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SENADO FEDERAL Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle - CONORF

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL PLANOS E ORÇAMENTOS PÚBLICOS: Conceitos, Elementos Básicos e Resumo dos Projetos de Leis do Plano Plurianual/2000-2003 e do Orçamento/2002 LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

Brasília, março de 2.002.

ÍNDICE APRESENTAÇÃO ..............................................................................3 I - O ORÇAMENTO PÚBLICO..........................................................4 II – O MODELO ORÇAMENTÁRIO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988.......................................................................................................5 III – O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO ANUAL E DO PLANO PLURIANUAL ............................................9 IV – O PPA PARA O PERÍODO 2000 - 2003 ................................14 V –ORÇAMENTO PARA O EXERCÍCIO DE 2002......................17 V.1- AS RECEITAS.......................................................................18 V.2 - AS DESPESAS.....................................................................19 V.2.1 – DESPESA POR ÓRGÃO (CLASSIFICAÇÃO INSTITUCIONAL).....................................................................20 V.2.2 - DESPESA POR FUNÇÃO ......................................20 V.2.3 – DESPESA POR PROGRAMAS ............................21 V.2.4 –DESPESA POR CATEGORIA ECONÔMICA E POR NATUREZA ....................................................................22 VI - O ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO DAS EMPRESAS ESTATAIS..........................................................................................24 VII - AS AGÊNCIAS OFICIAIS DE FOMENTO ...........................24 VIII - RESULTADO ORÇAMENTÁRIO ........................................24 IX – RESULTADOS PRIMÁRIO E OPERACIONAL..................25 XI - GLOSSÁRIO DE TERMOS ORÇAMENTÁRIOS .................30 XI – OBRAS CONSULTADAS:.......................................................36

APRESENTAÇÃO Esta cartilha é uma iniciativa da CONORF e tem por objetivo trazer o orçamento público – e o universo que o cerca – para perto de todos aqueles que, por dever de ofício ou interesse intelectual, desejem familiarizar-se neste tema. Por essa razão, e tanto quanto possível, procuramos seguir uma linguagem simples e direta, com um mínimo de termos técnicos, apresentando os principais conceitos e as diversas etapas que compõem o chamado “processo orçamentário da União”. Ao final, apresentamos também um glossário de termos técnicos para auxiliar a leitura. Como exemplos práticos, enfocamos os principais aspectos dos Projetos de Leis do Plano Plurianual 2000/2003 e do Orçamento da União para 2002. Esperamos que a leitura deste texto seja proveitosa e, ao mesmo tempo, agradecemos as sugestões e críticas que possam contribuir para o seu aperfeiçoamento. 1 José Rui Gonçalves Rosa Consultor-Geral (Email:joserui@senado.gov.br).
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Trabalharam neste documento os Consultores de Orçamentos do Senado Federal José Rui Gonçalves Rosa, Ana Cláudia Castro Silva Borges, Joaquim Ornelas Neto, Orlando Neto, Luiz Gonçalves de Lima Filho e Ilvo Debus (aposentado). A revisão ortográfica foi feita por Maria Espedita. Os gráficos foram gentilmente cedidos por Eugênio Greggianin, Diretor da Consultoria de Orçamentos da Câmara dos Deputados.

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que exprime. e aquelas que envolvem a tomada de recursos de terceiros (empréstimos ou operações de créditos) e as derivadas da venda de ativos governamentais. Do lado das despesas. Como exemplos de receitas. aquelas mais importantes. nossos desejos de gastos com vestuário. Como exemplos de despesas públicas. dividendos. com os investimentos. com a educação. ou seja.I . é bem possível que o nosso desejo de realizar despesas seja superior à s receitas que esperamos receber. para um determinado exercício. elaboramos em algum período de nossas vidas um orçamento pessoal. Levantamos. Por exemplo. um a um. afeta de várias maneiras a vida dos cidadãos. de validade anual. evitando que sejam realizados gastos não previstos. diversão etc. habitação. os gastos com a saúde atendem mais à s camadas sociais de menor poder 4 . temos aquelas originadas dos tributos cobrados das pessoas e das empresas. as que não consideramos tão essenciais. somamos a renda que esperamos receber com salário. ou para outra oportunidade. com o pagamento de juros e amortização da dívida pública. autarquias etc. esse planejamento é consubstanciado em lei e recebe o nome de orçamento público. etc. com o sistema de saúde. Como um dos problemas básicos da sociedade consiste na limitação dos recursos frente à s suas necessidades. e somamos os respectivos valores.). onde elegemos as despesas prioritárias. Por essa razão. O orçamento público juridicamente materializa-se numa lei ordinária. dependendo do tipo de gasto. deixando de lado. muitas vezes sem percebermos. bem como as estimativas das receitas previstas para serem arrecadadas e que custearão aqueles gastos. as despesas e as receitas nele contidas. devemos estabelecer um planejamento de gastos. O orçamento público. da exploração do patrimônio. verificamos que. todas as despesas eleitas como prioritárias pelos Poderes da República. em termos financeiros e técnicos. as decisões políticas na alocação dos recursos públicos. Nessa lei são listadas.. No caso do setor governamental. Ao mesmo tempo. saúde.O ORÇAMENTO PÚBLICO Todos nós. e de cada um de seus órgãos em particular. Além de permitir o controle das finanças públicas. e confrontamos o total apurado com a nossa estimativa de gastos. alimentação. rendimentos financeiros. e bem dizendo. pode-se estar beneficiando mais um segmento social do que outro. podemos citar os gastos com a manutenção dos órgãos (ministérios. o orçamento público atua como instrumento da programação de trabalho do governo como um todo. estabelecendo as ações e programas prioritários para atender à s demandas da sociedade. da prestação de serviços etc.

165 do texto constitucional. ou sem lei que autorize a sua inclusão. e que têm fortes reflexos sobre a elaboração dos orçamentos. e os arts. A Lei do Plano Plurianual é uma lei ordinária. o § 1º do art. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada”. 167. regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional”. Adicionalmente. editada a cada quatro anos e.. 165 a 5 Há ainda os arts. como elas advêm principalmente de tributos e contribuições. . § 4º. Do lado das receitas. foi a de vincular os processos de planejamento e de orçamento.. enquanto tributa os demais com taxa de até 27. 163 e 164. da CF. ao aprovar essas normas. Por exemplo. o imposto de renda da pessoa física. que “.. ao isentar da tributação os indivíduos com renda mensal de até R$ 1. pois é nele que são definidas as prioridades de gastos e a fonte dos recursos extraídos da sociedade que os financiam. que contam com planos de saúde particulares.058.O MODELO ORÇAMENTÁRIO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988: o Plano Plurianual.aquisitivo do que à s mais bem remuneradas. podem exigir maior esforço fiscal de uma classe social do que de outra... foi determinado no art. as Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento Anual O texto constitucional promulgado em 1988 trouxe inovações significativas na sistemática de elaboração e de apreciação dos instrumentos que compõem o chamado “modelo orçamentário”. que tratam das finanças públicas.00. a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). segundo dispõe o § 1º do art. a saber: a Lei do Plano Plurianual (PPA).5% sobre a renda adicional recebida além desse limite.Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual. Esses pequenos exemplos ressaltam a importância da participação ativa de todos os cidadãos no processo de elaboração orçamentária. 169 da Constituição Federal e tem como expoente formal três documentos interdependentes.Os planos e programas nacionais.. 145 a 162. 165. que tratam do Sistema Tributário Nacional. de forma regionalizada. as diretrizes. Desse modo. “. A preocupação central dos Constituintes de 88. estabelece que “. O mesmo pode-se dizer da educação pública fundamental. sendo coordenado pela Secretaria de 2 2 II . desonera cerca de 80% dos trabalhadores assalariados dessa incidência. sob pena de crime de responsabilidade”.estabelecerá. A elaboração do projeto de lei do PPA inicia-se no Poder Executivo. O principal arcabouço legal do processo de planejamento e de orçamento está inscrito nos arts.

a LDO passou também a conter dois Anexos de extrema importância para orientar o Governo e a sociedade sobre a condução da política fiscal. por decisão judicial poderão vir a aumentar a dívida pública. De acordo com o § 2º do art. Esse projeto deve ser enviado ao Congresso Nacional até 31 de agosto do primeiro ano de cada mandato presidencial e tem validade para um período de quatro exercícios financeiros.Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento. A elaboração do projeto da LDO inicia-se no Poder Executivo e o projeto é encaminhado até 15 de abril de cada ano ao Congresso Nacional. as prioridades de gastos e as normas e parâmetros que devem orientar a elaboração do projeto de lei orçamentária para o exercício seguinte (e. Com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). sob pena de não se interromper o primeiro período da sessão legislativa. Orçamento e Gestão (SPI/MPO). benefícios previdenciários). O PPA veio substituir o antigo Orçamento Plurianual de Investimentos. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).). é uma lei ordinária com validade apenas para um exercício.g. incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente. etc. a LDO “compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal. o PPA apresenta. normas sobre convênios. as diretrizes. bem como lista as despesas de duração continuada (e. estradas. e que dão uma dimensão da austeridade dessa política. onde são estabelecidos os resultados primários esperados para os próximos exercícios. 165 do texto constitucional.. Estabelece. que abrangia apenas três exercícios. Trata-se do Anexo de Metas Fiscais. por sua vez. A sua execução inicia-se no segundo ano do mandato presidencial e encerra-se no primeiro ano do mandato presidencial subseqüente. orientará a elaboração da lei orçamentária anual.g. constituindo-se num detalhamento anual de metas estabelecidas no PPA e que foram selecionadas para constar do projeto de lei orçamentária de cada exercício. assim. devendo por este ser aprovado até 30 de junho. aquelas dívidas que ainda não estão contabilizadas como tal. lista de projetos prioritários. também as metas físicas a serem atingidas por tipo de programa e ação. e o Anexo de Riscos Fiscais. As prioridades e metas definidas pela LDO para os programas e ações são apresentadas em anexo ao texto legal. 6 . ou seja. onde são elencados os chamados passivos contingentes. além do valor das despesas de capital (construção de edificações públicas. relação dos riscos fiscais). mas que. condicionando toda a programação do orçamento ao planejamento de longo prazo. de forma antecipada. disporá sobre as alterações da legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras de fomento”. fixação das metas de resultado primário. Comparativamente ao seu antecessor.

