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Lei Complementar 142/2013 - aposentadoria da pessoa com deficiência
sábado, 11 de maio de 2013

Olá amigos, Como vocês sabem os leitores do Dizer o Direito não podem f icar desatualizados a respeito das inovações legislativas. Então, hoje vamos hoje tratar sobre um novo diploma de extrema relevância social. Trata-se da Lei Complementar n.° 142, de 08 de maio de 2013, que regulamenta a aposentadoria da pessoa com def iciência segurada do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Vamos conhecer um pouco mais sobre o tema: Aposentadoria especial Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do benef iciário são mais f avoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais pessoas. Regra geral A CF/88 estipula, como regra geral, que a lei não pode adotar requisitos e critérios dif erenciados para a concessão de aposentadoria aos benef iciários do regime geral de previdência social (“regime do INSS”). Em outras palavras, em regra, a lei não pode estabelecer que determinados grupos de pessoas tenham condições “mais f áceis” para se aposentar. Exceções A própria CF/88 admite exceções a essa regra. Assim, de f orma excepcional, o § 1º do art. 201 da CF/88 estabelece que LEI COMPLEMENTAR poderá prever requisitos e critérios dif erenciados para a concessão de aposentadoria em dois casos: 1) Para as pessoas que exercem atividades sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. 2) Para segurados portadores de deficiência (obs: a aposentadoria especial para deficientes foi inserida pela EC 47/05). Aposentadoria especial para pessoas com deficiência Como não havia Lei Complementar disciplinando, as pessoas portadoras de def iciência tinham que cumprir os requisitos e critérios gerais previstos para todos os demais segurados. Desse modo, apesar de prevista na CF/88 desde 2005, a aposentadoria especial para os def icientes não podia ser exercida na prática. Lei Complementar n.° 142/2013 Disciplinada pelos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91 que, quanto a este tema, possui status de LC. Até a edição da LC 142/2013 não havia lei disciplinando este direito.

Vejamos os principais aspectos da nova Lei: Quem pode ser considerado deficiente para os fins de aposentadoria especial da LC 142/2013? Considera-se pessoa com def iciência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza f ísica.buzzero. assinada 30/03/2007. Convenção de Nova York Em verdade. lazer e trabalho). Pode ser classif ica em: surdez. Percebam que a lei inclui as pessoas portadoras de def iciência física. podem obstruir sua participação plena e ef etiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas (art. 3º da LC): Grau de deficiência GRAVE Condições Homem = 25 anos de tempo de contribuição.com/educacao-e-inclusao-social-60/pedagogia-61/curso-online-def iciencia-sensorialcom-certif icado-38497). Condições para que a pessoa com deficiência possa se aposentar no RGPS (art. a LC 142/2013 andou bem porque adotou o conceito de pessoas com def iciência previsto no art. segundo a Associação Americana sobre Def iciência Intelectual do Desenvolvimento AAIDD. saúde e segurança. Desse modo. 5º da CF/88. entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. em interação com diversas barreiras. déf icit de paladar (https://www. prevendo um conceito bem amplo. uso de recursos da comunidade.apaesp. associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação. por três quintos dos votos dos respectivos membros. 2º). isso signif ica que a pessoa com Def iciência Intelectual tem dif iculdade para aprender. publicada no dia de ontem. Deficiência intelectual (ou atraso cognitivo) “A Def iciência Intelectual.aspx) Deficiência sensorial A def iciência sensorial se caracteriza pelo não f uncionamento (total ou parcial) de algum dos cincos sentidos.” (http://www. veio suprir esta lacuna. déf icit de olf ato. que ocorrem antes dos 18 anos de idade. cegueira. conf orme previsto no § 3º do art. os quais. intelectual ou sensorial.org. a LC 142/2013 utiliza um conceito de def iciência previsto em norma constitucional (bloco de constitucionalidade).A Lei Complementar n. Vale ressaltar que a Convenção de Nova York possui status de emenda constitucional em nosso país considerando que se trata de convenção internacional sobre direitos humanos que f oi aprovada. déf icit de tato. adaptação social. mental. 1º da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Def iciência (Convenção de Nova York). determinação. regulamentando o § 1º do art. aprovada no Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo 186/2008 e promulgada pelo Decreto 6. caracteriza-se por um f uncionamento intelectual inf erior à média (QI). autocuidado. intelectual ou sensorial. essa pessoa se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem.° 142/2013. Mulher = 20 anos de tempo de Renda mensal 100% do salário de benef ício .br/SobreADef icienciaIntelectual/Paginas/O-que-e. f unções acadêmicas. em dois turnos. 201 da CF/88. no tocante à aposentadoria da pessoa com def iciência segurada do RGPS.949/2009. vida no lar. em cada Casa do Congresso Nacional. Muitas vezes. mental. No dia a dia.

