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Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

2008

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Portugal, Ministério da Saúde. Direcção-Geral da Saúde Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, Lisboa: DGS, Julho de 2008, 126 p ISBN: 978-972-675-164-9 Saúde Oral/ Higiene Oral/ Cárie Dentária/ Doenças Periodontais/ Fluorose Dentária/ Comportamentos de Risco/ Promoção da Saúde/ Prevenção e Controlo / Qualidade de Vida/ Percepção/ Serviços de Saúde Bucal. Coordenação científica e Relatório: Gregória Paixão von Amann, Chefe de Serviço de Saúde Pública, Direcção-Geral da Saúde. Coordenação técnica: Cristina Ferreira Cádima, Higienista Oral, Direcção-Geral da Saúde. Agradecimentos
À Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação, por ter permitido a realização do Estudo e facilitado a sua execução nas escolas seleccionadas, nomeadamente:
Dr.ª Cristina Paulo, Dr.ª Isabel Baptista e Dr. Rui Lima

Aos profissionais de saúde oral que realizaram as observações (sem os quais nenhum Estudo seria possível):
HO Abigail Teixeira e HO Victor Diogo HO Mário Valdez e HO José Relvas HO Rute Horta e HO Filomena Jesus HO Delmira Regra e HO Ana Cristóvão HO Carla Sofia e HO Hugo Santos Dr. Ricardo Viveiros Cabral e Dr.ª Madalena Montalverne Dr.ª Isabel Bico e HO Filomena Santos Região Norte Região Centro Região de Lisboa e Vale do Tejo Região Alentejo Região Algarve Região Autónoma dos Açores Região Autónoma da Madeira

Aos responsáveis pela calibragem:
Prof. Doutor César Mexia de Almeida Dr. António Toscano Dr. José Frias Bulhosa Dr.ª Fátima Marques Dr.ª Fernanda Pinto Dr.ª Ana Paula Ramalho Correia Dr. Augusto Santana de Brito Dr. Carlos André Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa Universidade Fernando Pessoa ARS Norte ARS Centro ARS Lisboa e Vale do Tejo ARS Alentejo ARS Algarve RA Açores RA Madeira

Aos responsáveis Regionais do Programa Nacional de Saúde Oral pelo apoio à operacionalização do Estudo:

Aos responsáveis pela Saúde nas Regiões Autónomas:
Dr. Domingos Cunha e Dr.ª Antónia Sequeira Dutra Dr.ª Conceição Estudante e Dr.ª Isabel Lencastre

Ao Prof. Doutor Paul Erik Pettersen, Responsable Officer for Oral Health, na OMS, pela assessoria. Ao Dr. Mário Carreira, Médico de Saúde Pública, Direcção-Geral da Saúde e à Dr.ª Carla Cardoso pelo apoio estatístico. À Higienista Oral Maria João Seia, do Centro de Saúde da Amadora, pela organização da calibragem. Ao Dr. Rui Calado, Chief Dental Officer, pelo reconhecimento do nosso trabalho. À Dr.ª Judite Catarino, à Dr.ª Mariana Neto e ao Dr. António Esteves pelas criticas e sugestões. À Dr.ª Emília Nunes Directora de Serviços da Direcção de Serviços de Promoção e Protecção da Saúde. À Dr.ª Maria João Quintela Chefe da Divisão de Saúde no Ciclo de Vida e em Ambientes Específicos. À Ana Rita Ramalho Correia pela introdução dos dados no computador. À Dr.ª Otília Riscado Duarte pela revisão do texto. À Mestre Sandra Ribeiro, coordenadora do Curso de Higienistas Orais, pela leitura critica final.

Editor:
Direcção-Geral da Saúde

Arranjo Gráfico:
Vítor Alves e Luciano Chastre

Impressão: Tiragem: Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor

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Resumo
Portugal, nos últimos 20 anos, tem desenvolvido programas de promoção da saúde e de prevenção das doenças orais assentes em estratégias universais (para toda a população), selectivas (para grupos risco) e indicadas (para os que têm doença), cuja monitorização tem sido feita, regularmente, pela Direcção-Geral da Saúde. O Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, realizado no ano lectivo 2005/06, teve como objectivo avaliar a prevalência da cárie dentária, das doenças periodontais e da fluorose, bem como compreender alguns dos seus determinantes, nomeadamente, os relacionados com os hábitos alimentares e de higiene oral. Para isso, realizámos um estudo transversal a uma amostra aleatória de 2612 crianças de 6, 12 e 15 anos de idade, representativa de todas as regiões de saúde do Continente e das Regiões Autónomas, que frequentavam as escolas públicas do ensino básico. A metodologia cumpriu todos os procedimentos definidos pela Organização Mundial de Saúde para este tipo de estudos tendo, a mesma, validado as questões epidemiológicas. As acções foram desenvolvidas de acordo como o Protocolo e as sete equipas de observação fizeram a calibragem para a aplicação dos critérios clínicos na observação e no registo. Relativamente à cárie dentária, os índices de confiança intra e inter-observadores atingiram valores de 92,8% e 88,9%, respectivamente. Os conhecimentos e os comportamentos relacionados com a saúde oral foram avaliados através de um questionário, previamente testado. O presente Estudo Nacional, ao olhar para a saúde oral como parte integrante da saúde em geral, destaca a importância de, aos 6 anos de idade, 51% das crianças portuguesas estarem livres de cárie, quer na dentição temporária, quer permanente. O peso das doenças orais na população infantil e juvenil foi avaliado através dos índices de cárie dentária (cpod/CPOD) e de doença periodontal (ICP). Dos resultados, destacamos o índice CPOD aos 6, 12 e 15 anos, respectivamente de 0,07, 1,48 e de 3,04, com variações regionais significativas. Aos 12 e aos 15 anos de idade, a Região de Lisboa e Vale do Tejo apresentava o menor índice de cárie dentária (0,84 e 1,80, respectivamente) e a menor gravidade da doença, enquanto a

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Região dos Açores, aos 12 anos e da Madeira, aos 15 anos, se destacavam pelos motivos inversos. Utilizando como referência os valores da OMS para o índice CPOD aos 12 anos, Portugal com 1,48, classificava-se entre os países de baixa prevalência de cárie, tendo atingido em 2006 o valor preconizado para a Região Europeia em 2020 (1,50). De 2000 para 2006, aos 12 anos, verificou-se um aumento de 30% de jovens com os dentes tratados. Estes ganhos em saúde oral resultaram, em grande parte, do processo de contratualização com o sector privado para a prestação de cuidados médico-dentários às crianças e jovens. No Estudo Nacional, verificámos que, quanto à prevalência das doenças periodontais, aos 12 e aos 15 anos de idade, mais de 70% dos jovens apresentavam hemorragia à sondagem e/ou cálculo. As diferenças regionais são significativas, evidenciando-se as regiões do Centro e do Algarve por terem a maior percentagem de jovens com as gengivas saudáveis. As regiões do Alentejo e do Norte tinham a maior prevalência de hemorragia à sondagem e as da Madeira e dos Açores apresentavam a maior percentagem de jovens com cálculo. Numa estratégia de prevenção das doenças orais e de redução do risco, os selantes de fissura e os fluoretos têm indicações precisas. No Estudo Nacional verificou-se que, aos 12 anos, 38% dos jovens apresentavam um ou mais dentes selados. Por regiões de saúde, a Madeira e Lisboa e Vale do Tejo apresentavam percentagens superiores à média nacional. A maior parte das crianças não apresentavam alterações do esmalte devido a flúor em excesso. A aplicação do Índice de Dean aos grupos etários de 6, 12 e 15 anos, permitiu identificar 6%, 10% e 7% de crianças e jovens, respectivamente, com algum grau de fuorose nas categorias “muito leve, leve, moderado ou intenso”. Numa estratégia de promoção da saúde, os conhecimentos correctos e os comportamentos adequados reduzem os riscos de doenças crónicas, entre elas as doenças orais. A higiene oral, questionada através da execução da escovagem dos dentes, duas vezes por dia com uma pasta dentífrica fluoretada, era realizada por 50% das crianças de 6 anos e aos 12 e 15 anos, por 67% e 69% dos jovens respectivamente.

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A escovagem dos dentes ao deitar era efectuada, sempre ou quase sempre, por 50% dos jovens. A utilização diária do fio dentário foi referida por 14% e 10% dos jovens de 12 e 15 anos, respectivamente com variações regionais significativas. Quanto ao comportamento alimentar, os jovens de 12 e 15 anos responderam que os alimentos ingeridos com maior frequência eram a fruta (93%) e o leite (90%), seguidos dos sumos naturais (86%), chocolates (85%), bolos de pastelaria (80%), refrigerantes com gás (78%), leite achocolatado (78%), rebuçados e gomas (77%). A qualidade de vida dos jovens pode ser afectada por problemas orais, com impacto mais ou menos significativo nas suas actividades sociais, familiares e escolares. No Estudo Nacional, as limitações funcionais decorrentes de problemas orais foram sinalizadas por muito poucos jovens, sendo referida perturbação nas actividades escolares por uma pequena percentagem. A acessibilidade a cuidados médico-dentários, aos 12 e aos 15 anos, foi referida por mais de 85% dos jovens, no último ano. Os principais motivos da ida a uma consulta com médico dentista ou higienista oral foram a vigilância da saúde da boca e o tratamento dos dentes. A autopercepção que os jovens portugueses tinham da sua saúde oral era boa ou muito boa para 50% e razoável para outros tantos. Comparando os indicadores de saúde oral em Portugal, hoje com os de há 20 anos, independentemente do sistema de recolha de informação epidemiológica, que a própria OMS também foi ajustando ao longo dos tempos, concluímos que os ganhos em saúde são bem evidentes. Após 20 anos de programas de saúde oral, dirigidos, prioritariamente às crianças e aos jovens, a percentagem de crianças livres de cárie dentária, aos 6 anos, passou de 10% em 1986 para 51% em 2006, o índice de CPOD de 1,1 para 0,07 e, aos 12 anos de 3,97 para 1,48.

Palavras-chave: Saúde oral, cárie dentária, doença periodontal, fluorose, comportamentos, conhecimentos, hábitos alimentares, qualidade de vida, percepção da saúde oral.

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Índice
Página

Nota Prévia Introdução Objectivos do estudo Metodologia Tipo de estudo Dimensão da amostra Selecção da amostra Procedimentos Calibragem Instrumentos de recolha de dados Material utilizado Procedimentos para controlo da infecção cruzada Critérios de diagnóstico Tratamento dos dados Apresentação dos resultados Caracterização sociodemográfica da população em estudo Regiões de saúde Género Nível de escolaridade dos pais Profissão dos pais Saúde Oral Crianças livres de cárie dentária Doenças Orais na Infância e na Adolescência Cárie dentária aos 6 anos de idade Cárie dentária aos 12 anos de idade Cárie dentária aos 15 anos de idade Doença periodontal aos 12 e aos 15 anos de idade Fluorose dentária Medidas de redução do risco de doenças orais Selantes de fissura na dentição permanente Suplementos de fluoretos usados pelas crianças e jovens

1 3 6 7 8 8 8 9 9 11 11 12 13 17 19 19 20 20 21 22 23 23 27 28 29 31 34 37 39 39 42

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Promoção da Saúde Conhecimentos e comportamentos relacionados com saúde oral Escovagem dos dentes aos 6, 12 e 15 anos de idade Escovagem dos dentes ao deitar Utilização do fio dentário aos 12 e 15 anos de idade Fontes de aprendizagem da higiene oral Hábitos alimentares dos jovens de 12 e 15 anos de idade Qualidade de vida em saúde oral Limitações funcionais devido a problemas de saúde oral Limitações escolares devido a problemas de saúde oral Limitações sociais devido a problemas de saúde oral Utilização dos serviços de saúde Acessibilidade a consultas de saúde oral Periodicidade das consultas de saúde oral Motivos da consulta de saúde oral Percepção do estado de saúde oral Discussão e conclusões Saúde oral Doenças orais na infância e na adolescência Medidas de redução do risco de doenças orais Promoção da saúde Qualidade de vida em saúde oral Utilização dos serviços de saúde Percepção do estado de saúde oral Caracterização sociodemográfica da população em estudo Recomendações Índice de Quadros Índice de Figuras Abreviaturas Referências bibliográficas Anexos

45 45 46 48 51 53 56 59 60 60 60 63 63 64 66 69 71 72 73 77 78 80 81 82 82 85 87 91 93 95

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Nota Prévia
Investigar é uma forma sistemática de produzir conhecimento. À luz da evidência científica actual, a compreensão das causas e das consequências das doenças crónicas no nível de saúde das populações e na sua qualidade de vida está em mudança. Hoje, os determinantes sociais, económicos, políticos e culturais têm um impacto significativo na saúde em geral e, melhorá-la, passa por reduzir o seu maior factor de risco, as desigualdades sociais. No dealbar do século XXI, em 2003, a World Dental Federation (FDI), a International Association for Dental Research (IADR) e a World Health Organization (WHO) envolveram-se activamente na preparação das metas da saúde oral para o novo milénio.1 Tendo como horizonte temporal o ano de 2020, produziram o documento Global Goals for Oral Health, com o objectivo de fornecer uma base de trabalho que permita aos países definir estratégias e políticas de saúde oral a todos os níveis da decisão, na senda da consecução do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas Think Globally, Act Locally. Portugal, cinco anos depois do primeiro Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária, necessitava reavaliar a tendência das doenças orais e medir o impacto de algumas medidas, entretanto tomadas, sobre a saúde oral das crianças e dos jovens portugueses. Por isso, era necessário detalhar conhecimento a nível nacional sem deixar de evidenciar as diferenças regionais, tendo em conta os determinantes

comportamentais que afectam a saúde oral e a qualidade de vida dos jovens. O actual Estudo Nacional de avaliação da Prevalência das Doenças Orais abrangeu as crianças e os jovens que frequentavam os estabelecimentos de educação do ensino público, tal como o realizado há cinco anos. Apesar da responsabilidade que a administração pública tem, também, sobre os estabelecimentos de ensino privado, todos os estudos realizados com alunos que frequentam estas instituições evidenciam uma prevalência e gravidade das doenças orais, mais baixa ou muito mais baixa quando comparada como a dos que frequentam os estabelecimentos públicos.

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Esta investigação teve, ainda, a preocupação de produzir conhecimento que possa servir de suporte à monitorização das metas do Plano Nacional de Saúde (2004-10), ao mesmo tempo que se propôs dar resposta a alguns indicadores de saúde oral da Organização Mundial de Saúde para a Região Europeia. No contexto do Estudo Nacional foi realizada uma colheita de saliva e placa bacteriana aos jovens de 12 anos, que servirá para o estudo epidemiológico do Streptococcus mutans e Streptococcus sobrinus. Esta é uma investigação pioneira em Portugal, conduzida pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Abel Salazar, que visa servir de suporte à produção de uma vacina contra a cárie dentária, cujos resultados, publicados. da responsabilidade dos investigadores, serão oportunamente

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Introdução
Nas últimas décadas, a cárie dentária tem diminuído significativamente, em especial na população infantil e juvenil portuguesa. Apesar desta evolução favorável, a cárie dentária tem uma elevada prevalência e constitui, ainda, um problema de saúde pública, com uma clara distribuição assimétrica, como os estudos exploradores tem revelado. Os factores de risco das doenças orais são, muitas vezes, os mesmos que estão implicados na maior parte das doenças crónicas e que se apresentam fortemente relacionados com os estilos de vida.2,3,4 Por isso, a saúde oral é parte integrante da saúde em geral, sendo cada vez mais consensual que as mudanças de comportamento requerem acções integradas de promoção da saúde e prevenção das doenças crónicas, entre as quais se incluem as doenças orais.5 Em Portugal têm sido realizados desde 1986, programas de promoção da saúde e prevenção das doenças orais, dirigidos especialmente às crianças e aos jovens, sob orientação técnico-normativa da Direcção-Geral da Saúde. Ao longo dos anos, as actividades desenvolveram-se predominantemente nos ambientes onde as crianças passam a maior parte do seu tempo, o jardim-deinfância e a escola, envolvendo o processo um conjunto diversificado de profissionais de saúde e de educação, pais e encarregados de educação, entre outros, que têm, seguramente, contribuído para a evolução favorável do padrão de doença. Genericamente, entre 1987 e 2005, as orientações dos programas de saúde oral desenvolvidos em Portugal preconizavam a toma de fluoretos pelas crianças, sob a forma de gotas orais (dos 6 meses aos 2 anos) e comprimidos (dos 2 aos 16 anos), cuja dosagem podia chegar a 1mg/dia, dependendo da idade e do teor desse elemento nas águas de abastecimento público. Esta toma poderia ser feita nos jardins-de-infância após o consentimento dos encarregados de educação. Nas escolas do 1.º ciclo do ensino básico, a estratégia era complementada através do bochecho com uma solução de fluoreto de sódio a 0,2%, efectuado quinzenalmente. A educação alimentar e a prática da higiene oral através da escovagem dos dentes com um dentífrico fluoretado, duas vezes por dia, inseriam-se numa estratégia

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preventiva das doenças orais, que incluía, também, a aplicação de selantes de fissura em dentes molares permanentes, aos 7 e aos 13 anos. No Serviço Nacional de Saúde, os procedimentos clínicos preventivos,

nomeadamente a aplicação de selantes de fissuras nos dentes permanentes, foram realizados, maioritariamente por higienistas orais, à medida que foram sendo integrados nos quadros dos Centros de Saúde. Em 1999, a estratégia foi redefinida através da aprovação do Programa de Promoção da Saúde Oral em Crianças e Adolescentes (PPSOCA). Este Programa complementava a estratégia de prevenção das doenças orais com uma inovadora forma de tratar os dentes das crianças que necessitavam de uma intervenção médico-dentária, a contratualização.6 No ano 2000, iniciou-se a prestação de cuidados dentários às crianças de 6-7 anos, 9-10, 12-13 e 16 anos, através de contratualização com médicos dentistas e estomatologistas do sector privado. Este processo visou o tratamento de lesões de cárie dentária que a prevenção não conseguiu evitar e a aplicação de selantes de fissura nos mesmos grupos etários, quando os Centros de Saúde não dispunham de higienistas orais. Em 2005, face à evidência científica sobre a eficácia dos fluoretos na prevenção da cárie dentária na sua forma tópica através de dentífrico com 0,15% F,7 à polarização da doença, em que 2/3 da mesma se concentram em 1/3 da população8 e, face à necessidade de trabalhar os determinantes da saúde globalmente, foi aprovado o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) através do despacho ministerial n.º 153/2005, incluído no Plano Nacional de Saúde.9 A estratégia global de intervenção assenta na promoção da saúde ao longo do ciclo de vida, em contexto familiar e nos ambientes específicos que as crianças frequentam, o Jardim-de-infância e a Escola. As medidas de prevenção deverão ser baseadas na avaliação do risco e os tratamentos deverão ser adequados às necessidades dos indivíduos. Ao longo dos anos, a Direcção-Geral da Saúde foi monitorizando os programas desenvolvidos e promovendo a realização de estudos epidemiológicos que nos permitiram ir aferindo e propondo novas estratégias.

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Em Portugal, vários investigadores e instituições científicas têm realizado e publicado estudos de prevalência das doenças orais, constatando-se uma redução significativa da cárie dentária nos locais onde os programas se desenvolvem de forma holística e continuada.10,11,12,13,14,15,16 Historicamente, o primeiro Inquérito Nacional foi realizado em 1983-84, numa parceria entre a OMS/DGS/ESMDL e deu-nos o primeiro retrato da saúde oral dos portugueses. Neste estudo, aos 6 anos os índices cpod e CPOD eram de 5,2 e 0,5, respectivamente. Aos 12 anos o índice CPOD era de 3,8.10 Em 1999, um estudo que utilizou o método pathfinder da OMS numa amostra de conveniência, apresentava, para os 12 anos, valores médios de CPOD de 1,5 com desvios acentuados entre grupos de diferentes níveis socioeconómicos.17 Em 2000, foi realizado e publicado pela Direcção-Geral da Saúde o Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária na População Escolarizada,18 representativo da população escolar, cujo objectivo era avaliar a prevalência da cárie dentária na população que frequentava os estabelecimentos de ensino público com 6, 12 e 15 anos de idade. Neste Estudo a percentagem de crianças livres de cárie dentária, aos 6 anos, era de 33% e o índice CPOD, aos 12 anos de idade, era de 2,95. Nas conclusões recomendava-se a realização de um novo estudo a cada 5 anos e propunha-se que, para além da avaliação da prevalência da cárie dentária, se estudasse a prevalência das doenças periodontais, o nível socioeconómico, o nível de conhecimentos e o tipo de comportamentos preventivos sobre saúde oral das crianças e dos jovens. Assim, em 2005-2006 a Direcção-Geral da Saúde, com o apoio técnico da Organização Mundial da Saúde, coordenou a realização do Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, que agora se apresenta. O presente Estudo foi desenhado para determinar a prevalência da cárie dentária e das doenças periodontais, da fluorose dentária, bem como, avaliar os determinantes comportamentais relacionados com a saúde oral. O estudo da prevalência das doenças orais impunha-se pela necessidade de monitorizar a tendência evolutiva da cárie dentária e, ao mesmo tempo conhecer a situação das doenças periodontais, já que estas nos dão os primeiros indícios da qualidade da higiene oral.

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Os estudos sobre a fluorose, em Portugal Continental, são escassos. Apesar do teor de fluoretos nas águas de abastecimento público ser normalmente baixo e as águas não estarem sujeitas a fluoretação artificial, têm sido detectados locais, especialmente zonas de águas termais, onde o teor de flúor na água é elevado.19 A inclusão do estudo da fluorose surge, assim, da necessidade de monitorizar as manifestações da doença. A avaliação de conhecimentos e comportamentos sobre alimentação e higiene oral, apesar de largamente estudados,20,21 oferecia-nos, na actual investigação, uma excelente oportunidade de os correlacionar com as doenças orais mais prevalentes na população infantil e juvenil.

