Cap´ ıtulo 19 Alguns Problemas Selecionados de Interesse F´ ısico

Conte´ udo
Dedu¸ c˜ ao de Algumas Equa¸ c˜ oes Diferenciais de Interesse . . . . . . . . . . 19.1.1 Dedu¸ c˜ ao Informal da Equa¸ c˜ ao de Difus˜ ao de Calor . . . . . . . . . . . . . . 19.1.2 Dedu¸ c˜ ao Informal da Equa¸ c˜ ao da Corda Vibrante . . . . . . . . . . . . . . . 19.2 As Equa¸ c˜ oes de Helmholtz e de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.2.1 Problemas em Duas Dimens˜ oes em Coordenadas Polares . . . . . . . . . . . 19.2.2 Problemas em Trˆ es Dimens˜ oes em Coordenadas Esf´ ericas . . . . . . . . . . . 19.3 Problemas de Difus˜ ao em uma Dimens˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.3.1 A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Finita . . . . . . . . . . . . . . . 19.3.2 A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Infinita . . . . . . . . . . . . . . 19.3.3 A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Semi-Infinita . . . . . . . . . . . 19.4 A Equa¸ c˜ ao de Ondas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.1 A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 1 + 1 Dimens˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.2 Interl´ udio: Ondas Caminhantes e a Equa¸ c˜ ao do Tel´ egrafo . . . . . . . . . . . 19.4.3 Outro Interl´ udio: S´ olitons . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.3.1 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.3.2 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Sine-Gordon . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.3.3 S´ olitons no Modelo de Po¸ co-Duplo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.3.4 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger N˜ ao-Linear . . . . . . . . . . . . 19.4.4 A Equa¸ c˜ ao de Ondas e Transformadas de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . 19.4.4.1 A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 3 + 1 Dimens˜ oes. A Solu¸ c˜ ao de Kirchhoff . . 19.4.4.2 A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 2 + 1 Dimens˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . 19.5 O Problema da Corda Vibrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.5.1 Corda Vibrante Homogˆ enea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.5.2 O Problema da Corda Homogˆ enea Pendurada . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.5.3 Corda Vibrante N˜ ao-Homogˆ enea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.5.4 O Problema da Membrana Retangular Homogˆ enea . . . . . . . . . . . . . . 19.6 O Problema da Membrana Circular Homogˆ enea . . . . . . . . . . . . . . . 19.7 O Oscilador Harmˆ onico na Mecˆ anica Quˆ antica e a Equa¸ c˜ ao de Hermite . ´ 19.8 O Atomo de Hidrogˆ enio e a Equa¸ c˜ ao de Laguerre Associada . . . . . . . . 19.9 Propaga¸ c˜ ao de Ondas em Tanques Cil´ ındricos . . . . . . . . . . . . . . . . 19.10 Equa¸ c˜ oes Hiperb´ olicas Lineares em 1+1 Dimens˜ oes e Equa¸ c˜ oes Integrais 19.11 Aplica¸ c˜ oes do M´ etodo da Fun¸ c˜ ao de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.11.1 A Equa¸ c˜ ao de Poisson em Trˆ es Dimens˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.11.2 A Equa¸ c˜ ao de Difus˜ ao N˜ ao-Homogˆ enea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.11.3 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em n + 1-Dimens˜ oes . . . . . . . . . . 19.11.3.1 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 3 + 1-Dimens˜ oes . . . . . . 19.11.3.2 Aplica¸ c˜ oes ` a Eletrodinˆ amica. Potenciais Retardados . . . . . . . . . . 19.11.3.3 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 2 + 1-Dimens˜ oes . . . . . . 19.11.3.4 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 1 + 1-Dimens˜ oes . . . . . . 19.12 Exerc´ ıcios Adicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.12.1 Problemas Selecionados de Eletrost´ atica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.12.2 Barras Condutoras de Calor em uma Dimens˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . 19.12.3 Cordas Vibrantes em uma Dimens˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.12.4 Modos de Vibra¸ c˜ ao de Membranas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19.12.5 Problemas sobre Ondas e Difus˜ ao em Trˆ es Dimens˜ oes Espaciais . . . . . . . 19.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 842 . 842 . 846 852 . 854 . 856 859 . 859 . 863 . 868 873 . 874 . 877 . 879 . 880 . 882 . 883 . 885 . 889 . 892 . 893 895 . 896 . 898 . 900 . 903 905 907 909 912 920 927 . 928 . 929 . 931 . 935 . 937 . 940 . 942 944 . 944 . 947 . 950 . 954 . 958

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Æ
19.1

19.12.6 Problemas Envolvendo Fun¸ c˜ oes de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 960 ˆ APENDICES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 962 19.A Duas Transformadas de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 962

este cap´ ıtulo discutiremos aplica¸ co ˜es em problemas f´ ısicos de v´ arios dos m´ etodos que discutimos alhures de resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es diferenciais e integrais. Por exemplo, trataremos de alguns problemas f´ ısicos dos quais emergem algumas das equa¸ co ˜es diferenciais ordin´ arias que estudamos em cap´ ıtulos anteriores, tais como as equa¸ co ˜es de Euler, de Bessel, de Legendre, de Legendre associada, de Bessel esf´ erica, de Hermite, de Laguerre e de Laguerre associada. O estudante que estiver procurando a motiva¸ ca ˜o e a origem f´ ısica daquelas equa¸ co ˜es poder´ a ler parcialmente o presente cap´ ıtulo sem precisar dominar totalmente o material anteriormente apresentado, pelo menos at´ e o ponto em que apresentarmos as solu¸ co ˜es das equa¸ co ˜es. Tamb´ em evocaremos no que segue o chamado m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis e alguns teoremas de unicidade de solu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es a derivadas parciais. Tais assuntos s˜ ao discutidos no Cap´ ıtulo 15 ao qual o estudante poder´ a (dever´ a) passar sem perdas, se julgar necess´ ario. Faremos uso de diversas das propriedades estudadas no Cap´ ıtulo 14, p´ agina 630, especialmente das rela¸ co ˜es de ortogonalidade. Na Se¸ ca ˜o 19.1 apresentamos a dedu¸ ca ˜o de algumas equa¸ co ˜es a derivadas parciais de maior interesse em aplica¸ co ˜es f´ ısicas, como a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao e a equa¸ ca ˜o da corda vibrante. Nosso tratamento ser´ a primordialmente informal, mas procuraremos obter equa¸ co ˜es bastante gerais e discutir a origem f´ ısica das condi¸ co ˜es de contorno mais comummente usadas. A Se¸ ca ˜o 19.12, p´ agina 944, cont´ em diversos outros problemas de interesse na forma de exerc´ ıcios.

Dedu¸ c˜ ao de Algumas Equa¸ co ˜es Diferenciais de Interesse

Nesta se¸ ca ˜o apresentaremos dedu¸ co ˜es de natureza matematicamente informal (mas fisicamente geral) das equa¸ co ˜es de difus˜ ao de calor e das equa¸ co ˜es da corda vibrante (em particular, da equa¸ ca ˜o de ondas em uma dimens˜ ao). Essa apresenta¸ ca ˜o ´ e aqui realizada em benef´ ıcio do estudante e esta se¸ ca ˜o diferencia-se das demais se¸ co ˜es deste cap´ ıtulo pois nela n˜ ao trataremos de m´ etodos de solu¸ ca ˜o das equa¸ co ˜es. A escolha das equa¸ co ˜es de difus˜ ao de calor e das equa¸ co ˜es da corda vibrante decorre de serem essas equa¸ co ˜es freq¨ uentemente encontradas em problemas f´ ısicos, assim como as equa¸ co ˜es de Helmholtz e de Laplace, as quais encontraremos na Se¸ ca ˜o 19.2, p´ agina 852. Essas s˜ ao tamb´ em prot´ otipos de equa¸ co ˜es a derivadas parciais de segunda ordem de tipo parab´ olico (equa¸ ca ˜o de difus˜ ao), hiperb´ olico (equa¸ ca ˜o de ondas) e el´ ıptico (equa¸ ca ˜o de Laplace), conforme a classifica¸ ca ˜o discutida no Cap´ ıtulo 15, p´ agina 694 (vide Se¸ ca ˜o 15.2.2, p´ agina 706).

19.1.1

Dedu¸ c˜ ao Informal da Equa¸ c˜ ao de Difus˜ ao de Calor

Nesta se¸ ca ˜o apresentaremos uma dedu¸ ca ˜o informal da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao de calor em materiais s´ olidos. Nosso tratamento ´ e informal por duas raz˜ oes fortemente relacionadas. Em primeiro lugar, pois fazemos uso da chamada Lei de Fourier da difus˜ ao de calor (vide adiante), a qual, ainda que largamente validada empiricamente, carece at´ e o presente de uma justificativa microsc´ opica em termos de um tratamento estat´ ıstico do movimento de ´ atomos e mol´ eculas que comp˜ oe o material estudado e suas intera¸ co ˜es. De fato, a justificativa te´ orica da Lei de Fourier ´ e assunto corrente de pesquisa, sendo um dos mais importantes problemas em aberto da Mecˆ anica Estat´ ıstica. Em segundo lugar, nosso tratamento pressup˜ oe a validade do equil´ ıbrio termodinˆ amico local e da existˆ encia de uma temperatura bem definida em cada ponto do material em cada instante de tempo, mesmo em situa¸ co ˜es nas quais ocorra troca de calor. Essa hip´ otese, ainda que aceit´ avel em situa¸ co ˜es nas quais o fluxo t´ ermico n˜ ao seja grande, carece de validade geral e sua justificativa em termos dos princ´ ıpios da Mecˆ anica Estat´ ıstica ainda est´ a longe de ser satisfat´ oria. Consideremos um material s´ olido no qual calor possa ser transferido por difus˜ ao de um ponto a outro (n˜ ao consideraremos, portanto, transporte de calor por convec¸ ca ˜o, como ocorre em l´ ıquidos e gases, ou por radia¸ ca ˜o). Denotemos por u(x, t) a temperatura desse material no ponto x no instante t. Nossa tarefa ´ e encontrar uma equa¸ ca ˜o diferencial que permita determinar a evolu¸ ca ˜o temporal e espacial de u(x, t) e que, portanto, expresse as leis f´ ısicas que regem a difus˜ ao de calor em corpos s´ olidos. O princ´ ıpio f´ ısico fundamental que rege o processo de difus˜ ao de calor ´ e a chamada Lei de Fourier, proposta com base

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em informa¸ co ˜es emp´ ıricas por J. Fourier1 em seu importante trabalho “Th´ eorie Analytique de la Chaleur”, publicado em 2 1822 , a qual afirma o seguinte: seja uma superf´ ıcie orientada infinitesimal de ´ area dσ situada em uma posi¸ ca ˜o x cujo vetor normal seja n (com n = 1). Ent˜ ao, a quantidade de calor que atravessa essa superf´ ıcie por unidade de tempo no sentido definido por n ´ e dada por −κ(x, t) ∇u(x, t) · dσ , onde dσ := ndσ e onde κ(x, t) ≥ 0 ´ e uma quantidade caracter´ ıstica do material (e que pode depender da posi¸ ca ˜o, do tempo e mesmo da temperatura u(x, t)) denominada condutibilidade t´ ermica. Assim, dado um volume V do material (suporemos V compacto) delimitado por uma superf´ ıcie orientada ∂V , a quantidade de calor que entra em V atrav´ es de ∂V por unidade de tempo ´ e, segundo a Lei de Fourier, dada pela integral de superf´ ıcie δQ∂V κ(x, t) ∇u(x, t) · dσ . = dt ∂V (Acima, dσ ´ e orientada para o exterior de V ). Naturalmente, aplicando o Teorema de Gauss, podemos escrever o lado direito em termos de uma integral de volume: δQ∂V = dt ∇ · κ(x, t)∇u(x, t) dv . (19.1)

V

Se houver em V uma fonte de calor interna (por exemplo, radioatividade, rea¸ co ˜es qu´ ımicas etc.), produzindo uma quantidade de calor por unidade de volume descrita por uma fun¸ ca ˜o Φ(x, t) (e que pode tamb´ em depender de u(x, t)), o calor total produzido por essa fonte interna em V por unidade de tempo ser´ a dada por δQΦ = dt Φ(x, t) dv .
V

Assim, a quantidade de calor total que entra ou ´ e produzida em V por unidade de tempo ´ e dada por δQ = dt ∇ · κ(x, t)∇u(x, t) + Φ(x, t) dv . (19.2)

V

Em um intervalo de tempo ∆t a quantidade de calor δQ que entra ou ´ e produzida em V ´ e distribu´ ıda nesse volume, provocando uma varia¸ ca ˜o de temperatura em cada ponto de u(x, t) a u(x, t + ∆t). Sejam ρ(x, t) e c(x, t) a densidade de massa do material e, respectivamente, o calor espec´ ıfico do material, no ponto x no instante de tempo t. Com isso, a quantidade de calor que entra em um volume dv no material (cuja massa ´ e ρ(x, t)dv ) durante o intervalo ∆t ser´ a dada por ρ(x, t)c(x, t) u(x, t + ∆t) − u(x, t) dv . Logo, a quantidade de calor δQ que entra em V ´ e dada por δQ =
V

ρ(x, t)c(x, t) u(x, t + ∆t) − u(x, t) dv . Assim, δQ = dt

δQ = ∆t

ρ(x, t)c(x, t)
V

u(x, t + ∆t) − u(x, t) ∆t

dv e

tomando-se o limite ∆t → 0, obtemos ρ(x, t)c(x, t)
V

∂u (x, t)dv . ∂t

(19.3)

Igualando-se (19.2) e (19.3), temos ρ(x, t)c(x, t)
V

∂u (x, t)dv = ∂t

V

∇ · κ(x, t)∇u(x, t) + Φ(x, t) dv .

Como essa igualdade ´ e v´ alida para qualquer volume V como especificado, conclu´ ımos que ρ(x, t)c(x, t) ∂u (x, t) = ∇ · κ(x, t)∇u(x, t) + Φ(x, t) . ∂t (19.4)

A express˜ ao (19.4) ´ e a procurada equa¸ ca ˜o que rege o processo de difus˜ ao de calor e ´ e, naturalmente, denominada equa¸ c˜ ao de difus˜ ao de calor. Lembremos que ρ, c, assim como κ e Φ podem depender n˜ ao s´ o da posi¸ ca ˜o e do tempo, mas tamb´ em da temperatura u.
1 Jean 2 As

Baptiste Joseph Fourier (1768–1830). ra´ ızes do trabalho de Fourier podem ser tra¸ cadas at´ e Newton, com sua lei do esfriamento dos corpos.

Vamos supor que o meio material que estamos a considerar ocupe um volume finito W do espa¸ co delimitado por uma superf´ ıcie orientada ∂W . 0) = u0 (x) . t) + Φ(x.8) ou (19. t).8) onde σ (y. sendo u0 uma fun¸ ca ˜o dada que descreve a distribui¸ ca ˜o inicial de temperatura no material considerado (condi¸ ca ˜o inicial).2.8) s˜ ao escolhidos de forma que o calor flua de um ponto mais quente para um mais frio. A equa¸ ca ˜o (19.8) pode ser escrita como σ (y. De acordo com a Lei de ∂u (y. (19. t) = −σ (y. com n sendo o vetor normal a ∂W em y ∂n (y. t) ´ apontando para fora de W com n = 1. em geral. t) ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 . t) como facilmente se vˆ e. t) ≥ 0 ´ e uma constante. de acordo com a Lei de Fourier. muito fraca para ser considerada. (19. t) .4) ´ e uma equa¸ ca ˜o a derivadas parciais de segunda ordem de tipo parab´ olico. t) − u(y. c e κ s˜ ao constantes. Se incluirmos uma fonte t´ ermica interna. t) + κ(y. Cap´ ıtulo 19 844/2069 Como o estudante pode constatar. ainda que essa dependˆ encia seja. (19. t) .5) ou (19. ou seja.5) κ onde D = ρc ´ e a chamada constante de difus˜ ao t´ ermica e ∆u. deve-se impor −κ(y.9) . t) . (19. t) = σ (y. ´ e definido por ∆u := ∇ · ∇u.4). t = 0. estando em cada ponto y ∈ ∂W em contacto com um meio externo. se o meio material estiver em contacto t´ ermico com uma fonte de calor que injete no mesmo um fluxo de calor por unidade de ´ area q (y. o chamado Laplaciano de u.9) representam as formas mais gerais de condi¸ ca ˜o de contorno a serem impostas em processos de difus˜ ao de calor que levem em conta a Lei de Fourier. t) T (y. σ (y. Em geral. O estudante deve atentar para o fato que os sinais em (19. esse fluxo de calor deve ser proporcional ` a diferen¸ ca de temperatura entre o meio material e o meio externo em cada ponto y ∈ ∂W . situa¸ ca ˜o na qual ρ. t)u(y. digamos. a fonte de calor for um meio externo a temperatura T (y.7) Se.6) s˜ ao tipicamente fornecidas informa¸ co ˜es sobre a fun¸ ca ˜o u no instante de tempo inicial. t) = q (y. t) . ou seja. Assim. Vide Se¸ ca ˜o 15.5) ´ e tamb´ em denominada equa¸ c˜ ao de difus˜ ao de calor ou equa¸ c˜ ao de difus˜ ao de calor homogˆ enea. como discutiremos a seguir. ∂n = ∇u · n.4) reduz-se a ∂u (x. Se ∂u (y. t) na posi¸ ca ˜o y ∈ ∂W . ´ necess´ E ario. agregar informa¸ co ˜es que descrevam o processo de troca de calor entre a superf´ ıcie do meio material considerado e o meio externo. t) para cada y ∈ ∂W . t) = D∆u(x. p´ agina 706. ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 . mas h´ a alguns casos particulares de interesse. ent˜ ao. t) = D∆u(x.7) e (19. t) ∂n ∂u ∂u e a derivada normal de u em y no instante t.7) e (19. ou seja. denominada condutibilidade t´ ermica.5) ficar´ a na forma ∂u (x. Nesse caso. a equa¸ ca ˜o (19. u(x. t). As rela¸ co ˜es (19. t) ∂u (y. essas informa¸ co ˜es s˜ ao tamb´ em resultantes da imposi¸ ca ˜o da Lei de Fourier. (19. t) e u(y. e que caracteriza o contacto t´ ermico entre o meio material e o meio externo. A rela¸ ca ˜o (19.8) representam a lei f´ ısica (Lei de Fourier) que rege a troca de calor com o meio externo atrav´ es da superf´ ıcie ∂W . ∂t (19. t)T (y. a equa¸ ca ˜o para um meio homogˆ eneo (19.2. por exemplo. t) ∂u (y. ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 . ∂t • Coment´ arios sobre condi¸ co ˜es de contorno em processos de difus˜ ao de calor (19.JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. por´ em. onde Fourier. Um caso de particular interesse se d´ a quando o termo de fonte Φ est´ a ausente e o meio material considerado ´ e homogˆ eneo. As express˜ oes (19.6) Para a resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es como (19. devemos impor a condi¸ ca ˜o −κ(y. o fluxo de calor por unidade de ´ area para dentro de W atrav´ es de ∂W em y ´ e dado por −κ(y. t) pode tamb´ em ser dependente das temperaturas T (y.

t) = q (y. t)u(y. Esses coment´ arios justificam considerar-se em problemas de difus˜ ao de calor os seguintes tipos de condi¸ ca ˜o de contorno lineares em ∂W : 1. (19.8) aproxima-se por ∂u (y. α1 e α2 sendo dadas pelo problema. t) α1 e α2 sendo fun¸ co ˜es dadas pelo problema. t) = 0 .JCABarata. t) = 0 . Peter Gustav Lejeune Dirichlet (1805–1859). ∂n 3.11) ∂n o que equivale a adotar q (y. Condi¸ ca ˜o mista: α1 (y. t) − T (y. g . Em se¸ co ˜es que se seguir˜ ao teremos a oportunidade de resolver alguns problemas nos quais algumas das condi¸ co ˜es de acima s˜ ao impostas. 3. t) = 0 . t) = T (y. para todo y ∈ ∂W e t > 0 .10) o que significa que a temperatura do meio material e o meio externo igualam-se na superf´ ıcie ∂W . t) para todo y ∈ ∂W e todo t. 3 Johann 4 Carl para todo y ∈ ∂W e t > 0 . (19. t) = h(y. t) = g (y. Condi¸ ca ˜o de Dirichlet homogˆ enea: u(y. t) . t) = 0 . t)/σ (y. ∂u (y. o que ocorre se o meio material estiver em mau contacto t´ ermico com o meio externo (isolamento t´ ermico). t) ∂u (y. ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 . t)/κ(y. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Nesse caso. t) . t) .8) pode ser aproximada por u(y. Neumann (1832–1925). ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 . Condi¸ ca ˜o de Neumann homogˆ enea: ∂u (y. Cap´ ıtulo 19 845/2069 ∂u valer que κ(y. t) + α2 (y. t) ≪ 1/ ∂n (y. t) + α2 (y. q . para todo y ∈ ∂W e t > 0 . para todo y ∈ ∂W e t > 0 . 2. ent˜ ao (19. t) ≪ 1/ u(y. as fun¸ co ˜es h. Em muitos casos considera-se tamb´ em condi¸ co ˜es ditas homogˆ eneas: 1. Condi¸ ca ˜o de Dirichlet3 : u(y. o que ocorre se o contacto t´ ermico entre o meio material e o meio externo for muito bom. . 2. Condi¸ ca ˜o mista homogˆ enea: α1 (y. Condi¸ ca ˜o de Neumann4 : ∂u (y. t) . (19. t) ≡ 0 em (19. Outro caso particular de interesse se d´ a quando σ (y. t) para todo y ∈ ∂W e todo t. t)u(y.7). para todo y ∈ ∂W e t > 0 . ∂n para todo y ∈ ∂W e t > 0 .

este u ´ltimo saindo do plano do papel. A dire¸ ca ˜o de  ˆ ser´ a denominada “dire¸ ca ˜o transversal da corda”.1. p´ agina 847). Al´ em da for¸ ca de tens˜ ao. t) a qual poder´ a conter a for¸ ca peso. u(x. Como s´ o permitimos movimentos no plano dos versores ˆ ıe ˆ. estenda-se ao longo do eixo x. t) ´ e a componente transversal. da corda nas dire¸ co ˜es ˆ ı ou k Denotaremos por ρ(x) a densidade linear de massa da corda e denotaremos por τ (x. t)ˆ ı + ft (x. em coerˆ encia com a nota¸ ca ˜o de acima. Um tal tratamento est´ a al´ em de nossas pretens˜ oes.1. denominaremos “dire¸ ca ˜o longitudinal da corda”. for¸ restauradoras etc. Nossa dedu¸ ca ˜o ´ e informal. Alguns m´ etodos de solu¸ ca ˜o de algumas das equa¸ co ˜es que encontraremos ser˜ ao apresentados nas se¸ co ˜es seguintes. N˜ ao consideraremos descolamentos da corda na dire¸ ca ˜o ˆ ı ou na dire¸ ca ˜o k ı× ˆ. Suporemos que essas for¸ cas externas tˆ em apenas componentes longitudinais e transversais e. assim como a tomada de um limite macrosc´ opico adequado das equa¸ co ˜es resultantes. na posi¸ ca ˜o x. A for¸ ca por unidade comprimento f pode depender de x e de t. mas por simplicidade notacional vamos design´ a-la apenas por f (x. u(x. omitindo provisoriamente dependˆ encias com u e suas derivadas parciais. pois uma dedu¸ ca ˜o de primeiros princ´ ıpios deveria incluir um tratamento microsc´ opico do movimento de ´ atomos e mol´ eculas que comp˜ oe a corda e de suas intera¸ co ˜es. tensionada e que. t) = fl (x. podemos escrever τ (x. Pela segunda lei de Newton. Cap´ ıtulo 19 846/2069 19. t) ^ j ^ i x k ^ ˆ=ˆ Figura 19. t) na ˆ=ˆ dire¸ ca ˜o do versor  ˆ.2 Dedu¸ c˜ ao Informal da Equa¸ c˜ ao da Corda Vibrante Nesta se¸ ca ˜o apresentamos uma dedu¸ ca ˜o informal de diversas vers˜ oes da equa¸ ca ˜o da corda vibrante em uma dimens˜ ao. p´ agina 846. for¸ cas de atrito viscoso (dependentes da velocidade ∂u cas ∂t ). Ao ser retirada de sua posi¸ ca ˜o de equil´ ıbrio um ponto de coordenada x sofre no instante t um deslocamento transversal de u(x. t) = τl (x. t)ˆ .1: Os versores ˆ ı. t) a for¸ ca de tens˜ ao que a por¸ ca ˜o da corda situada em x′ > x exerce no ponto x sobre a por¸ ca ˜o da corda situada em x′ < x no instante t (Figura 19. quando no equil´ ıbrio. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) representa o deslocamento na dire¸ ca ˜o  ˆ no instante t do ponto da corda situado. em uma situa¸ ca ˜o de equil´ ıbrio. N˜ ao consideramos deslocamentos ˆ. t)ˆ  e com essa nota¸ ca ˜o queremos dizer que τl (x. t)ˆ ı + τt (x. Consideremos uma corda de diˆ ametro desprez´ ıvel. Vide Figura 19. Por ora n˜ ao precisaremos detalhar que tipo de for¸ cas consideraremos e delas trataremos mais adiante. Supomos que a corda move-se apenas na dire¸ ca ˜o transversal e. t) e τt (x. t). no esp´ ırito do grupo de renormaliza¸ ca ˜o. cada ponto x da corda poder´ a estar submetido a uma for¸ ca “externa” por unidade de comprimento f (x.JCABarata. assim como de u e de algumas de suas derivadas parciais. portanto. escrevemos f (x. definida pelo versor ˆ ı.  ˆe k ı× ˆ. cuja dire¸ ca ˜o. t) ´ e a componente longitudinal de τ (x. o momento linear de um trecho de corda x ′ ′ ∂u ˆ. a varia¸ ca ˜o temporal desse momento ρ(x ) (x . t)dx′  situado entre x0 e x ´ e dado por ∂t x0 .2.

2: O trecho de corda entre x0 e x. t) − τ (x0 .12) Os diversos termos do lado direito representam for¸ cas agindo sobre o trecho de corda situado entre x0 e x e s˜ ao de f´ acil explica¸ ca ˜o.17) No instante de tempo t. t) − τt (x0 . t) ´ e (pelo princ´ ıpio de a¸ ca ˜o e rea¸ ca ˜o) a for¸ ca de tens˜ ao que a por¸ ca ˜o da corda situada em x′ < x0 x exerce no ponto x0 . Assim. t) + fl (x′ . (19. t)  ˆ dx′ = ∂t x x0 ρ(x′ )x′ ∂u ′ ˆ. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. situado entre x0 e x.14) x0 x x0 ρ(x′ ) ∂2u ′ (x . t) dx′ . t) + ∂t x x0 f (x′ . essa express˜ ao significa x 0 x x0 = τl (x. respectivamente. Cap´ ıtulo 19 847/2069 τ (x. t) + ft (x. O termo τ (x. t)ˆ  × ∂u ′ (x . podemos escrever (19. t)dx′  ˆ = τ (x.16) ρ(x) = (19. t) aplicadas nos pontos x0 e x.15) Diferenciando (19. t) dx′ ´ e a for¸ ca total exercida pelas for¸ cas “externas” sobre o trecho de corda Naturalmente. por defini¸ ca ˜o. ∂x (19. t) .12) como ρ(x′ ) ∂2u ′ (x . (19. Posteriormente.13) Em suas componentes. ∂x ∂τt (x. x x0 x0 f (x′ . t) u(x0. (x . t) − τ (x0 .JCABarata. o vetor posi¸ ca ˜o de um ponto da corda cuja posi¸ ca ˜o de equil´ ıbrio ´ ex´ e dado por xˆ ı + u(x. t) dx′ k ∂t onde × denota o produto vetorial. t) . satisfaz d dt x x0 ρ(x′ ) ∂u ′ (x . t) + = τt (x. t) + fl (x. t) dx′ . a for¸ ca de tens˜ ao que a por¸ ca ˜o da corda situada em x′ > x exerce no ponto x. Por fim. t) ∂t2 = ∂τl (x. . Indicados est˜ ao tamb´ em as tens˜ oes −τ (x0 . t) ^ i k ^ x0 x Figura 19. o momento angular (em rela¸ ca ˜o ` a origem) do trecho da corda situado entre x0 e x ´ e dado por x x0 ρ(x′ ) x′ˆ ı + u(x′ . (19. t) ´ e. t) − τl (x0 . t) − τ (x0 . (19. t) dx′ . t)ˆ .14) e (19. obtemos 0 ∂2u (x. t)dx′ ∂t2 ft (x′ . t)dx′  ˆ = τ (x.15) em rela¸ ca ˜o a x. t) dx′ . demonstra-se que esses vetores s˜ ao tangentes ` a corda nos respectivos pontos. t) ^ j u(x. O termo −τ (x0 . t) + ∂t2 x x0 f (x′ . t) e τ (x.

20) t (x. t)fl (x′ . t) − x0ˆ ı + u(x0 . τl (x. t) + xft (x. t)fl (x. t)dx′ k ∂t2 ˆ − x0 τt (x0 . t) k x + x0 ˆ. Escrevendo τ e f em termos de suas componentes. caso τl (x. t)fl (x. t)τl (x. t) − u(x. x′ ft (x′ . t)τl (x. t) dx′ . que τt (x.19) Usando agora (19.18) Agora. t) = τl (x. Em certos tratamentos da equa¸ ca ˜o da corda vibrante essa afirma¸ ca ˜o ´ e tida como ´ obvia mas. t)dx′ = xτt (x. t)τl (x. portanto. t)fl (x′ . Teremos. obtivemos Como ambos os lados apontam na mesma dire¸ ca ˜o k x x0 ρ(x′ )x′ ∂2u ′ (x . t) − u(x0 . t) = x (x. t) + x (x. t) − u(x. t) . t) − ∂ u(x. ∂t2 ∂x Esses termos podem. Assim. essa u ´ltima express˜ ao pode ser reescrita como τt (x. t)τl (x. t) ´ vetor forma com a dire¸ ca ˜o longitudinal x. acima. t)ˆ  × τ (x0 . t) ∂τ ∂x (x. t) k ˆ xτt (x. t) + u(x0 .16). t) . t) − x0 τt (x0 . t) . t) x + x0 x′ˆ ı + u(x′ . t) dx′ . t) ∂x l u(x. Falaremos mais sobre (19. t) ´ e tangente ` a curva u(x. ∂x ∂ ∂x (19.JCABarata. t) − ∂t2 ∂x ∂x (19.20) quando comentarmos sobre condi¸ c˜ oes de contorno ` a p´ agina 851. t) − u(x. provamos que a tens˜ ao em cada ponto da corda ´ e tangente ` a corda. t) + xft (x. t) ∂u = (x. t) = conclu´ ımos que ∂u τt (x. t)ˆ  × f (x′ . multiplicando-se (19. t). t) e (19. . t) = 0. essa express˜ ao fica x x0 ρ(x′ )x′ ∂2u ′ ˆ = (x . t) e a tangente do ˆ angulo que esse que cont´ em a informa¸ ca ˜o que o vetor τ (x. de sorte que aquela express˜ ao reduz-se a 0 = τt (x. ser cancelados de (19. (x. Cap´ ıtulo 19 848/2069 Vamos agora expressar a igualdade entre a varia¸ ca ˜o do momento angular do trecho da corda situado entre x0 e x e o torque exercido pelas for¸ cas externas agindo sobre esse trecho. t) . Diferenciando em rela¸ ca ˜o a x conclu´ ımos que ρ(x)x ∂2u ∂τt ∂ u(x. t)ˆ  × τ (x. t) − u(x. t) = τt (x. t)τl (x0 . ∂x Note-se que essa express˜ ao afirma. t) (x.17) por x. j´ a que τ τl (x. vemos que para obtˆ e-la devemos fazer uso da Segunda Lei de Newton da lei da varia¸ ca ˜o do momento angular. t) . t) − u(x. t) ∂t2 x + x0 x′ ft (x′ . t)τl (x0 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.18). t) − u(x′ . obtemos ρ(x)x ∂τt ∂2u (x. d dt x ρ(x′ )x′ x0 ∂u ′ ˆ = (x . como ´ e f´ acil de se ver. t)τl (x. t) − u(x′ . t)dx′ k ∂t xˆ ı + u(x. t) dx′ k ˆ.

no que segue. teremos ft = −ρ(x)g . Vide Figura 19.27).22) garante. obtemos ρ(x) ∂2u ∂ (x. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) = τl (x0 . t) − fl (x′ .24) s˜ ao equa¸ co ˜es a derivadas parciais de segunda ordem de tipo hiperb´ olico. existe um particular interesse no caso em que ρ(x) ≡ ρ.1. constante. t) . 2 ∂t ∂x onde c := (19. t) = τ (t) para a componente longitudinal da tens˜ ao. t) . t) − fl (x′ . quando ent˜ ao obtemos a equa¸ ca ˜o ∂2u ∂2u (19. p´ agina 850. t) = τ (t) 2 (x.26) ρ(x) 2 (x. A rela¸ ca ˜o (19. quando a equa¸ ca ˜o ent˜ ao assume a forma da equa¸ c˜ ao de ondas simples em uma dimens˜ ao ∂2u ∂2u (x. • Equa¸ c˜ ao da corda vibrante. Ausˆ encia de for¸ cas longitudinais externas ∂2u (x. A constante positiva c ´ e identificada como a velocidade de fase associada ` a equa¸ ca ˜o de ondas (19. t) = ∂t2 ∂x x fl (x′ . obtemos ρ(x) ∂2u ∂ (x. t) = ∂t2 x τl (x0 . x0 (19.2. t ) = τ ( t ) (x. p´ agina 706. t) dx′ . t) = τ (t) 2 (x. Cap´ ıtulo 19 849/2069 Inserindo-se (19. de modo mais expl´ ıcito.17). t) dx′ x0 ∂2u ∂u (x.23) ou. podendo depender apenas do tempo.23) ou (19. ∂x (19. ∂x2 ∂x (19. Como o estudante pode constatar. As express˜ oes (19. as equa¸ co ˜es (19. ∂t2 ∂x2 (19. H´ a alguns casos de interesse f´ ısico nos quais a for¸ ca transversal ft ´ e n˜ ao-nula.4. t) + ft (x.27) τ . Combinando (19. t) ∂x (19. t).23) ou (19. t) − fl (x. t) . Nesse caso (19.25) O caso mais simples ´ e aquele no qual a for¸ ca transversal ft ´ e tamb´ em identicamente nula. com g sendo a acelera¸ ca ˜o da gravidade.2. t) . t) .21) a (19.JCABarata. escrevendo τl (x. que τl (x. t) + ft (x. t) + ft (x.24) O primeiro caso particular de interesse se d´ a quando a for¸ ca longitudinal fl ´ e identicamente nula. τl ´ e constante em x.28) ρ(x) 2 (x. t) (x. discutiremos alguns de seus casos particulares de interesse f´ ısico. t) − para qualquer x0 .21) fica ρ(x) ∂2u ∂2u ( x. ρ Vide para tal a discuss˜ ao da Se¸ ca ˜o 19. ∂t ∂x . t) dx′ x0 ∂u (x.24) representam a forma mais geral da equa¸ ca ˜o da corda vibrante e. t) = τl (x0 .20) em (19. Se desejarmos considerar uma corda disposta horizontalmente em um campo gravitacional e incluirmos o peso da corda (por unidade de comprimento) na for¸ ca transversal. ρ(x) para qualquer x0 . ∂t ∂x Nessa situa¸ ca ˜o. t) = c2 2 (x. e τ (t) ≡ τ .25) fica ∂2u ∂2u (19. t) − ρ(x)g . (19. constante.3. t) + ft (x. Vide Se¸ ca ˜o 15.22). Assim. ou seja.21) sendo que τl pode ser expressa usando (19.22) τl (x0 . p´ agina 874.14) em termos de fl por x τl (x. t) ∂u (x. t) = ∂t2 ∂x τl (x. ent˜ ao.

2 ∂t ∂x ∂x ou seja ∂ ∂2u (x. ` a direita.3: Corda sob campo gravitacional transverso. t) − fl (x′ .31) nula (x0 = 0 ´ e o extremo inferior da corda e supomos que nele n˜ ao s˜ ao exercidas for¸ cas). t) ^ j g u(x0. essa equa¸ ca ˜o assume a forma ∂2u ∂u ∂2u (x. t) = g 2 ∂t ∂x x ∂u (x.32) Essa a ´ a equa¸ c˜ ao da corda pendurada com densidade vari´ avel. t) ∂x .30) Vamos agora tratar de incluir for¸ cas externas longitudinais. t) s˜ ao indicadas tangentes ` a curva nos respectivos pontos de atua¸ c˜ ao x0 e x.31) assume a forma ρ(x) ∂2u (x. (19. t) − ρ(x)g . 2 ∂t ∂x ∂t (19. devemos adotar ft = −γ ∂t (com γ > 0) e. t) = g ∂t2 x 0 0 ρ(x′ ) dx′ . t) . p´ agina 851 (corda “pendurada”). ao mover-se nesse ∂u meio. Consideremos primeiramente a situa¸ ca ˜o na qual fl ´ e n˜ ao-nula. teremos τl (x. t) e τ (x. (19. ∂x2 ∂x (19. uma for¸ ca de atrito viscoso proporcional e oposta ` a sua velocidade em cada ponto. como na Figura 19. t) dx′ x0 ∂2u ∂u (x.33) . nesse caso.25) fica ρ(x) ∂2u ∂u ∂2u (x. ∂x2 ∂x (19. mas for¸ cas transversais externas est˜ ao ausentes. t) u(x. t) . Cap´ ıtulo 19 850/2069 τ (x. o ar) e sofre. t) = τ (t) 2 (x. 2 ∂t ∂x ∂t (19. t) + gρ(x) (x. t) − γ (x.4. t) + g (x. t) − τ (x0 . Se desejarmos considerar que a corda se move em um meio viscoso (por exemplo. t) ^ i k ^ x0 x Figura 19. (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. As tens˜ oes −τ (x0 . t) . t) − fl (x. A equa¸ ca ˜o (19. Um caso de interesse ´ a aquele em que a corda ´ e disposta verticalmente em um campo gravitacional. t) . t) = τ (t) 2 (x. t) = −ρ(x)g e supondo que a tens˜ ao longitudinal em x0 = 0 seja x • Equa¸ c˜ ao da corda vibrante com for¸ cas longitudinais externas ∂2u (x.21) fica ρ(x) para qualquer x0 . t) = gx 2 (x. t) − γ (x. teremos a equa¸ ca ˜o ρ(x) ∂2u ∂u ∂2u (x. ρ(x′ ) dx′ ∂2u ∂u (x. t) = g Nesse caso. Teremos fl (x. No caso de a densidade ρ(x) ser constante ρ(x) ≡ ρ. t) (x. g = −g  ˆ. t) = ∂t2 x τl (x0 .29) Se incluirmos tanto a for¸ ca peso quanto a for¸ ca viscosa.JCABarata. Acima.

Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ao impormos nesse caso que τt (0. de sorte que tenhamos u(0.34) enquanto que a equa¸ ca ˜o da corda pendurada homogˆ enea (19. este ` u ´ltimo entrando do plano do papel (ao contr´ ario da Figura 19. t) = f1 (t) para alguma fun¸ ca ˜o f1 dada. Indicados ` a esquerda s˜ ao os versores ˆ ı. H´ a tamb´ em interesse em considerar-se situa¸ co ˜es nas quais a corda pendurada move-se em um meio viscoso (por ∂u exemplo. como antes. t) .32) assume a forma ρ(x) ∂2u (x.  ˆe k ı× ˆ. ∂t com γ > 0. t) = g 2 ∂t ∂x x ∂u ∂u (x. t) − γ (x. podemos querer considerar a situa¸ ca ˜o na qual o ponto da corda localizado em x = 0 executa um movimento for¸ cado por um agente externo. A direita. Um outro tipo de situa¸ ca ˜o ocorre quando um dos extremos da corda. t) + gρ(x) (x. x = 0. para todo t ∈ R . t) ≡ 0 estamos impondo que ∂u (0. Cap´ ıtulo 19 851/2069 ^ i g ^ k ^ j x x=0 u(x .33) assume a forma ∂2u ∂ (x. . a equa¸ ca ˜o da corda pendurada n˜ ao-homogˆ enea (19. o ar). a acelera¸ ca ˜o da gravidade g = −gˆ ı. t) = 0 ∂x para todo t ∈ R .1). pode mover-se livremente na dire¸ ca ˜o transversal. t) − γ (x. deve-se naturalmente impor a condi¸ ca ˜o de contorno Mais genericamente. Segundo (19.20). Essa ´ e equa¸ c˜ ao da corda pendurada homogˆ enea. t) . acrescentar uma for¸ ca transversa viscosa do tipo ft = −γ . digamos. digamos. Nesse caso. t) = 0 para todo t ∈ R .35) • Coment´ arios sobre condi¸ co ˜es de contorno no problema da corda vibrante u(0.JCABarata. ∂x ∂t (19. Caso a corda esteja fixa em um ponto. x = 0. situa¸ ca ˜o essa na qual devemos. t) ˆ =ˆ Figura 19. ∂x2 ∂x ∂t (19. Nesse caso entendemos que esse ponto se move sem a a¸ ca ˜o de uma tens˜ ao transversal.4: Corda sob campo gravitacional longitudinal. t) = g ∂t2 x 0 ρ(x′ ) dx′ ∂u ∂u ∂2u (x.

3. p´ agina 709. para todo t ∈ R . Uma outra situa¸ ca ˜o particular ocorre quando um ponto. digamos. t) = 0 . estiver preso a uma mola que aplica uma for¸ ca restauradora −ku(0. k > 0. ∂x para todo t ∈ R . Condi¸ ca ˜o mista: ∂u (0. portanto. para todo t ∈ R . t). No caso da corda pendurada. ∂u (0. ∂x para todo t ∈ R . digamos. t) − c2 ∆u(x. valer´ a ku(0. t) = ky (t) . para todo t ∈ R . t) = 0 . α2 sendo fun¸ co ˜es dadas pelo problema. t) ∂u (0. Condi¸ ca ˜o de Neumann: ∂u (0. q1 . pelo m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. Essa u ´ltima hip´ otese ´ e usualmente adotada quando de uma corda n˜ ao sujeita a for¸ cas longitudinais externas. x = 0. para todo t ∈ R . g1 . Esses coment´ arios justificam considerar-se no problema da corda vibrante os seguintes tipos de condi¸ ca ˜o de contorno lineares em um ponto. α1 e α2 dadas pelo problema. Condi¸ ca ˜o mista homogˆ enea: α1 (t)u(0. t) = h1 (t) . Nesse caso teremos τt (0. t) = 0. para todo t ∈ R . t) = g1 (t) . Em muitos casos estaremos tamb´ em considerando condi¸ co ˜es ditas homogˆ eneas: 1. nulo no extremo inferior.2 As Equa¸ co ˜es de Helmholtz e de Laplace Nesta se¸ ca ˜o apresentaremos alguns problemas envolvendo as equa¸ co ˜es diferenciais parciais de Laplace e Helmholtz dos quais emergem. • A equa¸ c˜ ao de ondas A equa¸ ca ˜o de ondas ∂2u (x. t) + τl (0. t) = 0 . t) + α2 (t) α1 . t) (supondo a ausˆ encia de outras for¸ cas transversais externas) e. sendo. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. x = 0: 1. 3. ∂x para todo t ∈ R . Se a for¸ ca restauradora for do tipo −k u(0. por´ em. sobre a corda. pois nesse caso a tens˜ ao longitudinal em um ponto qualquer da corda ´ e dada pelo peso do trecho de corda abaixo desse ponto. por (19.JCABarata. algumas das equa¸ co ˜es diferenciais ordin´ arias – e suas solu¸ co ˜es – de que tratamos em cap´ ıtulos anteriores. t) = q1 (t) . 2. (o que ocorre se a corda estiver presa no ponto x = 0 a uma mola cujo ponto de equil´ ıbrio se move transversalmente ` a corda segundo a fun¸ ca ˜o y (t)). 2. t) − y (t) . Cap´ ıtulo 19 852/2069 desde que tenhamos τl (0. t) = 0 ∂t2 . Condi¸ ca ˜o de Neumann homogˆ enea: ∂u (0. O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis ´ e discutido na Se¸ ca ˜o 15. t) ∂u (0. k > 0. t) + α2 (t) as fun¸ co ˜es h1 . ∂x 3. ela n˜ ao pode ser imposta no extremo inferior da corda. t) + τl (0. t) = 0 . Condi¸ ca ˜o de Dirichlet homogˆ enea: u(0.20). t) = −ku(0. Condi¸ ca ˜o de Dirichlet: u(0. ∂x α1 (t)u(0. ∂x 19. teremos ku(0.

A solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o temporal ´ e bem simples: T (t) = β1 + β2 t .39) onde α1 e β1 s˜ ao constantes arbitr´ arias a serem tipicamente fixadas por condi¸ co ˜es iniciais. atrav´ es de condi¸ co ˜es de contorno. a igualdade acima s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante. a constante λ. a qual denotaremos por −λ2 . α2 . conclu´ ımos que T ′′ (t) + (cλ)2 T (t) = ∆E (x) + λ2 E (x) = 0.JCABarata. Assim. t) = T (t)E (x). a constante λ. a qual dever´ a ser determinada pela fixa¸ ca ˜o de certas condi¸ co ˜es adicionais sobre o problema. caso λ = 0 . (19.36) (19. • A equa¸ c˜ ao de difus˜ ao ∂u (x. 0. atrav´ es do qual procuramos solu¸ co ˜es independentes que sejam da forma de um produto u(x. somos rapidamente levados ` a seguinte equa¸ ca ˜o: 1 T ′′ (t) ∆E (x) = . a igualdade acima s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante. uma envolvendo apenas a fun¸ ca ˜o T . caso λ = 0 . outra a fun¸ ca ˜o E e uma inc´ ognita extra. Por substitui¸ ca ˜o na equa¸ ca ˜o de ondas. pode ser tratada pelo procedimento de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. Assim. conclu´ ımos que T ′ (t) + λ2 D T (t) = ∆E (x) + λ2 E (x) = 0. atrav´ es do qual procuramos solu¸ co ˜es independentes que sejam da forma de um produto u(x. a qual denotaremos por −λ2 . t) = T (t)E (x). t) = 0 ∂t com D > 0. A solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o temporal ´ e bem simples: T (t) = T (t) = β1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. pode ser tratada pelo procedimento de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. .37) Obtemos por esse procedimento duas equa¸ co ˜es. somos rapidamente levados ` a seguinte equa¸ ca ˜o: ∆E (x) 1 T ′ (t) = . Por substitui¸ ca ˜o na equa¸ ca ˜o de ondas. por exemplo. (19. t) − D∆u(x. uma envolvendo apenas a fun¸ ca ˜o T . β1 e β2 s˜ ao constantes arbitr´ arias a serem tipicamente fixadas por condi¸ co ˜es iniciais. por exemplo. A equa¸ ca ˜o de difus˜ ao Obtemos por esse procedimento duas equa¸ co ˜es.38) onde α1 . α1 e −λ2 Dt caso λ = 0 . Cap´ ıtulo 19 853/2069 com c > 0. D T (t) E (x) Como o lado esquerdo ´ e uma fun¸ ca ˜o somente de t e o lado direito uma fun¸ ca ˜o somente das coordenadas espaciais x. T (t) = α1 cos(λct) + α2 sen (λct) . atrav´ es de condi¸ co ˜es de contorno. Tais constantes que aparecem quando do m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis s˜ ao denominadas constantes de separa¸ c˜ ao. c2 T (t) E (x) Como o lado esquerdo ´ e uma fun¸ ca ˜o somente de t e o lado direito uma fun¸ ca ˜o somente das coordenadas espaciais x. 0. outra a fun¸ ca ˜o E e uma inc´ ognita extra. . caso λ = 0 . a qual dever´ a ser determinada pela fixa¸ ca ˜o de certas condi¸ co ˜es adicionais sobre o problema. (19.

t). ou α0 ln(ρ) + β0 . por exemplo. a qual denotaremos por ν 2 . Aqui. na Eletrost´ atica. Cap´ ıtulo 19 854/2069 Como se observa. somos levados a ρ (ρΞ′ (ρ)) Ξ(ρ) ′ ρ ∂E ∂ρ + 1 ∂2E = 0. Ludwig Ferdinand von Helmholtz (1821–1894). A equa¸ ca ˜o de Laplace fica 1 ∂ ρ ∂ρ E agora ´ e tomada como uma fun¸ ca ˜o de ρ e ϕ. Reconhecemos que a equa¸ ca ˜o para Ξ ´ e uma equa¸ c˜ ao de Euler. ϕ) = Ξ(ρ)Φ(ϕ).41) E (ρ. a fun¸ ca ˜o E (x). Laplace (1749–1827). No caso em que λ = 0 essa equa¸ ca ˜o diferencial parcial ´ e denominada equa¸ c˜ ao de Helmholtz5 . O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis prop˜ oe procurarmos solu¸ co ˜es independentes dessa equa¸ ca ˜o que sejam da forma de um produto: E (ρ. • As equa¸ co ˜es de Helmholtz e de Laplace 19. Φ(ϕ) Como o lado esquerdo ´ e uma fun¸ ca ˜o somente de ρ e o lado direito uma fun¸ ca ˜o somente de ϕ. p´ agina 231. satisfaz a equa¸ ca ˜o diferencial parcial ∆E (x) + λ2 E (x) = 0 . α’s e β ’s s˜ ao constantes arbitr´ arias. Essa u ´ltima equa¸ ca ˜o aparece em v´ arios outros contextos. a igualdade acima s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.1 Problemas em Duas Dimens˜ oes em Coordenadas Polares • A Equa¸ c˜ ao de Laplace em duas dimens˜ oes em coordenadas polares 1 ∂ ρ ∂ρ ∂u ∂ρ 1 ∂2u . No caso 6 λ = 0 temos a chamada equa¸ c˜ ao de Laplace ∆E (x) = 0 . ρ2 ∂ϕ2 O operador Laplaciano em duas dimens˜ oes em coordenadas polares assume a forma ∆u = ρ + (19. caso ν = 0 . que cont´ em a dependˆ encia espacial da fun¸ ca ˜o u(x. caso ν = 0 . com λ constante. Conclu´ ımos que a equa¸ ca ˜o de Laplace em duas dimens˜ oes em coordenadas polares possui solu¸ co ˜es independentes da forma E (ρ. respectivamente. ϕ) = 5 Hermann 6 Pierre-Simon αν ρν + βν ρ−ν δν cos(νϕ) + γν sen (νϕ) . Trataremos dessas duas equa¸ co ˜es em duas e trˆ es dimens˜ oes em coordenadas polares e esf´ ericas. caso ν = 0. (19. Assim.2. tanto no caso da equa¸ ca ˜o de ondas quanto no caso da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao.40) Vide (4. cuja solu¸ ca ˜o geral ´ e αν ρν + βν ρ−ν .34).JCABarata. ϕ) = α0 ln(ρ) + β0 δ 0 ϕ + γ0 . = 0. Inserindo isso na equa¸ ca ˜o de Laplace. conclu´ ımos que ρ2 Ξ′′ (ρ) + ρΞ′ (ρ) − ν 2 Ξ(ρ) Φ′′ (ϕ) + ν 2 Φ(ϕ) = 0. ρ2 ∂ϕ2 = − Φ′′ (ϕ) . caso ν = 0. .

∞ αm ρm + βm ρ−m ∞ m=−∞ δm cos(mϕ) + γm sen (mϕ) . ϕ) = Ξ(ρ)Φ(ϕ).40). ϕ) = γ0 ln(ρ) + am ρm + bm ρ−m eimϕ . ρ ∂ρ ∂ρ ρ ∂ϕ2 E agora ´ e tomada como uma fun¸ ca ˜o de ρ e ϕ. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . Ξ(ρ) Φ(ϕ) Como o lado esquerdo ´ e uma fun¸ ca ˜o somente de ρ e o lado direito uma fun¸ ca ˜o somente de ϕ. Conclu´ ımos que a equa¸ ca ˜o de Helmholtz em duas dimens˜ oes em coordenadas polares possui solu¸ co ˜es independentes da forma E (ρ. am e bm s˜ ao constantes a serem determinadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. Pela mudan¸ ca de vari´ avel7 z = λρ e definindo y (z ) = y (λρ) = Ξ(ρ). β ’s. a primeira equa¸ ca ˜o acima transforma-se em z 2 y ′′ (z ) + zy ′ (z ) + (z 2 − ν 2 )y (z ) = 0 . portanto. γ ’s e δ ’s s˜ ao constantes arbitr´ arias a serem fixadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. Inserindo isso na equa¸ ca ˜o de Helmholtz. m=−∞ u(ρ. = = αν Jν (λρ) + βν Nν (λρ) δν cos(νϕ) + γν sen (νϕ) . a qual denotaremos por ν 2 . ϕ) = γ0 ln(ρ) + ou. somos levados a ρ (ρΞ′ (ρ))′ Φ′′ (ϕ) + λ2 ρ2 = − . (19. ent˜ ao devemos impor que δ0 = 0 e que ν seja um inteiro. ϕ) = y (λρ)Φ(ϕ) onde as fun¸ co ˜es y e Φ satisfazem as equa¸ co ˜es ordin´ arias z 2 y ′′ (z ) + zy ′ (z ) + (z 2 − ν 2 )y (z ) = Φ′′ (ϕ) + ν 2 Φ(ϕ) sendo z = λρ.42) E (ρ. ϕ) 7 Aqui 0. O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis prop˜ oe procurarmos solu¸ co ˜es independentes dessa equa¸ ca ˜o que sejam da forma de um produto: E (ρ. onde γ0 . a igualdade acima s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. • A Equa¸ c˜ ao de Helmholtz em duas dimens˜ oes em coordenadas polares Devido ` a forma do operador Laplaciano em duas dimens˜ oes em coordenadas polares dada em (19. conclu´ ımos que ρ2 Ξ′′ (ρ) + ρΞ′ (ρ) + (λ2 ρ2 − ν 2 )Ξ(ρ) Φ′′ (ϕ) + ν 2 Φ(ϕ) = 0.JCABarata. ϕ) = α0 J0 (λρ) + β0 N0 (λρ) δ 0 ϕ + γ0 . Por exemplo. = 0. Cap´ ıtulo 19 855/2069 Acima α’s. em forma complexa. 0. Assim. a equa¸ ca ˜o de Helmholtz assume a forma 1 ∂ ∂E 1 ∂2E ρ + 2 + λ2 E = 0 . que podemos reconhecer como sendo a equa¸ c˜ ao de Bessel de ordem ν . u(ρ. caso ν = 0 . caso ν = 0 . Vemos assim que o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis para a equa¸ ca ˜o de Helmholtz em duas dimens˜ oes em coordenadas polares conduz a solu¸ co ˜es independentes da forma E (ρ. A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de Laplace em duas dimens˜ oes que representa fun¸ co ˜es peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ ´ e. supomos λ = 0. se desejarmos que as solu¸ co ˜es sejam fun¸ co ˜es peri´ odicas em ϕ de per´ ıodo 2π .

