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ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA – NECESSÁRIA OU SUPÉRFLUO PARA O CONHECIMENTO GEOGRÁFICO ? Sanderson dos Santos Romualdo (sandersonromualdo@gmail.com) UFJF Graziella Martinez Souza Graziellamartinez@yahoo.com.br UFJF/UFF Resumo: O presente trabalho foi motivado a partir do descontentamento de professores de Geografia dos ciclos finais do Ensino Fundamental em relação aos conhecimentos prévios sobre a arte cartográfica. A pesquisa realizou-se focando na Alfabetização Cartográfica ministradas em algumas escolas municipais, estaduais e particulares de Juiz de Fora-MG, município situado na Zona da Mata Mineira, que teve como perspectiva avaliar os conceitos formados relativos à noção de espaço e a forma de representá-lo pelas crianças concluintes do II ciclo do Ensino Fundamental (4ª série). A formação desses conceitos é primordial para as séries subseqüentes do Ensino Fundamental se estendendo ao Ensino Médio, quando o ensino de Geografia requererá manuseio e profícuas interpretações de mapas. Para o desenvolvimento do trabalho foram realizadas entrevistas com professores e alunos desse ciclo de aprendizagem, além da análise de um teste elaborado contendo questões que dessem um panorama de como está o processo de alfabetização cartográfica. Ao entrevistar os professores procurou-se estabelecer uma conversa informal sobre a didática empregada no ensino de Geografia durante as aulas. E para os alunos aplicou-se um teste escrito constituído de 7 questões envolvendo noções de lateralidade, posição, decodificação de símbolos e redução. Além disso, buscou-se embasamento teórico nas leituras de obras de alguns autores que discutem a temática. Palavras-chave: Alfabetização Cartográfica, Ensino de Geografia,

INTRODUÇÃO Nas séries iniciais do Ensino Fundamental, vê se a concentração do trabalho dos professores para o saber matemático e da Língua Portuguesa, ficando em segundo plano, talvez despercebido, saberes históricos, biológicos, geográficos, entre outros, que envolva a alfabetização infantil.

A escolha dos conteúdos a ser trabalhados nessas séries nem sempre reflete o desenvolvimento do pensamento da maioria das crianças, pois desconsideram que os alunos deveriam compreender a realidade que os cerca para depois ampliar seu conhecimento a outras realidades mais distantes. (ROMANO, 2006, p.157)

O aluno tem que terminar todo esse ciclo inicial (4ª série) dominando as 4 operações básicas da matemática – adição, subtração, multiplicação e divisão – dominando a leitura, escrita e interpretando de textos. Quando esse aluno chega em um novo ciclo de estudos, agora a 5ª série, ele se depara com uma série de novas disciplinas, que para o mesmo são novidades. A Geografia, por

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exemplo, que será nesse trabalho nosso foco de estudos, exemplifica bem essas “novidades”, apesar de já existir nas séries iniciais. O aluno por não estar familiarizado com essa disciplina, passa a ter um pré-posicionamento contrário e negativo da Geografia, descaracterizando-a como ciência da memorização. Essa descaracterização tem suas causas quando sua alfabetização concentrava-se para o Português e Matemática. Aí percebemos que a alfabetização vai além dessas duas disciplinas, sendo necessária a junção de outras disciplinas/conteúdos. Com a Geografia, o professor poderia ter construído com os alunos o conhecimento e noções de alguns conceitos. A alfabetização cartográfica, que irá ser enfatizada durante o trabalho, poderia ser um grande instrumento para que o aluno desde pequeno pudesse entender a sua realidade, mostrando o quanto ele ajudou e ajuda produzir no espaço onde ele vive. Na maioria das vezes, quando a Geografia é ensinada nas séries iniciais, é passada de forma tradicional. O professor transcreve o que encontrou nos livros didáticos no quadro e avalia os alunos através de questionamentos que buscam apenas a memorização, conforme destaca ROMANO (2006, p. 157). No decorrer desse trabalho será mostrado uma “pequena” pesquisa que realizou-se com professores e alunos, da 4ª série, de diferentes redes públicas da educação, municipal e estadual . A pesquisa buscou encontrar se foram desenvolvidas com os alunos pequenas noções da Alfabetização Cartográfica que auxiliaram na continuação dos estudos dos alunos e para o dia-a-dia. Segundo CARNEIRO(2009),

