Um Homem Violentamente Apaixonado

By: femme-mal A segunda manhã após Darcy terminar de revisar os contratos do seu casamento e do de Bingley estava brilhante e fresca; as cores das árvores da vizinhança cintilavam em ouro e cobre. Kitty, que ele logo esperava chamar de irmã, seguiu mais adiante para Lucas Lodge. Ela estava entediada com a conversa fiada dos amantes frustrados e embaraçada com os sussurros dos noivos. Logo que ele não pode mais ouvir o vestido de Kitty passando pela grama no caminho mais à frente, Darcy parou para olhar para Elizabeth. Ela ficou parada ao lado dele, desejando capturar aquele momento. “Sr. Darcy, sou uma criatura muito egoísta e, a fim de aliviar as incertezas dos meus sentimentos, vou talvez ferir os seus. Não posso adiar por mais tempo os agradecimentos que lhe devo pela sua inestimável intervenção a favor de minha irmã. Desde que tomei conhecimento de tal atitude, tenho ansiado por uma ocasião para lhe manifestar toda a minha gratidão. E, se todas as outras pessoas da minha família o soubessem, não lhe falaria apenas em meu nome.” Ela não pode olhar em seus olhos, sentindo não apenas profunda admiração por sua assistência, mas também vergonha pelas falhas de sua família. “Sinto imensamente que tenha sido informada de um fato que, mal interpretado, poderia tê-la contrariado. Julguei poder confiar na discrição da Sra. Gardiner.” As sobrancelhas de Darcy se ergueram em surpresa. “Não deve culpar minha tia. Foi por uma inatenção de Lydia que eu soube que o senhor se tinha envolvido no caso; e, naturalmente, não descansei enquanto não fui posta ao corrente de tudo o que se passara. Deixe-me agradecer-lhe novamente, em meu nome e no da minha família, pela generosa compaixão que o levou a dar-se a todos os incômodos e a suportar tantas mortificações, na busca que lhes fez.” “Se deseja me agradecer, faça apenas por si mesma. Não tentarei negar que o desejo de lhe proporcionar felicidade adicionou força ao que fiz. Mas sua família nada me deve.” Sua voz diminuiu até tornar-se um sussurro, seus olhos fixos nos dela. “Respeito-a muito, mas creio que pensei apenas na senhorita.” Seu rosto corou; ela não pode falar uma só palavra. Seus olhos disseram tudo, límpidos e líquidos, sua aprovação ilustrada em seus cílios. Darcy respirou fundo e segurou. Essa era sua chance, sua hora, seu momento. Ele não ousou esperar; ele se agarrou a isso. “Você é muito para troçar de mim. Se seus sentimentos ainda são o que eram em Abril passado, diga -me de uma vez. Minha afeição e desejos não mudaram, mas uma palavra sua me silenciará para sempre no assunto.” Elizabeth ergueu o braço, acariciou seu rosto, perdida para uma resposta fundamentada. Ela apenas pôde olhá-lo nos olhos até que uma torrente de palavras brotou de seus lábios e fluiu junto com as lágrimas. “Sim. Quero dizer, meus sentimentos não são os mesmos. Eles – ah, Deus – eu estou – eles estão tão mudados...” Ele segurou o queixo dela com sua mão direita enquanto a puxava para perto com a esquerda. Ele inclinou-se para frente e roçou seus lábios levemente nos dela. Os olhos dela fecharam-se, seus sentidos dominados pela proximidade dele. Darcy beijou suas pálpebras, seus cílios fazendo cócegas nos lábios dele antes que ele se movesse para beijá-la nos lábios novamente. Dessa vez ele não pode conter seu desejo de sentir sua boca rendida a dele, de prová-la; ela rendeu-se à sua gentil e insistente pressão enquanto a língua dele acariciava seus lábios. Ela se assustou com a surpresa de sua língua quente, mas derreteu-se a ele. Darcy puxou-a para mais perto em seu abraço; ela ergueu os braços e envolveu seus braços ao redor do pescoço dele enquanto sua boca se abria

como uma flor para sua exploração. Por alguns momentos eles ficaram completamente absortos um no outro; esquecidos de tudo ao seu redor. Darcy queria muito mais, mas sabendo que era o tutor dela nas demonstrações de amor, ele se afastou um pouco. Os olhos de Elizabeth estavam vítreos, suas pálpebras fechando-se, como se ela tivesse bebido muito vinho. Ele não pode evitar um leve riso ao ver o quão ofegante ela estava, sabendo que sua respiração também devia tê-lo traído. Ele puxou-a para mais um abraço, o topo da cabeça dela abrigada abaixo de seu queixo. Em seu rosto apareceu o maior dos sorrisos, seu deleite não sendo visto por sua amada, embora ela pudesse sentir seu coração martelando sob sua bochecha. “Elizabeth, estou tão grato que me permita ser seu. Não tenho desejado nada além disso desde que a vi esse verão: a chance de agradá-la, de fazê-la feliz. Ficarei honrado de passar o resto dos meus dias para esse fim. Eu a amo como nunca amei nada ou ninguém. Você é tudo para mim.” Foi a vez dela de afastar-se, dessa vez para olhar em seus olhos e comunicar todo o sentimento que brotava dentro dela. “Sr. Darcy-” “Fitzwilliam, meu amor. Ou pode chamar-me William, ou Will, como Georgiana chama. Ficarei feliz em atender às mulheres que amo se elas me chamarem de William ou Will.” “Will.” Ela sorriu após saborear o nome dele em seus lábios, apreciando o som e a alegre resposta dele, outro sorriso mudando seu rosto inteiramente para o de um feliz menino crescido. Sua mão moveu-se por vontade própria, tocando primeiro o rosto dele e então seus lábios. “Eu o amo, Will. Você é um irmão maravilhoso, um amigo leal, o melhor dos homens. Eu só espero poder ser tanto para você como você já é para mim. Sinto-me ansiosa para passar o resto dos meus dias ao seu lado.” Ela pôs-se na ponta dos pés e pressionou seus lábios levemente contra os dele, mais uma vez envolvendo o pescoço dele com seus braços. Após perderem-se novamente em um beijo, eles separaram-se com grande relutância. Eles seguiram caminhando, sem saber em que direção. Havia muito a se pensar, sentir e dizer para poderem dar atenção a qualquer outro assunto.

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Texto original: https://www.fanfiction.net/s/9786301/1/A-Man-Violently-in-Love Tradução: Lizzie Rodrigues http://lizzierodrigues.blogspot.com.br/