Jν s˜ ao as fun¸ co ˜es de Bessel de ordem ν e Nν s˜ ao as fun¸ co ˜es de Neumann de ordem ν . 19. ϕ) 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂Y ∂2Y 1 (θ. (19. ent˜ ao devemos impor que δ0 = 0 e que ν seja um inteiro. (θ. O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis prop˜ oe procurarmos solu¸ co ˜es independentes dessa equa¸ ca ˜o que sejam da forma de um produto: E (r. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ϕ) . ϕ) + ∂θ ( sen θ)2 ∂ϕ2 Mais uma vez constatamos que.2 Problemas em Trˆ es Dimens˜ oes em Coordenadas Esf´ ericas • A Equa¸ c˜ ao de Laplace em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas 1 ∂ r2 ∂r ∂u ∂r 1 ∂ sen θ ∂θ ∂u ∂θ O operador Laplaciano em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas assume a forma ∆u = r2 + ( sen θ) + 1 ∂2u 2 ( sen θ) ∂ϕ2 . p´ agina 232. u(ρ. ϕ) = ou. θ e ϕ. ϕ) = ∞ αm Jm (λρ) + βm Nm (λρ) δm cos(mϕ) + γm sen (mϕ) . 1 caso σ = − 1 2 . α’s. ϕ). u(ρ. Fora isso. A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de Helmholtz em duas dimens˜ oes que representa fun¸ co ˜es peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ ´ e. ϕ) + 2 ∂θ ( sen θ) ∂ϕ2 = = 0. cujas solu¸ co ˜es s˜ ao R(r) R(r) = = α1 rσ + α2 r−(1+σ) . (19. γ ’s e δ ’s s˜ ao constantes arbitr´ arias a serem fixadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. pois a equa¸ ca ˜o σ 2 + σ − c = 0 sempre tem pelo menos uma solu¸ ca ˜o). Inserindo isso na equa¸ ca ˜o de Laplace.46) .35).43) Vide (4. ϕ) = R(r)Y (θ. Conclu´ ımos que r2 R′′ (r) + 2rR′ (r) − σ (σ + 1)R(r) 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂Y ∂2Y 1 (θ. m=−∞ ∞ m=−∞ am Jm (λρ) + bm Nm (λρ) eimϕ .45) Reconhecemos que a equa¸ ca ˜o para R ´ e uma equa¸ c˜ ao de Euler. r− 2 (α1 ln(r) + α2 ) .2. a igualdade acima implica que ambos os lados devem ser iguais a uma constante. em forma complexa. Por conveniˆ encia futura. pelo fato de o lado esquerdo ser fun¸ ca ˜o apenas de r enquanto que o lado direito ´ e fun¸ ca ˜o de θ e ϕ. assim como suas solu¸ co ˜es. somos levados a r2 R′ (r) R(r) ′ = − 1 Y (θ. Cap´ ıtulo 19 856/2069 Acima. portanto. 1 . θ. Assim. ϕ) + σ (σ + 1)Y (θ. onde E agora ´ e uma fun¸ ca ˜o de r.44) (19. a equa¸ ca ˜o de Laplace em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas fica 1 ∂ r2 ∂r r2 ∂E ∂r + 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂E ∂θ + 1 ∂2E ( sen θ)2 ∂ϕ2 = 0. 0. β ’s. caso σ = − 2 (19. Por exemplo. Recomendamos ao leitor o exerc´ ıcio instrutivo de comparar as equa¸ co ˜es radiais obtidas acima no caso de Laplace e de Helmholtz em duas dimens˜ oes. ϕ) (θ. onde am e bm s˜ ao constantes a serem determinadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. se desejarmos que as solu¸ co ˜es sejam fun¸ co ˜es peri´ odicas em ϕ de per´ ıodo 2π .JCABarata. escrevemos essa constante na forma σ (σ + 1) (note que todo n´ umero complexo c pode ser escrito dessa forma.

com d d 1 = − . Tomemos. ϕ). As solu¸ co ˜es para y (ζ ) nesse caso s˜ ao os polinˆ omios de Legendre associados y (ζ ) = Plm (ζ ) ou. em termos de θ. (19. temos Y (θ. caso µ = 0 . devemos ter tamb´ em que σ = l ∈ N0 . a equa¸ ca ˜o diferencial para Θ transforma-se em d dζ ou. equivalentemente. ϕ) = α rl + l+1 Ylm (θ.48) Φ(ϕ) = Claramente. a igualdade acima s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante.JCABarata. (19. ϕ). θ. Cap´ ıtulo 19 857/2069 Passemos agora ` a equa¸ ca ˜o para Y (θ. r . ϕ) e Yl−m (θ. (ζ ) + σ (σ + 1) y (ζ ) − dζ 1 − ζ2 µ2 y (ζ ) = 0 . (1 − ζ 2 )y ′′ (ζ ) − 2ζy ′ (ζ ) + σ (σ + 1) y (ζ ) − (1 − ζ 2 ) dy µ2 y (ζ ) = 0 . que escrevemos na forma µ2 . Ficamos com d 1 sen (θ) dθ sen (θ) dΘ µ2 Θ(θ) = (θ) + σ (σ + 1)Θ(θ) − dθ ( sen (θ))2 Φ′′ (ϕ) + µ2 Φ(ϕ) A equa¸ ca ˜o para Φ tem por solu¸ co ˜es     δ 0 ϕ + γ0 . Conclu´ ımos.47) conv´ em proceder a mudan¸ ca de vari´ avel ζ = cos θ . dθ Φ(ϕ) Mais uma vez. ϕ). Assim. Essa solu¸ ca ˜o pode tamb´ em ser escrita de forma complexa como Φ(ϕ) = am eimϕ + bm e−imϕ para outras constantes am e bm . Somos conduzidos a sen θ d Θ(θ) dθ ( sen θ) dΘ Φ′′ (ϕ) (θ) + σ (σ + 1)( sen θ)2 = − . Como discutimos quando tratamos da equa¸ ca ˜o de Legendre associada. ϕ) = Plm (cos(θ)) am eimϕ + bm e−imϕ . em forma complexa. conclu´ ımos que sob as condi¸ co ˜es mencionadas a equa¸ ca ˜o de Laplace tem solu¸ co ˜es independentes da forma β E (r. µ = m ∈ Z em cujo caso a solu¸ ca ˜o fica Φ(ϕ) = δm cos(mϕ) + γm sen (mϕ) para todo µ = m ∈ Z (inclusive m = 0). sendo que l e m relacionam-se por −l ≤ m ≤ l. definidos em (14. Θ(θ) = y (cos θ). A experiˆ encia ensina que para melhor tratarmos a equa¸ ca ˜o (19.75). se desejarmos que Φ(ϕ) seja cont´ ınua e peri´ odica de per´ ıodo 2π devemos impor que δ0 = 0 e que µ seja um inteiro. 1 − ζ2 Reconhecemos que se trata da equa¸ c˜ ao de Legendre associada.49) Definindo tamb´ em y (ζ ) = Θ(θ). Θ(θ) = Plm (cos(θ)). θ. = 0.47) (19. Por (19. ent˜ ao. Y (θ. que se desejarmos solu¸ co ˜es que sejam peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ e finitas nos extremos θ = 0 e θ = π . ϕ) . se desejarmos tamb´ em que y (ζ ) seja finita nos extremos ±1 (ou seja. 0. ou seja. que Θ(θ) seja finita nos extremos θ = 0 e θ = π ). caso µ = 0 .49) vemos que para o caso em que Φ ´ e cont´ ınua e peri´ odica de per´ ıodo 2π devemos necessariamente ter µ = m ∈ Z. Y na forma de um produto Y (θ. Constatamos que o lado direito ´ e uma combina¸ ca ˜o linear das fun¸ co ˜es harmˆ onicas esf´ ericas Ylm (θ. retornando ` a E (r. dζ sen (θ) dθ    δµ cos(µϕ) + γµ sen (µϕ) . ϕ) = Θ(θ)Φ(ϕ). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. assim. a qual propomos novamente tratar pelo m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis. ϕ) = Plm (cos(θ)) δm cos(mϕ) + γm sen (mϕ) ou. ou seja.

um planeta). da´ ı. onde Pl s˜ ao os αl rl + βl l r +1 Pl (cos(θ)) (19. θ) = ∞ l=0 βl Pl (cos(θ)) .50) Aqui. portanto. que a fun¸ ca ˜o u(r. pelo fato de o lado esquerdo ser fun¸ ca ˜o apenas de r enquanto que o lado direito ´ e fun¸ ca ˜o de θ e ϕ. anulam-se. a igualdade acima implica que ambos os lados devem ser iguais a uma constante. rl+1 (19. acima.46).43). ϕ) converge a 0 para r → ∞.JCABarata. ` au ´ltima express˜ ao. na Eletrost´ atica quando lidamos com o problema de determinar o potencial el´ etrico produzido por uma distribui¸ ca ˜o de cargas el´ etricas est´ aticas limitadas a uma regi˜ ao finita. ϕ) = R(r)Y (θ. ϕ) = polinˆ omios de Legendre.51) para certas constantes αl e βl . somos levados a r2 R′ (r) R(r) ′ + λ2 r2 = − 1 Y (θ. Novamente. αl. se anulam. obtemos apenas u(r. (θ. ϕ). ϕ) = ∞ l αl. θ. ent˜ ao os termos da soma com m = 0 devem ser todos nulos. A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de Laplace em trˆ es dimens˜ oes que representa fun¸ co ˜es peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ e finitas nos extremos θ = 0 e θ = π ´ e. ϕ) . σ = − 2 . rl+1 l Essa situa¸ ca ˜o ocorre. θ) = ∞ l=0 2l+1 4π Pl (cos(θ )). u(r. portanto. ϕ) = ∞ l l=0 m=−l βl. Nesse caso a expans˜ ao acima ´ e denominada expans˜ ao em multip´ olos. expressa em (19. ϕ) + ∂θ ( sen θ)2 ∂ϕ2 Mais uma vez constatamos que.46). θ e ϕ. m m Y (θ. Por conveniˆ encia futura. se tamb´ em soubermos que a solu¸ ca ˜o u(r. . (19. Como Yl0 (θ. e obtemos para a expans˜ ao em multip´ olos u(r. da qual ele derivou a express˜ ao para os Pl (cos(θ)) como polinˆ omios em cos(θ) e. θ. m ∈ Z e −l ≤ m ≤ l. m . θ. Se soubermos a priori. por considera¸ co ˜es de simetria. ϕ) n˜ ao depende da vari´ avel ϕ. por exemplo. podemos supor que as constantes αl. podemos supor que as constantes αl . θ) converge a 0 para r → ∞. acima. ϕ) . O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis prop˜ oe procurarmos solu¸ co ˜es independentes dessa equa¸ ca ˜o que sejam da forma de um produto: E (r. o problema que conduziu Legendre aos polinˆ omios de Legendre foi o de determinar o potencial gravitacional de uma distribui¸ ca ˜o de mat´ eria limitada a uma regi˜ ao finita e sim´ etrica em rela¸ ca ˜o ao eixo z . Isso conduziu-o a fun¸ ` ca ˜o geratriz dos polinˆ omios de Legendre (express˜ ao (14. m e βl. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ( sen θ)2 ∂ϕ2 onde E agora ´ e uma fun¸ ca ˜o de r. Cap´ ıtulo 19 858/2069 com l ∈ N0 . α e β sendo constantes. m s˜ ao constantes a serem determinadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. ϕ) . Inserindo isso na equa¸ ca ˜o de Helmholtz. a equa¸ ca ˜o de Helmholtz em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas assume a forma 1 ∂ r2 ∂r r2 ∂E ∂r + 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂E ∂θ + 1 ∂2E + λ2 E = 0 . por exemplo. O mesmo tipo de situa¸ ca ˜o ocorre se desejarmos determinar o potencial gravitacional produzido por uma distribui¸ ca ˜o de mat´ eria limitada a uma regi˜ ao finita (por exemplo. θ. • Expans˜ ao em multip´ olos Se soubermos a priori que a solu¸ ca ˜o u(r. θ. ϕ) 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂Y ∂2Y 1 (θ. m rl+1 Ylm (θ. adotamos para a parte radial a primeira solu¸ ca ˜o de 1 (19. Nesse caso a solu¸ ca ˜o reduz-se a u(r. Acima. pois σ = l ∈ N0 e. • A Equa¸ c˜ ao de Helmholtz em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas Devido ` a forma assumida pelo operador Laplaciano. m rl + l=0 m=−l βl.52) Historicamente. p´ agina 645).

u(r. ϕ) + σ (σ + 1)Y (θ. l=0 m=−l Aqui. Como mencionamos. Retornando a E (r. m e βl. onde m ∈ Z com −l ≤ m ≤ l. teremos que fixar σ = l ∈ N0 e Y (θ. αl. Baptiste Joseph Fourier (1768–1830). sob as hip´ oteses delineadas acima. (19. conclu´ ımos que. Obtemos.53) acima transforma-se em z 2 y ′′ (z ) + 2zy ′ (z ) + (z 2 − σ (σ + 1))y (z ) = 0 . que podemos reconhecer como sendo a equa¸ c˜ ao de Bessel esf´ erica de ordem σ . 8 Aqui 9 Jean supomos λ = 0. θ. publicado em 1822. assim como suas solu¸ co ˜es. ϕ) ser´ a uma combina¸ ca ˜o linear de Ylm (θ. θ. o da evolu¸ c˜ ao da temperatura de uma barra termicamente condutora de tamanho finito submetida a certas condi¸ co ˜es de contorno em seus extremos e partindo de uma distribui¸ ca ˜o inicial de temperatura. respectivamente. portanto. Reconhecemos que a equa¸ ca ˜o para Y (θ. ϕ) = ∞ l com l ∈ N0 . ϕ) e Yl−m (θ. e que n˜ ao apenas lan¸ cou as bases da moderna teoria da difus˜ ao do calor. de ampla aplica¸ ca ˜o em F´ ısica e Matem´ atica. . estamos interessados primordialmente no caso em que σ = l ∈ N0 . onde a e b s˜ ao constantes e jl e nl s˜ ao as fun¸ co ˜es de Bessel esf´ ericas de ordem l e de Neumann esf´ ericas de ordem l. 19. m ∈ Z e −l ≤ m ≤ l. m jl (λr) + βl.3. ϕ) = α jl (λr) + β nl (λr) Ylm (θ.53) = 0. ϕ) (θ. α e β sendo constantes. A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de Helmholtz em trˆ es dimens˜ oes que representa fun¸ co ˜es peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ e finitas nos extremos θ = 0 e θ = π ´ e. Recomendamos ao leitor o exerc´ ıcio instrutivo de comparar as equa¸ co ˜es radiais obtidas acima no caso de Laplace e de Helmholtz em trˆ es dimens˜ oes. a equa¸ ca ˜o (19.1 Problemas de Difus˜ ao em uma Dimens˜ ao A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Finita Nesta se¸ ca ˜o trataremos de um problema cl´ assico. nesse caso R(r) = a jl (λr) + b nl (λr) .3 19. αl. a equa¸ ca ˜o de Helmholtz em trˆ es dimens˜ oes possui solu¸ co ˜es independentes da forma E (r. Cap´ ıtulo 19 859/2069 escrevemos essa constante na forma σ (σ + 1) (note que todo n´ umero complexo c pode ser escrito dessa forma. ϕ) . Assim. ϕ) . (19.JCABarata. Esse problema foi estudado por Fourier9 em seu c´ elebre trabalho “Th´ eorie Analytique de la Chaleur”. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. como tamb´ em lan¸ cou as bases da teoria das s´ eries e transformadas de Fourier. se desejarmos solu¸ co ˜es para Y (θ. ϕ). Pela mudan¸ ca de vari´ avel8 z = λr e definindo y (z ) = y (λr) = R(r). ϕ) que sejam peri´ odicas de per´ ıodo 2π em ϕ e finitas nos extremos θ = 0 e θ = π .54) Concentremo-nos agora na equa¸ ca ˜o radial. ϕ) ´ e precisamente a mesma que obtivemos no caso da equa¸ ca ˜o de Laplace em trˆ es dimens˜ oes em coordenadas esf´ ericas. ϕ). θ. pois a equa¸ ca ˜o σ 2 + σ − c = 0 sempre tem pelo menos uma solu¸ ca ˜o). m nl (λr) Ylm (θ. m s˜ ao constantes a serem determinadas por condi¸ co ˜es adicionais a serem impostas ` a solu¸ ca ˜o. ϕ) + 2 ∂θ ( sen θ) ∂ϕ2 = 0. Conclu´ ımos que r2 R′′ (r) + 2rR′ (r) + λ2 r2 − σ (σ + 1) R(r) 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂Y ∂2Y 1 (θ.

u0 representa a temperatura inicial da barra. onde pode trocar calor com meios externos. t) representa a temperatura dessa barra na posi¸ ca ˜o x no instante t. t) = σ2 u(L. Esses coment´ arios justificam considerar-se em problemas de difus˜ ao os seguintes tipos de condi¸ ca ˜o de contorno lineares em x = 0: 1. Assim. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. a temperatura deste meio sendo ( x. devemos impor a condi¸ ca ˜o −k ∂u (0. t) = T1 (t). ∂x α1 (t)u(0. t ≥ 0 e x ∈ [0. Caso σ1 /k ≪ 1/ T1 (t) − u(0. 2. 0) . t) = 0. De acordo com a Lei de Fourier.55) −k (0. No outro extremo x = L teremos. a barra est´ a termicamente isolada do meio em x = 0 e a condi¸ ca ˜o (19. Cap´ ıtulo 19 860/2069 O problema que consideraremos ´ e o de encontrar solu¸ co ˜es para a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao de um meio termicamente condutor homogˆ eneo sem fontes: ∂u ∂2u −D 2 = 0.JCABarata. ∂t ∂x com D > 0. α1 e α2 sendo dadas pelo problema. Condi¸ ca ˜o de Dirichlet: u(0. Consideraremos que a barra est´ a termicamente isolada. as fun¸ co ˜es h1 . t) . (19. x ∈ [0. o fluxo de calor em x = 0 ´ e dado por −k ∂u ∂x (0. por exemplo. a barra est´ a em excelente contacto t´ ermico com o meio em x = 0 e a condi¸ ca ˜o (19. Em muitos casos estaremos tamb´ em considerando condi¸ co ˜es ditas homogˆ eneas: 1. para todo t > 0 . portanto) e u(x. t) + α2 (t) para todo t > 0 . Condi¸ ca ˜o de Neumann: ∂u (0. Condi¸ ca ˜o mista: ∂u (0. tamb´ em segundo a Lei de Fourier. Caso k/σ1 ≪ 1/ ∂u ∂x reduz-se a u(0. t) = q1 (t) . q1 . ∂x para todo t > 0 . constante. ∂u −k (L. t) − T2 (t) . t) (com k sendo a condutibilidade t´ ermica da barra). t) = σ1 T1 (t) − u(0. t) = g1 (t) . t) = q1 (t) . A constante D representa a constante de difus˜ ao t´ ermica da barra homogˆ enea localizada em [0. t) = 0 . A condi¸ ca ˜o inicial a ser considerada ser´ a u(x. analogamente. onde u0 ´ e uma fun¸ ca ˜o dada da qual suporemos certas propriedades mais adiante. g1 . . a fonte de calor for um meio externo a temperatura T1 (t) o fluxo q1 (t) ser´ a. ∂x Se. Em x = L tem-se rela¸ co ˜es an´ alogas. para todo t > 0 . ∂x σ1 sendo a condutibilidade do contacto t´ ermico da barra com o meio externo em x = 0. L] (de comprimento L. proporcional ` a diferen¸ ca de entre a temperatura barra em x = 0 e a temperatura do meio externo em contacto com a barra no mesmo ponto: ∂u (19. 0) = u0 (x) . • Condi¸ co ˜es de contorno Tratamos de apresentar rapidamente as condi¸ co ˜es de contorno mais comummente empregadas.56) ∂x σ2 sendo a condutibilidade do contacto t´ ermico da barra com o meio externo em x = L. t) . 3. Condi¸ ca ˜o de Dirichlet homogˆ enea: u(0. L] para algum L > 0. se a barra estiver em contacto t´ ermico com uma fonte de calor que injete um fluxo de calor q1 (t) atrav´ es da posi¸ ca ˜o x = 0. exceto nos seus extremos.55) reduz-se a ∂u ∂x (0. L] .55) T2 (t). t) = h1 (t) .

assim. Condi¸ ca ˜o de Neumann homogˆ enea: ∂u (0.59) s˜ ao. Como desejamos que U (0) = U (L) = 0. . ∂x para todo t > 0 .JCABarata. t) = T (t)U (x). ∂x 3. Inserindo em (19. e analogamente em x = L. Em verdade. 0) = u0 (x). de sorte que tenhamos as condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet homogˆ eneas u(0. a1 e −λ 2 e u(L. Chegamos com isso a T ′ (t) + λ2 DT (t) = U ′′ (x) + λ2 U (x) As solu¸ co ˜es da primeira equa¸ ca ˜o. t) + α2 (t) ∂u (0. . O caso interessante. cujas extremidades (situadas em x = 0 e x = L) s˜ ao postas em bom contacto t´ ermico com banhos t´ ermicos de temperatura 0. pois para n = 0 tem-se U0 (x) ≡ 0 (solu¸ ca ˜o trivial) e U−n (x) = Un (x).60) (19. U (x) = β1 cos(λx) + β2 sen (λx) . para todo t > 0 . t) = 0 . caso λ = 0 . ou seja. x ∈ [0. A imposi¸ ca ˜o que U (0) = 0 implica β1 = 0. 0. L] . obt´ em-se c1 = c2 = 0. Cap´ ıtulo 19 861/2069 2. • Resolu¸ c˜ ao pelo m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e pelo princ´ ıpio de sobreposi¸ c˜ ao Como ilustra¸ ca ˜o. .59) = caso λ = 0 .e. mostrando que as solu¸ co ˜es com Un (x) e U−n (x) n˜ ao s˜ ao independentes. No caso λ = 0.57) satisfazendo as condi¸ co ˜es iniciais e de contorno mencionadas acima.57). s˜ ao T (t) = T (t) = a0 t + b 0 . i. D T (t) U (x) Essa igualdade s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. U (x) = Un (x) = β2 sen nπx L . α1 . n = 1.61) Dt Para λ = 0 a equa¸ ca ˜o (19. de modo que u(x.57) −D 2 = 0. t) = 0 e a condi¸ ca ˜o inicial u(x. de uma barra met´ alica de comprimento L > 0 e constante de difus˜ ao t´ ermica D > 0. levando a U (x) = β2 sen (λx). .. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. n ∈ Z. podemos nos restringir a n’s positivos n˜ ao-nulos. 2. portanto. com n ∈ Z (tomar β2 = 0 conduz novamente ` a solu¸ ca ˜o trivial U (x) ≡ 0) e. naturalmente.. t) = 0 . procede-se pelo m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis.59) reduz-se a U ′′ (x) = 0. ∂t ∂x com t ≥ 0 e 0 ≤ x ≤ L. Para encontrar as solu¸ co ˜es de (19. t) = 0 . (19. 0. A imposi¸ ca ˜o que U (L) = 0 implica λL = nπ . obt´ em-se U ′′ (x) 1 T ′ (t) = . ∀t > 0 . procurando primeiramente solu¸ co ˜es particulares que sejam da forma u(x. vamos considerar o problema mais simples de determinar a evolu¸ ca ˜o da temperatura. como ´ e bem conhecido.58) (19. cuja solu¸ ca ˜o ´ e U (x) = c1 x + c2 . . Condi¸ ca ˜o mista homogˆ enea: α1 (t)u(0. obt´ em-se a solu¸ ca ˜o trivial U (x) ≡ 0. descrita pela equa¸ ca ˜o de difus˜ ao simples ∂u ∂2u (19. α2 sendo fun¸ co ˜es dadas pelo problema. est´ a em λ = 0. t) = T (t)U (x) satisfa¸ ca as condi¸ co ˜es de contorno. as solu¸ co ˜es de (19. que denotamos por −λ2 . 3. (19.

62) A imposi¸ ca ˜o da condi¸ ca ˜o inicial u(x. conduz a u0 (x) = ∞ n=1 an sen nπx L .62) como u(x. . A teoria geral das s´ eries de Fourier encontra-se desenvolvida na Se¸ ca ˜o 34.65) podemos reescrever (19. .12. as quais ainda est˜ ao indeterminadas e podem depender de n). para cada n = 1. A importˆ ancia de (19. • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais Usando (19. Evocando o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o. 3.63) por sen L ∞ n=1 mπx L e integrando de 0 a L. p´ agina 1668. 3. t) = 0 L 2 L L sen 0 nπx′ L u0 (x′ ) dx′ (19.64) Assim. Vide Cap´ ıtulo 35. G(x. (19. (aqui. . t) = an e−D( nπ L ) t sen 2 nπx L . . . multiplicando (19.65) G(x. Para t = 0 a convergˆ encia deve ser entendida no sentido de distribui¸ co ˜es. obtemos uma solu¸ ca ˜o mais geral de (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 2 m. Para tais valores de λ a solu¸ 2 t −D( nπ ) L . x′ ) = 2 sen L n=1 ∞ nπx L sen 2 nπx′ −D( nπ L ) t .4. . 2. Para t > 0 ´ e muito f´ acil constatar a convergˆ encia uniforme da s´ erie que define G. A fun¸ ca ˜o G cont´ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ ca ˜o inicial no ponto x′ influencia a solu¸ ca ˜o no ponto x no instante t. . . 3. sobre hip´ oteses adequadas para a fun¸ ca ˜o u0 . n = 1. ´ e apresentada na Proposi¸ ca ˜o 34. (19. t. 0) = u0 (x). .66) est´ a em expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ ca ˜o inicial u0 . 2 ou seja. t) = ∞ n=1 an e −D ( nπ L )2 t sen nπx L . x′ )u0 (x′ ) dx′ . e as solu¸ co ˜es particulares para u(x. . n = 1. t) = T (t)U (x) ficam (19.67) Essa express˜ ao ´ e denominada fun¸ c˜ ao de Green do problema de valor inicial em quest˜ ao. . an = para todo n = 1. formalmente. temos λn = nπ ca ˜o L e Un (x) = β2 sen L . que fixa a temperatura em t = 0. absorvemos a constante β2 dentro das constantes an . (19. 3. . . p´ agina 1652. 2. Chegamos at´ e aqui com o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis.63) a fun¸ ca ˜o u0 ´ e expressa em termos de uma s´ erie de Fourier de senos e a justificativa para a validade dessa expans˜ ao.66) onde. (19. Cap´ ıtulo 19 862/2069 nπx Resumindo.61) fica a e n un (x. p´ agina 1701. . t.JCABarata.57) satisfazendo as condi¸ co ˜es de contorno homogˆ eneas somando as solu¸ co ˜es acima: u(x. fazemos uso das bem-conhecidas rela¸ co ˜es de ortogonalidade da fun¸ ca ˜o seno: π sen (my ) sen (ny ) dy = 0 π δm. e L (19.. n . . expressando as constantes an em termos de u0 . Para invertermos essas rela¸ co ˜es. 2. obtemos sen 0 mπx u0 (x) dx = L L an 0 sen mπx L sen nπx L dx ∞ π y =πx/L = L an π n=1 sen (my ) sen (ny ) dy = 0 L am . 2.63) Em (19.

constante. Cap´ ıtulo 19 863/2069 19.70) Como veremos. por vezes. p´ agina 714). Por ora. ou a solu¸ ca ˜o u(x. Sobre a condi¸ ca ˜o inicial u0 suporemos inicialmente que essa fun¸ ca ˜o ´ e um elemento do espa¸ co de Schwartz S (R). −Dλ2 t beiλx + ce−iλx . podemos dizer que o 2 A(λ)e−Dλ t eiλx com λ ∈ R arbitr´ ario. a quest˜ ao da escolha de condi¸ co ˜es de contorno que garantam unicidade de solu¸ ca ˜o ´ e surpreendentemente sutil devido a propriedades especiais do processo de difus˜ ao. Assim. 2 (19. come¸ camos procurando solu¸ co ˜es de (19. t) = 1 2 x . ser descartadas de in´ ıcio. a solu¸ ca ˜o est´ atica u(x.69) onde u0 ´ e uma fun¸ ca ˜o real dada. A condi¸ ca ˜o inicial a ser considerada ser´ a u(x. p´ agina 859. da qual suporemos certas propriedades mais adiante e representa a temperatura inicial do meio. fazemos notar que o problema acima ´ e o que se denomina um problema de Cauchy caracter´ ıstico. t ≥ 0 e x ∈ R.1. t) = U (x)T (t) e para as fun¸ co ˜es U e T obtemos as equa¸ co ˜es diferenciais ordin´ arias (19. adiantamos que desejamos solu¸ co ˜es que caem a zero suficientemente r´ apido quando |x| → ∞. devemos ter λ ∈ R. onde os dados iniciais s˜ ao ´ relevante fornecidos. Como a solu¸ ca ˜o e−Dλ t e−iλx difere da solu¸ ca ˜o e−Dλ t eiλx apenas por uma troca de sinal em λ. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Como fazemos outras vezes no presente cap´ ıtulo. Em segundo lugar. n˜ ao em t e os dados iniciais s˜ ao fornecidos em t = 0. Uma solu¸ ca ˜o linearmente crescente em t e em x n˜ ao ´ e fisicamente aceit´ avel para um problema de difus˜ ao (especialmente pois procuramos solu¸ co ˜es que decaem a zero no infinito) e podem. homogˆ eneo. • Uma solu¸ c˜ ao para o problema de difus˜ ao em R Se seguirmos o procedimento de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis que adotamos no in´ ıcio da Se¸ ca ˜o 19. Como comentamos ap´ os aquelas equa¸ co ˜es. t) = x. procurando encontrar diretamente as solu¸ co ˜es desejadas pospondo. (19.3.3. p´ agina 1702. c0 = 0. L]. n˜ ao especificamos ainda que tipo de condi¸ ca ˜o de contorno (no infinito) ´ e suposta para a solu¸ ca ˜o procurada. onde A(λ) procedimento de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis conduz a solu¸ co ˜es do tipo √1 2π 1 √ e arbitr´ aria e sua conveniˆ encia ficar´ a eventualmente depende de λ. Observemos de passagem que (19.3. a justificativa matem´ atica dos nossos procederes. definido na Se¸ ca ˜o 35. a qual corresponde ` a condi¸ ca ˜o inicial u0 (x) = 2 1 2 x + Dt .1. t) = c0 . pois a superf´ ıcie t = 0. o caso em que a constante de separa¸ ca ˜o λ ´ e nula conduz a uma solu¸ ca ˜o para T da forma T (t) = αt + β e para U tamb´ em da forma U (x) = γx + δ . A constante D representa a constante de difus˜ ao t´ ermica do meio homogˆ enea e u(x.4.59). ´ e uma superf´ ıcie caracter´ ıstica da equa¸ ca ˜o (19. a solu¸ ca ˜o constante u(x. mas estende-se por toda reta real R. termicamente condutor.68) com D > 0. 0) = u0 (x) . E lembrar que a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao ´ e de segunda ordem na vari´ avel x. Em primeiro lugar. temos para T e U as solu¸ co ˜es T (t) = ae−Dλ 2 t e U (x) = beiλx + ce−iλx . sem fontes (uma barra termicamente condutora): ∂2u ∂u −D 2 = 0.JCABarata. 2 2 .58)–(19.2 A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Infinita O problema que consideraremos nesta se¸ ca ˜o ´ e o de encontrar solu¸ co ˜es para a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao de um meio unidimensional infinito. Esse ´ e um ponto de grande relevˆ ancia para a justifica¸ ca ˜o do m´ etodo de solu¸ ca ˜o que desenvolveremos e tamb´ em para a discuss˜ ao do problema de unicidade de solu¸ ca ˜o. em um ponto fundamental: aqui x n˜ ao est´ a limitado a um intervalo compacto [0.1. Novamente. sendo que postergaremos a discuss˜ ao dos detalhes de qu˜ ao r´ apido deve ser esse decaimento para mais adiante.68) (vide discuss˜ ao da Se¸ ca ˜o 15. t) representa a temperatura desse meio na posi¸ ca ˜o x no instante t. (A introdu¸ ca ˜o do fator 2π no presente momento ´ clara no que segue). x∈R. ∂t ∂x (19. portanto. como estamos interessados em solu¸ co ˜es que decaem a zero no infinito espacial.68) possui solu¸ co ˜es que n˜ ao decaem no infinito como. constante. onde absorvemos a constante a nas constantes b uma solu¸ ca ˜o particular de (19.68) na forma de um produto: u(x. No caso λ = 0. seguiremos uma linha pragm´ atica. por exemplo. H´ a diversos coment´ arios que devemos fazer sobre o problema acima. Note-se que o problema acima difere daquele tratado na Se¸ ca ˜o 19.68) tem a forma e e c.

com a suposi¸ ca ˜o que fizemos acima que u0 ´ e um elemento de S (R). Ora. fica claro que (19.71) Se desejarmos neste ponto justificar a convergˆ encia da integral do lado direito dever´ ıamos supor que a fun¸ ca ˜o A(λ) seja ∞ uma fun¸ ca ˜o integr´ avel.JCABarata. se v´ alida.37). y ∈ R e t > 0 . ou seja. valer´ a tamb´ em A(λ) = F[u0 ](λ) .71) ´ e a solu¸ ca ˜o do problema discutido. satisfa¸ ca −∞ |A(λ)|dλ < ∞. Notemos tamb´ em que se (19. t) = √ 2π ∞ −∞ A(λ)e−Dλ t eiλx dλ .74) revela que a solu¸ ca ˜o u depende linearmente da condi¸ ca ˜o inicial u0 (uma propriedade que o autor deste texto n˜ ao crˆ e ser obviamente esperada para as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao (19. vale para t > 0. Entretanto. vamos adotar uma hip´ otese ainda mais conservadora. lembremos agora que. dx).68). Portanto. ou seja. portanto.68)). t) diretamente em termos da condi¸ ca ˜o inicial u0 e com isso podemos identificar y )2 exp − (x4− Dt √ G(x. com (19. diz-nos que u0 ´ e a transformada de Fourier inversa de A: u0 (x) = F−1 [A](x) (vide (35. h´ a aqui uma admiss˜ ao impl´ ıcita que nossa solu¸ ca ˜o em (19. A express˜ ao (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. segundo (35. a saber. A express˜ ao (19. t.72) podendo ser reescrita na forma ∞ u(x. Como a transformada de Fourier ´ e invers´ ıvel em S (R) (da´ ı termos escolhido esse espa¸ co para abrigar a fun¸ ca ˜o u0 ). t. t) = ∞ −∞ e− 4Dt √ u0 (y ) dy . podemos considerar solu¸ c o ˜ es do tipo 2π 1 u(x. Essa express˜ ao fornece u(x. . 4πDt (x−y)2 (19.49) = 1 √ 4πDt ∞ −∞ ht (x − y )u0 (y ) dy . y ) := . x. express˜ ao essa que relaciona A e u0 . cuja conveniˆ encia ficar´ a clara logo adiante. Cap´ ıtulo 19 864/2069 Evocando o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o podemos pressupor obter solu¸ co ˜es mais gerais integrando em λ as solu¸ co ˜es do −Dλ2 t iλx tipo √1 A ( λ ) e e .73) 4πDt como sendo a fun¸ ca ˜o de Green para a condi¸ ca ˜o inicial do problema de difus˜ ao tratado. t). sobre a condi¸ ca ˜o inicial u0 (como veremos) e tamb´ em sobre o comportamento no infinito espacial da solu¸ ca ˜o u(x.71) pode ser escrita para t > 0 como 1 F−1 F[ht ]F[u0 ] (x) u(x. Para prosseguirmos. e−Dλ x2 2 t 1 F[ht ](λ) .1. p´ agina 1722) em coerˆ encia.74) permite tamb´ em a seguinte interpreta¸ ca ˜o para a fun¸ ca ˜o de Green: G(x. ent˜ ao em t = 0 devemos ter 1 u0 (x) = √ 2π ∞ −∞ A(λ)eiλx dλ . Portanto. a de que A seja um elemento do espa¸ co de Schwartz S (R). = √ 2Dt onde ht (x) := e− 4Dt (verifique!). (19. Com isso. definido na Se¸ ca ˜o 35.74) −∞ com x ∈ R e t > 0. p´ agina 1702. t) = G(x. t. 2 (19. y ) u0 (y ) dy . t.71) n˜ ao ´ e a mais geral poss´ ıvel de (19.72) com x ∈ R e t > 0. estabelecemos que a solu¸ ca ˜o que tentamos construir tem a forma u(x. (19. mas que certas condi¸ co ˜es s˜ ao supostas sobre a fun¸ ca ˜o A.50). y ) ´ e tamb´ em denominada n´ ucleo do calor por alguns autores. A fun¸ ca ˜o G(x. t) = √ 2Dt (35. essa rela¸ ca ˜o. y ) intermedia a influˆ encia da condi¸ ca ˜o inicial u0 no ponto y sobre a solu¸ ca ˜o u no instante de tempo t > 0 na posi¸ ca ˜o x. A ∈ L1 (R.54) = 1 √ ht ∗ u0 (x) 2Dt (35.

.76) e para todos x ∈ R e δ > 0 vale t→0+ −∞ lim x −δ −∞ G(x. y ) comp˜ oe uma seq¨ uˆ encia delta de Dirac. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . x. y ∈ Rn e t > 0.1.72): algumas propriedades da fun¸ c˜ ao de Green (19. xn ) ∈ R .75) De fato. t) = ∞ −∞ G(x.JCABarata. y ) u0 (y ) dy . 19.10. ´ e poss´ ıvel demonstrar que para u0 ∈ S (R) vale t→0+ • Discuss˜ ao sobre a solu¸ c˜ ao (19.78) . y ) dy = 1 (19. com u0 ∈ S (R ). t. p´ agina 1632. t) fornecida por (19.69). Considere equa¸ c˜ ao de difus˜ ao u(x. t. (19. y ) dy = 0. conforme discutido na Se¸ ca ˜o 34.1 Seja u0 ∈ S (R).75) ´ e de fato verdadeiro (e uniforme em R) desde que u0 seja uniformemente cont´ ınua e limitada em R (o que ´ e o caso se u0 ∈ S (R)). (19. 0) = u0 (x). constante) sob a condi¸ c˜ ao inicial ∂t n n u(x. o Laplaciano de u. t. t) = Rn G(x. (19. Quanto ` a condi¸ ca ˜o inicial. A express˜ ao do lado direito de (19. y ) := 4πDt 2 .2 Exerc´ ıcio. No entanto.72) tamb´ em forne¸ ca uma solu¸ ca ˜o de nosso problema com a condi¸ ca ˜o inicial (19. p´ agina 1634. por exemplo. y ) := −y ) exp − (x4 Dt 2 4πDt n/2 . Com isso. • A equa¸ c˜ ao de difus˜ ao em Rn O exerc´ ıcio a seguir indica como as considera¸ co ˜es de acima podem ser estendidas a mais de uma dimens˜ ao. y ) u0 (y ) dn y com G(x. sob a hip´ otese que u0 ∈ S (R)). x.72) satisfaz (19. y ) u0 (y ) dy = u0 (x) . x ∈ R. 35. Que (19.77) pode ser encontrada √ a p´ ` agina 1633 quando discutimos o exemplo da seq¨ uˆ encia delta de Dirac Gaussiana (substitua-se n por 1/ 4Dt em (34. G(x.14). Uma quarta quest˜ ao que postergaremos ´ e a de se saber se a condi¸ ca ˜o u0 ∈ S (R) pode ser enfraquecida.73) lim ∞ −∞ G(x. t.1 Exerc´ ıcio. n˜ ao menos importante.69) ´ e de fato satisfeita e. t. Vide. no seguinte sentido: para todos x ∈ R e t > 0 vale ∞ G(x.68) n˜ ao est´ a diretamente definida em t = 0 (o integrando n˜ ao est´ a definido em t = 0).68). Sugest˜ ao: use o resultado do Exerc´ ıcio E. t. Cap´ ıtulo 19 865/2069 E. t. permitindo que (19. se a condi¸ ca ˜o inicial (19. x = (x1 . mas para um conjunto maior de fun¸ co ˜es u0 . H´ a de imediato trˆ es quest˜ oes a se colocar: se (19. t.74) para o caso em que u0 (x) = . Acima.12)). 19. com y) exp − (x4− Dt √ G(x. Usando transformadas de Fourier. p´ agina 1716. ∆u := ∂2u ∂2u . .2.76) ´ e elementar (integral de Laplace. (34. Observa¸ c˜ oes. + ··· + 2 ∂x1 ∂x2 n ♣ Recordemos que at´ e o presente supomos a hip´ otese que u0 seja um elemento do espa¸ co de Schwartz S (R). t. onde σ > 0 e x0 ∈ R s˜ ao constantes.72) ´ e de fato solu¸ ca ˜o de (19.77) A demonstra¸ ca ˜o de (19. . ∂u − D∆u = 0 em Rn (com D > 0. y ∈ R e t > 0 . tem-se o seguinte. A fun¸ c˜ ao u(x. Fa¸ ca-o!) e a demonstra¸ ca ˜o de (19. e (x − y )2 = (x1 − y1 )2 + · · · + (xn − yn )2 . segue do Teorema 34.68) para todos x ∈ R e t > 0 pode ser diretamente verificado diferenciando-se sob o s´ ımbolo de integral (o que ´ e permitido pelo r´ apido decaimento do integrando. obtenha a solu¸ c˜ ao E. se essa solu¸ ca ˜o ´ eu ´nica. Reunimos nossos resultados na seguinte proposi¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 19. que o limite (19. y ) dy + ∞ x +δ G(x. exp x 0 )2 − (x−σ Obtenha explicitamente a solu¸ c˜ ao u(x.

2397 (2005). ao unicidade de solu¸ ca ˜o tem resposta positiva Observemos que para a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao em intervalos compactos a quest˜ para as condi¸ co ˜es de contorno mais comuns. 48. tal como apresentado na Se¸ ca ˜o 15.73) n˜ ao s˜ ao Einstein causais10 . Tendo essa interpreta¸ ca ˜o em mente. M. ou seja. Trata-se do mesmo Tikhonov do c´ elebre Teorema de Tikhonov da Topologia Geral. Em outras palavras a equa¸ ca ˜o (19.10. J.68) (que ´ e uma equa¸ ca ˜o parab´ olica. t. em particular.68) sob a condi¸ ca ˜o inicial u(x. 10 A 11 Algumas causalidade de Einstein ´ e o princ´ ıpio segundo o qual efeitos f´ ısicos n˜ ao podem propagar-se com velocidade superior ` a da luz. 1–57 (1935)). “Tichonov” ou ainda “Tychonoff”. y ) tem suporte na regi˜ ao |x − y | ≤ Ct. • A. t. C. • A n˜ ao-unicidade de solu¸ c˜ ao.2. como ∂u −D ∂t 1 ∂2u ∂2u − ∂x2 C 2 ∂t2 = 0. Diversas equa¸ co ˜es da forma (19. essas quest˜ oes sobre a natureza n˜ ao-Einstein causal da equa¸ ca ˜o (19.68) com a eu ´ nica! Antes de tratarmos dessa condi¸ ca ˜o inicial (19. Desejamos em seguida discutir a quest˜ ao da unicidade da solu¸ ca ˜o (19. Proposi¸ ca ˜o 15. . revelando o car´ ater n˜ ao-relativ´ ıstico da propaga¸ ca ˜o de calor. Vol. y ∈ R.68). Zhang. Cap´ ıtulo 19 866/2069 satisfaz a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao ∂u ∂2u − D 2 = 0 para todos x ∈ R e t > 0 e satisfaz lim u(x. “Hyperbolic heat conduction and local equilibrium: a second law analysis”.78) ´ e identicamente nula caso u0 seja a fun¸ ca ˜o identicamente nula. referˆ encias sobre o tema: • C. Fisicamente isso ´ e uma decorrˆ encia do fato de que na demonstra¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao (19. • Discuss˜ ao sobre a solu¸ c˜ ao (19. J. ou sua generaliza¸ ca ˜o. Zhang. e com a solu¸ ca ˜o l´ a apresentada fica expl´ ıcito o car´ ater Einstein-causal da solu¸ ca ˜o. O sobre-nome russo “Tikhonov” ´ e por vezes transliterado como “Tykhonov”. Heat Mass Trans.6. 40 (5). Series I-Mathematics.72) para a equa¸ ca ˜o (19. L. tal como descrita pela equa¸ ca ˜o de difus˜ ao (19. Cattaneo. 42. E. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Heat Mass Trans.7. Zanchini. A solu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es hiperb´ olicas ainda mais gerais que a equa¸ ca ˜o (19. Matematicamente isso se deve ao car´ ater n˜ ao-hiperb´ olico da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao (19. Mat. t) − u0 (x) = 0. R. “Th´ eor` emes d’unicit´ e pour l’equation de la chaleur”. Heat Mass Trans. Proposi¸ ca ˜o 15. “Relativistic moving heat source”. c sendo a velocidade da luz) cuja fun¸ ca ˜o de Green G(x. 48.68) e a fun¸ ca ˜o de Green (19. a express˜ ao (19. “Sur une de l’equation de la chaleur liminant le paradoxe d’une propagation instantane”. Rend. 0) = 0 ´ e respondida negativamente atrav´ es de um fascinante contra-exemplo encontrado por Tikhonov12 em 1935 (a referˆ encia completa ´ e A. como j´ a comentamos). Sbornic. M.78). J. • Y. 431–433 (1958). Um contra-exemplo de Tikhonov A quest˜ ao da unicidade da solu¸ ca ˜o apresentada em (19.78): n˜ ao-causalidade de Einstein Como dissemos. 12 Andrei Nikolaevich Tikhonov (1906–1993). Tychonoff. “Relativistic heat conduction”. Ali. t→0+ x∈R ´ relevante para o que vir´ E a a seguir observar que a solu¸ ca ˜o exposta em (19. y ) pesa qu˜ ao grande ´ e a influˆ encia da condi¸ ca ˜o inicial u0 no ponto y sobre a solu¸ ca ˜o u no instante de tempo t > 0 na posi¸ ca ˜o x. 247 (4). (19. L. t→0+ ∂t ∂x com o limite sendo uniforme.68) tˆ em implica¸ co ˜es na discuss˜ ao sobre a unicidade da solu¸ ca ˜o (19.68) n˜ ao s˜ ao levados em conta aspectos relativ´ ısticos que impliquem uma propaga¸ ca ˜o de calor com velocidade inferior ` a da luz. salta aos olhos uma caracter´ ıstica da propaga¸ ca ˜o de calor regida por (19. p´ agina 754. de L’Academie des Sciences. Como discutiremos adiante. p´ agina 760).JCABarata. 1007 (1997). Int.78) da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao de (19. Compte. p´ agina 920.79) tˆ em sido propostas na literatura. pois para todo t > 0 a fun¸ ca ˜o valor de u0 pr´ oximo a um ponto y modifica instantaneamente a fun¸ G(x. Uma vers˜ ao da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao compat´ ıvel com a causalidade de Einstein deve ter da forma de uma equa¸ ca ˜o hiperb´ olica.78). 2741 (2005). t) = u0 (x) para todo x ∈ R.79) em 1 + 1-dimens˜ oes ´ e apresentada em detalhe na Se¸ ca ˜o 19. Barletta. t. sendo o assunto ainda controverso e objeto de pesquisa11 .79) (com 0 < C ≤ c. Int.69) e aqui encontraremos uma interessante surpresa: a solu¸ ca ˜o n˜ ao ´ quest˜ ao ´ e relevante fazermos um coment´ ario sobre a natureza da solu¸ ca ˜o (19. p´ agina 753 (vide. com t > 0. lim sup u(x. Assim. C.74) permite a seguinte interpreta¸ ca ˜o: a fun¸ ca ˜o G(x.78): uma altera¸ ca ˜o no ca ˜o u em todo x ∈ R. perturba¸ co ˜es nas condi¸ co ˜es iniciais propagam-se com velocidade arbitrariamente grande. • Y. Int. N. Ali. y ) ´ e n˜ ao-nula para quaisquer x.

t) para todos x ∈ R e t ∈ R. assim como todas as suas derivadas.82) tamb´ em converge absoluta e uniformemente em compactos. Cap´ ıtulo 19 867/2069 Seguindo proximamente a exposi¸ ca ˜o de [139]. 0) = 0 n˜ ao ´ e lim sup v (x. tem suporte no intervalo [a/D. (2m − 2)! (2m − 2)! m=1 2 Logo. 0) = 0 para todo x ∈ R. (19. o calor pode propagar-se com velocidade arbitrariamente grande.81) ´ e identicamente nula at´ e t = a/D. no intervalo [a. a s´ erie de derivadas parciais em rela¸ ca ˜o a t e x dada por ∂ p+q ∂tp ∂xq m=0 ∞ g (m) (Dt) 2m x (2m)! = Dp ∞ m=0 2m≥q g (m+p) (Dt) 2m−q x (2m − q )! (19.68). Assim.68) para todos x ∈ R e t > 0 e satisfaz lim v (x.JCABarata. satisfazendo tamb´ em a condi¸ ca ˜o inicial φ(x. O que explica essa solu¸ c˜ ao ´ e o fato discutido acima de que. para a < z < b . t) − u0 (x) = 0. Segundo a Proposi¸ ca ˜o 34. b]. pois n˜ ao se espera de uma barra isolada a temperatura zero que esta espontaneamente adquira uma distribui¸ ca ˜o de temperaturas n˜ ao-nula durante um intervalo finito e. a s´ erie do lado direito ´ e absolutamente convergente em {x ∈ C||x| < R} para todo R > 0 e. conclu´ ımos que a fun¸ ca ˜o v = u + φ tamb´ em satisfaz (19. A supracitada referˆ encia de Tikhonov de 1935 cont´ em resultados ainda mais fortes. Se pensarmos no modelo de uma barra termicamente condutora infinita e isolada.80) ´ e relativamente f´ acil demonstrar que para cada t ∈ R.82). p´ agina 1629. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Sejam a e b ∈ R tais que 0 < a < b < ∞ e seja g : R → R a fun¸ ca ˜o definida por  1 1 1    e− 2 (z−a)2 + (z−b)2 . apresentaremos no que segue esse instrutivo contra-exemplo de Tikhonov. para cada p. depois do mesmo. Usando a majora¸ ca ˜o (19. portanto que ´ e infinitamente diferenci´ avel e que ∂t p ∂xq φ(x. Isso prova que φ satisfaz a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao (19. b/D] e. ca ˜o de (19.78) e a fun¸ ca ˜o φ acima. portanto. ´ poss´ E ıvel demonstrar (vide [139]. pois apresenta uma solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o (19. para cada t ∈ R. ent˜ ao torna-se n˜ ao-nula entre t = a/D e t = b/D. retorne ao estado de temperatura nula. φ est´ a definida para todo t ∈ R e todo x ∈ C e. ou seja. tomando u dado em (19. portanto. q ∈ N0 .80) ´ e relativamente f´ acil demonstrar tamb´ em que. ´ e uniformemente convergente como fun¸ ca ˜o de x em todo compacto de C. vale φ(x. t) := g (m) (Dt) 2m x . t) = D x ∂t (2m)! m=0 e que D ∂2 φ(x. Assim. a solu¸ t→0+ u ´nica! A solu¸ ca ˜o φ de (19. essa solu¸ ca ˜o ´ e anti-intuitiva. t→0+ x∈R ∂ ∂ φ(x. em problemas de difus˜ ao como o aqui tratado. (2m)! m=0 ∞ (19.81) Com a majora¸ ca ˜o (19. Seja agora a fun¸ ca ˜o φ(x. t) ´ e anal´ ıtica como fun¸ ca ˜o de x em todo C. t) = D ∂x Comparando as duas express˜ oes constatamos ter provado que ∂t 2 φ(x. g (z ) :=    0. 0) = 0 para todo x ∈ R. Solu¸ co ˜es como a . para z ≤ a ou z ≥ b .2) que para cada n ∈ N0 vale a seguinte majora¸ ca ˜o para a n-´ esima derivada de g : g (n) (x) ≤ 26n n3n/2 . t) = D ∂x2 ∞ m=0 2m≥2 ∞ m→m−1 = D g (m) (Dt) 2m−2 x (2m − 2)! m=1 ∞ ∞ g (m) (Dt) 2m−2 g (m) (Dt) 2m−2 x = D x . Temos.68) satisfazendo tamb´ em a condi¸ c˜ ao inicial u(x. Lemma 67. t) definida por φ(x. como fun¸ ca ˜o de t. isso mostra que φ ∂ p+q e dada pelo lado direito de (19. tornandose novamente identicamente nula para todo t > b/D. com o limite sendo uniforme. A fun¸ ca ˜o g ´ e cont´ ınua e infinitamente diferenci´ avel e tem suporte.68). A fun¸ ca ˜o φ.4. t) ´ ∂ g (m+1) (Dt) 2m φ(x.80) para todo x ∈ R. t) = u0 (x) para todo x ∈ R. a fun¸ ca ˜o φ(x.

3. Vide tamb´ em e.3 A Evolu¸ c˜ ao da Temperatura de uma Barra Semi-Infinita Nesta se¸ ca ˜o estudaremos o uso da transformada de Laplace no estudo da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao em R+ . Consideraremos aqui duas classes de problema. Em particular nos interessaremos pela situa¸ ca ˜o na qual T (t) ´ e constante: T (t) = T0 . constante. 19. tais que as s´ eries de acima convirjam. onde u0 ´ e uma fun¸ ca ˜o dada. limt→0 u(x.81) representam situa¸ co ˜es nas quais existe uma fonte de calor no infinito que bombeia uma quantidade (eventualmente infinita) de calor que chega a qualquer ponto da barra em um tempo finito.1. [64].g. t) = 0 uniformemente para x em compactos de R. Cap´ ıtulo 19 868/2069 solu¸ ca ˜o φ de (19. Os problemas da classe I consistem em determinar as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao ∂2u ∂u −D 2 = 0 ∂t ∂x (19.68).JCABarata. Na segunda classe de problemas. consideraremos que haja um fluxo de calor q (t) na extremidade x = 0 da barra. consideraremos que a extremidade da barra em x = 0 esteja em contacto t´ ermico com um “banho t´ ermico” ` a temperatura T (t). que diferem entre si pela natureza das condi¸ co ˜es de contorno. exceto na sua extremidade em x = 0. para todo z ∈ R. x) = u0 (x). (2m)! (2m + 1)! m=0 m=0 ∞ ∞ (19.83) onde G e H sejam fun¸ co ˜es real-anal´ ıticas ou.84) . Em particular nos interessaremos pela situa¸ ca ˜o na qual q (t) ´ e constante: q (t) = q0 . onde pode trocar calor com algum “banho t´ ermico”. Consideraremos a idealiza¸ ca ˜o de tratar a barra como um objeto unidimensional e consideraremos que a barra est´ a termicamente isolada. Mostre que (19. mais genericamente. Considere uma barra met´ alica semi-infinita de constante de difus˜ ao t´ ermica D > 0. Considere a fun¸ c˜ ao definida por u(x.3 Exerc´ ıcio. • Condi¸ co ˜es para a unicidade de solu¸ c˜ ao Vale neste ponto mencionar um teorema contendo condi¸ co ˜es suficientes para garantir unicidade de solu¸ ca ˜o do problema de difus˜ ao que discutimos acima: Teorema 19.83) ´ e uma solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao (19. t) = 0 uniformemente para t em qualquer intervalo compacto [0.70) corresponde a uma solu¸ c˜ ao desse tipo com G(z ) = z e H (z ) = 0. que chamaremos de classe I. 2. t) = 0 para todos x ∈ R e t ∈ R+ . Em um certo sentido. localizada ao longo do semi-eixo positivo x ≥ 0. t) := G(m) (Dt) 2m H (m+1) (Dt) 2m+1 x + x . Ent˜ ao. que chamaremos de classe II. x) do ponto da barra localizado na posi¸ ca ˜o x ≥ 0 supondo que a mesma esteja sujeita a certas condi¸ co ˜es de contorno no ponto x = 0 (extremidade da barra) e a certas condi¸ co ˜es iniciais que fixem sua temperatura no instante t = 0: u(0.68) para todos x ∈ R e t ∈ R+ . 2) e C > 0 tais que para todo n ∈ N0 valha |G(n) (z )| ≤ C ⌊κn⌋! e para todo n ∈ N valha |H (n) (z )| ≤ C ⌊κn − 1⌋!. T ]. uma tal situa¸ ca ˜o ´ e n˜ ao-f´ ısica. u(x. *** E. tais como aquelas apresentadas no Teorema 19. adiante. 19. Essa fonte ´ e ligada em t = a/D e desligada em t = b/D. Desejamos determinar em cada instante t ≥ 0 a temperatura u(t. sendo para tal suficiente supor que existem κ ∈ [0. Uma demonstra¸ ca ˜o (simples) pode ser encontrada em [139]. lim|x|→0 u(x. Na primeira classe de problemas. mas n˜ ao pode ser exclu´ ıda sem maiores hip´ oteses. 3. Essas solu¸ co ˜es foram apresentadas por Tikhonov no trabalho supracitado. Um problema prot´ otipo que estudaremos ´ e o seguinte. t ≥ 0. Observe que (19.1 Seja u : R × R+ duas vezes diferenci´ avel satisfazendo as seguintes condi¸ c˜ oes: 1. u satisfaz a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

tamb´ em satisfaz (19. vamos tratar desses dois problemas utilizando as chamadas transformadas de Laplace. Note que as fun¸ co ˜es 1 f com a propriedade acima n˜ ao precisam ser limitadas. x) = u0 (x) . Definimos a transformada de Laplace de f . Sejam f e g duas fun¸ co ˜es satisfazendo (19. Cap´ ıtulo 19 869/2069 para t ≥ 0 e x ≥ 0 com u(t. (19. x) deve ser limitada como fun¸ ca ˜o de x. Notas.91) Para uma tal fun¸ ca ˜o ´ e claro que a transformada de Laplace ´ e bem definida desde que Re(s) ≥ γ .92) . ∂x Os problemas da classe II consistem em determinar as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao ∂u ∂2u −D 2 = 0 ∂t ∂x para t ≥ 0 e x ≥ 0 com u(t.89) ∂u (t. x) representa o fluxo de calor que ∂x atravessa o ponto x da barra no instante de tempo t. que seja finita. 19.91) para algum γ ∈ R. com α. e` a condi¸ ca ˜o de contorno u(t. Em ambos os casos acima h´ a uma condi¸ ca ˜o de contorno adicional que deve ser imposta.86) segue como conseq¨ uˆ encia da observa¸ ca ˜o que a derivada parcial (19. A fun¸ ca ˜o αf + βg . ♣ Como dissemos. A rela¸ ca ˜o (19. Vamos estabelecer algumas das propriedades b´ asicas da transformada de Laplace que nos interessar˜ ao. para todo todo t ≥ 0 a fun¸ ca ˜o u(t.91) para o mesmo γ ∈ R. que diverge t quando t → 0 mas sem violar a condi¸ ca ˜o (19. a quantidade de calor que cruza x por unidade de tempo no instante t. ou seja. E. 0) = q (t) . Isso implica em restri¸ co ˜es ` as fun¸ co ˜es f admiss´ ıveis e aos valores de s para as quais a defini¸ ca ˜o possa ser aplicada. Consideraremos aqui as fun¸ co ˜es f com a seguinte propriedade: Existe um n´ umero real γ tal que ∞ 0 |f (t)|e−γt dt < ∞ . Esta defini¸ ca ˜o obviamente n˜ ao pode ser lan¸ cada sem algumas considera¸ co ˜es pr´ evias.4 Exerc´ ıcio.86) (19. x) = u0 (x) . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.g. constantes.87) (19. 2. 1. 0) = T (t) . uma “condi¸ ca ˜o de contorno no infinito”: que diz-nos que. Para isso recordemos algumas de suas propriedades.91). x) submetida ` a condi¸ ca ˜o inicial u(0.91) para algum γ ∈ R e seja sua L[f ](s) definida como acima com Re (s) ≥ γ . ∂u (t.85) e` a condi¸ ca ˜o de contorno (19. Tal condi¸ ca ˜o reflete a expectativa f´ ısica de que a temperatura da barra n˜ ao pode crescer arbitrariamente quando nos afastamos da fonte de calor em x = 0. Verifique! A condi¸ ca ˜o (19. (19. x) submetida ` a condi¸ ca ˜o inicial u(0. pois ´ e fundamental que a integral do lado direito fa¸ ca sentido. Seja ent˜ ao f satisfazendo (19. • A Transformada de Laplace Seja f : R+ → C uma fun¸ ca ˜o. Para verificar isso basta notar que ∞ 0 |αf (t)+ βg (t)|e−γt dt ≤ ∞ 0 |α||f (t)| + |β ||g (t)| e−γt dt ≤ |α| ∞ 0 |f (t)|e−γt dt + |β | ∞ 0 |g (t)|e−γt dt < ∞ . Linearidade. pois temos o exemplo da fun¸ ca ˜o f (t) = √ . 1. t > 0. Vide. ou seja. β ∈ C.88) (19.90) com s ∈ C.JCABarata. a saber. [69]. e. denotada por L[f ] como sendo a fun¸ ca ˜o definida por L[f ](s) = 0 ∞ e−st f (t)dt .91) diz-nos essencialmente que f n˜ ao pode crescer no infinito mais r´ apido que a fun¸ ca ˜o exponencial e n˜ ao pode ter singularidades muito fortes em t = 0. (19.

