7.6 – O SISTEMA FINANCEIRO
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Para avaliar o grau de desenvolvimento de determinado país, há vários indicadores econômicos. Um deles, sem dúvida alguma, é o tamanho e a diversificação de seu sistema financeiro. Um sistema financeiro forte e bem diversificado é condição necessária para atrair poupanças, sejam essas nacionais ou estrangeiras. Com o crescimento econômico, inúmeros agentes vislumbram possibilidades de ganhos em determinados setores da produção. Pelo fato de não possuírem os recursos necessários para montar seus negócios, buscam nos intermediários financeiros os montantes requeridos para poder iniciar o processo de produção desejado. Essa decisão, embora seja hoje bastante corriqueira, levou muitos anos para se consolidar. Isso porque ela pressupõe, de um lado, a existência de unidades econômicas que apresentem balanços com superávit, ou seja, que possuam gastos menores do que os rendimentos recebidos, e, de outro, que os agentes econômicos confiem no papel exercido pelos intermediários financeiros. A precondição para o estabelecimento da intermediação financeira é a existência, de um lado, de agentes econômicos superavitários (poupadores) – dispostos a transformar suas disponibilidades monetárias em ativos financeiros, sujeitando-se aos riscos de mercado, com o fim de obter retornos reais positivos – e, de outro, de agentes econômicos deficitários (investidores) – com disposição para financiar seus déficits aos custos de mercado. Podemos entender o sistema financeiro como sendo um fundo do qual as unidades deficitárias retiram recursos, enquanto as superavitárias nele depositam. Na verdade, o fato de haver agentes superavitários implica a possibilidade de geração de poupança, que é condição necessária para o crescimento econômico, embora não suficiente; já a existência de agentes deficitários, cuja necessidade de obtenção de recursos deriva de sua vontade de incorrer em gastos com bens de capital, demarca a criação de investimentos, condição suficiente para o crescimento econômico. Assim, sem um sistema eficiente de intermediação financeira, o objetivo do crescimento econômico e do aprimoramento das condições de vida da sociedade fica comprometido, uma vez que passa a existir uma obstrução à indispensável transformação da poupança em investimentos produtivos. Devemos entender por eficiência do sistema financeiro sua capacidade de viabilizar a realização de financiamentos de curto, médio e longo prazos, sob condições de minimização de riscos e de atendimento aos desejos e necessidades dos agentes superavitários – que determinam a oferta de recursos – e dos agentes deficitários – que materializam a demanda de recursos. 7.6.1 – Segmentos do Sistema Financeiro No que diz respeito a suas finalidades e às instituições que as praticam, as operações do sistema financeiro podem ser agregadas em cinco grandes mercados: Mercado Monetário Nesse segmento, são realizadas as operações de curtíssimo prazo com a finalidade de suprir as necessidades de caixa dos diversos agentes econômicos, entre os quais se incluem as instituições financeiras. A oferta de liquidez nesse mercado é afetada pelas operações que sensibilizam as reservas bancárias que os bancos mantêm no Banco Central, por meio de operações de mercado aberto, para evitar flutuações muito acentuadas na liquidez bancária. Por exemplo:
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fundos de curto prazo, open Market, hot-money, certificados de depósitos interbancários (CDIs) etc. Mercado de Crédito Nesse mercado, são atendidas as necessidades de recursos de curto, de médio e de longo prazos, principalmente oriundas da demanda de crédito para aquisição de bens de consumo duráveis e da demanda de capital de giro das empresas. A oferta, no mercado de crédito, é determinada fundamentalmente pelas instituições bancárias. Por exemplo: crédito rápido, desconto de duplicatas, Pasep, giro etc. Em linhas gerais, os financiamentos de longo prazo (investimentos) são atendidos por instituições oficiais de crédito, principalmente pelo Banco do Brasil e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por exemplo: Finame. Mercado de Capitais (Mercado de Valores Mobiliários) Esse segmento supre as exigências de recursos de médio e de longo prazos, principalmente com vistas à realização de investimentos em capital. Nesse mercado é negociada grande variedade de títulos, desde os de endividamento de curto prazo (commercial papers) e de longo prazo (debêntures), passando por títulos representativos do capital das empresas (ações) e até de outros ativos ou valores (mercadorias, parcerias em gado etc.). São típicos desse mercado os chamados derivativos, ou seja, títulos emitidos a partir de variações no valor de outros títulos, como opções, futuros etc. As negociações nesse mercado podem ocorrer tanto nas Bolsas de Valores, Mercadorias ou Futuros, como fora delas, também chamadas de mercado de balcão. Mercado Cambial Nele, são realizadas a compra e a venda de moeda estrangeira, para atender a diversas finalidades, como a compra de câmbio, para a importação; a venda, por parte dos exportadores; e venda/compra, para viagens e turismo. As operações no mercado cambial são realizadas pelas instituições financeiras – bancos e casas de câmbio – autorizadas pelo Banco Central. Mercado de Seguros, Capitalização e Previdência Privada Nesse mercado, são coletados recursos financeiros ou poupanças destinadas à cobertura de finalidades específicas, como a proteção a riscos (seguro), capitalização e obtenção de aposentadorias e pensões (previdência privada). Em razão da importância que tem na formação de poupanças a longo prazo, essas instituições também são chamadas de investidores institucionais. Há, complementarmente a essa classificação, duas outras:

Mercados Primários e Secundários Os mercados primários são aqueles em que se realiza a primeira compra/venda de
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principalmente ações e debêntures.595.um ativo recém-emitido. os mercados secundários caracterizam-se por negociarem ativos financeiros já negociados anteriormente. atrelada às decisões do Conselho Monetário Nacional. Mais tarde foram criados bancos estaduais de desenvolvimento. art. com o Banco do Nordeste do Brasil e o Banco da Amazônia. fiscaliza. de 26/11/1956. de 21/08/1965). O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional e tem como finalidade formular a política de moeda e crédito. Antes dessa década. o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. 7. os mercados futuros negociam os preços esperados de certos ativos e de mercadorias para certa data futura. do Estado-sede. Caixas Econômicas e as sociedades de crédito imobiliário (Lei nº 1. nos termos das Leis nº 1. decorrentes das decisões do Conselho Monetário Nacional. Futuros e de Opções Os mercados à vista negociam apenas ativos com preços à vista. que deixou de ser autoridade monetária. Já as não-bancárias são:  Sistema Financeiro da Habitação. circulares e instruções. com a extinção do Banco Nacional da Habitação (criado em 1964). sendo o BNDES a principal instituição financeira de investimentos do governo federal. As caixas econômicas estaduais.628. conforme o art. Mercados à Vista. foram equiparadas à Caixa Econômica Federal. As primeiras são constituídas pelos bancos comerciais e pelo Banco do Brasil. J. e o da Intermediação financeira. de acordo com a Lei nº 6. porém. regulamentar. 24 da Lei nº 4. O Banco Central do Brasil. de 20/06/1952. Aurélio Vilas Boas. controla a regula a atuação dos intermediários financeiros. e fiscalizar permanentemente as atividades e os serviços do mercado de valores mobiliários. as matérias expressamente previstas nessa lei e na lei das sociedades por ações. estando. e nº 2. .595. 8º. com observância da política definida pelo CMN. Bancos de investimento.973. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possui caráter normativo. Sua principal atribuição é fiscalizar as bolsas de valores e a emissão de valores mobiliários negociados nessas instituições. MSc. tem na Caixa Econômica Federal (CEF) seu órgão máximo. para atuarem no fomento das atividades econômicas do país e. de 07/12/1976. tinha sido criado o Banco de Desenvolvimento do Extremo-Sul. Compete à CVM. que engloba o Conselho Monetário Nacional.628.7 – A BASE JURÍDICA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL O Sistema Financeiro Nacional possui dois subsistemas: o normativo. 2º da Lei nº 4. Bancos de desenvolvimento. No subsistema da intermediação financeira. em particular. existem instituições bancárias e nãobancárias. os mercados de opções negociam opções de compra/venda de determinados ativos em data futura. que.385. que tiveram sua base legal estabelecida pela Lei nº 66    Prof. por meio de resoluções. O BNDES for criado na década de 1950. objetivando o progresso econômico e social do país (art. de 31/12/1964).

MSc. o que ocasionava.. porém. tais como PIS. atender a esse novo tipo de demanda de crédito a médio e longo prazos. Essa alteração na estrutura de produção teve de ser acompanhada de um sistema creditício adequado. J. de forma adequada. Elas repassavam recursos de instituições oficiais no país. que a estrutura de crédito vigente não poderia. Muitas delas pertenciam a grupos financeiros que conseguiram se ajustar à demanda de crédito. notadamente programas especiais. 67 . em seu art.4. Finame etc. sérias distorções na aplicação dos recursos poupados pelas unidades com superávits. 29. Já as companhias de crédito. Ocorreu. que se tornou mais complexa. notadamente após a década de 1960. bem como repassavam e avalizavam empréstimos obtidos no exterior. Essas instituições foram criadas nas décadas de 1950 e 1960 para canalizar recursos de médio e longo prazos para suprimento de capital fixo e de giro das empresas. Desse modo. que exigia prazos mais dilatados do que os proporcionados pelo sistema bancário de então. financiamento e investimento começaram a surgir espontaneamente no pós-guerra. em função da mudança observada na estrutura de produção do país. Até meados da década de 1990. uma saída foi a expansão faz financeiras. o processo inflacionário atingia níveis bastante elevados. Aurélio Vilas Boas. em face dos novos prazos de produção e financiamento das vendas dos bens de consumo duráveis. que estabeleceu a competência ao Banco Central para autorizar a constituição de bancos de investimento de natureza privada. cujas operações e condições de funcionamento são reguladas pelo Conselho Monetário Nacional. além de outras consequências. Prof.278/65. exigidos pelas novas condições de mercado.

