NECROMANCIA

Destino do Universo livro 2
FREDERICO DUARTE

edição: Novembro de 2008 .asa.NE C ROMA NC I A Destino do Universo – livro 2 © 2008. 2 2610-038 ALFRAGIDE PORTUGAL Tel.: 214272200 Fax: 214272201 E-mail: edicoes@asa. Frederico Duarte (texto) © 2008. 282781/08 Depósito legal no ISBN 978-972-712-550-0 Reservados todos os direitos Uma chancela do Grupo Leya SEDE Rua Cidade de Córdova. João Tavares (capa) a 1.pt .pt Internet: www.

a minha cara-metade. por estar sempre do meu lado Para os meus pais. por me terem posto neste mundo Para todos os que nunca desistem dos seus sonhos .Para a Ana.

Agradecimentos Um grande “Obrigado!” a todos os meus amigos que aturaram os meus pedidos de ajuda para rever este livro. Agradeço também a toda a equipa da Nova Gaia pela oportunidade que me deram e por terem acreditado e continuarem a acreditar em mim. O apoio deles tornou a continuação deste sonho uma realidade. .

. 41 CAPÍTULO IV – Ponto de Situação . . . . . . . . . . . . . . . . 211 CAPÍTULO XVII – Restauração . . . . .G. . . 355 CAPÍTULO XXVII – Luz e Trevas . . . . . . 294 CAPÍTULO XXIII – Retaliação . . . . . . 226 CAPÍTULO XVIII – Infernum . . . . . . . . . . . . .A. . . . . 7 CAPÍTULO I – O Novo Deus . . . . . . 77 CAPÍTULO VII – A Grande Maçã . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 CAPÍTULO III – O Último Reduto .E. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 CAPÍTULO IX – Recordações . . . . . . . . . . . . . 270 CAPÍTULO XXI – Devastação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Índice PRÓLOGO . . . 240 CAPÍTULO XIX – Golpe Mortal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284 CAPÍTULO XXII – Tóquio . . 15 CAPÍTULO II – A Nova Ameaça . . . . . . . . . . 185 CAPÍTULO XV – As Duas Frentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 CAPÍTULO XIII – Campanha de Retaliação . . . 113 CAPÍTULO X – Revolta . . . . . . .A. . . . . . . . . . . . 128 CAPÍTULO XI – D. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 CAPÍTULO XX – Meia-noite . . . . . . 310 CAPÍTULO XXIV – Levar a Guerra ao Inimigo . . . . . . . . . . 141 CAPÍTULO XII – Guerra Intermundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 CAPÍTULO V – Banshee . . . . . . 323 CAPÍTULO XXV – A Torre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 343 CAPÍTULO XXVI – Provações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200 CAPÍTULO XVI – Terra Contra Fogo . . . . . . . . . 172 CAPÍTULO XIV – Ataque . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .M. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 CAPÍTULO VI – Uma Nova Página na História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 370 EPÍLOGO . 379 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 CAPÍTULO VIII – Perigo Suspenso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Ao lado de Fred estavam Alexandra. e fitou Fredisson e Annya. acima de tudo. o símbolo do reino. estava bastante simples. Não era Thelma. O sacerdote levantou os olhos do Iluminação. o paladino e comandante do exército de Aurora. a Avatar. igualmente branco e com um enorme pegasus dourado. na Grande Batalha cerca de duas estações antes. uma sereia. que se moldava ao corpo de modo a salientar as suas curvas perfeitas. que o deixava pouco à vontade mas sim Raptor. com um corpete bastante decotado. e Francis usava um uniforme militar de cerimónia. Ambos sorriam abertamente. com o seu manto cinzento de cerimónia e um fato da mesma cor. O noivo. O olhar do sacerdote dirigiu-se então para os padrinhos de ambos. uma grande estrela dourada. a Necromante. Já a noiva brilhava e prendia a atenção de qualquer um no seu vestido branco e comprido. o livro de Selenia. Ao pescoço trazia um pendente com a representação de Selenia. 7 . que derrotara Adina. a elementar da Água. o elementar do Fogo e. no peito. um caçador.PRÓLOGO – … que os Deuses olhem por vós e permitam que fiquem juntos para sempre. a Deusa da Vida e da Luz. O que o incomodava era a escolha de Annya. Até há bem pouco tempo estas criaturas – demónios meio dragões. tipicamente usada pelas noivas do reino de Aurora. como era hábito dos elementares em termos de indumentária. e Francis. Alexis usava um vestido branco e simples. Uma boa escolha – pensou Fred. Tinha também na sua bainha uma espada cerimonial.