A justificativa pode ser apresentada a posteriori. Da´ ı. L[f ′ ](s) = f (t)e−st ∞ 0 (19.91).91) para algum γ ∈ R. ∞ 0 dtf (t)e−st . por ora sem justificativa. que expressa a linearidade da transformada de Laplace. Aqui.95) L[f ′ ](s) = sL[f ](s) − f (0) .JCABarata. 19. quando nos confrontarmos com a solu¸ ca ˜o assim obtida.99) Retornemos agora aos problemas da classe I que discutimos acima e vamos tentar atac´ a-los fazendo uso da transformada de Laplace. x)e−st . ultimas rela¸ co ˜es. solu¸ ca ˜o de (19. Verifique essas ´ • Resolu¸ c˜ ao de problemas da classe I (19. Com isso. dt (19. Consideremos a temperatura u(t.93) − ∞ 0 dtf (t) d −st e .98) A express˜ ao f ∗ g ´ e denominada produto de convolu¸ c˜ ao de f e g e valem as seguintes rela¸ co ˜es: comutatividade. Veremos adiante como fazer uso dela. s > 0). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (19. citemos a propriedade. dita 3. x) = 0 ∞ dt u(t. 19. que L[u] e L[ ∂u ∂t ] estejam bem definidas (para. 0 t (19.6 Exerc´ ıcio. b) f ´ e continua e diferenci´ avel e sua derivada f ′ tamb´ em satisfaz (19. (19. Com essa u ´ltima condi¸ ca ˜o L[f ′ ](s) est´ a bem definida para Re (s) ≥ γ e vale.5 Exerc´ ıcio. digamos.97) f (t − τ )g (τ ) dτ . f ∗g = g∗f e associatividade.91) para o mesmo γ ∈ R. Como u ´ e uma fun¸ ca ˜o de duas vari´ aveis. L[u] representa a transformada de Laplace em rela¸ ca ˜o ` a vari´ avel t: L[u](s. Para finalizar esse r´ apido resumo sobre as transformadas de Laplace.101) .94) Pela hip´ otese que f satisfaz (19. Regra de deriva¸ c˜ ao. Propriedade de convolu¸ c˜ ao: se f e g possuem uma transformada de Laplace. Cap´ ıtulo 19 870/2069 onde a u ´ltima desigualdade segue da hip´ otese que f e g satisfazem (19. Dir´ ıamos que ´ e a pr´ opria raz˜ ao-de-ser das transformadas de Laplace. f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g ) ∗ h .96) Esta rela¸ ca ˜o ´ e extremamente u ´til nas aplica¸ co ˜es da transformada de Laplace ` a teoria das equa¸ co ˜es diferenciais. 2. (19.100) (19. segue que L[αf + βg ](s) est´ a bem definida para Re (s) ≥ γ e vale L[αf + βg ](s) = αL[f ](s) + β L[g ](s) . temos que precisar o que entendemos por L[u]. x). (19.84) com as condi¸ co ˜es iniciais e de contorno correspondentes e vamos admitir. Demonstre isso. por integra¸ ca ˜o por partes. Seja f : R+ → C uma fun¸ ca ˜o que satisfaz as seguintes hip´ oteses: a) f satisfaz (19.91) segue que lim f (t)e−st = 0. segue imediatamente que t→∞ L[f ′ ](s) = −f (0) + s ou seja. onde (f ∗ g )(t) := E. E. ent˜ ao L[f ](s)L[g ](s) = L[f ∗ g ](s) .

ou seja. no caso em que a temperatura inicial da barra ´ e zero em toda parte. 19. Sua solu¸ ca ˜o ´ e fundamental para o m´ etodo. Com o dito acima. e lembrando que ∂u ∂x (t. E. ∂t ∂x2 (19. (19. Com essa restri¸ ca ˜o. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. x) = 0 . ∂x2 D D (19. x) = − u0 (x) . usando a condi¸ ca ˜o inicial u(0.102) Usando a regra de deriva¸ ca ˜o da transformada de Laplace isso fica sL [u] (s. x). s>0.107) onde A(s) e B (s) s˜ ao fun¸ co ˜es limitadas arbitr´ arias a serem convenientemente escolhidas.108) Resta-nos determinar a fun¸ ca ˜o A(s). x) − DL (s. a t´ ıtulo de ilustra¸ ca ˜o. Assim. a rela¸ ca ˜o (19.8 Exerc´ ıcio. s>0. (19. devemos ter B (s) ≡ 0. mas n˜ ao o faremos aqui). x) = e (t.108). conclu´ ımos: s 1 ∂2 L[u](s. s > 0.105) Esta ´ e em geral uma equa¸ ca ˜o diferencial linear ordin´ aria (pois s´ o envolve derivadas em rela¸ ca ˜o a x) n˜ ao-homogˆ enea 1 (devido ao termo − D u0 (x) do lado direito) para a fun¸ ca ˜o L[u](s. ou seja.109) L ∂x ∂x D 0 Tomando-se x = 0. x) = A(s)e x −√ D √ s . x) = −q (t). x) − u(0. 2 ∂x D cuja solu¸ ca ˜o geral ´ e L[u](s. que satisfa¸ ca ` a “condi¸ ca ˜o de contorno no infinito” lim u(t. x) − L [u] (s. x) = A(s)e x −√ D (19.JCABarata. O que fazemos para a classe I´ e tomar a derivada em rela¸ ca ˜o a x de ambos os lados de (19. x) − L [u] (s. A primeira observa¸ ca ˜o que fazemos ´ e a seguinte: para uma solu¸ ca ˜o u(t.84) obtemos L ∂u ∂2u (s. a equa¸ ca ˜o acima torna-se simplesmente s ∂2 L[u](s. x) = D L[q ](s) s .107) reduz-se a L[u](s. ∂x2 ∂x2 (19. s x (19. x) = 0 . Justifique essa ´ ultima express˜ ao. N˜ ao vamos resolve-la aqui na sua forma mais geral mas.106) √ s + B (s)e x +√ D √ s . x) = 0 . Passemos agora ` a determina¸ ca ˜o das fun¸ co ˜es A e B . x) − DL Tem-se tamb´ em que L ∂2u (s. Aplicando a transformada de Laplace ` a equa¸ ca ˜o (19.104) E. (19. obtendo √ ∞ x √ s ∂u −√ s −st ∂u (s. x) fisicamente razo´ avel. ficamos com A(s) = √ 1 D √ L[q ](s) . x) = − √ A(s)e D . Justifique essa ´ ultima express˜ ao. o que ser´ a feito impondo-se as condi¸ co ˜es de contorno. ∂x2 (19.7 Exerc´ ıcio. (19. x ) = L[u](s. x) = u0 (x).103) ∂2 ∂2u ( s.110) √ s Portanto. x) . vamos fazˆ e-lo no caso em que u0 (x) ≡ 0. Cap´ ıtulo 19 871/2069 (Note-se que podemos tamb´ em definir uma transformada de Laplace em rela¸ ca ˜o ` a vari´ avel x. −√ √ e D √ L[u](s. 19.111) . x) < ∞ para x→∞ todo t ≥ 0 mencionada acima.

A.108) e determinamos agora A(s) tomando x = 0 em ambos os lados. x) = D π t 0 e− 4Dτ dτ . c˜ ao (19. ent˜ ao. L[u](s. Consideremos o caso particular em que T (t) = T0 . Cap´ ıtulo 19 872/2069 Notemos neste ponto que e x −√ D √ s √ s 1 e− 4Dt √ = L √ π t x2 (s) .116) √ s = x e− 4Dt √ L t3/2 2 Dπ x2 (s) . (19.115) √ s D . adotando novamente u0 (x) ≡ 0. 2 x∈R. Tente obter a solu¸ c˜ ao para o caso em que u0 ´ e n˜ ao-nula.10 Exerc´ ıcio.118) T (t − τ ) 3/2 dτ . E.113) expressa a solu¸ c˜ ao dos problemas da classe I para o caso em que u0 ´ e identicamente E. 2 ou seja. 19. (19. Logo. temos x2 D t e− 4Dτ √ u(t. • Resolu¸ c˜ ao de problemas da classe II Trataremos agora dos problemas de tipo II.112) express˜ ao essa que demonstramos no Apˆ endice 19. constante. Seguindo os mesmos passos do caso I chegamos novamente ` a rela¸ ca ˜o (19. x) = T0 1 − erf x √ 4Dt . (19. x) = q0 dτ (19. que corresponde ` a condi¸ ca ˜o inicial na qual o extremo τ −1/2 da barra est´ a em contacto com um reservat´ orio ` a temperatura constante. p´ agina 962. . p´ agina 962. que e x −√ D x −√ (19. o que fornece A(s) = L[T ](s) . q (t − τ ) √ τ x2 (19. o que expressa uma condi¸ ca ˜o de contorno em que o fluxo de calor para dentro da barra ´ e constante no tempo. Por exemplo. u(t.114) π 0 τ e a integral a direita n˜ ao pode ser expressa em termos de fun¸ co ˜es elementares. definida como erf (x) := 2 π x 0 e−y dy. Esse comportamento com a raiz quadrada ´ processos difusivos em uma dimens˜ ao. se q (t) = q0 . segue que u(t. Com a mudan¸ ca de vari´ avel y = √x 4D ficamos com 2 u(t. (19. Assim. 19. usando a propriedade de convolu¸ ca ˜o. mesmo para fun¸ co ˜es mais simples.119) onde erf ´ e a chamada fun¸ c˜ ao erro. A equa¸ nula.9 Exerc´ ıcio. x) = L[T ](s) e Notemos.JCABarata. x) = T0 √ π ∞ √x 4Dt e−y dy . segue que x2 t e− 4Dτ x (19. constante. x) desejada.113) Para cada fun¸ ca ˜o q dada a u ´ltima rela¸ ca ˜o expressa a solu¸ ca ˜o u(t.117) igualdade essa que se encontra demonstrada no Apˆ endice 19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Verifique essas ´ √ e t´ ıpico de Note-se que u(t. x) = √ τ 2 Dπ 0 Novamente temos acima a solu¸ ca ˜o para uma fun¸ ca ˜o T (t) arbitr´ aria.120) ultimas express˜ oes. usando a propriedade de convolu¸ ca ˜o. x) ´ e constante para x = α t.A. u(t. Logo. (19. α constante. A tarefa de calcular a integral do lado direito nem sempre pode ser completada de modo fechado.

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 19

873/2069

E. 19.11 Exerc´ ıcio. Usando a aproxima¸ c˜ ao assint´ otica para a fun¸ c˜ ao erf expressa em erf(x) ≈ 1 − √ “grande”, obtenha uma aproxima¸ c˜ ao assint´ otica para (19.119) quando x ≫ 4Dt.

x e− √ x π

2

, v´ alida para x

E. 19.12 Exerc´ ıcio. A equa¸ c˜ ao (19.118) expressa a solu¸ c˜ ao dos problemas da classe I para o caso em que u0 ´ e identicamente nula. Tente obter a solu¸ c˜ ao para o caso em que u0 ´ e n˜ ao-nula.

19.4

A Equa¸ c˜ ao de Ondas

Nesta se¸ ca ˜o estudaremos as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de ondas homogˆ enea em diversas dimens˜ oes espaciais. Para o tratamento de equa¸ co ˜es de onda n˜ ao-homogˆ eneas, vide Se¸ ca ˜o 19.10, p´ agina 920, e Se¸ ca ˜o 19.11.3.1, p´ agina 935. Estudaremos diversas solu¸ co ˜es de equa¸ co ˜es de ondas livres homogˆ eneas em v´ arias dimens˜ oes sob diversos tipos de condi¸ co ˜es de contorno. Comecemos falando algumas generalidades sobre as chamadas “ondas estacion´ arias”, muito encontradas em problemas de interesse f´ ısico. • Ondas estacion´ arias

Dentre as diversas solu¸ co ˜es de equa¸ co ˜es de ondas, possuem particular interesse as chamadas solu¸ c˜ oes de ondas estacion´ arias. Trata-se, por defini¸ ca ˜o, de solu¸ co ˜es u x, t) que possuam a forma de um produto de uma fun¸ ca ˜o que depende apenas da vari´ avel temporal por uma fun¸ ca ˜o que depende apenas das vari´ aveis espaciais, ou seja, da forma u x, t) = T (t)E x . No caso da equa¸ ca ˜o de ondas livres homogˆ enea ∂2u − c2 ∆u = 0 , ∂t2 (19.121)

com c > 0, constante, definida em Ω × R, com Ω ⊂ Rd , sendo uma regi˜ ao espacial aberta, o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis (vide Se¸ ca ˜o 15.3, p´ agina 709) ensina-nos que os fatores T e E de solu¸ co ˜es de ondas estacion´ arias satisfazem as equa¸ co ˜es ¨(t) + λc2 T (t) = T ∆E (x = 0, −λE (x , (19.122) (19.123)

com λ sendo uma constante (dita de separa¸ ca ˜o). A constante λ ´ e determinada pelas condi¸ co ˜es de contorno (de Neumann, de Dirichet ou mistas, supondo-se tamb´ em que essas condi¸ co ˜es sejam homogˆ eneas e constantes) a serem fixadas na fonteira espacial ∂ Ω. Fazemos notar que a equa¸ ca ˜o (19.123) ´ e uma equa¸ ca ˜o de autovalores para o operador Laplaciano em Ω sob as condi¸ co ˜es de contorno desejadas em ∂ Ω. A constante λ ´ e um autovalor e a fun¸ ca ˜o E um correspondente autovetor. Como tipicamente obtem-se autovalores λ positivos para tais problemas, a solu¸ c a ˜ o de (19.122) ´ e uma fun¸ ca ˜o harmˆ onica √ de freq¨ uˆ encia c λ. O interesse f´ ısico em solu¸ co ˜es do tipo de ondas estacion´ arias reside no fato de que, devido ` a natureza √ de produto da solu¸ ca ˜o, u x, t) = T (t)E x , todos os pontos da onda oscilam harmonicamente com a mesma freq¨ uˆ encia c λ, sendo que a amplitude de oscila¸ ca ˜o, E (x , depende apenas da posi¸ ca ˜o e n˜ ao do tempo. Essa ´ e a origem e raz˜ ao da denomina¸ ca ˜o “onda estacion´ aria”. Solu¸ co ˜es do tipo de ondas estacion´ aria podem ocorrem em diversas outras situa¸ co ˜es f´ ısicas, descritas por equa¸ co ˜es que n˜ ao (19.121). Elas ocorrem de forma importante na Equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger da Mecˆ anica Quˆ antica n˜ ao-relativista. L´ a tamb´ em o fator espacial E ´ e autovetor de um operador, o operador Hamiltoniano, e os autovalores λ s˜ ao interpretados como poss´ ıveis n´ ıveis de energia do sistemas f´ ısico correspondente. Ondas estacion´ arias s˜ ao tamb´ em por vezes denominadas modos normais de oscila¸ c˜ ao. Caso a solu¸ ca ˜o T tenha um comportamento exponencialmente crescente ou decrescente, as solu¸ co ˜es s˜ ao denominadas “modos quase-normais”. Tais modos tipicamente ocorrem caso o autovalor λ possua uma parte imagin´ aria n˜ ao-nula. Vide, por´ em, os Exerc´ ıcios E. 19.48 e E. 19.49, p´ aginas 953 e 953, respectivamente, para outras situa¸ co ˜es.

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19.4.1

A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 1 + 1 Dimens˜ oes

• O exemplo da equa¸ c˜ ao de ondas em uma dimens˜ ao e a solu¸ c˜ ao de D’Alembert

Um exemplo relevante de um problema de Cauchy13 ´ e o de determinar a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em uma dimens˜ ao espacial 2 ∂2 u 2∂ u − c = 0, (19.124) ∂t2 ∂x2 para c > 0 constante sendo a fun¸ ca ˜o u suposta satisfazer as condi¸ co ˜es iniciais (dados de Cauchy) u(x, 0) = u0 (x) e ∂u (x, 0) = v0 (x) ∂t (19.125)

que fixam posi¸ ca ˜o e velocidade de u no instante t = 0, onde u0 e v0 s˜ ao fun¸ co ˜es dadas sobre as quais exigiremos apenas que u0 seja duas vezes diferenci´ avel e que v0 seja diferenci´ avel14 . O primeiro passo ´ e passar a coordenadas caracter´ ısticas ξ = x + ct , η = x − ct , com o que x = ξ+η ξ−η et = . 2 2c

Definindo v por u(x, t) =: v (ξ, η ) = v (x + ct, x − ct) a equa¸ ca ˜o (19.124) assume, como facilmente se constata, a forma ∂2v = 0. ∂ξ∂η (19.126)

v ca ˜o ` a vari´ avel Essa equa¸ ca ˜o pode ser facilmente resolvida. O fato de ela afirmar que a derivada parcial de ∂ ∂η em rela¸ ∂v ∂v ξ ser nula implica que ∂η n˜ ao ´ e uma fun¸ ca ˜o de ξ , ou seja, ∂η = A0 (η ), para alguma fun¸ ca ˜o A0 diferenci´ avel. Essa equa¸ ca ˜o, por sua vez, admite uma solu¸ ca ˜o geral da forma v (ξ, η ) = A(η ) + B (ξ ), onde A ´ e uma primitiva de A0 (isto ´ e, uma fun¸ ca ˜o tal que, A′ = A0 ) e B ´ e diferenci´ avel. Assim, temos que

u(x, t) = A(x − ct) + B (x + ct) .

(19.127)

Essa ´ e a solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de ondas (19.124). O termo A(x − ct) representa uma onda que se propaga (sem se deformar!) da esquerda para a direita com velocidade c e o termo B (x + ct) representa uma onda que se propaga (sem se deformar!) da direita para a esquerda com velocidade c. As solu¸ co ˜es representadas pelas fun¸ co ˜es A(x − ct) e B (x + ct) s˜ ao denominadas ondas caminhantes ou ondas progressivas. Ainda que n˜ ao tenhamos mencionado, pode-se constatar retrospectivamente que ´ e necess´ ario supor que A e B sejam fun¸ co ˜es duas vezes diferenci´ aveis para que (19.127) seja uma solu¸ ca ˜o (forte, ou estrita) de (19.124). No caso de essa condi¸ ca ˜o n˜ ao ser cumprida, podemos eventualmente ter em (19.127) uma solu¸ ca ˜o fraca. Com (19.127), as condi¸ co ˜es iniciais implicam que para todo z ∈ R u0 (z ) = A(z ) + B (z ) Assim, para todos z, y ∈ R, u0 (z ) + u0 (y ) = A(z ) + A(y ) + B (z ) + B (y ) Somando ambas as express˜ oes, obtemos u0 (z ) + u0 (y ) + 1 c
z

e

v0 (z ) = c B ′ (z ) − A′ (z ) . 1 c
z y

e

v0 (s)ds = B (z ) − B (y ) − A(z ) + A(y ) .

v0 (s)ds = 2A(y ) + 2B (z ) ,
y 1 2c x+ct x−ct v0 (s)ds

u0 (x+ct) + o que implica, substituindo y por x − ct e z por x + ct, A(x − ct) + B (x + ct) = u0 (x−ct)+ 2 obtemos disso, finalmente, u0 (x − ct) + u0 (x + ct) 1 x+ct u(x, t) = + v0 (s) ds , 2 2c x−ct
13 Para 14 Essas

e

(19.128)

a caracteriza¸ ca ˜o geral de um problema de Cauchy, vide p´ agina 714. condi¸ co ˜es fornecem solu¸ co ˜es cl´ assicas, como veremos. Para solu¸ co ˜es fracas as condi¸ co ˜es de diferenciabilidade podem ser enfraquecidas.

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v´ alida para todos x, t ∈ R. A equa¸ ca ˜o (19.128) expressa a solu¸ ca ˜o de (19.124) diretamente em termos dos dados de Cauchy (19.125) e ´ e denominada solu¸ c˜ ao de D’Alembert15 da equa¸ ca ˜o de ondas (19.124) sob (19.125). A express˜ ao (19.128) fornece uma solu¸ ca ˜o cl´ assica de (19.124), como facilmente se verifica, sob a condi¸ ca ˜o que u0 seja duas vezes diferenci´ avel e v0 seja diferenci´ avel. Se essas condi¸ co ˜es forem enfraquecidas em pontos isolados teremos em (19.128) uma solu¸ ca ˜o fraca. A solu¸ ca ˜o (19.128) ser´ a reobtida na Se¸ ca ˜o 19.10, p´ agina 920, quando resolvermos uma equa¸ ca ˜o mais geral que (19.124) usando m´ etodos de resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es integrais. Uma outra conclus˜ ao que se pode tirar da solu¸ ca ˜o de D’Alembert (19.128) ´ e que o problema de resolver (19.124) sob as condi¸ co ˜es de Cauchy (19.125) depende continuamente dos dados de Cauchy u0 e v0 , continuidade entendida aqui em uma topologia conveniente (por exemplo, aquela definida pela m´ etrica do supremo das fun¸ co ˜es em R). Assim, o problema (19.124)-(19.125) ´ e um problema bem-posto. • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais 1 ∂ 2c ∂t
∞ −∞

Para futura referˆ encia mencionamos que a solu¸ ca ˜o de D’Alembert (19.128) pode ser re-escrita na forma
x+ct

u(x, t) = com t ≥ 0, ou seja, u(x, t) = onde, para t ≥ 0,

u0 (x′ ) dx′ +
x−ct

1 2c

x+ct

v0 (x′ ) dx′ ,
x−ct

∂ ∂t

G(x, t, x′ )u0 (x′ ) dx′ +    

G(x, t, x′ )v0 (x′ ) dx′ ,

(19.129)

−∞

G(x, t, x′ ) :=

1 2c

,

Verifique! Note que G tem suporte na regi˜ ao |x − x′ | ≤ c|t|. As express˜ oes acima s˜ ao v´ alidas para u0 e v0 localmente integr´ aveis. A fun¸ ca ˜o G ´ e denominada fun¸ c˜ ao de Green16 do problema de valor inicial em quest˜ ao. A fun¸ ca ˜o G cont´ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ co ˜es iniciais no ponto x′ influenciam a solu¸ ca ˜o no ponto x no instante de tempo t. Express˜ oes semelhantes ` a (19.129) s˜ ao v´ alidas na solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em duas e trˆ es dimens˜ oes espaciais. Vide exemplos adiante. • A equa¸ c˜ ao de ondas e o princ´ ıpio de propaga¸ c˜ ao com velocidade finita

   0,

se x − ct ≤ x′ ≤ x + ct , de outra forma.

(19.130)

Coloquemo-nos agora a seguinte quest˜ ao. Se fizermos modifica¸ co ˜es nas condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 (em t = 0) em pequenas regi˜ oes, digamos, com um certo abuso, em um ponto, ir˜ ao essas modifica¸ co ˜es afetar o valor de u na posi¸ ca ˜o x no instante t > 0? Contemplando a solu¸ ca ˜o de D’Alembert (19.128), vemos que s´ o afetar˜ ao u(x, t) as modifica¸ co ˜es feitas em u0 nas posi¸ co ˜es x ± ct e as modifica¸ co ˜es feitas em v0 em todo o intervalo (x − ct, x + ct). Modifica¸ co ˜es fora dessas ca ˜o x no instante t > 0. Assim, o valor de u na posi¸ ca ˜o x no instante t > 0 ´ e causalmente17 regi˜ oes n˜ ao afetam u na posi¸ afetado apenas pelo que ocorre no intervalo espacial [x − ct, x + ct] do instante t = 0, sendo que no caso da condi¸ ca ˜o f , apenas pelo que ocorre nos extremos desse intervalo. Esse intervalo da superf´ ıcie inicial do qual u(x, t) depende ´ e denominado dom´ ınio de dependˆ encia de u(x, t). Se as condi¸ co ˜es iniciais tivessem sido fixadas em um instante t′ < t evidentemente concluir´ ıamos que s´ o afetariam o valor de u(x, t) os valores de u0 e v0 contidos no intervalo [x − c(t − t′ ), x + c(t − t′ )]. Generalizando, conclu´ ımos que s´ o poder˜ ao afetar o valor de u(x, t) os valores de condi¸ co ˜es iniciais fixados dentro do fecho do cone de luz passado com v´ ertice em (x, t), V(− x, t) , definido por := V(− x, t) Vide Figura 19.5, p´ agina 876.
15 Jean

(x′ , t′ ) ∈ R2 , (t − t′ )2 − c2 (x − x′ )2 > 0 , t′ < t .

Le Rond D’Alembert (1717–1783). Green (1793–1841). 17 De “causa”, no sentido de “causa e efeito”.
16 George

t′ ≤ t e ∂V(+ x. J´ a as equa¸ co ˜es de Maxwell. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 0) no ponto20 (x. por := V(+ x. Essa caracter´ ıstica da equa¸ ca ˜o de ondas ´ e comum a todas as equa¸ co ˜es de tipo hiperb´ olico (para a defini¸ ca ˜o. t). vide adiante). t). t) . t′ ) ∈ R2 . t) . mudan¸ cas na condi¸ ca ˜o inicial u(x. t) = (x′ . A figura tamb´ em indica (linhas em x. denotadas por ∂V(x. que ´ e tamb´ em denominado dom´ ınio de influˆ encia de (x. t) e dadas por ∂V(− x. Cap´ ıtulo 19 876/2069 t V + (x. • O Princ´ ıpio de Huygens em 1 + 1 dimens˜ oes 0) no ponto (x. 0) enquanto que mudan¸ cas na condi¸ ca ˜o inicial ∂u ∂t (x. de Dirac e de Klein-Gordon tˆ em car´ ater hiperb´ olico. No contexto do Eletromagnetismo x. Omitiremos a demonstra¸ ca ˜o dessa afirma¸ ca ˜o aqui. Definimos analogamente o cone de luz futuro com v´ ertice em (x. t) s´ o podem ser afetados por eventos ocorridos no fecho de seu cone de luz passado V(− e denominado princ´ ıpio de propaga¸ ca ˜o com velocidade finita. n˜ ao s˜ ao hiperb´ olicas. t′ ) ∈ R2 . t) = (x′ . t′ ≥ t . a no¸ ca ˜o de que eventos em um ponto (x. t) x − Figura 19. pois. Existe mais um aspecto da solu¸ ca ˜o de D’Alembert que merece coment´ ario. t) . t). t) e passado V(x. mas em uma pequena vizinhan¸ ca de um ponto. (t−t′ )2 −c2 (x−x′ )2 = 0. 0) propagam-se para o futuro ao longo de V + (x. t) (x′ . 0). Trata-se de um princ´ ıpio com conseq¨ uˆ encias fundamentais no dom´ ınio da Teoria da Relatividade Geral e na Teoria Quˆ antica de Campos. estritamente falando. Como facilmente se infere da mesma e da discuss˜ ao acima. t) com v´ + − negrito) as respectivas fronteiras: ∂V(x. pois s˜ ao equa¸ co ˜es v´ alidas apenas no dom´ ınio n˜ aorelativ´ ıstico. t) . V(+ x. (t − t′ )2 − c2 (x − x′ )2 > 0 . t) V − (x. t) (x. t′ > t . t) ´ e da Teoria de Campos esse ´ e um princ´ ıpio f´ ısico fundamental e ´ e denominado princ´ ıpio de causalidade de Einstein19 . (t−t′ )2 −c2 (x−x′ )2 = 0. 19 Albert Einstein (1879–1955). mudan¸ cas n˜ ao podem ser feitas em um u ´nico ponto (isso violaria a continuidade das fun¸ co ˜es). ± Igualmente importante ´ e a fronteira dos cones V(± x.5: Os cones de luz futuro V(+ ertice em (x. 18 A equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger. . assim como a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao. t′ ) ∈ R2 . Devido ` a natureza hiperb´ olica de todas as equa¸ co ˜es f´ ısicas fundamentais18 . 20 Isso ´ e um abuso de linguagem. 0) propagam-se para o futuro ao longo de ∂V(+ x.JCABarata. O mesmo princ´ ıpio de causalidade afirma que eventos ocorridos em (x. t) e ∂V(x. t) s´ o podem afetar eventos contidos em V(+ x.

0) e ∂u ( x. γ e β relacionam-se com parˆ ametros f´ ısicos da linha atrav´ es das seguintes equa¸ co ˜es: 1 c = √ .JCABarata.2 Interl´ udio: Ondas Caminhantes e a Equa¸ c˜ ao do Tel´ egrafo • A equa¸ c˜ ao do tel´ egrafo Sob hip´ oteses adequadas. 0) ∂t 21 denominado Princ´ ıpio de Huygens . 0) no ponto ( x. Uma dedu¸ ca ˜o de (19. 0) no ponto ( x. descreve bem tanto linhas de transmiss˜ ao de potˆ encia (como aquelas que saem das grandes usinas de energia el´ etrica). 0). de telefone etc) ´ e produzido em x = 0. e onde as constantes c. Isso ´ e melhor entendido no exerc´ ıcio que segue. 0) propagam-se para o futuro ao longo de ∂V . a equa¸ ca ˜o diferencial que rege uma linha de transmiss˜ ao el´ etrica ´ e a chamada equa¸ c˜ ao do tel´ egrafo 2 ∂2u ∂u 2∂ u − c +γ + βu = 0 . Aqui vamos considerar a equa¸ ca ˜o (19.4. Cap´ ıtulo VI. κ a capacitˆ ancia por unidade de comprimento da linha e σ sendo a condutividade (inverso da resistˆ encia) por unidade de comprimento associada ` as perdas de corrente da linha ao ambiente produzidas por imperfei¸ co ˜es do isolamento el´ etrico do fio condutor que a comp˜ oe (perdas essas que n˜ ao podem ser desprezadas em linhas de transmiss˜ ao de longas distˆ ancias).131) ´ e discutida na Se¸ ca ˜o 19. 0) propagam-se para o futuro ao longo de V .10.131)–(19. por exemplo. Cap´ ıtulo 19 877/2069 ultimo par´ agrafo! E.13 Exerc´ ıcio. A equa¸ ca ˜o (19. 7. 24 Gustav Robert Kirchhoff (1824–1887). para algum parˆ ametro c0 > 0) e que possuam caracter´ ısticas f´ ısicas “razo´ aveis”. 19.132). ocorre que mudan¸ cas em ambas as condi¸ co ˜es Em espa¸ cos com dimens˜ ao espacial 2. . 23 Michael Faraday (1791–1867). Mais adiante veremos de forma expl´ uma discuss˜ ao detalhada do princ´ ıpio de Huygens em v´ arias dimens˜ oes e mesmo para fam´ ılias mais gerais de equa¸ co ˜es que as equa¸ co ˜es de ondas. pois vale o princ´ ıpio de Huygens para a condi¸ ca ˜o inicial u(x. sendo para tal empregados alguns dos princ´ ıpios b´ asicos do Eletromagnetismo. tendo por objetivo descrever uma situa¸ ca ˜o na qual um sinal (de tel´ egrafo. quanto linhas de transmiss˜ ao telegr´ afica e telefˆ onica. ´ e especial. em [69]. equa¸ ca ˜o (19. t) pode representar o potencial (em rela¸ ca ˜o ` a terra) no ponto x no instante t da linha (suposta idealmente unidimensional e homogˆ enea) ou a corrente el´ etrica nesse mesmo ponto. β e γ s˜ ao estritamente positivas em situa¸ co ˜es realistas. provavelmente obtida pela primeira vez por William Thomson22 . ℓκ (19.131) ´ e uma equa¸ ca ˜o hiperb´ olica mas. ou qualquer n´ + inicial u(x.131)–(19. a Lei de Kirchhoff24 etc. ℓ a indutˆ ancia por unidade de comprimento da linha. (19. como cabos continentais ou submarinos de comunica¸ ca ˜o. 4. A equa¸ ca ˜o (19. A dedu¸ ca ˜o de (19. Thomson (1824–1907). Para para a condi¸ ca ˜o inicial ∂u ∂t (x. umero par. ocorre que mudan¸ cas em ambas + ( x.132) n˜ ao ´ e dif´ ıcil.132). Esse fenˆ omeno ´ e as condi¸ co ˜es inicial u(x. ao contr´ ario da equa¸ ca ˜o de ondas. 5. existentes desde meados do s´ eculo XIX. 21 Christiaan 22 William Huygens (1629–1695). 19. 0) mas n˜ ao ıcita o que ocorre em 3 + 1 e 2 + 1 dimens˜ oes. vide [51]. futuro Lord Kelvin. o que assumiremos no que segue.131)–(19. como comentamos acima. como caso particular da equa¸ ca ˜o l´ a tratada. ou qualquer n´ umero ´ ımpar diferente de 1.132) pode ser acompanhada. 6. a equa¸ ca ˜o do tel´ egrafo n˜ ao apresenta solu¸ co ˜es na forma de ondas caminhantes do tipo f (x − c0 t) (que se propagam sem deforma¸ ca ˜o da esquerda para direita com velocidade c0 .131) na semi-reta x > 0.132) sendo ρ a resistividade (resistˆ encia por unidade de comprimento) do fio condutor que comp˜ oe a linha.131) 2 2 ∂t ∂x ∂t onde u(x. 0) e ∂u (x. 0) espacial. [244] ou [64]. ´ E de se observar que. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. p´ agina 920. as constantes c. A solu¸ ca ˜o do problema de Cauchy da equa¸ ca ˜o (19. segundo (19. O caso de uma dimens˜ ao ∂t (x. como a Lei de Indu¸ ca ˜o de Faraday23. Justifique as afirmativas do ´ Em espa¸ cos com dimens˜ ao espacial 3. ℓκ β = ρσ ℓκ e γ = ρκ + ℓσ .124). propagando-se para a regi˜ ao x > 0.

Nesse caso.500km) completado em 5 de agosto de 1858 fracassou em transmitir mensagens compreens´ ıveis.JCABarata. tentou-se o envio de sinais de alta tens˜ ao (da ordem de 2. n˜ ao h´ a aqui solu¸ co ˜es na forma f (x − c0 t) para fun¸ co ˜es f arbitr´ arias. t) = f (x − c0 t) seja solu¸ c˜ ao de (19. Importantes contribui¸ co ˜es para a melhora da eficiˆ encia da transmiss˜ ao e da recep¸ ca ˜o dos sinais por linhas telegr´ aficas (incluindo o uso de cabos de cobre mais puro.131) n˜ ao exibe solu¸ co ˜es que se propagam sem se deformar com velocidade ´ de se notar tamb´ finita a partir de uma fonte localizada em x = 0 e que sejam produzidas com energia finita. ligando a ilha de Valentia na Irlanda ` a Newfoundland no Canad´ a. Da an´ alise dos casos acima constata-se que (19. H´ a v´ arios casos a considerar. o que significa que uma tal solu¸ c˜ ao requer energia infinita para ser produzida. de se ter transmiss˜ ao de sinais arbitr´ arios e que se propaguem com velocidade definida e sem deforma¸ c˜ ao. t) = A+ eλ+ (x−ct) para (19.000 Volts). com distor¸ co ˜es que por vezes limitavam severamente o volume de informa¸ ca ˜o que pode ser transmitidas por unidade de tempo (um s´ erio problema pr´ atico e financeiro em tel´ egrafos). Assim. em n˜ ao havendo solu¸ co ˜es na forma de ondas caminhantes do tipo f (x − c0 t). levando a uma perda de 2. Para cada t essa solu¸ c˜ ao diverge em x → ∞. Por´ em. Considere que exista uma fun¸ (para c > 0. II. Cap´ ıtulo 19 878/2069 c˜ ao f tal que u(x. De fato. para cada x ≥ 0 essa solu¸ c˜ ao diverge quando t → ∞. com λ+ sendo sempre negativa e λ− sempre positiva. β > 0 e γ > 0) na regi˜ ao x > 0 para alguma constante c0 > 0. I. c0 γ 2 2 c2 0 −c β β c0 γ 2 − c2 c2 0 1± 1− 4β γ2 1− c2 c2 0 . o que conduziu ` a destrui¸ ca ˜o do cabo. Nesse caso. para que tamb´ em diverge em x → ∞ para cada t. E em que. que ´ e igualmente . .131) E. com A± sendo constantes arbitr´ arias e com λ± = H´ a dois casos a se considerar: IIa. escolhendo A− = 0 teremos interesse pela solu¸ c˜ ao u(x.14 Exerc´ ıcio-dirigido. mostre que a solu¸ c˜ ao dessa equa¸ c˜ ao ´ e da forma f (s) = A+ eλ+ s + A− eλ− s . Justifique! Assim.124). t) = A+ eλ+ (x−ct) + A− eλ− (x−ct) . ao contr´ ario da equa¸ c˜ ao de ondas (19. ou λ± s˜ ao ambas reais e positivas ou ambas tˆ em parte real positiva. um primeiro cabo telegr´ afico transatlˆ antico conectando a Europa ` a Am´ erica do Norte (mais especificamente. mais grave. uma distˆ ancia de 4.131) a solu¸ c˜ ao u(x. uma situa¸ c˜ ao desinteressante pelas raz˜ oes j´ a expostas. a solu¸ c˜ ao de (19. A situa¸ ca ˜o descrita acima apresentava um obst´ aculo ao uso de linhas de transmiss˜ ao para o envio de sinais a longas distˆ ancias pois. IIb.131) seria u(x. Justifique! Assim. Mostre que f satisfaz a equa¸ c˜ ao diferencial ordin´ aria linear a coeficientes constantes ′′ ′ 2 c2 0 − c f − c0 γf + βf = 0 . indicando que para que a mesma seja produzida uma energia ilimitada deve ser dispendida pela fonte (situada.000 em valores da ´ epoca [139]. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. a transmiss˜ ao de sinais seria realizada com perdas e. mesmo com energia infinita ` a disposi¸ c˜ ao.500 toneladas de cobre e a um preju´ ızo de £ 350. n˜ ao h´ a a possibilidade. λ± s˜ ao ambas reais. apenas para certas fun¸ co ˜es f espec´ ıficas. Caso c0 = c a solu¸ c˜ ao dessa equa¸ c˜ ao ´ e (a menos de uma constante multiplicativa) f (s) = e c0 γ s . digamos. em x = 0) ao longo do tempo. para s ∈ R. 19. Ap´ os quatro semanas frustradas. t) = e c0 γ (x−ct) . a qual decai a zero para x → ∞.131). Caso c0 > c. com menor resistividade e dotados de melhor isolamento el´ etrico. Caso c0 < c. fornecendo para (19. Caso c0 = c.

em 1873. t) = e−δx f (x − c0 t) . n˜ ao ´ e toda e qualquer linha de transmiss˜ ao que pode apresentar solu¸ co ˜es como (19. que passa pela Universidade de Glasgow. 2 apenas aquelas para as quais β = γ4 . sua Alma Mater (junto com a Universidade de Cambridge). ficando mais conhecido pela posteridade como Lord Kelvin. in Electrician. Entre 1865 e 1866 dois novos cabos transatlˆ anticos foram constru´ ıdos conectando a Europa ` a Am´ erica do Norte. Como u(0. Seu sucesso inaugurou uma nova era de comunica¸ co ˜es r´ apidas a longa distˆ ancia. obtida em 1887 por Heaviside27 . γ2 4 γ equivale ` a (19.131) e.JCABarata. 4 Note-se que a u ´ltima igualdade relaciona apenas parˆ ametros de (19. em cujo caso (19. obtemos ∂2u ∂2u ∂u − c2 2 + γ + βu = 2 ∂t ∂x ∂t −δx ′ 2 2 ′′ 2 2 .4. δ = γ 2c e β = γ2 . com f arbitr´ aria (duas vezes diferenci´ avel). (1887). parte de um sistema maior de comunica¸ co ˜es entre a Europa e a Am´ erica do Sul. Solu¸ co ˜es de equa¸ co ˜es diferenciais parciais n˜ ao-lineares que sejam da forma de ondas caminhantes.132). cuja importˆ ancia dispensa coment´ arios26.124). 19. O trabalho original ´ e “Electromagnetic induction and its propagation”. ´ e f´ acil constatar que a condi¸ ca ˜o β = seguinte condi¸ ca ˜o entre os parˆ ametros f´ ısicos da linha de transmiss˜ ao: ρκ = ℓσ . A palavra “Kelvin” por ele escolhida para sua titula¸ ca ˜o prov´ em do Rio Kelvin. que valha c0 = c . podemos identificar a fun¸ ca ˜o f com o sinal a ser transmitido. seria ainda de interesse. notadamente ` aquelas relacionadas ao problema do cabo transatlˆ antico. apresentam solu¸ co ˜es na forma de ondas caminhantes. ou por adi¸ ca ˜o peri´ odica de indutores ` a linha de transmiss˜ ao. Uma solu¸ ca ˜o como (19. produzido em x = 0. Podemos ent˜ ao nos perguntar se n˜ ao haveria solu¸ co ˜es para (19. transmitido sem distor¸ ca ˜o (eventualmente ap´ os um processo de amplifica¸ ca ˜o da parte do receptor para corrigir o efeito do fator de amortecimento e−δx ). (19. na forma de ondas caminhantes exponencialmente amortecidas. c2 0 − c f (x − c0 t) + 2c δ − γc0 f (x − c0 t) + β − δ c f (x − c0 t) e Verifique! A condi¸ ca ˜o necess´ aria e suficiente para que o lado direito seja identicamente nulo para uma fun¸ ca ˜o f arbitr´ aria (duas vezes diferenci´ avel) ´ e que cada um dos fatores entre parˆ enteses se anule (justifique!). pode ser satisfeita por uma escolha conveniente do material que comp˜ oe o cabo de transmiss˜ ao e seus parˆ ametros geom´ etricos. como a equa¸ ca ˜o de ondas (19.131) na forma u(x. se houver. t) = f (−c0 t). t) = e− 2c x f (x − ct) . ou seja.131). pois permitiria ainda um reconhecimento do sinal original (codificado na fun¸ ca ˜o f ). Como se vˆ e.131) (notadamente nos dois u ´ltimos termos daquela equa¸ ca ˜o) tornam inevit´ avel uma perda de sinal com a distˆ ancia. notadamente por William Thomson25 . portanto. Usando-se (19. implementando diversas melhorias.133) em (19. Cap´ ıtulo 19 879/2069 reduzir perdas) foram dadas nos anos seguintes. Substituindo (19. A existˆ encia de dissipa¸ ca ˜o no sistema descrito por (19. .133) assume a forma u(x. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. William Thomson foi erguido ` a nobreza britˆ anica em 1866 com o t´ ıtulo de primeiro Bar˜ ao de Kelvin.133).3 Outro Interl´ udio: S´ olitons ´ um fato not´ E avel que n˜ ao apenas equa¸ co ˜es lineares. Certas equa¸ co ˜es n˜ ao-lineares de interesse f´ ısico tamb´ em admitem solu¸ co ˜es na forma f (x ± c0 t) para certas fun¸ co ˜es f espec´ ıficas e certas constantes c0 . Em honra ` as suas contribui¸ co ˜es cient´ ıficas. A existˆ encia de solu¸ co ˜es de equa¸ co ˜es n˜ ao-lineares que apresentem essa forma de estabilidade ´ e bastante surpreendente. pois ´ e indicativa da existˆ encia de mecanismos de compensa¸ ca ˜o de efeitos de dispers˜ ao e de dissipa¸ ca ˜o em meios n˜ ao-lineares.133). Dentre os aperfei¸ coamentos que conduziram ` a melhora da transmiss˜ ao de sinais el´ etricos em cabos de longa distˆ ancia h´ a um que particularmente concerne ` a nossa tem´ atica presente. est´ aveis e aproximadamente localizadas em regi˜ oes finitas s˜ ao genericamente 25 William Thomson (1824–1907). trata-se de uma onda caminhante com velocidade c0 .134) Essa rela¸ ca ˜o.133) com δ e c0 constantes e f arbitr´ aria. exponencialmente amortecida com a distˆ ancia. 27 Oliver Heaviside (1850–1925). 26 Lord Kelvin supervisionou pessoalmente o assentamento do cabo submarino conectando o Par´ a a Pernambuco.

H´ a uma extensa literatura sobre s´ olitons e dela destacamos para o leitor interessado as referˆ encias [57]. conectando a Europa ` a Am´ erica do Norte. 31 N. 35 Duas referˆ encias nesse contexto s˜ ao: Joseph Boussinesq. 32 John Scott Russell (1808–1882). 422–443 (1895). en communiquant au liquide contenu dans ce canal des vitesses sensiblement pareilles de la surface au fond”. “Th´ eorie de l’intumescence liquide. Zabusky and M. 755–759 (1871) e Joseph Boussinesq.4. Kruskal.14): ∂ u ∂3 u ∂u + 6u + = 0 3 ∂t ∂x ∂x 28 H´ a 29 Martin (19. appel´ ee onde solitaire ou de translation. and overtook it still rolling on at a rate of some eight or nine miles an hour. Em uma nota publicada dez anos mais tarde33 .135) uma defini¸ ca ˜o matematicamente precisa dessa no¸ ca ˜o. equa¸ c˜ ao KdV. 1844. 5. Para solu¸ co ˜es com m´ ultiplos s´ olitons. a rounded. Coincidentemente. [143] e [256]. 240 (1965). Scott Russell. sendo empregados no transporte de informa¸ ca ˜o a grandes distˆ ancias atrav´ es de fibras opticas. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Russell foi o projetista principal de um famoso navio. I followed it on horseback. termo cunhado por Kruskal29 e Zabusky30 em um c´ elebre trabalho de 196531. terceiro Bar˜ ao de Rayleigh (1842–1919). na Teoria Quˆ antica de Campos. Phys.not so the mass of water in the channel which it had put in motion.3. foi utilizado para o lan¸ camento do supracitado cabo transatlˆ antico de 1866. 4: 257–279 (1876). Nesta breve se¸ ca ˜o vamos ilustrar a existˆ encia de s´ olitons em alguns exemplos de interesse. smooth and well-defined heap of water.1 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries Vamos considerar a equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries (15. sobre a qual n˜ ao elaboraremos aqui. Zabusky (1929–). [135]. Fourteenth Meeting of the British Association for the Advancement of Science. 36. assuming the form of a large solitary elevation. repetidamente citadas desde ent˜ ao: “I was observing the motion of a boat which was rapidly drawn along a narrow channel by a pair of horses. 19. os quais propuseram e analisaram uma equa¸ ca ˜o diferencial parcial para descrever ondas n˜ ao-lineares em canais rasos. na F´ ısica Estat´ ıstica. “Report on waves”. abreviadamente. Na segunda metade do s´ eculo XX s´ olitons encontraram in´ umeras aplica¸ co ˜es em F´ ısica. vol. Lett.13). Philosophical Magazine. Deuxi` eme S´ erie. David Kruskal (1925–2006). uma proposta surgida t˜ ´ ao recentemente quanto nos anos de 1970 e implementada t˜ ao recentemente quanto no final dos anos 1980. Uma marcante contribui¸ ca ˜o posterior foi apresentada pelos matem´ aticos holandeses Korteweg38 e de Vries39 em um trabalho de 189540. de Vries. Philosophical Magazine. 34 Joseph Valentin Boussinesq (1842–1929). 1. 37 O referido trabalho ´ e: Lord Rayleigh. no. Rev. 30 Norman J. denominado Union Canal (ou Edinburgh and Glasgow Union Canal). ser. como na Mecˆ anica dos Fluidos. vol. rolled forward with great velocity. Nesse u ´ ltimo ramo. “Interaction of ‘Solitons’ in a Collisionless Plasma and the Recurrence of Initial States”. D. it accumulated round the prow of the vessel in a state of violent agitation. A explica¸ ca ˜o do fenˆ omeno observado por Russell foi primeiramente apresentada por Boussinesq34 em 187135 e por 36 Lord Rayleigh em 187637. vol. o qual. vide particularmente [1]. was my first chance interview with that singular and beautiful phenomenon which I have called the Wave of Translation”. Posteriormente. a qual passou a ser conhecida como equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries ou. Its height gradually diminished. when the boat suddenly stopped . Comptes rendus de l’Acad´ emie des sciences. conduzindo testes. 17.JCABarata. then suddenly leaving it behind. 33 J. Russell descreve sua observa¸ ca ˜o com as seguintes palavras. p´ agina 700 (vide adiante). ´ na Mecˆ anica Quˆ antica. Al´ em de suas contribui¸ co ˜es ` a teoria dos s´ olitons. s´ olitons alcan¸ caram aplica¸ co ˜es de natureza tecnol´ ogica.13) (tamb´ em denominada equa¸ c˜ ao KdV) na sua forma (15. 5th series. se propageant dans un canal rectangulaire”. and after a chase of one or two miles I lost it in the windings of the channel. 72. Cap´ ıtulo 19 880/2069 denominadas s´ olitons em F´ ısica28 . which continued its course along the channel apparently without change of form or diminution of speed. 38 Diederik Johannes Korteweg (1848–1941). J. 55–108 (1872). “On waves”. Such. J. a existˆ encia de s´ olitons foi observada em diversos outros sistemas. Journal de Math´ ematique Pures et Appliqu´ ees. 15. “On the Change of Form of Long Waves Advancing in a Rectangular Canal and on a New Type of Long Stationary Waves”. a equa¸ ca ˜o (15. “Th´ eorie des ondes et des remous qui se propagent le long d’un canal rectangulaire horizontal. preserving its original figure some thirty feet long and a foot to a foot and a half in height. o “Great Eastern”. A primeira observa¸ ca ˜o emp´ ırica desse fenˆ omeno data aparentemente do ano de 1834 e foi feita pelo engenheiro naval John Scott Russell32 enquanto o mesmo cavalgava ao longo de um canal na Esc´ ocia. 40 D. Korteweg and G. in the month of August 1834. . na Optica em meios n˜ ao-lineares. o qual menciona em seu trabalho a antecedˆ encia de Boussinesq. devido ao seu tamanho u ´nico. 39 Gustav de Vries (1866–1934). 36 John William Strutt. o maior navio de sua ´ epoca. Kruskal ´ e tamb´ em conhecido por uma importante solu¸ ca ˜o das Equa¸ co ˜es de Einstein da Teoria da Relatividade Geral.

138) para alguma constante b. portanto.139) (ou.138) que b = 0. obt´ em-se f ′′′ (x − c0 t) + ′ ′ 6f (x − c0 t)f (x − c0 t) − c0 f (x − c0 t) = 0. fornecendo a solu¸ ca ˜o em termos de fun¸ co ˜es el´ ıpticas). essas condi¸ co ˜es (que representam condi¸ co ˜es de contorno em +∞) correspondem a solu¸ co ˜es essencialmente localizadas em uma regi˜ ao finita e que decaem rapidamente a zero em ±∞. para alguma fun¸ ca ˜o f e alguma constante c0 . 2 c cosh 2 0 x − c0 t − x0 . Trata-se de uma equa¸ ca ˜o de terceira ordem e n˜ ao-linear. a saber. que equivale a d 1 ′ c0 2 f (s) + f (s)3 − f (s)2 − af (s) = 0 . Como veremos. Multiplicando-se (19. ′ ′ (19.140) satisfazendo (19.137) ′′ 2 ′ ′ + 2f (s)3 − c0 f (s)2 − 2af (s) = b (19. por integra¸ ca ˜o. Ficamos assim restritos a resolver a equa¸ ca ˜o = c0 f (s)2 − 2f (s)3 .137) por f (s). Para resolvermos (19. por exemplo f ′ (s) = − o que pode ser feito por integra¸ ca ˜o.140) para alguma constante de integra¸ ca ˜o x0 . θ = 0 ). Verifique! Assim.139). a solu¸ ca ˜o procurada para a equa¸ ca ˜o de Korteweg-de Vries (19. equivalentemente. procuramos. (19.135) solu¸ co ˜es na forma de ondas caminhantes u(x. Como a troca de sinais ± equivale ` a troca s → ±s. Verifique! Escrevendo s := x − c0 t. f ′ (s) 2 A imposi¸ ca ˜o de (19.138) (o que n˜ ao ´ e dif´ ıcil.135). Temos df √ = − f c0 − 2 f ds = −(s − x0 ) .135) ´ e 1 c0 u(x. A integral do lado esquerdo pode ser facilmente calculada com √ a mudan¸ ca de −2 c0 2 0 √ vari´ avel f = c2 cosh θ . e c0 c0 2 0 obtemos 1 c0 f (s) = √ 2 2 c0 cosh 2 (s − x0 ) como solu¸ ca ˜o de (19. Cap´ ıtulo 19 881/2069 e procuremos para (19. Observe-se em primeiro lugar que (19. obtemos f (s)f (s) + 3f (s) f (s) − c0 f (s)f (s) = af ′ (s). t) = (19. obteremos n˜ ao a solu¸ ca ˜o geral de (19. t) = f (x − c0 t) para x ∈ R e t ∈ R. solu¸ co ˜es f da equa¸ ca ˜o diferencial ordin´ aria f ′′′ (s) + 6f (s)f ′ (s) − c0 f ′ (s) = 0 (19. t) = f (x − c0 t) em (19. mas nos interessaremos por solu¸ co ˜es espec´ ıficas que satisfa¸ cam s→∞ lim f (s) = lim f ′ (s) = lim f ′′ (s) = 0 .137) implica a = 0 e a (19. implica f ′ (s) 2 f ′′ (s) + 3f (s)2 − c0 f (s) = a . Inserindo o Ansatz u(x.136) para todo s ∈ R. com o que teremos f √cdf−2f = − √2 ( s − x dθ = − θ . procuramos transformar (19. c0 f (s)2 − 2f (s)3 .136) pode ser reescrita como f ′′′ (s) + 3 ds d f ′′ (s) + 3f (s)2 − c0 f (s) ds o que implica = 0. que equivale ao par de equa¸ co ˜es f ′ (s) = ± c0 f (s)2 − 2f (s)3 .JCABarata. s→∞ s→∞ (19.136) em uma equa¸ ca ˜o de ordem menor. ´ e suficiente resolvermos uma das equa¸ co ˜es. ds 2 2 o que. por sua vez.139) a (19. d f (s)2 − c0 f ′ (s) = 0 ou seja. a mesma condi¸ ca ˜o com s → ∞ substitu´ ıda por s → −∞).141) √ 2 . Portanto. para alguma constante a.136) seguiremos um procedimento comummente usado na resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es ordin´ arias. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. No que segue. Essa ´ e uma equa¸ ca ˜o de primeira ordem equivalente ` a equa¸ ca ˜o de terceira ordem (19.136).

