Sétima Câmara Criminal

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APELAÇÃO CRIMINAL Nº 0025401-51.2009.8.19.0205
Apelante Apelado Relatora : Ministério Público : FABIO DE SOUZA MESQUITA : Desembargadora Maria Angélica G. Guerra Guedes
APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO TENTADO. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. RECONHECIMENTO DA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA. RECURSO MINISTERIAL QUE PERSEGUE A CONDENAÇÃO DO ACUSADO NOS EXATOS TERMOS DA DENÚNCIA. No presente caso, em que pese à devolução do dinheiro não ter sido espontânea, vez que o acusado somente retornou ao caixa porque, efetivamente, foi abordado por um dos seguranças do banco, que, sem saber do ocorrido, a pedido do gerente administrativo, solicitou o seu retorno ao andar de cima da agência bancária, certo é que, a devolução se deu de forma voluntária, pois pelo que se infere do depoimento das testemunhas, em nenhum momento o acusado foi coagido ou forçado a devolver a quantia subtraída. In casu, não há que se falar em tentativa, como pretende o órgão parquetiano, uma vez que o delito não se consumou por ato voluntário do apelado. Desta forma, agiu com absoluto acerto o sentenciante ao proferir o r. decreto absolutório. RECURSO MINISTERIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Criminal nº. 0025401-51.2009.8.19.0205, originário do Juízo da 43ª Vara Criminal da Comarca da Capital, em que é apelante o Ministério Público e apelado FABIO DE SOUZA MESQUITA, ACORDAM os Desembargadores que compõem a 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ministerial, nos termos do voto da Relatora, que passa a integrar o presente acórdão. Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2011. Desembargadora Maria Angélica G. Guerra Guedes Relatora

Apelação Criminal n° 0025401-51.2009.8.19.0205 - VAM Desembargadora Maria Angélica G Guerra Guedes
Assinado por MARIA ANGELICA GUIMARAES GUERRA GUEDES:13775 Data: 11/10/2011 15:34:47. Local: GAB. DES(A). MARIA ANGELICA G. GUERRA GUEDES

000. após ter sido surpreendido pelos seguranças. c/c art. Consta dos autos. se dirigindo à porta de saída. em tese. Ocorre que. Neste momento. uma vez que a empreitada criminosa foi percebida por outras pessoas que avisaram ao segurança da referida instituição financeira. tendo aquele sido impedido de deixar a agência. a quantia em espécie de R$ 5. 155. Finda a instrução. porque. o qual impediu que o denunciado deixasse a agência bancária. a ação do denunciado acabou sendo percebida por outros funcionários. o DENUNCIADO. ante o reconhecimento do instituto da desistência voluntária.VAM Desembargadora Maria Angélica G Guerra Guedes . o douto sentenciante. Rio de Janeiro. por volta das 14h10min.00 (cinco mil reais). caput.19. na agência do Banco Unibanco. os quais alertaram à segurança sobre a subtração. Apelação Criminal n° 0025401-51.Sétima Câmara Criminal 212 VOTO Reporto-me ao relatório já constante dos autos. FABIO DE SOUZA MESQUITA foi denunciado pela prática. II. 155. caput. o denunciado retornou para a o segundo andar da agência bancária para devolver o valor que havia furtado”. subtraiu a quantia em espécie acima descrita do guichê. aproveitando-se da ausência momentânea da funcionária da agência bancária. II do Código Penal. do delito previsto no art. livre e consciente. julgando improcedente a pretensão punitiva estatal. c/c art. 25. absolveu o acusado da imputação relativa à prática do crime inserto no art. o Ministério Público interpôs o presente recurso de apelação. que o denunciado. in verbis: “No dia 14 de julho de 2009. do Código Penal. subtraiu para si ou para outrem. buscando a condenação do acusado nos exatos termos da denúncia. conforme auto de apreensão de fls. Inconformado. localizada na Rua Coronel Agostinho. 14. O crime de furto acima descrito apenas não se consumou por circunstâncias alheias à vontade do agente.14.8.0205 .2009.