Objectivos do Estudo
O Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais tinha como objectivos: 1. Avaliar a prevalência da cárie dentária na população escolar de 6, 12 e 15 anos de idade; 2. Avaliar a prevalência das doenças periodontais na população escolar de 12 e 15 anos de idade; 3. Avaliar a prevalência da fluorose dentária na população escolar de 6, 12 e 15 anos de idade; 4. Avaliar os conhecimentos e comportamentos sobre os determinantes de saúde oral na população escolar de 6, 12 e 15 anos de idade; 5. Comparar a prevalência das doenças orais entre as diferentes Regiões de Saúde; 6. Comparar comportamentos e conhecimentos de saúde oral entre as diferentes Regiões de Saúde; 7. Estimar os ganhos em saúde obtidos através da estratégia estabelecida com os programas de saúde oral; 8. Enquadrar os indicadores de saúde oral das crianças e adolescentes portugueses face às metas estabelecidas pela OMS. Esta avaliação pretendia, ainda, constituir-se como um referencial para a monitorização dos indicadores de saúde oral do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, inserido no Plano Nacional de Saúde 2004-2010 e no Global Oral Health Programme da OMS.

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Metodologia
O Estudo que realizámos iniciou-se com a elaboração de um Protocolo, que descrevia todos os procedimentos a executar pelos intervenientes durante o trabalho de campo. Este Protocolo foi submetido a aprovação superior e dado a conhecer aos parceiros, considerados indispensáveis para a sua consecução. À OMS solicitámos assessoria técnica, tendo-se obtido resposta favorável, assim como para o acompanhamento do Estudo e recebido sugestões para que fosse feita a avaliação de conhecimentos e comportamentos dos grupos em estudo. Às Administrações Regionais de Saúde (ARS) e às Secretarias Regionais da Saúde (SRS) dos Açores e da Madeira foi solicitado apoio para a operacionalização do Estudo, tendo, todas elas, disponibilizado uma equipa de profissionais de saúde oral para a realização das observações. À Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL) solicitámos apoio para a formação teórica e supervisão do exercício de calibragem dos profissionais que constituiriam as equipas de observação, o que foi integralmente concedido. Para apoio à preparação e realização dos procedimentos da calibragem, solicitámos a colaboração de um perito da área da medicina dentária da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa que acompanhou todo o processo. Ao Ministério da Educação, através da Direcção-Geral de Inovação e

Desenvolvimento Curricular (DGIDC), pedimos autorização para a realização das observações nas escolas do ensino básico e secundário, tendo-nos sido dada pronta colaboração, quer para a circulação da informação pelas Direcções Regionais de Educação, quer para a identificação e documentação das equipas. Assim, com base nos procedimentos preconizados pela OMS, na sua publicação Oral Health Surveys – basic methods22, uniformizámos os critérios de diagnóstico e as metodologias de intervenção, tendo em vista a fiabilidade e a comparabilidade dos dados recolhidos com outros estudos, quer nacionais, quer internacionais.23 As questões epidemiológicas foram estabelecidas com os serviços competentes da Direcção-Geral da Saúde e devidamente validadas pela Organização Mundial da Saúde.
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Tipo de estudo
Este é um estudo descritivo, transversal, que visou obter informação acerca do estado actual das doenças orais no universo da população que frequenta a escola com 6, 12 e 15 anos de idade.

Dimensão da amostra
Tendo em conta os objectivos do estudo e a população-alvo, constituímos três amostras: uma com crianças de 6 anos (nascidas em 1999), outra com jovens de 12 anos (nascidas em 1993) e uma terceira com jovens de 15 anos (nascidos em 1990). Para a definição do tamanho da amostra, utilizámos como critérios o número de crianças nascidas, em cada um dos grupos etários, com base nos dados dos registos de nascimento do Instituto Nacional de Estatística e a prevalência da cárie dentária (CPOD), encontrada no Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária, realizado pela DGS em 2000, segundo o qual o índice CPOD aos 6 anos era de 0,23, aos 12 anos de 2,95 e aos 15 anos de 4,72. Através do programa informático, EPIINFO, foi seleccionada uma amostra de cada um dos grupos etários, tendo em conta os critérios definidos para a sua selecção, um intervalo de confiança de 95% e uma margem de erro admissível de 4,5%. A amostra para o Estudo foi estimada em 2507 crianças e jovens, distribuídas pelos grupos etários da seguinte forma: 6 anos – 822, 12 anos – 813 e 15 anos - 872. Para o cálculo da amostra por regiões, utilizámos os mesmos critérios, isto é, o número de crianças nascidas em cada região, nos anos respectivos e, o índice de CPOD regional obtido no Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária, nos mesmos grupos etários.18

Selecção da amostra
Para a selecção da amostra de escolas e de alunos, utilizámos os métodos de amostragem aleatórios sistemáticos. A selecção das escolas foi realizada pela Direcção-Geral da Saúde, a partir da lista dos Estabelecimentos de Educação e Ensino inscritos no Roteiro das Escolas, no Portal da Educação, referente ao ano lectivo 2004-05.24

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A partir da listagem das escolas de cada distrito esta lista seleccionaram-se, aleatoriamente, as que iriam entrar no estudo segundo a sua tipologia. Esta lista foi entregue a cada equipa com o número de observações a realizar. A selecção dos alunos foi feita, em cada escola, a partir da lista de cada grupo etário, por ano de nascimento. Essa selecção foi realizada, igualmente de forma aleatória sistemática, por cada equipa de observação. Quando as escolas seleccionadas tinham sido encerradas ou não possuíam o número de alunos suficientes, as equipas dispunham de uma lista de escolas suplentes.

Procedimentos
Constituíram-se sete equipas, formadas por um observador e um registador, que, após calibragem, realizaram as observações na sua Região de Saúde. Cada equipa de observação organizou as deslocações às escolas de acordo com a sua administração regional de saúde e com o apoio logístico que a mesma disponibilizou. Aos encarregados de educação dos alunos seleccionados foi solicitada a devida autorização para a participação dos seus educandos no Estudo. Para isso, foi enviada uma carta, com informação sobre o mesmo, que continha um destacável de autorização, cuja assinatura era indispensável para a participação das crianças. (Anexo 1)

Calibragem
A calibragem define-se como o conjunto de meios de que nos servimos para que os critérios de diagnóstico aplicados pelos observadores estejam de acordo com o padrão adoptado e, para que assim se conservem ao longo do estudo. Esta etapa, prévia ao trabalho de campo, visou assegurar uniformidade na interpretação do protocolo, compreender e aplicar os critérios adoptados, minimizar os erros e as diferenças eventualmente existentes entre observadores e entre observações e, acessoriamente, reduzir as variações intra e inter-observadores. Através da calibragem fomos, também, calcular os Índices de Concordância (IC), os quais medem a proporção de casos colocados em idênticas categorias por duas avaliações independentes, da mesma equipa ou entre as diferentes equipas. Estes índices apresentam-se em percentagem e em estatística kappa.
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A aferição foi discriminada por áreas de diagnóstico, considerando-se que os níveis de concordância são altos quando o IC se situa entre 85% e 100% e k > 0,80. A calibragem que realizámos para este Estudo constou de uma formação teórica de um dia e um exercício prático de dois dias. O processo foi supervisionado por peritos da área da saúde oral comunitária, docentes de duas Faculdades de Medicina Dentária, referidos no início do capítulo. A formação teórica realizada a partir de imagens projectadas teve como objectivo a discussão dos conceitos e dos critérios de diagnóstico usados no Estudo até à assimilação uniforme e à compreensão global dos mesmos. Percorreu todos os índices bem como a aplicação do questionário. O exercício prático de calibragem decorreu numa Escola do 2.º e 3º ciclos do Ensino Básico. Consistiu na execução de um conjunto de observações e reobservações das estruturas orais e no preenchimento de um Questionário pelos jovens de um dos grupos etários em estudo. Durante o exercício, as discrepâncias identificadas, os critérios de diagnóstico duvidosos, as codificações e os erros de registo foram discutidas com os calibradores. Em cada dia de exercício prático foram observados 21 jovens dos grupos etários de 12 e 15 anos, por 7 equipas, constituídas por observador e registador, tendo-se realizado, ainda, duplas observações a 10% dos participantes na calibragem. Todas as Fichas de observação foram agrupadas e introduzidas numa matriz de dados em ficheiro informático, a que se seguiu a verificação da concordância intra e inter-observador. Das 294 observações realizadas durante a calibragem das equipas, obteve-se um valor de concordância intra-observador de 92,8% e de concordância interobservadores atingido 88,9%, o que representa uma fiabilidade muito boa para a validade dos dados recolhidos sobre prevalência da cárie dentária. Para que o nível de concordância se mantivesse em níveis elevados durante o trabalho de campo, efectuaram-se duplas observações durante o mesmo.

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Instrumentos de recolha de dados
O Estudo, que constou na observação da boca e dos dentes das crianças e no preenchimento de um questionário de avaliação de conhecimentos e

comportamentos sobre hábitos de higiene oral e de alimentação, tinha dois instrumentos de recolha de dados. Para o exame objectivo das estruturas orais, utilizámos: 1. Ficha de Observação dentária; (Anexo 2) i. Adaptada do documento da OMS.

Para a avaliação de conhecimentos e comportamentos, utilizámos: 2. Questionário dirigido aos alunos de 6 anos e de 12 - 15 anos; (Anexo 3 e 4) ii. O questionário para os alunos de 6 anos foi preenchido por entrevista e o destinado aos alunos de 12 e 15 anos foi de auto-preenchimento; iii. Os questionários continham, maioritariamente, perguntas fechadas com respostas alternativas em termos de frequência, com e sem descrição; iv. Ambos os questionários, apesar de já terem sido utilizados pela DGS, no âmbito de outros estudos de avaliação de conhecimentos e

comportamentos em saúde oral e do Inquérito de Saúde dos Adolescentes na Escola, em 2004, foram adaptados ao Estudo actual. Após as observações, os instrumentos de recolha de dados, devidamente numerados e emparelhados, foram enviados para a, então, Divisão de Saúde Escolar da Direcção-Geral da Saúde, para tratamento estatístico.

Material utilizado
Para a observação da cavidade oral, foram utilizados os seguintes materiais: • • Um espelho bucal plano, nº 4 e respectivo cabo (ref.ª ASA 2100 ED5B25); Uma sonda periodontal (ref.ª ASA 0702L-12S205C08), a qual apresenta, na sua extremidade activa, uma esfera de 0,5 mm de diâmetro e uma faixa preta entre 3,5 e 5,5 mm, bem como anéis com a referência a 8,5 mm e 11,5 mm em relação à extremidade activa, como a figura ilustra; • Fonte de luz artificial (candeeiro com braço articulado).

Para garantir o controlo da infecção cruzada, os observadores cumpriram todos os procedimentos universais de assepsia.

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Procedimentos para controlo da infecção cruzada
Os princípios gerais do controlo da infecção cruzada passam por evitar o contacto com o sangue, limitar a sua difusão e tornar os instrumentos e o equipamento portadores do menor risco possível, durante a sua utilização. Para isso, os observadores deveriam procurar não tocar na mucosa, utilizar luvas novas para cada observação, lavar as mãos entre cada mudança de luvas e secá-las com toalhetes de papel ou limpar as mãos utilizando toalhetes próprios. O uso de máscara e de bata eram obrigatórios e os materiais contaminados (máscaras, luvas, toalhetes) eram depositados em sacos de plástico grossos e com fecho, para posterior recolha selectiva. Nas escolas onde se realizaram as observações, as superfícies das mesas eram previamente desinfectadas com desinfectante de superfície. A zona limpa era protegida com um babete, sobre o qual se colocaram os kits de observação (um espelho bucal e uma sonda periodontal), esterilizados e empacotados

individualmente em manga, compressas esterilizadas, rolos de algodão e máscaras. Cada kit de observação individual era aberto no momento de se iniciar a observação. Em cima de uma outra mesa estava organizada a zona suja, também protegida com um babete sobre o qual se colocava uma caixa de inox com tampa, onde, após cada observação, os instrumentos utilizados eram depositados. Todos os procedimentos de higienização das mãos eram repetidos após cada observação. Após a observação dos alunos, no estabelecimento de ensino, as mesas utilizadas eram desinfectadas com anti-séptico ou toalhetes desinfectantes de superfície. No final de cada dia de trabalho, os instrumentos utilizados eram colocados na caixa inox, sendo posteriormente desinfectados, lavados, secos, empacotados e submetidos a novo processo de esterilização, em autoclave, no Centro de Saúde. O saco do lixo, colocado junto do lavatório, na zona onde também estavam o sabão desinfectante para as mãos, os toalhetes de papel e a caixa de luvas eram recolhidos no final das observações.

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Critérios de diagnóstico
Os critérios de observação e registo utilizados no estudo da cárie dentária, das doenças periodontais e da fluorose são os preconizados pela Organização Mundial da Saúde.22 Os índices foram avaliados da seguinte forma: Índice de Cárie Dentária (cpod/CPOD) Os critérios relativos à determinação do índice de cárie dentária na dentição temporária (cpod) e na dentição permanente (CPOD) foram os utilizados no Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária, efectuado em 2000 pela Direcção-Geral da Saúde. (Anexo 5) Para a determinação do índice de cárie dentária (cpod/CPOD), registaram-se na Ficha de Observação Dentária, segundo um sistema de codificação, os dentes cariados, os dentes obturados com cárie e sem cárie, os dentes perdidos devido a lesões de cárie, os dentes perdidos por outras causas que não a cárie. Registam-se ainda, os dentes sãos, os dentes com selantes, os dentes que apresentam coroas ou facetas, os dentes não erupcionados e os dentes fracturados ou perdidos por traumatismos. Os códigos de registo, quer do estado da dentição decídua (dd), quer do da dentição permanente (DP), foram introduzidos nas mesmas caixas, identificadas na Ficha de Observação Dentária. Para a dentição decídua utilizaram-se letras e para a dentição permanente, números, conforme o sistema de codificação seguinte:
Codificação Dente decíduo Dente permanente A 0 B 1 C 2 D 3 E 4 5 F 6 G 7 8 T T 9 Condição São Cariado Obturado com cárie Obturado sem cárie Perdido por cárie Perdido por outro motivo Selante de fissura Suporte de prótese, coroa, faceta ou implante Não erupcionado Traumatismo Não registado

As superfícies dentárias deveriam ser todas observadas, seguindo sempre a mesma sequência: 1.º quadrante (17-11); 2.º quadrante (21-27); 3.º quadrante (37-31); 4.º quadrante (41-47). Um dente era considerado presente na boca, sempre que
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qualquer parte dele fosse visível. No caso de um dente permanente e outro decíduo ocuparem o mesmo espaço dentário, deveria ser registada a condição observada no dente permanente. O diagnóstico era essencialmente visual. Só era utilizada sonda quando havia dúvidas sobre a condição da superfície dentária. A secagem das superfícies dentárias, com compressas ou rolos de algodão, era um procedimento usual para o correcto diagnóstico de lesões de cárie e para a avaliação do estado dos selantes de fissuras ou de reconstruções estéticas. Índice Comunitário Periodontal (ICP) A gengivite, pela possibilidade de hemorragia durante a escovagem e por representar um risco acrescido de outras doenças orais deve ser diagnosticada, prevenida e controlada precocemente. Nos adultos a periodontite é uma das doenças crónicas mais prevalentes.26 Se não for tratada, representa um risco potencial para a saúde em geral e para o bem-estar, sendo considerada um co-factor na progressão da diabetes e de algumas doenças cardiovasculares, assim como no risco de prematuridade. A doença periodontal está, também, associada a populações de baixos recursos socioeconómicos. A OMS recomenda a avaliação da doença periodontal, através do Índice Comunitário Periodontal (ICP), a partir dos 12 anos de idade.25 Nestas idades, o ICP deve ser avaliado em três categorias: saudável, hemorragia gengival e cálculo. Para a avaliação do ICP, a boca é dividida em sextantes, de modo a serem examinados 6 dentes: um em cada sextante – 16, 11, 26, 36, 31 e 46. Um sextante é examinado somente se houver dois ou mais dentes presentes. Na ausência de um dos dentes de referência todos os outros dentes do sextante deveriam ser observados, sendo de registar a mais elevada categoria verificada no diagnóstico de ICP. Todas as superfícies dos dentes índice (distais, vestibulares, mesiais e linguais) são sondadas para a verificação da presença de cálculo e para a avaliação de hemorragia gengival.

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A força utilizada não deve ser superior a 20 gramas. Para o estabelecimento dessa força, recorreu-se a um procedimento prático, que correspondia à colocação da ponta da sonda sobre a unha do polegar pressionando-a até que ocorresse empalidecimento na base distal ungueal. Sobre a angulação de inserção da sonda, foram dadas rigorosas instruções aos observadores, para que a ponta esférica seguisse a configuração anatómica da superfície radicular do dente. Para a pesquisa dos cálculos subgengivais seria utilizada a menor força possível que permitisse a movimentação da ponta esférica da sonda ao longo da superfície dentária. Caso o jovem referisse dor durante a sondagem, isto seria sinal de utilização de força excessiva e o procedimento deveria ser repetido. Para o diagnóstico do ICP, a ponta da sonda era inserida suavemente no sulco gengival ou na bolsa periodontal e deveria ser explorada a extensão total do sulco ou da bolsa. Todos os dentes deveriam ser sondados, registando-se, no respectivo campo, o valor mais elevado verificado.
0 1 2 3 4 X 9

Gengiva saudável Hemorragia Cálculos Bolsa periodontal superficial (4-5 mm) Bolsa periodontal profunda (6 mm ou mais) Sextante excluído Não registado

Durante ou logo após a sondagem (até vinte segundos). Observada directamente ou com o espelho bucal Detectados durante a sondagem, mas toda a faixa preta da sonda está visível. Os cálculos visíveis são essencialmente supra-gengivais A margem gengival encontra-se dentro da faixa preta da sonda A faixa preta da sonda não está visível Quando há menos de dois dentes presentes

Por exemplo: a sonda deveria ser colocada no sulco gengival da superfície distovestibular de um 1.º molar, o mais próxima possível do ponto de contacto com o 2.º molar (caso este já esteja erupcionado), a qual se deveria manter paralela ao longo do eixo do dente. A sonda seria depois movimentada suavemente, com movimentos curtos para cima e para baixo, ao longo do sulco vestibular ou da bolsa periodontal até à superfície mesial do 1.º molar e ao ponto de contacto com o prémolar permanente ou 2.º molar decíduo. Todo o procedimento deveria ser repetido na superfície lingual.

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Índice de Fluorose de Dean (ID) A fluorose dentária pode manifestar-se em ambas as dentições. Na observação clínica, as lesões apresentam-se geralmente bilaterais, simétricas e com uma tendência para assumirem um padrão estriado horizontal no esmalte dentário. Os dentes pré-molares, os molares inferiores e os incisivos superiores são normalmente os mais afectados. As lesões assemelham-se a “picos com neve” sobre as cúspides dos pré-molares. Em alguns jovens, os 2.º molares são os mais atingidos. Os incisivos inferiores são normalmente os menos afectados. A gravidade da expressão clínica está directamente relacionada com o efeito tóxico cumulativo. O tipo de dente atingido depende, sobretudo, do momento em que o efeito tóxico se iniciou e do seu tempo de duração. No estudo, o diagnóstico implicava a observação do padrão de distribuição de quaisquer defeitos e a decisão sobre, se estes, apresentavam características típicas de fluorose. Os defeitos nas categorias “em dúvida” a “leve” (categorias com maior probabilidade de ocorrência) consistem na apresentação de finas linhas esbranquiçadas ou placas, geralmente próximas dos bordos incisais ou das pontas das cúspides. Estes defeitos têm uma aparência branca-porosa, semelhante a gelo, como se fosse um pico nevado, que tende a espalhar-se para o esmalte circundante. Os critérios de observação e registo são os seguintes:
0 1 2 3 4 5 8 9 Normal Em dúvida Muito leve Leve Moderado Intenso
Esmalte superficial liso, brilhante e geralmente de cor branco-bege pálido Esmalte apresentando leves alterações da transparência de esmalte normal, que podem variar entre pequenos pontos/traços esbranquiçados e manchas ocasionais Áreas pequenas, opacas, cor de papel branco, irregularmente distribuídas sobre o dente, envolvendo menos de 25% da superfície dentária vestibular Opacidades brancas do esmalte dos dentes mais extensas do que para o código 2, ocupando mais de 25% e menos de 50% da superfície dentária Superfície do esmalte dos dentes apresentando um desgaste acentuado e pigmentação castanha, com frequência esteticamente desfigurante Esmalte muito afectado e hipoplasia (perda de substância) tão acentuada que a forma do dente pode estar afectada. Áreas com fossetas ou desgaste e manchas acastanhadas espalhadas por toda a parte; dente muitas vezes com um aspecto corroído

Por exemplo, um dente com prótese fixa – coroa Excluído Não registado

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O registo deveria ser feito com base nos dois dentes que estão mais afectados. Caso os dois dentes não estivessem igualmente afectados, deveria ser registado o valor obtido para o dente menos afectado. O profissional que realizava o exame usaria um método de exclusão de partes, isto é, começava por classificar o que observava pelo critério mais elevado, avançando sucessivamente para as pontuações mais baixas, até que o observado se ajustasse aos critérios de classificação mais próximo do nível que está a ser considerado. Em caso de dúvida, o índice mais baixo era o que deveria ser registado.

Tratamento dos dados
Na Direcção-Geral da Saúde foi criada uma base de dados informatizada, constituída por 72 variáveis, para os grupos etários de 12 e de 15 anos de idade, e de 41 variáveis, para o grupo etário de 6 anos. Cada registo corresponde aos dados do exame objectivo da boca e dos dentes, bem como às respostas ao questionário de avaliação de conhecimentos. Para a organização e interpretação dos dados recolhidos, recorremos ao programa de análise de dados Statistical Package for Social Sciences® (SPSS), versão 14.0. Todas as variáveis em estudo foram analisadas individualmente. Para as variáveis de medida ordinal e nominal, fez-se uma análise univariada, determinando-se a frequência absoluta e as percentagens. Para as variáveis com nível de medida quantitativo, calculámos os valores das médias e dos desviospadrão. Para avaliar a distribuição normal, ou não, das variáveis dependentes, aplicámos o teste de Kolmogorov-Smirnov. Verificada a distribuição da amostra, utilizámos testes de comparação de médias e de análise de variância. A aplicação de testes paramétricos permitiu-nos fazer a análise de variância e testar diferenças entre diversas situações para duas ou mais variáveis. Para a análise da significância estatística, utilizaram-se os testes do Qui-Quadrado, Teste T e ANOVA (Analysis of Variance). Todos os testes estatísticos usados foram aplicados para um nível de significância inferior a 5%.

