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DUVERGER, Maurice. Los partidos políticos. I.

Problemática: O texto propõe-se a estudar o grau de convergência entre a opinião pública e sua expressão parlamentar, entre as posições políticas da Nação e do Parlamento. Esta relação de maior ou menor correspondência é chamada por Duverger de “representação”.  O grau de representação num determinado Estado é condicionado, dentre outros, pelo sistema de partidos políticos, que se relaciona com a opinião pública numa interação de mútua auto-implicação. O sistema é resultante da estrutura da opinião pública, mas também a influencia histórica, política e institucionalmente.  Na medida em que é influenciada pelo sistema de partidos e pelo sistema eleitoral, a opinião pública pode ser distorcida. Existem dois graus de deformação: 1. Dimensão eleitoral VS. dimensão parlamentária: essa deformação manifesta a diferença entre número de votos atribuídos a um Partido e o número de assentos por este obtidos no Parlamento. 2. Repartição de votos VS. Opinião pública: esta deformação manifesta a diferença entre a distribuição dos votos no regime eleitoral e a verdadeira natureza da opinião pública. II. Dimensão eleitoral VS. Dimensão parlamentaria  O primeiro grau de deformação é dado sobretudo em função do sistema eleitoral adotado pelo Estado. Tem-se um quadro em que: 1. O sistema proporcional atenua a deformação de primeiro grau, na medida em que permite a representação das mais diversas correntes de opinião, mantendo, todavia, as divergências quando se trata de distribuir os restos; 2. O sistema majoritário simples bipartidário acentua a deformação de primeiro grau, havendo sobre-representação do partido majoritário e, eventualmente, subrepresentação deste mesmo ator, o que é possível consoante a distribuição das maiorias nas diferentes circunscrições; 3. O sistema majoritário simples pluripartidário acentua a deformação de primeiro grau, já que exclui da representação política ampla gama de partidos minoritários, representando grande fração da opinião pública; e 4. O sistema majoritário com dois turnos pode acentuar a deformação de primeiro grau, na medida em que o sufrágio no segundo turno seja manifestação não de

institucionalizam dialogicamente opiniões que. conclui-se que a opinião bruta pode ser sondada. porque sempre influenciada pelo método como é captada. . Repartição de votos VS. tendências generalizantes e posicionamentos políticos pré-definidos. Realizam um trabalho de síntese que permite a própria existência de mecanismos eleitorais e de representação política. centralizados e doutrinados ideologicamente. já se extrai uma conclusão: a expressão eleitoral de uma opinião não necessariamente coincide com a própria opinião. A (de)formação da opinião pública pelo sistema de partidos e pelo regime eleitoral é natural. operante entre a repartição de votos e a opinião pública verdadeira. identificados parcialmente com o programa institucional. em que a implantação do sistema proporcional diminuiu os votos de partidos de centro a aumentou os votos de partidos extremistas. Opinião pública Do que até agora se falou. Isso gera diferenças entre a opinião bruta e a elaborada para todos os partidos. A primeira refere-se à citada opinião pessoal verdadeira. modelada pelos sistemas partidário e eleitoral. não se podendo disso escapar. inertes. de outro modo. Isso é demonstrado pelos exemplos da Suíça. seriam apenas tendências esparsas. essa canalização da opinião é direcionada ao transparecimento de máxima coincidência entre os objetivos do partido e os desejos dos eleitores. já que está é deformada pelos sistemas eleitoral e de partidos. já que congregam pessoas com os mais diversos desejos. os partidos criam.  De fato. mas também uma redistribuição de votos. São três fatores que se condicionam mutuamente. A disparidade entre opinião verdadeira e opinião eleitoralmente expressa fundamenta o dualismo entre opinião bruta e opinião elaborada. ainda que estes interesses particulares sejam secundários na atividade partidária em geral. As pessoas votam diferentemente em casa sistema eleitoral. A segunda indica a opinião filtrada. Essa diferença é mais acentuada no caso de partidos mais organizados. reformas eleitorais implicam não apenas a redistribuição de assentos.opiniões políticas propriamente ditas. organizam. III.  Nesse sentido.  Parcialmente. Esse contexto leva ao problema do segundo grau de deformação. mas jamais definida em termos precisos. Dinamarca e Noruega. mas de escolhas ditadas por alianças.  No momento eleitoral.