João ainda trabalhou durante mais 1 ano. provavelmente (ainda dependemos do Regulamento). tornar-se pessoa com def iciência. Grau de deficiência será aferido por meio de perícia O grau de def iciência será atestado por perícia própria do Instituto Nacional do Seguro Social . A Lei af irma (art. O que acontece se a pessoa trabalhou durante um período quando não ostentava ainda a deficiência e outra parte do tempo após ter adquirido a deficiência? Os períodos serão simplesmente somados para fins de aposentadoria especial? Ex: João trabalhou durante 32 anos filiado ao RGPS. Poderá ele ter direito a aposentadoria especial? NÃO. após já estar f iliado ao RGPS. o regulamento deve trazer uma f órmula para considerar proporcionalmente os dois períodos que. João ainda não terá direito à aposentadoria especial porque o tempo prestado antes da def iciência não será computado de f orma integral para f ins de aposentadoria com base na LC 142/2013. Como é avaliada a deficiência? A Lei af irma que a avaliação da def iciência será médica e f uncional.INSS. Mulher = 28 anos de tempo de contribuição. Mulher = 24 anos de tempo de contribuição. esses períodos não vão ser simplesmente somados. 70% do salário de benef ício mais 1% por grupo de 12 contribuições mensais até o máximo de 30%. MODERADA Homem = 29 anos de tempo de contribuição. 4º). quando apresentou uma deficiência física grave. Se o segurado. QUALQUER GRAU Homem = 60 anos de idade + 15 anos de contribuição + 15 anos de def iciência Mulher = 55 anos de idade + 15 anos de contribuição + 15 anos de def iciência O que é deficiência grave. no entanto. ajustando. conf orme será ainda detalhado em Regulamento a ser editado pelo Poder Executivo (art. não vão ser simplesmente somados. as condições exigidas pelo art. 3º). Será prevista uma regra de proporção para consideração do tempo. moderada ou leve será f eita pelo Regulamento a ser editado pelo Poder Executivo (parágraf o único do art. LEVE Homem = 33 anos de tempo de contribuição. de f orma proporcional. 7º) que o Regulamento deverá prever uma f orma de considerar o número de anos em que o segurado exerceu atividade laboral sem def iciência e com def iciência. Após a deficiência. 3º (quadro acima transcrito). por meio de instrumentos desenvolvidos para esse f im. . em nosso exemplo.contribuição. Em outras palavras. moderada e leve? A def inição do que seja def iciência grave. Assim.