Isso ficou claramente demonstrado com o crack da Bolsa de Nova York.    20 Adaptado de VASCONCELLOS. Economia: Micro e Macro. em 1936. observaram-se expressivo aumento nos gastos públicos. e a posterior Grande Depressão dos anos 1930. ferrovias. de outro. sem dúvida alguma. que passou a ser ofertada pelo Estado.8 O SETOR PÚBLICO20 8. via de regra. para co nduzir os mercados a responder satisfatoriamente aos problemas fundamentais da economia: o que produzir. São Paulo: Saraiva. J. bem como o conluio para a fixação de preços. Assim. nos Estados Unidos. 68 . o Estado acrescentou às funções tradicionais de justiça e segurança e de ofertante de bens públicos – eletricidade. Assim. em 1929. a partir dos anos 1920. já no início do século XX. portos. 2006 Prof. saneamento. a partir da publicação da Teoria Geral de Keynes. etc. devido particularmente aos elevados níveis de desemprego observados nos países capitalistas. Aurélio Vilas Boas. saúde etc. em virtude do crescimento de suas despesas com educação. MSc. de um lado. crescente participação do Estado na produção nacional e ampla gama de leis que buscavam a regulamentação da atividade econômica. verificou-se um intenso processo de formação de grandes monopólios. como e para quem. era uma forma de proteger e encorajar o crescimento de diversos setores econômicos. passou-se a regular a atividade econômica. voltou-se a Lei Sherman contra os trustes. Desse modo. educação. saúde. pelas seguintes razões:  Desemprego: os elevados níveis de desemprego (milhões de pessoas desempregadas) ao início dos anos 1930 conduziram o governo à realização de obras de infraestrutura que absorvessem contingentes elevados de mão-de-obra. de Adam Smith. Mudanças tecnológicas: a invenção do motor de combustão significou maior demanda por rodovias e infraestrutura. Em 1890. que passaram a limitar a oferta e a aumentar os preços. Crescimento da renda per capita: o aumento da renda per capita gera aumento da demanda de bens e serviços públicos (lazer. Em praticamente todos os países capitalistas. Essas novas funções econômicas do Estado ampliaram-se. declarando-se ilegal ao monopólio da indústria e do comércio.1 – O CRESCIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DO SETOR PÚBLICO NA ECONOMIA Ao final do século XIX e início do XX. Mudanças populacionais: alterações na taxa de crescimento populacional conduzem a aumentos nos gastos do Estado. Marco Antonio Sandoval de. não dispunha de capitais suficientes e. colocando-se em dúvida o papel da “mão invisível”. a iniciativa privada. a participação do Estado na economia vem crescendo. rodovias. porque. dentre outros. ao longo da história recente.). entre outras.

têm por principal característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo. defesa nacional etc. Posteriormente essa instituição constituiu-se em um instrumento de distribuição de renda. logo. 69 . creches etc. 8. O princípio da exclusão diz que quando o consumo do indivíduo A de determinado bem implica que ele tenha pago o preço do bem. denominados bens públicos. dos Estados ou dos Municípios. o sistema de preços não consegue se auto-regular e. estadual ou municipal. isto é.1 – Função Alocativa A função alocativa do governo está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado. esse conceito é visto de uma ótica de fornecimento de serviços públicos. por isso. Fatores políticos e sociais: novos grupos sociais passaram a ter maior presença política.2 – AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO A necessidade da atuação econômica do setor público prende-se à constatação de que o sistema de preços não consegue cumprir adequadamente algumas tarefas ou funções. via de regra. a presença do Estado é necessária (é a função alocativa). mas não a ponto de voltar ao nível existente antes da guerra. o Estado deve atuar visando estabilizar tanto a produção como o crescimento dos preços (função estabilizadora). que tornaram mais complexas as relações econômicas. como os edifícios ou terrenos aplicados a serviço ou estabelecimento federal. tais como os mares. Aliada a esses fatores. Prof.406. Os sistema de preços. o que motivou o alargamento das funções econômicas do Estado. Finalmente. 99 da Lei nº 10. daí a intervenção do Estado (função distributiva). 3) bens dominiais. os que constituem o patrimônio da União. o conceito de bens públicos obedece a uma ótica mais patrimonial. rios. Em Economia. quando o conflito bélico termina. 8. adicionando elementos de incerteza e de especulação. ruas e praças. a participação do Estado na economia aumenta (portanto aumenta o gasto público). como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades (art. escolas.   Mudanças da Previdência Social: inicialmente a Previdência Social foi concebida como um meio de o indivíduo autofinanciar sua aposentadoria. o indivíduo B. não leva a uma justa distribuição de renda. 21 Em Direito. Efeitos de guerra: durante períodos de guerra. o interessante é que. Porém. a própria evolução da economia mundial no século XX acarretou o desenvolvimento dos mercados financeiros e do comércio internacional. o gasto público se reduz. Aurélio Vilas Boas. uma vez delimitado o volume de produção21. tais como de saúde. praticamente inexistentes anteriormente. MSc. saneamento.2. Isso levou a uma maior participação do Estado (aumentando o gasto público) no mecanismo previdenciário. será excluído de seu consumo. incluindo: 1 ) bens de uso comum do povo. 2) bens de uso especial. estradas.). J. nutrição. demandando assim novos empreendimentos públicos (por exemplo. que não pagou por esse bem. despoluição. de 10 de janeiro de 2002 – novo Código Civil). Existem alguns bens que o mercado não consegue fornecer (bens públicos). Esses bens.

não seria possível concluir que parte da população ficaria excluída do consumo. Nesse caso. defesa nacional e serviços de despoluição. sendo que a parte mais representativa da renda é a proveniente do trabalho. o mecanismo de exclusão é representado pelo sistema de preços. mesmo em um nível inferior. É interessante notar que nos bens de consumo coletivo o fato de o bem ou serviço ser de consumo não excludente só funciona quando a utilização do bem não está saturada. Por exemplo. No caso de bens rivais. nas praias. pois. mas a partir do momento que ela está lotada (saturada). Um caso particular são os bens semipúblicos ou meritórios. 8. não podemos considerar a praia como um bem público “puro”. 70 . no caso de bens públicos. que seleciona os agentes que não consumirão o bem. A praia é um bem público. a redistribuição pode ser feita combinando impostos sobre produtos adquiridos por pessoas ricas com subsídios para produtos comprados por consumidores de baixa renda. A distribuição das rendas do trabalho depende da produtividade da mão-de-obra e da utilização dos demais fatores de produção do mercado.2 – Função Distributiva A renda de uma família consiste na soma das rendas do trabalho e da propriedade. MSc. se o orçamento para a educação é de 5 bilhões de unidades monetárias e o orçamento ideal para o atendimento de toda a população é de 8 bilhões. ela deixa de funcionar como bem público. O serviço meteorológico é um exemplo de bem de consumo não rival. o fato de um agente utilizar o serviço que é oferecido não significa reduzir fisicamente a oferta para os demais agentes. Entretanto.2. Esses bens satisfazem o principio da exclusão. Se são produzidos anualmente 200 mil fogões e existem 300 mil indivíduos em condições de adquirir esse produto. 100 mil pessoas serão excluídas do consumo pelo sistema de preços. mas que sofrerá a influência das diferentes dotações iniciais de patrimônio. O consumo de um bem é não rival (ou não satisfaz o princípio da exclusão) quando o consumo por um indivíduo não diminui a quantidade a ser consumida pelos demais indivíduos. tem-se uma distribuição de renda que dependerá da produtividade de cada indivíduo no mercado de fatores. Exemplos de bens públicos “puros” seriam o serviço de meteorologia. retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade (pessoas. porque o fato de um indivíduo sair dela beneficia os demais. setores ou regiões) e os transfere para os segmentos menos favorecidos. Ainda. em que os indivíduos mais ricos pagam uma alíquota maior de imposto. se se deixa o mercado funcionar livremente. Como exemplo têm-se os serviços de saúde. a utilização por um indivíduo não é independente do grau de utilização da mesma praia por outras pessoas. A distribuição pessoal de renda pode ser implementada por meio de uma estrutura tarifária progressiva. toda ela teria acesso ao sistema educacional. O governo funciona como um agente redistribuidor de renda. Prof. mas não produzidos pelo Estado. Por exemplo. na medida em que. Quanto à distribuição setorial ou regional. saneamento e nutrição. Aurélio Vilas Boas. pela tributação. Assim. num país de 100 milhões de habitantes. J. diz-se que o consumo de um bem é rival (ou de consumo excludente) quando o consumo realizado por um agente exclui automaticamente o consumo por outros indivíduos (o consumo de um cafezinho é um exemplo). o instrumento governamental mais adequado seria uma política de gastos públicos e subsídios direcionados para os setores e as áreas mais pobres.Nesse sentido.

J. Algumas publicações da área de finanças públicas destacam uma quarta função do setor público: a função de crescimento econômico. Além disso. minimizando sua interferência nas decisões econômicas dos agentes de mercado. comercial e de rendas. está voltada para o crescimento econômico de longo prazo. os tributos podem ser utilizados na correção de ineficiências observadas no setor privado. como o consumo do bem público é Prof. deve ser equânime. Ou seja. Em certo sentido. tanto no tocante aos investimentos públicos (fornecimento de bens públicos. o indivíduo paga o tributo de maneira a igualar o preço o serviço recebido ao benefício marginal que ele aufere com sua utilização. além de ser neutro. que compõe sua receita fiscal. mas dois são fundamentais: o princípio da neutralidade e o princípio da equidade. Essa intervenção é feita por meio de instrumentos de política fiscal. um tributo é justo quando cada contribuinte para ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que dele recebe. Ou seja. Há uma série de princípios eu a teoria da tributação deve seguir. ele obtém recursos por meio da arrecadação tributária. 71 . A neutralidade dos tributos é obtida quando eles não alteram os preços relativos. no sentido de distribuir seu ônus de maneira justa entre os indivíduos. para alterar o comportamento dos níveis de preços e emprego. Esse princípio determina simultaneamente o total da contribuição tributária e sua vinculação ao gasto (isto é. a função de crescimento não seria diferente da função alocativa do setor público. que diz respeito às políticas que permitam aumentos na formação de capital. O principal reside na dificuldade em se identificar os benefícios que cada indivíduo atribui a diferentes quantidades do bem ou serviço público. a atuação do Estado. cambial. um imposto. 8. como a tributação foi distribuída). pois o pleno emprego e a estabilidade de preços não ocorrem de maneira automática.3 – ESTRUTURA TRIBUTÁRIA 8.2. Princípio da Neutralidade É sabido que as decisões sobre alocação de recursos se baseiam nos preços relativos determinados pelo mercado.1 – Princípios da tributação Para que o Estado cumpra suas funções com a sociedade.3 – Função Estabilizadora A função estabilizadora do governo está relacionada com a intervenção do Estado na economia. Princípio da Equidade Pelo princípio da equidade. Aurélio Vilas Boas.8. Princípio do Benefício De acordo com o princípio do benefício. monetária.3. Sendo adequados. MSc. A equidade pode ser avaliada sob outros dois princípios: princípio do benefício e princípio da capacidade de pagamento. infraestrutura básica) como os incentivos e financiamentos para estimular os investimentos do setor privado. O principio do benefício possui alguns problemas de implementação.