depreende-se que a concepção do processo de planejamento e orçamento no Brasil confere ao PPA. que viria a substituir a referida lei. aos novos comandos orçamentários introduzidos pela Constituição de 88. abrangem toda a administração pública. Consoante o § 5. Em suma. Porém. 165 da Constituição. e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa. face. essa lei deve conter três orçamentos: o orçamento fiscal. principalmente nas questões relacionadas à dívida mobiliária federal e à s normas sobre execução orçamentária. por exemplo. defesa.º do art. A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Fazenda (MF) também colabora na feitura desse documento. A Lei Orçamentária Anual (LOA) é igualmente uma 3 lei ordinária com validade para cada exercício fiscal. 3 Os dois primeiros envolvem toda a programação de gastos dos Poderes da União.. a LDO tem exercido também o papel de suprir as lacunas e imperfeições legais sobre a matéria e atuado de forma a compatibilizar as normas infraconstitucionais com as disposições contidas no texto da Lei Maior. Cabe apontar que as normas de direito financeiro. à LDO e à LOA uma atuação integrada. direta e indireta. estradas. Pela análise conjunta desses três instrumentos. de 1964.º 4. folha de pessoal. seus fundos. o órgão que coordena a elaboração desse projeto da LDO é a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) do Ministério de Orçamento e Gestão (MPO).320. os destinados à manutenção da máquina pública. .º do art. juros da dívida etc. detenha a maioria do capital social com direito a voto. o orçamento da seguridade social e o orçamento de investimento das empresas estatais. principalmente. autarquias e fundações. bem como todas as receitas que são esperadas para serem arrecadadas. Sua elaboração é coordenada pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério de Planejamento e Orçamento e Gestão (SOF/MPO) que prepara a minuta da Mensagem Presidencial e encaminha a proposta ao Congresso Nacional. como. O projeto de lei orçamentária deve ser enviado ao Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano. Os orçamentos fiscal e da seguridade social listam todos os gastos da União. direta ou indiretamente. execução e controle dos planos e orçamentos. enquanto a 7 A possibilidade de inscrição de empenhos de despesas como restos a pagar num exercício seguinte estende um pouco a validade dessa lei. que pode ser assim resumida: o PPA estabelece o planejamento de longo prazo. essa lei ficou desatualizada. os desembolsos com saúde. portos. O orçamento de investimentos das empresas estatais contém a previsão de investimentos das entidades em que a União.No Poder Executivo. benefícios previdenciários. 165 da CF. Isso posto. por meio dos programas e ações de governo. e diante da ausência da lei complementar prevista no § 9. educação. são ainda as que estabelecem as regras básicas de elaboração. baixadas pela Lei n.

destacando do PPA os investimentos e gastos prioritários que deverão compor a LOA. e definir as regras e normas que orientam a elaboração da lei orçamentária que irá vigorar no exercício seguinte ao da edição da LDO. ou seja.LOA fixa o planejamento de curto prazo. atividades e operações especiais. CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988 .SISTEMA PLANEJAMENTO-ORÇAMENTO LEICOMPLEMENTARDASFINANÇASPÚBLICAS PLANOPLURIANUAL .LDO LEIORÇAMENTÁRIAANUAL ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO ORÇAMENTO FISCAL ORÇAMENTO DA SEGURIDADE ELAB. por sua vez. materializa anualmente as ações e programas a serem executados por meio de projetos. À LDO.AOFF/eEZSH 8 . cabe o papel de estabelecer a ligação entre esses dois instrumentos.PPA LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS . O diagrama a seguir ilustra o inter-relacionamento entre os diversos instrumentos legais que compõem o ordenamento jurídico dos planos e orçamentos.

por trás dessa estrutura estão parâmetros que afetam a sociedade como um todo. a evolução da massa salarial. e o governo resolver não cortar gastos. a diferença deve ser coberta por operações de crédito que. com a expedição das regras gerais pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF).III . são parâmetros decisivos para a apresentação da proposta orçamentária. com receitas esperadas iguais à s 4 despesas fixadas . entre outros. dentro dos parâmetros fixados pela LDO. a taxa média de câmbio. pois se as receitas esperadas forem inferiores à s despesas fixadas. o montante do refinanciamento da dívida. o resultado primário desejado. Não é tarefa fácil para a SOF definir os “grandes números” do orçamento. Agricultura etc. à qual compete compatibilizar as expectativas de gastos com o nível de receita que o governo espera arrecadar da sociedade.). Saúde. fazem o levantamento 9 Contabilmente o orçamento está sempre equilibrado. O diagrama a seguir ilustra esse trâmite. e à SOF. a expectativa de crescimento real do PIB. Embora a lei orçamentária deva ser contabilmente equilibrada. A meta de inflação. para fazer as previsões de receitas.O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO ANUAL E DO PLANO PLURIANUAL O processo de elaboração do orçamento público federal começa no Poder Executivo. Os Poderes Legislativo e Judiciário também elaboram suas propostas. por lei. PROJETO DE LEI ORÇAMENTÁRIA ELABORAÇÃO E APRECIAÇÃO MOG(SOF) PRES REP MINISTÉRIOS (ÓRGÃOS SETORIAIS) COMISSÃO MISTA ORÇAMENTO SUBCOMISSÕES CONGRESSO NACIONAL A partir disso. das necessidades de gastos das áreas que compõem cada ministério e apresentam suas propostas à SOF. devem também constar do orçamento. os órgãos setoriais (Ministérios da Educação. Os cinco primeiros são estabelecidos pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e repassados à Secretaria da Receita Federal. para fixar alguns itens de receita. 4 . e enviam-nas à SOF para que sejam integradas ao projeto de lei do orçamento. a taxa média de juros.

deflacionado por um índice geral de preços. A estimativa das receitas do ano T é feita tomando por base a arrecadação do ano T-1. Em um regime de economia estável. As receitas arrecadadas. depurada das receitas extraordinárias. era transmitida a falsa sensação de que a programação de gastos inicialmente aprovada era factível de realização. as intenções de despesas não podem ser mais comprimidas e o orçamento é elaborado prevendo deficit (despesas fixadas maiores que as receitas que se espera arrecadar). É evidente que. e exigiu que fossem realizados contingenciamentos e/ou cortes nas programações. ficou patente a dificuldade de equilibrarem-se as finanças públicas. visando assegurar o equilíbrio desejado e evitar o endividamento 6 desmesurado . ninguém consegue financiar indefinidamente seus 6 O valor real de uma dotação orçamentária é o seu valor nominal. ou contábil.Em regra. a despeito da priorização de gastos. As despesas eram executadas nominalmente e. Por meio de créditos adicionais. por sua vez. o governo regulava o valor real de cada dotação programada no orçamento. para contrabalançar o excesso de despesa. Como não havia mais inflação elevada para erodir o valor real das despesas. pois. em paralelo com as finanças pessoais. diante da possibilidade de existência de receitas de duvidosa realização. assim. há situações que. multiplicada pelos fatores que incorporam as expectativas de crescimento real da economia. para financiar o excesso de gasto. é feita tomando-se como base a receita realizada até junho e embutindo uma estimativa para o restante do exercício. o governo recorre a operações de crédito ou empréstimos junto à iniciativa privada nacional ou a entidades estrangeiras. devido à queda abrupta da inflação. o Governo está obrigado a fazer contingenciamento de gastos para assegurar o resultado primário fixado em lei. a necessidade de elaborar-se um orçamento realista. Esses empréstimos também devem estar previstos na lei orçamentária. de evolução dos preços e de alterações na legislação tributária. Com os preços em evolução crescente. financiados com o 5 excesso de arrecadação. Por essa razão é que dizemos que o orçamento é sempre contabilmente equilibrado. Nesses casos. Quando a inflação era elevada. havia pouco controle sobre a real viabilidade financeira de execução da programação de despesas fixadas nas leis orçamentárias. o resultado orçamentário previsto na lei passou a ter maior importância. na medida em que as dúvidas sobre a receita esperada forem-se dissipando. com o advento da LRF. Porém. Transparece. podia-se praticamente fixar qualquer valor de gasto que a inflação “dava um jeito”. o Governo pode ir descontingenciando as programações. Isso ficou claro quando. A receita do ano T. 10 . eram substancialmente superiores à s receitas estimadas. uma vez que o mecanismo de correção monetária permitia que acompanhassem o comportamento crescente dos preços. no nível de gastos até então aprovado nas leis orçamentárias. o comportamento da arrecadação tributária nominal ficou abaixo da estimativa da receita contida no orçamento. ao corroer o valor real 5 das dotações orçamentárias . por sua vez. Mais tarde. Cabe aqui uma pequena digressão. procura-se fixar a despesa dentro do montante esperado da receita. assim. com base na expectativa de crescimento dos preços e produto até o final do ano.