Esse s´ oliton ´ e considerado uma excelente descri¸ ca ˜o te´ orica da onda observada por Scott Russell e pode ser produzido facilmente em laborat´ orio usando-se canais rasos e estreitos.143) obtemos para f a equa¸ ca ˜o diferencial ′′ c2 − c2 0 f (s) − β sen f (s) = 0 . f ( s ) e que f ( s ) sen f ( s) = − ds ds obtemos c2 − c2 d 2 0 = 0. uma cadeia de pˆ endulos idˆ enticos harmonicamente acoplados suspensos em um campo gravitacional constante. al´ em de representar a velocidade de fase da onda (19. (19. s˜ ao arbitr´ arias. p´ agina 882. entre eles. As constantes x0 e c0 .15 Exerc´ ıcio. equa¸ ca ˜o (15. procuremos para (19.JCABarata. β > 0. mas seu perfil torna-se mais estreito. Assim.3. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.4. J´ a a constante c0 . O valor de c0 na figura do lado esquerdo ´ e menor que na do lado direito.143) 2 ∂t ∂x com c > 0. Alterar o valor de x0 equivale apenas a uma transla¸ ca ˜o espacial da solu¸ ca ˜o ou do sistema de coordenadas. aumentar c0 aumenta a velocidade de fase da onda.141) aparece multiplicando a fun¸ ca ˜o do lado direito e seu argumento.143) solu¸ co ˜es da forma u(x. Para resolver essa equa¸ ca ˜o vamos transform´ a-la em uma equa¸ ca ˜o de primeira ordem. 2 1 d d ′ ′ Multiplicando-a por f ′ (s) e usando os fatos que f ′ (s)f ′′ (s) = 2 cos f (s) . p´ agina 699: ∂2 u ∂2 u − c2 2 + β sen (u) = 0 . Da equa¸ ca ˜o (19.6.12).142) 19. 19. Aumentando-se c0 aumentam a velocidade de fase da onda e sua a amplitude. acima. ou equa¸ c˜ ao MKdV. Cap´ ıtulo 19 882/2069 Essa solu¸ ca ˜o ´ e dita ser o s´ oliton da equa¸ ca ˜o de Korteweg-de Vries. E. novamente com s = x − c0 t.141) da equa¸ ca ˜o de Korteweg-de Vries em um dado instante de tempo para dois valores de c0 . Seguindo os passos do tratamento que demos logo acima ` a equa¸ c˜ ao KdV. u u c0 c0 x x Figura 19.2 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Sine-Gordon Uma outra equa¸ ca ˜o a derivadas parciais relevante que exibe solu¸ co ˜es do tipo de s´ olitons ´ e a chamada equa¸ c˜ ao de SineGordon. aumenta sua amplitude e torna-a mais estreita. Vide Figura 19. Essa equa¸ ca ˜o ocorre em diversos sistemas f´ ısicos. ∂t ∂x3 ∂x denominada equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries modificada. t) = f (x − c0 t) para alguma fun¸ ca ˜o f e alguma constante c0 > 0. f ′ (s) + β cos f (s) ds 2 o que implica c2 − c2 0 2 f ′ (s) 2 + β cos f (s) = a (19.6: As duas figuras reproduzem o perfil de s´ olitons do tipo (19. Procedendo de forma an´ aloga ` aquela que empregamos no tratamento da equa¸ c˜ ao de Korteweg-de Vries obtenha solu¸ co ˜es solitˆ onicas para a equa¸ c˜ ao ∂ u ∂3 u ∂u + 6u2 + = 0. (19.144) .

144) obtemos a = β .4. do que se conclui que a solu¸ ca ˜o procurada de (19. consideraremos apenas a equa¸ ca ˜o f ′ (s) = 2 Dela obtemos df sen f (s) 2 sen . Da solu¸ ca ˜o (19. t) = 2π . que (19. Essa solu¸ ca ˜o ´ e dita ser o s´ oliton da equa¸ ca ˜o de Sine-Gordon. x→−∞ x→+∞ 19. Considere-se a equa¸ ca ˜o a derivadas parciais 2 ∂2 u 2∂ u − c + V ′ (u) = 0 . As constantes x0 e c0 . Vide Figura 19. acima. essa equa¸ ca ˜o s´ o´ e poss´ ıvel para |c0 | < c. A equa¸ ca ˜o (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. V (u) ≥ 0 para todo u ∈ R) diferenci´ avel. mas com |c0 | < c. Verifique! Assim. f 2 e = 2ey 1+e2y .148) onde V ′ ´ e a derivada de V .3 S´ olitons no Modelo de Po¸ co-Duplo O tratamento que demos acima ` a equa¸ ca ˜o de Sine-Gordon pode ser estendido a uma classe de equa¸ co ˜es com caracter´ ısticas semelhantes ` aquela. mas apenas aquelas que satisfa¸ cam as seguintes condi¸ co ˜es: lim f (s) = lim f ′ (s) = 0 . Assim. s→−∞ s→−∞ Impondo essas condi¸ co ˜es a (19. Como a troca de sinais corresponde ` a troca β sen c2 − c2 0 f (s) 2 . c2 − c2 0 β c 2 −c 2 0 (19. Se procurarmos para essa equa¸ co ˜es solu¸ co ˜es na forma de ondas caminhantes como u(x. a solu¸ ca ˜o (19. Cap´ ıtulo 19 883/2069 para alguma constante a. t) = 0 mas lim u(x. p´ agina 884. = 2 β s − x0 .143) ´ e u(x.146) 4ey 1+e2y dy com x0 sendo uma constante de integra¸ ca ˜o. t) = 4 arctan e β c 2 −c 2 0 x−c0 t−x0 . Com isso (19.147) com |c0 | < c. ∂t2 ∂x2 (19.145) . Com a mudan¸ ca de vari´ aveis f = 4 arctan(ey ) teremos df = sen Logo. f (s) = 4 arctan e s−x0 ´ e a solu¸ ca ˜o procurada de (19. Observe-se que.JCABarata.147) ´ e f´ acil de se provar que para cada t vale lim u(x. Seja V : R → R uma fun¸ ca ˜o n˜ ao-negativa (isto ´ e.7. Alterar o valor de x0 equivale apenas a uma transla¸ ca ˜o espacial da solu¸ ca ˜o ou do sistema de coordenadas. com um m´ ınimo em u0 onde valha V (u0 ) = 0. N˜ ao vamos no que segue procurar a solu¸ ca ˜o geral dessa equa¸ ca ˜o. (19. s˜ ao arbitr´ arias.145) equivale a `s equa¸ co ˜es f ′ (s) = ±2 s → ±s. obtemos para f a equa¸ ca ˜o ′′ ′ c2 − c2 0 f (s) − V f (s) = 0. df s) sen ( f ( 2 ) = 2 dy = 2y (verifique!) e obtemos de (19. t) = f (x − c0 t) para alguma fun¸ ca ˜o f duas vezes diferenci´ avel e algum c0 > 0.3.145). o que suporemos doravante. Dizemos que V ´ e o potencial do problema tratado.147) interpola 0 a 2π quando x vai de −∞ a +∞ e isso para cada instante t.146) que y = β c 2 −c 2 0 s − x0 .144) fica tamb´ em pode ser escrita como c2 − c2 f (s) 2 0 f ′ (s) = 2β sen 2 2 β c 2 −c 2 0 f (s) 2 c 2 −c 2 0 2 2 f ′ (s) 2 + β cos f (s) − 1 = 0. como β > 0. Quando c0 aproxima-se de c o perfil da fun¸ ca ˜o torna-se mais estreito. .

. um m´ ınimo do potencial.JCABarata. Foi o que foi feito no caso da equa¸ ca ˜o de Klein-Gordon com V (u) = 2β sen (19. Determinando a integral do lado esquerdo podemos eventualmente obter a solu¸ ca ˜o f (s) desejada.152) V (u) = γ u2 − α2 . com s = x − c0 t. por conveniˆ encia) df = − V (f ) 2 (s − x0 ) .147) da equa¸ ca ˜o de Sine-Gordon em um dado instante de tempo. Vamos agora considerar apenas as solu¸ co ˜es que satisfazem as segintes condi¸ co ˜es de contorno em s → −∞: lim f ′ (s) = 0 e lim f (s) = u0 .150) com (19. Multiplicando essa express˜ ao por f ′ obtemos c2 − c2 0 2 f ′ (s) 2 d ds c 2 −c 2 0 2 f ′ (s) 2 − V (f (s)) = 0. s→−∞ s→−∞ onde. De (19. Trata-se do caso em que 2 (19.151) com x0 sendo uma constante de integra¸ ca ˜o.150) 2 Como V ´ e n˜ ao-negativo conclu´ ımos que c0 < c. assim. • O caso do potencial de po¸ co-duplo (compare Vamos ilustar isso no caso do chamado potencial de po¸ co-duplo.149) para alguma constante a. u0 ´ e tal que V (u0 ) = 0. A fun¸ ca ˜o interpola 0 a 2π quando x vai de −∞ a +∞. A velocidade de fase ´ e c0 < c.145)) e ´ e o que faremos no exemplo a seguir. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.149) segue que a = 0 e. c2 Dessa express˜ ao obtemos (escolhendo o sinal −. (19. recordando. c2 − c2 0 f (s) 2 2 (19. Fazendo c0 aproximar-se de c aumenta a velocidade de fase da onda e seu perfil torna-se mais estreito. Disso obtemos f ′ (s) = ± 2 − c2 0 V f (s) . conclu´ ımos que c2 − c2 2 0 f ′ (s) = V f (s) . Cap´ ıtulo 19 884/2069 u 2π c0 x Figura 19.7: O perfil do s´ oliton (19. de interesse na F´ ısica Quˆ antica. de onde se extrai − V (f (s)) = a (19.

Como V ′ (u) = 4γu3 − 4γα2 u (verifique!). os dois m´ ınimos absolutos de V . Vide Figura 19. p´ agina 885. quando x vai de −∞ a +∞. ∂t2 ∂x2 (19. do que obtemos f (s) = α tanh a solu¸ ` ca ˜o solitˆ onica 2γα2 u(x. V − α α u Figura 19.8: Gr´ afico do potencial de po¸ co duplo (19.3. 2 (19.4. as quais s˜ ao de interesse em telecomunica¸ co ˜es (especificamente. obtemos de (19. Essa solu¸ ca ˜o interpola para cada t os valores −α e +α. No que segue vamos descrever como obter tais solu¸ co ˜es solitˆ onicas (h´ a essencialmente apenas duas que tˆ em interesse f´ ısico e tecnol´ ogico). (19. − c2 0 2γα2 c 2 −c 2 0 f2 c2 1 A integral do lado esquerdo vale − α argtanh f /α . x − c0 t − x0 c2 − c2 0 (s − x0 ) . a esse potencial corresponde a equa¸ ca ˜o a derivadas parciais n˜ ao-linear 2 ∂2 u 2∂ u − c + 4γu3 − 4γα2 u = 0 .153). com ρ e φ reais. Escrevendo u na forma polar u = ρeiφ .8. 19. Nesse caso (19. admite solu¸ co ˜es do tipo s´ oliton. t) = α tanh .152).154) com g ∈ R.JCABarata. = − ∂t 2m ∂x2 (19. para a propaga¸ ca ˜o de sinais eletromagn´ eticos em fibras ´ opticas) e no estudo dos chamados condensados de Bose-Einstein. que corresponde para a equa¸ ca ˜o do potencial de po¸ co-duplo (19. m e positivos. o par de equa¸ co ˜es ρt ρφt = = − m ρx φx − 2m ρφxx .151) fica df = − − α2 2γ (s − x0 ) . com m´ ınimos absolutos em ±α. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.154) ap´ os separarmos as partes real e imagin´ aria. Cap´ ıtulo 19 885/2069 onde γ > 0 e α > 0.4 S´ olitons na Equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger N˜ ao-Linear A equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear em uma dimens˜ ao i 2 ∂u ∂2 u + g |u|2 u .153) por vezes denominada equa¸ c˜ ao do potencial de po¸ co-duplo.155) g ρ3 . Aqui adotamos u0 = −α como o ponto onde o potencial ´ e m´ ınimo.156) 2m ρxx − 2m ρ φx − .

. Se impusermos condi¸ co ˜es de contorno em s → −∞ do tipo s→−∞ lim f ′ (s) = 0 e s→−∞ lim αf (s)4 + βf (s)2 = 0 ent˜ ao (19.154) da forma u(x.161) com s := x − c0 t. temos α = 0.154) est´ a presente. t) = f (x − c0 t) para alguma fun¸ ca ˜o f a ser determinada por (19. Multiplicando-se ambos os lados de (19.158) fica f ′′ (s) = 2mg 2 f (s)3 + 2m ω + λ2 f (s) . H´ a. Cap´ ıtulo 19 886/2069 Verifique! Adotemos agora φ na forma φ(x.160) Com (19. sendo c0 = λ .158).157) implica que ρ ´ e da forma ρ(x. Como nos interessamos pelo caso em que o termo n˜ ao-linear de (19.162) torna-se f ′ (s) 2 = αf (s)4 + βf (s)2 . m 2 (19.163) Note-se que essa equa¸ ca ˜o ´ e imposs´ ıvel se α < 0 e β < 0.156) ficam ρt ρxx = − = λ ρx . I.155)–(19. t) = f (x − c0 t) ei(λx+ωt) . (19. Com isso. − αf (s)4 − βf (s)2 = a . ou seja. g = 0. ρ tem a forma de uma onda caminhante com velocidade de fase c0 .158) Verifique! A equa¸ ca ˜o (19. (19. t) = λx + ωt com λ e ω constantes.161) por f ′ (s) obtemos d 1 ′ f (s) ds 2 do que se conclui que f ′ (s) com a sendo uma constante e onde definimos α := mg 2 2 − mg 1 f (s)4 − 2 2 2 2 2m ω + λ2 f (s)2 = 0. Caso a = 0. β := 2m ω + λ2 .159) ou seja. m (19. quatro casos a considerar.157) 2m ω + λ2 ρ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. vemos que estamos lidando com solu¸ co ˜es u para (19.162) implica a = 0 e (19. Com essa escolha (19. (19.159) a equa¸ ca ˜o (19. 2mg ρ3 + (19. (19.162) e A partir deste ponto diversas condi¸ co ˜es distintas devem ser consideradas e iremos nos concentrar naquelas de conduzem aos resultados que nos interessam no presente contexto.JCABarata.

√ Neste caso.b. ∓1 . Caso α < 0 e β > 0. com x0 sendo uma constante de a troca s → ±s e. teremos = − β (s − x0 ). θ = β (s − x0 ) integra¸ ca ˜o. (19. Assim. mas todas tˆ em um interesse reduzido devido ` a presen¸ ca de singularidades nas mesmas. Cap´ ıtulo 19 887/2069 I. Caso α > 0 e β > 0. 4α (19. Neste caso. (19. f (s) = √ α(s − x0 ) Essa solu¸ ca ˜o ´ e de interesse limitado. pois ´ e singular em s = x0 ± π 2.163) implica f ′ (s) = ± |β |f (s) γf (s)2 − 1 com γ := |α β | . √ γ cosh β (s − x0 ) Essa express˜ ao conduz a uma solu¸ ca ˜o de tipo s´ oliton.165) implica a = |β |2 4α e ficamos com f ′ (s) 2 = α f (s)2 − |β | 2α 2 . pois ´ e singular em s = x0 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.d. I.JCABarata. √ | Neste caso. Os trˆ es casos seguintes tamb´ em apresentam solu¸ co ˜es de tipo s´ oliton. O sinal ± pode ser absorvido com a √ β df √ troca s → ±s e. Caso a = 0. a saber. Assim. pois ´ e singular em s = x0 .a. (19. I. teremos f integra¸ ca ˜o.163) implica f ′ (s) = ± αf (s)2 . com x0 sendo uma 2 constante de integra¸ ca ˜o. √ γ senh β (s − x0 ) Essa solu¸ ca ˜o ´ e de interesse limitado. teremos = − β (s − x0 ). Dentre todos os casos poss´ ıveis vamos nos interessar por um especificamente. O sinal ± pode ser absorvido √ √ df com a troca s → ±s e. escolhendo o sinal +. Caso α > 0 e β < 0.c. escolhendo o sinal −. (19. A rela¸ ca ˜o (19.164) 1 f (s) = √ . (19. aquele no qual α > 0 e β < 0.165) Se impusermos condi¸ co ˜es de contorno em s → −∞ do tipo s→−∞ lim f ′ (s) = 0 e s→−∞ lim f (s) = − |β | . cuja solu¸ ca ˜o ´ e Essa solu¸ ca ˜o ´ e de interesse limitado. √ Neste caso. A mudan¸ ca de vari´ avel f = √ θ = β (s − x0 ) e obtemos √ f 1−γf (s) 1 γ cosh θ conduz a f √ df γf (s)2 −1 = − dθ = −θ. II. escolhendo o sinal −.163) implica f ′ (s) = ± βf (s) 1 − γf (s)2 com γ := |α β . I. com x0 sendo uma constante de f γf (s)2 +1 √ 1 √ df 2 = − dθ = −θ.166) . Assim. θ = |β |(s − x0 ) f (s) = √ 1 γ cos |β |(s − x0 ) . Caso α > 0 e β = 0. (19. 2α ent˜ ao (19. a qual discutiremos logo adiante. A mudan¸ ca de vari´ avel f = e obtemos √ 1 γ cos θ conduz a γf (s) −1 f √ df γf (s)2 −1 = dθ = θ.162) se escreve f ′ (s) 2 2 = αf (s)4 − |β |f (s)2 + a = α f (s)2 − |β | 2α +a− | β |2 . A mudan¸ ca de vari´ avel f = √γ senhθ conduz a f γf (s) +1 e obtemos 1 f (s) = √ . O sinal ± pode ser absorvido com √ √ df 2 = β (s − x0 ).163) implica f ′ (s) = ± βf (s) γf (s)2 + 1 com γ := α .

167) y obtemos df β| f 2− | 2α =− 2α |β | dy 1−y 2 =− 2α |β | argtanh(y ). t) = com c0 := λ m. O segundo s´ oliton que discutiremos ´ e do tipo “escuro”. como se vˆ e. g .JCABarata.164) e (19.160). t) = A exp 0 2 .170) mc0 x − gA2 + mc2 x − c0 t − x0 t tanh u(x. t) = A exp i mc0 x − 1 gA2 + mc2 0 t 2 cosh √ A −mg 1 x − c0 t − x0 . Podemos agora retornar a (19. t)|2 descreve a intensidade da radia¸ ca ˜o. g . Ap´ os algumas contas elementares. Essa express˜ ao conduz a uma solu¸ ca ˜o de tipo s´ oliton. • O s´ oliton “escuro” da equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger n˜ ao-linear Para o caso α > 0 (ou seja. 1 e c0 . encontramos a solu¸ ca ˜o (19. Um esbo¸ co do gr´ afico dessa fun¸ ca ˜o para um dado instante ´ e exibido na Figura. f (s) = |β | tanh 2α |β | (s − x0 ) 2 . (19. obtemos a solu¸ ca ˜o solitˆ onica u(x. (19. |β | exp i λx + ωt 2α tanh |β | x − c0 t − x0 2 . Cap´ ıtulo 19 888/2069 √ Consideremos. m e ). Temos df β| f 2− | 2α √ ca = − α(s − x0 ). |β | Como a amplitude dessa onda ´ e A := e c0 . com γ := |α| β . • O s´ oliton “claro” da equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger n˜ ao-linear Para o caso α < 0 (ou seja. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.160) com nossos resultados de acima. 19. t)|2 decai a zero para x → ±∞ em cada instante t. g < 0) e β > 0 com a = 0 encontramos a solu¸ ca ˜o (19. m e ).9. (19. g > 0) e β < 0.164) para f . A equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear descreve a propaga¸ ca ˜o de ondas eletromagn´ eticas em fibras ´ opticas. isso corresponde a solu¸ co ˜es da forma exp i λx + ωt 1 u(x. descreve um pulso localizado de luz de amplitude A2 que se propaga com velocidade c0 . e. com a assumindo um valor espec´ ıfico n˜ ao-nulo. Ap´ os algumas contas elementares. Com a mudan¸ Logo.169) Nesse caso a intensidade luminosa |u(x. onde a quantidade |u(x. ´ e conveniente escrevermos u em termos 2α e sua velocidade de fase ´ desses dois parˆ ametros (al´ em de x0 e dos parˆ ametros da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. α := mg 2 e β := 2m ω + λ2 . ´ e conveniente escrevermos u em termos desses Como a amplitude dessa onda ´ e A := √ γ e sua velocidade de fase ´ dois parˆ ametros (al´ em de x0 e dos parˆ ametros da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. Retornando a (19.168). t) = √ γ cosh √β x − c0 t − x0 .167). t)|2 = A2 1 cosh A −mg √ x − c0 t − x0 2 .168) (Recordar que g < 0 aqui).168) ´ e denominada s´ oliton claro da equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. Por essa raz˜ ao a solu¸ ca ˜o (19. |u(x. α := mg 2 e β := 2m ω + λ2 . Segundo (19. (19. mas iremos nos limitar ` as solu¸ co ˜es (19. c0 := λ m.167) para f . a qual discutiremos logo adiante. Retornando a (19.160) isso corresponde a solu¸ co ˜es da forma u(x. portanto a equa¸ ca ˜o f ′ (s) = − α f (s)2 − de vari´ aveis f = |β | 2α |β | 2α . p´ agina 889. obtemos √ A mg 1 i .

pois corresponde ` a propaga¸ ca ˜o est´ avel com velocidade c0 de uma mancha escura em uma fibra otica inteiramente iluminada.9. mas no ponto x = x0 + c0 t essa intensidade ´ e nula. ´ 19. d representa o n´ umero de dimens˜ oes espaciais. (Recordar que g > 0 aqui).JCABarata. a solu¸ ca ˜o que encontraremos ainda pode ser correta em tais casos.2. p´ agina 889. 0) = u0 (x) . t)|2 descreve a intensidade da radia¸ ca ˜o. Essa restri¸ ca ˜o simplifica bastante o desenvolvimento que faremos. 19. t)|2 2 converge a A = 0 para x → ±∞ em cada instante t.4. ∂t (19. Essa solu¸ ca ˜o ´ e denominada s´ oliton escuro da equa¸ c˜ ao de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. 0) = v0 (x) . Note-se que a fun¸ ca ˜o do gr´ afico do lado esquerdo converge a 0 para x → ±∞.173) s˜ ao elementos do espa¸ co de Schwartz S (Rd ). t)|2 em um certo instante de tempo dada em (19. Por simplicidade e transparˆ encia. assumiremos no tratamento que faremos que as fun¸ co ˜es u0 e v0 que definem as condi¸ co ˜es iniciais em (19.170).171) referente ao s´ oliton escuro da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. .172)–(19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . a intensidade |u(x. t)|2 em um certo instante de tempo dada em (19. Segundo (19. onde a quantidade |u(x. Cap´ ıtulo 19 889/2069 |u| 2 A2 |u| 2 A2 c0 c0 0 x 0 x Figura 19. √ 2 A mg . |u(x. x = (x1 .1. mas sua justificativa pode demandar um esfor¸ co maior. Do lado direito. como se vˆ e. mas ´ e importante recordar que em problemas f´ ısicos estamos por vezes interessados em situa¸ co ˜es nas quais u0 e v0 n˜ ao s˜ ao elementos de S (Rd ). p´ agina 1702. Acima.169) referente ao s´ oliton claro da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear. xd ) ∈ Rd s˜ ao coordenadas Cartesianas e ∆ ≡ d . . . . Da´ ı se chamar esse s´ oliton de escuro. p´ agina 1711) para encontrarmos a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas ∂2u − c2 ∆u = 0 ∂t2 para todos x = (x1 . No entanto. t)|2 = A2 tanh Um esbo¸ co do gr´ afico dessa fun¸ ca ˜o em um dado instante ´ e exibido na Figura. a intensidade |u(x. introduzido na Se¸ ca ˜o 35.172) ∂2 . O problema descrito em (19.9: Do lado esquerdo. e.4. enquanto que a do lado direito converge a A2 . A raz˜ ao dessa nomenclatura tem a ver com o fato de que a equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger n˜ ao-linear descreve a propaga¸ ca ˜o de ondas eletromagn´ eticas em fibras ´ opticas. Em ambos os gr´ aficos os mesmos valores da amplitude A foram utilizados. ∂u (x.4 A Equa¸ c˜ ao de Ondas e Transformadas de Fourier Na presente se¸ ca ˜o mostraremos como podemos fazer uso da transformada de Fourier (cuja teoria ´ e apresentada na Se¸ ca ˜o 35. . comprometendo a clareza da exposi¸ ca ˜o. (19. xd ) ∈ Rd e t > 0 sob as condi¸ co ˜es iniciais u(x. .173) ´ e um t´ ıpico problema de Cauchy (vide Se¸ ca ˜o 15.173) (19.171) x − c0 t − x0 |u(x. p´ agina 714) e as ∂x2 a a=1 fun¸ co ˜es u0 e v0 s˜ ao denominadas dados de Cauchy desse problema. c0 representa a velocidade de fase. .

0). t) ≡ vt (p) := − p u(p. Cap´ ıtulo 19 890/2069 Nossa estrat´ egia para encontrarmos a solu¸ ca ˜o de (19. pd ) ∈ Rd . .176) ∂u 1 (x. Portanto. para t = 0. onde A e B s˜ ao fun¸ co ˜es de p que ser˜ ao determinadas logo adiante pelas condi¸ co ˜es iniciais. A equa¸ ca ˜o (19. conclu´ ımos que as fun¸ c o ˜ es p → A ( p ) e p → p B ( p ) s˜ a o elementos de S (Rd ). t) + c p ∂t2 u(p.173).175) para todos (p. t) eip·x dn p . xd ) ∈ Rd ser´ a denotada por u(p. A transformada de Fourier de u(x.172) sob as condi¸ co ˜es (19. ∆u(x. .29). Rd . escrevemos u(x. segue tamb´ em que para cada a = 1. c p B (p) = ∂ ∂t Assim. . usaremos a transformada de Fourier para resolvermos (19. confira Proposi¸ ca ˜o 34. 2. Evocamos um teorema de unicidade de solu¸ ca ˜o para garantir que a solu¸ ca ˜o que obtivemos ´ eau ´nica solu¸ ca ˜o poss´ ıvel. Rd com p = (p1 . t) = 0 (19. Por (35. d vale ∂ −1 1 ∂u ip·x n p2 d p (x. Rd ut ∈ S (Rd ).172) sob as condi¸ co ˜es (19. t) ou ut (p): u(p. . como fun¸ ca ˜o de x. t).174) ∂ 2 ut ∂2u (x) (p.174). t) = A(p) cos c p t + B (p) sen c p t . portanto.177) rela¸ co ˜es essas que implicam.173). t) = ∂t (2π )d/2 Rd − c p A(p) sen c p t + c p B (p) cos c p t eip·x dn p . segue que ut ∈ S (Rd ) como fun¸ ca ˜o de p. No que segue vamos por vezes denotar u(x.172) sob as condi¸ co ˜es (19. vale u(x. Como supomos que para cada t ∈ R tenhamos ut ∈ S (Rd ).5. 0) e u ( p. (19. para cada t ∈ R e. por (19. . t) por ut (x). . Note-se que para cada t vale vt ∈ S (R ). p´ agina 1630). t) = F [ut ](x) = − a ut (p) e 2 d/2 ∂x2 ∂x (2 π ) d R a a e. t) e−ip·x dn x . t) em rela¸ ca ˜o ` as vari´ aveis x = (x1 . Rd (19. um elemento de S (Rd ) enquanto fun¸ ca ˜o de x. t) = − onde p = 1 (2π )d/2 ∂ 2 ut ∂t2 p 2 u(p. Supondo que a solu¸ ca ˜o u seja.175) ´ e uma equa¸ ca ˜o diferencial ordin´ aria na vari´ avel t (equa¸ ca ˜o do oscilador harmˆ onico) de solu¸ ca ˜o bem conhecida: u(p. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) = e 1 (2π )d/2 eip·x dn p A(p) cos c p t + B (p) sen c p t Rd (19. (19. pois − c2 vt = 0. ou seja. t) ≡ F[ut ](p) = 1 (2π )d/2 u(x. Constataremos explicitamente que a express˜ ao obtida realmente ´ e solu¸ ca ˜o de (19. o que implica 2 ∂ 2 ut ∂t2 − c2 vt = 0. . justificando assim a posteriori a hip´ otese que fizemos de u ser um elemento de S (Rd ) enquanto fun¸ ca ˜o de x. u0 (x) = 1 (2π )d/2 A(p) eip·x dn p = F−1 [A](x) . . . t) = F−1 [ut ](x) = Do fato que ut ∈ S (Rd ) segue que ∂2u 1 (x. para cada t. .173) seguir´ a os seguintes passos: 1. . t) ∈ Rd+1 .172) implica F−1 2 d 2 p2 1 + · · · + pd e onde v(p. ∂2u (p.JCABarata. al´ em disso. . t) = ∂t2 (2π )d/2 Rd 1 (2π )d/2 u(p. Como A(p) = u(p. t) eip·x dn p = F−1 [vt ](x) . 3. t) eip·x dn p = F−1 2 ∂t ∂t2 (para a troca de derivadas e integrais.

Rd com C (p) := c p B (p) ∈ S (Rd ).178) foi obtida sob a hip´ otese de a solu¸ ca ˜o u do problema de Cauchy (19. de fato. . p´ agina 1630) e obter sen c p t ∂2 ∂t2 F[u0 ](p) cos c p t + F[v0 ](p) Rd sen c p t c p eip·x dn p = − c2 e.172)–(19. Essa hip´ otese n˜ ao foi previamente justificada. A segunda observa¸ ca ˜o ´ e 1 d 1 d que as derivadas das fun¸ co ˜es cos c p t e sen c p t c p s˜ ao polinomialmente limitadas. Da´ ı. s˜ ao expans˜ oes em s´ erie de potˆ encias em x2 e convergentes para todo podem ser expressas em termos de expans˜ oes em s´ eries de potˆ encias x ∈ R. F[u0 ](p) e F[v0 ](p) s˜ ao elementos de S (Rd ).172)–(19. Conclui-se disso que o termo entre parˆ enteses na integral em (19. .178) ´ e um elemento de S (Rd ). (19. p ). como se vˆ e.180) . p Rd 2 F[u0 ](p) cos c p t + F[v0 ](p) sen c p t c p eip·x dn p (19. o que faz dela uma integral bem-definida. o que faz de ambas fun¸ c o ˜ es infinitamente diferenci´ a veis de ( p . Assim. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. No caso da fun¸ ca ˜o cos c p t isso sen c p t ´ e um tanto evidente (por que?). Mais que isso.178) A express˜ ao (19.JCABarata. (19. analogamente. sen c p t c p • Justificando a solu¸ c˜ ao (19. Cap´ ıtulo 19 891/2069 com A ∈ S (Rd ) e v0 (x) = 1 (2π )d/2 c p B (p) eip·x dn p = F−1 [C ](x) .173). mas podemos justifica-la a posteriori estabelecendo por verifica¸ ca ˜o direta que a fun¸ ca ˜o do lado direito de (19. Comecemos colocando trˆ es observa¸ co ˜es. De fato. .178) s˜ ao ambas infinitamente sen x x diferenci´ aveis como fun¸ co ˜es de p. (19. A x terceira observa¸ ca ˜o ´ e que as fun¸ co ˜es F[u0 ](p) cos c p t e F[v0 ](p) c p s˜ ao elementos de S (Rd ). c p sen c p t c p eip·x dn p . obtemos A(p) = F[u0 ](p) Com isso. t) = 1 (2π )d/2 F[u0 ](p) cos c p t + F[v0 ](p) Rd e B (p) = 1 F[v0 ](p) . . mas no caso da fun¸ ca ˜o isso segue da observa¸ ca ˜o que as derivadas da fun¸ ca ˜o c p sen x s˜ ao compostas por combina¸ co ˜es lineares finitas de monˆ omios em 1/x multiplicados pela fun¸ ca ˜o sen x ou cos x.176) fica u(x.178) ´ e. conclu´ ımos que cos c p t e c p 2 de p2 = p2 + · · · + p .173) (com u0 e v0 ∈ S (Rd )) ´ e um elemento de S (Rd ) como fun¸ ca ˜o de x. A primeira ´ e que as fun¸ co ˜es cos c p t e e ∞ (−1)n x2n n=0 (2n+1)! .179) c2 ∆ Rd F[u0 ](p) cos c p t + F[v0 ](p) sen c p t c p eip·x dn p = − c2 p Rd 2 F[u0 ](p) cos c p t + F[v0 ](p) sen c p t c p eip·x dn p . Isso decorre das duas observa¸ co ˜es anteriores e do fato que. por hip´ otese. as expans˜ oes em s´ erie de Taylor das fun¸ co ˜es cos x e sen c p t s˜ ao ∞ (−1)n x2n n=0 (2n)! respectivamente e.5. esse fato justifica diferenciar o lado direito sob o s´ ımbolo de integral (vide Proposi¸ ca ˜o 34. Isso ´ e o que faremos nas linhas que seguem. uma solu¸ ca ˜o do problema de Cauchy (19.

No caso d = 3.4. p´ agina 1737.178) ´ e.4. de se a dimens˜ ao espacial d ´ e um n´ umero par ou um n´ umero ´ ımpar. curiosamente.178). De forma totalmente an´ aloga constata-se que a fun¸ ca ˜o do lado direito de (19.1 A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 3 + 1 Dimens˜ oes. a solu¸ ca ˜o da u ´ ltima pode ser mais facilmente obtida a partir da solu¸ ca ˜o da primeira.13. tal como.2.172).178) expressa u em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . A Solu¸ c˜ ao de Kirchhoff Vamos tratar de obter a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em 3 + 1 dimens˜ oes (i. • Dependˆ encia com os dados de Cauchy u0 e v0 A rela¸ ca ˜o (19. solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o diferencial (19. conforme definido na mesma Proposi¸ ca ˜o 35. ct) representa a m´ edia de v0 na superf´ ıcie da esfera de raio ct centrada em x.178) fica u(x. Isso ´ e poss´ ıvel.178) realmente satisfaz as condi¸ c˜ oes iniciais (19. ∂t Evocando agora o Proposi¸ ca ˜o 35. como veremos.e.. u(x. trˆ es dimens˜ oes espaciais e uma temporal) antes de obter a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em 2 + 1 dimens˜ oes pois.16 Exerc´ ıcio.103). se y ∈ Rd for um vetor com y = ct. Para futura referˆ encia. Assim. (19. podemos para d = 3 escrever sen (35. 19. Com isso. Re-obtenha a solu¸ c˜ ao de D’Alembert (19.179) e o lado direito de (19.178) ocorrem as transformadas de Fourier dessas fun¸ co ˜es. pois dela usaremos defini¸ co ˜es.173) e. portanto. ct) . como previamente prometemos. Sua interpreta¸ ca ˜o ser´ a discutida logo adiante.178) ´ e solu¸ ca ˜o do problema de Cauchy (19. por exemplo.100). t) pode ser S2 p ct = p ct onde. p´ agina 874. mas sua implementa¸ ca ˜o depende fortemente. teremos = M [ep ](ct).2 (Solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas em 3 + 1-dimens˜ oes) A solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas ∂2u − c2 ∆u = 0 ∂t2 . um tanto surpreendentemente.128) para a equa¸ c˜ ao de ondas em 1 + 1 dimens˜ oes a partir da solu¸ c˜ ao (19.JCABarata.181) reescrita como Observemos agora que. ct) + tK[v0 ](x. Cap´ ıtulo 19 892/2069 A manifesta rela¸ ca ˜o de igualdade entre o lado direito de (19. K[v0 ](x. mas a rela¸ ca ˜o ´ e um tanto indireta.13.181) fornece a solu¸ ca ˜o u em d + 1 dimens˜ oes diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . conclu´ ımos que u(x. p´ agina 1737.173) sob a hip´ otese que u0 e v0 s˜ ao elementos de S (Rd ). * *** * E. t) = u(x. resumimos nossos resultados na seguinte proposi¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 19.128). pois em ´ de grande interesse tentarmos reescrever (19. com a m´ edia M definida em e−ip·y dΩy . t) = ∂ tK[u0 ](x. ∂ tF−1 F[u0 ]M [ep ](ct) (x) + tF−1 F[v0 ]M [ep ](ct) (x) . ∂t (19.2. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.172)–(19. A express˜ ao apresentada em (19. nota¸ co ˜es e resultados. E modo a expressarmos u diretamente em termos de u0 e v0 .2. na solu¸ ca ˜o dita de D’Alembert do caso d = 1. (19.180) significa que o lado direito de (19. t) = 1 (2π )3/2 F[u0 ](p) cos c p t R3 eip·x d3 p + t (2π )3/2 F[v0 ](p) R3 sen p ct p ct sen eip·x d3 p = ∂ 1 ∂t (2π )3/2 F[u0 ](p) R3 sen p ct p c eip·x d3 p + sen 1 (2π )3/2 p ct p ct F[v0 ](p) R3 p ct p c eip·x d3 p .178) de (19. por (35. de fato. Para um melhor acompanhamento do que segue recomendamos ao leitor um estudo pr´ evio da Se¸ ca ˜o 35. fornecida em (19. p´ agina 1733. 19.

L´ a vimos que a condi¸ ca ˜o inicial u0 propaga-se no cone de luz. que discutimos anteriormente (p´ agina 876). para |t| < T e |x3 | < c(T − |t|) u ˜ satisfaz ∂2u ˜ − c2 2 ∂t 41 Gustav ∂ ∂ tK[˜ u0 ](x. O problema em implementar esse argumento reside no fato que uma fun¸ ca ˜o u0 (x1 . Se em 3 + 1 dimens˜ oes tomarmos condi¸ co ˜es iniciais u0 (x1 . K[g ](x. ct) + tK[˜ v0 ](x. sen θ sen ϕ. Assim. x3 ) ∈ R3 . cT ]. x3 ) e v0 (x1 . t) = com x = (x1 .182) com x = (x1 . x2 .10. na regi˜ a o em quest˜ a o valem K [ u f ] = K [ u ] e K [ v f ] = K [ v ] 0 0 0 0 e 3 3 ambas n˜ ao dependem de x3 quando |x3 | < c(T − |t|). A intui¸ ca ˜o por tr´ as dessa afirma¸ ca ˜o ´ e a seguinte. o seja. E ca ˜o com o caso da propaga¸ ca ˜o de ondas em 1 + 1 dimens˜ oes. x3 ). Por defini¸ ca ˜o. K[u0 f ] e K[v0 f ] representam a m´ edia das fun¸ co ˜es u0 f e v0 f . x3 ) que independe de x3 n˜ ao ´ e uma fun¸ ca ˜o do espa¸ co de Schwartz S (R3 ) e. x2 . K[g ](x.2 A Equa¸ c˜ ao de Ondas em 2 + 1 Dimens˜ oes A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de ondas em 2 + 1 dimens˜ oes pode ser obtida a partir da solu¸ ca ˜o em 3 + 1 dimens˜ oes fornecida em (19. 0) = v0 (x). respectivamente. na regi˜ ao 3 3 3 1 2 3 3 3 3 ′ |x′ | < cT a fun¸ c a ˜ o f ( x ) ´ e constante e igual a 1. Seja agora |t| < T .4. r) representa a m´ edia de g na superf´ ıcie da esfera de raio r centrada em x. Afirmamos que para x1 e x2 fixos arbitr´ arios a fun¸ ca ˜o u ˜(x1 . y − x = ct}. Logo.183) ∂2u ˜ ∂2u ˜ + 2 2 ∂x1 ∂x2 = 0. t) = ∂u ∂t (x. • O princ´ ıpio de Huygens em 3 + 1 dimens˜ oes Um dos aspectos mais interessantes da solu¸ ca ˜o obtida na Proposi¸ ca ˜o 19. r) := 1 4π π −π 0 π g x + rz (θ. ∂t (19. sendo z (θ. x ) temos | x − x | ≤ c | t | . Essa situa¸ ca ˜o ´ e ilustrada geometricamente na Figura 19. ∂t ∂t (19. ´ e dada para t > 0 e x ∈ R3 por u(x. em {y ∈ R. Robert Kirchhoff (1824–1887). x3 ) = u0 (x1 . cos θ .181) n˜ ao pode ser aplicada diretamente.182) do problema de Cauchy (19. x2 . x3 . x3 ) = v0 (x1 . em {y ∈ R. x2 . 19. enquanto que a condi¸ ca ˜o inicial v0 propaga-se no interior do cone de luz. A argumenta¸ ca ˜o ´ e a seguinte. onde. x2 . Cap´ ıtulo 19 893/2069 em 3 + 1 dimens˜ oes com as condi¸ c˜ oes iniciais u(x. x2 )f (x3 ) e v ˜0 (x1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. para g ∈ S (R3 ). Para essas condi¸ co ˜es iniciais podemos aplicar (19. | x | < | x − x | + | x | < c | t | + c ( T − | t | ) = cT . x3 ) que sejam independentes da coordenada x3 . A solu¸ ca ˜o (19. p´ agina 895. x3 ). onde f ´ e uma fun¸ ca ˜o de S (R) escolhida de forma que f (x3 ) = 1 para todo x3 no intervalo [−cT. ct) + tK[v0 ](x.172)–(19. |y − x| ≤ ct}. ct) + tK[v0 f ](x. para algum T > 0 ´ e escolhido arbitrariamente. (19. 0) = u0 (x) e S (R3 ). ou seja. x2 . com u0 e v0 sendo elementos de ∂ tK[u0 ](x. O que se faz para remediar isso. por´ em. ϕ) := sen θ cos ϕ.181) e teremos a solu¸ ca ˜o u ˜(x. Logo. para x ∈ R3 e r > 0. x2 )f (x3 ). n˜ ao haver´ a propaga¸ ca ˜o ao longo dessa dire¸ ca ˜o e tudo se passa como se trat´ assemos de um problema em 2 + 1 dimens˜ oes. . t) n˜ ao varia na regi˜ ao |x3 | < c(T − |t|). ´ e algo bem simples. ct) . x2 . ct) = tK[u0 f ](x. ct) . x2 . portanto. |y − x| = ct}. na superf´ ıcie da esfera de raio c|t| centrada em x = (x1 .181).2.173) (equa¸ ca ˜o de ondas) em 3 + 1 dimens˜ oes ´ e denominada solu¸ c˜ ao de Kirchhoff41 .JCABarata.4. est´ a no fato de a mesma exibir que a solu¸ ca ˜o no ponto x ∈ R3 no instante t > 0 depende apenas das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 nos pontos y ∈ R3 situados exatamente a uma distˆ ancia ct de x. Consideramos no caso de 3 + 1 dimens˜ oes condi¸ co ˜es iniciais u ˜0 e v ˜0 da forma u ˜0 (x1 . x2 . ϕ) sen θdθ dϕ . x . Se os pontos da superf´ ıcie dessa esfera tˆ em coordenadas ′ ′ ′ ′ ′ (x′ . a qual fornece a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em trˆ es dimens˜ oes espaciais em termos dos dados de Cauchy (condi¸ co ˜es iniciais). e indica que no caso de ondas se propagando em 3 + 1 dimens˜ oes a propaga¸ ca ˜o de sinais se d´ a apenas dentro do cone ´ interessante comparar essa situa¸ de luz {y ∈ R3 .

x2 + ctu sen ϕ √ u du 1 − u2 (verifique!) e. ct) e K[v0 ](x1 . . 0. x3 ) = u0 (x1 . x2 . 1 − u2 Definindo y = (y1 . Conclu´ ımos que a fun¸ ca ˜o u(x1 .184) R[g ](x. t) = ∂ tK[u0 ](x1 . x2 . r) representa uma m´ edia da fun¸ ca ˜o g no disco centrado em x ∈ R2 1 √ 1 de raio r. ct) = R[u0 ](x. fazemos em cada uma a mudan¸ ca de vari´ avel u = sen θ. ∂t 1 2π g x+z z ≤r (19. ct) + tR[v0 ](x. 0. para uma fun¸ ca ˜o g ∈ S (R2 ). Note-se que R[g ](x. Cap´ ıtulo 19 894/2069 ou seja. 2 r − z 1 2π g x+z z ≤r r2 − z 2 d2 z . x2 ) dada por u(x1 . t) = onde. ct) . com isso. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. x3 ) = v0 (x1 . x2 ). x2 . x2 ) ∈ R2 e r > 0. para x ∈ R2 e r > 0. ct) = 1 2π u0 x + cty y ≤1 1 1− y 1 2 d2 y . x2 ) e v ˜0 (x1 . ct) de forma mais adequada. r) := 1 r2 − z 2 d2 z . 0. ∂t ∂u ∂t (x1 . K[u0 ](x1 .3 (Solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas em 2 + 1-dimens˜ oes) A solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas ∂2u − c2 ∆u = 0 ∂t2 em 2 + 1 dimens˜ oes com as condi¸ c˜ oes iniciais u(x. x2 ) e v0 (x1 . x2 . x2 . ct) = 1 4π π −π 0 π u0 x1 + ct sen θ cos ϕ. ct) . x2 . R[g ](x. x2 ). 0.JCABarata. podemos reescrever a u ´ltima express˜ ao como K[u0 ](x. x2 . 0. x2 ). com x = (x1 . com u0 e v0 sendo elementos de ∂ tR[u0 ](x. u ˜ ´ e uma solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em duas dimens˜ oes para |t| < T e |x3 | < c(T − |t|). x2 + ct sen θ sen ϕ sen θdθ = 2 0 0 u0 x1 + ctu cos ϕ. com x = (x1 . ct) = 1 2π π −π 0 1 u0 x1 + ctu cos ϕ. x2 + ct sen θ sen ϕ sen θdθdϕ . Em seguida. 0) = u0 (x1 . x2 . 0. Primeiro quebramos a regi˜ ao de integra¸ ca ˜o nas regi˜ oes 0 < θ ≤ π/2 e π/2 < θ < π . 0. ∂u ∂t (x. A integral em θ no lado direito pode ser re-expressa da seguinte forma. ´ e dada para t > 0 e x ∈ R2 por u(x. m´ edia essa tomada com um peso 2π 2 . y2 ) = u sen ϕ. x2 + ctu sen ϕ √ 1 udu dϕ . x2 . π 1 u0 x1 + ct sen θ cos ϕ. x2 ) ∈ R2 e t > 0. Obtemos. Para futura referˆ encia. resumimos nossos resultados na seguinte proposi¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 19. Definindo. Temos pela defini¸ ca ˜o que K[u0 ](x1 . 0. 0) = v0 (x). u cos ϕ . para g ∈ S (R2 ). ct) + tK[v0 ](x1 . 0) = Vamos agora expressar as m´ edias K[u0 ](x1 . ct) . temos que K[u0 ](x. x2 . x2 . r) := com x = (x1 . satisfazendo as condi¸ co ˜es iniciais dadas nessa regi˜ ao por u ˜0 (x1 . 0) = u0 (x) e S (R2 ). ´ e solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de ondas em duas dimens˜ oes com as condi¸ co ˜es iniciais u(x1 .

21).182) do caso 3 + 1-dimensional. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. u(x. com 0 ≤ x ≤ L. de densidade linear de massa ρ(x). A figura indica o ponto (x. por exemplo. t) da equa¸ ca ˜o de ondas depende dos valores das condi¸ co ˜es iniciais apenas nos pontos da superf´ ıcie esf´ erica centrada em x e de raio ct e n˜ ao dos pontos do interior dessa esfera.10: Ilustra¸ ca ˜o do princ´ ıpio de Huygens em 2 + 1 dimens˜ oes. O estudo das solu¸ co ˜es de (19. No caso de 3 + 1 dimens˜ oes. representada aqui pelo c´ ırculo S (em 3 + 1 dimens˜ oes S ´ e. t) depende dos valores de u0 e v0 em todos os pontos do disco centrado em x e de raio ct. Esse fato deve ser contrastado com a solu¸ ca ˜o (19. t) e o cone de luz passado com v´ ertice em (x.185) ´ e um cl´ assico problema de Mecˆ anica dos Meios Deform´ aveis e da Teoria das Equa¸ co ˜es Diferenciais. de uma corda de comprimento L. t) x2 x D x1 ct S Figura 19.2. o m´ etodo de expans˜ ao em modos normais. p´ agina 846. no regime de pequenas oscila¸ co ˜es. Bernoulli (1700–1782). no instante de tempo t. • O princ´ ıpio de Huygens em 2 + 1 dimens˜ oes t (x.10. p´ agina 895.1. A express˜ ao acima ´ e conseq¨ uˆ encia. 42 Leonhard 43 Daniel Euler (1707–1783).185) ρ(x) 2 − ∂t ∂x ∂x onde u(x. essencialmente. e outras id´ eias que tiveram sua aplica¸ ca ˜o estendida a outros campos. 19. mostra que u(x. acima. t) ´ e determinado apenas pelos valores de u0 e v0 em D. a superf´ ıcie da esfera de raio ct centrada em x). D representa o disco de raio ct centrado em x ∈ R2 situado no plano t = 0. . da segunda lei de Newton e sua dedu¸ ca ˜o pode ser acompanhada na Se¸ ca ˜o 19. O valor de u em (x. do ponto x da corda. t) depende apenas dos valores de u0 e v0 na borda de D. Cap´ ıtulo 19 895/2069 A express˜ ao que define R. em verdade. t). (19. tendo suas origens nos trabalhos pioneiros de Euler42 e Daniel Bernoulli43 na primeira metade do s´ eculo XVIII. ilustra essa situa¸ ca ˜o. Vide. t) representa o deslocamento transversal. equa¸ ca ˜o (19. originaram-se daqueles estudos.JCABarata. O m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. chegaremos ` a equa¸ ca ˜o diferencial ∂u ∂ ∂2u τ (x) = 0. A Figura 19. onde se vˆ e que a solu¸ ca ˜o u(x. submetida a uma tens˜ ao longitudinal τ (x).5 O Problema da Corda Vibrante Se considerarmos o problema de determinar o movimento transversal.

t) = ∞ n=1 an cos (ωn t) + bn sen (ωn t) sen nπx L .188) s˜ ao. caso λ = 0 . 2. .186) 2 2 ∂t ∂x ρ0 Uma corda com ρ(x) ≡ ρ0 constante ´ e dita ser uma corda homogˆ enea. levando a U (x) = β2 sen (λx). obt´ em-se a solu¸ ca ˜o trivial U (x) ≡ 0. n = 1. . com n ∈ Z (tomar β2 = 0 conduz novamente ` a solu¸ ca ˜o trivial U (x) ≡ 0) e. Em verdade. s˜ ao T (t) = a0 t + b0 . as condi¸ co ˜es de contorno a serem impostas s˜ ao u(0. O caso interessante. Chegamos com isso a T ′′ (t) + λ2 c2 T (t) = 0 . 3. 3.186) somando as solu¸ co ˜es acima: u(x.192) . (19. t) = 0 para todo t. as solu¸ co ˜es de (19. t) = T (t)U (x) ficam (19. nπx ca ˜o Resumindo. Chegamos at´ e aqui com o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. . . assim. em cujo caso (19. c = . . dotadas de propriedades convenientes. c2 T (t) U (x) Essa igualdade s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) = ∂t ∞ n=1 − an ωn sen (ωn t) + bn ωn cos (ωn t) sen nπx L . un (x. procurando primeiramente solu¸ co ˜es particulares que sejam da forma u(x. Para tais valores de λ a solu¸ nπct nπct co ˜es particulares para u(x. podemos nos restringir a n’s positivos n˜ ao-nulos. No caso λ = 0. ∂t sendo u0 e v0 duas fun¸ co ˜es dadas. A imposi¸ ca ˜o que U (0) = 0 implica β1 = 0.190) T (t) = a1 cos(λct) + b1 sen (λct) . portanto. U (x) = Un (x) = β2 sen nπx L . (19. .189) (19. onde ωn := (aqui. t) = T (t)U (x). est´ a em λ = 0. Para encontrar as solu¸ co ˜es de (19. procede-se pelo m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. naturalmente. obtemos uma solu¸ ca ˜o mais geral de (19.. (19.JCABarata. ou seja. 0) = u0 (x) e ∂u ( x. 2.1 Corda Vibrante Homogˆ enea Na situa¸ ca ˜o em que a corda encontra-se presa em suas extremidades localizadas em x = 0 e x = L. t) = an cos (ωn t) + bn sen (ωn t) sen L nπc n = 1.e. .190) fica a1 cos L + b1 sen L . caso λ = 0 . cuja solu¸ ca ˜o ´ e U (x) = c1 x + c2 . . i. absorvemos a constante β2 dentro das constantes an e bn . n ∈ Z. temos λn = nπ L e Un (x) = β2 sen L . t) = T (t)U (x) satisfa¸ ca as condi¸ co ˜es de contorno. e as solu¸ nπx . o que corresponde a uma corda eternamente parada. (19. para cada n = 1.187) (19.185) assume a forma 2 τ0 ∂2u 2∂ u − c = 0. 2. U ′′ (x) + λ2 U (x) As solu¸ co ˜es da primeira equa¸ ca ˜o. como ´ e bem conhecido.188) (19. 0) = v ( 0 x). Tipicamente considera-se tamb´ em condi¸ co ˜es iniciais que fixam a posi¸ ca ˜o e velocidade transversais da corda em t = 0: u(x. de modo que u(x. Como desejamos que U (0) = U (L) = 0. obt´ em-se c1 = c2 = 0. Inserindo em (19. = 0.. Cap´ ıtulo 19 896/2069 19. as quais ainda est˜ ao L indeterminadas e podem depender de n). O caso mais simples da equa¸ ca ˜o (19.188) reduz-se a U (x) = 0. 3. Evocando o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o. A imposi¸ ca ˜o que U (L) = 0 implica λL = nπ . que denotamos por −λ2 . U (x) = β1 cos(λx) + β2 sen (λx) . obt´ em-se 1 T ′′ (t) U ′′ (x) = .186) satisfazendo as condi¸ co ˜es iniciais e de contorno mencionadas acima.5. t) = 0 para todo t e u(L.185) ´ e aquele no qual ρ(x) ≡ ρ0 e τ (x) ≡ τ0 s˜ ao constantes.186). . pois para n = 0 tem-se U0 (x) ≡ 0 (solu¸ ca ˜o trivial) e U−n (x) = Un (x). .191) ∂u (x. mostrando que as solu¸ co ˜es com Un (x) e U−n (x) n˜ ao s˜ ao independentes.. ′′ Para λ = 0 a equa¸ ca ˜o (19.