O argumento que existe por trás dessa ideia é que os atos de poupar e de investir beneficiam outros indivíduos. As taxas são cobradas em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização. se o foram. essa jamais seria tributada. no futuro. Princípio da Capacidade de Pagamento Segundo o princípio da capacidade de pagamento. de serviços públicos específicos e divisíveis.coletivo. embora a poupança seja vista como uma renúncia ao consumo presente. Por sua vez. Como aplicação desse princípio. firmas) deveriam contribuir com impostos de acordo com sua capacidade de pagamento. 8. MSc. Na prática. consumo e patrimônio. se o indivíduo optasse por acumular indefinidamente. que o estoque de riqueza traz aos indivíduos status e poder econômico.000 e consumo de R$ 2. o que ocorre é que os impostos sobre a renda são aplicados de maneira diferenciada para cada agente (são utilizadas alíquotas diferenciadas e isenções). contribuição de melhoria e impostos. Logo. como deveriam ser levados em conta.3. se a renda fosse utilizada como indicador de capacidade de pagamento. Prof. efetiva ou potencial.2 – Os Tributos e a sua Classificação Os tributos são constituídos por taxas. prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição. temos os serviços públicos que utilizam taxas específicas para seu financiamento (transportes.000 de renda e os gastasse integralmente. os agentes (famílias. os defensores de um sistema progressivo de tributação preferem os impostos sobre a renda. mesmo sendo a poupança uma renúncia ao consumo presente. Argumentam que o acúmulo de poupança é realizado com base me uma dada taxa de juros (atraente para o poupador) e. 72 . Aurélio Vilas Boas. Porém. não haveria motivo para as pessoas revelarem suas preferências. energia). Utilizando-se a renda. Os que utilizam a renda como capacidade de pagamento baseiam-se na abrangência dessa medida. enquanto o de consumo. O imposto de renda seria um típico exemplo. pela parte da renda que não foi dirigida ao consumo. seria antisocial. J. Sobre essas medidas de capacidade de pagamento existem algumas controvérsias. enquanto o imposto sobre consumo tem uma abrangência global (alíquotas constantes). ela somente seria tributada quando fosse utilizada para consumo. quando essa fosse convertida em consumo. por ser individualista. Ainda. Assim.000 seria tributada da mesma forma que uma pessoa que tivesse os mesmos R$ 5. Quanto aos impostos. ou seja. O patrimônio (a riqueza) é constituído por fluxos de poupança acumulados no passado. inclui-se consumo e poupança. As medidas utilizadas para auferir a capacidade de pagamento são: renda. Muitas vezes surge a questão quanto ao fato de se esses fluxos de renda já foram anteriormente tributados e. pois isso poderia acarretar aumentos em sua contribuição. os que defendem a utilização do consumo como base tributária argumentam que a capacidade de pagamento deve ser definida em função do que o indivíduo consome (“retira do colchão”) e não em termos do que ele poupa (“põe no colchão”). e uma pessoa com renda de R$ 5. há várias formas de classificação. A contribuição de melhoria é cobrada quando determinada obra pública aumenta o valor patrimonial dos bens imóveis localizados em sua vizinhança. a poupança seria tributada inicialmente quando o agente a recebe e. Seguem as principais. mais.

tais como ICMS e IPI – não incidem sobre a renda. Dentre os impostos diretos. O que é importante nessa categoria é o momento em que o imposto é cobrado (produtor ou consumidor) e o método de cálculo (transação total ou valor adicionado) Um fato importante a ser ressaltado é que nem sempre a variável sobre a qual o tributo é calculado identifica em que ponto se localiza o ônus desse imposto. Ou seja. a base tributária constitui o estoque acumulado de riqueza do indivíduo. ocorrendo um ajuste sobre os valores anuais de rendimento. Assim. J. Outra classificação divide os impostos em impostos regressivos. nem sempre quem recolhe esse tributo é a pessoa (física ou jurídica) que arca com o ônus do imposto. Imposto sobre a renda: nesse tipo de tributo. os segmentos sociais de menor poder aquisitivo são os mais onerados. independente do preço da mercadoria. progressivos e proporcionais (ou neutros). com valor (em real) variando de acordo com o preço da mercadoria. MSc. por exemplo. e se o quilo desse alimento custar $ 20. É o que ocorre. e imposto específico. Os impostos indiretos também podem ser classificados em imposto ad valorem. se o ICMS incidente sobre o arroz for de 10%. Impostos Proporcionais ou Neutros Impostos proporcionais ou neutros são aqueles em que o aumento na contribuição é Prof. Com isso. incorporando-o no valor da mercadoria ou serviço.Uma primeira forma de classificação dos impostos considera duas categorias. Por exemplo: Imposto de Renda. a base tributária é o valor da compra e venda de mercadorias e serviços. Impostos Regressivos Impostos regressivos são aqueles em que o aumento na contribuição é proporcionalmente menor que o incremento ocorrido na renda. Nesse tipo de tributo. porque pode transferi-lo para terceiros. mas sobre o preço das mercadorias – e utilizam a mesma alíquota de todos os contribuintes. A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento no nível de renda. destacam-se:   Imposto sobre a riqueza (patrimônio): nesse tipo de imposto.00 de imposto ao adquirir um quilo desse produto. Imposto Indireto Imposto indireto é o que incide sobre transações de mercadorias e serviços. seu patrimônio. 73 . Imposto Direto Imposto direto é o que incide sobre a renda e a riqueza (patrimônio). a incidência se dá sobre os fluxos mensais.00. Aurélio Vilas Boas. o indivíduo mais pobre e o mais rico da população pagarão igualmente $ 2. a pessoa que recolhe o imposto também arca com seu ônus. que têm alíquota (percentual) fixada. com valor (em real) fixado. Nesse tipo de imposto. com os impostos indiretos.

Como há uma defasagem entre o fato gerador do imposto e o momento de seu recolhimento. Não há exemplos no Brasil desse tipo de imposto. Existe uma relação interessante entre o total da arrecadação tributária e a taxa (alíquota) de impostos. qualquer elevação sua resultará em uma redução da arrecadação global. 74 . empresas estatais e Previdência Social. Os impostos também podem ser diferenciados em impostos sobre usos e impostos sobre fontes. o tributo progressivo tem um efeito anticíclico sobre a renda disponível. Quando a alíquota é relativamente baixa. MSc. de um lado. a renda disponível (renda total menos impostos) e os gastos em consumo cresceriam às mesas taxas. Aurélio Vilas Boas. A relação entre carga tributária e renda permanece constante. Prof. em termos reais. 8. estabelece-se uma relação direta entre ela e a arrecadação. ou seja. da arrecadação fiscal do governo. Esse efeito é também chamado de estabilizador automático (built in). Por exemplo: imposto de renda de pessoa física e da pessoa jurídica. como os impostos sobre consumo. de outro.proporcionalmente igual ao ocorrido na renda. J. Os impostos sobre usos tributam destinos específicos. a estrutura tributária. Impostos Progressivos Os impostos progressivos ocorrem quando o aumento na contribuição é proporcionalmente maior que o aumento ocorrido na renda. Um outro efeito sobre as receitas públicas. 8. sendo que. devido.3. a partir de determinado nível da alíquota. tem-se o déficit público. como os impostos de renda de pessoas físicas e jurídicas. a inflação tende a corroer o valor. a receita fiscal cresceria de maneira mais rápida que a renda nominal. conhecida como curva de Lafer. pois a renda total. governos estaduais e municipais. O déficit nominal ou total (também chamado de necessidades de financiamento líquido do setor público não financeiro – conceito nominal) indica o fluxo líquido de novos financiamentos. à evasão (sonegação) fiscal e. onerando igualmente todos os segmentos sociais. obtidos ao longo de um ano pelo setor público não financeiro em suas várias esferas: União. que ocorre em períodos de aceleração inflacionária. baseada em impostos progressivos. com o aumento do nível de renda. Por outro lado. freando assim os gastos de consumo. ao desestímulo provocado sobre os negócios em geral. A relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento do nível de renda. Contudo. Um imposto proporcional sobre a renda seria neutro do ponto de vista do controle da demanda agregada. Ou seja. Um imposto progressivo exerce um controle quase que automático sobre a demanda. em um cenário inflacionário. na recessão o contribuinte que tivesse sua renda diminuída cairia de alíquota e seria beneficiado por uma redução da carga tributária. é conhecido como efeito Olivera-Tanzi. enquanto os impostos sobre fontes tributam a fonte de renda.4 – DÉFICIT PÚBLICO: CONCEITOS E FORMAS DE FINANCIAMENTO Ocorre superávit das contas públicas quando a arrecadação supera o total dos gastos: quando os gastos superam o montante da arrecadação. onera proporcionalmente mais os segmentos sociais de maior poder aquisitivo.3 – Efeitos sobre a atividade econômica A estrutura de alíquotas constitui um dos fatores que determinam o impacto dos tributos sobre os preços e o nível da atividade econômica.

Na segunda. surge o problema de como ele deverá financiar o déficit. independentemente dos juros e correções da dívida passada. que omite as parcelas do financiamento do setor público externo e do resto do sistema bancário. o governo troca títulos (ativo financeiro não monetário) por moeda que já está em circulação. significando que o Banco Central cria moeda (base monetária) para financiar a dívida do Tesouro. é o que o FMI deseja). apresenta uma situação de relativo equilíbrio orçamentário. é a diferença entre os gastos públicos e a arrecadação tributária no exercício. desse modo. um país que realiza superávits primários. é prática comum no setor público brasileiro). não traria qualquer pressão inflacionária. tem-se uma forma eminentemente inflacionária (gera-se o imposto inflacionário). no fundo. excluindo a correção monetária e cambial. excluindo a correção monetária e cambial e os juros reais da dívida contraída anteriormente. 8. bem como fornecedores e empreiteiros. Ele é medido pelo déficit primário. Na primeira possibilidade. para conseguir colocar esses títulos para o publico. Aurélio Vilas Boas. o que. É a parcela do déficit público que é financiada pelas autoridades monetárias. e nessa situação o país estaria mostrando que tem condições de cumprir seus compromissos financeiros com os credores internacionais (o que. acrescido dos juros reais da dívida passada. acarretando elevação adicional no endividamento. e. no déficit total ou nominal. duas são as principais fontes de recursos: a) Emitir moeda: o Tesouro Nacional (União) pede emprestado ao Banco Central. Também definimos o déficit operacional (ou necessidades de financiamento do setor público – conceito operacional). É considerado a medida mais adequada para refletir as necessidades reais de financiamento do setor público. Prof. Existe ainda o conceito de déficit de caixa. O financiamento poderá ser feito por meio de recursos extrafiscais. pois isso indica que o setor público está arrecadando mais do que gastando.O déficit primário ou fiscal é medido pelo déficit total. mas que não aumenta o endividamento público com o setor privado. é o conceito primário. além das medidas tradicionais de política fiscal (aumento de impostos ou corte de gastos). necessitará oferecer taxas de juros mais atraentes. a princípio. mesmo que apresente déficit total (nominal). Constitui-se. aliás. e o governo. já que se pode até encontrar um superávit. Contudo. nos empréstimos internacionais para países com problemas de liquidez.4. Isso também é conhecido domo monetização da dívida. que exclui os juros da dívida pública interna e externa. nesse caso. O conceito relevante para o Fundo Monetário Internacional. Para o Fundo.1 – Financiamento do déficit Quando o governo defronta com uma situação de déficit. No fundo. b) Vender títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). embora devido à postergação de dívidas para o período seguinte (o que. excluindo os juros. J. 75 . esse tipo de financiamento provoca elevação da dívida pública. MSc. Trata-se do conceito de menor utilidade para efeitos de avaliação de política econômica.