benefícios previdenciários. Esta Comissão é composta por 84 parlamentares. . Orçamento e Gestão. em sua participação na elaboração dos planos e orçamentos. visando uma melhor alocação dos recursos públicos. Isso ressalta como é grande a responsabilidade de todos na definição das metas de resultado primário e como é difícil elaborar um orçamento em uma sociedade carente de investimentos de infra-estrutura básica e de ações na área social. juntamente com uma Exposição de Motivos do Ministro do Planejamento. Os projetos relativos ao PPA. cabendo à Comissão Mista de Planos. o Presidente da República a remete. iii) não podem ser objeto de cancelamento as despesas com pessoal. Desse modo. e iv) é obrigatória a compatibilidade da emenda apresentada com as disposições do PPA e da LDO. quais sejam: i) não podem acarretar aumento na despesa total do orçamento. Estando de acordo. à LDO e à LOA são apreciados conjuntamente pelas duas Casas do Congresso Nacional. 166. por meio de Mensagem Presidencial. já que normalmente as emendas provocam a inserção ou o aumento de uma dotação. Porém. Como co-responsável e participante na elaboração dos instrumentos de planejamento e orçamento. juros. devidamente comprovados. A norma constitucional. As emendas parlamentares são sujeitas a restrições de diversas ordens. por meio das emendas. até o dia 31 de agosto de cada ano. § 3. cujos gastos têm crescido em proporção inferior ao que a sociedade almeja.gastos à custa de tomadas crescentes de empréstimos junto a terceiros. o esforço continuado em busca de um ajuste fiscal sustentado tem tido reflexos indesejados em outros setores. sendo 21 Senadores e 63 Deputados. estabelece as regras fundamentais para a aprovação de emendas parlamentares ao projeto de lei orçamentária anual. identificam as localidades onde desejam que sejam executados os projetos ou inserem novas programações com o objetivo de atender as demandas das comunidades que representam. Retornemos ao processo de elaboração do orçamento. cabe ao Congresso Nacional analisar e aprovar os projetos de leis que compõem o processo orçamentário. procuram aperfeiçoar a proposta encaminhada pelo Poder Executivo. esta é encaminhada ao Presidente da República. principalmente os investimentos. dada pelo art. transferências constitucionais e amortização de dívida. Uma vez concluída a proposta. a menos que sejam identificados erros ou omissões nas receitas.CMO examinar e emitir parecer 11 sobre os referidos projetos. ii) é obrigatória a indicação dos recursos a serem cancelados de outra programação.º. onde são apresentadas as perspectivas da economia e das finanças públicas para o exercício referido. os parlamentares. Nos planos e orçamentos. também em sessão conjunta. A forma constitucional prevista para a atuação do Congresso Nacional. dá-se por meio de emendas aos referidos projetos de lei. em forma de projeto de lei ao Congresso Nacional. Orçamentos Públicos e Fiscalização .

variando de acordo com o número de parlamentares por bancada). bem como as disposições da Resolução n. Orçamento Anual. a atuação parlamentar dá-se fundamentalmente por um remanejamento de dotações orçamentárias de uma para outra programação. Especiais. quando alocam recursos para programação contida na LOA. Para as emendas coletivas não há limite de valor. delimita essa ação tendo em vista a existência de recursos com aplicação vinculada (e. O Parecer Preliminar destaca também todas as restrições a que estão sujeitos os parlamentares no processo de intervenção no orçamento. Estas se subdividem em emendas de bancadas estaduais (de 15 até no máximo de 20 emendas. que podem atingir um máximo de 20 emendas por parlamentar. informações do TCU sobre obra com indício de gestão irregular. as relativas aos outros Poderes e Ministério Público (ao Tribunal de Contas da União . Em particular. Suplementares.º 01/2001 prevê também a edição anual de um Parecer Preliminar. regionais e setoriais. mas cujas dotações iniciais mostraram-se insuficientes para atender as necessidades do gasto . ressalvado o caso de identificação de receita não incluída ou subestimada na proposta. Diretrizes Orçamentárias..º 01/2001-CN que estabelece as regras de atuação do Congresso Nacional no processo orçamentário. iii) examinar e emitir parecer sobre a execução orçamentária e financeira. A Resolução n. onde são definidas normas adicionais a serem observadas pelos parlamentares no processo de intervenção no PLOA. ii) examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais. para 7 quadrimestral das metas fiscais. além das suas. abertos por medidas provisórias . suplementares e extraordinários. cabe à CMO: i) examinar e emitir parecer sobre o Projeto de Lei do Plano Plurianual. 7 Créditos Adicionais e sobre as contas apresentadas pelo Poder Executivo que incluirá. a gestão fiscal dos órgãos.Isso posto. mas também os aspectos legais específicos eventualmente existentes em cada programação. receitas da seguridade social devem ser 8 cobrir despesas imprevisíveis e urgentes. creditícia e cambial. emendas de bancadas regionais (até 2 emendas por bancada) e emendas de comissões permanentes do Senado e da Câmara dos Deputados (até 5 emendas por comissão). a avaliação Os créditos adicionais podem ser especiais. Já os créditos extraordinários são.cabe emitir parecer prévio sobre essas contas). e as emendas 8 coletivas . quando alocam recursos para programação não contida na LOA. Não se incluem neste limite as emendas ao texto do projeto de lei orçamentária e as emendas de cancelamento parcial ou total de dotações orçamentárias.TCU . 12 . o Parecer Preliminar para 2002 fixou em R$ 2 milhões o máximo de recursos que podem ser alocados em emenda individual de cada parlamentar. As emendas parlamentares obedecem a dois níveis de intervenção: as emendas individuais. os contingenciamentos e a avaliação do impacto fiscal das políticas monetária. De acordo com essa Resolução. votado pela CMO logo após a chegada do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) ao Congresso. Por exemplo. A aprovação das emendas deve observar não apenas as restrições constitucionais.g.

além de provir dos cancelamentos de dotações que estão fixadas no projeto. relativamente aos valores enviados no Projeto de Lei pelo Poder Executivo. então esse Poder poderá utilizar a diferença para financiar o acolhimento de emendas. desde que devidamente fundamentada. Desse modo. os recursos para o acolhimento de emendas. benefícios previdenciários. 4) Agricultura e Política Fundiária. 5) InfraEstrutura. Em outras palavras. a participação do Congresso Nacional em termos de alteração da programação enviada pelo Poder Executivo foi da ordem de R$ 6. que as receitas estimadas estão fundamentadas em hipóteses irrealistas e cujos valores ficarão abaixo daqueles que provavelmente serão realizados. a aprovação de emendas está vinculada ao remanejamento dos recursos dentro de uma mesma região. se o Congresso Nacional demonstrar. a CMO pode organizar os seus trabalhos de análise do PL e apreciação das emendas em até dez áreas temáticas. 9 13 .aplicadas apenas nesse segmento orçamentário). 9) Integração Nacional. Em outras situações. Mesmo se fossem excluídas do total as despesas cujo cancelamento é vedado pela Constituição (pessoal. Meio-Ambiente. desse modo. a viabilização disso somente foi possível porque foram editadas emendas constitucionais autorizando a desvinculação dessas receitas. o que faz com que a margem de remanejamento livre pelo Congresso Nacional seja bastante modesta. a saber: 1) Poderes do Estado e Representação. 6) Educação e Cultura. podem também originar-se de eventual reestimativa de receitas. 7) Saúde. estruturado em 10 Relatorias Setoriais. Ciência e Tecnologia. Conforme apontado. cujas receitas são vinculadas ao orçamento da seguridade social (e. Pela Resolução n.. Desporto e Turismo. A mais recente foi a emenda da DRU – Desvinculação de Recursos da União. envolvendo diversos setores. Os trabalhos da CMO para a apreciação do Orçamento de 2000 foi. 3) Fazenda e Desenvolvimento.6% daquele total. Somente nessa situação a Constituição admite o aumento do total de despesas do orçamento. a participação do Legislativo não ultrapassaria a casa dos 5%. transferências a Estados e Municípios e juros e encargos da dívida). Para efetuar o ajuste fiscal.9 bilhões. representando 1. tomando o valor efetivo do Orçamento da União de R$ 430. 2) Justiça e Defesa. o Governo centrou a sua ação no aumento ou criação de contribuições sociais. 8) Previdência e Assistência Social.g. não se pode destacar recursos dessa esfera para acolher emenda que trate de gasto típico do orçamento 9 fiscal . Nesse sentido. COFINS e CPMF).2 bilhões (orçamento total depurado do refinanciamento da dívida). 10) Planejamento e Desenvolvimento Urbano. e proveniente de erro ou omissão expressamente identificados. a verdade é que a grande maioria dos recursos apresentam algum tipo de vinculação ou restrição legal. de forma inequívoca. Porém. a despeito do valor total do projeto de lei orçamentária ser bastante expressivo. Por exemplo.º 01/2001-CN.

sem as alterações posteriores. suspendendo a sua execução orçamentária até que o gestor comprove a adoção de medidas saneadoras.A apreciação das emendas dá-se inicialmente no âmbito dessas relatorias. e se a CMO concluir pela correção das providências. 14 . A partir dos estudos dos principais problemas nacionais e das vocações e potencialidades de crescimento de cada região. para apoiar os trabalhos. O processo de apreciação dos projetos de créditos adicionais e do PPA segue as mesmas linhas do empregado ao PLOA. ao Plenário da CMO. Obrigatoriamente terá que criar os Comitês de Avaliação da Receita Orçamentária. tem contado com a cooperação do TCU que. liberando a execução das referidas programações. esta expede um Projeto de Decreto Legislativo. Uma vez aprovado o substitutivo pelo Plenário do Congresso. Para tanto. o Projeto de Lei modificado pelas emendas parlamentares). Os Eixos são em número de cinco. a CMO lista essas programações em anexo específico. Após a metade da década de 90. cujos relatórios são discutidos e votados separadamente no plenário da Comissão Mista. remete ao Congresso Nacional uma relação das obras que estejam 10 nessa situação. compostos por parlamentares da CMO. procurando evitar que projetos que contenham indícios de irregularidades na gestão sejam aquinhoados com novas dotações orçamentárias. foram delineados esses Eixos que identificam os projetos necessários para alavancar o desenvolvimento sustentável do País num horizonte de oito anos. o Congresso terá trinta dias para apreciálos. 11 O Relator-Geral poderá constituir Comitês. Após a aprovação por esta Comissão.200311 Segundo a Mensagem Presidencial que encaminhou o Projeto de Lei do PPA ao Congresso Nacional. Feito isso. após 30 dias do envio da PLOA. A harmonização dos relatórios setoriais e sua 10 consolidação é feita pelo Relator-Geral . o substitutivo segue para a apreciação pelo Plenário do Congresso Nacional.989/2000. que submete o seu Parecer. a saber: Eixo da Amazônia. composto pelo Arco Norte e Madeira-Amazonas. dentro de um prazo máximo de 15 dias úteis. Dados da Lei nº 9. que deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional. Ocorrendo vetos. com o respectivo Substitutivo (ou seja. podendo torná-los sem efeito. a visão estratégica de longo prazo do governo está assentada no que se convencionou chamar de Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento. a CMO tem aperfeiçoado os mecanismos de controle. agora chamado de autógrafo. IV . e sob sua coordenação. de Avaliação das Emendas e das Informações do TCU sobre obras com indícios de irregularidades na gestão. Ao elaborar o substitutivo. caso seja esta a decisão da maioria dos congressistas.O PPA PARA O PERÍODO 2000 . este é enviado ao Presidente da República para sanção e publicação da lei orçamentária.