mostrando as duas alianças douradas. – Au! – gritou a voz que tinha feito o comentário.meio humanos – eram consideradas um dos piores inimigos de Aurora. – Chchch! – fizeram os restantes presentes. enquanto que o demónio. As suas orelhas pontiagudas mostravam bem que tinha sangue elfo. entre as grandes mudanças que ocorreram com o fim da guerra. a cor associada ao seu elemento. naquele dia. – Que giro! – comentou alguém. deixando apenas a cabeça a descoberto. para alívio de todos os que a conheciam bem. pelo que retomou o passo em direcção ao altar. A sua altura dava muitas vezes origem a comentários destes. De entre os convidados saiu então Hanna. o seu sangue anão dera-lhe uma estatura fora do comum para um elfo. – Bom. chegou a altura de trocarem as alianças – declarou. Mas. cobria-se com um manto vermelho. Ainda mais bem-disposta que o normal. Fred e Annya trocaram então as alianças. azul. Apesar de ser adulta. fazendo juras de 8 . Percebendo que o sacerdote o observava. o que fez com que o homem voltasse a concentrar-se na cerimónia. verde com folhas douradas desenhadas. No entanto. A jovem elementar da Terra dirigiu-se para o altar com um pano vermelho aberto nas suas mãos. – É uma criança elfo que vai entregar as alianças! Hanna deteve-se um segundo. pouco habituado a roupas. a própria Rainha Luana havia decretado que elas passariam a ser consideradas aliadas de Aurora. Muitas continuavam a ser consideradas perigosas. Thelma usava um vestido simples. atraindo novamente a atenção de todos. exibia um enorme sorriso de orelha a orelha. Envergava um vestido de cerimónia élfico. mas a grande maioria havia-se declarado amiga e ajudava agora na reconstrução do reino. nem esses comentários iriam estragar-lhe o humor. – Mas alguém me atirou uma pedra! Quem é que…? – Chchchchchch! O sacerdote aclarou a voz. Raptor fitou-o nos olhos.

aproximando-se de ambos e abraçando-os. Siona ingressara na academia de magia do exército ao passo que Livia abrira uma estalagem na cidade. um minotauro. – Os meus parabéns! – disse Luana. A seguir veio Siona e Livia. com a bênção do sacerdote. Longe das vidas que tinham em Águilar. entre os quais os pais adoptivos e uma amiga de Alexis. Piscando-lhes o olho. – É por causa do feitiço que a nossa filha nos lançou – lembrou o seu marido. E então. – Isto é mesmo incrível! A magia. o Deus da Terra. – E então? Estão a gostar? – perguntou uma voz atrás deles. Os convidados explodiram em aplausos. – Se ela não nos tivesse avisado. – A mim mete-me mais impressão aquele ali – afirmou Carlos. Esta sorriu-lhes enquanto prendia uma madeixa do cabelo ruivo atrás da orelha. Carlos. seguidos pelos seus amigos. que haviam permanecido na cidade desde que Larn partira para parte incerta. quando se afastaram do casal recém-casado. inclinando a cabeça para Raptor. Trukun. Corados de felicidade. a Rainha afastou-se para ceder lugar aos pais de Annya. mãe? O centauro? É Krinos. os noivos desceram do altar.amor um ao outro. Majestade! – responderam eles. as duas recomeçavam do zero em Aurora. O outro ao lado dele é o Deus do Fogo. – Fiquei impressionada com a presença que aquele lá atrás consegue impor – comentou Carla. – Fiquei mesmo 9 . todos estes seres fantásticos – respondeu Sílvia. – Realmente é mesmo estranho – confessou Carla. acho que nem me tinha apercebido de que era mesmo outra língua – comentou Sílvia. – Conseguimos entender tudo o que dizem sem conhecermos a língua. beijaram-se. – Qual. O encontro com os dois caçadores na Terra ainda estava bem presente na sua mente. Depois delas vieram então os vários convidados. Voltaram-se e deram de caras com Alexis. – Obrigado.