130). G(x. . .199) Comparar com (19. . . formalmente. que fixam posi¸ ca ˜o e velocidade da corda em nπx L nπx L ∞ n=1 ∞ n=1 an sen .194) as fun¸ co ˜es u0 e v0 s˜ ao expressas em termos de s´ eries de Fourier de senos e a justificativa para a validade dessa expans˜ ao.. ´ e apresentada na Proposi¸ ca ˜o 34. por exemplo. .193) v0 (x) = bn ωn sen . conduz a u0 (x) = ∂u ∂t (x. x′ ) = 2 sen nπc n=1 ∞ nπx L sen nπx′ L sen nπct L . 2. (19. Vide Cap´ ıtulo 35.67). (19.198) G(x. expressando as constantes an em termos de u0 e as constantes bn em termos de v0 . que a s´ erie de fun¸ co ˜es no lado direito de (19.196) para todo n = 1. De forma totalmente an´ aloga. (19.JCABarata. . 2. n = 1. 0) = u0 (x) e t = 0.197) Usando (19. t. 2. com a fun¸ ca ˜o de Green de (19. 3. p´ agina 1652. p´ agina 1701. p´ agina 1668.196)-(19.197) podemos reescrever (19. obt´ em-se de (19.193) por sen ∞ n=1 mπx L e integrando de 0 a L.195) Assim. 3. A fun¸ ca ˜o G cont´ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ co ˜es iniciais no ponto x′ influenciam a solu¸ ca ˜o no ponto x no instante t. 0) = v0 (x).129)–(19. 44 Note-se. por exemplo. 2 m. Essa express˜ ao ´ e denominada fun¸ c˜ ao de Green do problema de valor inicial em quest˜ ao. x′ )u0 (x′ ) dx′ + 0 0 G(x. 3.191) como L u(x. Para invertermos essas rela¸ co ˜es.12. 2 ou seja. . (19.199) n˜ ao ´ e uniformemente convergente. • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais ∂ ∂t L 2 ωn L L sen 0 nπx′ L v0 (x′ ) dx′ = 2 nπc L sen 0 nπx′ L v0 (x′ ) dx′ (19. n . A importˆ ancia de (19. t) = onde.199) se d´ a no sentido de distribui¸ co ˜es. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . .193) e (19. A convergˆ encia da s´ erie em (19. x′ )v0 (x′ ) dx′ . fazemos uso das bem-conhecidas rela¸ co ˜es de ortogonalidade da fun¸ ca ˜o seno: π sen (my ) sen (ny ) dy = 0 π δm. . t. multiplicando (19. an = 2 L L sen 0 nπx′ L u0 (x′ ) dx′ (19. sobre hip´ oteses adequadas para as fun¸ co ˜es u0 e v0 . A teoria geral das s´ eries de Fourier encontra-se desenvolvida na Se¸ ca ˜o 34.198) est´ a em expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . Cap´ ıtulo 19 897/2069 A imposi¸ ca ˜o das condi¸ co ˜es iniciais u(x.. obtemos L sen 0 mπx u0 (x) dx = L L an 0 sen mπx L sen nπx L dx ∞ π y =πx/L = L an π n=1 sen (my ) sen (ny ) dy = 0 L am . .194) bn = para todo n = 1. ao contr´ ario do que ocorre.4. As duas u ´ltimas express˜ oes s˜ ao formais e devem ser entendidas no sentido de distribui¸ co ˜es44 .194) Em (19. (19. t.

onde g ´ e a acelera¸ ca ˜o da gravidade. no plano xz 45 . Por´ em. portanto. n˜ ao devemos (0 .33)). t) = T (t)U (z ). de densidade constante) e de comprimento L que esteja pendurada por uma das suas extremidades em um campo gravitacional constante (por exemplo. O ponto da corda situada ` a altura z sustenta o peso do trecho de corda situado abaixo de si. Para fixar id´ eias. (19. Assim. Chegamos com isso a T ′′ (t) + gλ2 T (t) = zU ′′ (z ) + U ′ (z ) + λ2 U (z ) = As solu¸ co ˜es da primeira equa¸ ca ˜o. Inserindo isso em (19. estando presa no ponto z = L. 45 Movimentos no plano yz podem ser tratados tamb´ em mas. g T (t) U (z ) Essa igualdade s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. Como ficar´ a ∂z claro ao encontrarmos a solu¸ ca ˜o geral do problema. do ponto z no instante de tempo t.JCABarata. caso λ = 0 . ∂t2 ∂z ∂z ∂2u ∂ −g 2 ∂t ∂z z ∂u ∂z = 0. portanto.201) (19. Cap´ ıtulo 19 898/2069 19. que denotamos por −λ2 . O caso interessante. caso λ = 0 . apenas. apesar de o extremo inferior da corda (o ponto z = 0) estar livre. e ∂u 0 ∂t Uma dedu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o (19. devemos impor U (L) = 0. t ) = 0 inv´ a lida. obtemos facilmente (zU ′ (z )) 1 T ′′ (t) = . Como desejamos que U (0) seja finita (o deslocamento da corda n˜ ao pode divergir em nenhum ponto). como u(L.202) para λ = 0 pode ser transformada em uma equa¸ ca ˜o conhecida atrav´ es da mudan¸ ca de vari´ aveis √ √ ζ = 4λ2 z . p´ agina 846 (vide particularmente a equa¸ ca ˜o (19.200). 0) = u0 (z ) ( z. . c2 = 0 tamb´ em e obtemos apenas a solu¸ ca ˜o trivial U (z ) = 0. Cada ponto da corda estar´ a sujeito a uma tens˜ ao igual ao peso do trecho de corda abaixo de si. homogˆ enea (ou seja.202) reduz-se a zU ′′ (z ) + U ′ (z ) = 0. Observemos que no presente problema. Assim.2 O Problema da Corda Homogˆ enea Pendurada Nosso prop´ osito aqui ´ e o de aplicar a equa¸ ca ˜o (19. o que torna a condi¸ ca ˜o ∂u (0 . vamos denotar por z a coordenada vertical e supor que a corda. cuja solu¸ ca ˜o ´ e U (z ) = c1 ln(z ) + c2 . 0. U (z ) = y (ζ ) = y ( 4λ2 z ) . consideramos apenas esse caso mais simples. o que corresponde a uma corda eternamente parada. naturalmente.1. t) seja finita. t) = 0 para todo t.185) para determinar o movimento de uma corda. t) = 0 para todo t e a certas condi¸ co ˜es iniciais u(z. submetida ` a condi¸ ca ˜o de contorno u(L. Para λ = 0 a equa¸ ca ˜o (19. Comecemos seguindo o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis e procuremos solu¸ co ˜es particulares na forma de um produto u(z. localize-se no intervalo 0 ≤ z ≤ L. por simplicidade. ou seja. Como a corda ´ e homogˆ enea. devemos impor c1 = 0 e. a saber.2. est´ a em λ = 0. A equa¸ ca ˜o (19. ou seja. ou barbante. esse peso ´ e ρgz . A fun¸ ca ˜o u(z. 0) = v ( z ) que fixam posi¸ c a ˜ o e velocidade transversal de cada ponto da corda em t = 0. para a tens˜ ao τ (z ) tem-se τ (z ) = ρgz e o problema que queremos resolver ´ e o de 2 u ∂ ∂u determinar a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o diferencial ρ ∂ − ρgz = 0. t) representar´ a o deslocamento horizontal da corda.5. (19.200) ´ e apresentada na Se¸ ca ˜o 19. t ) = 0 para todo t . U (z ) = c2 . quando parada. 0. digamos. a outra extremidade sendo mantida livre. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. o da superf´ ıcie da Terra). com a qual obtemos ζ 2 y ′′ (ζ ) + ζy ′ (ζ ) + ζ 2 y (ζ ) = 0 . s˜ ao T (t) = a0 t + b0 . Esse ponto foi discutido a ` p´ a gina 851 e decorre do fato de que a impor a condi¸ ca ˜o de contorno ∂u ∂z tens˜ ao longitudinal sobre a corda tamb´ em anula-se em z = 0. a que u(0. entre 0 e z . h´ a sim uma condi¸ ca ˜o a ser satisfeita em z = 0.202) ′ √ √ T (t) = a1 cos(λ gt) + b1 sen (λ gt) .200) para 0 ≤ z ≤ L.

. Assim.200) que satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno requeridas ´ e dada por u(z. L z L . 2 L e dessa forma. (19. ou seja. 4. Esse comportamento n˜ ao ´ e aceit´ avel. A solu¸ ca ˜o geral da equa¸ ca ˜o de ondas (19. t) = ∂t ∞ k=1 − ak ωk sen (ωk t) + bk ωk cos (ωk t) J0 α0 k ∂u ∂t (z. como se constata.203) ∂u (z.JCABarata. . Tem-se. para o outro extremo da corda.204) v0 (z ) = bk ωk J0 α0 k . obviamente. k = 1. . k = 1. √ A solu¸ ca ˜o acima tem por particularidade que se β2 = 0 o termo N0 (2λ z ) diverge em z = 0. Mostre isso! Essa equa¸ ca ˜o.206) 46 Podemos interpretar a condi¸ ca ˜o de finitude da solu¸ ca ˜o em z = 0 como uma outra condi¸ ca ˜o de contorno a ser imposta. z . . 2. ´ e a equa¸ ca ˜o de Bessel de ordem zero: ν = 0. que √ √ U (z ) = β1 J0 (2λ z ) + β2 N0 (2λ z ) . 0) = u0 (z ) e em t = 0.17 Exerc´ ıcio. 3. l J1 (α0 k) 2 2 . ent˜ ao. de modo que devemos impor46 β2 = 0. .200) que satisfazem as condi¸ co ˜es de contorno requeridas. t) = ∞ k=1 ak cos (ωk t) + bk sen (ωk t) J0 α0 k z L . 3. J0 sendo a fun¸ ca ˜o de Bessel de ordem 0 e N0 sendo a fun¸ ca ˜o de Neumann de ordem 0. √ Chegamos dessa forma ` a solu¸ ca ˜o U (z ) = J0 (2λ z ) (adotando ca ˜o de √ aqui β1 = 1). . 4. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. que uk (z. . (19. (19. Assim. Cap´ ıtulo 19 899/2069 E. representa um modo de vibra¸ c˜ ao da corda pendurada. para a qual devemos impor a condi¸ contorno u(L. t) = 0. para 0 ≤ z ≤ L. z L . ent˜ ao. . k ∈ N . t) = com ωk := ak cos (ωk t) + bk sen (ωk t) J0 α0 k α0 k 2 g . Isso significa. da fun¸ c a ˜ o de Bessel k J0 em R+ . Isso implica que 2λ L deve ser um dos zeros α0 .205) Para determinarmos as constantes ak em termos de u0 e as constantes bk em termos de v0 faremos uso das rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14. 19. (19. Uk (z ) = J0 α0 k L representam solu¸ co ˜es de (19. . Cada fun¸ ca ˜o cos (ωk t + δ0 ) J0 α0 k L . p´ agina 683. 3. . ak z e bk s˜ ao constantes a serem determinadas. 4. que fixam posi¸ ca ˜o e velocidade da corda z L z L ak J0 α0 k .. 2. juntamente ` a condi¸ ca ˜o u(L. . s˜ ao solu¸ co ˜es particulares da equa¸ ca ˜o de ondas (19.202) que satisfazem as condi¸ co ˜es de contorno requeridas. k = 1. a imposi¸ ca ˜o das condi¸ co ˜es iniciais u(z. 2. conclu´ ımos que α0 k λ = √ . para as fun¸ co ˜es de Bessel J0 : 1 0 0 J0 α0 k x J0 αl x x dx = δk. suas solu¸ co ˜es s˜ ao y (ζ ) = β1 J0 (ζ ) + β2 N0 (ζ ) .210). Acima. U (L) = 0. t) = 0. Assim. . conduz a u0 (z ) = ∞ k=1 ∞ k=1 0) = v0 (z ).

Agora. A Proposi¸ ca ˜o 15. l . 47 Daniel . Vide Cap´ ıtulo 35. Bernoulli47 . pois a corda est´ a fixa em z = L e a tens˜ ao anula-se em z = 0.130). D.207)-(19.207) bl para todos l ∈ N.129)–(19. As duas u ´ ltimas express˜ oes s˜ ao formais e devem ser entendidas no sentido de distribui¸ co ˜es. conclu´ ımos que al = 1 2 L (J1 (α0 k )) 0 L J0 α0 l L 0 z L u0 (z ) dz . • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais ∂ ∂t L 0 Usando (19. Assim. cuja densidade depende da posi¸ ca ˜o) e de comprimento L que esteja fixa em suas extremidades. no s´ eculo XIX. Com isso.203) como u(z. p´ agina 763. L J0 0 α0 l z L J0 α0 k z L dz x= √z L = 2L 0 1 0 J0 α0 k x J0 αl x x dx (19. Comparar com (19. Ele foi tratado pela primeira vez em 1732 por D. J0 α0 l v0 (z ) dz = 1 2 g L bk α0 k 0 J0 α0 l z L J0 α0 k z L dz .185) para determinar o movimento de uma corda n˜ ao-homogˆ enea (ou seja. z ′ )v0 (z ′ ) dz ′ . z L (19. z ′ )u0 (z ′ ) dz ′ + 0 L G(z. Note o leitor que as condi¸ co ˜es de contorno do problema tratado acima correspondem ` as condi¸ co ˜es de contorno do tipo IV da Proposi¸ ca ˜o 15. o que a posteriori. Em verdade. obt´ em-se z L L J0 α0 l z L z L u0 (z ) dz = ∞ k=1 L ak 0 ∞ k=1 J0 α0 l J0 α0 k z L dz . A importˆ ancia de (19.206) = L J1 (α0 k) 2 δk.209) est´ a em expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.208) A solu¸ ca ˜o obtida acima satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno e as condi¸ co ˜es iniciais propostas. A fun¸ ca ˜o G cont´ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ co ˜es iniciais no ponto z ′ influenciam a solu¸ ca ˜o no ponto z no instante de tempo t. 19.208) podemos reescrever (19. t) = G(z. = √ 0 2 α0 l gL (J1 (αl )) 2 J0 α0 l v0 (z ) dz . z ′ ) := ∞ k=1 2J0 α0 k α0 k z L gL J0 α0 k z′ L 2 J1 (α0 k) sen α0 k 2 g t L . garante que a solu¸ ca ˜o assim obtida ´ eau ´nica solu¸ ca ˜o do problema.9. t.209) onde G(z. supondo tamb´ em que a tens˜ ao Bernoulli (1700–1782). t.204)-(19. (19. Bernoulli n˜ ao incluiu a dependˆ encia temporal na sua solu¸ ca ˜o nem aplicou o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o para somar os v´ arios modos de vibra¸ ca ˜o. ´ e a fun¸ c˜ ao de Green do problema de valor inicial em quest˜ ao.205) por J0 α0 l L 0 L 0 z L e integrando-se em z entre 0 e L. ainda que conhecido anteriormente.JCABarata.9. o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o para a resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es diferenciais lineares homogˆ eneas s´ o se tornou de uso corrente sob a influˆ encia de Helmholtz. o problema de determinar o movimento da corda pendurada a partir de condi¸ co ˜es iniciais como acima est´ a completamente resolvido.3 Corda Vibrante N˜ ao-Homogˆ enea Vamos agora aplicar a equa¸ ca ˜o (19. de acordo com os coment´ arios hist´ oricos de [104]. justifica todo o nosso proceder. Como comentamos ` a p´ agina 454. t. (19. p´ agina 1701.5. Esse problema foi um dos primeiros nos quais surgiram fun¸ co ˜es de Bessel como solu¸ ca ˜o. Cap´ ıtulo 19 900/2069 Multiplicando ambos os lados de (19.

. √ 2 3/2 A e B sendo constantes. de modo que u(x.212) √ √ a1 cos(λ τ0 t) + b1 sen (λ τ0 t) . Novamente. essa equa¸ ca ˜o assume a forma V ′′ (ξ ) + µ2 ξV (ξ ) = 0 .210) Para encontrar as solu¸ co ˜es de (19. a imposi¸ ca ˜o da anula-se em x = 0. 3 3 A e B sendo constantes.186). obt´ em-se a solu¸ ca ˜o trivial U (x) ≡ 0.212) reduz-se a U ′′ (x) = 0. caso λ = 0 . Trata-se de uma equa¸ ca ˜o de Airy.122).210) satisfazendo as condi¸ co ˜es iniciais e de contorno. enquanto que a fun¸ ca ˜o xJ−1/3 3 x condi¸ ca ˜o de contorno U (x) = 0 implica B = 0 e. a fun¸ ca ˜o xJ1/3 3 x √ 2 3/2 assume em x = 0 um valor n˜ ao-nulo. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) = T (t)U (x). τ0 T (t) ρ(x) U (x) Essa igualdade s´ o´ e poss´ ıvel se ambos os lados forem iguais a uma constante de separa¸ ca ˜o. portanto. Para λ = 0 a equa¸ ca ˜o (19. Ficamos com √ U (x) = A xJ1/3 2 λ ηx3 3 √ + B xJ−1/3 2 λ ηx3 3 . Com a mudan¸ ca de vari´ aveis ξ = ρ0 + ηx. o que corresponde a uma corda eternamente parada. da fun¸ ca ˜o ρ(x). No que segue suporemos que essa fun¸ ca ˜o ´ e da forma ρ(x) = ρ0 + ηx. t) = T (t)U (x) satisfa¸ ca as condi¸ co ˜es de contorno. Sob essas hip´ oteses (19. 0 ∂t2 ∂x2 (19. o caso interessante. cuja solu¸ ca ˜o ´ e U (x) = c1 x + c2 .212) torna-se. ou seja. (19. U (x) = (ρ0 + ηx) AJ1/3 2 3 µ2 (ρ0 + ηx)3 + BJ−1/3 2 3 µ2 (ρ0 + ηx)3 . Assim. naturalmente.216) (19. Como desejamos que U (0) = U (L) = 0. portanto. U ′′ (x) + λ2 ρ(x)U (x) As solu¸ co ˜es da primeira equa¸ ca ˜o. s˜ ao T (t) = T (t) = a0 t + b 0 . obviamente. Assim. Inserindo em (19. U ′′ (x) + λ2 (ρ0 + ηx)U (x) = 0 . p´ agina 604.214) = 0.213) (19. est´ a em λ = 0.215) O caso mais simples ´ e aquele no qual ρ0 = 0 com η > 0. obt´ em-se 1 T ′′ (t) 1 U ′′ (x) = . que define as fun¸ co ˜es de Bessel.JCABarata.211) (19.212) depende. Essa ´ e uma primeira corre¸ ca ˜o (linear) ao caso de ρ constante. obt´ em-se c1 = c2 = 0. que denotamos por −λ2 . procederemos novamente pelo m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis.185) assume a forma ρ(x) ∂ 2u ∂2u − τ = 0. Chegamos com isso a T ′′ (t) + λ2 τ0 T (t) = 0 . cujas solu¸ co ˜es podem ser escritas em termos de fun¸ co ˜es de Bessel J±1/3 (vide p´ agina 606): 2 2 V (ξ ) = A ξJ1/3 µ2 ξ 3 + B ξJ−1/3 µ2 ξ 3 . Cap´ ıtulo 19 901/2069 τ seja constante (τ (x) ≡ τ0 ). (19. A resolu¸ ca ˜o de (19. onde µ = λ/η . Pela express˜ ao (13. caso λ = 0 . onde ρ0 e η s˜ ao constantes. portanto. √ U (x) = A xJ1/3 2 λ 3 ηx3 . (19. A equa¸ ca ˜o (19. U (x) = V (ξ ) = V (ρ0 + ηx). que tratamos acima. procurando primeiramente solu¸ co ˜es particulares que sejam da forma u(x.

. t) a solu¸ ca ˜o geral expressa em termos de uma s´ erie de modos normais: u(x. . impondo condi¸ co ˜es iniciais u(x. v0 (x) = ωk bk x J1/3 L x 3/2 L αk (1/3) x L 3 . Obtemos para u(x. t) = ∂t ∞ k=1 3 (1/3) α 2 k − ωk ak sen (ωk t) + ωk bk cos (ωk t) ∂u ∂t (x. ωk := Naturalmente. 3. . Ak sendo constantes. Cap´ ıtulo 19 902/2069 A imposi¸ ca ˜o da condi¸ ca ˜o de contorno U (L) = 0 implica 2 3λ Assim. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (19. Multiplicando a primeira das express˜ oes acima por L J1/3 αl (1/3) x 3 L e integrando de 0 a L. λ ≡ λk := e U (x) ≡ Uk (x) = Ak x J1/3 L 2 λk 3 ηL3 = αk 3αk (1/3) (1/3) . 0) = u0 (x). x J1/3 L αk (1/3) x L 3 .JCABarata. .217) Dessa forma. obtemos u0 (x) 0 x L 3/2 J1/3 αl (1/3) x L ∞ k=1 ∞ k=1 3 dx L = ak 0 1 x L 2 J1/3 αk (1/3) x L 3 J1/3 αl (1/3) x L 3 dx y =x/L = ak L 0 y 2 J1/3 αk 1 (1/3) y3 J1/3 αl (1/3) y3 dy u=y 3/2 = ∞ k=1 2 ak L 3 0 u J1/3 αk 2 (1/3) u J1/3 αl (1/3) u du 2 (14. t) = ∞ k=1 ∞ k=1 √ √ ak cos(λk τ0 t) + bk sen (λk τ0 t) x J1/3 L (1/3) αk (1/3) x L 3 3 = sendo ak cos (ωk t) + bk sen (ωk t) x J1/3 L τ0 .. onde αk (1/3) ´ e o k -´ esimo zero de J1/3 em R+ . ηL3 αk x L . tem-se αk (1/3) ak x J1/3 L x L 3 . segue disso que ∂u (x. 2.210) = al L (1/3) J2/3 αl 3 = al L (1/3) ′ J1 /3 αl 3 . 2 ηL3 = Ak x J1/3 L αk (1/3) ηx3 x L 3 . ambas v´ alidas para todo k = 1. u0 (x) = ∞ k=1 ∞ k=1 0) = v0 (x).

3. y. como veremos. a partir de condi¸ co ˜es iniciais. y. x′ ) v0 (x′ ) x′ dx′ . sendo a fun¸ c˜ ao de Green do problema de valor inicial em quest˜ ao.5. o problema consiste em determinar as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de ondas dentro do retˆ angulo mencionado no plano bidimensional.1.5.7. 2. A importˆ ancia de (19. sendo (x. y. como temos ρ0 = 0. ou tambor. retangular. 0 0 0 ∂t . y ) convenientes e fixam a posi¸ c a ˜ o e velocidade. y ) restrito ao retˆ angulo {(x. y ). . Esse problema ´ e. (19. .219) ∂t2 com c > 0. A fun¸ ca ˜o G contˆ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ co ˜es iniciais no ponto x′ influenciam a solu¸ ca ˜o no ponto x no instante de tempo t.4 O Problema da Membrana Retangular Homogˆ enea Vamos aqui abordar o problema de determinar o movimento vibrat´ orio. . p´ agina 1701. t. vide Cap´ ıtulo 16. portanto. segundo os passos de acima. t. H´ a duas raz˜ oes para usarmos a medida de integra¸ ca ˜o x′ dx′ em (19. de lados L1 e L2 . analogamente. Para determinar as rela¸ co ˜es de ortogonalidade siga as id´ eias da demonstra¸ c˜ ao do Teorema 14. Matematicamente. podemos escrever u(x. cujas bordas s˜ ao fixas.212) ´ e da forma U ′′ (x) + ηλ2 xU (x) = 0 e estamos. t) = com x J1/3 L (1/3) αk 3 (1/3) αl 2 0 L u0 (x′ ) x′ L 3/2 J1/3 αl 3/2  (1/3) x′ L 3   dx′ 3 3 (1/3) αl 2 0 L v0 (x′ ) x′ L J1/3 αl  (1/3) x′ L   dx′ ∂ ∂t L 0 G(x. p´ agina 768). Ora. acima). p´ agina 896. da´ ı ser natural a escolha que fizemos.218) e n˜ ao apenas a medida dx′ . de uma membrana. Retornando a (19. ou seja. Segundo. (19. plana. p´ agina 686. Primeiro. 19. bl = ωl L J2/3 para todo l = 1. obtenha a solu¸ c˜ ao do problema em termos de condi¸ co ˜es iniciais e as fun¸ co ˜es de Green. homogˆ enea. • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais Reunindo os resultados acima. y ) para certas fun¸ c o ˜ es u ( x.129)–(19.218) G(x. para a qual valem as rela¸ co ˜es de ortogonalidade das auto-fun¸ co ˜es. t. 0 ≤ x ≤ L1 . Vide Cap´ ıtulo 35. t) = 0 . Nota. η = 0. e. y ) e v ( x.18 Exerc´ ıcio. As duas u ´ ltimas express˜ oes s˜ ao formais e devem ser entendidas no sentido de distribui¸ co ˜es. As condi¸ co ˜es iniciais s˜ ao u(x. Comparar com (19. y. x′ ) u0 (x′ ) x′ dx′ + 0 L G(x. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ♣ * E.JCABarata. obt´ em-se dessa forma uma fun¸ co ˜es G sim´ etrica pela troca x ↔ x′ (como se vˆ e explicitamente na express˜ ao para G.218) est´ a em expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . em problemas de Sturm-Liouville a medida natural de integra¸ ca ˜o ´ e r (x′ )dx′ . lidando com um problema de Sturm-Liouville com r (x) = x (para a teoria de Sturm-Liouville. uma simples generaliza¸ ca ˜o do problema da corda vibrante tratado na Se¸ ca ˜o 19.216) considere agora o caso ρ0 = 0. (19. obtemos al = L J2/3 e. x′ ) := 3 ∞ k=1 x L ωk L2 3 J2/3 (1/3) αk  x′ (1/3) J1/3 αk L 2 x′ L 3   sen 3 (1/3) α 2 k τ0 t ηL3 . y ) e ∂u ( x. 0) = v ( x. t) − c2 ∆u(x. da equa¸ ca ˜o ∂2u (x. 0 ≤ y ≤ L2 }. Cap´ ıtulo 19 903/2069 Disso. 0) = u0 (x. 19.. Isso poder´ a ser trabalhoso.130).

Temos. L1 ] e na vari´ avel y no . Assim. t) = ∞ ∞ sen m=1 n=1 nπx L1 sen mπy L2 Amn cos(ωmn t) + Bmn sen (ωmn t) . a u ´nica solu¸ ca ˜o de (19. 2 2 c ∂t ∂x ∂y (19. y ) e u0 (x. t) − 2 (x. 0) = v0 (x. Escrevendo o operador o Laplaciano em coordenadas Cartesianas como ∂2 ∂2 ∆ = ∂x ca ˜o de ondas (19. de cada ponto da membrana no instante t = 0. Inserindo isso na equa¸ ca ˜o (19. L2 ) = 0 para todo 0 ≤ x ≤ L1 e u(0. . Como a membrana deve estar fixa nas bordas. As solu¸ co ˜es para (19.223) s˜ ao.220) e dividindo pelo produto X (x)Y (y )T (t).195). 2. para m. . ou seja X ′′ (x) + α2 X (x) Y ′′ (y ) + β 2 Y (y ) = 0 = 0 (19. y. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. com ωmn = c nπ L1 2 + mπ L2 2 . t) = X (x)Y (y )T (t). multiplicando a express˜ ao (19. y. Y ′′ (y ) Y (y ) = −β 2 e T ′′ (t) T (t) = −(α2 + β 2 ). y. t) − 2 (x. portanto T (t) = Amn cos(ωmn t) + Bmn sen (ωmn t) .223) T ′′ (t) + c2 (α2 + β 2 )T (t) = 0 Au ´nica solu¸ ca ˜o de (19. y. a solu¸ ca ˜o geral obtida aplicando o princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o ´ e u(x. A solu¸ ca ˜o assim obtida para (19. Analogamente. y ) = u(L1 . Impondo as condi¸ co ˜es iniciais u(x. y ).224) por sen n′ πx L1 sen m′ πy L2 em integrando na vari´ avel x no intervalo [0.JCABarata.222) (19. as equa¸ co ˜es X X (x ) = − α . p´ agina 897. y. y ) = 0 para todo 0 ≤ y ≤ L2 .221) que anula-se em x = 0 e x = L1 ocorre para α = nπ/L1 com n inteiro positivo n˜ ao-nulo e ´ e dada por X (x) = sen (nπx/L1 ). y. y ) = ωmn Bmn sen m=1 n=1 nπx L1 sen mπy L2 .219) fica 2 + ∂y 2 a equa¸ ∂2u ∂2u 1 ∂2u (x.221) (19. ent˜ ao. 0) = u0 (x.222) que anula-se em y = 0 e y = L2 ocorre para β = mπ/Lm com m inteiro positivo n˜ ao-nulo e ´ e dada por Y (y ) = sen (mπy/L2 ). procuramos solu¸ co ˜es dessa equa¸ ca ˜o na forma u(x. Para que essa equa¸ ca ˜o seja v´ alida ´ e preciso que cada ′′ (x ) 2 termo seja igual a uma constante e que a soma dessas constantes se anule. n = 1. t) = sen nπx L1 sen mπy L2 Amn cos(ωmn t) + Bmn sen (ωmn t) para todos m.225) Aplicamos agora as as bem-conhecidas rela¸ co ˜es de ortogonalidade da fun¸ ca ˜o seno (19. c2 T (t) X (x) Y (y ) Cada termo do lado esquerdo depende de uma vari´ avel distinta. (19. . y ) = ∞ ∞ ∂u ∂t (x. n como acima. y. y.220) ´ e umn (x. devemos tamb´ em impor as condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet: u(x. Cap´ ıtulo 19 904/2069 respectivamente. obtemos 1 T ′′ (t) X ′′ (x) Y ′′ (y ) − − = 0.224) Amn sen m=1 n=1 ∞ ∞ v0 (x. tem-se nπx L1 sen mπy L2 ..220) Aplicando o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. (19. t) = 0 . 0) = u(x. 3.

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Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 19

905/2069

intervalo [0, L2 ] para obter
L2 0 0 ∞ ∞ L1

u0 (x, y ) sen

n′ πx L1 Amn
0 ∞ ∞

sen
L1

m′ πy L2 nπx L1

dxdy n′ πx L1
L2

=

sen

sen

dx
0

sen

m=1 n=1
x→L1 x/π y→L2 y/π

mπy L2

sen

m′ πy L2

dy

=

L1 L2 Amn π2 m=1 n=1

π 0

sen (nx) sen (n′ x) dx
0

π

sen (my ) sen (m′ y ) dy

(19.195)

=

L1 L2 4

Amn δm,m′ δn,n′ =

m=1 n=1

L1 L2 Am′ n′ . 4

Procedendo analogamente para v0 , obtemos Amn = 4 L1 L2
L2 0 0 L1

u0 (x, y ) sen

nπx L1

sen

mπy L2

dxdy ,

Bmn

=

4 L1 L2 ωmn

L2 0 0

L1

v0 (x, y ) sen

nπx L1

sen

mπy L2

dxdy .

Essas express˜ oes determinam completamente os coeficientes Amn e Bmn em temos das condi¸ co ˜es iniciais. A solu¸ ca ˜o assim obtida satisfaz, ent˜ ao, as condi¸ co ˜es de contorno e iniciais. A Proposi¸ ca ˜o 15.9, p´ agina 763, garante que a solu¸ ca ˜o assim obtida ´ eau ´nica solu¸ ca ˜o do problema proposto (as condi¸ co ˜es de contorno que tratamos s˜ ao do tipo de Dirichlet) o que, a posteriori, justifica todo o nosso proceder.

19.6

O Problema da Membrana Circular Homogˆ enea

Com o que obtivemos na Se¸ ca ˜o 19.2, p´ agina 852, sobre a equa¸ c˜ ao de Helmholtz em duas dimens˜ oes em coordenadas polares podemos abordar o problema de determinar o movimento vibrat´ orio, a partir de condi¸ co ˜es iniciais, de uma membrana, ou tambor, circular, plana, de raio R, homogˆ enea, cujas bordas s˜ ao fixas. Matematicamente, isso consiste em determinar as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de ondas dentro de um disco de raio R > 0 no plano bidimensional, ou seja, da equa¸ ca ˜o ∂2u (x, t) − c2 ∆u(x, t) = 0 , (19.226) ∂t2 com c > 0, sendo x restrito ` a regi˜ ao x ≤ R, com condi¸ co ˜es de contorno u(x, t) = 0 para todo t e para todo x co ˜es u0 (x) e satisfazendo x = R e com certas condi¸ co ˜es iniciais u(x, 0) = u0 (x) e ∂u ∂t (x, 0) = v0 (x) para certas fun¸ v0 (x) convenientes. Pelo que apresentamos acima, solu¸ co ˜es particulares da equa¸ c˜ ao de Helmholtz correspondente em coordenadas polares s˜ ao (por simplicidade escolhemos a solu¸ ca ˜o complexa) da forma am Jm (λρ) + bm Nm (λρ) eimϕ , onde am e bm s˜ ao constantes48 . Como esperamos que a solu¸ ca ˜o n˜ ao apresente divergˆ encias em ρ = 0, devemos ter bm = 0. A condi¸ ca ˜o de contorno que imp˜ oe que a solu¸ ca ˜o deve anular-se em ρ = R conduz a Jm (λR) = 0, ou seja, λ = αm k /R,
48 Caso λ = 0, a u ´nica solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de Laplace que ´ e n˜ ao-singular em ρ = 0 e anula-se em ρ = R ´ e a solu¸ ca ˜o identicamente nula. Vide solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de Laplace em duas dimens˜ oes dada acima.

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Cap´ ıtulo 19

906/2069

onde αm e o k -´ esimo zero da fun¸ ca ˜o de Bessel Jm (x) para x > 0. Isso fixa os valores da constante de separa¸ ca ˜o λ. Para k ´ cada k a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o temporal (19.36) fica T (t) = α1 cos αm k c t + α2 sen R αm k c t R .

Assim, uma solu¸ ca ˜o particular da equa¸ ca ˜o de ondas satisfazendo as condi¸ co ˜es de contorno ´ e ak, m cos αm k ct R + bk, m sen αm k ct R Jm αm k ρ R eimϕ ,

ak, m e bk, m sendo constantes. Cada uma dessas fun¸ co ˜es, para k ∈ N e m ∈ Z, representa um modo de vibra¸ c˜ ao da membrana circular de raio R. Pelo princ´ ıpio de sobreposi¸ ca ˜o (ou seja, pela linearidade e homogeneidade da equa¸ ca ˜o (19.226) e das condi¸ co ˜es de contorno consideradas), a solu¸ ca ˜o geral u da equa¸ ca ˜o de ondas satisfazendo as condi¸ co ˜es de contorno e sua derivada temporal ∂u ao dadas por ∂t s˜ u(ρ, ϕ, t) =
∞ ∞

ak, m cos

k=1 m=−∞

αm k ct R

+ bk, m sen αm k ct R

αm k ct R

Jm

αm k ρ R

eimϕ ,

(19.227)

∂u (ρ, ϕ, t) = ∂t

k=1 m=−∞

ak, m αm k c sen R

+

bk, m αm k c cos R

αm k ct R

Jm

αm k ρ R

eimϕ .

´ aqui que entram as rela¸ As constantes ak, m e bk, m devem ser determinadas pelas condi¸ co ˜es iniciais. E co ˜es de imϕ ortogonalidade das fun¸ co ˜es de Bessel e das fun¸ co ˜es e . As condi¸ co ˜es iniciais imp˜ oem (tomando t = 0 nas duas equa¸ co ˜es acima) que u0 (ρ, ϕ) =
∞ ∞

a k ′ , m ′ Jm ′

k′ =1 m′ =−∞ ∞ ∞

αm k′ ρ R

eim ϕ ,

v0 (ρ, ϕ) =

k′ =1 m′ =−∞

bk′ , m′ αm k′ c Jm ′ R

αm k′ ρ R

eim ϕ .

Multiplicando ambos os lados de ambas as express˜ oes por e−imϕ e tomando-se a integral em ϕ no intervalo −π ≤ ϕ ≤ π , π i(m−m′ )ϕ obtemos com o uso de −π e dϕ = 2πδm, m′ ,
π −π π −π

u0 (ρ, ϕ)e−imϕ dϕ =

∞ k′ =1 ∞ k′ =1

a k ′ , m Jm

αm k′ ρ R

,

v0 (ρ, ϕ)e−imϕ dϕ =

bk′ , m αm k′ c Jm R

αm k′ ρ R

.

Multiplicando ambos os lados de ambas as express˜ oes por Jm ρ entre 0 e R, obtemos
R 0 R 0 π −π π −π

αm k ρ R

ρ e integrando-se as express˜ oes resultantes para R
R

u0 (ρ, ϕ)e−imϕ Jm

αm k ρ R αm k ρ R

ρ dρdϕ = R ρ dρdϕ = R

ak ′ , m

Jm
0 R

k′ =1 ∞ k′ =1

αm k ρ R

Jm αm k ρ R

αm k′ ρ R

ρ dρ , R αm k′ ρ R ρ dρ . R

v0 (ρ, ϕ)e−imϕ Jm

bk′ , m αm k′ c R

Jm
0

Jm

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 19

907/2069

Temos, por´ em, com a ´ obvia mudan¸ ca de vari´ aveis x =
R

ρ R, m Jm (αm k x) Jm (αk′ x) xdx (14.210)

Jm
0

αm k ρ R

Jm

αm k′ ρ R

ρ dρ = R R

1 0

=

δk, k′ R

(Jm+1 (αm k )) 2

2

e, portanto, ak, m = 1
2 π (Jm+1 (αm k )) R 2 0 R π −π R 2 0 π −π

u0 (ρ, ϕ)e−imϕ Jm

αm k ρ R αm k ρ R

ρdρdϕ ,

(19.228)

bk, m

=

1
m παm k c (Jm+1 (αk )) R

v0 (ρ, ϕ)e−imϕ Jm

ρdρdϕ .

(19.229)

Essas express˜ oes determinam completamente os coeficientes ak, m e bk, m para todos k e m em temos das condi¸ co ˜es iniciais. A solu¸ ca ˜o assim obtida satisfaz, ent˜ ao, as condi¸ co ˜es de contorno e iniciais. A Proposi¸ ca ˜o 15.9, p´ agina 763, garante que a solu¸ ca ˜o assim obtida ´ eau ´nica solu¸ ca ˜o do problema proposto (as condi¸ co ˜es de contorno que tratamos s˜ ao do tipo de Dirichlet) o que, a posteriori, justifica todo o nosso proceder. • A fun¸ c˜ ao de Green para as condi¸ co ˜es iniciais

Assim como no problema da corda pendurada, podemos expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais com o uso de uma fun¸ c˜ ao de Green. Usando (19.228)-(19.229), podemos reescrever (19.227) como u(ρ, ϕ, t) = ∂ ∂t
R 0 π −π

G(ρ, ϕ, t, ρ′ , ϕ′ ) u0 (ρ′ , ϕ′ ) ρ′ dρ′ dϕ′ +
0

R

π −π

G(ρ, ϕ, t, ρ′ , ϕ′ ) v0 (ρ′ , ϕ′ ) ρ′ dρ′ dϕ′ , (19.230)

onde G(ρ, ϕ, t, ρ′ , ϕ′ ) :=
∞ ∞

Jm

αm k ρ R

Jm

′ αm k ρ R

eim(ϕ−ϕ )
2

sen R

k=1 m=−∞

παm k c

Jm+1 (αm k )

αm k ct R

.

Essa ´ e a fun¸ c˜ ao de Green para do problema de valor inicial em quest˜ ao. Comparar com (19.129)–(19.130). Novamente comentamos que as duas u ´ltimas express˜ oes s˜ ao formais e devem ser entendidas no sentido de distribui¸ co ˜es. Vide Cap´ ıtulo 35, p´ agina 1701. Tal como nos problemas anteriores, a importˆ ancia de (19.230) est´ a em expressar a solu¸ ca ˜o diretamente em termos das condi¸ co ˜es iniciais u0 e v0 . A fun¸ ca ˜o G contˆ em em si a informa¸ ca ˜o de como os valores das condi¸ co ˜es iniciais no ponto (ρ′ , ϕ′ ) influenciam a solu¸ ca ˜o no ponto (ρ, ϕ) no instante de tempo t.

19.7

O Oscilador Harmˆ onico na Mecˆ anica Quˆ antica e a Equac˜ ¸ ao de Hermite
− d2 k ψ (x) + x2 ψ (x) = Eψ (x) , 2m dx2 2
2

A equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger49 independente do tempo para o oscilador harmˆ onico unidimensional ´ e (19.231)

onde E ´ e um autovalor do operador de Hamilton50 , de Hooke52 . Definindo ω0 := k , m
2 1/4

´ e a constante de Planck51 , m a massa da part´ ıcula e k a constante 2E −1, ω0 x , α

α :=

mk

=

mω0

,

λ :=

z :=

v (z ) := ψ (x) = v (x/α) , (19.232)

49 Erwin 50 Sir

Rudolf Josef Alexander Schr¨ odinger (1887–1961). William Rowan Hamilton (1805–1865). 51 Max Karl Ernst Ludwig Planck (1858–1947). 52 Robert Hooke (1635–1703).

Cap´ ıtulo 19 908/2069 a equa¸ ca ˜o (19. ent˜ ao. obtendo para u a equa¸ ca ˜o diferencial u′′ (z ) − 2zu′(z ) + λu(z ) = 0 . portanto.233) ´ e u(z ) = Hn (z ). 1 = | c n |2 ∞ −∞ ∞ −∞ |ψn (x)|2 dx = Hn x α 2 exp − x2 α2 dx = α|cn |2 ∞ −∞ (Hn (z )) exp −z 2 dz e. ´ de se notar ainda que temos de (19. e as rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14. Com o uso de (14. A experiˆ encia mostra que para melhor tratarmos dessa equa¸ c˜ ao devemos definir uma nova fun¸ ca ˜o u(z ) := ez − z 2 /2 seja. Ainda para λ = 2n. 1..100). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. p´ agina 659.231) fica v ′′ (z ) + (λ + 1 − z 2 )v (z ) = 0 . . ´ e trivial verificar ainda que ∞ ψn (x)ψm (x) dx = δn. x2 2α2 2 (14. .100) = √ α|cn |2 2n n! π . Isso implica. escrevemos v (z ) = e u(z ). de x2 . No caso em que λ = 2n. Se λ = 2n. que cn = ψn (x) = 1 √ α2n n! π x 1 √ Hn α2n n! π α exp − (19. Sugest˜ ao. Na Mecˆ anica Quˆ antica adota-se a normaliza¸ ca ˜o 1. uma condi¸ ca ˜o fundamental para a Mecˆ anica Quˆ antica. Na Mecˆ anica Quˆ antica a express˜ ao do lado esquerdo.235) s˜ ao os auto-estados normalizados de energia En para n = 0. 2 /2 v (z ). α sendo uma constante positiva.234) para n = 0. portanto.235) que E 1 x ψn (x) = √ hn α α . ou seja. (19. −∞ a bem-conhecida rela¸ ca ˜o de ortogonalidade das auto-fun¸ co ˜es ψn .. Como discutimos.19 Exerc´ ıcio. a solu¸ ca ˜o ψn (x) da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger (19. (19. α 2α cn sendo uma constante de normaliza¸ ca ˜o a ser fixada. . ou (19.106). o valor de E ´ e dado por En := ω0 n + 1 2 . 1. 2. de onde se extrai. m .231) ser´ a 2 x x2 ψn (x) = cn Hn (z )e−z /2 = cn Hn exp − 2 .236) onde hn s˜ ao as chamadas fun¸ c˜ oes de Hermite. essa equa¸ ca ˜o s´ o possui solu¸ co ˜es que crescem 2 mais lentamente que e+z /2 para |z | → ∞ se λ = 2n. acima. .100). p´ agina 661.233) a qual reconhecemos ser a equa¸ c˜ ao de Hermite. 2.3. sendo n um inteiro n˜ ao-negativo.1. para todo n ∈ N0 . sendo n um inteiro n˜ ao-negativo. sendo Hn o n-´ esimo polinˆ omio de Hermite. no auto-estado normalizado ψn do operador Hamiltoniano do oscilador harmˆ onico. p´ agina 661. Mostre que ∞ −∞ x2 |ψn (x)|2 dx = 1 α2n n! √ π ∞ −∞ x2 Hn x α 2 exp − x2 α2 dx = α2 n + 1 2 .232).2. E. . das fun¸ co ˜es Hn . representa o valor m´ edio do quadrado do operador de posi¸ c˜ ao. escolhendo-se cn real e positivo. Essa equa¸ ca ˜o expressa a quantiza¸ ca ˜o da energia do oscilador harmˆ onico unidimensional na Mecˆ anica Quˆ antica. introduzidas na Se¸ ca ˜o 14. A condi¸ ca ˜o que u cresce mais 2 lentamente que e+z /2 para |z | → ∞ ´ e necess´ aria para que v (z ) e. a solu¸ ca ˜o para (19. ψ (x). 3 . seja de quadrado integr´ avel. 19. por (19.JCABarata. sendo n um inteiro n˜ ao-negativo. 3 . Use as rela¸ co ˜es de recorrˆ encia (14.

t) 2 2 mω0 π 1/4 exp − mω0 x − x0 2 mω0 2 = mω0 π 1/2 exp − x − x0 2 (19. t) := ∞ n=0 e−iEn t/ ψn (x) ψn (y ) (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) = P (x.123) foi obtida sob a hip´ otese que |z | < 1. Seja ψ um estado Gaussiano normalizado dado em t = 0 por ψ (x. Para as integrais de Gaussianas. t) ψ (y.238) Usando-se (19. t ∈ R.242) Sugest˜ ao: Para obter (19. r chamada “nota¸ ca ˜o de Dirac” tem-se P (x. representa o chamado propagador do oscilador harmˆ onico unidimensional53 .240) mω0 π 1/4 e−iω0 t/2 exp − = mω0 2 x − 2e−iω0 t xx0 + cos(ω0 t)e−iω0 t x2 0 2 . A express˜ ao (14. 19.237) para x. t) = e−iω0 t/2 α π 1 − e−2iω0 t = exp − 1 + e−2iω0 t (x2 + y 2 ) − 4xye−iω0 t 2α2 1 − e−2iω0 t .238) e a f´ ormula expl´ ıcita (19.240). 19.21 Exerc´ ıcio.JCABarata.40).20 Exerc´ ıcio.236). y ∈ R. α > 0. y .239) mω0 cos ω0 t x2 + y 2 − 2xy mω0 exp i 2πi sen ω0 t 2 sen ω0 t E.237) ´ e justific´ avel em termos do Teorema Espectral ou em termos de distribui¸ co ˜es. Boa sorte! 19. da p´ agina 664.241). a rela¸ c˜ ao (19. E.232) e a identidade (14.123) e multiplique-a ainda por e−iω0 t/2 . use (35. −∞ (19. . ´ e potencial de Coulomb54 atrativo V (r) = − α r 2 − 53 Na 2 m0 ∆ψ − α ψ = Eψ . (19. t) = x|e−iHt/ |y . (19. Cap´ ıtulo 19 909/2069 • O propagador do oscilador harmˆ onico unidimensional A express˜ ao formal P (x. (19. 0) = para o qual temos a distribui¸ c˜ ao de probabilidades ψ (x. use (19. ψ (x. em trˆ es dimens˜ oes. 54 Charles Augustin de Coulomb (1736–1806). (19. 0) (uma Gaussiana centrada em x0 ). p´ agina 1719. sob um . t) = para o que tem-se mω0 mω0 1/2 2 x − x0 cos(ω0 t) exp − π (para cada t.123). Com o mesmo.239) deve ser entendida no sentido de distribui¸ co ˜es. obt´ em-se P (x. podemos expressar a evolu¸ ca ˜o temporal de qualquer estado puro ψ do oscilador harmˆ onico simples unidimensional na foma ∞ ψ (x.234). Compare com (19. y . Obtenha ψ (x. trata-se de uma Gaussiana centrada em x0 cos(ω0 t)).239). Verifique! Sugest˜ ao: adote z = e−iω0 t em (14.8 ´ O Atomo de Hidrogˆ enio e a Equa¸ c˜ ao de Laguerre Associada A equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger independente do tempo que descreve uma part´ ıcula de massa m0 .241) (19. Matematicamente a express˜ ao (19. y . y . Por isso. 0) dy .

que as solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de Laguerre (2l+1) associada acima s˜ ao dadas pelos polinˆ omios de Laguerre associados Ln (z ). E. 2γ β Comparando a (13. ca essa conta ao menos uma vez na vida. portanto. r Seguindo o procedimento de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. mas definindo S (r) := l −γr na forma R(r) = r e S (r). n deve ser tomado um inteiro positivo e. 2 m0 (r2 R′ (r))′ + 2 αr + Er2 R(r) = − 1 Y (θ. vimos na Se¸ ca ˜o 13. com o quˆ e.3. portanto. ( sen θ) ∂Y ∂θ = 0. . obt´ em-se para S a seguinte equa¸ ca ˜o: eγr R(r). p := 2 em inteiro. procuramos solu¸ co ˜es na forma ψ = R(r)Y (θ. escrevemos como zy ′′ (z ) + (2l + 1) + 1 − z y ′ (z ) − β + l − (2l + 1) y (z ) = 0 .2. Novamente. a segunda equa¸ ca ˜o s´ o possui solu¸ co ˜es finitas em θ = 0 e θ = π se λ = l(l + 1) com l ∈ N0 . e obtemos o par de equa¸ co ˜es (r2 R′ (r))′ + 1 ∂ sen θ ∂θ 2 m0 2 αr + Er2 − λ R(r) + 1 ∂2Y + λY 2 ( sen θ) ∂ϕ2 = 0. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. obtemos para y (z ) a equa¸ ca ˜o diferencial zy ′′ (z ) + 2(l + 1) − z y ′ (z ) − a qual.JCABarata. Fa¸ Definindo uma nova vari´ avel z = 2γr e y (z ) = S (r) = y (2γr). 2γ β − (l + 1) y (z ) = 0 . ambos os lados devem ser igualados a uma constante λ. p ´ e igualmente um inteiro positivo. segue que p ≥ l + 1 e. inserindo na equa¸ ca ˜o. rl ou seja. Como γ deve ser tamb´ 0 ≤ 2l + 1 ≤ n e n = p + l.22 Exerc´ ıcio. Assim.163). Essa equa¸ ca ˜o ainda n˜ ao se encontra em uma forma reconhec´ ıvel. escrevemos r2 R′′ (r) + 2rR′ (r) + βr − γ 2 r2 − l(l + 1) R(r) = 0 . o que corresponde aos chamados estados ligados). de outra forma a solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de Laguerre crescer´ a mais r´ apido que exponencial. ϕ) 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂Y ∂θ + 1 ∂2Y ( sen θ)2 ∂ϕ2 . Pela nossa discuss˜ ao de quando tratamos da equa¸ ca ˜o de Laguerre. reconhecemos que se trata da equa¸ c˜ ao de Laguerre associada com n = 2 γ + l . Cap´ ıtulo 19 910/2069 Expressando o operador Laplaciano em coordenadas esf´ ericas. como em (19. em cujo caso as solu¸ co ˜es para Y s˜ ao dadas pelas fun¸ co ˜es harmˆ onicas esf´ ericas Ylm (θ. Na situa¸ ca ˜o descrita no u ´ltimo par´ agrafo. ϕ) e obtemos. ϕ) com m ∈ Z e −l ≤ m ≤ l.43). r2 R′′ (r) + 2rR′ (r) + 2 Para simplificar essa express˜ ao. para fins de compara¸ ca ˜o. devemos ter n um inteiro positivo com 0 ≤ 2l + 1 ≤ n. A equa¸ ca ˜o radial fica ent˜ ao 2 m0 αr + Er2 − l(l + 1) R(r) = 0 . escrevendo R rS ′′ (r) + 2(l + 1) − 2γr S ′ (r) + β − 2γ (l + 1) S (r) = 0 . p´ agina 618. definamos as constantes β := 2 m0 2 α e γ := − 2 m0 2 E (tomamos aqui E ≤ 0. Como j´ a discutimos. destruindo a propriedade de ψ ser de β quadrado integr´ avel. essa equa¸ ca ˜o fica 1 ∂ r2 ∂r r2 ∂ψ ∂r + 1 ∂ sen θ ∂θ ( sen θ) ∂ψ ∂θ + 1 2 m0 ∂2ψ + 2 2 2 ( sen θ) ∂ϕ α +E ψ = 0. 19.

O n´ umero inteiro n˜ ao-negativo p ´ e denominado n´ umero quˆ antico principal no contexto da Mecˆ anica Quˆ antica. l (r) = rl exp − onde usamos p := − β 2γ βr 2p Lp+l (2l+1) βr p . m |2 |cp. e m ∈ Z com −l ≤ m ≤ l. tomando cp. l. obtida pela primeira vez. l ∈ N0 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. as auto-fun¸ co ˜es de energia normalizadas s˜ ao ψp. l. m (r. m sendo uma constante de normaliza¸ ca ˜o a ser fixada pela imposi¸ ca ˜o 1 = R3 |ψp. Cap´ ıtulo 19 911/2069 Retornando a R(r). m devem satisfazer as rela¸ co ˜es de ortogonalidade ψp′ . l. ϕ)|2 r2 drdΩ . l. com p ≥ l + 1. por Bohr55 em 1912-1913 e reobtida posteriormente por Schr¨ odinger em 1926 atrav´ es do estudo das solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de Schr¨ odinger para o potencial de Coulomb. ϕ) . 2 2 p2 expressa-se como 2 m0 2 ou seja. m |2 |Ylm (θ. obtemos cp. ϕ)|2 dΩ = 1. l. m real. l. m . l. Como por (14. l. . θ. Nota para o leitor com conhecimento de Mecˆ anica Quˆ antica • Um coment´ ario sobre a ortonormalidade das fun¸ co ˜es ψp. Voltando ` as constantes originais. . 4. l. Essa ´ e a bem-conhecida regra de quantiza¸ ca ˜o de energia do ´ atomo de hidrogˆ enio. ψp. as fun¸ co ˜es ψp. m = δp.83) tem-se 1 = |cp. m rl exp − βr 2p Lp+l (2l+1) βr p Ylm (θ. l.JCABarata. a rela¸ ca ˜o γ = E ≡ Ep = − α2 m0 1 . p′ 2 p2l+4 ((p + l)!)3 . m |2 d3 x = S2 ∞ 0 ∞ 0 S2 |ψp. (p − l − 1)! Assim. onde dΩ = sen (θ)dθdϕ. p′ . . . isso significa que ∞ 0 55 Niels exp − βr 2 p′ Lp′ +l (2l+1) βr p′ exp − βr 2p Lp+l (2l+1) βr p r2l+2 dr = δp. m (r. cp. m |2 |cp. como fizemos acima. l. l. l. m (r. ϕ) = β 2 p2 β p l+1 βr (p − l − 1)! l r exp − ((p + l)!)3 2p Lp+l (2l+1) βr p Ylm (θ. segue que βr p Lp+l (2l+1) exp − 2l+3 0 2l+3 βr p (ρ) 2 2 r2l+2 dr = p β p β ∞ e−ρ Lp+l (2l+1) ρ2l+2 dρ (14. l. Os auto-estados de energia s˜ ao ψp. θ. . ((p + l)!)3 Finalmente. 2. β 2l+3 (p − l − 1)! Henrik David Bohr (1885–1962). m = β 2 p2 β p l+1 (p − l − 1)! . Integrando a parte angular. obtivemos a solu¸ ca ˜o Rp. por outros meios. l. ϕ) . θ. 3. m Por serem auto-fun¸ co ˜es normalizadas do operador Hamiltoniano.151) = ((p + l)!)3 (2p) . β 2p ∈ N e escrevemos γ = E = αm0 . ϕ) = cp. p 2 β 2p . com p = 1.