A Educação Cartográfica é um processo de construção de estruturas e conhecimentos favorecedores da leitura e interpretação de mapas. A construção e interpretação de mapas, por sua vez, são atividades de comunicação, e possuem textos com códigos próprios cujas mensagens devem ser lidas e interpretadas.

Portanto, é necessário também discutir o papel do docente neste processo, pois o despreparo dos professores de geografia para o ensino de cartografia é preocupante, uma vez que acarreta distorções no uso dos documentos cartográficos como meio de comunicação. A finalidade do mapa perde todo o seu atributo ora por não ser trabalhado, ora por ser manuseado sem o devido entendimento, perdendo assim o contexto da comunicação. DESENVOLVIMENTO: A IMPORTÂNCIA DA GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS Para muitos professores das séries iniciais a Geografia se limita a gênese da palavra. Trabalhando com os alunos uma Geografia arcaica que se atém a descrições de paisagens entre outros elementos do espaço. Não se tem o cuidado de trabalhar com as primeiras noções geográficas,

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proporcionando ao aluno uma compreensão crítica das relações espaciais. Portanto, deve-se romper com esse tradicionalismo buscando junto com os alunos o entendimento da interação do homem com o meio nas relações espaciais. Desse modo, tratando a Geografia como uma ciência dinâmica, e não estática, que está sempre discutindo a complexidade das relações espaciais. ALMEIDA e PASSINI (2004, p.11-12) vêem a Geografia,

como ciência voltada para a análise da realidade social quanto à sua configuração espacial. A produção e organização do espaço pela sociedade moderna realizam-se através do processo de trabalho. Na análise geográfica da organização social do espaço a relação sociedade/natureza se faz através do trabalho que [...] leva transformações territoriais para a construção de espaços diferenciados conforme os interesses da produção no momento.

A aprendizagem geográfica, como de outras ciências, deve-se sempre preocupar com a construção de conhecimentos/conceitos/noções junto aos educandos. Não atrelando o seu ensino a “memorização”, mas como uma visão geográfica vista diariamente que vai além das salas de aulas, e sempre tomando cuidado com alguns aspectos: excessos e/ou faltas de informações; não prender-se a livros didáticos etc. O SENTINDO DA ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA Nesse sentindo percebe-se a importância do ensino da Geografia para os alunos das séries iniciais a partir da realidade deles, tendo como alusão os seus locais de vivências, como, por exemplo, a rua, o bairro e a cidade onde eles moram. Com esse trabalho o aluno estará desenvolvendo as primeiras noções da produção do espaço, e que ele faz parte dessa produção. A partir desse momento é preciso que o professor faça um trabalho que estimule os alunos o registro dessas conversas através dos desenhos, começando o trabalho da representação cartográfica. ROMANO (2006, p.157),

Assim o professor deve considerar que representar um lugar por meio do desenho exige uma organização mental adequada. Esta será exercitada com a construção gráfica que dará início à alfabetização cartográfica.

Diante desse momento o educando começará a ler a sua realidade, o contexto onde ele está inserido, por intermédio da alfabetização cartográfica e que permitirá a construção de importantes conceitos na decodificação de mapas (codificação de um dado espaço “real”).