ela replicara que era o mínimo que Aurora podia fazer para pagar a ajuda deles. Alexis colocou os pais e a amiga junto aos terrestres que faziam parte do exército de Aurora. Após a luxuosa refeição seguiu-se um pequeno baile. – Afinal. que era rectangular e estava ao longo de uma das paredes. – Tenho pena de que se vão já embora – disse Annya. Alexis riu-se. já se havia elevado nos céus há muito tempo quando os convidados começaram a sair. Os criados haviam feito um bom trabalho. estavam dispostas de maneira uniforme por toda a sala. Estas. todas elas redondas. Na mesa de Fred e Annya ficaram não só os padrinhos como também Hanna e Luana. Quando Fred e Annya anunciaram o casamento. Ásis. Vários serventes aguardavam-nos e começaram a encaminhar os convidados para as respectivas mesas. Annya e Luana no pátio do castelo. – Venham. não é verdade? 10 . com isto tudo não pudemos dar-vos muita atenção. Seguiram os convidados para dentro do castelo. – Posso assegurar-te que ele é um amor de pessoa! – sossegou ela. para que estes pudessem ver todos os convidados. Alexis. Luana fizera questão de patrocinar o casamento. Tudo aquilo saía dos bolsos do reino mas. pois não existiam agora quaisquer vestígios do casamento. Na manhã seguinte. Mais uma vez. considerado também a representação do Deus da magia Negra com o mesmo nome. a Rainha fizera questão que este se realizasse no pátio do seu castelo. a vossa lua-de-mel vai ser lá em casa. – Infelizmente. ante a argumentação dos noivos. os pais desta e Sílvia encontraram-se novamente com Fred.admirado quando me disseste que era um dos amigos que tinhas feito aqui. A excepção era a dos noivos. Entraram num enorme salão. o satélite nocturno de Nova. que ficaram radiantes ao saber que iriam ter quem pudesse contar-lhes as novidades da Terra. – Vamos ter imenso tempo para nos conhecermos melhor – respondeu Carlos.

seguidos por Alexis. gostaríamos muito de ficar. Com um último adeus. – Eu quero ter a certeza de que a minha casa está pronta para os receber como deve ser – respondeu Carla. voltando as costas ao grupo. Das primeiras vezes o portal havia ficado a alguns metros 11 . então! – disse Alexis. – Assim poderiam ficar mais alguns dias. Apesar de o seu conhecimento e domínio sobre a magia serem muito superiores ao que eram há alguns meses. – Porque não vão todos juntos depois? – sugeriu a Rainha. A Rainha inclinou a cabeça ligeiramente. – Umas férias num castelo num país distante. Aurora providenciara-lhes tudo de que haviam precisado nos últimos dias. mas preferimos ir agora e voltar noutra altura – replicou Carla. – Quantos podem ter hipótese de festejar o casamento numa terra mítica? – Mas espero que voltem. – Vamos a isso. – Quando a vossa vida o permitir. o portal dissipou-se. para criar um portal entre Nova e a Terra continuava a ter de recorrer ao seu poder de avatar. – Não quero que pensem mal de nós – acrescentou piscando o olho a Fred e Annya. criando a ponte entre os dois mundos. Quando já estavam do outro lado. em concordância. lançando-lhe um caloroso sorriso. hem? Que mais podem vocês querer? – brincou Alexis. Não levavam qualquer bagagem pois não haviam trazido nenhuma. – Ora! Quem te ouvir… – começou Alexis. Fechou os olhos e abriu os braços começando a concentrar o seu chacra Branco. Pelo menos a precisão de Alexis aumentara: desta vez criara o portal apenas a um metro do sítio que pretendia. – Não. estes estavam totalmente brancos.– Melhor prenda de casamento do que essa não há! – afirmou Fred. Um círculo de luz formou-se no ar. claro. poderiam passar alguns dias aqui na cidade. a sério. os terrestres atravessaram-no. Quando abriu os olhos. Gostaria imenso de voltar a receber-vos – disse Luana.