ele poderá se beneficiar das regras do trabalho insalubre cumulativamente com os critérios especiais por conta da deficiência? NÃO. Logo. Vacatio legis . 9º ) I . exclusivamente. Aplicam-se à pessoa com deficiência de que trata esta LC 142/2013 (art.212/91. inclusive quanto ao seu grau. V . III . A redução do tempo de contribuição prevista nesta Lei Complementar não poderá ser acumulada. por ocasião da primeira avaliação. mesmo sendo def iciente grave e trabalhando exposto à radiação (item 1.as regras de pagamento e de recolhimento das contribuições previdenciárias contidas na Lei n.1.a percepção de qualquer outra espécie de aposentadoria estabelecida na Lei n.° 53. Se o segurado deficiente trabalhar em condições especiais (que prejudiquem sua saúde ou integridade física).213/91. esta matéria deverá ser tratada no regulamento do Poder Executivo. 6º A contagem de tempo de contribuição na condição de segurado com def iciência será objeto de comprovação. § 1º A existência de def iciência anterior à data da vigência desta Lei Complementar deverá ser certif icada. que lhe seja mais vantajosa do que as opções apresentadas nesta Lei Complementar.O que acontece se a pessoa trabalhou durante um período quando ostentava deficiência leve e outros tantos anos após sua deficiência ter evoluído para grave? Em qual linha da tabela acima (art.831/64) somente poderá se aposentar com 25 anos de tempo de contribuição em nada melhorando a sua situação o f ato de ser def iciente e trabalhar em atividades especiais. Comprovação da contagem do tempo de contribuição Art.o f ator previdenciário nas aposentadorias. no tocante ao mesmo período contributivo. 7º). 10 da LC 142/2013: Art.4 do Decreto n. 3º ) este segurado irá se enquadrar? Da mesma f orma que respondemos a pergunta anterior.° 8. Essa é a regra prevista no art. 57 da Lei n. se o segurado. os parâmetros mencionados no art. 10. sendo obrigatória a f ixação da data provável do início da def iciência. se resultar em renda mensal de valor mais elevado. O segurado não pode mesclar a redução da aposentadoria por atividades especiais (art. Isso porque a Lei estabelece que.213/91) com a redução da aposentadoria de def iciente (LC 142/2013) quando se ref erirem ao mesmo período contributivo. após a f iliação ao RGPS tiver seu grau de def iciência alterado. portador de def iciência f ísica grave. nos termos do regulamento (art. Ex: João.° 8. observado o grau de def iciência correspondente. na f orma desta Lei Complementar.as demais normas relativas aos benef ícios do RGPS. ao regime próprio de previdência do servidor público ou a regime de previdência militar. § 2º A comprovação de tempo de contribuição na condição de segurado com def iciência em período anterior à entrada em vigor desta Lei Complementar não será admitida por meio de prova exclusivamente testemunhal. devendo os regimes compensar-se f inanceiramente. 3º serão proporcionalmente ajustados.° 8. trabalha em atividades especiais (trabalho exposto a radiação). com a redução assegurada aos casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade f ísica. IV . II .a contagem recíproca do tempo de contribuição na condição de segurado com def iciência relativo à f iliação ao RGPS.

de modo a viabilizar que a Administração Pública analise o requerimento de aposentadoria especial f ormulado por servidor público que exerce suas atividades em condições insalubres. 40. Af irma-se isso porque o ST F. f iliados ao regime administrado pelo INSS). 40. § 4º. Isso porque a LC 142/13 regulamenta a aposentadoria da pessoa com def iciência segurada do Regime Geral de Previdência Social – RGPS (trabalhadores em geral. 57 da Lei n. da CF/88.A LC 142/2013 possui vacatio legis de 6 (seis) meses. § 4º.213/91. No entanto. nos termos do que f or def inido em lei complementar (art. determinou que sejam aplicadas aos agentes públicos as regras próprias dos trabalhadores em geral. . Por essa razão. o ST F. I. de f orma que somente entrará em vigor no dia 09/11/2013.° 8. Diante disso. I). Dessa f orma. esta mesma conclusão certamente será adotada para o caso dos def icientes f ísicos. a CF/88 prevê que os servidores públicos que sejam portadores de def iciência FÍSICA também têm direito à aposentadoria com requisitos e critérios dif erenciados. é bem provável que o ST F. Uma última pergunta: o regime de aposentadoria especial para deficientes previsto nesta LC 142/2013 pode ser aplicado aos servidores públicos? Em princípio não. ao julgar o MI 721/DF (e vários outros que f oram ajuizados depois). se f or provocado por meio de mandado de injunção. previstas no art. reconheça que o Presidente da República está em “mora legislativa” por ainda não ter enviado ao Congresso Nacional o projeto de lei para regulamentar o art. ao julgar este eventual mandado de injunção irá certamente determinar que sejam aplicadas aos servidores públicos portadores de def iciência f ísica os critérios e condições previstos nesta LC 142/2013. a CF/88 exige a edição de uma Lei Complementar def inindo os critérios para a concessão da aposentadoria especial aos servidores públicos portadores de def iciência. Logo. Essa Lei Complementar ainda não f oi editada.