[147] ou [37]) ∂v 1 + (v · ∇) v + ∇p − g = 0 .148). O terceiro. (v · ∇)v . a derivada da velocidade em rela¸ ca ˜o ao tempo ´ e 56 [145] e [208] ignoram o assunto e mesmo o excelente [74] atribui erroneamente a normaliza¸ ca ˜o de ψp.6.. como ser´ a demonstrado. . apesar de n˜ ao-linear. Cap´ ıtulo 19 912/2069 O fator β pode ser absorvido com a mudan¸ ca de vari´ aveis ρ = βr e obt´ em-se ∞ 0 ρl e − 2ρ p′ Lp′ +l (2l+1) ρ p′ ρl e− 2p Lp+l ρ (2l+1) ρ p ρ2 dρ = δp. T´ ıtulo original da monografia: “Propaga¸ ca ˜o de ondas na superf´ ıcie de um l´ ıquido contido em tanques circulares . primeiramente. o termo n˜ ao linear da equa¸ ca ˜o de Euler. Este movimento se propaga por todo o fluido sob a forma de ondas. Admitamos. mas para a fam´ ılia de fun¸ co ˜es ρ e Lp+l p . O segundo caso tratado ´ e um limite do anterior. que as ondas tˆ em comprimentos muito maiores que suas amplitudes. (p − l − 1)! (19. Desta forma. Infelizmente. um movimento inicia-se no fluido. Esta equa¸ ca ˜o. poucos livros de Mecˆ anica Quˆ antica ou de F´ ısicaMatem´ atica comentam esse ponto56 . Seja τ o per´ ıodo de oscila¸ co ˜es das part´ ıculas da onda. e u ´ltimo caso estudado ´ e aquele no qual a profundidade do tanque ´ e muito menor que o comprimento de onda. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. inteiro). ´ E de se notar que essa rela¸ ca ˜o de ortogonalidade n˜ ao tem muito a ver com a rela¸ ca ˜o de ortogonalidade dos polinˆ omios de Laguerre associados que obtivemos em (14. da onda. pode ser desprezado em compara¸ ca ˜o com ∂v ∂t . Se. alunos de gradua¸ ca ˜o do Instituto de F´ ısica da Universidade de S˜ ao Paulo. Oliveira e Paulo H.uma breve an´ alise”. A velocidade v varia de maneira not´ avel para per´ ıodos de tempo da ordem de τ e para comprimentos de onda. A velocidade de seu movimento ´ e .243) para todo p. j´ a se encontrava nos primeiros trabalhos de Schr¨ odinger sobre a Mecˆ anica Quˆ antica. influˆ encia do fundo na solu¸ ca ˜o das equa¸ co ˜es. v ∼ τ . estas part´ ıculas percorrem uma distˆ ancia da ordem da amplitude. 19. Fleury J. Essas s˜ ao rela¸ co ˜es de ortogonalidade. e. Comentamos que toda a teoria do ´ atomo de hidrogˆ enio. e muito mais. por meio de uma a¸ ca ˜o exterior qualquer. quando consideramos fluidos ideais. desta forma. Quando isto se d´ a. para certos limites. Cattani. (19. 57 No ano de 2005. Consideraremos trˆ es casos limites com a caracter´ ıstica comum de que o comprimento de onda ´ e muito maior que sua amplitude. M. fazendo com que o raio do tanque seja infinito. m ` as rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14. de 1926. pode. • Ondas de gravita¸ c˜ ao e a propaga¸ c˜ ao de ondas em tanques profundos A superf´ ıcie de um fluido em equil´ ıbrio sob a influˆ encia de um campo gravitacional uniforme ´ e plana. l. ´ e baseada fundamentalmente na equa¸ ca ˜o de Euler (vide. p′ inteiros positivos (n˜ ao-nulos).g. O primeiro caso tratado ´ e o da propaga¸ ca ˜o de tais ondas em um tanque cuja profundidade ´ e muito grande. p′ 2 p2l+4 ((p + l)!)3 . p ≥ l + 1 (para cada l ≥ 0.244) ∂t ρ onde v ´ e o campo de velocidades. λ. a superf´ ıcie do fluido sair de seu estado de equil´ ıbrio em um ponto. Ser´ a este o caso tratado neste trabalho: o estudo de solu¸ co ˜es expl´ ıcitas do problema de propaga¸ ca ˜o de ondas na superf´ ıcie de um l´ ıquido contido num tanque cil´ ındrico. para o qual obt´ em-se uma solu¸ ca ˜o bastante parecida com a do problema da membrana circular da Se¸ ca ˜o 19.243). Perceba-se que n˜ ao podemos eliminar simultaneamente p e p′ por uma mudan¸ ca de vari´ aveis na integral em (19.148). a a. p a press˜ ao e g a acelera¸ ca ˜o da gravidade. Timpanaro. a dificuldade em encontrar solu¸ co ˜es expl´ ıcitas diminui consideravelmente. n˜ ao exatamente para os polinˆ omio ρ l − 2p (2l+1) ρ de Laguerre associados. ρ a densidade do fluido. portanto.9 Propaga¸ c˜ ao de Ondas em Tanques Cil´ ındricos A vers˜ ao original desta se¸ c˜ ao ´ e de autoria de Andr´ e M. n˜ ao havendo. uma exce¸ ca ˜o um tanto surpreendente sendo [9] e estas Notas. ser aproximada por equa¸ co ˜es lineares. Assim. incluindo as v´ arias express˜ oes complexas que derivamos acima envolvendo polinˆ omios de Laguerre.JCABarata. Reimberg57 A Mecˆ anica de Fluidos. dependendo da dire¸ ca ˜o de propaga¸ ca ˜o da onda. p´ agina 905 (mas com condi¸ co ˜es de contorno do tipo de Neumann). apresentada no curso de Mecˆ anica dos Fluidos ministrado pelo Prof.

v ´ e o gradiente de um “potencial”.253) (19. ττ τ λ Vemos que (v · ∇) v ´ e desprez´ ıvel em rela¸ ca ˜o a 1 v v ≫ v. para entropia constante. obteremos para a equa¸ ca ˜o (19. e do tempo. ∂t (19. visto que as ondas tamb´ em o s˜ ao.248) = ∂ϕ ∂z (19.255) . τ λ ∂v ∂t . p = −ρgz − ρ Designaremos a coordenada z dos pontos da superf´ ıcie do fluido por ζ . ou seja. temos: 1 ∇p = ∇ (h + φ) . a m´ edia temporal de v ´ e nula de forma que ∇ × v = 0. ∇ ϕ+ podemos definir um novo potencial ϕ′ por: ϕ′ := ϕ + Assim. ρ = 0. ∂v ≫ (v · ∇) v .245) obtemos: p ∂ϕ = − − gz . (19. como sendo: v = ∇ϕ (19.249) ∂ϕ . Para o caso isentr´ opico. ζ ´ e a fun¸ ca ˜o das coordenadas r. se λ ≫ a.JCABarata. por exemplo.248) Aplicando a defini¸ ca ˜o (19. tem-se a2 1 1a ≫ . Cap´ ıtulo 19 913/2069 v v aproximadamente τ . ϕ. podemos considerar que ∂ζ = vz ∂t (19. (19. temos (19. ∂z (19. obtemos para a equa¸ ca ˜o de Euler a simplifica¸ ca ˜o (19. z =ζ (19. ∂t Assim. por ter rotacional nulo). p0 t.252) (19. sendo o fluido potencial em primeira aproxima¸ ca ˜o (ou seja.245) ∂v 1 = − ∇p − ∇φ .250) ∂t Suporemos o eixo z orientado verticalmente para cima e um sistema de coordenadas polares planas r.251) Como. a press˜ ao atmosf´ erica. ∂t ρ onde φ ´ e o potencial gravitacional (−∇φ = g ).254) Como ζ ´ e pequeno. θ tendo como origem o centro do tanque cil´ ındrico.248) ` a equa¸ ca ˜o de Euler (19.e λ ´ e a diferen¸ ca de velocidades entre dois pontos distintos do espa¸ co percorridos pela part´ ıcula em um certo intervalo de tempo.246) onde h ´ e a entalpia do sistema. Pode-se ent˜ ao definir uma fun¸ ca ˜o potencial. Se na superf´ ıcie a press˜ ao for uma constante p0 . Assim.245) obtemos: ∂ ∇×v = 0 ∂t ou seja. gζ + ∂ϕ′ ∂t p0 t ρ = ∇ϕ . ρ (19.250) p0 = −ρgζ − ρ ∂ϕ . Aplicando o rotacional em ambos os lados da equa¸ ca ˜o (19. ∂t ρ Assim.253) = ∂ϕ′ . para um fluido incompress´ ıvel. para o movimento oscilat´ orio. ∇ × v = constante . que ´ e nossa aproxima¸ ca ˜o inicial.247) No entanto. θ. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Disso obt´ em-se V ′ (0)/V (0) = σ e. das fun¸ co ˜es de Bessel e as rela¸ co ˜es π de ortogonalidade −π ei(m−n)θ dθ = 2πδmn das fun¸ co ˜es eimθ . devemos ter Re (σ ) ≥ 0 e V (z ) = Aeσz .261) A′′ + ν 2 A = 0 . (19. De tal maneira. (19. z = 0. p´ agina 683. θ) = ak.254) torna-se ∂ϕ′ 1 ∂ 2 ϕ′ + ∂z g ∂t2 = 0. Obt´ em-se de (19. devido ` a presen¸ ca de uma singularidade na origem.256) z = 0 no lugar de z = ζ e ϕ′ por ϕ. temos ζ0 (r.262) Aplicando as condi¸ co ˜es de contorno (velocidade radial igual a zero em r = R) e admitindo que o tanque seja profundo o bastante para que o fundo n˜ ao interfira. t = 0) z ˆ.265) onde ζ0 ´ e a forma da superf´ ıcie no instante inicial. devemos ter que ν = m. Para que a solu¸ ca ˜o seja peri´ odica em θ. (19. (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (19. z. Para a parte radial. m sen m gβk t R . θ. ∇2 ϕ = ∂ϕ 1 ∂ 2 ϕ + ∂z g ∂t2 = z =0 0. ou seja. θ. Seja v0 a velocidade aplicada na superf´ ıcie do fluido no instante t = 0 na dire¸ ca ˜o de z .259) (19. de per´ ıodo 2π . pode-se substituir na equa¸ ca ˜o (19.m Jm R m=−∞ k=1 A partir da equa¸ ca ˜o (19. Jm k=1 m=−∞ m βk r R eimθ+ mz βk R ak.261) V (z ) = Aeσz + Be−σz caso σ = 0 e V (z ) = Az + B caso σ = 0. A e B sendo constantes. obtemos de (19.263) m ′ onde Jm (x) s˜ ao as fun¸ co ˜es de Bessel e βk ´ e o k-´ esimo zero da fun¸ ca ˜ o Jm (x) em R+ \ {0}. m e bk. m cos m gβk t R + bk. ∞ ∞ m βk r eimθ . V ′′ − σ 2 V = 0. que . como as oscila¸ co ˜es s˜ ao pequenas.256) Novamente. obtemos o sistema de equa¸ co ˜es diferencias que determinam as ondas na superf´ ıcie do fluido. Usando em (19. t) = Λ (r) A (θ) V (z ) T (t). Como desejamos uma solu¸ ca ˜o finita para z → −∞ (onde localiza-se o fundo do tanque). por (19. θ.259).257) as seguintes equa¸ co ˜es para os fatores Λ. 0.211).m k=1 m=−∞ m βk Jm gR m βk r R eimθ . z.258). A e V : r2 Λ′′ + rΛ′ + σ 2 r2 − ν 2 Λ = 0. Para V . θ) = − ∞ ∞ bk. obt´ em-se: ϕ (r. m . n˜ ao consideramos as fun¸ co ˜es de Neumann como poss´ ıveis solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de Bessel (19. t) = ∞ ∞ Para que essa equa¸ ca ˜o tenha um car´ ater oscilat´ orio e n˜ ao divirja para t → ±∞ devemos ter Im (σ ) = 0 e σ > 0. Ent˜ ao.JCABarata.257) (19. onde m ∈ Z.264) e (19. (19. z =ζ (19.260) (19. pois estas solu¸ co ˜es n˜ ao s˜ ao compat´ ıveis com a finitude da energia.265) as rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14.264) v0 (r. determina-se o valor das constantes ak. Cap´ ıtulo 19 914/2069 de forma que a derivada temporal da equa¸ ca ˜o (19.254) no caso em que ζ ≈ 0 e t = 0.258) Seja (por separa¸ ca ˜o de vari´ aveis) ϕ (r. v0 ≡ v0 (r. obtemos para o fator T a equa¸ ca ˜o T ′′ + gσT = 0 .

274) (19. Aplicando o gradiente pode-se obter as velocidades com que as ondas se propagam nas dire¸ co ˜es radial e vertical em termos das condi¸ co ˜es iniciais. (19.272) iremos dividi-la por ABCD = ϕ. B (19. m cos m gβk t R + bk.271) . z. θ) e−imθ Jm −π m ) − m2 πR3/2 (βk m βk r R r dθ dr . A forma final da superf´ ıcie ´ e dada pela equa¸ ca ˜o (19. vz = m βk r R eimθ+ mz βk R ak.257)-(19. z =0 (19.254) (no caso em que ζ ≈ 0) e fica ζ = ∞ ∞ m βk Jm gR m βk r R eimθ ak. • Propaga¸ c˜ ao de ondas em um tanque profundo de raio infinito Abordaremos agora o limite em que o raio e a profundidade do tanque s˜ ao muito grandes (infinitos).JCABarata. [147]. m sen m gβk t R .267) Assim.270) Para fazermos a separa¸ ca ˜o de vari´ aveis suporemos que ϕ pode ser escrita como ϕ = ϕ(r. t) = A(r)B (θ)C (z )D(t) . as equa¸ co ˜es (19. (19.269) e (19. determina-se completamente a solu¸ ca ˜o para o potencial da velocidade do fluido.268) As ondas cuja propaga¸ ca ˜o ´ e descrita pelas express˜ oes acima s˜ ao denominadas ondas de gravita¸ c˜ ao na literatura da Mecˆ anica dos Fluidos.266) bk. Cap´ ıtulo 19 915/2069 seguem: ak. (19. Dessa forma. Vide e.272) (19. Nesse caso teremos novamente as equa¸ co ˜es (19. (19. m cos m gβk t R + bk.g. vr = ∞ k=1 ∞ k=1 m βk ′ Jm R m=−∞ m βk Jm R m=−∞ ∞ ∞ m βk r R eimθ+ mz βk R ak. m = m 3/2 ( βk ) 2 √ g m) Jm (βk 2 0 R π ζ0 (r.270) ficam respectivamente r2 A′′ BCD + rA′ BCD + AB ′′ CD + r2 ABC ′′ D = 0 e ABC (0)D′′ + gABC ′ (0)D = 0 . Sempre poderemos fazer isso desde que a solu¸ ca ˜o para ϕ n˜ ao seja a solu¸ ca ˜o trivial. Desta forma. θ.258) ∇2 ϕ = 0 ⇒ r2 e 2 ∂ϕ ∂ 2 ϕ ∂2ϕ 2∂ ϕ + r + r = 0 + ∂r2 ∂r ∂θ2 ∂z 2 (19. m sen m gβk t R .269) ∂ϕ ∂2ϕ +g ∂t2 ∂z = 0. θ) e−imθ Jm − m2 m βk r R r dθ dr . m cos m gβk t R . = −ν 2 . m sen k=1 m=−∞ m gβk t R − bk. Tamb´ em iremos supor que as seguintes condi¸ co ˜es s˜ ao obedecidas: B ′′ = cte. Vemos dessas express˜ oes que as velocidades decrescem exponencialmente com a profundidade. m = πR m βk m )2 (βk R m) Jm ( β k 2 0 π −π v0 (r. Tal ´ e o caso se considerarmos ondas de pequeno comprimento de onda se propagando no meio de um oceano. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.273) Para resolver a equa¸ ca ˜o (19.

(19. Se resolvermos (19. t) = Jν (rk )eiνθ+kz Ekν cos onde as constantes Ekν e Fkν s˜ ao definidas como Ekν Fkν = ξθ ξtkν . t) = ∂ϕ ∂t |z =0 e de Z (r.272) fica: r2 A′ A′′ +r = ν 2 − k 2 r2 A A =⇒ r2 A′′ + rA′ + (r2 k 2 − ν 2 )A = 0 .275). Ent˜ ao podemos escrever as condi¸ co ˜es em termos de T (r. Hankel (1839–1873). θ.284) ei(m−n)x dx = 2πδmn . Levando em conta (19. ζ .277) Na equa¸ ca ˜o (19. ent˜ ao devemos ter que ν ´ e inteiro. Lembrando ent˜ ao as equa¸ co ˜es que foram deduzidas para as ondas pequenas (e que tamb´ em valem nesse caso) para a coordenada z dos pontos do ∂ϕ fluido na superf´ ıcie.273) fica D′′ = −gk =⇒ D(t) = ξtkν cos gk t + ζtkν sen gk t . t) = ∂z |z =0 no instante t = 0 Para tanto usaremos a transformada de Hankel58 (tamb´ em conhecida como transformada de Fourier-Bessel) e a rela¸ ca ˜o de ortogonalidade da fun¸ ca ˜o einx : F(q ) = Hν (f )(q ) = 0 −1 Hν (F)(x) = π −π 58 Hermann ∞ √ f (x) qxJν (qx) dx .280) D Ent˜ ao o resultado para o potencial ´ e ϕkν (r. C Discutiremos se ν e k s˜ ao ou n˜ ao reais mais tarde. = ξθ ζtkν . Al´ em disso.276) Se fizermos uma mudan¸ ca de vari´ avel chegaremos na equa¸ c˜ ao de Bessel para a fun¸ ca ˜o Jν (x). de forma que a solu¸ ca ˜o ´ e A(r) = KJν (kr) . (19.274) e (19.JCABarata. . √ F(q ) qxJν (qx) dq . θ.275) (19. Ent˜ ao a equa¸ ca ˜o (19. gk t + Fkν sen gk t .274) e (19. como vamos somar as solu¸ co ˜es com ν variando de −∞ at´ e +∞. (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. precisamos escolher condi¸ co ˜es iniciais. Cap´ ıtulo 19 916/2069 e C ′′ = cte.283) (19. = k 2 .281) Note que para que ϕ seja cont´ ınua e diferenci´ avel (precisaremos dessas condi¸ co ˜es se quisermos descrever a superf´ ıcie de forma satisfat´ oria). z. = ξz ekz + ζz e−kz . devemos manter em mente que como o tanque ´ e sem fundo devemos ter a rela¸ ca ˜o z → −∞ ⇒ ϕ → 0 satisfeita. podemos sem perda de generalidade considerar ζθ = 0.282) f (x) = ∞ 0 (19. de forma que k deve ser real (e sem perda de generalidade positivo) e ζz = 0. (19.278) (19. (19.275) obteremos: B (θ) C (z ) = ξθ eiνθ + ζθ e−iνθ .279). θ.279) (19. Para determinarmos essas constantes em termos de k e ν . (19.

cada ponto da sua superf´ ıcie ter´ a altura h(r. sendo a coordenada z medida a partir do fundo do tanque no sentido crescente para cima. θ). z. podemos novamente desconsiderar o termo n˜ ao-linear da equa¸ ca ˜o de Euler (19. θ) = T (r. o fluido atinge uma altura h0 do tanque.286) co ˜es iniciais. Definindo ζ (r. θ.253). 2π (19. θ) = h(r. θ. t) = ∞ ν =−∞ 0 ∞ Jν (rk )eiνθ+kz Ekν cos gk t + Fkν sen gk t dk .288) (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) v (r.290) ∂t ρ • Grandes ondas de gravita¸ c˜ ao e a propaga¸ c˜ ao de ondas em tanques rasos .JCABarata. A grandeza ζ descreve o afastamento da superf´ ıcie do fluido em rela¸ ca ˜o ` a superf´ ıcie de equil´ ıbrio.244). 2π (19. = − p0 1 ∂ϕ − (r. 0). 0) −iνθ e Jν (rk ) dθ dr . t) ζ (r. θ. θ.287) (19. Em havendo movimento do fluido. θ) = gkJν (rk )Fkν ∞ 0 =⇒ Re−iλθ dθ = 2π gkJν (rk )Fkν δνλ dk = π −π −π = e. Suporemos um sistema de coordenadas cil´ ındricas r. θ. Cap´ ıtulo 19 917/2069 Ent˜ ao. E e F determinam completamente ϕ: ϕ(r. θ.285) Se R(r. tem-se π ∞ 0 ∞ ν =−∞ Skν (r. 2π −1 gkJλ (rk )Fkλ dk = Hλ 2π g Fkλ r =⇒ Fkλ = Hλ r 1 g 2π Re−iλθ dθ Fkν = k g ∞ 0 π −π rT (r. 0. θ. 0) −iνθ e Jν (rk ) dθ dr . t) . ρg g ∂t Trataremos agora da propaga¸ ca ˜o de ondas com um comprimento de onda grande relativamente ` a profundidade do meio onde se d´ a a propaga¸ ca ˜o.255) que tamb´ em podem ser utilizadas para obter ζ . θ) = Z (r. θ) = kJν (rk )eiνθ Ekν =⇒ Se−iλθ dθ = 2πkJν (rk )Ekν δνλ dk √ rS (r. Por fim podemos obter o campo de velocidades tomando v = ∇ϕ. Como justificado anteriormente. o que nos leva a Ekν = 0 ∞ π −π rZ (r. se Skν (r. a partir das equa¸ co ˜es (19.254) As fun¸ co ˜es Z e T podem ser obtidas a partir de ζ e ∂ζ ∂t . θ) − h0 . z . θ. θ.289) = ∇ϕ(r. θ. medida a partir do fundo do tanque. z. (19. θ)e−iλθ dθ 2π −π = 0 ∞ −1 2πkJλ (rk )Ekλ dk = Hλ 2π k Ekλ r =⇒ √ kEkλ = Hλ π −π . z. mas amplitude pequena em rela¸ c˜ ao ao comprimento de onda. t) . (19. com o eixo z coincidente com o eixo de simetria do tanque. podemos escrever h = h0 + ζ . Suporemos tratar de tanque cil´ ındrico de raio R. as condi¸ e (19. que reduz-se a ∂v ∇p = − +g (19. sem movimento. portanto. 0). Na situa¸ ca ˜o de equil´ ıbrio. ent˜ ao π ∞ 0 ∞ ν =−∞ Rkν (r.

294) (19. ıveis (ou seja. r ∂r r ∂θ . t) := h0 + ζ (r. ∂z (19.291) e em (19. θ. ∂z r ∂r r ∂θ Integrando-se essa equa¸ ca ˜o em z entre z = 0 (fundo do tanque) e z = h(r. obtemos h h 1 ∂ (rvr ) 1 ∂vθ vz (r. h. t).) a A equa¸ ca ˜o de continuidade ∂ρ ∂t + ∇ · (ρv ) = 0 reduz-se. t) = 0. θ. com ρ = const. h(r. Supondo agora que o tanque seja raso. h(r.295) (19. θ. t) + h(r. Em coordenadas cil´ ındricas isso significa ∂vz 1 ∂ (rvr ) 1 ∂vθ + + = 0. ρr ∂θ ∂p . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.295) a equa¸ ca ˜o acima fica h ∂ ∂2h −g ∂t2 r ∂r r ∂h ∂r −g h r2 ∂2h ∂θ2 + vz ∂ vz ∂vθ (rvr ) + = 0. t) (superf´ ıcie superior do fluido). e que vr e vθ n˜ ao dependam da altura z . θ. t) + dz + dz = 0 . a aproxima¸ ca ˜o ∂vr ∂t ∂vθ ∂t ∂vz ∂t ∼ = ∼ = ∼ = −g − ∂h . r ∂r r ∂θ obtemos ∂h h ∂ (rvr ) h ∂vθ + + = 0. Cap´ ıtulo 19 918/2069 Escrevendo esta equa¸ ca ˜o para as componentes radial e tangencial. ∂t r ∂r r ∂θ Derivando esta equa¸ ca ˜o em rela¸ ca ˜o ao tempo. teremos ∂2h h ∂ + ∂t2 r ∂r r ∂vr ∂t + h ∂ r ∂θ ∂vθ ∂t + vz ∂ vz ∂vθ (rvr ) + = 0. teremos ∂vr ∂t ∂vθ ∂t ∂vz ∂t = − − − 1 ∂p . θ. θ. obteremos. a u ´ltima express˜ ao pode ser aproximada por vz (r.291) = (19. ∂r 0 r 0 r ∂θ onde usamos a hip´ otese que vz (z = 0) = 0 (ou seja.296) g ∂h . respectivamente.292) = (19. ∂r (19. o fluido n˜ ao se move verticalmente no fundo do tanque). θ. para fluidos incompress´ ∇ · v = 0. substituindo esta em (19.294) e (19. r ∂r r ∂θ Usando as express˜ oes (19.292). r ∂θ 0. t) Lembrando que vz (r. t) = ∂h ∂t . t). θ. θ.293) Lembrando que a press˜ ao num ponto interior a um fluido aproximadamente est´ atico ´ e dada por p ∼ = p0 + ρg (h − z ) onde h ´ e altura da superf´ ıcie do fluido medida a partir do fundo. 1 ∂vθ 1 ∂ (rvr ) + h(r. ρ ∂r 1 ∂p .JCABarata.

(19. t) = ∞ ∞ r =R = ∂h ∂r r =R = 0. que corresponde a ondas com velocidade de propaga¸ ca ˜o √ gh0 (Coment´ ario en pasant: o fato de a velocidade de propaga¸ ca ˜o diminuir com a profundidade do tanque explica o por quˆ e de uma onda “quebrar” ao se aproximar de uma praia). Devido ` a express˜ ao (19. βk designa o ′ k -´ esimo zero de Jm em R+ \ {0}.299) (19.299)-(19.m sen √ m βk gh0 t R Jm m βk r R eimθ . Para a parte radial. Cap´ ıtulo 19 919/2069 Utilizando h = h0 + ζ . constatamos que devemos ter ∂ζ ∂r contorno (do tipo de Neumann) a ser satisfeita pela fun¸ ca ˜o ζ (r. n˜ ao consideramos as fun¸ co ˜es de Neumann como poss´ ıveis solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de Bessel.303) v0 (r. desprezando termos quadr´ aticos em ζ e nas velocidades.301) sujeito ` a condi¸ ca ˜o de contorno de que a derivada de ζ em rela¸ ca ˜o ao raio deve anular-se em r = R a solu¸ ca ˜o para o perfil das ondas na superf´ ıcie do l´ ıquido ser´ a: ζ (r. = 0. θ) em t = 0.300) (19. [147].JCABarata. (19. como condi¸ co ˜es iniciais. θ) = bk. Vide e. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. θ). Essa rela¸ ca ˜o deve ser entendida como condi¸ ca ˜o de ak. pois estas n˜ ao s˜ ao compat´ ıveis com a finitude da energia. (19. θ) e uma distribui¸ ca ˜o de velocidades verticais dada por v0 (r. como anteriormente.297) Podemos notar que a express˜ ao entre parˆ enteses ´ e o Laplaciano bidimensional escrito em coordenadas polares.298) Vemos que esta ´ e uma equa¸ ca ˜o de ondas em duas dimens˜ oes.298). As ondas cuja propaga¸ ca ˜o ´ e descrita por (19. θ) = ∞ ∞ ak.298). (19. θ. teremos: ζ0 (r.294).298) s˜ ao denominadas grandes ondas de gravita¸ c˜ ao na literatura da Mecˆ anica dos Fluidos. devido ` a presen¸ ca de uma singularidade na origem.302) m onde ν = m ∈ N0 para que a solu¸ ca ˜o seja peri´ odica de per´ ıodo 2π em θ e onde.297) mais sucintamente como: ∂2ζ − gh0 ∇2 ζ = 0 .m cos k=1 m=−∞ √ m βk gh0 t R + bk. (19.g. e ao fato de a velocidade radial vr ser nula na borda do tanque (quando r = R) para todo tempo t. Supondo ζ da forma Λ (r) A (θ) T (t) na equa¸ ca ˜o (19. Com isso podemos escrever (19. Resolvendo sistema de equa¸ co ˜es diferenciais (19. m Jm k=1 m=−∞ ∞ ∞ m βk r R eimθ .301) r2 Λ′′ + rΛ′ + σ 2 r2 − ν 2 Λ A′′ + ν 2 A = 0 . que a superf´ ıcie do l´ ıquido tenha uma forma descrita por uma fun¸ ca ˜o ζ0 (r. ∂t2 (19.304) . Supondo. m k=1 m=−∞ √ m βk gh0 Jm R m βk r R eimθ . teremos: T ′′ + σ2 T gh0 = 0. obt´ em-se ∂2ζ − gh0 ∂t2 ∂2ζ 1 ∂ζ 1 ∂2ζ + + 2 2 2 ∂r r ∂r r ∂θ = 0. Como desejamos conhecer a forma de ondas na superf´ ıcie de um tanque cil´ ındrico devemos aplicar o m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis ` a equa¸ ca ˜o (19.

Cap´ ıtulo 19 920/2069 Utilizando em (19. com o que x = ξ−η ξ+η et = . pode fornecer em alguns casos garantias de unicidade e existˆ encia de solu¸ co ˜es. t) .303) e (19.304) as rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14. 2 2 ∂t ∂x ∂t ∂x (19.308) que fixam posi¸ ca ˜o e velocidade de u no instante t = 0. Essa equa¸ ca ˜o (que ´ e de tipo hiperb´ olico) generaliza a equa¸ ca ˜o de ondas em uma dimens˜ ao e inclui alguns casos particulares de interesse. 2 2c .309) . 0) = g (x) ∂t (19. por exemplo. b. a = 0). (19. c. 19. 2 2c Definindo v por u(x. como a equa¸ c˜ ao do tel´ egrafo (caso d = 0). n˜ ao depende de u ou suas derivadas e representa uma for¸ ca externa agindo em cada ponto x do sistema em cada instante t.23 Exerc´ ıcio.10 Equa¸ co ˜es Hiperb´ olicas Lineares em 1+1 Dimens˜ oes e Equa¸ co ˜es Integrais Um m´ etodo importante de resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es diferenciais submetidas a condi¸ co ˜es iniciais ou de contorno consiste em transform´ a-las em equa¸ co ˜es integrais e resolvˆ e-las. η = x − ct . sob a qual ser˜ ao feitas algumas exigˆ encias adiante. m = πR2 1 − bk. (19. com D > 0 sendo a constante de difus˜ ao) e a equa¸ c˜ ao de Klein-Gordon (caso b = d = 0.211). t) =: v (ξ.307) com x ∈ R e t ∈ R. d ∈ R s˜ ao constantes arbitr´ arias mas com c > 0. θ) e−imθ Jm m βk r R r drdθ . x − ct) a equa¸ ca ˜o (19. A fun¸ ca ˜o F . ilustraremos o uso de equa¸ co ˜es integrais no tratamento da equa¸ ca ˜o hiperb´ olica linear de segunda ordem de coeficientes constantes e inomogˆ enea 2 ∂u ∂u ∂2 u 2∂ u − c + au + b +d = F (x. η ) = v (x + ct. Tal procedimento ´ e familiar ao estudo das equa¸ co ˜es diferenciais ordin´ arias e. o que nem sempre ocorre quando equa¸ co ˜es integrais s˜ ao empregadas como m´ etodo de resolu¸ ca ˜o.306) Essas express˜ oes determinam completamente os coeficientes ak. 0) = f (x) e ∂u (x. Consideraremos o problema de Cauchy no qual s˜ ao dadas as condi¸ co ˜es iniciais u(x. f e g sendo fun¸ co ˜es dadas sobre as quais algumas (poucas) exigˆ encias ser˜ ao feitas adiante. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. como naquele caso. a equa¸ c˜ ao de ondas amortecidas (caso a = d = 0) (tamb´ em conhecida como equa¸ c˜ ao de difus˜ ao relativ´ ıstica para b = c2 /D.305) 1 √ m 1− πR gh0 βk m m βk 2 m )) (Jm (βk 2 0 R π −π v0 (r. m e bk. das fun¸ co ˜es de Bessel e as π rela¸ co ˜es de ortogonalidade −π ei(m−n)θ dθ = 2πδmn das fun¸ co ˜es eimθ . (19.307) fica ∂2v − ∂ξ∂η E. θ) e−imθ Jm m βk r R r drdθ . Verifique! bc + d 4 c2 ∂v + ∂ξ bc − d 4 c2 ∂v 1 a F − 2v = ∂η 4c 4 c2 ξ+η ξ−η . p´ agina 683. onde a. m = m m βk 1 2 m ))2 (Jm (βk 0 R π −π ζ0 (r. 19. teremos: ak. O procedimento que seguiremos n˜ ao s´ o permitir´ a demonstrar existˆ encia e unicidade de solu¸ ca ˜o para esse problema como permitir´ a obter f´ ormulas relativamente expl´ ıcitas para a solu¸ ca ˜o. O primeiro passo ´ e passar a coordenadas caracter´ ısticas ξ = x + ct .JCABarata. por um procedimento iterativo. seguindo proximamente o tratamento de [87]. Aqui. m para todos k e m em termos das condi¸ co ˜es iniciais.

η ) ξ+η ξ−η .310). η ) := exp − exp − d − bc 4 c2 d − bc 4 c2 ξ− ξ− d + bc 4 c2 d + bc 4 c2 η v (ξ.310) v (ξ. ξ ) + ∂η (ξ.JCABarata. Calculando w ∂w d w(ξ. ξ ) = ∂η 2 f ′ (ξ ) + f ′ (ξ ) − bc − d 2 c2 bc + d 2 c2 ξ) e ∂w ∂η (ξ.313) E. η ) =: exp com o que a equa¸ ca ˜o (19. ξ ) + (ξ. nosso problema consiste em resolver a equa¸ ca ˜o ∂2w + κw = G(ξ. A linha t = 0 corresponde no plano ξ -η ` a linha ξ = η . portanto. ξ ) = ∂ξ ∂η 1 b f (ξ ) + g (ξ ) exp − 2c c d 2 c2 ξ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. d 2 c2 ξ f (ξ ) =: h(ξ ) . o semi-plano t > 0 corresponde no plano ξ -η ao semi-plano ξ > η .314) .313) obt´ em-se facilmente express˜ oes para ∂w 1 (ξ. ξ ) = ∂ a derivada total de ambos os lados de (19.311) ´ e aquela com a qual trabalharemos. Verifique! ´ importante. Assim. escrevendo η u . Al´ em disso. (19. η ) . (19. ∂ξ∂η (19. 2 2c = ou seja.313) pode ser escrita na forma de duas condi¸ co ˜es acopladas sobre a linha ξ = η . ∂ξ∂η onde κ = − 4ac2 + d2 − b2 c2 16c4 e G(ξ.308) em condi¸ co ˜es para w.312) em rela¸ ca ˜o a ξ (lembrar que dξ ∂ξ (ξ. η ) . (19. Verifique! Essa u ´ltima condi¸ ca ˜o (19. d 2 c2 ξ ): ξ ξ . ξ ) = ∂ξ ∂η f ′ (ξ ) − d 2 c2 f (ξ ) exp − ∂w ∂ξ (ξ. η ) := − 1 exp − 4 c2 d − bc 4 c2 ξ− d + bc 4 c2 η F (19. ξ ) − (ξ.309) fica d − bc 4 c2 ξ+ d + bc 4 c2 η w(ξ.24 Exerc´ ıcio. E. 2 2c . traduzir as condi¸ A equa¸ ca ˜o (19. 0) = f (x) fica. Cap´ ıtulo 19 921/2069 Essa equa¸ ca ˜o sofre uma grande simplifica¸ ca ˜o se definirmos uma nova fun¸ ca ˜o w multiplicando v por um fator conveniente: w(ξ. ξ )) tem-se ∂w ∂w (ξ. ξ ) = exp − J´ a a condi¸ ca ˜o ∂u ∂t (x. w(ξ. a condi¸ ca ˜o u(x. 1 f (ξ ) + g (ξ ) exp − c 1 f (ξ ) − g (ξ ) exp − c d 2 c2 d 2 c2 =: φ(ξ ) ξ =: ψ (ξ ) Assim. 19. ξ ) = ∂ξ 2 ∂w 1 (ξ. η ) ∂2w + κw = G(ξ. E co ˜es iniciais para u em (19. Dessa igualdade e de (19. segundo (19. 19.312) 0) = g (x) fica ∂w ∂w (ξ.25 Exerc´ ıcio.311) ξ+η ξ−η .

β ). . (α.318) O que faremos agora ´ e transformar o problema (19. β ). ξ ) = ∂w (ξ.317) h(α) − h(β ) = de onde se conclui que h(α) − α β φ(s) ds + β β ψ (s) ds . β (19. o que implica α β h(α) − φ(s) ds = β h(α) + h(β ) 1 + 2 2 φ(s) ds − 1 2 α ψ (s) ds . ξ ) = ∂ξ ∂w (ξ. β ).12. A figura tamb´ em indica a linha ξ = η onde as condi¸ co ˜es iniciais est˜ ao definidas. β ) com α > β .314) no triˆ angulo fechado ∆(α. Na Figura 19. φ(s) ds = h(β ) + α α β ψ (s) ds. definido pelos pontos (α. p´ agina 922. α) e (β.JCABarata. (α.314)-(19. α) e (β. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. o que implica α α h(ξ ) φ(ξ ) (19. p´ agina 923. Para o que segue ´ e relevante notar que h′ = φ + ψ . β) ξ Figura 19. Cap´ ıtulo 19 922/2069 sob as condi¸ co ˜es w(ξ. β ) no semi-plano ξ > η do plano ξ -η e integramos ambos os lados de (19. β ) definido pelos pontos (α.11: O triˆ angulo fechado ∆(α.315) (19. para tal. tomamos um ponto (α. β) (α.316) ψ (ξ ) (19. η ξ=η (α. indicado na Figura 19. β) (β.317) em uma equa¸ ca ˜o integral e. ξ ) = ∂η com a constante κ e as fun¸ co ˜es G. h. β ). esse triˆ angulo ´ e representado no plano x–t. φ e ψ definidas acima.11. α) ∆(α.

319) α β e (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. β ) = H (α. β ) = onde ϕ := φ − ψ .317) = h(α) − w(α. β ) representado no plano x–t. η ) dξ dη ∂ξ∂η = β ∂w ∂w (α.12: O triˆ angulo fechado ∆(α. β ) w(ξ. do lado direito usando (19.318) = h(α) + h(β ) 1 + 2 2 φ(ξ ) dξ − 1 2 α ψ (η ) dη . η ) dη ∂η (19.314). t) em t = 0 (vide p´ agina 875). β ) + κ ∆(α. ϕ(ξ ) = Substituindo ∂2 w ∂ξ∂η h(α) + h(β ) 1 + 2 2 bc − d 2 c2 ϕ(ξ ) dξ β − ∆(α. ∂ξ∂η 1 f (ξ ) + g (ξ ) exp − c d 2 c2 ξ . t) x Figura 19. β ) − α β ∂w (η.318) na u ´ltima passagem). β ) − −w(α. provamos que w(α. Assim. β (19. η ) − (η. β ) + α ψ (η ) dη . obtemos w(α. β (19. β ) ∂2w (ξ. isto ´ e. As linhas inclinadas representam o cone de luz passando pelo ponto (x. t).321) .JCABarata. O segmento em negrito no eixo x representa o dom´ ınio de dependˆ encia de (x.320) que ´ e sim´ etrica em α e β (raz˜ ao de usarmos (19. η ) dη ∂η ∂η α = (19. α) − w(α. β ) ∂2w dξdη . que ∂2w dξdη ∂ξ∂η α α η = β α ∆(α.315) w(α. integrando primeiramente em ξ . Cap´ ıtulo 19 923/2069 t (x. Temos. η ) dξdη (19.

β ) dξdη = |κ| (α − β )2 d∞ (χ1 . B )). η ) . B ) define uma nova fun¸ ca ˜o de C (∆(A. ou seja. η ) dξdη . η ) dξdη .4 Existe m ∈ N grande o suficiente tal que T m ´ e uma contra¸ c˜ ao. β ) − T (χ2 )(α. β ) = Acima. B ) . β ) ⊂ ∆(A. β ) = H (α. χ2 ∈ C (∆(A. ∆(α. T 2 (χ1 )(α. Cap´ ıtulo 19 924/2069 onde introduzimos H (α. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. B ) do plano ξ -η . (α − β )2n d∞ (χ1 . sendo r1 . β ) χ(ξ. usamos a identidade ∆(α. B )) vale d∞ (T m (χ1 ).4. (n + 1)(n + 2) (ξ − η )n dξdη = v´ alida para todo n ∈ N e cuja demonstra¸ ca ˜o deixamos como exerc´ ıcio (fa¸ ca-o!). η ) − r2 (ξ. B ) se (α. β ) − T 2 (χ2 )(α. temos que T (χ1 )(α. χ2 ) . β ) ⊂ ∆(A. χ2 ) (2n)! . β ) | κ |2 (α − β )4 d∞ (χ1 . 4! (α − β )n+2 . B )) ´ e um espa¸ co m´ etrico completo para a m´ etrica do supremo d∞ r1 . β ) = κ ∆(α. χ2 ) ∆(α. que passamos a tratar. β ) (19. χ2 ) . r2 ∈ C (∆(A. ´ e f´ acil provar por indu¸ ca ˜o que T n (χ1 )(α. β ) ≤ |κ| d∞ (χ1 . χ2 ) Portanto.JCABarata. B ). Para A > B fixo seja C (∆(A. β ) ≤ |κ|n para todo n ∈ N. η ) − T (χ2 )(ξ. β ) χ1 (ξ. T m (χ2 )) ≤ qd∞ (χ1 .317).314)-(19. η ) ∈ ∆(A. r2 = sup r1 (ξ. β ) + κ ∆(α. C (∆(A.321) ´ e a equa¸ ca ˜o integral prometida que equivale (como pode ser facilmente constatado) ao problema (19. β ) ⊂ ∆(A. β ) = κ Assim. ∆(α. (α. β ) − T n (χ2 )(α. β ) − T (χ2 )(α. 2 (19.323) T (χ1 )(ξ. η ) dξdη .323) ∆(α. χ2 ). B )) o espa¸ co das fun¸ co ˜es cont´ ınuas definidas no triˆ angulo fechado ∆(A. Prova. Para cada χ ∈ C (∆(A. T (χ1 )(α. (ξ. Da´ ı. Como ´ e bem sabido. Ela pode ser resolvida iterativamente e para provar existˆ encia e unicidade da solu¸ ca ˜o assim obtida faremos uso da Proposi¸ ca ˜o 19. Primeiramente. Notar que ∆(α. B )) (verifique!). B )) a express˜ ao T (χ)(α. Proposi¸ c˜ ao 19.322) A equa¸ ca ˜o (19. existe q com 0 ≤ q < 1 tal que para todo χ1 . β ) := h(α) + h(β ) 1 + 2 2 α β ϕ(ξ ) dξ − G(ξ. η ) dξdη (ξ − η )2 dξdη 2 ≤ |κ|2 d∞ (χ1 . β ) (19. η ) − χ2 (ξ.

(l!)2 (19. β ) (τ − β )(α − σ )H (σ. β ) = H (α. T 2 (w0 )(α. η ) = β α σ H (σ. η ) H (σ. ou seja. 19. β ) H (ξ. como o m´ aximo de α − β em ∆(A. Ou ´ltimo termo ´ e uma integral na regi˜ ao β≤η≤τ ≤σ≤ξ≤α. escolhendo n grande o suficiente esse fator n)! ser´ a menor que 1. τ ) dσdτ Com isso. β ) + κ ∆(α. essa aplica¸ ca ˜o pode ser obtida pelo limite lim T n (w0 ) a partir de qualquer w0 ∈ C (∆(A. τ ) dσdτ dξdη . τ ) dσdτ . β ) ∆(ξ. T 3 (w0 )(ξ. B ) ´ e A − B . η ) + ∆(ξ. B ) tal que T (w) = w.JCABarata. B )). τ )dσ dτ = ∆(α. η ) dξdη + κ2 ∆(α. Pela generaliza¸ ca ˜o do Teorema do Ponto Fixo de Banach representado pela Proposi¸ ca ˜o 25.1). O fator |κ|n (A(2 vai a zero para n → ∞ e. existe uma e somente uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua w em ∆(A. obtemos α α τ α τ α τ τ β τ β α H (σ. conclu´ ımos que T tem um e somente um ponto fixo. τ ) dσdτ dξdη . Assim. (19. Prove isso. η ). η ) + ∆(ξ. β ) ∆(ξ.325) Supondo isso.1. ou seja. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Vamos provar por indu¸ ca ˜o que para todo n T n (w0 )(ξ. T n (χ2 ) 2n ≤ | κ |n (A − B )2n d∞ (χ1 . τ ) dσdτ dξdη ∆(α. Escolhendo w0 como sendo a fun¸ ca ˜o identicamente nula w0 ≡ 0 teremos T (w0 )(ξ. η ) dξdη e T 3 (w0 )(α. χ2 ) (2n)! −B ) para todo n ∈ N. η ) κ + κ2 (τ − η )(ξ − σ ) H (σ.324). η ) = H (ξ. η ) + κ ∆(α. (l!)2 . p´ agina 1221. β ) ∆(ξ. Pelo Teorema Ponto Fixo de Banach. provando a proposi¸ ca ˜o. τ ) dη dσ dτ = β (τ − β )(α − σ )H (σ. τ ) dσdτ . η ) = H (ξ. η . η ) = H (ξ.321). Cap´ ıtulo 19 925/2069 E. η ) n−2 l=0 κl+1 (τ − η )l (ξ − σ )l H (σ. que satisfaz (19. τ ) dξ dη dσ dτ = β α (α − σ )H (σ. β ) = H (α. β ) n→∞ H (ξ. Teorema (25. η ) n−2 l=0 κl+1 (τ − η )l (ξ − σ )l H (σ.324) Vamos determin´ a-la calculando sucessivamente as integrais na seguinte ordem: ξ . Fazendo as integrais nessa ordem e levando em conta os limites de integra¸ ca ˜o fixados em (19. p´ agina 1225. portanto. teremos T n+1 (w0 )(α. teremos d∞ T n (χ1 ). β ) + κ ∆(α. β ) H (ξ. β ) = H (α. σ e τ .26 Exerc´ ıcio. η ) dξdη + κ ∆(α.

τ ) dη dσ dτ l+1 α α τ α τ τ β = β α (τ − η )l = β (τ − β )l+1 (α − σ )l+1 H (σ. T n+1 (w0 )(α. A esta solu¸ ca ˜o pode-se chegar tamb´ em por outros m´ etodos. β ) ∆(ξ. τ ) dσdτ . η )   H (σ. η ) = H (ξ. 2 2c dξdη . τ ) dσdτ . ∆(ξ. τ ) dσdτ . H (α. Como a solu¸ ca ˜o w ´ e dada por lim T n (w0 ).327) +κ ∆(x+ct. . τ ) dσ dτ (l + 1)2 = ∆(α. isto u(x.326) w(ξ. t) = 1 f (x + ct) + f (x − ct) + 2 2c x+ct g (s) ds + x−ct 1 4 c4 F ∆(x−ct. Para a equa¸ ca ˜o de ondas. x − ct) I0 2 κ(x + ct − σ )(τ − x + ct) H (σ.136). como o m´ etodo da fun¸ ca ˜o de Green e ou o m´ etodo da fun¸ ca ˜o de Riemann.314)-(19. A solu¸ ca ˜o u fica u(x. (l + 1)2 Logo. τ ) dσdτ . x−ct) com H dado em (19. η ) + κ ∆(α. Esta ´ e a solu¸ ca ˜o procurada da equa¸ ca ˜o integral (19. β ) H (σ. τ ) dσdτ + ∆(α.321) e. x + ct). a fun¸ ca ˜o de Bessel ∞ 2 l 1 z modificada de ordem 0 ´ e dada por I0 (z ) := . A express˜ ao para a solu¸ ca ˜o u ´ e d − bc 4 c2 d + bc 4 c2 u(x.JCABarata. s´ erie essa que converge absolutamente para todo z ∈ C. τ ) dσdτ dξdη α α τ τ β α σ = β ∆(α. η ) + κ ∆(α. η ) = H (ξ. ´ e.325). obtemos n→∞ w(ξ. do problema (19. η ) + κ I0 2 κ(ξ − σ )(τ − η ) H (σ. x+ct) ξ+η ξ−η .317). η )    ∞ l=0 κ(ξ − σ )(τ − η ) (l!)2 l  De acordo com a defini¸ ca ˜o das fun¸ co ˜es de Bessel modificadas introduzidas em (13. nesse caso κ = 0. p´ agina 608. β ) (α − σ )l+1 (τ − β )l+1 H (σ. η ) + κ ∆(ξ. τ ) dσdτ (19. η ) (τ − η )l (ξ − σ )l H (σ. t) = exp (x + ct) + (x − ct) H (x + ct. (l!)2 2 l=0 Conclu´ ımos que (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. (τ − η )l (ξ − σ )l H (σ. que discutiremos adiante. conseq¨ uentemente.322). Cap´ ıtulo 19 926/2069 Como antes. τ ) dσdτ ((l + 1)!)2 = provando (19. τ ) dξ dη dσ dτ (α − σ )l+1 H (σ. β )    n−1 l=0 κ(α − σ )(τ − β ) (l!)2    H (σ. temos a = b = d = 0 e. t) = H (x − ct. β ) = H (α. β ) n−2 l=0 l κl+2 (α − σ )l+1 (τ − β )l+1 H (σ.

como no Eletromagnetismo. ou seja. e coincide com a triˆ angulo ∆(x − ct. deixando sua discuss˜ ao matematicamente precisa para o Cap´ ıtulo 35. Seja α1 . como se constata. t′ ) ∈ R2 |(t − t′ )2 − c2 (x − x′ )2 ≥ 0. p´ agina 1701. . Uma solu¸ c˜ ao fundamental associada ao operador L ´ e uma solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o Lx H (x. Consideremos a equa¸ ca ˜o diferencial linear com coeficientes constantes e n˜ ao-homogˆ enea Lu = h . t) e posterior a t′ = 0 (onde as condi¸ co ˜es iniciais foram fixadas). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. aN s˜ ao constantes. t) posteriores ao instante t′ = 0 encontram-se no cone de luz passado a (x. 19. . x−ct que ´ e a bem-conhecida solu¸ ca ˜o de D’Alembert encontrada em (19. Faremos uso de transformadas de Fourier e um certo conhecimento pr´ evio da no¸ ca ˜o de distribui¸ c˜ ao ser´ a tamb´ em suposto. x + ct). no esp´ ırito do presente cap´ ıtulo. . A fun¸ ca ˜o h ≡ h(x1 . tais como condi¸ co ˜es de Dirichlet. tais como como um r´ apido decaimento no infinito de algumas de suas derivadas (caso Ω n˜ ao seja limitado) ou outras que garantam a existˆ encia de solu¸ co ˜es. t) = f (x + ct) + f (x − ct) 1 + 2 2c x+ct g (s) ds . xn ) supostamente satisfaz certas condi¸ co ˜es. Nesta Se¸ ca ˜o vamos descrever operacionalmente como o m´ etodo funciona e tratar de diversos exemplos de aplica¸ ca ˜o. assim. . Essa regi˜ ao ´ e o triˆ angulo indicado na Figura 19. na Teoria da Elasticidade e na Mecˆ anica dos Fluidos. na Teoria de Transporte (como na Teoria da Difus˜ ao de Calor). uma simples inspe¸ ca ˜o da solu¸ ca ˜o geral (19.JCABarata. . submetidas a certas condi¸ co ˜es de contorno. Como esperado. definida em um aberto conexo Ω ⊂ Rn . • O m´ etodo da fun¸ c˜ ao de Green Vamos brevemente descrever o chamado m´ etodo da fun¸ c˜ ao de Green para a resolu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es diferenciais lineares com coeficientes constantes e n˜ ao-homogˆ eneas em um aberto conexo Ω de Rn submetidas a condi¸ co ˜es de contorno lineares e homogˆ eneas na fronteira de Ω. acima. p´ agina 1701. Tais no¸ co ˜es s˜ ao desenvolvidas no Cap´ ıtulo 35. concentraremo-nos nos aspectos operacionais do m´ etodo da fun¸ ca ˜o de Green. na regi˜ ao {(x′ . u(x. quando este ´ e representado no plano x–t.1. y ) = δ (x − y ) . Esse m´ etodo ´ e de relevˆ ancia tanto te´ orica quanto pr´ atica em diversas ´ areas da F´ ısica. . . t´ ıpico de sistemas hiperb´ olicos: as influˆ encias que determinam a solu¸ ca ˜o u no ponto (x. que surge na solu¸ ca ˜o u.128). αN um conjunto de n-multi-´ ındices60 n˜ ao-nulos distintos com |α1 | ≤ · · · ≤ |αN |. ´ e o chamado m´ etodo da fun¸ c˜ ao de Green59 . tais como condi¸ co ˜es de Dirichlet ou Neumann. y )h(y ) dy = δ (x − y )h(y ) dy = h(x).327). condi¸ co ˜es que u deve satisfazer na fronteira de Ω. n · · · ∂xα n onde a1 . . ou seja. p´ agina 923. no¸ ca ˜o de multi-´ ındice foi introduzida na Se¸ ca ˜o 15. Cap´ ıtulo 19 927/2069 No caso homogˆ eneo temos F ≡ 0 e. . Lup (x) = 59 George 60 A Ω Lx H (x. De posse de uma solu¸ ca ˜o fundamental para L podemos obter uma solu¸ ca ˜o particular up de Lu = h com up (x) = Ω H (x. p´ agina 874. Green (1793–1841). Advertimos o leitor quando ao fato que. . y )h(y ) dy . acima. Seja L um operador diferencial linear de ordem |αN | com coeficientes constantes da forma N N L = k=1 ak Dαk = k=1 ak 1 ∂xα 1 ∂ |αk | . 0 ≤ t′ ≤ t}. comprova que a mesma respeita o princ´ ıpio de causalidade de Einstein.11 Aplica¸ co ˜es do M´ etodo da Fun¸ c˜ ao de Green Um m´ etodo importante para a solu¸ ca ˜o de equa¸ co ˜es diferenciais lineares n˜ ao-homogˆ eneas. de Neumann ou condi¸ co ˜es mistas (sempre homogˆ eneas).12. . . Em muitos problemas s˜ ao tamb´ em supostas condi¸ co ˜es de contorno lineares e homogˆ enea sobre u. . p´ agina 695. Ω pois.