financeiro e administrativo. Prof. A partir do pensamento keynesiano. J. 76 . por volta de 1822. O orçamento estava a serviço da concepção do Estado liberal.1 – Orçamento público O orçamento público possui uma variedade de aspectos: político. e as alterações orçamentárias começaram a ter grande importância.5. Cabe ressaltar que esses princípios não possuem caráter absoluto ou dogmático. MSc. Como os meios de produção (insumos. cabe destacar a função de instrumentos de administração.2 – Princípios orçamentários Os princípios orçamentários são uma coleção de regras que têm por finalidade aumentar a coerência e a efetividade do orçamento. portanto. costuma-se dividir essa análise em duas partes: orçamento tradicional e orçamento moderno. apesar de já existir no orçamento tradicional. A principal função do orçamento tradicional era disciplinar as finanças públicas e possibilitar aos órgãos de representação controle político sobre o Executivo. mais especificamente a partir da década de 1930. essa fixava. O Estado passa então a intervir para corrigir distorções do sistema econômico e estimular programas de desenvolvimento. fortes resistências ao crescimento das despesas públicas e à participação do Estado na economia. e o gasto público não possuía importância significativa em termos econômicos. esse tipo de orçamento constitui peça fundamental para a condução da atividade econômica. Orçamento Tradicional O orçamento público surge de maneira consolidada na Inglaterra. os preços e quotas físicas da maioria dos bens e serviços produzidos. jurídico. contábil. que tinha por finalidade manter o equilíbrio nas contas públicas. inclusive. econômico. vem como dos fatores de produção. foi aperfeiçoada.5 – ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO.8. que. Aurélio Vilas Boas. Nas economias centralizadas. Ainda sobre o orçamento moderno. passou-se a atribuir ao governo a condição de responsável pela manutenção da atividade econômica. As contas públicas caracterizavam-se por sua neutralidade. na execução e no controle do processo administrativo. Nesse tipo de orçamento. Para fins didáticos. O orçamento passa a auxiliar o Executivo na programação. 8. 8. o Estado começou a abandonar a neutralidade econômica que caracterizava o pensamento liberal. Orçamento Moderno A partir do início do século XX. o aspecto econômico não estava em primeiro plano. Havia.5. numa época em que o liberalismo econômico era o pensamento predominante. imóveis) eram de propriedade do Estado.

77 . as receitas e as despesas devem aparecer no orçamento de maneira discriminada. o ano orçamentário é determinado pelo período de funcionamento do Legislativo. Princípio da Discriminação ou Especialização Segundo o princípio da discriminação ou especialização. Isto é. o orçamento deve conter exclusivamente matérias de natureza orçamentária. nenhuma parte da receita poderá estar vinculada a determinados gastos. Princípio da Exclusividade Pelo princípio da exclusividade. As unidades financeiramente auto-suficientes são as que não têm suas receitas e despesas agregadas no orçamento central. ou seja. Prof. O primeiro é responsável pela execução. As fundações universitárias são exemplos de entidades não auto-suficientes. As sociedades de economia mista (Petrobras) e as autarquias previdenciárias são exemplos de entidades auto-suficientes financeiramente. Na maioria das vezes. normalmente um ano. são os organismos que não dependem de recursos do Tesouro para sua manutenção. o orçamento deve conter todas as parcelas da receita e da despesa em valores brutos. Essa regra impede a inclusão de importâncias líquidas (saldos positivos ou negativos). J. o orçamento anual convive com o orçamento plurianual. Em alguns países. Princípio da Não-Vinculação das Receitas O principio da não-vinculação das receitas impede a vinculação de receitas. MSc. sem nenhuma dedução.Princípio da Unidade O princípio da unidade diz que cada entidade pública financeiramente auto-suficiente deve possuir apenas um orçamento. o orçamento deve ser elaborado para determinado período de tempo. Princípio do Orçamento Bruto Segundo o principio do orçamento bruto. e o segundo busca dar as diretrizes de longo prazo de como poderão ser implementados os programas governamentais. o orçamento precisa conter todas as despesas e receitas do Estado. Aurélio Vilas Boas. Esse princípio visa impedir que o orçamento seja utilizado como meio de aprovação de outras matérias que não dizem respeito às questões financeiras. de forma que fiquem claras a origem e a destinação dos recursos. Princípio da Universalidade De acordo com o princípio da universalidade. controle e programação financeira. Princípio da Anualidade Conforme o princípio da anualidade.

ao orçamento anual e aos créditos adicionais são apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional na forma do regimento comum. 22 Não se deve confundir “renúncias fiscais” com “brechas fiscais”.5. a elaboração do orçamento segue os passos determinados pela Constituição Federal de 1988. dispõe sobre as alterações na legislação tributária e estabelece a política de aplicação das agências oficiais de fomento. 8. orçamento das estatais. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual. pois déficit público. Para os economistas clássicos. às diretrizes orçamentárias. inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público. J. subsídios e benefícios de natureza financeira. que os devolverão ao Executivo para sansão ou veto. o equilíbrio orçamentário era fundamental. caso ocorresse. entre o orçamento tradicional e o moderno. 78 . orçamento da seguridade social e pelas “renúncias-fiscais”. Já o projeto de lei orçamentária da União é encaminhado ao Congresso Nacional até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sansão até o encerramento da sessão legislativa. anistias. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) compreende as metas e as prioridades da administração pública federal. Prof. e 3) o orçamento da seguridade social. A lei que institui o plano plurianual estabelece. 2) as diretrizes orçamentárias. já discutida. remissões. com o advento da teoria keynesiana. e 3) os orçamentos anuais. As segundas referem-se a lacunas na lei. bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público. O orçamento geral da União é formado pela soma do orçamento fiscal. detenha a maioria do capital social com direto a voto. abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados. tributária e creditícia (as chamadas “renúncias fiscais”22). 2) o orçamento de investimento das empresas em que a União. tributária e creditícia. da administração direta ou indireta. de forma regionalizada. reside a diferença.3 – Orçamento público no Brasil No Brasil. as diretrizes. órgãos e entidades da administração direta e indireta. O Executivo. deveria ser coberto por recursos da atividade produtiva. O projeto de lei orçamentária é acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito sobre as receitas e despesas decorrentes de isenções. subsídios e benefícios de natureza financeira. direta ou indiretamente. MSc. anistias. seus fundos. e para as relativas aos programas de duração continuada. orienta a elaboração da lei orçamentária anual. estabelece: 1) o plano plurianual. Aurélio Vilas Boas. incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente. objetivos e multas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes. A s primeiras são decorrentes de isenções. O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias é encaminhado ao Congresso Nacional até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa. que possibilitam a discussão do não-recolhimento do imposto por parte do contribuinte. por meio da lei.Princípio do Equilíbrio No princípio do equilíbrio. A lei orçamentária anual compreende: l) o orçamento fiscal referente aos Poderes da União. remissões. A partir da década de 1930. o gasto público adquire a função de estabilizador da economia.

8. para a União. Ela estabeleceu o seguinte:  Limite para as despesas com funcionalismo público: a) De 50%. cujo objetivo é o de proporcionar o equilíbrio orçamentário do setor público. Estados e Municípios.5. Além disso. Com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estados e Municípios. 79 . para Estados e Municípios. o repasse de parte do IPI e IR arrecadado pela União aos Estados e Municípios). J. obrigando Estados e Municípios a explorar mais as receitas próprias. ganhou-se maior eficiência na ação governamental. As administrações que não cumprirem a lei perdem o direito de repasse voluntário de verba da união (por exemplo. MSc. contribuindo decisivamente para o ajuste fiscal. Prof. por meio do Senado. Aurélio Vilas Boas. Limites de endividamento para União. os responsáveis podem sofrer sanções por crime de responsabilidade fiscal. Limite de despesas feitas pelos administradores em final de mandato.4 – A Lei de Responsabilidade Fiscal A Lei de responsabilidade Fiscal (LRF) é um importante instrumento de política fiscal implementado a partir de 1998. b) De 60%.    Proibição de socorros financeiros entre União.

Prof.1. dispostas a renunciar a um contrato quando uma oportunidade melhor lhes parecer. Aurélio Vilas Boas. a sociedade de mercado oferece uma solução adequada para a organização dos recursos escassos na satisfação das necessidades materiais dos indivíduos? Os mercados são convenções sociais regidas por leis gerais.1 – DIREITOS DE PROPRIEDADE E O USO DOS RECURSOS NO MERCADO Mesmo numa sociedade hipotética. para morar. podemos esperar então que as soluções dadas pelo mercado sejam sempre inadequadas? O ambiente de incerteza em que se realizam as transações é facilmente constatado. As leis e regulamentos definem limites bem claros para que esses contratos sejam considerados válidos.9 REGULAMENTAÇÃO DOS MERCADOS23 9. do oportunismo e dos custos de obter e processar informações. podem existir falhas de mercado que impedem a ocorrência de solução de eficiência na alocação de recursos escassos. firmamos contratos de trabalho ou de prestação de serviços. pois fazemos negócios que nos comprometem com circunstâncias futuras que não temos nem como antecipar nem como controlar. Na segunda seção deste item discutiremos como estatutos específicos podem complementar as regras gerais do sistema de direitos de propriedade. Na base das regras que moldam a operação dos mercados. encontramos os sistema de atribuição de direitos. em que todas as estruturas de mercado operam em concorrência perfeita. fazemos contratos de aluguel ou de financiamento. o fato de que. mesmo nessas circunstâncias. MSc.1 – O sistema de atribuição de direitos e a alocação de recursos Grande parte dos negócios realizados são feitos por meio de contratos. E. e também por estatutos específicos instituídos com o objetivo de restringir ou ampliar o conjunto de transações possíveis para determinados bens ou serviços. as 23 Adaptado de Equipe de Professores da USP. Também não é preciso recorrer a exemplos para demonstrar que existem pessoas oportunistas. que define os termos mais gerais da contratação voluntária de recursos entre os membros de uma sociedade. por último. Ao encararmos os negócios da vida cotidiana. ou seja. Será que. Para trabalhar. em que os produtores e consumidores não estão isentos da incerteza. J. para tomar uma decisão. São Paulo: Saraiva. basicamente aquelas que estabelecem os direitos de propriedade e troca entre os indivíduos. O objetivo da próxima seção é apresentar os principais elementos do sistema de atribuição de direitos e discutir como as regras de distribuição de direitos exercem papel fundamental na alocação de recursos numa sociedade mercado. 9. 80 . temos de investir tempo e recursos para obter as informações necessárias. oferecendo regras adicionais capazes para promover melhoria da eficiência na alocação de recursos por meio do mecanismo de mercado. 1998. Manual de Economia. e assim por diante.