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Algumas variáveis independentes foram recodificadas, para melhorar a sua operacionalidade, nomeadamente o cpod e o CPOD e os respectivos componentes, para todos os grupos etários. Para as duplas observações, utilizou-se a estatística k e o Índice de Concordância.

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Apresentação dos Resultados
A saúde oral, enquanto parte integrante da saúde em geral, deverá ser compreendida num contexto mais vasto, onde, as doenças orais são influenciadas por comportamentos individuais e colectivos e, têm um peso mais ou menos significativo na qualidade de vida das populações. No âmbito do Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais as observações foram realizadas por sete equipas de profissionais de saúde oral, médicos dentistas e higienistas orais, devidamente calibrados, que efectuaram os exames clínicos da boca e dos dentes e promoveram a realização dos Questionários, em todas as Regiões de Saúde do Continente e das Regiões Autónomas. Os resultados são o produto do apuramento dos dados das observações que, numa lógica de análise da saúde e das doenças orais na infância e na adolescência, são lidos à luz da compreensão dos seus determinantes, evidenciáveis no questionário. Começamos por fazer uma breve caracterização sociodemográfica da população abrangida pelo estudo, apresentando depois, os indicadores de prevalência das doenças orais, os quais, são ilustrados com quadros de frequência e histogramas comparativos entre grupos e entre regiões. Os testes estatísticos e a sua significância são referenciados a cada variável.

Caracterização sociodemográfica da população em estudo
O Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, que decorreu no ano lectivo de 2005/2006, nas Escolas do Ensino Básico e Secundário, do Ministério da Educação abrangeu uma amostra de 2612 crianças e jovens, representativa dos grupos etários de 6 anos (890), 12 anos (837) e 15 anos (885) de idade.
Quadro 1: Distribuição da população do estudo por regiões e grupo etário Região de Saúde / Grupo etário Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Total 6 Anos 133 93 155 121 148 105 135 890 12 Anos 127 105 126 124 138 99 118 837 15 Anos 123 139 130 126 136 104 127 885 Total 383 337 411 371 422 308 380 2612

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Regiões de Saúde A amostra tem uma distribuição homogénea por regiões de saúde e por grupo etário.
100%

80%

60%

40%

20%

0% Norte Centro Lisboa e v Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 1: Distribuição dos alunos observados, por Regiões e grupo etário

Género Foram observados 1270 rapazes e 1342 raparigas, com a distribuição por grupo etário e por género que se apresenta no Quadro 2 e Figura 2.
Quadro 2: Distribuição da amostra segundo o género e o grupo etário Grupo etário /Género
M

6 Anos
F M

12 Anos
F M

15 Anos
F

Total

449

441

413

424

408

477

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

50%

51%

54%

50%

49%

46%

6 anos

12 anos Masculino Feminino

15 anos

Figura 2: Percentagem de alunos de 6, 12 e 15 anos observados, segundo o género

Por idade, por género e por região o número de alunos observados não teve diferenças, estatisticamente significativas.

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Os determinantes sociofamiliares condicionam comportamentos individuais, tais como, as práticas de higiene oral, hábitos alimentares e cuidados preventivos. Atendendo aos grupos etários em estudo é importante analisar o contexto familiar, nomeadamente através do nível de escolaridade e da profissão de ambos os progenitores. Nível de escolaridade dos pais Esta avaliação foi feita apenas aos alunos de 12 e 15 anos e contemplava o nível de escolaridade, mais alto, atingido pelo pai e pela mãe.
Quadro 3: Nível de escolaridade dos pais dos jovens de 12 anos Nível escolaridade dos pais
n.º

PAI
% n.º

MÂE
%

Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º Ciclo/4º ano 2º Ciclo/6º ano 3º Ciclo/9º ano Secundário/12º ano Curso Médio ou Superior Não respondeu Total

11 34 262 168 144 101 73 44 837

1,3 4,1 31,3 20,1 17,2 12,1 8,7 5,3 100,0

7 42 203 174 152 144 93 22 837

0,8 5,0 24,3 20,8 18,2 17,2 11,1 2,6 100,0

Quadro 4: Nível de escolaridade dos pais dos jovens de 15 anos Nível escolaridade dos pais
n.º

PAI
% n.º

MÂE
%

Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º Ciclo/4º ano 2º Ciclo/6º ano 3º Ciclo/9º ano Secundário/12º ano Curso Médio ou Superior Não respondeu Total

19 33 331 164 139 86 69 44 885

2,1 3,7 37,4 18,5 15,7 9,7 7,8 5,1 100

11 47 288 189 169 85 71 25 885

1,2 5,3 32,5 21,4 19,1 9,6 8,0 2,9 100

Os pais dos jovens de 12 e de 15 anos tinham, maioritariamente, a escolaridade básica obrigatória. A percentagem de pais que tinham o 12.º ano, curso médio ou curso superior, oscilava entre os 17 e os 28%, tendo, as mães dos adolescentes de 12 anos um nível de escolaridade mais elevado.

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Profissão dos pais Esta avaliação contemplava a profissão principal, do pai e da mãe, dos alunos de 12 e 15 anos.
Quadro 5: Profissão dos pais dos jovens de 12 anos Profissão dos pais
n.º

PAI
% n.º

MÂE
%

Desempregado Quadros superiores da AP, dirigentes e empresas Especialistas das profissões intelectuais e científicas Técnicos e profissionais de nível intermédio Pessoal administrativo e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas Operários, artífices e trabalhadores similares Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem Trabalhadores não qualificados Forças Armadas Doméstica Não responde Total

18 57 47 39 41 104 55 286 70 14 4 0 102 837

2,2 6,8 5,6 4,7 4,9 12,4 6,6 34,2 8,4 1,7 0,5 0 12,0 100,0

18 24 66 40 65 152 20 59 6 104 0 202 81 837

2,2 2,9 7,9 4,8 7,8 18,2 2,4 7,0 0,7 12,4 0 24,1 9,6 100,0

Quadro 6: Profissão dos pais dos jovens de 15 anos Profissão dos pais
n.º

PAI
% n.º

MÂE
%

Desempregado Quadros superiores da AP, dirigentes e empresas Especialistas das profissões intelectuais e científicas Técnicos e profissionais de nível intermédio Pessoal administrativo e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas Operários, artífices e trabalhadores similares Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem Trabalhadores não qualificados Forças Armadas Doméstico/a Não responde Total

28 62 50 33 17 103 54 282 99 33 2 1 121 885

3,2 7,0 5,6 3,7 1,9 11,6 6,1 31,9 11,2 3,7 0,2 0,1 13,8 100

22 24 47 31 49 148 20 69 3 138 0 258 76 885

2,5 2,7 5,3 3,5 5,5 16,7 2,3 7,8 0,3 15,6 0 29,2 8,6 100

Os pais dos jovens de 12 e 15 anos tinham, maioritariamente, profissões de nível intermédio. Cerca de 25 % das mães eram domésticas e, eram também elas, as que desempenham, com mais frequência, profissões não qualificadas.

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Saúde Oral
A saúde oral, enquanto parte integrante da saúde em geral, põe em evidência a percentagem de crianças e de jovens livres de cárie dentária, isto é, a face positiva da saúde bucal. A OMS definiu um conjunto de indicadores de saúde oral para a Região Europeia que visam, monitorizar os processos e os resultados das intervenções desenvolvidas nesta área, tendo em conta os seus determinantes. Para o ano 2020, as metas referentes às crianças e aos jovens, são dirigidas para que, aos 6 anos de idade aumente o número de crianças livres de cárie e, aos 12 anos diminua o número médio de dentes cariados (C) perdidos (P) e obturados (O), na dentição permanente, especialmente da sua componente «C». Crianças e jovens livres de cárie dentária Por «livre de cárie» entende-se a inexistência de qualquer experiência de cárie em ambas as dentições, isto é, nenhum dos dentes presentes na boca apresenta evidência clínica de cárie dentária, tratada ou não. No Estudo Nacional este indicador foi analisado por grupo etário e por regiões de saúde. Aos 6, 12 e 15 anos de idade a percentagem de crianças livres de cárie dentária era de 51%, 44% e 28%, respectivamente.
60%

51%
50% 40% 30% 20% 10% 0%

44% 28%

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 3: Percentagem de crianças livres de cárie dentária, por grupo etário

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

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Por regiões de saúde a variabilidade foi estudada através da estatística z, que analisa a proporção das crianças e dos jovens ‘livres de cárie’ de cada região com a média nacional, tendo em conta a dimensão da amostra de cada grupo etário. A verificação do significado estatístico foi feita utilizando a tabela da distribuição normal padronizada.
Quadro 7: Percentagem de crianças e de jovens livres de cárie, por grupo etário e por regiões Livres de cárie /Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional * |Z|<5% 6 Anos 48,1 50,5 56,1 59,5 58,1 41,9 39,3* 50,9 12 Anos 37,0 45,7 63,5* 37,1 49,3 22,2* 47,5 43,8 15 Anos 31,7 32,4 48,5* 24,6 25,7 11,5* 18,9* 28,1

Ao nível regional, existiam variações em todos os grupos etários. Aos 6 anos, Lisboa e Vale do Tejo, apresentava a percentagem mais elevada de crianças livres de cárie (60%) e, a Madeira tinha a percentagem mais baixa (39%), a qual, é estatisticamente significativa, quando comparada com a média nacional. Nos grupos etários de 12 e 15 anos, Lisboa e Vale do Tejo tinha a melhor percentagem de jovens livres de cárie dentária (64% e 49%) e, os Açores apresentavam a percentagem mais baixa (22% e 12%, respectivamente), sendo estes valores, estatisticamente, significativos em comparação à média nacional.
70% 64% 60% 48% 51% 46% 42% 40% 37% 32% 30% 25% 20% 12% 10% 32% 26% 22% 19% 37% 39% 60% 56% 49% 58% 49%

50%

48%

0% Norte Centro Lisboa e vale Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 4: Percentagem de crianças e de jovens livres de cárie, por grupo etário e por regiões

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Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

No grupo etário de 6 anos de idade analisámos, separadamente, a percentagem de crianças livres de cárie na dentição temporária e na dentição permanente segundo a região de saúde. Os valores destes indicadores apresentam-se no Quadro 8 e na Figura 5.
Quadro 8: Percentagem de crianças de 6 anos, com todos os dentes sãos na dentição temporária e na dentição permanente, por região de saúde Dentes sãos /Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 48,1 53,8 56,8 60,3 58,8 43,8 39,3 51,7 6 Anos Dentição temporária Dentição permanente 95,5 97,8 97,4 96,7 98,6 84,8 95,6 95,5

Na dentição temporária, metade das crianças (52%) tinham os seus dentes sãos e, outras tantas apresentavam cárie dentária. A Região da Madeira, com 39%, apresentava a pior percentagem de crianças livres de cárie, aos 6 anos de idade. Na dentição permanente, a maior parte das crianças (95%) tinham os dentes saudáveis. A Região dos Açores, com 85%, apresentava uma percentagem de 10% abaixo da média nacional.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 48% 44% 39% 54% 57% 60% 59% 96% 98% 97% 97% 99% 85% 96%

Norte

Centro

Lisboa e v Tejo

Alentejo

Algarve

Açores

Madeira

Dentição temporária

Dentição permanente

Figura 5: Percentagem de crianças de 6 anos, com todos os dentes sãos, na dentição temporária e na dentição permanente, por regiões de saúde

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

25

26

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Doenças Orais na Infância e Adolescência
As doenças orais mais frequentes na infância e na adolescência, como a cárie dentária e as doenças periodontais, apesar das melhorias observadas, têm afectado, ao longo dos anos, muitos jovens. A estas patologias, em áreas geográficas específicas, junta-se a fluorose. O Índice CPOD que permite calcular o número perdidos médio e de dentes na cariados, dentição

3,5

3,04
3 2,5

obturados

2

permanente, foi avaliado aos 6, 12 e 15 anos, sendo a prevalência da doença, de 0,07, 1,48 e 3,04, respectivamente, conforme está representada na Figura 6. O Índice
23,26

1,48
1,5 1 0,5

0,07
0 6 anos 12 anos 15 anos

Figura 6: Índice CPOD aos 6, 12 e 15 anos

Comunitário

Periodontal

60% 50% 40% 36% 29% 22% 27% 36%

52%

(ICP)

que avalia a prevalência e o

número médio de sextantes afectados por hemorragia gengival e/ou cálculo foi estudado aos 12 e aos 15 anos. A Figura 7 compara a taxa de prevalência da doença entre os dois grupos etários. O Índice de Dean, que mede a

30% 20% 10% 0%

Gengiva saudável

Hemorragia à sondagem

Cálculo

ICP aos 12 anos

ICP aos 15 anos

Figura 7: Prevalência da doença periodontal aos 12 e 15 anos

percentagem de crianças e de jovens que não apresentam alterações do

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

2% 7%

4% 14%

5% 13%

esmalte dentário e os que têm fluorose em dúvida, muito leve, leve, moderado e intenso, foi avaliado aos 6, 12 e 15 anos. A maior parte das crianças e dos jovens não têm fluorose. A Figura 8 representa a prevalência das alterações do esmalte nos três grupos etários.

87% 76%

79%

6 anos

12 anos

15 anos

Normal

Em dúvida

Muito leve

Leve

Moderado

Intenso

Figura 8: Índice de Fluorose aos 6, 12 e 15 anos

Cada um dos indicadores das doenças orais será analisado segundo o grupo etário e o tipo de dentição e, comparados os valores médios entre as regiões de saúde.

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

27

Cárie dentária aos 6 anos de idade Aos 6 anos, a prevalência da cárie dentária na dentição temporária (índice cpod), era de 2,10 e na dentição permanente (índice CPOD) de 0,07.
Quadro 9: Índice cpod/CPOD aos 6 anos de idade por regiões de saúde Índice de cárie / Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional * p<5% cpod 2,42* 1,90 1,61* 1,45* 1,86* 1,74* 3,61* 2,10 CPOD 0,06 0,02* 0,03* 0,04* 0,03* 0,24* 0,06* 0,07

Por Regiões de Saúde as variações do índice cpod e CPOD têm diferenças estatisticamente significativas. Na dentição temporária, a Madeira, com um índice cpod de 3,61, apresentava a maior prevalência de doença, sendo a diferença, estatisticamente significativa face à média nacional. Na dentição permanente, os Açores, tinham um índice CPOD de 0,24, que era triplo da média nacional. As regiões do Centro (0,02), de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve (0,03) apresentavam os valores mais baixos. Estas variações são estatisticamente significativas.
4
3 ,6 1

3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5
0 ,0 6 0 ,0 2 0 ,0 3 0 ,0 4 0 ,0 3 0 ,2 4 0 ,0 6 0 ,0 7 2 ,4 2 2 ,1 1,9 1,6 1 1,4 5 1,8 6 1,7 4

0 Norte Centro Lisboa V. Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

cpod

CPOD

Figura 9: Índice cpod/CPOD aos 6 anos de idade, por regiões de saúde

28

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

O índice cpod é um indicador composto, com uma componente de dentes cariados, perdidos e obturados, cuja decomposição permite pôr em evidência a distribuição média da doença. No grupo de crianças de 6 anos de idade, a percentagem de dentes temporários com cárie por tratar era de 88%.
100%

80%

60% 87% 90% 94% 83% 87% 83% 88% 88%

40%

20%

0% Norte Centro Lisboa Vale Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

cariados

perdidos por cárie

obturados com cárie

obturados sem cárie

Figura 10: Percentagem de dentes temporários cariados, perdidos e obturados, aos 6 anos, com índice cpod>0, por regiões

Por regiões de saúde a percentagem de dentes temporários cariados era muito elevada, variando entre 83% no Alentejo e Açores e 94% em Lisboa e Vale do Tejo. Cárie dentária aos 12 anos de idade Aos 12 anos de idade, a prevalência da cárie dentária, avaliada através do índice CPOD é um indicador sentinela, usado como referência, em todo o mundo. Por si só, o índice CPOD, enquanto valor médio de um grupo, não permite identificar os subgrupos de maior risco, deixando-os dissimulados entre os resultados globais. Atendendo a que, a cárie dentária é uma doença polarizada e assimétrica, para que se possa fazer uma maior aproximação à realidade da doença, Douglas Bratthall, propôs um indicador mais específico, o Índice SiC (Significant Caries Índex), ou Índice de Cárie Significativo.27 O índice SiC tem por base o índice CPOD e calcula-se a partir do terço da população, com maior prevalência de doença. Permite identificar os grupos de indivíduos com elevados índices de cárie dentária, numa população. Bratthall (2000, citado por Marthaler, 2004) refere que o índice SiC é uma ferramenta fiável para identificar grupos de crianças e regiões com experiência elevada de cárie dentária.28

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

29

Segundo a OMS, o índice SiC deverá ser utilizado, complementarmente, ao índice CPOD, nos países e zonas onde, este último atingiu um valor de três ou inferior. O grupo etário, recomendado, para esta monitorização é o dos 12 anos. Atendendo a que, no Estudo Nacional, aos 12 anos, o índice CPOD era de 1,48, fomos avaliar o índice SiC, cujo valor médio era de 3,8.
Quadro 10: Índice CPOD e Índice SiC aos 12 anos de idade, por regiões de saúde Índice de cárie/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional * p<5% Cariados (C) 0,83 0,67 0,46* 1,08* 0,48* 1,13* 0,73 0,75 Perdidos (P) 0,12* 0,14* 0,03* 0,05* 0,05* 0,14* 0,08 0,08 Obturados (O) 0,67 0,67 0,35* 0,64 0,85* 0,78* 0,58 0,65 Índice CPOD 1,62* 1,48 0,84* 1,77* 1,38 2,05* 1,39 1,48 Indice SiC 4,0 3,7 2,4 4,3 3,8 4,0 3,8 3,8

Por regiões de saúde, a região de Lisboa e Vale do Tejo, com um índice CPOD de 0,84, apresentava o valor mais favorável e, a região dos Açores, com um índice CPOD de 2,05, tinha a maior prevalência de cárie dentária. A polarização regional da doença, avaliada através do índice SiC, identificou as regiões do Alentejo, do Norte e dos Açores, como as que apresentavam grupos de jovens, com índices de cárie dentária mais elevados. Estas variações regionais são, estatisticamente,

significativas.
5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Índice SiC Nacional 0,84 1,62 2,4 2,05 1,77 1,48 1,38 1,39 1,48 4 3,7 4,3 3,8 4 3,8 3,8

CPOD

Figura 11: Índice de CPOD e Índice SiC, aos 12 anos de idade, por regiões de saúde

30

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

A decomposição do índice CPOD nos seus componentes C (Cariado), P (Perdido) e O (Obturado), permitiu-nos verificar que, dos 50% de jovens do grupo etário de 12 anos que já tiveram experiencia de cárie, 51% dos dentes permanentes estavam cariados, 5% foram perdidos devido a cárie e 44% estavam tratados. Por regiões de saúde, o Algarve, com 62%, tinha a percentagem mais elevada de com dentes tratados e, as regiões com menos dentes tratados eram, o Alentejo e os Açores, com 36% e 38%, respectivamente. Estas variações são, estatisticamente, significativas em relação à média nacional e, encontram-se representadas na Figura 12.
100% 90% 80% 70% 60% 7% 50% 40% 30% 51% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 45% 35% 55% 61% 9% 4% 55% 53% 51% 3% 4% 41% 45% 42% 36% 62% 7% 6% 38% 42% 44%

5%

Cariados

Perdidos

Obturados

Figura 12: Percentagem de dentes permanente Cariados, Perdidos e Obturados em jovens de 12 anos com índice CPOD > 0, por regiões

Cárie dentária aos 15 anos de idade Aos 15 anos a avaliação da prevalência da cárie dentária foi feita através do Índice CPOD e índice SiC. A OMS utiliza, frequentemente, os 18 anos como indicador de referência, no entanto, em Portugal, os 15 anos são uma idade de frequência da escolaridade obrigatória, pelo que, nas nossas investigações anteriores e na actual, optámos por estudar este grupo etário.

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

31

Dos resultados do Estudo Nacional verificámos que, aos 15 anos, o Índice CPOD é de 3,04 e o Índice SiC é de 6,9, conforme se pode observar no Quadro 11 e na Figura 13.
Quadro 11: Índice CPOD e índice SiC aos 15 anos de idade, por regiões de saúde Índice de cárie/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional * p<5% Índice CPOD 2,75* 2,87 1,80* 3,48* 2,73 3,77* 4,08* 3,04 Índice SiC 6,4 6,7 4,7 7,8 6,0 7,1 9,0 6,9

Cariados 1,24* 1,40 0,97* 1,83* 1,21* 2,11* 2,30* 1,56

Perdidos 0,28* 0,32 0,15* 0,29 0,27* 0,52* 0,61* 0,34

Obturados 1,23 1,15 0,68* 1,36* 1,25 1,14 1,17 1,14

Por regiões de saúde, Lisboa e Vale do Tejo, com um Índice CPOD de 1,80, apresenta a média mais baixa de dentes cariados e, em sentido contrário, a Madeira, com 4,08 apresenta a maior prevalência de cárie dentária aos 15 anos de idade. Face à média nacional, o número de dentes perdidos é maior nas regiões da Madeira e dos Açores e número médio de dentes obturados, por jovem, é superior à média nacional no Alentejo. Estas variações são, estatisticamente significativas.
10,0 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores CPOD Madeira Nacional 2,75 2,87 1,80 4,7 3,48 2,73 3,77 4,08 3,04 6,4 6,7 6 7,8 7,1 6,9 9

Índice SiC

Figura 13: Índice CPOD e Índice SiC aos 15 anos de idade, por regiões de saúde

32

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

O Índice SiC acompanha a polarização da doença, identificando a região da Madeira, como aquela que apresenta, grupos de jovens de 15 anos, com maior severidade de cárie dentária. A decomposição do Índice CPOD nos seus componentes (Cariado), (Perdido) e (Obturado), permite-nos verificar que, dos 71% de jovens de 15 anos que já tiveram experiência de cárie, 51% dos dentes permanentes estavam cariados, 11% foram perdidos devido a cárie e 38% estavam tratados, conforme se pode observar na Figura 14.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 45% 49% 54% 53% 56% 44% 56% 51% 10% 11% 14% 8% 8% 10% 15% 11% 45% 40% 38% 30% 39% 46% 29% 38%

Cariados

Perdidos

Obturados

Figura 14: Percentagem de dentes permanente Cariados, Perdidos e Obturados em jovens de 15 anos com índice CPOD> 0, por regiões

Por regiões de saúde, o Algarve e o Norte têm as melhores percentagens de dentes tratados (46% e 45% respectivamente). As regiões com menos dentes tratados são a Madeira e os Açores, com 29% e 30%, respectivamente. Estas diferenças são estatisticamente significativas. Aos 15 anos, as regiões com maior percentagem de dentes perdidos devido a cárie são a Madeira e os Açores (15% e 14%, respectivamente), tal como as que apresentam mais dentes cariados.