distinguindo-se os recursos da União e das demais fontes. Nele são apontados o descritivo definindo o objetivo e o indicador de desempenho. As ações são todas regionalizadas e quantificadas com metas físicas e metas financeiras de aplicações de recursos. O Programa é principal peça do PPA. forma de apresentação e linguagem. envolvendo as mais diferentes áreas de atuação do governo. composto pelo Sudoeste e Sul. mas. composto pelo Transnordestino e São Francisco. respectivamente. II) promover o desenvolvimento sustentável voltado para geração de empregos e oportunidades de renda. também. tem como indicadores o consumo de energia elétrica e taxa de 15 atendimento domiciliar. Eixo do Centro-Oeste. etapas da estratégia de longo prazo desenhada por esses Eixos. inclusive as de origem privada. 4. . O PPA está estruturado em 365 Programas. Cada programa se subdivide em diversas ações (estas posteriormente se realizam por meio de projetos. Assim.5% no ano 2001 e 5% nos anos 2002 e 2003. V) reduzir as desigualdades inter-regionais e VI) promover os direitos de minorias vítimas de preconceito e discriminação. facilitar o seu entendimento e acompanhamento por parte da sociedade. de forma a alcançar os objetivos do Programa previstos no PPA. visando não apenas compatibilizá-lo com a estrutura do orçamento anual. com índices mais recentes de 654 e 64. a quem cabe coordenar a execução das ações no orçamento anual. O PPA elaborado para o quadriênio 2000/2003 representa. o Plano prevê metas de crescimento real do PIB de 4% no ano 2000. destacando-se os índices registrados e os índices previstos ao final do PPA. Vale ressaltar que o estudo dos Eixos de integração norteou a confecção do PPA. Eixo do Sudeste. composto pelo AraguaiaTocantins e Oeste. Segundo a Mensagem que encaminhou o Plano. e índices ao final do PPA de 877 e 71. Cada Programa será administrado por um gerente. mas não há correlação direta entre as programações constantes nos diferentes planos. Os principais parâmetros e valores constantes da proposta do PPA para o período 2000/2003 são os seguintes: a) em consonância com a diretriz que preconiza crescimento com estabilidade. em função da sua execução. Relativamente ao PPA 1996/1999. por exemplo.Eixo do Nordeste. III) combater a pobreza e promover a cidadania e a inclusão social. as diretrizes que norteiam as ações de governo para o período são: I) consolidar a estabilidade econômica com crescimento sustentado. o PPA 2001/2003 passou por importantes modificações em seu conteúdo. IV) consolidar a democracia e a defesa dos direitos humanos. desse modo. composto pela Rede Sudeste e Eixo do Sul. Para a avaliação dos Programas serão comparados os índices previstos com os estimados. atividades e operações especiais que integram a lei orçamentária anual). o Programa Energia no Eixo Arco Norte tem por objetivo suprir de energia elétrica a região compreendida pelos Estados do Amapá e Roraima.

cabendo aos demais programas (gestão de políticas públicas. O consumo privado é esperado para crescer a uma taxa média de 4. j) por setor. gerando 8. e) setor produtivo com 18. teremos o montante efetivamente disponível para investimentos e demais aplicações sociais da ordem de R$ 613. Para o ano 2000 espera-se um superávit primário de 2.8% ao final de junho de 1999. h) os dispêndios em programas finalísticos deverão consumir 91. 16 g) ao Poder Executivo caberão 96. hídricos.66%.1 bilhões em 1998.7% no Sudeste. Os demais valore. b) infra-estrutura econômica com 34.1 trilhão. se excluirmos os gastos previdenciários. o setor de infraestrutura econômica (transportes. i) dos R$ 1. 24. Bacen e Previdência) e para 2001 de 2. d) espera-se um crescimento do emprego de 2. d) informação e conhecimento com 0. k) do total regionalizável.0%. ainda não foram alocados regionalmente. o salário real é esperado para crescer em cerca de 4% ao ano. 3. embora tenham destinação setorial definida. pouco mais de 10% do total do PPA.65% do PIB no Governo Central (Tesouro. 21.6% no Nordeste. 4.0% no Norte e 9.3% para 2001. a previsão de aplicação de recursos é a seguinte: a) desenvolvimento social (inclusive benefícios previdenciários) com 42. c) meio-ambiente com 0. admitida uma variação de 2 pontos percentuais em torno desses valores. de US$ 51.8% ao ano no quadriênio. justiça e cidadania com 0.5 milhões de postos de trabalho.5% do total programado. f) o total previsto no PPA para ser aplicado no quadriênio é da ordem de R$ 1. as quais.4 bilhões. 32. 12.5 bilhões. ou seja.1%.1% serão alocados no Sul.7% dos dispêndios previstos.b) as metas de inflação são de 6% para o ano 2000.1 trilhão programados.3% e outros com 4.4% para 2002 e 3% para 2003 (contra uma meta de 8% para 1999). c) as principais fontes de dinamismo desse crescimento deverão ser o investimento e as exportações. energia e telecomunicações) absorverá investimentos de R$ 212 bilhões. as mesmas estão orçadas em R$ 115. e) as contas públicas continuarão sendo geridas visando assegurar superávits primários compatíveis com a estabilização da relação dívida líquida/PIB.7% ao ano no período. serviços ao Estado e apoio administrativo) 8. . divididos em 365 programas envolvendo uma ampla diversidade de ações.2%.7 bilhões. No que se refere à s parcerias. no montante de R$ 267.60% do PIB.7% no Centro-Oeste. a qual se situava em 49.5% do total. sendo o restante a cargo dos demais Poderes. aí incluídas as parcerias com o setor privado.2%. deverão saltar para cerca de US$ 100 bilhões até 2002.5%.

não significando recursos efetivos à disposição do Governo para serem gastos. e discrimina as receitas de contribuições sociais e de transferências recebidas do orçamento fiscal.2 483.9 220. sendo R$ 262. assistência social e saúde. b) orçamento da seguridade social e c) orçamento de investimentos das empresas estatais. não representa recursos efetivamente à disposição da União. grande parte dele. inclusive as operações de crédito.9 bilhões no segmento fiscal.). ORÇAMENTODA UNIÃO 2002 a. Esses dois orçamentos envolvem todos os órgãos da administração direta e indireta da União e seus fundos.V . Como resultado. com as parcelas de receitas tributárias federais transferidas para Estados e Municípios e discrimina as receitas de origem tributária.4 bilhões e o orçamento de investimentos das empresas estatais federais alcança R$ 21. com saúde. Fiscal (ajustado) b. e b) a legislação obriga que todas as receitas sejam integradas ao orçamento. R$ 17 220.3 bilhões. a Constituição Federal de 1988 determina a divisão do orçamento da União em três segmentos: a) orçamento fiscal. para o exercício de 2002 totaliza R$ 650.9%). em 2002. Assim. Fiscal (total) (R$ Bilhão) 262. ou seja. o orçamento efetivo à disposição do Governo. contempla os gastos com investimentos de infraestrutura. por meio de emissão de novos títulos. com a manutenção dos Ministérios.3 bilhões na seguridade social e R$ 21. O Orçamento da União. com educação. patrimonial. o orçamento fiscal. devendo ser “paga” várias vezes ao ano. Refinanciamento da Dívida c = a +b. ou seja. substituição de títulos da dívida velha vencida por outros títulos novos e no mesmo valor. alocados quase em sua totalidade no orçamento fiscal. Essa parte se refere ao refinanciamento da dívida pública e tem efeito meramente contábil. A tabela a seguir mostra essa situação. de empréstimos obtidos e de alienação de ativos da União. O orçamento de investimentos das empresas estatais contempla apenas este tipo de gasto.O ORÇAMENTO PARA O EXERCÍCIO DE 2002 Conforme assinalado. com as respectivas fontes de financiamento.4 bilhões (33. Embora o valor do orçamento total da União para 2002 seja bastante expressivo. pensões etc. envolvendo os segmentos fiscal e da seguridade social.3 no orçamento de investimento das estatais. num processo popularmente chamado de “rolagem” da dívida. entre outros. a dívida tem prazo curto de vencimento. R$ 167.1 . é limitado a R$ 430.2 bilhões. Conforme já apontado. O orçamento da seguridade social lista os desembolsos que serão feitos com benefícios previdenciários (aposentadorias. Isso ocorre por duas razões: a) devido à pouca credibilidade do Estado. o montante de refinanciamento infla artificialmente o total do orçamento.

contribuições. as receitas do orçamento fiscal e da seguridade são classificadas segundo a categoria econômica. receitas de serviços. principalmente por meio de impostos e contribuições sociais. como. g) alienação de bens. f) operações de crédito contraídas junto ao setor privado. 24. respectivamente. por exemplo. incluindo os juros recebidos. R$ 188. Para efeito orçamentário.7%. e h) demais receitas.3 650.2% do total de recursos. e) emissão de títulos para refinanciamento da dívida. são de 58. da Seguridade Social e de Investimento das Estatais Participação Relativa Investimento das Estatais 3% Seguridade Social 25% A receita pública é o conjunto de recursos que o Governo espera arrecadar para custear as despesas que pretende realizar. 37% e 4.) 18 . R$ 11. Total 167. Excluindo o refinanciamento da dívida.) Os principais componentes das receitas são: a) tributária (impostos e taxas).) 33% Fiscal 39% V.8 A soma do total do orçamento da União alcança R$ 671. Tudo computado. em relação ao orçamento efetivo. R$ 35. Investimentos Estatais Federais g = e + f. a receita total dos orçamentos fiscal e da seguridade social está prevista em R$ 650.3 bilhões. c) serviços. receitas primárias que não incluem as receitas financeiras (juros recebidos.1 bilhões. a receita é arrecadada em sua maioria de forma compulsória.3 bilhões.9% e 3. R$ 65.AS RECEITAS Existem outros conceitos de receitas. b) contribuições sociais e econômicas. subdividindo-se em receitas correntes (tributos. R$ 4.4 21.9%. Fiscal e Seguridade f. Em termos percentuais. alienação 12 de ativos etc. essas participações.8 bilhões. valor 12 Fiscal (Refinanc. retorno de operações de crédito concedidas ao setor privado. receitas patrimoniais etc. R$ 108.d.5 bilhões.5 bilhões.4 bilhões. respectivamente.7 bilhões. da seguridade social e de investimento das empresas estatais federais respondem por.) e de capital (empréstimos obtidos junto ao setor privado. Se excluídas a emissão de títulos para o refinanciamento da dívida pública e as operações de crédito para cobrir eventuais deficits orçamentários.3 bilhões. produto da alienação de ativos. R$ 220.4 671. operações de crédito e financiamento etc.7 bilhões. Orçamentos Fiscal. R$ 16.1. Seguridade Social e = c + d. 71.3%. os orçamentos fiscal. d) patrimonial.