a jovem feiticeira sabia perfeitamente que alguns metros poderiam fazer muita diferença. quando ela concluiu a magia. Neste caso. que desapareceu imediatamente. Aproximou-se rapidamente de ambas para ver o que as assustava. não conseguiria transportar os pais adoptivos e a amiga para dentro da sala de estar. Atirando-lhes um beijo. olhou em redor à procura das chaves do carro. – Ouviste o que eu disse? – perguntou ao ver que ela não lhe respondia. Alexis atravessou o portal. Os pais aproximaram-se e Alexis abraçou os três. na França. – Não te demores – pediu a mãe. – Até ao meu regresso – disse. – Não te vais já embora. O que estamos a 12 . sem a valiosa precisão. – É-me totalmente impossível conseguir explicar o que se passa de uma forma imparcial. Carlos consultou o relógio enquanto Carla ligava a televisão para ver as notícias da manhã. Voltou-se e reparou que ambas tinham tapado a boca com as mãos. Que dizes. no Japão… Meu Deus. voltando-se para Sílvia –.de distância. Embora alguns achassem que isso era irrelevante perante a capacidade de abrir o portal em si. – … recebemos agora a confirmação de que o mesmo se está a passar no Reino Unido. Não fiques assim. – Vou. – Vamos ficar ansiosos pela tua chegada. por exemplo. – Bom – começou ele. Pelo canto do olho viu Sílvia aproximar-se do sofá onde estava Carla. vamos até casa dos teus pais. Ia voltar a desviar o olhar para procurar as chaves quando ouviu a rapariga lançar um gemido. a lista não pára de aumentar! – disse o apresentador do telejornal. começando a repetir o processo para criar o portal. Fixavam a televisão. Estava a pensar convidá-los para almoçar num sítio qualquer. querida? Sem esperar a resposta da mulher. aterradas. Preciso só de uns segundos para recuperar. pois não? – perguntou Sílvia. eu volto dentro de alguns dias – acrescentou ao ver o ar desiludido da amiga.

– Como podem ver – prosseguiu a voz do locutor –. Vamos passar novamente a declaração feita. há algumas horas. Carlos dirigiu-se à janela para a abrir. – Criatura? – inquiriu Carlos. Esta possuía uma expressão cruel e maldosa no rosto. também Itália está a ser atingida. Não havia electricidade. o jornalista prosseguiu. – O meu nome é Adina – começou ela. A resistência é completamente inútil. Para que não haja dúvidas do meu enorme poder. Os três olharam em redor. – A partir de agora. A atacante afirma ser uma feiticeira poderosa. a Terra pertence-me. Eu… O ecrã ficou subitamente mudo. voltou a aparecer o apresentador. O ecrã passou então a mostrar uma jovem morena. – … a criatura desapareceu! Pelo menos não a conseguimos ver agora – disse o repórter. falando em inglês. – Acabámos de perder o contacto também com a equipa de reportagem de Roma. – A nossa equipa em Roma acabou de nos enviar mais algumas imagens. – Fez uma pequena pausa. o meu exército está a aniquilar todas as vossas forças de combate. – Ela? – perguntou Carla a ninguém em especial.presenciar é algo inconcebível. e se ao início pensávamos ser apenas uma louca. O apresentador desapareceu. No ecrã. – Sim – respondeu Sílvia. No ecrã estavam agora vários prédios em chamas. agora já não sabemos o que dizer. Este mostrava um ar bastante perturbado. – Eles estão a dizer que há dragões envolvidos nos ataques! – Dragões!? Na Terra!? – espantou-se ele. 13 . Estamos agora a receber relatos de ataques vindos de todo o mundo. – Tudo começou com o ataque nos Estados Unidos. Neste preciso momento. irei fazer uma pequena demonstração do mesmo em vários pontos do globo. A precisão com que o ataque está a ser feito demonstra que ela sabe perfeitamente o que está a fazer. Que Deus os ajude… – Fez-se silêncio novamente. seguindo-se todas as grandes potências nucleares. Parecendo recuperar a compostura.