328) fica e−ip·x H − 1 (2π )3/2 ˆ (p. y ): ˆ (p. uma nova solu¸ ca ˜o fundamental. H (x. Uma solu¸ ca ˜o fundamental que forne¸ ca uma solu¸ ca ˜o particular up satisfazendo as condi¸ co ˜es de contorno lineares e homogˆ eneas do problema considerado ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao de Green do problema em quest˜ ao. y ).328) 1 (2π )3/2 eip·x H (x. y ) = − p 2H Logo. y ∈ R3 . y ) = − − − − − − 1 (2π )3 1 (2π )3 1 (2π )2 1 (2π )2 2 (2π )2 R3 π −π ∞ 0 ∞ 0 ∞ 0 0 1 −1 0 1 −ip·(x−y) 3 e d p p 2 π 0 π ∞ = 1 −ir e r2 x−y cos θ r2 sen θ drdθdϕ = e−ir x−y cos θ sen θdθ dr u=cos θ = e−ir x −y u du dr = sen r x − y r x−y dr = Na u ´ltima igualdade usamos que 61 Sim´ eon 1 1 . Tomando-se a transformada de Fourier inversa de ambos os lados dessa express˜ ao. y ) = δ (x − y ) . 19.JCABarata. y ) = 1 (2π )3/2 (19.11. Uma solu¸ ca ˜o fundamental para a equa¸ ca ˜o de Poisson satisfaz ∆x H (x. R3 R3 ˆ (p. y ) = − 1 (2π )3 1 eip·y . y ) d3 p vemos que (19. ˆ (p. . (2π )3/2 1 −ip·(x−y) 3 e d p. y ) := H Como H (x. H (x. p 2 R3 Para calcular esta integral. ∞ sen t t dt 0 = Denis Poisson (1781–1840). No que segue vamos mostrar como obter solu¸ co ˜es fundamentais e fun¸ co ˜es de Green de alguns problemas de interesse f´ ısico. y ) d3 x . equa¸ ca ˜o essa que surge naturalmente em problemas de Eletrost´ atica.1 A Equa¸ c˜ ao de Poisson em Trˆ es Dimens˜ oes Consideremos a equa¸ c˜ ao de Poisson61 em R3 : ∆u = h. e−ip·x p 2 H R3 pois ∆x e−ip·x = − p 2e−ip·x . a transformada de Fourier inversa (em rela¸ x. obtemos ˆ (p. 4π x − y π 2. θ. Seja H ca ˜o ` a vari´ avel x) de H (x. ϕ) com r ≡ p e com o eixo “z” coincidindo com a dire¸ ca ˜o de x − y . obtendo-se. assim. y ) d3 p = δ (x − y ) . Cap´ ıtulo 19 928/2069 A uma solu¸ ca ˜o fundamental podemos adicionar uma solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o homogˆ enea Lu = 0. assumamos x = y e adotemos um sistema de coordenadas esf´ ericas (r. com p ∈ R3 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Teremos.

p´ agina 831. temos de (19. . y ) = − 1 1 . Vide Teorema 18. Do Teorema 18. t. . ′ ′ (19. t) . por´ em. . Cap´ ıtulo 19 929/2069 Assim. x′ .330) R3 pressupondo. Como G(x. x′ .329) para x = y . x′ . que se exigirmos que u e seu gradiente decaiam rapidamente a zero no infinito. t. t′ ) = 2 G(p. ∂t Consideremos a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao n˜ ao-homogˆ enea em n dimens˜ oes espaciais (19. y →∞ y →∞ A solu¸ ca ˜o procurada da equa¸ ca ˜o de Poisson ser´ a. p0 . ∂t (19.331) com x = (x1 . 19. Assim. t′ ) a transformada de Fourier inversa de G em rela¸ ca ˜o ` as vari´ aveis (x. pela solu¸ ca ˜o G de ao operador de difus˜ ao L = ∂t ∂ − D∆x G(x. x′ .11. t′ ) = 1 (2π )(n+1)/2 eip·x +ip0 t . t. x′ . p0 . Rn+1 (19. Tomando a transformada inversa de ambos os lados em rela¸ − ip0 + D p Assim. t′ ) = δ (x − x′ )δ (t − t′ ) . 4π x − y (19. t′ ) dn pdp0 = δ (x − x′ )δ (t − t′ ) .2. t′ ) = temos por (19. Rn+1 1 (2π )(n+1)/2 e−ip·x−ip0 t G(p. t. Uma solu¸ ca ˜o fundamental mais geral ´ e obtida adicionando-se a esta uma solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de Laplace ∆u = 0.332) com x. Seja G(p. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . p0 . xn ) ∈ Rn e com D > 0. p0 .1. portanto. ent˜ ao u dever´ a ser identicamente nula. t′ ∈ R. uma solu¸ ca ˜o fundamental para a equa¸ ca ˜o de Poisson em R3 ´ e H (x. teremos 1 + · · · + pn . x′ . t): G(p. x′ . ou seja.332) que 1 (2π )(n+1)/2 onde p 2 1 (2π )(n+1)/2 eip·x+ip0 t G(x. t′ ) dn xdt .333) Rn+1 e−ip·x−ip0 t − ip0 + D p 2 G(p. t) = h(x. ´ e claro. constante.333) G(x. x′ ∈ Rn e t.JCABarata. podemos afirmar que a fun¸ ca ˜o de Green para a equa¸ ca ˜o 3 de Poisson em R sob as condi¸ co ˜es lim |u(y )| = 0 e lim y ∇u(y ) = 0 ´ e (19. t′ ) := com p ∈ Rn e p0 ∈ R. t). x′ . p´ agina 832.2 A Equa¸ c˜ ao de Difus˜ ao N˜ ao-Homogˆ enea ∂ − D∆ u(x. x−y (19. que a fun¸ ca ˜o h seja tal que a integral acima esteja bem definida e seja tal que as condi¸ co ˜es de contorno mencionadas sejam satisfeitas. u(x) = − 1 4π h(y ) d3 y . . 2 = p2 ca ˜o a (x.329). p0 . interessamo-nos pela solu¸ ca ˜o fundamental associada ∂ − D∆. Para esse caso. aprendemos.334) i (2π )(n+1) i (2π )(n+1) Rn+1 e−ip·(x−x )−ip0 (t−t ) n d pdp0 p0 + iD p 2 ′ ′ ′ = e−ip·(x−x ) Rn ∞ −∞ e−ip0 (t−t ) dp0 p0 + iD p 2 ′ dn p . x′ . t′ ) dn pdp0 .

portanto.37) ou (35. 2 z + iD p CR     1. x′ . n´ umero complexo esse que tem parte real nula e parte imagin´ aria negativa (vide Figura 19. nesse caso. acima. se x ≥ 0 . A integral Gaussiana. Cap´ ıtulo 19 930/2069 A integral ∞ e−ip0 (t−t′ ) −∞ p0 +iD p 2 dp0 ∞ −∞ pode ser calculada pelo m´ etodo de integra¸ ca ˜o no plano complexo. ′ e No caso t − t′ < 0 n˜ ao h´ a singularidades dentro da regi˜ ao limitada pela curva CR e. R CR −R R −R R R z0 z0 CR Figura 19. em z0 = −iD p A fun¸ ca ˜o de vari´ avel complexa z → z +iD p 2 exibe uma u z0 .13: Os dois caminhos de integra¸ ca ˜o CR em C. como mencionamos. Temos ′ e−ip0 (t−t ) dp0 = lim R→∞ p0 + iD p 2 R −R e−ip0 (t−t ) dp0 = lim R→∞ p0 + iD p 2 ′ CR e−iz(t−t ) dz . e ´nica singularidade. p´ agina 930. no caso geral ′ 2 e−iz(t−t ) dz = −H (t − t′ )2πie−D(t−t ) p .42)). CR z +iD p 2 dz = 0. z + iD p 2 ′ onde CR ´ e uma das duas curvas em C exibidas na Figura 19.    0.13. t′ ) = H (t − t′ ) 1 (2π )n e−ip·(x−x )−D(t−t ) ′ ′ p 2 dn p Rn ′ 2 = H (t − t ) ′ e x −x − 4D (t−t′ ) (2π )n e e Rn ′ 2 (x−x ) −D(t−t′ ) p+i 2D (t−t′ ) ′ 2 dn p = H (t − t ) ′ x −x − 4D (t−t′ ) 4πD(t − t′ ) n/2 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. a escolha sendo feita de acordo com o sinal de t − t′ . a f´ ormula integral −iz (t−t′ ) ′ 2 G(x. tomada no sentido hor´ ario). a 62 Oliver Heaviside (1850–1925). Assim. Em ambos z0 = −iD p 2 .JCABarata. portanto. por exemplo. Assim. se x < 0 . O esquerdo ´ e tomado caso t − t′ < 0 ′ e o direito caso t − t > 0. Temos. −iz (t−t′ ) −iz (t−t′ ) 2 ≡ e −D(t−t ) p de Cauchy diz-nos que nesse caso vale CR z (o sinal “-” em frente dessa express˜ ao sendo +iD p 2 dz = −2πie devido ao fato de a integra¸ ca ˜o ser. onde H ´ e a fun¸ ca ˜o de Heaviside62 : H (x) := Vide (35. de tipo p´ olo simples. (35. t. ′ 2 No caso t − t > 0 o integrando possui um p´ olo simples em z0 = −iD p . . pode ser calculada de diversas formas (vide.13).112). Temos. portanto.

t′ ) = c2 (2π )(n+1)/2 eip·x +ip0 t . com c > 0.336) x ∈ Rn . t) = h(x.331) a solu¸ ca ˜o t u(x. t′ ) a transformada de Fourier inversa de G em rela¸ ca ˜o ` as vari´ aveis (x. Rn+1 1 (2π )(n+1)/2 e−ip·x−ip0 t G(p. t′ ) = H (t − t′ ) e x −x − 4D (t−t′ ) ′ 2 4πD(t − t′ ) n/2 (19. p0 .11. t ∈ R. No caso n = 3. x′ . x . essa equa¸ ca ˜o ´ e de suma importˆ ancia em F´ ısica. n dimens˜ oes espaciais e uma temporal com n ≥ 1. x′ . p0 . 1 ∂2 ∆x − 2 2 G(x. t′ ) := com p ∈ Rn e p0 ∈ R. x′ . t′ ) dn xdt . x′ . t) . x′ .337) c ∂t Seja G(p.339) 2 2 Uma distin¸ ca ˜o importante entre essa rela¸ ca ˜o e (19. p0 . t′ ) δ (p0 + c p ) p p .e. enquanto que em (19. (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Vamos desenvolver algumas id´ eias para n arbitr´ ario e depois iremos nos especializar nos casos n = 3. i. x′ .334) ´ e que o fator p2 possui zeros reais (para p0 ) em 0 −c p 2 p0 = ±c p . Rn+1 (19. sobretudo na ∂2 cuja solu¸ ca ˜o fundamental Eletrodinˆ amica. t). Esse fato se reflete na importante observa¸ ca ˜o de que a solu¸ ca ˜o G de (19. x′ . x′ . t′ ) dn p dp0 = δ (x − x′ )δ (t − t′ ) . x′ . t): G(p. Cap´ ıtulo 19 931/2069 solu¸ ca ˜o fundamental do operador de difus˜ ao ´ e G(x. manifesto no fato que o valor de u no instante t depende dos valores de h em instantes t′ com t′ ≤ t e n˜ ao dos valores futuros com t′ > t. Como G(x. teremos 1 + · · · + pn . t′ ) = δ (x − x′ )δ (t − t′ ) . t ) h(x . t) = Rn+1 G(x. Tomando a transformada inversa de ambos os lados em rela¸ 2 p2 0−c p 2 G(p. t′ ) 1 1 δ (p0 − c p ) + γ− (p. t′ ) = temos por (19. t.3 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em n + 1-Dimens˜ oes Vamos agora considerar a equa¸ ca ˜o de ondas n˜ ao-homogˆ enea em n + 1 dimens˜ oes. A equa¸ ca ˜o considerada ´ e ∆− 1 ∂2 c2 ∂t2 u(x. t ) d x dt = −∞ Rn ′ ′ ′ ′ n ′ ′ e x −x − 4D (t−t′ ) ′ 2 4πD(t − n/2 t′ ) h(x′ . t. (19.338) Rn+1 e−ip·x−ip0 t c−2 p2 0− p 2 G(p. t′ ) dn x′ dt′ . p0 . t.335) e temos para a equa¸ ca ˜o de difus˜ ao n˜ ao-homogˆ enea (19. x′ . constante..339) ´ e determinada a menos de uma combina¸ ca ˜o linear γ+ (p. p0 . t. t′ ) dn pdp0 . O operador diferencial a ser considerado ´ e o operador de onda L = ∆ − c1 2 ∂t2 a ser obtida satisfaz. ′ ′ (19. ´ interessante observar que a solu¸ E ca ˜o acima obedece o princ´ ıpio de causalidade (“causas precedem seus efeitos”).JCABarata.337) que 1 (2π )(n+1)/2 onde p 2 1 (2π )(n+1)/2 eip·x+ip0 t G(x.334) o fator ip0 − D p possui apenas o zero complexo em p0 = −iD p 2 . 19. 2 = p2 ca ˜o a (x. n = 2 e n = 1. x′ . t.

t′ ) = 1 dn p dp0 1 (2π )(n+1)/2 Rn Rn+1 + (2π )(n+1)/2 Rn γ+ (p. t′ ) p0 + c p p0 − c p 1 δ p0 − c p p = γ+ (p. t′ ) δ p0 + c p p . x′ . esses dois u ´ltimos termos podem ou n˜ ao ser adicionados ` a solu¸ ca ˜o conforme a conveniˆ encia. t) = 0. isto ´ e. t. ǫ (t − t ) := ′ L(R. x′ . R→∞ ǫ→0 ′ ′ onde IR. x′ . x′ .JCABarata. A integral em p0 . t′ ). que denotamos por I (t − t′ ). Assim. (19. ´ e dada por63 I (t − t ) = lim lim IR.14. ǫ e−iz(t−t ) z−c p z+c p ′ dz − A2. ǫ e−iz(t−t ) z−c p z+c p ′ dz . ǫ) e−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p ′ dp0 . ǫ (t − t ) . t′ ) −ip·x−ic e p dn p + γ− (p. t′ ) = dn pdp0 ∞ Rn+1 Rn −∞ e−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p ′ dp0 e−ip·(x−x ) dn p . p0 . t′ )2c p 1 p p0 − c p δ p0 − c p = 0. −c p −ǫ −R − R. . ǫ) = ou seja. x′ . IR. I (t − t′ ) ´ e melhor calculada encarando as integrais acima como integrais no plano complexo e escrevendo IR. R . ǫ (t − t ) = ′ BR. L(R. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t′ ) = e de (19. Temos c2 (2π )n+1 e−ip·(x−x )−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p c2 = (2π )n+1 ′ ′ G0 (x. x′ . −c p − ǫ ∪ − c p + ǫ.340) ´ relevante observarmos que os dois u com γ± estando por ora indeterminadas. ǫ e−iz(t−t ) z−c p z+c p ′ dz − A1. Cap´ ıtulo 19 932/2069 pois. temos que γ+ (p. pois as fun¸ com nossas observa¸ co ˜es gerais. t. t.341) ′ As integrais acima devem ser entendidas no sentido de valor principal e vamos passar agora a delicada tarefa de calcul´ a-las e analis´ a-las. x′ . ǫ) sendo a uni˜ ao dos intervalos de R indicados na Figura 19.338) obtemos c2 (2π )n+1 e−ip·(x−x )−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p p t ′ ′ c2 (2π )(n+1)/2 eip·x +ip0 t p0 − c p p0 + c p ′ ′ + γ+ (p. que vamos denotar por G0 (x. Vamos agora nos concentrar no primeiro termo da u ´ltima express˜ ao. (19.342) com L(R. ǫ (t − t′ ) := e−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p + c p −ǫ − c p +ǫ ′ dp0 e−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p ′ R dp0 + c p +ǫ e−ip0 (t−t ) p0 − c p p0 + c p ′ dp0 . (19. p´ agina 933. podemos escrever G(p. recordando o fato que xδ (x) = 0. t′ ) −ip·x+ic e p p t dn p . x′ . E ´ltimos termos s˜ ao solu¸ co ˜es da equa¸ ca ˜o de 1 ∂2 −ip·x∓ic p t co ˜es e s˜ ao solu¸ co ˜es dessa equa¸ ca ˜o. G(x. t′ ) δ p0 − c p p + γ− (p. x′ . e analogamente com o termo com γ− . c p − ǫ ∪ c p + ǫ. x′ . Dessa forma. de acordo ondas homogˆ enea ∆x − c2 ∂t2 u(x.

ǫ e A2. A1. π ] como z = −c p + ǫeiθ com dz = ieiθ dθ. ǫ (t − t′ ). . p´ agina 933. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. e temos πi eic p (t−t ) πi e−ic p (t−t ) − .15: O caminho de integra¸ ca ˜o BR. Assim.14: Os trˆ es segmentos com maior espessura representam o conjunto de segmentos de reta L(R. ǫ e−iz(t−t ) z−c p z+c p ′ ′ dz = −e ic p (t−t′ ) 0 −π e−iǫe (t−t ) iǫeiθ dθ . e−ic Rn p (t−t′ ) p e −ip·(x−x′ ) icπ d p− (2π )n+1 n eic Rn p (t−t′ ) p e−ip·(x−x ) dn p ′ ordem dos limites em (19. ǫ .342) n˜ ao pode ser alterada. Acima. come¸ cando pela integral em A1. ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em −c p e A2. ǫ s˜ ao indicados na Figura 19. ǫ Antes de calcularmos JR. t. − 2c p + ǫeiθ ǫeiθ iθ ′ o sinal “-” antes do fator eic p (t−t ) do lado direito sendo devido ao fato de a integra¸ ca ˜o se dar em sentido hor´ ario. A1. ǫ . ǫ (t − t′ ) := BR. Analogamente.JCABarata. A 1. ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em c p .341)) ´ e icπ 2(2π )n+1 63 A e−iz(t−t ) z−c p z+c p ′ dz . ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em c p . ǫ . Cap´ ıtulo 19 933/2069 2ε −R −z0 2ε z0 R 0 Figura 19.343) onde JR.15. ǫ (t − t ) + R→∞ ǫ→0 2c p 2c p ′ ′ ′ ′ (19. ε ε −R −z0 0 z0 R Figura 19. z0 = c p . Acima. t′ ) (vide (19. ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em −c p e A2. ǫ e A2. A1. ǫ . onde BR. A1. ǫ converge a E 2c p πi e −2 c −ic p (t−t′ ) p no limite ǫ → 0. ′ ´ evidente que no limite ǫ → 0 o lado direito converge a πi eic p (t−t ) .343) a G0 (x. ε ε A 2. z0 = c p . I (t − t ) = lim lim JR. x′ . ǫ podem ser parametrizados por um ˆ angulo θ ∈ [0. Os pontos em A1. ǫ). conectando −R a R com os semi-c´ ırculos A1. ´ e importante observarmos que a contribui¸ ca ˜o dos dois u ´ ltimos termos de (19. Vamos agora estudar cada uma das integrais acima. a integral em A2.

p´ agina 934. ǫ ` a esquerda n˜ ao ocorrem p´ olos do integrando. dependendo de t − t′ ser positivo ou negativo. a saber em p0 = ±c p .340) pela substitui¸ ca ˜o γ± (p. t′ ) ∓ ′ icπ eip·x ±ic ( n +1) / 2 2(2π ) p t′ . z0 = c p . desde que a integral sobre o arco de c´ ırculo AR (vide Figura 19. ε −z0 z0 R A R Figura 19. De acordo com a f´ ormula integral de Cauchy o resultado ic p (t−t′ ) −ic p (t−t′ ) da integral ´ e −2πi e −2c p + e 2c p hor´ ario. x′ . pois o integrando n˜ ao possui singularidades no interior da regi˜ ao delimitada por CR. pois o integrando tem dois p´ olos simples no interior da regi˜ ao delimitada por CR. Assim. A R R C R. No caso t − t′ > 0 a integral em CR. respectivamente. ǫ (curvas fechadas) e os semi-c´ ırculos A1. Para t − t′ < 0 devemos fechar a curva por cima e para t − t′ > 0 devemos fechar a curva por baixo (vide Figura 19. ǫ e AR . ε −R R ε A 2. ǫ . ǫ ` a esquerda ´ e tomado quando t − t′ < 0 e o caminho de integra¸ ca ˜o CR. x′ . No interior da regi˜ ao delimitada pela curva CR. t. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t′ ) . para todo t − t′ temos JR. Cap´ ıtulo 19 934/2069 e a contribui¸ ca ˜o desses dois termos a G(x. Por sua vez. AR ´ e um semi-c´ ırculo de raio R centrado em 0. Os eixos horizontal e vertical s˜ ao os eixos real e imagin´ ario. Acima. c p A contribui¸ ca ˜o dessa express˜ ao a G(x. Utilizando uma t´ ecnica bem-conhecida de integra¸ ca ˜o complexa. ǫ (t − t′ ) = H (t − t′ ) . ǫ ` a direita. o sinal “-” global sendo devido ao fato de a integral ser tomada em sentido πi c eic p (t−t′ ) p − e−ic p (t−t′ ) p = −H (t − t′ ) 2π sen c p (t − t′ ) . denotada por Gret (x. a saber em ±z0 . ǫ ` a direita ´ e tomado quando t − t′ > 0. t. ǫ (t − t′ ). t′ ) define a chamada fun¸ c˜ ao de Green retardada. ǫ anula-se. mas sim no interior da regi˜ ao delimitada pela curva CR. podemos substituir a curva BR. ǫ . A1. x′ . t. ǫ por uma das curvas fechadas CR. ǫ indicadas na Figura 19. O caminho de integra¸ ca ˜o CR. ε ε R −R −z0 z0 C R.16). ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em −c p e A2.16) v´ a a zero quando o limite R → ∞ for tomado. t′ ) −→ γ± (p.16: Os caminhos de integra¸ ca ˜o CR. ǫ ´ e n˜ ao-nula. t′ ) (vide (19. No caso t − t′ < 0 a integral em CR. x′ . ǫ ´ e um semi-c´ ırculo de raio ǫ centrado em c p . ε ε A 1. ǫ .340)) pode ser absorvida nos dois u ´ ltimos termos de (19.JCABarata. x′ . A2. Passemos agora ` a determina¸ ca ˜o de JR. ε ε A 2. ε A 1.16.

t. 1 x − x′ 1 ′ δ ( t − t ) − 4π x − x′ c .3. n = 2 e n = 1. t′ ) = eir c(t−t′ )+ x−x′ dr − x −x ′ c eir c(t−t′ )− x−x′ dr = 1 H (t − t′ ) 8π 2 x − x′ e is (t−t′ )+ ds − e is (t−t′ )− x −x ′ c ds (35.344) no caso n = 3. 19.48) = 1 H (t − t′ ) x − x′ δ (t − t′ ) + ′ 4π x − x c − δ (t − t′ ) − = − x − x′ c .JCABarata. x′ .11. θ.344) fica c H (t − t′ ) 8π 2 x − x′ s:=cr ∞ −∞ ∞ −∞ ∞ −∞ ∞ −∞ Gret (x. analogamente. − 1 −ic e p p (t−t′ )−ip·(x−x′ ) 2π i x − x′ 2π i x − x′ 2π i x − x′ eir c(t−t′ )+ x−x′ − eir dr d3 p = ∞ 0 0 −∞ eir −c(t−t′ )− x−x′ R3 − eir − eir −c(t−t′ )+ x−x′ dr r →−r = eir c(t−t′ )+ x−x′ c(t−t′ )− x−x′ dr Com isso (19.1 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 3 + 1-Dimens˜ oes Vamos agora calcular as integrais em (19. x′ . t. a saber n = 3. ϕ) com r ≡ p e com eixo “z” na dire¸ ca ˜o de x − x′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. p (19.344) depende fortemente da dimens˜ ao n e no que segue iremos nos especializar nos casos fisicamente mais relevantes. teremos p · (x − x′ ) = r x − x′ cos θ e R3 1 ic e p p (t−t′ )−ip·(x−x′ ) d3 p π π 0 π 0 = −π ∞ 1 icr(t−t′ )−ir e r ′ x−x′ cos θ r2 sen θ drdθdϕ = 2π 0 ∞ 0 0 ∞ eicr(t−t )−ir ′ x−x′ cos θ r sen θ drdθ = 2π eicr(t−t ) 0 π e−ir x−x′ cos θ sen θ dθ r dr u=cos θ = 2π 0 ∞ eicr(t−t ) ∞ 0 ′ 1 −1 e−ir x −x ′ u du r dr c(t−t′ )− x−x′ = e. Adotando um sistema de coordenadas esf´ ericas (r. Cap´ ıtulo 19 935/2069 e dada por Gret (x.344) O c´ alculo das integrais em (19. t′ ) := H (t − t′ ) = ic 2(2π )n c (2π )n 1 ic e p p (t−t′ )−ip·(x−x′ ) Rn dn p − Rn 1 −ic e p p (t−t′ )−ip·(x−x′ ) dn p −H (t − t′ ) Rn sen c p (t − t′ ) −ip·(x−x′ ) n e d p.

346) denominada solu¸ c˜ ao retardada da equa¸ c˜ ao de ondas n˜ ao-homogˆ enea (19. mas sim com um certo retardo devido ` a finitude de propaga¸ ca ˜o de informa¸ ca ˜o. t. obtemos que 1 1 x − x′ δ (t − t′ ) − ′ 4π x − x c + 1 4π 2 R3 G(x. t. Cap´ ıtulo 19 936/2069 sendo que.347) obtemos para a h x′ . Isso pode ser interpretado como dizendo que a “informa¸ em um certo ponto n˜ ao chega simultaneamente a uret . t + R3 x −x ′ c 1 Gav (x. usamos o fato que     δ (x − x0 ) . x′ . como na Figura 19. sem que o diss´ essemos.346) transforma-se na solu¸ ca ˜o (19. t). a t.345) ∂ oes. se x0 < 0 . x′ .346) manifestamente satisfaz tamb´ em o princ´ ıpio de Huygens.17. x′ . ´ evidente da express˜ E ao acima que o valor de uret no ponto x no instante t depende dos valores de h nos instantes x −x ′ ca ˜o” contida no valor de h t − c . como logo veremos. Com (19. Com (19. Impondo o princ´ ıpio de causalidade. t) = ′ ′ ′ ′ 3 ′ em 3 + 1-dimens˜ oes. devemos adotar γ± = 0. t ) h(x . A mais importante dessas escolhas foi a de escolher os arcos A1. t′ ) := − 1 1 x − x′ ′ δ ( t − t ) + 4π x − x′ c 1 ∂2 c2 ∂t2 (19. x .336) a solu¸ ca ˜o uav (x. t′ ) −ip·x−ic e p p t d3 p + 1 4π 2 R3 γ− (p. t′ ) ∈ R4 (x − x′ )2 − c2 (t − t′ )2 . t − R3 x −x ′ c x − x′ d3 x′ . De fato.336) a importante solu¸ ca ˜o uret (x. assim. ´ interessante notar tamb´ E em que se formalmente tomarmos c → ∞ a equa¸ ca ˜o (19. ser interpretado como a velocidade de propaga¸ ca ˜o de “informa¸ ca ˜o” em um sistema f´ ısico obedecendo (19. • A fun¸ c˜ ao de Green avan¸ cada Durante o tratamento que nos levou a (19. t) depende somente dos valores de h na superf´ ıcie do cone de luz passado centrado em (x. ter´ ıamos chegado ` a chamada fun¸ c˜ ao de Green avan¸ cada. t′ ) −ip·x+ic e p p t d3 p . a express˜ ao do lado direito como uma solu¸ ca ˜o fundamental do operador de onda ∆ − c1 2 ∂t2 em 3 + 1-dimens˜ ′ ´ e nula caso t < t e conduz. a solu¸ co ˜es que satisfazem o princ´ ıpio de causalidade. portanto. t. se x0 > 0 . ǫ e A2. ou seja. anteriores. t. t ) d x dt = − 4π R4 ′ x − x′ d3 x′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Gav (x. x′ . p´ agina 937. mas ´ e o momento de fazermos certas escolhas baseadas em imposi¸ co ˜es de natureza f´ ısica ` as solu¸ co ˜es.336) em 3 + 1-dimens˜ oes. H (x)δ (x − x0 ) = Reunindo nossos resultados e retornando a (19. t ) d x dt = − 4π R4 ′ ′ ′ ′ 3 ′ ′ h x′ . (19. Se tiv´ essemos escolhido ambos os arcos passando por baixo desses p´ olos. ao exibir o fato que u(x.336). Gret (x. A solu¸ ca ˜o (19. t. na u ´ltima igualdade. ǫ passando por cima dos p´ olos ±c p .348) .330). (19. em (x′ . t′ ≤ t .345) e a (19. t) = 1 Gret (x.    0. x′ . x .345) obtemos para a equa¸ ca ˜o (19. o que nos leva ` a chamada fun¸ c˜ ao de Green retardada.347) como uma solu¸ ca ˜o fundamental do operador de onda ∆ − equa¸ ca ˜o (19. O parˆ ametro c pode.JCABarata.340). t ) h(x .336) transforma-se na equa¸ ca ˜o de Poisson ∆u = h em 3 dimens˜ oes espaciais e a solu¸ ca ˜o (19. t′ ) := − 1 x − x′ 1 ′ δ ( t − t ) − 4π x − x′ c 2 (19.346) fizemos algumas escolhas que. t′ ) = − γ+ (p. visavam alcan¸ car solu¸ co ˜es que respeitassem o princ´ ıpio de causalidade. At´ e o presente as fun¸ co ˜es γ± est˜ ao indeterminadas.

19. t) depende dos valores de h em instantes de tempo posteriores a t. Uma conseq¨ uˆ encia imediata das equa¸ co ˜es acima ´ e a lei de conserva¸ ca ˜o de carga ρ + ∇ · J = 0. t ) corresponde uma ret ∂t solu¸ ca ˜o n˜ ao-causal uret (x. ǫ e os semi-c´ ırculos A1. ρ 1 ∂E as equa¸ co ˜es ∇ · E = ǫ0 e ∇ × B = µ0 J + c2 ∂t ficam −∆φ − ρ ∂∇·A = ∂t ǫ0 e ∇ ∇·A+ 1 ∂φ c2 ∂t − ∆A + 1 ∂2 A = µ0 J . o valor de uav (x. onde E e B s˜ ao o campo el´ etrico e magn´ etico.11. ǫ0 ∇·B = 0. ∂t 1 com c = √µ . c2 ∂t ∇×E = − ∂B . −t). ` primeira vista pode surpreender o estudante que solu¸ A co ˜es desse tipo existam.336).349) Os campos φ e A s˜ ao denominados potencial escalar (ou potencial el´ etrico) e potencial vetor. mas deve-se a um requerimento de origem f´ ısica: a cren¸ ca de que causas precedem seus efeitos. ∇ × B = µ0 J + 1 ∂E . respectivamente. ´ e natural pensarmos que a toda solu¸ c a ˜ o causal como u ( x. ρ sendo a densidade de carga el´ etrica e J o ǫ0 sendo a densidade de corrente el´ etrica. Nesse contexto ´ e de se observar tamb´ em que no caso da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao o princ´ ıpio de causalidade surgiu naturalmente. (19. −z 0 −R ε z0 0 ε R A 1. decaindo rapidamente a zero no infinito espacial. A solu¸ ca ˜o expressa em (19. n˜ ao precisando ser imposto por uma restri¸ ca ˜o ` a solu¸ ca ˜o. respectivamente. ε Figura 19. as equa¸ c˜ oes de Maxwell podem ser resolvidas da ∂B seguinte forma. el´ etrica. como se percebe. fato intimamente ligado ` a Segunda Lei da Termodinˆ amica. Cap´ ıtulo 19 937/2069 denominada solu¸ c˜ ao avan¸ cada da equa¸ c˜ ao de ondas n˜ ao-homogˆ enea (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Isso se deve ` a natureza irrevers´ ıvel de processos difusivos.350) onde usamos o fato que para qualquer campo C vale ∇× ∇×C 64 James = ∇ ∇ · C − ∆C .17: O caminho de integra¸ ca ˜o BR. agora passando ambos por baixo das singularidades em ±z0 = ±c p .JCABarata. O descarte de solu¸ co ˜es avan¸ cadas na equa¸ ca ˜o de ondas n˜ ao-homogˆ enea n˜ ao tem origem matem´ atica.351) Clerk Maxwell (1831–1879). ǫ . Das equa¸ co ˜es ∇ · B = 0 e ∇ × E = − ∂t escrevemos B = ∇×A.336) em 3 + 1-dimens˜ oes.2 Aplica¸ c˜ oes ` a Eletrodinˆ amica. Desse ponto de vista. ǫ e A2. Com isso. Tal se deve ao fato de que o operador de difus˜ ao n˜ ao ser invariante por revers˜ ao temporal t → −t. E = −∇φ − ∂A . ainda que seja uma solu¸ ca ˜o matematicamente leg´ ıtima de (19. ε A 2. ∂t (19.3. Potenciais Retardados No chamado sistema internacional de unidades (SI) as equa¸ co ˜es de Maxwell64 fora de meios materiais s˜ ao ∇·E = ρ . mas ´ e preciso recordar que o operador 1 ∂2 de onda ∆ − c2 ∂t2 ´ e invariante pela revers˜ ao temporal t → −t (propriedade n˜ ao satisfeita pelo operador de difus˜ ao ∂ − D ∆). c2 ∂t2 (19. n˜ ao respeita o princ´ ıpio de causalidade pois. expressa na equa¸ ca ˜o ∂ ∂t Para ρ e J dados.348). .

Rudolf Julius Emanuel Clausius (1822–1888)). pois produzem os mesmos campos el´ etrico e magn´ etico.355) e um par de campos φ′ e A′ satisfazendo (19.JCABarata. ambos tendo dado contribui¸ co ˜es importantes ` a Eletrodinˆ amica. Vamos agora supor que φ e A n˜ ao satisfa¸ cam a condi¸ ca ˜o (19. . Vamos agora provar que podemos escolher os campos φ e A de sorte que valha (19. muitos livros-texto denominam incorretamente a condi¸ ca ˜o de Lorenz como “condi¸ ca ˜o de Lorentz”. t − R3 x −x ′ c x − x′ d3 x′ .28). possuindo as solu¸ co ˜es retardadas 1 φret (x. p´ agina 228. ∂t ∂t e φ′ := φ − ∂λ . Vide tamb´ em coment´ arios da p´ agina 294 da terceira edi¸ ca ˜o de [119].352). j´ a que n˜ ao h´ a a necessidade de se impor a condi¸ ca ˜o de causalidade para a o campo auxiliar λ. Devido a essa propriedade de manterem invariantes as grandezas f´ ısicas E e B .356) 65 Ludvig Valentin Lorenz (1829–1891). A equa¸ ca ˜o (19. E acil verificar que 1 ∂φ 1 ∂2 λ 1 ∂ φ′ . ou Rela¸ ca ˜o de Clausius–Mossotti (Ottaviano-Fabrizio Mossotti (1791–1863). A′ e φ′ poderiam ser usados em lugar de A e φ em (19. a solu¸ ca ˜o retardada66 1 λ(x.352) produzindo os mesmos campos E e B . constatamos que se tratam novamente de duas equa¸ co ˜es de ondas n˜ ao-homogˆ eneas. ´ Na Optica existe uma importante equa¸ ca ˜o denominada Equa¸ c˜ ao de Lorentz–Lorenz. existe um campo escalar λ satisfazendo (19. ou transforma¸ c˜ oes de “gauge”. (19. se λ for tal que ∆λ − teremos satisfeita ∇ · A′ + 1 ∂φ 1 ∂2 λ = − ∇·A+ 2 2 2 c ∂t c ∂t 1 ∂ φ′ = 0. t − R3 x −x ′ c x − x′ d3 x′ e µ0 Aret (x.352) para φ′ e A′ . retornando a (19. como quer´ ıamos mostrar.350) transformam-se em ∆φ − ρ 1 ∂2 φ = − c2 ∂t2 ǫ0 e ∆A − 1 ∂2 A = − µ0 J .352) verdadeira e.354) Assim. t − x −x ′ c d3 x′ .355) ´ e uma equa¸ ca ˜o de ondas n˜ ao-homogˆ enea para λ e uma poss´ ıvel solu¸ ca ˜o ´ e. Curiosamente.350). = ∇·A+ 2 + ∆λ − 2 2 ∇ · A′ + 2 c ∂t c ∂t c ∂t Logo. posto que o mesmo n˜ ao representa uma grandeza f´ ısica.353) (19. O nome de Lorenz ´ e freq¨ uentemente confundido com o de Hendrik Antoon Lorentz (1853–1928).355) que ´ e a condi¸ ca ˜o (19.349) e de sorte que valha tamb´ em a chamada condi¸ c˜ ao de Lorenz65 : 1 ∂φ +∇·A = 0 . c2 ∂t com o que as duas equa¸ co ˜es em (19. c2 ∂t2 (19. Conclu´ ımos que podemos supor ser (19. t) um campo escalar e definamos A′ := A + ∇λ ´ f´ E acil constatar que ∇ × A′ = ∇ × A = B e − ∇φ′ − ∂ A′ ∂A = −∇φ − = E. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. c2 ∂t . t) = 4πǫ0 ρ x′ .352) Seja λ ≡ λ(x. Lorenz foi um f´ ısico dinamarquˆ es enquanto que Lorentz foi um f´ ısico holandˆ es. 66 Neste caso. Assim. Cap´ ıtulo 19 938/2069 Vide (4. a solu¸ ca ˜o avan¸ cada (ou uma combina¸ ca ˜o linear convexa das duas) tamb´ em pode ser tomada. ∂t (19. t) = 4π J x′ .354) s˜ ao entendidas como transforma¸ co ˜es de simetria do sistema que consideramos e s˜ ao denominadas transforma¸ c˜ oes de ´ f´ calibre. (19. talvez devido ao fato de a condi¸ ca ˜o de Lorenz ser invariante por transforma¸ co ˜es de Lorentz. t) = 4π ∇·A+ R3 1 ∂φ c2 ∂t x − x′ x′ . as transforma¸ co ˜es (19.349). como vimos.

.356). t) = − 1 4πǫ0 1 x − x′ ∇ρ + 1 ∂J c2 ∂t x′ .358) s˜ ao denominadas equa¸ co ˜es de Jefimenko67. E comparar (19.358) ` as solu¸ co ˜es (18. Para um texto mais recente. t − x − x′ c + x − x′ c ∂ρ ∂t ∂J ∂t x − x′ c x − x′ c x − x′ c x − x′ x − x′ Eret (x. 19. pois a elas ainda podemos adicionar solu¸ co ˜es φh e Ah da equa¸ ca ˜o de ondas homogˆ enea. As equa¸ co ˜es (19. t − d3 x′ (19.356) obtenha os campos el´ etrico e magn´ etico retardados 1 4πǫ0 x − x′ c x − x′ x − x′ 1 x − x′ c x − x′ − e Bret (x.360) (19. • As equa¸ co ˜es de Jefimenko E. Usando (19. t − 1 1 2 c x − x′ x′ . (19. t) = R3 ρ x′ . A referˆ encia do trabalho original de Jefimenko ´ e o livrotexto listado em [121]. obtenha ∇ ∇ · E − ∆E = −µ0 ∂J 1 ∂2 E − 2 ∂t c ∂t2 ρ ǫ0 e ∇ ∇ · B − ∆B = µ0 ∇ × J − 1 ∂2 B .349).353). ´ um tanto surpreendente e curioso que as equa¸ E co ˜es de Jefimenko (19. t − x′ . as equa¸ co ˜es de Jefimenko parecem ter surgido pela primeira vez (em uma vers˜ ao equivalente ` a de acima) na edi¸ c˜ ao de 1962 do livro de Eletromagnetismo de Panofsky e Phillips (ref. (19. c2 ∂t2 Trata-se novamente de equa¸ co ˜es de ondas n˜ ao-homogˆ eneas e obtenha para as mesmas as solu¸ co ˜es retardadas ∆B − Eret (x. t − x − x′ c x − x′ c d3 x′ .349) e (19.359) = 1 ∂2 B = − µ0 ∇ × J . t) = µ0 4π J x′ . vide [119]. n˜ ao incluindo campos eletromagn´ eticos provenientes de fontes localizadas no infinito passado. d3 x′ . µ0 J + 1 ∂E c2 ∂t . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.357) e (19. B e ∇×B = Tomando o rotacional de ambos os lados das equa¸ co ˜es de Maxwell ∇ × E = − ∂∂t usando essas mesmas equa¸ co ˜es e (19. e recomendado ao estudante.358) ´ interessante. obtenha disso 1 ǫ0 ∇ρ + 1 ∂J c2 ∂t .27 Exerc´ ıcio. (19.358) aparentemente s´ o foram apresentadas e discutidas em sua forma de acima nos anos sessenta do S´ ec. No entanto.357) e (19. 19. (19. c2 ∂t2 Usando as duas equa¸ co ˜es de Maxwell restantes ∇ · E = ∆E − 1 ∂2 E c2 ∂t2 e ∇ · B = 0. [190]). XX. Com os potenciais φret + φh e Aret + Ah podemos calcular os campos el´ etrico e magn´ etico E e B usando (19. Recordemos que essas n˜ ao s˜ ao as solu¸ co ˜es mais gerais de (19.351).357) e (19. As equa¸ co ˜es de Jefimenko representam a solu¸ co ˜es das equa¸ co ˜es de Maxwell para campos produzidos por uma dada distribui¸ c˜ ao de cargas e correntes localizadas em um passado finito. E. Esses potenciais φret + φh e Aret + Ah contˆ em as contribui¸ co ˜es das fontes de cargas e correntes el´ etricas ρ e J (em φret e Aret ) e de ondas eletromagn´ eticas vindas do infinito (em φh e Ah ). t) = 67 Oleg µ0 4π R3 1 x − x′ ∇×J x′ . respectivamente).33) e (18.28 Exerc´ ıcio.357) R3 ∂J ∂t × 3 d3 x′ .JCABarata.361) R3 Bret (x.34) da Eletrost´ atica e da Magnetost´ atica. t − (19. Cap´ ıtulo 19 939/2069 Esses s˜ ao os chamados potenciais retardados (escalar e vetorial. de 1966.362) Dmitrovich Jefimenko (1922–2009). t − 3 + 2 x′ .

A rela¸ c˜ ao de (19.362) tamb´ em fornecem os campos el´ etrico e magn´ etico em termos das fontes de carga e de corrente retardadas. p´ agina 679.364) c Im F−1 [HJ0 ](y ) . 2o Prove usando a regra da cadeia que ∇′ × J x′ .361) e (19. c 2π ∞ 0 sen cρ(t − t′ ) J0 ρ x − x′ ∞ 0 c 2π x − x′ c 2π x − x′ c 2π x − x′ sen c(t − t′ ) x − x′ J0 (s) ds . Obtenha as equa¸ co ˜es de Jefimenko (19.11.361) e (19. E. t′ ) = −H (t − t′ ) c 4π 2 sen c p (t − t′ ) −ip·(x−x′ ) 2 e d p. Sugest˜ ao: 1o Prove usando a regra da cadeia que ∇′ ρ x′ . t − x − x′ c − 1 c ∂J ∂t x′ . ϕ) com ρ ≡ p e com eixo “1” na dire¸ ca ˜o de x − x′ .344) para n = 2. p ∞ (19. Com isso. Note que nas express˜ oes (19. Uma vantagem das equa¸ co ˜es de Jefimenko sobre (19.357) e (19.363) R2 Adotando um sistema de coordenadas polares (ρ.358) ´ e estabelecida no Exerc´ ıcio E.190).361) e (19. e−iρ x−x′ cos ϕ dϕ = 2πJ0 ρ x − x′ .362) comparecem na integral do lado direito.357) e (19.358). 19. t − x − x′ c × x − x′ .358) a partir de (19. t. Temos Gret (x.29. t′ ) = −H (t − t′ ) = −H (t − t′ ) Agora. x − x′ onde ∇′ × ´ e o rotacional em rela¸ c˜ ao a x′ etc. n˜ ao as fontes ρ e J .361) e (19. = −H (t − t′ ) √ 2π x − x′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t.362) com as equa¸ co ˜es de Jefimenko (19. podemos escrever R2 sen c p (t − t′ ) −ip·(x−x′ ) 2 e d p = p π −π π −π 0 sen cρ(t − t′ ) e−iρ x−x′ cos ϕ dρ dϕ . t. x′ . as express˜ oes (19. t − x − x′ c x − x′ .29 Exerc´ ıcio.3.362) est´ a no fato que com aquelas ´ e mais f´ acil obter o limite da Eletrost´ atica e Magnetost´ atica (quando ρ e J independem do tempo) e suas corre¸ co ˜es. 3o Use integra¸ c˜ ao por partes. 19. mas suas derivadas.361) e (19. podemos escrever = −H (t − t′ ) = −H (t − t′ ) = −H (t − t′ ) ∞ 0 ∞ −∞ ∞ −∞ Gret (x. De acordo com (14. x′ .3 A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 2 + 1-Dimens˜ oes Vamos agora nos dedicar ` a equa¸ ca ˜o de ondas n˜ ao-homogˆ enea em 2+1-dimens˜ oes e vamos calcular as integrais em (19. Cap´ ıtulo 19 940/2069 Analogamente ` as equa¸ co ˜es de Jefimenko (19.JCABarata.362). x − x′ onde ∇′ ´ e o gradiente em rela¸ c˜ ao a x′ e por ∇ρ entendemos a fun¸ c˜ ao gradiente de ρ. denotando y ≡ c(t−t′ ) x −x ′ . x′ . onde J0 ´ e a equa¸ ca ˜o de Bessel de dρ Gret (x. t − x − x′ c = ∇×J x′ . t − x − x′ c = ∇ρ x′ . t′ ) sen (ys)J0 s) ds sen (ys)H (s)J0 s) ds c Im 2π x − x′ eiys H (s)J0 s) ds (19. em contraste com as equa¸ co ˜es de Jefimenko.357) e (19. t − x − x′ c + 1 c ∂ρ ∂t x′ . 19. temos ordem 0.

retornando a (19.201). F−1 [HJ0 ](y ) = lim Com isso. temos ǫ→0+ i = √ 2π 1 y2 −1 . x′ . se y < 1 . p´ agina 1701 e H ´ e a fun¸ ca ˜o de Heaviside. assim. i S1 1 dz = i z − 2zz0 + 1 S1 1 1 = dz = −2π (z − z+ )(z − z− ) z− − z+ 2πi (2π )3/2 1 y2 − 1 + 2iǫy − ǫ2 π 2 z0 −1 = π y2 − 1 + 2iǫy − ǫ2 . res´ ıduos). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. devido ao fator H (t − t′ ) na express˜ ao para Gret . Verifique! Podemos escrever onde z0 := y + iǫ e S1 ´ z − 2zz0 + 1 = (z − z+ )(z − z− ). equivalentemente. t′ ) = −H (t − t′ ) c Im 2π x − x′ i y2 − 1 = −H (t − t′ ) = − c H (t − t′ )H (y − 1) 2π x − x′ y2 − 1 c 2π x − x′        √ 1 y 2 −1 . ou seja. (y − w) + iǫ 1 − w2 Agora temos que calcular −1 integra¸ ca ˜o complexa. Assim. interessa-nos saber se z± ent˜ ao no interior da regi˜ ao delimitada por S1 . Tem-se.160)).JCABarata. onde z± = z0 ± 2 − 1 = y + iǫ ± z0 y 2 − 1 + 2iǫy − ǫ2 . t. tal como definida no Cap´ ıtulo 35. p´ agina 681. para aplicarmos a f´ ormula integral de Cauchy (ou. z − 2zz0 + 1 e o circulo unit´ ario em C orientado no sentido anti-hor´ ario. como F−1 [H ](x) ´ e a distribui¸ ca ˜o limǫ→0+ (35. Como estabelecemos em (14. ´ e f´ acil constatar que em ambos os casos valem |z− | < 1 e |z+ | > 1. s´ o nos interessa o caso y > 0.160) = ǫ→0+ lim 2i (2π )3/2 1 −1 1 1 √ dw . temos que F−1 [J0 ](p) = e. Cap´ ıtulo 19 941/2069 onde F−1 ´ e a transformada de Fourier inversa. 1) (p) i √1 2π x+iǫ (vide (35. 0. temos F−1 [HJ0 ](y ) = 1 F−1 [H ] ∗ F−1 [J0 ] (y ) = √ 2π ∞ −∞ F−1 [H ](y − w)F−1 [J0 ](w) dw (35. Logo.364). Vamos agora calcular F−1 [HJ0 ](y ) tendo em mente que. definida em (35. Para 0 < y < 1 tem-se (desprezando termos de ordem ǫk com k > 2) | z ± |1 = e para y > 1 tem-se |z ± |1 = y ± y2 − 1 2 1± ǫ 1 − y2 2 + ǫ2 1 ± y y2 − 1 2 . Gret (x.54) 2 π 1 1 − p2 χ(−1. .112). 1 −1 1 1 √ 1 (y −w )+iǫ 1−w 2 π 0 dw. Conseq¨ uentemente. o que ´ e feito fazendo-se a mudan¸ ca de vari´ aveis w = cos ϕ seguida de π −π 1 1 √ dw = (y − w) + iǫ 1 − w2 1 1 dϕ = y + iǫ − cos ϕ 2 1 dϕ = i y + iǫ − cos ϕ S1 1 dz . Verifique! Assim. se tˆ em m´ odulo maior que 1 ou n˜ ao. se y > 1 .

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Cap´ ıtulo 19

942/2069

Como y =

x . Al´ em disso, vale evidentemente H (t − t′ )H (t − t′ ) − x− H (t − c isso, podemos escrever x′ H (t − t′ ) − x− c 1 Gret (x, t; x′ , t′ ) = − . 2π x′ 2 (t − t′ )2 − x− c2

c(t−t′ ) x −x ′ , x′ t′ ) − x − c

condi¸ ca ˜o y > 1 equivale a (t − t′ ) >

x −x ′ c

e, assim, podemos substituir H (y − 1) acima por

= H (t − t′ ) −

x −x ′ c

e, com

(19.365)

Essa ´ e a fun¸ ca ˜o de Green retardada para o operador de ondas ∆ − uret (x, t) =
R3

1 ∂2 c2 ∂t2

em 2 + 1-dimens˜ oes. h(x′ , t′ )

Para a equa¸ ca ˜o de onda n˜ ao-homogˆ enea (19.336) em 2 + 1-dimens˜ oes temos, portanto, a solu¸ ca ˜o retardada Gret (x, t; x′ , t′ ) h(x′ , t′ ) d2 x′ dt′ = − 1 2π
V(− x, t) x −x ′ c2
2

d2 x′ dt′ ,

(19.366)

(t −
2

t′ )2

onde V − (x, t) ´ e o cone de luz passado centrado em (x, t), ou seja, := V(− x, t) (x′ , t′ ) ∈ R3 c2 (t′ − t)2 − x′ − x ≥0,
x −x ′ c x −x ′ c2
2

t′ ≤ t .

Al´ em disso, uma solu¸ ca ˜o avan¸ cada tamb´ em existe no caso presente, sendo a fun¸ ca ˜o de Green avan¸ cada dada por
′ 1 H −(t − t ) − Gav (x, t; x , t ) = − 2π (t − t′ )2 − ′ ′

.

(19.367)

Como no caso 3 + 1-dimensional, podemos ainda acrescentar ` a solu¸ ca ˜o (19.366) uma solu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o homogˆ enea ∂2 ∆ − c1 = 0. 2 ∂t2 Em concordˆ ancia com o que comentamos anteriormente (p´ agina 895) as express˜ oes (19.365) e (19.346) revelam e v´ alido em 2 + 1-dimens˜ oes, ao contr´ ario do que ocorre em 3 + 1novamente o fato que o princ´ ıpio de Huygens n˜ ao ´ dimens˜ oes. Compare-se (19.365) a (19.345).

19.11.3.4

A Equa¸ c˜ ao de Ondas N˜ ao-Homogˆ enea em 1 + 1-Dimens˜ oes

Passemos agora ao caso de 1 + 1-dimens˜ oes e calculemos a integral em (19.344) para n = 1. Temos Gret (x, t; x′ , t′ ) = −H (t − t′ ) −H (t − t′ ) −H (t − t′ ) c 2π sen cp1 (t − t′ ) −ip1 (x−x′ ) e dp1 p1
∞ −∞

R

=

c  4πi

e

i c(t−t′ )−(x−x′ ) p1

p1

dp1 −

∞ −∞

e

−i c(t−t′ )+(x−x′ ) p1

p1

dp1 

(35.162)

=

c H c(t − t′ ) − (x − x′ ) + H c(t − t′ ) + (x − x′ ) − 1 . 2

Usando agora as identidades (demonstre-as!) H (a) H (a − b) + H (a + b) − 1 = H (a)H a2 − b2 = H a − |b | ,

v´ alidas para a, b ∈ R, obtemos, finalmente, c Gret (x, t; x′ , t′ ) = − H (t − t′ )H c2 (t − t′ )2 − (x − x′ )2 2
2

c = − H c(t − t′ ) − |x − x′ | 2
2

(19.368)

1 ∂ ∂ oes. Para a equa¸ ca ˜o de ondas Essa ´ e a fun¸ ca ˜o de Green retardada para o operador de ondas ∂x 2 − c2 ∂t2 em 1 + 1-dimens˜ n˜ ao-homogˆ enea (19.336) em 1 + 1-dimens˜ oes temos, portanto, a solu¸ ca ˜o retardada

uret (x, t) =
R2

Gret (x, t; x′ , t′ ) h(x′ , t′ ) d2 x′ dt′ = −

c 2

V(− x, t)

h(x′ , t′ ) dx′ dt′ ,

(19.369)

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Cap´ ıtulo 19

943/2069

onde V − (x, t) ´ e o cone de luz passado centrado em (x, t), ou seja, := V(− x, t) (x′ , t′ ) ∈ R2 c2 (t′ − t)2 − (x′ − x)2 ≥ 0 , t′ ≤ t .

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Cap´ ıtulo 19

944/2069

19.12
19.12.1

Exerc´ ıcios Adicionais
Problemas Selecionados de Eletrost´ atica

E. 19.30 Exerc´ ıcio. [Potencial de um anel uniformemente carregado] Determine o potencial el´ etrico φ(r, θ) produzido no v´ acuo por um anel unidimensional de raio R, uniformemente carregado com carga el´ etrica total Q e densidade linear de carga λ = Q/(2πR), nas seguintes regi˜ oes: a) r > R. b) r < R. c) r = R, mas θ = π/2. As vari´ aveis r e θ referem-se ao sistema de coordenadas esf´ ericas cuja origem ´ e o centro do anel e cujo eixo z , a partir de onde oˆ angulo θ ´ e medido, coincide com o eixo de simetria do anel. Sugest˜ ao 1. Calcule primeiramente o potencial ao longo do eixo de simetria. Para os demais pontos use a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de Laplace: ∞ Bn An rn + n+1 Pn (cos(θ)) . φ(r, θ) = r n=0 Os coeficientes An e Bn s˜ ao fixados pela solu¸ c˜ ao ao longo do eixo de simetria (que correspondem a θ = 0 e θ = π ). Sugest˜ ao 2. Para x ∈ C com |x| < 1 e para todo α ∈ C, vale a expans˜ ao binomial (vide (13.166), p´ agina 620): (1 + x)α =
∞ k=0

(α + 1 − k )k k x , k!

onde, para y ∈ C e n ∈ N0 , (y )n s˜ ao os s´ ımbolos de Pochhammer definidos em (13.147), p´ agina 612. Em particular, para |t| < 1, tem-se ∞ (2k − 1)!! (1 + t)−1/2 = 1 + αk tk , com αk = (−1)k . (2k )!!
k=1

E. 19.31 Exerc´ ıcio. [Potencial de um disco uniformemente carregado] Determine o potencial el´ etrico φ(r, θ) produzido no v´ acuo por um disco de raio R, uniformemente carregado com carga el´ etrica total Q e densidade superficial de carga σ = Q/(πR2 ), nas seguintes regi˜ oes: a) r > R. b) r < R, mas 0 ≤ θ < π/2. c) r < R, mas π/2 < θ ≤ π . As vari´ aveis r e θ referem-se ao sistema de coordenadas esf´ ericas cuja origem ´ e o centro do disco e cujo eixo z , a partir de onde o ˆ angulo θ ´ e medido, coincide com o eixo de simetria do disco. d) Obtenha o potencial φ(z ) = − σ σ |z | = − r| cos θ| de um plano infinito uniformemente carregado de densidade 2ǫ0 2ǫ0 superficial de carga σ tomando o limite R → ∞ da solu¸ c˜ ao acima.

Sugest˜ oes. Calcule primeiramente o potencial ao longo do eixo de simetria. Para os demais pontos use a solu¸ c˜ ao (19.51) da equa¸ c˜ ao de Laplace : ∞ Bn An rn + n+1 Pn (cos(θ)) . φ(r, θ) = r n=0

Usando a ´ ultima express˜ ao. p´ agina 944. As vari´ aveis r e θ referem-se ao sistema de coordenadas esf´ ericas cuja origem ´ e ponto m´ edio da barra e cujo eixo z .32 Exerc´ ıcio. ϕ) = Vide (19. tem-se z 2n = r2n P2n (cos(0)) para todo n ≥ 0 e |z | = +rP1 (cos(0)). o potencial el´ etrico φ(r. ϕ).33 Exerc´ ıcio. com origem na centro da esfera. ´ e dado no interior da esfera (0 ≤ r < R) por φi (r. onde θ = π . definido da forma usual.50). Para averiguar se o resultado obtido est´ a correto. E. que Blm = Rl+2 ǫ0 (2l + 1) 0 ∞ l=0 l (2l + 1)Rl−1 m =− l Alm Ylm θ. Lembre-se tamb´ em que sobre o semi-eixo z > 0. θ) produzido por essa barra no v´ acuo na regi˜ ao r > L/2. No Sistema Internacional de unidades vale ǫ0 ≈ 8. 1 ǫ0 (2l + 1)Rl−1 2π 2π 0 π 0 0 π Ylm θ.370) l=0 m=−l l=0 m=−l Blm m Y θ. . [Potencial de uma casca esf´ erica carregada] Este exerc´ ıcio generaliza um outro semelhante de [119]. θ. ∂φi ∂φe . 8541878176 10−12F/m. portanto.30. Ylm ∞ l ∞ l Alm rl Ylm θ. portanto. [Potencial de uma barra finita uniformemente carregada] Considere uma barra unidimensional de comprimento L. ϕ σ (θ. Determine.JCABarata. − σ (θ. Acima. ϕ (19. ϕ). ϕ) sen θ dθ dϕ . ϕ) sen θ dθ dϕ Ylm θ. ϕ . Como no exerc´ ıcio anterior. ϕ . 19. ϕ) = −ǫ0 ∂r ∂r r=R (ǫ0 ´ e a permissividade el´ etrica do v´ acuo. θ. determine primeiro o potencial ao longo do eixo z . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Como sabido da Eletrost´ atica. tem-se z 2n = r2n P2n (cos(π )) para todo n ≥ 0 mas |z | = −rP1 (cos(π )). ϕ σ (θ.) mostre que σ (θ. Sugest˜ ao. Da imposi¸ c˜ ao que a densidade superficial de cargas σ (θ) ´ e proporcional ` a descontinuidade da componente normal do campo el´ etrico. b. rl+1 l s˜ ao as fun¸ co ˜es harmˆ onicas esf´ ericas. sobre o semi-eixo z < 0. ϕ) = ǫ0 c. citada no Exerc´ ıcio E. onde θ = 0. o potencial el´ etrico satisfaz a equa¸ c˜ ao de Laplace ∆φ = 0 no interior e no exterior da esfera e. a partir do qual o ˆ angulo θ ´ e medido. Uma casca esf´ erica de espessura desprez´ ıvel e raio R ´ e carregada com densidade superficial de carga σ (θ. ϕ) = e no exterior da esfera (r > R) por φe (r.166). E. verifique a validade aproximada da lei de Coulomb para r grande. 19. Por´ em. Cap´ ıtulo 19 945/2069 Use tamb´ em a expans˜ ao binomial (13. a. em termos de uma expans˜ ao em s´ erie envolvendo polinˆ omios de Legendre. θ. mostre que Alm = e. Da imposi¸ c˜ ao que o potencial ´ e cont´ ınuo em r = R mostre que Blm = R2l+1 Alm . Aqui adotamos um sistema de coordenadas esf´ ericas (r. Esse ´ ultimo sinal “-” ´ e importante para distinguir as solu¸ co ˜es dos itens b e c e obter o potencial correto no item d. 19. uniformemente carregada e com carga el´ etrica total Q. coincide com o eixo da barra. ou seja.