Cabe destacar que. Receitas Estimadas Orçamento Fiscal e da Seguridade Social Tributária 23% Refinanciamento 69% Demais receitas 8% Patrimonial 3% Serviços 4% Alienação de bens 1% Outras op. R$ 0. Um ponto importante: como o ajuste fiscal feito pelo Governo para gerar o superávit primário foi construído em grande parte sobre o aumento das contribuições sociais. há transferências de recursos. R$ 12.AS DESPESAS As despesas do orçamento fiscal e da seguridade social podem ser classificadas de quatro modos: i) por órgão (classificação institucional). é igual ao total fixado para a despesa.8 bilhões. de outro modo. iii) por programas (classificação por finalidade de gasto. b) recursos para o aumento do patrimônio líquido.3 bilhões. contribuição sobre o lucro líquido CSLL.º 27/00) desvinculando os recursos da seguridade social (DRU).3 bilhões e foram estimadas com o seguinte desdobramento: a) recursos de geração própria das empresas. por exigência contábil. por outro lado. As receitas necessárias para financiar o orçamento de investimentos das empresas estatais.COFINS. totalizam R$ 21. crédito 14% V.2 . contribuição sobre o faturamento . no valor de R$ 17. pois. os recursos teriam que ser integralmente gastos nessa finalidade. associada a objetivos gerenciais) e 19 .6 bilhões. ii) por função (classificação de acordo com a finalidade do gasto). c) operações de crédito de longo prazo.) são insuficientes para atender à totalidade dos gastos com a seguridade social (previdência e assistência social). R$ 4. do orçamento fiscal para o orçamento da seguridade social. e d) outros recursos de longo prazo. Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira-CPMF etc.5 bilhões.este que. R$ 3.6 bilhões. como as receitas de contribuições sociais (contribuição ao INSS. houve a necessidade de ser aprovada uma emenda constitucional (EC n.

Representa. b) Executivo. fornecendo a alocação dos recursos públicos por finalidade de gasto. agregando-se os órgãos pelos três Poderes do Estado – Executivo. R$ 9. R$ 13 3. a subfunção identifica a natureza básica das ações que se aglutinam em torno das funções. A maior parcela é do Poder Executivo. Ministério Público tem dotação orçamentária V. c) Judiciário. Para o orçamento de 2002. Além disso. seja na área social. R$ 436 bilhões . portanto. procura identificar a área de atuação característica do órgão/unidade em que as despesas serão executadas.os ministérios – e de suas unidades orçamentárias – as secretarias. porque é este quem executa. o Superior Tribunal de Justiça. “Reserva de Contingência”. Existem alguns órgãos ou unidades orçamentárias que não correspondem a uma estrutura administrativa.2. . o Tribunal de Contas da União (este. mas pela especificidade dos gastos que representam. É o caso dos órgãos “Transferência a Estados. é órgão auxiliar do Poder Legislativo).7 bilhões. O Poder Judiciário envolve o Supremo Tribunal Federal. por meio dos Ministérios.3 bilhões. tem por objetivo demonstrar a programação alocada à s unidades orçamentárias responsáveis pela execução da despesa. ou funcional. a grande parte dos programas de governo. Distrito Federal e Municípios”. as Justiças Federal Militar. de infra-estrutura econômica ou mesmo de segurança nacional. departamentos etc.2 . são identificados separadamente na lei orçamentária. Legislativo e Judiciário – temos a seguinte composição: a) Legislativo. do Distrito Federal e dos Territórios. ou institucional. 20 Excluídos nos valores o refinanciamento da dívida (fonte 143). apresentando uma visão dos gastos num nível maior de detalhamento. entre outros. a programação a cargo dos órgãos setoriais de governo . A subfunção vem em seguida.DESPESA POR ÓRGÃO A classificação por órgão. é 13 V.2. responsável também pela administração da dívida pública e pelas transferências inter-governamentais. do Trabalho.1 . apenas para efeitos de classificação orçamentária. “Operações Oficiais de Crédito”. O própria. embora tenha autonomia constitucional.iv) por natureza da despesa. A função representa o maior nível de agregação da classificação da despesa por finalidade. “Encargos Financeiros da União”. Na nova classificação utilizada a partir do orçamento de 2000.DESPESA POR FUNÇÃO A classificação por função. O Poder Legislativo engloba o Senado Federal e a Câmara dos Deputados e. Eleitoral.

de acordo com a classificação funcional. correspondendo a 43. que concentra toda a despesa relacionada com a dívida pública e as transferências constitucionais. com 7. introduzida a partir do projeto de lei para o orçamento do ano 2000. indicador quantificativo da situação que 21 14 Exceto a função “Encargos Especiais”. os seguintes elementos: objetivo.14 bilhões. com R$ 1 bilhão. representando 9. no mínimo. No entanto. que não reflete uma ação de política pública propriamente dita.9 bilhões. . a chamada classificação funcionalprogramática. Cada programa deve conter. No novo desenho. com R$ 8.8 bilhões. é a Previdência Social.6 bilhões. Habitação e Urbanismo. com R$ 14. com R$ 10.4 bilhões e a Judiciária de R$ 7.2 bilhões. completam o elenco dos chamados gastos sociais. absorvendo 11. A principal finalidade era dotar o orçamento de um modelo gerencial de controle dos gastos públicos. era empregada buscando agregar as áreas de atuação do Estado com os objetivos a serem alcançados pelas ações de governo. Destacam-se ainda as funções: Encargos Especiais.2% do total do orçamento. e a função Agricultura. A classificação por programas. servindo apenas como classificador. identificando os programas com a solução dos problemas da sociedade.1 bilhões. A função Legislativa receberá recursos da ordem de R$ 2. O segundo item de importância é a função Saúde. essa forma de classificação não auxiliava no gerenciamento das ações de governo. sendo o programa considerado um sub-conjunto das funções. Educação. a forma de classificar os gastos por finalidades. que recebe as alocações destinadas aos Ministérios militares. É nesse item que estão alocados os valores dos benefícios previdenciários e da assistência social.7% do orçamento efetivo total14. com R$ 23. fica com R$ 6. com R$ 6. refletindo a carência de recursos para investimento. com recursos da ordem de R$ 12 bilhões.8 bilhões. sendo que aquela predominante é que definirá em que função o programa será classificado. agora englobados no Ministério da Defesa. um programa pode conter ações que envolvem diferentes áreas de atuação do governo. envolvendo diversos ministérios. na prática. num total de R$ 409.DESPESA POR PROGRAMAS Até recentemente. procura privilegiar o aspecto gerencial dos planos e orçamentos.2. A função Transporte. Defesa Nacional.3 . com R$ 114. Administração. Assistência Social.9% do total orçamentário.2 bilhões.8 bilhões. V. sem maiores preocupações com o tipo de transação que estava sendo classificada. Trabalho.A área de atuação do governo que receberá a maior parcela dos recursos no orçamento de 2002.3 bilhões.

b) programas de gestão das políticas públicas.DESPESA POR CATEGORIA ECONÔMICA E POR NATUREZA Para classificar a despesa quanto à sua natureza devese considerar a categoria econômica.219. e Assist.1 326. o grupo a que pertence.8 2. entende-se por programa o instrumento de organização da atuação governamental visando à concretização dos objetivos pretendidos.2.4 . Segundo o art.159. Programa Atendim. atividades ou operações especiais. a modalidade de aplicação e o elemento da despesa.577. São quatro os tipos de programas: a) programas finalísticos. atividade ou operação especial). por área de atuação: Principais programas de governo por área de atuação R$ milhões Área de Governo Saúde Educação Assistência Social Transporte Agricultura Indústria.6 4. 3. Comércio e Serviços Trabalho Ciência e Tecnologia Saneamento e Habitação Cultura e Desporto Fonte: LOA /2002.0 3.608.6 323.023.448.o programa pretende modificar e os produtos (bens e serviços) necessários para atingir os objetivos. visando à solução de um problema ou ao atendimento de uma necessidade ou demanda da sociedade. Emerg.9 352. e Hospit.1 4. O programa consiste em um conjunto de ações (projeto.5 427. Farmacêutica Toda Criança na Escola Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência Corredores de Transporte Produção e Abastecimento Alimentar Financiamento à s Exportações Qualificação Profissional do Trabalhador Capacitação de recursos humanos para pesquisa Morar Melhor e Nosso Bairro Esporte Solidário e Esporte na Escola Valor 13. Ambulat. sendo mensurado por indicadores estabelecidos no plano plurianual. e d) programa de apoio administrativo. Os programas são compostos por ações que podem consistir de projetos.º do PLDO/2003.4 V. c) programas de serviços ao Estado. A tabela a seguir apresenta os principais programas. 22 .6 2..