– Adina? – interrogou-se Sílvia. 14 . querida. – Deus? – repetiu ele com a voz a tremer. – Não. nós vamos precisar de mais do que um Deus. – Mas essa não era…? A frase morreu-lhe na garganta. Uma sombra enorme escureceu o céu durante um segundo. finalmente. Acabavam de se aperceber. – Que Deus nos valha… – murmurou Carla. Carlos espreitou lá para fora. da gravidade de tudo o que se estava a passar.

com um ar chateado e perturbado em simultâneo. Gerou-se imediatamente silêncio. – Em último caso. não. Sargas respondeu afirmativamente com um aceno de cabeça. eu acabei de me casar… Estava à espera de poder passar algum tempo com… – Mas há uma solução simples para isso – interrompeu Alexis. espero. Fred olhou de relance para Annya. coçando a nuca e olhando para Annya. Importante. mas se estiveres em Avalon sempre é possível estar um pouco contigo. – Sou livre de fazer o que quiser nas próximas quatro semanas – lembrou ela. – Trá-la também para Avalon. – Sim. Nos próximos dias não vou ter muito tempo. Ela pode ficar comigo. 15 . Segundo parecia. – Era exactamente isso que eu ia explicar – disse ele. Já está determinado quem será o novo Deus do Ar. é uma boa ideia. – Nessa altura a cerimónia já estará terminada. Voltaram-se todos para ela. eu vou à Terra e aviso-os.CAPÍTULO I O Novo Deus – Passa-se alguma coisa? – perguntou Alexis. pelo que nem Fred nem Annya sabiam ainda a razão da súbita vinda do elementar do Ar. – Bom. – Mas os pais da Alexis esperam-nos daqui a três dias. Fred. – Tens de regressar imediatamente a Avalon. dando um jeito à cabeça de modo a colocar o seu cabelo comprido totalmente atrás das costas. também ele acabara de chegar. – Grave. – Aconteceu alguma coisa grave? – perguntou o interpelado. – Bem… – começou Fred.

Colocaram-se todos em redor de Sargas e este estendeu os braços. eu transporto-os. – Bom. – Bom. então até logo – despediu-se Alexis. Embora na altura em que conhecera Sargas ela não o soubesse. – Portal de Ar – gritou ele. O tornado dissipou-se e eles olharam em redor. A julgar pela posição de Selenia. – Ena. – Quando é que volto a ver-te? – perguntou Annya. O chão voltou a reaparecer. – Com sorte devo poder jantar convosco – respondeu Fred. que inclinou a cabeça para o lado e encolheu os ombros. 16 . – Ah! Como se eu me deixasse ficar atrás de ti! Só demorei mais um pouco do que tu a dominar o feitiço. rivalidade essa que aumentara ligeiramente após o teste que Fred fizera para se tornar elementar do Ar. Estavam em Avalon. como se os fosse abraçar. quando te levei a Avalon – recordou Fred. Um tornado começou imediatamente a formar-se em redor do grupo. Alexis sorriu ao ver os dois amigos a provocarem-se. Eu também tive de fazer o mesmo da primeira vez. sempre existira uma rivalidade saudável entre ambos. batendo com as palmas das mãos uma na outra. É claro que o fazemos com mais facilidade do que a maioria. ena! Também já consegues!? – admirou-se Fred. desta vez a ilha móvel estava localizada num ponto do planeta com um fuso horário parecido com o de Aurora. – Até levei nas orelhas. olhando para Sargas. – Coloquem-se à minha volta. este é um feitiço complicado. lembras-te? Todos se riram. incitando o amigo a não se atrasar mais. na altura em que o chão desaparecia debaixo do grupo. – É verdade. – Pensei que os elementares não precisassem de falar para executarem feitiços do seu elemento – observou Alexis. pelo que nós mesmos precisamos de o executar deste modo até o dominarmos melhor.– Temos é de partir imediatamente – apressou Sargas.