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

33

Doença periodontal aos 12 e aos 15 anos de idade A prevalência da doença periodontal foi avaliada através do Índice Comunitário Periodontal (ICP) no grupo etário de 12 e de 15 anos, a partir do exame de seis dentes: um em cada sextante – 16, 11, 26, 36, 31 e 46. Este índice é apresentado sob a forma de taxa de prevalência e média de sextantes afectados. A taxa de prevalência da doença periodontal corresponde à percentagem de jovens com o índice mais elevado na condição observada, isto é, com gengiva saudável, com hemorragia à sondagem e com cálculo. A média de sextantes afectados corresponde ao número de dentes observados com a condição em causa ou mais alta, por indivíduo.29 O resultado do estudo do ICP, aos 12 e aos 15 anos, está expresso no Quadro 12.
Quadro 12: Índice Comunitário Periodontal, aos 12 e aos 15 anos de idade Condição periodontal/ Grupo etário
Gengiva saudável Hemorragia à sondagem Cálculo ICP 0 ICP 1 ICP 2

ICP aos 12 anos
Prevalência (%) Média de sextantes

ICP aos15 anos
Prevalência (%) Média de sextantes

29% 36% 36%

3,2 2,8 0,9

22% 27% 52%

3,0 3,0 1,2

Aos 12 e 15 anos, a prevalência da doença periodontal é de cerca de 70% e 80% e, a média de sextantes saudáveis é de 3,2 e 3,0 respectivamente.
3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Gengiva saudável Hemorragia à sondagem Cálculo

3,2

3 2,8

3

1,2 0,9

12 Anos. N.º médio de sextantes

15 Anos. N.º médio de sextantes

Figura 15: Número médio de sextantes com doença periodontal, aos 12 e 15 anos

À medida que se sobe no grupo etário, acentua-se a gravidade da doença periodontal. Aos 12 anos, 36% dos jovens têm, cerca de um sextante, com cálculo e, aos 15 anos, 52% apresentam, mais de um sextante, com essa condição.

34

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Por regiões de saúde, a condição periodontal é muito variável aos 12 e aos 15 anos.
Quadro 13: Prevalência de doença periodontal, aos 12 anos de idade, por regiões de saúde Condição periodontal/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Total *|z|<5%
**t<5%

Prevalência
ICP 0 ICP 1 ICP 2

Média de Sextantes
Saudáveis Hemorragia Cálculo

0%* 52%* 40%* 0%* 57%* 36% 19%* 29%

58%* 14%* 42% 86%* 28% 2%* 8%* 36%

42% 33% 18%* 14%* 16% 62%* 74%* 36%

0,7** 5,1** 4,8** 1,1** 4,0** 3,5** 3,4 3,2

5,2** 0,9** 1,2** 4,9** 2,0** 2,5** 2,6** 2,8

0,7** 0,6** 0,3** 0,2** 0,7** 2,1** 1,9** 0,9

Aos 12 anos, a região do Algarve, com 57%, detém a melhor percentagem de jovens com gengivas saudáveis, seguida da região Centro com 52%. A hemorragia gengival afecta 86% dos jovens do Alentejo e o cálculo atinge, na Madeira e nos Açores, 74% e 62% dos adolescentes, respectivamente. O número médio de sextantes saudáveis é maior na região Centro (5,1). Os Açores e a Madeira apresentam o maior número de dentes com cálculo por indivíduo (2,1 e 1,9, respectivamente). Face às médias nacionais, as diferenças são estatisticamente significativas.
Quadro 14: Prevalência da doença periodontal, aos 15 anos de idade, por regiões de saúde Condição periodontal/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Total *z<5%
**t<5%

Prevalência
ICP 0 ICP 1 ICP 2

Média de Sextantes
Saudáveis Hemorragia Cálculo

0%* 48%* 32%* 2%* 29% 10%* 27% 22%

30% 9%* 36%* 67%* 34% 6%* 5%* 27%

70%* 43%* 32%* 32%* 38%* 84%* 68%* 52%

0,7** 5,0** 4,2** 1,6** 2,9 3,3** 3,1 3,0

5,3** 1,0** 1,7** 4,4** 3,1 2,7** 2,9 3,0

1,4** 0,7** 0,6** 0,4** 1,1** 2,2** 2,3** 1,2

Aos 15 anos, a região Centro, com 48%, destaca-se por ter a menor prevalência de doença periodontal e o maior número de sextantes saudáveis (5,0). Os Açores e a Madeira detêm a maior prevalência de jovens com doença periodontal (84% e 68%) e o maior número de dentes com cálculo (2,2 e 2,3, respectivamente).

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

35

Comparámos depois a prevalência da doença periodontal e a média de sextantes afectados, nos dois grupo etários. Os resultados encontram-se representados nas Figuras 16 e 17.
14%

100%
32% 18% 33% 32% 42% 43%

80%
70%

38% 28%

16%

68%

62%

14%

42%

60%

9%

36%

58%

67%

40%
48% 52% 40%

86%

34%

57%

30%

32%

29%

27%

20%

36%

84% 10%

0%

12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Anos Norte Centro Lisboa e V. Tejo Alentejo Algarve R.A. Açores R.A. Madeira

ICP0

ICP1

ICP2

Figura 16: Prevalência da doença periodontal aos 12 e 15 anos, por regiões

Verificámos que, dos 12 para os 15 anos, há um aumento da prevalência da doença e do número médio de sextantes com cálculo.
9,0 8,0
1,4 1,1 1,9

7,0
0,7

0,7

0,9 0,6

0,6

1,2 0,3

6,0 5,0 4,0

1

1,7

0,2

0,4

2,0

0,7

2,5

2,1

2,2

2,7

2,6

5,2

3,0 2,0 1,0

5,3

5,1

4,8

5

4,2

4,9

4,4

4,0

3,1

3,5

3,3

3,4

0,7

0,0

12 Anos

15 Anos

0,7

12 Anos

15 Anos

12 Anos

15 Anos

12 Anos

1,1

15 Anos

1,6

12 Anos

15 Anos

2,9

12 Anos

15 Anos

12 Anos

15 Anos

Norte

Centro

Lisboa e V. Tejo

Alentejo

Algarve

R.A. Açores

R.A. Madeira

Saudável

Hemorragia

Calculo

Figura 17: Média de sextantes com doença periodontal aos 12 e 15 anos, por regiões

As diferenças observadas entre as regiões são, estatisticamente, significativas, quando comparadas com a média nacional.

36

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

3,1

2,9

2,3

19%

74%

Fluorose dentária A avaliação da fluorose dentária foi feita através do Índice de Dean, aos 6, 12 e 15 anos de idade. No Estudo Nacional, o estado do esmalte dentário das crianças observadas, encontra-se descrito no Quadro 15.
Quadro 15: Índice de Dean por grupo etário Índice de fluorose / Grupo etário 6 Anos 775 61 16 18 8 1 0 11 Total 890 12 Anos 634 118 35 25 11 1 2 11 837 15 Anos 702 116 41 12 5 0 2 7 885

0 1 2 3 4 5 8 9

Normal Em dúvida Muito leve Leve Moderado Intenso Excluído Não registado

Da análise dos resultados verificámos que, a maior parte das crianças e dos jovens não apresentavam alterações significativas dos seus dentes devido a flúor em excesso. Aos 6, 12 e 15 anos, os dentes foram considerados “normais” para 87%, 76% e 79%, respectivamente. Nos mesmos grupos etários, entre os que apresentavam algum grau de fluorose, esta foi encontrada no grau “duvidoso” em 7%, 14% e 13 % e, nos graus “leve e muito leve” em 4%, 7% e 6%, respectivamente. A fluorose de grau “moderado” foi observada em 1% de cada grupo etário e de grau “intenso” entre 0,1% e 0,2%.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 7% 2% 2% 1% 14% 4% 3% 1% 13% 5% 1% 1% 87% 76% 79%

6 anos Normal Em dúvida

12 anos Muito leve Leve

15 anos Moderado Intenso

Figura 18: Percentagem de crianças com e sem fluorose, por grupo etário

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

37

O grupo etário dos 12 anos é o recomendado pela OMS para a avaliação do Índice de Dean. No Quadro 16, avaliámos o peso relativo de cada categoria do índice, nas várias regiões de saúde e o seu contributo para a percentagem a nível nacional.
Quadro 16: Índice de Dean aos 12 anos de idade por regiões de saúde Região de Saúde Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Normal
N.º %

Em duvida
N.º %

Muito leve
N.º %

Leve
N.º %

Moderado
N.º %

Intenso
N.º %

Excluído N.º %

Não registado
N.º %

87 92 121 83 129 25 97 634

10,4 11,0 14,5 9,9 15,4 3,0 11,6 75,7

24 5 3 17 0 58 11 118

2,9 0,6 0,4 2,0 0,0 6,9 1,3 14,1

4 1 1 5 4 13 7 35

0,5 0,1 0,1 0,6 0,5 1,6 0,8 4,2

8 4 0 8 2 3 0 25

1,0 0,5 0,0 1,0 0,2 0,4 0,0 3,0

1 1 0 8 1 0 0 11

0,1 0,1 0,0 1,0 0,1 0,0 0,0 1,3

0 0 0 1 0 0 0 1

0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0 0,1

0 0 0 0 0 0 2 2

0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,2 0,2

3 2 1 2 2 0 1 11

0,4 0,2 0,1 0,2 0,2 0,0 0,1 1,3

Da padronização do índice de Dean por regiões de saúde, verificámos, que os Açores apresentavam a percentagem mais elevada de casos de fluorose “duvidosos” (59%). O grau “muito leve a intenso”, observou-se maioritariamente, no Alentejo (17%) e nos Açores (16%). Na região de Lisboa e Vale do Tejo, apenas, 1% dos jovens, apresentavam fluorose “muito leve”.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte Centro
19%

96% 88%

93% 82% 76%

69%

67%
59%

25%
14% 6% 3% 5% 13% 14% 9% 6% 3% 3%

4%

4%

6% 6%

4%3%

Lisboa V Tejo

Alentejo

Algarve

Açores

Madeira

Nacional

Normal

Em duvida

Muito leve

Leve

Moderado

Intenso

Figura 19: Percentagem de crianças com e sem fluorose, aos 12 anos, por regiões de saúde

38

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Medidas de Redução do Risco de Doenças Orais
Os fluoretos e os selantes de fissura são medidas de redução do risco, com uma longa história na prevenção da cárie dentária. Os fluoretos, sob as mais diversas formas, são, reconhecidamente, a componente central de uma estratégia de prevenção da cárie dentária. Os selantes de fissura, quando aplicados correctamente, são eficazes na prevenção das lesões de cárie que se localizam nas superfícies oclusais dos dentes molares e pré-molares. Selantes de fissura na dentição permanente Em Portugal, desde 1990 até 2005, a aplicação de selantes de fissura em 1.ºs e 2.ºs molares permanentes foi uma das estratégias recomendadas. Assim, era importante avaliar a sua implementação, especialmente aos 12 e aos 15 anos, para melhor compreendermos a influência dos selantes de fissura na prevalência da doença, nestes grupos etários. Aos 6, 12 e 15 anos de idade, a maior parte das crianças e dos jovens não tinham dentes com selantes de fissura aplicados (97%, 62% e 80%, respectivamente).
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 62% 97% 80% 4%
6% 10% 6% 6% 5% 3% 3% 3% 2% 3% 5%

6 anos
sem selantes 4 d. c/selantes

12 anos
1 dente selado 5 a 8 d.c/selantes 2 d.c/selantes 9 ou + d. c/selantes

15 anos
3 d. c/selantes

Figura 20: Percentagem de crianças com e sem dentes selados aos 6, 12 e 15 anos de idade

O número de dentes com evidência clínica de selantes de fissura aplicados variou entre 1 e 16.

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39

Quadro 17: Número e percentagem de crianças com e sem dentes selados aos 6, 12 e 15 anos Selantes fissura/Grupo etário Crianças sem dentes selados Crianças com 1 ou mais dentes selados Crianças com 2 dentes selados Crianças com 3 dentes selados Crianças com 4 dentes selados Crianças com 5 a 8 dentes selados Crianças com 9 ou mais dentes selados Total 6 Anos N.º % 867 97 5 9 3 6 0 0 890 1 1 0 1 0 0 100 12 Anos N.º % 518 62 43 53 54 86 51 32 837 5 6 6 10 6 4 100 15 Anos N.º % 710 80 47 30 19 23 27 29 885 5 3 2 3 3 3 100

No grupo de crianças com 6 anos, a percentagem das que tinham selantes era de 3%, e neste subgrupo, a média de dentes selados era de 2,4, o que era expectável dado a maioria das crianças não ter 1.ºs molares permanentes erupcionados. No grupo de 12 anos e de 15 anos, 38% e 20% dos jovens tinham selantes, sendo nestes subgrupos, a média de dentes selados de 4,2 e 4,4, respectivamente.
Quadro 18: Média dentes com selantes no subgrupo com dentes selados, aos 6, 12 e 15 anos Média de dentes c/ selantes fissura /Grupo etário N.º de crianças com dentes selados N.º de selantes aplicados Média de selantes/criança 6 Anos 23 12 Anos 319 1339 4,2 15 Anos 175 764 4,4

56
2,4

Por regiões de saúde, o número médio de dentes com selantes, em cada um dos grupos etários, tem variações significativas, especialmente nos grupos etários de 12 e de 15 anos e revela o investimento feito pelos serviços, o qual é, obviamente, muitas vezes condicionado pelas disponibilidade de recursos técnicos e humanos.
Quadro 19: Média de dentes com selantes aos 6, 12 e 15 anos de idade, por regiões de saúde Média de dentes selados/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 6 Anos
Média Grupo Média Subgrupo

12 Anos
Média Grupo Média Subgrupo

15 Anos
Média Grupo Média Subgrupo

0,10* 0,02* 0,02* 0,10* 0,04 0,01* 0,14* 0,06

2,6 2,0 1,5 3,0 2,0 1,0 2,7 2,4

1,30* 1,50 2,19* 0,44* 2,15* 1,09* 2,37* 1,60

4,1 3,7 5,3 2,8 4,2 4 4,2 4,2

0,45* 0,65* 1,42* 0,58* 0,90 0,63* 1,36* 0,86

3,2 4,0 5,0 4,3 4,5 4,3 4,4 4,4

40

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

*p<5%
4,00 3,50 1,36 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 1,30 0,50 0,44 0,00 Norte Centro Lisboa v Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 1,50 0,45 0,63 2,19 0,58 1,09 2,15 1,60 2,37 1,42 0,90 0,86 0,65

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 21: Número médio de selantes aplicados em cada grupo etário, por regiões

Globalmente, as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e da Madeira apresentavam maior número de dentes selados por criança, quer aos 12 anos (2,19 e 2,37), quer aos 15 anos (1,42 e 1,36). A região do Alentejo apresentava a média mais baixa de dentes com selantes, especialmente aos 12 anos (0,44). Estas diferenças são

estatisticamente significativas. Nos subgrupos com dentes selados as variações regionais não apresentavam diferenças tão marcadas, mantendo-se Lisboa e Vale do Tejo como a região onde os jovens de12 e 15 anos tinham mais selantes aplicados.
14

12

10

5,0
8

3,2

4,0

4,3

4,5 4,3

4,4

4,4

6

4,1
4

3,7

5,3

2,8

4,2 4,2 4,0

4,2

2

2,6
0
Norte

2,0
Centro

3,0 1,5
Lisboa e Vale do Tejo Alentejo

2,0
Algarve

2,7 1,0
Açores Madeira

2,4
Nacional

6 Anos

12 Anos

15 Anos

Figura 22: Média de selantes nos subgrupos com selantes aplicados, por regiões

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Suplementos de fluoretos usados pelas crianças e jovens A utilização do dentífrico fluoretado constitui um benefício para a saúde oral, claramente evidenciado na investigação científica. No entanto, outros produtos contendo flúor, nomeadamente, comprimidos e solução para bochechar são preconizados e utilizados em programas comunitários. No Estudo Nacional a utilização dos suplementos fluoretados foi analisada a partir das respostas dos jovens a uma pergunta directa, incluída no Questionário de Avaliação de Conhecimentos e Comportamentos.
Quadro 20: Suplementos de fluoretos usados pelos alunos de 6, 12 e 15 anos de idade Suplementos de fluoretos /Grupo etário Comprimidos de flúor Soluções para bochecho fluoretado Outros produtos Não utiliza Não respondeu Total 6 Anos 241 33 0 605 1 890 12 Anos 0 159 33 0 485 837 15 Anos 0 193 36 0 521 885

A percentagem de crianças que referem fazer suplementos de fluoretos varia segundo o grupo etário e o tipo de produto. Aos 6 anos de idade, 27% das crianças dizem tomar regularmente comprimidos de fluoreto e, 4% refere fazer bochecho fluoretado. Aos 12 e 15 anos, 19% e 22%, respectivamente, referem usar uma solução fluoretada para bochecho.
30% 25% 22% 20% 15% 10% 5% 0% Comprimidos de fluoretos Solução fluoretada Outros produtos 4% 4% 4% 19% 27%

6 Anos

12 Anos

15 Anos

Figura 23: Percentagem de alunos de 6, 12 e 15 anos que utilizavam suplementos de fluoreto

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Por regiões de saúde, a Madeira é aquela onde os suplementos de fluoretos, sob a forma de comprimidos e bochechos, são feitos por mais crianças aos 6 anos (30% e 36% respectivamente). A região do Algarve, do Alentejo e de Lisboa e Vale do Tejo são aquelas onde o bochecho fluoretado é feito por mais jovens de 12 e 15 anos. Globalmente a utilização de suplementos fluoretados é baixa.
Quadro 21: Suplementos de fluoretos utilizados pelos alunos de 6, 12 e 15 anos, por regiões Suplementos de fluoretos/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 6 Anos
Comprimidos Soluto

12 Anos
Soluto

15 Anos
Soluto

40 34 58 15 11 10 73 241

17% 14% 24% 6% 5% 4% 30% 100%

2 1 3 6 7 2 12 33

6% 3% 9% 18% 21% 6% 36% 100%

17 16 29 28 28 20 21 159

11% 10% 18% 18% 18% 13% 13% 100%

21 32 28 30 36 19 27 193

11% 17% 15% 16% 19% 10% 14% 100%

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Promoção da Saúde
A capacitação dos cidadãos para a gestão da sua saúde passa, para além da informação adequada sobre saúde, por ambientes de suporte à mudança e pelo reforço do papel da comunidade na assumpção de estilos de vida saudáveis. Os programas de promoção da saúde são efectivos quando desenvolvem uma abordagem holística da saúde e do bem-estar. A avaliação dos processos e dos resultados é indispensável para aferirmos da efectividade das intervenções e da adequação dos programas. Jovens saudáveis e informados reduzem, a médio prazo, as desigualdades sociais e contribuem para a saúde e o bem-estar das suas comunidades, a longo prazo. Conhecimentos e comportamentos relacionados com saúde oral Em Portugal, os programas de saúde oral têm, desde sempre, dado a maior importância à higiene oral e à promoção de estilos de vida saudáveis. Em contexto comunitário o enfoque tem sido dado à responsabilização progressiva das crianças e dos jovens num processo de empowerment das populações com a sua saúde oral. A escola, enquanto espaço de saúde, ideal para viver, aprender e trabalhar, tem constituído um lugar privilegiado para a promoção da saúde oral. As equipas de saúde escolar, em parceria com a comunidade educativa, têm desenvolvido estratégias de educação para a saúde que reforçam a capacidade da escola e da família na implementação da escovagem dos dentes, no uso do fio dentário e na promoção de uma alimentação saudável. Assim, tendo em conta as estratégias de promoção da saúde desenvolvidas e as recomendações do Programa Nacional, neste Estudo fomos questionar em que medida, os determinantes da saúde oral relacionados com comportamentos de higiene oral e os conhecimentos de alimentação são, objectiva ou subjectivamente, assumidos pelas crianças e pelos jovens.

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Escovagem dos dentes aos 6, 12 e 15 anos de idade A evidência científica é clara. A escovagem dos dentes com um dentífrico com flúor, executada, pelo menos, duas vezes por dia é eficaz na prevenção da cárie dentária. No Estudo Nacional a percentagem de crianças e de jovens de 6, 12 e 15 anos que diziam «escovar os dentes duas ou mais vezes por dia» era de 50%, 67% e 69%, respectivamente.
Quadro 22: Frequência da escovagem dos dentes aos 6, 12 e 15 anos de idade Escovagem dos dentes/ Grupo etário Duas ou mais vezes por dia Uma vez por dia Às vezes Não escovo Não respondeu Total 6 Anos 445 210 206 27 2 890 12 Anos 558 184 89 3 3 837 15 Anos 612 183 79 8 3 885

À medida que o grupo etário sobe a percentagem de jovens que escovava os dentes com mais frequência aumenta e, consequentemente a dos que não escovavam ou escovavam poucas vezes, diminui.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 2 ou + vezes/ dia 1 vez por dia Às vezes 24% 22% 21% 23% 11% 9% 3% 0% 1% 50% 67% 69%

Não escovo

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 24: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que escovavam os dentes

Analisámos depois a frequência da escovagem dos dentes em cada um dos grupos etários, segundo a região de saúde, conforme se pode observar nas Figuras 24, 25 e 26. Os quadros com os dados regionais são apresentados no Anexo 6.