poderão ser objeto de emenda parlamentar.5 58. 1 33. material de expediente. contabilmente. o qual destina-se a indicar se os recursos em análise referem-se a contrapartida nacional de empréstimos ou doações. entre outros.3 17. a despesa subdivide-se em despesas correntes (pessoal. e. transferências a estados e municípios etc. como pessoal ativo.Conforme a categoria econômica.9 34.9 277. Por natureza. na prática. pelo “pagamento” da dívida vencida. É de notar-se que o refinanciamento da dívida aparece tanto do lado da receita. por isso.4 6. numa primeira análise. Grupo de Natureza da Despesa (GND) Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social R$ Bilhões GND DESCRIT OR FISCAL SEGURIDADE T OT AL Pessoal e Encargos Sociais 2 Juros e Encargos da Dívida 3 Outras Despesas Correntes 4 Investimentos 5 Inversões Financeiras 6 Amortização da Dívida 9 Reserva de Contingência Fonte: LOA/2002. ou transferidos. traduz-se apenas na substituição dos títulos. a despesa total dos orçamentos fiscal e da seguridade social está fixada em R$ 650.5 204.8 277.7 6. Quando o código for 1. a modalidade 40 refere-se ao municipal.4 bilhões. Outra importante classificação é o identificador de uso. A modalidade 30 indica que o aplicador será o governo estadual.3 79. a outras esferas de governo.9 0. pela emissão de novos títulos.3 14. inversões financeiras etc.8 58. os grupos de despesa. Conforme apontado. Quando o código é zero significa que os recursos não são destinados à contrapartida. juros.2 3. o que.7 16. assim. como da despesa. a modalidade 50 corresponde ao aplicador entidade privada sem fins lucrativos. os recursos referem-se à contrapartida. a modalidade 90 é aplicação direta federal e a modalidade 99 indica aplicador a definir. não podem ser objeto de emenda. a mesma magnitude da receita total.7 0. e estão assim compostos na Lei do Orçamento para 2002: na forma de descentralização. 2 ou 3. investimentos. ainda que 23 . visto que. e.0 3.9 A modalidade de aplicação destina-se a indicar se os recursos serão aplicados diretamente por unidade federal detentora do crédito orçamentário. inativo. de acordo com a PLDO/2003 são sete.3 - 68. benefícios previdenciários. esses valores devem ser necessariamente iguais.2 125.5 12. órgãos ou entidades. O elemento de despesa identifica o objeto de gasto de forma mais detalhada.).) e de capital (amortização da dívida.

3 bilhões (11% do total). por exemplo. Para o exercício de 2002.VI . VIII . por meio de operações de crédito ou emissão de títulos da dívida pública. estatais. esse orçamento está fixado em R$ 21. dizemos que há um deficit e. quando os dois fluxos são iguais. com as despesas que espera realizar. o Governo aplica recursos por meio das Agências Oficiais de Fomento. como 15 ocorre com a maioria dos gastos do orçamento da União .8 bilhões. o conjunto dessas aplicações está previsto em R$ 40. Nesse caso. então será preciso recorrer a empréstimos junto ao setor privado. taxas. VII . Mas um ponto é importante. esse segmento perdeu a hegemonia que por longo tempo manteve como item principal do orçamento de investimento das estatais.3 bilhões. estados e 15 A exceção fica por conta das operações oficiais de crédito (OOC).O ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO DAS EMPRESAS ESTATAIS Como já comentado. com R$ 19 bilhões. Os desequilíbrios e equilíbrios que efetivamente interessam são aqueles decorrentes da confrontação das receitas próprias que o Governo arrecada. o governo resolve realizar sua programação de gastos. dizemos que ocorre um superavit orçamentário. para cobrir essa deficiência de recursos próprios. com a privatização da maior parte do setor de Telecomunicações. observadas as prioridades de aplicação definidas pela LDO. 24 . ainda assim. alienações patrimoniais. com R$ 2. Quando. e b) instituições do setor financeiro. contribuições. ao invés de serem desembolsos sem retornos. Banco do Brasil e outros agentes financeiros federais. pois são empréstimos que ele faz para empresas privadas. integra o orçamento da União o orçamento de Investimentos das Empresas Estatais Federais. quando acontece o contrário. Para 2002. dizemos que ocorre um equilíbrio orçamentário. o Governo recupera o que aplica. por meio do BNDES. Setorialmente. cuja distribuição será feita de acordo com a demanda de crédito junto a esses agentes. aluguéis.1 bilhões. ou 89% do total. a área de Energia receberá a maior parcela dos investimentos. É de registrar-se que.AS AGÊNCIAS OFICIAIS DE FOMENTO Além dos orçamentos fiscal e da seguridade e dos investimentos das empresas estatais. podendo ser decomposto em duas parcelas: a) empresas do setor produtivo. serviços etc. municípios. há um deficit orçamentário e.RESULTADO ORÇAMENTÁRIO Quando as receitas são superiores à s despesas. em sua maioria derivada de impostos. no montante de R$ 17. além das despesas dos orçamento fiscal e da seguridade social.

pois reflete a posição corrente das contas públicas. bem como o resultado das operações do Banco Central. arrecadadas no exercício. Então. Do mesmo modo. Embora o resultado orçamentário seja importante. Destaque-se. organismos internacionais de crédito e outros agentes do mercado. pelo fato de retratar o comportamento das finanças governamentais de forma mais abrangente do que o resultado orçamentário. não é suficientemente abrangente para mostrar um quadro completo da situação das finanças do Governo como os resultados primário e nominal. entretanto.3 bilhões. as operações de crédito integram a receita do Governo. pois o excesso de receita terá como contrapartida a destinação de recursos para o resgate da dívida pública. entende-se a diferença. como autoridade monetária. Levando em consideração esses aspectos. que o resultado orçamentário difere conceitualmente dos chamados resultados primário e nominal. podemos concluir que o déficit aumenta a dívida pública e o superávit diminui esta mesma dívida. embora a cada 6 meses seja obrigado a repassar o seu resultado operacional para o Tesouro. 16 O PIB. IX . calculados segundo a metodologia das Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP). A sua função de autoridade monetária não é incluída diretamente. entre as receitas não financeiras. Nesse quadro são apresentados os resultados primário e nominal do Governo Central. podendo ser positiva ou negativa. na hipótese de haver um superávit orçamentário. contabilmente. o orçamento achase equilibrado. é a soma de todos os bens e serviços produzidos numa economia durante um intervalo definido de tempo.4% do PIB 16. em termos de 18 pagamentos e recebimentos de juros. envolvendo as informações de receitas e despesas contidas no orçamento da União. Por resultado primário. pois repercute nas apurações da NFSP.Como. como se sabe. 18 O Bacen só participa do orçamento da União como autarquia. Quando também inclui as contas dos estados e municípios é chamado de Necessidades de Financiamento do Setor Público – NFSP. Seu interesse é de maior importância para os analistas econômicos. e apenas contabilmente. o resultado orçamentário esperado para 2002 é de um superávit da ordem de R$ 5. resulta que. do ponto de vista da escrituração.RESULTADOS PRIMÁRIO E NOMINAL O quadro que mais corretamente espelha a situação das contas públicas é denominado de “Necessidades de 17 Financiamento do Governo Central” ou NFGC . equivalendo a cerca de 0. 17 25 . o equilíbrio será também apenas do ponto de vista contábil. e as despesas não financeiras do mesmo período. previstas no orçamento da União.

Há ainda dois importantes detalhes metodológicos: os juros considerados no quadro das NFGC são os juros nominais incorridos porque. O quadro a seguir apresenta esses resultados em valores monetários. são aqueles pagos. para o Governo Central.72% do PIB (resultado nominal negativo). contidos no orçamento. as despesas não financeiras referem-se ao conjunto de gastos com pessoal. manutenção da máquina administrativa e investimentos. os valores são calculados em regime de competência (todas as demais receitas e despesas não financeiras são contabilizadas em regime de caixa).53% de juros nominais líquidos. ou seja. as contribuições sociais e econômicas. Pelo regime de competência são considerados os juros devidos.81% do PIB que. o que significa que a dívida líquida seria aumentada em igual montante. de operações de crédito etc. principalmente. . Essas são as razões pelas quais os valores daqueles juros diferem dos contidos no orçamento. Por sua vez. deduzido de 5. mas considera no cálculo a diferença decorrente entre os juros ativos e os juros passivos do Governo Central. Não são computados nesta categoria os encargos da dívida pública ( juros e correção monetária e amortizações).As receitas não financeiras compreendem. dizemos que há um superávit primário e. Se a diferença for positiva. resultaria num deficit nominal de 2. se do valor apurado como resultado primário deduzirmos os valores dos juros nominais líquidos incorridos (juros ativos menos juros passivos) obtemos o resultado nominal. Já o resultado nominal expressa a mesma situação. Em outras palavras. previdência. neste item. assim como as demais despesas. e apenas neste. dizemos que há um déficit primário. os tributos. referem-se ao regime de caixa. Não se incluem nesta categoria as receitas de juros e as receitas de capital (receitas de privatizações. se negativa. as receitas diretamente arrecadadas por órgãos da administração indireta. 26 Os juros sobre a dívida mobiliária. ainda que não tenham sido pagos.). Para o orçamento 2002 está previsto um superávit primário de 2. as receitas patrimoniais etc.

*** V. os juros cresceram em função do aumento na taxa média de juros e da desvalorização cambial. É com a evolução deste indicador que os analistas estão atentos. Nominal Federal (III-IV) VI.8 (254. Central 2000 236. 2002 proposto). 19 Fonte: PL n. a manutenção da estabilidade da relação Dívida Líquida/PIB tem dependido em grande parte do superávit primário obtido. pois ela reflete se o Governo está ou não controlando o grau de endividamento. Nominal G. R.5) 21. Primário Estatais VII. gastos fiscais sistematicamente superiores à s receitas fiscais. (**) inclui float de R$ 3. Receita total * II. 2001 reprogramado. espera-se uma queda nos gastos com encargos financeiros.RESULTADOS PRIMÁRIO E NOMINAL GOVERNO CENTRAL (R$ bilhões) Discriminação I. diante da perspectiva de queda nas taxas de câmbio e juros.3 bilhão. O resultado primário é crescente para compensar o aumento dos juros e evitar o crescimento da relação Dívida Líquida/PIB. do resultado primário e da receita líquida de privatizações (receitas de vendas de ativos do Estado deduzidas das dívidas reconhecidas em momento posterior a fatos que lhe deram origem). As A evolução da relação Dívida Líquida/PIB depende positivamente da taxa de juros líquida (média) sobre essa dívida. X .9) (33.1) (42. R. predominou na administração pública brasileira. (*) receitas e despesas não-financeiras (contabilizado em regime de caixa).8) 10. o desequilíbrio fiscal. e negativamente do crescimento do PIB.1.1 (54. Para 2002.7 (47.6) 2001 273. Em 2001. enquanto o nominal é negativo. ou seja. Uma taxa descontrolada de endividamento pode denotar dificuldades 19 de o Governo cumprir os seus compromissos futuros .A LEI COMPLEMENTAR Nº 101.2 (72. R.5) 29.º 32/2001-CN (2000 realizado. respectivamente.9) 7.3 (280.7) 8. Juros Nominais Líq. R.9 e R$ 1. Primário (I-II)** IV.3 (77.0) (55.4) Nota-se ainda que o resultado primário é positivo e crescente nos três exercícios considerados.2 (23. 27 . Despesa total * III. Assim.5 (218.4) 21.5 (35. R$ 1. DE 4 DE MAIO DE 2000 – LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL Até há bem pouco tempo. (***) contabilizado em regime de competência. como essa taxa de juros tem sido muito superior a taxa de crescimento do PIB e as receitas de privatizações aproximadamente iguais à s dívidas reconhecidas.0) 2002 308.