além do pagamento dos bens e serviços propriamente ditos. quando isso é possível. uma parcela de direitos de uso da terra. “B” pode ter o direito de atravessá-la. Porém. foram ignorados. a Propriedade Plena Coletiva. esses custos. Ao realizar tais transações. Isso ocorre porque se pressupõe que os sistema legal sancione. que tal atribuição seja exclusiva do titular. desde que respeitados os princípios da propriedade privada. O exemplo aponta também para a dificuldade de se identificar numa única pessoa a titularidade dos direitos. Aurélio Vilas Boas. a titularidade dos recursos é exercida por uma comunidade ou por seus representantes. bem como de impedir que outros tenham acesso a esses recursos. o titular pode decidir de que maneira irá auferir de renda do ativo. Na propriedade coletiva. Quando discutimos eficiência alocativa em mercados e concorrência perfeita. diz-se que existem direitos de propriedade plena. “A” pode ter o direito de cultivar trigo sobre ela. Tais medidas são tomadas pelos agentes privados. o titular pode decidir como irá usufruir. seja contratando outros para fazê-lo. falamos de propriedade individual plena. ou seja. aos titulares dos ativos. “E” pode ter o direito de submetê -la a vibrações em consequência do uso de um equipamento nas vizinhanças. não é uma tarefa simples delimitar os ativos a que uma propriedade plena diz respeito em grande parte dos ativos existentes na sociedade. No caso da propriedade estatal. aqueles que controlam o Estado exercem de fato a titularidade desses direitos. O estabelecimento e a garantia dos direitos exclusivos de propriedade demandam medidas custosas por parte dos indivíduos e do Estado. ou os recursos empregados na atividade de conceber e fazer cumprir contratos. incorremos. Em resumo. A atribuição dos direitos de comando sobre um ativo comporta três categorias: os direitos de uso. e a Propriedade Comum ou de Livre Acesso. impondo limites ao emprego de recursos e afetando diretamente os custos de realizar e cumprir contratos. em outros custos como os de confecção. “D” pode ter o direito de voar com um avião sobre ela. ao tratar da dificuldade de se atribuir direitos sobre o ativo terra: Diversas pessoas têm. de escolher o uso específico desejado entre uma classe de usos possíveis e não proibidos. Quando os três direitos sobre um mesmo ativo são atribuídos ao mesmo titular. monitoramento e de implementação dos próprios contratos. os agentes econômicos arcam com os custos Prof. Mas existem outras três possibilidades: a Propriedade Plena Estatal.transações de mercado definem preços e quantidades envolvidos segundo as restrições legais. A terceira categoria é a que define a capacidade do titular transferir de forma permanente o ativo a outros. ou seja. A alocação de recursos em uma sociedade está sempre associada a um sistema de atribuição de direitos. sem custos. qualquer transação realizada entre os agentes privados. “C” pode ter o direito de fumar e jogar cinzas. Caso contrário. Se recebe também o direito de exploração. ao mesmo tempo. 81 . o direito de alienação. seja explorando-o diretamente. Um exemplo dessa dificuldade foi apontado por Alchian (1977) ( Some Economics of property rights). Portanto. transformar ou mesmo destruir o ativo. as regras condicionam o funcionamento dos mercados. estatais ou coletivos quando seus custos são inferiores aos rendimentos que se espera deles auferir. MSc. Um sistema de atribuição de direitos tem como principal função atribuir autoridade. excluindo o acesso dos de fora e controlando o uso pelos seus membros. os direitos de propriedade privada para várias parcelas de usos da terra “pertencem” a pessoas diferentes. Cada um desses direitos pode ser transferível. J. o direito de exploração e o direito de alienação. Ao receber o direito de uso.

o Estado está zelando não só pela segurança do motorista. o uso eficiente de recursos é aquele que busca maior rendimento no emprego dos mesmos. J. que o direito de uso da propriedade sobree o automóvel foi atenuado. Esta situação corresponde a uma alocação eficiente no sentido de Pareto. Ainda. Os recursos de livre acesso surgem também quando o Estado é incapaz ou se recusa a garantir contratos entre agentes econômicos que disputam a utilização dos mesmos recursos. Porém. Inovações contratuais podem. considerando-se as três dimensões. Diz-se. MSc. Estes. ser comparadas a inovações técnicas na produção. 9. pode-se garantir que todos os recursos sejam empregados em atividades em que o rendimento econômico seja máximo. Se podemos dizer que o Estado está presente em todos os mercados quando sancionou um sistema de atribuição de direitos. sempre cabe ao Estado determinar o conjunto dos arranjos contratuais que são considerados legítimos. como pode ser visto no caso da repartição dos direitos sobre a propriedade da terra. cabendo agora tratar das regras que se aplicam apenas a mercados específicos. definindo ou limitando as regras do jogo de mercado. serviços e ativos produtivos. ou a estrutura dos contratos. especificam a distribuição de renda entre os participantes e as condições de uso dos recursos. Este tipo de limitação deve ser distinguido de restrições que impedem o mesmo motorista de atropelar pedestres e abalroar propriedade alheia. 82 . sejam temporárias ou permanentes. Já discutimos as regras que têm validade geral para o funcionamento dos mercados – como é o caso do sistema de atribuição de direitos –. e são escolhidos levando em consideração os custos da própria transação. tem efeitos sobre a riqueza. Já nas condições da sociedade em que vivemos. Existem dois tipos de limitações que podem ser impostas pelo Estado aos direitos exclusivos de propriedade: as proibições e as atenuações. Ao impor limites de velocidade nas estradas. pois estariam expandindo a fronteira de possibilidades de produção. gerando perdedores e ganhadores. Aurélio Vilas Boas. é a própria noção de propriedade privada e liberdade de iniciativa que está envolvida.1. os agentes econômicos irão buscar maior eficiência inovando as formas de contratação. Nesse caso. Uma vez estabelecidos os direitos exclusivos de propriedade. Neste último caso. Prof. não é exato que essa presença possa ser confundida com intervenção.de garantir o uso exclusivo de seus ativos. Outra situação de livre acesso ocorre quando não existe autoridade governamental capaz de regulamentar o uso de certos ativos. então. as transações envolvendo bens de consumo. Quanto maiores forem as garantias que o Estado oferece ao titular de direitos exclusivos de propriedade. a exemplo dos estoques pesqueiros em águas internacionais. todos os recursos de valor econômico poderiam ser delineados e a titularidade dos direitos de propriedade atribuída. Tais atenuações têm efeitos alocativos importantes. nesse caso.2 – Regulamentação e incentivos Num sistema econômico em que todos os agentes dispõem das informações necessárias e não têm razões para esperar que todos os outros não cumpram o contratado. pois os direitos de um têm como limite os direitos dos demais. os ativos podem ser deixados na forma de livre acesso. mas também pela de todos os outros viajantes. os riscos econômicos e os arranjos políticos e legais em vigor. não sendo necessária a interferência do Estado. Desse modo. Qualquer redefinição numa estrutura de direitos de propriedade feito pelo Estado. mesmo sendo escassos e possuindo valor econômico. pois permite o emprego livre desses recursos nas atividades de maior retorno. reduzindo assim os custos de realizar as transações. maior será o valor de um ativo. são realizadas por meio de contratos que estipulam os seus termos.

restrições à entrada de novos produtores. as formas de regulamentação e os instrumentos empregados. de agora em diante. a regulamentação tem como condição necessária a existência de falhas de mercado. 83 . são exatamente aquelas que restringem a oferta e procura num mercado. instrumentos disponíveis para contornar as falhas de mercado e garantir a melhoria da eficiência alocativa numa economia calcada na livre iniciativa. É importante frisar que. Prof. Já os instrumentos de comando e controle são aqueles associados a regras particulares implementadas por agências governamentais especialmente concebidas para esses fins. Os instrumentos de regulamentação são genericamente classificados em:   Comando e controle (C&C) Incentivos financeiros (IF) Os instrumentos financeiros estão associados a transferências de recursos através de impostos e subsídios. acabam por melhorar a alocação de recursos quando comparados aos resultados que seriam obtidos por mercado que operasse somente com as regras gerais? 9. e imposição de padrões ambientais no local de trabalho e fora da firma. recursos que não podem ser ignorados quando se comparam os ganhos de eficiência na introdução da regulamentação com as ineficiências de um mercado não regulamentado mas que apresenta alguma falha. fazendo uso de regulamentos e sanções. a que chamamos de regulamentação dos mercados. Aurélio Vilas Boas. Tal papel foi bastante revigorado com a promulgação da Constituição de 1988. destacando-se as falhas de mercado associadas a eles. Cada tipo de falha de mercado pode ser associada a uma instituição. que varia de país para país e ao longo do tempo.As intervenções específicas. resguardado o cumprimento de sua função social. tais como controle de preços. desde que as condições discutidas no capítulo anterior sejam satisfeitas. esses sistemas de regulamentação ganham maior peso político com a redemocratização do País. J. que afirma a organização econômica do País pautada na livre iniciativa. MSc. Formular e implementar a regulamentação de um mercado requer elevados custos administrativos. limitando o escopo das transações possíveis. embora há muito tempo presentes na sociedade brasileira. portanto. ou indiretamente.2 – REGULAMENTAÇÃO DOS MERCADOS Regulamentação é o conjunto de regras particulares ou de ações específicas implementadas por agências administrativas para interferir diretamente no mecanismo de alocação de mercado. alterando as decisões de oferta e procura de consumidores e produtores. Se o sistema mercado assegura o uso eficiente dos recursos para a produção de bens de caráter privado. especificação de características de produtos ou de tecnologias a serem empregadas na fabricação. imposição de atendimento aos consumidores de uma determinada área. leva à redistribuição de rendimentos e pode interferir na eficiência alocativa de outros mercados. no direito à propriedade como parte dos direitos fundamentais. ou conjunto de instituições. O objetivo desta parte é discutir o conjunto de regras e ações. requer. Nas seções seguintes são apresentados alguns dos sistemas de regulamentação existentes no Brasil. A principal questão a discutir é: em que medida as regras particulares aplicadas a mercados específicos.