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Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Por regiões de saúde, aos 6 anos de idade, as crianças que afirmavam escovar os dentes com mais frequência (duas ou mais vezes por dia) eram as da Madeira (75%) e, as que menos frequentemente a faziam residiam na região Centro (30%).
100% 90% 80% 70% 60% 21% 50% 40% 10% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa vale Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 46% 30% 53% 44% 51% 43% 15% 26% 41% 55% 28% 30% 5% 18% 39% 26% 10% 23%

14%

24%

75%

50%

2 ou + vezes/dia

1x dia

Às vezes

Não escova

Figura 25: Percentagem de crianças com 6 anos que escovavam os dentes por regiões

Por regiões de saúde, aos 12 anos de idade, Lisboa e Vale do Tejo (73%) e o Algarve (72%) eram aquelas, onde a escovagem dos dentes era realizada por maior número de jovens.
100% 13% 90% 80% 19% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa v Tejo Alentejo Algarve Açores 1x dia Madeira Às vezes Nacional Não escova 66% 54% 33% 12% 20% 17% 6% 14% 23% 20% 20% 22% 5% 11% 14% 11%

73%

69%

72%

69%

65%

67%

2 ou + vezes

Figura 26: Percentagem de jovens com 12 anos que escovavam os dentes por regiões

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Por regiões de saúde, aos 15 anos de idade, a percentagem de jovens que escovava os dentes, duas ou mais vezes por dia, era de 69%, residindo 82% na região de Lisboa e Vale do Tejo e 81% no Alentejo.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 67% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa v Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 60% 52% 82% 81% 72% 67% 69% 13% 12% 14% 4% 9% 10% 4% 13% 10% 9%

22% 21%

19%

21%

27% 35%

2 ou + x dia

1x dia

Às vezes

Não escova

Figura 27: Percentagem de jovens com 15 anos, que escovavam os dentes, por regiões

Escovagem dos dentes ao deitar A escovagem dos dentes, antes de deitar, é uma das actividades mais importantes na prevenção da cárie dentária, na qual, assenta a estratégia de promoção da saúde oral do Programa Nacional. No Estudo Nacional, verificámos que aos 6, 12 e 15 anos, a percentagem de crianças e jovens que referiu executar, sempre, a escovagem dos dentes antes de deitar era de 35%, 51% e 45%, respectivamente.
Quadro 23: Frequência da escovagem dos dentes, antes de deitar, aos 6, 12 e 15 anos Escovagem dos dentes ao deitar/ Grupo etário Sempre Muitas vezes Poucas vezes Nunca Não respondeu Total 309 200 247 132 2 890 425 161 209 38 4 837 399 221 213 49 3 885 6 Anos 12 Anos 15 Anos

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60% 51% 50% 45% 43% 40% 35% 30% 30% 23% 19% 20% 25% 30%

10%

0%

Sempre

Muitas vezes

Poucas/nenhumas vezes

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 28: Percentagem de crianças de 6, 12 e 15 anos, que escovavam os dentes, antes de deitar

Analisámos depois a frequência da escovagem dos dentes antes de deitar em cada um dos grupos etários, segundo a região de saúde, apresentando-se os resultados nas Figuras 29, 30 e 31. Os quadros com os dados regionais são apresentados no Anexo 6. Por regiões de saúde, aos 6 anos de idade, as crianças que dizem escovar os dentes ao deitar, sempre, são maioritariamente da Madeira (58%), dos Açores (46%) e de Lisboa e Vale do Tejo (40%)
100% 90% 31% 80% 52% 70% 60% 29% 50% 22% 40% 30% 20% 10% 0% 16% 20% 32% 20% 40% 32% 28% 46% 35% 15% 25% 58% 16% 59% 53% 47% 16% 38% 25% 43%

Norte

Centro

Lisboa vale Tejo

Alentejo

Algarve

Açores

Madeira

Nacional

Sempre

Muitas vezes

Poucas vezes ou nunca

Figura 29: Percentagem de crianças de 6 anos, que escovavam os dentes, antes de deitar, por regiões

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

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Por regiões de saúde, aos 12 anos, os jovens das regiões do Algarve (57%) e de Lisboa e Vale do Tejo (56%) eram os que diziam que escovavam os dentes, sempre, antes de deitar, em maior percentagem.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 49% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa Vale Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 47% 56% 57% 46% 47% 21% 34% 30% 20% 32% 24% 34% 34%

30%

24% 17% 17%

19% 19% 19% 19%

50%

51%

Sempre

Muitas vezes

Poucas ou Nenhumas vezes

Figura 30: Percentagem de jovens de 12 anos que escovavam os dentes antes de deitar, por regiões

Por regiões de saúde aos 15 anos de idade, o Alentejo (55%), Lisboa e Vale do Tejo (51%) e o Norte (50%) eram aquelas onde a escovagem dos dentes era realizada, sempre, antes de deitar, por maior número de jovens.
100% 90% 32% 80% 70% 26% 60% 50% 27% 40% 30% 50% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa Vale Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 45% 51% 19% 21% 21% 34% 28% 25% 34% 42% 23% 25% 24%

31%

30%

55% 41% 30% 42% 45%

Sempre

Muitas vezes

Poucas ou nenhumas vezes

Figura 31: Percentagem de jovens de 15 anos que escovavam os dentes antes de deitar, por regiões

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Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Utilização do fio dentário aos 12 e 15 anos de idade Os programas de saúde oral desenvolvidos e em curso em Portugal recomendam que o fio dentário seja utilizado quando os jovens começam a ter destreza manual para a sua manipulação, o que ocorre, por volta dos 9-10 anos. No Estudo Nacional a frequência da utilização do fio dentário foi questionada, apenas, nos grupos etários de 12 e 15 anos. Os jovens de 12 anos e de 15 anos referiram utilizá-lo numa percentagem de 25% e 20%, respectivamente.
Quadro 24: Frequência da utilização do fio dentário pelos alunos de 12 e 15 anos de idade Fio dentário / Grupo etário Mais de uma vez por dia Uma vez por dia Algumas vezes por semana Algumas vezes por mês Não utiliza fio dentário Não respondeu Total 12 Anos 36 81 55 38 623 4 837 15 Anos 22 69 56 29 703 6 885

No entanto, com uma regularidade que possamos considerar eficaz, isto é, uma ou mais vezes por dia, apenas, 14% e 10% dos jovens de 12 e 15 anos, respectivamente, referiu utilizar o fio dentário.
10% 9% 7,8% 8% 7% 6% 5% 4% 3% 2% 1% 0% Mais de 1 vez/dia Uma vez/dia Algumas vezes/semana Algumas vezes/mês 2,5% 4,3% 4,5% 3,3% 6,6% 6,3% 9,7%

12 Anos

15 Anos

Figura 32: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que utilizavam fio dentário

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

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Analisámos depois a frequência da utilização do fio dentário, nos grupos etários de 12 e 15 anos, segundo a região de saúde, conforme se pode observar na Figura 33. Os quadros com os dados regionais são apresentados no Anexo 6. Por regiões de saúde aos 12 anos de idade verificámos que, os jovens da região do Algarve (18%) e de Lisboa e Vale do Tejo (17%) utilizavam o fio dentário numa percentagem superior à média nacional. Neste grupo etário, o Alentejo (8%) situavase abaixo dessa referência. Aos 15 anos, os jovens do Algarve (14%) e da Madeira (13%) utilizavam o fio dentário numa percentagem superior à média nacional. Aos 15 anos, o Norte (7%) situava-se abaixo dessa referência.

20% 18% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo

17%

18% 15%

13%

14% 13% 12% 10% 9% 7% 8% 10% 10% 13%

14%

10%

Algarve

Açores

Madeira

Nacional

12 Anos

15 Anos

Figura 33: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que utilizavam o fio dentário, uma ou mais vezes por dia, por regiões de saúde

Comparativamente, a frequência da utilização do fio dentário dos 12 para os 15 anos baixa em termos nacionais e, em todas as regiões de saúde, com excepção da região Alentejo, onde esse valor aumenta, situando-se aos 15 anos dentro da média nacional do grupo.

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Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Fontes de aprendizagem da higiene oral Ao longo do processo de crescimento e desenvolvimento as crianças vão adquirindo conhecimentos e competências que as capacitam para o auto-cuidado, sendo muito diversificadas as fontes de aprendizagem da escovagem dos dentes e as motivações para a sua prática regular. No Estudo Nacional as principais fontes de aprendizagem da escovagem dos dentes, nos grupos etários de 6, 12 e 15 anos foram ‘a casa’ (68%, 60% e 57%) e depois ‘a escola’ (20%, 18% e 16%, respectivamente).
Quadro 25: Fontes de aprendizagem da escovagem dos dentes dos alunos de 6, 12 e 15 anos Aprendizagem da escovagem dos dentes/ Grupo etário Em casa Na escola No Centro de Saúde No consultório do dentista Em revistas ou jornais Em programas de TV/rádio Nas embalagens de dentífricos e escovas Não me ensinaram Não me lembro Não respondeu Total 6 Anos 586 160 8 17 0 0 0 0 108 11 890 12 Anos 501 151 18 50 1 2 2 30 81 1 837 15 Anos 500 144 18 83 3 4 1 54 77 1 885

100% 90% 80% 68% 70% 60% 60% 50% 40% 30% 20% 20% 10% 1% 0% 18% 16% 9% 6% 2% 2% 2% 1% 1% 57%

Casa

Escola

Centro Saúde

Consultório

Outras fontes

6 anos

12 anos

15 anos

Figura 34: Fontes de aprendizagem da escovagem, segundo os alunos de 6, 12 e 15 anos de idade

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

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Analisámos depois as fontes de aprendizagem ao longo do ciclo de vida, segundo a região de saúde, conforme se pode observar nas Figuras 35, 36 e 37. Os quadros com os dados regionais são apresentados no Anexo 6. Por regiões de saúde, aos 6 anos de idade, há diferenças significativas, destacando-se a Madeira como a região onde, mais crianças aprendem as técnicas da higiene oral na ‘escola’.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 66% 65% 55% 77% 66% 52% 80% 66% 17% 6% 20% 8% 14% 5% 11% 3% 22% 29% 27% 11% 7% 47% 18% 13%

Em casa

Na escola

Centro Saúde

Consultório

Não lembro/não responde

Figura 35: Fontes de aprendizagem da escovagem nas crianças de 6 anos por regiões

Por regiões de saúde, aos 12 anos, a casa, era a principal fonte de ensino da escovagem dos dentes, especialmente na região dos Açores. Os jovens da Madeira e do Alentejo eram os que referiram, com mais frequência, o meio escolar, como fonte de educação para a saúde oral.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 59% 64% 62% 69% 59% 54% 56% 60% 8% 9% 21% 13% 6% 15% 14% 10% 13% 26% 20% 11% 3% 11% 8% 8% 33% 12% 13% 9% 13% 6% 18%

Em casa

Na escola

Centro Saúde

consultório

outras fontes

não se lembra

Figura 36: Fontes de aprendizagem da escovagem, nos jovens de 12 anos, por regiões

54

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Por regiões de saúde, aos 15 anos os jovens ainda recordavam que aprenderam a escovar os dentes em casa, com variações regionais significativas, continuando a destacar-se a ‘escola’ como uma fonte de aprendizagem importante, na região da Madeira.

100% 8% 90% 80% 70% 13% 60% 50% 40% 68% 30% 20% 10% 0% Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional 59% 54% 60% 52% 45% 60% 56% 10% 18% 21% 12% 11% 9% 11% 18% 22% 8% 13% 31% 13% 18% 16% 10% 10% 15%

5%
7%

9%

16%

Em casa

Na escola

Centro Saúde

Consultório

Outras fontes

Não se lembra

Figura 37: Fontes de aprendizagem da escovagem, nos jovens de 15 anos, por regiões

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

55

Hábitos alimentares dos jovens de 12 e 15 anos de idade O comportamento alimentar dos jovens é alvo frequente de investigação já que, tem um impacto significativo no desenvolvimento das doenças crónicas, entre elas, as doenças orais. No contexto do Estudo Nacional fomos avaliar aspectos particulares da alimentação com uma evidente correlação com a saúde oral. Por isso, o inquérito alimentar foi dirigido à frequência com que os alimentos saudáveis e os potencialmente cariogénicos são ingeridos.
Quadro 26: Frequência da ingestão semanal de alguns alimentos aos 12 e 15 anos de idade Ingestão de alimentos / Grupo etário
12 A Nunca 15 A 1-2 Vezes /Semana 12 A 15 A 3 ou mais vezes /Semana 12 A 15 A

Pastéis e bolos de pastelaria Sobremesas doces Bolachas ou pão c/chocolate Chocolates Caramelos, rebuçados ou gomas Compotas doces ou mel Leite achocolatado Leite Fruta Refrigerantes com gás Sumos naturais Cerveja Vinho
100%
3 ou + v ez es 3 ou + v ez es

18% 28% 24% 15% 21% 60% 19% 7% 4% 20% 11% 90% 92%

12% 25% 21% 12% 24% 57% 22% 7% 4% 18% 12% 80% 92%

60% 55% 49% 54% 46% 27% 31% 14% 21% 42% 38% 3% 1%

60% 57% 49% 51% 45% 30% 27% 12% 21% 35% 38% 12% 3%

19% 13% 25% 30% 31% 9% 47% 77% 72% 36% 48% 1% 0%

28% 16% 30% 35% 31% 11% 49% 79% 73% 46% 48% 5% 1%

3 ou + v ez es

3 ou + v ez es

90% 80% 70% 60%
1 -2 v e z e s 1 -2 v e z e s

3 ou + v ez es

1 -2 v e z e s

3 ou + v ez es

3 ou + v ez es

3 ou + v ez es

1-2 v ez es

1-2 v ez es

30%
N unc a

20%
N unc a

N unc a

1-2 v ez es

1 -2 v e z e s

N unc a

0%
C o m p o ta s d o c e s ou m el P a s té is e b o lo s d e p a s te la ria F ru ta Sobrem es as doc es C h o c o la te s L e ite a c h o c o la ta d o R e frig e r a n te s c o m gás B o la c h a s o u p ã o c /c h o c o la te C a ra m e lo s , rebuç ados ou gom as L e ite

S u m o s n a tu r a is N u n c a

10%

N unc a

N unc a

N unc a

1-2 v ez es

40%

N unc a

1 -2 v e z e s

1-2 v ez es

50%

1-2 v ez es

C e rv e ja

N unc a

Figura 38: Ingestão semanal de alguns alimentos aos 12 anos de idade

56

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

V in h o

N unc a

Aos 12 e aos 15 anos os alimentos mais frequentemente ingeridos pelos jovens eram o leite (90%), a fruta (93%) e os sumos naturais (86%). Em ambos os grupos etários, mais de 75% dos jovens comia, uma ou mais vezes por semana, bolachas (74%), rebuçados e gomas (77%) e bebia leite achocolatado (78%) e refrigerantes com gás (78%). Também faziam parte da sua dieta semanal os chocolates (85%) e os bolos de pastelaria (80%). As bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja, praticamente, não entravam na alimentação dos jovens de 12 anos, mas aos 15 anos, a cerveja era bebida, uma ou mais vezes por semana, por 17% dos jovens.
100% 3 ou + vezes 3 ou + vezes 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% Nunca Nunca Nunca Nunca Nunca 10% 0% 1-2 vezes 3 ou + vezes 3 ou + vezes

3 ou + vezes

3 ou + vezes

3 ou + vezes

1-2 vezes

3 ou + vezes

3 ou + vezes

1-2 vezes

1-2 vezes

1-2 vezes

1-2 vezes

1-2 vezes

Leite achocolatado Nunca 1-2 vezes

1-2 vezes

1-2 vezes

Nunca

Nunca

Nunca

1-2 vezes

Nunca

Nunca

Chocolates

Bolachas ou pão c/chocolate

Caramelos, rebuçados ou gomas

Refrigerantes com gás

Pastéis e bolos de pastelaria

Figura 39: Ingestão semanal de alguns alimentos aos 15 anos de idade

Dos 12 para os 15 anos mantinha-se o consumo de caramelos, leite e fruta e aumentava o consumo de refrigerantes com gás.
90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Nunca 12 A Nunca 15 A 1-2 vezes 12 A 1-2 vezes 15 A 3 ou + vezes 12 A 3 ou + vezes 15 A 7% 4% 21% 20% 24% 18% 7% 4% 21% 14% 46% 42% 45% 35% 21% 12% 36% 31% 31% 46% 77% 72% 79% 73%

Sobremesas doces

Caramelos.Gomas

Leite

Compotas doces ou mel

Fruta

Refrigerantes c/ gás

Figura 40: Comparação da ingestão de alguns alimentos aos 12 e 15 anos de idade

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Sumos naturais

Cerveja

Vinho

Fruta

Leite

Nunca

57

58

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Qualidade de vida em saúde oral
O conceito de qualidade de vida é subjectivo. Está relacionado com os efeitos percebidos, pelo indivíduo, sobre o impacto do seu estado de saúde na sua capacidade para se sentir bem consigo e com os outros. A avaliação da qualidade de vida incorpora, por isso, aspectos positivos e negativos do bem-estar. As dimensões da qualidade de vida mais estudadas são as limitações funcionais, escolares e sociais. O impacto provocado pela doença ou pelos tratamentos pode ser analisado a partir da autopercepção da doença na funcionalidade, ao nível do trabalho, da escola, das relações familiares, no usufruir das férias e do lazer.30 A OMS recomenda a avaliação da qualidade de vida em saúde oral a partir dos 1214 anos. No Estudo Nacional utilizámos algumas questões do Questionário OHIP (Oral Health Impact Profile)31, na sua versão reduzida, tendo por base as dimensões da escala relacionadas com as limitações funcionais, escolares e sociais. Limitações funcionais devido a problemas orais As doenças orais podem afectar os jovens do ponto de vista físico e psicológico, mas, também, podem influenciar a forma como crescem, vivem a vida, falam, socializam e se sentem consigo e com os outros. Esta dimensão é definida como a experiência de dor ou desconforto, percebida pelos indivíduos, em actividades do dia-a-dia tais como, comer, escovar os dentes e/ou ingerir alimentos quentes ou frios.
Quadro 27: Dor de dentes segundo os jovens de 12 e 15 anos Dor de dentes/ Grupo etário
n.º

12 Anos
% n.º

15 Anos
%

Sim Não Não responde Total

294 542 1 837

35,1% 64,8% 0,1% 100,0%

367 517 1 885

41,5% 58,4% 0,1% 100,0%

No Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, a percentagem de jovens de 12 e 15 anos que referiu ter tido dor de dentes, ao escovar, ao comer ou beber alimentos quentes ou frios, nos últimos 6 meses era de 35% e 42%, respectivamente.

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

59

Nos grupos etários avaliados a cárie dentária severa afectava um número limitado de jovens pelo que, a maior parte, não referiu limitações escolares nem familiares. Limitações escolares devido a problemas orais Os problemas orais, como dor de dentes ou outros, podem, afectar ou não, o desempenho das actividades escolares dos jovens. Quando este elemento interfere com as actividades escolares está, claramente, a interferir com as aprendizagens. No Estudo Nacional avaliámos a frequência com que os problemas da boca e dos dentes afectaram as actividades escolares dos alunos de 12 e de 15 anos referindo, 20% e 23% respectivamente, que a dor de dentes teve impacto na sua actividade escolar.
Quadro 28: Perturbação da frequência da actividade escolar segundo os jovens de 12 e 15 anos Actividade escolar/ Grupo etário
n.º

12 anos
% n.º

15 anos
%

Sim Não Não responde Total

163 134 540 837

19,5 16,0 64,5 100,0

199 170 516 885

22,5 19,2 58,3 100,0

Limitações sociais devido a problemas orais Este indicador avalia, em que medida, os problemas orais restringem as actividades sociais, nomeadamente, no relacionamento com a família, os amigos e outras pessoas. No Estudo Nacional, os protagonistas sociais considerados, foram a família, os amigos, os professores e os vizinhos. Família
Quadro 29: Perturbação da relação com a família segundo os jovens de 12 e 15 anos Perturbação da relação com a família/ Grupo etário Sim Não Total 12 anos
n.º % n.º

15 anos
%

290 547 837

34,6 65,4 100,0

365 520 885

41,2 58,8 100,0

Aos 12 e 15 anos, 35% e 41% dos jovens, respectivamente, referiram que os seus problemas orais perturbaram a sua relação com a família.

60

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Amigos Aos 12 e 15 anos, 34% e 41% dos jovens, respectivamente, disseram que os seus problemas orais perturbaram a relação com os amigos.
Quadro 30: Perturbação da relação com os amigos segundo os jovens de 12 e 15 anos Perturbação da relação com os amigos / Grupo etário Sim Não Total 12 Anos
N.º % N.º

15 Anos
%

283 554 837

33,8% 66,2% 100,0%

359 526 885

40,6% 59,4% 100,0%

Outras Pessoas Aos 12 e 15 anos, 33% e 40% dos jovens, relataram que os seus problemas orais perturbaram a relação com os vizinhos, professores, etc.
Quadro 31: Perturbação da relação com outras pessoas segundo os jovens de 12 e 15 anos Perturbação da relação c/ outras pessoas / Grupo etário Sim Não Total 12 Anos
n.º % n.º

15 Anos
%

279 558 837

33,3% 66,7% 100,0%

357 528 885

40,3% 59,7% 100,0%

Os impactos das perturbações escolares e sociais, aos 12 e 15 anos, devidas a problemas orais encontram-se resumidos na Figura 41.
100%
2% 2% 2% 2% 1% 2%

7% 14% 17%

2%

90% 21% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 12 anos 45% 30%

19%

15%

15%

13%

8%

20%

22% 23% 33% 25%

24%

75% 57% 46% 56% 63% 61%

70%

15 anos

12 anos

15 anos

12 anos

15 anos

12 anos

15 anos

Escola

Familia

Amigos

Outros

Nunca

Raras vezes

Ás vezes

Muitas Vezes

Sempre

Figura 41: Limitações causadas pelos problemas de saúde oral na actividade escolar, na vida da família, nas relações com os amigos e com outros, aos 12 e 15 anos

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

61

A qualidade de vida por grupo etário e por regiões de saúde encontra-se descrita nos quadros apresentados no Anexo 6.