de forma a fornecer à sociedade 28 explicações de política e um quadro mais preciso da utilização dos recursos que são colocados à disposição dos governantes. conforme previsto na Constituição. Estados. b) limites para o endividamento público: são estabelecidos pelo Senado Federal por proposta do Presidente da República. refletindo-se em inflação descontrolada. em audiência pública na CMO. em particular. conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) representa um marco institucional para delimitar a ação dos governantes e evitar que erros de gestão orçamentária e financeira cometidos no passado tornem a repetir-se. redução dos investimentos. d) identificação de passivos contingentes: relativos a potenciais dívidas do Estado. Nesse contexto. contribuir para uma evolução controlada do grau de endividamento estatal. de autoridades econômicas. destacando-se. Distrito Federal e Municípios). Como conseqüência. assim. a edição da Lei Complementar n. bem como o atendimento pleno das necessidades básicas da população mais carente por gastos com saúde.º 101/00. a Lei consagra a transparência da gestão como mecanismo de controle social. demonstrativos de execução orçamentária e a presença. de modo a manter o equilíbrio fiscal. educação. através da exigência de publicação de relatórios. as regras que visam disciplinar os níveis de endividamento e os gastos com pessoal. e . Além disso. A recuperação da credibilidade do Estado tem sido possível com a geração de sucessivos superavits primários. hoje vivenciamos uma situação orçamentária tal que tem limitado a realização de investimentos por parte do Estado.conseqüências disso para a sociedade foram bastante negativas. Seus dispositivos aplicam-se a todos os gestores de recursos públicos e a todas as esferas de governo. muitas vezes derivadas de perdas judiciais decorrentes da aplicação no passado de planos econômicos que objetivavam a eliminação do processo inflacionário. visando gerar recursos para o pagamento dos juros da dívida e. nas diversas ações. moradia e saneamento. Entre as normas e princípios contidos na LRF. sem indicar uma fonte de receita ou uma redução de outra despesa. c) definição de metas fiscais: resultados primários que deverão ser alcançados anualmente e indicativo para os três exercícios seguintes. destaque: merecem a) limites de gastos com pessoal: a lei fixa limites para essa despesa em relação à receita corrente líquida para os três Poderes e para cada nível de governo (União. baixa taxa de crescimento econômico e perda de bem-estar social. e) mecanismo de compensação para despesas de caráter permanente: o governante não poderá criar uma despesa continuada (prazo superior a dois anos).

A fixação dessas novas regras. sem dúvida. 29 . contribui para um controle permanente das finanças públicas no Brasil e auxilia na criação de pré-condições necessárias para a retomada sustentada do crescimento econômico no País.f) mecanismo para controle das finanças públicas em anos de eleição : a Lei impede a contratação de operações de crédito por antecipação de receita orçamentária (ARO) no último ano de mandato e proíbe o aumento das despesas com pessoal nos 180 dias que antecedem o final do mandato.

3. Exemplo: 26271. as classificações mais usuais são a institucional. 6. tanto da receita como da despesa. Exemplo de classificação até o nível de atividade: 12 363 0044 4033 – Apoio ao Desenvolvimento da Educação Profissional. apreciação legislativa. a funcional. CICLO ORÇAMENTÁRIO: seqüência de fases ou etapas que devem ser cumpridas. Essa classificação é materializada por meio de um código numérico de cinco dígitos. que instituiu a nova classificação da despesa. e que compreende duas espécies: as receitas e as despesas correntes e as receitas e as despesas de capital. ATIVIDADE: de acordo com a Portaria 42/99. das quais resulta um produto necessário à manutenção da ação de governo”.320/64. onde o primeiro identifica o Poder. onde: 26 = Órgão: Ministério da Educação e do Desporto 271 = Unidade Orçamentária: Fundação Universidade de Brasília . prevista inicialmente na Lei n. 5. BANCO DE FONTES: somatório dos recursos resultantes de cancelamento nas dotações da proposta orçamentária e que serão utilizados para o atendimento das emendas ao orçamento aprovadas pelo Congresso Nacional. CLASSIFICAÇÃO INSTITUCIONAL: é a classificação orçamentária que nos informa qual o Órgão e a Unidade Orçamentária responsável pela execução de determinada parcela do orçamento. envolvendo um conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente. CATEGORIA ECONÔMICA: forma de classificação. como parte do processo 30 orçamentário. o Órgão e os três últimos. do Ministério do Orçamento e Gestão. execução e acompanhamento. atividade é “um instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa. segundo a estrutura programática e segundo a natureza da despesa. AUTÓGRAFO: redação final de qualquer proposição aprovada pelo Congresso Nacional e em condições de ser encaminhada à sanção presidencial. 2. A maioria dos autores adota como fases do ciclo orçamentário as seguintes: elaboração. por esfera orçamentária. Em orçamento público. As formas de classificação podem variar.XI . conforme a necessidade e o interesse de quem estabelece a classificação. controle e avaliação. A finalidade básica desta classificação é a atribuição de responsabilidade pelo gasto público. quando então se inicia o ciclo seguinte.º 4. a Unidade Orçamentária. o segundo. 7. CLASSIFICAÇÃO DA DESPESA: formas ou metodologias utilizadas para se agrupar a despesa por categorias.GLOSSÁRIO DE TERMOS ORÇAMENTÁRIOS 1. 4. constante das dotações nele consignadas.

Os créditos suplementares e especiais dependem de autorização legislativa. CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL: segundo o novo modelo de classificação da despesa. ao passo que os extraordinários são abertos por decreto do Executivo. o responsável está sujeito à fiscalização.320/64. como guerra. não raro. normalmente definidas na LDO em vigor. é baseada em funções. Durante a execução do convênio. especiais e extraordinários. de 14 de abril de 1999. segundo a Portaria n. a não inadimplência do convenente com o Governo Federal. manutenção de equipamentos. o convenente deve prestar contas dos recursos recebidos. para a sua formalização.8. inclusive pelo Tribunal de Contas da União e. juros da dívida. 10. Os suplementares destinam-se ao reforço de uma dotação orçamentária já existente. o Poder Executivo tem-se valido desse expediente para a consecução de metas de ajuste fiscal. uma vez aprovados. a definição do cronograma de execução das obras/serviços etc. 40. ao passo que os especiais visam atender a uma necessidade não contemplada no orçamento. CRÉDITO ADICIONAL: de acordo com o art. o cumprimento de uma série de exigências. 11. Considerando que no ordenamento jurídico brasileiro a lei orçamentária tem mantido o seu caráter autorizativo. Ainda segundo a mesma portaria. Exemplo: Função 12 – Educação.º 42. na inexecução de parte da programação de despesa prevista na lei orçamentária. como por exemplo: despesas com pessoal. DESPESAS CORRENTES: despesas de custeio e de manutenção das atividades dos órgãos da administração pública. Já um crédito extraordinário pressupõe uma situação de urgência ou imprevisão. constituem “o maior nível de agregação das diversas áreas de despesa que competem ao setor público”. cada uma desdobrada em subfunções. comoção interna ou calamidade pública. sob o pretexto de adequar a execução da despesa ao fluxo de caixa do Tesouro. como por exemplo: a clara definição do seu objeto. 12. que consiste no retardamento e. incorporamse ao orçamento do exercício. Exemplo: Subfunção 361 – Ensino Fundamental. classificam-se em: suplementares. “São créditos adicionais as autorizações de despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento”. Dependendo da sua finalidade. de programas de trabalho constantes da lei de orçamento. despesas com . aquisição de bens de consumo. com vistas à realização. serviços de terceiros.º 4. sob pena de incorrer nas penalidades da lei. o 31 fornecimento de contrapartida dos recursos a serem recebidos. visando agregar determinado subconjunto de despesa do setor público”. O convênio requer. CONTINGENCIAMENTO: procedimento utilizado pelo Poder Executivo. “a subfunção representa uma partição da função. que deles dará ciência imediata ao Legislativo. 9. CONVÊNIO: instrumento normalmente utilizado pela União. pelos Estados e Municípios. na questão da despesa. As funções. Os créditos adicionais. da Lei n. ao final do prazo nele previsto.