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A alfabetização cartográfica abrange a progressão das relações espaciais topológicas elementares; as relações espaciais projetivas e as relações espaciais euclidianas. A primeira é a prescrição das relações espaciais do espaço próximo (identificação das relações de lateralidade): lado, em frente, perto, longe, fora, dentro, entre outros, “desconsiderando” distâncias, medidas e ângulos. Desde o nascimento da criança as relações topológicas elementares são estabelecidas. Na iniciação escolar, mas precisamente entre 6-7 anos da criança, são significativos à consideração da percepção espacial. Já a segunda relação, as projetivas, se apóia na inclusão da perspectiva. A perspectiva permiti a modificação da imaginação espacial da criança, “que passa a conservar a posição dos objetos e alterar o ponto de vista até atingir as Relações Espaciais Projetivas” de acordo com ALMEIDA & PASSINI (2004, p.38). E a última, as relações espaciais euclidianas, explicam a manifestação da noção de coordenadas – construção da conservação de distância, comprimento e superfície – que localiza-se objetos que se interagem uns com os outros. Essas relações espaciais euclidianas ocorrem simultâneas as relações espaciais projetivas. No adulto a organização espacial também inclui perspectivas e coordenadas baseando em relações espaciais projetivas e euclidianas, porém ele consegue se orientar e localizar-se a partir de menções abstratas. Já as crianças, alunos da iniciação, 7 e 11 anos, estão desenvolvendo a construção dessas relações espaciais. Diferente do adulto, elas encontram maiores dificuldades para representações gráficas que forçam a abstração delas, por isso que para elas, esse momento é percebido/compreendido de forma concreta. Ainda, é importante destacar, que num primeiro momento é bastante complexa a compreensão do sistema de localização geográfica com coordenadas (latitude e longitude) para as crianças. Mas com 9-10 anos elas “terão competências de utilizar medidas e coordenar referenciais de altura e cumprimento – horizontal e vertical – os quais são essenciais à construção do sistema de coordenadas.” ALMEIDA & PASSINI (2004, p. 39). A compreensão e construção dos conceitos de lateralidade e orientação; escalas e legendas; visão vertical e a oblíqua; e proporções são envolvidas no processo de alfabetização cartográfica. A lateralidade envolve a distinção de direita/esquerda, frente/trás. Na faixa etária de 5-8 anos, por exemplo, as crianças se prendem na distinção no que está a sua direita ou a sua esquerda, não projetando distinções no que está a sua frente ou trás. Entre 8-11 anos essa relação já vai ficando possível e aos 11-12 anos elas já são capazes de fazer essa distinção “independentemente de sua própria posição. Por exemplo: a janela está à direita da lousa.” ALMEIDA & PASSINI (2004, p.42). A importância da lateralidade permitirá o trabalho das noções de orientação para a compreensão dos referenciais geográficos. As noções de escalas serão entendidas com a compreensão da proporção. Levando o aluno a perceber de forma correta as relações de proporcionalidade cartográfica. As legendas é o meio de representar objetos, entre outros, por meio de símbolos, destacando-se nos desenhos/mapas, com objetivo de facilitar leituras de mapas. A transposição de imagens

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tridimensionais para bidimensional é facilitada na construção dos conceitos de visão vertical – de cima para baixo, abrangendo comprimento, largura e altura – e visão oblíqua – visão angular da superfície.

A REALIDADE DAS ESCOLAS DAS SÉRIES INICIAIS QUANTO AO PROCESSO DA ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA O processo da alfabetização cartográfica exige que o professor como norteador do processo ensino-aprendizagem seja dotado desses conhecimentos para a sua construção junto aos alunos. Os professores das séries iniciais não têm formação precisa para o ensino de Geografia e principalmente dos aspectos específicos da Cartografia. Conforme já destacado no início desse trabalho, as preocupações maiores nessas séries iniciais giram em torno da matemática e da língua portuguesa. No que tange o ensino de Geografia os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – de 1ª a 4ª série destacam que, dentre outros, um dos objetivos gerais é que o aluno saiba

utilizar a linguagem cartográfica para obter informações e representar a espacialidade dos fenômenos geográficos; e mais especificamente para o 1º ciclo, para o aluno reconhecer, no seu cotidiano, os referenciais espaciais de localização, orientação e distância de modo a deslocar-se com autonomia e representar os lugares onde vivem e se relacionam (MEC/PCN).