62

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Utilização dos serviços de saúde
A acessibilidade a cuidados de saúde oral é condicionada por motivos geográficos, financeiros, estruturais ou mesmo pessoais. A periodicidade e os motivos da sua utilização apresentam diferenças significativas, entre crianças e adultos, entre grupos populacionais mais ou menos desfavorecidos e entre pessoas com e sem deficiência. Os resultados da avaliação destas condições dão-nos informação preciosa sobre a disponibilidade dos recursos e a sua utilização e, reflectem o nível de desenvolvimento e de educação de uma população ou de um grupo. No Estudo Nacional avaliámos a acessibilidade, a regularidade e os motivos que levam os jovens de 6, 12 e 15 anos à consulta com médico dentista ou com higienista oral, durante o último ano. Acessibilidade a consultas de saúde oral Em Portugal o acesso a serviços de cuidados de saúde primários é universal e, a prestação de cuidados medico-dentários para crianças e jovens iniciou-se no ano 2000, através de contratualização.
Quadro 32: Frequência da consulta de saúde oral, no último ano, pelos alunos de 6, 12 e 15 anos Consulta de saúde oral /Grupo etário Frequentaram Não frequentaram Total 6 Anos 331 559 890 12 Anos 713 124 837 15 Anos 756 129 885

Aos 6 anos a percentagem de crianças que referiu ter ido, pelo menos a uma consulta de saúde oral, no último ano, foi de 40% e, aos 12 e 15 anos foi de 85%.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 6 anos 12 anos 15 anos 37,2% 85,2% 85,4% 62,8% 14,8% 14,6%

Frequentaram

Não frequentaram

Figura 42: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que frequentaram consultas no último ano

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

63

Por regiões de saúde, as crianças de 6 anos que foram com menos frequência a consultas médico-dentária eram as da Madeira (28%) e, com mais frequência, as do Centro (46%). Aos 12 e 15 anos, não há diferenças regionais significativas, situandose entre 80% e 90% a percentagem de jovens que foi a, pelo menos uma consulta no último ano. A acessibilidade a consultas de saúde oral, por grupo etário e por regiões de saúde está descrita nos quadros apresentados no Anexo 6.
89% 88%

86%

87%

84%

87%

87%

100% 90% 80% 70%

87%

91%

83%

83%

83% 28%

46%

60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Norte 41%

43%

80%

Centro

Lisboa e V. Tejo

32%

Alentejo

34%

Algarve

R.A. Açores

42%

R.A. Madeira

6 Anos

12 anos

15 Anos

Figura 43: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que frequentaram consulta, por regiões

Periodicidade das consultas de saúde oral A regularidade com que os jovens de 12 e 15 anos frequentaram as consultas com o médico dentista ou com o higienista oral, no último ano, foi: mensal (6% e 9%), trimestral (12% e 9%), semestral (21% e 13%) e anual (16% e 19%).
Quadro 33: Periodicidade com que os jovens de 12 e 15 anos foram à consulta de saúde oral Periodicidade da consulta /Grupo etário Mensal Trimestral Semestral Anual Ocasional Não respondeu Total 12 Anos 54 104 173 138 242 126 837 6,5% 12,4% 20,7% 16,5% 28,9% 15,1% 100% 79 84 117 169 304 132 885 15 Anos 8,9% 9,5% 13,2% 19,1% 34,4% 14,9% 100%

64

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

80%

Aos 12 e 15 anos, 70% e 65% dos jovens, frequentaram as consultas de saúde oral, mais do que uma vez por ano.
35% 28,9% 34,4%

30%

25% 20,7% 19,1% 20% 16,5% 15% 8,9% 6,5% 5% 13,2% 12,4% 9,5%

10%

0%

Mensal

Trimestral

Semestral

Anual

Ocasional

12 Anos

15 Anos

Figura 44: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que frequentaram consultas de saúde oral

Por regiões de saúde, excluindo os 15% de jovens que não respondeu ou não frequentou as consultas de saúde oral, há variações significativas entre os dois grupos etários, destacando-se a Madeira e o Centro por efectuarem mais consultas, especialmente, no grupo etário dos 12 anos. A periodicidade a consultas por grupo etário e por regiões de saúde está descrita nos quadros apresentados no Anexo 6.
100% 27% 28% 34% 34% 37% 36% 37% 36% 38% 40% 38% 34% 19% 30% 47% 21% Nacional 22%
65

90% 80% 70% 60% 50% 40%

46%

42%

19%

13%

22%

20%

17%

22%

41%

42%

32%

31%

24%

49%

53%

44%

44%

22%

21%

10% 0%

12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 12 15 anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira

Uma vez/ano

17%

Mais de 1 vez/ano

18%

28%

Ocasional

Figura 45: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos que frequentaram consultas de saúde oral, por regiões de saúde

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

32%

20%

42%

43%

48%

30%

54%

37%

46%

37%

40%

Motivos das consultas de saúde oral As razões para frequentar uma consulta de saúde oral são diversas. Nesta avaliação pretendemos identificar se, as razões são, predominantemente, para vigilância regular da boca e dos dentes, para tratamentos de rotina ou de emergência ou, ainda, para cuidados preventivos. No Estudo Nacional os motivos apontados pelos jovens de 12 e de 15 anos foram, genericamente, para vigilância da boca e dos dentes (56% e 39%) e para tratamentos dentários (22% e 36%, respectivamente)
Quadro 34: Motivos da consulta de saúde oral, no último ano, pelos alunos de 12 e 15 anos Consulta de saúde oral /Grupo etário Vigilância Rotina (ortodôncia) Tratamentos dentários Outra razão Não frequentou Total 12 Anos 465 46 180 15 131 837 15 Anos 349 69 321 17 129 885

Nos grupos etários de 12 e 15 anos, apenas 15% dos jovens não frequentaram as consultas no médico dentista ou no higienista oral.
60% 56%

50% 39% 40% 36%

30% 22% 20% 8%

10%

6%

0% Vigilância Tratamentos dentários Rotina (ortodoncia)

12 Anos

15 Anos

Figura 46: Principais motivos da ida a consulta de saúde oral pelos jovens de 12 e 15 anos

66

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Por regiões de saúde, há diferenças regionais significativas. Aos 12 anos os jovens, foram à consulta para vigilância da boca, especialmente na Madeira, no Algarve e em Lisboa e Vale do Tejo e, aos 15 anos, foram com mais frequência para tratamentos dentários na Madeira, no Centro e no Alentejo.
100% 90% 24% 23% 23% 28% 19% 27% 34% 38% 32% 80% 70% 60% 50% 70% 70% 69% 70% 40% 62% 65% 30% 20% 10% 0% 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 46% 66% 40% Nacional 46% 25% 54% 42%

41%

37%

49%

45%

55%

50%

Norte

Centro

37%

LVT

Alentejo

42%

Algarve

53%

Açores

59%

Madeira

Vigilância

Tratamento

Ortodôncia

Figura 47: Motivos da consulta dos jovens de 12 e 15 anos, por regiões

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

67

68

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Percepção do estado de saúde oral
O self é um complexo sistema de constructos que tem propiciado a existência de um conjunto de termos empregues indiscriminadamente e gerando ambiguidades. Sem nos querermos deter sobre as diferentes terminologias do self, diremos apenas que com a autopercepção pretendíamos saber como é que os jovens de 12 e 15 anos avaliam, por si próprios, o estado de saúde da sua boca e dos seus dentes.
Quadro 35: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 12 e 15 anos Percepção da saúde/ Grupo etário
N.º

12 Anos
% N.º

15 Anos
%

Muito bom Bom Razoável Mau Muito mau Não responde Total

53 322 410 40 9 3 837

6,3% 38,5% 49,0% 4,8% 1,1% 0,4% 100,0%

47 295 457 71 11 4 885

5,3% 33,3% 51,6% 8,0% 1,2% 0,5% 100,0%

Pela análise dos resultados do Estudo Nacional concluímos que os jovens portugueses tinham uma imagem positiva da sua saúde oral. Aos 12 e 15 anos, 39% e 45% dos jovens consideravam o estado da sua boca e dentes ‘bom ou muito bom’. Nos mesmos grupos etários, apenas 6% e 9% consideravam ‘má ou muito má’ a saúde da sua boca.
100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% Bom 20% 10% 0% Muito bom Muito bom Bom Razoável Razoável Mau Mau

12 Anos

15 Anos

Figura 48: Autopercepção do estado de saúde oral aos 12 e 15 anos

Por regiões de saúde, Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve tinham a maior percentagem de jovens com 12 anos que considerava a sua saúde oral ‘boa ou

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

69

muito boa’ e a Madeira a taxa mais baixa. Aos 15 anos de idade, a percentagem de jovens com pior percepção da sua saúde oral pertencia à região Norte, Algarve e Madeira.
100% 90% Razoável Razoável Razoável Razoável Razoável Razoável Razoável 80% 70% 60% 50% 40% Bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom 30% 20% 10% 0% 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos 12 anos 15 anos Bom Razoável Razoável

Razoável

Razoável

Razoável

Razoável

Bom

Bom

Bom

Norte

Centro

Lisboa V Tejo

Alentejo

Algarve

Açores

Madeira

Muito bom

Bom

Razoável

Mau

Muito mau

Figura 49: Percepção do estado de saúde oral segundo os jovens de 12 e 15 anos, por regiões

70

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Bom

Razoável

Discussão e conclusões
Os Estudos Nacionais realizados em 2000 e 2005/6 visaram constituir-se como um referencial sobre a saúde oral das crianças e dos jovens portugueses dos grupos etários de 6, 12 e 15 anos. O primeiro, realizado no ano 2000, fez o diagnóstico de situação da prevalência da cárie dentária na população escolarizada, enquanto que, o actual, aprofunda e alarga a investigação à prevalência de outras doenças orais e a alguns dos seus determinantes. Estes estudos nacionais permitem-nos monitorizar a tendência evolutiva dos problemas orais e dos factores de risco que lhe estão associados. Para isso, em ambos os Estudos utilizámos amostras representativas das populações em análise, critérios de diagnóstico padronizados e observadores calibrados. A metodologia cumpriu, integralmente, as recomendações do manual da OMS (Oral Health Survey, 1997) – desde o desenho da investigação, ao tratamento e à apresentação dos resultados. Para a realização do Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2005/6 (ENPDO) seleccionámos uma amostra aleatória de crianças e jovens, estratificada por idade, representativa dos grupos etários de 6, 12 e 15 anos, com uma distribuição homogénea por género e por regiões de saúde (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira). A amostra que excedeu em 105 unidades o número estimado foi trabalhada, estatisticamente, a um nível de confiança de 95%, sendo o erro amostral de 4,5%. O nível de concordância intra e inter-observadores, obtido antes da colheita de dados para o ENPDO, foi de 92,8% e de 88,9%, respectivamente, o que nos permite garantir a fiabilidade e a comparabilidade dos dados recolhidos pelas sete equipas de observadores, assim como com outros estudos internacionais que utilizaram a mesma metodologia. Com os resultados do Estudo pretende-se em primeiro lugar, dar resposta aos objectivos com que o mesmo foi conceptualizado e, em segundo lugar, monitorizar os indicadores dos programas de saúde oral em curso em Portugal.

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Ter saúde oral é muito mais do que ter dentes sãos. É ter práticas de higiene oral adequadas, comportamentos alimentares saudáveis e é ter qualidade de vida. Nos últimos 20 anos a saúde oral das crianças e dos jovens portugueses tem melhorado visivelmente. No entanto para além da saúde, hoje, as pessoas preocupam-se com o impacto dos problemas orais na sua funcionalidade e no exercício da cidadania. O ENPDO 2005/6 deu-nos um diagnóstico de situação da saúde oral, com informação quantitativa, nomeadamente, sobre o peso das doenças orais e a implementação das medidas de redução do risco e dados qualitativos sobre o nível dos conhecimentos e comportamentos dos jovens que as podem influenciar. Por isso, poderá constituir um instrumento para a definição de metas e políticas de saúde oral com vista à sua melhoria. A investigação científica actual vem alertando para a polarização dos problemas de saúde em grupos de risco, para a importância dos ambientes específicos e dos comportamentos sociais, bem como para a acessibilidade a cuidados de saúde, como factores determinantes da prevalência e da gravidade das doenças, designadamente, das doenças orais. Na discussão dos resultados vamos destacar os indicadores de saúde oral e o impacto dos programas desenvolvidos em Portugal, os quais, privilegiaram sempre as estratégias de promoção da saúde e de prevenção das doenças orais. Os dados obtidos serão ainda analisados, tendo em conta um percurso realizado, as orientações produzidas, os grupos etários em causa e as variações entre regiões. Os valores médios nacionais serão ainda comparados com as metas que a OMS preconiza para a região Europeia para o ano de 2020.32,1 Saúde oral No Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, a ausência de doença em ambas as dentições foi avaliada através da percentagem de crianças livres de cárie. Da análise dos resultados, verificámos que a percentagem de crianças livres de cárie aos 6 anos era de 51%, aos 12 anos de 44% e aos15 anos de 28%.

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Por regiões de saúde, Lisboa e Vale do Tejo apresentava, em todos os grupos etários, a percentagem mais alta de crianças livres de cárie. A Madeira aos 6 anos e os Açores aos 12 e 15 anos apresentavam as percentagens mais baixas. Aos 6 anos, a maior parte das crianças (95%) tinham os seus dentes permanentes sãos e em mais de metade (52%) o mesmo acontecia com os dentes temporários. De 2000 para 2005/6, houve uma melhoria significativa da percentagem de crianças livres de cárie dentária, passando aos 6 anos de 33% para 51%, aos 12 anos de 27% para 44% e aos 15 anos de 19% para 28%. Em Espanha (2005) a percentagem de crianças livres de cárie aos 6 anos era de 64%.33 Apesar da melhoria verificada, não podemos perder de vista a meta da OMS, que prevê que, no ano 2020, a percentagem de crianças livres de cárie, aos 6 anos, seja de 80% na Região Europeia. Doenças orais na infância e na adolescência Na infância e adolescência a principal doença crónica é a cárie dentária, podendo no entanto coexistir doença periodontal e fluorose. Nos últimos anos o indicador de doença oral - índice cpod/CPOD, tem diminuído significativamente, ao mesmo tempo que a percentagem de crianças com os dentes tratados tem aumentado em todos os grupos etários. No ENPDO 2005/6, a gravidade da cárie na dentição temporária (índice cpod) era de 2,10 aos 6 anos, apresentando a região da Madeira a maior prevalência de doença (3,61). A percentagem de dentes temporários por tratar, variava entre 86% no Alentejo e 96% na região de Lisboa e Vale do Tejo Na dentição permanente, a prevalência de cárie dentária (índice CPOD) aos 6, 12 e 15 anos era de 0,07, 1,48 e 3,04, respectivamente. Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo apresentava a menor prevalência de doença (0,03, 0,46, 0,97 nos grupos etários respectivos) seguida do Centro e do Algarve. Os Açores, aos 6 anos e aos 12 anos (0,24 e 2,05) e a Madeira, aos 15 anos (4,08), apresentavam a maior prevalência de cárie dentária. De 2000 para 2005, houve uma melhoria significativa do índice CPOD em todos os grupos etários, passando aos 6 anos de 0,23 para 0,07, aos 12 anos de 2,95 para 1,48 e aos 15 anos de 4,72 para 3,04.

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Em 2005, o índice CPOD aos 12 anos, em outros países Europeus era: Espanha 1,33, França 1,2, Suécia 1,0, Dinamarca 0,8, Alemanha e Reino Unido 0,7. A nível nacional, os jovens de 12 e 15 anos, com índice CPOD maior que zero, tinham 51% dos dentes permanentes cariados. Aos 12 anos, 5% dos dentes foram perdidos devido a cárie e 44% estavam tratados. Aos 15 anos 11% dos dentes foram perdidos devido a cárie e 38% estavam tratados. Em Espanha (2005) os jovens com 12 e 15 anos, com índice CPOD maior que zero, 53% e 60% dos dentes estavam tratados. Por regiões de saúde, aos 12 e 15 anos, o Algarve (62% e 46%) destacava-se por ter as percentagens mais elevadas de dentes tratados, ao contrário do Alentejo (36% e 39%), dos Açores (38% e 30%) e da Madeira (42% e 29%), onde a percentagem de dentes tratados era menor. Em Portugal, de 2000 para 2005/6, aos 12 anos de idade, a percentagem de jovens de com os dentes tratados aumentou cerca de 30% e aos 15 anos cerca de 20%. Estes ganhos em saúde oral resultaram, em parte, do processo de contratualização com prestadores privados que decorreu nos últimos 5 anos e que tinha como alvo, precisamente, os grupos etários em análise. Segundo a classificação da OMS, que utiliza como referencial os níveis de cárie dentária (índice CPOD) aos 12 anos, Portugal situa-se entre os países de baixa prevalência de doença (1,48), tendo já atingido os valores preconizados para a Região Europeia em 2020 (1,50).34 Nos países com um índice CPOD inferior a 3,0, aos 12 anos, como é o caso de Portugal, a determinação do Índice Significativo de Cárie (SiC) do terço da população com maior gravidade de doença permite-nos identificar as regiões de maior polarização da mesma. O índice SiC para Portugal era de 3,8. Por regiões de saúde, o Alentejo tinha o valor do índice SiC mais elevado (4,3) e Lisboa e Vale do Tejo (2,4) apresentava o valor mais baixo. O índice Sic em Espanha (2005) era de 3,5. Segundo a OMS, o índice SiC é um parâmetro a incluir na avaliação da saúde oral, cujo objectivo, para o grupo etário dos12 anos, deverá ser a obtenção de um valor inferior a 3,0 no ano 2015.35

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A existência de doenças periodontais foi avaliada através do Índice Comunitário Periodontal (ICP),23,26 que mede a prevalência da doença e o número médio de sextantes afectados por hemorragia gengival e/ou cálculo. Aos 12 e aos 15 anos, as doenças periodontais afectavam, aproximadamente 70% e 80% dos jovens, diminuindo com a idade a prevalência de adolescentes com gengivas saudáveis (de 29% para 22%) e aumentando, significativamente, a percentagem dos que tinham cálculo (de 36% para 52%). Em Espanha (2005) a percentagem de jovens de 15 anos com as gengivas saudáveis era de 35%. Por regiões de saúde, aos 12 e 15 anos, o Centro (52% e 48%) e o Algarve (57% e 29%), tinham as melhores percentagens de jovens com gengivas saudáveis. O Alentejo (86% e 67%, nos mesmos grupos etários) tinha a maior prevalência de hemorragia gengival e a Madeira (74% e 68%) e os Açores (62% e 84%) apresentavam a percentagem mais elevada de jovens com cálculo. A média nacional de sextantes saudáveis, aos 12 anos, era de 3,2 e aos 15 anos, 52% dos jovens apresentavam, pelo menos, um sextante com cálculo. Dos 12 para os 15 anos, verificou-se uma tendência para descida do número médio de dentes saudáveis (3,2 para 3,0) e para subida da média de sextantes que apresentavam hemorragia à sondagem (2,8 para 3,0), assim como da média de dentes com cálculo (0,9 para 1,2). Por regiões de saúde, aos 12 e 15 anos, o Centro tinha a melhor média de sextantes saudáveis (5,1 e 5,0), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (4,8 e 4,2). Nos mesmos grupos etários, o número médio de sextantes com hemorragia à sondagem era maior na região Norte (5,2 e 5,3) e na região Alentejo (4,9 e 4,4). As regiões dos Açores e da Madeira tinham a média mais elevada de sextantes com cálculo (2 ou mais). Comparando os nossos dados com a investigação nacional disponível, realizada em 1997, nos mesmos grupos etários,15 verificou-se que aos 12 e aos 15 anos a percentagem de sextantes saudáveis aumentou, tal como a hemorragia gengival, especialmente à custa de uma diminuição da prevalência dos sextantes com cálculo. Nos grupos etários em análise, os indicadores de prevalência das doenças periodontais, reflectem, em primeiro lugar, o nível de higiene oral, revelando os

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dados recolhidos um perfil de saúde oral deficiente, que, apesar da melhoria, continua a exigir projectos efectivos de intervenção sobre a higiene oral das crianças e dos jovens. No âmbito das doenças periodontais, a OMS tem como objectivos específicos para 2020 reduzir o número de dentes perdidos devido ao tabaco, higiene oral deficiente, stress e doenças sistémicas. Ao longo dos anos, os fluoretos sistémicos e tópicos têm desempenhado um papel determinante na diminuição dos índices de cárie dentária nas populações que deles beneficiam. A investigação científica tem demonstrado que os fluoretos são efectivos na prevenção da cárie, especialmente quando uma baixa dosagem é mantida, constantemente, na cavidade oral. No entanto, o excesso de flúor também tem evidenciado efeitos adversos, que se podem traduzir na ocorrência de fluorose. A prevalência da fluorose, avaliada através do índice de Dean, aos 6, 12 e 15 anos era relativamente baixa, encontrando-se no grau “duvidoso” em 7%, 14% e 13 %, “leve e muito leve” em 4%, 7,2% e 6%, respectivamente. A fluorose de grau “moderado” foi observada em 1% de cada grupo etário e a de grau “intenso” entre 0,1% e 0,2%. Por regiões de saúde, da análise da fluorose dentária no grupo etário de referência da OMS, isto é os 12 anos, verificámos que os Açores apresentavam a percentagem mais elevada de casos de fluorose “duvidosos” (59%), observando-se o grau “muito leve a intenso”, maioritariamente, no Alentejo (17%) e nos Açores (16%). Na região de Lisboa e Vale do Tejo, apenas 1% dos jovens apresentava fluorose “muito leve”. A prevenção da cárie dentária passa pela utilização de fluoretos, os quais têm benefícios inegáveis, que foram confirmados, em Novembro de 2006, numa reunião de peritos da OMS, FDI e IADR.36 A OMS recomenda que seja avaliada a magnitude dos problemas orais e que, face à prevalência das doenças orais, a legislação dos países, os programas de saúde oral e a intervenção pública promovam o acesso aos fluoretos, através da água, sal e leite fluoretados, mas especialmente através de dentífricos fluoretados disponíveis a custos suportáveis pelas populações mais desfavorecidas.37 Como medida de saúde pública, recomenda, ainda, que os dentífricos fluoretados sejam isentados das taxas aplicadas aos produtos cosméticos.