composta de seis categorias. O destaque de qualquer matéria é solicitado. 14. uma despesa de capital concorre para a formação de um bem de capital. em número limitado e para atender objetivos relacionados a matéria de competência de cada Comissão. 17. a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados somente poderá apresentar emenda versando sobre temas ligados à Agricultura. Por exemplo. DESPESAS DE CAPITAL: despesas relacionadas com aquisição de máquinas e equipamentos. 6-Amortização da Dívida. energia. aquisição de imóveis e concessão de empréstimos para investimento. nem para a expansão das suas atividades. 2-Juros e Encargos da Dívida. que prevê a apresentação de emendas pelas comissões técnicas permanentes do Congresso Nacional. geralmente de caráter técnico. já que esta é sujeita à aprovação do plenário da Comissão. 15. caso aprovada. telefone etc. EMENDA DE RELATORIA / EMENDA DE RELATOR: instrumento por meio do qual os relatores do projeto de lei orçamentária nele introduzem alterações. Normalmente. então. EQUILÍBRIO ORÇAMENTÁRIO: característica dos orçamentos em que contabilmente as receitas igualam-se à s despesas. incorpora-se ao texto da proposição. GND/GRUPO DE NATUREZA DA DESPESA: forma de classificação da despesa. de 1995. que é votada posteriormente e. DESTAQUE PARA VOTAÇÃO EM SEPARADO: procedimento por meio do qual uma parte de qualquer matéria em apreciação legislativa é separada para ser votada à parte do restante do texto. 19. aquisição de participações acionárias de empresas. realização de obras. empregada na lei orçamentária. 16. durante a fase de discussão. 13. 32 . assim como para a expansão das atividades do órgão.água. EMENDA DE BANCADA: o mesmo que emenda de Comissão. entretanto. 5-inversões Financeiras. a Resolução que rege os trabalhos da Comissão de Orçamento proíbe a utilização de emenda de relator com o objetivo de criar projeto novo. a saber: 1Despesas com Pessoal e Encargos Sociais. 18. porém de autoria das bancadas estaduais e regionais no Congresso Nacional. Estão nessa categoria as despesas que não concorrem para ampliação dos serviços prestados pelo órgão. ressalvando-se a parte destacada. As emendas de bancada devem ter como objeto ações de interesse dos respectivos estados ou regiões geográficas. mediante requerimento. A título de exemplo. EMENDA DE COMISSÃO: modalidade de emenda prevista na Resolução n. que deve inicialmente ser aceito para. um erro ou omissão pode ser corrigido por meio de emenda de relator.º 2-CN. submeter-se à matéria principal. 3-Outras Despesas Correntes. 4Investimentos.

aquisição de bens para revenda. De acordo com a prática vigente na Comissão de Orçamento. 22. aquisição de imóveis e instalações. das quais não resulta um produto. PARECER PRELIMINAR: documento elaborado pelo Relator-Geral do projeto de lei orçamentária e que contém. torna-se o parecer desta. locação de mão-deobra. e. 23. material de distribuição gratuita. PARECER DO RELATOR-GERAL: geralmente acompanhado de substitutivo ao projeto de lei orçamentária. em valor significativamente inferior ao custo da ação correspondente. Exemplo: Programa 0905 Operações Especiais: Serviço da Dívida Interna (Juros e Amortizações). ID-USO: informação constante da lei orçamentária e que indica se os recursos compõem contrapartida nacional de empréstimos ou de doações ou outras aplicações. sendo então encaminhado ao plenário do Congresso Nacional. além de uma análise detalhada da proposta do Poder Executivo. 3 = outras contrapartidas. o Parecer do Relator-Geral é elaborado com base nos pareceres dos relatores setoriais e. este relatório serve de base para discussão e votação de todo o conjunto da proposta do Executivo. OUTRAS DESPESAS CORRENTES: grupo de natureza da despesa em que se computam os gastos. a 33 manutenção das atividades dos órgãos. são as que “não contribuem para a manutenção das ações de governo. entre outros. constituição ou aumento de capital de empresas e concessão de empréstimos. aquisição de títulos de crédito e de títulos representativos de capital já integralizado. na lei orçamentária. 26. JANELA ORÇAMENTÁRIA: destinação de recursos. os parâmetros e critérios a serem observados pelos Relatores setoriais na apreciação das partes que compõem as respectivas relatorias. arrendamento mercantil. passagens e despesas de locomoção.20. equipamentos e material permanente. 25. e não geram contraprestação direta sob a forma de bens ou serviços”. com a finalidade de viabilizar. 1 = contrapartida de empréstimos do BIRD. para votação final. cujos exemplos mais típicos são: material de consumo. auxílio alimentação etc. uma vez aprovado na Comissão Mista. a saber: 0 = recursos não destinados à contrapartida. INVERSÕES FINANCEIRAS: grupo de natureza da despesa que abrange os gastos com: aquisição de imóveis em utilização. INVESTIMENTOS: grupo de natureza da despesa que agrupa toda e qualquer despesa relacionada com: planejamento e execução de obras. serviços de terceiros. OPERAÇÕES ESPECIAIS: segundo a nova metodologia de classificação da despesa. 24. constituição ou aumento de capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. 2 = contrapartida de empréstimos do BID. bem como . dotação simbólica. futuras suplementações. mediante pressões políticas. 21. 27.

já encaminhada ao Congresso. podendo ser alocadas por Estado ou. PROJETO OU DOTAÇÃO “GUARDA-CHUVA”: termo que designa as dotações genéricas. RECEITA CONDICIONADA: valor incluído como item de receita. Uma vez concluído. executados de acordo com os planos e a programação do órgão. as dotações que são financiadas por esse tipo de receita devem ser automaticamente canceladas.dos critérios para o cancelamento ou remanejamento de dotações e. ainda. ou seja. Normalmente. sancionada pelo Presidente da República e publicada na imprensa oficial. contendo a estimativa da receita e a fixação da despesa para determinado exercício financeiro. ou. PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA OU PROJETO DE LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL: é o projeto de lei elaborado pelo Poder Executivo. isenta de qualquer tipo de vinculação ou destinação específica. 29. do Ministério do Orçamento e Gestão. 34. ainda. 31. envolvendo um conjunto de operações. ainda. 30.º 42/99. Diferentemente da atividade. mediante convênio. Como . que é contínua no tempo e não resulta em um produto final. bem como o parecer sobre cada uma das emendas apresentadas ao setor. PARECER SETORIAL: documento em que o Relator setorial do projeto de lei orçamentária expressa a sua avaliação sobre a programação de despesa a cargo dos órgãos integrantes da sua relatoria. quando não ocorre a aprovação tempestiva da lei. para o atendimento das emendas de suas áreas. cuja realização está condicionada à aprovação de uma lei. cujo detalhamento fica a critério do órgão executor. em determinado exercício. Nos termos da Constituição. passa a constituir o parecer dessa Subcomissão. das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação de Governo”. RECEITA ORDINÁRIA / RECURSOS ORDINÁRIOS: receitas cuja aplicação é livre. podendo também referir-se à programação de todo o setor público. aos Estados e Municípios. 33. PROJETO: segundo a definição contida na Portaria n. caso aprovado. 32. trata-se de 34 “instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa. bem como da Lei de Diretrizes Orçamentárias para o exercício. 28. em dotação única de âmbito nacional. converte-se na lei orçamentária anual. Normalmente abrigam recursos que posteriormente serão transferidos. Depois de aprovada pelo Legislativo. a proposta orçamentária deve observar as disposições do Plano Plurianual em vigor. limitadas no tempo. e destina-se apenas à manutenção ou funcionamento da ação estatal. PROGRAMA DE TRABALHO: termo usado para designar o conjunto de projetos e atividades a cargo de um Órgão ou Unidade Orçamentária. o Parecer do Relator setorial é submetido à votação na respectiva Subcomissão e.

das receitas incorporadas ao Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). RESERVA DE CONTINGÊNCIA: dotação constante da lei orçamentária. investimentos. 39. essas receitas retornam à Unidade Orçamentária de origem.º 4. 40. sem destinação específica nem vinculação a qualquer órgão. Normalmente tem sua destinação vinculada a um órgão ou programa governamental. inversões financeiras e amortização da dívida. RECEITA VINCULADA: receita arrecadada com finalidade específica e previamente determinada. RECURSO CARIMBADO: dotação constante da lei orçamentária. Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira-CPMF. identificada com o nome da localidade que receberá os recursos alocados. exceto as destinadas à rolagem da dívida (Fonte 144). contratação de empréstimos de 35 longo prazo e transferências recebidas para a cobertura de despesas de capital. que resultam de desvinculações de outras receitas (Fonte 199). para serem aplicadas em sua programação de despesa. ainda. Após transitar pelo Tesouro. Constituem obrigações a pagar do exercício seguinte e são classificados como processados .exemplos típicos. 35. ou seja. constituída de recursos provenientes de: conversão de bens e direitos em espécie (numerário). após as transferências da parte devida aos Estados e Municípios (Fonte 100). respectivamente. 37. recebimento de amortizações de empréstimos concedidos. compreende as receitas das entidades da administração indireta (autarquias. RECEITA PRÓPRIA: sob o título “Recursos Diretamente Arrecadados”. receitas obtidas da emissão de títulos públicos. De acordo com as edições mais recentes da LDO. para custeio da saúde pública. cuja finalidade principal é servir de fonte de cancelamento para a abertura de créditos adicionais. fundações e empresas públicas) e dos fundos. RESTOS A PAGAR: de acordo com a Lei n. A sua não execução implica em cancelamento da dotação. RECEITAS DE CAPITAL: categoria importante da classificação econômica da receita. ou seja. resultam de despesas empenhada mas não pagas até o dia 31 de dezembro. Exemplos: contribuições sociais para o financiamento da seguridade social. Exemplo típico é o subprojeto incluído na LOA mediante emenda parlamentar. até o encerramento do exercício financeiro. 36. e que identifica o município destinatário dos recursos. e. ser utilizada como fonte para atendimento de crédito adicional. podendo. com base em disposição constitucional ou legal. temos a parcela resultante da arrecadação de impostos. ao longo do exercício. devem ser constituídas reservas de contingência vinculadas aos orçamentos fiscal e da seguridade social. em valores da ordem de três por cento. 38. da receita global de impostos e da receita de contribuições sociais.320/64. em nível de subprojeto ou subatividade.

do art. James. SUBTÍTULO: de acordo com o § 2. ed. São Paulo : Atlas. Osvaldo Maldonado. 41. SEQÜENCIAL : código numérico que identifica cada dotação constante do projeto de lei orçamentária. da LDO/2000. 36 . Brasília: Prisma. projetos e operações especiais. XII . 42. projetos e operações especiais serão desdobrados em subtítulos especialmente para especificar a localização física integral ou parcial das respectivas atividades. Orçamento Público. Planejamento e Áreas Afins. alteração da finalidade e da denominação das metas estabelecidas”. utilizado para facilitar o processamento das alterações introduzidas pelo Congresso Nacional. por conseguinte. SANCHES. 7. 1997.ou não processados. não podendo haver. conforme o estágio de execução da respectiva despesa.º. Dicionário de Orçamento.º. 1997. “As atividades. 3.OBRAS CONSULTADAS: GIACOMONI.