a pedido do gerente administrativo.VAM Desembargadora Maria Angélica G Guerra Guedes . que. efetivamente. sem saber do ocorrido.8. foi abordado pelo segurança do banco o Sr. em que pese a devolução do dinheiro não ter sido espontânea. vez que o acusado somente retornou ao caixa porque.19. em nenhum momento o acusado foi coagido ou forçado a devolver a quantia subtraída. a devolução se deu de forma voluntária. não sabia que o mesmo havia Apelação Criminal n° 0025401-51. cabe a esta julgadora tecer um breve comentário. é que o agente continue sendo dono de suas decisões. mas não espontânea. Nesse sentido. O que isso quer dizer? Que não importa se a idéia de não prosseguir com a prática delituosa partiu do agente.Sétima Câmara Criminal 213 A pretensão ministerial não merece acolhida. cabe transcrever parte de seus relatos: Ademir de Albuquerque Dantas. e esta é a hipótese dos autos. ou se foi ele induzido a desistir por influência de terceiros.2009. A lei penal impõe que a desistência seja voluntária. relata que. Neste aspecto.0205 . segurança do banco. solicitou o seu retorno ao andar de cima da agência bancária. No que tange ao instituto da desistência voluntária. No presente caso. pois pelo que se infere do depoimento das testemunhas. o importante para a configuração da desistência voluntaria. Vejamos o porquê. certo é que. no momento em que abordou o acusado. Ademir.

VAM Desembargadora Maria Angélica G Guerra Guedes . que com a aproximação dos guardas.8. que confirma a tese da desistência voluntária..) que o acusado voltou para o caixa.2009. "que saiu do caixa para resolver um problema. o acusado disse que não iria subir. o entregou para Aline e pediu desculpas" (fl.) que os seguranças sequer se aproximaram do guichê. que a depoente avisou o gerente administrativo que abordou o acusado na parte debaixo da agência. a funcionária do banco.) que todo o dinheiro foi recuperado. que o acusado retornou para a parte de cima da agência e devolveu o dinheiro (. que inicialmente. o acusado subiu para a parte de cima da agência (sic).. que os seguranças não sabiam o que o acusado tinha feito. é o depoimento de Maria das Graças.. que teve a quantia subtraída de seu caixa. (grifos nossos) Nessa mesma esteira. que o acusado tirou o dinheiro de dentro da sua bolsa. (.19. "que não presenciou a ação do acusado. que o acusado pediu desculpas. pegou alguma coisa e saiu. (. (grifos nossos) Aline. que o gerente disse para o acusado que uma menina o estava chamando na parte de cima da agência para entregar um objeto.) que o acusado voltou para o guichê por vontade própria" (fl... que o gerente pediu para o depoente não deixar o acusado sair da agência. o acusado se aproveitou e foi em direção ao caixa. "quando a caixa Aline levantou e saiu do seu local de trabalho. 167). (..Sétima Câmara Criminal 214 subtraído o dinheiro do caixa.). 166). que o depoente falou que era para o mesmo voltar que havia esquecido alguma coisa na parte de cima da agência... além de corroborar o que disse o segurança no que diz respeito ao seu desconhecimento dos fatos. que o depoente acredita que o acusado pensava que não havia sido visto" (fl. que o depoente não sabia o que estava ocorrendo. (.. assevera que o acusado devolveu o dinheiro por vontade própria.. 167). foi em direção à depoente e colocou o dinheiro em cima do guichê da mesma.0205 . (grifos nossos) Apelação Criminal n° 0025401-51.

À conta de tais considerações. não há que se falar em tentativa.Sétima Câmara Criminal 215 Como sê vê. in casu. decreto absolutório. 11 de outubro de 2011. É como voto.2009. a prova testemunhal coligida aos autos é firme e contundente acerca da desistência voluntária perpetrada pelo acusado. direciono meu voto no sentido de negar provimento ao apelo ministerial. Desembargadora Maria Angélica G. agiu com absoluto acerto o sentenciante ao proferir o r. Guerra Guedes Relatora Apelação Criminal n° 0025401-51. uma vez que o delito não se consumou por ato voluntário do apelado.19.8.0205 . como pretende o órgão parquetiano. Rio de Janeiro.VAM Desembargadora Maria Angélica G Guerra Guedes . Desta forma. pelo que.