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As preocupações da OMS prendem-se, por um lado, com o peso da doença nos grupos e nas populações de baixos recursos, onde, habitualmente, há défice de consumo de fluoretos; por outro, com o eventual impacto estético do excesso de flúor. Medidas de redução do risco de doenças orais No âmbito dos programas de intervenção desenvolvidos em Portugal, as medidas preventivas preconizadas incluíram sempre: a higiene oral com dentífricos fluoretados; a protecção dos dentes pré-molares, 1.ºs e 2.ºs molares permanentes com selantes de fissura e a administração de fluoretos em comprimidos ou bochechos quinzenais, em casa ou na escola. Em Portugal, a prestação de cuidados preventivos tem sido assegurada, em grande parte, pela rede de Centros de Saúde, através dos higienistas orais e das equipas de saúde escolar que integram médicos de família e de saúde publica, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos, entre outros. Aos 6, 12 e 15 anos a percentagem de crianças e jovens com dentes permanentes com selantes de fissura era de 3%, 38% e 20%, respectivamente, apresentando, estes grupos, uma média de 2,4, 4,2 e 4,4 dentes selados. As regiões que mais investiram na aplicação de selantes de fissura foram as de Lisboa e Vale do Tejo e da Madeira e a que revelou menor investimento foi a do Alentejo. De 199015 para 2005 a percentagem de crianças e jovens com selantes de fissura passou, aos 6 anos, de 0,4% para 3%, aos 12 anos, de 1,7% para 38% e aos 15 anos de 1,8% para 20%. No Estudo Nacional de Espanha (2005) a percentagem de jovens de 12 e 15 anos com dentes permanentes com selantes era de 34% e 29% com uma média de 1,04 e 1,05, respectivamente. Em 2004, a European Association of Pediatric Dentistry
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publicou recomendações

sobre o uso de selantes de fissura, advogando que os mesmos não devem ser usados por rotina, em todas as crianças e em todos os dentes, mas aplicados com base na avaliação do risco individual.

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A evidência científica refere que a aplicação dos selantes nas superfícies oclusais dos dentes é efectiva na prevenção da cárie dentária, mas a sua utilização deve ter em conta o nível de cárie individual.39 Em programas comunitários, a recomendação deve ser baseada em factores adicionais, tais como a acessibilidade, os recursos comunitários e a disponibilidade de outras medidas preventivas. Por isso, no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, foi definida e normalizada uma estratégia que permite identificar os factores de risco individuais e os procedimentos preventivos para as crianças e jovens de alto risco à cárie dentária. 40 A administração de fluoretos em comprimidos ou bochechos quinzenais, em casa ou na escola foi um dado recolhido através de questionário de auto-preenchimento e entrevista. Aos 6 anos, ressaltou a toma de comprimidos e aos 12 e 15 anos o bochecho fluoretado foi referido apenas por cerca de 20% dos jovens. As regiões onde o bochecho fluoretado foi feito por maior número de jovens foram a Madeira, o Algarve, o Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo. Promoção da saúde oral Os determinantes das doenças orais, tais como os hábitos de higiene oral a educação alimentar, o tabaco e o álcool são comuns a muitas outras doenças crónicas. Os programas de saúde oral desenvolvidos em Portugal fizeram, sempre, apelo à promoção da saúde oral, num contexto mais vasto da promoção de estilos de vida saudáveis e de prevenção das doenças, em geral, e das doenças orais, em particular. Da analise dos determinantes de saúde que mais influenciam a saúde oral – a escovagem dos dentes com uma pasta dentífrica fluoretada, verificámos que aos 6, 12 e 15 anos de idade, 50%, 67% e 69% dos jovens, respectivamente, diziam escovar os seus dentes duas mais vezes por dia. As regiões de saúde com melhores taxas de escovagem dos dentes eram a Madeira, aos 6 anos e Lisboa e Vale do Tejo aos 12 e 15 anos. Comparando os nossos resultados com os do Estudo sobre a Saúde dos Adolescentes,20 integrado no Health Behaviour in School-aged Children, da OMS,

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realizado em 2006, verificamos que, nesta amostra, representativa dos jovens portugueses de 15 anos de idade, 63% referiam escovar os dentes mais de uma vez por dia. Em Espanha (2005) a percentagem de jovens, de 15 anos, que dizia escovar os dentes, diariamente, era de 85%. A escovagem dos dentes ao deitar era executada por cerca de metade dos jovens, em especial pelos da região da Madeira e os que com menos frequência referiram fazê-la residiam na região Centro. O fio dentário era utilizado por cerca de 25% dos jovens de 12 e 15 anos, mas com uma regularidade que possamos considerar eficaz, isto é, uma ou mais vezes por dia, apenas o faziam 14% e 10% dos jovens dos respectivos grupos etários. As regiões onde os jovens usavam o fio dentário com mais frequência eram o Algarve e Lisboa e Vale do Tejo. O Alentejo e o Norte apresentavam valores inferiores à média nacional. As fontes de aprendizagem da escovagem dos dentes eram, para a maioria dos jovens, a casa e depois a escola, destacando-se na Madeira, a escola, como o local de aprendizagem mais relevante. Uma alimentação saudável tem um impacto positivo na saúde em geral e na saúde oral em particular. Existe uma conexão clara entre o tipo de alimentos e a frequência da sua ingestão com o desenvolvimento de cárie dentária, defeitos do esmalte, erosão dentária e doenças periodontais, especialmente se não forem tomadas medidas preventivas adequadas. Por isso, é importante analisar o conteúdo e a frequência da ingestão de alimentos e bebidas pelos jovens, quer enquanto factor de risco de doenças orais, quer pelo efeito benéfico que a educação alimentar tem na redução das doenças crónicas. Aos 12 e 15 anos de idade os alimentos mais frequentemente ingeridos pelos jovens eram o leite (90%), a fruta (93%) e os sumos naturais (86%), mas também faziam parte da sua dieta semanal os chocolates (85%) e os bolos de pastelaria (80%), cuja frequência aumentava com a idade. Nestes grupos etários mais de 75% dos jovens comia várias vezes por semana bolachas (74%), rebuçados e gomas (77%) e bebia leite achocolatado (78%) e refrigerantes com gás (78%).

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Comparando os resultados do ENPDO 2005/6 com os da Saúde dos Adolescentes Portugueses,20 verificamos que existe um comportamento alimentar semelhante ao por nós identificado, já que, aos 15 anos de idade, 91% dos jovens referiam comer fruta, 88% diziam comer doces e 77% afirmavam beber refrigerantes uma ou mais vezes por semana. Na Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Maio de 2007, foi aprovada uma resolução sobre saúde oral, intitulada Oral Health: action plan for promotion and integrated disease prevention.41 Nela é solicitado aos Estados Membros que adoptem medidas que assegurem a incorporação da saúde oral nas políticas de prevenção e tratamento das doenças transmissíveis e não transmissíveis, assim como nas políticas de saúde da mulher e da criança. Esta resolução revela bem a importância das estratégias globais de promoção da saúde e prevenção das doenças crónicas, cujos determinantes são comuns às doenças orais. Qualidade de vida em saúde oral A investigação em saúde tem cada vez mais a preocupação com a avaliação da qualidade de vida, até porque é necessário evidenciar o peso que as doenças orais têm na saúde física e psicológica dos indivíduos. Existe uma grande variedade de instrumentos, sendo a informação, normalmente, obtida por questionários, os quais nos dão perfis, mais gerais ou mais específicos. A qualidade de vida em saúde oral é um território novo, quer em termos de investigação, quer de análise, que exige uma leitura cautelosa dos resultados do ENPDO 2005/6, já que, nos grupos etários avaliados a cárie dentária severa afectava um número limitado de jovens e a frequência de respostas nos itens «muitas vezes e sempre» era muito baixa. Por isso, o impacto das doenças orais na qualidade de vida, dos jovens de 12 e 15 anos, em termos de limitações funcionais, escolares e familiares era referido com uma frequência mais elevada (‘muitas vezes’ e ‘sempre’ na escala de Likert), principalmente para as actividades escolares e, mesmo para essas actividades, apenas por 2% e 4% dos jovens. Por regiões de saúde, aos 12 anos, os jovens que referiram mais frequentemente dor de dentes com impacto na sua vida diária eram os do Norte e dos Açores. Aos 15 anos, eram os jovens do Centro e do Norte os mais queixosos.

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A OMS prevê, para 2020, uma redução dos episódios de dor, do número de dias de absentismo escolar, de perturbação nas actividades do dia-a-dia e uma redução do impacto causado pelos problemas orais na funcionalidade. A qualidade de vida em saúde oral tem um quadro conceptual bem estabelecido, instrumentos de avaliação passíveis de serem usados e um conjunto de indicadores que fazem parte do Sistema de Vigilância da Saúde na Europa.25 No futuro, os instrumentos de avaliação disponíveis deverão ser testados para a população portuguesa, especificamente para a população infantil e juvenil, aprofundados e disseminados, para que, do seu uso sistemático possamos compreender melhor o impacto dos problemas orais na qualidade de vida dos portugueses. Utilização dos serviços de saúde A acessibilidade, a periodicidade e os motivos que levam os jovens a procurar cuidados de saúde oral pode estar limitada por motivos financeiros, geográficos ou de distribuição dos recursos técnicos e humanos. Em Portugal, os serviços de saúde têm, ao longo dos últimos 20 anos, desenvolvido actividades preventivas universais, orientadas para a redução do risco e a prestação de cuidados de saúde primários. No ano 2000, iniciou-se um processo de contratualização de cuidados médico-dentários com prestadores privados, que pretendeu promover a equidade no acesso, especialmente das crianças até aos 16 anos.42 No ENPDO 2005/6, 40% das crianças de 6 anos foram a pelo menos uma consulta com médico dentista ou com higienista oral no último ano. Aos 12 e aos 15 anos, 85% dos jovens teve acesso a cuidados de saúde oral. Nos resultados obtidos quando comparados com outros estudos nacionais15, verificou-se que é cada vez maior a acessibilidade por parte dos jovens a cuidados médico-dentários. Aos 12 e aos 15 anos, mais de 60% dos jovens foram uma ou mais vezes por ano a consultas de saúde oral, sendo os seus principais motivos a vigilância da saúde da boca e dos dentes (56% e 39%) e os tratamentos dentários (22% e 36%). Por regiões de saúde, os jovens de 12 anos, da Madeira, do Algarve e de Lisboa e Vale

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do Tejo foram, maioritariamente, para vigilância da boca e os jovens de 15 anos, da Madeira, do Alentejo e do Centro foram, principalmente, para tratamentos dentários. Das recomendações da Assembleia Mundial da Saúde de 2007,41 uma delas, vai no sentido de os Estados Membros terem mecanismos que lhes permitam prover cuidados de saúde oral essenciais às populações e serviços de saúde oral direccionados para a prevenção da doença e a promoção da saúde, especialmente para os mais desfavorecidos. Face aos dados apresentados, importa reforçar o acesso a cuidados de saúde oral ao grupo com 6 anos ou menos. Percepção do estado de saúde oral A percepção e a avaliação positiva que os jovens fazem de si próprios é importante, mas não está, necessariamente, associada a comportamentos adequados. No ENPDO 2005/6, apenas 6% e 9% dos jovens de 12 e 15 anos, consideram ‘má ou muito má’ a saúde da sua boca. Os jovens com pior percepção da sua saúde oral residem no Norte, no Algarve e na Madeira. Esta é uma área onde futura investigação é necessária, não só para confirmar o entendimento do conceito, como também para validar, por grupos e por género, a importância atribuída à saúde oral. Caracterização sociodemográfica da população em estudo O estado da boca e dos dentes é condicionado por determinantes relacionados com conhecimentos e comportamentos, mas, enquanto persistirem desigualdades no acesso aos cuidados de saúde, um baixo nível educacional, baixos rendimentos e algumas crenças que em nada contribuem para a melhoria da saúde, o risco das doenças orais persistirá, especialmente entre as populações economicamente débeis e socialmente excluídas. As famílias de baixos recursos têm mais probabilidade de ter cárie dentária e de esta não ser tratada. A intervenção sobre os factores de risco das doenças orais passa pela compreensão e valorização das capacidades dos pais como potenciais agentes da promoção da saúde. Estes parâmetros são determinantes dos comportamentos e dos estilos de vida, que influenciam o nível de saúde ou doença, dos seus filhos.

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Por isso, no ENPDO 2005/6, fizemos uma caracterização sociofamiliar, sucinta, a partir do nível de escolaridade e profissão dos pais dos jovens de 12 e 15 anos. Os pais, dos jovens de 12 e 15 anos, inquiridos possuíam um nível de escolaridade baixo, tendo 30% a 40% atingido o 4.º ano de escolaridade ou menos e 20% a 30% o ensino secundário ou superior. Em ambos os grupos etários, o nível educacional mais elevado foi sempre atingido pela mãe. A maior parte dos pais tinha uma profissão e estava no activo. A taxa de desemprego oscilava entre os 2% e os 3% para ambos os progenitores. Os pais dos jovens de 12 e 15 anos que desempenhavam profissões como quadros superiores e especialistas eram de 8% a 12%. A percentagem de mães domésticas variava entre 25% e 30%. Uma estratégia de saúde oral que assegure mudanças sustentáveis no padrão de doença e na qualidade de vida deverá ter em conta a família, a escola e os parceiros sociais. Daí a importância de, para além do nível de escolaridade e da profissão dos pais, ser da maior utilidade conhecer o que sabem e o que podem fazer para se protegerem e para intervir na saúde da sua família e da sua comunidade. Este é o princípio básico da promoção da saúde que importa cruzar com os objectivos dos programas de saúde oral. Resumindo: O índice cpod/CPOD aos 6 anos era de 2,10 e de 0,07. Aos 12 e aos 15 anos, o índice de CPOD era de 1,48 e 3,04. As diferenças regionais são estatisticamente significativas em todos os grupos etários. A prevalência das doenças periodontais na população escolar de 12 anos era elevada, com 36% a apresentarem hemorragia à sondagem e outros tantos a apresentarem cálculo. Aos 15 anos, diminuiu a percentagem que apresentava hemorragia e aumentou a percentagem dos que apresentavam cálculo, o que representa um agravamento da situação periodontal. Na população escolar a prevalência de fluorose era baixa. Aos 6, 12 e 15 anos a percentagem de casos “duvidosos” era de 7%, 14% e 13 % e, nos graus “leve e muito leve” era 4%, 7,2% e 6%, respectivamente. A fluorose de grau “moderado” foi

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observada em 1% de cada grupo etário e de grau “intenso” entre 0,1% e 0,2%. Por regiões de saúde há diferenças estatisticamente significativas. Os conhecimentos sobre os determinantes de saúde oral, nomeadamente, a importância da escovagem dos dentes, durante o dia e ao deitar e, do uso do fio dentário são procedimentos que vão melhorando com o nível etário. No entanto, há diferenças regionais significativas e mensagens como “escovar os dentes ao deitar e usar o fio dentário, diariamente, reduzem a cárie dentária” que é urgente reforçar. Os comportamentos alimentares da população de 12 e 15 anos de idade eram muito semelhantes nos dois grupos, destacando-se o leite e a fruta como os alimentos ingeridos com mais frequência. Com as estratégias estabelecidas nos Programas de Saúde Oral, obtivemos ganhos em saúde, evidenciáveis, nomeadamente, no aumento da percentagem de crianças livres de cárie e na diminuição da gravidade da cárie dentária. Os números são expressivos: a percentagem de crianças livres de cárie, aos 6 anos, passou de 10% em 1986, para 33% em 2000 e para 51% em 2006. Aos 12 anos, o índice CPOD passou de 3,97 em 1986, para 2,95 em 2000 e para 1,48 em 2006. Com a estratégia da contratualização, obtivemos ganhos em saúde oral, que permitiu, de 2000 para 2006, aumentar a percentagem de dentes tratados em 30% e 20% nos jovens de 12 e de 15 anos, respectivamente. Os indicadores de saúde oral das crianças e adolescentes portugueses, aos 12 anos (1,48 em 2006), são melhores que os preconizados pela OMS em 2020 (1,50) e, na senda de uma aproximação às metas previstas para os 6 anos é necessário um investimento precoce e sustentado na saúde oral desde o nascimento e ao longo do ciclo de vida bem como, em todos os ambientes onde as crianças e jovens vivem e estudam. Com o Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, monitorizámos em 2005/6 a tendência dos indicadores de saúde oral e descobrimos novas áreas de investigação. A base de dados de que dispomos tem informação que nos permite continuar a aprofundar a investigação, correlacionar as variáveis de saúde e de doença com conhecimentos e comportamentos, bem como com todos os outros tópicos que o Estudo aborda.

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Recomendações
Os resultados do Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2005/6 constituem uma boa plataforma para a redefinição das estratégias de saúde oral e para a definição dos objectivos nacionais, tendo em conta as metas da OMS. A prevalência das doenças orais, as condições socioeconómicas das famílias e a acessibilidade a cuidados de saúde por parte das crianças e dos jovens constituem informação básica para a definição das prioridades regionais e locais. A baixa prevalência de cárie dentária aos 12 anos e a polarização da doença, em regiões específicas, impõem estudos mais detalhados das mesmas, para que se identifiquem os grupos mais vulneráveis ou as áreas onde a sua gravidade é maior e se reforcem as medidas preventivas. No entanto, alguns problemas persistem, especialmente antes dos 6 anos de idade, onde a dentição temporária não tem sido, suficientemente, preservada. O conhecimento dos determinantes de saúde que afectam a saúde oral e a qualidade de vida dos jovens são da maior importância para alavancar a definição de politicas de redução do risco e de promoção da saúde. Da análise da prevalência das doenças orais em Portugal e da sua evolução nos últimos 5 anos, recomenda-se, activamente, a implementação das estratégias definidas no Programa Nacional de Promoção Saúde Oral, o mais cedo possível, na vida das crianças. Da discussão dos resultados do ENPDO 2005/6, importa recomendar: 1. Que seja realizado um novo estudo nacional em 2010, com a metodologia usada no actual, para que se possa continuar a monitorizar a tendência do estado da saúde oral das crianças e dos jovens, bem como dos seus determinantes; 2. Que as estratégias de prevenção das doenças orais sejam integradas na promoção da saúde em geral, utilizando, para isso, uma abordagem holística de intervenção multifactorial sobre os riscos comuns às doenças crónicas;

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3. Que os programas de saúde oral assentem em projectos de boas práticas que permitam capacitar as crianças e os jovens para a assunção progressiva das suas responsabilidades com a saúde oral; 4. Que sejam criados serviços de saúde oral acessíveis às crianças e aos jovens, que integrem estratégias universais, isto é, dirigidas a toda a população, selectivas, quando pretendemos intervir sobre grupos de risco e, indicadas, porque os que têm doença necessitam de cuidados orais regulares, 5. Que sejam criadas parcerias interdisciplinares e intersectoriais para a promoção da saúde, a prevenção das doenças orais e a redução de desigualdades em saúde, para que, os projectos desenvolvidos neste âmbito encontrem condições favoráveis de sucesso; 6. Que o trabalho desenvolvido em meio escolar, desde o Jardim-de-infância às Escolas do Ensino Básico, tenha continuidade e reforce a promoção de estilos de vida saudáveis e a redução dos factores de risco de doenças orais, e seja complementado com a formação de educadores, professores, pais e restante comunidade educativa; 7. Que seja criado um sistema de recolha de informação epidemiológica, que inclua indicadores de processo e de resultados, para que, ao nível nacional, possamos ter informação, permanentemente actualizada, que nos permita avaliar o custo-efectividade das intervenções, mas também para que, ao nível local, uma avaliação satisfatória, sistematicamente, constitua um estímulo para outro tipo de apoios, nomeadamente, técnico e financeiro; 8. Que os instrumentos de avaliação da qualidade em saúde oral sejam melhorados, testados e aplicados à população portuguesa. Tendo em conta os objectivos da OMS, os valores dos índices CPOD e SiC e as diferenças regionais, urge implementar estratégias de prevenção específicas dirigidas aos grupos mais vulneráveis nos próximos anos. No futuro, a investigação deverá dar mais ênfase à avaliação do impacto da intervenção sobre os factores de risco comuns às doenças crónicas em geral, tais como a alimentação e o tabaco na redução das doenças orais.