O regime de concessões predomina nos serviços públicos em que a empresa pode cobrar pelo menos uma parte dos serviços prestados através da cobrança de tarifas no usuário. O sistema de concessões monopolistas pode ser associado à falha de mercado identificada como monopólio natural. as soluções variam de país para país e ao longo do tempo. porque como as empresas privadas não dispõem de elementos para cobrar de cada consumidor. Aurélio Vilas Boas. Enquanto os sistemas de telefones convencionais requerem grandes investimentos nas redes (o mesmo é válido para redes de água e energia elétrica). como a defesa nacional. MSc. A associação da falha de mercado identificada como monopólio natural com os serviços públicos industriais. devemos estar cientes de que as dimensões do mercado relevante serão muito menores que as da telefonia convencional. passando pela contratação governamental dos serviços de empresas privadas. lei e ordem. A forma tradicional de regulamentar o funcionamento de monopólios naturais é restringindo a entrada de concorrentes. o custo de obter tal informação é muitas vezes superior ao valor econômico do bem. infraestrutura de transporte e urbana. Para a produção de alguns bens públicos como defesa nacional. telefonia e saneamento ocorreu historicamente porque as tecnologias de produção apresentavam. desde a produção direta pelo Estado. ciência básica. ciência básica e serviços de infraestrutura. tais como parques. até a concessão para exploração por monopólio privado. A licitação é o processo através do qual as empresas privadas competem pela prestação do serviço ao governo. também não terão incentivos em ofertar tais bens.2. J. fortes economias de escala para os tamanhos de mercado relevantes.1 – Regulamentação de serviços de utilidade pública O problema Os mercados falham na presença dos chamados bens públicos. e ainda apresentam em alguns casos. Como os monopólios naturais são definidos como tais em função da tecnologia disponível. qualidade e limites de preços para os serviços a serem contratados. Os bens com características de bens públicos. devemos identificar qual o sistema de atribuição de direitos que rege os serviços públicos no Brasil. a livre entrada de competidores dá origem a duplicações de investimentos elevados que acabam por onerar os consumidores ou desestruturar a oferta dos serviços. Uma vez esclarecido esse aspecto conceitual dos monopólios naturais. Tais dificuldades têm origem ou no fato de o uso do bem por um indivíduo não impedir que outros o usem. saúde pública. O maior exemplo desse tipo de alteração foi observado com o desenvolvimento da telefonia celular. Prof. como energia. cabendo ao governo determinar quantidade. ou serviços de utilidade pública. como saúde pública. via e iluminação não seriam produzidos nas quantidades que os consumidores estariam dispostos a pagar se fossem ofertados por empresas privadas. Isso se deve em parte por que as empresas não dispõem de meios de identificar o valor econômico das apropriações individuais. Numa situação como essa. Para empregar o conceito de monopólio natural na regulamentação da telefonia celular.9. a telefonia celular comportaria a entrada de uma empresa que pudesse investir em apenas uma torre de transmissão de sinais. Para outro grupo de bens. ou mesmo havendo rivalidade no uso. educação. Isso não quer dizer que toda vez estivermos diante de uma concessão encontraremos em caso de monopólio natural. é possível que mudanças tecnológicas alterem as condições de competição. 84 . que são aqueles para os quais o consumo por parte de um indivíduo não reduz a capacidade de outros de usufruir dos seus serviços. lei e ordem a solução quase universal tem sido a produção direta pelo Estado. A contratação de serviços de empresas para prestação de serviços públicos ocorre mediante licitação.

a prestação de serviços públicos”.. A Constituição Federal. Agências e instrumentos No artigo 30 da Lei nº 8. telefonia. o poder concedente deverá ser capaz de garantir remuneração dos ativos a serem empregados pela empresa concessionária compatível com aquela existente em outras atividades de características semelhantes. pesquisa e lavra de petróleo e gás natural. as multas e os direitos dos usuários. As reformas recentes têm aberto a participação das empresas privadas nesses setores. para que execute em seu próprio nome. regulamentar os objetivos. a concessão trata da prestação de um serviço público e é função do Poder Público organizar tais serviços. a forma de execução do serviço.987 e a Lei nº 9. os direitos e deveres das partes. Assim sendo. Entre esses casos encontravam-se os serviços de correios e telégrafos. 85 . caberá ao governo. como poder concedente. transmissão de dados e demais serviços públicos de comunicações. Aurélio Vilas Boas. diz que “Incumbe ao poder Público. Em vários desses dispositivos estava incluída a obrigatoriedade de que os serviços fossem prestados diretamente pelo Estado ou por concessão exclusiva a empresas estatais. Mesmo quando critérios para definição e reajustes de tarifas estiverem definidos nos contratos de concessão. refino. as circunstâncias em que poderá ocorrer rescisão. diretamente ou sob regime de concessão ou permissão. Sistema de atribuição de direitos Tomando a Constituição Federal de 1988 como base do nosso sistema de atribuição de direitos.. em seu artigo 175. MSc. exportação e transporte marítimo de petróleo. distribuição de gás canalizado. um contrato de concessão é definido como: .074. por meio de um órgão técnico a ele subordinado ou por entidade com ele conveniada. os órgãos fiscalizadores devem manter papel discricionário. está previsto que o controle poderá ser exercido diretamente pelo poder concedente. mediante tarifa paga pelo usuário ou outra forma de remuneração decorrente da exploração do serviço. encontramos vários dispositivos que tratam dos serviços de utilidade pública. No ano de a995 foram aprovadas duas leis federais que procuram definir o regime de concessões de serviços públicos: a Lei nº 8. por sua conta e risco. na forma da lei. contrato administrativo pelo qual a Administração Pública delega a outrem a execução de um serviço público. J. a lei reconhece a necessidade de especialização técnica por parte da agência que irá exercer o controle e a fiscalização das ações da concessionária. Por outro lado. Entre eles encontra-se o principal instrumento do governo ou da agência técnica de controle. segundo Di Pietro. fundamental na avaliação da qualidade dos serviços prestados. sempre através de licitação. que é a capacidade de Prof. para que existam empresas legitimamente interessadas em tais contratos de concessão. importado. a fiscalização. Embora seja um contrato.987.antes de passarmos ao sistema de regulamentação. Assim. Os instrumentos empregados na concessão são basicamente instrumentos de Comando e Controle (C&C) previstos no contrato de concessão.

determinar as tarifas e as outras formas de remuneração do concessionário. Ao invés de adotar uma regra única de determinação de tarifas, a Lei nº 8.987 optou pelo critério da menor tarifa oferecida num processo de licitação pública, ou seja, as empresas competindo pelo direito de produzir fazem a oferta da tarifa que consideram mais adequada, dados os requisitos de qualidade e de quantidade especificados. Como o processo de licitação é um processo competitivo, o vencedor será aquele que oferecer a menor tarifa. A agência pode se recusar a validar um resultado se a tarifa mínima for considerada muito elevada, e para isso a competência técnica da agência de controle é fundamental, pois ela deverá ter informações sobre os custos de produção. Como a concessão dura vários anos, um outro aspecto crucial é o mecanismo de reajuste das tarifas. As regras de reajustes tarifários mais empregadas ultimamente em vários países tendem a combinar a manutenção do valor real da tarifa constante com incentivos a ganhos de produtividade. Assim, as agências técnicas de regulamentação dos serviços públicos devem ser capazes de determinar o número de concessionários que poderão operar, e os controles de preços a serem feitos de modo a minimizar as rendas de monopólio que serão auferidas pelos concessionários. 9.2.2 – Sistema de defesa da concorrência O problema Os mercados falham na presença de concorrência imperfeita, ou seja, quando firmas podem atuar num mercado específico de modo a fixar seus preços acima dos custos marginais de produção. Em tais estruturas de mercado, os preços estarão acima e as quantidades produzidas abaixo daqueles associados ao nível de eficiência. As razões que dão origem ao poder de monopólio podem ser muito variadas, as seus efeitos podem ser resumidos em dois grandes grupos de mercados imperfeitos: monopólios naturais e oligopólios. Tratamos dos monopólios naturais na seção anterior; cabe agora discutir as estruturas oligopólicas. O pequeno número de grandes empresas pode dar margem a três tipos de comportamento que levam a alocação de recursos numa estrutura de mercado oligopólica a se distanciar da alocação de uma estrutura competitiva.    O primeiro tipo é a possibilidade de atuação conjunta ou cartelização; O segundo conjunto de práticas são aquelas ações das grandes empresas voltadas a restringir a concorrência, seja por parte de empresas que já operam no mercado, seja de potenciais ingressantes; O terceiro tipo são as práticas desleais em relação a consumidores e fornecedores.

As práticas de ação conjunta e cartelização estão associadas a uma diminuição da rivalidade entre as empresas operando em determinado mercado. Com menor rivalidade, as empresas tenderão a acomodar participações no mercado e a coordenar a fixação de seus preços de modo a manter as participações no mercado e a coordenar a fixação de seus preços de modo a manter as participações estáveis e aumentar conjuntamente os lucros. Dizemos que existe um Cartel quando é formalizado um acordo explícito de fixação de preços e/ou participações no mercado. Porém, a coordenação nesse sentido pode ser tácita, ou seja, exercida por uma empresa líder ou simplesmente por tentativa e erro ou acomodação das empresas que atuam tempo suficiente sem pressão competitiva de novos entrantes. Uma estrutura de mercado, com tais características se afasta da solução
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competitiva e se aproxima da solução de monopólio. Para que uma situação como essa perdure no tempo, sendo um equilíbrio estável, sem que novas empresas sejam atraídas pelos lucros de monopólio existentes, é necessário que existam barreiras à entrada. Essas barreiras são custos que uma empresa entrante tem de incorrer, mas as que já estão instaladas não. Estas podem ser de natureza tecnológica, como domínio de marcas, patentes e Know-how, devido a restrições de suprimentos, como direitos de lavra de minérios, ou ainda devido à conquista das preferências dos consumidores, obtidos por meio de propaganda ou da simples antiguidade de uma marca. Numa situação como essa caberá ao órgão regulamentador impedir e punir acordos explícitos e prevenir a coalizão tácita estimulando e intensificando a rivalidade das empresas instaladas. Existem, contudo, barreiras à entrada que são resultado de ações estratégicas das empresas dominantes para expulsar as menores ou para impedir a entrada de novos concorrentes. Guerras de propaganda têm muitas vezes esse objetivo, ao impor aos competidores menores o ônus de responder a uma campanha apenas para manter sua participação no mercado. Da mesma forma, as várias campanhas publicitárias ao longo do tempo ajudam a estabelecer e fixar a reputação de uma empresa. Para uma empresa entrante, e sem reputação estabelecida, o esforço e os custos de propaganda e fixação de reputação serão maiores do que para as que já operam. A caracterização de práticas como essas, estratégias de restringir a concorrência, é das mais difíceis de ser analisada e exige uma avaliação caso a caso por parte das agências de regulamentação. Das ações estratégicas das empresas para restringir a concorrência, três são mais claramente identificadas:    A prática de preços predatórios, As vendas casadas e O controle das fontes de suprimentos.