41).34 Exerc´ ıcio. Da imposi¸ c˜ ao que a densidade superficial de cargas σ (θ. θ) = e no exterior da esfera (r > R) por φe (r. ou seja. 0 d. Usando a ´ ultima express˜ ao. Novamente adotamos um sistema de coordenadas esf´ ericas (r.51). portanto. definido da forma usual. p´ agina 644. ϕ). O potencial no interior da esfera (0 ≤ r < R) ´ e. Pl cos θ σ (θ) sen θ dθ 0 e. mostre que Al = 1 2 ǫ 0 R l− 1 π ∞ l=0 ∞ l=0 Al rl Pl cos θ ∞ l=0 Bl Pl cos θ . dado por φi (r.371) φi (r. 19. [Potencial de uma casca esf´ tratado ´ e um caso particular daquele do Exerc´ ıcio E. (σ0 sendo constante e 0 ≤ α < β ≤ π ) mostre que o potencial el´ etrico na regi˜ ao 0 ≤ r < R ´ e dado por σ0 cos α − cos β R 2ǫ0 + σ0 R 2ǫ0 ∞ l=1    σ0 . (19. Pl s˜ ao os polinˆ omios de Legendre. Sugest˜ ao: use (14. portanto. Como sabido da Eletrost´ atica. rl+1 (2l + 1)Al Rl−1 Pl cos θ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. α < θ < β . ϕ) ´ e proporcional ` a descontinuidade da componente normal do campo el´ etrico. Para o caso em que σ (θ) =     0. b. com origem na centro da esfera. Determine o potencial el´ etrico φe (r. Acima. − ∂r ∂r r=R mostre que σ (θ) = ǫ0 c. ∂φe ∂φi σ (θ) = −ǫ0 . Cap´ ıtulo 19 946/2069 erica carregada com simetria azimutal] O problema aqui E. θ) = Vide (19. Da imposi¸ c˜ ao que o potencial ´ e cont´ ınuo em r = R mostre que Bl = R2l+1 Al .JCABarata. devido ` a simetria azimutal. e. θ) = Pl+1 cos(α) − Pl−1 cos(α) − Pl+1 cos(β ) + Pl−1 cos(β ) 2l + 1 r R l Pl cos(θ) . 19. o potencial el´ etrico satisfaz a equa¸ c˜ ao de Laplace ∆φ = 0 no interior e no exterior da esfera. .33 (e tamb´ em generaliza um exerc´ ıcio de [119]). a. θ) na regi˜ ao r > R para a mesma distribui¸ c˜ ao σ (θ) de (19. Uma casca esf´ erica de espessura desprez´ ıvel e raio R ´ e carregada com densidade superficial de carga com simetria azimutal σ (θ). θ. que Bl = Rl+2 2ǫ0 π Pl cos θ σ (θ) sen θ dθ .371). 0 ≤ θ ≤ α ou β ≤ θ ≤ π .

para x ∈ [L/2.370) para a equa¸ c˜ ao de Laplace e obtenha os coeficientes Alm utilizando as rela¸ co ˜es de ortogonalidade. no interior de uma esfera de raio R > 0. t) = 0 e a condi¸ c˜ ao inicial u(x. L] .37 Exerc´ ıcio. Acima. L/2] . θ. 19. Novamente. Separe os casos r < R e r > R. ϕ) em todo o espa¸ co supondo φ(r. as coordenadas r. Aqui.     V0 .36 Exerc´ ıcio. t) representa a temperatura do ponto x da barra no instante de tempo t. ϕ) = V (θ. Forne¸ ca a solu¸ c˜ ao em termos da fun¸ c˜ ao V .35 Exerc´ ıcio. Cap´ ıtulo 19 947/2069 erica sob um potencial dado] O potencial el´ etrico em uma casca esf´ erica de raio R > 0 E. p´ agina 653) e use as rela¸ co ˜es de ortogonalidade das fun¸ co ˜es harmˆ onicas esf´ ericas (14. 0) = f (x) . Na ausˆ encia de cargas fora da casca esf´ erica. ϕ) → 0 para r → ∞. II. x ∈ [0. ϕ). θ. 0 ≤ θ ≤ π .79)–(14. sendo A = 0 uma constante. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno u(0. Sugest˜ ao: Use a solu¸ c˜ ao dada em (19.    2A(L − x)/L. ϕ) = V0 ( sen θ)2 cos(2ϕ) − 4 cos θ + 3 . 19. L > 0.81). como usual. onde f ´ e a fun¸ c˜ ao f (x) :=     2Ax/L. 19. em trˆ es dimens˜ oes. 2 separe os casos r < R e r > R. θ. Forne¸ ca a solu¸ c˜ ao expl´ ıcita (em termos de r. θ e ϕ) no caso em que V (θ. [Resfriamento de uma barra condutora de comprimento L com um extremo isolado] ∂2u ∂u c˜ ao real − D 2 = 0. Aqui u(x. 0 ≤ x ≤ L. [Casca esf´ ´ e dado por uma fun¸ c˜ ao V (θ. θ. . θ e ϕ referem-se a um sistema de coordenadas esf´ ericas centradas na origem da casca esf´ erica. p´ agina 654. ϕ). adotamos um sistema de coordenadas esf´ ericas (r. Para a parte II. D > 0.    −V0 . [Potencial no interior de uma esfera] Considere a equa¸ c˜ ao de Laplace ∆φ = 0. 19. sendo a fun¸ c˜ ao φ(r. com V0 sendo uma constante. ϕ). A condi¸ c˜ ao inicial significa que a distribui¸ c˜ ao da temperatura na barra em t = 0 ´ e descrita pela fun¸ c˜ ao f . ϕ) submetida ` a condi¸ c˜ ao de Dirichlet n˜ aohomogˆ enea φ(R. E. com V sendo uma fun¸ c˜ ao cont´ ınua. para x ∈ [0. com t.JCABarata. sendo u(x. π < θ ≤ π . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ϕ) em termos de uma combina¸ c˜ ao linear de fun¸ co ˜es harmˆ onicas esf´ ericas (use para tal (14. ϕ) = sendo V0 uma constante. t) fun¸ Considere a equa¸ c˜ ao a derivadas parciais ∂t ∂x de duas vari´ aveis u : [0. 2 Obtenha o potencial no caso particular em que V (θ. I.12. t) = 0 .2 Barras Condutoras de Calor em uma Dimens˜ ao E.83). ∈ R. θ. ∂x ∀t ∈ R . Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma barra met´ alica de comprimento L e constante de difus˜ ao t´ ermica D cuja extremidade situada em x = 0 ´ e posta em com contacto com um banho t´ ermico de temperatura T = 0 e cuja extremidade situada em x = L ´ e termicamente isolada. L] . determine o potencial el´ etrico φ(r. e ∂u (L. escreva V (θ. definido da forma usual. L] × R → R. com origem no centro da esfera.

t) = 0 . 19. constantes. ∂t ∂x com D > 0. No caso de u representar uma temperatura. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno ∂u ∂u (0. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. a constˆ ancia dessa integral est´ a associada ` a Primeira Lei da Termodinˆ amica. x ∈ [0. p´ agina 950. D > 0. ∂x ∂x (condi¸ co ˜es de Neumann homogˆ eneas) e a condi¸ c˜ ao inicial u(x.40 Exerc´ ıcio. [Barra condutora isolada com termo de fonte] (de [69]) Obtenha a solu¸ a derivadas parciais ∂2u ∂u = D 2 + Se−t/T . t) dy ´ e constante como fun¸ c˜ ao de t. Para tal. mostre que se u ´ e uma solu¸ c˜ ao de L =D ∂2u ∂x2 sob condi¸ co ˜es de Neumann homogˆ eneas. Para tal.JCABarata. D > 0. L > 0. onde f ´ e a mesma fun¸ c˜ ao do Exerc´ ıcio E. e a condi¸ c˜ ao inicial Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma barra met´ alica de comprimento L e constante de difus˜ ao t´ ermica D cujas extremidades (situadas em x = 0 e x = L) s˜ ao postas em bom contacto t´ ermico com banhos t´ ermicos de temperatura T0 e TL . t) = 0 e (L. . ent˜ ao 0 u(y. L > 0. se n = m = 0 . c˜ ao da seguinte equa¸ c˜ ao E. t) fun¸ derivadas parciais ∂t ∂x u : [0. S > 0 e T > 0. se n = m . t) = T0 e u(L. Utilizando a solu¸ c˜ ao obtida mostre que t→∞ lim u(x. 19. sob as condi¸ co ˜es de contorno ∂u ∂u (0. com t ∈ R. Justifique essa afirma¸ c˜ ao. t) fun¸ derivadas parciais ∂t ∂x u : [0.39 Exerc´ ıcio. t) representa a temperatura do ponto x da barra no instante de tempo t. sendo u(x.  0       π . E. [Barra condutora de comprimento L entre dois banhos t´ ermicos] Considere a equa¸ c˜ ao a ∂2u ∂u c˜ ao real de duas vari´ aveis − D 2 = 0. 0 ≤ x ≤ L. t) = 1 L L u0 (y ) dy . Cap´ ıtulo 19 948/2069 c˜ ao a E. 19. 19. t) representa a temperatura do ponto x da barra no instante de tempo t. ∂x ∂x ∀t > 0 . sendo u(x. A condi¸ c˜ ao inicial significa que a distribui¸ c˜ ao da temperatura na barra em t = 0 ´ e descrita pela fun¸ c˜ ao f . x ∈ [0. u(x. L] . Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno u(0. Aqui u(x. 2 Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma barra met´ alica de comprimento L e constante de difus˜ ao t´ ermica D cujas extremidades (situadas em x = 0 e x = L) s˜ ao termicamente isoladas. ∀t ∈ R . t) = TL . 0 ∂u ∂t Justifique por que esse resultado ´ e fisicamente esperado.42. 0) = u0 (x) . se n = m = 0 . A condi¸ c˜ ao inicial significa que a distribui¸ c˜ ao da temperatura na barra em t = 0 ´ e descrita pela fun¸ c˜ ao u 0 . n ∈ N0 tem-se     0 . 0) = f (x) . L] × R → R. [Barra condutora de comprimento L com extremidades isoladas] Considere a equa¸ ∂2u ∂u c˜ ao real de duas vari´ aveis − D 2 = 0. t) = (L. com t ∈ R.     π cos(my ) cos(ny ) dy = π . ∀t ∈ R . Aqui u(x. demonstre e use as seguintes rela¸ co ˜es de ortogonalidade: para m. 0 ≤ x ≤ L. t) = 0 . L] × R → R.38 Exerc´ ıcio. respectivamente. L] .

t.89). L L2 (19. diferenci´ avel e de per´ ıodo L. y ) u0 (y ) dy . L]. L]. (19. 2. Cap´ ıtulo 19 949/2069 e condi¸ c˜ ao inicial u(x.JCABarata. x. t. Mostre. 1. sendo u peri´ odica em x de per´ ıodo L: u(x + L. com t > 0 e x ∈ [0. que L 0 L e− 2πin L y u0 (y ) dy . t) para todo x e todo t. A rela¸ c˜ ao (35.375) n=−∞ com t > 0 e z ∈ C. (19. 4πDt 4πDt .23.377) para t > 0.372) com D > 0. ∂t ∂x (19. Algumas propriedades dessa fun¸ c˜ ao s˜ ao apresentadas no Exerc´ ıcio E. y ) := 1 θ L x − y 4πD t . u(x. p´ agina 1732. por exemplo. L L2 y) exp − (x4− Dt √ = 4πDt 2 θ −i (x − y )L L2 . com G(x. por unidade de tempo. constante. definida por θ(z. . Uma situa¸ c˜ ao f´ ısica a que esse problema corresponde ´ e o da difus˜ ao de calor em um anel unidimensional de per´ ımetro L e raio L/(2π ).374) como 1 G(x. t) = An √ exp L n=−∞ ∞ 2πin 4π 2 Dn2 t x− L L2 . t. mostre tamb´ em que (x−y−nL)2 1 G(x. Mostre que pelo m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e pelo princ´ ıpio de sobreposi¸ c˜ ao obt´ em-se a solu¸ c˜ ao u(x. radioativa) que produz calor a uma taxa Se−t/T por unidade de comprimento. 68 Carl Gustav Jacob Jacobi (1804–1851). t) = 0 G(x. y ) = √ . Consideremos que u satisfa¸ ca a condi¸ c˜ ao inicial u(x. Usando (35. t) = u(x. permite-nos reescrever (19. y ) := θ L x − y 4πD t . sendo essa barra dotada de uma fonte (por exemplo. [Condu¸ c˜ ao de calor em um anel unidimensional] Considere a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao ∂2u ∂u = D 2 . y ∈ [0. t. t) := ∞ e2πinz−πn 2 t .376) para t > 0. L]. (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.41 Exerc´ ıcio. onde u0 ´ e cont´ ınua. Uma das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas ` as quais o problema acima corresponde ´ e o da difus˜ ao t´ ermica de uma barra homogˆ enea de comprimento L condutora de calor com suas extremidades termicamente isoladas e tendo uma temperatura inicial nula.374) para t > 0. Obtenha ∞ An 2πin √ e L x u0 (x) = L n=−∞ e conclua disso que 1 An = √ L para todo n ∈ Z. x. E. A fun¸ c˜ ao G ´ e a fun¸ c˜ ao de Green do problema de valor inicial em quest˜ ao. x. x ∈ [0. 0) = 0 . 0) = u0 (x). y ∈ [0. e− 4Dt 4πDt n=−∞ ∞ (19. Acima. 35. y ∈ [0. L]. com isso. 19. θ ´ ea Fun¸ c˜ ao Teta de Jacobi68 . L].89).373) para t > 0.

Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Fa¸ ca um gr´ afico de f . Use esse fato para provar que para a solu¸ c˜ ao fornecida em (19. as quais est˜ ao fixas (condi¸ c˜ ao de contorno). mostre que lim u(x.377). 0 5.    2A(L − x)/L. e as condi¸ co ˜es iniciais u(x. L/2] . ∂t2 ∂x2 com t ∈ R. constante. ou (19. mostre que com x. Justifique essa afirma¸ c˜ ao.373) vale t→0 lim u(x. t. No Exerc´ ıcio E. Justifique por que o item anterior ´ e fisicamente esperado.373) e (19. t) = 0 . ent˜ ao 0 u(y. c > 0.12. t) = u(L. y ) = L→∞ 4πDt 2 . t) representa.372) L satisfazendo condi¸ co ˜es peri´ odicas de contorno. Nesse caso tem-se c = T /ρ. t) comporta-se como uma seq¨ uˆ encia delta de Dirac de per´ ıodo 1 centrada em z = 0. y e t fixos. 19. x ∈ [0. 0) = f (x) onde f ´ e a fun¸ c˜ ao f (x) := e ∀t ∈ R . 35.12. L] × R → R. para x ∈ [0. O estudante deve observar o papel importante desempenhado pela F´ ormula de Soma de Poisson (vide Proposi¸ c˜ ao 35. 0 ≤ x ≤ L. para todo x ∈ [0.3 Cordas Vibrantes em uma Dimens˜ ao 2 ∂2u 2 ∂ u − c = 0. que vem a ser a fun¸ c˜ ao de Green (n´ ucleo do calor) da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao em R obtida em (19. 19. a constˆ ancia dessa integral est´ a associada ` a Primeira Lei da Termodinˆ amica. provamos que para t → 0 a fun¸ c˜ ao θ(z. para x ∈ [L/2. t) = 1 L L t→∞ u0 (y ) dy . 0) = 0.42 Exerc´ ıcio. No caso de u representar uma temperatura. vale y) exp − (x4− Dt √ lim G(x. Para tal. p´ agina 1732. p´ agina 1730). sendo A = 0 uma constante. mostre que se u ´ e uma solu¸ c˜ ao de (19. .376). L]. A fun¸ c˜ ao u(x. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno c˜ ao a derivadas parciais E. t) dy ´ e constante como fun¸ c˜ ao de t. ∂t     2Ax/L. [Corda vibrante de comprimento L] Considere a equa¸ u(0. 6.23. ∂u (x. sendo u(x. manifesta nas propriedades de Fun¸ c˜ ao Teta de Jacobi usadas na obten¸ c˜ ao das propriedades da fun¸ c˜ ao de Green do problema acima. Cap´ ıtulo 19 950/2069 3. L] . Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma corda vibrante de comprimento L de densidade ρ constante sob uma tens˜ ao horizontal T nas suas extremidades (situadas em x = 0 e x = L). t) fun¸ c˜ ao real de duas vari´ aveis u : [0. L > 0.73). Esse limite ´ e uniforme? 4. p´ agina 864.JCABarata. A condi¸ c˜ ao inicial significa que a corda est´ a parada em t = 0 na posi¸ c˜ ao descrita pela fun¸ c˜ ao f . o deslocamento transversal no instante de tempo t do ponto da corda cuja coordenada horizontal ´ e x. ent˜ ao.374). L] . Usando o lado direito de (19. Usando (19. t) = u0 (x) . Justifique por que esse resultado ´ e fisicamente esperado.

19. ∂x ∂x ∂u (x.44 Exerc´ ıcio. constante. t) = u(L. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno E. Cap´ ıtulo 19 951/2069 ∂2u ∂2u − c2 2 = 0 .JCABarata. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno c˜ ao a derivadas parciais E. 0 ≤ x ≤ L. ∂t ∀t ∈ R . [Corda vibrante de comprimento L] Considere a equa¸ c˜ ao a derivadas parciais u(0. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. sendo u(x. L > 0. t) representa.    0. [Corda vibrante de comprimento L] Considere a equa¸ c˜ ao a derivadas parciais ∂u ∂u (0. 2 ∂t ∂x com t ∈ R. c > 0. Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma corda vibrante de comprimento L de densidade ρ constante sob uma tens˜ ao horizontal T nas suas extremidades (situadas em x = 0 e x = L). onde g ´ e a fun¸ c˜ ao g (x) := ∂u (x. L/3) e x ∈ (2L/3. e as condi¸ co ˜es iniciais ∀t ∈ R . 0) = g (x) . ent˜ ao. L] × R → R. 0) = g (x) . p´ agina 950. 0) = 0 . x ∈ [0. 0) = f (x) . podendo mover-se livremente na vertical (condi¸ no instante de tempo t do ponto da corda cuja coordenada horizontal ´ e x. t) fun¸ c˜ ao real de duas vari´ aveis u : [0. ∂t onde g ´ e a mesma fun¸ c˜ ao do Exerc´ ıcio E. L] . Nesse caso tem-se c = T /ρ. x ∈ [0. ∂2u ∂2u − c2 2 = 0 . sendo que v0 = 0 ´ e uma constante. [Corda vibrante de comprimento L] Considere a equa¸ ∂u ∂u (0. sendo u(x. Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma corda vibrante de comprimento L de densidade ρ constante sob uma tens˜ ao horizontal T nas suas extremidades (situadas em x = 0 e x = L). 0) = 0 . t) fun¸ c˜ ao real de duas vari´ aveis u : [0. L] . t) fun¸ c˜ ao real de duas vari´ aveis u : [0. para x ∈ [0. 19. 19. as quais est˜ ao . Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma corda vibrante de comprimento L de densidade ρ constante sob uma tens˜ ao horizontal T nas suas extremidades (situadas em x = 0 e x = L). 2 ∂t ∂x com t ∈ R. t) representa ent˜ ao o deslocamento transversal soltas. 0 ≤ x ≤ L. t) = 0 . x ∈ [0. e as condi¸ co ˜es iniciais u(x. L] . as quais est˜ ao c˜ ao de contorno). t) = (L. A condi¸ c˜ ao inicial significa que a corda est´ a parada em t = 0 na posi¸ c˜ ao descrita pela fun¸ c˜ ao f . L] × R → R. L] . 0 ≤ x ≤ L. L > 0.     v0 . A condi¸ c˜ ao inicial significa que a corda em t = 0 encontra-se na sua posi¸ c˜ ao de equil´ ıbrio (u ≡ 0) e nesse instante imprime-se (por exemplo atrav´ es de uma martelada) uma velocidade v0 a todos os pontos da corda situados no intervalo L/3 ≤ x ≤ 2L/3.42.43. 2L/3] . t) = 0 . 19. A fun¸ c˜ ao u(x. u(x. 19.43 Exerc´ ıcio. u(x. c > 0. o deslocamento transversal no instante de tempo t do ponto da corda cuja coordenada horizontal ´ e x. p´ agina 951. ∂t2 ∂x2 com t ∈ R. constante. c > 0. ∂x ∂x ∂u (x. constante. t) = (L. e as condi¸ co ˜es iniciais ∀t ∈ R . ∂t onde f ´ e a mesma fun¸ c˜ ao do Exerc´ ıcio E. sendo u(x. L > 0. para x ∈ [L/3.45 Exerc´ ıcio. L] × R → R. u(x. as quais est˜ ao fixas (condi¸ c˜ ao de contorno). t) = 0 . 0) = 0 . Fa¸ ca um gr´ afico de g . Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno E. ∂ 2u 2 ∂ 2 u −c = 0.

´ e da forma u(x.379) ∀y ∈ R . portanto.42. implica que G(y ) = −F (−y ). 19. podendo mover-se livremente na vertical (condi¸ no instante de tempo t do ponto da corda cuja coordenada horizontal ´ e x. O que representa tal solu¸ c˜ ao? Ela nos diz que a corda como um todo (ou seja. as condi¸ co ˜es iniciais levam a α = 0. em princ´ ıpio. e que. que correspondem ` as solu¸ co ˜es com σ < 0. expresse u(x. Aten¸ c˜ ao! O m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis procura solu¸ co ˜es do tipo u(x. p´ agina 950. Suponha que tenhamos que impor condi¸ co ˜es de contorno do tipo u(0. (19. t) = 0. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.378) ∀t ∈ R . 19. t) em uma s´ erie de senos e co-senos. Lembre-se que as extremidades da corda est˜ ao soltas! Ao martelarmos a corda ela deve mover-se na vertical como um todo al´ em de realizar movimentos vibrat´ orios. com α e β constantes e em um α = 0. b) Mostre que a condi¸ c˜ ao u(L. que levam a equa¸ co ˜es do σ ′′ ′′ tipo R = 2 R e S = σS para R e S .47 Exerc´ ıcio.46 Exerc´ ıcio. as condi¸ co ˜es c de contorno permitem solu¸ co ˜es com σ = 0 ! Estas levam a uma solu¸ c˜ ao do tipo u(x. No caso aqui tratado. u(x. Usando a expans˜ ao de Fourier de F e (19. na forma E. definidas em toda a reta real. t) = αt + β .42 e E. identifique as fun¸ co ˜es F e G e verifique se as mesmas satisfazem as propriedades descritas nos itens a e b do Exerc´ ıcio E. 19. s˜ ao arbitr´ arias (e diferenci´ aveis pelo menos duas vezes). por´ em. e que. Note que solu¸ co ˜es com σ = 0 tamb´ em aparecem nas condi¸ co ˜es do Exerc´ ıcio E. Cap´ ıtulo 19 952/2069 c˜ ao de contorno). 19. L´ a. t) = F (x − ct) + G(x + ct) . a) Mostre que a condi¸ c˜ ao u(0. t) = 0. onde F e G s˜ ao duas fun¸ co ˜es de uma vari´ avel. implica que F deve ser uma fun¸ c˜ ao peri´ odica de per´ ıodo 2L: F (y ) = F (y + 2L) . t) = R(x)S (t). 19. ∀t ∈ R. ∀y ∈ R . t) = F (x − ct) + G(x + ct) . Explique fisicamente por que h´ a essa diferen¸ ca. c) Obtenha os coeficientes dessa expans˜ ao de u(x. t) = 0 . 19. Fa¸ ca um gr´ afico de g . ao contr´ ario dos Exerc´ ıcios E.378). c˜ ao encontrada para o Exerc´ ıcio E. seu centro de massa) tem tamb´ movimento vertical com uma velocidade constante. t) representa ent˜ ao o deslocamento transversal soltas. t) = F (x − ct) − F (−x − ct) . ∀t ∈ R. 19. c) Usando o fato de F ser peri´ odica de per´ ıodo 2L expresse-a em uma expans˜ ao em s´ erie de Fourier. com L > 0.46. obtenha a expans˜ ao de G em s´ erie de Fourier. .43.44. t) em termos das condi¸ co ˜es iniciais. u(x. c˜ ao geral da equa¸ c˜ ao de ondas E. A condi¸ c˜ ao inicial significa que a corda em t = 0 encontra-se na sua posi¸ c˜ ao de equil´ ıbrio (u ≡ 0) e nesse instante imprime-se (por exemplo atrav´ es de uma martelada) uma velocidade v0 a todos os pontos da corda situados no intervalo L/3 ≤ x ≤ 2L/3. (19. t) = u(L. Escreva a solu¸ u(x. Sabemos que a solu¸ 2 ∂2u 2 ∂ u − c = 0. ∂t2 ∂x2 com x. Usando (19.379).JCABarata. t ∈ R.

0) = 0 . 1. Os modos de oscila¸ c˜ ao de problemas com amortecimento. constantes. (19. como o de acima. 0) = v ( z ) . Sugest˜ ao. t) = u(L. Determine lim u(x. Mostre que sob condi¸ co ˜es de Dirichlet homogˆ eneas ou sob condi¸ co ˜es de Neumann homogˆ eneas nos extremos x = 0 e x = L a quantidade 2 2 ∂u ∂u 1 L dx (19. ∂t ∂x com x ∈ [0. est´ a no aparecimento na equa¸ c˜ ao diferencial do termo dissipativo ∂u que pode ser devido ao atrito da corda com o ar e que (pode ter por conseq¨ uˆ encia a produ¸ c˜ ao de ondas sonoras). dE dt (0) = 0. sendo u(x. ou seja. no intervalo 0 ≤ z ≤ L do eixo vertical. t) ´ e dada nesse caso por u(x. x ∈ [0. sob condi¸ co ˜es de Dirichlet homogˆ eneas nos dois extremos x = 0 e x = L. 2 ∂t ∂t ∂z ∂z onde γ > 0 e g > 0. quando em repouso. que descreve o movimento de pequenas oscila¸ co ˜es de uma corda de comprimento L localizada. u(x. 19. [Conserva¸ sional ∂2u ∂2u ρ(x) 2 − τ 2 = 0 . c > 0. u(x. 19. Ao resolver a equa¸ c˜ ao para a parte temporal (m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis). s˜ ao denominados modos quase-normais. t) = 0 para todo t) e com condi¸ co ˜es iniciais u(z. A diferen¸ ca em rela¸ c˜ ao ao Exerc´ ıcio E. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) representa ent˜ ao o deslocamento transversal no instante de tempo t do ponto da corda cuja coordenada horizontal ´ e x. c˜ ao da energia da corda vibrante] Considere o problema da corda vibrante unidimenE. s˜ ao denominados modos quase-normais. 19. Cap´ ıtulo 19 953/2069 c˜ ao a derivadas E. pendurada pelo seu extremo superior (o que corresponde ` a condi¸ c˜ ao de ( z. 0 ≤ x ≤ L.42. como o de acima. Utilizando o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis e o princ´ ıpio de superposi¸ c˜ ao resolva essa equa¸ c˜ ao com as condi¸ co ˜es de contorno u(0. para certas fun¸ c o ˜ es u e v0 contorno u(L. γ ∂t Os modos de oscila¸ c˜ ao de problemas com amortecimento.48 Exerc´ ıcio . t→∞ Um das poss´ ıveis situa¸ co ˜es f´ ısicas a que esse problema corresponde ´ e o de uma corda vibrante de comprimento L de densidade ρ. γ > 0. ignore o caso de amortecimento cr´ ıtico. L] para algum L > 0 e t ∈ R e onde τ > 0 ´ e constante e ρ(x) > 0 para todo x ∈ [0. ∂u (x. ∂t onde f ´ e a mesma fun¸ c˜ ao do Exerc´ ıcio E.JCABarata. ∂t2 ∂x2 ∂t com t ∈ R. Para simplificar. constante.50 Exerc´ ıcio. p´ agina 950. 0) = f (x) . lembre-se que alguns modos de vibra¸ c˜ ao podem ter amortecimento sub-cr´ ıtico e outros super-cr´ ıtico. t) = ∞ n=1 An cos(ωn t) + Bn sen (ωn t) sen nπ x L . p´ agina 950. L > 0. L] × R → R. u(x.380) ρ(x) +τ E (t) := 2 0 ∂t ∂x ´ e constante. t).49 Exerc´ ıcio. L] . e a condi¸ c˜ ao inicial ∀t ∈ R . [Corda pendurada com amortecimento] Determine a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao da corda pendurada com amortecimento ∂ 2u ∂u ∂ ∂u +γ −g z = 0. 0) = u0 (z ) e ∂u 0 0 ∂t dadas. L].381) . as quais est˜ ao fixas (condi¸ c˜ ao de contorno). A condi¸ c˜ ao inicial significa que a corda est´ a parada em t = 0 na posi¸ c˜ ao descrita pela fun¸ c˜ ao f . 19. E. sob uma tens˜ ao horizontal T nas suas extremidades (situadas em x = 0 e x = L). Sabidamente. Considere o caso em que ρ(x) = ρ. t) fun¸ c˜ ao real de duas vari´ aveis u : [0. constante. [Corda vibrante de comprimento L com amortecimento] Considere a equa¸ parciais 2 ∂2u ∂u 2 ∂ u − c +γ = 0.42. 19. 2. t) = 0 .

x + y ≤ L . [Membrana em forma de um triˆ da equa¸ c˜ ao de ondas em duas dimens˜ oes para o movimento transversal de uma membrana bidimensional na forma de uma triˆ angulo retˆ angulo is´ osceles de lado L > 0 ou seja. 19. 2 π τ 2 2 2 n ∈ N. √ co ˜es iniciais u(x. y ) . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. t) := An cos(ωn t) + Bn sen (ωn t) sen nπ L x . podem ainda ser resolvidos pelo m´ etodo de separa¸ ca ˜o de vari´ aveis. p´ agina 955. Mostre que sob condi¸ co ˜es de Dirichlet homogˆ eneas ou sob condi¸ co ˜es de Neumann homogˆ eneas nos extremos x = 0 e x = L tem-se 2 2 1 dτ dE (t) = (t) dt 2 dt com E (t) dada em (19. de 0 0 0 L ∂t cada ponto da membrana em t = 0. Conclua disso que a energia associada a cada modo de vibra¸ c˜ ao un (x. 0) = u(0. y. ou seja. no entanto. Para triˆ angulos retˆ angulos gerais o m´ etodo n˜ ao se aplica. Para tal ´ e essencial que o triˆ angulo retˆ angulo considerado seja is´ osceles. infelizmente.JCABarata. 0 para todo 0 ≤ y ≤ L .18. respectivamente.4 Modos de Vibra¸ c˜ ao de Membranas angulo retˆ angulo is´ osceles]69 Determine a solu¸ c˜ ao E. ´ e En = 4L n An + Bn e que a energia de cada modo ´ e conservada separadamente.18. Considere o caso da equa¸ c˜ ao ρ(x) ∂ ∂t2 − τ (t) ∂x2 = 0 com x ∈ [0. y. Determine as constantes Amn e Bmn a partir das condi¸ L ∂u ( x.12. com a energia total sendo ´ importante observar tamb´ a soma da energia de cada modo individual. L − x) = 0 para todo 0 ≤ x ≤ L .384) (x. 69 Este exerc´ ıcio cont´ em um dos raros problemas com condi¸ c˜ oes de contorno n˜ ao-separ´ aveis que. y ) e onde ωmn = cπ n2 + m2 . A condi¸ c˜ ao (19. L] para algum L > 0 e t ∈ R e onde τ (t) > 0 para todo t ∈ R e ρ(x) > 0 para todo x ∈ [0.383) (19. (19. Cap´ ıtulo 19 954/2069 com ωn = nπc L .381) n˜ ao trocam energia entre si. Mostre que a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas que satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno (19. t) = sen mπx L sen nπy − (−1)m+n sen L mπy L sen nπx L × Amn cos (ωmn t) + Bmn sen (ωmn t) . sendo u e v fun¸ c o ˜ es dadas em T e que representam a posi¸ c ˜ ao e velocidade. L 0 ∂u ∂x 2 dx . contido na regi˜ ao TL ⊂ R2 definida por (em coordenadas Cartesianas) TL := Vide Figura 19. Assuma que a membrana est´ a fixa nas bordas. . y ) = u(x. E em que os diferentes modos de vibra¸ c˜ ao que comp˜ oe a solu¸ c˜ ao (19.380) com τ substitu´ ıda por τ (t). assuma as condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet u(x. L]. ∂ u u 3. sendo c = τ ρ. 19.51 Exerc´ ıcio dirigido. 0) = u0 (x. y ≥ 0. Mostre que E (t) = E = π2 τ 4L ∞ n=1 2 n2 A2 n + Bn .384) imp˜ oe a nulidade de u na aresta D da Figura 19. 0) = v ( x. 0 para todo 0 ≤ x ≤ L .382)-(19.382) (19. y ) ∈ R2 | x ≥ 0.384) ´ e ∞ m>n≥1 u(x. y.

y ) = c0 sen (αx) sen (αy ) (com c0 = ±(1 + c)) e a condi¸ c˜ ao Jα. a2 e a3 tais que a1 sen (αx) cos(βx) + a2 cos(αx) sen (βx) + a3 sen (αx) sen (βx) = 0 (19. portanto. ou seja. mas n˜ ao a condi¸ c˜ ao (19. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. e tentar determinar α. em ambos os casos. Para α = 0 ou β = 0 temos tamb´ em a solu¸ c˜ ao trivial identicamente nula. ent˜ ao em x = π/β ter´ ıamos a1 sen α a aqui duas possibilidades: a) vale a1 = 0.384) n˜ ao s˜ equa¸ c˜ ao de Helmholtz ∆u + λu = 0 ainda o ´ e. Com isso. a1 = a2 = a3 = 0. L − x) = 0 fica c0 sen (αx) sen (αL) cos(αx) − cos(αL) sen (αx) = 0. ` a solu¸ c˜ ao trivial identicamente nula.JCABarata. Notemos primeiramente que para β = ±α tem-se Jα.382) e (19. O m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis fornece solu¸ co ˜es do tipo sen (αx) sen (βy ) as quais satisfazem as condi¸ co ˜es de contorno (19. no qual para todo x. procedemos da seguinte forma. as quais satisfazem (19.386) ficaria a1 cos(βx) + a3 sen (βx) = 0. levando. α (x. (19. As condi¸ co ˜es de contorno (19. (19. Cap´ ıtulo 19 955/2069 y L T L D x L Figura 19.385) Mostremos agora que as fun¸ co ˜es f1 (x) := sen (αx) cos(βx) .383).384). 0 ≤ y ≤ L). portanto. que a2 sen α π = 0. ambos n˜ ao-nulos. A id´ eia ´ e considerar as fun¸ co ˜es Jα.386) β π ponto x = π/α. β (x.384)). Para |α| = |β |. Para tal. ±α (x.382) e (19.18: A membrana triangular TL .382)-(19. Ter´ ıamos. No caso b ter´ ıamos de (19. no . o que s´ o´ e poss´ ıvel se a1 = a3 = 0. mas a Sugest˜ oes. β e c de sorte que Jα.386). β (x. observemos que se existirem a1 . β (x. y ) := sen (αx) sen (βy ) + c sen (βx) sen (αy ) . A aresta D corresponde ao segmento de reta x + y = L com 0 ≤ x ≤ L (e. ao separ´ aveis nas coordenadas Cartesianas x e y .383) e a equa¸ c˜ ao de Helmholtz ∆u + λu = 0 com λ = α2 + β 2 . b) vale α = mβ com β π = 0 H´ m ∈ Z mas com m = 0 e m = ±1 (pois j´ a exclu´ ımos o caso α = 0 e o caso α = ±β ). L − x) = sen (βL) sen (αx) cos(βx) + c sen (αL) cos(αx) sen (βx) − [cos(βL) + c cos(αL)] sen (αx) sen (βx) . L − x) = 0 seja satisfeita para todo 0 ≤ x ≤ L (condi¸ c˜ ao (19. que s´ o pode ser satisfeita para todo x se c0 = 0 ou se α = 0. a2 sen m = 0. o que s´ o´ e poss´ ıvel se a2 = 0. Verifique que Jα. f2 (x) := cos(αx) sen (βx) e f3 (x) := sen (αx) sen (βx) s˜ ao linearmente independentes. No caso a.

Ter´ ıamos novamente. Assim. E. 0. use o fato que d xJ0 (x) = dx xJ1 (x) (vide (14. conclu´ ımos que sen (αL) = 0.389) que c cos(αL) = (−1)n+1 . ou seja. β (x. y ) = −(−1)m+n Mnm (x. Para simplificar. o que s´ o´ e poss´ ıvel se a2 = a3 = 0. y ) = sen mπx L sen nπy − (−1)m+n sen L 2 mπy L sen nπx L π 2 2 co ˜es de contorno com m.392) R0 < ρ ≤ R . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. [Modos de vibra¸ ondas em duas dimens˜ oes para o movimento transversal de uma membrana bidimensional na forma de uma setor triangular de um disco de raio R > 0 e ˆ angulo de abertura β . Isso estabeleceu a independˆ encia linear das fun¸ co ˜es f1 . Assuma que a membrana est´ a fixa nas bordas. t) = 0 e com as condi¸ co ˜es iniciais u(ρ. p´ agina 958. y ) ´ e identicamente nula caso m = n e tem-se Mmn (x. no interior de um disco de raio R > 0. Ao resolver a equa¸ c˜ ao para a parte temporal (m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis). satisfazem a equa¸ c˜ ao de Helmholtz com λ = L 2 (n + m ) e satisfazem todas as condi¸ (19. (19.390) Isso. y ). s˜ ao denominados modos quase-normais.390) significa que c = (−1)m+n+1 . p´ agina 674). n ∈ N. Com isso.387) (19. em duas dimens˜ oes. Cap´ ıtulo 19 956/2069 a1 = 0. o que implica α = mπ/L com n ∈ N0 e m ∈ N0 . c˜ ao de um setor triangular de um disco] Determine a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de E.391)–(19.384) sendo. portanto. considere que n˜ ao haja amortecimento cr´ ıtico. cr´ ıtico ou super-cr´ ıtico. ∂t (19. contida na regi˜ ao (em coordenadas polares) 0 ≤ ρ ≤ R e 0 ≤ ϕ ≤ β . teremos por (19. (19.388). (19. as coordenadas ρ e ϕ referem-se ao sistema de coordenadas polares cuja origem coincide com o centro do disco de raio R. a1 = a2 = a3 = 0. apenas as fun¸ co ˜es Mmn (x. como o de acima. implica que c = 0 e. Vide Figura 19. Sugest˜ ao 2.382)-(19. Acima. com 0 < β ≤ 2π . lembre-se que os modos de vibra¸ c˜ ao podem ter amortecimento sub-cr´ ıtico.388) (19. por (19. o modos de vibra¸ c˜ ao do problema.389) De (19. 0) = 0 onde v0 (ρ) = e ∂u (ρ.387) temos β = nπ/L com n ∈ N. em particular. 19. ϕ. c2 ∂t2 ∂t γ > 0. y ) com m > n ≥ 1 s˜ ao independentes. Para o cˆ omputo expl´ ıcito das integrais referentes ` as condi¸ co ˜es iniciais (19. f2 e f3 . mas n > 0 para excluir a solu¸ c˜ ao nula.19. [Membrana circular com amortecimento] Determine a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas com amortecimento ∂u 1 ∂2u +γ − ∆u = 0 . onde 0 < R0 < R. (19. com |u(ρ. t)| < ∞. Sugest˜ ao 1. ϕ. assuma as condi¸ co ˜es .53 Exerc´ ıcio. impor em (19.385) que Jα. Dessa forma.JCABarata. 0 ≤ ρ ≤ R0 . L − x) = 0 seja satisfeita para todo 0 ≤ x ≤ L equivale a impor sen (βL) = c sen (αL) = cos(βL) + c cos(αL) = 0.52 Exerc´ ıcio. ϕ. Isto posto. portanto.392).159). ϕ. 0) = v0 (ρ) . (19. Obtenha as rela¸ co ˜es de ortogonalidade na regi˜ ao TL para as fun¸ co ˜es Mmn (x. Os modos de oscila¸ c˜ ao de problemas com amortecimento. Conclu´ ımos disso que as fun¸ co ˜es Mmn (x. ou seja. 19.391)     V . com condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet u(R.386) ficaria a2 cos(αx) + a3 sen (αx) = 0. y ).    0. 0. m > n ≥ 1. A fun¸ c˜ ao Mmn (x.

Determine as constantes Amn e Bmn a partir das β e onde αn ´ condi¸ co ˜es iniciais u(ρ.210). 19. assuma as condi¸ co ˜es de contorno u(R1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. contido na regi˜ ao (em coordenadas polares) R1 ≤ ρ ≤ R2 e 0 ≤ ϕ ≤ 2π . ou seja. ϕ) = 0 para todo 0 ≤ ϕ ≤ 2π . t) = ∞ ∞ Jνm m=1 n=1 m αν n ρ R sen mπ ϕ β Amn cos m αν n ct R + Bmn sen m αν n ct R . Assuma que a membrana est´ a fixa nas bordas. ϕ) = u(R2 . ∞) da fun¸ c˜ ao Lm (x) := Nm R1 x Jm (x) − Jm R2 R1 x Nm (x) . ou seja. p´ agina 958. ou seja.JCABarata. 19.19. ou seja. Ser´ a necess´ ario usar as co ˜es de ortogonalidade para rela¸ co ˜es de ortogonalidade (14. t) = com Rmn (ρ) := Nm ∞ ∞ Rmn (ρ) eimϕ Amn cos m=−∞ n=1 µmn ct R2 + Bmn sen µmn ct R2 . de cada ponto da membrana em t = 0. respectivamente.55 Exerc´ ıcio. ϕ. [Membrana triangular-anelar] Determine a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas em duas dimens˜ oes para o movimento transversal de uma membrana na forma de um setor triangular-anelar. ϕ). Cap´ ıtulo 19 957/2069 de contorno u(R. 0) = u(ρ. Mostre que a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas que satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno ´ e u(ρ. p´ agina 686. ϕ. sendo que µmn ´ e o n-´ esimo zero no intervalo (0. . µmn R1 R2 Jνm µmn ρ R2 − Jνm Nνm µmn ρ R2 . t) = com Rmn (ρ) := Nνm onde νm := mπ β . R2 A determina¸ c˜ ao das constantes Amn e Bmn a partir das condi¸ co ˜es iniciais usuais pode ser feita com uso das rela¸ co ˜es de ortogonalidade descritas no Teorema 14. ∞ ∞ Rmn (ρ) sen m=1 n=1 mπ ϕ β Amn cos µmn ct R2 µmn R1 R2 + Bmn sen µmn ct R2 . µmn R1 R2 Jm µmn ρ R2 − Jm µmn R1 R2 Nm µmn ρ R2 . para as fun¸ co ˜es de Bessel Jνm assim como as rela¸ as fun¸ co ˜es sen mπ β ϕ . sendo que µmn ´ e o n-´ esimo zero no intervalo (0.7. Mostre que a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas que satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno ´ e u(ρ. p´ agina 686.54 Exerc´ ıcio. Mostre que a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas que satisfaz as condi¸ co ˜es de contorno ´ e u(ρ. de raio interno R1 e raio externo R2 com 0 < R1 < R2 . [Membrana anelar] Determine a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas em duas dimens˜ oes para o movimento transversal de uma membrana anelar. β ) = 0 para todo R1 ≤ ρ ≤ R2 (condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet). p´ agina 683. com 0 < R1 < R2 e 0 < β ≤ 2π . ϕ) = 0 para todo 0 ≤ ϕ ≤ β e u(ρ. ϕ) e ∂u co ˜es dadas em 0 ≤ ρ ≤ R e 0 ≤ ϕ ≤ β ∂t (ρ. ∞). 0) = u0 (ρ. Assuma que a membrana est´ a fixa nas bordas (condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet). ϕ) = u(R2 . νm onde νm = mπ e o n-´ esimo zero de Jνm na semi-reta (0. ϕ.7. E. assuma as condi¸ co ˜es de contorno u(R1 . ϕ. 0) = u(ρ. R2 A determina¸ c˜ ao das constantes Amn e Bmn a partir das condi¸ co ˜es iniciais usuais pode ser feita com uso das rela¸ co ˜es de ortogonalidade descritas no Teorema 14. Vide Figura 19. E. 0) = v0 (ρ. β ) = 0 para todo 0 ≤ ρ ≤ R (condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet). sendo u0 e v0 fun¸ e que representam a posi¸ c˜ ao e velocidade. ∞) da fun¸ c˜ ao Lm (x) := Nνm R1 x Jνm (x) − Jνm R2 R1 x Nνm (x) . ϕ) = 0 para todo 0 ≤ ϕ ≤ β e u(ρ. contida na regi˜ ao (em coordenadas polares) R1 ≤ ρ ≤ R2 e 0 ≤ ϕ ≤ β . ϕ.

e com 0 ≤ x ≤ L1 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. θ. L2 e L3 s˜ ao positivos e arbitr´ arios. com |u(r. ϕ. Os modos de oscila¸ c˜ ao de problemas com amortecimento. θ. em trˆ es dimens˜ oes. Os n´ umeros L1 . t)| < ∞. 19. z. ϕ. 0) = 0 onde v0 (r) = e ∂u (r. ıpedo] Resolva a equa¸ c˜ ao a derivadas parciais E. 2 πz L3 .    0. para L1 ≤ x ≤ L1 .19: A angulo de abertura β . θ. z ) := f (x) [y (L2 − y )] sen onde f (x) :=     x. constante. t) = 0 e com as condi¸ co ˜es iniciais u(r. no interior da esfera de raio R. 2 2 c ∂t ∂t γ > 0. com raio R > 0 e ˆ Figura 19. 0 ≤ y ≤ L2 e 0 ≤ z ≤ L3 . para 0 ≤ x ≤ L1 . ∂t     V. raio externo R2 e ˆ angulo de abertura β . sendo 0 < R1 < R2 e 0 < β ≤ 2π . 0) = v0 (r). [Ondas amortecidas em uma esfera] Determine (t˜ ao detalhada e explicitamente quanto poss´ ıvel) a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de ondas com amortecimento ∂u 1 ∂2u +γ − ∆u = 0. s˜ ao denominados modos quase-normais.    (L1 − x). y. sendo 0 < β ≤ 2π . A condi¸ c˜ ao inicial ´ e u(x. θ.57 Exerc´ ıcio. como o de acima. ϕ. ` A direita: um setor triangular anelar de um disco. A equa¸ c˜ ao acima ´ e a vers˜ ao para trˆ es dimens˜ oes da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao.JCABarata. 19.12. 19. com condi¸ co ˜es de contorno de Dirichlet u(R. [Resfriamento de um paralelep´ ∂u −D ∂t ∂2u ∂2u ∂2u + 2 + 2 ∂x2 ∂y ∂z = 0.56 Exerc´ ıcio. 0) = u0 (x.5 Problemas sobre Ondas e Difus˜ ao em Trˆ es Dimens˜ oes Espaciais E. 0 ≤ r ≤ R0 < R . 2 . y. R0 < r ≤ R . ϕ. com raio interno R1 . com D > 0. Cap´ ıtulo 19 958/2069 β R R1 β R 2 ` esquerda: um setor triangular de um disco.

Escreva u(r. para z = 0 e para z = L3 . 19. com 0 ≤ r ≤ R. ϕ) no instante t = 0. Sugest˜ ao. θ. E. 0 ≤ θ ≤ π e 0 ≤ ϕ ≤ 2π . t) para o caso em que u0 (r. devemos impor ∂u (R1 . θ. a. Determine a temperatura u(r. 19. Deseja-se determinar a temperatura u(r. ϕ. proceda da seguinte forma. As condi¸ co ˜es de contorno acima s˜ ao n˜ ao-homogˆ eneas. [Resfriamento de um cano] Um cano cil´ ındrico infinito.58 Exerc´ ıcio. ϕ. A condi¸ co ˜es de contorno correspondem ter-se as paredes do paralelep´ ıpedo mantidas a uma temperatura nula. y. A temperatura u deve satisfazer a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao do calor ∂u = D∆u . ϕ. como ∆g = 0. t) + g (r) e escolha g . boa condutora de calor. Cap´ ıtulo 19 959/2069 As condi¸ co ˜es de contorno s˜ ao tais que u(x. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ϕ. b. ξ .JCABarata. t) − T1 ] ∂r e ∂u (R2 . z. ∂t Sugest˜ ao. As temperaturas dos materiais M1 e M2 s˜ ao mantidas constantes e n˜ ao mudam nem com o tempo nem com a posi¸ c˜ ao. as condi¸ co ˜es de contorno a serem satisfeitas em r = R1 e em r = R2 devem impor que o fluxo de calor na superf´ ıcie de contacto entre o cano um meio externo deve ser proporcional ` a diferen¸ ca de temperatura entre ambos os meios na superf´ ıcie de contacto. z. ϕ e t. Adotemos coordenadas cil´ ındricas (r. onde ξ ≡ πr/R. Com isso. Esse problema corresponde ao da condu¸ c˜ ao de calor em um paralelep´ ıpedo condutor t´ ermico de lados L1 . ϕ. encontra-se em contacto t´ ermico com um banho t´ ermico ` a temperatura T = 0. sendo que a constante de proporcionalidade σ depende de ambos os materiais em contacto t´ ermico. para R1 ≤ r ≤ R2 ) era u0 (r. ϕ. ´ e formado por um material Mc cuja constante de difus˜ ao t´ ermica ´ e D. t) se anula para x = 0. ϕ. Ou seja. A fun¸ c˜ ao f representa a temperatura como fun¸ c˜ ao da posi¸ c˜ ao em t = 0. Fun¸ co ˜es de Bessel esf´ ericas. ϕ). t) − T2 ] . para R1 ≤ r ≤ R2 . ϕ. t) no interior do cano. Seguindo a Lei de Fourier. cujo eixo z coincide com o eixo do cilindro. L2 e L3 e constante de difus˜ ao D. ϕ. Para passar para condi¸ co ˜es homogˆ eneas. Como o cano ´ e infinito e as temperaturas dos meios M1 e M2 n˜ ao variam. t) = f (r. com constante de difus˜ ao D > 0. para y = L2 . ∂r para todo t e todo ϕ. a fun¸ c˜ ao f deve satisfazer tamb´ em a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao ∂f = D∆f ∂t sen (ξ ) . que ´ e uma fun¸ c˜ ao apenas de r. θ. z. t) para todo t > 0. ϕ) no instante t ≥ 0. E. de modo que ∆g = 0 e de modo que g ′ (R1 ) − σ1 g (R1 ) = −σ1 T1 e g ′ (R2 ) + σ2 g (R2 ) = +σ2 T2 . determine a temperatura u(r. Use o m´ etodo de separa¸ c˜ ao de vari´ aveis. O cano est´ a em contacto por dentro com um material M1 ` a temperatura T1 e por fora com um material M2 ` a temperatura T2 . ϕ) = T0 Sugest˜ ao. ou seja. t) de um ponto do interior da esfera com coordenadas (r. t) = −σ2 [u(R2 . Sabendo que a temperatura no interior do cano (ou seja. ϕ.59 Exerc´ ıcio. para x = L1 . θ. cujo raio interno ´ e R1 e cujo raio externo ´ e R2 . No instante de tempo t = 0 a temperatura inicial da esfera ´ e descrita (em um sistema de coordenadas esf´ ericas. Determine explicitamente u(r. cuja origem coincide com o centro da esfera) por uma fun¸ c˜ ao u0 (r. z ). [Resfriamento de uma esfera] Uma esfera homogˆ enea de raio R. ϕ. a temperatura u deve ser apenas uma fun¸ c˜ ao de r. θ. t) = +σ1 [u(R1 . para y = 0.

Tal como naquele exerc´ ıcio. III. p´ agina 686.393) com as condi¸ co ˜es iniciais x(0) = x0 e x ˙ (0) = v0 ´ e dada por: 1.6 Problemas Envolvendo Fun¸ c˜ oes de Green E. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 2o A solu¸ equa¸ c˜ ao transcendente. 1 ρx0 + 2v0 sen (ω1 t) + 2 ω1 mω1 t 0 e−ρ(t−t )/2 sen ω1 (t − t′ ) f (t′ ) dt′ . Coment´ arios: 1o A determina¸ c˜ ao dos auto-valores n˜ ao precisa ser feita completamente. 0) = u0 (r. Mostre que para t > 0 uma poss´ ıvel solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao do oscilador amortecido for¸ cado 2 x ¨(t) + ρx ˙ (t) + ω0 x(t) = d2 dt2 d 2 + ω0 . Cap´ ıtulo 19 960/2069 mas com condi¸ co ˜es de contorno homogˆ eneas ∂f (R1 .JCABarata. ϕ) − g (r). ϕ. t) = 0 ∂r e ∂f (R2 . obtenha a solu¸ c˜ ao fundamental associada ao operador diferencial seja.54. ´ e importante determinar as rela¸ co ˜es de ortogonalidade a serem usadas e para isso recomenda-se dar uma olhada no Teorema 14. t′ )f (t′ ) dt′ . [Fun¸ c˜ ao de Green para o oscilador harmˆ onico amortecido] Sejam ρ > 0 e ω0 > 0. t) − σ1 f (R1 . t) + σ2 f (R2 . ′ . ou + ρ dt 1 f (t) m (19. enquanto que. caso envolva a solu¸ c˜ ao de uma ´ suficiente deixar indicado como proceder. I. ρ < 2ω0 (caso sub-cr´ ıtico). t′ ) = δ (t − t′ ) . e adaptar ao esquecer que a condi¸ c˜ ao inicial para f ´ e a demonstra¸ c˜ ao para o presente contexto. Caso ρ < 2ω0 (caso sub-cr´ ıtico): x(t) = e−ρt/2 x0 cos(ω1 t) + onde ω1 := 2− ω0 ρ2 4 . 3o N˜ f (r. E c˜ ao para f requer o uso de fun¸ co ˜es de Bessel e de Neumann. 2. prove que para t ≥ 0 a solu¸ c˜ ao x(t) da equa¸ c˜ ao do oscilador amortecido for¸ cado (19.393) ´ e obtida adicionando-se a essa solu¸ c˜ ao a solu¸ c˜ ao geral da equa¸ c˜ ao homogˆ enea 2 x ¨(t) + ρx ˙ (t) + ω0 x(t) = 0. t) = 0 . ρ = 2ω0 (caso cr´ ıtico). 19. + ρ + ω0 2 dt dt em cada um dos seguintes casos: 1.393) ´ e xnh (t) = 1 m ∞ 0 G(t. p´ agina 957. ϕ. Usando os fatos acima. ∂r para todo t e todo ϕ. * *** * 19. ϕ. II. ρ > 2ω0 (caso super-cr´ ıtico) e 3.12. a solu¸ c˜ ao G de d2 d 2 G(t.7. 19. mas as condi¸ co ˜es de contorno daquele exerc´ ıcio eram de Dirichlet. A solu¸ c˜ ao geral da equa¸ c˜ ao (19. Usando transformadas de Fourier. semelhantemente ao Exerc´ ıcio E. constantes. Isso pode ser trabalhoso.60 Exerc´ ıcio. no caso presente. ϕ. s˜ ao mistas. ϕ.

′ .JCABarata. Cap´ ıtulo 19 961/2069 2. Caso ρ > 2ω0 (caso super-cr´ ıtico): x(t) = e−ρt/2 x0 cosh(ω2 t) + onde ω2 := ρ2 4 2. ′ 3. Caso ρ = 2ω0 (caso cr´ ıtico): x(t) = e−ρt/2 ρ 1 + t x0 + t v0 2 + 1 m t 0 (t − t′ )e−ρ(t−t )/2 f (t′ ) dt′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. − ω0 ρx0 + 2v0 1 senh(ω2 t) + 2 ω2 mω2 t 0 e−ρ(t−t )/2 senh ω2 (t − t′ ) f (t′ ) dt′ .

Assim. e das observa¸ v →0 v →∞ e bijetora. p´ agina 868. (19. 2 √ √ √ 2 a s t− √ Come¸ camos escrevendo −st − at = − − 2a s.JCABarata. Cap´ ıtulo 19 962/2069 Apˆ endices 19. 2 y∈R. ∞).2) . de modo que come¸ caremos com esta. √ s 0 ∞ ´ natural agora fazermos a mudan¸ E ca de vari´ avel v = u √ . ∞). com du = √ s 0 ∞ √ s√ dt .61 Exerc´ ıcio. 19. Isso 1 ′ co ˜es que lim y (v ) = −∞ e lim y (v ) = ∞. Claro que poder´ ` ıamos fazer toda a seq¨ uˆ encia de mudan¸ cas de vari´ avel de uma s´ o vez.A. √ √ 2 b e−2a s √ L[f ](s) = s exp −b v − dv . a transformada de Laplace de g ´ e facilmente obtida a partir da de f . mas por raz˜ oes pedag´ ogicas vamos fazˆ e-las separadamente. (19. ou seja para a resolu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao em (0. √ √ s t. a2 exp − st − ∞ t √ L[f ](s) = dt .A Duas Transformadas de Laplace 1 a2 f (t) = √ exp − t t e 1 a2 g (t) = √ exp − t t3 . Afirmamos que essa fun¸ ca ˜o ´ e uma bije¸ ca ˜o de (0. ∞) em R. Justifique por que y os argumentos acima implicam que y ´ ´ f´ E acil mostrar que a fun¸ ca ˜o inversa de y ´ e v (y ) = y+ y2 + 4 .3. t 0 Para calcular esta integral teremos que proceder uma s´ erie de mudan¸ cas de vari´ avel de modo a chegarmos (como veremos) a uma integral de Laplace. ficamos com t ∞ 0 onde t > 0 e a > 0. L[f ](s) = e−2a Agora fa¸ camos a mudan¸ ca de vari´ avel u = √ s exp − √ √ a s t− √ t √ t 2 dt . b  2  Ficamos com 1 v 2  du . b com dv = ∞ 0 √ b u  exp −b √ − u b du √ . para v ∈ (0. ∞). segue do fato que y (v ) = 1 + v2 > 0. com v ∈ (0.A. Fa¸ ca um gr´ afico de y (v ). para s ≥ 0. as transformadas de Laplace dessas fun¸ co ˜es s˜ ao u ´ teis na resolu¸ ca ˜o da equa¸ ca ˜o de difus˜ ao para uma barra met´ alica homogˆ enea semi-infinita. Como vimos na Se¸ ca ˜o 19. podemos escrever 2e−2a √ L[f ](s) = s exp − u − du .1) 1 Seja agora a fun¸ ca ˜o y (v ) = v − v . Temos que. E. Nesta se¸ ca ˜o vamos mostrar como calcular as transformadas de Laplace das seguintes fun¸ co ˜es: Como veremos. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.3. que sabemos calcular. 2 t Ficamos com √ a s u 2 2e−2a √ L[f ](s) = s √ Definindo b := a s.

como ´ e bem sabido. 19.JCABarata. pois y vai de −∞ a ∞ quando v varia de 0 a ∞. Verifique isso resolvendo a equa¸ c˜ ao y = v − que tem por solu¸ co ˜es v = y± y2 + 4 ´ . E. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. pois o integrando ´ e uma fun¸ ca ˜o ´ ımpar.A. b Logo. a mudan¸ ca de vari´ aveis a se fazer ´ e justamente y = v − . com v dv = 1 2 1+ y y2 +4 dy . 2 Como anunciado.2). s Diferenciando ambos os lados dessa express˜ ao em rela¸ ca ˜o a a.63 Exerc´ ıcio. e L[g ](s) = a . √ √ 2 b e−2a s 1 √ L[f ](s) = 2 s ∞ −∞ e−by dy . ∞ −∞ e−by dy = 2 π . b π . Cap´ ıtulo 19 963/2069 E.62 Exerc´ ıcio. Note que os limites de integra¸ ca ˜o mudaram. Verifique isso a partir de (19. √ √ 2 b e−2a s 1 √ L[f ](s) = s 2 e conclu´ ımos que L[f ](s) = π −2a√s e . Ficamos ent˜ ao com o seguinte: √ √ 2 be−2a s 1 √ L[f ](s) = 2 s ∞ −∞ e−by 2 1+ y y2 +4 dy .A. 2 1 em v . a integral que aparece do lado direito ´ e uma integral de Laplace e. E f´ acil constatar que a solu¸ c˜ ao com o sinal “−” n˜ ao interessa (pois ´ e negativa). A integral ∞ −∞ e−by 2 y y2 + 4 dy vale zero. conclu´ ımos tamb´ em que √ π −2a√s .1). v 1 Retornando ` a equa¸ ca ˜o (19. Isso leva ` a equa¸ c˜ ao de segundo grau v 2 −yv −1 = 0. Logo. 19.

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Cap´ ıtulo 19 964/2069 .

Parte V Grupos 965 .

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