Regime dualista com partido dominante: abstenção máxima. conforme se demonstrará daqui em diante.IV. nesse caso. portanto. de forma que vários partidos locais podem coexistir nacionalmente. Essa comparação demonstra tendências em cada sistema de partidos. A opinião bruta não pode ser objeto de conhecimento.  Essas deturpações podem ser positivas ou negativas. em que o candidato não vinculado a um dos partidos dominantes não tem chance. O voto tende a pautar-se pela ideologia. voltam-se para os anseios de sua população. é amenizada. Isso acentua a localização geográfica das opiniões e agrava as disparidades regionais. Escrutínio de lista: a influência pessoal. a pessoalização da política em circunscrições pequenas é atenuada. o mesmo não ocorre em relação às opiniões bruta e elaborada. 1. em partidos centralizados. definir qual opinião elaborada assemelha-se à bruta. conforme as circunstâncias. Não se pode. Escrutínio uninominal: dada a pequenez das circunscrições. a regionalização é negativa na medida em que acentua diferenças étnicas locais. Candidatos próximos de seu eleitorado fazem promessas pessoalizadas. b. já não se conhece pessoalmente o candidato. Reforça-se a unidade e a uniformidade nacional. opiniões regionais tender a ser nacionalizadas. Sistemas eleitorais e opinião pública: nacionalização e regionalização da opinião a. Sistema proporcional: com minorias representadas no Parlamento. As minorias podem ser representadas no Parlamento nacional se forem maioria local. Assim. Na Bélgica. há forte controle dos candidatos por parte do diretório central. Ademais. O debate político ocorre em terreno mais amplo. b. Distribuição política e deformação da opinião: abstenções a. Sistema majoritário com um turno: tende ao bipartidarismo em cada circunscrição. Sistemas de partido e deformação da opinião  Aferir a divergência entre expressão parlamentar e eleitoral é simples. . 3. 2. já que os votos tendem a repetir o resultado de dominância. Sistemas eleitorais e opinião pública: predomínio de fatores locais ou nacionais a. como em Inglaterra.  Esse panorama pode ser invertido por uma forte centralização do partido. essa forma de escrutínio favorece interesses locais. Apenas podem ser comparadas entre si as próprias opiniões elaboradas.

as facções tendem a fazer acentuar suas diferenças. Caso contrário. enquanto o sistema majoritário dual o superestima. os partidos tendem a retomar sua plataforma política original. Regime pluripartidário com alianças: assemelha-se ao regime de turno único. assim. albergando-se diferentes nuances e entendimentos políticos. a opinião tem tendência a dividir-se em dois blocos bem distintos. agradando. Havendo aliança dominante. Para que haja real representação.b. Sistema pluripartidário proporcional: como o eleitorado de um partido aumento à custa da perda do partido vizinho. Divisão da opinião pública e número de partidos  Geralmente. Coincidência entre opinião pública e maioria parlamentária . O partido de centro liga-se ora à direita.  A eleição em dois turnos não elimina essa dificuldade. Sistema partidário e amplitude das oposições de opinião a. apesar de amenizá-la. também os ativistas extremos. 7. Entretanto. Estrutura interior dos partidos e amplitude das oposições  Partidos homogêneos e centralizados determinam separações irredutíveis que não se reproduzem na população. Regime proporcional: abstenções medianas.Após as eleições. Sistema bipartidário: amplitude de oposição minorada. pois ambas as facções tem que tender ao centro para conquistar os votos que diferenciam o vencedor das eleições. 5. d. o que gera certa confusão. O ideal seria um sistema de partidos plurais com alianças ou um sistema bipartidário flexível. há grande abstenção. ora à esquerda. 6. é necessária grande flexibilidade. com difícil apuração por inexistência de casos práticos reais analisáveis. são majoradas as divergências. O próprio eleitorado tem dificuldade de identificar-se com o partido nesse quadro de mudanças constantes. cada um comportando nuances internas. as oposições e as divisões políticas. há participação considerável. buscando eliminar as distinções próprias de cada agremiação. afirma-se que a representação proporcional é mais fiel às diversas matizes de opinião. Isso pode causar rachaduras que falseiam enormemente a representação. Essa extremização sempre desfavorece o governo. b. c. O sistema proporcional ignora a formação de tais blocos. Por isso. já que cada voto pode fazer a diferença. 4. Regime dualista equilíbrio de poder: abstenção mínima.

c. Nesse caso. pode haver maioria livre num sistema eleitoral-partidário com esses traços.a. portanto a liberdade das maiorias livres é atenuada. na prática. nesse caso. Maioria imposta: corresponde à opinião pública. Fala-se. É típica do bipartidarismo. b. conferem-lhe maioria no Parlamento. Maioria livre: decorrente de um multipartidarismo equilibrado. mas são dependentes uns dos outros. É uma maioria típica dos sistemas pluripartidários com partidos independentes e dos sistemas proporcionais. Maioria semi-livre: decorre do sistema majoritário pluripartidário com dois turnos. . em geral. Os partidos são múltiplos. em que maior número de votos para um partido. em democracia pura. As alianças são formadas antes do pleito. Como as alianças governamentais nem sempre reproduzem as alianças eleitorais. em que o governo depende de alianças não necessariamente ligadas à opinião pública como expressa nas eleições. fala-se em convivência entre democracia e oligarquia.