ergueu-se no ar. Não tendo necessidade de se ocultar. – Sim. contornando o enorme lago que embelezava as entradas dos templos dos quatro elementos. Abrindo cautelosamente a porta de um deles. Estava vazio. vamos. Em pouco tempo chegaram ao cemitério da ilha. o último Deus do Ar.Fred deu um último beijo a Annya e. Não foi também necessário qualquer tipo de indicação para que Annya começasse a dirigir-se para o local desejado. Ambas sabiam que era algo que Fred nunca fazia. ajoelhando-se em frente ao túmulo. juntamente com Sargas. a maior parte dos quais nenhuma delas conhecia. era mesmo o poder que dela emanava que o fazia. Era considerada a mais poderosa das feiticeiras vivas. cheio de pequenos santuários. pelo que entraram. Não foi necessária qualquer explicação para que a Avatar soubesse onde é que a curandeira queria ir. Entraram e dirigiram-se a um local específico. – Tenho a certeza de que o Fred lamenta não ter vindo aqui assim que chegou. principalmente da Grande Batalha. Fred havia-a levado algumas vezes até à ilha mágica. Alexis fez o mesmo. – Vamos andando? – sugeriu Alexis. Desde o fim da guerra. Pelo caminho foram saudadas por vários elementares. – Bom dia. preferindo antes relatar ao seu falecido mestre o que havia feito desde a sua última 17 . Caminharam um pouco. como eu sei que sempre faz. mesmo sem querer. voando de seguida em direcção ao Palácio dos Elementos. Mas gostava de passar por um sítio primeiro. fazendo só uma pequena oração. espreitaram. Mestre – disse Annya. mas virá assim que puder. Por cima do único túmulo ali existente. fora a fama que Alexis ganhara. Alexis simplesmente descontraía-se e deixava-o fluir. Mas toda a gente conhecia Alexis. Uma das consequências da guerra. E. estava um quadro com um retrato de Oxior. Ficaram ambas em silêncio. se o tom do seu cabelo não denunciasse a sua identidade.

nada tinha que deixasse adivinhar a quem a visse que ela era a mãe de Raptor. abrindo a porta com a chave que Alexis lhe dera. – Ele era uma pessoa adorável. – Olá. Aldor voltou-se para Alexis. Annya ainda disse algo antes de sair. Esta abriu a porta e correu a ver as suas plantas. Naquele fatinho. como se este ainda estivesse vivo. A atlética mulher. São muito organizados. parecem 18 . até que estava bonito. Dirigiram-se então para a pequena aldeia da ilha. Uns minutos depois chegaram a casa de Alexis. Como se tivesse sido invocada. mas tinha de ir vê-las na mesma – desculpou-se ela perante o sorriso trocista de Annya. apesar de muito ponderadas. – Já calculava que também viessem. tendo em conta que os caçadores tinham aspecto demoníaco apesar de serem sempre filhos de uma mãe humana. não a delas. Pelo menos como tu o conheceste – comentou Annya com Alexis. considerada a melhor ferreira de Avalon e uma excelente mestre-de-armas. olá! Tudo bem desde ontem? Após apertar as duas raparigas num abraço. como sabiam que Oxior teria feito. – Havia de o ter visto no casamento. Às vezes não entendo estes elementares. Mas essa era a sua maneira de prestar homenagem. E às vezes fazia coisas que eu não esperava de modo algum ver um Deus a fazer – acrescentou Alexis. – Tenho pena de não o ter conhecido melhor. mas ao mesmo tempo conseguem tomar decisões que. Riram-se ambas. Recebera-a durante o seu treino em Avalon e vivia nela desde que se apercebera de que nunca conseguiria voltar a ter uma vida normal na Terra. – Eu pedi à Aldor que viesse dar-lhes água ontem quando chegasse do casamento.visita. Aldor apareceu nesse momento. sorrindo ao lembrar-se das caretas que ele lhe fazia quando picava Fred. Mesmo assim. o que era normal.

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