O PCN ainda reforça que um dos critérios para avaliação dos alunos no final desse ciclo da Geografia nessas séries é de,

Ler, interpretar e representar o espaço por meio de mapas simples [...]Com este critério avalia-se se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartográfica como um sistema de representação que possui convenções e funções específicas, tais como cor, símbolos, relações de direção e orientação, função de representar o espaço e suas características, delimitar as relações de vizinhança. (MEC/PCN)

Os PCNs são documentos oficiais do governo que norteiam os conteúdos/disciplinas a serem trabalhados nas escolas. Mesmo tendo essas referências, é preciso que o professor tenha uma formação mais adequada que atendam objetivos pré-propostos para o ensino de Geografia nas séries iniciais, pois o que vemos na realidade não é bem isso. Vemos bastante profissionais da educação com formações bem deficientes. A pesquisa que será mostrada a seguir foi desenvolvida em diferentes escolas da rede Estadual e Municipal de ensino da cidade de Juiz de Fora – MG. Nessa pesquisa pode mostrar o que foi discutido durante todo esse trabalho, a deficiência da alfabetização nas séries iniciais, principalmente a alfabetização cartográfica. Essa alfabetização permiti um ensino da Geografia mais

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investigativa, que meramente descritiva, favorecendo uma melhor compreensão dos lugares e até mesmo da forma pela qual nos apropriamos dele para modificá-lo. E que instiga também o senso crítico e de responsabilidade social, visto que,

O estudo da linguagem cartográfica, por sua vez, tem reafirmado sua importância, desde o início da escolaridade. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da geografia, os mapas , como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço(MEC/PCN).

A PROBLEMÁTICA NO ENSINO DA CARTOGRAFIA A questão do analfabetismo cartográfico tem sido ultimamente muito pesquisada. Grupos de todo o Brasil dedicam-se à educação cartográfica. Os trabalhos realizados junto à área de cartografia e ensino, vinculam-se basicamente a três grandes linhas: metodologias de ensino, teorias da aprendizagem e técnicas de comunicação cartográfica. É importante que os resultados das pesquisas tenham aplicação direta na melhoria do ensino, através de propostas de conteúdos para o currículo didático nas instituições que formam professores de Geografia, uma vez que os ensinamentos da educação cartográfica é de responsabilidade do professor de Geografia. Se professores são formados para o ensino de crianças e adolescentes; e segundo BOARD, (1975) “Os trabalhadores em Geografia, no domínio dos conteúdos Cartográficos, devem ensinar para os estudantes quatro princípios básicos de Cartografia: direção, local, escalas e simbolismo”, porque não haver uma disciplina que desenvolva habilidades do professor de Geografia em trabalhar os conteúdos cartográficos para crianças? Na década de 70, a Profª Lívia de Oliveira já dava o seu alerta para esse problema e sugeria a criação dessa disciplina. Existe, portanto, uma distância entre a produção acadêmica e o Ensino Fundamental e Médio. Como também existe uma grande dificuldade na identidade do professor de Geografia, devido a grande defasagem que a escola se encontra diante do avanço técnico-científico. Diante desta situação, verifica-se que práticas pedagógicas do ensino de Geografia estão ultrapassadas, daí o índice de analfabetos cartográficos ser muito grande em nosso estado, uma vez que a limitação do uso inadequado ou da não utilização da linguagem cartográfica é uma realidade em nossas escolas. Segundo ANDRÉ (1990),

o que ocorre via de regra, é que o professor não está preparado para desempenhar esse papel na sala de aula, devido à formação deficitária que recebeu, que nem lhe propiciou o acesso aos conhecimentos necessários ao domínio do componente curricular

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que leciona, nem lhe deu oportunidade de desenvolver sua condição de sujeito produtor desses conhecimentos e responsável por seu avanço.