O terceiro tipo de comportamento são as práticas desleais para com fornecedores e clientes. Essas práticas podem ser divididas em dois grupos   Os contratos verticais e A discriminação de preços entre fornecedores e clientes.

Os contratos verticais são contratos entre fornecedores e clientes que têm como origem as dificuldades de se manter relações de oferta e procura de longo prazo. Quando esses contratos são estabelecidos de comum acordo entre duas empresas, é de se esperar que ele seja de proveito para ambas as partes. Entretanto, muitas vezes tratase de contrato de adesão, ou seja, um grande produtor impõe ao seu distribuidor ou varejista as condições de revenda do produto. Como saber se o produtor está exercendo seu poder de monopólio ou se está implementando uma política que será de proveito para ambos? Como fica a situação do consumidor no final da cadeia de negócios? Existem alguns tipos de acordos que são literalmente proibidos e outros devem ser analisados, caso a caso, pelas agências de regulamentação. Sistema de atribuição de direitos A base da organização de um sistema de defesa da concorrência está presente na Constituição Federal de 1988, logo no artigo 1º, inciso IV, no título dos Princípios Fundamentais, em que se afirma que o Estado Democrático de Direito tem como fundamento “os valores sociais do trabalho e da livre inciativa”. No título seguinte, os Direitos
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e Garantias Fundamentais, artigo 5º, incisos XXII e XXIII, “é garantido o direito de propriedade” e que “a propriedade atenderá sua função social”. É no título Da Ordem Econômica e Financeira, no capítulo dos Princípios Gerais da Atividade Econômica que encontramos, no artigo 170, a reafirmação de que “a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre inciativa, tem por assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I – soberania nacional; II – propriedade privada; III – função social da propriedade; IV – livre concorrência; V – defesa do consumidor; VI – defesa do meio ambiente; ...” A defesa do consumidor e do meio ambiente será assunto das próximas seções; aqui devemos analisar a extensão de função social e livre concorrência. Esses assuntos são tratados na Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, que trata da prevenção e repressão às infrações à ordem econômica e redefine a natureza administrativa da agência de regulamentação da concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) No artigo 1º da Lei 8.884, fica estabelecido que a finalidade é tratar da prevenção e repressão de infrações à ordem econômica, tendo como base os princípios da livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. O artigo 20 da Lei nº 8.884 aponta como infrações os atos, mesmo aqueles que não surtem o efeito pretendido, direcionados a: I – limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; II – dominar o mercado relevante de bens ou serviços; III – aumentar arbitrariamente os lucros; IV – exercer de forma abusiva posição dominante. O texto emprega dois termos que requerem esclarecimentos: mercado relevante e posição dominante. O primeiro refere-se à esfera da concorrência, ou seja, é necessário que a agência identifique corretamente o mercado, sua extensão, os produtos envolvidos, número de concorrentes etc. O segundo termo, a posição dominante de uma firma, é fixado como sendo uma parcela superior a 30% do mercado. Mas note-se que o fato de a empresa possuir posição dominante não é em si uma infração, mas sim as ações abusivas quetal posição lhe permite. O artigo 21 da Lei nº 8.884 caracteriza as condutas ou práticas que podem ser interpretadas como infrações à ordem econômica. Ao longo dos 24 incisos são listadas condutas que correspondem aos três conjuntos de práticas identificadas, quais seja,, combinações entre as empresas no mercado para evitar a competição, ações para expulsar concorrentes que já estão no mercado ou impedir a entrada de novos, e impor controles nas relações ao longo da cadeia produtiva e de distribuição. Julgar se a existência de tais práticas caracteriza uma limitação ao direito de todos a mercados concorrenciais é tarefa do CADE.

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tornando o órgão uma agência que executa sua função livre das injunções de outros interesses. caso possa causar lesão irreparável ao mercado. proibições de contratar com órgãos públicos. podendo ser aplicado também pela SDE. podendo ser reconduzidos por igual período. mas que. São essas as circunstâncias previstas no controle de atos e contratos. um órgão decisório. MSc. são multas. O outro instrumento administrativo é o compromisso de cessação da prática sob investigação que esteja causando danos a terceiro.884. e consideradas na avaliação de qualquer transação que leve ao aparecimento de empresa com posição dominante. os interessados em obter uma manifestação do CADE. caso seja caracterizada uma infração à ordem econômica. Aurélio Vilas Boas. decidir pela existência de infrações. As multas podem chegar até 30% do valor do faturamento anual da empresa. Cabe ao CADE zelar pela observância da lei. o CADE foi transformado em uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça 24. De grande impacto do ponto de vista da regulamentação de mercados são outros instrumentos que o CADE dispõe e que precedem a aplicação das punições acima identificadas. devem apresentar informações detalhadas sobre a transação. Nesse último. o CADE poderá fixar metas qualitativas e quantitativas através de um compromisso de desempenho para que a transação seja aprovada. O outro grupo de instrumentos são formas de controle direto do CADE sobre negociações entre agentes privados. Pela Lei nº 8. inclusive financeiros. Nesse grupo encontra-se a medida preventiva. podendo ser aplicadas também aos administradores. São eles: a) Controle de atos e contratos. b) Compromisso de desempenho. Elas podem possuir orçamento próprio e seus diretores dotados de mandatos por tempo definido e não coincidente com os mandatos eletivos daqueles que os nomeiam. e os seus seis conselheiros são nomeados pelo Presidente da República para um mandato de dois anos. a CADE é a agência brasileira responsável pela política de Defesa da Concorrência. A destituição de um conselheiro do cargo é uma decisão do Senado. caso o CADE viesse a avaliar que o contrato não leva a aumento de produtividade. 24 Uma autarquia é um órgão de administração pública com maior independência que os departamentos e secretarias de governo. também chamada de política Antitruste. O primeiro grupo de instrumentos é de caráter administrativo. Em função das circunstâncias intervenientes. 89 . antes de realizar contrato de fusão ou incorporação. c) Consulta. O CADE é. Prof. procurou-se investir o Conselho de liberdade de ação perante o governo. Os principais instrumentos de punição de que o CADE dispõe. ou a melhoria da qualidade. ou a ganho de eficiência e desenvolvimento tecnológico. Exemplo do grau de autonomia das autarquias perante os governos são as universidades federais e estaduais. esteja disposta a fazer um acordo com o CADE/SDE. auxiliado na investigação e instauração de processos pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE). Dessa forma. aplicar as penalidades quando houver infração e ainda exercer controle dos atos e contratos que possam levar uma empresa a ter posição dominante. exibição pública através de divulgação dos atos na imprensa e inclusão no Cadastro de Defesa do Consumidor. J. em reconhecendo as consequências de seus atos. que determina a cessação imediata de uma prática. O acompanhamento desse compromisso fica a cargo da SDE. Firmar um compromisso de cessação não significa que a empresa admita culpa ou reconheça ter praticado ato ilícito. portanto. Isso pouparia os custos de ter a transação desfeita. ou que tenha faturamento anual superior a R$ 50 milhões.Agências e instrumentos Como vimos.

Esse conjunto de direitos reconhece a existência de assimetrias de informações e de poder econômico entre fornecedores e consumidores. como a proteção contra os riscos provocados por produtos perigosos e nocivos. para cada agente envolvido. que trata dos direitos do consumidor.078 estão definidos os direitos básicos do consumidor. pode levar ao surgimento de regulamentação específica. Esse último é complementado pelo Decreto nº 407. das sanções administrativas. a garantia de prevenção e reparação de danos sofridos na aquisição de produtos ou serviços. Da mesma forma. em que os vendedores conhecem melhor que os compradores as condições do veículo. dado um sistema de atribuição de direitos. a pessoa. mesmo sendo voluntários e respeitando o sistema de atribuição de direitos em vigor. O segundo caso está presente também em mercados competitivos. O sistema legal que implementou essas disposições constitucionais é composto pela Lei nº 8. 90 .3 – Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) O problema Os mercados falham quando. das formas de defesa desses direitos e da organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. o resultado nos dois mercados são preços mais elevados para os serviços. das infrações penais. encontramos entre os direitos do consumidor. a defesa do consumidor”. a segunda ocorre quando uma das partes contratantes possui maior informação que outra sobre um elemento crucial para determinação dos benefícios e custos da transação. as pessoas tendem a dirigir um veículo alugado de forma mais displicente do que fariam no seu próprio veículo. direito e educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. O primeiro caso está presente em contratos como aluguel e seguro de veículos.9. artigo 5º. em relação à situação sem o seguro. não conduzem ao emprego eficiente dos recursos. A existência de informações assimétricas não requer uma regulamentação específica para cada tipo de mercado. Ainda no artigo 6º. que trata da organização do sistema e das normas gerais para aplicação de sanções administrativas. direito a informação adequada e clara contendo as especificações qualitativas. J. com agências próprias. os custos e benefícios de uma transação. de 11 de setembro de 1990. Por não poderem ser observadas. que regulamenta o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. Nesse caso. Na ausência de regulamentação. MSc. uma vez que tenha segurado seu veículo. como o de carros usados. não são explicitamente definidos nos termos do contrato. tende a arriscar mais. “O Estado promoverá. Entretanto. levando a soluções de mercado não eficientes: a primeira delas ocorre quando as ações de pelo menos uma das partes contratantes não podem ser observadas pela outra. os contratos entre os agentes.2. Tal garantia é prevista no acesso do consumidor aos órgãos judiciários e administrativos e na “facilitação Prof. inciso XXXII. como o Código de Defesa do Consumidor. Regulamentação de atendimento médico e escolas privadas são exemplos possíveis. de 27 de dezembro de 1991. No artigo 6º da Lei nº 8. se a assimetria de informação estiver associada a outras falhas de mercado. na forma da lei. direito a proteção contra a publicidade enganosa. podendo ser controlada por legislação ampla. O papel do Estado na promoção da defesa do consumidor está presente no título dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal. Duas circunstâncias podem gerar contratos com esse tipo de ineficiência. métodos e práticas comerciais e contratuais desleais e abusivas. dirigindo ou parando em locais mais arriscados a roubo. quantitativas e de preço dos bens.078. um importante instrumento financeiro para a operação do sistema. Aurélio Vilas Boas. e ainda pelo Decreto nº 861. de 9 de julho de 1993.