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Índice de Quadros
Quadro 1 – Distribuição da população do estudo por regiões e grupo etário Quadro 2 – Distribuição da amostra segundo o género e o grupo etário Quadro 3: Nível de escolaridade dos pais dos jovens de 12 anos Quadro 4: Nível de escolaridade dos pais dos jovens de 15 anos Quadro 5: Profissão dos pais dos jovens de 12 anos Quadro 6: Profissão dos pais dos jovens de 15 anos Quadro 7: Percentagem de crianças e de jovens livres de cárie, por grupo etário e por regiões Quadro 8: Percentagem de crianças de 6 anos, com todos os dentes sãos na dentição temporária e, na dentição permanente, por região de saúde Quadro 9: Índice cpod/CPOD aos 6 anos de idade por regiões de saúde Quadro 10: Índice CPOD e índice SiC aos 12 anos de idade, por regiões de saúde Quadro 11: Índice CPOD e índice SiC aos 15 anos de idade, por regiões de saúde Quadro 12: Índice Comunitário Periodontal, aos 12 e aos 15 anos de idade Quadro 13: Prevalência de doença periodontal, aos 12 anos de idade, por regiões de saúde Quadro 14: Prevalência da doença periodontal, aos 15 anos de idade, por regiões de saúde Quadro 15: Índice de Dean por grupo etário Quadro 16: Índice de Dean aos 12 anos de idade por regiões de saúde Quadro 17: Número e percentagem de crianças com e sem dentes selados aos 6, 12 e 15 anos Quadro 18: Média de dentes com selantes no subgrupo com dentes selados aos 6, 12 e 15 anos de idade Quadro 19: Média de dentes com selantes aos 6, 12 e 15 anos de idade, por regiões de saúde Quadro 20: Suplementos de fluoretos usados pelos alunos de 6, 12 e 15 anos de idade Quadro 21: Suplementos de fluoretos utilizados pelos alunos de 6, 12 e 15 anos, por regiões Quadro 22: Frequência da escovagem dos dentes aos 6, 12 e 15 anos de idade Quadro 23: Frequência da escovagem dos dentes, antes de deitar, aos 6, 12 e 15 anos Quadro 24: Frequência da utilização do fio dentário pelos alunos de 12 e 15 anos de idade Quadro 25: Fontes de aprendizagem da escovagem dos dentes dos alunos de 6, 12 e 15 anos Quadro 26: Frequência da ingestão semanal de alguns alimentos aos 12 e 15 anos de idade Quadro 27: Dor de dentes segundo os jovens de 12 e 15 anos

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Quadro 28: Perturbação da frequência da actividade escolar segundo os jovens de 12 e 15 anos Quadro 29: Perturbação da relação com a família segundo os jovens de 12 e 15 anos Quadro 30: Perturbação da relação com os amigos segundo pelos jovens de 12 e 15 anos Quadro 31: Perturbação da relação com outras pessoas segundo pelos jovens de 12 e 15 anos Quadro 32: Frequência da consulta de saúde oral, no último ano, pelos alunos de 6, 12 e 15 anos Quadro 33: Periodicidade com que os jovens de 12 e 15 anos foram à consulta de saúde oral Quadro 34: Motivos da consulta de saúde oral, no último ano, pelos alunos de 12 e 15 anos Quadro 35: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 12 e 15 anos Quadros do Anexo 6 Escovagem dos dentes Quadro 1: Frequência da escovagem dos dentes aos 6 anos de idade, por regiões Quadro 2: Frequência da escovagem dos dentes aos 12 anos de idade, por regiões Quadro 3: Frequência da escovagem dos dentes aos 15 anos de idade, por regiões Escovam os dentes antes de deitar Quadro 4: Frequência de crianças de 6 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões Quadro 5: Frequência de jovens de 12 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões Quadro 6: Frequência de jovens de 15 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões Fio dentário Quadro 7: Frequência da utilização do fio dentário aos 12 anos por regiões de saúde Quadro 8: Frequência da utilização do fio dentário aos 15 anos, por regiões de saúde Fontes de aprendizagem Quadro 9: Fontes de aprendizagem da escovagem dos alunos de 6 anos por regiões Quadro 10: Fontes de aprendizagem da escovagem dos alunos de 12 anos por região Quadro 11: Fontes de aprendizagem da escovagem dos jovens de 15 anos por regiões Qualidade de Vida Quadro 12: Dor de dentes segundo os jovens de 12 e 15 anos por regiões Quadro 13: Perturbação da actividade escolar segundo os jovens de 12 e 15 anos por regiões Quadro 14: Perturbação da relação com a família segundo os jovens de 12 e 15 anos por região Quadro 15: Perturbação da relação com os amigos segundo os jovens de 12 e 15 anos por região

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Quadro 16: Perturbação da relação com outras pessoas aos 12 e 15 anos por regiões

Acessibilidade a cuidados de saúde oral Quadro 17: Periodicidade da consulta de saúde oral, aos 12 anos, por regiões de saúde Quadro 18: Periodicidade da consulta de saúde oral, aos 15 anos, por regiões de saúde Autopercepção do estado de saúde oral Quadro 19: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 12 anos, por regiões Quadro 20: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 15 anos, por regiões

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Índice de Figuras
Figura 1. Distribuição dos alunos observados, por Regiões e grupo etário Figura 2: Percentagem de alunos de 6, 12 e 15 anos observados, segundo o género Figura 3: Percentagem de crianças livres de cárie dentária, por grupo etário Figura 4: Percentagem de crianças e de jovens livres de cárie, por grupo etário e por regiões Figura 5: Percentagem de crianças de 6 anos, com todos os dentes sãos, na dentição temporária e na dentição permanente, por regiões de saúde Figura 6: Índice CPOD aos 6, 12 e 15 anos Figura 7: Prevalência da doença periodontal aos 12 e 15 anos Figura 8: Índice de Fluorose aos 6, 12 e 15 anos Figura 9: Índice cpod/CPOD aos 6 anos de idade, por regiões de saúde Figura 10: Percentagem de dentes temporários cariados, perdidos e obturados, aos 6 anos, com índice cpod>0, por regiões Figura 11: Índice de CPOD e Índice SiC, aos 12 anos de idade, por regiões de saúde Figura 12: Percentagem de jovens com dentes Cariados, Perdidos e Obturados aos 12 anos, com índice CPOD>0, por regiões Figura 13: Índice CPOD e Índice SiC aos 15 anos de idade, por regiões de saúde Figura 14: Percentagem de dentes Cariados, Perdidos e Obturados em jovens de 15 anos, com índice CPOD>0, por regiões Figura 15: Número médio de sextantes com doença periodontal, aos 12 e 15 anos Figura 16: Prevalência da doença periodontal aos 12 e 15 anos, por regiões Figura 17: Média de Sextantes com doença periodontal aos 12 e 15 anos, por regiões Figura 18: Percentagem de crianças com e sem fluorose, por grupo etário Figura 19: Percentagem de crianças com e sem fluorose, aos 12 anos, por regiões de saúde Figura 20: Percentagem de crianças com e sem dentes selados aos 6, 12 e 15 anos de idade Figura 21: Número médio de selantes aplicados em cada grupo etário, por regiões Figura 22: Média de selantes nos subgrupos com selantes aplicados, por regiões Figura 23: Percentagem de alunos de 6, 12 e 15 anos que utilizavam suplementos de fluoretos Figura 24: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que escovavam dos dentes Figura 25: Percentagem de crianças com 6 anos que escovavam os dentes por regiões

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Figura 26: Percentagem de jovens com 12 anos que escovavam os dentes por regiões Figura 27: Percentagem de jovens com 15 anos, que escovavam os dentes, por regiões Figura 28: Percentagem de crianças de 6, 12 e 15 anos, que escovavam os dentes, antes de deitar Figura 29: Percentagem de crianças de 6 anos, que escovavam os dentes, antes de deitar, por regiões Figura 30: Percentagem de jovens de 12 anos que escovavam os dentes antes de deitar, por regiões Figura 31: Percentagem de jovens de 15 anos que escovavam os dentes antes de deitar, por regiões Figura 32: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que utilizavam fio dentário Figura 33: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que utilizavam o fio dentário, uma ou mais vezes por dia, por regiões de saúde Figura 34: Fontes de aprendizagem da escovagem, segundo os alunos de 6, 12 e 15 anos de idade Figura 35: Fontes de aprendizagem da escovagem nas crianças de 6 anos por regiões Figura 36: Fontes de aprendizagem da escovagem, nos jovens de 12 anos, por regiões Figura 37: Fontes de aprendizagem da escovagem, nos jovens de 15 anos, por regiões Figura 38: Ingestão semanal de alguns alimentos aos 12 anos de idade Figura 39: Ingestão semanal de alguns alimentos aos 15 anos de idade Figura 40: Comparação da ingestão de alguns alimentos aos 12 e 15 anos de idade Figura 41: Limitações causadas pelos problemas de saúde oral na actividade escolar, na vida da família, nas relações com os amigos e com outros, aos 12 e 15 anos Figura 42: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que frequentaram consultas no último ano Figura 43: Percentagem de jovens de 6, 12 e 15 anos que frequentaram consultas, por regiões Figura 44: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos, que frequentaram consultas de saúde oral Figura 45: Percentagem de jovens de 12 e 15 anos que frequentaram consultas de saúde oral, por regiões de saúde Figura 46: Principais motivos da ida a consulta de saúde oral pelos jovens de 12 e 15 anos Figura 47: Motivos da consulta dos jovens de 12 e 15 anos, por regiões Figura 48: Autopercepção do estado de saúde oral aos 12 e 15 anos Figura 49: Percepção do estado de saúde oral segundo os jovens de 12 e 15 anos, por regiões

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Abreviaturas

ARS dd DD DGIDC DGS ESMDL FMDUL HO IADR IC ICP ID Índice cpod Índice CPOD Índice SiC OMS PNPSO PPSOCA RA SPSS SRS WDF WHO

Administração Regional de Saúde Dentição decídua Dentição Permanente Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular Direcção-Geral da Saúde Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa Higienista Oral International Association for Dental Research Índice de Concordância Índice Comunitário Periodontal Índice de Dean Número médio de dentes cariados, perdidos e obturados na dentição temporária Número médio de dentes cariados, perdidos e obturados na dentição permanente Índice Significativo de Cárie Organização Mundial da Saúde Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral Programa de Promoção da Saúde Oral em Crianças e Adolescentes Região Autonoma Statistical Package for Social Sciences Secretaria Regional de Saúde World Dental Federation World Health Organization

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Anexos 1
Carta para os Encarregados de Educação e pedido de autorização para a participação das crianças no Estudo

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Anexos 2
Ficha de observação dentária

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Anexos 3
Questionário dirigido aos alunos de 6 anos

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Anexos 4 Questionário dirigido aos alunos de 12 e 15anos

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Anexos 5 Critérios de observação e registo
• Dente são (A/0): dente que não apresenta evidência clínica de cárie dentária, tratada ou não. São consideradas sãs as manchas brancas, manchas pigmentadas ou rugosas que não estão amolecidas no toque com a sonda, fissuras ou fossetas pigmentadas que não têm sinais visuais de esmalte não suportado ou amolecimento das paredes ou do fundo detectáveis com a sonda., lesões que com base na sua localização e na história ou na sua observação aparentam ter sido provocadas por atrição oclusal ou abrasão cervical e zonas escurecidas, duras, com depressões do esmalte em dentes mostrando sinais de fluorose moderada ou intensa. As formas não cavitadas de cárie estão excluídas. Sempre que há dúvida quanto à existência de cárie regista-se dente são. Dente cariado (B/1): dente, que à observação, apresenta indubitavelmente uma cavidade, com esmalte não suportado ou fundo amolecido. Consideram-se igualmente cariados os dentes que apresentam uma obturação provisória e os que, apesar de restaurados ou selados, têm uma superfície cariada ou com recidiva de cárie. Se necessário confirmar o diagnóstico com sonda periodontal. Quando há dúvida sobre se o dente está cariado ou não, o dente é considerado são. Dente obturado com cárie (C/2): dente em que se verifica a existência de uma ou mais obturações e uma ou mais cáries, sendo estas recidivas ou não, isto é, sem distinção entre cáries primárias e secundárias. Dente obturado sem cárie (D/3): dente em que se verifica a existência de uma ou mais obturações permanentes, sem recidivas de cárie dentária nem outras cáries noutras faces. Excluem-se as obturações por razões traumáticas ou estéticas. Dente perdido devido a cárie (E/4): dente que foi extraído devido a cárie. Estão excluídas extracções por ortodontia, ausências congénitas, trauma e doença periodontal. Na dentição decídua tem que se avaliar se a extracção foi por cárie ou se se trata de esfoliação natural. Na dentição permanente, dos 6 aos 10-11 anos surgem dúvidas semelhantes. Dente perdido por outros motivos (-/5): caso aplicado apenas a dente permanente extraído por ortodontia, devido a doença periodontal, trauma, ou que está ausente por razões congénitas. Dente selado (F/6): dente que apresenta um selante na sua superfície oclusal. Independentemente de estar integro ou não. Se tem selante e está cariado registar cariado (B/1) Se o selante foi colocado juntamente com uma obturação preventiva, registar obturado (D/3) – situação muito difícil de diagnosticar. Dente com implante ou prótese fixa (G/7): dente suporte de prótese, implante, ponte, coroa ou faceta. Se tivermos informação que a coroa ou faceta foi colocada devido a cárie, registar como obturado (D/3). Se tivermos informação que o implante ou o elemento da ponte foi colocado devido a dente perdido por cárie, registar E/4. Se o implante ou o elemento da ponte foi colocado por outros motivos que não a cárie, registar -/5 Dente não erupcionado (-/8) – caso aplicado apenas a dente permanente e é utilizado apenas para um espaço dentário com um dente permanente não erupcionado mas sem dente decíduo. Os dentes classificados como não erupcionados são excluídos de todos os cálculos relativos à cárie dentária. Esta categoria não inclui os dentes com ausência congénita (-/5), nem os dentes perdidos por traumatismo (T), ortodontia (-/5) ou doença periodontal (-/5). Molares decíduos ausentes aos 6 anos, normalmente estão ausentes devido a cárie. Nesta idade forem os incisivos a estarem ausentes regista-se dente não erupcionado. Coroa parcialmente erupcionada e sã regista-se A/0. Dente excluído (-/9) – este código é utilizado para quaisquer dentes permanentes erupcionados que não possam ser examinados por qualquer razão (ex.: bandas ortodonticas, hipoplasia acentuada) Dente com traumatismo (T/T) – quando parte da sua superfície está ausente devido a traumatismo e não há evidência de cárie mesmo que reconstruído (diagnóstico difícil).

• •

• •

• •

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Anexos 6
Escovagem dos dentes

Quadro 1: Frequência da escovagem dos dentes aos 6 anos de idade, por regiões Escovagem dos dentes/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
2 ou mais vezes/dia 1x dia Às vezes Não escova Não respondeu Total

61 28 82 53 75 45 101 445

28 9 64 18 41 31 19 210

35 51 7 47 26 27 13 206

9 5 1 3 6 2 1 27

0 0 1 0 0 0 1 2

133 93 155 121 148 105 135 890

Quadro 2: Frequência da escovagem dos dentes aos 12 anos de idade, por regiões Escovagem dos dentes/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
2 ou mais vezes/dia 1x dia Às vezes Não escova Não respondeu Total

68 69 92 85 99 68 77 558

42 20 25 21 32 20 24 184

16 13 8 17 7 11 17 89

0 2 0 1 0 0 0 3

1 1 1 0 0 0 0 3

127 105 126 124 138 99 118 837

Quadro 3: Frequência da escovagem dos dentes aos 15 anos de idade, por regiões Escovagem dos dentes/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
2 ou + vezes/ dia 1x dia Às vezes Não escova Não respondeu Total

82 84 107 102 98 54 85 612

23 37 18 12 30 36 27 183

16 17 5 11 5 13 12 79

1 1 0 1 3 0 2 8

1

123 139 130 126 136

1 1 3

104 127 885

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

107

Escovam os dentes antes de deitar

Quadro 4: Frequência de crianças de 6 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões

Escovagem dos dentes ao deitar/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

Sempre

Muitas vezes

Poucas vezes

Nunca

Não respondeu

Total

21 19 61 39 42 48 79 309

43 19 44 18 37 17 22 200

48 36 28 40 48 29 18 247

21 19 20 24 21 11 16 132

0 0 1 0 0 0 1 2

133 93 154 121 148 105 136 890

Quadro 5: Frequência de jovens de 12 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões

Escovagem dos dentes ao deitar/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

Sempre

Muitas vezes

Poucas vezes

Nunca

Não responde

Total

62 49 71 62 79 46 56 425

21 22 30 21 26 19 22 161

38 26 25 36 27 27 30 209

5 6 0 4 6 7 10 38

1 2 0 1 0 0 0 4

127 105 126 124 138 99 118 837

Quadro 6: Frequência de jovens de 15 anos que escovam os dentes antes de deitar, por regiões Escovagem dos dentes ao deitar/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Sempre Muitas vezes Poucas vezes Nunca Não responde Total

61 63 66 69 56 31 53 399

23 29 34 26 46 28 35 221

30 40 28 27 24 31 33 213

9 7 2 4 8 13 6 49

0 0 0 0 2 1 0 3

123 139 130 126 136 104 127 885

108

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Fio dentário

Quadro 7: Frequência da utilização do fio dentário aos 12 anos por regiões de saúde Fio dentário / Região de Saúde Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Mais de 1 vez/dia Uma vez/dia Algumas vezes/semana Algumas vezes/mês Não utiliza Não responde Total

3 4 6 6 7 3 7 36

14 10 15 4 18 9 11 81

7 10 7 7 9 6 9 55

5 3 7 3 7 12 1 38

98 77 91 104 96 68 89 623

0 1 0 0 1 1 1 4

127 105 126 124 138 99 118 837

Quadro 8: Frequência da utilização do fio dentário aos 15 anos, por regiões de saúde Fio dentário / Região de Saúde Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Mais 1 vez/dia Uma vez/dia Algumas vezes/semana Algumas vezes/mês Não utiliza Não responde Total

1 1 4 4 5 3 4 22

7 11 9 8 14 7 13 69

5 10 14 5 8 6 8 56

2 7 5 5 4 2 4 29

107 110 98 104 105 81 98 703

1 0 0 0 0 5 0 6

123 139 130 126 136 104 127 885

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

109

Fontes de aprendizagem

Quadro 9: Fontes de aprendizagem da escovagem dos alunos de 6 anos por regiões Aprendizagem da escovagem / Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Casa Escola Centro Saúde Consultório Não me lembro/ não responde

88 60 120 66 98 84 70 586

11 19 34 17 8 7 64 160

4 1 0 1 0 1 1 8

8 3 1 2 2 1 0 17

22 10 0 35 40 12 0 119

Quadro 10: Fontes de aprendizagem da escovagem dos alunos de 12 anos por região
Aprendizagem da escovagem / Região de Saúde
Casa Escola Centro Saúde Consultório Revistas/ Jornais TV/rádi o Embala gens Não ensinaram Não se lembra

Total

Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

75 67 78 73 74 68 66 501

12 16 16 32 28 8 39 151

2 1 2 1 4 8 0 18

10 6 12 4 15 2 1 50

0 0 0 0 1 0 0 1

1 0 0 0 0 0 1 2

0 1 1 0 0 0 0 2

10 4 2 5 4 2 3 30

17 10 15 9 12 11 8 81

127 105 126 124 138 99 118 837

Quadro 11: Fontes de aprendizagem da escovagem dos jovens de 15 anos por regiões
Aprendizagem da escovagem / Região de Saúde Casa Escola Centro Saúde Consul -tório Revista s/jornai s TV/ rádio Embalagens Não ensinaram Não se lembra Total

Norte Centro Lisboa V Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

72 75 78 66 81 71 57 500

16 14 23 28 17 7 39 144

1 3 2 1 2 5 4 18

11 15 16 14 11 3 13 83

0 1 0 0 0 1 1 3

0 2 0 1 1 0 0 4

1 0 0 0 0 0 0 1

8 10 6 6 13 7 4 54

14 19 5 10 11 10 9 78

123 139 130 126 136 104 127 885

110

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Qualidade de Vida Quadro 12: Dor de dentes segundo os jovens de 12 e 15 anos por regiões Dor de dentes Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
N.º

12 Anos
% N.º

15 Anos
%

51 38 45 42 32 50 36 294

17,3 12,9 15,3 14,3 10,9 17,0 12,2 100,0

67 70 50 48 41 38 53 367

18,3 19,1 13,6 13,1 11,2 10,4 14,4 100,0

Quadro 13: Perturbação da actividade escolar segundo os jovens de 12 e 15 anos por regiões Perturbação escolar/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Nunca 12 A 15 A Raras vezes 12 A 15 A Às vezes 12 A 15 A Muitas vezes 12 A 15 A Sempre 12 A 15 A

22 18 21 18 15 30 10 134

43 32 23 23 20 11 18 170

17 10 17 7 12 9 16 88

18 31 14 15 10 11 22 121

13 10 8 13 3 7 9 63

8 8 11 7 9 15 13 71

2 0 0 2 1 2 0 7

0 0 3 1 1 1 0 6

0 0 0 2 0 2 1 5

0 0 0 1 0 0 0 1

Quadro 14: Perturbação da relação com a família segundo os jovens de 12 e 15 anos por região Perturbação familiar/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Nunca 12 A 15 A Raras vezes 12 A 15 A Às vezes 12 A 15 A Muitas vezes 12 A 15 A Sempre 12 A 15 A

23 22 31 26 22 31 11 166

45 42 28 29 20 13 26 203

19 9 5 6 7 8 13 67

16 16 15 8 12 10 15 92

10 3 7 6 2 7 8 43

6 10 7 8 6 8 10 55

1 1 1 0 0 2 2 7

0 1 0 1 3 3 1 9

0 2 1 2 0 1 1 7

2 1 0 1 0 1 1 6

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

111

Quadro 15: Perturbação da relação com os amigos segundo os jovens de 12 e 15 anos por região

Perturbação relação com os amigos/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional

Nunca 12 A 15 A

Raras vezes 12 A 15 A

Às vezes 12 A 15 A

Muitas vezes 12 A 15 A

Sempre 12 A 15 A

33 26 27 23 23 30 15 177

54 43 33 28 24 13 23 218

13 6 9 9 5 9 12 63

10 17 10 13 9 8 18 85

7 5 7 3 2 6 6 36

4 8 6 6 5 11 9 49

0 0 0 2 0 0 1 3

1 0 1 0 3 1 0 6

0 0 1 2 0 1 0 4

0 0 0 0 0 1 0 1

Quadro 16: Perturbação da relação com outras pessoas aos 12 e 15 anos por regiões Perturbação na relação com outras pessoas/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Nunca 12 A 15 A Raras vezes 12 A 15 A Às vezes 12 A 15 A Muitas vezes 12 A 15 A Sempre 12 A 15 A

35 28 37 27 27 33 23 210

58 49 36 32 29 17 29 250

11 7 4 5 3 8 9 47

9 13 9 6 9 11 14 71

6 2 2 5 0 3 1 19

1 5 4 6 2 3 7 28

0 0 0 0 0 1 1 2

1 0 1 1 1 2 0 6

0 0 0 1 0 0 0 1

0 0 0 1 1 0 0 2

112

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

Acessibilidade a cuidados de saúde oral

Quadro 17: Periodicidade da consulta de saúde oral, aos 12 anos, por regiões de saúde Periodicidade da consulta/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Mensal Trimestral Semestral Anual Ocasional Total

14 5 5 11 5 8 6 54

20 10 21 11 20 8 14 104

24 31 22 20 30 21 25 173

14 16 24 17 25 19 23 138

37 23 37 42 46 31 26 242

109 85 109 101 126 87 94 711

Quadro 18: Periodicidade da consulta de saúde oral, aos 15 anos, por regiões de saúde Periodicidade da consulta/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Mensal Trimestral Semestral Anual Ocasional Total

16 19 12 13 9 4 6 79

14 16 14 15 8 8 9 84

15 17 16 20 20 14 15 117

24 26 19 19 33 27 21 169

40 47 52 38 46 32 49 304

109 125 113 105 116 85 100 753

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais

113

Autopercepção do estado de saúde oral

Quadro 19: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 12 anos, por regiões Percepção da saúde/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Muito bom Bom Razoável Mau Muito mau Não responde Total

9 5 12 6 12 5 4 53

49 34 57 46 59 38 39 322

61 57 48 61 60 52 71 410

7 6 6 9 5 4 3 40

1 1 3 2 1 0 1 9

0 2 0 0 1 0 0 3

127 105 126 124 138 99 118 837

Quadro 20: Autopercepção do estado de saúde oral, aos 15 anos, por regiões Percepção da saúde/ Região de Saúde Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Açores Madeira Nacional
Muito bom Bom Razoável Mau Muito mau Não responde Total

7 11 7 7 11 2 2 47

41 45 53 46 53 26 31 295

61 71 58 62 57 69 79 457

13 9 11 9 12 5 12 71

1 2 1 1 3 1 2 11

0 1 0 1 0 1 1 4

123 139 130 126 136 104 127 885

114

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