DESENVOLVIMENTO DAS ENTREVISTAS – A DIDÁTICA EMPREGADA PELOS PROFESSORES COM OS ALUNOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Ao ir as escolas fazer aplicação dos testes aos alunos, primeiramente buscou-se uma conversa informal com os professores das 4ª séries sobre como eles fazem a abordagem da Geografia com os alunos. Mediante as conversas constatou-se que foi discutido ao longo do trabalho. Os professores mostraram ficar bastante preso aos livros didáticos e que trabalhavam pouco com a disciplina devido ao grande número de alunos que ainda precisavam ser alfabetizados para o desenvolvimento de leituras, interpretação de texto e de saberem operar as 4 operações básicas da matemática. Quanto aos livros didáticos que são adotados como um verdadeiro manual desses professores, não deve ser utilizado como um manual didático. Pois, a maioria dos livros apresentam grandes absurdos para o ensino. É preciso aliar o processo de ensino-aprendizagem com outros meios: internet, revistas, jornais etc.

DESENVOLVIMENTO DAS ENTREVISTAS – O TESTE APLICADO AOS ALUNOS DA 4ª SÉRIES Mediante aos conceitos abordados aqui sobre a Geografia e o processo de Alfabetização Cartográfica, o teste aplicado aos alunos buscou avaliar os conceitos relativos à noção de espaço e a forma de representá-lo se estão formados nas crianças concluintes da 4ª série. Conceitos importantes para as séries subseqüentes, quanto o ensino da Geografia requererá o manuseio de mapas e aprofundamento das questões relacionadas à organização espacial. Para isso foi elaborada uma avaliação escrita constituída de 7 questões envolvendo noções – que foram discutidas ao longo do trabalho – de lateralidade, posição, decodificação de símbolos (legenda) e redução, aplicada em um grupo de 204 crianças (6 classes, sendo 3 da Rede Estadual e 3 da Rede Municipal) 59 crianças de escolas públicas. Mas antes de aplicar os testes foi dito às crianças que eram um teste simples, que não valia nota e que era apenas um teste simples.

ANÁLISE DOS TESTES APLICADOS AOS ALUNOS Na primeira questão, buscou-se identificar a noção de lateralidade quando o referencial é a outra pessoa. Do total de alunos participantes do teste, 70% erraram a resposta, isto mostra que esse conceito não está formado nos alunos avaliados. Observou-se que a maioria marcou como resposta o

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boneco “B”, que estava de costas, posição em que encontrariam facilidade de identificação com a sua posição na carteira. Porém, é importante salientar, para essa pergunta, na sua elaboração perpetuou-se um erro didático ao elaborar a resposta para essa questão, pois induziu os alunos a marcarem uma das alternativas, quando na verdade a resposta correta não era nenhuma das opções, o que deveria ser discriminado. Para o acerto da questão a criança teria que ter iniciativa de oferecer uma resposta, quando não era seu objetivo. Mais isso não comprometeu o trabalho, uma vez que na questão nº 2, também se avaliou o conceito de lateralidade. A idéia da questão nº 2 foi de avaliar a decodificação de símbolos (legenda), visão vertical e novamente posição. Foi percebido que a grande maioria dos alunos conseguiu decodificar a legenda, mostrando que os alunos já possuíam noção desse conceito. Foi observado também que alguns alunos relacionaram o teste com a situação real da sala de aula e por isso responderam com nomes de colegas de classe nas respectivas posições perguntadas no teste. Isto a um olhar crítico pode ser visto como um ponto negativo, visto que esse “erro” foi decorrente de domínio de leitura (interpretação de texto), mas por outro lado, pode-se olhar como uma extensão dos conhecimentos além da pergunta feita no teste. Nas questões “2c e 2d” observou-se uma situação inusitada, um grande número de acertos e de erros, respectivamente. Ambas tratavam do mesmo conceito (frente e costa/posição). Mais uma vez os alunos fizeram referências as suas posições reais na sala de aula – o fato de estarem sentadas sempre de frente para o quadro, visto que o teste mostrava uma “nova” disposição dos alunos na sala de aula, em círculo. Na questão nº 3 procurou-se avaliar o conceito de visão vertical, além da decodificação de símbolo, mesmo sabendo que este interferiria na resposta. Um pouco mais da metade das crianças avaliadas erram a questão. Talvez, não justificando os erros, esses alunos têm dificuldades de trabalharem com um pouco de abstração. A resposta bastante marcada foi que o “desenhista” estava na porta da sala. Por ultimo, na questão nº 4, procurou-se avaliar o conceito de proporção (redução/escala), que também é importante à matemática. A maioria dos alunos não conseguiu responder. Muitos, ao responderem escrevendo que o palito amarelo era de 5 a 10 vezes menor que o palito amarelo, passando longe do conceito de redução. Nessa questão foram dadas aos alunos um par de palitos de picolé pintado com tinta guache, um de amarelo e outro vermelho – o palito vermelho foi dado inteiro para as crianças. Já o amarelo, foi dividido em três parte iguais, onde que uma parte desse era dado pra cada aluno.

CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS: Ao longo desse trabalho pode ser destacado a importância da alfabetização cartográfica como formadora de conceitos que influenciam na perspectiva de mundo, de organização espacial. A criança que desenvolve o domínio cognitivo terá melhor capacidade de perceber, entender o mundo,

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manuseando com desenvoltura instrumentos da Geografia, tais como mapas, cartas, globo, entre outros. Pela análise geral da pesquisa feita com os alunos, o teste, poucos conseguiram atingir a expectativa do teste. Não é justificável que a geografia, sendo uma ciência que se propõe a tratar da organização espacial de elementos naturais e humanos, negligencie a importância da cartografia para a representação, descrição e análise da distribuição dos fenômenos estudados. As colocações desenvolvidas neste artigo têm o propósito de promover um debate em torno da necessidade urgente de se tomar várias decisões à respeito do ensino da geografia escolar; entre elas a reestruturação da grade curricular das faculdades e universidades que formam professores de geografia e a habilitação de docentes das séries iniciais no tocante ao ensino da cartografia.

O ensino de Geografia pode levar os alunos a compreenderem de forma mais ampla a realidade, possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. Para tanto, porém, é preciso que eles adquiram conhecimentos, dominem categorias, conceitos e procedimentos básicos com os quais este campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações, de modo a poder não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza às quais historicamente pertence, mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico. (MEC/PCN)

Desse modo fazemos a provocação do seguinte questionamento: Alfabetização cartográfica é necessária ou supérfluo para o conhecimento geográfico?

REFERÊNCIAS:

ANDRÉ, M.E.D.A . A avaliação da escola e a avaliação na escola. Cadernos de Pesquisas, nº 74, p.70-93,1990. ALMEIDA, Rosângela Doin de. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica escolar. São Paulo: Contexto, 2004. BOARD, Christopher. Os Mapas como modelos. In: Modelos físicos e de informação em Geografia: USP e Livros Técnicos e Científicos. Rio de Janeiro. 1975. BRASIL, MEC. Parâmetros curriculares nacionais: Geografia. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1998. CARNEIRO, Andrea Flávia Tenório e SILVA, Paulo Roberto Florêncio. de Abreu e. A educação cartográfica na formação dos professores de Geografia: a situação em Pernambuco. In: XXI Congresso Brasileiro de Cartografia, disponível em http://www.cartografia.org.br/xxi_cbc/039-E04.pdf, acesso em 18/02/09.

10 ROMANO, Sonia Maria Munhóes. Alfabetização cartográfica: a construção do conceito de visão vertical e a formação de professores. In: CASTELLAR, Sônia (org). Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Contexto, 2006, p. 157167.