IV – cassação do registro do produto junto ao órgão competente. sendo a primeira os direitos difusos. do Distrito Federal e municipais. A agência governamental encarregada de executar uma Política Nacional de Defesa do Consumidor é o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). mas está associada ao grupo como um todo. Cabe também aos órgãos estaduais e municipais. ou seja. XI – intervenção administrativa. de obra ou atividade. Prof. a seu favor”. Existem três formas de direitos dos consumidores. A defesa dos direitos da primeira forma traz benefícios a um grupo não determinado. Aurélio Vilas Boas. VIII – revogação de concessão ou permissão de uso. V – proibição de fabricação do produto. VII – suspensão temporária de atividade. direitos de natureza indivisível cujos titulares são pessoas indeterminadas. para os quais a titularidade é indivisível para os membros de um grupo. de estabelecimento. II – apreensão do produto. J. nesse sistema de atribuição de direitos. 91 . pois. estaduais. A fiscalização das relações de consumo é exercida pelos fiscais do DPDC e dos órgãos de proteção e defesa do consumidor criados com essa finalidade nos Estados e Municípios. aqueles decorrentes de origem comum. total ou parcial. A terceira forma é a de direitos individuais homogêneos. ou ainda por associações de defesa do consumidor. da segunda forma a um grupo específico e da terceira forma beneficia a todos os indivíduos que sofreram o mesmo dano.078 constitui infração administrativa sujeita a penalidades como: I – multa. incentivar a criação de entidades de defesa do consumidor e firmar convênios para fiscalizar práticas mercantis abusivas. Agências e instrumentos O Sistema Nacional de Defesa do Consumidor é integrado por órgãos federais. MSc. pode ser exercida tanto pelo indivíduo em particular como a título coletivo. ou seja. no âmbito de cada jurisdição. O desrespeito às normas da Lei nº 8.da defesa de seus direitos. exercer atividades de avaliação e encaminhamento de denúncias. subordinado à Secretaria de Direito Econômico (SDE). No caso da defesa coletiva ela poderá ser exercida pelo Ministério Público. X – interdição. de uma forma de contrabalançar as assimetrias de poder e de informação. Não podemos deixar de mencionar a questão da titularidade dos direitos do consumidor que. III – inutilização do produto. isto é. e as entidades privadas de defesa do consumidor. IX – cassação de licença do estabelecimento ou atividade. VI – suspensão de fornecimento de produtos ou serviços. cabe ao fornecedor provar que a reclamação do consumidor é improcedente. Trata-se. inclusive com a inversão do ônus da prova. Para o exercício individual dos direitos do consumidor basta que se recorra às agências previstas pelo SNDC ou ao Judiciário. pelas unidades da federação ou pelas próprias agências designadas a executar a defesa do consumidor. a segunda forma é a de direitos coletivos.

estoques pesqueiros em águas internacionais. Os processos administrativos motivados por denúncia de consumidores ou por ação fiscalizadora dos agentes dos órgãos de defesa do consumidor constituem-se no principal instrumento de comando e controle (C&C) que essas agências dispõem. que empregam ônibus com motores diesel. Portanto. ocorre a intoxicação das cidades com os gases de escape. de livre acesso.XII – imposição de contrapropaganda. O papel da regulamentação nesses casos é de avaliar os custos externos e redistribuí-los aos que lhes deram origem. Se é fácil notar a presença de externalidades. o mesmo não pode ser dito no que diz respeito a corrigi-las. aos industriais etc. de como repartir o ônus entre os poluidores. de fato. 92 . ou seja. o conjunto geral de leis que disciplina o assunto seria suficiente para que qualquer dano causado a terceiros viesse a ser compensado. J. ou seja. As sanções administrativas estão relacionadas às violações aos direitos básicos do consumidor e às boas práticas comerciais e contratuais. Porém. Existem dificuldades de natureza técnica. MSc. Os exemplos de tais situações são abundantes. não refletidos nos custos de transacionar dentro do mercado. na agricultura. até o caso de pastagens em áreas comunais da África. causam externalidades. externalidades negativas são um fenômeno bastante comum em nosso cotidiano. trata-se de um mecanismo de sanção como os demais. É necessária a substituição por um sistema que garanta que a decisão de uso do recurso seja tomada por um único agente. como evitar o comportamento oportunista quando se oferece dinheiro para quem foi afetado por determinado tipo de poluição.2. Nesse caso não haveria necessidade de regulamentação e de agências governamentais especificamente concebidas para esse fim. desde direitos de perfuração de poços de petróleo nos EUA. pois mesmo sendo aplicada me proporção à vantagem obtida pelo fornecedor. levando à super ou subexploração dos recursos. na indústria. relativas ao conhecimento dos elementos prejudiciais da poluição: mesmo quando conhecidos os elementos maléficos das substâncias poluentes. os direitos de uso exclusivo não são complemente definidos e os recursos naturais podem tornar-se.? Se a responsabilidade civil dos que causam a poluição fosse facilmente identificada. o uso de pesticidas pode contaminar os trabalhadores ou as águas subterrâneas. temos o lançamento de gases na atmosfera e os resíduos sólidos e líquidos contendo materiais nocivos à saúde. Muitas vezes isso ocorre sem que seja percebido como tal. ou seja. Por exemplo. Em grande parte das atividades econômicas pode-se identificar a presença de resíduos gerados nos processos produtivos. existem problemas em se identificar o quanto as pessoas foram de fato afetadas por uma determinada fonte de poluição. Aurélio Vilas Boas. Às dificuldades técnicas e informacionais sobrepõe-se a dificuldade de identificar corretamente os direitos de propriedade em questão. 9. e ainda as dificuldades de compensar os afetados pela poluição. A solução de casos de propriedade comum de recursos requer discutir-se também os custos de serem produzidos direitos de propriedade que eliminem o livre acesso. Tais efeitos dão origem a custos ou benefícios para terceiros. Como repartir a responsabilidade pela poluição atmosférica numa grande cidade? Quanto caberá aos proprietários de veículos. nos sistemas de transporte urbano. A multa não pode ser confundida com um instrumento financeiro. mesmo que a Prof.4 – Sistema de proteção ao meio ambiente O problema Os mercados falham quando as transações num mercado produzem efeitos positivos ou negativos a terceiros.

. é um dos grandes desafios que vêm sendo encarados pelas sociedades modernas. métodos e substâncias que comportem risco para a vida. No parágrafo primeiro do referido artigo definem-se as atribuições do Poder Público no sentido de garantir tal direito. V – controlar a produção. recaindo para a esfera federal o controle e licenciamento de atividades de interesse interestaduais. 93 . para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. O sistema de defesa do meio ambiente no Brasil e os principais instrumentos de que ele dispõe serão analisados em seguida.. Prof.” É no capítulo da Ordem Social da Constituição Federal que vê-se um capítulo dedicado ao Meio Ambiente. observados os seguintes princípios: .. . as agências estaduais cumprem o mesmo papel. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. As atribuições de órgãos específicos para cumprir as funções de controle definidas nos incisos acima já haviam sido previstas na Lei nº 6. comercialização e o emprego de técnicas. de 31 de agosto de 1981. Sistema de atribuição de direitos Vimos que no título da Ordem Econômica e Financeira. existem os Conselhos Estaduais. J. a qualidade de vida e o meio ambiente”. encontra-se no artigo 170 a afirmação de que a "ordem econômica. Agências e instrumentos O Sistema Nacional de Meio Ambiente é dirigido por um Conselho Nacional que assessora o ministro no estabelecimento da Política Nacional do Meio Ambiente. Assim.VI – defesa do meio ambiente. tem por fim assegurar a todos existência digna. estudo prévio de impacto ambiental. a regulamentação do meio ambiente e a definição dos melhores instrumentos para tornar os custos externos a ele relacionados como parte dos custos privados de produção. Diante dos parâmetros ambientais estabelecidos as agências dispõem de três instrumentos de controle: a) Os estudos e relatórios de impacto ambiental EIA/RIMA. que as agências ambientais exercem a regulamentação dos mercados. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente – IBAMA – é a agência federal encarregada de estabelecer programas e exercer a fiscalização da legislação ambiental. Nos Estados. entre outras atribuições de natureza ambiental. MSc. que tal recurso não será superexplorado. o controle da poluição e o licenciamento de atividades potencialmente causadoras de degradação ambiental. que instituiu o Sistema Nacional de Meio Ambiente. a que se dará publicidade. Da mesma forma no âmbito estadual.938. quer pelo papel de coordenador. e do fornecimento de licenças de funcionamento. estabelecendo-se padrões de emissão de poluentes. Aurélio Vilas Boas. na forma da lei. No âmbito federal. conforme os ditames da justiça social. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. quer por atribuição de direito de alocação exclusivo. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as gerações futuras”. porém seguindo legislações e parâmetros ambientais fixados em cada Estado.. Nesse sistema cabe aos Estados. no capítulo dos Princípios Gerais da Atividade Econômica. É através do exercício do controle da poluição.propriedade possa continuar comunal ou estatal. Somente nesse caso se pode garantir. No artigo 225 lemos: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. responsáveis pelas políticas estaduais. No que diz respeito à regulamentação dos mercados destacam-se dois incisos: “IV – exigir.

e ainda em implementação. compensações financeiras para exploração de recursos florestais. interrupção da produção. dependendo da inspeção da planta e das condições de funcionamento efetivo. Na hipótese de um projeto ter seu EIA/RIMA aprovado. Aurélio Vilas Boas.b) As licenças de funcionamento. Royalties de Compensação Financeira pela utilização de recursos minerais. Os EIA/RIMA aplicam-se a novos projetos ou a expansão de projetos já existentes. c) A fiscalização das emissões de poluentes. 94 . Entre eles encontram-se os Royalties de Compensação Financeira pela utilização de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica. que pode ser aplicada inclusive a plantas existentes anteriormente à legislação ambiental. suspensão temporária das atividades e até cassação da licença e consequente fechamento da empresa. que pode impor diversas sanções. a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. A esses instrumentos de controle. Prof. mas das condições do meio ambiente em que estará instalado. sendo custeados pelo proponente e submetido à avaliação do órgão ambiental competente. J. compensações financeiras para municípios inundados por barragens. MSc. como multas. A concessão de licenças não depende apenas do projeto em si. a legislação brasileira vem acrescendo nos últimos anos um novo conjunto de instrumentos econômicos genericamente associados aos princípios do poluidor-pagador e consumidor-pagador. a obtenção da licença não é automática. O terceiro instrumento de controle é a ação fiscalizadora. O segundo instrumento é a licença de funcionamento. Desse modo a agência pode impor compromissos mais ou menos rigorosos de padrões de lançamentos de diferentes poluentes.